Este documento descreve os principais conceitos da obra "A Estrutura das Revoluções Científicas" de Thomas Kuhn, incluindo paradigma, incomensurabilidade de paradigmas, ciência normal, anomalia, ciência extraordinária e revolução científica.
Principais conceitos
• Paradigma.
• Incomensurabilidade do paradigma.
• Ciência Normal.
• Anomalia.
• Ciência Extraordinária.
• Revolução científica.
3.
Paradigma: Teoria ouconjunto de teorias
que formam uma visão do mundo e diz o
que é a ciência
• Para Kuhn, o termo Paradigma possui
vários aspectos, entre os quais:
– Lógicos: modo como estão organizadas as
principais equações e os principais
pensamentos. Ex.: para Newton f=m.a, para
Einstein e=m.c2.
4.
– Metafísicos: modocomo se concebe a
realidade. Para Newton a natureza é um
conjunto de partículas sob a acção de forças.
5.
- Axiológicos: Umparadigma consiste
numa interpretação que revela
simplicidade e coerência na forma como
as teorias resumem a realidade. Aliás,
estas características contribuem para a
sua aceitabilidade por parte dos cientistas.
6.
• Aspectos técnicos:O paradigma também
reflecte modelos de resolução dos
problemas e promulga técnicas e métodos
adequados de investigação. Além disso, o
paradigma transporta consigo
determinados aspectos conceptuais muito
próprios. Ex. A teoria da evolução das
espécies de Darwin possui uma manta de
conceitos muito específicos.
7.
• Aspectos sociológicos:O paradigma
reflecte um acordo consensual por parte
da comunidade científica. Para tal, o
defensor do paradigma terá de apresentar
uma proposta, uma visão do mundo, de
forma convincente e persuasiva.
8.
Incomensurabilidade dos
Paradigmas
• Dois paradigmas não se comparam um
com o outro. São duas visões antagónicas
da realidade. Entre dois paradigmas não
existe continuidade. Por ex.:
Paradigma ptolemaico/Paradigma
copernicano
Não se pode viver com dois paradigmas de
forma simultânea.
9.
Ciência Normal
• Institucionalizaçãodo paradigma. Quando o paradigma
se torna aceite pela comunidade científica é aplicado a
todos os momentos das investigações, promovendo-se
no ensino e apresentando-se de forma natural no
quotidiano da ciência. Por isso , quando se fala em
pesquisas científicas estas são nomeadas: Temos a
óptica ondulatória, a óptica corpuscular e a óptica onda-
partícula. Actualmente a óptica física diz-nos que a luz é
composta por fotões. Assim, toda a pesquisa é
condicionada por este paradigma. Quando o paradigma
passa a ser ensinado nas escolas é porque já é
considerado ciência normal.
10.
Objectivo da CiênciaNormal
Resolução de quebra-cabeças (enígmas)
• O papel fundamental da ciência normal não é de
mostrar novidades. Pretende, acima de tudo,
explicar algum facto pelo paradigma existente.
Imagine-se que se encontra um novo planeta
com vida, embora só possua gases. O
paradigma dominante diz que a vida exige a
presença de certas condições que não se
encontram nesse planeta. Qual o papel da
ciência normal? Arranjar forma de explicar este
novo facto a partir das teorias já existentes.
11.
Objectivos da CiênciaNormal
(cont.)
• É isto que confere à ciência a ideia de que
consiste num quebra-cabeças. Quando
partimos para a resolução de algum jogo
partimos com a convicção que tem uma
solução. Também a ciência quando parte
para um problema encara-o como enigma
que, à partida tem solução dentro das
regras do paradigma. Qualquer problema
que não seja explicado pelo paradigma é
suspenso até melhor oportunidade.
12.
Anomalia
• Uma anomaliaconsiste na constatação de que a natureza violou as
expectativas paradigmáticas que governam a ciência normal.
• Por exemplo, a descoberta do oxigénio. A palavra descoberta
sugere que houve um momento único e uma única pessoa que
processaram a descoberta. Ora, Kuhn diz que a descoberta é um
processo moroso. A descoberta oxigénio tanto se ficou a dever a
Priestley como a Lavoisier ou até a todos aqueles que contribuíram
para a descoberta. Além disso, a própria constatação da existência
de oxigénio não foi rapidamente aceite. Durante o séc. XVIII havia a
ideia paradigmática de que todas as substâncias que se queimam
têm um elemento comum: o flogisto. Foi somente com Lavoisier que
se concluiu que o fenómeno da combustão deveria ser interpretado
ao contrário do que ensinava a teoria flogística: em lugar de perder
flogisto, elemento imaginário que não deveria existir, os corpos
quando se queimam, ou se oxidam, absorvem oxigénio.
• Temos, desta forma uma anomalia que desencadeou uma crise do
paradigma.
13.
Crise do Paradigma
•Se as anomalias se tornarem fecundas e
com tendência perene, originam-se
determinadas condições que levam à
mudança de paradigma.
- Fracasso do paradigma dominante
em resolver os seus próprios problemas;
- Insegurança dos cientistas;
- Pressões sócio-culturais.
14.
A Ciência Extraordinária:ou a
resistência ou a mudança
• A ciência extraordinária consiste num acto
suspensivo da teoria. Os cientistas,
perante uma anomalia, tentam a todo o
custo manter o paradigma.
• Caso isso não seja possível, começa-se a
pensar numa alternativa. Aparece um
novo paradigma que, depois de se tornar
aceite pela comunidade científica,
apresenta-se como ciência normal.