SlideShare uma empresa Scribd logo
Cavaco e Maria estão casados há 3 anos. Não têm filhos e não pretendem tê-los. Ele trabalha como corrector de bolsa e ela é dentista. Auferem bons ordenados e vivem num bom apartamento de Lisboa, Belém. Como não têm dependentes a seu cargo, poucas deduções podem fazer nos impostos que pagam. E pagam bastante. Contudo, boa parte dos seus impostos que pagam são destinados a financiar coisas que não beneficiam. É o caso dos infantários  e das novas escolas que o governo quer construir e de investimentos em auto-estradas que nunca ou raramente utilizarão.
Justiça Retributiva Refere-se às punições e castigos que Estado inflige a quem comete crimes e infracções. Distributiva Refere-se ao que cada qual vai receber o que é devido quer em termos de encargos necessários ao funcionamento da sociedade e do Estado quer em termos de benefícios (saúde, educação…)
O que é a Justiça Ponto de vista igualitário. Teoria que defende um tratamento igual, uma vez que não há diferenças relevantes entre os seres humanos. Os igualitaristas defendem que numa sociedade justa cada pessoa deve receber uma igual parte dos benefícios que a sociedade proporciona e dos encargos que ela exige.
Objecções Os seres humanos têm diferentes características As pessoas têm méritos diferentes Diferentes desempenhos merecem diferentes reconhecimentos. O igualitarismo é um ideal pouco defendido na prática
O que é a justiça? Ponto de vista utilitarista: É justo o que é socialmente justo. Por isso, deve dar-se a cada um o que é devido mas tendo em conta o interesse global da sociedade. Será justa uma sociedade que , apesar das desigualdades, promove mais o bem-estar geral.
Objecções O Princípio da Utilidade pode gerar situações de injustiças  poderá haver casos em que o interesse geral colide com os interesse individuais. As pessoas têm direitos que não devem ser violados seja em que condição for
O que é a justiça Ponto de vista da igualdade de oportunidades Todos devem ter uma igual oportunidade de conseguir empregos e posição social que permitam uma vida economicamente decente e mesmo a constituição de riqueza, dependendo dos resultados ou do mérito ou do esforço ou da competência.
Objecções Existem pessoas que já estão à partida em vantagem. Iguais condições à partida traduzem-se em resultados diferentes.
					John Rawls 			Princípios da Justiça 1921-2002
Concepção de justiça Justiça como equidade – Numa sociedade que se queira justa dever-se-á encontrar um conjunto de princípios que favoreçam a equidade, isto é, a igualdade perante a escolha e reduza ao mínimo os conflitos decorrentes das formas como os diversos sujeitos encaram a distribuição dos benefícios. Só se tolera a desigualdade se esta permitir que os menos favorecidos fiquem o melhor possível.
Teoria da Justiça como Equidade   Principais características:    Ao contrário do utilitarismo, como doutrina teleológica, o contratualismo é deontológico: os princípios da justiça estão definidos e dão-nos noções de bem e de pessoa, ao contrário do utilitarismo que se subjaz às questões diárias. Não pretende a maximização do bem, mas sim do justo.  Defende abertamente o primado do indivíduo na primordial escolha inicial dos princípios, tornando-o a base de um sistema liberal. A sociedade bem ordenada é vista como um sistema de cooperação que visa obter vantagens recíprocas, regulada por princípios que são escolhidos por sujeitos colocados numa posição inicial que obedece às regras da equidade.
Conflitos entre princípios de justiça se uma sociedade garantir o acesso a uma determinada escolaridade a todos os seus cidadãos e ao mesmo tempo exigir que essa escolaridade seja assegurada por uma escola da área de residência, no caso de uma pessoa preferir uma escola fora da sua área de residência por ser mais competente e estimulante, gera-se um conflito entre a igualdade de oportunidades no acesso à educação e a liberdade de escolher a escola que cada um acha melhor.
Os Princípios da Justiça Princípio da liberdade igual: A sociedade deve assegurar a máxima liberdade para cada pessoa compatível com uma liberdade igual para todos os outros. Princípio da oportunidade justa: As desigualdades económicas e sociais devem estar ligadas a postos e posições acessíveis a todos em condições de justa igualdade de oportunidades. Princípio da diferença: A sociedade deve promover a distribuição igual da riqueza, excepto se a existência de desigualdades económicas e sociais gerar o maior benefício para os menos favorecidos.
Os princípios 1º Princípio É o princípio fundamental. Exige-se o máximo de liberdade possível que não interfira com a liberdade dos outros. A liberdade não pode, em condição alguma, ser sacrificada em nome da felicidade geral (se todos tiverem atingido um nível de vida acima do limiar da pobreza).
Os princípios 2º Princípio Cada um deve ter as mesmas oportunidades de acesso às várias funções do estado. Assemelha-se a uma corrida de atletismo e às posições que ocupam no início. Os mais qualificados ocupam os lugares de relevo , mas a todos deve ser dada oportunidade de obterem qualificação.
Os princípios 3º Princípio: Um sistema de ensino pode permitir aos estudantes mais dotados o acesso a maiores apoios se, por exemplo, as empresas em dificuldade vierem a beneficiar mais tarde do seu contributo, aumentando os lucros e evitando despedimentos.
Os Princípios A desigualdade justifica-se se: Beneficiar todos os membros da sociedade, em especial os menos favorecidos. Se for uma condição necessária e suficiente para incentivar uma maior produtividade.
Argumentos O argumento intuitivo da igualdade de oportunidades. ,[object Object],[object Object]
Véu de ignorância Entende-se por esta expressão uma suspensão da situação - económica, social, religiosa, qualquer forma de preconceito, fortuna natural ou circunstâncias sociais - que cada sujeito possui. Pretende-se que a escolha seja absolutamente racional, livre de qualquer tendência que pudesse interferir numa situação de «pureza» existencial
Suponhamos que cada mundo corresponderia à distribuição de bens de primeira necessidade. Qual a decisão a tomar se à partida não soubéssemos a circunstância de cada pessoa? Mundo 1: 9, 8, 3;Mundo 2: 10, 7, 2;Mundo 3: 6, 5, 5. Regra Maximin
Concepções de justiça e john rawls

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

A Justiça como Equidade - Rawls
A Justiça como Equidade - RawlsA Justiça como Equidade - Rawls
A Justiça como Equidade - Rawls
AnaKlein1
 
Esquema rawls
Esquema rawlsEsquema rawls
Esquema rawls
Filazambuja
 
John Rawls e a teoria da justiça como equidade - Retirado de autor desconhecido
John Rawls e a teoria da justiça como equidade - Retirado de autor desconhecidoJohn Rawls e a teoria da justiça como equidade - Retirado de autor desconhecido
John Rawls e a teoria da justiça como equidade - Retirado de autor desconhecido
Helena Serrão
 
Apresentação PPT Capítulo 6 - O problema da organização de uma sociedade just...
Apresentação PPT Capítulo 6 - O problema da organização de uma sociedade just...Apresentação PPT Capítulo 6 - O problema da organização de uma sociedade just...
Apresentação PPT Capítulo 6 - O problema da organização de uma sociedade just...
Cecília Gomes
 
Sociedade justa
Sociedade justaSociedade justa
Sociedade justa
Filazambuja
 
Teorias da Justiça - Amartya Sen - Robert Nozick
Teorias da Justiça - Amartya Sen - Robert NozickTeorias da Justiça - Amartya Sen - Robert Nozick
Teorias da Justiça - Amartya Sen - Robert Nozick
Tatiana Mareto Silva
 
Quadro_hume vs descartes
Quadro_hume vs descartesQuadro_hume vs descartes
Quadro_hume vs descartes
Isabel Moura
 
O problema da justiça distributiva
O problema da justiça distributivaO problema da justiça distributiva
O problema da justiça distributiva
Luis De Sousa Rodrigues
 
Rawls respostas
Rawls respostasRawls respostas
Rawls respostas
Filipe Prado
 
2013 6 7 uma teoria da justiça 1
2013 6 7 uma teoria da justiça 12013 6 7 uma teoria da justiça 1
Thomas kuhn
Thomas kuhnThomas kuhn
Thomas kuhn
António Daniel
 
Relativismo Cultural
Relativismo CulturalRelativismo Cultural
Relativismo Cultural
Bruno Pedro
 
O racionalismo de Descartes
O racionalismo de DescartesO racionalismo de Descartes
O racionalismo de Descartes
Joana Filipa Rodrigues
 
A justiça como titularidade legitima critica de nozick a rawls
A justiça como titularidade legitima   critica de nozick a rawlsA justiça como titularidade legitima   critica de nozick a rawls
A justiça como titularidade legitima critica de nozick a rawls
Luis De Sousa Rodrigues
 
ENSAIO FILOSÓFICO - SERÁ QUE OS ANIMAIS NÃO HUMANOS SÃO DIGNOS DE CONSIDERA...
 ENSAIO FILOSÓFICO  - SERÁ QUE OS ANIMAIS NÃO HUMANOS SÃO DIGNOS DE CONSIDERA... ENSAIO FILOSÓFICO  - SERÁ QUE OS ANIMAIS NÃO HUMANOS SÃO DIGNOS DE CONSIDERA...
ENSAIO FILOSÓFICO - SERÁ QUE OS ANIMAIS NÃO HUMANOS SÃO DIGNOS DE CONSIDERA...
AMLDRP
 
A teoria ética de kant
A teoria ética de kantA teoria ética de kant
A teoria ética de kant
Luis De Sousa Rodrigues
 
Comparação entre popper e kuhn
Comparação entre popper e kuhnComparação entre popper e kuhn
Comparação entre popper e kuhn
Luis De Sousa Rodrigues
 
Resumos filosofia 11
Resumos filosofia 11Resumos filosofia 11
Resumos filosofia 11
Dylan Bonnet
 
éTica, direito e política
éTica, direito e políticaéTica, direito e política
éTica, direito e política
Filazambuja
 
Comparação entre as éticas de kant e de mill
Comparação entre as éticas de kant e de millComparação entre as éticas de kant e de mill
Comparação entre as éticas de kant e de mill
Luis De Sousa Rodrigues
 

Mais procurados (20)

A Justiça como Equidade - Rawls
A Justiça como Equidade - RawlsA Justiça como Equidade - Rawls
A Justiça como Equidade - Rawls
 
Esquema rawls
Esquema rawlsEsquema rawls
Esquema rawls
 
John Rawls e a teoria da justiça como equidade - Retirado de autor desconhecido
John Rawls e a teoria da justiça como equidade - Retirado de autor desconhecidoJohn Rawls e a teoria da justiça como equidade - Retirado de autor desconhecido
John Rawls e a teoria da justiça como equidade - Retirado de autor desconhecido
 
Apresentação PPT Capítulo 6 - O problema da organização de uma sociedade just...
Apresentação PPT Capítulo 6 - O problema da organização de uma sociedade just...Apresentação PPT Capítulo 6 - O problema da organização de uma sociedade just...
Apresentação PPT Capítulo 6 - O problema da organização de uma sociedade just...
 
Sociedade justa
Sociedade justaSociedade justa
Sociedade justa
 
Teorias da Justiça - Amartya Sen - Robert Nozick
Teorias da Justiça - Amartya Sen - Robert NozickTeorias da Justiça - Amartya Sen - Robert Nozick
Teorias da Justiça - Amartya Sen - Robert Nozick
 
Quadro_hume vs descartes
Quadro_hume vs descartesQuadro_hume vs descartes
Quadro_hume vs descartes
 
O problema da justiça distributiva
O problema da justiça distributivaO problema da justiça distributiva
O problema da justiça distributiva
 
Rawls respostas
Rawls respostasRawls respostas
Rawls respostas
 
2013 6 7 uma teoria da justiça 1
2013 6 7 uma teoria da justiça 12013 6 7 uma teoria da justiça 1
2013 6 7 uma teoria da justiça 1
 
Thomas kuhn
Thomas kuhnThomas kuhn
Thomas kuhn
 
Relativismo Cultural
Relativismo CulturalRelativismo Cultural
Relativismo Cultural
 
O racionalismo de Descartes
O racionalismo de DescartesO racionalismo de Descartes
O racionalismo de Descartes
 
A justiça como titularidade legitima critica de nozick a rawls
A justiça como titularidade legitima   critica de nozick a rawlsA justiça como titularidade legitima   critica de nozick a rawls
A justiça como titularidade legitima critica de nozick a rawls
 
ENSAIO FILOSÓFICO - SERÁ QUE OS ANIMAIS NÃO HUMANOS SÃO DIGNOS DE CONSIDERA...
 ENSAIO FILOSÓFICO  - SERÁ QUE OS ANIMAIS NÃO HUMANOS SÃO DIGNOS DE CONSIDERA... ENSAIO FILOSÓFICO  - SERÁ QUE OS ANIMAIS NÃO HUMANOS SÃO DIGNOS DE CONSIDERA...
ENSAIO FILOSÓFICO - SERÁ QUE OS ANIMAIS NÃO HUMANOS SÃO DIGNOS DE CONSIDERA...
 
A teoria ética de kant
A teoria ética de kantA teoria ética de kant
A teoria ética de kant
 
Comparação entre popper e kuhn
Comparação entre popper e kuhnComparação entre popper e kuhn
Comparação entre popper e kuhn
 
Resumos filosofia 11
Resumos filosofia 11Resumos filosofia 11
Resumos filosofia 11
 
éTica, direito e política
éTica, direito e políticaéTica, direito e política
éTica, direito e política
 
Comparação entre as éticas de kant e de mill
Comparação entre as éticas de kant e de millComparação entre as éticas de kant e de mill
Comparação entre as éticas de kant e de mill
 

Semelhante a Concepções de justiça e john rawls

O problema da justiça
O problema da justiçaO problema da justiça
O problema da justiça
HelenaBray
 
Filosofia - Exercício de Conceptualização
Filosofia - Exercício de ConceptualizaçãoFilosofia - Exercício de Conceptualização
Filosofia - Exercício de Conceptualização
Tomás Pinto
 
A LEI DE IGUALDADE
A LEI DE IGUALDADEA LEI DE IGUALDADE
Justiça
JustiçaJustiça
Justiça
Jorge Barbosa
 
Justiça
JustiçaJustiça
Justiça
Jorge Barbosa
 
Filosofia política – síntese
Filosofia política – sínteseFilosofia política – síntese
Filosofia política – síntese
Ana Felizardo
 
Como se legitima a autoridade do estado
Como se legitima a autoridade do estadoComo se legitima a autoridade do estado
Como se legitima a autoridade do estado
Helena Serrão
 
Breve fundamentação do curso de direito
Breve fundamentação do curso de direitoBreve fundamentação do curso de direito
Breve fundamentação do curso de direito
bessailda
 
eqt10_ppt_7.pptx
eqt10_ppt_7.pptxeqt10_ppt_7.pptx
eqt10_ppt_7.pptx
Paula Loureiro Fagulha
 
Como se legitima a autoridade do estado
Como se legitima a autoridade do estadoComo se legitima a autoridade do estado
Como se legitima a autoridade do estado
guestbdb4ab6
 
Como se legitima a autoridade do estado
Como se legitima a autoridade do estadoComo se legitima a autoridade do estado
Como se legitima a autoridade do estado
guestbdb4ab6
 
Inclusao social
Inclusao socialInclusao social
Inclusao social
Ciceropimaciel
 
Aedf06
Aedf06Aedf06
Aedf06
Aedf06Aedf06
Quotas étnicas nas universidades
Quotas étnicas nas universidadesQuotas étnicas nas universidades
Quotas étnicas nas universidades
Flavio Farah
 
Curso Gestores - Cidades Socialistas - Aula 8 Módulo 2
Curso Gestores - Cidades Socialistas - Aula 8 Módulo 2Curso Gestores - Cidades Socialistas - Aula 8 Módulo 2
Curso Gestores - Cidades Socialistas - Aula 8 Módulo 2
CETUR
 
Justiça
JustiçaJustiça
Justiça
AiresAlmeida
 
Teoria de looke
Teoria de lookeTeoria de looke
Teoria de looke
mariamonteiro97
 
Pratique direito administrativo do trabalho
Pratique   direito administrativo do trabalhoPratique   direito administrativo do trabalho
Pratique direito administrativo do trabalho
Eberson Luz
 
Direito do Consumidor - Apostila
Direito do Consumidor - ApostilaDireito do Consumidor - Apostila
Direito do Consumidor - Apostila
João Paulo Costa Melo
 

Semelhante a Concepções de justiça e john rawls (20)

O problema da justiça
O problema da justiçaO problema da justiça
O problema da justiça
 
Filosofia - Exercício de Conceptualização
Filosofia - Exercício de ConceptualizaçãoFilosofia - Exercício de Conceptualização
Filosofia - Exercício de Conceptualização
 
A LEI DE IGUALDADE
A LEI DE IGUALDADEA LEI DE IGUALDADE
A LEI DE IGUALDADE
 
Justiça
JustiçaJustiça
Justiça
 
Justiça
JustiçaJustiça
Justiça
 
Filosofia política – síntese
Filosofia política – sínteseFilosofia política – síntese
Filosofia política – síntese
 
Como se legitima a autoridade do estado
Como se legitima a autoridade do estadoComo se legitima a autoridade do estado
Como se legitima a autoridade do estado
 
Breve fundamentação do curso de direito
Breve fundamentação do curso de direitoBreve fundamentação do curso de direito
Breve fundamentação do curso de direito
 
eqt10_ppt_7.pptx
eqt10_ppt_7.pptxeqt10_ppt_7.pptx
eqt10_ppt_7.pptx
 
Como se legitima a autoridade do estado
Como se legitima a autoridade do estadoComo se legitima a autoridade do estado
Como se legitima a autoridade do estado
 
Como se legitima a autoridade do estado
Como se legitima a autoridade do estadoComo se legitima a autoridade do estado
Como se legitima a autoridade do estado
 
Inclusao social
Inclusao socialInclusao social
Inclusao social
 
Aedf06
Aedf06Aedf06
Aedf06
 
Aedf06
Aedf06Aedf06
Aedf06
 
Quotas étnicas nas universidades
Quotas étnicas nas universidadesQuotas étnicas nas universidades
Quotas étnicas nas universidades
 
Curso Gestores - Cidades Socialistas - Aula 8 Módulo 2
Curso Gestores - Cidades Socialistas - Aula 8 Módulo 2Curso Gestores - Cidades Socialistas - Aula 8 Módulo 2
Curso Gestores - Cidades Socialistas - Aula 8 Módulo 2
 
Justiça
JustiçaJustiça
Justiça
 
Teoria de looke
Teoria de lookeTeoria de looke
Teoria de looke
 
Pratique direito administrativo do trabalho
Pratique   direito administrativo do trabalhoPratique   direito administrativo do trabalho
Pratique direito administrativo do trabalho
 
Direito do Consumidor - Apostila
Direito do Consumidor - ApostilaDireito do Consumidor - Apostila
Direito do Consumidor - Apostila
 

Mais de António Daniel

Exame de filosofia critérios
Exame de filosofia   critériosExame de filosofia   critérios
Exame de filosofia critérios
António Daniel
 
Exame filosofia 2ª fase
Exame filosofia 2ª faseExame filosofia 2ª fase
Exame filosofia 2ª fase
António Daniel
 
A aprendizagem
A aprendizagemA aprendizagem
A aprendizagem
António Daniel
 
Kant. Conhecimento.
Kant. Conhecimento.Kant. Conhecimento.
Kant. Conhecimento.
António Daniel
 
Fundamentação metafísica dos costumes
Fundamentação metafísica dos costumesFundamentação metafísica dos costumes
Fundamentação metafísica dos costumes
António Daniel
 
Fundamentação metafísica dos costumes
Fundamentação metafísica dos costumesFundamentação metafísica dos costumes
Fundamentação metafísica dos costumes
António Daniel
 
Cepticismo
CepticismoCepticismo
Cepticismo
António Daniel
 
Mente corpo
Mente corpoMente corpo
Mente corpo
António Daniel
 
Utilitarismo
UtilitarismoUtilitarismo
Utilitarismo
António Daniel
 
Thomas hobbes
Thomas hobbesThomas hobbes
Thomas hobbes
António Daniel
 
John locke
John lockeJohn locke
John locke
António Daniel
 
Truísmos à volta da beleza
Truísmos à volta da belezaTruísmos à volta da beleza
Truísmos à volta da beleza
António Daniel
 
Fundamentação metafísica dos costumes
Fundamentação metafísica dos costumesFundamentação metafísica dos costumes
Fundamentação metafísica dos costumes
António Daniel
 
Determinismo, libertismo e determinismo moderado
Determinismo, libertismo e determinismo moderadoDeterminismo, libertismo e determinismo moderado
Determinismo, libertismo e determinismo moderado
António Daniel
 
Estética
EstéticaEstética
Estética
António Daniel
 

Mais de António Daniel (15)

Exame de filosofia critérios
Exame de filosofia   critériosExame de filosofia   critérios
Exame de filosofia critérios
 
Exame filosofia 2ª fase
Exame filosofia 2ª faseExame filosofia 2ª fase
Exame filosofia 2ª fase
 
A aprendizagem
A aprendizagemA aprendizagem
A aprendizagem
 
Kant. Conhecimento.
Kant. Conhecimento.Kant. Conhecimento.
Kant. Conhecimento.
 
Fundamentação metafísica dos costumes
Fundamentação metafísica dos costumesFundamentação metafísica dos costumes
Fundamentação metafísica dos costumes
 
Fundamentação metafísica dos costumes
Fundamentação metafísica dos costumesFundamentação metafísica dos costumes
Fundamentação metafísica dos costumes
 
Cepticismo
CepticismoCepticismo
Cepticismo
 
Mente corpo
Mente corpoMente corpo
Mente corpo
 
Utilitarismo
UtilitarismoUtilitarismo
Utilitarismo
 
Thomas hobbes
Thomas hobbesThomas hobbes
Thomas hobbes
 
John locke
John lockeJohn locke
John locke
 
Truísmos à volta da beleza
Truísmos à volta da belezaTruísmos à volta da beleza
Truísmos à volta da beleza
 
Fundamentação metafísica dos costumes
Fundamentação metafísica dos costumesFundamentação metafísica dos costumes
Fundamentação metafísica dos costumes
 
Determinismo, libertismo e determinismo moderado
Determinismo, libertismo e determinismo moderadoDeterminismo, libertismo e determinismo moderado
Determinismo, libertismo e determinismo moderado
 
Estética
EstéticaEstética
Estética
 

Concepções de justiça e john rawls

  • 1. Cavaco e Maria estão casados há 3 anos. Não têm filhos e não pretendem tê-los. Ele trabalha como corrector de bolsa e ela é dentista. Auferem bons ordenados e vivem num bom apartamento de Lisboa, Belém. Como não têm dependentes a seu cargo, poucas deduções podem fazer nos impostos que pagam. E pagam bastante. Contudo, boa parte dos seus impostos que pagam são destinados a financiar coisas que não beneficiam. É o caso dos infantários e das novas escolas que o governo quer construir e de investimentos em auto-estradas que nunca ou raramente utilizarão.
  • 2. Justiça Retributiva Refere-se às punições e castigos que Estado inflige a quem comete crimes e infracções. Distributiva Refere-se ao que cada qual vai receber o que é devido quer em termos de encargos necessários ao funcionamento da sociedade e do Estado quer em termos de benefícios (saúde, educação…)
  • 3. O que é a Justiça Ponto de vista igualitário. Teoria que defende um tratamento igual, uma vez que não há diferenças relevantes entre os seres humanos. Os igualitaristas defendem que numa sociedade justa cada pessoa deve receber uma igual parte dos benefícios que a sociedade proporciona e dos encargos que ela exige.
  • 4. Objecções Os seres humanos têm diferentes características As pessoas têm méritos diferentes Diferentes desempenhos merecem diferentes reconhecimentos. O igualitarismo é um ideal pouco defendido na prática
  • 5. O que é a justiça? Ponto de vista utilitarista: É justo o que é socialmente justo. Por isso, deve dar-se a cada um o que é devido mas tendo em conta o interesse global da sociedade. Será justa uma sociedade que , apesar das desigualdades, promove mais o bem-estar geral.
  • 6. Objecções O Princípio da Utilidade pode gerar situações de injustiças poderá haver casos em que o interesse geral colide com os interesse individuais. As pessoas têm direitos que não devem ser violados seja em que condição for
  • 7. O que é a justiça Ponto de vista da igualdade de oportunidades Todos devem ter uma igual oportunidade de conseguir empregos e posição social que permitam uma vida economicamente decente e mesmo a constituição de riqueza, dependendo dos resultados ou do mérito ou do esforço ou da competência.
  • 8. Objecções Existem pessoas que já estão à partida em vantagem. Iguais condições à partida traduzem-se em resultados diferentes.
  • 9. John Rawls Princípios da Justiça 1921-2002
  • 10. Concepção de justiça Justiça como equidade – Numa sociedade que se queira justa dever-se-á encontrar um conjunto de princípios que favoreçam a equidade, isto é, a igualdade perante a escolha e reduza ao mínimo os conflitos decorrentes das formas como os diversos sujeitos encaram a distribuição dos benefícios. Só se tolera a desigualdade se esta permitir que os menos favorecidos fiquem o melhor possível.
  • 11. Teoria da Justiça como Equidade   Principais características:   Ao contrário do utilitarismo, como doutrina teleológica, o contratualismo é deontológico: os princípios da justiça estão definidos e dão-nos noções de bem e de pessoa, ao contrário do utilitarismo que se subjaz às questões diárias. Não pretende a maximização do bem, mas sim do justo. Defende abertamente o primado do indivíduo na primordial escolha inicial dos princípios, tornando-o a base de um sistema liberal. A sociedade bem ordenada é vista como um sistema de cooperação que visa obter vantagens recíprocas, regulada por princípios que são escolhidos por sujeitos colocados numa posição inicial que obedece às regras da equidade.
  • 12. Conflitos entre princípios de justiça se uma sociedade garantir o acesso a uma determinada escolaridade a todos os seus cidadãos e ao mesmo tempo exigir que essa escolaridade seja assegurada por uma escola da área de residência, no caso de uma pessoa preferir uma escola fora da sua área de residência por ser mais competente e estimulante, gera-se um conflito entre a igualdade de oportunidades no acesso à educação e a liberdade de escolher a escola que cada um acha melhor.
  • 13. Os Princípios da Justiça Princípio da liberdade igual: A sociedade deve assegurar a máxima liberdade para cada pessoa compatível com uma liberdade igual para todos os outros. Princípio da oportunidade justa: As desigualdades económicas e sociais devem estar ligadas a postos e posições acessíveis a todos em condições de justa igualdade de oportunidades. Princípio da diferença: A sociedade deve promover a distribuição igual da riqueza, excepto se a existência de desigualdades económicas e sociais gerar o maior benefício para os menos favorecidos.
  • 14. Os princípios 1º Princípio É o princípio fundamental. Exige-se o máximo de liberdade possível que não interfira com a liberdade dos outros. A liberdade não pode, em condição alguma, ser sacrificada em nome da felicidade geral (se todos tiverem atingido um nível de vida acima do limiar da pobreza).
  • 15. Os princípios 2º Princípio Cada um deve ter as mesmas oportunidades de acesso às várias funções do estado. Assemelha-se a uma corrida de atletismo e às posições que ocupam no início. Os mais qualificados ocupam os lugares de relevo , mas a todos deve ser dada oportunidade de obterem qualificação.
  • 16. Os princípios 3º Princípio: Um sistema de ensino pode permitir aos estudantes mais dotados o acesso a maiores apoios se, por exemplo, as empresas em dificuldade vierem a beneficiar mais tarde do seu contributo, aumentando os lucros e evitando despedimentos.
  • 17. Os Princípios A desigualdade justifica-se se: Beneficiar todos os membros da sociedade, em especial os menos favorecidos. Se for uma condição necessária e suficiente para incentivar uma maior produtividade.
  • 18.
  • 19. Véu de ignorância Entende-se por esta expressão uma suspensão da situação - económica, social, religiosa, qualquer forma de preconceito, fortuna natural ou circunstâncias sociais - que cada sujeito possui. Pretende-se que a escolha seja absolutamente racional, livre de qualquer tendência que pudesse interferir numa situação de «pureza» existencial
  • 20. Suponhamos que cada mundo corresponderia à distribuição de bens de primeira necessidade. Qual a decisão a tomar se à partida não soubéssemos a circunstância de cada pessoa? Mundo 1: 9, 8, 3;Mundo 2: 10, 7, 2;Mundo 3: 6, 5, 5. Regra Maximin