Piracicaba, 16 de outubro de 2013.

Bom dimensionamento do silo reduz perdas de matéria seca
Por Gressa Amanda Chinelato e Jacqueline Betim Barbieri, graduandas em Eng. Agronômica, Cepea/Esalq-USP
Um estudo publicado em 2009 pelo professor Brian J. Holmes, da Universidade de Wisconsin-Madison (Estados Unidos), recomenda
dimensionamentos para construção de um silo, visando ter maior aproveitamento da matéria seca. Segundo Holmes, que elaborou uma planilha
pra auxiliar produtores, a construção do silo vai depender do tamanho do rebanho que, por sua vez, influenciará na taxa de remoção de matéria
seca. Com base na planilha de Holmes, o Cepea analisou o dimensionamento em duas importantes regiões produtoras de leite e utilizou
informações levantadas em painéis realizados em 2012.
As simulações foram realizadas nos municípios de Castro (PR), onde a produção é mais tecnificada, e em Uberlândia (MG), utilizando como
fonte o rebanho das propriedades típicas definidas com base em dados levantados em painéis. A forrageira utilizada nas duas fazendas foi o
milho, considerando-se 32% de teor de matéria seca.
Em Castro, segundo dados dos painéis, a propriedade típica trabalha com dois silos de 2 metros de altura, 50 metros de comprimento e 10
metros de largura que são preenchidos duas vezes ao ano (silagem safra e safrinha). Nessa propriedade, a necessidade nutricional diária do
rebanho é de 2.100 kg de matéria seca. Dessa forma é necessário uma taxa de remoção de 50 cm/dia, considerando uma densidade de 650 kg de
matéria verde/m³, o que do ponto de vista técnico torna estes silos bem dimensionados e com uma perda de matéria seca de 17%.
Já em Uberlândia, dados de painel mostram que a necessidade nutricional diária do rebanho é de 810 kg de matéria seca. Considerando-se uma
taxa de remoção diária de 30 cm, para minimizar as perdas de matéria seca, o ideal seria a construção de um único silo de 2 metros de altura, 8
metros de largura e 50 metros de comprimento. Assim, num período de estocagem de 152 dias, a perda de matéria seca seria de 18,6%.
Neste período, boa parte dos produtores já começou a compra dos materiais necessários para a produção da silagem para o próximo ano. A
qualidade da silagem está diretamente atrelada ao correto dimensionamento do silo trincheira, que, por sua vez, leva em consideração as
dimensões mínimas, a taxa de remoção diária e a densidade da silagem.
As dimensões mínimas do silo estão relacionadas à mecanização utilizada durante o processo de ensilagem, ou seja, o silo deve ter espaço o
suficiente para que os vagões de tratores tenham espaço para descarregar e a máquina também consiga compactar a massa de forragem. Após o
processo de ensilagem, outra variável a ser considerada é a altura do silo, que deve ser conveniente ao método de remoção do alimento.

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Piracicaba, 16 de outubro de 2013.

Silos corretamente dimensionados e que apresentam altas taxas de retiradas de forragem (maiores que 30 cm por dia) apresentam perdas
reduzidas de matéria-seca, pois o painel do silo fica exposto ao ar por um período reduzido de tempo. Além disso, deve-se manter o painel do
silo uniforme para diminir ainda mais as perdas de matéria seca.
A redução de perdas de matéria seca, como resultado de um dimensionamento adequado do silo, só é possível se todas as etapas seguintes da
ensilagem forem realizadas de forma eficaz. Deve ser respeitado o tamanho da partícula da forragem e a compactação correta do silo, que,
juntas, levam a uma boa densidade da silagem de milho. Além disso, uma vedação adequada faz com que a fermentação seja eficiente,
reduzindo perdas de carboidratos solúveis e também de matéria seca. Portanto, é necessário o planejamento estratégico para a construção de
silos trincheiras, evitando perdas principalmente do âmbito financeiro.
Custo estável e alta do leite ajudam produtor a recuperar prejuízos do passado
Os custos de produção do pecuarista leiteiro se mantiveram praticamente estáveis em agosto/13 frente ao mês anterior. Na “média Brasil” (que
considera os estados da BA, GO, MG, SP, PR, SC e RS), houve ligeira baixa de 0,17% do Custo Operacional Efetivo (COE) e de 0,15% do
Custo Operacional Total (COT). Este movimento, por sinal, tem sido uma constante ao longo de 2013. Entre janeiro e agosto, o COE acumula
ligeira queda de 0,27% e o COT, de 0,08%. Por outro lado, o preço do leite pago ao produtor aumentou expressivos 22,7% no acumulado de
2013, fazendo com que o pecuarista recuperasse, em parte, os prejuízos do ano passado.
Quanto aos sete estados acompanhados pelo Cepea, e que fazem parte da “média Brasil”, os movimentos nos custos foram distintos, mas, no
geral, estáveis em agosto. Em Goiás e em Minas Gerais, os custos (COE) subiram levemente, 0,92% e 0,17%, respectivamente – em Goiás, o
avanço foi impulsionado principalmente pela valorização de 3% do concentrado. Já em Minas Gerais, o aumento do COE foi de 0,17%, devido
ao aumento dos gastos com fertilizantes para a formação de silagem (0,5%) e com a manutenção de pasto (1,2%). Em relação a agosto/12, o
COE e o COT em Goiás registram aumentos de 2% e de 1,7%, respectivamente. Já em Minas Gerais, as elevações de agosto/12 para agosto/13
são de 3,8% para o COE e de 3,7% para o COT.

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Na Bahia, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, o movimento também foi de estabilidade, com apenas leves reduções nos
custos. Em São Paulo e em Santa Catarina, o COE diminuiu 1,12% e 1,03%, respectivamente, e o COT, 1,04% e 0,85%. Este movimento esteve
ligado à diminuição dos preços relacionados à alimentação do rebanho, principalmente da suplementação mineral (9,4% em SP e 8% em SC) e
do concentrado (1,6% em SP e 2% em SC). Em relação ao ano passado, o COE apresenta aumento de 2,8% em São Paulo, porém, recuo de
4,2% em Santa Catarina. Já o COT registra alta de 2,5% em São Paulo, mas queda de 3,5% em Santa Catarina.

Na Bahia, Paraná e Rio Grande do Sul, de julho para agosto, as quedas do COE foram de 0,08%, de 0,17% e de 0,43%, respectivamente. O
COT, por sua vez, teve queda de 0,25% na Bahia, de 0,14% no Paraná e de 0,37% no Rio Grande do Sul. De uma forma geral, não houve um
comportamento padrão nos preços dos insumos nestas regiões. Em relação a agosto/12, no Paraná, o COE registra alta de 0,7% e o COT, de
1,1%. No Rio Grande do Sul, o aumento é de 2,6% para o COE e de 2,5% para o COT.

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Figura 1. Variação mensal do COE e COT nos estados da BA, GO, MG, SP, PR, SC, RS e “média Brasil”.
-1,04%
-1,12%
-0,85%
-1,03%

SP
SC
-0,37%
-0,43%

RS

-0,14%
-0,16% PR
-0,25%
BA
-0,08%
0,17%
0,17%

MG

0,72%

GO
-0,15%
-0,17%
-1,50%

-1,00%

-0,50%

0,92%

Brasil
0,00%
COT

0,50%

1,00%

1,50%

COE

Fonte: Cepea/CNA.

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Preço do leite sustenta rentabilidade do produtor
Por Renato Prodoximo, graduando em Eng. Agronômica, ESALQ/USP; equipe Leite Cepea
A valorização do dólar frente ao Real nos últimos meses tem impulsionado as cotações de alguns insumos da pecuária leiteira, influenciando o
custo de produção da atividade. Por outro lado, o valor do leite pago ao produtor em agosto seguiu em alta nas regiões pesquisadas pelo Cepea,
aumentando o poder de compra do produtor sobre grande parte dos insumos, como a ração concentrada de 22% de PB (proteína bruta), a ureia
agrícola e o glifosato.
Os principais itens que compõem a ração concentrada na dieta das vacas leiteiras são o milho e o farelo de soja. O preço do milho tem caído em
todas as regiões acompanhadas pela equipe de grãos do Cepea, pressionado pela oferta recorde, por problemas logísticos e de qualidade, que,
por sua vez, foram se intensificando no correr da colheita. Já quanto ao farelo, o preço subiu em agosto estimulado pela valorização do dólar,
pela entressafra e por dados do USDA indicando aumento no esmagamento mundial da soja e aumento das exportações brasileiras. Segundo
pesquisas da equipe de grãos do Cepea, a demanda pelo produto segue ativa tanto no Brasil quanto no mundo. No mercado interno, destaca-se a
procura por parte do segmento pecuário. Além do bom momento vivido pelos setores de aves e suínos, muitos confinamentos de boi têm
demandado o farelo de soja.
Quanto às compras de fertilizantes utilizados para formação e manutenção de pastagens e canavial e para produção de silagem, normalmente,
são realizadas entre maio e setembro, devido ao início do período de chuvas em meados de outubro na maior parte do Brasil. Segundo
informações da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), o volume de fertilizante entregue ao consumidor final teve aumento de
5,5% no acumulado de janeiro a julho deste ano frente ao mesmo período do ano passado. Nesse cenário, o preço da ureia subiu na maioria das
regiões acompanhadas pelo Cepea.
O glifosato também apresentou reajustes de preços em agosto. O fechamento de várias fábricas de glifosato na China – que retém 85% das
exportações da matéria-prima – por questões ambientais foi sendo confirmado ao longo do primeiro semestre, o que reduziu consideravelmente
a oferta do produto para exportação. Além disso, a alta do dólar e a maior demanda pelo produto em relação à safra anterior também vêm
refletindo no aumento dos preços desse insumo.

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Quanto à receita do produtor, o leite, as cotações têm registrado altas quase que consecutivas desde o início deste ano em todas as regiões
acompanhadas pelo Cepea. De agosto/12 para agosto/13, os aumentos nos valores ultrapassam os 20% em todas as praças. Nesse contexto, o
poder de compra de produtores frente à ração, à ureia e ao glifosato aumentou na maioria dos estados acompanhados pelo Cepea.
Para a ração concentrada, no Paraná, para adquirir um quilo do insumo, em agosto/13, o produtor precisava de 0,9 litro de leite e, em julho, era
necessário 0,95 litro para a mesma troca, aumento de 5,7% no poder de compra. No Rio Grande do Sul, foi necessário 1,1 litro em agosto contra
1,11 em julho. O menor aumento no poder de compra, de 1,6%, foi verificado em São Paulo e em Goiás, onde foi necessário 1,03 litro e 0,76
litro de leite, respectivamente. Em relação a agosto/12, a média nas regiões pesquisadas aponta alta de 50,8% no poder de compra.
Em relação ao glifosato, altas na relação de troca de leite por um litro do insumo foram constatadas somente nos estados de Santa Catarina e de
Goiás. Assim, de julho para agosto, o poder de compra do produtor catarinense frente ao insumo diminuiu 26,3% e do goiano, 7,5%, precisando
de 15,2 litros e de 7,5 litros, respectivamente, para comprar um litro de glifosato. As demais regiões sinalizaram aumento no poder de compra
entre 0,9% no Rio Grande do Sul e 6,7% no Paraná.
Já a ureia, apesar da alta nos preços, a relação de troca de uma tonelada do fertilizante por um litro leite em agosto caiu frente ao mês anterior e
também em relação ao mesmo período de 2012. Em Santa Catarina, a melhora no poder de compra foi 11,5% em relação a julho – em agosto, o
produtor precisou de 1.270,9 litros de leite para comprar uma tonelada do fertilizante nitrogenado. Em relação a agosto/12, a maior queda na
relação de troca foi verificada no Rio Grande do Sul, com aumento de 28,8% no poder de compra.

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Tabela 1. Litro(s) de leite necessário(s) para a compra de ração (22% PB - proteína bruta), glifosato e ureia.
SUL
PR
Insumos
Ração 22% PB
Glifosato
Uréia

Poder de Compra
mês
ano

jul/13
kg
l
ton

ago/13

ago/12

0,95

0,90

1,61

5,7%

12,29

11,52

10,45

6,7%

-9,2%

0,1%

25,0%

1272,14 1270,61 1588,07

78,6%

RS

Poder de Compra
ago/12
mês
ano

jul/13

ago/13

1,11

1,05

1,50

12,64

12,52

10,29

1310,84 1312,91 1690,64

5,7%

42,8%

0,9%

-17,8%

-0,2%

28,8%

SC
ago/13

ago/12

0,89

0,86

1,24

3,3%

43,9%

11,17

15,17

10,15

-26,3%

-33,1%

11,5%

23,9%

1416,64 1270,88 1575,04

SUDESTE
MG
Insumos
Ração 22% PB
Glifosato
Uréia

CENTRO-OESTE
SP

Poder de Compra

GO

Poder de Compra

Poder de Compra

jul/13
kg
l
ton

ago/13

ago/12

mês

ano

jul/13

ago/13

ago/12

mês

ano

jul/13

ago/13

ago/12

1,02

1,00

1,33

2,5%

33,4%

1,05

1,03

1,47

1,6%

42,5%

0,77

0,76

-

-

-

1136,98 1117,58 1161,21

-

-

1,7%

3,9%

-

Poder de Compra
mês
ano

jul/13

-

-

1215,08 1190,01 1459,03

mês

ano

1,11

1,6%

46%
47%
-

-

-

9,33

10,08

14,83

-7,5%

2,1%

22,6%

-

-

-

-

Fonte: Cepea/CNA

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Estados

agosto-13

Bahia
Goiás
Minas Gerais
Paraná
Rio Grande do Sul
Santa Catarina
São Paulo
Brasil4

-0,08%
0,92%
0,17%
-0,16%
-0,43%
-1,03%
-1,12%
-0,17%

VARIAÇÃO MENSAL E ACUMULADA DOS CUSTOS DE PRODUÇÃO DE LEITE EM AGOSTO
COE1
COT2
Preço bruto do Leite3 (R$/litro)
Acumulado
Acumulado
Acumulado
Ponderações
Acumulado
Acumulado
Acumulado
nos últimos agosto-13
nos últimos agosto-13
nos últimos
no ano
no ano
no ano
12 meses
12 meses
12 meses
3,84%
3,84%
-0,25%
1,46%
1,46%
2,07%
21,08%
21,08%
4,68%
0,29%
17,61%
0,72%
0,25%
13,98%
1,93%
19,69%
31,01%
13,8%
3,02%
15,31%
0,17%
3,03%
13,00%
4,24%
24,20%
33,15%
34,7%
0,51%
18,97%
-0,14%
0,94%
17,61%
3,98%
18,54%
26,69%
15,1%
1,01%
12,57%
-0,37%
1,12%
10,97%
4,22%
21,82%
21,65%
15,4%
-3,77%
4,37%
-0,85%
-3,10%
3,44%
3,35%
22,40%
28,08%
10,0%
1,42%
11,80%
-1,04%
1,11%
9,29%
1,79%
18,39%
26,30%
6,3%
0,39%
15,29%
-0,15%
0,64%
13,41%
3,74%
20,21%
27,21%
-

1

Custo Operacional Efetivo; 2Custo Operacional Total; 3Inclui frete e impostos; 4Média ponderada dos estados da BA, GO, MG, PR, RS, SC e SP.

Fonte: Cepea/USP-CNA

IGP-M
IPCA

VARIAÇÃO DOS PRINCIPAIS INDICADORES ECONÔMICOS
agosto-13
Acumulado no ano
Acumulado (últimos 12 meses)
0,15%
2,16%
3,85%
0,24%
3,43%
6,09%

Fonte: FGV; IBGE; Elaborado pelo Cepea.

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Piracicaba, 25 de setembro de 2013.

VARIAÇÕES DOS ITENS QUE COMPÕEM O CUSTO OPERACIONAL EFETIVO (COE) DA PECUÁRIA DE LEITE
Média Ponderada para BA, GO, MG, PR, RS, SC e SP*
% em relação à
Variação no mês
renda do leite
Concentrado
Mão-de-obra contratada para manejo do rebanho
Silagem
Gastos administrativos, impostos e taxas
Medicamentos
Forrageiras anuais
Energia e combustível
Suplementação Mineral
Manutenção - Benfeitorias
Material de ordenha
Manutenção - Máquinas/implementos
Assistência técnica
Manutenção - Forrageiras perenes
Inseminação Artificial
Transporte do leite
Outros

agosto-13
30,97%
11,11%
9,90%
3,21%
2,82%
2,71%
2,37%
2,29%
1,82%
1,81%
1,18%
1,18%
0,90%
0,89%
0,49%
0,00%

agosto-13
-0,50%
0,00%
0,32%
0,00%
-0,31%
1,59%
-0,14%
-2,74%
0,00%
1,46%
0,00%
0,00%
0,46%
-0,08%
0,00%
0,00%

*A produção de leite dos 7 estados da pesquisa representa 79% do total produzido no Brasil (PPM-IBGE, 2011). O cálculo é baseado nos painéis
de custo de leite e ponderado pela produção dos estados (IBGE), de modo que encontram-se na amostra sistemas de produção distintos em
relação aos resultados técnico-econômicos, que refletem a realidade dos produtores naquele momento.
Fonte: Cepea/USP-CNA

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Custo estável e alta do leite ajudam produtor a recuperar prejuízos

  • 1.
    Piracicaba, 16 deoutubro de 2013. Bom dimensionamento do silo reduz perdas de matéria seca Por Gressa Amanda Chinelato e Jacqueline Betim Barbieri, graduandas em Eng. Agronômica, Cepea/Esalq-USP Um estudo publicado em 2009 pelo professor Brian J. Holmes, da Universidade de Wisconsin-Madison (Estados Unidos), recomenda dimensionamentos para construção de um silo, visando ter maior aproveitamento da matéria seca. Segundo Holmes, que elaborou uma planilha pra auxiliar produtores, a construção do silo vai depender do tamanho do rebanho que, por sua vez, influenciará na taxa de remoção de matéria seca. Com base na planilha de Holmes, o Cepea analisou o dimensionamento em duas importantes regiões produtoras de leite e utilizou informações levantadas em painéis realizados em 2012. As simulações foram realizadas nos municípios de Castro (PR), onde a produção é mais tecnificada, e em Uberlândia (MG), utilizando como fonte o rebanho das propriedades típicas definidas com base em dados levantados em painéis. A forrageira utilizada nas duas fazendas foi o milho, considerando-se 32% de teor de matéria seca. Em Castro, segundo dados dos painéis, a propriedade típica trabalha com dois silos de 2 metros de altura, 50 metros de comprimento e 10 metros de largura que são preenchidos duas vezes ao ano (silagem safra e safrinha). Nessa propriedade, a necessidade nutricional diária do rebanho é de 2.100 kg de matéria seca. Dessa forma é necessário uma taxa de remoção de 50 cm/dia, considerando uma densidade de 650 kg de matéria verde/m³, o que do ponto de vista técnico torna estes silos bem dimensionados e com uma perda de matéria seca de 17%. Já em Uberlândia, dados de painel mostram que a necessidade nutricional diária do rebanho é de 810 kg de matéria seca. Considerando-se uma taxa de remoção diária de 30 cm, para minimizar as perdas de matéria seca, o ideal seria a construção de um único silo de 2 metros de altura, 8 metros de largura e 50 metros de comprimento. Assim, num período de estocagem de 152 dias, a perda de matéria seca seria de 18,6%. Neste período, boa parte dos produtores já começou a compra dos materiais necessários para a produção da silagem para o próximo ano. A qualidade da silagem está diretamente atrelada ao correto dimensionamento do silo trincheira, que, por sua vez, leva em consideração as dimensões mínimas, a taxa de remoção diária e a densidade da silagem. As dimensões mínimas do silo estão relacionadas à mecanização utilizada durante o processo de ensilagem, ou seja, o silo deve ter espaço o suficiente para que os vagões de tratores tenham espaço para descarregar e a máquina também consiga compactar a massa de forragem. Após o processo de ensilagem, outra variável a ser considerada é a altura do silo, que deve ser conveniente ao método de remoção do alimento. www.cepea.esalq.usp.br • cepea@usp.br • 19 3429-8837 • PIRACICABA - SP
  • 2.
    Piracicaba, 16 deoutubro de 2013. Silos corretamente dimensionados e que apresentam altas taxas de retiradas de forragem (maiores que 30 cm por dia) apresentam perdas reduzidas de matéria-seca, pois o painel do silo fica exposto ao ar por um período reduzido de tempo. Além disso, deve-se manter o painel do silo uniforme para diminir ainda mais as perdas de matéria seca. A redução de perdas de matéria seca, como resultado de um dimensionamento adequado do silo, só é possível se todas as etapas seguintes da ensilagem forem realizadas de forma eficaz. Deve ser respeitado o tamanho da partícula da forragem e a compactação correta do silo, que, juntas, levam a uma boa densidade da silagem de milho. Além disso, uma vedação adequada faz com que a fermentação seja eficiente, reduzindo perdas de carboidratos solúveis e também de matéria seca. Portanto, é necessário o planejamento estratégico para a construção de silos trincheiras, evitando perdas principalmente do âmbito financeiro. Custo estável e alta do leite ajudam produtor a recuperar prejuízos do passado Os custos de produção do pecuarista leiteiro se mantiveram praticamente estáveis em agosto/13 frente ao mês anterior. Na “média Brasil” (que considera os estados da BA, GO, MG, SP, PR, SC e RS), houve ligeira baixa de 0,17% do Custo Operacional Efetivo (COE) e de 0,15% do Custo Operacional Total (COT). Este movimento, por sinal, tem sido uma constante ao longo de 2013. Entre janeiro e agosto, o COE acumula ligeira queda de 0,27% e o COT, de 0,08%. Por outro lado, o preço do leite pago ao produtor aumentou expressivos 22,7% no acumulado de 2013, fazendo com que o pecuarista recuperasse, em parte, os prejuízos do ano passado. Quanto aos sete estados acompanhados pelo Cepea, e que fazem parte da “média Brasil”, os movimentos nos custos foram distintos, mas, no geral, estáveis em agosto. Em Goiás e em Minas Gerais, os custos (COE) subiram levemente, 0,92% e 0,17%, respectivamente – em Goiás, o avanço foi impulsionado principalmente pela valorização de 3% do concentrado. Já em Minas Gerais, o aumento do COE foi de 0,17%, devido ao aumento dos gastos com fertilizantes para a formação de silagem (0,5%) e com a manutenção de pasto (1,2%). Em relação a agosto/12, o COE e o COT em Goiás registram aumentos de 2% e de 1,7%, respectivamente. Já em Minas Gerais, as elevações de agosto/12 para agosto/13 são de 3,8% para o COE e de 3,7% para o COT. www.cepea.esalq.usp.br • cepea@usp.br • 19 3429-8837 • PIRACICABA - SP
  • 3.
    Piracicaba, 16 deoutubro de 2013. Na Bahia, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, o movimento também foi de estabilidade, com apenas leves reduções nos custos. Em São Paulo e em Santa Catarina, o COE diminuiu 1,12% e 1,03%, respectivamente, e o COT, 1,04% e 0,85%. Este movimento esteve ligado à diminuição dos preços relacionados à alimentação do rebanho, principalmente da suplementação mineral (9,4% em SP e 8% em SC) e do concentrado (1,6% em SP e 2% em SC). Em relação ao ano passado, o COE apresenta aumento de 2,8% em São Paulo, porém, recuo de 4,2% em Santa Catarina. Já o COT registra alta de 2,5% em São Paulo, mas queda de 3,5% em Santa Catarina. Na Bahia, Paraná e Rio Grande do Sul, de julho para agosto, as quedas do COE foram de 0,08%, de 0,17% e de 0,43%, respectivamente. O COT, por sua vez, teve queda de 0,25% na Bahia, de 0,14% no Paraná e de 0,37% no Rio Grande do Sul. De uma forma geral, não houve um comportamento padrão nos preços dos insumos nestas regiões. Em relação a agosto/12, no Paraná, o COE registra alta de 0,7% e o COT, de 1,1%. No Rio Grande do Sul, o aumento é de 2,6% para o COE e de 2,5% para o COT. www.cepea.esalq.usp.br • cepea@usp.br • 19 3429-8837 • PIRACICABA - SP
  • 4.
    Piracicaba, 16 deoutubro de 2013. Figura 1. Variação mensal do COE e COT nos estados da BA, GO, MG, SP, PR, SC, RS e “média Brasil”. -1,04% -1,12% -0,85% -1,03% SP SC -0,37% -0,43% RS -0,14% -0,16% PR -0,25% BA -0,08% 0,17% 0,17% MG 0,72% GO -0,15% -0,17% -1,50% -1,00% -0,50% 0,92% Brasil 0,00% COT 0,50% 1,00% 1,50% COE Fonte: Cepea/CNA. www.cepea.esalq.usp.br • cepea@usp.br • 19 3429-8837 • PIRACICABA - SP
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    Piracicaba, 16 deoutubro de 2013. Preço do leite sustenta rentabilidade do produtor Por Renato Prodoximo, graduando em Eng. Agronômica, ESALQ/USP; equipe Leite Cepea A valorização do dólar frente ao Real nos últimos meses tem impulsionado as cotações de alguns insumos da pecuária leiteira, influenciando o custo de produção da atividade. Por outro lado, o valor do leite pago ao produtor em agosto seguiu em alta nas regiões pesquisadas pelo Cepea, aumentando o poder de compra do produtor sobre grande parte dos insumos, como a ração concentrada de 22% de PB (proteína bruta), a ureia agrícola e o glifosato. Os principais itens que compõem a ração concentrada na dieta das vacas leiteiras são o milho e o farelo de soja. O preço do milho tem caído em todas as regiões acompanhadas pela equipe de grãos do Cepea, pressionado pela oferta recorde, por problemas logísticos e de qualidade, que, por sua vez, foram se intensificando no correr da colheita. Já quanto ao farelo, o preço subiu em agosto estimulado pela valorização do dólar, pela entressafra e por dados do USDA indicando aumento no esmagamento mundial da soja e aumento das exportações brasileiras. Segundo pesquisas da equipe de grãos do Cepea, a demanda pelo produto segue ativa tanto no Brasil quanto no mundo. No mercado interno, destaca-se a procura por parte do segmento pecuário. Além do bom momento vivido pelos setores de aves e suínos, muitos confinamentos de boi têm demandado o farelo de soja. Quanto às compras de fertilizantes utilizados para formação e manutenção de pastagens e canavial e para produção de silagem, normalmente, são realizadas entre maio e setembro, devido ao início do período de chuvas em meados de outubro na maior parte do Brasil. Segundo informações da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), o volume de fertilizante entregue ao consumidor final teve aumento de 5,5% no acumulado de janeiro a julho deste ano frente ao mesmo período do ano passado. Nesse cenário, o preço da ureia subiu na maioria das regiões acompanhadas pelo Cepea. O glifosato também apresentou reajustes de preços em agosto. O fechamento de várias fábricas de glifosato na China – que retém 85% das exportações da matéria-prima – por questões ambientais foi sendo confirmado ao longo do primeiro semestre, o que reduziu consideravelmente a oferta do produto para exportação. Além disso, a alta do dólar e a maior demanda pelo produto em relação à safra anterior também vêm refletindo no aumento dos preços desse insumo. www.cepea.esalq.usp.br • cepea@usp.br • 19 3429-8837 • PIRACICABA - SP
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    Piracicaba, 16 deoutubro de 2013. Quanto à receita do produtor, o leite, as cotações têm registrado altas quase que consecutivas desde o início deste ano em todas as regiões acompanhadas pelo Cepea. De agosto/12 para agosto/13, os aumentos nos valores ultrapassam os 20% em todas as praças. Nesse contexto, o poder de compra de produtores frente à ração, à ureia e ao glifosato aumentou na maioria dos estados acompanhados pelo Cepea. Para a ração concentrada, no Paraná, para adquirir um quilo do insumo, em agosto/13, o produtor precisava de 0,9 litro de leite e, em julho, era necessário 0,95 litro para a mesma troca, aumento de 5,7% no poder de compra. No Rio Grande do Sul, foi necessário 1,1 litro em agosto contra 1,11 em julho. O menor aumento no poder de compra, de 1,6%, foi verificado em São Paulo e em Goiás, onde foi necessário 1,03 litro e 0,76 litro de leite, respectivamente. Em relação a agosto/12, a média nas regiões pesquisadas aponta alta de 50,8% no poder de compra. Em relação ao glifosato, altas na relação de troca de leite por um litro do insumo foram constatadas somente nos estados de Santa Catarina e de Goiás. Assim, de julho para agosto, o poder de compra do produtor catarinense frente ao insumo diminuiu 26,3% e do goiano, 7,5%, precisando de 15,2 litros e de 7,5 litros, respectivamente, para comprar um litro de glifosato. As demais regiões sinalizaram aumento no poder de compra entre 0,9% no Rio Grande do Sul e 6,7% no Paraná. Já a ureia, apesar da alta nos preços, a relação de troca de uma tonelada do fertilizante por um litro leite em agosto caiu frente ao mês anterior e também em relação ao mesmo período de 2012. Em Santa Catarina, a melhora no poder de compra foi 11,5% em relação a julho – em agosto, o produtor precisou de 1.270,9 litros de leite para comprar uma tonelada do fertilizante nitrogenado. Em relação a agosto/12, a maior queda na relação de troca foi verificada no Rio Grande do Sul, com aumento de 28,8% no poder de compra. www.cepea.esalq.usp.br • cepea@usp.br • 19 3429-8837 • PIRACICABA - SP
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    Piracicaba, 16 deoutubro de 2013. Tabela 1. Litro(s) de leite necessário(s) para a compra de ração (22% PB - proteína bruta), glifosato e ureia. SUL PR Insumos Ração 22% PB Glifosato Uréia Poder de Compra mês ano jul/13 kg l ton ago/13 ago/12 0,95 0,90 1,61 5,7% 12,29 11,52 10,45 6,7% -9,2% 0,1% 25,0% 1272,14 1270,61 1588,07 78,6% RS Poder de Compra ago/12 mês ano jul/13 ago/13 1,11 1,05 1,50 12,64 12,52 10,29 1310,84 1312,91 1690,64 5,7% 42,8% 0,9% -17,8% -0,2% 28,8% SC ago/13 ago/12 0,89 0,86 1,24 3,3% 43,9% 11,17 15,17 10,15 -26,3% -33,1% 11,5% 23,9% 1416,64 1270,88 1575,04 SUDESTE MG Insumos Ração 22% PB Glifosato Uréia CENTRO-OESTE SP Poder de Compra GO Poder de Compra Poder de Compra jul/13 kg l ton ago/13 ago/12 mês ano jul/13 ago/13 ago/12 mês ano jul/13 ago/13 ago/12 1,02 1,00 1,33 2,5% 33,4% 1,05 1,03 1,47 1,6% 42,5% 0,77 0,76 - - - 1136,98 1117,58 1161,21 - - 1,7% 3,9% - Poder de Compra mês ano jul/13 - - 1215,08 1190,01 1459,03 mês ano 1,11 1,6% 46% 47% - - - 9,33 10,08 14,83 -7,5% 2,1% 22,6% - - - - Fonte: Cepea/CNA www.cepea.esalq.usp.br • cepea@usp.br • 19 3429-8837 • PIRACICABA - SP
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    Piracicaba, 16 deoutubro de 2013. Estados agosto-13 Bahia Goiás Minas Gerais Paraná Rio Grande do Sul Santa Catarina São Paulo Brasil4 -0,08% 0,92% 0,17% -0,16% -0,43% -1,03% -1,12% -0,17% VARIAÇÃO MENSAL E ACUMULADA DOS CUSTOS DE PRODUÇÃO DE LEITE EM AGOSTO COE1 COT2 Preço bruto do Leite3 (R$/litro) Acumulado Acumulado Acumulado Ponderações Acumulado Acumulado Acumulado nos últimos agosto-13 nos últimos agosto-13 nos últimos no ano no ano no ano 12 meses 12 meses 12 meses 3,84% 3,84% -0,25% 1,46% 1,46% 2,07% 21,08% 21,08% 4,68% 0,29% 17,61% 0,72% 0,25% 13,98% 1,93% 19,69% 31,01% 13,8% 3,02% 15,31% 0,17% 3,03% 13,00% 4,24% 24,20% 33,15% 34,7% 0,51% 18,97% -0,14% 0,94% 17,61% 3,98% 18,54% 26,69% 15,1% 1,01% 12,57% -0,37% 1,12% 10,97% 4,22% 21,82% 21,65% 15,4% -3,77% 4,37% -0,85% -3,10% 3,44% 3,35% 22,40% 28,08% 10,0% 1,42% 11,80% -1,04% 1,11% 9,29% 1,79% 18,39% 26,30% 6,3% 0,39% 15,29% -0,15% 0,64% 13,41% 3,74% 20,21% 27,21% - 1 Custo Operacional Efetivo; 2Custo Operacional Total; 3Inclui frete e impostos; 4Média ponderada dos estados da BA, GO, MG, PR, RS, SC e SP. Fonte: Cepea/USP-CNA IGP-M IPCA VARIAÇÃO DOS PRINCIPAIS INDICADORES ECONÔMICOS agosto-13 Acumulado no ano Acumulado (últimos 12 meses) 0,15% 2,16% 3,85% 0,24% 3,43% 6,09% Fonte: FGV; IBGE; Elaborado pelo Cepea. www.cepea.esalq.usp.br • cepea@usp.br • 19 3429-8837 • PIRACICABA - SP
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    Piracicaba, 25 desetembro de 2013. VARIAÇÕES DOS ITENS QUE COMPÕEM O CUSTO OPERACIONAL EFETIVO (COE) DA PECUÁRIA DE LEITE Média Ponderada para BA, GO, MG, PR, RS, SC e SP* % em relação à Variação no mês renda do leite Concentrado Mão-de-obra contratada para manejo do rebanho Silagem Gastos administrativos, impostos e taxas Medicamentos Forrageiras anuais Energia e combustível Suplementação Mineral Manutenção - Benfeitorias Material de ordenha Manutenção - Máquinas/implementos Assistência técnica Manutenção - Forrageiras perenes Inseminação Artificial Transporte do leite Outros agosto-13 30,97% 11,11% 9,90% 3,21% 2,82% 2,71% 2,37% 2,29% 1,82% 1,81% 1,18% 1,18% 0,90% 0,89% 0,49% 0,00% agosto-13 -0,50% 0,00% 0,32% 0,00% -0,31% 1,59% -0,14% -2,74% 0,00% 1,46% 0,00% 0,00% 0,46% -0,08% 0,00% 0,00% *A produção de leite dos 7 estados da pesquisa representa 79% do total produzido no Brasil (PPM-IBGE, 2011). O cálculo é baseado nos painéis de custo de leite e ponderado pela produção dos estados (IBGE), de modo que encontram-se na amostra sistemas de produção distintos em relação aos resultados técnico-econômicos, que refletem a realidade dos produtores naquele momento. Fonte: Cepea/USP-CNA www.cepea.esalq.usp.br • cepea@usp.br • 19 3429-8837 • PIRACICABA - SP