Conselho Nacional do Café – CNC
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CLIPPING – 27/03/2015
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CNC: Balanço Semanal de 23 a 27/03/2015
P1 / Ascom CNC
27/03/2015
— Realização do leilão dos estoques públicos de café, sem consulta ao setor produtor, foi equivocada
e, por isso, mal sucedida.
Na quarta-feira, 25 de março, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) realizou leilão de
2,45 mil toneladas (cerca de 40,5 mil sacas de 60,5 kg) de café arábica, colhidos nas safras 2002/03,
2008/09 e 2009/10, dos estoques públicos, produto adquirido por meio do programa de Opções.
Entretanto, não houve interesse comprador e o pregão não registrou arremates.
O CNC e a Comissão Nacional do Café da CNA entendem que esse resultado foi o esperado, já que
o leilão foi definido sem a participação do setor privado da cafeicultura, o qual, se consultado,
prontamente seria contrário, haja vista que estamos na iminência do início da colheita e,
consequentemente, teremos cafés mais novos ingressando dentro dos próximos dois meses.
Como representantes legítimos da produção de café no Brasil, o CNC e a CNA entendem que o
Governo cometeu um equívoco ao autorizar a Conab a realizar o leilão, não apenas pelo prazo
determinado, mas pelos preços iniciais que foram estabelecidos, em patamares iguais ou superiores
aos registrados no mercado físico atualmente, porém para produtos novos. Recordamos que os cafés
ofertados são de safras antigas, próprios para consumo, porém desmerecidos, alguns
“esbranquiçados”, por exemplo.
Os cafés ofertados tiveram valor de abertura de R$ 430,46/saca (R$ 7,115/kg) para o tipo 6 da safra
2008/09; de R$ 502,15/sc (R$ 8,30/kg) para o tipo 5 da safra 2009/10; e de R$ 484/sc (R$ 8,00/kg) a
R$ 502,15/sc para os cafés tipos 4, 5 e 6 da safra 2002/03, ou seja, níveis de preço de igual a
bastante superiores ao praticado no mercado.
Considerando o ocorrido, o Conselho Nacional do Café e a Comissão Nacional do Café da CNA
reforçam a necessidade de o Governo ouvir o segmento antes de lançar o edital, porque esse foi um
compromisso assumido junto ao setor, de maneira que datas, volumes e preços dos cafés dos
estoques públicos a serem ofertados sejam definidos de maneira consensual.
Apontamos que isso se faz necessário porque, em outubro de 2014, quando o mercado estava acima
de US$ 2,00 por libra-peso na Bolsa de Nova York, manifestamos nosso consenso para se ofertar os
cafés dos estoques públicos adquiridos através de AGF, mas não os referentes aos das Opções, e
desde que o planejamento fosse feito em parceria entre Governo e segmento privado, pois somos
cientes dos custos com segurança, armazenagem e preservação para a manutenção desses cafés
desmerecidos.
Preocupa-nos ainda mais o fato de a Conab, novamente sem consultas ao setor produtor, ter
anunciado um novo leilão, para o dia 1º de abril de 2015, dos mesmos cafés oferecidos e não
arrematados no dia 25. O CNC e a CNA são contrários a oferta do produto no momento atual, na
iminência da chegada da safra, e, nesse sentido, fizemos contato com a ministra da Agricultura,
senadora Kátia Abreu, e com o secretário interino de Produção e Agroenergia, Luciano Carvalho,
solicitando o cancelamento do pregão.
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Confira o conteúdo do ofício enviado à ministra Kátia Abreu em:
http://pt.slideshare.net/pauloandreck/26032015-oficio-ministra-katia-abreu-leilo.
Essa medida se faz necessária, ainda, porque a realização de leilões no período que precede o
ingresso dos cafés da nova safra é extremamente negativa, pois dá a falsa impressão ao mercado de
que temos um grande estoque de café, quando, em verdade, o estoque brasileiro de passagem será,
provavelmente, o menor de todos os tempos de nossa história cafeeira.
MERCADO – Após a recuperação observada na semana anterior, os futuros do café arábica voltaram
a cair, pressionados pelos movimentos de realização de lucros, e se estabilizaram ao redor de US$
1,4 por libra-peso. Além da proximidade do início da colheita no Brasil, a atenção dos investidores se
mantém voltada para o comportamento do dólar.
No início desta semana, a moeda norte-americana desvalorizou-se frente ao real. Essa tendência foi
motivada pela decisão da agência de classificação de risco Standard & Poor's de manter o rating
BBB- do Brasil, com perspectiva estável.
Além disso, externamente o dólar também enfraqueceu ante outras divisas, após a sinalização de
que o Banco Central dos Estados Unidos (Fed, em inglês) não se apressará na elevação das taxas
básicas de juros do país.
No Brasil, o dólar comercial encerrou a sessão de ontem a R$ 3,1909, acumulando queda de 1,2%
desde a última sexta-feira. A decisão do Banco Central do Brasil de não continuar com os leilões de
swap cambial (contratos equivalentes à venda de dólares no mercado futuro), que terminam no dia 31
deste mês, reverteu a tendência de valorização do real observada desde o final da semana passada.
Na ICE Futures US, o vencimento maio do Contrato C foi cotado, na quinta-feira, a US$ 1,4025 por
libra-peso, acumulando queda de 310 pontos em relação ao final da semana passada. Já na ICE
Futures Europe, as cotações do robusta apresentaram pouca variação. Ontem, o vencimento
maio/2015 encerrou o pregão a US$ 1.816 por tonelada, com perdas de US$ 4 desde o final da
semana anterior.
Em relação ao mercado físico brasileiro, com a queda dos preços nesta semana, os vendedores
voltaram a se retrair. Na quinta-feira, os indicadores calculados pelo Centro de Estudos Avançados
em Economia Aplicada (Cepea) para as variedades arábica e conilon foram cotados a R$
458,89/saca e a R$ 310,63/saca, respectivamente, com variação de -2,5% e 1% no acumulado da
semana.
O Cepea também informou que, até meados do mês de março, houve pouco avanço na
comercialização do café, com aumento das vendas apenas na Mogiana Paulista e no Espírito Santo.
Segundo a instituição, entre 75% e 80% do café da safra 2014/15 da região paulista teria sido
comercializado até o dia 20 de março.
No Estado capixaba, esse índice atingiria 80%, com elevação de 10 pontos percentuais em relação
ao mês antecedente. Nas demais regiões, os volumes negociados praticamente não se alteraram.
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Atenciosamente,
Silas Brasileiro
Presidente Executivo
Cooparaiso completa 55 anos de contribuição à cafeicultura
Embrapa Café
27/03/2015
Flávia Bessa e Lucas Tadeu Ferreira
Localizada no município mineiro de
São Sebastião do Paraíso, uma das
regiões mais privilegiadas do mundo
para o cultivo de cafés de alta
qualidade e com condições
geográficas muito semelhantes
(relevo montanhoso e altitude média
de 1000m) e condições climáticas
ideais (temperatura em torno de 21ºC
e precipitação de 1600mm), a
Cooperativa Regional dos Cafeicultores de São Sebastião do Paraíso – Cooparaiso completa 55 anos
neste mês de março de 2015 e tem uma longa trajetória em prol da sustentabilidade da cafeicultura
do Sul de Minas. A Cooparaiso é filiada ao Conselho Nacional do Café – CNC, entidade
representativa do setor produtivo do café que faz parte do Conselho Deliberativo da Política do Café –
CDPC, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – Mapa.
A região possui hoje uma área cafeeira de 165.285 ha, produzindo uma média anual de 3.234.400
milhões de sacas de café beneficiado de 60 kg. Composta por 5.931 associados, sendo sua sede na
cidade de São Sebastião do Paraíso (MG), tem ainda 8 núcleos no Estado de Minas Gerais e 1 no
estado de São Paulo, totalizando dez unidades. Os municípios localizados na área de abrangência
da Cooperativa têm como sua principal fonte de renda a agricultura. E o café, principal produto
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cultivado, é responsável por 58% das arrecadações.
Para falar da Cooparaiso, ações desenvolvidas e resultados alcançados nesses 55 anos de atuação,
a Embrapa Café, coordenadora do Consórcio Pesquisa Café, entrevistou o vice-presidente, José
Rogério Lara, produtor rural, engenheiro agrônomo e funcionário de carreira da Empresa de
Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais - Emater-MG. Lara também atuou
no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - Mapa, exercendo cargo de coordenador-
geral do Departamento do Café - Dcaf, e, na Emater-MG, de diretor técnico.
Embrapa Café – Fale-nos sobre a criação e a história da Cooparaiso.
José Rogerio Lara – A Cooparaiso foi fundada em 23 de março de 1960, quando um grupo de 56
produtores se uniram com o intuito de criar uma empresa que pudesse armazenar e facilitar a
comercialização de suas produções. Assim, foi construído o primeiro armazém da Cooperativa. Em
1963, ocorreu a primeira exportação de 46.758 sacas de café e, em 1964, a importação de doze
tratores para seus associados. A Cooperativa foi ampliando as atividades, construindo e arrendando
mais armazéns e, em 1980, inaugurou o primeiro núcleo, na cidade de Itamogi/MG. Desde então,
vimos, ao longo dos anos, ampliando nossas atividades e buscando ser o aporte e apoio do
cafeicultor.
Embrapa Café – Qual é a missão da Cooparaiso, seus principais valores institucionais e municípios
de abrangência?
Lara – A missão da Cooparaiso é oferecer soluções competitivas e, por meio do poder da união de
cafeicultores, promover o desenvolvimento do agronegócio café, gerando resultados desejados e
diferenciados aos cooperados, colaboradores e parceiros, sendo, por isso, reconhecida por eles
como indispensável e decisiva para o sucesso de todos. Nossos valores partem de diretrizes e
orientações destinadas a nortear ações que possam contribuir, direta e indiretamente, para que
ocorra desenvolvimento com transformações produtivas, equidade social e sustentabilidade
ambiental. Nossa abrangência se estende pelo Sudoeste e parte do Centro-Oeste do Estado de
Minas Gerais e Mogiana Paulista, com núcleos em Altinópolis/SP, Bom Jesus da Penha/MG,
Guapé/MG, Jacuí/MG, Itamogi/MG, Passos/MG, Piumhi/MG, Pratápolis/MG, São Tomás de
Aquino/MG e São Sebastião do Paraíso/MG.
Embrapa Café – Qual a importância do sistema de cooperativas para a sustentabilidade do
agronegócio café no Brasil?
Lara – A cafeicultura do Sul de Minas sobrevive graças ao sistema cooperativista, que é forte na
região. Nas cidades próximas da divisa de Minas Gerais com São Paulo, a partir de Franca/SP,
passando por Paraíso/MG, Guaxupé/MG, Três Pontas/MG, Varginha/MG, Machado/MG, Campos
Gerais/MG e Boa Esperança/MG, todas têm cooperativas de café que trabalham em prol do
cafeicultor. Em todos os momentos de dificuldades, foram essas cooperativas que buscaram crédito
rural, promoveram repasse de crédito rural, ou seja, que assumiram as dificuldades do cooperado na
busca de solucionar o endividamento, preço baixo etc. Nesses momentos de dificuldades, por
exemplo, as cooperativas conquistaram o Programa de Revitalização de Cooperativas de Produção
Agropecuária – Recoop, e, ainda, a securitização de dívidas, o Prêmio Equalizador Pago ao Produtor
- Pepro, que são exemplos da força do cooperativismo atuando nas lideranças governamentais
políticas para fortalecer a cafeicultura na região.
Embrapa Café – A Cooparaíso faz que parcerias e acordos para apoiar o homem do campo e a
comercialização do produto na região? Que ações de transferência de tecnologia e capacitação
destacaria?
Lara – A cafeicultura brasileira, no nosso entendimento, é a mais tecnificada do mundo, graças ao
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trabalho do Consórcio Pesquisa Café, coordenado pela Embrapa Café, e ao sistema de ensino e
extensão rural, que leva tecnologias geradas aos cafeicultores. É importante ressaltar que, além dos
serviços de extensão rural oficiais, que são as Emateres, os cooperados da Cooparaíso contam com
um departamento e equipe técnica qualificada para orientar os produtores e transferir conhecimentos
e tecnologias. Na Cooparaíso, nós avaliamos criteriosamente os avanços tecnológicos da cafeicultura
e, assim, trabalhamos com muita precaução para levar uma tecnologia que seja adaptada à região e
de acordo com a realidade do cooperado. No Brasil, a despeito de estar havendo crescimento médio
do consumo interno em torno de 2% ao ano, é preciso que tenhamos políticas públicas que
sincronizem a produção com esse aumento do consumo para dar segurança ao cafeicultor na sua
atividade.
Embrapa Café – O mercado consumidor mais exigente valoriza bastante os cafés certificados.
Assim, quais as certificações de café que já foram adotadas pela Cooperativa?
Lara – A Cooparaíso trabalha com várias certificações, mais especificamente destacamos o Certifica
Minas e o 4C (Código Comum da Comunidade Cafeeira). A certificação é um caminho sem volta, pois
cada vez mais tem sido exigido a produção de cafés com qualidade, que sejam sustentáveis e
seguros do ponto de vista alimentar e ecologicamente corretos, além de outros atributos positivos
exigidos pelas certificadoras. Nesse sentido, o cafeicultor está fazendo a sua parte nas questões
social e ambiental. Vale também lembrar a parte econômica, já que o cafeicultor precisa de lucro para
manter sua atividade. Assim, para desenvolver a cafeicultura de forma sustentável, é necessário
considerar três vertentes: social, ambiental e econômica.
Embrapa Café – A Cooparaíso tem algum plano de renovação dos cafezais mais antigos no Sul de
Minas para tornar a atividade cada vez mais moderna na região em termos de gestão, produtividade
e qualidade?
Lara – A Cooparaíso, desde a década de 90, especificamente em 1993, começou um programa de
renovação de lavouras. Os dirigentes, à época, tiveram coragem e tomaram decisões muito firmes de
renovação dos cafezais, o que ampliou muito as áreas de café na região. Foram feitos convênios com
prefeituras introduzindo tecnologias e mudas de qualidade, técnicas de manejo, colheita e pós-
colheita e beneficiamento, o que melhorou muito o perfil da cafeicultura na região. Adensou as
lavouras, melhorou a produção e a produtividade, tudo isso realizado em parceria com instituições de
pesquisa. Hoje estamos apenas renovando algumas lavouras, introduzindo cultivares mais produtivas
e tolerantes e/ou resistentes a pragas e doenças, mas não ampliando as áreas plantadas.
Percebemos, na região, que não aumentou a área de cultivo e que alguns produtores também estão
renovando as lavouras, preparando-as para a colheita mecanizada, num trabalho constante.
Embrapa Café – Quais as principais demandas de tecnologias para a produção de café na região de
influência da Cooparaíso?
Lara – No rol de demandas de tecnologias, podemos destacar que a prioridade é a diminuição ou
mesmo a eliminação do custo da mão de obra, que está muito cara. O valor da mão de obra se torna
alto em função dos preços médios do café recebidos pelo produtor. Com um valor remuneratório
maior pela saca de café, é possível o produtor pagar mais ao trabalhador rural. O que sobra
atualmente para o produtor depois de arcar com todos os custos da lavoura é muito pouco. Daí a
necessidade de mecanizar o máximo possível para tentar reduzir os custos com a mão de obra.
Assim, as demandas de tecnologias, hoje, têm bastante foco na mecanização do processo produtivo
e ainda na busca constante pela diminuição do custo de produção como um todo, para que, ao final
do processo, o cafeicultor tenha a sua justa remuneração.
Embrapa Café – Estamos em um momento de escassez de água. Que tecnologias desenvolvidas
têm permitido economia de água e de outros insumos na produção de café?
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Lara – Podemos destacar, como exemplo, a tecnologia do manejo do mato em cafezais,
desenvolvida por instituições do Consórcio Pesquisa Café e empregada por cafeicultores da nossa
região, que permite otimizar a irrigação por meio da conservação do solo e da água com a utilização
de pouca energia. O custo da energia, do óleo diesel, somado ao aumento do dólar e dos fertilizantes
e insumos que acompanham o dólar, oneram bastante a produção. E, como o preço do café não
acompanha a elevação desses custos, essas tecnologias são importantes por permitirem a
diminuição dos custos de produção, principalmente nos momentos de estiagem e de restrição hídrica.
Embrapa Café – Com relação ao mercado de café da região, poderia fazer um balanço do ano de
2014 e perspectivas para 2015? Quais as dificuldades enfrentadas pelos cafeicultores da região?
Lara – Quanto ao mercado de café na região, na visão da produção, nós vimos que, em 2013, o
produtor teve uma safra boa. No entanto, até final de 2013, vendeu-se a produção por um preço
médio de R$ 260,00 a saca. Quando o preço subiu com a seca, em 2014, em torno de 70% da
produção do cafeicultor já estava vendida. Então ele a vendeu com preço baixo em 2013. Em 2014,
tivemos a seca, e a produção e a produtividade caíram muito. E ainda houve o agravante maior de a
renda no campo não ter sido alta. No momento de beneficiar o produto, vimos que gastávamos,
principalmente em lavouras novas, quase mil litros (quando a média é de aproximadamente 600
litros) para se fazer uma saca de café. Dessa forma, o produtor teve a despesa, mas não teve o
produto. Além disso, o café colhido era de peneira baixa (grãos menores), mas com boa qualidade.
Isso trouxe dificuldades no momento da classificação do produto. Em 2015, a safra voltará a ser
pequena, em função da seca de 2014. Estamos com a previsão da Fundação Procafé de 43 milhões
de sacas e isso é pouco para um País que exporta mais de 30 milhões e consome 20 milhões de
sacas. O produtor continua descapitalizado, porque vendeu a safra 2013 barata, em, 2014, a safra foi
pequena, o que deverá se repetir em 2015. A descapitalização do produtor de café é uma realidade
incontestável.
Embrapa Café – Gostaria de fazer comentários adicionais e/ou acrescentar mais informações que
não foram ditas nas perguntas e respostas anteriores?
Lara – Com relação ao Consórcio Pesquisa Café, coordenado Embrapa Café, nós vemos com muito
orgulho, uma vez que o desempenho do produto no Brasil e no mundo passa incontestavelmente por
esse esforço institucional que permitiu aumento de produção, produtividade e qualidade. Saímos, por
exemplo, de uma produtividade, em 1997, quando o Consórcio foi criado, de 8 sacas por hectare
para, em 2014, uma produtividade de 23,29 sc/ha. Isso é resultado da conjugação dos trabalhos das
instituições envolvidas com a pesquisa, extensão e ensino, além das cooperativas, que organizam os
cafeicultores e transferem mais rapidamente os avanços das tecnologias. O que defendemos é que
haja, cada vez mais, comunicação entre a comunidade científica, extensionistas e técnicos das
cooperativas, para que os pesquisadores tenham conhecimento das demandas reais do campo. Esse
intercâmbio é muito importante e muito valioso, porque dá segurança ao pesquisador para trabalhar
com as demandas do cafeicultor identificadas na base da produção, que é o campo.
Fairtrade Brasil é lançada em busca de independência no mercado
CaféPoint
27/03/2015
O maior e mais reconhecido sistema de comércio justo no mundo, o Faitrade, acaba de
ser lançado no Brasil. Presente em cerca de 30 países - reunidos pela Fairtrade
International-, o movimento garante que pequenos produtores de países em
desenvolvimento recebam um preço justo e sustentável pelos produtos que oferecem.
Como alternativa ao modelo convencional de negócios, produtores certificados pelo
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Faitrade não estão sujeitos às flutuações dos mercados de commodities, já que o preço mínimo da
sua mercadoria é preestabelecido em todo mundo.
Benefício também oferecido pelo Fairtrade é o pagamento do "premium", montante extra que deve,
obrigatoriamente, ser investido no desenvolvimento social e econômico das cooperativas e suas
comunidades. Hoje, já são 1,5 milhão de produtores certificados em cerca de 120 países, somando
no ano de 2013, mais de R$3 bilhões de reais em vendas. Com o pagamento do premium, mais de
R$300 milhões de reais também foram investidos em projetos sociais no último ano.
De acordo com o Fairtrade International, a formalização do Fairtrade Brasil tem como objetivo divulgar
aos consumidores os benefícios de alimentos feitos de maneira ética e sustentável. Conheça mais
sobre o trabalho que já é desenvolvido no país com a coluna Fairtrade, de Ulisses Ferreira.
“Hoje, no Brasil, contamos com cerca de quarenta cooperativas e mais de 7 mil produtores
certificados pela organização Fairtrade. São produtores de café, laranja, mel espalhados por diversos
estados. Estes produtos, no entanto, são, em sua maior parte, utilizados para exportação.
O lançamento do Fairtrade Brasil reduzirá a dependência do mercado internacional, tendo os
mercados brasileiro e sul americano como alternativa para venda de seus produtos, e evitando
barreiras linguísticas e variações cambiais”, explica Naji Harb, presidente do Fairtrade Brasil.
Incentivando a prática Fairtrade há mais de 10 anos, empresas como a norte-americana do mercado
de sorvetes Ben & Jerry’s foram pioneiras na utilização de ingredientes sustentáveis em seus
produtos.
Presente em mais de 30 países e recém chegada ao Brasil, passou a comercializar todos os seus
sabores com ingredientes Fairtrade em 2014. Entre os produtos Fairtrade da marca estão as bananas
do sorvete Chunky Monkey, que são fornecidas pela El Guabo, cooperativa de cerca de 300
produtores rurais localizada no Equador, onde o dinheiro extra pago por Ben & Jerry’s permitiu à
comunidade carente investir em educação básica para as crianças e infraestrutura.
Vietnã: exportação de café deve cair 40,7% no primeiro trimestre de 2015
Agência Estado
27/03/2015
As exportações de café pelo Vietnã devem cair 40,7% no primeiro trimestre de 2015, na comparação
com igual intervalo do ano passado, de acordo com o departamento de estatísticas do país.
Os embarques devem alcançar 354 mil toneladas no período, segundo as estimativa divulgada hoje.
Considerando apenas o mês de março, as exportações devem somar 130 mil toneladas, um
incremento de 41,3% ante fevereiro.
O Vietnã é o segundo maior produtor mundial de café, atrás apenas do Brasil. Considerando-se a
variedade robusta, o país asiático lidera a produção global. Fonte: Dow Jones Newswires.
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Produção peruana de café deve crescer 10% em 2015
CaféPoint
27/03/2015
Reportagem: http://www.rpp.com.pe / Tradução: Juliana Santin
A produção peruana de café se recuperará em 2015 e registrará um crescimento de 10%
com relação ao ano passado, estimou o Departamento de Estudos Econômicos do
Scotiabank.
Esse aumento deve ocorrer após a produção ter queda pelo terceiro ano consecutivo em
2014, para 209 mil toneladas, 18% a menos que em 2013, afetada pela ferrugem amarela e pela falta
de renovação das plantações antigas.
“Entre 2013 e 2014, foram renovados 35 mil hectares de café pelas variedades resistentes à
ferrugem, de forma que entre 2015 e 2016, haveria uma recuperação na produção”.
O aumento estimado na produção cafeeira compensaria parcialmente uma queda esperada dos
preços, em um contexto de excesso de oferta a nível mundial. “As exportações de café subiriam para
US$ 640 milhões, aproximadamente, em 2015, 13% menor com relação a 2014”.
No entanto, o relatório afirma que é necessário que nos próximos anos se sigam renovando as
plantações de café pelas variedades de maior resistência para reduzir a exposição à ferrugem
amarela e aumentar o rendimento dos cafezais.
Segundo informações da Junta Nacional de Café, aproximadamente 65% das plantações de café,
uns 260 mil hectares, têm mais de 20 anos de idade, o que os torna susceptíveis à ferrugem amarela
e outras doenças. As regiões da selva norte seriam as de maior recuperação em 2015, projeta
Scotiabank. De fato, em 2014, a produção do Amazonas aumentou em 4% e a de San Martin caiu
somente 2%, depois de ter caído 30% em 2013. Isso devido a um melhor manejo integrado de cultivo
e às renovações das plantações durante os últimos anos que vem reduzindo sua exposição às
pragas.
“Nas regiões da selva central e no sul também haveria certa recuperação, ainda que em alguns
casos, as plantações de café afetadas pela ferrugem tenham sido substituídas por outros tipos de
cultivos, limitando a recuperação da produção em curto prazo”.
O Scotiabank disse que é provável que em 2016 a produção nacional de café continue se
recuperando à medida que continuam se renovando as plantações antigas de cafezais e os
rendimentos comecem a aumentar.

Clipping cnc 27032015 versão de impressão

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    Conselho Nacional doCafé – CNC SCN Quadra 01, Bl. “C”, Ed. Brasília Trade Center, 11º andar, sala 1.101 - CEP 70711-902 – Brasília (DF) Assessoria de Comunicação: (61) 3226-2269 / 8114-6632 E-mail: imprensa@cncafe.com.br / www.twitter.com/pauloandreck CLIPPING – 27/03/2015 Acesse: www.cncafe.com.br CNC: Balanço Semanal de 23 a 27/03/2015 P1 / Ascom CNC 27/03/2015 — Realização do leilão dos estoques públicos de café, sem consulta ao setor produtor, foi equivocada e, por isso, mal sucedida. Na quarta-feira, 25 de março, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) realizou leilão de 2,45 mil toneladas (cerca de 40,5 mil sacas de 60,5 kg) de café arábica, colhidos nas safras 2002/03, 2008/09 e 2009/10, dos estoques públicos, produto adquirido por meio do programa de Opções. Entretanto, não houve interesse comprador e o pregão não registrou arremates. O CNC e a Comissão Nacional do Café da CNA entendem que esse resultado foi o esperado, já que o leilão foi definido sem a participação do setor privado da cafeicultura, o qual, se consultado, prontamente seria contrário, haja vista que estamos na iminência do início da colheita e, consequentemente, teremos cafés mais novos ingressando dentro dos próximos dois meses. Como representantes legítimos da produção de café no Brasil, o CNC e a CNA entendem que o Governo cometeu um equívoco ao autorizar a Conab a realizar o leilão, não apenas pelo prazo determinado, mas pelos preços iniciais que foram estabelecidos, em patamares iguais ou superiores aos registrados no mercado físico atualmente, porém para produtos novos. Recordamos que os cafés ofertados são de safras antigas, próprios para consumo, porém desmerecidos, alguns “esbranquiçados”, por exemplo. Os cafés ofertados tiveram valor de abertura de R$ 430,46/saca (R$ 7,115/kg) para o tipo 6 da safra 2008/09; de R$ 502,15/sc (R$ 8,30/kg) para o tipo 5 da safra 2009/10; e de R$ 484/sc (R$ 8,00/kg) a R$ 502,15/sc para os cafés tipos 4, 5 e 6 da safra 2002/03, ou seja, níveis de preço de igual a bastante superiores ao praticado no mercado. Considerando o ocorrido, o Conselho Nacional do Café e a Comissão Nacional do Café da CNA reforçam a necessidade de o Governo ouvir o segmento antes de lançar o edital, porque esse foi um compromisso assumido junto ao setor, de maneira que datas, volumes e preços dos cafés dos estoques públicos a serem ofertados sejam definidos de maneira consensual. Apontamos que isso se faz necessário porque, em outubro de 2014, quando o mercado estava acima de US$ 2,00 por libra-peso na Bolsa de Nova York, manifestamos nosso consenso para se ofertar os cafés dos estoques públicos adquiridos através de AGF, mas não os referentes aos das Opções, e desde que o planejamento fosse feito em parceria entre Governo e segmento privado, pois somos cientes dos custos com segurança, armazenagem e preservação para a manutenção desses cafés desmerecidos. Preocupa-nos ainda mais o fato de a Conab, novamente sem consultas ao setor produtor, ter anunciado um novo leilão, para o dia 1º de abril de 2015, dos mesmos cafés oferecidos e não arrematados no dia 25. O CNC e a CNA são contrários a oferta do produto no momento atual, na iminência da chegada da safra, e, nesse sentido, fizemos contato com a ministra da Agricultura, senadora Kátia Abreu, e com o secretário interino de Produção e Agroenergia, Luciano Carvalho, solicitando o cancelamento do pregão.
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    Conselho Nacional doCafé – CNC SCN Quadra 01, Bl. “C”, Ed. Brasília Trade Center, 11º andar, sala 1.101 - CEP 70711-902 – Brasília (DF) Assessoria de Comunicação: (61) 3226-2269 / 8114-6632 E-mail: imprensa@cncafe.com.br / www.twitter.com/pauloandreck Confira o conteúdo do ofício enviado à ministra Kátia Abreu em: http://pt.slideshare.net/pauloandreck/26032015-oficio-ministra-katia-abreu-leilo. Essa medida se faz necessária, ainda, porque a realização de leilões no período que precede o ingresso dos cafés da nova safra é extremamente negativa, pois dá a falsa impressão ao mercado de que temos um grande estoque de café, quando, em verdade, o estoque brasileiro de passagem será, provavelmente, o menor de todos os tempos de nossa história cafeeira. MERCADO – Após a recuperação observada na semana anterior, os futuros do café arábica voltaram a cair, pressionados pelos movimentos de realização de lucros, e se estabilizaram ao redor de US$ 1,4 por libra-peso. Além da proximidade do início da colheita no Brasil, a atenção dos investidores se mantém voltada para o comportamento do dólar. No início desta semana, a moeda norte-americana desvalorizou-se frente ao real. Essa tendência foi motivada pela decisão da agência de classificação de risco Standard & Poor's de manter o rating BBB- do Brasil, com perspectiva estável. Além disso, externamente o dólar também enfraqueceu ante outras divisas, após a sinalização de que o Banco Central dos Estados Unidos (Fed, em inglês) não se apressará na elevação das taxas básicas de juros do país. No Brasil, o dólar comercial encerrou a sessão de ontem a R$ 3,1909, acumulando queda de 1,2% desde a última sexta-feira. A decisão do Banco Central do Brasil de não continuar com os leilões de swap cambial (contratos equivalentes à venda de dólares no mercado futuro), que terminam no dia 31 deste mês, reverteu a tendência de valorização do real observada desde o final da semana passada. Na ICE Futures US, o vencimento maio do Contrato C foi cotado, na quinta-feira, a US$ 1,4025 por libra-peso, acumulando queda de 310 pontos em relação ao final da semana passada. Já na ICE Futures Europe, as cotações do robusta apresentaram pouca variação. Ontem, o vencimento maio/2015 encerrou o pregão a US$ 1.816 por tonelada, com perdas de US$ 4 desde o final da semana anterior. Em relação ao mercado físico brasileiro, com a queda dos preços nesta semana, os vendedores voltaram a se retrair. Na quinta-feira, os indicadores calculados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) para as variedades arábica e conilon foram cotados a R$ 458,89/saca e a R$ 310,63/saca, respectivamente, com variação de -2,5% e 1% no acumulado da semana. O Cepea também informou que, até meados do mês de março, houve pouco avanço na comercialização do café, com aumento das vendas apenas na Mogiana Paulista e no Espírito Santo. Segundo a instituição, entre 75% e 80% do café da safra 2014/15 da região paulista teria sido comercializado até o dia 20 de março. No Estado capixaba, esse índice atingiria 80%, com elevação de 10 pontos percentuais em relação ao mês antecedente. Nas demais regiões, os volumes negociados praticamente não se alteraram.
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    Conselho Nacional doCafé – CNC SCN Quadra 01, Bl. “C”, Ed. Brasília Trade Center, 11º andar, sala 1.101 - CEP 70711-902 – Brasília (DF) Assessoria de Comunicação: (61) 3226-2269 / 8114-6632 E-mail: imprensa@cncafe.com.br / www.twitter.com/pauloandreck Atenciosamente, Silas Brasileiro Presidente Executivo Cooparaiso completa 55 anos de contribuição à cafeicultura Embrapa Café 27/03/2015 Flávia Bessa e Lucas Tadeu Ferreira Localizada no município mineiro de São Sebastião do Paraíso, uma das regiões mais privilegiadas do mundo para o cultivo de cafés de alta qualidade e com condições geográficas muito semelhantes (relevo montanhoso e altitude média de 1000m) e condições climáticas ideais (temperatura em torno de 21ºC e precipitação de 1600mm), a Cooperativa Regional dos Cafeicultores de São Sebastião do Paraíso – Cooparaiso completa 55 anos neste mês de março de 2015 e tem uma longa trajetória em prol da sustentabilidade da cafeicultura do Sul de Minas. A Cooparaiso é filiada ao Conselho Nacional do Café – CNC, entidade representativa do setor produtivo do café que faz parte do Conselho Deliberativo da Política do Café – CDPC, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – Mapa. A região possui hoje uma área cafeeira de 165.285 ha, produzindo uma média anual de 3.234.400 milhões de sacas de café beneficiado de 60 kg. Composta por 5.931 associados, sendo sua sede na cidade de São Sebastião do Paraíso (MG), tem ainda 8 núcleos no Estado de Minas Gerais e 1 no estado de São Paulo, totalizando dez unidades. Os municípios localizados na área de abrangência da Cooperativa têm como sua principal fonte de renda a agricultura. E o café, principal produto
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    Conselho Nacional doCafé – CNC SCN Quadra 01, Bl. “C”, Ed. Brasília Trade Center, 11º andar, sala 1.101 - CEP 70711-902 – Brasília (DF) Assessoria de Comunicação: (61) 3226-2269 / 8114-6632 E-mail: imprensa@cncafe.com.br / www.twitter.com/pauloandreck cultivado, é responsável por 58% das arrecadações. Para falar da Cooparaiso, ações desenvolvidas e resultados alcançados nesses 55 anos de atuação, a Embrapa Café, coordenadora do Consórcio Pesquisa Café, entrevistou o vice-presidente, José Rogério Lara, produtor rural, engenheiro agrônomo e funcionário de carreira da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais - Emater-MG. Lara também atuou no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - Mapa, exercendo cargo de coordenador- geral do Departamento do Café - Dcaf, e, na Emater-MG, de diretor técnico. Embrapa Café – Fale-nos sobre a criação e a história da Cooparaiso. José Rogerio Lara – A Cooparaiso foi fundada em 23 de março de 1960, quando um grupo de 56 produtores se uniram com o intuito de criar uma empresa que pudesse armazenar e facilitar a comercialização de suas produções. Assim, foi construído o primeiro armazém da Cooperativa. Em 1963, ocorreu a primeira exportação de 46.758 sacas de café e, em 1964, a importação de doze tratores para seus associados. A Cooperativa foi ampliando as atividades, construindo e arrendando mais armazéns e, em 1980, inaugurou o primeiro núcleo, na cidade de Itamogi/MG. Desde então, vimos, ao longo dos anos, ampliando nossas atividades e buscando ser o aporte e apoio do cafeicultor. Embrapa Café – Qual é a missão da Cooparaiso, seus principais valores institucionais e municípios de abrangência? Lara – A missão da Cooparaiso é oferecer soluções competitivas e, por meio do poder da união de cafeicultores, promover o desenvolvimento do agronegócio café, gerando resultados desejados e diferenciados aos cooperados, colaboradores e parceiros, sendo, por isso, reconhecida por eles como indispensável e decisiva para o sucesso de todos. Nossos valores partem de diretrizes e orientações destinadas a nortear ações que possam contribuir, direta e indiretamente, para que ocorra desenvolvimento com transformações produtivas, equidade social e sustentabilidade ambiental. Nossa abrangência se estende pelo Sudoeste e parte do Centro-Oeste do Estado de Minas Gerais e Mogiana Paulista, com núcleos em Altinópolis/SP, Bom Jesus da Penha/MG, Guapé/MG, Jacuí/MG, Itamogi/MG, Passos/MG, Piumhi/MG, Pratápolis/MG, São Tomás de Aquino/MG e São Sebastião do Paraíso/MG. Embrapa Café – Qual a importância do sistema de cooperativas para a sustentabilidade do agronegócio café no Brasil? Lara – A cafeicultura do Sul de Minas sobrevive graças ao sistema cooperativista, que é forte na região. Nas cidades próximas da divisa de Minas Gerais com São Paulo, a partir de Franca/SP, passando por Paraíso/MG, Guaxupé/MG, Três Pontas/MG, Varginha/MG, Machado/MG, Campos Gerais/MG e Boa Esperança/MG, todas têm cooperativas de café que trabalham em prol do cafeicultor. Em todos os momentos de dificuldades, foram essas cooperativas que buscaram crédito rural, promoveram repasse de crédito rural, ou seja, que assumiram as dificuldades do cooperado na busca de solucionar o endividamento, preço baixo etc. Nesses momentos de dificuldades, por exemplo, as cooperativas conquistaram o Programa de Revitalização de Cooperativas de Produção Agropecuária – Recoop, e, ainda, a securitização de dívidas, o Prêmio Equalizador Pago ao Produtor - Pepro, que são exemplos da força do cooperativismo atuando nas lideranças governamentais políticas para fortalecer a cafeicultura na região. Embrapa Café – A Cooparaíso faz que parcerias e acordos para apoiar o homem do campo e a comercialização do produto na região? Que ações de transferência de tecnologia e capacitação destacaria? Lara – A cafeicultura brasileira, no nosso entendimento, é a mais tecnificada do mundo, graças ao
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    Conselho Nacional doCafé – CNC SCN Quadra 01, Bl. “C”, Ed. Brasília Trade Center, 11º andar, sala 1.101 - CEP 70711-902 – Brasília (DF) Assessoria de Comunicação: (61) 3226-2269 / 8114-6632 E-mail: imprensa@cncafe.com.br / www.twitter.com/pauloandreck trabalho do Consórcio Pesquisa Café, coordenado pela Embrapa Café, e ao sistema de ensino e extensão rural, que leva tecnologias geradas aos cafeicultores. É importante ressaltar que, além dos serviços de extensão rural oficiais, que são as Emateres, os cooperados da Cooparaíso contam com um departamento e equipe técnica qualificada para orientar os produtores e transferir conhecimentos e tecnologias. Na Cooparaíso, nós avaliamos criteriosamente os avanços tecnológicos da cafeicultura e, assim, trabalhamos com muita precaução para levar uma tecnologia que seja adaptada à região e de acordo com a realidade do cooperado. No Brasil, a despeito de estar havendo crescimento médio do consumo interno em torno de 2% ao ano, é preciso que tenhamos políticas públicas que sincronizem a produção com esse aumento do consumo para dar segurança ao cafeicultor na sua atividade. Embrapa Café – O mercado consumidor mais exigente valoriza bastante os cafés certificados. Assim, quais as certificações de café que já foram adotadas pela Cooperativa? Lara – A Cooparaíso trabalha com várias certificações, mais especificamente destacamos o Certifica Minas e o 4C (Código Comum da Comunidade Cafeeira). A certificação é um caminho sem volta, pois cada vez mais tem sido exigido a produção de cafés com qualidade, que sejam sustentáveis e seguros do ponto de vista alimentar e ecologicamente corretos, além de outros atributos positivos exigidos pelas certificadoras. Nesse sentido, o cafeicultor está fazendo a sua parte nas questões social e ambiental. Vale também lembrar a parte econômica, já que o cafeicultor precisa de lucro para manter sua atividade. Assim, para desenvolver a cafeicultura de forma sustentável, é necessário considerar três vertentes: social, ambiental e econômica. Embrapa Café – A Cooparaíso tem algum plano de renovação dos cafezais mais antigos no Sul de Minas para tornar a atividade cada vez mais moderna na região em termos de gestão, produtividade e qualidade? Lara – A Cooparaíso, desde a década de 90, especificamente em 1993, começou um programa de renovação de lavouras. Os dirigentes, à época, tiveram coragem e tomaram decisões muito firmes de renovação dos cafezais, o que ampliou muito as áreas de café na região. Foram feitos convênios com prefeituras introduzindo tecnologias e mudas de qualidade, técnicas de manejo, colheita e pós- colheita e beneficiamento, o que melhorou muito o perfil da cafeicultura na região. Adensou as lavouras, melhorou a produção e a produtividade, tudo isso realizado em parceria com instituições de pesquisa. Hoje estamos apenas renovando algumas lavouras, introduzindo cultivares mais produtivas e tolerantes e/ou resistentes a pragas e doenças, mas não ampliando as áreas plantadas. Percebemos, na região, que não aumentou a área de cultivo e que alguns produtores também estão renovando as lavouras, preparando-as para a colheita mecanizada, num trabalho constante. Embrapa Café – Quais as principais demandas de tecnologias para a produção de café na região de influência da Cooparaíso? Lara – No rol de demandas de tecnologias, podemos destacar que a prioridade é a diminuição ou mesmo a eliminação do custo da mão de obra, que está muito cara. O valor da mão de obra se torna alto em função dos preços médios do café recebidos pelo produtor. Com um valor remuneratório maior pela saca de café, é possível o produtor pagar mais ao trabalhador rural. O que sobra atualmente para o produtor depois de arcar com todos os custos da lavoura é muito pouco. Daí a necessidade de mecanizar o máximo possível para tentar reduzir os custos com a mão de obra. Assim, as demandas de tecnologias, hoje, têm bastante foco na mecanização do processo produtivo e ainda na busca constante pela diminuição do custo de produção como um todo, para que, ao final do processo, o cafeicultor tenha a sua justa remuneração. Embrapa Café – Estamos em um momento de escassez de água. Que tecnologias desenvolvidas têm permitido economia de água e de outros insumos na produção de café?
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    Conselho Nacional doCafé – CNC SCN Quadra 01, Bl. “C”, Ed. Brasília Trade Center, 11º andar, sala 1.101 - CEP 70711-902 – Brasília (DF) Assessoria de Comunicação: (61) 3226-2269 / 8114-6632 E-mail: imprensa@cncafe.com.br / www.twitter.com/pauloandreck Lara – Podemos destacar, como exemplo, a tecnologia do manejo do mato em cafezais, desenvolvida por instituições do Consórcio Pesquisa Café e empregada por cafeicultores da nossa região, que permite otimizar a irrigação por meio da conservação do solo e da água com a utilização de pouca energia. O custo da energia, do óleo diesel, somado ao aumento do dólar e dos fertilizantes e insumos que acompanham o dólar, oneram bastante a produção. E, como o preço do café não acompanha a elevação desses custos, essas tecnologias são importantes por permitirem a diminuição dos custos de produção, principalmente nos momentos de estiagem e de restrição hídrica. Embrapa Café – Com relação ao mercado de café da região, poderia fazer um balanço do ano de 2014 e perspectivas para 2015? Quais as dificuldades enfrentadas pelos cafeicultores da região? Lara – Quanto ao mercado de café na região, na visão da produção, nós vimos que, em 2013, o produtor teve uma safra boa. No entanto, até final de 2013, vendeu-se a produção por um preço médio de R$ 260,00 a saca. Quando o preço subiu com a seca, em 2014, em torno de 70% da produção do cafeicultor já estava vendida. Então ele a vendeu com preço baixo em 2013. Em 2014, tivemos a seca, e a produção e a produtividade caíram muito. E ainda houve o agravante maior de a renda no campo não ter sido alta. No momento de beneficiar o produto, vimos que gastávamos, principalmente em lavouras novas, quase mil litros (quando a média é de aproximadamente 600 litros) para se fazer uma saca de café. Dessa forma, o produtor teve a despesa, mas não teve o produto. Além disso, o café colhido era de peneira baixa (grãos menores), mas com boa qualidade. Isso trouxe dificuldades no momento da classificação do produto. Em 2015, a safra voltará a ser pequena, em função da seca de 2014. Estamos com a previsão da Fundação Procafé de 43 milhões de sacas e isso é pouco para um País que exporta mais de 30 milhões e consome 20 milhões de sacas. O produtor continua descapitalizado, porque vendeu a safra 2013 barata, em, 2014, a safra foi pequena, o que deverá se repetir em 2015. A descapitalização do produtor de café é uma realidade incontestável. Embrapa Café – Gostaria de fazer comentários adicionais e/ou acrescentar mais informações que não foram ditas nas perguntas e respostas anteriores? Lara – Com relação ao Consórcio Pesquisa Café, coordenado Embrapa Café, nós vemos com muito orgulho, uma vez que o desempenho do produto no Brasil e no mundo passa incontestavelmente por esse esforço institucional que permitiu aumento de produção, produtividade e qualidade. Saímos, por exemplo, de uma produtividade, em 1997, quando o Consórcio foi criado, de 8 sacas por hectare para, em 2014, uma produtividade de 23,29 sc/ha. Isso é resultado da conjugação dos trabalhos das instituições envolvidas com a pesquisa, extensão e ensino, além das cooperativas, que organizam os cafeicultores e transferem mais rapidamente os avanços das tecnologias. O que defendemos é que haja, cada vez mais, comunicação entre a comunidade científica, extensionistas e técnicos das cooperativas, para que os pesquisadores tenham conhecimento das demandas reais do campo. Esse intercâmbio é muito importante e muito valioso, porque dá segurança ao pesquisador para trabalhar com as demandas do cafeicultor identificadas na base da produção, que é o campo. Fairtrade Brasil é lançada em busca de independência no mercado CaféPoint 27/03/2015 O maior e mais reconhecido sistema de comércio justo no mundo, o Faitrade, acaba de ser lançado no Brasil. Presente em cerca de 30 países - reunidos pela Fairtrade International-, o movimento garante que pequenos produtores de países em desenvolvimento recebam um preço justo e sustentável pelos produtos que oferecem. Como alternativa ao modelo convencional de negócios, produtores certificados pelo
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    Conselho Nacional doCafé – CNC SCN Quadra 01, Bl. “C”, Ed. Brasília Trade Center, 11º andar, sala 1.101 - CEP 70711-902 – Brasília (DF) Assessoria de Comunicação: (61) 3226-2269 / 8114-6632 E-mail: imprensa@cncafe.com.br / www.twitter.com/pauloandreck Faitrade não estão sujeitos às flutuações dos mercados de commodities, já que o preço mínimo da sua mercadoria é preestabelecido em todo mundo. Benefício também oferecido pelo Fairtrade é o pagamento do "premium", montante extra que deve, obrigatoriamente, ser investido no desenvolvimento social e econômico das cooperativas e suas comunidades. Hoje, já são 1,5 milhão de produtores certificados em cerca de 120 países, somando no ano de 2013, mais de R$3 bilhões de reais em vendas. Com o pagamento do premium, mais de R$300 milhões de reais também foram investidos em projetos sociais no último ano. De acordo com o Fairtrade International, a formalização do Fairtrade Brasil tem como objetivo divulgar aos consumidores os benefícios de alimentos feitos de maneira ética e sustentável. Conheça mais sobre o trabalho que já é desenvolvido no país com a coluna Fairtrade, de Ulisses Ferreira. “Hoje, no Brasil, contamos com cerca de quarenta cooperativas e mais de 7 mil produtores certificados pela organização Fairtrade. São produtores de café, laranja, mel espalhados por diversos estados. Estes produtos, no entanto, são, em sua maior parte, utilizados para exportação. O lançamento do Fairtrade Brasil reduzirá a dependência do mercado internacional, tendo os mercados brasileiro e sul americano como alternativa para venda de seus produtos, e evitando barreiras linguísticas e variações cambiais”, explica Naji Harb, presidente do Fairtrade Brasil. Incentivando a prática Fairtrade há mais de 10 anos, empresas como a norte-americana do mercado de sorvetes Ben & Jerry’s foram pioneiras na utilização de ingredientes sustentáveis em seus produtos. Presente em mais de 30 países e recém chegada ao Brasil, passou a comercializar todos os seus sabores com ingredientes Fairtrade em 2014. Entre os produtos Fairtrade da marca estão as bananas do sorvete Chunky Monkey, que são fornecidas pela El Guabo, cooperativa de cerca de 300 produtores rurais localizada no Equador, onde o dinheiro extra pago por Ben & Jerry’s permitiu à comunidade carente investir em educação básica para as crianças e infraestrutura. Vietnã: exportação de café deve cair 40,7% no primeiro trimestre de 2015 Agência Estado 27/03/2015 As exportações de café pelo Vietnã devem cair 40,7% no primeiro trimestre de 2015, na comparação com igual intervalo do ano passado, de acordo com o departamento de estatísticas do país. Os embarques devem alcançar 354 mil toneladas no período, segundo as estimativa divulgada hoje. Considerando apenas o mês de março, as exportações devem somar 130 mil toneladas, um incremento de 41,3% ante fevereiro. O Vietnã é o segundo maior produtor mundial de café, atrás apenas do Brasil. Considerando-se a variedade robusta, o país asiático lidera a produção global. Fonte: Dow Jones Newswires.
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    Conselho Nacional doCafé – CNC SCN Quadra 01, Bl. “C”, Ed. Brasília Trade Center, 11º andar, sala 1.101 - CEP 70711-902 – Brasília (DF) Assessoria de Comunicação: (61) 3226-2269 / 8114-6632 E-mail: imprensa@cncafe.com.br / www.twitter.com/pauloandreck Produção peruana de café deve crescer 10% em 2015 CaféPoint 27/03/2015 Reportagem: http://www.rpp.com.pe / Tradução: Juliana Santin A produção peruana de café se recuperará em 2015 e registrará um crescimento de 10% com relação ao ano passado, estimou o Departamento de Estudos Econômicos do Scotiabank. Esse aumento deve ocorrer após a produção ter queda pelo terceiro ano consecutivo em 2014, para 209 mil toneladas, 18% a menos que em 2013, afetada pela ferrugem amarela e pela falta de renovação das plantações antigas. “Entre 2013 e 2014, foram renovados 35 mil hectares de café pelas variedades resistentes à ferrugem, de forma que entre 2015 e 2016, haveria uma recuperação na produção”. O aumento estimado na produção cafeeira compensaria parcialmente uma queda esperada dos preços, em um contexto de excesso de oferta a nível mundial. “As exportações de café subiriam para US$ 640 milhões, aproximadamente, em 2015, 13% menor com relação a 2014”. No entanto, o relatório afirma que é necessário que nos próximos anos se sigam renovando as plantações de café pelas variedades de maior resistência para reduzir a exposição à ferrugem amarela e aumentar o rendimento dos cafezais. Segundo informações da Junta Nacional de Café, aproximadamente 65% das plantações de café, uns 260 mil hectares, têm mais de 20 anos de idade, o que os torna susceptíveis à ferrugem amarela e outras doenças. As regiões da selva norte seriam as de maior recuperação em 2015, projeta Scotiabank. De fato, em 2014, a produção do Amazonas aumentou em 4% e a de San Martin caiu somente 2%, depois de ter caído 30% em 2013. Isso devido a um melhor manejo integrado de cultivo e às renovações das plantações durante os últimos anos que vem reduzindo sua exposição às pragas. “Nas regiões da selva central e no sul também haveria certa recuperação, ainda que em alguns casos, as plantações de café afetadas pela ferrugem tenham sido substituídas por outros tipos de cultivos, limitando a recuperação da produção em curto prazo”. O Scotiabank disse que é provável que em 2016 a produção nacional de café continue se recuperando à medida que continuam se renovando as plantações antigas de cafezais e os rendimentos comecem a aumentar.