Proposta do maternal l e ll educação infantil

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Secretaria Municipal de Educação de Marília - SP

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Proposta do maternal l e ll educação infantil

  1. 1. PREFEITURA MUNICIPAL DE MARÍLIA SECRETARIA MUNICIPAL DA EDUCAÇÃO Avenida: Santo Antonio nº 2377 – CEP 17.5506-040– Bairro Somenzari Fone – Fax: (0xx 14) 3402-6300 – MARÍLIA – SP e-mail: semeduc@terra.com.br PROPOSTA CURRICULAR PARA EDUCAÇÃO INFANTIL “Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas... Que já têm a forma do nosso corpo... E esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares... É o tempo da travessia... E se não ousarmos fazê-la, teremos ficado para sempre à margem de nós mesmos.” (Fernando Pessoa) Marília 2011
  2. 2. 1 PROPOSTA CURRICULAR PARA A EDUCAÇÃO INFANTIL MATERNAL APRESENTAÇÃO A criança é um sujeito social e histórico que está inserido em uma sociedade na qual partilha de uma determinada cultura. É profundamente pelo meio social em que se desenvolve, mas também contribui com ele. A criança, assim, não é uma abstração, mas um ser produtor e produto da história e da cultura. Nesse sentido, essa Proposta Curricular respeita os seguintes princípios constantes nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil: Éticos: da autonomia, da responsabilidade, da solidariedade e do respeito ao bem comum, ao meio ambiente e às diferentes culturas; Políticos: dos direitos de cidadania, do exercício da criticidade e do respeito à ordem democrática; Estéticos: da sensibilidade, da criatividade, da ludicidade e da liberdade de expressão nas diferentes manifestações artísticas e culturais. A partir desses princípios, estaremos garantindo à criança acesso aos processos de apropriação, renovação e articulação de conhecimentos e aprendizagens de diferentes linguagens, assim, como o direito à proteção, à saúde, à liberdade, à confiança, ao respeito, à dignidade, à brincadeira, à convivência e à interação com outras crianças. Diante dessa postura, a implementação da presente proposta favorecerá profundas mudanças no fazer pedagógico de cada educador, visando a melhoria da qualidade do ensino na Educação Infantil. Por fim, entendemos que essa proposta não constitui um modelo curricular homogêneo e pronto, mas poderá funcionar como elemento para promover uma crescente sintonia pedagógica na Rede Municipal de Ensino de Marília. Marília, 30 de Novembro de 2010. Prof. Mário Bulgareli Prefeito Municipal Prof. Joaquim Bento Feijão Profª. Rosani Puia de Souza Pereira Diretor de Gestão Escolar Secretária Municipal da Educação
  3. 3. 2 Sumário FUNDAMENTAÇÃO:________________________________3,4,5 e 6 EIXOS CURRICULARES: I – Identidade e Autonomia A – Expectativas de Aprendizagem_____________________________________7 B – Conteúdos___________________________________________________7e 8 C – Orientações Didáticas_________________________________________8 e 9 II – Linguagem Oral e Escrita A – Expectativas de Aprendizagem_________________________________9 e 10 B – Conteúdos ________________________________________________10 e 11 C – Orientações Didáticas_______________________________________ 11 e12 III – Matemática A – Expectativas de Aprendizagem ________________________________12 e 13 B – Conteúdos ________________________________________________ 13 e 14 C – Orientações Didáticas______________________________________14,15 e16 IV– Artes Visuais A – Expectativas de Aprendizagem____________________________________ 16 B – Conteúdos ____________________________________________________ 17 C – Orientações Didáticas________________________________________17 e 18 V – Música A – Expectativas de Aprendizagem ____________________________________18 B – Conteúdos_____________________________________________________19 C – Orientações Didáticas________________________________________19 e 20 VI –Movimento A – Expectativas de Aprendizagem ____________________________________20 B – Conteúdos_________________________________________________20 e 21 C – Orientações Didáticas________________________________________21 e 22 VII – Natureza e Sociedade A – Expectativas de Aprendizagem ________________________________22 e 23 B – Conteúdos ________________________________________________ 24 e 25 C – Orientações Didáticas________________________________________25 e 26 VIII – Modalidades Organizativas Fundamentais Atividades Permanentes ___________________________________________27 Sequência Didática _______________________________________________ 27 Projeto Didático _____________________________________________ 27 e 28 Rotina Escolar ________________________________________________28 e 29 IX– Avaliação ___________________________________________29,30,31 e 32 Referências Bibliográficas __________________________________________34
  4. 4. 3 FUNDAMENTAÇÃO A Proposta curricular para o Maternal vem a operacionalizar todas as ações e procedimentos do fazer pedagógico do professor, organizando e direcionando a tomada de decisões. Nesse sentido, para que a proposta seja coerente e eficaz necessita ser contextualizada a partir das aspirações e interesses e necessidades das crianças que convivem em cada unidade escolar. O lúdico é uma ferramenta para a criação da fantasia, necessária as leituras não convencionais do mundo. Abre caminho para a autonomia, criatividade, exploração de significados e sentidos. Atua também sobre a capacidade da criança de imaginar e de representar, articulada com outras formas de expressão. Diante a relevância do tema em questão, ressaltamos a importância do lúdico no processo de desenvolvimento nas crianças do maternal, pois estamos com crianças que: o São ativas, agem sobre as experiências, as relações, os materiais. o São produtoras e produto da cultura. o Aprendem sobre ela ao mesmo tempo em que a produzem. o Têm interesses, idéias e opiniões. o Sentem e pensam o mundo de um jeito próprio. Aprendem: o Interagindo com o outro: criança e adulto. o Interagindo com os objetos: livros, suportes para pintura, brinquedos, entre outros. o Aprende em ação: Experimentando, errando, fazendo de novo. o Escolhendo – a partir de seu interesse, curiosidade, sua intenção. o Resolvendo problemas. Baseando-se neste contexto, pensamos em buscar uma nova proposta e que esta aproveite de forma consciente o lúdico como instrumento metodológico durante as aulas, possibilitando um desenvolvimento que respeite a criança. Queremos, assim, criar ludicamente um ambiente de aprendizagem crítica e participativa, tendo como base uma perspectiva “críticoemancipatória” e que busca alcançar, enquanto objetivos primordiais do ensino, o desenvolvimento de competências como a autonomia, a competência social e a competência objetiva. Ou seja, onde o saber cultural, historicamente acumulado, é apresentado e criticamente estudado pelo aluno .
  5. 5. 4 Mesmo sabendo que o lúdico facilita a aprendizagem, as atividades lúdicas na escola ainda são marginalizadas, pois, apesar de serem reconhecidas “como meios de comunicação e expressão, é ainda bastante sutil a sua legitimidade enquanto elementos educativos dentro da escola, possivelmente, por obterem ainda uma conotação sem significado, voltados para a não seriedade, isto é, o lúdico sendo desenvolvido sem objetivos e de maneira descontextualizada. Não há mais como ausentar o lúdico do processo pedagógico, pois ele é o agente de um ambiente motivador e coerente. Ao se separar as crianças do ambiente lúdico, estamos automaticamente ignorando seus próprios conhecimentos, pois quando a criança entra na escola ela já possui muitas experiências que lhes foram proporcionadas através do lúdico. As crianças envolvidas pela atividade lúdica sentem-se mais livres para criticar, argumentar e criar. Mas quando estão expostas aos métodos tradicionais de educação onde o aluno nada mais é do que um consumidor de informações prontas, ou como cita Freire apud Souza (1996, p.390) “o que se adapta, ou seja, mero objeto do processo” ela se torna apática ao conhecimento, como se o que estivesse aprendendo não tivesse relevância para o seu mundo. É necessário então que o educador entenda os anseios das crianças para compreender a importância do lúdico, quando tiver feito isso terá uma tarefa muito mais difícil que é o de associar o lúdico ao conteúdo a ser ministrado, sem que os dois percam suas essências sendo sacrificados o menos possível. Fica claro para nós a importância do lúdico na escola durante a infância, pois, percebemos que quando o interesse da criança é levado a sério podemos dar estímulos importantes no desenvolvimento dela. Afinal, trabalhamos mais e melhor se fazemos isso nos divertindo. Essa concepção vem ao encontro do pensamento de Gramigna (2001), que considera que “ aulas mais atraentes e motivadoras é uma variável fundamental que interfere diretamente no resultado do processo de aprendizagem”. Contudo, adotar uma postura lúdica requer muito mais do que apenas se autodeclarar um educador lúdico. Uma educação lúdica está distante da concepção ingênua de passatempo, brincadeira vulgar, diversão superficial (...) Educar ludicamente tem um significado muito profundo. Isso faz com que a escola pense sobre si mesma, sobre sua prática, seu fazer cotidiano. Implica na busca de referenciais teóricos para ampliar, aprofundar, questionar e enriquecer o conhecimento pedagógico coletivo, mobilizando a descontração de conceitos que não mais atendem às necessidades e às peculiaridades da nova geração, bem como servir de fundamentos para responde aos desafios de uma escola que promova a formação humana de todos os educandos e que, também, amplie a experiência humana de seus educadores. Fortuna (2001) nos mostra que” Uma aula ludicamente inspirada não é, necessariamente, aquela que ensina conteúdos com jogos, mas aquela em que as características do brincar estão
  6. 6. 5 presentes, influindo no modo de ensinar do professor, na seleção dos conteúdos, no papel do aluno. O professor renuncia à centralização, à onisciência e ao controle onipotente e reconhece a importância de que o aluno tenha uma postura ativa nas situações de ensino, sendo sujeito de sua aprendizagem; a espontaneidade e a criatividade são constante estimuladas. Está aberto aos novos possíveis, daí que sua visão de planejamento pedagógico também sofre uma revolução lúdica. A sua aula é uma ação repleta de espaços para o inesperado, para o surgimento do que ainda não existe, do que não sabe. Segundo PIAGET, o desenvolvimento da criança acontece através do lúdico. Ela precisa brincar para crescer, precisa do jogo como forma de equilibração com o mundo (BARROS). A ludicidade, tão importante para a saúde mental do ser humano é um espaço que merece atenção dos pais e educadores, pois é o espaço para expressão mais genuína do ser, é o espaço e o direito de toda a criança para o exercício da relação afetiva com o mundo, com as pessoas e com os objetos. O lúdico possibilita o estudo da relação da criança com o mundo externo, integrando estudos específicos sobre sua importância na formação da personalidade. Através do lúdico, a criança forma conceitos, seleciona ideias, estabelece relações lógicas, integra percepções, faz estimativas compatíveis com o crescimento físico e intelectual e o que é mais importante, proporciona a socialização. A convivência de forma lúdica e prazerosa com a aprendizagem proporcionará a criança estabelecer relações cognitivas às experiências vivenciadas, bem como relacioná-la as demais produções culturais e simbólicas conforme procedimentos metodológicos compatíveis a essa prática. De acordo com Nunes, a ludicidade é uma atividade que tem valor educacional intrínseco, mas além desse valor, que lhe é inerente, ela tem sido utilizada como recurso pedagógico. Segundo Teixeira 1995 (apud NUNES), várias são as razões que levam os educadores a recorrer às atividades lúdicas e utilizá-las como um dos recursos no processo de ensino-aprendizagem: • As atividades lúdicas correspondem a um impulso natural da criança, e neste sentido, satisfazem uma necessidade interior, pois o ser humano apresenta uma tendência lúdica; • O lúdico apresenta dois elementos: o prazer e o esforço espontâneo.
  7. 7. 6 Ele é considerado prazeroso, devido a sua capacidade de absorver o indivíduo de forma intensa e total, criando um clima de entusiasmo. É este aspecto de envolvimento emocional que o torna uma atividade com forte teor motivacional, capaz de gerar um estado de vibração e euforia. Em virtude desta atmosfera de prazer dentro da qual se desenrola, a ludicidade é portadora de um interesse intrínseco, canalizando as energias no sentido de um esforço total para consecução de seu objetivo. Portanto, as atividades lúdicas são excitantes, mas também requerem um esforço voluntário. As situações lúdicas mobilizam esquemas mentais. Sendo uma atividade física e mental, a ludicidade aciona e ativa as funções psico-neurológicas e as operações mentais, estimulando o pensamento. Em geral, o elemento que separa um jogo pedagógico de outro de caráter apenas lúdico é este: desenvolve-se o jogo pedagógico com a intenção de provocar aprendizagem significativa, estimular a construção de novo conhecimento e principalmente despertar o desenvolvimento de uma habilidade operatória, ou seja, o desenvolvimento de uma aptidão ou capacidade cognitiva e apreciativa específica, que possibilita a compreensão e a intervenção do indivíduo nos fenômenos sociais e culturais e que o ajude a construir conexões. (NUNES) Julgamos que a relevância desta proposta voltada para o lúdico é fazer com que o processo de ensino-aprendizagem das crianças, nesta faixa etária, aconteça de maneira integral e prazerosa. Vale ressaltar, que os conteúdos indicados nesta proposta valem para crianças do maternal, e apesar das expectativas e conteúdos estarem unificados, cabe ao professor realizar um aprofundamento necessário a cada faixa etária, lançando propostas que estimulem e ampliem o desenvolvimento da criança. O quadro abaixo ilustra a proposta de trabalho do maternal, sendo que todos os eixos estão envolvidos por um tema gerador maior, o lúdico. MATERNAL LÚDICO IDENTIDADE E AUTONOMIA MOVIMENTO NATUREZA E SOCIEDADE LINGUAGEM ORAL E ESCRITA MÚSICAARTES VISUAIS MATEMÁTICA
  8. 8. 7 EIXOS CURRICULARES A) EXPECTATIVAS DE APRENDIZAGEM Os alunos, ao final do Maternal, deverão ser capazes de: Utilizar recursos que dispõe para expressar suas necessidades; Expressar seus desejos, sentimentos, vontades e desagrados; Agir com progressiva autonomia diante do próprio corpo executando ações simples, relacionadas à saúde e higiene; Relacionar-se com outras crianças; Relacionar-se com adultos e demais profissionais da escola; Participar de brincadeiras; Representar em brincadeiras de faz de conta diferentes ambientes favorecendo sua interação; Identificar seu nome entre os dos colegas; Reconhecer e cuidar de seus pertences pessoais; Saber reivindicar soluções para suas necessidades imediatas; Saber ouvir e verbalizar seu pensamento; Conhecer, descobrir e vivenciar novos sentimentos, valores, idéias, costumes e papéis; Ter confiança em si própria. B) CONTEÚDOS - IDENTIDADE E AUTONOMIA Auto-Estima Escolha Faz-de- Conta Interação Imagem Cuidados Segurança • Interesse pelas brincadeiras e pela exploração de diferentes brinquedos; • Participação em brincadeiras; • Escolha de objetos, brinquedos e espaço para brincar, interagir, realizar atividades; • Participação e interesse em situações que envolvam a relação com o outro; • Respeito às regras simples de convívio social; • Higiene das mãos com ajuda; I - IDENTIDADE E AUTONOMIA
  9. 9. 8 • Expressão e manifestação de desconforto em qualquer situação do cotidiano. • Interesse em experimentar novos alimentos e comer sem ajuda; • Interesse em desprender-se das fraldas e utilizar o vaso sanitário • Organização do espaço para que as crianças disponham de várias alternativas de ação e de parceiros • Reconhecimento da rotina diária • Desenvolvimento da oralidade, valorização do diálogo como forma de lidar com conflitos. C) ORIENTAÇÕES DIDÁTICAS O processo de socialização está intimamente ligado com o desenvolvimento da identidade e da autonomia. Nessas interações sociais se dá a ampliação dos laços afetivos que as crianças podem estabelecer com as outras crianças e com os adultos, contribuindo para que o reconhecimento do outro e a constatação das diferenças entre as pessoas sejam valorizadas e aproveitadas para o enriquecimento de si próprias; Criar condições para as crianças conhecerem, descobrirem e vivenciarem novos sentimentos, valores, idéias, costumes e papéis, inseridas num contexto acolhedor e amoroso, onde o educador torna-se o mais importante integrante do processo, necessitando assim, auto-educar-se continuamente diante de diversas situações; Possibilitar situações que gerem a capacidade das crianças de terem confiança em si própria e o fato de sentirem-se aceitas, compreendidas, ouvidas, cuidadas e amadas oferece segurança para a sua formação pessoal e social; As diversas atividades que podem proporcionar a comunicação e expressão dos desejos, desagrados, necessidades, preferências e vontades em brincadeiras e nas atividades cotidianas em que as crianças possam estar inseridas, são atividades de suma importância para o desenvolvimento da individualidade e expressividade; Assim como atividades simples que envolvam o contexto lúdico e de dramatização que se refiram à iniciativa para pedir ajuda nas situações em que isso se fizer necessário; Escolha de brinquedos e objetos para brincar, bem como, o devido respeito e cuidado com a manipulação; Respeito às regras simples de convívio social, brincadeiras onde meninos e meninas possam participar sem discriminação de sexo; A participação em atividades cotidianas de arrumação e limpeza do seu ambiente; Procedimentos relacionados à alimentação e à higiene das mãos, cuidado e limpeza pessoal;
  10. 10. 9 Atitudes de gratidão e respeito na hora da refeição, sempre acompanhado de versos e canções que são citados diariamente, bem como, identificação de situações de risco no seu ambiente mais próximo; Por meio do lúdico a criança, pode compreender como vê e constrói o mundo o que gostaria que existisse, quais as suas preocupações e que problemas a estão assediando. Através do lúdico, ela expressa o que tem dificuldade de traduzir em palavras. Nenhuma criança brinca espontaneamente só para passar o tempo, embora ela e os adultos que a observam possam pensar assim. Mesmo quando participa de uma brincadeira, em parte para preencher momentos vagos, sua escolha é motivada por processos internos, desejos, problemas, ansiedades, primordiais para o desenvolvimento da autonomia das crianças. O que se passa na mente da criança determina suas atividades lúdicas; brincar é sua linguagem secreta, que devemos respeitar mesmo que não a entendemos. A) EXPECTATIVAS DE APRENDIZAGEM Os alunos, ao final do Maternal, deverão ser capazes de: Utilizar da comunicação oral para expressar desejos e necessidades; Participar de situações sociais compartilhando suas vivências e ouvindo as outras crianças; Recontar histórias conhecidas; Ampliar seu vocabulário; Interagir e expressar-se em situações em que exijam a comunicação oral; Compreender o sentido da mensagem que ouve; Seguir instruções; Relatar vivências; Reproduzir textos oralmente; Escolher livros para ler e apreciar; Participar de situações de leitura; Identificar seu nome; II - LINGUAGEM ORAL E ESCRITA 1- Falar e Escutar: 2- Práticas de Leitura:
  11. 11. 10 Identificar os nomes dos amigos; Apreciar momentos de leituras, realizadas pelo professor; Ler imagens em contextos diversos; Manifestar interesse pela leitura; Fazer pseudoleitura; Participar de situações de escrita; Familiarizar-se aos poucos com a escrita por meio da participação em situações nas quais se faz necessário; Participar da produção de textos coletivos; Interessar-se em representar a escrita do nome; Manusear diversos suportes e ferramentas de escritas e textuais produzindo rabiscos e garatujas; B) CONTEÚDOS – LINGUAGEM ORAL E ESCRITA • Uso da linguagem oral para conversação comunicar-se, relatar suas vivências e expressar desejos, vontades, necessidades e sentimentos, nas diversas situações de interação presentes no cotidiano. • Participação em situações de relato e/ou leitura de diferentes gêneros feitos pelos adultos, como contos, poemas, canções, entre outros. • Participação em situações cotidianas nas quais o adulto faz uso da leitura e da escrita. • Exploração de diálogo e intercâmbio de idéias (conversas em roda). • Planejamento de situações de comunicação formais e informais. • Descrição oral de pessoas, objetos e situações. • Elaboração de perguntas e respostas de acordo com os diversos contextos que participam. 3- Práticas de Escrita: 1- Falar e Escutar:
  12. 12. 11 • Recontagem de histórias através de ilustrações, imagens. • Exploração de diversos gêneros textuais. • Simulação de leitura por meio de brincadeiras, faz-de-conta, entre outras. • Escolha de livros para ler, ainda que não a façam de maneira convencional. • Identificação da escrita como representação da fala. • Participação em situações de escrita como função real, com ajuda do professor. • Reconhecimento de letras, distinguindo-as de desenhos. • Desenho, rabiscos, garatujas, como representação gráfica. C) ORIENTAÇÕES DIDÁTICAS O trabalho com a linguagem se constitui um dos eixos básicos na educação infantil, dada sua importância para a formação do sujeito, para a interação com as outras pessoas, na orientação das ações das crianças, na construção de muitos conhecimentos e no desenvolvimento do pensamento. É no contato com os adultos que a criança vai adquirindo e desenvolvendo a linguagem. Portanto, o professor é responsável por apresentar de forma clara e bem articulada, tudo o que é feito durante a aula e assim, a criança do maternal que tem como base a imitação, irá reproduzindo o que vivencia na linguagem oral, bem como despertando o interesse pela escrita através do modelo do educador, que lê e escreve de acordo com as necessidades que surgem durante o dia. As habilidades relacionadas à linguagem oral devem ser desenvolvidas cotidianamente, a partir de atividades significativas tais como realizadas em roda da conversa e por meio de jogos dramáticos. Expressar-se oralmente é algo que requer confiança em si mesmo, o que somente é conquistado em ambientes favoráveis à manifestação de pensamentos e emoções. Desse modo, o desenvolvimento da capacidade de expressão oral depende de o espaço educativo constituir-se num ambiente que respeite e acolha a diversidade. A interação com diferentes gêneros e suportes textuais viabilizam, desde cedo, interesse e participação, mesmo que ainda de modo não convencional, em prática de leitura de diferentes linguagens. 2- Práticas de Leitura: 3- Práticas de Escrita:
  13. 13. 12 A leitura hipotética de materiais impressos, realizada a partir da observação de pistas textuais como formato e ilustrações, favorece a valorização dos textos como fonte de prazer, entretenimento e comunicação, ressaltando ainda a importância do trabalho com o texto literário a perspectiva da formação do leitor, da curiosidade pelos livros. É importante que o professor converse com a criança, ajudando a se expressar, apresentando-lhe diversas formas de se comunicar , o que desejam, sentem, necessitam, entre outras. Além da conversa constante, a música, o canto e a escuta de histórias também propiciam o desenvolvimento da oralidade. Deve-se escutar a fala da criança, deixando-se envolver por ela, ressignificando-a e resgatando-a sempre que necessário (roda da conversa). Cabe ao professor estar atento e interessado, auxiliar na construção conjunta das falas das crianças para torná-las mais completas e complexas. Ouvir atentamente o que a criança diz para ter certeza que entendeu o foi dito. Evocar lembranças como objetos, figuras, componentes desencadeadores das lembranças das crianças e seu uso, pode ajudar a enriquecer sua narrativa. Na brincadeira, e por meio dela, a criança exercita seus processos mentais. Sem esse exercício, seu pensamento pode permanecer superficial e pouco desenvolvido. O desenvolvimento da linguagem também é favorecido se o educador participar de conversas prolongadas, num nível apropriado. Brincar é muito importante, porque enquanto estimula o desenvolvimento intelectual da criança, também ensina, sem que ela perceba, os hábitos mais necessários a esse crescimento, como a persistência, tão relevante em todo aprendizado. A) EXPECTATIVAS DE APRENDIZAGEM Os alunos, ao final do Maternal, deverão ser capazes de: Classificar atendendo a atributos diversos; Participar de contagem de rotina, respeitando a seriação dos números; Realizar contagem oral em contextos diversos; Utilizar expressões relacionadas à quantidade em suas brincadeiras; Identificar números em diferentes contextos; III - MATEMÁTICA 1- Números e Operações
  14. 14. 13 Resolver situações-problemas envolvendo conceitos matemáticos adequados a faixa etária da criança; Utilizar materiais diversos e desenhos para caracterizar uma situação-problema. Perceber o próprio corpo através de atividades lúdicas; Identificar as semelhanças e diferenças entre objetos de seu cotidiano; Montar e desmontar caixas de diversas formas e tamanhos; Perceber os espaços e relacioná-los a seu corpo e de seus colegas; Utilizar em suas brincadeiras, objetos construídos com materiais diversos (bola de papel, arco de jornal, boliches de garrafas de plástico etc.); Adquirir conceitos básicos sobre dimensão (grande/pequeno), massa (leve/pesado), capacidade (cheio/vazio), temperatura (quente/frio),distância (perto/longe); Perceber os períodos do dia, através das atividades de rotina; Utilizar mãos e pés como medidas não padronizadas; Participar de jogos e brincadeiras que proporcionem noções de grandezas e medidas. Participar de elaboração de gráficos e tabelas, tendo como mediador o professor; Comparar dados registrados com desenhos ou figuras com a intervenção do professor; B) CONTEÚDOS – MATEMÁTICA Classificação. Contagem de rotina. Comparação de quantidades 2- Espaço e Forma 3 - Grandezas e Medidas 4 - Tratamento de Informação 1- Números e Operações
  15. 15. 14 Seriação. Contato com símbolos numéricos. Organização do material de sucata. Realização de operações mentais, através de situações-problema, utilizando-se desenhos, jogos e materiais. Percepção do próprio corpo, utilizando-se de atividades lúdicas. Identificação de semelhanças e diferenças entre objetos. Montagem e desmontagem de caixas. Percepção de espaços relacionados a seu corpo e de seus colegas. Construção de objetos para serem utilizados nas brincadeiras. Conceitos básicos sobre medidas. Percepção dos períodos do dia, através das atividades de rotina. Medidas não padronizadas, utilizando mãos e pés. Percepção de grandezas e medidas a partir do seu próprio corpo (altura, peso,silueta). Elaboração de gráficos e tabelas com mediação do professor. Comparação de dados desenhados ou registrados com figuras, tendo a intervenção do professor. C) ORIENTAÇÕES DIDÁTICAS As crianças estão imersas em um universo do qual os conhecimentos matemáticos são parte integrante; participam de uma série de situações envolvendo números, relações entre quantidades, noções sobre espaço. Toda essa vivência, dentro e fora da escola, favorece a elaboração de conhecimentos matemáticos. As noções matemáticas (contagem, relações quantitativas, espaciais, etc.) são construídas pelas crianças a partir das experiências proporcionadas pelas interações com o meio, pelo intercâmbio com outras pessoas que possuem interesses, conhecimentos e necessidades que podem ser compartilhadas. As crianças têm várias experiências com o universo 2 – Espaço e Forma 3 – Grandezas e Medidas 4 – Tratamento da Informação
  16. 16. 15 matemático e outros que lhes permitem fazer descobertas, tecer relações, organizar o pensamento, o raciocínio lógico, situar-se e localizar-se espacialmente. O professor precisa organizar o espaço de modo a estimular o interesse da criança para a percepção de pontos de referência nos seus deslocamentos, iniciando assim, a construção de noções de proximidade, interioridade e direcionalidade. Propiciar à criança o contato livre com diferentes materiais, portadores de atributos diversos, como cor, forma, tamanho, textura, temperatura, odor, utilidade entre outros, que possam estimular sua percepção e raciocínio. Atividades em que a criança possa empilhar, pendurar, enfileirar, sobrepor, construir e encaixar podem favorecer o desenvolvimento de percepções e raciocínio. Por meio dos seus sentidos, ela começa a explorar e a interpretar o ambiente que a rodeia e, antes mesmo de dominar as palavras, passa a conhecer o espaço e as formas presentes nele. O espaço físico é o lugar de movimento das crianças, onde elas estabelecem pontos de referência para situar-se, posicionar-se e deslocar-se, bem como para identificar relações de posição entre objetos, interpretar e fornecer instruções para construir a terminologia adequada. A compreensão do espaço e forma, ocorre quando as crianças se envolvem de modo reflexivo em distintas situações de visualização, manipulação, comunicação, orientação, representação, construção e reconstrução de figuras geométricas planas e espaciais. Por meio desse campo de conhecimento da Matemática o aluno desenvolve noções e habilidades de pensamento que lhe permitirão compreender, descrever e representar o mundo em que vive. Propor atividades a serem exploradas no maternal que sejam conduzidas de forma que o aluno receba estímulos para assimilação e abstração dos conceitos básicos do pensamento lógico por meio de desafios, da liberdade de experimentação e expressão de suas descobertas e sentimentos. No dia-a-dia surgem inúmeras situações que o educador pode aproveitar para estimular a criança a pensar, relacionar e construir conceitos a partir de suas próprias indagações. Sendo assim, o professor precisa levar em conta as experiências intuitivas das crianças e propor atividades de caráter prático e utilitário. As brincadeiras de construir torres pistas, cidades, blocos de madeira, encaixe possibilitam representar o espaço em outra dimensão. O faz-de-conta das crianças pode ser enriquecido, organizando espaços próprios com objetos e brinquedos que contenham números, como telefone, máquina de calcular, relógio, entre outros. A postura do professor frente ao trabalho é fundamental. O professor precisa adquirir o prazer de brincar e se envolver nestas atividades, para que o aluno aprenda a tirar proveito desse momento. Todas as dificuldades de relacionamento não são resolvidas neste
  17. 17. 16 momento, por isso é de extrema importância os alunos perceberem que seus professores participam com prazer em atividades lúdicas. A elaboração de jogos nos quais os participantes devem contar, enquanto espera os outros se posicionarem, brincadeiras e cantigas que incluem diferentes formas de contagem, possibilitam que as crianças aprendam e progridam em suas aprendizagens, o professor deve levar em conta que elas ocorrem de formas diferentes entre as crianças e para que esse ato de contagem não se torne mecânico é necessário que o aluno compreenda o sentido do que está fazendo. A) EXPECTATIVAS DE APRENDIZAGEM Os alunos, ao final do Maternal, deverão ser capazes de: Manipular, com interesse, diferentes objetos e materiais; Explorar características, propriedades e possibilidades de manuseio dos objetos; Gostar de desenhar, apresentando progressivo desenvolvimento de acordo com a idade; Organizar os materiais no espaço físico cuidando da sala; Utilizar diversos materiais plásticos em superfícies diferentes expressando-se e comunicando-se; Utilizar a dança e movimentos gestuais para expressar-se; Explorar diferentes recursos para pintar, desenhar , colar,entre outros; Cuidar dos materiais e trabalhos produzidos em grupo ou individualmente; Observar e identificar imagens relacionadas às suas vivências; Explorar as cores em objetos do seu cotidiano; Explorar propriedades características de diferentes materiais; Expressar-se livremente por meio de desenho, pintura, colagem e escultura; Interessar-se pelas próprias produções; Compreender o mundo pelos cinco sentidos; Explorar obras de arte de diversos artistas. IV – ARTES VISUAIS
  18. 18. 17 B) CONTEÚDOS – ARTES VISUAIS O FAZER ARTÍSTICO APRECIAÇÃO EM ARTES REFLEXÃO - Exploração e manipulação de materiais, como giz de cera e papel de diferentes texturas, tintas, água, cera de abelha, entre outros. - Exploração e reconhecimento de diferentes movimentos gestuais, visando a produção de arte. - Cuidado com o próprio corpo e dos colegas no contato com os suportes e materiais de artes. - Cuidado com os materiais e com os trabalhos e objetos produzidos individualmente ou em grupo. - Exploração e reconhecimento de diferentes movimentos gestuais desenvolvendo todos os segmentos de coordenação - Observação e identificação de imagens diversas (descrição, percepção e fruição). - Apreciação, observação das obras de artes e seus criadores. - Utilização de mídia - Analise sobre todos os conteúdos do objeto artístico que se manifesta nas atividades, compartilhando perguntas e afirmações. C) ORIENTAÇÕES DIDÁTICAS O desenho da criança pequena brota de forma espontânea. Eles são manifestações de forças formativas que estão modelando seu corpo. Essas forças são tão abundantes que transbordam constantemente na atividade de desenhar. As formas que a criança mostra no seu desenho espelham a maneira como as forças plasmadoras estão agindo no seu interior. Através dos desenhos, o educador pode observar o desenvolvimento da consciência da criança e do estado de seu amadurecimento corpóreo. O professor pode desenhar junto com a criança, não com o objetivo das crianças copiarem seu desenho, mas para que elas imitem sua atitude de trabalho e dedicação. O que importa nessa idade é o processo, não o resultado final. As habilidades descritas nessa competência sugerem conhecimentos que o educando deve atingir para que as artes visuais possam exercer plenamente sua função expressiva e comunicativa. Sabe-se que a representação pictórica que antecede a construção da escrita é realizada inicialmente pelo prazer do gesto que é antes de tudo um ato motor. Ao notar que esse gesto produziu o traço, a criança irá produzi-lo novamente pelo prazer do efeito “traço” e somente mais tarde quando controla seus movimentos e passa a coordená-los, começa a registrar formas gráficas e plásticas mais elaboradas. Considerando que a educação em artes visuais, visa despertar o prazer de aprender e a alegria de conviver, é essencial que a criança sinta liberdade para criar, expressar e compartilhar seus sentimentos. Portanto, o mais importante nesta competência é que a produção artística tenha significado real para a criança que produz, refletindo assim, a evolução dos seus processos intelectuais.
  19. 19. 18 Ao planejar as aulas, o educador precisa sentir que a atividade é importante e identificar-se com ela. É necessário trabalhar com leitura de imagens, elaborar perguntas que instiguem a observação, a descoberta e o interesse das crianças e escolher o contexto adequado para apresentação da imagem. As atividades a serem realizadas envolverão diferentes materiais que permitam à criança a usar sua imaginação, ao expressar-se através de algumas produções. Quando se tratar de atividades de desenho ou pintura, é aconselhável que o professor esteja atento para oferecer suportes variados e de diferentes tamanhos para serem utilizados individualmente ou em pequenos grupos, como panos papéis ou madeiras, que permitam a liberdade do gesto solto, do movimento amplo e que favoreçam um trabalho de exploração da dimensão espacial, tão necessária às crianças desta faixa etária. É preciso trabalhar os cuidados necessários com o próprio corpo e com o corpo dos outros, principalmente com os olhos, boca, nariz e pele, quando elas manuseiam materiais , instrumentos e objetos. A seleção de materiais deve ser subordinada à segurança que oferecem. Deve-se evitar materiais tóxicos, cortante e devem ser organizados de maneira a que as crianças tenham fácil acesso a eles. Contribuindo para que elas possam cuidar dos materiais de uso individual e coletivo, desenvolvendo noções relacionadas à sua conservação. A) EXPECTATIVAS DE APRENDIZAGEM Os alunos, ao final do Maternal, deverão ser capazes de: Perceber eventos sonoros. Discriminar eventos sonoros, fontes sonoras e produções musicais. Reproduzir criações musicais. Participar brincadeiras cantadas. Cantar desenvolvendo a memória musical. Fazer relação entre som e silêncio. Explorar diferentes materiais para reproduzir sons. Brincar com a música. Produzir sons por meio da manipulação de objetos. Acompanhar ritmos musicais. Interpretar, por meio da voz, repertórios musicais. Perceber e imitar sons. Criar sons e ritmos com o próprio corpo. V- MÚSICA
  20. 20. 19 Experimentar o silêncio como linguagem musical. Brincar, imitar, inventar e reproduzir criações musicais. Reconhecer a música como linguagem. B) CONTEÚDOS – MÚSICA Exploração, expressão e produção do silêncio e de sons com a voz, o corpo, o entorno e materiais sonoros diversos. Interpretação de músicas e canções diversas. Participação em brincadeiras e jogos cantados e rítmicos. Combinações dos parâmetros: música, ritmo, melodia e harmonia. Exploração de materiais e a escuta de obras musicais para propiciar o contato e experiências com a matéria – prima da linguagem musical: o som ( e suas qualidades) e o silêncio; Parâmetros de som: Altura (sons graves, médios e agudos); Duração / ritmo (sons longos, médios e curtos); Intensidade (sons fortes, mezzo-forte e piano); Timbre (sons instrumentais e vocais). Escuta de obras musicais diversas; Participação em situações que integrem músicas, canções e movimentos corporais; Exploração da música em atividades lúdicas como jogos, brincadeiras, entre outros. C) ORIENTAÇÕES DIDÁTICAS A expressão musical das crianças é caracterizada pela ênfase nos aspectos intuitivo e afetivo e pela exploração (sensório-motora) dos materiais sonoros. As crianças integram a música às demais brincadeiras e jogos: cantam enquanto brincam, acompanham com sons os movimentos de seus carrinhos, dançam e dramatizam situações sonoras diversas, conferindo “personalidade” e significados simbólicos. Música é o envolvimento ordenado do tempo e de tons no espaço ao qual a criança pequena se liga de forma integral, pois vivencia esse movimento como expressão de processos internos, dando-lhe possibilidade de levar este impulso ao encontro de leis e formas claras de pensar, sentir e agir, sem, contudo, tirá-la do ambiente lúdico e de fantasias que lhe é próprio.
  21. 21. 20 O trabalho de música desenvolve nas crianças de 2 e 3 anos as capacidades de: ouvir, perceber, discriminar eventos sonoros diversos, fontes sonoras e produções musicais; brincar com músicas, imitar, inventar e reproduzir criações musicais. O lúdico é um agente e aliado ao trabalho com a música que induz a motivação e a diversão e está sempre presente nas brincadeiras infantis realizadas por vontade própria. O lúdico representa liberdade de expressão, renovação e criação, do ser humano. Devido a estas qualidades e ainda possuir motivação própria é que acreditamos que atividades lúdicas podem representar uma diferente forma de ensinar dentro deste eixo curricular, pois conseguem que a criança/aluno se interesse pela aula e participe dela de forma natural. A) EXPECTATIVAS DE APRENDIZAGEM Os alunos, ao final do Maternal, deverão ser capazes de: Reconhecer segmentos do corpo. Explorar possibilidades de gestos e ritmos corporais. Expressar-se em brincadeiras e demais situações. Desenvolver atitudes de confiança nas próprias capacidades motoras. Explorar e utilizar movimentos de prender, encaixar, lançar materiais e objetos. Ter habilidade na coordenação motora ampla, sentando, correndo, andando e pulando. Demonstrar progressiva destreza para se deslocar no espaço. Apresentar confiança progressiva em suas capacidades motoras. Utilizar as possibilidades de movimento do próprio corpo em jogos e brincadeiras. Controlar gradualmente o próprio movimento. Ampliar gradativamente a independência de movimentos de um lado do corpo em relação ao outro. Expressar sensações e ritmos corporais por meio de gestos, posturas e linguagem oral. B) CONTEÚDOS – MOVIMENTO Exploração de diferentes posturas corporais, como sentar-se em diferentes inclinações, deitar-se em diferentes posições, ficar ereto apoiado na planta dos pés com e sem ajuda. Ampliação progressiva da destreza para deslocar-se no espaço por meio da possibilidade constante de andar, pular, rastejar, rolar e correr, variando o ritmo e a intensidade dos movimentos. VI - MOVIMENTO
  22. 22. 21 Aperfeiçoamento de gestos relacionados com a preensão, o encaixe, o traçado no desenho, o lançamento, por meio da experimentação e utilização de suas habilidades manuais em diversas situações cotidianas. Os movimentos diversos devem ser explorados (pular, correr, rolar, rastejar, deslizar e andar) variando o ritmo e a intensidade dos movimentos, sobre ou entre linhas, sobre superfícies elevadas, de cócoras, de costas, na ponta dos pés, nos calcanhares, apoiando-se nas laterais dos pés. Exploração das capacidades de força, coordenação, resistência, velocidade, flexibilidade e equilíbrio. Observação da coordenação dos grandes músculos (movimento do tronco, braços, pernas, cabeça ou do corpo todo) e dos pequenos músculos (movimentando olhos, lábios, língua e dedos). Exploração das capacidades para o desenvolvimento das percepções: corporal, espacial e temporal através de jogos e brincadeiras infantis. Observação e exploração da formação psicomotora da criança (coordenação motora ampla e coordenação motora fina). Organização de atividades motoras globais, para melhores condições de constituir uma lateralidade homogênea e coerente. C) ORIENTAÇÕES DIDÁTICAS Na Educação Infantil, este eixo, destaca-se principalmente pela estruturação da motricidade da criança, buscando o equilíbrio entre as necessidades individuais e coletivas, por meio de atividades lúdicas, desenvolvendo a consciência corporal e espaço-temporal. Assim, o movimento nessa faixa etária, é essencial para que a criança conheça e domine gradativamente seu corpo, reconhecendo características físicas que integram a sua pessoa, afirmando a sua identidade, potencializando o seu desenvolvimento, nos aspectos físico, cognitivo e social. Ao movimentar-se a criança expressa sentimentos, emoções e pensamentos, podendo estabelecer uma relação de confiança, respeito e afetividade com o seu semelhante. O professor deve ter em mente a construção de ambientes educativos na pluralidade dos espaços ao se trabalhar com o movimento. Um bom trabalho com o movimento na escola precisa de uma junção de fatores como: concepções, comportamento, compromisso, materiais e espaços. O lúdico é um agente que induz a motivação e a diversão e está sempre presente nas brincadeiras infantis realizadas por vontade própria. O lúdico representa liberdade de expressão, renovação e criação, do ser humano. Dessa forma o professor deve aproveitar de forma consciente o lúdico como instrumento metodológico durante as aulas com o eixo
  23. 23. 22 movimento, possibilitando um desenvolvimento que respeite e realize o desenvolvimento da criança. É importante que o professor perceba os diversos significados que pode ter a atividade motora para as crianças. Isso contribuirá para que ele possa ajudá-las a ter percepção adequada de seus recursos corporais, de suas possibilidades e limitações sempre em transformação, dando-lhes condições de se expressarem com liberdade e de aperfeiçoarem suas competências motoras. Os conteúdos inseridos deverão ser trabalhados na rotina das crianças, atividades que busquem valorizar o movimento nas suas dimensões expressivas, instrumentais e culturais. Brincadeiras que envolvam o canto e o movimento, simultaneamente, bem como cantigas e brincadeiras de cunho afetivo nas quais o contato corporal é o seu principal conteúdo, possibilitam a percepção rítmica, a identificação das partes do corpo e o contato físico e amoroso com o adulto. Alguns materiais, em contato com o corpo da criança, podem proporcionar vivências significativas no que diz respeito à sensibilidade corporal e desenvolvimento dos órgãos do sentido. As características físicas de fluidez, textura, temperatura e plasticidade da terra, da areia e da água propiciam atividades sensíveis interessantes, assim como o uso de tecidos de diferentes texturas e pesos, em brincadeiras prazerosas como fazer cabanas, túneis, labirintos, entre outros. As mímicas faciais e gestos possuem um papel importante na expressão dos sentimentos, assim sendo, brincar de fazer caretas ou de imitar bichos propicia a descoberta das possibilidades expressivas de si próprio e dos outros. A participação de brincadeiras de roda ou de danças circulares, favorecem o desenvolvimento da noção de ritmo individual e coletivo, como também, as brincadeiras tradicionais, na qual cada verso corresponde a um gesto, proporcionam a oportunidade de descobrir e explorar movimentos ajustados ao ritmo, promovendo também a possibilidade de expressar emoções. É necessário que o professor cuide de sua expressão e posturas corporais ao se relacionar com as crianças, pois sendo o modelo para elas, fornece-lhes todo o repertório de gestos e atitudes nas diversas atividades que desenvolve. A) EXPECTATIVAS DE APRENDIZAGEM Os alunos, ao final do Maternal, deverão ser capazes de: Explorar o ambiente se relacionando com pessoas. VII – NATUREZA E SOCIEDADE 1 - Organização dos grupos e seu modo de ser, viver e trabalhar
  24. 24. 23 Expressar-se de maneira curiosa pelo mundo social e natural que o cerca. Perceber e compreender a existência de normas, valores no ambiente escolar. Interagir com pessoas com as quais convive estabelecendo vínculos afetivos. Identificar os membros da família e outras pessoas com as quais convive. Interagir com as pessoas com as quais convive estabelecendo vínculos afetivos. Identificar relações de parentesco. Narrar acontecimentos familiares. Conhecer algumas tradições culturais de sua comunidade. Explorar o meio ambiente através da ação e observação. Descrever o ambiente em que se encontra. Perceber a importância de alguns cuidados no uso dos objetos do cotidiano. Observar e lidar com transformações decorrentes de misturas de elementos e materiais. Desenvolver hábitos de organização contribuindo para a preservação do meio ambiente. Observar e participar de atitudes de manutenção e preservação da paisagem local. Valorizar a natureza e seus elementos. Reconhecer mudanças na paisagem e no clima. Estabelecer contato com pequenos animais e plantas. Observar e descrever animais e plantas que fazem parte da sua vivência. Desenvolver o respeito e cuidado com os animais. 2 - Os lugares e suas paisagens 3 – Objetos e processo de transformação 4 – Fenômenos da Natureza 5 – Seres Vivos
  25. 25. 24 B) CONTEÚDOS – NATUREZA E SOCIEDADE Participação em atividades que envolvam histórias, brincadeiras, jogos e canções que digam respeito às tradições culturais de sua comunidade e de outros grupos. Manipulação, experimentação, questionamentos, fazendo pequenas descobertas. Socialização. Atenção, percepção, memória, linguagem. Tradições culturais. Eu criança. Permitir à criança o deslocamento livre no espaço, o contato com plantas, animais, pessoas e diferentes tipos de objetos que façam parte do seu cotidiano, resguardando os devidos cuidados com a segurança. Relações espaciais topológicas. Exploração do ambiente relacionando-o a si e ao outro. Participação em situações que envolvam leitura de imagens (desenhos, fotografias, ilustrações) de diferentes paisagens. Rotina, cotidiano e cuidados. Participação em atividades que envolvam confecções de painéis, brinquedos, maquetes entre outros. Cuidado no uso de objetos do cotidiano. Relações temporais. Exploração de diferentes objetos, de suas propriedades e de relações simples de causa e efeito. 1 - Organização dos grupos e seu modo de ser, viver e trabalhar 2 - Os lugares e suas paisagens 3 – Objetos e processo de transformação 4 – Fenômenos da Natureza
  26. 26. 25 Elementos da natureza. Fenômenos da natureza. Preservação da natureza. Os astros. Conhecimento do próprio corpo por meio do uso e da exploração de suas habilidades físicas, motoras e perceptivas. As plantas. Os animais. Exploração do ambiente, estabelecendo contato com pequenos animais, com plantas e com objetos diversos manifestando curiosidades e interesses. C) ORIENTAÇÕES DIDÁTICAS Considerando a grande diversidade de temas que este eixo oferece, é necessário estruturá-lo de forma a escolher os assuntos mais relevantes para as crianças e o seu grupo social, mostrando o meio natural e social dentro de um contexto de veneração, respeito, amor e, sobretudo, confiança no mundo que está sendo descoberto e percebido. O professor deve partir de perguntas interessantes, em lugar de apresentar explicações, de passar conteúdos utilizando didáticas expositivas. Como seres humanos, ao interagir com a natureza busca-se compreender seus fenômenos e construir conceitos. Seria equivocado pensar num trabalho pedagógico com a natureza desvinculada do cotidiano, visto que ela está entrelaçada nas mais variadas situações da vida da criança. Desde o nascimento, a criança estabelece relações com o mundo em sua volta e à medida que se desenvolve, encontra estratégias de compreendê-lo, pois, por essência é um sujeito curioso, que constrói hipóteses, generaliza conceitos e aprende agindo sobre os objetos de conhecimento, sem necessitar de respostas fabricadas pelo adulto. Há que se levar em conta que a proposta de trabalho da escola de educação infantil revela princípios teórico-metodológicos, os quais permitem considerar os conhecimentos cotidianos das crianças, as rodas de conversa, a observação e a experiência, a investigação, o brincar, a leitura de imagens e materiais e a sistematização. Leitura de imagens e objetos: as imagens produzidas pelos homens, como desenhos, fotografias, pinturas, filmagens, entre outras, além dos objetos, são recursos inestimáveis 5 – Seres Vivos
  27. 27. 26 para obter inúmeras informações. É importante que a criança aprenda “ler” esses objetos e imagens. Objetos antigos que pertencem às famílias, vídeos, filmes, programas de televisão são poderosos recursos para se analisar como viveram pessoas de outras épocas e grupos sociais. É necessário que o educador entenda os anseios das crianças para compreender a importância do lúdico, associando-o ao processo de aprendizagem da natureza e sociedade. Quando feito isso terá uma tarefa muito mais difícil que é o de associar o lúdico ao conteúdo a ser ministrado, sem que ambos percam suas essências, sendo sacrificado o menos possível, desencadeando um equilíbrio entre as duas funções. Promover uma metodologia investigativa na aprendizagem do eixo natureza e sociedade, garante não apenas uma mudança conceitual, mas também um envolvimento produtivo dos envolvidos, em termos de ação educativa. Utilizar de uma educação dialógica, investigadora, organizativa e integrada, aliando os conceitos científicos à prática. A organização do trabalho do professor é de grande importância para o processo de uma metodologia investigativa dentro da natureza e sociedade, onde o professor deve planejar, ter ações, observações, refletir diante à todo esse processo e re-planejar. O contato com pequenos animais pode ser proporcionado por meio de atividades que envolvam a observação, a socialização de experiências, o cuidado e a criação com ajuda do adulto. Cuidar de plantas e acompanhar seu crescimento podem se constituir em experiências bastante interessantes para as crianças. O professor pode cultivar algumas plantas em pequenos vasos ou floreiras, propiciando às crianças acompanhar suas transformações e participar dos cuidados que exigem. Se houver possibilidade, as crianças poderão, com o auxílio docente, participar de do processo de preparação e plantio de uma horta coletiva no espaço externo. O trabalho com brincadeiras, músicas, histórias, jogos e danças tradicionais favorece a ampliação e a valorização da cultura de seu grupo pelas crianças. O professor deve propiciar o acesso das crianças a esses conteúdos, inserindo-os nas atividades e no cotidiano escolar. Sabemos que ensinar ao longo do ano deve ser baseado nas expectativas de aprendizagem de cada eixo curricular. Porém o professor deve organizar e colocar tudo isso em prática no dia-a-dia. Como em um jogo de encaixar peças, planejar e utilizar essas modalidades ao longo do ano exige visão global do processo e capacidade de projetar cenários e encadear situações, pois eles são VIII - Modalidades Organizativas Fundamentais
  28. 28. 27 módulos complementares que podem ser interligados ou usados separadamente, em montagens que devem levar em consideração os objetivos e os conteúdos a trabalhar. Toda essa rede de atividades tem de estar desenhada antes mesmo de começar o ano letivo. O ideal é começar do todo e, aos poucos, criando as ramificações. Fazer esse tipo de previsão ajuda a guiar os passos, evita a sobreposição de assuntos e clareia o ponto de partida e o de chegada. As definições e especificidades de cada uma das modalidades organizativas são bem claras: As atividades permanentes devem ser realizadas regularmente (todo dia, uma vez por semana ou a cada quinze dias). Normalmente, não estão ligadas a um projeto e, por isso, têm certa autonomia. As atividades servem para familiarizar os alunos com determinados conteúdos e construir hábitos. Por exemplo: a leitura diária em voz alta faz com que as crianças aprendam mais sobre a linguagem e desenvolvam comportamentos leitores. Ao planejar esse tipo de atividade, é essencial saber o que se quer alcançar, que materiais usar e quanto tempo tudo vai durar. Vale sempre contar para as crianças que a atividade em questão será recorrente – ao longo do semestre ou mesmo do ano todo. Já as sequências didáticas são um conjunto de atividades ligadas entre si, planejadas para ensinar um conteúdo, etapa por etapa. Organizadas de acordo com os objetivos que o professor quer alcançar para a aprendizagem de seus alunos, elas envolvem atividades de aprendizagem e de avaliação. Os objetivos são focar conteúdos mais específicos, com começo, meio e fim. Em sua organização, é preciso prever esse tempo e como distribuir as sequências em meio às atividades permanentes e aos projetos. É comum confundir essa modalidade com o que é feito no dia-a-dia. A questão é: há continuidade? Se a resposta for não, você está usando uma coleção de atividades com a característica de sequência. O projeto didático, modalidade que muitas vezes se confunde com os projetos institucionais (que envolvem a escola toda). Suas principais características são a existência de um produto final e objetivos mais abrangentes. Os erros mais comuns em sua execução são certo descaso pelo Atividades Permanentes Sequências Didáticas Projeto Didático
  29. 29. 28 processo de aprendizagem, com um excessivo cuidado em relação à chamada culminância. Deve-se partir de questões ou situações reais e concretas, contextualizadas, que interessem de fato aos alunos. Compreender que a situação-problema é o objetivo do projeto. As ações e os conhecimentos necessários para a compreensão são discutidos e planejados entre o professor e os alunos. Todos têm tarefas e responsabilidades. É como se fosse uma viagem: estamos em São Paulo (o que sabemos) e queremos chegar a Salvador (o caminho simboliza o que vamos aprender). Temos de decidir o que fazer o que levar dividir tarefas. Durante a viagem, teremos também de tomar novas decisões. A aprendizagem se dá durante todo o processo e não envolve apenas conteúdos. Aprendemos a conviver, a negociar, a nos posicionar, a buscar e selecionar informações e registrar tudo isso. Cada assunto constrói-se sobre ele próprio e estende-se sobre as outras áreas. Ocorre a interação de duas ou mais disciplinas, num processo que pode variar da simples comunicação de ideias até a integração recíproca de objetivos, finalidades, conceitos, conteúdos, terminologia, metodologia, procedimentos, dados e formas de organizá-los e sistematizá-los no processo de construção de conhecimento. Por fim, temos a rotina escolar que é uma sequência de atividades que visam a organização do tempo que a criança permanece na escola. Apóia-se na reprodução diária de momentos e nos indícios e sinais que remetem às situações do cotidiano. A espinha dorsal da rotina são alguns marcos temporais que quase nunca se alteram: a chegada, a roda da conversa, o lanche, a sala de aula, aparelhos recreativos, higiene, almoço e o repouso (para crianças de período integral), a saída, e é importante manter constantes os parâmetros principais da rotina, para que as crianças se sintam seguras e não se desorganizem. Entretanto, outros momentos se interpõem, levando em conta o ritmo do grupo, que é dinâmico. Assim, constantemente surgem novas experiências e alterações, mas o professor se manterá em seu papel de “porto seguro”. Uma rotina compreensível e claramente definida é, também, um fator de segurança. Serve para orientar as ações das crianças e dos professores e favorece a previsão de situações que possam vir a acontecer. As atividades de rotina são aquelas que devem ser realizadas diariamente, oportunizando as crianças o desenvolvimento e a manutenção de hábitos indispensáveis à preservação da saúde física e mental como, por exemplo, a organização, a higiene, o repouso, a alimentação correta, o tempo e os espaços adequados, as atitudes, as atividades do dia, entre outras. Por caracterizar-se como facilitadora da aprendizagem, a rotina, então não deve transformar-se numa Rotina Escolar
  30. 30. 29 planilha diária de atividades, rígida e inflexível, exigindo a adaptação da criança a ela. A flexibilidade, portanto, é fundamental e a criança precisa aprender a lidar com o inesperado. A organização do tempo precisa ensejar alternativas diversas e, frequentemente, simultâneas de atividades mais ou menos movimentadas, individuais ou grupais, que exijam maior ou menor grau de concentração da atenção; determinar a hora do repouso, da alimentação, da higiene, a hora do brinquedo, da recreação, do jogo e do trabalho com sequências didáticas. Não podemos esquecer que as atividades organizadas contribuem, direta ou indiretamente, para a construção da autonomia: competências que perpassam todas as vivências das crianças. Os alunos vão chegando e logo ficam curiosos para definir e conhecer o que ocorrerá no dia, por isso a importância da rotina e da sala de aula possuir um quadro de rotinas. Com um quadro de rotinas é fácil determinar as ordens das tarefas junto com os alunos da Educação Infantil. Então é fundamental que cada o professor confeccione o seu, pois sempre começa o dia mostrando para a turma as atividades que fazem parte daquele dia. Isso ajuda a controlar a ansiedade. O ideal é que ele fique em lugar bem visível. A avaliação na Educação Infantil consiste num processo investigativo e mediador, porque é a dimensão da interação e não da certeza, os julgamentos, as afirmações inquestionáveis sobre o que a avaliação é ou não é capaz de fazer. Dessa forma a ação avaliativa é a própria mediação entre a criança, sua realidade e o espaço institucional, onde está inserido o educador com suas impressões do mundo, suas concepções a respeito das crianças, seu entendimento do papel da Educação Infantil. A avaliação em Educação Infantil precisa resgatar o sentido essencial de acompanhamento do desenvolvimento infantil, de reflexão permanente sobre as crianças em seu cotidiano como elo da continuidade da ação pedagógica. O conhecimento de uma criança é construído lentamente, pela sua própria ação e por suas próprias ideias que se desenvolvem numa direção, para maior coerência maior riqueza e maior precisão. Portanto, mediar à ação educativa, significa para o educador a abertura de entendimento a essas permanentes possibilidades, consciente de que as suas expectativas podem não corresponder às formas peculiares e próprias da criança responder às situações. IX- AVALIAÇÃO
  31. 31. 30 Registros de avaliação significativos devem procurar documentar e ilustrar a história da criança no espaço pedagógico, sua interação com os vários objetos do conhecimento, sua convivência com os adultos e outras crianças que interagem com ela. Destacamos três princípios norteadores da avaliação mediadora e que fundamentam a elaboração de registros de avaliação: 1 - Princípio de investigação docente: Trata-se de perseguir um espírito investigador sobre os processos utilizados por cada criança na construção dos conhecimentos. Isto implica que o professor esteja presente no ato avaliativo, com a sua maneira de pensar e de sentir, e que amplie o seu olhar sobre as crianças com os seus próprios pensamentos e sentimentos. 2 - Princípio de Provisoriedade dos juízos estabelecidos: Devido o desenvolvimento acelerado da criança e a permanente evolução de seu pensamento, são necessários registros freqüentes sobre o que se observa, como um exercício do aprendizado do olhar do professor, permanecendo sempre atento as novas descobertas de cada criança e do grupo como um todo. 3 - Princípio de complementariedade: O olhar do professor precisa acompanhar a trajetória da ação e do pensamento da criança, fazendo-lhe sucessivas e gradativas provocações, para poder complementar as hipóteses sobre o seu desenvolvimento. Nesse sentido, as diferenças das crianças no seu processo de desenvolvimento devem ser respeitadas. 4 - Princípios metodológicos da avaliação a) Anotações freqüentes e significativas sobre as manifestações de cada criança; b) Ação mediadora, acompanhando a dinâmica do seu processo de desenvolvimento; c) Diálogo freqüente e sistemático entre os educadores que lidam com a criança e os pais ou responsáveis; d) Sínteses organizadoras e reflexivas do trabalho docente através da elaboração de relatórios diários e relatórios semanais; e) Análise do processo de desenvolvimento individual da criança através de relatórios de avaliação semestrais.
  32. 32. 31 5- Delineamento relatórios de avaliação O registro da história da criança no processo avaliativo, não pode significar memória como função bancária, ou seja, há que se pensar no significado desse registro para além da coleta de dados ou informações. Por outro lado, em avaliação não há como nos basearmos apenas na memória, porque ela muitas vezes falha. A memória pode ser precária, generalista. Ela não é rigorosa e nem sempre se aprofunda. Relatórios e avaliação não podem reduzir seu significado ao cumprimento de uma função burocrática das instituições, e nem mesmo a satisfazer os pais em sua necessidade de conhecer ou controlar o trabalho que a instituição realiza com os seus filhos. Os relatórios de avaliação alcançam o seu significado primeiro à medida em que ultrapassam a função burocrática para expressar com objetividade e riqueza o processo vivido por alunos e professores através de anotações de suas descobertas, de suas falas, de conquistas que venha fazendo nas diferentes áreas do conhecimento. Destacamos nessa proposta os seguintes instrumentos avaliativos a serem desenvolvidos com os alunos do maternal: Instrumento de avaliação do aluno: é um instrumento de avaliação que pontua e amplia o desenvolvimento do processo qualitativo e subsidiam análises, discussões, procedimentos e principalmente socialização das experiências pedagógicas em relação ao desenvolvimento dos alunos de acordo com os conteúdos e expectativas traçadas na proposta em relação aos eixos curriculares, como forma de certificar a importância da participação de todos no desenvolvimento das aprendizagens das crianças desta faixa etária. Portfólio, dossiê, relatórios de avaliação, todas essas nomenclaturas se referem, no sentido básico, à organização de uma coletânea de registros sobre aprendizagem do aluno que ajuda o professor/professora, os próprios alunos/as e as famílias uma visão evolutiva do processo. É importante que a cada dia, seja feito pelo menos um registro, pois isso possibilita ao professor/a e ao aluno/a um retrato dos passos percorridos na construção das aprendizagens. Essa forma de registrar diariamente a caminhada do aluno/a tem o objetivo de mostrar a importância de cada aula, de cada passo, como uma situação de aprendizagem. A organização de um dossiê ou Portfólio torna-se significativo pelas intenções de quem o organiza. Não há sentido em coletar trabalhos dos alunos e alunas para mostrá-los aos pais/mães somente como instrumento burocrático. Ele precisa constituir-se em um conjunto de dados que
  33. 33. 32 expresse avanços, mudanças conceituais, novos jeitos de pensar e de fazer, alusivos à progressão do estudante. As ideias e estratégias de portfólio encorajam um enfoque de currículo e instituição centrada nas crianças através de observações regulares das mesmas, sendo que mediante esta proposta a criança estará sendo envolvida cada vez mais a participar do seu próprio processo de aprendizagem. A construção, a reflexão e a criatividade acabam desenvolvendo na criança um senso de auto- avaliação, levando-os a questionamentos dos conteúdos que serão desenvolvidos ao longo de sua vida escolar. Quanto mais o educador observa o desenvolvimento do seu aluno, mais irá entendê-lo e, para isso, é necessário que o educador tenha um desenvolvimento profissional contínuo, utilizando dessas observações para o aperfeiçoamento e à experimentação de diferentes estilos de ensino para que o educador supra as necessidades do seu aluno. Observações e registros sistemáticos: Os registros podem ser feitos no semanário ou no diário de bordo, onde cada professor registra acontecimentos novos, conquistas e/ou mudanças de seu grupo e de determinadas crianças, dados e situações significativos acerca do trabalho realizado e interpretações sobre as próprias atitudes e sentimentos. É real que, no dia-a-dia, o professor não consiga registrar informações sobre todas as crianças do seu grupo, mas é possível que venha a privilegiar três ou quatro crianças de cada vez e, assim, ao final do período, terá observado e feito registro sobre todas as crianças. Construção de um olhar global sobre a criança: A fim de evitar um ponto de vista unilateral sobre cada aluno, é fundamental buscar novos olhares: - Recolhendo outras visões sobre ela; - Contratando a visão dos responsáveis com o que se observa na escola; - Conhecendo o que os responsáveis pensam sobre o que a escola diz; - Refletindo sobre o que a família pensa em relação aos motivos de a criança comportar-se de determinada forma na escola. - Ouvindo a família sobre como pensa que poderia auxiliar a criança a avançar em seu desenvolvimento. Para isso, é preciso considerar a individualidade de cada criança. Sabe-se que não temos salas homogêneas, portanto, não se desenvolvem da mesma forma e no mesmo ritmo. Avaliar deve ser uma ação constante de acompanhamento deste processo, onde cada um tem suas características próprias e por isso segue diferentes ritmos de aprendizagem e desenvolvimento.
  34. 34. 33 “Sei muito bem que à primeira vista estas duas palavras - a pedagogia pelo lúdico – colocadas juntas, fazem um efeito de certas uniões infelizes, caracterizadas sobretudo pela incompatibilidade de caráter dos cônjuges; mas esta impressão cessa no momento em que se reflete,porque se compreende,então, que a pedagogia,em vez de estar limitada à instrução,abraça a cultura completa do ser.” (Kergomard e Kishimoto)
  35. 35. 34 ALMEIDA, Paulo Nunes de. Educação lúdica. São Paulo: Loyola, 1998. BRASIL. Lei nº 9394, de 20 de dezembro de 1996. LDB. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, 1996. BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Básica. Resolução nº5. Dezembro/2009.Fixa Diretrizes Curriculares Nacionais CENTURIÓN, Marília. et al. Jogos, projetos e oficinas para educação infantil. São Paulo: FTD, 2004. FERREIRO. Emília. Com todas as letras. Ed. Cortez. Abril, 2007. FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa, 2ª ed. São Paulo: Paz e Terra, 1997. GUIMARÃES. Célia M. Perspectivas para a Educação Infantil. Ed.JM. Araraquara. 2005 HOFFMANN, Jussara Maria Lerch. Avaliação Mediadora: uma prática em construção da pré- escola à universidade. Porto Alegre: Educação e Realidade, 1993. ________, Jussara Maria Lerch. Avaliação na Pré – Escola: um olhar sensível e reflexivo sobre a criança. Porto Alegre: Mediação, 2000. LERNER, D. Ler e escrever na escola: o real, o possível e o necessário. Porto Alegre: ARTMED, 2002. LIMA, Lilian. Por dentro da Educação Infantil. A criança em foco. WAK. Rio de Janeiro. 2010. LUCKESI, Cipriano Carlos. O que é mesmo o ato de avaliar a aprendizagem?. In: Revista Pátio. nº 12, fevereiro 2000. Ed. Artemed, ano 4. PEÇANHA, de Almeida Peçanha. Teoria e prática em psicomotricidade. WAK.Rio de Janeiro, 2009. PERRENOUD, Philippe. Avaliação: da excelência à regulação das aprendizagens - entre duas lógicas. Porto Alegre: Artes Médicas, 1999. REDIM, Euclides. O espaço e o tempo da criança: se der tempo a gente brinca. 4. ed.Porto Alegre: Mediação, 2003. Cadernos educação infantil, nº.06. SANTOS, S. M. P. dos. (org.). O lúdico na formação do educador. Petrópolis, RJ: Vozes,1997. ____________ Ofício de Aluno e sentido do trabalho escolar, Porto: Porto Editora, 1995 SHORESREVISTA: Nova Escola. Agosto-2006. SOLÉ, Isabel. Estratégias de Leitura. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998. VENGUER,L.Temas de Psicologia pré escolar.Havana:Pueblo y /educación,1986. VYGOTSKY,L.S.A .4.Formação social da mente. 4. Ed. São Paulo: Martins Fontes,1991. ZABALZA. Miguel. A. Qualidade em educação Infantil.Porto Alegre. ARTM REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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