O Credo
Cristologia
Credo Cristológico
Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigênito
de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos:
Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus
verdadeiro; gerado, não criado, consubstancial ao Pai.
Por ele todas as coisas foram feitas. E por nós,
homens, e para nossa salvação, desceu dos céus e se
encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria,
e se fez homem. Também por nós, foi crucificado sob
Pôncio Pilatos, padeceu e foi sepultado. Ressuscitou ao
terceiro dia, conforme as Escrituras, e subiu aos
céus,onde está sentado à direita do Pai. E de novo há
de vir, em sua gloria, para julgar os vivos e os mortos;
e seu reino não terá fim.
Salvação
Na consciência profunda e anterior a qualquer
conceitualização, a salvação não é antes uma
realidade negativa, um “salvar de (alguma
coisa)”. Apresenta-se antes de tudo como uma
ideia totalmente positiva, que os termos
“salvus” (forte, sadio,sólido, conservado) e
“salvare” (tornar forte, preservar, conservar)
demonstra muito bem. Salvar é levar alguém
até a própria meta, é permitir que ele se
realize, que atinja seu objetivo.
Salvação-Realização
A ideia de salvação conota, essencial e
primeiramente, antes de pecado e de falta,
realização.
Ideia inteiramente positiva, e que o NT retoma em
termos religiosos (salvar) e apresenta como
finalidade do ser humano que crê. A meta do ser
humano é VIDA, somos chamados a ela como
para nosso destino. A salvação é meta e destino
da fé, que se deve levar até o fim, de modo a
realizar o designo para o qual fomos criados.
Salvação-Redenção
Entretanto, o ser humano, no caminho de sua
realização, faz experiência de empecilhos e
obstáculos. É então que se pode começar a
entender a salvação em termos negativos, ou seja,
“salvar de”.
É pelo fato de haver obstáculos no caminho da
salvação-realização que a salvação toma a forma
de uma salvação de redenção: de uma salvação
de obstáculos.
Salvação-Libertação
A salvação não consiste em tornar-se liberto
de si mesmo, como se carregássemos uma
natureza má e suspeita em si mesma. Não
tenho de livrar-me de mim mesmo, e sim
daquilo, e sim daquilo que me impede de ser
eu mesmo. A ideia de salvação baseia-se numa
ideia sublime do ser humano, cujo destino está
em perigo e por isso mesmo precisa libertar-se
ou ser liberto daquilo que é obstáculo, para
poder continuar seu destino, realizando-se.
Salvar de quê?
Quais são, porém, os obstáculos que o ser
humano encontra ou percebe no caminho da
realização?
Poderíamos citar diversos. Contudo,
observando a história da humanidade, parece
que podemos resumi-lo a três: o ser humano se
sente limitado em sua realização por causa da
morte, do mal e da fatalidade.
Salvar-se da Morte
A morte faz com que experimentemos nossa
finitude, nossas limitações, a ruptura fatal que,
como sabemos, vai marcar a vida. Significa,
física e sensivelmente, a brevidade do tempo.
Ela lembra que “não chegaremos até o fim”.
Ela é em nós esse aguilhão que nos desafia, e
que o ser humano faz de si, a morte aparece
tradicionalmente como a inimiga.
Salvar-se do Mal
O mal, seja o sofrimento ou o mal imposto (o
fracasso, a desgraça, o sofrimento imerecido
do inocente) ou o mal desejado, aquele que
fazemos e do qual somos responsáveis, até
culpados ( injustiça, a falta, o pecado), se
apresenta também como quem obstaculiza
nossa vontade mais profunda de realizar nosso
ser. São Paulo expressou isso em termos
fascinante: “Não faço aquilo que quero, mas
aquilo que mais detesto”.
Salvar-se da Fatalidade
A fatalidade, enfim: a ausência tão frequente e
tão gritante de liberdade, todas as implicações
(biológicas, históricas, existenciais), todas as
impotências de todos os tipos, que contradizem
continuamente nossos desejos e nossos
esforços. Como se aí houvesse uma força de
necessidade ou fatos imponderáveis que nos
impedisse de chegar até nós mesmos.
Salvar-se da Fatalidade
A fatalidade, enfim: a ausência tão frequente e
tão gritante de liberdade, todas as implicações
(biológicas, históricas, existenciais), todas as
impotências de todos os tipos, que contradizem
continuamente nossos desejos e nossos
esforços. Como se aí houvesse uma força de
necessidade ou fatos imponderáveis que nos
impedisse de chegar até nós mesmos.
Salvar a si mesmo
A fatalidade, enfim: a ausência tão frequente e
tão gritante de liberdade, todas as implicações
(biológicas, históricas, existenciais), todas as
impotências de todos os tipos, que contradizem
continuamente nossos desejos e nossos
esforços. Como se aí houvesse uma força de
necessidade ou fatos imponderáveis que nos
impedisse de chegar até nós mesmos.
Economia da Salvação
“Havendo Deus, desde a antiguidade, falado, em
várias ocasiões e de muitas formas, aos nossos
pais, por intermédio dos profetas,nestes últimos
tempos, nos falou mediante seu Filho”
Com o Credo Niceno-Constantinopolitano,
respondemos confessando: «Por nós, homens, e
para nossa salvação, desceu dos céus; e encarnou
pelo Espírito Santo no seio da Virgem Maria e Se
fez homem» O Verbo fez-Se carne para nos salvar,
reconciliando-nos com Deus.
O Sacrificio
“Ele, que era de condição divina, não se valeu da sua
igualdade com Deus, mas aniquilou-Se a Si próprio,
assumindo a condição de servo, tornou-Se semelhante
aos homens. Aparecendo como homem, humilhou-Se
ainda mais, obedecendo até à morte, e morte de Cruz”
(Fl 2, 5-8)
“É por isso que, ao entrar neste mundo, Cristo diz:
‘Não quiseste sacrifícios e oferendas, mas formaste-Me
um corpo. Holocaustos e imolações pelo pecado não Te
foram agradáveis. Então Eu disse: Eis-Me aqui [...]
para fazer a tua vontade’”
O Sentido da Salvação
É na esperança que fomos salvos: diz São Paulo
aos Romanos e a nós também (Rm 8,24). A
redenção, a salvação, segundo a fé cristã, não é
um simples dado de fato. A redenção é-nos
oferecida no sentido que nos foi dada a
esperança, uma esperança fidedigna, graças à
qual podemos enfrentar o nosso tempo presente: o
presente, ainda que custoso, pode ser vivido e
aceite, se levar a uma meta e se pudermos estar
seguros desta meta, se esta meta for tão grande
que justifique a canseira do caminho

10 ist - cristologia e salvação

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    Credo Cristológico Creio emum só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos: Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro; gerado, não criado, consubstancial ao Pai. Por ele todas as coisas foram feitas. E por nós, homens, e para nossa salvação, desceu dos céus e se encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem. Também por nós, foi crucificado sob Pôncio Pilatos, padeceu e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras, e subiu aos céus,onde está sentado à direita do Pai. E de novo há de vir, em sua gloria, para julgar os vivos e os mortos; e seu reino não terá fim.
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    Salvação Na consciência profundae anterior a qualquer conceitualização, a salvação não é antes uma realidade negativa, um “salvar de (alguma coisa)”. Apresenta-se antes de tudo como uma ideia totalmente positiva, que os termos “salvus” (forte, sadio,sólido, conservado) e “salvare” (tornar forte, preservar, conservar) demonstra muito bem. Salvar é levar alguém até a própria meta, é permitir que ele se realize, que atinja seu objetivo.
  • 4.
    Salvação-Realização A ideia desalvação conota, essencial e primeiramente, antes de pecado e de falta, realização. Ideia inteiramente positiva, e que o NT retoma em termos religiosos (salvar) e apresenta como finalidade do ser humano que crê. A meta do ser humano é VIDA, somos chamados a ela como para nosso destino. A salvação é meta e destino da fé, que se deve levar até o fim, de modo a realizar o designo para o qual fomos criados.
  • 5.
    Salvação-Redenção Entretanto, o serhumano, no caminho de sua realização, faz experiência de empecilhos e obstáculos. É então que se pode começar a entender a salvação em termos negativos, ou seja, “salvar de”. É pelo fato de haver obstáculos no caminho da salvação-realização que a salvação toma a forma de uma salvação de redenção: de uma salvação de obstáculos.
  • 6.
    Salvação-Libertação A salvação nãoconsiste em tornar-se liberto de si mesmo, como se carregássemos uma natureza má e suspeita em si mesma. Não tenho de livrar-me de mim mesmo, e sim daquilo, e sim daquilo que me impede de ser eu mesmo. A ideia de salvação baseia-se numa ideia sublime do ser humano, cujo destino está em perigo e por isso mesmo precisa libertar-se ou ser liberto daquilo que é obstáculo, para poder continuar seu destino, realizando-se.
  • 7.
    Salvar de quê? Quaissão, porém, os obstáculos que o ser humano encontra ou percebe no caminho da realização? Poderíamos citar diversos. Contudo, observando a história da humanidade, parece que podemos resumi-lo a três: o ser humano se sente limitado em sua realização por causa da morte, do mal e da fatalidade.
  • 8.
    Salvar-se da Morte Amorte faz com que experimentemos nossa finitude, nossas limitações, a ruptura fatal que, como sabemos, vai marcar a vida. Significa, física e sensivelmente, a brevidade do tempo. Ela lembra que “não chegaremos até o fim”. Ela é em nós esse aguilhão que nos desafia, e que o ser humano faz de si, a morte aparece tradicionalmente como a inimiga.
  • 9.
    Salvar-se do Mal Omal, seja o sofrimento ou o mal imposto (o fracasso, a desgraça, o sofrimento imerecido do inocente) ou o mal desejado, aquele que fazemos e do qual somos responsáveis, até culpados ( injustiça, a falta, o pecado), se apresenta também como quem obstaculiza nossa vontade mais profunda de realizar nosso ser. São Paulo expressou isso em termos fascinante: “Não faço aquilo que quero, mas aquilo que mais detesto”.
  • 10.
    Salvar-se da Fatalidade Afatalidade, enfim: a ausência tão frequente e tão gritante de liberdade, todas as implicações (biológicas, históricas, existenciais), todas as impotências de todos os tipos, que contradizem continuamente nossos desejos e nossos esforços. Como se aí houvesse uma força de necessidade ou fatos imponderáveis que nos impedisse de chegar até nós mesmos.
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    Salvar-se da Fatalidade Afatalidade, enfim: a ausência tão frequente e tão gritante de liberdade, todas as implicações (biológicas, históricas, existenciais), todas as impotências de todos os tipos, que contradizem continuamente nossos desejos e nossos esforços. Como se aí houvesse uma força de necessidade ou fatos imponderáveis que nos impedisse de chegar até nós mesmos.
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    Salvar a simesmo A fatalidade, enfim: a ausência tão frequente e tão gritante de liberdade, todas as implicações (biológicas, históricas, existenciais), todas as impotências de todos os tipos, que contradizem continuamente nossos desejos e nossos esforços. Como se aí houvesse uma força de necessidade ou fatos imponderáveis que nos impedisse de chegar até nós mesmos.
  • 13.
    Economia da Salvação “HavendoDeus, desde a antiguidade, falado, em várias ocasiões e de muitas formas, aos nossos pais, por intermédio dos profetas,nestes últimos tempos, nos falou mediante seu Filho” Com o Credo Niceno-Constantinopolitano, respondemos confessando: «Por nós, homens, e para nossa salvação, desceu dos céus; e encarnou pelo Espírito Santo no seio da Virgem Maria e Se fez homem» O Verbo fez-Se carne para nos salvar, reconciliando-nos com Deus.
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    O Sacrificio “Ele, queera de condição divina, não se valeu da sua igualdade com Deus, mas aniquilou-Se a Si próprio, assumindo a condição de servo, tornou-Se semelhante aos homens. Aparecendo como homem, humilhou-Se ainda mais, obedecendo até à morte, e morte de Cruz” (Fl 2, 5-8) “É por isso que, ao entrar neste mundo, Cristo diz: ‘Não quiseste sacrifícios e oferendas, mas formaste-Me um corpo. Holocaustos e imolações pelo pecado não Te foram agradáveis. Então Eu disse: Eis-Me aqui [...] para fazer a tua vontade’”
  • 15.
    O Sentido daSalvação É na esperança que fomos salvos: diz São Paulo aos Romanos e a nós também (Rm 8,24). A redenção, a salvação, segundo a fé cristã, não é um simples dado de fato. A redenção é-nos oferecida no sentido que nos foi dada a esperança, uma esperança fidedigna, graças à qual podemos enfrentar o nosso tempo presente: o presente, ainda que custoso, pode ser vivido e aceite, se levar a uma meta e se pudermos estar seguros desta meta, se esta meta for tão grande que justifique a canseira do caminho