Se considerarmos que o sentido de toda pro-
dução humana é proporcionar qualidade de vida,
veremos então que capital é tudo aquilo que pode
reverter-se em melhoria da qualidade da vida social.
O Capital Social é um conceito acadêmico
elaborado através da observação da capacidade
que cada cidade, e ou, região, tem de promover
seu próprio desenvolvimento.
Estes preceitos foram observados por Robert Put-
nam em comunidades que se destacaram das demais,
pelo avanço que conseguiram em seu desenvolvi-
mento, como na qualidade de vida observada nestas
localidades. Observou-se que, nestas comunidades
a ética e os valores morais, eram seus principais ele-
mentos estratégicos para a promoção do desenvolvi-
mento e da melhoria da qualidade de vida.
Para exemplificar este conceito, Putnam recorre à
uma parábola de David Hume:
Teu milho está maduro hoje; o meu estará amanhã. É
vantajoso para nós dois que eu te ajude a colhê-lo hoje
e que tu me ajudes amanhã. Não tenho amizade por ti
eseiquetambémnãotenspormim.Portantonãofarei
nenhum esforço em teu favor; e sei que se eu te ajudar,
esperando alguma retribuição, certamente, me decep-
cionarei, pois não poderei contar com tua gratidão. En-
tão, deixo de ajudar-te; e tu me pagas com a mesma
moeda. As estações mudam; e nós dois perdemos nos-
sas colheitas por falta de confiança mutua.
Ou seja, nestas comunidades foram observados
valoreis sociais coletivos em detrimento de valores
Prof. Leonardo Andrade
Professor da Faculdade de Ciências
Gerenciais – FACIG; Mestre em Desen-
volvimento Regional U-ni-FACEF
Especialista em Gestão Financeira e
Controladoria - FGV; Graduação em
Comércio Exterior pela Universidade
de Franca – UNIFRAN
Rua Maria Rosa da Silva, 151, Jardim Paraíso,
São Joaquim da Barra, SP - (16) 3818-3271
Capital Social: uma alavanca para o desenvolvimento regional
individualistas, tão presentes em nosso arranjo social.
Via-se que os empresários destas regiões, por partilha-
rem valores morais comuns, confiavam mais uns nos
outros, o que permitia realizarem seus negócios com
menores riscos econômicos. Permitindo até mesmo o
compartilhamento de investimentos tecnológicos en-
tre empresários, pois o que se valorizava era o cresci-
mento do todo e, o bem comum.
Porém estes preceitos chocam-se com o paradig-
ma social em que vivemos, o que dificulta seu enten-
dimento e sua prática. A teoria empresarial e, a ordem
econômica, geral, prevê uma competição entre os
participantes do mercado, onde cada um deve buscar
a maior parcela do mercado possível, utilizando seus
diferenciais competitivos. Ou seja, preceitos competi-
tivos baseados em uma lógica individualista.
Lógica esta que nos leva ao esgotamento dos
recursos naturais e os problema ambientais pre-
sentes na atualidade. E pior ainda, muitas vezes
acaba por promover a violência. Pois como temos
visto em nossa região, a criminalidade vem au-
mentando demasiadamente. Fato que algumas
pesquisas acadêmicas, tem apontado, como sendo
um efeito colateral das sociedades altamente desi-
guais, como é o caso do Brasil.
Em contra partida, com a promoção do Capital
Social, que se dá através do aumento do nível de ed-
ucação, assim como ao atendimento de condições
estruturais mínimas e oportunidades econômicas jus-
tas, esse viés pode ser revertido.
Ou seja, o desenvolvimento de valores morais,
que em ultima instância se dá através da educação de
qualidade é uma forte alavanca para a promoção do
desenvolvimento da região e a consequente melhoria
da qualidade de vida.
Sendo assim, a presença de instituições de en-
sino de qualidade, em todos os níveis educacionais,
fortalece e desenvolve os preceitos necessários para
alavancar o desenvolvimento local através da pro-
moção do Capital Social e Humano.

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  • 1.
    Se considerarmos queo sentido de toda pro- dução humana é proporcionar qualidade de vida, veremos então que capital é tudo aquilo que pode reverter-se em melhoria da qualidade da vida social. O Capital Social é um conceito acadêmico elaborado através da observação da capacidade que cada cidade, e ou, região, tem de promover seu próprio desenvolvimento. Estes preceitos foram observados por Robert Put- nam em comunidades que se destacaram das demais, pelo avanço que conseguiram em seu desenvolvi- mento, como na qualidade de vida observada nestas localidades. Observou-se que, nestas comunidades a ética e os valores morais, eram seus principais ele- mentos estratégicos para a promoção do desenvolvi- mento e da melhoria da qualidade de vida. Para exemplificar este conceito, Putnam recorre à uma parábola de David Hume: Teu milho está maduro hoje; o meu estará amanhã. É vantajoso para nós dois que eu te ajude a colhê-lo hoje e que tu me ajudes amanhã. Não tenho amizade por ti eseiquetambémnãotenspormim.Portantonãofarei nenhum esforço em teu favor; e sei que se eu te ajudar, esperando alguma retribuição, certamente, me decep- cionarei, pois não poderei contar com tua gratidão. En- tão, deixo de ajudar-te; e tu me pagas com a mesma moeda. As estações mudam; e nós dois perdemos nos- sas colheitas por falta de confiança mutua. Ou seja, nestas comunidades foram observados valoreis sociais coletivos em detrimento de valores Prof. Leonardo Andrade Professor da Faculdade de Ciências Gerenciais – FACIG; Mestre em Desen- volvimento Regional U-ni-FACEF Especialista em Gestão Financeira e Controladoria - FGV; Graduação em Comércio Exterior pela Universidade de Franca – UNIFRAN Rua Maria Rosa da Silva, 151, Jardim Paraíso, São Joaquim da Barra, SP - (16) 3818-3271 Capital Social: uma alavanca para o desenvolvimento regional individualistas, tão presentes em nosso arranjo social. Via-se que os empresários destas regiões, por partilha- rem valores morais comuns, confiavam mais uns nos outros, o que permitia realizarem seus negócios com menores riscos econômicos. Permitindo até mesmo o compartilhamento de investimentos tecnológicos en- tre empresários, pois o que se valorizava era o cresci- mento do todo e, o bem comum. Porém estes preceitos chocam-se com o paradig- ma social em que vivemos, o que dificulta seu enten- dimento e sua prática. A teoria empresarial e, a ordem econômica, geral, prevê uma competição entre os participantes do mercado, onde cada um deve buscar a maior parcela do mercado possível, utilizando seus diferenciais competitivos. Ou seja, preceitos competi- tivos baseados em uma lógica individualista. Lógica esta que nos leva ao esgotamento dos recursos naturais e os problema ambientais pre- sentes na atualidade. E pior ainda, muitas vezes acaba por promover a violência. Pois como temos visto em nossa região, a criminalidade vem au- mentando demasiadamente. Fato que algumas pesquisas acadêmicas, tem apontado, como sendo um efeito colateral das sociedades altamente desi- guais, como é o caso do Brasil. Em contra partida, com a promoção do Capital Social, que se dá através do aumento do nível de ed- ucação, assim como ao atendimento de condições estruturais mínimas e oportunidades econômicas jus- tas, esse viés pode ser revertido. Ou seja, o desenvolvimento de valores morais, que em ultima instância se dá através da educação de qualidade é uma forte alavanca para a promoção do desenvolvimento da região e a consequente melhoria da qualidade de vida. Sendo assim, a presença de instituições de en- sino de qualidade, em todos os níveis educacionais, fortalece e desenvolve os preceitos necessários para alavancar o desenvolvimento local através da pro- moção do Capital Social e Humano.