CONCEITUANDO POLÍTICAS
    EDUCACIONAIS


Profa. Dra. Denise Silva Araújo
O que é política?
 Que imagem vem a sua cabeça quando você ouve a
  palavra “política”?
 Para muitas pessoas, essa palavra evoca imagens de
  campanhas eleitorais, partidos, propagandas, poluição
  visual às vésperas de eleição.
 Outros podem lembrar-se da atuação de políticos
  profissionais, na maioria das vezes, de maus políticos.
 Isto faz com que as pessoas tomem aversão a tudo o que
  diz respeito à política.

     Será que política é isso mesmo?
       Ou melhor, será que política
               é só isso?
O que é política?
 Em sua definição clássica, o termo política emana do
  adjetivo politikós, originado de polis, que se refere a
  tudo que se relaciona com a cidade, portanto ao
  urbano, público, civil.
 Polis - Termo grego que se refere à cidade,
  compreendida como a comunidade organizada,
  formada pelos cidadãos, isto é, pelos homens
  nascidos no solo da Cidade, livres e iguais.
 Com o decorrer do tempo, política passou a designar
  “um campo dedicado ao estudo da esfera de
  atividades humanas articulada às coisas do Estado”.
 Neste sentido, refere-se, hoje, principalmente ao
  conjunto de atividades, que, de alguma maneira são
  atribuídas ao Estado moderno, ou que dele emanam.
O que é Estado? Qual sua função?
    Como surgiu?
 Teorias com enfoque liberal: baseam-se numa interpretação
  feita pela burguesia nos diferentes momentos da história do
  capitalismo.
 Consideram que o Estado é neutro e está acima dos interesses
  das classes sociais
 Objetivo do Estado: a realização do bem comum e o
  aperfeiçoamento do organismo social no seu conjunto.
 Teorias com enfoque marxista: fundamentam-se em uma
  concepção de sociedade dividida em classes antagônicas, com
  interesses divergentes.
 Negam a idéia de um Estado neutro, voltado para o bem
  comum.
 Estado: instituição política que representa os interesses da
  classe social dominante, que prevalece sobre o conjunto da
  sociedade.
 Apenas no nível aparente, estes interesses apresentam-se como
  interesses universais, de todo o corpo social.
 Esse enfoque constituí-se, deste modo, uma crítica ao enfoque
  liberal de Estado.
Estado para Hobbes
    (1588-1651)
 Estado soberano - a realização máxima de uma
  sociedade civilizada e racional.
 No estado natural, sem o jugo político do
  Estado, os homens viveriam em liberdade e
  igualdade segundo seus instintos.
 Homem: lobo do outro homem
 O egoísmo, a crueldade,a ambição, naturais dos
  indivíduos, gerariam uma luta sem tréguas,
  levando-os à ruína.
 Somente o Estado, um poder acima das
  individualidades, garantiria segurança a todos.
 Para evitar seu fim e promover o bem comum,
  os homens selariam um pacto, um contrato,
  que evita a sua destruição.
 Hobbes atribui a este contrato social a criação
  do Estado, de poder absoluto.
O Estado para John Locke
  (1632-1704)
 O homem seria livre no seu estado natural.
 Para evitar que um homem pudesse
  subjulgar o outro a seu poder absoluto, os
  homens, por meio de um contrato social,
  delegaram poderes ao Estado, que deveria
  ter o papel de assegurar seus direitos
  naturais, assim como, a sua propriedade.
 Noção de governo:o consentimento dos
  governados diante da autoridade
  constituída.
 Enquanto que para Hobbes, o contrato
  resulta num Estado Absoluto, para Locke, o
  Estado poderia ser feito e desfeito, como
  qualquer contrato, caso o Estado ou o
  Governo não o respeitarem.
O Estado para Jean-Jacques
Rousseau (1712-1778)
  A sociedade civil nasce por meio de um
   contrato social.
  Os homens são naturalmente bons,
   sendo a sociabilização a culpada pela
   sua "degeneração".
  O Contrato Social para Rousseau é um
   acordo entre indivíduos para se criar
   uma Sociedade, e, só então, um
   Estado, isto é, o Contrato é um Pacto
   de associação, não de submissão.
  Os homens não podem renunciar aos
   princípios da liberdade e igualdade,
   pois ao povo pertence a soberania.
  Ele enfatizava que não há liberdade
   onde não existe igualdade.
O Estado para Karl Marx
(1818-1883)
Rejeição categórica à concepção de Estado como
agente da "sociedade como um todo", bem como da
possibilidade da existência de um "interesse
nacional".
base da sociedade, da sua formação, das
instituições e regras de funcionamento, das idéias e
dos valores são as condições materiais, ou seja, as
relações sociais de produção.
Estado -compreendido como uma estrutura de
poder que aglutina, sintetiza e coloca em
movimento a força política da classe dominante.
 Estado moderno: um comitê para administrar os
assuntos comuns da burguesia, o que o torna um
mecanismo destinado a reprimir a classe oprimida e
explorada.
O Estado para Karl Marx (1818-
  1883)
 O Estado consiste, também, numa organização
  burocrática, isto é, um conjunto de instituições e
  organismos, ramos e sub-ramos, com suas respectivas
  burocracias, que exerce a dominação das classes
  exploradas, por meio do jogo institucional de seus
  aparelhos.
 Deste modo, em condições historicamente
  determinadas, o Estado desempenha a função de
  reprodutor das relações econômicas e políticas de
  classe.
 No pensamento marxista, o Estado molda a sociedade.
 Visto que não existe organização social sem Estado, pelo
  menos após a divisão da sociedade em classes
  antagônicas, esse Estado é sempre aquele que traduz o
  pensamento dos dominantes, ou seja, aquele que
  constrói as condições para o máximo desenvolvimento
  daquelas classes.
Estado para Antonio
  Gramsci (1891-1937)
 Impossibilidade, exceto nas ditaduras,
  da existência do domínio bruto de uma
  classe social sobre a outra, por meio,
  apenas, do Estado-coerção.
 Uma classe dominante, para assegurar-
  se como dirigente, deve construir um
  conjunto de alianças e obter o consenso
  passivo das classes e camadas
  dirigidas.
 A classe dominante, muitas vezes,
  sacrifica parte dos seus interesses
  imediatos e supera o horizonte
  corporativo, na busca de articular
  alianças e construir uma hegemonia
  ética e política.
Para Antonio Gramsci (1891-
  1937)
 Conceito de Estado ampliado: composto por dois
  segmentos distintos, a sociedade política e a
  sociedade civil.
 Ambos atuam com a mesma finalidade: manter e
  reproduzir a dominação da classe hegemônica.
 O conceito de sociedade civil e sociedade política é
  fundamental para compreendermos o que vem a
  ser políticas educacionais e para situá-las interior
  das políticas públicas
 Nas sociedades de tipo ocidental, a hegemonia (que
  se realiza nas diversas instâncias da sociedade civil)
  não pode ser negligenciada pelos grupos sociais
  dominados, que pretendem modificar sua condição
  e a assumir o comando do conjunto da sociedade.
Para Antonio Gramsci (1891-
 1937)
 É importante para as classes subalternas construir uma
  contra hegemonia, articulando-se para interferir nos
  sindicatos, partidos políticos, meios de comunicação,
  escolas e demais instituições que constroem a
  hegemonia ética e política.
 É neste processo que as políticas educacionais são
  produzidas.
 As políticas educacionais situam-se no âmbito das
  políticas públicas de caráter social e, como tal, não são
  estáticas, mas dinâmicas, ou seja, estão em constante
  transformação.
 Para compreendê-las, é necessário entender o projeto
  político do Estado, em seu conjunto, e as contradições do
  momento histórico em questão.
Políticas públicas
   Se política fosse a arte de administrar o bem público, toda política
    deveria ser considrada pública ou social.
   Entretanto, nas sociedades em que os meios de produção são
    apropriados por uma determinada classe social, o Estado acaba por
    ser apropriado, também, por esta classe, a fim de gerir seus interesse
    econômicos.
   Na sociedade capitalista, o Estado assume a função de impulsionar a
    política econômica, tendo em vista a consolidação e a expansão do
    capital, favorecendo, assim, interesses privados, em detrimento dos
    interesses da coletividade.
   O que carateriza a política econômica é seu carater anti-social.
   Os efeitos gerados por esta polítca econômica concentradora de
    riqueza, contraditoriamente, ameçam a continuidade do sitema
    econômico capitalista.
   Para contrabalancear estes efeitos, o Estado precisa promover
    políticas públicas ou políticas sociais, nas áreas de saúde, habitação,
    assitência e previdência social, cultura e educação.
Políticas educacionais
 São emanadas do Estado, como qualquer outra política
  pública.
 Implicam em escolhas e decisões, que envolvem indivíduos,
  grupos e instituições.
 Não são fruto de iniciativas abstratas, mas constroem-se na
  correlação entre as forças sociais, que se articulam para
  defender seus interesses.
 Para entender como se elaboram as políticas públicas, em
  uma determinada sociedade, é preciso analisar seus
  significados históricos.
 Embora, nas sociedades capitalistas, o Estado esteja
  submetido aos interesses do capital, na organização e na
  administração do público, as políticas públicas são produto das
  lutas, pressões e conflitos entre os grupos e classes que
  constituem a sociedade.

Conceituando pol ticas_educacionais

  • 1.
    CONCEITUANDO POLÍTICAS EDUCACIONAIS Profa. Dra. Denise Silva Araújo
  • 2.
    O que épolítica?  Que imagem vem a sua cabeça quando você ouve a palavra “política”?  Para muitas pessoas, essa palavra evoca imagens de campanhas eleitorais, partidos, propagandas, poluição visual às vésperas de eleição.  Outros podem lembrar-se da atuação de políticos profissionais, na maioria das vezes, de maus políticos.  Isto faz com que as pessoas tomem aversão a tudo o que diz respeito à política. Será que política é isso mesmo? Ou melhor, será que política é só isso?
  • 3.
    O que épolítica?  Em sua definição clássica, o termo política emana do adjetivo politikós, originado de polis, que se refere a tudo que se relaciona com a cidade, portanto ao urbano, público, civil.  Polis - Termo grego que se refere à cidade, compreendida como a comunidade organizada, formada pelos cidadãos, isto é, pelos homens nascidos no solo da Cidade, livres e iguais.  Com o decorrer do tempo, política passou a designar “um campo dedicado ao estudo da esfera de atividades humanas articulada às coisas do Estado”.  Neste sentido, refere-se, hoje, principalmente ao conjunto de atividades, que, de alguma maneira são atribuídas ao Estado moderno, ou que dele emanam.
  • 4.
    O que éEstado? Qual sua função? Como surgiu?  Teorias com enfoque liberal: baseam-se numa interpretação feita pela burguesia nos diferentes momentos da história do capitalismo.  Consideram que o Estado é neutro e está acima dos interesses das classes sociais  Objetivo do Estado: a realização do bem comum e o aperfeiçoamento do organismo social no seu conjunto.  Teorias com enfoque marxista: fundamentam-se em uma concepção de sociedade dividida em classes antagônicas, com interesses divergentes.  Negam a idéia de um Estado neutro, voltado para o bem comum.  Estado: instituição política que representa os interesses da classe social dominante, que prevalece sobre o conjunto da sociedade.  Apenas no nível aparente, estes interesses apresentam-se como interesses universais, de todo o corpo social.  Esse enfoque constituí-se, deste modo, uma crítica ao enfoque liberal de Estado.
  • 5.
    Estado para Hobbes (1588-1651)  Estado soberano - a realização máxima de uma sociedade civilizada e racional.  No estado natural, sem o jugo político do Estado, os homens viveriam em liberdade e igualdade segundo seus instintos.  Homem: lobo do outro homem  O egoísmo, a crueldade,a ambição, naturais dos indivíduos, gerariam uma luta sem tréguas, levando-os à ruína.  Somente o Estado, um poder acima das individualidades, garantiria segurança a todos.  Para evitar seu fim e promover o bem comum, os homens selariam um pacto, um contrato, que evita a sua destruição.  Hobbes atribui a este contrato social a criação do Estado, de poder absoluto.
  • 6.
    O Estado paraJohn Locke (1632-1704)  O homem seria livre no seu estado natural.  Para evitar que um homem pudesse subjulgar o outro a seu poder absoluto, os homens, por meio de um contrato social, delegaram poderes ao Estado, que deveria ter o papel de assegurar seus direitos naturais, assim como, a sua propriedade.  Noção de governo:o consentimento dos governados diante da autoridade constituída.  Enquanto que para Hobbes, o contrato resulta num Estado Absoluto, para Locke, o Estado poderia ser feito e desfeito, como qualquer contrato, caso o Estado ou o Governo não o respeitarem.
  • 7.
    O Estado paraJean-Jacques Rousseau (1712-1778)  A sociedade civil nasce por meio de um contrato social.  Os homens são naturalmente bons, sendo a sociabilização a culpada pela sua "degeneração".  O Contrato Social para Rousseau é um acordo entre indivíduos para se criar uma Sociedade, e, só então, um Estado, isto é, o Contrato é um Pacto de associação, não de submissão.  Os homens não podem renunciar aos princípios da liberdade e igualdade, pois ao povo pertence a soberania.  Ele enfatizava que não há liberdade onde não existe igualdade.
  • 8.
    O Estado paraKarl Marx (1818-1883) Rejeição categórica à concepção de Estado como agente da "sociedade como um todo", bem como da possibilidade da existência de um "interesse nacional". base da sociedade, da sua formação, das instituições e regras de funcionamento, das idéias e dos valores são as condições materiais, ou seja, as relações sociais de produção. Estado -compreendido como uma estrutura de poder que aglutina, sintetiza e coloca em movimento a força política da classe dominante.  Estado moderno: um comitê para administrar os assuntos comuns da burguesia, o que o torna um mecanismo destinado a reprimir a classe oprimida e explorada.
  • 9.
    O Estado paraKarl Marx (1818- 1883)  O Estado consiste, também, numa organização burocrática, isto é, um conjunto de instituições e organismos, ramos e sub-ramos, com suas respectivas burocracias, que exerce a dominação das classes exploradas, por meio do jogo institucional de seus aparelhos.  Deste modo, em condições historicamente determinadas, o Estado desempenha a função de reprodutor das relações econômicas e políticas de classe.  No pensamento marxista, o Estado molda a sociedade.  Visto que não existe organização social sem Estado, pelo menos após a divisão da sociedade em classes antagônicas, esse Estado é sempre aquele que traduz o pensamento dos dominantes, ou seja, aquele que constrói as condições para o máximo desenvolvimento daquelas classes.
  • 10.
    Estado para Antonio Gramsci (1891-1937)  Impossibilidade, exceto nas ditaduras, da existência do domínio bruto de uma classe social sobre a outra, por meio, apenas, do Estado-coerção.  Uma classe dominante, para assegurar- se como dirigente, deve construir um conjunto de alianças e obter o consenso passivo das classes e camadas dirigidas.  A classe dominante, muitas vezes, sacrifica parte dos seus interesses imediatos e supera o horizonte corporativo, na busca de articular alianças e construir uma hegemonia ética e política.
  • 11.
    Para Antonio Gramsci(1891- 1937)  Conceito de Estado ampliado: composto por dois segmentos distintos, a sociedade política e a sociedade civil.  Ambos atuam com a mesma finalidade: manter e reproduzir a dominação da classe hegemônica.  O conceito de sociedade civil e sociedade política é fundamental para compreendermos o que vem a ser políticas educacionais e para situá-las interior das políticas públicas  Nas sociedades de tipo ocidental, a hegemonia (que se realiza nas diversas instâncias da sociedade civil) não pode ser negligenciada pelos grupos sociais dominados, que pretendem modificar sua condição e a assumir o comando do conjunto da sociedade.
  • 12.
    Para Antonio Gramsci(1891- 1937)  É importante para as classes subalternas construir uma contra hegemonia, articulando-se para interferir nos sindicatos, partidos políticos, meios de comunicação, escolas e demais instituições que constroem a hegemonia ética e política.  É neste processo que as políticas educacionais são produzidas.  As políticas educacionais situam-se no âmbito das políticas públicas de caráter social e, como tal, não são estáticas, mas dinâmicas, ou seja, estão em constante transformação.  Para compreendê-las, é necessário entender o projeto político do Estado, em seu conjunto, e as contradições do momento histórico em questão.
  • 13.
    Políticas públicas  Se política fosse a arte de administrar o bem público, toda política deveria ser considrada pública ou social.  Entretanto, nas sociedades em que os meios de produção são apropriados por uma determinada classe social, o Estado acaba por ser apropriado, também, por esta classe, a fim de gerir seus interesse econômicos.  Na sociedade capitalista, o Estado assume a função de impulsionar a política econômica, tendo em vista a consolidação e a expansão do capital, favorecendo, assim, interesses privados, em detrimento dos interesses da coletividade.  O que carateriza a política econômica é seu carater anti-social.  Os efeitos gerados por esta polítca econômica concentradora de riqueza, contraditoriamente, ameçam a continuidade do sitema econômico capitalista.  Para contrabalancear estes efeitos, o Estado precisa promover políticas públicas ou políticas sociais, nas áreas de saúde, habitação, assitência e previdência social, cultura e educação.
  • 14.
    Políticas educacionais  Sãoemanadas do Estado, como qualquer outra política pública.  Implicam em escolhas e decisões, que envolvem indivíduos, grupos e instituições.  Não são fruto de iniciativas abstratas, mas constroem-se na correlação entre as forças sociais, que se articulam para defender seus interesses.  Para entender como se elaboram as políticas públicas, em uma determinada sociedade, é preciso analisar seus significados históricos.  Embora, nas sociedades capitalistas, o Estado esteja submetido aos interesses do capital, na organização e na administração do público, as políticas públicas são produto das lutas, pressões e conflitos entre os grupos e classes que constituem a sociedade.