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               Especialização em Ensino de Línguas Mediado por Computador
                                 Disciplina – Interação Online
                                   Professora – Júnia Braga
Grupo: Claudia Murta, Marcia Abreu, Flavio Martins, Rosilene Vieira

        O texto base para o desenvolvimento do 3º seminário da disciplina Interação Online –
Communities of Practice a brief introdution de Etiene Wenger (2000) faz, como prevê, uma breve
introdução ao tema, conceituando o termo e delineando as características gerais das comunidades de
prática e áreas do conhecimento nas quais são desenvolvidas.
        Wenger, quem primeiro estabelece uma teorização para o termo, define comunidades de
prática como sendo grupos de pessoas que dividem um interesse comum e por meio da interação
regular desenvolvem maneiras de se fazer e aprender mais sobre esse interesse que as une. As
comunidades de prática são formadas por pessoas que querem engajar-se em um processo de
aprendizagem coletiva numa área do conhecimento humano.
        Pesquisando o tema encontramos outras definições que seguem a mesma linha de raciocínio
como em Mitchell (2002 apud Christoupolos, sd.) que afirma que Comunidades de Prática são
grupos de pessoas que dividem uma preocupação, um conjunto de problemas ou uma paixão a
respeito de algum tema e aprofundam seu conhecimento e experiência sobre esse tema, por meio da
interação contínua. Esse conceito em nada acrescenta à ideia de Wenger. Lesser e Stork (2001 apud
Christoupolos, sd) que afirmam que uma comunidade de prática pode ser conceituada como um
grupo cujos membros estão comprometidos em compartilhar o aprendizado, baseados em um
interesse comum, esses autores também defendem o mesmo raciocícnio. Os principais elementos
nesse ponto de vista são o compartilhamento de uma preocupação, a interação contínua do grupo e
o compartilhamento de informações e experiências. Lesser e Prusak (2000 apud Christoupolos, sd)
conceituam Comunidades de Prática como agrupamentos informais ou redes de indivíduos que
trabalham juntos, dividindo conhecimentos, compartilhando problemas comuns, histórias e
frustrações.
        Wenger segue na mesma seara afirmando o caráter informal em que nascem as comunidades
de prática e de que elas fazem parte de nossas vivências. Ele afirma, porém, que nem toda
comunidade é uma comunidade de prática e coloca três fatores cruciais para sua caracterização, são
eles:
A) o domínio: área do conhecimento que identifica e congrega os membros dando-lhes o “senso de
empreendimento comum” (KIMIEK, 2002)
B) a comunidade: os membros participam de atividades conjuntas de engajamento no domínio de
interesse, buscando solucionar problemas, participando de discussões, compartilhando informações,
interagindo.
C) a prática: os membros desenvolvem uma série de recursos, experiências, histórias, maneiras de
resolver problemas que são compartilhados entre o grupo, criando uma prática compartilhada, o
que leva tempo e sustentação da interação.
     Wenger prevê a abordagem da dinâmica das Comunidades de Prática, que se movem a partir
de vários estágios de desenvolvimento, caracterizados por diferentes níveis de interação entre seus
membros e nos diferentes tipos de atividades que desempenham.



     Estágio de desenvolvimento                    Atividades típicas
     Potencial: Indivíduos encontram-se face a     Encontrando-se e descobrindo afinidades
     situações similares, sem o benefício de
     compartilhar informações.

     Em coalizão: Membros agrupam-se e             Explorando conectividade e negociando a
     reconhecem seu potencial                      comunidade
     Ativa: Membros engajam-se e                   Engajando-se em atividades comuns, criando
     desenvolvem uma prática                       artefatos, renovando interesses, comprometimento e
                                                   relacionamento.

     Dispersa: Membros não estão mais              Mantendo contato, comunicação, participando de
     engajados, mas a comunidade ainda vive        reuniões, solicitando recomendações.
     como um centro de conhecimento

     Memorável: A comunidade não é mais            Contando histórias, preservando artefatos, coletando
     central, mas as pessoas ainda a recordam      memórias.
     como parte de suas identidades.


Quadro 1: estágio de desenvolvimento e atividades típica
Fonte: Christoupolos, sd.

     As comunidades de prática podem ter diferentes configurações quanto à denominação,
tamanho e veiculação, ou seja, podem ter outros nomes dentro das organizações, serem grandes ou
pequenas, ser de interação face a face ou via web, ter reconhecimento formal ou ser completamente
informais. Elas estão em toda parte e dada a sua familiaridade com nossas vidas elas podem passar
despercebidas. O autor exemplifica no texto onde o conceito de comunidade de prática tem
encontrado aplicações, como no mundo dos negócios, design organizacional, governo, educação,
associações profissionais, projetos de desenvolvimento e na vida cívica. E destaca algumas
atividades que podem ser aplicadas, como na resolução de problemas, pedidos de informação, busca
de experiência, reutilização de ativos, coordenação e sinergia de ações, discussão da evolução de
um determinado tema, visitas, projetos de documentação, mapeamento do conhecimento e
identificação de lacunas.
     Wenger descreve a aplicabilidade das comunidades de prática nas várias instituições sociais,
como em:
   · organizações: onde o conceito foi mais facilmente disseminado devido à importância da gestão
do conhecimento dentro das empresas e a necessidade de troca de experiências e informações.
Segundo o autor o foco inicial, na tentativa de gerenciar conhecimento, foram os sistemas de
informação, mas os resultados foram decepcionantes. Com as comunidades de prática produziu-se
uma nova abordagem, agora focada nas pessoas e nas estruturas sociais que permitem que se
aprendam uns com os outros.Wenger aponta ainda algumas características que impulsionaram o
interesse nas comunidades de prática como veículo de desenvolvimento de capacidades estratégicas
nas organizações. Segundo ele as comunidades de prática permitem aos envolvidos ter uma
responsabilidade coletiva em relação ao conhecimento que eles precisam, também cria uma ligação
direta entre aprendizado e desempenho porque um mesmo indivíduo faz parte não somente de uma
comunidade de prática, mas também de grupos e unidades de negócios. Além disso, as comunidades
de prática não se limitam a estruturas formais, antes, criam conexões entre as pessoas, indo além
das fronteiras geográficas e organizacionais.

   · Governo: como as empresas, as organizações governamentais necessitam enfrentar os desafios
da crescente dimensão e complexidade que o conhecimento toma a cada dia. As razões que levaram
governos a adotar as comunidades de práticas são basicamente as mesmas, porém, afirma Wenger, a
formalidade e burocracia são barreiras ao compartilhamento de conhecimento.

   · Educação: tem sido uma forma de formação continuada para professores, que pode afetar a
prática educativa em três perspectivas, de acordo com Wenger, Internamente, externamente e
através da vida dos estudantes.

   · Associações: Um crescente número de associações profissionais tem procurado maneiras dar
atenção ao conhecimento através da reflexão na prática. Essas associações, devido às característica
de seus membros sentem necessidade de oferecer atividades de aprendizagem de alto nível e as
atividades típicas das comunidades de prática são uma alternativa aos cursos e publicações
tradicionais.

   · Setores Públicos: No domínio público há um grande e emergente interesse na construção de
comunidades de pratica entre os profissionais que tem procurado oportunidades de aprendizagem
com ou sem o suporte das instituições

   · Desenvolvimento Internacional: Há um crescente reconhecimento de que os desafios das
nações em desenvolvimento não se restringem ao aspecto financeiro, mas também à busca do
conhecimento. Um grande número de pessoas acreditam que as comunidades de prática podem
proporcionar um novo paradigma ao desenvolvimento.

   · A Web: Novas tecnologias como a internet estenderam o alcance de nossas interações além das
limitações geográficas de nossas comunidades expandindo as possibilidades e convidando a novos
tipos de comunidades baseadas na prática compartilhada.

       No texto, o estudioso ainda menciona que a origem do conceito de comunidades de prática vem
das ciências sociais e o uso principal tem sido na teoria da aprendizagem. Os estudos sobre
aprendizagem revelam o intrincado complexo em que se ela se desenvolve, e é justamente nas relações
sociais que a aprendizagem se estabelece. A ênfase de Wenger (1998 apud ILLERA, 2007) numa teoria
social da aprendizagem, reunindo muitos contributos anteriores, é uma mudança de perspectiva,
embora acrescente conceitos novos, mas é sobretudo a estreita interligação entre conceitos
anteriormente separados: aprendizagem, identidade, prática, significado, comunidade, contexto.
Segundo Wenger é possível aliar as teorias da aprendizagem para entender a aprendizagem em
comunidades de prática, como exposto na figura a seguir.




Fig. 1: Eixos da conciliação de tradições segundo Wenger, 1998 apud FIGUEIREDO, 2002


       As teorias sociais da aprendizagem nos auxiliam a compreender a aprendizagem em
comunidade, constroem-se na intersecção entre dois eixos (Fig. 1):
   •     um eixo vertical, que exprime a tensão entre as teorias que privilegiam a estrutura social
        (instituições, normas, regras, sistemas culturais, história)
•   e as que privilegiam a ação (dinâmicas relacionais, improvisação, coordenação, atividades);
       e um eixo horizontal, que procura interligar as teorias da prática social (coordenação e
       partilha de recursos em sistemas sociais) e as teorias da identidade (formação social da
       pessoa, pertenças, ritos de passagem, categorias sociais).


       Esses eixos podem ser ampliados com os eixos diagonais. Os dois novos eixos exprimem
dois novos tipos de continuum que se sobrepõem aos já oferecidos pelos eixos anteriores:
• o continuum que liga as teorias da coletividade (globalidade, localidade, coesão social) com as da
subjetividade (experiência da subjetividade construída no mundo social); e
• o continuum que interliga as teorias do poder (conciliação das formas de poder) e as teorias do
significado (construção de sentidos na participação). (FIGUEIREDO, 2002)




       Figura: Conciliação de tradições teóricas ampliada
       Fonte: Wenger, 1998 apud Figueiredo, 2002

         Wenger (1998, apud FIGUEIREDO, 2002) define quatro componentes fundamentais para
uma teoria social da aprendizagem, são eles:
a)Significado, que traduz a capacidade (e necessidade) que temos para encontrar um sentido para o
mundo: aprendemos procurando um sentido para a nossa existência – individual e colectiva – no
mundo.
b)Prática, que exprime a vivência partilhada de recursos e perspectivas que mantêm o nosso
envolvimento mútuo na ação: aprendemos fazendo.
c) Comunidade, ou configuração social onde definimos as nossas iniciativas e onde a nossa
participação é reconhecida: aprendemos construindo um sentido de pertença.

d) Identidade, que surge da forma como a aprendizagem transforma quem nós somos e constrói
histórias pessoais de quem somos no contexto das nossas comunidades: aprendemos através do
processo de construção da nossa própria identidade.




Fig. 2: Componentes de uma teoria social de aprendizagem
Fonte: Wenger, 1998 apud FIGUEIREDO, 2002


     Esses componentes estão interligados e se definem mutuamente. Percebe-se que a identidade
constrói-se na negociação dos significados que se dá na prática da interação e se aprende fazendo,
participando da comunidade. Isso ocorre quando o compartilhamento de conhecimento tácito, que
permite a construção de conhecimento coletivo é possibilitado pelo crescimento da confiança entre
os membros da comunidade. Para Wenger, uma comunidade de prática define-se ao longo de três
dimensões que estão relacionadas pela prática. A primeira é o compromisso mútuo. A prática só
existe enquanto haja indivíduos comprometidos em determinadas ações ou ideias comuns. A
segunda dimensão é o empreendimento partilhado, que é constantemente renegociado por cada um
dos membros da comunidade de prática (CoP doravante) criando responsabilidades mútuas entre os
participantes. A terceira é o repertório compartilhado da CoP, suas rotinas, instrumentos,
metodologias, histórias, símbolos, conceitos, ações que adotou ao longo de sua existência.
     Tentamos sintetizar alguns apontamentos importantes cunhados por Wenger, principalmente,
do conceito e caracterização das Comunidades de Prática, para que possamos ampliar nosso
repertório conceptual e aprofundar nossas pesquisas sobre essa nova (ou velha? ) forma de aprender.


REFERÊNCIAS


CHRISTOUPOLOS, T. Estado da arte em Comunidades de Prática. In: Conexões Científicas.
Disponível em: www.escolanarede.sefaz.rs.gov.br Acesso em: 14 de maio de 2010.
FIGUEIREDO,A. D. de. Redes de educação: a surpreendente riqueza de um conceito. In: Conselho
Nacional de Educação (2002), Redes de Aprendizagem, Redes de Conhecimento, Conselho
Nacional de Educação, Ministério da Educação, Lisboa, Maio de 2002. Disponível em:
teresianasstj.net/files/met/RedeseEducao.pdf

ILLERA, J.L. R. Como as comunidades virtuais de prática e de aprendizagem podem transformar a
nossa concepção de educação. In:S í s i f o – Revista de ciências da educação. n.3. mai /ago 0 7.
Disponível em: sisifo.fpce.ul.pt/pdfs/sisifo03PTConf.pdf
KIMIECK, J. L. Consolidação de comunidades de prática: em estudo de caso no PROINFO.
Dissertação    de     Mestrado.     CEFET-Paraná.          Curitiba,   2002.   Disponível    em:
www.ppgte.ct.utfpr.edu.br/dissertacoes/2002/kimieck.pdf
WENGER, E. Communities of practice: a brief introduction. Disponível em:
http://www.vpit.ualberta.ca/cop/doc/wenger.doc

Endereço da apresentação do seminário:
http://www.youtube.com/watch?v=6AqkjYGwG8o

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Comunidades de Prática e Aprendizagem

  • 1. Universidade Federal de Minas Gerais Faculdade de Letras Especialização em Ensino de Línguas Mediado por Computador Disciplina – Interação Online Professora – Júnia Braga Grupo: Claudia Murta, Marcia Abreu, Flavio Martins, Rosilene Vieira O texto base para o desenvolvimento do 3º seminário da disciplina Interação Online – Communities of Practice a brief introdution de Etiene Wenger (2000) faz, como prevê, uma breve introdução ao tema, conceituando o termo e delineando as características gerais das comunidades de prática e áreas do conhecimento nas quais são desenvolvidas. Wenger, quem primeiro estabelece uma teorização para o termo, define comunidades de prática como sendo grupos de pessoas que dividem um interesse comum e por meio da interação regular desenvolvem maneiras de se fazer e aprender mais sobre esse interesse que as une. As comunidades de prática são formadas por pessoas que querem engajar-se em um processo de aprendizagem coletiva numa área do conhecimento humano. Pesquisando o tema encontramos outras definições que seguem a mesma linha de raciocínio como em Mitchell (2002 apud Christoupolos, sd.) que afirma que Comunidades de Prática são grupos de pessoas que dividem uma preocupação, um conjunto de problemas ou uma paixão a respeito de algum tema e aprofundam seu conhecimento e experiência sobre esse tema, por meio da interação contínua. Esse conceito em nada acrescenta à ideia de Wenger. Lesser e Stork (2001 apud Christoupolos, sd) que afirmam que uma comunidade de prática pode ser conceituada como um grupo cujos membros estão comprometidos em compartilhar o aprendizado, baseados em um interesse comum, esses autores também defendem o mesmo raciocícnio. Os principais elementos nesse ponto de vista são o compartilhamento de uma preocupação, a interação contínua do grupo e o compartilhamento de informações e experiências. Lesser e Prusak (2000 apud Christoupolos, sd) conceituam Comunidades de Prática como agrupamentos informais ou redes de indivíduos que trabalham juntos, dividindo conhecimentos, compartilhando problemas comuns, histórias e frustrações. Wenger segue na mesma seara afirmando o caráter informal em que nascem as comunidades de prática e de que elas fazem parte de nossas vivências. Ele afirma, porém, que nem toda comunidade é uma comunidade de prática e coloca três fatores cruciais para sua caracterização, são eles:
  • 2. A) o domínio: área do conhecimento que identifica e congrega os membros dando-lhes o “senso de empreendimento comum” (KIMIEK, 2002) B) a comunidade: os membros participam de atividades conjuntas de engajamento no domínio de interesse, buscando solucionar problemas, participando de discussões, compartilhando informações, interagindo. C) a prática: os membros desenvolvem uma série de recursos, experiências, histórias, maneiras de resolver problemas que são compartilhados entre o grupo, criando uma prática compartilhada, o que leva tempo e sustentação da interação. Wenger prevê a abordagem da dinâmica das Comunidades de Prática, que se movem a partir de vários estágios de desenvolvimento, caracterizados por diferentes níveis de interação entre seus membros e nos diferentes tipos de atividades que desempenham. Estágio de desenvolvimento Atividades típicas Potencial: Indivíduos encontram-se face a Encontrando-se e descobrindo afinidades situações similares, sem o benefício de compartilhar informações. Em coalizão: Membros agrupam-se e Explorando conectividade e negociando a reconhecem seu potencial comunidade Ativa: Membros engajam-se e Engajando-se em atividades comuns, criando desenvolvem uma prática artefatos, renovando interesses, comprometimento e relacionamento. Dispersa: Membros não estão mais Mantendo contato, comunicação, participando de engajados, mas a comunidade ainda vive reuniões, solicitando recomendações. como um centro de conhecimento Memorável: A comunidade não é mais Contando histórias, preservando artefatos, coletando central, mas as pessoas ainda a recordam memórias. como parte de suas identidades. Quadro 1: estágio de desenvolvimento e atividades típica Fonte: Christoupolos, sd. As comunidades de prática podem ter diferentes configurações quanto à denominação, tamanho e veiculação, ou seja, podem ter outros nomes dentro das organizações, serem grandes ou pequenas, ser de interação face a face ou via web, ter reconhecimento formal ou ser completamente informais. Elas estão em toda parte e dada a sua familiaridade com nossas vidas elas podem passar despercebidas. O autor exemplifica no texto onde o conceito de comunidade de prática tem encontrado aplicações, como no mundo dos negócios, design organizacional, governo, educação, associações profissionais, projetos de desenvolvimento e na vida cívica. E destaca algumas atividades que podem ser aplicadas, como na resolução de problemas, pedidos de informação, busca de experiência, reutilização de ativos, coordenação e sinergia de ações, discussão da evolução de
  • 3. um determinado tema, visitas, projetos de documentação, mapeamento do conhecimento e identificação de lacunas. Wenger descreve a aplicabilidade das comunidades de prática nas várias instituições sociais, como em: · organizações: onde o conceito foi mais facilmente disseminado devido à importância da gestão do conhecimento dentro das empresas e a necessidade de troca de experiências e informações. Segundo o autor o foco inicial, na tentativa de gerenciar conhecimento, foram os sistemas de informação, mas os resultados foram decepcionantes. Com as comunidades de prática produziu-se uma nova abordagem, agora focada nas pessoas e nas estruturas sociais que permitem que se aprendam uns com os outros.Wenger aponta ainda algumas características que impulsionaram o interesse nas comunidades de prática como veículo de desenvolvimento de capacidades estratégicas nas organizações. Segundo ele as comunidades de prática permitem aos envolvidos ter uma responsabilidade coletiva em relação ao conhecimento que eles precisam, também cria uma ligação direta entre aprendizado e desempenho porque um mesmo indivíduo faz parte não somente de uma comunidade de prática, mas também de grupos e unidades de negócios. Além disso, as comunidades de prática não se limitam a estruturas formais, antes, criam conexões entre as pessoas, indo além das fronteiras geográficas e organizacionais. · Governo: como as empresas, as organizações governamentais necessitam enfrentar os desafios da crescente dimensão e complexidade que o conhecimento toma a cada dia. As razões que levaram governos a adotar as comunidades de práticas são basicamente as mesmas, porém, afirma Wenger, a formalidade e burocracia são barreiras ao compartilhamento de conhecimento. · Educação: tem sido uma forma de formação continuada para professores, que pode afetar a prática educativa em três perspectivas, de acordo com Wenger, Internamente, externamente e através da vida dos estudantes. · Associações: Um crescente número de associações profissionais tem procurado maneiras dar atenção ao conhecimento através da reflexão na prática. Essas associações, devido às característica de seus membros sentem necessidade de oferecer atividades de aprendizagem de alto nível e as atividades típicas das comunidades de prática são uma alternativa aos cursos e publicações tradicionais. · Setores Públicos: No domínio público há um grande e emergente interesse na construção de comunidades de pratica entre os profissionais que tem procurado oportunidades de aprendizagem com ou sem o suporte das instituições · Desenvolvimento Internacional: Há um crescente reconhecimento de que os desafios das nações em desenvolvimento não se restringem ao aspecto financeiro, mas também à busca do
  • 4. conhecimento. Um grande número de pessoas acreditam que as comunidades de prática podem proporcionar um novo paradigma ao desenvolvimento. · A Web: Novas tecnologias como a internet estenderam o alcance de nossas interações além das limitações geográficas de nossas comunidades expandindo as possibilidades e convidando a novos tipos de comunidades baseadas na prática compartilhada. No texto, o estudioso ainda menciona que a origem do conceito de comunidades de prática vem das ciências sociais e o uso principal tem sido na teoria da aprendizagem. Os estudos sobre aprendizagem revelam o intrincado complexo em que se ela se desenvolve, e é justamente nas relações sociais que a aprendizagem se estabelece. A ênfase de Wenger (1998 apud ILLERA, 2007) numa teoria social da aprendizagem, reunindo muitos contributos anteriores, é uma mudança de perspectiva, embora acrescente conceitos novos, mas é sobretudo a estreita interligação entre conceitos anteriormente separados: aprendizagem, identidade, prática, significado, comunidade, contexto. Segundo Wenger é possível aliar as teorias da aprendizagem para entender a aprendizagem em comunidades de prática, como exposto na figura a seguir. Fig. 1: Eixos da conciliação de tradições segundo Wenger, 1998 apud FIGUEIREDO, 2002 As teorias sociais da aprendizagem nos auxiliam a compreender a aprendizagem em comunidade, constroem-se na intersecção entre dois eixos (Fig. 1): • um eixo vertical, que exprime a tensão entre as teorias que privilegiam a estrutura social (instituições, normas, regras, sistemas culturais, história)
  • 5. e as que privilegiam a ação (dinâmicas relacionais, improvisação, coordenação, atividades); e um eixo horizontal, que procura interligar as teorias da prática social (coordenação e partilha de recursos em sistemas sociais) e as teorias da identidade (formação social da pessoa, pertenças, ritos de passagem, categorias sociais). Esses eixos podem ser ampliados com os eixos diagonais. Os dois novos eixos exprimem dois novos tipos de continuum que se sobrepõem aos já oferecidos pelos eixos anteriores: • o continuum que liga as teorias da coletividade (globalidade, localidade, coesão social) com as da subjetividade (experiência da subjetividade construída no mundo social); e • o continuum que interliga as teorias do poder (conciliação das formas de poder) e as teorias do significado (construção de sentidos na participação). (FIGUEIREDO, 2002) Figura: Conciliação de tradições teóricas ampliada Fonte: Wenger, 1998 apud Figueiredo, 2002 Wenger (1998, apud FIGUEIREDO, 2002) define quatro componentes fundamentais para uma teoria social da aprendizagem, são eles: a)Significado, que traduz a capacidade (e necessidade) que temos para encontrar um sentido para o mundo: aprendemos procurando um sentido para a nossa existência – individual e colectiva – no mundo. b)Prática, que exprime a vivência partilhada de recursos e perspectivas que mantêm o nosso envolvimento mútuo na ação: aprendemos fazendo. c) Comunidade, ou configuração social onde definimos as nossas iniciativas e onde a nossa
  • 6. participação é reconhecida: aprendemos construindo um sentido de pertença. d) Identidade, que surge da forma como a aprendizagem transforma quem nós somos e constrói histórias pessoais de quem somos no contexto das nossas comunidades: aprendemos através do processo de construção da nossa própria identidade. Fig. 2: Componentes de uma teoria social de aprendizagem Fonte: Wenger, 1998 apud FIGUEIREDO, 2002 Esses componentes estão interligados e se definem mutuamente. Percebe-se que a identidade constrói-se na negociação dos significados que se dá na prática da interação e se aprende fazendo, participando da comunidade. Isso ocorre quando o compartilhamento de conhecimento tácito, que permite a construção de conhecimento coletivo é possibilitado pelo crescimento da confiança entre os membros da comunidade. Para Wenger, uma comunidade de prática define-se ao longo de três dimensões que estão relacionadas pela prática. A primeira é o compromisso mútuo. A prática só existe enquanto haja indivíduos comprometidos em determinadas ações ou ideias comuns. A segunda dimensão é o empreendimento partilhado, que é constantemente renegociado por cada um dos membros da comunidade de prática (CoP doravante) criando responsabilidades mútuas entre os participantes. A terceira é o repertório compartilhado da CoP, suas rotinas, instrumentos, metodologias, histórias, símbolos, conceitos, ações que adotou ao longo de sua existência. Tentamos sintetizar alguns apontamentos importantes cunhados por Wenger, principalmente, do conceito e caracterização das Comunidades de Prática, para que possamos ampliar nosso repertório conceptual e aprofundar nossas pesquisas sobre essa nova (ou velha? ) forma de aprender. REFERÊNCIAS CHRISTOUPOLOS, T. Estado da arte em Comunidades de Prática. In: Conexões Científicas. Disponível em: www.escolanarede.sefaz.rs.gov.br Acesso em: 14 de maio de 2010. FIGUEIREDO,A. D. de. Redes de educação: a surpreendente riqueza de um conceito. In: Conselho
  • 7. Nacional de Educação (2002), Redes de Aprendizagem, Redes de Conhecimento, Conselho Nacional de Educação, Ministério da Educação, Lisboa, Maio de 2002. Disponível em: teresianasstj.net/files/met/RedeseEducao.pdf ILLERA, J.L. R. Como as comunidades virtuais de prática e de aprendizagem podem transformar a nossa concepção de educação. In:S í s i f o – Revista de ciências da educação. n.3. mai /ago 0 7. Disponível em: sisifo.fpce.ul.pt/pdfs/sisifo03PTConf.pdf KIMIECK, J. L. Consolidação de comunidades de prática: em estudo de caso no PROINFO. Dissertação de Mestrado. CEFET-Paraná. Curitiba, 2002. Disponível em: www.ppgte.ct.utfpr.edu.br/dissertacoes/2002/kimieck.pdf WENGER, E. Communities of practice: a brief introduction. Disponível em: http://www.vpit.ualberta.ca/cop/doc/wenger.doc Endereço da apresentação do seminário: http://www.youtube.com/watch?v=6AqkjYGwG8o