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APONTAMENTOS SOBRE A PROPOSTA
                PEDAGÓGICA DA SEE
A Secretaria da Educação descreve a atual proposta curricular implantada na rede
desde 2008 como um projeto para os níveis de ensino fundamental e médio, sob
coordenação da professora Maria Inês Fini, da assessoria da pasta de educação.
A professora Maria Inês Fini é aposentada do departamento de educação da Unicamp,
já ocupou cargos no MEC e foi uma das responsáveis pela implantação do ENEM,
sendo muito próxima de Maria Helena Guimarães de Castro, atual secretaria de
educação, e de Guiomar Namo de Mello, comungando das idéias centrais defendidas
por ambas, ancoradas em uma conceituação inovadora de currículo e avaliação, de
construção coletiva e autônoma da proposta pedagógica, de respeito às diferenças etc,
mas com tratamento de mão de ferro aos professores, que buscam responsabilizar
pelas mazelas da educação.

Na apresentação da proposta definem-se três conjuntos de documentos, a saber: 1.
Documento básico com princípios orientadores; 2. Documento de orientações para a
gestão do currículo na escola; 3. Os cadernos do professor.

1. APRESENTAÇÃO

DOIS DOCUMENTOS – Básico
                - Orientações para a Gestão do Currículo na Escola
Objetivos:
   Propor um currículo para os níveis de ensino fundamental II e médio
   Melhoria da qualidade das aprendizagens de seus alunos
   Realizar amplo levantamento do acervo documental e técnico pedagógico existente
   Iniciar um processo de consulta á escola e aos professores
   Ser mais do que uma declaração de intenções
   Garant ir a todos uma base co mum de conhecimentos e competências

DOCUEMENTO BÁSICO – Gestão

      Promover competências indispensáveis ao enfrentamento dos desafios sociais, culturais e
       profissio nais do mundo contemporâneo.
      Aborda: - principais características da sociedade do conhecimento
                  - pressões que a contemporaneidade exerce sobre os jovens cidadãos
                  - preparar os alunos para esse novo tempo
                  - priorizar competências de leitura e escrita

Definição de escola – Espaço de Cultura e de articulação de competências e conteúdos disciplinares

DOCUMENTO 2 - – Orientações para a Gestão do Currículo na escola

      Finalidade específica – o gestor deve ser um líder e animador na implementação da proposta
                          - Disponibilizar outros programas e materiais sobre o tema gestão para:
      Assegurar aprendizagens dos conteúdos e constituição das competências previstas na
       proposta curricular
      Estímulo à vida cultural da esco la e do fortalecimento de suas relações com a comunidade
   Educação continuada para professores

O que complementa a proposta
    Cadernos do professor por bimestre e disciplina
    Situações de aprendizagens para orientar o professor nos conteúdos, habilidades e
      competências.
    Gestão da sala de aula, avaliação, recuperação, sugestões de métodos, estratégias do trabalho
      nas aulas, atividades extraclasse e estudos disciplinares.



2. Educação para a altura dos desafios contemporâneos

Caracterização da Sociedade do Século XXI
Mundo
    O uso intensivo do conhecimento para trabalhar, conviver, exercer cidadania e cuidar do
      ambiente.
    A sociedade do século XXI é produto da revolução tecnológica
    Processos políticos redesenharam relações mundiais gerando um novo tipo de exclusão (a
      das tecnologias e comunicação que mediam acesso ao conhecimento e bens culturais)
    Exclusão – Bens materiais, conhecimentos e bens culturais.

Brasil – Educação
    Democratização do acesso, mas é indispensável à universalização da relevância da
       aprendizagem.
    Valorização das características cognitivas e afetivas
    Capacidades de resolver problemas, trabalhar em grupo, resolver problemas, ser cooperativo
       e continuar aprendendo.
    O diferencial na competitividade será dado pela qualidade da educação recebida
       (competências constituídas na vida escolar)
    A população mais pobre acorre à qualidade para inserção no mundo do trabalho produtivo e
       solidário
    Atender a adolescência precoce com ingresso tardio no trabalho
    Ampliar a importância da escola como espaço privilegiado para o desenvolvimento do
       pensamento autônomo - para formar autonomia responsável
    Ser estudante significa aprender a ser livre e ao mesmo tempo respeitar as diferenças e as
       regras de convivência
    Acentuar diferenças culturais, sociais e econômicas. Só uma educação de qualidade para
       todos pode evitar que essas diferenças constituam mais um fator de exclusão.
    Desenvolvimento pessoal – aprimorar capacidades de agir, pensar, atuar, atribuir
       significados e ser percebido e significado pelos outros.
    Educação a serviço do desenvolvimento, da construção da identidade da autonomia e da
       liberdade.
    Educação articuladora que transite entre o local e o mundial de forma cooperativa e
       solidária, uma síntese dos saberes produzidos pela humanidade.
    Tal síntese é uma das condições para acessar o conhecimento necessário ao exercício da
       cidadania em dimensão mundial
    Aprender a aprender – autonomia para gerenciar a própria aprendizagem – aprender a fazer
       e a conviver – resultado da autonomia em intervenções solidárias é a base para a
       continuidade da produção cultural e das práticas sociais.
    Preparar indivíduos para manter o equilíbrio da produção cultural num tempo em que a
       duração se caracteriza não pela permanência, mas pela mudança constante (o inusitado,
       incerto, e o urgente constituem a regra e não a exceção).
   Apropriar-se ou não desses conhecimentos, pode ser um instrumento da ampliação das
       liberdades ou mais um fator de exclusão.

Princípios centrais:
    A escola que aprende
    O currículo como espaço de cultura
    As competências como eixo da aprendizagem
    Prioridade da competência da leitura e da escrita
    A articulação das competências para aprender
    Contextualização no mundo do trabalho
3 - Princípios - Currículo

A - Escola que também aprende
     A escola deixa de ser instituição que ensina e passa a ser a que aprende a ensinar
     A capacidade de aprender se ampliará dos alunos para a própria escola
     A tecnologia facilita a viabilização da “comunidade aprendente” porque imprime ritmo sem
       precedentes ao acúmulo de conhecimentos
     A escola deve aprender que o conhecimento coletivo é maior do que a somo dos
       conhecimentos individuais

B – Papel da Equipe Gestora
    A equipe gestora é responsável pela formação dos professores e esses, em conjunto com o
      grupo gestor são responsáveis pela problematização e significação dos conhecimentos.
    Os gestores como agentes formadores devem aplicar como professores tudo aquilo que
      recomendar que apliquem aos alunos
    Construção coletiva da proposta pedagógica por meio da reflexão e prática compartilhadas.

C - Currículo como espaço de cultura

ANTES – Plano de trabalho indicava o que seria ensinado ao aluno
HOJE – O foco foi dirigido para a aprendizagem, não mais a liberdade de ensino mais o direito de
aprender.
     Todas as atividades da escola são curriculares. É preciso conectar o currículo à vida com
       aprendizagens relevantes para os alunos.
     O conhecimento como instrumento mobilizador em competências reforça o sentido cultural
       da aprendizagem
     Numa escola com vida cultural ativa, o conhecimento torna-se um prazer e pode ser
       aprendido ao se aprender a aprender.
     O professor é o parceiro de fazeres culturais
     O Projeto pedagógico tem como prioridade a cidadania cultural e o currículo é a referencia
       para ampliar, localizar e contextualizar os conhecimentos.

D - Competências como referencia
     Articular as disciplinas com aquilo que se espera que os alunos aprendam
     Atuação do professor, conteúdos, metodologia e aprendizagens têm funções específicas, mas
      são indissociáveis e se complementam.
     Articular as disciplinas com as competências e habilidades dos alunos para que esses façam
      a leitura crítica do mundo, enfrentem problemas e ajam de forma coerente em favor das
      múltiplas possibilidades de solução.
     Competência caracteriza modos de ser raciocinar e interagir, que podem ser desprendidos
      das ações e das tomadas de decisão em contextos de problemas, tarefas ou atividades.

E – Caracterização dos alunos
   Alunos de 11 a 18 anos estão em momento complexo e contraditório, o que deve orientar
       nossa proposta sobre o papel da escola nessa fase da vida.
      Ponderar aspectos curriculares, recursos cognitivos, afetivos e sociais que os alunos
       dispõem.
      Analisar como o professor mobiliza conteúdos visando desenvolver competências em
       adolescentes

TRIADE SOBRE QUAIS COMPETENCIAS E HABILIDADES SÃO DESENVOLVIDAS
    O adolescente e suas características de ações e pensamentos
    O professor e suas características e a qualidade de suas mediações
    Conteúdos e metodologias para seu ensino e aprendizagem
Motivo – democratização da escola e equidade é tarefa coletiva tendo a frente o gestor para
capacitar o professor em seu dia a dia. A unidade não é obtida no ensino, mas na igualdade de
oportunidades, na diversidade, para garantir a todos uma base comum.

   4. Prioridade - Competência de leitura e escrita

      O ser humano constitui-se num ser de linguagem e disso decorre todo o restante
      É na adolescência que a linguagem torna-se instrumento para compreender e agir sobre o
       mundo real.
      Importante não apenas o domínio da língua mais de todas as outras linguagens. As
       linguagens são sistemas simbólicos
      Na sociedade atual as linguagens e os códigos se multiplicam: os meios de comunicação
       estão repletos de gráficos, esquemas, diagramas, fotografias e desenhos.
      Para acompanhar tal contexto, a competência de leitura e escrita vai além da linguagem
       verbal vernácula, refere-se a sistemas simbólicos, tendo como base o pensamento
       antecipatório, combinatório e probabilístico.

   Antecipatório – Antecipar as conseqüências de uma ação sem precisar realizá-la
   Combinatório – Fazer combinações e analisar hipóteses sem precisar conferi-las de antemão
   Probabilístico – Estabelecer relações de relações – imaginar um objeto e agir sobre ele
   decidindo se vale a pena ou não interagir com ele ou em outro plano.

   Criança – Realiza e compreende o falar, pensar ou sentir, mas não o sabem como forma de
   linguagem.
   Adolescente – É possível transformar o ser humano em um ser de linguagem, em sua expressão
   mais radical – uma forma de compreensão e ação sobre o mundo.

      A cultura da linguagem, do ponto de vista, social e afetivo, possibilita ao adolescente
       aprender, pouco a pouco, a considerar suas escolhas em uma escala de valores.
      É em virtude da centralidade da linguagem. No desenvolvimento da Criança e do
       adolescente que se prioriza, como objetivo de todas as disciplinas, a competência leitora e
       escritora e só por meio dela será possível constituir as demais competências.
      A Responsabilidade pela aprendizagem e avaliação cabe a todos os professores
      O domínio das linguagens é um dos elementos de conquista e autonomia.


5. ARTICULAÇÃO DAS COMPETENCIAS PARA APRENDER

      A aprendizagem é o centro da atividade escolar
      Papel do Professor: que é o profissional da aprendizagem e não tanto do ensino: Apresentar
       e explicar os conteúdos, organizar situações para a aprendizagem de conceitos, métodos,
       formas de agir e pensar, promover conhecimentos que se mobilizados em competências e
habilidades, que instrumentalizem os alunos para enfrentar os problemas do mundo real
       (educar para á vida).
      Papel da Escola: que não é a única detentora do conhecimento e da informação:
       preparar o aluno para viver em sociedade que não exigem maior quantidade de ensino e sim
       melhor qualidade da aprendizagem.Mais que os conteúdos isolados as competências são
       guias eficazes para a vida. É exatamente a possibilidade de variar os conteúdos no tempo e
       no espaço que legitima a iniciativa dos diferentes sistemas públicos de ensino.




A proposta curricular adota como competências para aprender as formuladas
pelo referencial teórico do ENEM voltado para a competência do ler e escrever:

I – Dominar a norma culta da Língua Portuguesa e fazer uso das linguagens matemática,
artística e científica:
LER: é interpretar (atribuir sentido ou significado)
ESCREVER: é assumir uma autoria individual ou coletiva (tornar-se responsável por uma ação e
suas conseqüências)

II – Construir e aplicar conceitos das várias áreas do conhecimento para a compreensão de
fenômenos naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das
manifestações artísticas.
LER: modo de compreender, assimilar experiências ou conteúdos disciplinares (e os modos de sua
produção).
ESCREVER: Expressar sua construção ou reconstrução com sentido

III – Selecionar, organizar, relacionar, interpretar dados e informações representados de
diferentes formas, para tomar decisões e enfrentar situações-problema.
LER: Antecipar, de forma comprometida, a ação para intervir no fenômeno e resolver os problemas
decorrentes deles.
ESCREVER: Dominar os muitos formatos que a solução do problema comporta

IV - Relacionar informações representadas em diferentes formas, e conhecimentos disponíveis
em situações concretas, para construir argumentação consistente.
LER: Sintetizar a capacidade de escutar, supor, informar-se, relacionar, comparar, etc.
ESCREVER: dominar os códigos que expressam a defesa ou a reconstrução de argumentos

V – Recorrer aos conhecimentos desenvolvidos na escola para elaborar propostas de
intervenção solidária na realidade, respeitando os valores humanos e considerando a
diversidade sócio-cultural.
LER: Antecipação de uma intervenção sobre o fenômeno, com tomada de decisões a partir de uma
escala de valores.
ESCREVER: Formular um plano para a intervenção, levantar hipóteses sobre os meios eficientes
para garantir resultados.

SÍNTESE: REALIZAÇÃO DE PROJETOS ESCOLARES QUE OS ALUNOS PARENDEM A
CRITICAR, RESPEITAR E PROPOR PROJETOS VALIOSOS PARA TODA A SOCIEDADE.


6. ARTICULAÇÃO COM O MUNDO DO TRABALHO

      A legislação estabelece que no ensino básico não se trata de formar especialistas nem
       profissionais, mas preparar para assumir plenamente a cidadania o que passa pela
alfabetização científica, humanista, lingüística, artística e técnica, para que sua cidadania
      tenha qualidade. O prazo para isso é todo o Ensino Básico.
     - Que limitações e potenciais têm os enfoques próprios das áreas
     - Que práticas humanas, das mais simples às mais complexas, têm fundamento ou inspiração
      nessa ciência, arte ou área de conhecimento?
     - Quais as grandes polêmicas nas várias disciplinas ou áreas de conhecimento?




A RELAÇÃO ENTRE TEORIA E PRÁTICA EM CADA DISCIPLINA DO CURRÍCULO

     Compreender como a teoria se aplica em contextos reais ou simulados, pois parte dos
      problemas de qualidade do ensino decorre da dificuldade em destacar a dimensão prática do
      conhecimento, tornando-o verbalista e abstrato.
  Exemplos:
  1. Reproduzir a indagação de origem – a necessidade que levou a construção do conhecimento.
  2. História é considerada teórica, mas nada é tão prático quanto entender a origem de uma
  cidade e as razões da configuração urbana
  3. Química é considerada mais prática por envolver atividades em laboratório, mas nada é mais
  teórico do que o estudo da tabela de elementos químicos.
  Não é preciso ser químico para escolher o que se vai comer.

   Os cidadãos plenos devem adquirir discernimento e conhecimentos pertinentes para tomar
  decisões em diversos momentos, em relação à escolha de alimentos, uso da eletricidade
  consumo de água, seleção de programas de TV ou escolha do candidato a um cargo político.

  AS RELAÇÕES ENTRE EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA
  A lei determina que deva se associar o currículo a “compreensão dos fundamentos científicos
  dos processos produtivos” e detalha nas Diretrizes Curriculares Nacionais que o aluno deve
  demonstrar ao final da Educação Básica, o “domínio dos princípios científicos e tecnológicos da
  produção moderna”.

  1. Alfabetização tecnológica- entender as tecnologias da história humana como elementos da
  cultura, como parte das práticas sociais, culturais e produtivas com o sentido de preparar para
  viver e conviver em um mundo no qual a tecnologia está cada vez mais presente em qualquer
  situação sócio econômica: tarja magnética, celular, código de barras etc.
  2. Compreensão dos fundamentos científicos e tecnológicos da produção – A tecnologia é a
  chave para relacionar o currículo ao mundo da produção de bens e serviços, mas deve se evitar a
  existência de disciplinas “tecnológicas” isoladas dos conhecimentos que lhe fundamentam.

  PRIORIDADE PARA O CONTEXTO DO TRABALHO
   O trabalho enquanto produção de bens e serviços revela-se como a prática humana mais
    importante para conectar os conteúdos do currículo com a realidade.
   O valor do trabalho incide em toda a vida escolar desde a valorização dos trabalhadores da
    escola e da família, até o respeito aos trabalhadores da comunidade, o conhecimento do
    trabalho como produtor da riqueza e o reconhecimento de que um dos fundamentos da
    desigualdade social é a remuneração injusta do trabalho.
   O trabalho deve aparecer contextualizado nos conteúdos escolares
   O currículo não pode deixar de incluir os tipos de trabalho e as carreiras profissionais aos
    quais se aplicam os conhecimentos das áreas ou disciplinas curriculares.

O CONTEXTO DO TRABALHO NO ENSINO MÉDIO
   O mundo do trabalho passa por transformações profundas
      Lei 5692/71 – tenta unir o ensino profissional e o propedêutico, mas descaracteriza a
       formação geral, sem ganhos significativos para o profissional.
      A preparação deve prever a flexibilidade a novas condições de ocupação ou
       aperfeiçoamento posteriores
      Ênfases curriculares diferentes – autonomia para eleger as disciplinas específicas e suas
       respectivas cargas horárias dentro das três grandes áreas instituídas pelas DCNs, trabalhando
       conteúdos para constituir competências básicas que sejam pré-requisitos para a formação
       profissional, o que pode ser realizada em disciplinas de formação básica do Ensino Médio.

Elaborado por Luiz Freitas e Silvio de Souza – Oposição Alternativa - Itaquera

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1 proposta curricular geral

  • 1. APONTAMENTOS SOBRE A PROPOSTA PEDAGÓGICA DA SEE A Secretaria da Educação descreve a atual proposta curricular implantada na rede desde 2008 como um projeto para os níveis de ensino fundamental e médio, sob coordenação da professora Maria Inês Fini, da assessoria da pasta de educação. A professora Maria Inês Fini é aposentada do departamento de educação da Unicamp, já ocupou cargos no MEC e foi uma das responsáveis pela implantação do ENEM, sendo muito próxima de Maria Helena Guimarães de Castro, atual secretaria de educação, e de Guiomar Namo de Mello, comungando das idéias centrais defendidas por ambas, ancoradas em uma conceituação inovadora de currículo e avaliação, de construção coletiva e autônoma da proposta pedagógica, de respeito às diferenças etc, mas com tratamento de mão de ferro aos professores, que buscam responsabilizar pelas mazelas da educação. Na apresentação da proposta definem-se três conjuntos de documentos, a saber: 1. Documento básico com princípios orientadores; 2. Documento de orientações para a gestão do currículo na escola; 3. Os cadernos do professor. 1. APRESENTAÇÃO DOIS DOCUMENTOS – Básico - Orientações para a Gestão do Currículo na Escola Objetivos:  Propor um currículo para os níveis de ensino fundamental II e médio  Melhoria da qualidade das aprendizagens de seus alunos  Realizar amplo levantamento do acervo documental e técnico pedagógico existente  Iniciar um processo de consulta á escola e aos professores  Ser mais do que uma declaração de intenções  Garant ir a todos uma base co mum de conhecimentos e competências DOCUEMENTO BÁSICO – Gestão  Promover competências indispensáveis ao enfrentamento dos desafios sociais, culturais e profissio nais do mundo contemporâneo.  Aborda: - principais características da sociedade do conhecimento - pressões que a contemporaneidade exerce sobre os jovens cidadãos - preparar os alunos para esse novo tempo - priorizar competências de leitura e escrita Definição de escola – Espaço de Cultura e de articulação de competências e conteúdos disciplinares DOCUMENTO 2 - – Orientações para a Gestão do Currículo na escola  Finalidade específica – o gestor deve ser um líder e animador na implementação da proposta - Disponibilizar outros programas e materiais sobre o tema gestão para:  Assegurar aprendizagens dos conteúdos e constituição das competências previstas na proposta curricular  Estímulo à vida cultural da esco la e do fortalecimento de suas relações com a comunidade
  • 2. Educação continuada para professores O que complementa a proposta  Cadernos do professor por bimestre e disciplina  Situações de aprendizagens para orientar o professor nos conteúdos, habilidades e competências.  Gestão da sala de aula, avaliação, recuperação, sugestões de métodos, estratégias do trabalho nas aulas, atividades extraclasse e estudos disciplinares. 2. Educação para a altura dos desafios contemporâneos Caracterização da Sociedade do Século XXI Mundo  O uso intensivo do conhecimento para trabalhar, conviver, exercer cidadania e cuidar do ambiente.  A sociedade do século XXI é produto da revolução tecnológica  Processos políticos redesenharam relações mundiais gerando um novo tipo de exclusão (a das tecnologias e comunicação que mediam acesso ao conhecimento e bens culturais)  Exclusão – Bens materiais, conhecimentos e bens culturais. Brasil – Educação  Democratização do acesso, mas é indispensável à universalização da relevância da aprendizagem.  Valorização das características cognitivas e afetivas  Capacidades de resolver problemas, trabalhar em grupo, resolver problemas, ser cooperativo e continuar aprendendo.  O diferencial na competitividade será dado pela qualidade da educação recebida (competências constituídas na vida escolar)  A população mais pobre acorre à qualidade para inserção no mundo do trabalho produtivo e solidário  Atender a adolescência precoce com ingresso tardio no trabalho  Ampliar a importância da escola como espaço privilegiado para o desenvolvimento do pensamento autônomo - para formar autonomia responsável  Ser estudante significa aprender a ser livre e ao mesmo tempo respeitar as diferenças e as regras de convivência  Acentuar diferenças culturais, sociais e econômicas. Só uma educação de qualidade para todos pode evitar que essas diferenças constituam mais um fator de exclusão.  Desenvolvimento pessoal – aprimorar capacidades de agir, pensar, atuar, atribuir significados e ser percebido e significado pelos outros.  Educação a serviço do desenvolvimento, da construção da identidade da autonomia e da liberdade.  Educação articuladora que transite entre o local e o mundial de forma cooperativa e solidária, uma síntese dos saberes produzidos pela humanidade.  Tal síntese é uma das condições para acessar o conhecimento necessário ao exercício da cidadania em dimensão mundial  Aprender a aprender – autonomia para gerenciar a própria aprendizagem – aprender a fazer e a conviver – resultado da autonomia em intervenções solidárias é a base para a continuidade da produção cultural e das práticas sociais.  Preparar indivíduos para manter o equilíbrio da produção cultural num tempo em que a duração se caracteriza não pela permanência, mas pela mudança constante (o inusitado, incerto, e o urgente constituem a regra e não a exceção).
  • 3. Apropriar-se ou não desses conhecimentos, pode ser um instrumento da ampliação das liberdades ou mais um fator de exclusão. Princípios centrais:  A escola que aprende  O currículo como espaço de cultura  As competências como eixo da aprendizagem  Prioridade da competência da leitura e da escrita  A articulação das competências para aprender  Contextualização no mundo do trabalho 3 - Princípios - Currículo A - Escola que também aprende  A escola deixa de ser instituição que ensina e passa a ser a que aprende a ensinar  A capacidade de aprender se ampliará dos alunos para a própria escola  A tecnologia facilita a viabilização da “comunidade aprendente” porque imprime ritmo sem precedentes ao acúmulo de conhecimentos  A escola deve aprender que o conhecimento coletivo é maior do que a somo dos conhecimentos individuais B – Papel da Equipe Gestora  A equipe gestora é responsável pela formação dos professores e esses, em conjunto com o grupo gestor são responsáveis pela problematização e significação dos conhecimentos.  Os gestores como agentes formadores devem aplicar como professores tudo aquilo que recomendar que apliquem aos alunos  Construção coletiva da proposta pedagógica por meio da reflexão e prática compartilhadas. C - Currículo como espaço de cultura ANTES – Plano de trabalho indicava o que seria ensinado ao aluno HOJE – O foco foi dirigido para a aprendizagem, não mais a liberdade de ensino mais o direito de aprender.  Todas as atividades da escola são curriculares. É preciso conectar o currículo à vida com aprendizagens relevantes para os alunos.  O conhecimento como instrumento mobilizador em competências reforça o sentido cultural da aprendizagem  Numa escola com vida cultural ativa, o conhecimento torna-se um prazer e pode ser aprendido ao se aprender a aprender.  O professor é o parceiro de fazeres culturais  O Projeto pedagógico tem como prioridade a cidadania cultural e o currículo é a referencia para ampliar, localizar e contextualizar os conhecimentos. D - Competências como referencia  Articular as disciplinas com aquilo que se espera que os alunos aprendam  Atuação do professor, conteúdos, metodologia e aprendizagens têm funções específicas, mas são indissociáveis e se complementam.  Articular as disciplinas com as competências e habilidades dos alunos para que esses façam a leitura crítica do mundo, enfrentem problemas e ajam de forma coerente em favor das múltiplas possibilidades de solução.  Competência caracteriza modos de ser raciocinar e interagir, que podem ser desprendidos das ações e das tomadas de decisão em contextos de problemas, tarefas ou atividades. E – Caracterização dos alunos
  • 4. Alunos de 11 a 18 anos estão em momento complexo e contraditório, o que deve orientar nossa proposta sobre o papel da escola nessa fase da vida.  Ponderar aspectos curriculares, recursos cognitivos, afetivos e sociais que os alunos dispõem.  Analisar como o professor mobiliza conteúdos visando desenvolver competências em adolescentes TRIADE SOBRE QUAIS COMPETENCIAS E HABILIDADES SÃO DESENVOLVIDAS  O adolescente e suas características de ações e pensamentos  O professor e suas características e a qualidade de suas mediações  Conteúdos e metodologias para seu ensino e aprendizagem Motivo – democratização da escola e equidade é tarefa coletiva tendo a frente o gestor para capacitar o professor em seu dia a dia. A unidade não é obtida no ensino, mas na igualdade de oportunidades, na diversidade, para garantir a todos uma base comum. 4. Prioridade - Competência de leitura e escrita  O ser humano constitui-se num ser de linguagem e disso decorre todo o restante  É na adolescência que a linguagem torna-se instrumento para compreender e agir sobre o mundo real.  Importante não apenas o domínio da língua mais de todas as outras linguagens. As linguagens são sistemas simbólicos  Na sociedade atual as linguagens e os códigos se multiplicam: os meios de comunicação estão repletos de gráficos, esquemas, diagramas, fotografias e desenhos.  Para acompanhar tal contexto, a competência de leitura e escrita vai além da linguagem verbal vernácula, refere-se a sistemas simbólicos, tendo como base o pensamento antecipatório, combinatório e probabilístico. Antecipatório – Antecipar as conseqüências de uma ação sem precisar realizá-la Combinatório – Fazer combinações e analisar hipóteses sem precisar conferi-las de antemão Probabilístico – Estabelecer relações de relações – imaginar um objeto e agir sobre ele decidindo se vale a pena ou não interagir com ele ou em outro plano. Criança – Realiza e compreende o falar, pensar ou sentir, mas não o sabem como forma de linguagem. Adolescente – É possível transformar o ser humano em um ser de linguagem, em sua expressão mais radical – uma forma de compreensão e ação sobre o mundo.  A cultura da linguagem, do ponto de vista, social e afetivo, possibilita ao adolescente aprender, pouco a pouco, a considerar suas escolhas em uma escala de valores.  É em virtude da centralidade da linguagem. No desenvolvimento da Criança e do adolescente que se prioriza, como objetivo de todas as disciplinas, a competência leitora e escritora e só por meio dela será possível constituir as demais competências.  A Responsabilidade pela aprendizagem e avaliação cabe a todos os professores  O domínio das linguagens é um dos elementos de conquista e autonomia. 5. ARTICULAÇÃO DAS COMPETENCIAS PARA APRENDER  A aprendizagem é o centro da atividade escolar  Papel do Professor: que é o profissional da aprendizagem e não tanto do ensino: Apresentar e explicar os conteúdos, organizar situações para a aprendizagem de conceitos, métodos, formas de agir e pensar, promover conhecimentos que se mobilizados em competências e
  • 5. habilidades, que instrumentalizem os alunos para enfrentar os problemas do mundo real (educar para á vida).  Papel da Escola: que não é a única detentora do conhecimento e da informação: preparar o aluno para viver em sociedade que não exigem maior quantidade de ensino e sim melhor qualidade da aprendizagem.Mais que os conteúdos isolados as competências são guias eficazes para a vida. É exatamente a possibilidade de variar os conteúdos no tempo e no espaço que legitima a iniciativa dos diferentes sistemas públicos de ensino. A proposta curricular adota como competências para aprender as formuladas pelo referencial teórico do ENEM voltado para a competência do ler e escrever: I – Dominar a norma culta da Língua Portuguesa e fazer uso das linguagens matemática, artística e científica: LER: é interpretar (atribuir sentido ou significado) ESCREVER: é assumir uma autoria individual ou coletiva (tornar-se responsável por uma ação e suas conseqüências) II – Construir e aplicar conceitos das várias áreas do conhecimento para a compreensão de fenômenos naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas. LER: modo de compreender, assimilar experiências ou conteúdos disciplinares (e os modos de sua produção). ESCREVER: Expressar sua construção ou reconstrução com sentido III – Selecionar, organizar, relacionar, interpretar dados e informações representados de diferentes formas, para tomar decisões e enfrentar situações-problema. LER: Antecipar, de forma comprometida, a ação para intervir no fenômeno e resolver os problemas decorrentes deles. ESCREVER: Dominar os muitos formatos que a solução do problema comporta IV - Relacionar informações representadas em diferentes formas, e conhecimentos disponíveis em situações concretas, para construir argumentação consistente. LER: Sintetizar a capacidade de escutar, supor, informar-se, relacionar, comparar, etc. ESCREVER: dominar os códigos que expressam a defesa ou a reconstrução de argumentos V – Recorrer aos conhecimentos desenvolvidos na escola para elaborar propostas de intervenção solidária na realidade, respeitando os valores humanos e considerando a diversidade sócio-cultural. LER: Antecipação de uma intervenção sobre o fenômeno, com tomada de decisões a partir de uma escala de valores. ESCREVER: Formular um plano para a intervenção, levantar hipóteses sobre os meios eficientes para garantir resultados. SÍNTESE: REALIZAÇÃO DE PROJETOS ESCOLARES QUE OS ALUNOS PARENDEM A CRITICAR, RESPEITAR E PROPOR PROJETOS VALIOSOS PARA TODA A SOCIEDADE. 6. ARTICULAÇÃO COM O MUNDO DO TRABALHO  A legislação estabelece que no ensino básico não se trata de formar especialistas nem profissionais, mas preparar para assumir plenamente a cidadania o que passa pela
  • 6. alfabetização científica, humanista, lingüística, artística e técnica, para que sua cidadania tenha qualidade. O prazo para isso é todo o Ensino Básico.  - Que limitações e potenciais têm os enfoques próprios das áreas  - Que práticas humanas, das mais simples às mais complexas, têm fundamento ou inspiração nessa ciência, arte ou área de conhecimento?  - Quais as grandes polêmicas nas várias disciplinas ou áreas de conhecimento? A RELAÇÃO ENTRE TEORIA E PRÁTICA EM CADA DISCIPLINA DO CURRÍCULO  Compreender como a teoria se aplica em contextos reais ou simulados, pois parte dos problemas de qualidade do ensino decorre da dificuldade em destacar a dimensão prática do conhecimento, tornando-o verbalista e abstrato. Exemplos: 1. Reproduzir a indagação de origem – a necessidade que levou a construção do conhecimento. 2. História é considerada teórica, mas nada é tão prático quanto entender a origem de uma cidade e as razões da configuração urbana 3. Química é considerada mais prática por envolver atividades em laboratório, mas nada é mais teórico do que o estudo da tabela de elementos químicos. Não é preciso ser químico para escolher o que se vai comer. Os cidadãos plenos devem adquirir discernimento e conhecimentos pertinentes para tomar decisões em diversos momentos, em relação à escolha de alimentos, uso da eletricidade consumo de água, seleção de programas de TV ou escolha do candidato a um cargo político. AS RELAÇÕES ENTRE EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA A lei determina que deva se associar o currículo a “compreensão dos fundamentos científicos dos processos produtivos” e detalha nas Diretrizes Curriculares Nacionais que o aluno deve demonstrar ao final da Educação Básica, o “domínio dos princípios científicos e tecnológicos da produção moderna”. 1. Alfabetização tecnológica- entender as tecnologias da história humana como elementos da cultura, como parte das práticas sociais, culturais e produtivas com o sentido de preparar para viver e conviver em um mundo no qual a tecnologia está cada vez mais presente em qualquer situação sócio econômica: tarja magnética, celular, código de barras etc. 2. Compreensão dos fundamentos científicos e tecnológicos da produção – A tecnologia é a chave para relacionar o currículo ao mundo da produção de bens e serviços, mas deve se evitar a existência de disciplinas “tecnológicas” isoladas dos conhecimentos que lhe fundamentam. PRIORIDADE PARA O CONTEXTO DO TRABALHO  O trabalho enquanto produção de bens e serviços revela-se como a prática humana mais importante para conectar os conteúdos do currículo com a realidade.  O valor do trabalho incide em toda a vida escolar desde a valorização dos trabalhadores da escola e da família, até o respeito aos trabalhadores da comunidade, o conhecimento do trabalho como produtor da riqueza e o reconhecimento de que um dos fundamentos da desigualdade social é a remuneração injusta do trabalho.  O trabalho deve aparecer contextualizado nos conteúdos escolares  O currículo não pode deixar de incluir os tipos de trabalho e as carreiras profissionais aos quais se aplicam os conhecimentos das áreas ou disciplinas curriculares. O CONTEXTO DO TRABALHO NO ENSINO MÉDIO
  • 7. O mundo do trabalho passa por transformações profundas  Lei 5692/71 – tenta unir o ensino profissional e o propedêutico, mas descaracteriza a formação geral, sem ganhos significativos para o profissional.  A preparação deve prever a flexibilidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores  Ênfases curriculares diferentes – autonomia para eleger as disciplinas específicas e suas respectivas cargas horárias dentro das três grandes áreas instituídas pelas DCNs, trabalhando conteúdos para constituir competências básicas que sejam pré-requisitos para a formação profissional, o que pode ser realizada em disciplinas de formação básica do Ensino Médio. Elaborado por Luiz Freitas e Silvio de Souza – Oposição Alternativa - Itaquera