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Intensidade de sessões 
Intensidade de sessões de treinamento 
e jogos oficiais de futebol 
Rev. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v.22, n.3, p.211-18, jul./set. 2008 • 211 
CDD. 20.ed. 796.073 
796.33 
Introdução 
Daniel Barbosa COELHO* 
Vinícius de Matos RODRIGUES* 
Luciano Antonacci CONDESSA* 
Lucas de Ávila Carvalho Fleury MORTIMER* 
Danusa Dias SOARES* 
Emerson SILAMI-GARCIA* 
*Escola de Educação 
Física, Fisioterapia e 
Terapia Ocupacional, 
Universidade Federal 
de Minas Gerais. 
Resumo 
No treinamento esportivo, a intensidade é um dos componentes mais determinantes da carga de 
treinamento. Entretanto, poucos estudos investigaram a intensidade de esforço (IE) de sessões de 
treinamento freqüentemente utilizadas por treinadores e preparadores físicos de futebol. O objetivo 
desse estudo foi identificar e comparar a IE de duas sessões de treinamento (coletivo e campo reduzido) 
com a IE de jogos de uma competição oficial de futebol. A freqüência cardíaca (FC) de oito atletas 
juvenis, pertencentes a um clube da primeira divisão do futebol brasileiro, foi medida e registrada 
durante duas sessões de treinamento (coletivo e campo reduzido) e durante seis jogos de uma competição 
oficial. A IE registrada nos jogos da competição oficial (166 + 3 bpm e 84 + 1,3 %FCmáx) foi maior em 
comparação com a IE registrada durante o treinamento coletivo (150 + 3 bpm e 75 + 1,8 %FCmáx). Não 
houve diferença entre a IE dos jogos da competição oficial e a IE do treinamento em campo reduzido 
(157 + 5 bpm e 79 + 2,6 %FCmáx). A semelhança entre as IEs do treinamento em campo reduzido e dos 
jogos oficiais registradas no presente estudo sugere que esta atividade pode ser utilizada como um 
estímulo específico de treinamento aeróbico para o futebol. 
UNITERMOS: Freqüência cardíaca; Campo reduzido; Coletivo. 
A medida da freqüência cardíaca (FC) é usada 
como método válido e prático para se estimar a de-manda 
fisiológica durante diversas atividades, in-clusive 
no futebol (BANGSBO, 1994; CAPRANICA, 
TESSITORE, GUIDETTI & FIGURA, 2001; ESPOSITO & 
IMPELLIZZERI, 2004). Com o desenvolvimento de 
monitores portáteis de FC que armazenam as in-formações 
sem a necessidade da utilização de 
monitores de pulso, o que é proibido pelas regras 
desse esporte, tornou-se possível a caracterização da 
demanda fisiológica associada com os jogos. De fato, 
diversos estudos identificaram a intensidade de es-forço 
(IE) dos jogos de futebol com o uso da FC 
(ALI & FARRALLY, 1991; HELGERUD, ENGEN, WISLOFF 
& HOFF, 2001; MOHR, KRUSTRUP, NYBO, NIELSEN 
& BANGSBO, 2004; O'CONNOR, 2002; TUMILTY, 
1993). O conhecimento mais detalhado da IE na 
qual os atletas de futebol realizam suas atividades 
durante o jogo é importante para que os treina-mentos 
sejam aperfeiçoados, o que poderia levar a 
um melhor desempenho nos jogos. Esse fato justi-fica 
o crescente interesse dos pesquisadores sobre 
esse tema (WILMORE & HASKELL,1972). 
Geralmente os programas de treinamento no 
futebol são estruturados para incorporarem três 
principais áreas: tática, técnica e física (FLANAGAN 
& MERRICK, 2002). Apesar de freqüentemente 
serem realizadas sessões de treinamento direcionadas 
para cada uma dessas áreas, é possível integrá-las 
em um treinamento, poupando tempo e
COELHO, D.B. et al. 
propiciando o desenvolvimento integral e específico 
dos atletas (BANGSBO, 1994; HOFF, WISLOFF, ENGEN, 
KEMI & HELGERUD, 2002). 
No entanto, cada tipo de treinamento irá determinar 
uma demanda fisiológica específica aos jogadores. Por 
isso é essencial quantificar a demanda fisiológica nas 
sessões de treinamento para que os pesquisadores e 
treinadores possam aplicar de forma correta cada tipo 
de treinamento (ENISELER, 2005). 
Na preparação física, a intensidade das ativida-des 
é um dos principais componentes da sobrecar-ga 
e determina quase sozinha a existência ou não 
de adaptações positivas (DENADAI, 2000). Assim, 
um dos objetivos dos programas de treinamento 
no futebol é regular adequadamente a intensidade 
do treinamento (SASSI, REILLY & IMPELLIZZERI, 
2004). Diante disso, alguns estudos investigaram 
métodos de treinamento para os futebolistas. 
HELGERUD et al. (2001) avaliaram a intensidade de 
esforço em jogos realizados antes e após um perío-do 
de quatro semanas de treinamento aeróbio 
intervalado intensivo a 95% da freqüência cardíaca 
máxima (%FCmáx), e verificaram que a intensidade 
foi maior após o treinamento. MACHADO, SANZ e 
CAMERON (2003) concluíram que a adição do trei-namento 
contínuo no limiar de lactato aumenta o 
desempenho de jogadores de futebol. No entanto, 
mesmo que os treinamentos sugeridos pelos estu-dos 
citados tenham surtido efeitos positivos de adap-tação 
ao treinamento, os métodos utilizados não 
foram os mais específicos para atletas de futebol. 
Os programas de treinamento com objetivo de 
preparação física para jogadores de futebol deveriam 
incluir atividades físicas específicas, tais como jogos 
modificados e jogos treino contra times oponentes com 
o objetivo de simular as situações reais de jogo 
(ENISELER, 2005). Seguindo essa recomendação e 
considerando a intensidade como parâmetro 
determinante, alguns estudos investigaram sessões de 
treinamento em campo reduzido (CAPRANICA et al., 
2001; HOFF et al., 2002; IMPELLIZZERI, RAMPININI & 
MARCORA, 2005; MILES, MCLAREN, REILLY & 
YAMANAKA, 1993; REILLY & WHITE, 2004; SASSI, REILLY 
& IMPELLIZZERI, 2004), freqüentemente utilizados 
pelos treinadores e preparadores físicos. Entretanto, 
além de serem poucos os estudos disponíveis na 
literatura sobre esse tema, diferentes metodologias 
foram empregadas, com variações no número de 
jogadores, jogos femininos, masculinos e mistos. Além 
disso, alguns estudos não indicaram a IE dos 
treinamentos em valores individualizados em %FCmáx, 
como recomendado (KARVONEN & VUORIMAA, 1988), 
o que dificulta comparações e até mesmo a aplicação 
prática. 
Portanto, o objetivo desse estudo foi identificar 
e comparar a IE de duas sessões de treinamento (co-letivo 
n 
Idade 
(anos) 
Estatura 
(cm) 
8 16,5 + 0,5 175,0 + 6,5 9,6 + 2,3 56,3 + 2,7 
Valores em média e desvio padrão. 
212 • Rev. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v.22, n.3, p.211-18, jul./set. 2008 
e campo reduzido), freqüentemente utiliza-das 
no futebol profissional masculino, com a IE de 
jogos de uma competição oficial de futebol, repre-sentada 
como o monitoramento da FC em valores 
individualizados apresentados em %FCmáx e tam-bém 
em batimentos por minuto (bpm). 
Métodos 
Amostra 
Participaram do estudo 26 atletas do sexo mas-culino, 
da categoria juvenil, pertencentes a um clube 
da primeira divisão do futebol brasileiro, que man-tém 
treinamentos regulares e participação em com-petições 
reconhecidas pela Confederação Brasileira 
de Futebol (CBF). Entretanto, para a análise dos 
dados foram utilizados apenas os atletas que parti-ciparam 
durante todo o tempo dos jogos oficiais e 
dos treinamentos avaliados. Dessa forma, oito atle-tas 
foram selecionados. As características desses atle-tas 
estão descritas na TABELA 1. Destes atletas, 
dois eram pertencentes a cada posição desempe-nhada 
por eles em campo, que eram as posições de 
atacante, zagueiro, lateral e meio-campo. 
TABELA 1 - Características antropométricas e 
capacidade aeróbia da amostra. 
%Gordura 
VO 2máx 
(mL . kg-1 .min-1 ) 
Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em 
Pesquisa (COEP) da Universidade Federal de Minas 
Gerais (ETIC-476/2004) e respeitou todas as normas 
estabelecidas pelo Conselho Nacional da Saúde (Res. 
196/96) envolvendo pesquisas com seres humanos. 
Todos os atletas voluntários assinaram um Termo de 
Consentimento Livre e Esclarecido onde confirma-ram 
estarem cientes dos objetivos e métodos utiliza-dos 
e da possibilidade de abandonar o estudo a 
qualquer momento sem a necessidade de justificativa.
Intensidade de sessões 
Rev. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v.22, n.3, p.211-18, jul./set. 2008 • 213 
Procedimentos 
A FC dos jogadores foi medida e registrada du-rante 
duas sessões de treinamento (coletivo e cam-po 
reduzido) e durante seis jogos de uma 
competição oficial. Todos os atletas tiveram a FC 
registrada nos treinamentos e em pelo menos qua-tro 
dos seis jogos oficiais. As FCs médias dos trei-namentos 
foram comparadas com as FCs médias 
dos jogos oficiais. A FC média dos jogos avaliados 
foi considerada como %FCmáx e valores absolutos 
em bpm. 
Os jogos oficiais transcorriam de acordo com as 
regras oficiais da CBF, para esta categoria, que con-sistia 
em dois tempos de 40 minutos, mais acrésci-mos 
se necessário, em campo gramado com medidas 
oficiais. 
O treinamento coletivo foi realizado com nú-mero 
de atletas de um jogo normal, 11 contra 11 e 
no campo com medidas padrão. A duração desta 
atividade foi de 50 minutos. 
O treinamento em campo reduzido foi realiza-do 
por três equipes com oito atletas em cada, em 
um espaço correspondente a um quarto das medi-das 
de um campo de futebol oficial. Esta atividade 
foi contínua, dividida em cinco fases de 10 minu-tos, 
sendo interrompida rapidamente somente para 
a troca das equipes, tendo em vista que jogavam 
duas por vez, e com reposição de bola constante 
pelos companheiros de time que não estavam jo-gando. 
Os atletas deste estudo participaram de qua-tro 
das cinco fases da atividade 
Para a medida e registro da FC, utilizou-se um 
conjunto de cardiofreqüencímetros (Polar® Electro 
Oy, Polar Team System, Finland). Esse equipamento 
permite o registro da FC durante uma atividade 
sem a utilização de um monitor de pulso, o que é 
proibido em jogos pelas regras do futebol por 
oferecer risco a integridade do atleta, de seus 
companheiros e adversários. A taxa de amostragem 
de FC registrada foi de 5 s em 5 s. 
Os cardiofreqüencímetros foram colocados jun-to 
ao peito dos jogadores antes do início dos jogos 
e dos treinamentos. Ao término das atividades, eles 
eram recolhidos pelo pesquisador. Posteriormente 
os dados armazenados eram transferidos para um 
computador por meio de um aparelho interface, 
catalogados e analisados no “software” Polar 
Precision Performance SW 3,0. 
Foram avaliadas as FC do primeiro e segundo 
tempo dos jogos oficiais e dos treinamentos para a 
determinação da FC média de cada atividade. 
A FCmáx foi determinada como a maior FC 
encontrada dentre as duas situações descritas a seguir: 
1. Teste para a estimativa do consumo máximo 
oxigênio (VO2máx) (MARGARIA, AGHEMO & PIÑERA 
LIMAS, 1975): consistiu em percorrer uma distân-cia 
pré-determinada em terreno plano no menor 
tempo possível. No presente estudo utilizou-se a 
distância de 2400 m em um local já conhecido pe-los 
atletas; 
2. FCmáx durante os jogos avaliados: a maior FC de 
cada jogador registrada ao longo dos jogos avaliados 
neste estudo foi considerada como a FCmáx durante os 
jogos (ANTONACCI, MORTIMER, RODRIGUES, COELHO, 
SOARES & SILAMI-GARCIA, 2007). 
A FCmáx determinada foi utilizada para a 
relativização da IE, representada como a FC regis-trada 
nos jogos e treinamentos. 
Análise estatística 
Para a análise dos dados foi aplicada uma Análi-se 
de Variância de um fator (“one-way”) seguida do 
teste de “post-hoc” de Tukey, quando apropriado. 
Os dados referentes ao monitoramento da FC são 
apresentados como média e erro padrão. O nível 
de significância adotado foi p < 0,05.
COELHO, D.B. et al. 
Resultados 
Como mostra a TABELA 2, a IE registrada 
durante os jogos da competição oficial foi maior 
em comparação com a IE registrada durante o 
treinamento coletivo. Não houve diferença entre 
a IE dos jogos da competição oficial e a IE do 
treinamento em campo reduzido. 
TABELA 2 - Intensidade de esforço (IE) ao longo das três 
214 • Rev. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v.22, n.3, p.211-18, jul./set. 2008 
situações analisadas através do 
monitoramento da freqüência cardíaca (FC) 
representada em valores absolutos em 
batimentos por minuto (bpm) e como 
percentual da FC máxima (%FCmáx). 
Valores apresentados como média e erro padrão. 
* Diferença (p < 0,05) em relação à IE dos jogos oficiais. 
O monitoramento da FC nas três situações 
avaliadas foi ilustrado em seus respectivos gráficos 
que foram, Jogos oficiais (FIGURA 1), coletivos 
(FIGURA 2) e campo reduzido (FIGURA 3). 
Jogos oficiais Coletivo Campo reduzido 
Média + EP 
(bpm) 
166 + 3 150 + 3* 157 + 5 
Média + EP 
(%FC máx) 
84 + 1,3 75 + 1,8* 79 + 2,6 
FIGURA 1 - Monitoramento da freqüência cardíaca (FC) em batimentos por minuto (bpm) de um dos jogadores 
que participou do estudo durante um dos jogos oficiais. 
FIGURA 2 - Monitoramento da freqüência cardíaca (FC) em batimentos por minuto (bpm) de um dos jogadores 
durante o jogo coletivo. 
A linha escura no eixo 
X representa a duração 
do primeiro (42 min) e 
do segundo tempo de 
jogo (43 min), e a FC 
média de cada tempo é 
apresentada sobre a 
mesma. A duração dos 
tempos de jogo é me-nor 
que 45 min pelas 
regras dessa categoria.
Intensidade de sessões 
FIGURA 3 - Monitoramento da freqüência cardíaca (FC) em batimentos por minuto (bpm) de um terceiro 
jogador durante o jogo em campo reduzido. O jogador avaliado participou de quatro dos cinco 
estímulos da atividade. 
Rev. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v.22, n.3, p.211-18, jul./set. 2008 • 215 
Discussão 
Identificou-se no presente estudo que a IE, re-presentada 
como bpm e %FCmáx, foi menor em jo-gos 
coletivos de futebol, freqüentemente utilizados 
para treinamentos, em comparação com jogos ofi-ciais 
desta modalidade. Já o treinamento em cam-po 
reduzido produziu valores de FC semelhantes 
aos valores de FC dos jogos oficias. Essa caracterís-tica 
se manteve quando os valores de FC foram apre-sentados 
em bpm ou %FCmáx. 
A partir dos resultados obtidos pôde-se identifi-car 
que as sessões de treinamento avaliadas foram 
realizadas em uma IE intermediária (70-85 %FCmáx) 
para atletas de futebol (COELHO, 2005; HELGERUD 
et al., 2001), e consideradas como alta para indiví-duos 
saudáveis (ACSM, 1998). 
Entretanto, HOFF et al. (2002) registraram uma 
IE de 91,3 %FCmáx em um jogo em campo reduzi-do 
com duas equipes compostas por cinco jogado-res 
cada e com constante reposição de bola. É 
possível que a menor IE encontrada no presente 
estudo seja devido ao maior número de atletas em 
cada equipe em comparação com HOFF et al. 
(2002). Com isso, os jogadores teriam uma menor 
participação efetiva no jogo, o que diminuiria a IE 
realizada por cada atleta. Esse fato foi descrito por 
SASSI, REILLY e IMPELLIZZERI (2004), que registra-ram 
uma maior IE no treino com equipes compos-tas 
por quatro jogadores em comparação com o 
treino com equipes compostas por oito jogadores. 
Além de HOFF et al. (2002), outros estudos in-vestigaram 
a IE de jogos de futebol em campo re-duzido. 
CAPRANICA et al. (2001) identificaram a IE 
realizada por jogadores de futebol de 11 anos de 
idade, enquanto MILES et al. (1993) registraram a 
IE em um jogo feminino com quatro jogadoras. 
No entanto, a IE avaliada nos dois estudos citados 
foi apresentada em valores absolutos de FC e não 
em valores relativos de %FCmáx, como recomenda-do 
(KARVONEN & VUORIMAA, 1988), dificultando a 
comparação com o presente estudo. 
Os resultados do presente estudo diferem do 
estudo de ENISELER (2005), que encontrou valores 
de FC menores em treinamentos em campo 
reduzido (135 ± 28 bpm) em comparação com jogos 
oficiais (157 ± 19 bpm). Essa diferença pode ser 
devido ao fato de que ENISELER (2005) utilizou 11 
jogadores em cada equipe, ao contrário do presente 
estudo que utilizou oito jogadores. Como 
demonstrado por SASSI, REILLY e IMPELLIZZERI 
(2004), um número maior de atletas nos jogos em 
campo reduzido faz com que a IE do treinamento 
diminua. Além disso, a IE registrada por ENISELER 
(2005) no treinamento em campo reduzido (135 ± 
28 bpm) foi menor em comparação com o presente 
estudo (157 ± 5 bpm e 79 ± 2,6 %FCmáx). No 
entanto, essa comparação torna-se difícil já que 
ENISELER (2005) também não apresentou os 
resultados em valores relativizados como %FCmáx, 
As linhas escuras no 
eixo X sob a linha de 
FC representam a du-ração 
de cada fase e a 
FC média durante cada 
uma das cinco fases do 
treinamento em que o 
atleta participou é apre-sentada 
sobre as mes-mas.
COELHO, D.B. et al. 
o que seria mais adequado (KARVONEN & VUORIMAA, 
1988). 
De acordo com BARBANTI, TRICOLI e UGRINOWITSCH 
(2004), seria interessante para o desempenho em uma 
modalidade esportiva, que a IE do treinamento fosse 
similar ou maior do que aquela imposta nas situações 
de competição. Portanto, a semelhança entre as IEs 
do treinamento em campo reduzido e dos jogos oficiais 
registradas no presente estudo sugere que um estímulo 
específico de treinamento aeróbico para essa 
modalidade foi alcançado nesta atividade. Já ESTEVE-LANAO, 
FOSTER, SEILER e LUCIA (2007) não 
identificaram que as altas intensidades fossem fatores 
determinantes no aumento do rendimento de 
corredores espanhóis de meio-fundo, ao monitorar 
grupos que treinaram com programas com 
intensidades diferentes por um longo tempo (cinco 
meses). Deve-se considerar a diferença entre as 
especificidades da modalidade avaliada no presente 
estudo, classificada como intermitente de alta-intensidade 
relativo também a fatores como força e 
velocidade determinantes, e as corridas. 
Tendo sido identificado que a IE dos treinamen-tos 
em campo reduzido representada em valores 
absolutos e relativizados não foi diferente da IE de 
jogos oficiais, supõe-se como implicação deste acha-do, 
216 • Rev. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v.22, n.3, p.211-18, jul./set. 2008 
que estas atividades podem representar um es-tímulo 
de treinamento aeróbio semelhante (HOFF 
et al., 2002) ou, às vezes, até mais intenso e especí-fico 
para o futebol em comparação com outros ti-pos 
de treinamentos, como o treinamento aeróbico 
intervalado (SASSI, REILLY & IMPELLIZZERI, 2004). 
Pode-se sugerir também que jogos em campo re-duzido 
podem substituir em parte este tipo de trei-namento, 
com o objetivo de manter o 
condicionamento físico durante a temporada com-petitiva 
(REILLY & WHITE, 2004). 
Já o treinamento coletivo produziu uma IE menor 
em comparação com os jogos oficiais. Mesmo essa 
sendo uma atividade comumente utilizada nos 
treinamentos e de grande valor para o aperfeiçoamento 
técnico e tático dos jogadores, pode não representar 
um estímulo tão eficiente no aperfeiçoamento e 
manutenção da capacidade aeróbia. 
Abstract 
Intensity of training sessions and of official soccer matches 
The intensity of individual workout sessions is one of the most determinant components of the training 
load. However, only a few studies have investigated the intensity of the effort (IE) of training sessions 
frequently used by soccer and conditioning coaches. The purpose of this study was to compare the IE of 
two different training sessions, training game (TG) and modified game (MG), with the IE of official 
soccer matches. The heart rate (HR) of eight U-17 players, from first division Brazilian Soccer club, was 
measured and registered during two training sessions (TG and MG) and during 6 matches of an official 
competition. The IE during the matches of the official competition (166 + 3 bpm and 84 + 1.3 %HRmax) 
was higher than TG (150 + 3 bpm and 75 + 1.8 %HRmax). However, no difference was found between 
the IE of official soccer matches and MG (157 + 5 bpm and 79 + 2.6 %HRmax). Considering that the IE 
of the MG was similar to that found in official games, it may be considered as being a specific training 
stimulus for developing the aerobic capacity of soccer players. 
UNITERMS: Heart rate; Soccer match; Modified game; Training game. 
Nota 
Apoio financeiro: CAPES, CNPq, FAPEMIG e Ministério do Esporte.
Intensidade de sessões 
Rev. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v.22, n.3, p.211-18, jul./set. 2008 • 217 
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Daniel Barbosa Coelho 
Laboratório de Fisiologia do Exercício 
Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional 
Universidade Federal de Minas Gerais 
Av. Presidente Antônio Carlos, 6627 
31270-901 - Belo Horizonte - MG - BRASIL 
e-mail: danielcoelhoc@bol.com.br 
218 • Rev. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v.22, n.3, p.211-18, jul./set. 2008 
Recebido para publicação: 04/01/2007 
1a. Revisão: 10/03/2008 
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Aceito: 03/09/2008

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Intensidade de sessões de treinamento e jogos oficiais de futebol

  • 1. Intensidade de sessões Intensidade de sessões de treinamento e jogos oficiais de futebol Rev. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v.22, n.3, p.211-18, jul./set. 2008 • 211 CDD. 20.ed. 796.073 796.33 Introdução Daniel Barbosa COELHO* Vinícius de Matos RODRIGUES* Luciano Antonacci CONDESSA* Lucas de Ávila Carvalho Fleury MORTIMER* Danusa Dias SOARES* Emerson SILAMI-GARCIA* *Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional, Universidade Federal de Minas Gerais. Resumo No treinamento esportivo, a intensidade é um dos componentes mais determinantes da carga de treinamento. Entretanto, poucos estudos investigaram a intensidade de esforço (IE) de sessões de treinamento freqüentemente utilizadas por treinadores e preparadores físicos de futebol. O objetivo desse estudo foi identificar e comparar a IE de duas sessões de treinamento (coletivo e campo reduzido) com a IE de jogos de uma competição oficial de futebol. A freqüência cardíaca (FC) de oito atletas juvenis, pertencentes a um clube da primeira divisão do futebol brasileiro, foi medida e registrada durante duas sessões de treinamento (coletivo e campo reduzido) e durante seis jogos de uma competição oficial. A IE registrada nos jogos da competição oficial (166 + 3 bpm e 84 + 1,3 %FCmáx) foi maior em comparação com a IE registrada durante o treinamento coletivo (150 + 3 bpm e 75 + 1,8 %FCmáx). Não houve diferença entre a IE dos jogos da competição oficial e a IE do treinamento em campo reduzido (157 + 5 bpm e 79 + 2,6 %FCmáx). A semelhança entre as IEs do treinamento em campo reduzido e dos jogos oficiais registradas no presente estudo sugere que esta atividade pode ser utilizada como um estímulo específico de treinamento aeróbico para o futebol. UNITERMOS: Freqüência cardíaca; Campo reduzido; Coletivo. A medida da freqüência cardíaca (FC) é usada como método válido e prático para se estimar a de-manda fisiológica durante diversas atividades, in-clusive no futebol (BANGSBO, 1994; CAPRANICA, TESSITORE, GUIDETTI & FIGURA, 2001; ESPOSITO & IMPELLIZZERI, 2004). Com o desenvolvimento de monitores portáteis de FC que armazenam as in-formações sem a necessidade da utilização de monitores de pulso, o que é proibido pelas regras desse esporte, tornou-se possível a caracterização da demanda fisiológica associada com os jogos. De fato, diversos estudos identificaram a intensidade de es-forço (IE) dos jogos de futebol com o uso da FC (ALI & FARRALLY, 1991; HELGERUD, ENGEN, WISLOFF & HOFF, 2001; MOHR, KRUSTRUP, NYBO, NIELSEN & BANGSBO, 2004; O'CONNOR, 2002; TUMILTY, 1993). O conhecimento mais detalhado da IE na qual os atletas de futebol realizam suas atividades durante o jogo é importante para que os treina-mentos sejam aperfeiçoados, o que poderia levar a um melhor desempenho nos jogos. Esse fato justi-fica o crescente interesse dos pesquisadores sobre esse tema (WILMORE & HASKELL,1972). Geralmente os programas de treinamento no futebol são estruturados para incorporarem três principais áreas: tática, técnica e física (FLANAGAN & MERRICK, 2002). Apesar de freqüentemente serem realizadas sessões de treinamento direcionadas para cada uma dessas áreas, é possível integrá-las em um treinamento, poupando tempo e
  • 2. COELHO, D.B. et al. propiciando o desenvolvimento integral e específico dos atletas (BANGSBO, 1994; HOFF, WISLOFF, ENGEN, KEMI & HELGERUD, 2002). No entanto, cada tipo de treinamento irá determinar uma demanda fisiológica específica aos jogadores. Por isso é essencial quantificar a demanda fisiológica nas sessões de treinamento para que os pesquisadores e treinadores possam aplicar de forma correta cada tipo de treinamento (ENISELER, 2005). Na preparação física, a intensidade das ativida-des é um dos principais componentes da sobrecar-ga e determina quase sozinha a existência ou não de adaptações positivas (DENADAI, 2000). Assim, um dos objetivos dos programas de treinamento no futebol é regular adequadamente a intensidade do treinamento (SASSI, REILLY & IMPELLIZZERI, 2004). Diante disso, alguns estudos investigaram métodos de treinamento para os futebolistas. HELGERUD et al. (2001) avaliaram a intensidade de esforço em jogos realizados antes e após um perío-do de quatro semanas de treinamento aeróbio intervalado intensivo a 95% da freqüência cardíaca máxima (%FCmáx), e verificaram que a intensidade foi maior após o treinamento. MACHADO, SANZ e CAMERON (2003) concluíram que a adição do trei-namento contínuo no limiar de lactato aumenta o desempenho de jogadores de futebol. No entanto, mesmo que os treinamentos sugeridos pelos estu-dos citados tenham surtido efeitos positivos de adap-tação ao treinamento, os métodos utilizados não foram os mais específicos para atletas de futebol. Os programas de treinamento com objetivo de preparação física para jogadores de futebol deveriam incluir atividades físicas específicas, tais como jogos modificados e jogos treino contra times oponentes com o objetivo de simular as situações reais de jogo (ENISELER, 2005). Seguindo essa recomendação e considerando a intensidade como parâmetro determinante, alguns estudos investigaram sessões de treinamento em campo reduzido (CAPRANICA et al., 2001; HOFF et al., 2002; IMPELLIZZERI, RAMPININI & MARCORA, 2005; MILES, MCLAREN, REILLY & YAMANAKA, 1993; REILLY & WHITE, 2004; SASSI, REILLY & IMPELLIZZERI, 2004), freqüentemente utilizados pelos treinadores e preparadores físicos. Entretanto, além de serem poucos os estudos disponíveis na literatura sobre esse tema, diferentes metodologias foram empregadas, com variações no número de jogadores, jogos femininos, masculinos e mistos. Além disso, alguns estudos não indicaram a IE dos treinamentos em valores individualizados em %FCmáx, como recomendado (KARVONEN & VUORIMAA, 1988), o que dificulta comparações e até mesmo a aplicação prática. Portanto, o objetivo desse estudo foi identificar e comparar a IE de duas sessões de treinamento (co-letivo n Idade (anos) Estatura (cm) 8 16,5 + 0,5 175,0 + 6,5 9,6 + 2,3 56,3 + 2,7 Valores em média e desvio padrão. 212 • Rev. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v.22, n.3, p.211-18, jul./set. 2008 e campo reduzido), freqüentemente utiliza-das no futebol profissional masculino, com a IE de jogos de uma competição oficial de futebol, repre-sentada como o monitoramento da FC em valores individualizados apresentados em %FCmáx e tam-bém em batimentos por minuto (bpm). Métodos Amostra Participaram do estudo 26 atletas do sexo mas-culino, da categoria juvenil, pertencentes a um clube da primeira divisão do futebol brasileiro, que man-tém treinamentos regulares e participação em com-petições reconhecidas pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Entretanto, para a análise dos dados foram utilizados apenas os atletas que parti-ciparam durante todo o tempo dos jogos oficiais e dos treinamentos avaliados. Dessa forma, oito atle-tas foram selecionados. As características desses atle-tas estão descritas na TABELA 1. Destes atletas, dois eram pertencentes a cada posição desempe-nhada por eles em campo, que eram as posições de atacante, zagueiro, lateral e meio-campo. TABELA 1 - Características antropométricas e capacidade aeróbia da amostra. %Gordura VO 2máx (mL . kg-1 .min-1 ) Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (COEP) da Universidade Federal de Minas Gerais (ETIC-476/2004) e respeitou todas as normas estabelecidas pelo Conselho Nacional da Saúde (Res. 196/96) envolvendo pesquisas com seres humanos. Todos os atletas voluntários assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido onde confirma-ram estarem cientes dos objetivos e métodos utiliza-dos e da possibilidade de abandonar o estudo a qualquer momento sem a necessidade de justificativa.
  • 3. Intensidade de sessões Rev. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v.22, n.3, p.211-18, jul./set. 2008 • 213 Procedimentos A FC dos jogadores foi medida e registrada du-rante duas sessões de treinamento (coletivo e cam-po reduzido) e durante seis jogos de uma competição oficial. Todos os atletas tiveram a FC registrada nos treinamentos e em pelo menos qua-tro dos seis jogos oficiais. As FCs médias dos trei-namentos foram comparadas com as FCs médias dos jogos oficiais. A FC média dos jogos avaliados foi considerada como %FCmáx e valores absolutos em bpm. Os jogos oficiais transcorriam de acordo com as regras oficiais da CBF, para esta categoria, que con-sistia em dois tempos de 40 minutos, mais acrésci-mos se necessário, em campo gramado com medidas oficiais. O treinamento coletivo foi realizado com nú-mero de atletas de um jogo normal, 11 contra 11 e no campo com medidas padrão. A duração desta atividade foi de 50 minutos. O treinamento em campo reduzido foi realiza-do por três equipes com oito atletas em cada, em um espaço correspondente a um quarto das medi-das de um campo de futebol oficial. Esta atividade foi contínua, dividida em cinco fases de 10 minu-tos, sendo interrompida rapidamente somente para a troca das equipes, tendo em vista que jogavam duas por vez, e com reposição de bola constante pelos companheiros de time que não estavam jo-gando. Os atletas deste estudo participaram de qua-tro das cinco fases da atividade Para a medida e registro da FC, utilizou-se um conjunto de cardiofreqüencímetros (Polar® Electro Oy, Polar Team System, Finland). Esse equipamento permite o registro da FC durante uma atividade sem a utilização de um monitor de pulso, o que é proibido em jogos pelas regras do futebol por oferecer risco a integridade do atleta, de seus companheiros e adversários. A taxa de amostragem de FC registrada foi de 5 s em 5 s. Os cardiofreqüencímetros foram colocados jun-to ao peito dos jogadores antes do início dos jogos e dos treinamentos. Ao término das atividades, eles eram recolhidos pelo pesquisador. Posteriormente os dados armazenados eram transferidos para um computador por meio de um aparelho interface, catalogados e analisados no “software” Polar Precision Performance SW 3,0. Foram avaliadas as FC do primeiro e segundo tempo dos jogos oficiais e dos treinamentos para a determinação da FC média de cada atividade. A FCmáx foi determinada como a maior FC encontrada dentre as duas situações descritas a seguir: 1. Teste para a estimativa do consumo máximo oxigênio (VO2máx) (MARGARIA, AGHEMO & PIÑERA LIMAS, 1975): consistiu em percorrer uma distân-cia pré-determinada em terreno plano no menor tempo possível. No presente estudo utilizou-se a distância de 2400 m em um local já conhecido pe-los atletas; 2. FCmáx durante os jogos avaliados: a maior FC de cada jogador registrada ao longo dos jogos avaliados neste estudo foi considerada como a FCmáx durante os jogos (ANTONACCI, MORTIMER, RODRIGUES, COELHO, SOARES & SILAMI-GARCIA, 2007). A FCmáx determinada foi utilizada para a relativização da IE, representada como a FC regis-trada nos jogos e treinamentos. Análise estatística Para a análise dos dados foi aplicada uma Análi-se de Variância de um fator (“one-way”) seguida do teste de “post-hoc” de Tukey, quando apropriado. Os dados referentes ao monitoramento da FC são apresentados como média e erro padrão. O nível de significância adotado foi p < 0,05.
  • 4. COELHO, D.B. et al. Resultados Como mostra a TABELA 2, a IE registrada durante os jogos da competição oficial foi maior em comparação com a IE registrada durante o treinamento coletivo. Não houve diferença entre a IE dos jogos da competição oficial e a IE do treinamento em campo reduzido. TABELA 2 - Intensidade de esforço (IE) ao longo das três 214 • Rev. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v.22, n.3, p.211-18, jul./set. 2008 situações analisadas através do monitoramento da freqüência cardíaca (FC) representada em valores absolutos em batimentos por minuto (bpm) e como percentual da FC máxima (%FCmáx). Valores apresentados como média e erro padrão. * Diferença (p < 0,05) em relação à IE dos jogos oficiais. O monitoramento da FC nas três situações avaliadas foi ilustrado em seus respectivos gráficos que foram, Jogos oficiais (FIGURA 1), coletivos (FIGURA 2) e campo reduzido (FIGURA 3). Jogos oficiais Coletivo Campo reduzido Média + EP (bpm) 166 + 3 150 + 3* 157 + 5 Média + EP (%FC máx) 84 + 1,3 75 + 1,8* 79 + 2,6 FIGURA 1 - Monitoramento da freqüência cardíaca (FC) em batimentos por minuto (bpm) de um dos jogadores que participou do estudo durante um dos jogos oficiais. FIGURA 2 - Monitoramento da freqüência cardíaca (FC) em batimentos por minuto (bpm) de um dos jogadores durante o jogo coletivo. A linha escura no eixo X representa a duração do primeiro (42 min) e do segundo tempo de jogo (43 min), e a FC média de cada tempo é apresentada sobre a mesma. A duração dos tempos de jogo é me-nor que 45 min pelas regras dessa categoria.
  • 5. Intensidade de sessões FIGURA 3 - Monitoramento da freqüência cardíaca (FC) em batimentos por minuto (bpm) de um terceiro jogador durante o jogo em campo reduzido. O jogador avaliado participou de quatro dos cinco estímulos da atividade. Rev. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v.22, n.3, p.211-18, jul./set. 2008 • 215 Discussão Identificou-se no presente estudo que a IE, re-presentada como bpm e %FCmáx, foi menor em jo-gos coletivos de futebol, freqüentemente utilizados para treinamentos, em comparação com jogos ofi-ciais desta modalidade. Já o treinamento em cam-po reduzido produziu valores de FC semelhantes aos valores de FC dos jogos oficias. Essa caracterís-tica se manteve quando os valores de FC foram apre-sentados em bpm ou %FCmáx. A partir dos resultados obtidos pôde-se identifi-car que as sessões de treinamento avaliadas foram realizadas em uma IE intermediária (70-85 %FCmáx) para atletas de futebol (COELHO, 2005; HELGERUD et al., 2001), e consideradas como alta para indiví-duos saudáveis (ACSM, 1998). Entretanto, HOFF et al. (2002) registraram uma IE de 91,3 %FCmáx em um jogo em campo reduzi-do com duas equipes compostas por cinco jogado-res cada e com constante reposição de bola. É possível que a menor IE encontrada no presente estudo seja devido ao maior número de atletas em cada equipe em comparação com HOFF et al. (2002). Com isso, os jogadores teriam uma menor participação efetiva no jogo, o que diminuiria a IE realizada por cada atleta. Esse fato foi descrito por SASSI, REILLY e IMPELLIZZERI (2004), que registra-ram uma maior IE no treino com equipes compos-tas por quatro jogadores em comparação com o treino com equipes compostas por oito jogadores. Além de HOFF et al. (2002), outros estudos in-vestigaram a IE de jogos de futebol em campo re-duzido. CAPRANICA et al. (2001) identificaram a IE realizada por jogadores de futebol de 11 anos de idade, enquanto MILES et al. (1993) registraram a IE em um jogo feminino com quatro jogadoras. No entanto, a IE avaliada nos dois estudos citados foi apresentada em valores absolutos de FC e não em valores relativos de %FCmáx, como recomenda-do (KARVONEN & VUORIMAA, 1988), dificultando a comparação com o presente estudo. Os resultados do presente estudo diferem do estudo de ENISELER (2005), que encontrou valores de FC menores em treinamentos em campo reduzido (135 ± 28 bpm) em comparação com jogos oficiais (157 ± 19 bpm). Essa diferença pode ser devido ao fato de que ENISELER (2005) utilizou 11 jogadores em cada equipe, ao contrário do presente estudo que utilizou oito jogadores. Como demonstrado por SASSI, REILLY e IMPELLIZZERI (2004), um número maior de atletas nos jogos em campo reduzido faz com que a IE do treinamento diminua. Além disso, a IE registrada por ENISELER (2005) no treinamento em campo reduzido (135 ± 28 bpm) foi menor em comparação com o presente estudo (157 ± 5 bpm e 79 ± 2,6 %FCmáx). No entanto, essa comparação torna-se difícil já que ENISELER (2005) também não apresentou os resultados em valores relativizados como %FCmáx, As linhas escuras no eixo X sob a linha de FC representam a du-ração de cada fase e a FC média durante cada uma das cinco fases do treinamento em que o atleta participou é apre-sentada sobre as mes-mas.
  • 6. COELHO, D.B. et al. o que seria mais adequado (KARVONEN & VUORIMAA, 1988). De acordo com BARBANTI, TRICOLI e UGRINOWITSCH (2004), seria interessante para o desempenho em uma modalidade esportiva, que a IE do treinamento fosse similar ou maior do que aquela imposta nas situações de competição. Portanto, a semelhança entre as IEs do treinamento em campo reduzido e dos jogos oficiais registradas no presente estudo sugere que um estímulo específico de treinamento aeróbico para essa modalidade foi alcançado nesta atividade. Já ESTEVE-LANAO, FOSTER, SEILER e LUCIA (2007) não identificaram que as altas intensidades fossem fatores determinantes no aumento do rendimento de corredores espanhóis de meio-fundo, ao monitorar grupos que treinaram com programas com intensidades diferentes por um longo tempo (cinco meses). Deve-se considerar a diferença entre as especificidades da modalidade avaliada no presente estudo, classificada como intermitente de alta-intensidade relativo também a fatores como força e velocidade determinantes, e as corridas. Tendo sido identificado que a IE dos treinamen-tos em campo reduzido representada em valores absolutos e relativizados não foi diferente da IE de jogos oficiais, supõe-se como implicação deste acha-do, 216 • Rev. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v.22, n.3, p.211-18, jul./set. 2008 que estas atividades podem representar um es-tímulo de treinamento aeróbio semelhante (HOFF et al., 2002) ou, às vezes, até mais intenso e especí-fico para o futebol em comparação com outros ti-pos de treinamentos, como o treinamento aeróbico intervalado (SASSI, REILLY & IMPELLIZZERI, 2004). Pode-se sugerir também que jogos em campo re-duzido podem substituir em parte este tipo de trei-namento, com o objetivo de manter o condicionamento físico durante a temporada com-petitiva (REILLY & WHITE, 2004). Já o treinamento coletivo produziu uma IE menor em comparação com os jogos oficiais. Mesmo essa sendo uma atividade comumente utilizada nos treinamentos e de grande valor para o aperfeiçoamento técnico e tático dos jogadores, pode não representar um estímulo tão eficiente no aperfeiçoamento e manutenção da capacidade aeróbia. Abstract Intensity of training sessions and of official soccer matches The intensity of individual workout sessions is one of the most determinant components of the training load. However, only a few studies have investigated the intensity of the effort (IE) of training sessions frequently used by soccer and conditioning coaches. The purpose of this study was to compare the IE of two different training sessions, training game (TG) and modified game (MG), with the IE of official soccer matches. The heart rate (HR) of eight U-17 players, from first division Brazilian Soccer club, was measured and registered during two training sessions (TG and MG) and during 6 matches of an official competition. The IE during the matches of the official competition (166 + 3 bpm and 84 + 1.3 %HRmax) was higher than TG (150 + 3 bpm and 75 + 1.8 %HRmax). However, no difference was found between the IE of official soccer matches and MG (157 + 5 bpm and 79 + 2.6 %HRmax). Considering that the IE of the MG was similar to that found in official games, it may be considered as being a specific training stimulus for developing the aerobic capacity of soccer players. UNITERMS: Heart rate; Soccer match; Modified game; Training game. Nota Apoio financeiro: CAPES, CNPq, FAPEMIG e Ministério do Esporte.
  • 7. Intensidade de sessões Rev. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v.22, n.3, p.211-18, jul./set. 2008 • 217 Referências ALI, A.; FARRALLY, M. Recording soccer players' heart rates during matches. Journal of Sports Sciences, London, v. 9, p 183-9, 1991. AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE (ACSM). Position Stand. The Recommended quality of exercise for developing and maintaining cardiorespiratory and muscular fitness, and flexibility in healthy adults. Medicine and Science in Sports Exercise, Madison, v.30, n.6, p.975-91, 1998. ANTONACCI, L.; MORTIMER, L. F. ; RODRIGUES, V. M.; COELHO, D.B.; SOARES, D.D. SILAMI-GARCIA, E. Competition, estimated, and test maximum heart rate. Journal of Sports Medicine and Physical Fitness, Torino, v.47, p.418-21, 2007. BANGSBO, J. The physiology of soccer, with special reference to intense intermittent exercise. Acta Physiologica Scandinavica, Stockholm, v.151, 1994. Suplementum 619. BARBANTI, V.J.; TRICOLI, V.; UGRINOWITSCH, C. Relevância do conhecimento científico na prática do treina-mento físico. Revista Paulista de Educação Física, São Paulo, v.18, p.101-9, 2004. CAPRANICA, L.; TESSITORE, A.; GUIDETTI, L.; FIGURA, F. Heart rate and match analysis in pre-pubescent soccer players. Journal of Sports Sciences, London, v.19, n.6, p.379-84, 2001. COELHO, D.B. Determinação da intensidade relativa de esforço de jogadores de futebol de campo durante jogos oficiais, usando-se como parâmetro as medidas da freqüência cardíaca. 2005. 114f. Dissertação (Mestrado em Educa-ção Física) - Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte, 2005. DENADAI, B.S. (Org.). Avaliação aeróbia: determinação indireta da resposta do lactato sangüíneo. Rio Claro: Motrix, 2000. ENISELER, N. Heart rate and blood lactate concentrations as predictors of physiological load on elite soccer players during various soccer training activities. Journal of Strength and Conditioning Research, Champaign, v.19, n.4, p.799-804, 2005. ESPOSITO, F.; IMPELLIZZERI, F.M. Validity o heart rate as an indicator of aerobic demand during soccer activities in amateur soccer players. European Journal Applied Physiology, Berlin, v.93, p.167-72, 2004. ESTEVE-LANAO, J.; FOSTER, C.; SEILER, S.; LUCIA, A. Impact of training intensity distribution on performance in endurance athletes. Journal of Strength and Conditioning Research, Champaign, v.21, n3, p.943-9, 2007 FLANAGAN, T.; MERRICK, E. Quantifying the work-load of soccer players. In: WORLD CONGRESS OF SCIENCE AND FOOTBALL, 4., 1999, Sydney. Proceedings... London: E & FN Spon, 2002. p.341-9. HELGERUD, J.; ENGEN, L.C.; WISLOFF, U.; HOFF, J. Aerobic endurance training improves soccer performance. Medicine and Science in Sports Exercise, Madison, v.33, n.11, p.1925-31, 2001. HOFF, J.; WISLOFF, U.; ENGEN, L.C.; KEMI, O.J.; HELGERUD, J. Soccer specific aerobic endurance training. British Journal of Sports Medicine, Loughborough, v.36, p.218-21, 2002. IMPELLIZZERI, F.M.; RAMPININI, E.; MARCORA, S.M. Physiological assessment of aerobic training in soccer. Journal of Sports Science, London, v.23, p.583-92, 2005. KARVONEN, J.; VUORIMAA, T. Herat hate and exercise intensity during sports activities; practical application. Sports Medicine, Auckland, v.5, p.303-12, 1988. MACHADO, M.; SANZ, A.L.; CAMERON, L.C. Lactacidemia no futebol. Fitness e Performance Journal, Rio de Janeiro, v.2, n.6, p.357-63, 2003. MARGARIA, R.; AGHEMO, P.; PIÑERA LIMAS, F. A simple relation between performance in running and maximal aerobic power. Journal of Applied Physiology, Bethesda, v.38, n.2, p.351-2, 1975. MILES, A.; McLAREN, D.; REILLY, T.; YAMANAKA, K. An analysis of physiological strain in four-a-side women's soccer. In: WORLD CONGRESS OF SCIENCE AND FOOTBALL, 2., 1991, Eindhoven. Proceedings... London: E & FN Spon, 1993. p.140-5. MOHR, M.; KRUSTRUP, P.; NYBO, L.; NIELSEN, J.J.; BANGSBO, J. Muscle temperature and sprint performance during soccer matches - beneficial effect of re-warm-up at half-time. Scandinavian Journal of Medicine and Science in Sports, Stockholm, v.14, p.156-62, 2004. O'CONNOR, D. Time motion analysis of elite touch players. In: WORLD CONGRESS OF SCIENCE AND FOOTBALL, 4., 1999, Sydney. Proceedings... London: E & FN Spon, 2002. p.126-36. REILLY, T.; WHITE, C. Reability of heart rate recorded during soccer training. Journal of Sports Science, London, v.22, n.6, p.559, 2004. SASSI, R.; REILLY, T.; IMPELLIZZERI, F. A comparison of small-sided games and interval training in elite professional soccer players. Journal of Sports Science, London, v.22, n.6, p.562, 2004.
  • 8. COELHO, D.B. et al. TUMILTY, D. The relationship between physiological characteristics of junior soccer players and performance in a game simulation. In: WORLD CONGRESS OF SCIENCE AND FOOTBALL, 2., 1991, Eindhoven. Proceedings... London: E & FN Spon, 1993. p.281-6. WILMORE, H.J.; HASKELL, W.L. Body composition and endurance capacity of professional football players. Journal of Applied Physiology, Bethesda, v.33, n.5, p.564-7, 1972. ENDEREÇO Daniel Barbosa Coelho Laboratório de Fisiologia do Exercício Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional Universidade Federal de Minas Gerais Av. Presidente Antônio Carlos, 6627 31270-901 - Belo Horizonte - MG - BRASIL e-mail: danielcoelhoc@bol.com.br 218 • Rev. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v.22, n.3, p.211-18, jul./set. 2008 Recebido para publicação: 04/01/2007 1a. Revisão: 10/03/2008 2a. Revisão: 04/08/2008 3a. Revisão: 15/08/2008 Aceito: 03/09/2008