A
colonização do continente americano
desenrolou-se de forma absolutamen
te desigual. Ao se observar as zonas
da América Latina evidencia-se um grau absurdo de
exploração, responsável, na atualidade, por marcas e
seqüelas que dificultam o desenvolvimento dos países
latino-americanos. De outro lado, a América do Norte
quase não foi explorada pelos conquistadores espa-
nhóis, que concentraram seus esforços na cordilheira
dos Andes e no México. Encontrando metais precio-
sos mais ao sul, os espanhóis praticamente abandona-
ram a região norte, apesar do direito territorial asse-
gurado pelo tratado de Tordesilhas. Para completar,
em meados do século XVII, os espanhóis perderam o
status de grande potência e por isso foram obrigados a
reconhecer a perda dos territórios da América do Norte,
aos conquistadores ingleses e franceses.
POVOAMENTOPOVOAMENTOPOVOAMENTOPOVOAMENTOPOVOAMENTO
Os ingleses foram os primeiros colonos da re-
gião. Em 1584, desembarcaram no local batizado com o
nome de Virgínia, em homenagem a rainha Elisabeth.
Em 1607, deram início ao povoamento de Jamestown,
na mesmaVirgínia. Po-
rém o grande marco de
povoamento foi a mi-
gração de 100 famílias
no navio Mayflower,
em 1620. Parte do gru-
po era constituído de
comerciantes e bur-
gueses com razoável
capital acumulado ao
longo de vários anos
de trabalho.
A maioria des-
ses imigrantes havia
se convertido à religião
protestante, conheci-
da na Inglaterra como
Puritanismo. Com a
perseguição da Igreja
Anglicana foram para
a América construir a
Nova Inglaterra. Os
peregrinos do
M a y f l o w e r
preenchiam todos os requisitos do “bom comportamen-
to” e das boas intenções.
“Nossa causa é justa. Nossa opinião é perfeita. Nossos recursos internos são
vastos. As armas que os nossos inimigos nos obrigam a tomar, nós as empregamos para a
preservação de nossas liberdades. Tendo unanimemente resolvido, morreremos homens
livres de preferência, a vivermos como escravos.”
Thomas Jefferson. 1776.
O lorde inglês
Cornwalls se
rende ao
general
Washington
“Nossa causa é justa. Nos-
sa opinião é perfeita. Nossos
recursos internos são vastos e,
se for necessário, ser-nos-á
dado certamente auxílio es-
trangeiro”
Tomas Jefferson
IndependênciadosEua
Além do problema religioso havia na Inglaterra,
condições sociais adversas decorrentes dos
cercamentos, que excluíram centenas de pequenos pro-
prietários do convívio com a terra, estimulando-os à
migração para aAmérica.
“O surto do capitalismo comercial e industri-
al, a crise das empresas médias, a crise das pequenas
propriedades, que dava margem à crença na
superpopulação da Inglaterra, o fechamento dos es-
coadouros europeus em virtude da Guerra dos Trinta
Anos, as lutas religiosas na Inglaterra e a persegui-
ção dos dissidentes, a revolução da Inglaterra, o há-
bito, contraído a partir de 1662, de deportar para as
colônias os condenados de direito comum que, ao ex-
pirar o seu tempo, se tornavam excelentes cidadãos,
pois haviam sido sentenciados por motivos fúteis, são
outros tantos elementos de explicação deste grande nú-
mero de emigrantes. De mais a mais, devido ao seu
capitalismo mais avançado, a colonização inglesa foi
primeiramente impulsionada por companhias de co-
mércio ou por associações de proprietários que dela
se encarregam tendo em vista um proveito: benefício
do tráfico ou rendas territoriais” 2
Durante muito tempo, a in-
terferência do Estado inglês na co-
lonização limitou-se à liberação de
cartas patentes para obtenção de ca-
pitais. O grande esforço da coloni-
zação partiu da iniciativa particular,
de proprietários de terra já estabele-
cidos na América, realizando inten-
sas campanhas no intuito de atrair
imigrantes, organizando agências de
imigração, oferecendo salários e
condições compensadoras, termi-
nando por atrair também a popula-
ção que desfrutava de melhores con-
dições financeiras. Mas, com tantos
interesses em jogo, por que a corte e
o rei da Inglaterra não se interessa-
ram por tão promissora colônia?
Aprincípio, por não existir naAmérica do Nor-
te um produto a ser explorado de forma lucrativa que
justificasse a exploração colonial e pudesse garantir o
retorno do investimento. O clima daAmérica do Norte
é o mesmo do continente europeu, adequado ao plantio
de culturas de clima temperado, como, por exemplo, os
cereais.Aobtenção de peles e madeira de lei, também
não estimulava a monarquia, pois as duas mercadorias
sobravam nas praças européias, havendo oferta maior
do que a procura. Sem encontrar reservas de metais
preciosos, a corte inglesa desencantou-se com a colô-
nia americana.
O povoamento da América definiu-se após a
formação das treze colônias do litoral. A presença dos
colonos impôs aos indígenas uma realidade estranha,
destituindo-os do seu hábitat natural, obrigando-os a
aceitar a presença de conquistadores que abusavam de
favores obtidos dos índios menos hostis.
De Norte a Sul, os colonos causaram devasta-
ção das terras indígenas embrenhando as tribos no
alcoolismo e prostituição. Iludidas, as tribos indígenas
trocavam valiosas peles de animais, por facões, tesou-
ras ou bebidas alcoólicas, lembrando o escambo ado-
tado pelos portugueses no Brasil.
Para os índios norte-americanos, a terra era um
bem que deveria ser repartido entre todos. Não conse-
guiam compreender porque os “homens brancos” ma-
tavam e morriam, por causa da terra. Envolvidos em
disputas coloniais, muitas vezes, reagiram e en-
Vista de Nova
York em 1730,
onde a vida
parece
transcorrer com
muita calma.
“As armas que os nossos
inimigos nos obrigam a tomar
nós a empregramos para a
preservação das liberdades,
tendo unanimente
resolvido morrer-
mos homens li-
vres de preferên-
cia a vivermos
escravos”
IndependênciadosEua
frentaram a agressão colonizadora em pé de igualdade.
Em 1636, índios da tribo Pequots aniquilaram vários
comerciantes de pele. Em represália, os colonos quei-
maram diversas aldeias indígenas.
Daí em diante, o choque entre índios e brancos
propagou-se pelas treze colônias, causando efeito
aniquilador nas populações indígenas. Os colonos usa-
ram e abusaram da vantagem do uso de armas de
fogo, além de manobrarem habilidosamente, confron-
tando as tribos entre si. Depois de décadas de confli-
to, o território indígena foi devastado e reduzido,
empurrando as tribos para as áreas do interior, além do
Mississipi.
“Tendo indígenas da tribo dos Pequots feito
um morticínio de traficantes, uma coluna de voluntá-
rios do Massachusetts queimou suas aldeias em
1636.Os guerreiros pequots sitiaram as aldeias do
Connecticut e chacinaram os brancos que encontra-
ram. Em 1673, numa noite, o exército do Connecticut
(90 homens) cercou a principal aldeia dos Pequots e
incendiou-a. Quinhentos índios, homens, mulheres e
crianças aí pereceram. Contra o restante da tribo
organizou-se uma caçada humana.
Na sua maior parte os homens foram mortos e
as mulheres e crianças reduzidas à escravidão. Se-
nhor, escrevia um pastor ao governador de
Massachusetts, Mr Endecott e eu, saudamo-vos no
senhor Jesus. Ouvimos falar de uma partilha de mu-
lheres e crianças na baía, e gostaríamos de ter uma
parte, isto é, uma moça ou menina e um rapaz, se vós
com isto estiverdes de acordo..A fome de terra
causava um verdadeiro furor contra os índios. Os
principais esforços foram destinados a destruir estes
pagãos. A terra tornou-se um dos deuses da Nova
Inglaterra”. 4
AS COLÔNIAS INGLESAS DO NORTEAS COLÔNIAS INGLESAS DO NORTEAS COLÔNIAS INGLESAS DO NORTEAS COLÔNIAS INGLESAS DO NORTEAS COLÔNIAS INGLESAS DO NORTE
Nas colônias inglesas do norte desenvolveu-se
a atividade agrícola, basicamente voltada para o merca-
do interno e cultivada em pequenas e médias proprie-
dades. O clima temperado era ótimo para o cultivo de
cereais e outras culturas similares.
A abundância de peixe nas áreas mais ao norte,
desenvolveu a pesca estimulando a construção de na-
vios. Nas florestas frondosas encontraram madeira para
os gigantescos estaleiros das cidades litorâneas. A in-
dústria naval possibilitou emprego para centenas de
pessoas, direta ou indiretamente, envolvidas na produ-
ção dos navios. Como se vê, inadequadas para o plantio
de culturas tropicais, as colônias do norte seguiram um
caminho próprio, destoante do restante da colonização
daAmérica.
Nas pequenas e médias propriedades predomi-
nava o trabalho de pessoas da própria família, ou então,
os servos de contrato, homens que trabalhavam em tro-
ca do pagamento das despesas de viagem. O clima frio
em boa parte do ano não era adequado a culturas de
longa duração; além do mais, a região fica espremida
entre o mar e os montes Apalaches. As culturas de mi-
lho, centeio, trigo e cevada abasteciam as cidades, que
aumentavam a população à medida que chegavam mais
imigrantes.
“A produção artesanal crescia satisfatoriamen-
te, com a migração de artesãos europeus para as colô-
nias do norte e do centro, fugindo de problemas exis-
tentes em sua terra natal, tanto das perseguições reli-
giosas, como da desarticulação da produção artesanal
européia, principalmente inglesa, em decorrência da
Revolução Industrial. Esses artesãos desempenharam
importante papel no processo de industrialização dos
EUA. Traziam consigo as técnicas de produção e, além
do mais, não aceitavam as leis promulgadas pela In-
glaterra para inibir a produção de manufaturas nas
colônias americanas.
A própria tecnologia de produção de certos
manufaturados era contrabandeada da Inglaterra,
Jorge III da Inglaterra, em quadro de A.
Ramsay
Mapa da América
do Norte na época
da colonização
IndependênciadosEua
apesar da proibição inglesa. Foi esse o caso, por exem-
plo, das máquinas da indústria têxtil fabricadas nas
colônias inglesas da América do Norte. A advertên-
cia e a revista para descobrir se os emigrantes porta-
vam planos ou desenhos de máquinas era inútil, pois
eles os traziam na cabeça. E assim as colônias iam-se
industrializando, apesar das proibições metropolita-
nas”. 5
Em meados do século XVII, as colônias do norte
iniciaram um comércio ativo com regiões distantes do
continente africano e ilhas do Caribe. A compra e ven-
da de mercadorias, conhecida como Comércio Trian-
gular, acelerou o desenvolvimento colonial à revelia da
vontade inglesa. O esquema funcionava com os navios
levando para o Caribe dezenas de produtos manufatu-
rados, vendendo-os nas áreas identificadas com a co-
lonização inglesa.
Nesses locais compravam o melaço à “preço de
banana”, utilizado em seguida na produção do rum.
Seguindo o caminho do Comércio Triangular, o rum e o
fumo eram levados para a África, tornando-se moeda
na troca por centenas de escravos. Por último, os vali-
osos escravos eram vendidos nas colônias inglesas do
Caribe e nas colônias do sul. Por tudo isso, as colônias
do norte tiveram uma situação atípica no contexto
colonial, pois tiveram a chance de se desenvolver ao
contrário do restante, onde se impôs o pacto colonial.
Alguns historiadores norte-americanos atribuem
o desenvolvimento colonial à inerente superioridade
cultural dos colonos que realizaram o povoamento.
Destacam a saga dos colonos que empregando poucos
recursos, conseguiram muito mais do que o resto da
América, que negligenciou fantásticas reservas natu-
rais e riquezas, como ouro e cana-de-açúcar! Essa visão
preconceituosa e até certo ponto racista encobre a
verdade. NaAmérica Latina, as metrópoles ibéricas não
deram trégua às suas colônias, impondo-lhes o pacto
colonial extorsivo e explorador. Em contrapartida, a
Inglaterra abriu mão do controle de suas colônias pelo
simples fato de que elas não davam lucro, princípio
básico da exploração colonial.
AS COLÔNIAS DO SULAS COLÔNIAS DO SULAS COLÔNIAS DO SULAS COLÔNIAS DO SULAS COLÔNIAS DO SUL
Vários fatores explicam a natureza diferente das
colônias do sul. Em primeiro lugar, as condições cli-
máticas eram mais adequadas às culturas de grande
aceitação no mercado europeu. No verão, a tempera-
tura quente contrasta com chuvas prolongadas e in-
tensas. Os rios gigantescos permitiam a navegação de
várias embarcações.
Em segundo lugar, os colonos que povoaram a
região, eram em grande parte anglicanos e católicos,
com larga experiência no trabalho agrícola. Na região
encontraram as condições ideais para o plantio de al-
godão e fumo. Em pouco tempo, diversas fazendas
desenvolveram a produção algodoeira e fumageira, ge-
rando capital abundante para a maioria dos fazendei-
ros.
A produção em grande escala configurou uma
realidade sócio-econômica distinta, contrastando com
a realidade do norte. Monocultura, latifúndios,
produção para o mercado externo e exploração da es-
cravidão africana formaram as características básicas
das colônias do sul. No que se refere à mão-de-obra,
inicialmente, utilizou-se o trabalho de colonos ingle-
ses no esquema de servidão em troca da viagem. Mas
com a expansão dos mercados e aumento das áreas de
cultivo os fazendeiros implantaram a escravidão em
detrimento da mão-de-obra livre ou semilivre. O abas-
tecimento da escravidão era garantido pelo tráfico re-
alizado pelas colônias nortistas através do Comércio
Triangular.
NEGLIGÊNCIA SALUTARNEGLIGÊNCIA SALUTARNEGLIGÊNCIA SALUTARNEGLIGÊNCIA SALUTARNEGLIGÊNCIA SALUTAR
A organização política das
treze colônias foi estruturada com
base num modelo original e des-
toante das colônias portuguesas
e espanholas. Cada colônia tinha
um governador representante da
autoridade real, além do conselho
administrativo nomeado pelo rei, e a
assembléia local com poderes de votar o orçamento e
definir o pagamento de impostos. Votavam para a es-
colha dos representantes, os colonos que desfruta-
vam de melhor condição financeira. Na maioria dos
casos, a autoridade dos governadores era coibida
Na gravura acima,
cena comum de
combate entre
franceses e
ingleses, na
época da
colonização
“São verdades incontestá-
veis que o Criador conferiu
certos direitos inalienáveis,
entre os quais: a vida, a liber-
dade e a busca da felicidade”
IndependênciadosEua
pelas decisões das assembléias, que asseguravam au-
tonomia quase que ilimitada aos colonos.
Em conseqüência, desenvolveu-se em todas as
colônias um esquema político responsável pelo self-
goverment, em detrimento do controle efetivo da
metrópole. A turbulência revolucionária vivida pela
Inglaterra ao longo do século XVII deu folga aos
colonos permitindo-lhes maior autonomia. Os
problemas internos fizeram a monarquia inglesa “es-
quecer” de suas colônias da América do Norte.A essa
relação se dá o nome de Negligência Salutar.
Nesse contexto houve uma reviravolta depois
da ameaça de guerra com os colonos franceses, que
haviam se estabelecido nas regiões mais interiores do
continente.Acolonização francesa concentrou-se nos
arredores do rio Mississipi e do lago Michigan. As
ameaças espanholas haviam sido superadas, mas os
franceses se tornaram um grande
problema se embrenhando pelas
rotas de navegação. “Voltemos
nossos olhos para a Nova Fran-
ça”,afirmouLuísXIV,em1663.Bus-
cando a grande via de acesso ao
oceano Pacífico, os conquistado-
res franceses descobriram que os
maiores rios corriam para o golfo
do México. Os exploradores fran-
ceses conquistaram todo o vale do
Mississipi batizando-o de
Lousiana, em homenagem ao rei.
Com a incômoda vizinhança dos
franceses os colonos recorreram a
Inglaterra visando enfrentar uma
eventual agressão francesa.
TENSÕES COM ATENSÕES COM ATENSÕES COM ATENSÕES COM ATENSÕES COM A
METRÓPOLEMETRÓPOLEMETRÓPOLEMETRÓPOLEMETRÓPOLE
Nas primeiras décadas do século XVIII, a rela-
ção entre metrópole e colônia transcorreu em parceria.
A explosão das tensões ficou para o desfecho da Guerra
dos SeteAnos, em 1763. Esse conflito envolveu várias
nações européias, afetando seriamente as colônias
inglesas, pois França e Inglaterra disputaram a posse
deAcádia eTerra Nova, reivindicada inicialmente pelos
franceses. Derrotada no conflito a França teve de abrir
mão das cobiçadas regiões. Ironicamente, o rei Jorge
III da Inglaterra, alegou que as colônias deveriam arcar
com os prejuízos da guerra, beneficiadas que foram pela
aquisição da Acádia e Terra Nova.
O argumento embutia uma idéia antiga de cobrar
nas colônias os impostos que justificassem a condição
colonial. Imune aos protestos da colônia, o rei da Ingla-
terra (com a conivência do Parlamento) decretou um
pacote de leis restritivas, contribuindo para acirrar os
ânimos e despertar nos colonos o sonho de rompimen-
to com a metrópole.
O descontentamento aumentou com a Lei do
Açúcar, em 1763, proibindo a aquisição de melaço nas
Antilhas e a suspensão da produção de rum. O objetivo
inglês era acabar com o lucrativo Comércio Triangular.
A lei também afetava as colônias do sul, pois a partir
daí, seriam obrigadas a comprar escravos mais caros
dos traficantes ingleses. Não aceitando a imposição, os
colonos realizaram
ostensivo contrabando e,
em menos de um ano, a lei
caía no ridículo, sendo
revogada pelo Parlamento
inglês.
No ano seguinte, a
Inglaterra voltou à ofensi-
va com a Lei do Selo,
pagamento de imposto em
documentos da colônia. A
medida envolvia muito di-
nheiro pois todo documen-
to seria taxado pelos ingle-
ses.
Dessa vez os
colonos reagiram invocan-
do um antigo princípio
inglês da Magna Carta. O
argumento baseava-se na
premissa que não fazia sentido a aceitação de impostos,
já que a colônia não estava representada no parlamento
inglês. A pressão colonial mais uma vez obrigou a
Inglaterra ao recuo, anulando a Lei do Selo.
Em 1767, o Parlamento taxou o chumbo, papel
de imprensa vidro e chá. Desta vez, os colonos apela-
ram para o boicote negando-se a adquirir os produtos,
recorrendo mais uma vez ao contrabando.Apressão fez
a monarquia inglesa recuar nos impostos, à exceção da
Lei do Chá (1773), sob a alegação de que seria uma
OTempo da História
1760
REVOLUÇÃO
INDUSTRIAL
NA
INGLATERRA
GUERRA DOS SETE ANOS
FRANÇA INGLATERRA
1756 - 1763
x
1764
LEI DO
AÇÚCAR
1765
LEI DO
SELO 1767
LEI DO
ChÁ
1776 - GUERRA DE INDEPENDÊNCIA - 1783
Plantações de anil
na Carolina do Sul
IndependênciadosEua
forma de os colonos colaborarem no saneamento fi-
nanceiro da Companhia Inglesa das Índias Ocidentais.
Obviamente os colonos não aceitaram. Manti-
veram o boicote e recorreram à violência no porto de
Boston, incendiando alguns navios ingleses abarrota-
dos de chá. Em represália, tropas da Inglaterra fecharam
o movimentado porto, isolando-o do comércio com ou-
tras regiões. Aleatoriamente foram escolhidos os “bo-
des expiatórios” e, sem julgamento, foram fuzilados em
praça pública. O Massacre de Boston foi a gota d’água
para os colonos decidirem enfrentar os abusos e arbi-
trariedades metropolitanos.
A
reação colonial concretizou-se na con
vocação do I Congresso de Filadélfia,
em 1775. Inicialmente em tom
conciliatório foi aprovada a “Declaração dos Direitos
da Colônia”. O documento imediatamente enviado à
Inglaterra solicitava a anulação das Leis Intoleráveis.
Em resposta a monarquia inglesa apertou o cerco na
colônia, aumentando a repressão através da apreensão
de armas e a censura implacável aos meios de comuni-
cação.As tentativas de mediação resultaram em fracas-
so, embora o renomado George Washington tentasse
por todos os meios demover a monarquia inglesa da
idéia de arrochar a colônia. Em resposta os colonos
realizaram o II Congresso de Filadélfia, em 1776, onde
nasceu a Declaração de Independência dos Estados
Unidos.
O documento se inspirava na obra de John
Locke, Tratado sobre o governo Civil. Esse livro teve
grande repercussão naAmérica, tornando-se a “Bíblia”
dos rebeldes. Os colonos levaram ao pé da letra, a
obrigação do povo lutar contra governos arbitrários.
Também a obra de Montesquieu, Rousseau e Voltaire
eram debatidos avidamente pelos colonos que
traduziam os textos passando-osde mão em mão. O
alto grau de escolaridade, considerando os padrões
do século XVIII, contribuiu para a propagação do
ideário iluminista.
“A 18 de abril, um forte destacamento da guar-
nição de Boston foi enviado a Concord para apode-
rar-se do depósito e prender os chefes patriotas Samuel
Adams e John Hancock. Depois de uma noite de mar-
cha, os uniformes vermelhos foram detidos por uns
cinqüenta patriotas armados diante do povoamento
de Lexington - eram os primeiros insurretos. Após um
momento de hesitação, a tropa abriu fogo e os patri-
otas perderam oito homens. Os soldados consegui-
ram avançar mas em Concord foram recebidos pelo
fogo sustentado pelos patriotas. Tiveram de fazer meia
volta sem ter podido cumprir sua missão; no caminho
de volta, foram atacados pelos revoltosos e perderam
um décimo do efetivo - 247 homens num total de 2500,
três vezes mais que os patriotas. Pela primeira vez na
história das revoluções do fim do século XVIII, os
revolucionários armados faziam recuar tropas regu-
lares”.8
A Inglaterra descartou uma possível concilia-
ção com os colonos, enviando reforços para assegurar
a ordem no território colonial. Durante a maior parte do
confronto, forças coloniais e metropolitanas mostra-
ram-se muito equilibradas. Porém, a partir de 1780, a
França resolveu vingar-se da Guerra dos Sete Anos,
enviando uma grandiosa esquadra na intenção de aju-
dar os colonos. Em seguida, Holanda, Espanha e
Rússia entrariam ao lado dos colonos.AHolanda, pre-
judicada em 1651, com a assinatura dosAtos de Nave-
gação, tinha interesse em recuperar a hegemonia do
rentável comércio marítimo. A Espanha, por sua vez,
desejava a devolução de Gibraltar e ilha de Minorca,
confiscados pelos ingleses, em 1704, no final da Guerra
de Sucessão Espanhola.
Protestos de
rua na cidade de
Boston. 1773
Massacre de Boston
IndependênciadosEua
Independente dos interesses, a intervenção dos
aliados europeus foi decisiva para a vitória dos colo-
nos. Após assinar o Tratado de Versalhes, em 1783, a
Inglaterra foi obrigada a reconhecer a independência
dos Estados Unidos da América. Na América do Nor-
te, os ingleses perderam a “reserva colonial” da mar-
gem esquerda do Mississipi.AEspanha recebeu a ilha
de Minorca e a Flórida, conquistada pela Inglaterra,
em1763.AFrançarecuperouailhadeTobago,nolitoral
sul-americano, e o Senegal, na África.
A CONSTITUIÇÃO DE 1787A CONSTITUIÇÃO DE 1787A CONSTITUIÇÃO DE 1787A CONSTITUIÇÃO DE 1787A CONSTITUIÇÃO DE 1787
A definição dos critérios políticos do novo go-
verno, tornou-se prioridade para os representantes do
congresso norte-americano. Os interesses do norte,
industrial e comercial, não coincidiam com os do sul,
agrícola e pecuarista. Os debates prolongaram-se ao
longo de quatro anos, até a aprovação da Constituição
de 1787. O documento constitucional assegurou o
regime presidencialista e republicano e a implantação
do federalismo, que permitia autonomia para todos os
Estados. Na elaboração da constituição destacaram-
se Benjamim Franklin, Thomas Jefferson, James
Medison eAlexander Hamilton.
Em 1791, acrescentaram dez emendas à Consti-
tuição, consagrando a Declaração de Direitos, prote-
tora das liberdades e direitos individuais: direito de
reunião, palavra, culto religioso, habeas-corpus, pro-
priedade privada de meios de produção, representação
política e renovação do poder pela via eleitoral. As
eleições com base no sufrágio universal eram
inovadoras, mas é bom lembrar que os escravos não
possuíam direito de voto. Em outras palavras, o sufrágio
universal não era tão universal como dizia a propaganda,
pois excluía os escravos e uma parcela da população
que não contribuía com o pagamento de impostos.
Em 1803, o território norte-americano aumentou
sensivelmente após a compra da Lousiana. O governo
americano comprou a imensa região por uma bagatela,
aproveitando-se das dificultes financeiras da França,
de Napoleão. Possuidor de um território que não parava
de crescer, os Estados Unidos marchariam em grande
velocidade para o Oeste.
A “Revolução Americana”, como foi também
chamada a independência dos Estados Unidos criou
um fantástico precedente na relação das colônias com
suas metrópoles. A primeira colônia finalmente torna-
va-se livre. O caminho estava aberto!
“A luta dos Estados
Unidos contra a Inglaterra foi
apenas uma “guerra de inde-
pendência” ou foi uma
“revolução”? O problema foi
muito discutido. Alguns
historiadores procuram ver na
guerra de independência ame-
ricana, uma revolução mais ra-
dical do que a Revolução Fran-
cesa.
Outros negam que esta
guerra tenha trazido às antigas
colônias inglesas profundas
modificações econômicas e
sociais.O mais sensato é ficar
no meio termo. “A Guerra da
América foi também uma revo-
lução política, econômica e so-
cial, porém foi muito mais mo-
A Independência
Recrutas
ingleses partem
para a colônia.
Entrada das
tropas inglesas
em Nova York
IndependênciadosEua
derada nestes dois últimos campos. É necessário no-
tar, entretanto, que a revolução foi decisiva e vitorio-
sa, e que a exemplo da Europa, não foi seguida, a
mais ou menos longo prazo por uma contra-revolu-
ção. A Guerra da América foi incontestavelmente, uma
grande revolução política: os patriotas quiseram,
pela primeira vez, transformar em fatos as idéias de
Locke, Montesquieu e Rousseau, que haviam escrito
que todo governo deveria ser fundamentado num pac-
to ou contrato social”. 9
1
In. Scammel. C. V. Poderes da Coroa. História
em Revista. Time-Life. Pág. 135.
2
In. Mousnier, Roland. Os Séculos XVI e XVII .
A Europa e o Mundo. Difel Editora. Pág. 88.
3
In. A Revolução Americna.Grandes
Acontecimentos da História. Editora Três. Pág.
89/90.
4
In. Mousnier, Roland. Op cit. Pág. 89.
5
In. Adas, Melhen. Geografia da América.
Editora Moderna. Pág 146/147.
6
Decreto assinado por Cronwell que restringia o
comércio de mercadorias inglesas e de suas
colônias ao transporte apenas em navios da
Inglaterra
7
In. Declaração de Independência dos EUA.
Sinopse da História dos Estados Unidos da
América. Ministério das Relações Exteriores.
Pág. 23.
8
In. Godechot, Jacques. As Revoluções 1770 -
1799. Livraria Pioneira Editora. Nova Clio. Pág.
17.
9
In. Godechot, Jacques. Op cit. Pág. 19.
“Quando uma longa série de abusos e de usurpações, tendendo invariavelmente
ao mesmo fim, marca o desígnio de submetê-los a um Despotismo absoluto, é do seu
direito, e do seu dever, rejeitar um tal governo e prover à sua segurança futura por
meio de novas salvaguardas.Tal foi a longa paciência destas colônias,e tal é hoje a
necessidade que as forçam a mudar o seu antigo sistema de governo... Em conseqüên-
cia, nós, em nome e pela autoridade do bom povo destas colônias, que estas colônias
unidas são e têm o direito de ser Estados livres e independentes:que são desligadas de
toda a obediência à coroa da Inglaterra, que toda a união política entre elas e o Estado
da Grã-Bretanha é e deve ser totalmente dissolvida.E,para sustentar esta
Declaração,com uma firme confiança na proteção da Divina Providência, nós empe-
nhamos mutuamente as nossas vidas, os nossos bens e a nossa honra sagra-
da.”7

Independência dos Estados Unidos

  • 1.
    A colonização do continenteamericano desenrolou-se de forma absolutamen te desigual. Ao se observar as zonas da América Latina evidencia-se um grau absurdo de exploração, responsável, na atualidade, por marcas e seqüelas que dificultam o desenvolvimento dos países latino-americanos. De outro lado, a América do Norte quase não foi explorada pelos conquistadores espa- nhóis, que concentraram seus esforços na cordilheira dos Andes e no México. Encontrando metais precio- sos mais ao sul, os espanhóis praticamente abandona- ram a região norte, apesar do direito territorial asse- gurado pelo tratado de Tordesilhas. Para completar, em meados do século XVII, os espanhóis perderam o status de grande potência e por isso foram obrigados a reconhecer a perda dos territórios da América do Norte, aos conquistadores ingleses e franceses. POVOAMENTOPOVOAMENTOPOVOAMENTOPOVOAMENTOPOVOAMENTO Os ingleses foram os primeiros colonos da re- gião. Em 1584, desembarcaram no local batizado com o nome de Virgínia, em homenagem a rainha Elisabeth. Em 1607, deram início ao povoamento de Jamestown, na mesmaVirgínia. Po- rém o grande marco de povoamento foi a mi- gração de 100 famílias no navio Mayflower, em 1620. Parte do gru- po era constituído de comerciantes e bur- gueses com razoável capital acumulado ao longo de vários anos de trabalho. A maioria des- ses imigrantes havia se convertido à religião protestante, conheci- da na Inglaterra como Puritanismo. Com a perseguição da Igreja Anglicana foram para a América construir a Nova Inglaterra. Os peregrinos do M a y f l o w e r preenchiam todos os requisitos do “bom comportamen- to” e das boas intenções. “Nossa causa é justa. Nossa opinião é perfeita. Nossos recursos internos são vastos. As armas que os nossos inimigos nos obrigam a tomar, nós as empregamos para a preservação de nossas liberdades. Tendo unanimemente resolvido, morreremos homens livres de preferência, a vivermos como escravos.” Thomas Jefferson. 1776. O lorde inglês Cornwalls se rende ao general Washington “Nossa causa é justa. Nos- sa opinião é perfeita. Nossos recursos internos são vastos e, se for necessário, ser-nos-á dado certamente auxílio es- trangeiro” Tomas Jefferson
  • 2.
    IndependênciadosEua Além do problemareligioso havia na Inglaterra, condições sociais adversas decorrentes dos cercamentos, que excluíram centenas de pequenos pro- prietários do convívio com a terra, estimulando-os à migração para aAmérica. “O surto do capitalismo comercial e industri- al, a crise das empresas médias, a crise das pequenas propriedades, que dava margem à crença na superpopulação da Inglaterra, o fechamento dos es- coadouros europeus em virtude da Guerra dos Trinta Anos, as lutas religiosas na Inglaterra e a persegui- ção dos dissidentes, a revolução da Inglaterra, o há- bito, contraído a partir de 1662, de deportar para as colônias os condenados de direito comum que, ao ex- pirar o seu tempo, se tornavam excelentes cidadãos, pois haviam sido sentenciados por motivos fúteis, são outros tantos elementos de explicação deste grande nú- mero de emigrantes. De mais a mais, devido ao seu capitalismo mais avançado, a colonização inglesa foi primeiramente impulsionada por companhias de co- mércio ou por associações de proprietários que dela se encarregam tendo em vista um proveito: benefício do tráfico ou rendas territoriais” 2 Durante muito tempo, a in- terferência do Estado inglês na co- lonização limitou-se à liberação de cartas patentes para obtenção de ca- pitais. O grande esforço da coloni- zação partiu da iniciativa particular, de proprietários de terra já estabele- cidos na América, realizando inten- sas campanhas no intuito de atrair imigrantes, organizando agências de imigração, oferecendo salários e condições compensadoras, termi- nando por atrair também a popula- ção que desfrutava de melhores con- dições financeiras. Mas, com tantos interesses em jogo, por que a corte e o rei da Inglaterra não se interessa- ram por tão promissora colônia? Aprincípio, por não existir naAmérica do Nor- te um produto a ser explorado de forma lucrativa que justificasse a exploração colonial e pudesse garantir o retorno do investimento. O clima daAmérica do Norte é o mesmo do continente europeu, adequado ao plantio de culturas de clima temperado, como, por exemplo, os cereais.Aobtenção de peles e madeira de lei, também não estimulava a monarquia, pois as duas mercadorias sobravam nas praças européias, havendo oferta maior do que a procura. Sem encontrar reservas de metais preciosos, a corte inglesa desencantou-se com a colô- nia americana. O povoamento da América definiu-se após a formação das treze colônias do litoral. A presença dos colonos impôs aos indígenas uma realidade estranha, destituindo-os do seu hábitat natural, obrigando-os a aceitar a presença de conquistadores que abusavam de favores obtidos dos índios menos hostis. De Norte a Sul, os colonos causaram devasta- ção das terras indígenas embrenhando as tribos no alcoolismo e prostituição. Iludidas, as tribos indígenas trocavam valiosas peles de animais, por facões, tesou- ras ou bebidas alcoólicas, lembrando o escambo ado- tado pelos portugueses no Brasil. Para os índios norte-americanos, a terra era um bem que deveria ser repartido entre todos. Não conse- guiam compreender porque os “homens brancos” ma- tavam e morriam, por causa da terra. Envolvidos em disputas coloniais, muitas vezes, reagiram e en- Vista de Nova York em 1730, onde a vida parece transcorrer com muita calma. “As armas que os nossos inimigos nos obrigam a tomar nós a empregramos para a preservação das liberdades, tendo unanimente resolvido morrer- mos homens li- vres de preferên- cia a vivermos escravos”
  • 3.
    IndependênciadosEua frentaram a agressãocolonizadora em pé de igualdade. Em 1636, índios da tribo Pequots aniquilaram vários comerciantes de pele. Em represália, os colonos quei- maram diversas aldeias indígenas. Daí em diante, o choque entre índios e brancos propagou-se pelas treze colônias, causando efeito aniquilador nas populações indígenas. Os colonos usa- ram e abusaram da vantagem do uso de armas de fogo, além de manobrarem habilidosamente, confron- tando as tribos entre si. Depois de décadas de confli- to, o território indígena foi devastado e reduzido, empurrando as tribos para as áreas do interior, além do Mississipi. “Tendo indígenas da tribo dos Pequots feito um morticínio de traficantes, uma coluna de voluntá- rios do Massachusetts queimou suas aldeias em 1636.Os guerreiros pequots sitiaram as aldeias do Connecticut e chacinaram os brancos que encontra- ram. Em 1673, numa noite, o exército do Connecticut (90 homens) cercou a principal aldeia dos Pequots e incendiou-a. Quinhentos índios, homens, mulheres e crianças aí pereceram. Contra o restante da tribo organizou-se uma caçada humana. Na sua maior parte os homens foram mortos e as mulheres e crianças reduzidas à escravidão. Se- nhor, escrevia um pastor ao governador de Massachusetts, Mr Endecott e eu, saudamo-vos no senhor Jesus. Ouvimos falar de uma partilha de mu- lheres e crianças na baía, e gostaríamos de ter uma parte, isto é, uma moça ou menina e um rapaz, se vós com isto estiverdes de acordo..A fome de terra causava um verdadeiro furor contra os índios. Os principais esforços foram destinados a destruir estes pagãos. A terra tornou-se um dos deuses da Nova Inglaterra”. 4 AS COLÔNIAS INGLESAS DO NORTEAS COLÔNIAS INGLESAS DO NORTEAS COLÔNIAS INGLESAS DO NORTEAS COLÔNIAS INGLESAS DO NORTEAS COLÔNIAS INGLESAS DO NORTE Nas colônias inglesas do norte desenvolveu-se a atividade agrícola, basicamente voltada para o merca- do interno e cultivada em pequenas e médias proprie- dades. O clima temperado era ótimo para o cultivo de cereais e outras culturas similares. A abundância de peixe nas áreas mais ao norte, desenvolveu a pesca estimulando a construção de na- vios. Nas florestas frondosas encontraram madeira para os gigantescos estaleiros das cidades litorâneas. A in- dústria naval possibilitou emprego para centenas de pessoas, direta ou indiretamente, envolvidas na produ- ção dos navios. Como se vê, inadequadas para o plantio de culturas tropicais, as colônias do norte seguiram um caminho próprio, destoante do restante da colonização daAmérica. Nas pequenas e médias propriedades predomi- nava o trabalho de pessoas da própria família, ou então, os servos de contrato, homens que trabalhavam em tro- ca do pagamento das despesas de viagem. O clima frio em boa parte do ano não era adequado a culturas de longa duração; além do mais, a região fica espremida entre o mar e os montes Apalaches. As culturas de mi- lho, centeio, trigo e cevada abasteciam as cidades, que aumentavam a população à medida que chegavam mais imigrantes. “A produção artesanal crescia satisfatoriamen- te, com a migração de artesãos europeus para as colô- nias do norte e do centro, fugindo de problemas exis- tentes em sua terra natal, tanto das perseguições reli- giosas, como da desarticulação da produção artesanal européia, principalmente inglesa, em decorrência da Revolução Industrial. Esses artesãos desempenharam importante papel no processo de industrialização dos EUA. Traziam consigo as técnicas de produção e, além do mais, não aceitavam as leis promulgadas pela In- glaterra para inibir a produção de manufaturas nas colônias americanas. A própria tecnologia de produção de certos manufaturados era contrabandeada da Inglaterra, Jorge III da Inglaterra, em quadro de A. Ramsay Mapa da América do Norte na época da colonização
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    IndependênciadosEua apesar da proibiçãoinglesa. Foi esse o caso, por exem- plo, das máquinas da indústria têxtil fabricadas nas colônias inglesas da América do Norte. A advertên- cia e a revista para descobrir se os emigrantes porta- vam planos ou desenhos de máquinas era inútil, pois eles os traziam na cabeça. E assim as colônias iam-se industrializando, apesar das proibições metropolita- nas”. 5 Em meados do século XVII, as colônias do norte iniciaram um comércio ativo com regiões distantes do continente africano e ilhas do Caribe. A compra e ven- da de mercadorias, conhecida como Comércio Trian- gular, acelerou o desenvolvimento colonial à revelia da vontade inglesa. O esquema funcionava com os navios levando para o Caribe dezenas de produtos manufatu- rados, vendendo-os nas áreas identificadas com a co- lonização inglesa. Nesses locais compravam o melaço à “preço de banana”, utilizado em seguida na produção do rum. Seguindo o caminho do Comércio Triangular, o rum e o fumo eram levados para a África, tornando-se moeda na troca por centenas de escravos. Por último, os vali- osos escravos eram vendidos nas colônias inglesas do Caribe e nas colônias do sul. Por tudo isso, as colônias do norte tiveram uma situação atípica no contexto colonial, pois tiveram a chance de se desenvolver ao contrário do restante, onde se impôs o pacto colonial. Alguns historiadores norte-americanos atribuem o desenvolvimento colonial à inerente superioridade cultural dos colonos que realizaram o povoamento. Destacam a saga dos colonos que empregando poucos recursos, conseguiram muito mais do que o resto da América, que negligenciou fantásticas reservas natu- rais e riquezas, como ouro e cana-de-açúcar! Essa visão preconceituosa e até certo ponto racista encobre a verdade. NaAmérica Latina, as metrópoles ibéricas não deram trégua às suas colônias, impondo-lhes o pacto colonial extorsivo e explorador. Em contrapartida, a Inglaterra abriu mão do controle de suas colônias pelo simples fato de que elas não davam lucro, princípio básico da exploração colonial. AS COLÔNIAS DO SULAS COLÔNIAS DO SULAS COLÔNIAS DO SULAS COLÔNIAS DO SULAS COLÔNIAS DO SUL Vários fatores explicam a natureza diferente das colônias do sul. Em primeiro lugar, as condições cli- máticas eram mais adequadas às culturas de grande aceitação no mercado europeu. No verão, a tempera- tura quente contrasta com chuvas prolongadas e in- tensas. Os rios gigantescos permitiam a navegação de várias embarcações. Em segundo lugar, os colonos que povoaram a região, eram em grande parte anglicanos e católicos, com larga experiência no trabalho agrícola. Na região encontraram as condições ideais para o plantio de al- godão e fumo. Em pouco tempo, diversas fazendas desenvolveram a produção algodoeira e fumageira, ge- rando capital abundante para a maioria dos fazendei- ros. A produção em grande escala configurou uma realidade sócio-econômica distinta, contrastando com a realidade do norte. Monocultura, latifúndios, produção para o mercado externo e exploração da es- cravidão africana formaram as características básicas das colônias do sul. No que se refere à mão-de-obra, inicialmente, utilizou-se o trabalho de colonos ingle- ses no esquema de servidão em troca da viagem. Mas com a expansão dos mercados e aumento das áreas de cultivo os fazendeiros implantaram a escravidão em detrimento da mão-de-obra livre ou semilivre. O abas- tecimento da escravidão era garantido pelo tráfico re- alizado pelas colônias nortistas através do Comércio Triangular. NEGLIGÊNCIA SALUTARNEGLIGÊNCIA SALUTARNEGLIGÊNCIA SALUTARNEGLIGÊNCIA SALUTARNEGLIGÊNCIA SALUTAR A organização política das treze colônias foi estruturada com base num modelo original e des- toante das colônias portuguesas e espanholas. Cada colônia tinha um governador representante da autoridade real, além do conselho administrativo nomeado pelo rei, e a assembléia local com poderes de votar o orçamento e definir o pagamento de impostos. Votavam para a es- colha dos representantes, os colonos que desfruta- vam de melhor condição financeira. Na maioria dos casos, a autoridade dos governadores era coibida Na gravura acima, cena comum de combate entre franceses e ingleses, na época da colonização “São verdades incontestá- veis que o Criador conferiu certos direitos inalienáveis, entre os quais: a vida, a liber- dade e a busca da felicidade”
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    IndependênciadosEua pelas decisões dasassembléias, que asseguravam au- tonomia quase que ilimitada aos colonos. Em conseqüência, desenvolveu-se em todas as colônias um esquema político responsável pelo self- goverment, em detrimento do controle efetivo da metrópole. A turbulência revolucionária vivida pela Inglaterra ao longo do século XVII deu folga aos colonos permitindo-lhes maior autonomia. Os problemas internos fizeram a monarquia inglesa “es- quecer” de suas colônias da América do Norte.A essa relação se dá o nome de Negligência Salutar. Nesse contexto houve uma reviravolta depois da ameaça de guerra com os colonos franceses, que haviam se estabelecido nas regiões mais interiores do continente.Acolonização francesa concentrou-se nos arredores do rio Mississipi e do lago Michigan. As ameaças espanholas haviam sido superadas, mas os franceses se tornaram um grande problema se embrenhando pelas rotas de navegação. “Voltemos nossos olhos para a Nova Fran- ça”,afirmouLuísXIV,em1663.Bus- cando a grande via de acesso ao oceano Pacífico, os conquistado- res franceses descobriram que os maiores rios corriam para o golfo do México. Os exploradores fran- ceses conquistaram todo o vale do Mississipi batizando-o de Lousiana, em homenagem ao rei. Com a incômoda vizinhança dos franceses os colonos recorreram a Inglaterra visando enfrentar uma eventual agressão francesa. TENSÕES COM ATENSÕES COM ATENSÕES COM ATENSÕES COM ATENSÕES COM A METRÓPOLEMETRÓPOLEMETRÓPOLEMETRÓPOLEMETRÓPOLE Nas primeiras décadas do século XVIII, a rela- ção entre metrópole e colônia transcorreu em parceria. A explosão das tensões ficou para o desfecho da Guerra dos SeteAnos, em 1763. Esse conflito envolveu várias nações européias, afetando seriamente as colônias inglesas, pois França e Inglaterra disputaram a posse deAcádia eTerra Nova, reivindicada inicialmente pelos franceses. Derrotada no conflito a França teve de abrir mão das cobiçadas regiões. Ironicamente, o rei Jorge III da Inglaterra, alegou que as colônias deveriam arcar com os prejuízos da guerra, beneficiadas que foram pela aquisição da Acádia e Terra Nova. O argumento embutia uma idéia antiga de cobrar nas colônias os impostos que justificassem a condição colonial. Imune aos protestos da colônia, o rei da Ingla- terra (com a conivência do Parlamento) decretou um pacote de leis restritivas, contribuindo para acirrar os ânimos e despertar nos colonos o sonho de rompimen- to com a metrópole. O descontentamento aumentou com a Lei do Açúcar, em 1763, proibindo a aquisição de melaço nas Antilhas e a suspensão da produção de rum. O objetivo inglês era acabar com o lucrativo Comércio Triangular. A lei também afetava as colônias do sul, pois a partir daí, seriam obrigadas a comprar escravos mais caros dos traficantes ingleses. Não aceitando a imposição, os colonos realizaram ostensivo contrabando e, em menos de um ano, a lei caía no ridículo, sendo revogada pelo Parlamento inglês. No ano seguinte, a Inglaterra voltou à ofensi- va com a Lei do Selo, pagamento de imposto em documentos da colônia. A medida envolvia muito di- nheiro pois todo documen- to seria taxado pelos ingle- ses. Dessa vez os colonos reagiram invocan- do um antigo princípio inglês da Magna Carta. O argumento baseava-se na premissa que não fazia sentido a aceitação de impostos, já que a colônia não estava representada no parlamento inglês. A pressão colonial mais uma vez obrigou a Inglaterra ao recuo, anulando a Lei do Selo. Em 1767, o Parlamento taxou o chumbo, papel de imprensa vidro e chá. Desta vez, os colonos apela- ram para o boicote negando-se a adquirir os produtos, recorrendo mais uma vez ao contrabando.Apressão fez a monarquia inglesa recuar nos impostos, à exceção da Lei do Chá (1773), sob a alegação de que seria uma OTempo da História 1760 REVOLUÇÃO INDUSTRIAL NA INGLATERRA GUERRA DOS SETE ANOS FRANÇA INGLATERRA 1756 - 1763 x 1764 LEI DO AÇÚCAR 1765 LEI DO SELO 1767 LEI DO ChÁ 1776 - GUERRA DE INDEPENDÊNCIA - 1783 Plantações de anil na Carolina do Sul
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    IndependênciadosEua forma de oscolonos colaborarem no saneamento fi- nanceiro da Companhia Inglesa das Índias Ocidentais. Obviamente os colonos não aceitaram. Manti- veram o boicote e recorreram à violência no porto de Boston, incendiando alguns navios ingleses abarrota- dos de chá. Em represália, tropas da Inglaterra fecharam o movimentado porto, isolando-o do comércio com ou- tras regiões. Aleatoriamente foram escolhidos os “bo- des expiatórios” e, sem julgamento, foram fuzilados em praça pública. O Massacre de Boston foi a gota d’água para os colonos decidirem enfrentar os abusos e arbi- trariedades metropolitanos. A reação colonial concretizou-se na con vocação do I Congresso de Filadélfia, em 1775. Inicialmente em tom conciliatório foi aprovada a “Declaração dos Direitos da Colônia”. O documento imediatamente enviado à Inglaterra solicitava a anulação das Leis Intoleráveis. Em resposta a monarquia inglesa apertou o cerco na colônia, aumentando a repressão através da apreensão de armas e a censura implacável aos meios de comuni- cação.As tentativas de mediação resultaram em fracas- so, embora o renomado George Washington tentasse por todos os meios demover a monarquia inglesa da idéia de arrochar a colônia. Em resposta os colonos realizaram o II Congresso de Filadélfia, em 1776, onde nasceu a Declaração de Independência dos Estados Unidos. O documento se inspirava na obra de John Locke, Tratado sobre o governo Civil. Esse livro teve grande repercussão naAmérica, tornando-se a “Bíblia” dos rebeldes. Os colonos levaram ao pé da letra, a obrigação do povo lutar contra governos arbitrários. Também a obra de Montesquieu, Rousseau e Voltaire eram debatidos avidamente pelos colonos que traduziam os textos passando-osde mão em mão. O alto grau de escolaridade, considerando os padrões do século XVIII, contribuiu para a propagação do ideário iluminista. “A 18 de abril, um forte destacamento da guar- nição de Boston foi enviado a Concord para apode- rar-se do depósito e prender os chefes patriotas Samuel Adams e John Hancock. Depois de uma noite de mar- cha, os uniformes vermelhos foram detidos por uns cinqüenta patriotas armados diante do povoamento de Lexington - eram os primeiros insurretos. Após um momento de hesitação, a tropa abriu fogo e os patri- otas perderam oito homens. Os soldados consegui- ram avançar mas em Concord foram recebidos pelo fogo sustentado pelos patriotas. Tiveram de fazer meia volta sem ter podido cumprir sua missão; no caminho de volta, foram atacados pelos revoltosos e perderam um décimo do efetivo - 247 homens num total de 2500, três vezes mais que os patriotas. Pela primeira vez na história das revoluções do fim do século XVIII, os revolucionários armados faziam recuar tropas regu- lares”.8 A Inglaterra descartou uma possível concilia- ção com os colonos, enviando reforços para assegurar a ordem no território colonial. Durante a maior parte do confronto, forças coloniais e metropolitanas mostra- ram-se muito equilibradas. Porém, a partir de 1780, a França resolveu vingar-se da Guerra dos Sete Anos, enviando uma grandiosa esquadra na intenção de aju- dar os colonos. Em seguida, Holanda, Espanha e Rússia entrariam ao lado dos colonos.AHolanda, pre- judicada em 1651, com a assinatura dosAtos de Nave- gação, tinha interesse em recuperar a hegemonia do rentável comércio marítimo. A Espanha, por sua vez, desejava a devolução de Gibraltar e ilha de Minorca, confiscados pelos ingleses, em 1704, no final da Guerra de Sucessão Espanhola. Protestos de rua na cidade de Boston. 1773 Massacre de Boston
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    IndependênciadosEua Independente dos interesses,a intervenção dos aliados europeus foi decisiva para a vitória dos colo- nos. Após assinar o Tratado de Versalhes, em 1783, a Inglaterra foi obrigada a reconhecer a independência dos Estados Unidos da América. Na América do Nor- te, os ingleses perderam a “reserva colonial” da mar- gem esquerda do Mississipi.AEspanha recebeu a ilha de Minorca e a Flórida, conquistada pela Inglaterra, em1763.AFrançarecuperouailhadeTobago,nolitoral sul-americano, e o Senegal, na África. A CONSTITUIÇÃO DE 1787A CONSTITUIÇÃO DE 1787A CONSTITUIÇÃO DE 1787A CONSTITUIÇÃO DE 1787A CONSTITUIÇÃO DE 1787 A definição dos critérios políticos do novo go- verno, tornou-se prioridade para os representantes do congresso norte-americano. Os interesses do norte, industrial e comercial, não coincidiam com os do sul, agrícola e pecuarista. Os debates prolongaram-se ao longo de quatro anos, até a aprovação da Constituição de 1787. O documento constitucional assegurou o regime presidencialista e republicano e a implantação do federalismo, que permitia autonomia para todos os Estados. Na elaboração da constituição destacaram- se Benjamim Franklin, Thomas Jefferson, James Medison eAlexander Hamilton. Em 1791, acrescentaram dez emendas à Consti- tuição, consagrando a Declaração de Direitos, prote- tora das liberdades e direitos individuais: direito de reunião, palavra, culto religioso, habeas-corpus, pro- priedade privada de meios de produção, representação política e renovação do poder pela via eleitoral. As eleições com base no sufrágio universal eram inovadoras, mas é bom lembrar que os escravos não possuíam direito de voto. Em outras palavras, o sufrágio universal não era tão universal como dizia a propaganda, pois excluía os escravos e uma parcela da população que não contribuía com o pagamento de impostos. Em 1803, o território norte-americano aumentou sensivelmente após a compra da Lousiana. O governo americano comprou a imensa região por uma bagatela, aproveitando-se das dificultes financeiras da França, de Napoleão. Possuidor de um território que não parava de crescer, os Estados Unidos marchariam em grande velocidade para o Oeste. A “Revolução Americana”, como foi também chamada a independência dos Estados Unidos criou um fantástico precedente na relação das colônias com suas metrópoles. A primeira colônia finalmente torna- va-se livre. O caminho estava aberto! “A luta dos Estados Unidos contra a Inglaterra foi apenas uma “guerra de inde- pendência” ou foi uma “revolução”? O problema foi muito discutido. Alguns historiadores procuram ver na guerra de independência ame- ricana, uma revolução mais ra- dical do que a Revolução Fran- cesa. Outros negam que esta guerra tenha trazido às antigas colônias inglesas profundas modificações econômicas e sociais.O mais sensato é ficar no meio termo. “A Guerra da América foi também uma revo- lução política, econômica e so- cial, porém foi muito mais mo- A Independência Recrutas ingleses partem para a colônia. Entrada das tropas inglesas em Nova York
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    IndependênciadosEua derada nestes doisúltimos campos. É necessário no- tar, entretanto, que a revolução foi decisiva e vitorio- sa, e que a exemplo da Europa, não foi seguida, a mais ou menos longo prazo por uma contra-revolu- ção. A Guerra da América foi incontestavelmente, uma grande revolução política: os patriotas quiseram, pela primeira vez, transformar em fatos as idéias de Locke, Montesquieu e Rousseau, que haviam escrito que todo governo deveria ser fundamentado num pac- to ou contrato social”. 9 1 In. Scammel. C. V. Poderes da Coroa. História em Revista. Time-Life. Pág. 135. 2 In. Mousnier, Roland. Os Séculos XVI e XVII . A Europa e o Mundo. Difel Editora. Pág. 88. 3 In. A Revolução Americna.Grandes Acontecimentos da História. Editora Três. Pág. 89/90. 4 In. Mousnier, Roland. Op cit. Pág. 89. 5 In. Adas, Melhen. Geografia da América. Editora Moderna. Pág 146/147. 6 Decreto assinado por Cronwell que restringia o comércio de mercadorias inglesas e de suas colônias ao transporte apenas em navios da Inglaterra 7 In. Declaração de Independência dos EUA. Sinopse da História dos Estados Unidos da América. Ministério das Relações Exteriores. Pág. 23. 8 In. Godechot, Jacques. As Revoluções 1770 - 1799. Livraria Pioneira Editora. Nova Clio. Pág. 17. 9 In. Godechot, Jacques. Op cit. Pág. 19. “Quando uma longa série de abusos e de usurpações, tendendo invariavelmente ao mesmo fim, marca o desígnio de submetê-los a um Despotismo absoluto, é do seu direito, e do seu dever, rejeitar um tal governo e prover à sua segurança futura por meio de novas salvaguardas.Tal foi a longa paciência destas colônias,e tal é hoje a necessidade que as forçam a mudar o seu antigo sistema de governo... Em conseqüên- cia, nós, em nome e pela autoridade do bom povo destas colônias, que estas colônias unidas são e têm o direito de ser Estados livres e independentes:que são desligadas de toda a obediência à coroa da Inglaterra, que toda a união política entre elas e o Estado da Grã-Bretanha é e deve ser totalmente dissolvida.E,para sustentar esta Declaração,com uma firme confiança na proteção da Divina Providência, nós empe- nhamos mutuamente as nossas vidas, os nossos bens e a nossa honra sagra- da.”7