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Amamentação e Sexualidade
Departamento Científico de Aleitamento Materno
Presidente: Elsa Regina Justo Giugliani
Secretária: Graciete Oliveira Vieira
Conselho Científico: Carmen Lúcia Leal Ferreira Elias, Claudete Teixeira Krause Closs,
Roberto Mário da Silveira Issler, Rosa Maria Negri Rodrigues Alves,
Rossiclei de Souza Pinheiro, Vilneide Maria Santos Braga Diégues Serva,
Yechiel Moises Checinski
Colaboradora: Denise de Sousa Feliciano
Documento Científico
Departamento Científico de
Aleitamento Materno
Nº 7, Agosto de 2018
Como todas as funções do corpo, a possibi-
lidade de uma mulher amamentar um bebê está
relacionada aos demais fatores que a constituem
como indivíduo: psíquico, social e cultural. Nes-
se sentido, torna-se fundamental que o pediatra
que acompanha uma família durante a fase de
aleitamento materno esteja orientado quanto às
dificuldades derivadas de fatores alheios ao fun-
cionamento do organismo, mas que podem impe-
dir que suas funções vitais sejam comprometidas.
Freud (1893), ainda no início de suas pesqui-
sas que fizeram dele o fundador da psicanálise,
foi chamado por uma família cuja mulher não
conseguia amamentar seu segundo filho, apesar
de expressar grande desejo em fazê-lo. Ela ha-
via tentado sem sucesso amamentar o primeiro
filho, mas fora acometida de alguns sintomas que
inviabilizaram seu intento, como a pouca produ-
ção de leite e dores quando o bebê era colocado
para mamar, além de inapetência e insônia. Nessa
ocasião, após 15 dias de tentativas em vão, optou
por delegar a amamentação a uma ama de lei-
te. Quando deu à luz seu segundo filho, preten-
dia amamentá-lo e evitar uma ama de leite, mas
sintomas semelhantes aos que ocorreram com o
primeiro filho voltaram a aparecer, e com maior
intensidade. Como último recurso, seus médicos
recomendaram que ela visse Freud e pudesse
ser submetida à hipnose, técnica com a qual ele
iniciou suas investigações em psicanálise, mas
abandonou posteriormente por mostrar-se inefi-
caz para que as mudanças conquistadas fossem
duradouras. Essa intervenção possibilitou à mu-
lher amamentar satisfatoriamente seu bebê até
os 8 meses. Um ano mais tarde, ao nascer seu ter-
ceiro filho, novamente os sintomas apareceram e
mais uma vez foi necessária a hipnose para con-
seguir amamentar seu bebê. Dessa última vez, a
mãe confessou a Freud seu descontentamento
por constatar que a hipnose poderia ter conse-
guido o que ela sozinha, com toda a sua vontade,
não havia conseguido.
Esse caso ilustra como os fenômenos intrapsí-
quicos têm influência significativa no desem-
Amamentação e Sexualidade
2
penho da função materna de amamentar, tantas
vezes sugerida como simples e natural. Mesmo
quando a mãe está fortemente empenhada e
disposta, fatores psíquicos inconscientes podem
interferir no aleitamento materno, dificultando e
até mesmo impedindo-o.
Depois de Freud, muitos autores como Badin-
ter (1985), Deutsch (1951), Klein (1997), Langer
(1981), Soifer (1980), Winnicott (1994), Maldo-
nado (1976), Monteiro (2003), Feliciano (2009),
dentre outros, se ocuparam em pesquisas rela-
cionadas à influência de fatores psíquicos nas di-
nâmicas da maternidade e lactação. Atualmente,
com todo o desenvolvimento da psicanálise e os
recursos para compreender a complexidade da
mente, podemos tê-la como um trunfo importan-
te na compreensão de dinâmicas familiares e da
dupla mãe e bebê que chegam aos consultórios,
ambulatórios e maternidades com impossibilida-
des de praticar o aleitamento materno.
O objetivo deste documento científico é abor-
dar alguns fatores de ordem psíquica que a ama-
mentação desencadeia nas pessoas envolvidas,
que nem sempre são levados em consideração
nas consultas pediátricas de acompanhamento
durante o período de amamentação.
O principal elemento que se torna um im-
bróglio no aleitamento materno é o fato de que
o seio que produz o alimento do bebê também
ocupa um importante papel na sexualidade adul-
ta, por seu caráter de zona erógena que participa
ativamente dos jogos eróticos de um casal.
Do ponto de vista fisiológico, uma zona eróge-
na concentra uma quantidade de inervações sen-
soriais que provocam no organismo a excitação
sexual preparatória para o coito. Essa característi-
ca do corpo se associa a uma representação cultu-
ral e psíquica que acompanha cada dupla, família
e sociedade como um fator importante que define
o sucesso ou insucesso da amamentação.
Para algumas mulheres, existe uma dissocia-
ção muito marcante entre maternidade e sexuali-
dade, fincada na imagem da mãe santa e assexu-
ada que permeia as mais diversas culturas, com
ícones como os quadros de virgens com bebês ao
colo. Em função disso, muitas mulheres que ama-
mentam perdem seus desejos sexuais e outras
caminham em direção ao desmame precoce por
não conseguir atribuir aos seios uma outra fun-
ção que não a de atributo sexual. As sensações
sexuais que podem surgir em virtude do seio re-
presentar uma importante zona erógena podem
inibir a amamentação pelo desconforto moral
que desencadearia. Entretanto, para Deutsch
(1951) algumas mulheres psiquicamente mais
livres para o desempenho de suas funções ma-
ternas tendem a aceitar tais sensações e incor-
porá-las como inerentes ao processo de lactação
e perfeitamente aceitas por seu psiquismo. A
mesma autora afirmou estar convencida de que a
maior parte dos problemas de lactação estaria re-
lacionada a fatores psíquicos que, analogamente
ao fisiológico, seriam uma espécie de cordão um-
bilical psíquico que ligaria o seio materno à boca
do bebê. Para ela, o conflito entre as tendências
egoísticas e as forças altruístas da maternidade
estariam subjacentes às dificuldades ou ao su-
cesso da lactação.
O Seio e as Turbulências
Identitárias Femininas
Um dos primeiros sinais que marca a entrada
da menina no mundo adulto é o crescimento dos
botões mamilares, que desponta como anúncio
do processo de tornar-se mulher. O crescimento
dos seios, que em geral vem acompanhado da
menarca, consolida a identidade feminina no que
tange à concretude corporal. Na contrapartida psí-
quica, essa etapa do desenvolvimento traz à tona
uma série de conflitos que tumultuam o universo
mental da menina, desde a estranheza de um cor-
po novo, com novos estímulos e necessidades, ao
efeito que sua nova imagem produz em seu meio
social. É uma experiência que mistura muitos afe-
tos que incluem o medo pelo desconhecido e a
dor do luto pela infância que fica para trás.
Após esse período de abalo na identidade da
menina na qual o seio é o aliado mais significati-
vo, percorre-se um período no qual o seio da mu-
Departamento Científico de Aleitamento Materno • Sociedade Brasileira de Pediatria
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lher adulta é símbolo de sedução e sensualidade.
Essa marca é tanto pessoal quanto compartilhada
pelos olhares ao seu redor. Somente por ocasião
de uma gestação é que se dá um novo abalo em
sua relação com o seio, marcando nova etapa de
vida e identidade social.
Para nossa cultura ocidental o seio está as-
sociado ao atrativo erótico, dos mais importan-
tes da vida sexual de um casal. As sensações no
mamilo são fortes aliadas na excitação genital. O
mesmo seio que o bebê vai mamar.
As terminações nervosas não mudam nas
duas situações. O que muda é a representação
psíquica e todo o engendramento mental que vai
permitir que a mulher, na amamentação, trans-
forme as sensações de seu mamilo em um prazer
de natureza diferente do erótico. Os afetos des-
pertados pela maternidade tornam o contato de
amamentar uma experiência de ternura e amor.
Não é um mecanismo mental simples e só terá
êxito se essa mulher teve um desenvolvimento
psicoemocional satisfatório e contar com recur-
sos mentais para tal. A condição de que essa or-
ganização aconteça está relacionada a toda sua
história e marcas que ela nem mesmo pode aces-
sar conscientemente e à sua atual vivência na re-
lação com seu parceiro amoroso e a criança.
É fundamental para o aleitamento materno
que a mulher possa ser capaz de diferenciar emo-
cionalmente os dois tipos de estímulos em seus
mamilos, sensual e maternal. Alguns dos impe-
dimentos se dão em razão de a mulher associar
a sucção do bebê à estimulação erótica tanto do
contato da mucosa do bebê com o seio, quanto
das contrações uterinas reflexas ao ato de sugar,
o que torna insuportável amamentar, pelo caráter
incestuoso que adquire e a aterroriza, como ilus-
trado em Monteiro (2009): “A dor, as rachaduras
do seio, os abcessos mamários e o isolamento que
levam a mãe a se desligar do ambiente e da crian-
ça, respondem ao conflito inconsciente entre um
desejo sexual incestuoso e a tendência repressiva
oposta.” Sofier (1980).
Observa-se uma turbulência identitária na
mulher, que precisa integrar os papéis entre ser
mulher e ser mãe. Entretanto, algumas delas não
conseguem a integração dos dois aspectos iden-
titários e muitas vezes vivem apenas um deles em
detrimento do outro, reprimindo-o. Em alguns ca-
sais, essa dinâmica é compartilhada pelo homem,
fazendo com que o casal não retome a vida sexu-
al, adotando um papel maternal exagerado que
deserotiza a relação. Ou quando a mulher não
tem um casal constituído com o pai da criança
abandona sua vida sexual mantendo-se ancorada
unicamente na relação com o filho, o que de certo
modo sobrecarrega a criança e dificulta seu de-
senvolvimento psicoemocional, repercutindo em
outras áreas do desenvolvimento.
Mas, tão importante quanto ser capaz de viver
e entregar-se à maternidade é poder conservar a
sensualidade e o desejo. Algumas mulheres ao se
tornarem mães se encantam a tal ponto que ani-
quilam sua feminilidade sensual, adotando um
papel exclusivamente maternal. Essa é uma das
causas frequentes de conflitos de casal e divór-
cios, além de ser uma atitude que sobrecarrega
a criança e impede que ela possa estar livre psi-
quicamente para suas relações sociais. Frequen-
temente, esses engendramentos psíquicos entre
mãe e filho aparecem quando a criança recusa-se
a receber outros alimentos que não o leite mater-
no, ou não se adapta à escola e à companhia de
outros adultos, mantendo-se numa relação fusio-
nal com a mãe.
É certo que no período puerperal é esperado
que haja um tempo de reorganização do impacto
que a nova configuração familiar e novos papéis
impõem. Contudo, é frequente que essa desorga-
nização inicial se cristalize numa escolha que não
integra as duas faces da identidade masculina e
feminina. Alguns casais chegam a adotar o “ape-
lido” de mãe e pai entre si.
Em pesquisa sobre as dinâmicas psíquicas de-
sencadeadas pela amamentação realizada com
mulheres durante o primeiro semestre de vida de
seus bebês, houve consenso sobre esses confli-
tos mencionados anteriormente e ilustrados por
depoimentos como: parece que ele (o marido) cor-
tou a parte mulher e ficou só a mãe. Eu sinto que
ele me olha como se fosse mãe, não como mulher;
Amamentação e Sexualidade
4
eu não voltei ainda a ser mulher, então acho que a
partir do momento que eu voltar a ser mulher, nos-
so relacionamento vai começar a ser de homem e
mulher. Acho que, por enquanto, eu sou mãe e ele
é o pai... não marido e mulher.” (Monteiro, 2003)
A possibilidade de “se dividir” entre mulher
sensual e mulher maternal depende fundamen-
talmente da relação vivida pela mulher com a
sua própria mãe e as construções imaginárias
que se constituíram e que agora se impõem na
vida com seu próprio bebê. As mudanças corpo-
rais e amamentação são derivadas desse mundo
intrapsíquico. Como afirma Felice (2000): “As
mudanças corporais devidas à gravidez, parto e
amamentação podem conflitar com os desejos
narcísicos da mulher de preservar o corpo como
objeto de atração erótica”. Em outras palavras, a
mulher que não pode doar seu corpo em amor
a um bebê pelo medo de perder seus atributos
revela insegurança que advém de sua infância
muito precoce.
O Seio no Universo
Mental Masculino
O ponto de vista masculino é complementar
à essa dinâmica vivida pela mulher, e não menos
complexa. Para ele, a marca inaugural do seio
está relacionada à sua vivência com a própria
mãe, nos primórdios de sua existência, época da
qual ele não tem os registros acessíveis em sua
lembrança consciente, mas tem as marcas afeti-
vas inconscientes.
Essa experiência tão antiga fica por um lon-
go período ausente da vida do homem, sendo
substituída no início da puberdade pelo caráter
de sensualidade que o seio adquire em sua vida
pessoal e grupal. Os seios de uma mulher passam
a ser representantes de sua vida erótica, com res-
postas corporais condizentes com atração sexual.
A dicotomia do seio ante a paternidade impli-
ca novos arranjos mentais que permitam que ele
abra mão do seio erótico em favor da alimentação
de seu filho ou filha, sem que com isso se perca o
aspecto de sensualidade que vinha representan-
do, para que se conserve o casal amoroso e não
apenas o casal parental.
Alguns homens não conseguem ver a mulher
como mãe e também parceira sexual, porque a
imagem materna fica associada à representação
da mãe assexuada de sua infância. Quando me-
nino esse era o recurso psíquico ilusório que o
protegia da dor de reconhecer o lugar importante
que seu pai ocupava junto à sua mãe. A criança
deseja ser o único amor da mãe. Aos poucos e
dolorosamente a maturidade emocional aceita a
realidade de não ser o centro da vida materna, e
é uma das mais importantes aquisições mentais
do indivíduo.
No cenário aparentemente dual entre a mãe
e o bebê, muitas vezes o pai sente-se preterido e
sem lugar, o que transtorna toda a dinâmica fami-
liar, incluindo a própria amamentação e às vezes
o desempenho do papel de pai. Embora haja de
fato uma dualidade mãe e bebê, a possibilidade
de entrega plena da mulher e condições psíqui-
cas para viver a proximidade quase fusional que
o bebê precisa, vai depender também do quanto
pode contar com o apoio do pai da criança.
O pai, por sua vez, só poderá oferecer essa
sustentação se ele próprio não estiver excessiva-
mente incomodado e impossibilitado de tolerar
ser excluído da dualidade mãe e bebê. Nesse mo-
mento, suas próprias vivências infantis no perío-
do do chamado complexo de édipo serão o esteio
no qual ele se apoiará ou não para esse lugar fun-
damental na relação com sua família atual.
É comum os homens viverem grande ciú-
me dessa relação do filho com sua esposa, seja
porque se sente excluído do prazer que percebe
haver entre eles, seja porque precisa temporaria-
mente abster-se da sexualidade genital do casal,
que fica ofuscada ante à temporária substituição
do prazer erótico genital da mulher pela plenitu-
de que a ternura ocupa em sua sexualidade. En-
tretanto, esse período também precisa terminar
e o bebê necessita que sua mãe se afaste e volte
para a dualidade do casal parental para dar-lhe
espaço de desenvolvimento psíquico, ainda que
Departamento Científico de Aleitamento Materno • Sociedade Brasileira de Pediatria
5
seja um período de dor e luto. É um afastamento
gradual que tem seu apogeu no desmame.
Se o homem não é capaz de ajudar a mulher
nesse distanciamento numa espécie de inter-
dição e reivindicação da mulher ao seu lado, a
dupla mãe e bebê “se perde” numa vivência de
estagnação que vai desgastando e exaurindo a
todos.
O Casal
Por muitas razões psíquicas, não é incomum
que o casal que tem um bebê sofra dificuldades
para lidar com as mudanças descritas acima em re-
lação às suas identidades e aos vários significados
que o seio adquire. Não é possível abordar neste
documento a pluralidade de fatores que estão im-
plicados em termos mentais, pois são derivados
de toda a constituição do psiquismo e suas dinâ-
micas. Mas se o profissional está atento à influên-
cia desses elementos, poderá perceber quando
questões dessa natureza são impeditivas para que
a amamentação flua e se consolide durante o tem-
po necessário ao desenvolvimento do bebê.
Durante o primeiro mês após o parto, ante
a todas as mudanças descritas acima, mãe e pai
vêm-se sobrecarregados emocionalmente e con-
fusos com o universo desconhecido. Além disso,
essas vivências trazem à tona as experiências
infantis muito precoces com todas as marcas de
tabu que a sexualidade carrega.
A sociedade ocidental traz em seu imaginário
a antiga marca de mãe-santa que está nas raízes
de nossa cultura, derivada da Virgem Maria e das
demais marcas religiosas judaico-cristãs. O de-
sejo sexual e a eroticidade ficaram segregados
e atribuídos a mitos como Lilith, que teria sido a
primeira mulher de Adão, porém por ser insub-
missa e “tentadora” fugiu do Éden.
Ao lado dessas representações culturais, so-
ma-se o imaginário infantil no qual os pais tor-
nam-se assexuados aos olhos dos filhos. É uma
solução psíquica que resulta da dor da criança
em ser excluída da dualidade do prazer comparti-
lhado entre o casal, a tal tão disseminada ideia de
Édipo que ficou banalizada no discurso simplista
da paixão da criança pelo seu progenitor.
Na verdade, em psicanálise o conceito de édi-
po tem como função simbólica nomear a dor de
quem fica excluído de um prazer compartilhado,
vivência que constitui a capacidade de se relacio-
nar em sociedade. De fato, é na relação com os
pais que a criança vive esse sentimento em cará-
ter inaugural. E é importante para ela que os pais
possam sustentar o casal e tolerar a dor que ad-
vém para a criança. Algumas vezes os pais, con-
doídos com o sofrimento que inconscientemente
traz à tona sua própria vivência de infância, ten-
tam desfazer os limites, incluindo a criança em
todos os espaços e com isso abandonam a vida
a dois.
A suspensão da vida sexual faz parte de um
período de adaptação pelo qual passa a família, e
que envolve o corpo da mulher em seus hormô-
nios que precisam ser reorganizados. Antigamen-
te falava-se em “quarentena”, que era uma forma
simbólica de caracterizar essas adaptações. Não
há um tempo preciso para isso; naturalmente
acompanha o desenvolvimento do bebê, o resta-
belecimento do corpo materno e a familiaridade
da nova constituição familiar. Mas se o casal não
retoma sua vida sexual, cria-se um estado mútuo
de hostilidade e frustração que nem sempre é
consciente. Instala-se uma tensão na dinâmica
familiar.
O grande desafio de um casal após o nasci-
mento dos filhos é poder integrar as faces mater-
na e feminina na mesma pessoa, tanto do ponto
de vista da mulher quanto do homem. A ama-
mentação não é a causa dessa desorganização da
identidade sexual do casal, mas a coincidência de
ser o seio a parte do corpo da mulher que viabili-
za a amamentação e também uma das principais
zonas erógenas femininas impõe um conflito que
agudiza essa desorganização do casal.
A falta de espaço para a sexualidade do ca-
sal vai fatalmente desencadear conflitos tanto
intrapsíquicos quanto relacional. Mas na maior
Amamentação e Sexualidade
6
parte das vezes o casal não se dá conta de que
a causa de brigas, incômodos e dificuldades na
dinâmica familiar e com a criança têm a sexuali-
dade represada como raiz inconsciente.
Muitas vezes, todos esses conflitos incons-
cientes ficam camuflados no aparente cuidado e
preocupação com o bebê. Alguns casais relatam
que a criança, muitas vezes já crescida, só aceita
dormir abraçada à mãe, numa espécie de barrei-
ra contra a aproximação do homem, o que muito
frequentemente causa ressentimentos e ame-
açam o relacionamento. A atitude da criança de
recusa na verdade é um conluio com os conflitos
intrapsíquicos do casal. Crianças pequenas são
extremamente sensíveis às angústias parentais
e reagem a elas tanto em contraposição quanto
como aliados.
Assim, a própria amamentação pode tornar-se
um escudo da reaproximação do casal quando ela
ocupa um espaço que parece excessivo nas ne-
cessidades fisiológicas da criança. É importante
que o pediatra esteja atento a esses manejos de-
correntes dos conflitos mentais para não se aliar
a esses engendramentos e poder intervir como
ajuda familiar.
O Papel do Pediatra
Pela proximidade da família puérpera com o
pediatra, torna-se imprescindível que esse pro-
fissional esteja atento ao processo de readap-
tação e construção das novas identidades tanto
de cada um dos pais quanto do casal e da família
ante a chegada de seu novo membro.
No primeiro mês de vida da criança é espe-
rado que todas essas questões mencionadas an-
teriormente sejam visíveis e façam parte desse
momento de rupturas e nova reorganização. Do
mesmo modo, é importante que o pediatra es-
teja atento a uma postura aparentemente sem
transtornos e conflitos, o que significa uma im-
possibilidade do casal de entrar em contato com
essas turbulências. A exemplo disso está o retor-
no muito precoce da mãe à sua rotina anterior ao
nascimento, delegando a uma babá ou familiar o
cuidado com a criança, o que representa o terror
inconsciente à aproximação das vivências primi-
tivas e imaturas do bebê. Essa angústia também
se faz representar no pai que nunca está presen-
te nas consultas ou na rotina da criança, alegando
excesso de trabalho, o que se desdobra na solidão
da mãe não apenas para lidar com seus próprios
conflitos, mas pela sobrecarga que as tarefas com
o bebê e amamentação lhe impõem.
Observar detalhes em como a mãe se apre-
senta em seus cuidados pessoais também pode
ajudar a diagnosticar a necessidade de uma in-
tervenção mais ativa do pediatra e eventualmen-
te de um psicólogo. Mulheres que passam a se
descuidar da aparência, mas que em contrapar-
tida esmeram-se na apresentação dos bebês em
roupas e acessórios, pode sinalizar a substituição
da autoestima que passa a ser transferida ao fi-
lho, como expressão de seu próprio eu (Szejer &
Stewart, 1997).
Toda a intensidade desse momento inicial
assume um estado depressivo saudável, conhe-
cido como baby blues. A vulnerabilidade, espe-
cialmente da mãe que se desdobra em choros
contínuos e chamados frequentes ao pediatra
pelos mais simples motivos, precisa ser tolera-
da e compreendida como uma expressão e des-
carga emocional. A passagem desse estado a um
quadro depressivo mais preocupante é tênue,
demandando atenção e proximidade do pediatra
para que não haja medicalização ou preocupação
precoce, que impede o processo natural de aco-
modação psíquica.
O homem também vive seu baby blues, ainda
que com uma roupagem diferente do da mulher.
Para ele, a quem culturalmente foi ensinado ser
forte e não chorar, as reações de sua depressão
ficam por conta de uma fragilidade somática que
faz com ele adoeça ou se acidente com mais fre-
quência, ou ainda seja tomado de um torpor e
cansaço excessivo (Szejer & Stewart, 1997).
À medida em que o tempo passa, a tendência
é a estabilização de todo esse cenário familiar e
individual de cada um. Ao perceber uma cristali-
Departamento Científico de Aleitamento Materno • Sociedade Brasileira de Pediatria
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zação desse quadro ou ameaças mais significati-
vas de desmame precoce ou outros indicadores
de dificuldades mais expressivas, uma conversa
aberta com os pais pode ajudá-los a se reorga-
nizarem. Outras vezes é importante reconhecer
que as tensões são mais profundas e pedem aju-
da de um profissional de saúde mental que tra-
balhe especificamente com famílias de crianças
pequenas, entre 0 e 3 anos.
É importante que o pediatra não dissocie os
sintomas orgânicos dos fundamentos psicoló-
gicos que os acompanham, mesmo que ele não
tenha claro o engendramento que está subjacen-
te a cada família, sobretudo à mulher. Supor que
as dificuldades são de ordem psíquica permitem
que o pediatra escute os pais sem minimizar os
sintomas e atribuí-los a fatores banais.
Dependendo da natureza dos conflitos in-
conscientes, o fato de se sentirem respeitadas
e acolhidas pelo pediatra pode ajudar a família
a se reorganizar gradualmente. Entretanto, nem
sempre a atitude do médico é suficiente, deman-
dando uma assistência psicológica. A falta de
uma intervenção psicológica pode representar a
impossibilidade de amamentação ou mesmo ou-
tros sintomas ainda mais preocupantes como a
depressão da mãe ou do bebê.
A Sociedade
Contextualizar que o significado psíquico da
amamentação evoca a sexualidade de cada um,
incluindo os tabus e preconceitos que o tema im-
plica, permite uma melhor compreensão das rea-
ções públicas ante o ato de amamentar.
Obviamente que é preciso criar condições e
políticas públicas que permitam que a mulher
possa ser livre para escolher amamentar em pú-
blico ou preferir um lugar mais reservado. En-
tretanto, é fundamental estar atento que não se
trata de uma questão banal, nem para os que as-
sistem à cena, nem para os envolvidos com ela.
Saber disso ajuda a favorecer ações que tenham
como prioridade as necessidades do bebê.
Considerações Finais
A sexualidade humana, assim como a intimi-
dade, são assuntos de muita complexidade emo-
cional. A amamentação tangencia essas duas fa-
ces do psiquismo trazendo à tona toda a história
psíquica dos que estão envolvidos, sobretudo a
mãe e o pai do bebê. Considerar a amamentação
com a multiplicidade de vértices que ela abriga é
a primeira conquista de um profissional de saúde
implicado em promovê-la. A dedicação e escuta
atenta e respeitosa do profissional que a acom-
panha pode fazer a grande diferença na vida des-
sas famílias.
A mente de cada pessoa é um universo par-
ticular e único. Julgamentos, preconceitos e ge-
neralizações são componentes que atrapalham
as boas relações de troca e desenvolvimento
entre as pessoas. Os conflitos de cada pai e mãe
podem ficar remexidos com o nascimento de um
filho, e tornam-se mais visíveis aos olhos e ouvi-
dos de um profissional sensível. A atitude desse
certamente irá contribuir para a saúde mental da
criança que nasce e para a reorganização e soli-
dez de sua família.
Amamentação e Sexualidade
8
REFERÊNCIAS
07. Langer, M. Problemas psicológicos da lactância.
In: Maternidade e sexo. 2 ed. Porto Alegre: Artes
Médicas, 1981.
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Psicologia, Universidade de São Paulo, 2003.
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puerpério. Porto Alegre RS: Artes Médicas.
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São Paulo. Vetor, 2000.
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psychologie des femmes: maternité. Paris: PUF,
(1951) 2002.
04. Feliciano, DS. Para além do seio: uma proposta
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e Desenvolvimento Humano) – Instituto de
Psicologia, Universidade de São Paulo, 2009.
05. Freud, S. Um caso de cura pelo hipnotismo In
Edição standard brasileira das obras psicológicas
completas de Sigmund Freud. (1893) 1969.
06. Klein, M. O desmame In Amor, Culpa e Reparação
e outros trabalhos. Rio de Janeiro: Imago. (1936)
1967.
9
Diretoria
Triênio 2016/2018
PRESIDENTE:
Luciana Rodrigues Silva (BA)
1º VICE-PRESIDENTE:
Clóvis Francisco Constantino (SP)
2º VICE-PRESIDENTE:
Edson Ferreira Liberal (RJ)
SECRETÁRIO GERAL:
Sidnei Ferreira (RJ)
1º SECRETÁRIO:
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2º SECRETÁRIO:
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3º SECRETÁRIO:
Virgínia Resende Silva Weffort (MG)
DIRETORIA FINANCEIRA:
Maria Tereza Fonseca da Costa (RJ)
2ª DIRETORIA FINANCEIRA:
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3ª DIRETORIA FINANCEIRA:
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Membros:
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COORDENADORES REGIONAIS:
Norte:
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Nordeste:
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CADERNETA da GESTANTE: 8a edição / 2023 CADERNETA da GESTANTE: 8a edição / 2023
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Amamentação e sexualidade - novo documento científico da SBP

  • 1. 1 Amamentação e Sexualidade Departamento Científico de Aleitamento Materno Presidente: Elsa Regina Justo Giugliani Secretária: Graciete Oliveira Vieira Conselho Científico: Carmen Lúcia Leal Ferreira Elias, Claudete Teixeira Krause Closs, Roberto Mário da Silveira Issler, Rosa Maria Negri Rodrigues Alves, Rossiclei de Souza Pinheiro, Vilneide Maria Santos Braga Diégues Serva, Yechiel Moises Checinski Colaboradora: Denise de Sousa Feliciano Documento Científico Departamento Científico de Aleitamento Materno Nº 7, Agosto de 2018 Como todas as funções do corpo, a possibi- lidade de uma mulher amamentar um bebê está relacionada aos demais fatores que a constituem como indivíduo: psíquico, social e cultural. Nes- se sentido, torna-se fundamental que o pediatra que acompanha uma família durante a fase de aleitamento materno esteja orientado quanto às dificuldades derivadas de fatores alheios ao fun- cionamento do organismo, mas que podem impe- dir que suas funções vitais sejam comprometidas. Freud (1893), ainda no início de suas pesqui- sas que fizeram dele o fundador da psicanálise, foi chamado por uma família cuja mulher não conseguia amamentar seu segundo filho, apesar de expressar grande desejo em fazê-lo. Ela ha- via tentado sem sucesso amamentar o primeiro filho, mas fora acometida de alguns sintomas que inviabilizaram seu intento, como a pouca produ- ção de leite e dores quando o bebê era colocado para mamar, além de inapetência e insônia. Nessa ocasião, após 15 dias de tentativas em vão, optou por delegar a amamentação a uma ama de lei- te. Quando deu à luz seu segundo filho, preten- dia amamentá-lo e evitar uma ama de leite, mas sintomas semelhantes aos que ocorreram com o primeiro filho voltaram a aparecer, e com maior intensidade. Como último recurso, seus médicos recomendaram que ela visse Freud e pudesse ser submetida à hipnose, técnica com a qual ele iniciou suas investigações em psicanálise, mas abandonou posteriormente por mostrar-se inefi- caz para que as mudanças conquistadas fossem duradouras. Essa intervenção possibilitou à mu- lher amamentar satisfatoriamente seu bebê até os 8 meses. Um ano mais tarde, ao nascer seu ter- ceiro filho, novamente os sintomas apareceram e mais uma vez foi necessária a hipnose para con- seguir amamentar seu bebê. Dessa última vez, a mãe confessou a Freud seu descontentamento por constatar que a hipnose poderia ter conse- guido o que ela sozinha, com toda a sua vontade, não havia conseguido. Esse caso ilustra como os fenômenos intrapsí- quicos têm influência significativa no desem-
  • 2. Amamentação e Sexualidade 2 penho da função materna de amamentar, tantas vezes sugerida como simples e natural. Mesmo quando a mãe está fortemente empenhada e disposta, fatores psíquicos inconscientes podem interferir no aleitamento materno, dificultando e até mesmo impedindo-o. Depois de Freud, muitos autores como Badin- ter (1985), Deutsch (1951), Klein (1997), Langer (1981), Soifer (1980), Winnicott (1994), Maldo- nado (1976), Monteiro (2003), Feliciano (2009), dentre outros, se ocuparam em pesquisas rela- cionadas à influência de fatores psíquicos nas di- nâmicas da maternidade e lactação. Atualmente, com todo o desenvolvimento da psicanálise e os recursos para compreender a complexidade da mente, podemos tê-la como um trunfo importan- te na compreensão de dinâmicas familiares e da dupla mãe e bebê que chegam aos consultórios, ambulatórios e maternidades com impossibilida- des de praticar o aleitamento materno. O objetivo deste documento científico é abor- dar alguns fatores de ordem psíquica que a ama- mentação desencadeia nas pessoas envolvidas, que nem sempre são levados em consideração nas consultas pediátricas de acompanhamento durante o período de amamentação. O principal elemento que se torna um im- bróglio no aleitamento materno é o fato de que o seio que produz o alimento do bebê também ocupa um importante papel na sexualidade adul- ta, por seu caráter de zona erógena que participa ativamente dos jogos eróticos de um casal. Do ponto de vista fisiológico, uma zona eróge- na concentra uma quantidade de inervações sen- soriais que provocam no organismo a excitação sexual preparatória para o coito. Essa característi- ca do corpo se associa a uma representação cultu- ral e psíquica que acompanha cada dupla, família e sociedade como um fator importante que define o sucesso ou insucesso da amamentação. Para algumas mulheres, existe uma dissocia- ção muito marcante entre maternidade e sexuali- dade, fincada na imagem da mãe santa e assexu- ada que permeia as mais diversas culturas, com ícones como os quadros de virgens com bebês ao colo. Em função disso, muitas mulheres que ama- mentam perdem seus desejos sexuais e outras caminham em direção ao desmame precoce por não conseguir atribuir aos seios uma outra fun- ção que não a de atributo sexual. As sensações sexuais que podem surgir em virtude do seio re- presentar uma importante zona erógena podem inibir a amamentação pelo desconforto moral que desencadearia. Entretanto, para Deutsch (1951) algumas mulheres psiquicamente mais livres para o desempenho de suas funções ma- ternas tendem a aceitar tais sensações e incor- porá-las como inerentes ao processo de lactação e perfeitamente aceitas por seu psiquismo. A mesma autora afirmou estar convencida de que a maior parte dos problemas de lactação estaria re- lacionada a fatores psíquicos que, analogamente ao fisiológico, seriam uma espécie de cordão um- bilical psíquico que ligaria o seio materno à boca do bebê. Para ela, o conflito entre as tendências egoísticas e as forças altruístas da maternidade estariam subjacentes às dificuldades ou ao su- cesso da lactação. O Seio e as Turbulências Identitárias Femininas Um dos primeiros sinais que marca a entrada da menina no mundo adulto é o crescimento dos botões mamilares, que desponta como anúncio do processo de tornar-se mulher. O crescimento dos seios, que em geral vem acompanhado da menarca, consolida a identidade feminina no que tange à concretude corporal. Na contrapartida psí- quica, essa etapa do desenvolvimento traz à tona uma série de conflitos que tumultuam o universo mental da menina, desde a estranheza de um cor- po novo, com novos estímulos e necessidades, ao efeito que sua nova imagem produz em seu meio social. É uma experiência que mistura muitos afe- tos que incluem o medo pelo desconhecido e a dor do luto pela infância que fica para trás. Após esse período de abalo na identidade da menina na qual o seio é o aliado mais significati- vo, percorre-se um período no qual o seio da mu-
  • 3. Departamento Científico de Aleitamento Materno • Sociedade Brasileira de Pediatria 3 lher adulta é símbolo de sedução e sensualidade. Essa marca é tanto pessoal quanto compartilhada pelos olhares ao seu redor. Somente por ocasião de uma gestação é que se dá um novo abalo em sua relação com o seio, marcando nova etapa de vida e identidade social. Para nossa cultura ocidental o seio está as- sociado ao atrativo erótico, dos mais importan- tes da vida sexual de um casal. As sensações no mamilo são fortes aliadas na excitação genital. O mesmo seio que o bebê vai mamar. As terminações nervosas não mudam nas duas situações. O que muda é a representação psíquica e todo o engendramento mental que vai permitir que a mulher, na amamentação, trans- forme as sensações de seu mamilo em um prazer de natureza diferente do erótico. Os afetos des- pertados pela maternidade tornam o contato de amamentar uma experiência de ternura e amor. Não é um mecanismo mental simples e só terá êxito se essa mulher teve um desenvolvimento psicoemocional satisfatório e contar com recur- sos mentais para tal. A condição de que essa or- ganização aconteça está relacionada a toda sua história e marcas que ela nem mesmo pode aces- sar conscientemente e à sua atual vivência na re- lação com seu parceiro amoroso e a criança. É fundamental para o aleitamento materno que a mulher possa ser capaz de diferenciar emo- cionalmente os dois tipos de estímulos em seus mamilos, sensual e maternal. Alguns dos impe- dimentos se dão em razão de a mulher associar a sucção do bebê à estimulação erótica tanto do contato da mucosa do bebê com o seio, quanto das contrações uterinas reflexas ao ato de sugar, o que torna insuportável amamentar, pelo caráter incestuoso que adquire e a aterroriza, como ilus- trado em Monteiro (2009): “A dor, as rachaduras do seio, os abcessos mamários e o isolamento que levam a mãe a se desligar do ambiente e da crian- ça, respondem ao conflito inconsciente entre um desejo sexual incestuoso e a tendência repressiva oposta.” Sofier (1980). Observa-se uma turbulência identitária na mulher, que precisa integrar os papéis entre ser mulher e ser mãe. Entretanto, algumas delas não conseguem a integração dos dois aspectos iden- titários e muitas vezes vivem apenas um deles em detrimento do outro, reprimindo-o. Em alguns ca- sais, essa dinâmica é compartilhada pelo homem, fazendo com que o casal não retome a vida sexu- al, adotando um papel maternal exagerado que deserotiza a relação. Ou quando a mulher não tem um casal constituído com o pai da criança abandona sua vida sexual mantendo-se ancorada unicamente na relação com o filho, o que de certo modo sobrecarrega a criança e dificulta seu de- senvolvimento psicoemocional, repercutindo em outras áreas do desenvolvimento. Mas, tão importante quanto ser capaz de viver e entregar-se à maternidade é poder conservar a sensualidade e o desejo. Algumas mulheres ao se tornarem mães se encantam a tal ponto que ani- quilam sua feminilidade sensual, adotando um papel exclusivamente maternal. Essa é uma das causas frequentes de conflitos de casal e divór- cios, além de ser uma atitude que sobrecarrega a criança e impede que ela possa estar livre psi- quicamente para suas relações sociais. Frequen- temente, esses engendramentos psíquicos entre mãe e filho aparecem quando a criança recusa-se a receber outros alimentos que não o leite mater- no, ou não se adapta à escola e à companhia de outros adultos, mantendo-se numa relação fusio- nal com a mãe. É certo que no período puerperal é esperado que haja um tempo de reorganização do impacto que a nova configuração familiar e novos papéis impõem. Contudo, é frequente que essa desorga- nização inicial se cristalize numa escolha que não integra as duas faces da identidade masculina e feminina. Alguns casais chegam a adotar o “ape- lido” de mãe e pai entre si. Em pesquisa sobre as dinâmicas psíquicas de- sencadeadas pela amamentação realizada com mulheres durante o primeiro semestre de vida de seus bebês, houve consenso sobre esses confli- tos mencionados anteriormente e ilustrados por depoimentos como: parece que ele (o marido) cor- tou a parte mulher e ficou só a mãe. Eu sinto que ele me olha como se fosse mãe, não como mulher;
  • 4. Amamentação e Sexualidade 4 eu não voltei ainda a ser mulher, então acho que a partir do momento que eu voltar a ser mulher, nos- so relacionamento vai começar a ser de homem e mulher. Acho que, por enquanto, eu sou mãe e ele é o pai... não marido e mulher.” (Monteiro, 2003) A possibilidade de “se dividir” entre mulher sensual e mulher maternal depende fundamen- talmente da relação vivida pela mulher com a sua própria mãe e as construções imaginárias que se constituíram e que agora se impõem na vida com seu próprio bebê. As mudanças corpo- rais e amamentação são derivadas desse mundo intrapsíquico. Como afirma Felice (2000): “As mudanças corporais devidas à gravidez, parto e amamentação podem conflitar com os desejos narcísicos da mulher de preservar o corpo como objeto de atração erótica”. Em outras palavras, a mulher que não pode doar seu corpo em amor a um bebê pelo medo de perder seus atributos revela insegurança que advém de sua infância muito precoce. O Seio no Universo Mental Masculino O ponto de vista masculino é complementar à essa dinâmica vivida pela mulher, e não menos complexa. Para ele, a marca inaugural do seio está relacionada à sua vivência com a própria mãe, nos primórdios de sua existência, época da qual ele não tem os registros acessíveis em sua lembrança consciente, mas tem as marcas afeti- vas inconscientes. Essa experiência tão antiga fica por um lon- go período ausente da vida do homem, sendo substituída no início da puberdade pelo caráter de sensualidade que o seio adquire em sua vida pessoal e grupal. Os seios de uma mulher passam a ser representantes de sua vida erótica, com res- postas corporais condizentes com atração sexual. A dicotomia do seio ante a paternidade impli- ca novos arranjos mentais que permitam que ele abra mão do seio erótico em favor da alimentação de seu filho ou filha, sem que com isso se perca o aspecto de sensualidade que vinha representan- do, para que se conserve o casal amoroso e não apenas o casal parental. Alguns homens não conseguem ver a mulher como mãe e também parceira sexual, porque a imagem materna fica associada à representação da mãe assexuada de sua infância. Quando me- nino esse era o recurso psíquico ilusório que o protegia da dor de reconhecer o lugar importante que seu pai ocupava junto à sua mãe. A criança deseja ser o único amor da mãe. Aos poucos e dolorosamente a maturidade emocional aceita a realidade de não ser o centro da vida materna, e é uma das mais importantes aquisições mentais do indivíduo. No cenário aparentemente dual entre a mãe e o bebê, muitas vezes o pai sente-se preterido e sem lugar, o que transtorna toda a dinâmica fami- liar, incluindo a própria amamentação e às vezes o desempenho do papel de pai. Embora haja de fato uma dualidade mãe e bebê, a possibilidade de entrega plena da mulher e condições psíqui- cas para viver a proximidade quase fusional que o bebê precisa, vai depender também do quanto pode contar com o apoio do pai da criança. O pai, por sua vez, só poderá oferecer essa sustentação se ele próprio não estiver excessiva- mente incomodado e impossibilitado de tolerar ser excluído da dualidade mãe e bebê. Nesse mo- mento, suas próprias vivências infantis no perío- do do chamado complexo de édipo serão o esteio no qual ele se apoiará ou não para esse lugar fun- damental na relação com sua família atual. É comum os homens viverem grande ciú- me dessa relação do filho com sua esposa, seja porque se sente excluído do prazer que percebe haver entre eles, seja porque precisa temporaria- mente abster-se da sexualidade genital do casal, que fica ofuscada ante à temporária substituição do prazer erótico genital da mulher pela plenitu- de que a ternura ocupa em sua sexualidade. En- tretanto, esse período também precisa terminar e o bebê necessita que sua mãe se afaste e volte para a dualidade do casal parental para dar-lhe espaço de desenvolvimento psíquico, ainda que
  • 5. Departamento Científico de Aleitamento Materno • Sociedade Brasileira de Pediatria 5 seja um período de dor e luto. É um afastamento gradual que tem seu apogeu no desmame. Se o homem não é capaz de ajudar a mulher nesse distanciamento numa espécie de inter- dição e reivindicação da mulher ao seu lado, a dupla mãe e bebê “se perde” numa vivência de estagnação que vai desgastando e exaurindo a todos. O Casal Por muitas razões psíquicas, não é incomum que o casal que tem um bebê sofra dificuldades para lidar com as mudanças descritas acima em re- lação às suas identidades e aos vários significados que o seio adquire. Não é possível abordar neste documento a pluralidade de fatores que estão im- plicados em termos mentais, pois são derivados de toda a constituição do psiquismo e suas dinâ- micas. Mas se o profissional está atento à influên- cia desses elementos, poderá perceber quando questões dessa natureza são impeditivas para que a amamentação flua e se consolide durante o tem- po necessário ao desenvolvimento do bebê. Durante o primeiro mês após o parto, ante a todas as mudanças descritas acima, mãe e pai vêm-se sobrecarregados emocionalmente e con- fusos com o universo desconhecido. Além disso, essas vivências trazem à tona as experiências infantis muito precoces com todas as marcas de tabu que a sexualidade carrega. A sociedade ocidental traz em seu imaginário a antiga marca de mãe-santa que está nas raízes de nossa cultura, derivada da Virgem Maria e das demais marcas religiosas judaico-cristãs. O de- sejo sexual e a eroticidade ficaram segregados e atribuídos a mitos como Lilith, que teria sido a primeira mulher de Adão, porém por ser insub- missa e “tentadora” fugiu do Éden. Ao lado dessas representações culturais, so- ma-se o imaginário infantil no qual os pais tor- nam-se assexuados aos olhos dos filhos. É uma solução psíquica que resulta da dor da criança em ser excluída da dualidade do prazer comparti- lhado entre o casal, a tal tão disseminada ideia de Édipo que ficou banalizada no discurso simplista da paixão da criança pelo seu progenitor. Na verdade, em psicanálise o conceito de édi- po tem como função simbólica nomear a dor de quem fica excluído de um prazer compartilhado, vivência que constitui a capacidade de se relacio- nar em sociedade. De fato, é na relação com os pais que a criança vive esse sentimento em cará- ter inaugural. E é importante para ela que os pais possam sustentar o casal e tolerar a dor que ad- vém para a criança. Algumas vezes os pais, con- doídos com o sofrimento que inconscientemente traz à tona sua própria vivência de infância, ten- tam desfazer os limites, incluindo a criança em todos os espaços e com isso abandonam a vida a dois. A suspensão da vida sexual faz parte de um período de adaptação pelo qual passa a família, e que envolve o corpo da mulher em seus hormô- nios que precisam ser reorganizados. Antigamen- te falava-se em “quarentena”, que era uma forma simbólica de caracterizar essas adaptações. Não há um tempo preciso para isso; naturalmente acompanha o desenvolvimento do bebê, o resta- belecimento do corpo materno e a familiaridade da nova constituição familiar. Mas se o casal não retoma sua vida sexual, cria-se um estado mútuo de hostilidade e frustração que nem sempre é consciente. Instala-se uma tensão na dinâmica familiar. O grande desafio de um casal após o nasci- mento dos filhos é poder integrar as faces mater- na e feminina na mesma pessoa, tanto do ponto de vista da mulher quanto do homem. A ama- mentação não é a causa dessa desorganização da identidade sexual do casal, mas a coincidência de ser o seio a parte do corpo da mulher que viabili- za a amamentação e também uma das principais zonas erógenas femininas impõe um conflito que agudiza essa desorganização do casal. A falta de espaço para a sexualidade do ca- sal vai fatalmente desencadear conflitos tanto intrapsíquicos quanto relacional. Mas na maior
  • 6. Amamentação e Sexualidade 6 parte das vezes o casal não se dá conta de que a causa de brigas, incômodos e dificuldades na dinâmica familiar e com a criança têm a sexuali- dade represada como raiz inconsciente. Muitas vezes, todos esses conflitos incons- cientes ficam camuflados no aparente cuidado e preocupação com o bebê. Alguns casais relatam que a criança, muitas vezes já crescida, só aceita dormir abraçada à mãe, numa espécie de barrei- ra contra a aproximação do homem, o que muito frequentemente causa ressentimentos e ame- açam o relacionamento. A atitude da criança de recusa na verdade é um conluio com os conflitos intrapsíquicos do casal. Crianças pequenas são extremamente sensíveis às angústias parentais e reagem a elas tanto em contraposição quanto como aliados. Assim, a própria amamentação pode tornar-se um escudo da reaproximação do casal quando ela ocupa um espaço que parece excessivo nas ne- cessidades fisiológicas da criança. É importante que o pediatra esteja atento a esses manejos de- correntes dos conflitos mentais para não se aliar a esses engendramentos e poder intervir como ajuda familiar. O Papel do Pediatra Pela proximidade da família puérpera com o pediatra, torna-se imprescindível que esse pro- fissional esteja atento ao processo de readap- tação e construção das novas identidades tanto de cada um dos pais quanto do casal e da família ante a chegada de seu novo membro. No primeiro mês de vida da criança é espe- rado que todas essas questões mencionadas an- teriormente sejam visíveis e façam parte desse momento de rupturas e nova reorganização. Do mesmo modo, é importante que o pediatra es- teja atento a uma postura aparentemente sem transtornos e conflitos, o que significa uma im- possibilidade do casal de entrar em contato com essas turbulências. A exemplo disso está o retor- no muito precoce da mãe à sua rotina anterior ao nascimento, delegando a uma babá ou familiar o cuidado com a criança, o que representa o terror inconsciente à aproximação das vivências primi- tivas e imaturas do bebê. Essa angústia também se faz representar no pai que nunca está presen- te nas consultas ou na rotina da criança, alegando excesso de trabalho, o que se desdobra na solidão da mãe não apenas para lidar com seus próprios conflitos, mas pela sobrecarga que as tarefas com o bebê e amamentação lhe impõem. Observar detalhes em como a mãe se apre- senta em seus cuidados pessoais também pode ajudar a diagnosticar a necessidade de uma in- tervenção mais ativa do pediatra e eventualmen- te de um psicólogo. Mulheres que passam a se descuidar da aparência, mas que em contrapar- tida esmeram-se na apresentação dos bebês em roupas e acessórios, pode sinalizar a substituição da autoestima que passa a ser transferida ao fi- lho, como expressão de seu próprio eu (Szejer & Stewart, 1997). Toda a intensidade desse momento inicial assume um estado depressivo saudável, conhe- cido como baby blues. A vulnerabilidade, espe- cialmente da mãe que se desdobra em choros contínuos e chamados frequentes ao pediatra pelos mais simples motivos, precisa ser tolera- da e compreendida como uma expressão e des- carga emocional. A passagem desse estado a um quadro depressivo mais preocupante é tênue, demandando atenção e proximidade do pediatra para que não haja medicalização ou preocupação precoce, que impede o processo natural de aco- modação psíquica. O homem também vive seu baby blues, ainda que com uma roupagem diferente do da mulher. Para ele, a quem culturalmente foi ensinado ser forte e não chorar, as reações de sua depressão ficam por conta de uma fragilidade somática que faz com ele adoeça ou se acidente com mais fre- quência, ou ainda seja tomado de um torpor e cansaço excessivo (Szejer & Stewart, 1997). À medida em que o tempo passa, a tendência é a estabilização de todo esse cenário familiar e individual de cada um. Ao perceber uma cristali-
  • 7. Departamento Científico de Aleitamento Materno • Sociedade Brasileira de Pediatria 7 zação desse quadro ou ameaças mais significati- vas de desmame precoce ou outros indicadores de dificuldades mais expressivas, uma conversa aberta com os pais pode ajudá-los a se reorga- nizarem. Outras vezes é importante reconhecer que as tensões são mais profundas e pedem aju- da de um profissional de saúde mental que tra- balhe especificamente com famílias de crianças pequenas, entre 0 e 3 anos. É importante que o pediatra não dissocie os sintomas orgânicos dos fundamentos psicoló- gicos que os acompanham, mesmo que ele não tenha claro o engendramento que está subjacen- te a cada família, sobretudo à mulher. Supor que as dificuldades são de ordem psíquica permitem que o pediatra escute os pais sem minimizar os sintomas e atribuí-los a fatores banais. Dependendo da natureza dos conflitos in- conscientes, o fato de se sentirem respeitadas e acolhidas pelo pediatra pode ajudar a família a se reorganizar gradualmente. Entretanto, nem sempre a atitude do médico é suficiente, deman- dando uma assistência psicológica. A falta de uma intervenção psicológica pode representar a impossibilidade de amamentação ou mesmo ou- tros sintomas ainda mais preocupantes como a depressão da mãe ou do bebê. A Sociedade Contextualizar que o significado psíquico da amamentação evoca a sexualidade de cada um, incluindo os tabus e preconceitos que o tema im- plica, permite uma melhor compreensão das rea- ções públicas ante o ato de amamentar. Obviamente que é preciso criar condições e políticas públicas que permitam que a mulher possa ser livre para escolher amamentar em pú- blico ou preferir um lugar mais reservado. En- tretanto, é fundamental estar atento que não se trata de uma questão banal, nem para os que as- sistem à cena, nem para os envolvidos com ela. Saber disso ajuda a favorecer ações que tenham como prioridade as necessidades do bebê. Considerações Finais A sexualidade humana, assim como a intimi- dade, são assuntos de muita complexidade emo- cional. A amamentação tangencia essas duas fa- ces do psiquismo trazendo à tona toda a história psíquica dos que estão envolvidos, sobretudo a mãe e o pai do bebê. Considerar a amamentação com a multiplicidade de vértices que ela abriga é a primeira conquista de um profissional de saúde implicado em promovê-la. A dedicação e escuta atenta e respeitosa do profissional que a acom- panha pode fazer a grande diferença na vida des- sas famílias. A mente de cada pessoa é um universo par- ticular e único. Julgamentos, preconceitos e ge- neralizações são componentes que atrapalham as boas relações de troca e desenvolvimento entre as pessoas. Os conflitos de cada pai e mãe podem ficar remexidos com o nascimento de um filho, e tornam-se mais visíveis aos olhos e ouvi- dos de um profissional sensível. A atitude desse certamente irá contribuir para a saúde mental da criança que nasce e para a reorganização e soli- dez de sua família.
  • 8. Amamentação e Sexualidade 8 REFERÊNCIAS 07. Langer, M. Problemas psicológicos da lactância. In: Maternidade e sexo. 2 ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1981. 08. Maldonado, MT. Aspectos psicológicos da gravidez, do parto e do puerpério. In: Psicologia da gravidez. Petrópolis: Vozes, 1976. 09. Monteiro. DSF. A amamentação e seus enredamentos psíquicos, 310 f. Dissertação (Mestrado em Psicologia Clínica) – Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo, 2003. 10. Soifer, R. (1980). Psicologia da gravidez, parto e puerpério. Porto Alegre RS: Artes Médicas. 11. Szejer, M. Stewart, R. Nove meses na vida da mulher. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1997 12. Winnicott, DW. A amamentação como forma de comunicação In Os bebês e suas mães. São Paulo: Martins Fontes. (1968) 1994. 01. Badinter, E. Um amor conquistado: o mito do amor materno. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 1985. 02. De Felice, EM. A Psicodinâmica do Peurpério. São Paulo. Vetor, 2000. 03. Deutsch, H. Suites de couches et allaitement. Début dês relations avec l´enfant. In: La psychologie des femmes: maternité. Paris: PUF, (1951) 2002. 04. Feliciano, DS. Para além do seio: uma proposta de intervenção psicanalítica pais-bebê em dificuldades de amamentação., 350 f. Tese (Doutorado em Psicologia do Escolar e Desenvolvimento Humano) – Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo, 2009. 05. Freud, S. Um caso de cura pelo hipnotismo In Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud. (1893) 1969. 06. Klein, M. O desmame In Amor, Culpa e Reparação e outros trabalhos. Rio de Janeiro: Imago. (1936) 1967.
  • 9. 9 Diretoria Triênio 2016/2018 PRESIDENTE: Luciana Rodrigues Silva (BA) 1º VICE-PRESIDENTE: Clóvis Francisco Constantino (SP) 2º VICE-PRESIDENTE: Edson Ferreira Liberal (RJ) SECRETÁRIO GERAL: Sidnei Ferreira (RJ) 1º SECRETÁRIO: Cláudio Hoineff (RJ) 2º SECRETÁRIO: Paulo de Jesus Hartmann Nader (RS) 3º SECRETÁRIO: Virgínia Resende Silva Weffort (MG) DIRETORIA FINANCEIRA: Maria Tereza Fonseca da Costa (RJ) 2ª DIRETORIA FINANCEIRA: Ana Cristina Ribeiro Zöllner (SP) 3ª DIRETORIA FINANCEIRA: Fátima Maria Lindoso da Silva Lima (GO) DIRETORIA DE INTEGRAÇÃO REGIONAL: Fernando Antônio Castro Barreiro (BA) Membros: Hans Walter Ferreira Greve (BA) Eveline Campos Monteiro de Castro (CE) Alberto Jorge Félix Costa (MS) Analíria Moraes Pimentel (PE) Corina Maria Nina Viana Batista (AM) Adelma Alves de Figueiredo (RR) COORDENADORES REGIONAIS: Norte: Bruno Acatauassu Paes Barreto (PA) Nordeste: Anamaria Cavalcante e Silva (CE) Sudeste: Luciano Amedée Péret Filho (MG) Sul: Darci Vieira Silva Bonetto (PR) Centro-oeste: Regina Maria Santos Marques (GO) ASSESSORES DA PRESIDÊNCIA: Assessoria para Assuntos Parlamentares: Marun David Cury (SP) Assessoria de Relações Institucionais: Clóvis Francisco Constantino (SP) Assessoria de Políticas Públicas: Mário Roberto Hirschheimer (SP) Rubens Feferbaum (SP) Maria Albertina Santiago Rego (MG) Sérgio Tadeu Martins Marba (SP) Assessoria de Políticas Públicas – Crianças e Adolescentes com Deficiência: Alda Elizabeth Boehler Iglesias Azevedo (MT) Eduardo Jorge Custódio da Silva (RJ) Assessoria de Acompanhamento da Licença Maternidade e Paternidade: João Coriolano Rego Barros (SP) Alexandre Lopes Miralha (AM) Ana Luiza Velloso da Paz Matos (BA) Assessoria para Campanhas: Conceição Aparecida de Mattos Segre (SP) GRUPOS DE TRABALHO: Drogas e Violência na Adolescência: Evelyn Eisenstein (RJ) Doenças Raras: Magda Maria Sales Carneiro Sampaio (SP) Atividade Física Coordenadores: Ricardo do Rêgo Barros (RJ) Luciana Rodrigues Silva (BA) Membros: Helita Regina F. Cardoso de Azevedo (BA) Patrícia Guedes de Souza (BA) Profissionais de Educação Física: Teresa Maria Bianchini de Quadros (BA) Alex Pinheiro Gordia (BA) Isabel Guimarães (BA) Jorge Mota (Portugal) Mauro Virgílio Gomes de Barros (PE) Colaborador: Dirceu Solé (SP) Metodologia Científica: Gisélia Alves Pontes da Silva (PE) Cláudio Leone (SP) Pediatria e Humanidade: Álvaro Jorge Madeiro Leite (CE) Luciana Rodrigues Silva (BA) João de Melo Régis Filho (PE) Transplante em Pediatria: Themis Reverbel da Silveira (RS) Irene Kazue Miura (SP) Carmen Lúcia Bonnet (PR) Adriana Seber (SP) Paulo Cesar Koch Nogueira (SP) Fabianne Altruda de M. Costa Carlesse (SP) DIRETORIA E COORDENAÇÕES: DIRETORIA DE QUALIFICAÇÃO E CERTIFICAÇÃO PROFISSIONAL Maria Marluce dos Santos Vilela (SP) COORDENAÇÃO DO CEXTEP: Hélcio Villaça Simões (RJ) COORDENAÇÃO DE ÁREA DE ATUAÇÃO Mauro Batista de Morais (SP) COORDENAÇÃO DE CERTIFICAÇÃO PROFISSIONAL José Hugo de Lins Pessoa (SP) DIRETORIA DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS Nelson Augusto Rosário Filho (PR) REPRESENTANTE NO GPEC (Global Pediatric Education Consortium) Ricardo do Rego Barros (RJ) REPRESENTANTE NA ACADEMIA AMERICANA DE PEDIATRIA (AAP) Sérgio Augusto Cabral (RJ) REPRESENTANTE NA AMÉRICA LATINA Francisco José Penna (MG) DIRETORIA DE DEFESA PROFISSIONAL, BENEFÍCIOS E PREVIDÊNCIA Marun David Cury (SP) DIRETORIA-ADJUNTA DE DEFESA PROFISSIONAL Sidnei Ferreira (RJ) Cláudio Barsanti (SP) Paulo Tadeu Falanghe (SP) Cláudio Orestes Britto Filho (PB) Mário Roberto Hirschheimer (SP) João Cândido de Souza Borges (CE) COORDENAÇÃO VIGILASUS Anamaria Cavalcante e Silva (CE) Fábio Elíseo Fernandes Álvares Leite (SP) Jussara Melo de Cerqueira Maia (RN) Edson Ferreira Liberal (RJ) Célia Maria Stolze Silvany ((BA) Kátia Galeão Brandt (PE) Elizete Aparecida Lomazi (SP) Maria Albertina Santiago Rego (MG) Isabel Rey Madeira (RJ) Jocileide Sales Campos (CE) COORDENAÇÃO DE SAÚDE SUPLEMENTAR Maria Nazareth Ramos Silva (RJ) Corina Maria Nina Viana Batista (AM) Álvaro Machado Neto (AL) Joana Angélica Paiva Maciel (CE) Cecim El Achkar (SC) Maria Helena Simões Freitas e Silva (MA) COORDENAÇÃO DO PROGRAMA DE GESTÃO DE CONSULTÓRIO Normeide Pedreira dos Santos (BA) DIRETORIA DOS DEPARTAMENTOS CIENTÍFICOS E COORDENAÇÃO DE DOCUMENTOS CIENTÍFICOS Dirceu Solé (SP) DIRETORIA-ADJUNTA DOS DEPARTAMENTOS CIENTÍFICOS Lícia Maria Oliveira Moreira (BA) DIRETORIA DE CURSOS, EVENTOS E PROMOÇÕES Lilian dos Santos Rodrigues Sadeck (SP) COORDENAÇÃO DE CONGRESSOS E SIMPÓSIOS Ricardo Queiroz Gurgel (SE) Paulo César Guimarães (RJ) Cléa Rodrigues Leone (SP) COORDENAÇÃO GERAL DOS PROGRAMAS DE ATUALIZAÇÃO Ricardo Queiroz Gurgel (SE) COORDENAÇÃO DO PROGRAMA DE REANIMAÇÃO NEONATAL: Maria Fernanda Branco de Almeida (SP) Ruth Guinsburg (SP) COORDENAÇÃO PALS – REANIMAÇÃO PEDIÁTRICA Alexandre Rodrigues Ferreira (MG) Kátia Laureano dos Santos (PB) COORDENAÇÃO BLS – SUPORTE BÁSICO DE VIDA Valéria Maria Bezerra Silva (PE) COORDENAÇÃO DO CURSO DE APRIMORAMENTO EM NUTROLOGIA PEDIÁTRICA (CANP) Virgínia Resende S. Weffort (MG) PEDIATRIA PARA FAMÍLIAS Victor Horácio da Costa Júnior (PR) PORTAL SBP Flávio Diniz Capanema (MG) COORDENAÇÃO DO CENTRO DE INFORMAÇÃO CIENTÍFICA José Maria Lopes (RJ) PROGRAMA DE ATUALIZAÇÃO CONTINUADA À DISTÂNCIA Altacílio Aparecido Nunes (SP) João Joaquim Freitas do Amaral (CE) DOCUMENTOS CIENTÍFICOS Luciana Rodrigues Silva (BA) Dirceu Solé (SP) Emanuel Sávio Cavalcanti Sarinho (PE) Joel Alves Lamounier (MG) DIRETORIA DE PUBLICAÇÕES Fábio Ancona Lopez (SP) EDITORES DA REVISTA SBP CIÊNCIA Joel Alves Lamounier (MG) Altacílio Aparecido Nunes (SP) Paulo Cesar Pinho Pinheiro (MG) Flávio Diniz Capanema (MG) EDITOR DO JORNAL DE PEDIATRIA Renato Procianoy (RS) EDITOR REVISTA RESIDÊNCIA PEDIÁTRICA Clémax Couto Sant’Anna (RJ) EDITOR ADJUNTO REVISTA RESIDÊNCIA PEDIÁTRICA Marilene Augusta Rocha Crispino Santos (RJ) Márcia Garcia Alves Galvão (RJ) CONSELHO EDITORIAL EXECUTIVO Gil Simões Batista (RJ) Sidnei Ferreira (RJ) Isabel Rey Madeira (RJ) Sandra Mara Amaral (RJ) Bianca Carareto Alves Verardino (RJ) Maria de Fátima B. Pombo March (RJ) Sílvio Rocha Carvalho (RJ) Rafaela Baroni Aurilio (RJ) COORDENAÇÃO DO PRONAP Carlos Alberto Nogueira-de-Almeida (SP) Fernanda Luísa Ceragioli Oliveira (SP) COORDENAÇÃO DO TRATADO DE PEDIATRIA Luciana Rodrigues Silva (BA) Fábio Ancona Lopez (SP) DIRETORIA DE ENSINO E PESQUISA Joel Alves Lamounier (MG) COORDENAÇÃO DE PESQUISA Cláudio Leone (SP) COORDENAÇÃO DE PESQUISA-ADJUNTA Gisélia Alves Pontes da Silva (PE) COORDENAÇÃO DE GRADUAÇÃO Rosana Fiorini Puccini (SP) COORDENAÇÃO ADJUNTA DE GRADUAÇÃO Rosana Alves (ES) Suzy Santana Cavalcante (BA) Angélica Maria Bicudo-Zeferino (SP) Silvia Wanick Sarinho (PE) COORDENAÇÃO DE PÓS-GRADUAÇÃO Victor Horácio da Costa Junior (PR) Eduardo Jorge da Fonseca Lima (PE) Fátima Maria Lindoso da Silva Lima (GO) Ana Cristina Ribeiro Zöllner (SP) Jefferson Pedro Piva (RS) COORDENAÇÃO DE RESIDÊNCIA E ESTÁGIOS EM PEDIATRIA Paulo de Jesus Hartmann Nader (RS) Ana Cristina Ribeiro Zöllner (SP) Victor Horácio da Costa Junior (PR) Clóvis Francisco Constantino (SP) Silvio da Rocha Carvalho (RJ) Tânia Denise Resener (RS) Delia Maria de Moura Lima Herrmann (AL) Helita Regina F. Cardoso de Azevedo (BA) Jefferson Pedro Piva (RS) Sérgio Luís Amantéa (RS) Gil Simões Batista (RJ) Susana Maciel Wuillaume (RJ) Aurimery Gomes Chermont (PA) COORDENAÇÃO DE DOUTRINA PEDIÁTRICA Luciana Rodrigues Silva (BA) Hélcio Maranhão (RN) COORDENAÇÃO DAS LIGAS DOS ESTUDANTES Edson Ferreira Liberal (RJ) Luciano Abreu de Miranda Pinto (RJ) COORDENAÇÃO DE INTERCÂMBIO EM RESIDÊNCIA NACIONAL Susana Maciel Wuillaume (RJ) COORDENAÇÃO DE INTERCÂMBIO EM RESIDÊNCIA INTERNACIONAL Herberto José Chong Neto (PR) DIRETOR DE PATRIMÔNIO Cláudio Barsanti (SP) COMISSÃO DE SINDICÂNCIA Gilberto Pascolat (PR) Aníbal Augusto Gaudêncio de Melo (PE) Isabel Rey Madeira (RJ) Joaquim João Caetano Menezes (SP) Valmin Ramos da Silva (ES) Paulo Tadeu Falanghe (SP) Tânia Denise Resener (RS) João Coriolano Rego Barros (SP) Maria Sidneuma de Melo Ventura (CE) Marisa Lopes Miranda (SP) CONSELHO FISCAL Titulares: Núbia Mendonça (SE) Nélson Grisard (SC) Antônio Márcio Junqueira Lisboa (DF) Suplentes: Adelma Alves de Figueiredo (RR) João de Melo Régis Filho (PE) Darci Vieira da Silva Bonetto (PR) ACADEMIA BRASILEIRA DE PEDIATRIA Presidente: Mario Santoro Júnior (SP) Vice-presidente: Luiz Eduardo Vaz Miranda (RJ) Secretário Geral: Jefferson Pedro Piva (RS)