EQUIDADE EM SAÚDE:
ÊXITOS E DESAFIOS
PARA O BRASIL
James Macinko, PhD
New York University
25 de Novembro de 2013
2

1. Existem definições diferentes de
equidade em saúde
Equidade Horizontal

Equidade Vertical

Equidade em
contribuição
financeira

Usuários com a mesma
capacidade de
pagamento fazem o
mesmo nível de
contribuição.

Usuários com maior
capacidade de pagar,
pagam mais (em
termos absoluto ou
relativo?)

Equidade na
prestação de
serviços

Usuários com as
mesmas necessidades
de saúde recebem o
mesmo nível de
cuidados/serviços

Usuários com maiores
necessidades de saúde
recebem
proporcionalmente
maior nível de
cuidados/serviços
de saúde
J. Macinko, 2013

2. Equidade envolve julgamentos sobre
justiça social
• Existem diferenças entre grupos de pessoas na utilização

de serviços de saúde
• Uma parte dessa diferença é justa, pois algumas
pessoas precisam de mais serviços por causa do seu
estado de saúde.
• Equidade nos serviços de saúde é geralmente definida
como “existência de diferenças na utilização de serviços
de saúde entre grupos que não é explicada pelas
diferenças na necessidade de saúde”
• Equidade horizontal = diferença entre utilização de
serviços observada e utilização prevista por
necessidades de saúde.
• Mas, quem determina o que é uma “necessidade”?

3
Quantidade de consultas medicas <12 meses

Curva de Lorentz: visualização da relação entre uso de
serviços e renda
100

Desigualdade: probabilidade
de acesso maior para as
pessoas mais pobres

80

60

Igualdade:
probabilidade de
acesso igual ao
tamanho da população

40

20

0
0

20

40

60

População, ordenada do mais pobre até o mais rico

80

Desigualdade:
probabilidade de
acesso maior
para as pessoas
mais ricas 100
Brazil, 1998-2008: Menos pro-rico ou mais propobre?
100
Consulta médica <12 meses, 2008
Consulta médica< 12 meses, 1998
Hospitalizado <12 meses, 2008
80

Hospitalizado < 12 meses, 1998

Quantidade

Consulta odontológica,

2008

Consulta odontológica, 1998
Linha de igualdade
60

40

20

0
0

20

40

60

População, ordenada do mais pobre até o mais rico

Fonte: Macinko , & Lima-Costa, 2012

80

100
J. Macinko, 2013

Índice de Equidade Horizontal (controlando
necessidades de saúde), 1998-2008
0,2500

Horizontal Inequity Index (HI)

0,2000

0,1500

Índices em 2008
semelhantes a vários
países ricos. Não tão
desigual como o
índice de Gini, por
exemplo.

0,1000

0,0500

Pro-Rico
0,0000

Pro-Pobre
-0,0500
1998

2003

Doctor visit (12 months)

Hospital (12 months)

Service-use (2 weeks)

Dentist (12 months)

2008
Usual source of care

6
3. Existem diferentes fontes de cobertura
de saúde no Brasil
Assumimos que as
ESF (42%)
(determinado pela
residência)

Atualmente este
numero é maior
(50%) e as pessoas
sem ESF ou plano
diminuiu.
Fonte, PNAD 2008

Plano de saúde
(26%)
(determinado
pela ocupação
ou capacidade
de pagar)

Nem ESF nem
plano (32%)
(UBS ou setor
privado pago
direito, depende
da renda)

pessoas com plano
vão preferir usar o
plano.

Os mais pobres vão
usar serviços do
SUS e os mais ricos
vão usar serviços
privados.
4. ESF esta associado com melhor utilização (apos equilibrar
necessidades de saúde e os outros fatores que determinam
utilização entre usuários ESF e o resto da população brasileira)
Diferenca percentual entre ESF e todas as outras fontes de
atencao
Medicamentos (gratuitos)

7,02

Fonte de uso regular

6,7

Consulta odontológica

2,94

Satisfação (2 semanas)

2,89

Consulta Médica (12 meses)

2,03
0

1

2

3

4

5

6

Os números são estimativas (de bootstrap) do efeito do tratamento (FHS-controles), ajustado para escore de
propensão baseado no sexo, plano de saúde, emprego, renda, educação, água interior, autopercepção de
saúde, limitação de mobilidade, as condições crônicas, localização rural e estado de residência.
Source: Macinko, Lima-Costa Tropical Medicine & International Health, 2012.

7
J. Macinko, 2013

5. Mas a população não sempre sabe de onde
recebe os cuidados de atenção (adultos, BH, 2010)
1: UBS (tradicional)

8%

2: Plano privado
26%
3: ESF (usuário não regular)
4: ESF (usuário regular)
ESF
(49%)

43%
23%

Atendido
pelo PSF?
Sim
Não
Não sabe
Total

UBS
44.7%
29.2%
26.1%
100%

PSF
54.3%
27.8%
17.9%
100%

Excluindo individuos com plano privado.

Fonte: Lima-Costa, Turci, Macinko, 2013

9
10

6. E essas fontes diferentes de saúde diferem
entre o nivel socioeconómico (BH, 2010)
100%
8%
90%

20%
29%

80%

39%

37%
19%

70%
22%

60%
50%
40%

11%

4: ESF (usuário regular)
3: ESF (usuário não regular)

27%
72%

35%

1: UBS (tradicional)

51%
30%
20%

2: Plano privado

41%
29%
19%

10%
0%

7%

8%

8%

10%

9%

Q1
Pobre

Q2

Q3

Q4

Q5
Rico
Fonte: Lima-Costa, Turci, Macinko, 2013
J. Macinko, 2013

7. Existem diferenças no desempenho de
cada fonte de cuidado (adultos BH 2010)
Hospitalizado (< 12
meses)
4: ESF (usuário regular)
>1 Consultas médicas
(<12 meses)

3: ESF (usuário não
regular)
2: Plano privado

Procurou por atenção (< 2
semanas)

1: UBS (tradicional)
Fonte regular de serviços
0

20

40

60

80

Percentagem ajustada por fatores predisponentes, de necessidade e facilitadores do
uso de serviços de saúde. Fonte: Lima-Costa, Turci, Macinko, 2013

11
J. Macinko, 2013

12

8. Problemas de qualidade
podem exacerbar iniquidades: a
SUS: Direito a saúde (100%)
cascada de atenção

Potencial para receber
atenção de alta qualidade

Conhecimento/ prática de hábitos saudáveis
Condições socioeconómicas que permitem/favorecem hábitos saudáveis
Mix municipal de modelos de atenção
Acessibilidade física e organizacional (Horário, transporte)

Formação e disponibilidade de medico/enfermeiro
Cuidados longitudinais (com mesmo medico/equipe)
Equipamentos e sistemas de informação adequados
Disponibilidade de rede de atenção especializada e diagnostica
Disponibilidade de medicamentos
Acompanhamento adequado
Recebimento de atenção
de alta qualidade (<100%)
Source: Adaptado de Eisenberg J. JAMA 2000;284:2100-07
Conclusões
• Equidade é um conceito difícil de definir, medir e melhorar
• Apesar disso, o Brasil tem melhorado equidade horizontal na utilização

dos serviços de saúde durante os últimos 10 anos.
• A ESF faz um papel importantíssimo nessa redução: Após controlar
fatores que influenciam o acesso e uso de serviços, os usuários da ESF
tiveram melhor chance de ter acesso, de usar e estar satisfeitos com
serviços ambulatórios de saúde que os usuários UBS e particulares, e
em alguns casos, melhor que as pessoas com planos de saúde.
• Mas existem mais outros desafios importantes para continuar os
resultados obtidos (e.g. diferentes fontes de atenção dentro do SUS,
qualidade da atenção)
J. Macinko, 2013

Referencias e colaboradores
• Macinko J, Lima-Costa MF. Horizontal equity in health care utilization in Brazil,
•

•

•

•

1998-2008. Int J Equity Health. 2012 Jun 21;11:33.
Macinko J, Lima Costa MF. Access to, use of and satisfaction with health services
among adults enrolled in Brazil's Family Health Strategy: evidence from the 2008
National Household Survey. Trop Med Int Health. 2012 Jan;17(1):36-42.
Lima-Costa MF, Turci MA, Macinko J. Estratégia Saúde da Família em
comparação a outras fontes de atenção: indicadores de uso e qualidade dos
serviços de saúde em Belo Horizonte, Minas Gerais, BrasilCad Saude Publica.
2013 Jul;29(7):1370-80.
Lima-Costa MF, Turci M, Macinko J. Saúde dos Adultos em Belo Horizonte.
Núcleo de Estudos em Saúde Pública e Envelhecimento, Centro de Pesquisas
René Rachou da Fundação Oswaldo Cruz e Faculdade de Medicina da
Universidade Federal de Minas Gerais. - Belo Horizonte: Núcleo de Estudos em
Saúde Pública e Envelhecimento, 2012
Mullachery, P. Lima-Costa, MF, Macinko, J. Horizontal inequity in healthcare
utilization: Findings from a large metropolitan region in Brazil. Poster presented at
the American Public Health Association annual meeting, 2013.

14
MUITO OBRIGADO!
Perguntas?
james.macinko@nyu.edu

Equidade em Saúde: Êxitos e Desafios para o Brasil

  • 1.
    EQUIDADE EM SAÚDE: ÊXITOSE DESAFIOS PARA O BRASIL James Macinko, PhD New York University 25 de Novembro de 2013
  • 2.
    2 1. Existem definiçõesdiferentes de equidade em saúde Equidade Horizontal Equidade Vertical Equidade em contribuição financeira Usuários com a mesma capacidade de pagamento fazem o mesmo nível de contribuição. Usuários com maior capacidade de pagar, pagam mais (em termos absoluto ou relativo?) Equidade na prestação de serviços Usuários com as mesmas necessidades de saúde recebem o mesmo nível de cuidados/serviços Usuários com maiores necessidades de saúde recebem proporcionalmente maior nível de cuidados/serviços de saúde
  • 3.
    J. Macinko, 2013 2.Equidade envolve julgamentos sobre justiça social • Existem diferenças entre grupos de pessoas na utilização de serviços de saúde • Uma parte dessa diferença é justa, pois algumas pessoas precisam de mais serviços por causa do seu estado de saúde. • Equidade nos serviços de saúde é geralmente definida como “existência de diferenças na utilização de serviços de saúde entre grupos que não é explicada pelas diferenças na necessidade de saúde” • Equidade horizontal = diferença entre utilização de serviços observada e utilização prevista por necessidades de saúde. • Mas, quem determina o que é uma “necessidade”? 3
  • 4.
    Quantidade de consultasmedicas <12 meses Curva de Lorentz: visualização da relação entre uso de serviços e renda 100 Desigualdade: probabilidade de acesso maior para as pessoas mais pobres 80 60 Igualdade: probabilidade de acesso igual ao tamanho da população 40 20 0 0 20 40 60 População, ordenada do mais pobre até o mais rico 80 Desigualdade: probabilidade de acesso maior para as pessoas mais ricas 100
  • 5.
    Brazil, 1998-2008: Menospro-rico ou mais propobre? 100 Consulta médica <12 meses, 2008 Consulta médica< 12 meses, 1998 Hospitalizado <12 meses, 2008 80 Hospitalizado < 12 meses, 1998 Quantidade Consulta odontológica, 2008 Consulta odontológica, 1998 Linha de igualdade 60 40 20 0 0 20 40 60 População, ordenada do mais pobre até o mais rico Fonte: Macinko , & Lima-Costa, 2012 80 100
  • 6.
    J. Macinko, 2013 Índicede Equidade Horizontal (controlando necessidades de saúde), 1998-2008 0,2500 Horizontal Inequity Index (HI) 0,2000 0,1500 Índices em 2008 semelhantes a vários países ricos. Não tão desigual como o índice de Gini, por exemplo. 0,1000 0,0500 Pro-Rico 0,0000 Pro-Pobre -0,0500 1998 2003 Doctor visit (12 months) Hospital (12 months) Service-use (2 weeks) Dentist (12 months) 2008 Usual source of care 6
  • 7.
    3. Existem diferentesfontes de cobertura de saúde no Brasil Assumimos que as ESF (42%) (determinado pela residência) Atualmente este numero é maior (50%) e as pessoas sem ESF ou plano diminuiu. Fonte, PNAD 2008 Plano de saúde (26%) (determinado pela ocupação ou capacidade de pagar) Nem ESF nem plano (32%) (UBS ou setor privado pago direito, depende da renda) pessoas com plano vão preferir usar o plano. Os mais pobres vão usar serviços do SUS e os mais ricos vão usar serviços privados.
  • 8.
    4. ESF estaassociado com melhor utilização (apos equilibrar necessidades de saúde e os outros fatores que determinam utilização entre usuários ESF e o resto da população brasileira) Diferenca percentual entre ESF e todas as outras fontes de atencao Medicamentos (gratuitos) 7,02 Fonte de uso regular 6,7 Consulta odontológica 2,94 Satisfação (2 semanas) 2,89 Consulta Médica (12 meses) 2,03 0 1 2 3 4 5 6 Os números são estimativas (de bootstrap) do efeito do tratamento (FHS-controles), ajustado para escore de propensão baseado no sexo, plano de saúde, emprego, renda, educação, água interior, autopercepção de saúde, limitação de mobilidade, as condições crônicas, localização rural e estado de residência. Source: Macinko, Lima-Costa Tropical Medicine & International Health, 2012. 7
  • 9.
    J. Macinko, 2013 5.Mas a população não sempre sabe de onde recebe os cuidados de atenção (adultos, BH, 2010) 1: UBS (tradicional) 8% 2: Plano privado 26% 3: ESF (usuário não regular) 4: ESF (usuário regular) ESF (49%) 43% 23% Atendido pelo PSF? Sim Não Não sabe Total UBS 44.7% 29.2% 26.1% 100% PSF 54.3% 27.8% 17.9% 100% Excluindo individuos com plano privado. Fonte: Lima-Costa, Turci, Macinko, 2013 9
  • 10.
    10 6. E essasfontes diferentes de saúde diferem entre o nivel socioeconómico (BH, 2010) 100% 8% 90% 20% 29% 80% 39% 37% 19% 70% 22% 60% 50% 40% 11% 4: ESF (usuário regular) 3: ESF (usuário não regular) 27% 72% 35% 1: UBS (tradicional) 51% 30% 20% 2: Plano privado 41% 29% 19% 10% 0% 7% 8% 8% 10% 9% Q1 Pobre Q2 Q3 Q4 Q5 Rico Fonte: Lima-Costa, Turci, Macinko, 2013
  • 11.
    J. Macinko, 2013 7.Existem diferenças no desempenho de cada fonte de cuidado (adultos BH 2010) Hospitalizado (< 12 meses) 4: ESF (usuário regular) >1 Consultas médicas (<12 meses) 3: ESF (usuário não regular) 2: Plano privado Procurou por atenção (< 2 semanas) 1: UBS (tradicional) Fonte regular de serviços 0 20 40 60 80 Percentagem ajustada por fatores predisponentes, de necessidade e facilitadores do uso de serviços de saúde. Fonte: Lima-Costa, Turci, Macinko, 2013 11
  • 12.
    J. Macinko, 2013 12 8.Problemas de qualidade podem exacerbar iniquidades: a SUS: Direito a saúde (100%) cascada de atenção Potencial para receber atenção de alta qualidade Conhecimento/ prática de hábitos saudáveis Condições socioeconómicas que permitem/favorecem hábitos saudáveis Mix municipal de modelos de atenção Acessibilidade física e organizacional (Horário, transporte) Formação e disponibilidade de medico/enfermeiro Cuidados longitudinais (com mesmo medico/equipe) Equipamentos e sistemas de informação adequados Disponibilidade de rede de atenção especializada e diagnostica Disponibilidade de medicamentos Acompanhamento adequado Recebimento de atenção de alta qualidade (<100%) Source: Adaptado de Eisenberg J. JAMA 2000;284:2100-07
  • 13.
    Conclusões • Equidade éum conceito difícil de definir, medir e melhorar • Apesar disso, o Brasil tem melhorado equidade horizontal na utilização dos serviços de saúde durante os últimos 10 anos. • A ESF faz um papel importantíssimo nessa redução: Após controlar fatores que influenciam o acesso e uso de serviços, os usuários da ESF tiveram melhor chance de ter acesso, de usar e estar satisfeitos com serviços ambulatórios de saúde que os usuários UBS e particulares, e em alguns casos, melhor que as pessoas com planos de saúde. • Mas existem mais outros desafios importantes para continuar os resultados obtidos (e.g. diferentes fontes de atenção dentro do SUS, qualidade da atenção)
  • 14.
    J. Macinko, 2013 Referenciase colaboradores • Macinko J, Lima-Costa MF. Horizontal equity in health care utilization in Brazil, • • • • 1998-2008. Int J Equity Health. 2012 Jun 21;11:33. Macinko J, Lima Costa MF. Access to, use of and satisfaction with health services among adults enrolled in Brazil's Family Health Strategy: evidence from the 2008 National Household Survey. Trop Med Int Health. 2012 Jan;17(1):36-42. Lima-Costa MF, Turci MA, Macinko J. Estratégia Saúde da Família em comparação a outras fontes de atenção: indicadores de uso e qualidade dos serviços de saúde em Belo Horizonte, Minas Gerais, BrasilCad Saude Publica. 2013 Jul;29(7):1370-80. Lima-Costa MF, Turci M, Macinko J. Saúde dos Adultos em Belo Horizonte. Núcleo de Estudos em Saúde Pública e Envelhecimento, Centro de Pesquisas René Rachou da Fundação Oswaldo Cruz e Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais. - Belo Horizonte: Núcleo de Estudos em Saúde Pública e Envelhecimento, 2012 Mullachery, P. Lima-Costa, MF, Macinko, J. Horizontal inequity in healthcare utilization: Findings from a large metropolitan region in Brazil. Poster presented at the American Public Health Association annual meeting, 2013. 14
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