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Salerno, Pádua, Nápoles, Toledo, Palencia, León, Salamanca, Coimbra, etc. Apesarde possuírem estatutos próprios, todas ela...
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No sul da França o processo ocorreu de forma mais lenta, pois a rede escolarera muito frágil. Seu funcionamento era muito ...
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Nos reinos de Portugal e Catalunha também foram criadas universidades nosmesmos moldes que os de Castela. Ambas foram cria...
Conclusão      As transformações culturais, politicas, econômicas e sociais dos séculos XII eXIII proporcionaram uma grand...
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O renascimento urbano do século XII proporcionou uma troca de conhecimento muito grande. Isso aliado ao comercio com povos árabes acabou trazendo de volta ao Ocidente, por meio dos livros, a cultura grega antiga. Com a criação das instituições de ensino, o nível de conhecimento da população é elevado, o que posteriormente vai culminar com o amadurecimento das ideias, e por consequência, o surgimento das primeiras universidades. Estas surgem de iniciativas de alunos e professores, recebendo um forte apoio da Igreja e do Estado que buscavam pessoas capacitadas para gerir seus interesses. Após isso, várias universidades foram surgindo, cada uma com sua particularidade, mas todas com grande importância para essa grande disseminação de conhecimento. Este trabalho tem como objetivo analisar o surgimento das primeiras e mais importantes universidades europeias, suas características, objetivos e fatores que possibilitaram seu aparecimento e expansão.

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O nascimentos das primeiras universidades europeias

  1. 1. O Nascimento das Primeiras Universidades Europeias Paulo Vitor Antonini Orlandin paulovitor_e@hotmail.comResumoO renascimento urbano do século XII proporcionou uma troca de conhecimentomuito grande. Isso aliado ao comercio com povos árabes acabou trazendo de voltaao Ocidente, por meio dos livros, a cultura grega antiga. Com a criação dasinstituições de ensino, o nível de conhecimento da população é elevado, o queposteriormente vai culminar com o amadurecimento das ideias, e por consequência,o surgimento das primeiras universidades. Estas surgem de iniciativas de alunos eprofessores, recebendo um forte apoio da Igreja e do Estado que buscavam pessoascapacitadas para gerir seus interesses. Após isso, várias universidades foramsurgindo, cada uma com sua particularidade, mas todas com grande importânciapara essa grande disseminação de conhecimento. Este trabalho tem como objetivoanalisar o surgimento das primeiras e mais importantes universidades europeias,suas características, objetivos e fatores que possibilitaram seu aparecimento eexpansão.Palavras chave: Universidades. Intelectuais. Escolas. Século XIII. Idade Média1. A Importância do Renascimento Urbano para a Formação do Intelectual Com o renascimento urbano do século XII surge uma nova figura entre osocidentais, um homem cujo trabalho é escrever ou ensinar, que trabalha com amente, ou seja, surgem os intelectuais. A figura do intelectual surge com asprimeiras cidades, sendo como mais um homem de ofício. A princípio estesprofissionais utilizavam os antigos como materiais de pesquisa copiando-os, ou seja,não contestavam suas ideias, apenas as reproduziam.1 Alain de Libera, em seu livro, Pensar na Idade Média, diz que o intelectualmedieval não apenas se limitava a reproduzir os antigos, mas que tambémquestionavam e produziam novos conhecimentos. Com o potencial comercial, que foi proporcionado pelas cidades, chegam osprimeiros manuscritos antigos ao ocidente cristão, abastecendo assim estes homens1 GOFF, Jacques Le. Os Intelectuais na Idade Média, tradução Maria Julia Goldwasser; p.19. 1
  2. 2. de saber. As regiões da Itália e da Espanha foram de grande importância para estatroca de saber, pois o contato com o povo árabe, detentor desses manuscritos, eramais intenso nestas regiões.2 A redescoberta dos livros de Aristóteles e aincorporação da filosofia grega na teologia e na filosofia cristã colaboraram muitopara esta expansão de conhecimento. Segundo Jacques Le Goff, um fator importante para a disseminação doconhecimento, é devido ao fato de os livros saírem dos mosteiros e chegarem até asuniversidades. Outros fatores que também contribuíram foram: a diminuição do seuformato, o inicio do uso de letras maiúsculas e minúsculas, perda do luxo emudanças para que o livro seja feito de forma mais prática. Aliás, ele não tem como instrumento apenas o seu espirito, mas também seus livros, que são seus instrumentos de trabalho. Graças a estes, ele se afasta do ensino oral da Alta Idade Média.3 Para Verger, durante os séculos XII e XIII, houve um progresso simultâneonos saberes e nas instituições de ensino. Isso se deve graças ao surgimento deescolas urbanas, que acabaram por aumentar o nível de conhecimento geral dapopulação cristã. Le Goff diz que é durante século XIII que essas ideiasamadurecem e se afirmam dentro das Universidades, que vão se disseminando porvárias regiões da Europa. Resta a esses artesãos do espirito, engendrados no desenvolvimento urbano do século XII, organizarem-se dentro de um grande movimento corporativo, coroado pelo movimento comunal. Essas corporações de mestres e estudantes serão, no sentido estrito da palavra, as universidades. Esta será a obra do século XIII.42. A Expansão Universitária no Século XIII Segundo Verger, o século XIII se caracteriza pela expansão e afirmação dasUniversidades por toda a Europa, se destacando principalmente as universidades deCambridge, Oxford, Bolonha e Paris. Com exceção de Bolonha, as outrasuniversidades sofreram forte influência dos franciscanos. Além dessas, tambémforam criadas várias universidades como Chartres, Reims, Montpellier, Tolouse,2 VERGER, Jacques. Cultura, Ensino e Sociedade no Ocidente nos Séculos XII e XIII.3 GOFF, Jacques Le. Os Intelectuais na Idade Média, tradução Maria Julia Goldwasser; p.58.4 GOFF, Jacques Le. Os Intelectuais na Idade Média, tradução Maria Julia Goldwasser; p.58. 2
  3. 3. Salerno, Pádua, Nápoles, Toledo, Palencia, León, Salamanca, Coimbra, etc. Apesarde possuírem estatutos próprios, todas elas estavam de alguma forma sob o domíniodo papa ou do rei. A exceção é novamente Bolonha, onde professores e estudantesconseguiram manter sua autonomia por algum tempo. Devido a influência exercidapelo papa ou pelo governo local, o conteúdo ensinado nessas universidades eracontrolado, ocorrendo com frequência interferências do rei, príncipe ou papa natentativa de controlar o conteúdo produzido por professores e alunos. Muitas vezesos interesses de ambos os lados entravam em conflito, fazendo com que um doslados defendesse a universidade da tentativa de controle do seu adversário. Cadauniversidade possuía seu próprio estatuto, garantindo assim monopólio naconcessão de graus universitários e autonomia jurisdicional. Eram compostas poruma pequena elite, pois a maioria dos frequentadores eram pessoas ligadas à Igrejae a pessoas de poder. Para Jacques Le Goff, o intelectual desta época tem o objetivo de alcançar opoder por meio da educação, que os estudos florescem com o objetivo de formarhomens para administrar o estado. Alain de Libera não recusa que o intelectual viseo poder, que haja uma associação entre poder e saber, mas defende que auniversidade foi um lugar da produção do saber também. [...] os homens do século XIII percebiam o ensino como uma atividade autônoma e um verdadeiro poder que contribuía para a animação do corpo social, que eles concebiam por outro lado, como sendo indissociavelmente ligado aos poderes politico e eclesiástico, com a Igreja e o Estado, o Papa e o príncipe.5 O nascimento das universidades foi consequência de dois fatores: o primeirose deve a uma mudança de mentalidade, que levou alunos e professores a seempenharem pela sua afirmação. O segundo fator foi o forte apoio da Igreja, que pormeio de concessões, privilégios, apoio material e até mesmo isenções fiscais,auxiliou muito a luta dos scolares contra alguns poderes estabelecidos. Este apoioda Igreja não era atoa, pois as autoridades superiores da cristandade esperavamobter retorno das universidades. Esses retornos poderiam ser de várias formas,como a teologia escolástica, que possibilitava à Igreja técnicas argumentativas eargumentos para combater os hereges e transmitir de forma mais clara seus ideais5 VERGER, Jacques. Cultura, Ensino e Sociedade no Ocidente nos Séculos XII e XIII; p.243. 3
  4. 4. aos fiéis. Além disso, também tinham interesses em administradores e juízes parafazer os julgamentos, pois os tribunais de oficio estavam surgindo. Os príncipestambém tinham grande interesse nos universitários, pois eram eles que faziam opapel de secretários, redigindo cartas e armazenando arquivos do Estado, e dejuízes, para manter a justiça de forma correta e rápida.3. As Universidades Francesas A universidade de Paris foi uma das primeiras corporações a serem formadas,servindo de modelo para as demais. Surgiu em 1170, composta pela escola dacatedral de Notre-Dame, com o título de Studium Generale, formando-se por meiode uma federação de mestres e escolas autônomas. Na França era comum aexistência de escolas vinculadas as catedrais, podendo o bispo controlar o ensino ea nomeação de professores. Segundo Verger, devido ao crescente número de alunos a estrutura da escolade Notre-Dame passou a ser insuficiente para atender a demanda, fazendo assim,com que os professores fossem instruídos a criar novas escolas ao redor.Posteriormente, estes professores, no intuito de defenderem seus interesses,começaram a se unir, formando corporações. Foi com base nesta organização quesurge o cargo de Reitor, cujo objetivo era o de transmitir as decisões tomadas pelacorporação à Igreja e ao governo. Os interesses mútuos destas escolas foram asaproximando, culminando com a criação de escolas maiores. A universidade de Paris recebeu grande apoio da Igreja, tornando-a umimportante centro de ensino teológico cristão. As ordens mendicantes Franciscana eDominicana exerceram grande influencia no ensino em Paris. Em Paris o estudo das Artes era considerado obrigatório, apenas após aconclusão deste curso o estudante poderia escolher entre se especializar emMedicina, Teologia ou Direito. Após completar o curso de Artes o estudante recebiaaulas sobre lógica, tópicos de Aristóteles, gramática de Prisciano e Donato, além dotrivium e quadrivium, que era composto por música, astronomia, retórica, gramática,aritmética, geometria e dialética.66 VERGER, Jacques. Cultura, Ensino e Sociedade no Ocidente nos Séculos XII e XIII. 4
  5. 5. No sul da França o processo ocorreu de forma mais lenta, pois a rede escolarera muito frágil. Seu funcionamento era muito irregular, com professores seausentando muito devido a viagens ou alternando períodos de ensino e períodos emque se voltavam mais à prática. Para Verger este processo se deu de forma maislenta não por um atraso cultural regional, mas sim pela existência de muitas escolase da proximidade com a Itália, satisfazendo então, os anseios locais por muitotempo. Com o passar do tempo, as escolas de cidades como Toulouse e Montpellieradquiriram certa estabilidade, além de se tornarem mais numerosas, tornandopossível o que Verger chama de “fenômeno de cristalização institucional”. Isso aliadoao apoio da Igreja ou do governo local acabou por culminar o surgimento dasuniversidades.4. As Universidades Italianas Muitas universidades italianas, diferentemente das francesas, eram apoiadaspelo governo, ou seja, eram seculares. Este forte apoio se devia à necessidade quea burguesia urbana tinha de pessoas preparadas para assumir cargosadministrativos. Exceto Bolonha, para Verger, as demais universidades italianassurgiram de duas formas: a primeira responsabiliza as secessões de estudantes emestres de Bolonha, gerando assim uma migração e criação de outrasuniversidades em novas cidades. A segunda responsabiliza o imperador Frederico II,que apoiou muito algumas universidades. O problema desta segunda forma é quenunca alcançou uma autonomia suficiente, fazendo com que impedissem de sedesenvolver plenamente. Outra diferença entre esses dois modelos vem da formação da universidade.O modelo bolonhês, por exemplo, se origina com o movimento e a organização deestudantes. Toda a sua estrutura é comandada por estudantes, dominando inclusivea corporação dos mestres, decidindo métodos de ensino, salário e até multandomestres por não comparecerem as aulas. Os mestres, por sua vez, também seorganizavam em collegia doctorum, cujo trabalho era conferir licenças e doutoradose preparar os exames. Além disso, o prestigio que os mestres possuíam eram umaforma de adquirirem respeito perante os alunos. 5
  6. 6. É de fato entre os estudantes que é preciso buscar a origem do movimento que levou ao nascimento da universidade propriamente dita, o que explica que ela tenha tomado ali a forma original de uma “universidade de estudantes” (universitas scolarium) e não, como em Paris, de uma federação de mestres e de escola autônomas.7 Para se proteger de uma população hostil e de magistrados desconfiados, jáque as leis locais não protegiam os estrangeiros, os estudantes que estavam emBolonha passaram a se organizar em nações. No inicio do século XIII estas naçõesse dividiam em duas, os Citramontanos, que era composto por nações italianas, edos Ultramontanos, composta por nações não italianas. Segundo Verger, o númerode nações variou até se fixar em treze nações ultramontanas (francesa, inglesa,borgonhesa, alemã, catalã, espanhola, húngara, normanda, da Picardia, do Poitou-Gascogne, provençal, da Touraine e polonesa) e três italianas (toscana, lombarda eromana). As universidades, conforme vão ganhando mais importâncias, buscam cadavez mais autonomia na organização de seu ensino, deixam de se contentar com asimples tarefa de defender os estudantes e passam a organizar os estudos. Para a Igreja, Bolonha sempre foi um reconhecido local na formação dejuristas, sendo que os melhores canonistas da Cúria Romana vinham das escolas deBolonha. Em 1219, o papa Honório III concedeu a essas escolas o sistema licentiadocenti, sendo de fundamental importância esta intervenção da Igreja para aafirmação da universidade. Foi entre 1224 e 1250 que a universidade de Bolonha se tornou umainstituição estável. Nesse período a Igreja, a Comuna, os estudantes e os mestresestavam em conflito com o imperador Frederico II que tentava acabar com asescolas de Bolonha para fortalecer o studium que tinha acabado de criar na cidadede Nápoles. Foi esta união que possibilitou a estabilização da universidade. EmBolonha, ao contrário de Paris, a dialética, a filosofia e a teologia não tinham umaimportância essencial, davam muito mais importância a um aprendizado prévio emuma universidade de Artes. Por fim, a faculdade de Teologia, que era a principaldisciplina em Paris, não encontrou seu espaço em Bolonha. Além de Bolonha outras universidades também surgiram na Itália ao longodos séculos XII e XIII. Este é o caso de Pádua, que surgiu com a migração demestres e estudantes de Bolonha, culminando com a formação de uma nova7 VERGER, Jacques. Cultura, Ensino e Sociedade no Ocidente nos Séculos XII e XIII; p.212. 6
  7. 7. universidade. Inicialmente Pádua teve um começo excepcional, obtendo bonsresultados, mas que não duraram muitos anos devido ao aparecimento de algumasdificuldades. Muitos estudantes voltaram para Bolonha, outros se deslocaram paraoutras cidades, deixando assim, a universidade de Pádua fragilizada.Posteriormente, com o apoio da Comuna, Pádua volta a crescer, e durante osséculos XIV e XV chega ao seu apogeu. Outra universidade foi a de Nápoles, criada pelo imperador Frederico II nointuito de criar para o seu reino homens preparados para ajudar a administrar ajustiça. Dessa forma, o poder público substituía por completo o poder da Igreja. Paraatrair estudantes, Frederico II oferecia riquezas, carreiras brilhantes, facilidades decrédito, preço dos alugueis e alimentos fixos, etc. Em troca ele proibia seusestudantes de se transferirem para outras universidades, principalmente a deBolonha. Segundo Verger, essa universidade se caracterizava pela ausência de umaorganização corporativa de estudantes e mestres, mostrando que ambos quase nãotinham representatividade. Por fim, a universidade de Nápoles quase fracassou, poissua falta de autonomia e preocupação excessiva em formar funcionários, aliados afraca cultura escolar do sul e a expansão das escolas do norte, acabou por atrasarmuito o seu avanço.85. As Universidades Ibéricas Para Verger, o inicio das universidades ibéricas se deu graças aoinvestimento politico dos reis. Verger diz que as instituições ibéricas se caracterizampor terem um caráter nacionalista, focando seu recrutamento em estudantes locais.Por volta de 1180 o rei de Castela, Afonso VIII, criou uma escola de Direito nacidade de Palencia. Após ter sido fechada em 1215, o bispo Telo Téllez teve ainiciativa de recriá-la sob a forma de uma universidade nos moldes parisienses. Estainiciativa não deu certo, pois a cultura local não se adaptava a esta forma de ensinodiferente. Outro exemplo foi o studium criado em Salamanca pelo rei Afonso IX, queposteriormente se tornou uma universidade de prestigio, recebendo ajuda de reis deCastela e até do Papa. Pelo fato de ser uma universidade gerada por reis, suaautonomia era muito limitada, mas mesmo assim, caracterizando uma universidade.8 VERGER, Jacques. Cultura, Ensino e Sociedade no Ocidente nos Séculos XII e XIII; p.248. 7
  8. 8. Nos reinos de Portugal e Catalunha também foram criadas universidades nosmesmos moldes que os de Castela. Ambas foram criadas, respectivamente, pelosreis Diniz I e Tiago II de Aragão, sendo então eles os responsáveis por prover osprivilégios aos estudantes. Posteriormente o Papa enviou uma bula de confirmação,oficializando essas instituições como universidades.6. As Universidades Inglesas Durante todo o século XII os estudantes ingleses optavam por migrar para auniversidade de Paris, fragilizando muito as escolas locais. Este quadro mudou nofim do século XII com a criação de escolas privadas de Artes, Teologia e Direito nacidade de Oxford. Após um incidente, onde os burgueses da cidade executaram trêsestudantes por um caso de assassinato, mestres e estudantes se dispersaramvoluntariamente de Oxford. Apenas em 1214, por exigência de um legado pontificalque estava em viagem, que as escolas puderam voltar com mais garantias ebenefícios como: preço dos alimentos e dos aluguéis fixos e privilégios judiciários.Durante o século XIII essas escolas já possuíam autonomia suficiente para seremcaracterizadas como universidades. Sua organização lembrava a de Paris, com umafederação e escolas e com alunos organizados em nações (Meridionais ou Australese Setentrionais ou Boreales). Segundo Le Goff, intelectualmente a universidade deOxford também se assemelhava a de Paris, sendo a faculdade de Teologia a maisimportante. Somente durante o século XIII foram criados os cursos de Medicina eDireito civil e canônico.9 Outra característica marcante da universidade de Oxford é o seu caráternacional, sendo a maioria de seus estudantes ingleses. [...] era uma universidade dinâmica, próspera, muito autônoma, com instituições solidas que exerciam um papel importante na sociedade politica e eclesiástica inglesa pois dali já saíam, naquele momento, uma boa parte tanto dos bispos ingleses quanto dos homens de lei do entourage do rei.10 Já a universidade de Cambridge surgiu por meio da dispersão dos estudantese mestres de Oxford que se estabeleceram ali. Seguia os mesmos moldes dauniversidade de Oxford, embora suas escolas fossem tão antigas quanto.9 VERGER, Jacques. Cultura, Ensino e Sociedade no Ocidente nos Séculos XII e XIII.10 VERGER, Jacques. Cultura, Ensino e Sociedade no Ocidente nos Séculos XII e XIII; p.237. 8
  9. 9. Conclusão As transformações culturais, politicas, econômicas e sociais dos séculos XII eXIII proporcionaram uma grande mudança de mentalidade na população europeiaocidental. Mudança esta, que acabou culminando com a criação das escolas eposteriormente das universidades. A criação e expansão das universidades naEuropa possibilitaram a disseminação do raciocínio lógico e crítico, que nos séculosseguintes influenciaram o Renascimento e o Iluminismo. Por fim, concluímos que asuniversidades foram uma das realizações mais importantes da Idade Média,influenciando e modificando toda uma forma de raciocínio da Europa eposteriormente do mundo.ReferênciasGOFF, Jacques Le. Os Intelectuais na Idade Média. Brasiliense, 1993.LIBERA, Alain de. Pensar na Idade Média. 34, 1999.VAZ, Henrique C.L. Antropologia Filosófica. Loyola, 1998.VERGER, Jacques. Cultura, Ensino e Sociedade no Ocidente nos Séculos XII e XIII.EDUSC, 2004.VERGER, Jacques. Monges e Religiosos na Idade Média. Terramar, 1994. 9

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