História da Igreja
Da fundação até a época
das perseguições
Século I
Pax Romana
Jesus nasce na época em que o Império
Romano, sob o reinado do imperador Augusto,
vivia décadas de paz. Depois de dois século de
expansão, chega então uma fase de
consolidação. Para isso, o Império precisava,
além de reformas administrativas e militares, de
valores ideais. Naquele momento uma nova
abertura à religiosidade, e outros cultos e
religiões caracterizava os Romanos, que sempre
atribuíram à benevolência dos deuses o bem
estar público.
Expectativas messiânicas
A Judéia se encontrava, desde 63 a.C., sob a dominação
romana. A administração continuava autônoma, mas sob
vigilância de procurador romano. O povo estimava a
liderança dos fariseus, com sua observância rigorosa da
Lei e a separação com relação aos incircuncisos. Menor
audiência tinham os saduceus, que reconheciam apenas a
Torá escrita, mas não seu desenvolvimento pela tradição
oral. Deste modo, havia a expectativa messiânica
misturada com as aspirações à liberdade política; e a
ligação entre instauração do Reino de Deus e pleno
cumprimento da Lei.
As primeiras comunidades
A palavra dos Apóstolos durante os acontecimentos
de Pentecostes, levou muitos judeus ao batismo e com
isso ao reconhecimento de Jesus como Messias.
Enquanto os dirigentes judeus continuam a tomar
distancia com relação aos cristãos, excluindo-os das
sinagogas e perseguindo-os, desenvolvem-se a
comunidade cristã independentes, unida por estreitos
vínculos entre si.
A Caminho de Roma
O caráter obrigatório da Lei judaica é, aos poucos,
abandonado. Tomava-se consciência de que a
salvação de Deus, libertação do pecado e da morte, é
oferecida na profissão de fé em Cristo. Também é
Paulo que concebe como seu dever pessoal a
universalidade da missão cristã e que inicia a
evangelização dos gentios. A passagem de Jerusalém
a Roma, da igreja judaica a igreja universal, começa
a sua caminhada.
Século II
O cristão no “mundo”
Em diferentes partes do Império, apesar de um imperador
piedoso e filósofo, chega-se a excessos contra os cristãos,
com a cumplicidade das autoridades. Uma explicação para
isso é de que os cristãos não eram muito amados: sua
ausência nas festas oficiais, que tinha sempre aspecto
cultual, as reuniões que eram proibidas aos não-cristãos, a
superioridade manifestada com relação aos deuses
paganismo, tudo isso devia levar à antipatia e as suspeitas.
Acrescente-se a recusa dos cristãos de honrar o gênio do
imperador, o que deveria ser entendido como hostilidade
com relação ao Estado.
O que fazer com eles?
Dessa maneira é facilmente compreensível que dirigentes
cristãos tenham dirigidos numerosas suplicas ao imperador,
para lhe expor sua fé e sua moral.
Também se pode compreender a resposta vacilante e ilógica
de Trajano a Plinio: os cristãos em caso de denuncia,
deviam ser punidos com a morte, mas apesar de tudo, não
se devia procurá-los sistematicamente. Do seu lado, os
cristãos não param de afirmar sua fidelidade ao imperador
e ao Estado, uma atitude que preparava a tolerância futura
e até mesmo a assunção, por parte do cristianismo, da
defesa do Estado.
Os Apologistas
Os cristãos dispõem desde já numero considerável de
personalidades cultas e de primeiro plano, que
utilizam meios literários e jurídico para proteger
contra as descriminações a minoria, à qual
pertencem. Este esforço para que a comunidade seja
mais bem aceita socialmente é acompanhado de
discussões Cientificas: Contra as especulações da
gnose, dentro da própria Igreja, assim como contra a
imagem do mundo e do homem, que os romanos
pagãos trazem.
Qual Deus?
A abertura à tradição intelectual dos gregos faz
emergir, perto do fim do século, as primeiras
dificuldades teológicas: como a divindade de cristo
pode ser conciliada coma unicidade de Deus? A
controvérsia sobre esse assunto se desenvolve
plenamente no século III.
Principais escritores: Inácio de Antioquia; Policarpo de
Esmirna; Justino; Irineu de Lion.
Século III
Luta pela sobrevivência
As razões do conflito entre o Estado e a Igreja neste
século são várias. A coesão do Império, fundada
sobre a unidade religiosa, parece mais necessária do
que nunca por causa da pressão dos inimigos sobre
as fronteiras do norte e do leste. A festa do milenário
da fundação de Roma atraía naturalmente a atenção
sobre a tradição romana, diante da qual o
cristianismo devia aparecer como traição.
A perseguição acentuada
As perseguições contra os cristãos, feita agora por
iniciativa do imperador, fracassaram: os cristãos são
numerosos demais, as provas contra eles são
insuficientes e, toda vez, o "acaso" impede a
execução eficaz das medidas tomadas. Entre os
cristãos, a necessidade de fazer sempre as contas
com a perseguição e a morte multiplica o número dos
fieis inabaláveis. Tortura e martírio não fazem senão
aumentar sua irradiação.
O problema da apostasia
A dureza da perseguição, especialmente sob Décio,
traz alguns problemas: os apostatas que desejarem
regressar à Igreja devem ser acolhido de novo? A
linha rigorista não consegue se impor na Igreja,
porque a defesa dos fracos é assumidas pelos
"confessores" (os que não negaram sua fé).
Grandes teólogos: Origines; Tertuliano; Cipriano
Início no monaquismo
Perto do Mar Vermelho, junto ao monte Kolzim, vive
o eremita Antão. É o primeiro de um movimento que
inicia o combate, por assim dizer, no próprio terreno
de Satã, o deserto. O maligno será vencido por uma
continua concentração em Deus, pelo domínio do
corpo e pelo exercício incessante (ascese) da
abstinência.
Logo outros eremitas se reúnem ao redor de Antão,
daí resultarão as primeira comunidades monasticas.
Pai Ammones
Dizia-se do Pai Ammoes que quando ele ia à
igreja, não permitia que seu discípulo caminhasse
ao seu lado mas a uma certa distância; e se esse
último viesse lhe perguntar sobre seus
pensamentos, ele se afastava dele logo após
responder-lhe, "é por receio que, após tão
edificantes palavras, sobrevenham conversas
irrelevantes, que eu não permito que caminhes
comigo.
Pai Abraão
Pai Abraão disse de um homem de Scete que era um
escriba e não comia pão. Um irmão veio a ele para
copiar um livro. O velho homem cujo espírito estava
absorto em contemplação, escreveu, porém omitindo
algumas frases e sem pontuação. O irmão, tomando o
livro e desejando pontuá-lo, notou que faltavam
palavras. Então disse ao ancião, "Pai, faltam
algumas palavras." O ancião disse a ele, "Vá e
pratique primeiro o que está escrito, depois volte e eu
escreverei o restante."
Século IV
A Conversão do Império
Fracassou a última tentativa de integrar os cristãos
na unidade do império simbolizada pelo culto do
imperador e os sacrifícios aos deuses. Constantino,
que atribui suas vitórias ao Deus dos cristãos,
considera sempre mais a Igreja como um novo
fundamento espiritual e ético para o império. Crê ter
sido escolhido pela divindade e isto lhe parece
justificar que se coloque acima da Igreja, para velar
sobre seu bem estar exterior e sua unidade interna.
Tocada pelo “Estado”
O acesso ao poder do Estado traz uma profunda
mudança na Igreja. O direito a propriedade e de
herança, o privilegio dos bispos, a função de alicerce
espiritual do império são a perda do fundamento do
poder temporal da Igreja. O desenvolvimento de
Constantinopla (desde 330), que se torna o novo
centro do Oriente, traz consigo uma separação
crescente entre as partes oriental e ocidental do
Império, que acabará finalmente numa divisão
também da Igreja.
Quem é Jesus de Nazaré?
A discussão teológica gira ao redor do problema
seguinte: como a unidade de Deus é compatível com
a divindade do Filho? No centro da questão está a
luta contra a subordinação do filho no sentido em
que a entendia o arianismo.
O desenvolvimento do eremitismo na direção da vida
comum monástica ("cenobitas") influencia, através
da regra de Pacômio, os fundadores das ordens
posteriores.
Duas Roma?
O lugar particular do bispo de Roma enquanto
sucessor de Pedro é sempre mais reconhecido pelos
patriarcas do Oriente (Constantinopla, Jerusalém,
Antioquia, Alexandria), de inicio como primazia de
honra, depois (desde Dâmaso) como instância
superior no direito (apelação a Roma por ocasião
das controvérsias teológicas e dos conflitos jurídicos
que surgiam ao redor da posse de sedes episcopais).

03 ist - história da igreja i

  • 1.
    História da Igreja Dafundação até a época das perseguições
  • 2.
  • 3.
    Pax Romana Jesus nascena época em que o Império Romano, sob o reinado do imperador Augusto, vivia décadas de paz. Depois de dois século de expansão, chega então uma fase de consolidação. Para isso, o Império precisava, além de reformas administrativas e militares, de valores ideais. Naquele momento uma nova abertura à religiosidade, e outros cultos e religiões caracterizava os Romanos, que sempre atribuíram à benevolência dos deuses o bem estar público.
  • 4.
    Expectativas messiânicas A Judéiase encontrava, desde 63 a.C., sob a dominação romana. A administração continuava autônoma, mas sob vigilância de procurador romano. O povo estimava a liderança dos fariseus, com sua observância rigorosa da Lei e a separação com relação aos incircuncisos. Menor audiência tinham os saduceus, que reconheciam apenas a Torá escrita, mas não seu desenvolvimento pela tradição oral. Deste modo, havia a expectativa messiânica misturada com as aspirações à liberdade política; e a ligação entre instauração do Reino de Deus e pleno cumprimento da Lei.
  • 5.
    As primeiras comunidades Apalavra dos Apóstolos durante os acontecimentos de Pentecostes, levou muitos judeus ao batismo e com isso ao reconhecimento de Jesus como Messias. Enquanto os dirigentes judeus continuam a tomar distancia com relação aos cristãos, excluindo-os das sinagogas e perseguindo-os, desenvolvem-se a comunidade cristã independentes, unida por estreitos vínculos entre si.
  • 6.
    A Caminho deRoma O caráter obrigatório da Lei judaica é, aos poucos, abandonado. Tomava-se consciência de que a salvação de Deus, libertação do pecado e da morte, é oferecida na profissão de fé em Cristo. Também é Paulo que concebe como seu dever pessoal a universalidade da missão cristã e que inicia a evangelização dos gentios. A passagem de Jerusalém a Roma, da igreja judaica a igreja universal, começa a sua caminhada.
  • 7.
  • 8.
    O cristão no“mundo” Em diferentes partes do Império, apesar de um imperador piedoso e filósofo, chega-se a excessos contra os cristãos, com a cumplicidade das autoridades. Uma explicação para isso é de que os cristãos não eram muito amados: sua ausência nas festas oficiais, que tinha sempre aspecto cultual, as reuniões que eram proibidas aos não-cristãos, a superioridade manifestada com relação aos deuses paganismo, tudo isso devia levar à antipatia e as suspeitas. Acrescente-se a recusa dos cristãos de honrar o gênio do imperador, o que deveria ser entendido como hostilidade com relação ao Estado.
  • 9.
    O que fazercom eles? Dessa maneira é facilmente compreensível que dirigentes cristãos tenham dirigidos numerosas suplicas ao imperador, para lhe expor sua fé e sua moral. Também se pode compreender a resposta vacilante e ilógica de Trajano a Plinio: os cristãos em caso de denuncia, deviam ser punidos com a morte, mas apesar de tudo, não se devia procurá-los sistematicamente. Do seu lado, os cristãos não param de afirmar sua fidelidade ao imperador e ao Estado, uma atitude que preparava a tolerância futura e até mesmo a assunção, por parte do cristianismo, da defesa do Estado.
  • 10.
    Os Apologistas Os cristãosdispõem desde já numero considerável de personalidades cultas e de primeiro plano, que utilizam meios literários e jurídico para proteger contra as descriminações a minoria, à qual pertencem. Este esforço para que a comunidade seja mais bem aceita socialmente é acompanhado de discussões Cientificas: Contra as especulações da gnose, dentro da própria Igreja, assim como contra a imagem do mundo e do homem, que os romanos pagãos trazem.
  • 11.
    Qual Deus? A aberturaà tradição intelectual dos gregos faz emergir, perto do fim do século, as primeiras dificuldades teológicas: como a divindade de cristo pode ser conciliada coma unicidade de Deus? A controvérsia sobre esse assunto se desenvolve plenamente no século III. Principais escritores: Inácio de Antioquia; Policarpo de Esmirna; Justino; Irineu de Lion.
  • 12.
  • 13.
    Luta pela sobrevivência Asrazões do conflito entre o Estado e a Igreja neste século são várias. A coesão do Império, fundada sobre a unidade religiosa, parece mais necessária do que nunca por causa da pressão dos inimigos sobre as fronteiras do norte e do leste. A festa do milenário da fundação de Roma atraía naturalmente a atenção sobre a tradição romana, diante da qual o cristianismo devia aparecer como traição.
  • 14.
    A perseguição acentuada Asperseguições contra os cristãos, feita agora por iniciativa do imperador, fracassaram: os cristãos são numerosos demais, as provas contra eles são insuficientes e, toda vez, o "acaso" impede a execução eficaz das medidas tomadas. Entre os cristãos, a necessidade de fazer sempre as contas com a perseguição e a morte multiplica o número dos fieis inabaláveis. Tortura e martírio não fazem senão aumentar sua irradiação.
  • 15.
    O problema daapostasia A dureza da perseguição, especialmente sob Décio, traz alguns problemas: os apostatas que desejarem regressar à Igreja devem ser acolhido de novo? A linha rigorista não consegue se impor na Igreja, porque a defesa dos fracos é assumidas pelos "confessores" (os que não negaram sua fé). Grandes teólogos: Origines; Tertuliano; Cipriano
  • 16.
    Início no monaquismo Pertodo Mar Vermelho, junto ao monte Kolzim, vive o eremita Antão. É o primeiro de um movimento que inicia o combate, por assim dizer, no próprio terreno de Satã, o deserto. O maligno será vencido por uma continua concentração em Deus, pelo domínio do corpo e pelo exercício incessante (ascese) da abstinência. Logo outros eremitas se reúnem ao redor de Antão, daí resultarão as primeira comunidades monasticas.
  • 17.
    Pai Ammones Dizia-se doPai Ammoes que quando ele ia à igreja, não permitia que seu discípulo caminhasse ao seu lado mas a uma certa distância; e se esse último viesse lhe perguntar sobre seus pensamentos, ele se afastava dele logo após responder-lhe, "é por receio que, após tão edificantes palavras, sobrevenham conversas irrelevantes, que eu não permito que caminhes comigo.
  • 18.
    Pai Abraão Pai Abraãodisse de um homem de Scete que era um escriba e não comia pão. Um irmão veio a ele para copiar um livro. O velho homem cujo espírito estava absorto em contemplação, escreveu, porém omitindo algumas frases e sem pontuação. O irmão, tomando o livro e desejando pontuá-lo, notou que faltavam palavras. Então disse ao ancião, "Pai, faltam algumas palavras." O ancião disse a ele, "Vá e pratique primeiro o que está escrito, depois volte e eu escreverei o restante."
  • 19.
  • 20.
    A Conversão doImpério Fracassou a última tentativa de integrar os cristãos na unidade do império simbolizada pelo culto do imperador e os sacrifícios aos deuses. Constantino, que atribui suas vitórias ao Deus dos cristãos, considera sempre mais a Igreja como um novo fundamento espiritual e ético para o império. Crê ter sido escolhido pela divindade e isto lhe parece justificar que se coloque acima da Igreja, para velar sobre seu bem estar exterior e sua unidade interna.
  • 21.
    Tocada pelo “Estado” Oacesso ao poder do Estado traz uma profunda mudança na Igreja. O direito a propriedade e de herança, o privilegio dos bispos, a função de alicerce espiritual do império são a perda do fundamento do poder temporal da Igreja. O desenvolvimento de Constantinopla (desde 330), que se torna o novo centro do Oriente, traz consigo uma separação crescente entre as partes oriental e ocidental do Império, que acabará finalmente numa divisão também da Igreja.
  • 22.
    Quem é Jesusde Nazaré? A discussão teológica gira ao redor do problema seguinte: como a unidade de Deus é compatível com a divindade do Filho? No centro da questão está a luta contra a subordinação do filho no sentido em que a entendia o arianismo. O desenvolvimento do eremitismo na direção da vida comum monástica ("cenobitas") influencia, através da regra de Pacômio, os fundadores das ordens posteriores.
  • 23.
    Duas Roma? O lugarparticular do bispo de Roma enquanto sucessor de Pedro é sempre mais reconhecido pelos patriarcas do Oriente (Constantinopla, Jerusalém, Antioquia, Alexandria), de inicio como primazia de honra, depois (desde Dâmaso) como instância superior no direito (apelação a Roma por ocasião das controvérsias teológicas e dos conflitos jurídicos que surgiam ao redor da posse de sedes episcopais).