A ética do dever ser em Kant
"A moral propriamente dita, não é doutrina que nos ensina como
sermos felizes, mas como devemos tornar-nos dignos da felicidade."
(Immanuel Kant)
Contexto histórico: Quem foi Kant?
• Kant nasceu (22.04.1724), viveu e morreu
(12.02.1804) em Königsberg, na antiga Prússia
Oriental, hoje chamada de Kaliningrado, na
Rússia;
• Teve educação pietista (ramo do luteranismo)
e frequentou a universidade como estudante
de matemática e filosofia, tornando o
primeiro grande filósofo a lecionar em uma
faculdade;
• Demonstrou enorme simpatia pela causa da
Independência da América e em seguida pela
Revolução Francesa. Foi um verdadeiro
partidário do sistema político-social dos que
lutavam pela paz mundial permanente e pelo
desarmamento das nações.
Contexto histórico: Quem foi Kant?
• Em um cenário iluminista, foi influenciado por Berkeley, Descartes,
Hume, Leibnitz, Locke, Spinoza, Montaigne e Rousseau e influenciou
Hegel, Fitche, Schelling, Schopenhauer, Peirce, etc.;
• Didaticamente, as suas obras podem ser divididas em 2 períodos:
• Pré-Crítico (até 1770): Composto por trabalhos na área de matemática,
sismologia, astronomia e filosofia (influenciado principalmente por Leibniz e
Wolf);
• Crítico (de 1770 até sua morte): Com 46 anos, lê a obra de Hume, o que lhe
provocou bastante inquietação e culminou com a publicação da obra “Crítica
da Razão Pura” (1781) e anos seguintes de produção incessante;
Contexto histórico: Quem foi Kant?
• Principais Obras:
• Dissertação sobre a forma e os princípios do mundo sensível e inteligível (1770);
• Crítica da Razão Pura (1781);
• Prolegômenos para toda metafísica futura que se apresente como ciência (1783);
• Ideia de uma História Universal de um Ponto de Vista Cosmopolita (1784);
• Fundamentação da Metafísica dos Costumes (1785);
• Fundamentos da metafísica da moral (1785);
• Primeiros princípios metafísicos da ciência natural (1786);
• Crítica da Razão Prática (1788);
• Crítica do Julgamento (1790);
• A Religião dentro dos limites da mera razão (1793);
• A Paz Perpétua (1795);
• Doutrina do Direito (1796);
• A Metafísica da Moral (1797);
• Antropologia do ponto de vista pragmático (1798).
• Prolegómenos a Toda a Metafísica Futura;
Características
• Pré-requisitos para entender a
Ética do Dever:
Nós nascemos com um
“equipamento” ou “aparato” corporal
com capacidades e habilidades inatas;
A mente processa e trabalha o
conhecimento que nos vem através
dos sentidos e das experiências.
Nosso corpo e mente são limitados,
mas temos a capacidade de analisar o
conhecimento e potencializar nossas
capacidades através de artefatos e
máquinas;
Características
• Pré-requisitos para entender a Ética do Dever:
Quando o homem ousa pensar, saindo da menoridade, abre-se perante ele a
possibilidade de seguir por sua própria razão, sem deixar-se enganar pelas
crenças, tradições e opiniões alheias;
Se não sabemos as verdades sobre o mundo “como ele é em si”, podemos
saber com certeza um grande número de coisas sobre o mundo “como ele
nos aparece”, ou seja, como nós percebemos;
Nossa ciência vê o mundo a partir de JUÍZOS ANALÍTICOS (independem da
experiência, são universais e necessários) e JUÍZOS SINTÉTICOS (baseados na
experiência e são atributos não previamente contidos);
Características
• Pré-requisitos para entender a Ética do Dever:
• Kant desenvolve então suas críticas, baseadas em juízos teóricos (“Crítica da Razão
Pura”), práticos (“Crítica da Razão Prática”) e estéticos (“Crítica da Faculdade do
Juízo”);
• Razão Pura Teórica x Razão Pura Prática:
• A Razão Teórica trata da realidade exterior a nós, ou seja, da Natureza, sistema de objetos
regido por leis necessárias de causa e efeito, independentes de nossa intervenção;
• A Razão Prática trata do ser humano e sua liberdade como instauração de normas e fins
éticos. As ações humanas são derivadas não por necessidade causal, mas por finalidade e
liberdade;
• As duas razões são universais: apesar do conteúdo dos conhecimentos e das ações variarem
no tempo e no espaço, as formas da atividade racional de conhecimento e da ação são
universais, ou seja, válidas para todos os homens, em qualquer região do espaço-tempo;
Características
• Pré-requisitos para entender a Ética do Dever:
• O Iluminismo influenciou Kant com as seguintes ideias:
• "Todos os seres humanos conseguem distinguir o bem do mal " (Rousseau);
• A razão distingue o ser humano do animal, conferindo-lhe a capacidade de
pensar por si mesmo;
• Mas Kant, ao contrários dos iluministas em geral, não desprezou a
religião:
• A fé não fundamenta a moral, mas existe em uma esfera que escapa ao escopo
da razão;
Características
• Pré-requisitos para entender a Ética do Dever
• Reforçando: o ser humano é sensível por natureza, condicionado
pelas suas disposições naturais; por outro lado, é um ser racional,
isto é, alguém capaz de se regular por leis que impõe a si mesmo;
• A esta imposição chamamos de DEVER: não é uma obrigação
externa, e sim a expressão da lei moral em nós, ou seja, o senso
moral inato ao ser humano e não derivado da experiência
sensorial ou religiosa;
• Disse Kant:
“Age o mais perfeitamente que puderes,
eis o fundamento primário de toda obrigação de agir.”
Características
• Pré-requisitos para entender a Ética do Dever
• Por dever, damos a nós mesmos os valores, os fins e as leis de nossa
ação moral e por isso somos autônomos;
• Consequentemente, o ser humano, ao contrário do animal (que está
determinado a agir desta ou daquela maneira), é um ser livre. Se deve
agir, é porque pode agir. Esta liberdade lhe traz dignidade;
• Disse Kant:
“Podes, posto que deves.”
Características
• Pré-requisitos para entender a Ética do Dever
• Mas este senso moral não é espontâneo: por natureza, o ser humano é:
cruel, agressivo, egoísta, ambicioso, insaciável de prazer que o leva a
mentir, matar, roubar e destruir;
• Por isso, o dever é uma forma imperativa e não indicativa, que deve
valer para toda e qualquer ação moral; não admite hipóteses, não é
uma motivação psicológica, religiosa nem intencional mas uma lei
moral interior;
• Portanto, o “dever ser” é um IMPERATIVO CATEGÓRICO;
Princípios
•Depois de conhecer o “dever ser”, Como deve ser
uma ação moral?
•Kant formula 3 princípios máximos que regem uma
ação moral:
•Princípio do Universalismo;
•Princípio do Antropocentrismo;
•Princípio do Racionalismo;
Princípios
• Princípio do Universalismo:
• Toda ação moral deve ter validade universal, ou seja,
aquilo que todo ser humano deve fazer como se fosse
uma lei inquestionável válida para todos em todo
tempo e lugar;
• Disse Kant:
“...age só segundo máxima tal que possas ao mesmo
tempo querer que ela se torne lei universal.”
Princípios
• Princípio do Universalismo:
• A mentira é imoral, já que se
todos mentissem, a humanidade
deveria abdicar da razão, do
conhecimento, da reflexão,
vivendo na pura ignorância;
• A Declaração Universal dos
Direitos Humanos é uma
compilação dos direitos
considerados universais de todos
os seres humanos;
Princípios
• Princípio do Antropocentrismo:
• A modernidade (e com isso também a pós-modernidade) é marcada pelo
fator subjetivista, do sujeito, do indivíduo. Herança essa dada pelos
humanistas da época do Renascimento, que saem da questão teocêntrica da
Idade Média e entram no antropocentrismo.
• A teoria Kantiana também é conhecida como A Revolução Copernicana do
Conhecimento.
• Se Copérnico colocou o sol no centro do universo, Kant deslocou o sujeito,
mais especificamente a razão, para o pólo central da cognição.
Princípios
• Princípio do Antropocentrismo:
• No Cristianismo, a supremacia da espécie humana recebe um tratamento relevante,
resumida na semelhança que possui com Deus e na superioridade em relação a outros
animais. Por sua vez, Immanuel Kant considera o ser humano como o único ser acima de
todo o preço.
• O homem deve ser sempre o fim, nunca o meio, discurso de Kant muito criticado por
Hans Jonas.
• Disse Kant:
“...age de tal modo que faças da humanidade, tanto em tua pessoa
como na pessoa do outro, sempre ao mesmo tempo um fim e nunca
simplesmente um meio.”
Princípios
• Princípio do Racionalismo:
• A vontade que age por dever institui um reino humano de seres morais
porque racionais e, portanto, dotados de uma vontade legisladora livre ou
autônoma.
• Isto exprime a diferença ou separação entre o reino natural das causas e o
reino humano dos fins.
• Disse Kant:
• “...age como se a máxima de tua ação devesse servir de lei
universal para todos os seres racionais.”
Aplicabilidade às Políticas em Ciência e Tecnologia
• Vídeo sobre os Direitos Humanos:
• http://www.youtube.com/watch?v=oX1XghdlYcU
• http://www.youtube.com/watch?v=quQQrPC7WME
Aplicabilidade às Políticas em Ciência e Tecnologia
• Declaração Universal dos Direitos Humanos:
Artigo I:
“Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São
dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com
espírito de fraternidade”;
Artigo III:
“Todo ser humano tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal”;
Artigo V:
“Ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel,
desumano ou degradante.”
Aplicabilidade às Políticas em Ciência e Tecnologia
• Tratado de Não-Ploriferação de Armas Nucleares:
Artigo I:
Cada Estado nuclearmente armado, Parte deste Tratado, compromete-se a não transferir, para
qualquer recipiendário, armas nucleares ou outros artefatos explosivos nucleares, assim como o
controle, direto ou indireto, sobre tais armas ou artefatos explosivos e, sob forma alguma
assistir, encorajar ou induzir qualquer Estado não-nuclearmente armado a fabricar, ou por
outros meios adquirir armas nucleares ou outros artefatos explosivos nucleares, ou obter
controle sobre tais armas ou artefatos explosivos nucleares.
Artigo II:
Cada Estado não-nuclearmente armado, Parte deste Tratado, compromete-se a não receber a
transferência, de qualquer fornecedor, de armas nucleares ou outros artefatos explosivos
nucleares, ou o controle, direto ou indireto, sobre tais armas ou artefatos explosivos; a não
fabricar, ou por outros meios adquirir armas nucleares ou outros artefatos explosivos nucleares,
e a não procurar ou receber qualquer assistência para a fabricação de armas nucleares ou
outros artefatos explosivos nucleares.
Críticas: Ética Racional e Formal x Ética Emotiva
• Dilema 1:
• Um jovem, chamado Henrique, se
agir por dever, não pode escolher
roubar um medicamento, por que
isso contraria o IMPERATIVO
CATEGÓRICO, uma vez que roubar
não se pode tornar numa lei
universal;
• Mas se Henrique decidir não roubar o
medicamento, para não ir preso,
então a sua ação está conforme ao
dever, mas não foi executada por
dever, uma vez que na sua base está
o medo das consequências, que é
uma inclinação sensível;
Críticas: Ética Racional e Formal x Ética Emotiva
• Dilema 2:
• Um pai cuida de seu filho movido
pelo “dever” da norma ou pelo afeto?
• Para os críticos, a ética de Kant é
muito focada na norma,
esquecendo-se do ser humano;
• Principais Críticos:
Schopenhauer, Nietzche e Hans
Jonas;
Críticas: Ética Universalista x Ética Relativista
• Outros críticos mais tarde
também levantaram a ideia da
historicidade dos fatos e do
pluralismo cultural; dessa
forma, nenhuma norma poderia
ter caráter universal;
• Principais Críticos: Hegel e
Habernas
Referências Bibliográficas
• Crítica da Razão Prática - Tradução, Immanuel Kant; Edições e Publicações Brasil Editora S.A, São Paulo, 1959
[Versão em E-book, 2004]
• Fundamentação da Metafísica dos Costumes e Outros Escritos, Immanuel Kant; Martin Claret, São Paulo,
2004;
• A Filosofia de Immanuel Kant ao seu Alcance, Will Durant, TecnoPrint S.A , Rio de Janeiro, 1956 ;
• Filosofia, Marilena Chauí, Ed. Ática, São Paulo, 2000;
• Apontamento - A Ética do Dever (Kant), Horacio Freitas, 2013 -
http://filosofiaemalbergaria.blogspot.com.br/2011/01/apontamento-etica-do-dever-kant.html, acessado em
14.04.2014;
• O antropocentrismo entranhado, Walmir Moura Belaz, 2005 - http://jus.com.br/artigos/7781/o-
antropocentrismo-entranhado, acessado em 18.04.2014;
• O idealismo kantiano não é individualismo, Anderson Rodrigo de Oliveira -
http://meuartigo.brasilescola.com/filosofia/o-idealismo-kantiano-nao-individualismo.htm, acessado em
18.04.2014;
• Kant e a Revolução Copernicana do Conhecimento: uma Introdução, Adelino Ferreira, 2012 -
http://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=3&ved=0CEAQFjAC&url=http%3A%
2F%2Fwww.ufsj.edu.br%2Fportal2-
repositorio%2FFile%2Fexistenciaearte%2FKant_e_a_Revolucao_Copernicana_do_Conhecimento_-
_uma_Introducao.pdf&ei=RvRgU63RFIvSsASdoYDYCQ&usg=AFQjCNE_kxTgZYVMOrflC1wz7fOJ883Lyw&sig2=
Zk04sZ-IlZ4rQZCQDR2T-w&bvm=bv.65636070,d.cWc&cad=rja, acessado em 18.04.2014;
• A História dos Direitos Humanos (legenda em PT-BR), 2012 -
http://www.youtube.com/watch?v=oX1XghdlYcU, acessado em 15.04.2014;
• A História dos Direitos Humanos [DUBLADO], 2012 - http://www.youtube.com/watch?v=quQQrPC7WME,
acessado em 15.04.2014;
Referências Bibliográficas
• http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/8d/DBP_-
_250_Jahre_Immanuel_Kant_-_90_Pfennig_-_1974.jpg, acessado em 17.04.2014;
• http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/01/NPT_Participation.svg,
acessado em 17.04.2014;
• Immanuel Kant, Caroline Cougo, 2012 -
www.slideshare.net/CarolineCougo/immanuel-kant-14485534, acessado em
18.04.2014;
• A Moral de Kant, Paulo Gomes, 2007 - www.slideshare.net/espanto.info/a-moral-
de-kant, acessado em 18.04.2014;
• As críticas de Schopenhauer à Ética de Kant, Charles Feldhaus, 2011 -
https://www.academia.edu/1092019/As_criticas_de_Schopenhauer_a_etica_de_
Kant, acessado em 18.04.2014;
• DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS, UNIC/RIO/005, dezembro de
2000; Versão Ebook em
http://unicrio.org.br/img/DeclU_D_HumanosVersoInternet.pdf, acessado em
18.04.2014;
• TRATADO SOBRE A NÃO-PROLIFERAÇÃO DE ARMAS NUCLEARES -
http://www.cnen.gov.br/Doc/pdf/Tratados/TRAT0001.pdf, acessado em
18.04.2014.

Kant e a Ética do Dever

  • 1.
    A ética dodever ser em Kant "A moral propriamente dita, não é doutrina que nos ensina como sermos felizes, mas como devemos tornar-nos dignos da felicidade." (Immanuel Kant)
  • 2.
    Contexto histórico: Quemfoi Kant? • Kant nasceu (22.04.1724), viveu e morreu (12.02.1804) em Königsberg, na antiga Prússia Oriental, hoje chamada de Kaliningrado, na Rússia; • Teve educação pietista (ramo do luteranismo) e frequentou a universidade como estudante de matemática e filosofia, tornando o primeiro grande filósofo a lecionar em uma faculdade; • Demonstrou enorme simpatia pela causa da Independência da América e em seguida pela Revolução Francesa. Foi um verdadeiro partidário do sistema político-social dos que lutavam pela paz mundial permanente e pelo desarmamento das nações.
  • 3.
    Contexto histórico: Quemfoi Kant? • Em um cenário iluminista, foi influenciado por Berkeley, Descartes, Hume, Leibnitz, Locke, Spinoza, Montaigne e Rousseau e influenciou Hegel, Fitche, Schelling, Schopenhauer, Peirce, etc.; • Didaticamente, as suas obras podem ser divididas em 2 períodos: • Pré-Crítico (até 1770): Composto por trabalhos na área de matemática, sismologia, astronomia e filosofia (influenciado principalmente por Leibniz e Wolf); • Crítico (de 1770 até sua morte): Com 46 anos, lê a obra de Hume, o que lhe provocou bastante inquietação e culminou com a publicação da obra “Crítica da Razão Pura” (1781) e anos seguintes de produção incessante;
  • 4.
    Contexto histórico: Quemfoi Kant? • Principais Obras: • Dissertação sobre a forma e os princípios do mundo sensível e inteligível (1770); • Crítica da Razão Pura (1781); • Prolegômenos para toda metafísica futura que se apresente como ciência (1783); • Ideia de uma História Universal de um Ponto de Vista Cosmopolita (1784); • Fundamentação da Metafísica dos Costumes (1785); • Fundamentos da metafísica da moral (1785); • Primeiros princípios metafísicos da ciência natural (1786); • Crítica da Razão Prática (1788); • Crítica do Julgamento (1790); • A Religião dentro dos limites da mera razão (1793); • A Paz Perpétua (1795); • Doutrina do Direito (1796); • A Metafísica da Moral (1797); • Antropologia do ponto de vista pragmático (1798). • Prolegómenos a Toda a Metafísica Futura;
  • 5.
    Características • Pré-requisitos paraentender a Ética do Dever: Nós nascemos com um “equipamento” ou “aparato” corporal com capacidades e habilidades inatas; A mente processa e trabalha o conhecimento que nos vem através dos sentidos e das experiências. Nosso corpo e mente são limitados, mas temos a capacidade de analisar o conhecimento e potencializar nossas capacidades através de artefatos e máquinas;
  • 6.
    Características • Pré-requisitos paraentender a Ética do Dever: Quando o homem ousa pensar, saindo da menoridade, abre-se perante ele a possibilidade de seguir por sua própria razão, sem deixar-se enganar pelas crenças, tradições e opiniões alheias; Se não sabemos as verdades sobre o mundo “como ele é em si”, podemos saber com certeza um grande número de coisas sobre o mundo “como ele nos aparece”, ou seja, como nós percebemos; Nossa ciência vê o mundo a partir de JUÍZOS ANALÍTICOS (independem da experiência, são universais e necessários) e JUÍZOS SINTÉTICOS (baseados na experiência e são atributos não previamente contidos);
  • 7.
    Características • Pré-requisitos paraentender a Ética do Dever: • Kant desenvolve então suas críticas, baseadas em juízos teóricos (“Crítica da Razão Pura”), práticos (“Crítica da Razão Prática”) e estéticos (“Crítica da Faculdade do Juízo”); • Razão Pura Teórica x Razão Pura Prática: • A Razão Teórica trata da realidade exterior a nós, ou seja, da Natureza, sistema de objetos regido por leis necessárias de causa e efeito, independentes de nossa intervenção; • A Razão Prática trata do ser humano e sua liberdade como instauração de normas e fins éticos. As ações humanas são derivadas não por necessidade causal, mas por finalidade e liberdade; • As duas razões são universais: apesar do conteúdo dos conhecimentos e das ações variarem no tempo e no espaço, as formas da atividade racional de conhecimento e da ação são universais, ou seja, válidas para todos os homens, em qualquer região do espaço-tempo;
  • 8.
    Características • Pré-requisitos paraentender a Ética do Dever: • O Iluminismo influenciou Kant com as seguintes ideias: • "Todos os seres humanos conseguem distinguir o bem do mal " (Rousseau); • A razão distingue o ser humano do animal, conferindo-lhe a capacidade de pensar por si mesmo; • Mas Kant, ao contrários dos iluministas em geral, não desprezou a religião: • A fé não fundamenta a moral, mas existe em uma esfera que escapa ao escopo da razão;
  • 9.
    Características • Pré-requisitos paraentender a Ética do Dever • Reforçando: o ser humano é sensível por natureza, condicionado pelas suas disposições naturais; por outro lado, é um ser racional, isto é, alguém capaz de se regular por leis que impõe a si mesmo; • A esta imposição chamamos de DEVER: não é uma obrigação externa, e sim a expressão da lei moral em nós, ou seja, o senso moral inato ao ser humano e não derivado da experiência sensorial ou religiosa; • Disse Kant: “Age o mais perfeitamente que puderes, eis o fundamento primário de toda obrigação de agir.”
  • 10.
    Características • Pré-requisitos paraentender a Ética do Dever • Por dever, damos a nós mesmos os valores, os fins e as leis de nossa ação moral e por isso somos autônomos; • Consequentemente, o ser humano, ao contrário do animal (que está determinado a agir desta ou daquela maneira), é um ser livre. Se deve agir, é porque pode agir. Esta liberdade lhe traz dignidade; • Disse Kant: “Podes, posto que deves.”
  • 11.
    Características • Pré-requisitos paraentender a Ética do Dever • Mas este senso moral não é espontâneo: por natureza, o ser humano é: cruel, agressivo, egoísta, ambicioso, insaciável de prazer que o leva a mentir, matar, roubar e destruir; • Por isso, o dever é uma forma imperativa e não indicativa, que deve valer para toda e qualquer ação moral; não admite hipóteses, não é uma motivação psicológica, religiosa nem intencional mas uma lei moral interior; • Portanto, o “dever ser” é um IMPERATIVO CATEGÓRICO;
  • 12.
    Princípios •Depois de conhecero “dever ser”, Como deve ser uma ação moral? •Kant formula 3 princípios máximos que regem uma ação moral: •Princípio do Universalismo; •Princípio do Antropocentrismo; •Princípio do Racionalismo;
  • 13.
    Princípios • Princípio doUniversalismo: • Toda ação moral deve ter validade universal, ou seja, aquilo que todo ser humano deve fazer como se fosse uma lei inquestionável válida para todos em todo tempo e lugar; • Disse Kant: “...age só segundo máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne lei universal.”
  • 14.
    Princípios • Princípio doUniversalismo: • A mentira é imoral, já que se todos mentissem, a humanidade deveria abdicar da razão, do conhecimento, da reflexão, vivendo na pura ignorância; • A Declaração Universal dos Direitos Humanos é uma compilação dos direitos considerados universais de todos os seres humanos;
  • 15.
    Princípios • Princípio doAntropocentrismo: • A modernidade (e com isso também a pós-modernidade) é marcada pelo fator subjetivista, do sujeito, do indivíduo. Herança essa dada pelos humanistas da época do Renascimento, que saem da questão teocêntrica da Idade Média e entram no antropocentrismo. • A teoria Kantiana também é conhecida como A Revolução Copernicana do Conhecimento. • Se Copérnico colocou o sol no centro do universo, Kant deslocou o sujeito, mais especificamente a razão, para o pólo central da cognição.
  • 16.
    Princípios • Princípio doAntropocentrismo: • No Cristianismo, a supremacia da espécie humana recebe um tratamento relevante, resumida na semelhança que possui com Deus e na superioridade em relação a outros animais. Por sua vez, Immanuel Kant considera o ser humano como o único ser acima de todo o preço. • O homem deve ser sempre o fim, nunca o meio, discurso de Kant muito criticado por Hans Jonas. • Disse Kant: “...age de tal modo que faças da humanidade, tanto em tua pessoa como na pessoa do outro, sempre ao mesmo tempo um fim e nunca simplesmente um meio.”
  • 17.
    Princípios • Princípio doRacionalismo: • A vontade que age por dever institui um reino humano de seres morais porque racionais e, portanto, dotados de uma vontade legisladora livre ou autônoma. • Isto exprime a diferença ou separação entre o reino natural das causas e o reino humano dos fins. • Disse Kant: • “...age como se a máxima de tua ação devesse servir de lei universal para todos os seres racionais.”
  • 18.
    Aplicabilidade às Políticasem Ciência e Tecnologia • Vídeo sobre os Direitos Humanos: • http://www.youtube.com/watch?v=oX1XghdlYcU • http://www.youtube.com/watch?v=quQQrPC7WME
  • 19.
    Aplicabilidade às Políticasem Ciência e Tecnologia • Declaração Universal dos Direitos Humanos: Artigo I: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade”; Artigo III: “Todo ser humano tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal”; Artigo V: “Ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante.”
  • 20.
    Aplicabilidade às Políticasem Ciência e Tecnologia • Tratado de Não-Ploriferação de Armas Nucleares: Artigo I: Cada Estado nuclearmente armado, Parte deste Tratado, compromete-se a não transferir, para qualquer recipiendário, armas nucleares ou outros artefatos explosivos nucleares, assim como o controle, direto ou indireto, sobre tais armas ou artefatos explosivos e, sob forma alguma assistir, encorajar ou induzir qualquer Estado não-nuclearmente armado a fabricar, ou por outros meios adquirir armas nucleares ou outros artefatos explosivos nucleares, ou obter controle sobre tais armas ou artefatos explosivos nucleares. Artigo II: Cada Estado não-nuclearmente armado, Parte deste Tratado, compromete-se a não receber a transferência, de qualquer fornecedor, de armas nucleares ou outros artefatos explosivos nucleares, ou o controle, direto ou indireto, sobre tais armas ou artefatos explosivos; a não fabricar, ou por outros meios adquirir armas nucleares ou outros artefatos explosivos nucleares, e a não procurar ou receber qualquer assistência para a fabricação de armas nucleares ou outros artefatos explosivos nucleares.
  • 21.
    Críticas: Ética Racionale Formal x Ética Emotiva • Dilema 1: • Um jovem, chamado Henrique, se agir por dever, não pode escolher roubar um medicamento, por que isso contraria o IMPERATIVO CATEGÓRICO, uma vez que roubar não se pode tornar numa lei universal; • Mas se Henrique decidir não roubar o medicamento, para não ir preso, então a sua ação está conforme ao dever, mas não foi executada por dever, uma vez que na sua base está o medo das consequências, que é uma inclinação sensível;
  • 22.
    Críticas: Ética Racionale Formal x Ética Emotiva • Dilema 2: • Um pai cuida de seu filho movido pelo “dever” da norma ou pelo afeto? • Para os críticos, a ética de Kant é muito focada na norma, esquecendo-se do ser humano; • Principais Críticos: Schopenhauer, Nietzche e Hans Jonas;
  • 23.
    Críticas: Ética Universalistax Ética Relativista • Outros críticos mais tarde também levantaram a ideia da historicidade dos fatos e do pluralismo cultural; dessa forma, nenhuma norma poderia ter caráter universal; • Principais Críticos: Hegel e Habernas
  • 24.
    Referências Bibliográficas • Críticada Razão Prática - Tradução, Immanuel Kant; Edições e Publicações Brasil Editora S.A, São Paulo, 1959 [Versão em E-book, 2004] • Fundamentação da Metafísica dos Costumes e Outros Escritos, Immanuel Kant; Martin Claret, São Paulo, 2004; • A Filosofia de Immanuel Kant ao seu Alcance, Will Durant, TecnoPrint S.A , Rio de Janeiro, 1956 ; • Filosofia, Marilena Chauí, Ed. Ática, São Paulo, 2000; • Apontamento - A Ética do Dever (Kant), Horacio Freitas, 2013 - http://filosofiaemalbergaria.blogspot.com.br/2011/01/apontamento-etica-do-dever-kant.html, acessado em 14.04.2014; • O antropocentrismo entranhado, Walmir Moura Belaz, 2005 - http://jus.com.br/artigos/7781/o- antropocentrismo-entranhado, acessado em 18.04.2014; • O idealismo kantiano não é individualismo, Anderson Rodrigo de Oliveira - http://meuartigo.brasilescola.com/filosofia/o-idealismo-kantiano-nao-individualismo.htm, acessado em 18.04.2014; • Kant e a Revolução Copernicana do Conhecimento: uma Introdução, Adelino Ferreira, 2012 - http://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=3&ved=0CEAQFjAC&url=http%3A% 2F%2Fwww.ufsj.edu.br%2Fportal2- repositorio%2FFile%2Fexistenciaearte%2FKant_e_a_Revolucao_Copernicana_do_Conhecimento_- _uma_Introducao.pdf&ei=RvRgU63RFIvSsASdoYDYCQ&usg=AFQjCNE_kxTgZYVMOrflC1wz7fOJ883Lyw&sig2= Zk04sZ-IlZ4rQZCQDR2T-w&bvm=bv.65636070,d.cWc&cad=rja, acessado em 18.04.2014; • A História dos Direitos Humanos (legenda em PT-BR), 2012 - http://www.youtube.com/watch?v=oX1XghdlYcU, acessado em 15.04.2014; • A História dos Direitos Humanos [DUBLADO], 2012 - http://www.youtube.com/watch?v=quQQrPC7WME, acessado em 15.04.2014;
  • 25.
    Referências Bibliográficas • http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/8d/DBP_- _250_Jahre_Immanuel_Kant_-_90_Pfennig_-_1974.jpg,acessado em 17.04.2014; • http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/01/NPT_Participation.svg, acessado em 17.04.2014; • Immanuel Kant, Caroline Cougo, 2012 - www.slideshare.net/CarolineCougo/immanuel-kant-14485534, acessado em 18.04.2014; • A Moral de Kant, Paulo Gomes, 2007 - www.slideshare.net/espanto.info/a-moral- de-kant, acessado em 18.04.2014; • As críticas de Schopenhauer à Ética de Kant, Charles Feldhaus, 2011 - https://www.academia.edu/1092019/As_criticas_de_Schopenhauer_a_etica_de_ Kant, acessado em 18.04.2014; • DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS, UNIC/RIO/005, dezembro de 2000; Versão Ebook em http://unicrio.org.br/img/DeclU_D_HumanosVersoInternet.pdf, acessado em 18.04.2014; • TRATADO SOBRE A NÃO-PROLIFERAÇÃO DE ARMAS NUCLEARES - http://www.cnen.gov.br/Doc/pdf/Tratados/TRAT0001.pdf, acessado em 18.04.2014.