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EDUCAÇÃO INCLUSIVA, O QUE É ISSO? 
Andressa Bordignon 
RESUMO: A Educação Inclusiva é, hoje em dia, um tema muito discutido em encontros de 
educadores. Percebe-se, porém, a falta de relação entre a teoria, muito estudada, e as 
práticas dos educadores. Este estudo tem como objetivo principal contribuir para a 
elucidação do termo Educação Inclusiva visando a melhoria do processo de ensino 
aprendizagem, garantindo a todos os alunos a permanência e o sucesso escolar. A 
valorização da diversidade, na sala de aula, torna-se uma das melhores oportunidades de 
aprendizagens. Os professores continuam bem divididos quanto ao entendimento da 
educação inclusiva, uns acreditam, ser ainda a aceitação de alunos deficientes em sala de 
aula, enquanto outros, vindo ao encontro do estudo, estendem a educação inclusiva como 
a percepção e valorização das diferenças, num sentido de diversidade, multiculturalidade. 
Palavras-Chave: concepção - Educação Inclusiva – diferenças – diversidade. 
INTRODUÇÃO 
Nas últimas décadas, o discurso da inclusão escolar assumiu status 
privilegiado. Entretanto, existem diversas controvérsias no plano dos discursos e das 
práticas. Há autores e profissionais que, defendendo a inclusão escolar como parte 
integrante de um movimento maior de inclusão social, atuam na educação pela 
universalização do acesso e pela igualdade de ensino. E, há aqueles, pouco 
informados, que têm interpretado a inclusão escolar como mero acesso de alunos 
com algum tipo de deficiência na classe comum. 
Tendo em vista os equívocos causados pelas dúbias interpretações do termo 
inclusão, optou-se pelo desnudamento do mesmo através dos conceitos dos teóricos 
e dos educadores, bem como através das práticas educativas dos últimos. 
A necessidade de ouvir professores deve-se ao fato de que muitos estudos 
têm sido feitos na área da inclusão e pouca mudança tem se percebido na prática, 
pois mais do que criar condições para os deficientes, a inclusão é um desafio que 
implica mudar a escola como um todo. É valorizar as peculiaridades de cada aluno, 
atender a todos na escola, incorporar a diversidade, sem nenhum tipo de distinção. 
A inclusão é um processo cheio de imprevistos, sem fórmulas prontas e que exige 
aperfeiçoamento constante. 
A leitura da realidade escolar indica a existência de um conflito entre a 
concepção de teóricos, especialistas ou não, na área de inclusão e o que se observa 
nos ambientes educacionais. Concebemos que a prática errônea se deva talvez ao 
fato de os professores não possuírem um significado real e fundamentado do que
2 
seja incluir. Fato que pode estar relacionado a má formação inicial, ao não 
oferecimento de formação continuada, a inoperância dos cursos de licenciatura, ou a 
falta de vontade de os professores fundamentarem suas práticas e argumentos 
pedagógicos. 
Entende-se que a inclusão mereça análise e deva ocorrer em todas as 
instâncias sociais, partindo do princípio de que a escola é o lócus de formação dos 
indivíduos constituintes desta sociedade, buscou-se conhecer como os professores 
estão alicerçando o entendimento da educação inclusiva, e propiciando a vivência 
do mesmo no contexto escolar. 
Este estudo tem como escopo contribuir para a elucidação do termo 
Educação Inclusiva visando a melhoria do processo de ensino aprendizagem, 
garantindo a todos os alunos a permanência e o sucesso escolar. 
Primeiramente foi feita uma pesquisa bibliográfica a respeito do significado 
que a Educação Inclusiva assume para autores da área, recolhendo informações 
para a realização do comparativo. 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA X ENSINO APRENDIZAGEM 
Conforme Barth (apud Stainback e Stainback, 2002, p.16), “as diferenças 
representam grandes oportunidades de aprendizado. As diferenças oferecem um 
recurso grátis, abundante e renovável... o que é importante nas pessoas – e nas 
escolas – é o que é diferente, não o que é igual”. 
“Não lidar com as diferenças é não perceber a diversidade que nos cerca, 
nem os muitos aspectos em que somos diferentes uns dos outros e transmitir, 
explícita ou explicitamente, que as diferenças devem ser ocultadas, tratadas à parte” 
(Mantoan, 2001, p.51). Essa atitude reforça a discriminação, remete à divisão de 
alunos com dificuldades em escolas e classes especiais, à busca da “psedo-homogeneidade” 
nas salas de aula para obter sucesso no ensino. Nos remete à 
dificuldade da convivência com pessoas que se “desviam um pouco mais da média 
das diferenças, conduzindo-as ao isolamento, à exclusão, dentro e fora das escolas” 
(idem). 
Inclusão e exclusão começam na sala de aula, são as experiências cotidianas 
das crianças nas salas de aula que definem a qualidade de sua participação e a 
gama total de experiências de aprendizagem oferecidas em uma escola. Do mesmo 
modo, são importantes as interações e as relações sociais que as crianças têm 
umas com as outras e com os outros membros da comunidade escolar. As formas
3 
através da quais as escolas promovem a inclusão e previnem a exclusão constituem 
o cerne da qualidade de viver e aprender experimentado por todas as crianças. 
(MITTLER, 2003). 
Encontramos em Stainback e Stainback (1999, p. XII) uma citação de Robert 
Barth, descrevendo de uma forma paternal, sua preocupação com o valor da 
diversidade: 
As diferenças encerram grandes oportunidades para a aprendizagem. Elas 
oferecem um recurso livre, abundante e renovável. Eu gostaria de ver nossa 
compulsão para eliminar as diferenças substituída por um enfoque 
igualmente insistente em se fazer uso dessas diferenças para melhorar as 
escolas. 
Em salas de aula, onde há inclusão, as crianças enriquecem-se por terem a 
oportunidade de aprender umas com as outras, instruem-se a cuidar umas das 
outras e apropriam-se de atitudes, habilidades e valores necessários para garantir a 
inclusão de todos os cidadãos na sociedade. A existência de programas adequados 
de inclusão funciona para todos os alunos, deficientes ou não, no sentido de atitudes 
positivas, desenvolvidas em conjunto, de vantagens nas habilidades acadêmicas e 
sociais e de apresto para a vida na comunidade. 
O princípio de inclusão, considerado aqui, dá conta de que todos os alunos 
com as mais diversas capacidades, características, necessidades e interesses, 
possam aprender juntos, recebendo atenção em seu desenvolvimento global, 
criando-se um verdadeiro sentido de igualdade de oportunidades, visando o sucesso 
escolar. 
No cenário da educação inclusiva os alunos aprendem envolvendo-se em 
atividades do mundo real, significativas, nas quais as habilidades são aprendidas 
através de sua aplicação, onde a reflexão, investigação e o pensamento crítico 
ocorrem em intercâmbio com os outros aprendizes e com apoio mútuo, usando 
diversas abordagens e estilos de aprendizagem. Dessa forma, os estudantes 
aprendem em grupos diversos e heterogêneos, desenvolvendo a cooperação, o 
trabalho em grupo e aprendem a valorizar e acomodar uma grande diversidade 
(Stainback e Stainback, 1999). 
Ramsey (apud Stainback e Stainback, 1999) relacionou oito objetivos para o 
ensino multicultural, e serve sobremaneira para o estudo até aqui realizado, que 
acredita na inclusão na direção da multiculturalidade e da diversidade. A educação 
inclusiva tem como finalidade ajudar as crianças a desenvolver identidades positivas
4 
de gênero, raça, cultura, classe e individuais; capacitá-las a enxergarem-se como 
parte de um todo maior; incitar o respeito e a apreciação pelos modos de viver das 
pessoas; encorajar um interesse pelos outros, uma disposição para incluí-los; 
desenvolver uma consciência da sociedade atual, no sentido de responsabilidade 
social; capacitar as crianças para tornarem-se autônomas e críticas em seu 
ambiente; desenvolver de habilidades educacionais e sociais necessárias para 
participação na sociedade, de maneira adequada aos estilos, culturas e língua e 
promover relacionamentos eficazes e recíprocos entre as escolas e famílias. 
Mantoan (2003) cita alguns princípios fundamentais que têm sido observados 
pelas escolas que obtiveram sucesso no ideal de inclusão, respeitando os alunos e 
oferecendo alternativas para que todos aprendam: reconhecimento e valorização da 
diversidade como enriquecimento do processo ensino-aprendizagem; professores 
conscientes de como devem atuar para que todos aprendam; cooperação entre toda 
a comunidade escolar envolvida; valorização do processo e não mais do produto; 
enfoques curriculares, metodológicos e estratégias pedagógicas que favoreçam a 
construção coletiva. 
Para que o que foi referenciado acima aconteça, é preciso que os professores 
conheçam seus alunos, suas capacidades, suas experiências prévias, seus 
interesses e conhecimentos; devem ser conscientes de que os alunos precisam ser 
ajudados a atribuir um sentido próprio às tarefas de que participam e que as aulas 
devem ser organizadas com o objetivo de estimular a participação e o esforço. 
Promover trabalhos em grupo e individuais que possibilitem diferentes níveis 
de desempenho dos alunos; oferecer oportunidades para experimentarem, criarem e 
fazerem descobertas, para a construção do conhecimento próprio; elaborar debates, 
pesquisas e registros escritos; avaliar os avanços da turma a partir da evolução das 
competências; fortalecer o processo de cooperação entre os alunos e diversificar as 
metodologias, são alguns exemplos de como lidar com as diferenças na sala de 
aula, favorecendo e facilitando a aprendizagem de todos (Zenti, 2005). O importante 
é que professores e alunos saibam que ser diferente é ser normal, que tudo bem ser 
diferente (Parr, 2002). 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA É... 
A Educação Especial foi concebida para atender os alunos deficientes físico, 
mental, visual, auditivo e motor, além dos que apresentassem alguma síndrome, os 
com altas habilidades e superdotação. Na abordagem inclusiva, a educação especial
5 
passou a atender também os estudantes com problemas de aprendizagem 
relacionadas a condições, disfunções, limitações e deficiências. Dessa forma, toda a 
sala de aula, por um motivo ou outro, é local de inclusão, pois ser gordo ou muito 
magro, superdotado, pobre, agressivo, rico, ter diabetes ou déficit de atenção, usar 
óculos entre outros, muitas vezes torna o aluno alvo de piadinhas e preconceito. 
Torna-se urgente que os professores pratiquem o respeito e a tolerância, que só 
nascem quando se compreende que, como já foi dito, o normal é ser diferente. 
O caleidoscópio traduz com muita propriedade a educação inclusiva, pois 
assim como ele, que forma imagens com pedras de vários tamanhos, formas e 
cores, cada vez mais os professores devem perceber que as diferenças não só 
devem ser aceitas como também, acolhidas como formas de montar ou completar o 
cenário da educação, assim como no livro “Na minha escola todo mundo é igual” 
(Ramos, 2004). 
Incluir significa “abranger, compreender, envolver, implicar, acrescentar e 
somar” (Alves, 2003, p.15). Dessa forma, todo indivíduo pode ser incluído, pois 
todos precisam ser envolvidos, implicados, juntados a qualquer outro ser para somar 
o crescimento de um ao de outro. 
A educação inclusiva envolve um processo de reforma e reestruturação das 
escolas como um todo, com o objetivo de garantir que todos os alunos possam ter 
acesso a todas as oportunidades educacionais e sociais oferecidas pela escola. Isso 
inclui currículo, registros e relatórios de aquisições acadêmicas dos alunos, a 
avaliação, as decisões sobre o agrupamento dos alunos nas salas de aula, as 
práticas de sala de aula, bem como acesso ao lazer, esporte e recreação. O objetivo 
da reforma nas escolas é assegurar o acesso e participação de todos os alunos em 
todas as possibilidades oferecidas pela instituição educacional e impedir a 
segregação e o isolamento. Essa política foi planejada para beneficiar todos os 
alunos. 
Incluir não é integrar pois essa significa “inserir um aluno ou grupo de aluno 
que já foi anteriormente excluído” (Mantoan, 2003, p.24), enquanto que incluir é não 
deixar ninguém à margem do ensino regular desde o princípio da escolarização. A 
diferença entre integração e inclusão, está principalmente, na questão de que no 
modelo integrativo a sociedade não tem responsabilidade com a diferença apenas 
aceitando-as desde que não comprometam e alterem o funcionamento social.
6 
Uma das professoras questionadas, respondeu que “inclusão significa integrar 
um aluno especial a uma classe regular, adequando conteúdos, objetivos e critérios 
de avaliação as reais condições do aluno incluso”, e ela continua respondendo que a 
inclusão não ocorre plenamente na sua sala de aula, “faço o possível para integrar o 
aluno às atividades desenvolvidas pela turma”. 
Outras respostas sobre o que é incluir, também remetem à questão da 
integração: “Inclusão na escola significa todos os alunos com acesso, integração e 
progresso de aprendizagem”. A mudança da integração para a inclusão vai muito 
além de uma mudança de moda ou de semântica do politicamente correto. Embora 
os termos sejam usados como sinônimos (inclusive em alguns dicionários), há uma 
diferença real de prática e valores entre eles. 
Não há, atualmente, um consenso sobre as diferenças entre esses termos, 
mas nesse estudo elas serão diferenciadas baseadas em Mittler (2003) e Mantoan 
(2003). 
A integração envolve preparar os alunos para serem colocados em escolas 
regulares, o que implica um conceito de “prontidão” para transferir o aluno da escola 
especial para a escola regular. O aluno deve adaptar-se à escola e não há um 
compromisso da escola de mudança para acomodar uma diversidade cada vez 
maior de alunos. A integração significa tornar as escolas regulares em escolas 
especiais através da transposição das melhores práticas, dos melhores 
equipamentos e dos melhores professores das escolas especiais para o sistema 
regular de ensino. 
A inclusão implica uma reforma radical nas escolas em termos de currículo, 
pedagogia, avaliação e formas de agrupamento dos alunos nas atividades de sala 
de aula. É baseada num sistema de valores que faz com que todos se sintam bem-vindos 
e celebra a diversidade, em nível de gênero, nacionalidade, raça, linguagem 
de origem, nível de aquisição educacional ou deficiência. A maioria dos professores, 
equivocadamente, pensa que só existe um tipo de aprendizado, esquecendo as 
diversidades, as necessidades individuais. É importante se perguntar e perceber o 
que o aluno precisa nesse momento e a partir daí elaborar suas aulas. 
Vale lembrar que, no Brasil, a formação de professores e outros agentes 
ligados à educação segue um modelo tradicional, inadequado para suprir as 
demandas da diversidade humana. São poucos os cursos de formação de 
professores que oferecem disciplinas voltadas para a educação inclusiva. Não existe
7 
ainda, um referencial definido sobre como receber e incluir, em sala de aula de 
ensino regular, alunos diferentes. Todos os envolvidos com a educação têm algo a 
aprender sobre a inclusão, ninguém pode ser excluído de ser capacitado para a 
inclusão. 
A inclusão não é apenas uma meta que pode ser alcançada, mas uma 
caminhada com uma finalidade. Durante a caminhada, os professores vão construir 
e ampliar suas habilidades sobre o que já experienciaram com o objetivo de alcançar 
todas as crianças e suas necessidades de aprendizagem. Entretanto, eles também 
têm o direito de encontrar apoio e oportunidades para seu crescimento profissional 
durante a jornada, da mesma forma que as famílias têm o direito de esperar que 
suas crianças sejam ensinadas por professores cuja formação os preparou para 
ensinar a todas elas. 
Outra professora também entende a inclusão como integração: “a inclusão é a 
aceitação, a integração do diferente”. Mas reconhece que: “todos somos diferentes 
em nossas qualidade e habilidades, no nosso modo de ver e viver. Mas somos 
iguais em relação a direitos e deveres. Todos temos potencialidades e limitações”. 
Algumas das pesquisadas consideram a inclusão com relação aos alunos que 
precisam de “atendimento especial”, que possuam “necessidades especiais” para 
que ele “possa conviver com pessoas também “diferentes” dele, fazer com que ele 
se sinta capaz de fazer, falar, ouvir, sentir”. 
O pensamento das pesquisadas vem ao encontro da maioria das concepções 
teóricas sobre inclusão, tanto dos autores que consideram a Declaração de 
Salamaca como um marco da inclusão, sendo que ela é uma lei que só referencia os 
deficientes, quanto às “inúmeras propostas educacionais que defendem e 
recomendam a inclusão e continuam a diferenciar alunos pela sua deficiência” 
(Mantoan, 2005, p.13). 
Entendendo a inclusão como a inserção na sala de aula de um aluno que é 
diferente do “normal” ou das concepções e posturas desejadas pela professora e 
pela escola. Considerando como incluso apenas aquele aluno que é diferente 
fisicamente ou que apresenta algum déficit de aprendizagem, enquanto que a 
inclusão parte do princípio de que todos como seres únicos são diferentes. 
“No cenário da educação, entendo como inclusão a oportunização à 
participação de todos os alunos em todas as atividades propostas”. “A possibilidade 
de atender e atentar para as necessidades especiais de cada um”.
8 
Quanto a existência da inclusão, todas as professoras se pronunciaram que 
há, “sempre, em qualquer sala de aula, há um processo de inclusão, mesmo que 
não haja evidências de deficiências físicas ou mentais”, metade delas com relação a 
alunos deficientes na sala de aula, que participam de todas as atividades. A outra 
metade, no entanto, considerando que “cada pessoa é um universo particular, vê as 
coisas de acordo com as suas vivências e experiências. Cada aluno é diferente, por 
isso cada um tem seu tempo e modo de aprender. Ver os alunos e conhecer como 
eles aprendem e se desenvolvem”, diversificando as atividades para contemplar 
todos em suas individualidades. 
Todas as pesquisadas planejam aulas variadas “para que as crianças 
aprendam a conviver construtivamente com a riqueza das diferenças existentes 
entre os seres humanos”, “trabalhando em grupos para que aconteça uma ajuda 
mútua”, “mudando o nível de exigência”, “vejo no diálogo uma das melhores formas 
de decidirmos em conjunto as maneiras de dinamizar as aulas, visando assim a 
participação de todos”. 
Alguns professores acreditam que devem ser incluídos apenas alunos com 
necessidades especiais, “todo aluno que seja considerado “diferente” dos 
parâmetros considerados normais”, sendo que a maioria considera que todos os 
alunos devem ser incluídos. No entendimento das instituições educacionais, 
também, todos os alunos devem ser incluídos, questionando inclusive, se não é 
“obrigação da escola, sob pena de ter sua qualidade atingida, atender a todos os 
alunos”. 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Em tempos de “globalização”, existe, também, uma consciência crescente de 
que inúmeras pessoas têm dificuldades em conseguir essa tal “participação 
igualitária” na sociedade. Uma das maneiras de superar as desigualdades nesses 
dias, é o conhecimento. 
Sendo assim, este estudo teve como linha de pesquisa a educação inclusiva 
na valorização da diversidade cultural, social e econômica, rompendo com a idéia de 
que apenas os deficientes devem ser incluídos. 
Não se pode uniformizar a vida no planeta. [...] Um país enorme, com uma 
diversidade étnica, criado por várias raças, vindas de várias procedências 
no mundo inteiro. Isso desencadeou a produção enorme de facetas 
diferentes na vida brasileira, na cultura brasileira, nos modos de falar, de 
viver, de existir, de celebrar. Tudo isso precisa realmente ter espaço. Essa
9 
diversidade, essa variedade brasileira, e de outros países, não pode ser 
aniquilada. (Gil, 2005) 
Esse ensaio traz a concepção de que os princípios da inclusão aplicam-se 
não apenas aos alunos deficientes ou sob risco, mas a todos os alunos, as questões 
desafiadoras enfrentadas pela educação hoje, não permitem que ninguém se isole e 
se concentre em um grupo de alunos. Enfim, boas escolas são escolas para todos 
os alunos. 
Uma educação inclusiva baseada em uma educação multicultural, ou seja, 
implicada num processo de reconhecimento e valorização de todas as 
manifestações, buscando a integração e convivência respeitosa entre elas, de tal 
forma que se possa potencializá-las, proporcionando uma identidade cultural. Um 
ideal que se firma na diversidade e nas diferenças. 
A inclusão depende de professores para os quais o processo de 
aprendizagem é tão importante quanto o produto final e que respeitem o ritmo e o 
traçado das aprendizagens que cada aluno elabora, a partir de seus conhecimentos 
prévios e de seus sistemas de significação. Os educadores precisam, também, 
conhecer como os alunos aplicam conhecimentos, informações já possuídas para se 
adaptarem a situações novas e desequilibradoras do pensamento e da ação. Esse 
conhecimento pode ser percebido a todo o instante, quando os alunos resolvem os 
mais diversos problemas, sem a obrigação e inquietação de encontrar a resposta 
exigida, mas aquela que corresponde às suas condições de compreensão. 
A formação de professores, dessa forma, deve remeter os educadores a 
refletirem sobre a prática escolar, questionando-a, constantemente, de modo que 
possam aprender com sua própria experiência, compartilhada com a de seus 
colegas. 
Todos são diferentes uns dos outros e não é diferente com os alunos, logo, 
devem ser tratados de forma diferentes para que se alcancem os mesmos objetivos 
de ensino. Assim, a inclusão não indica a individualização do ensino para os alunos 
“diferentes”, mas que se diminuam e/ou se eliminem os obstáculos que impedem 
que todos os alunos progridam, tornando essa interação mais equilibrada. 
Portanto, as atividades e recursos pedagógicos serão sempre os mesmos 
para todos os alunos. O que fará diferença é, a partir do aluno, a possibilidade deste 
realizar suas tarefas sem discriminações. Desse modo a espontaneidade e o 
potencial de cada criança pode insurgir da interação com os objetos de
10 
conhecimento e com os colegas. A partir do professor, o que faz a diferença é o 
modo como este planeja as atividades e como seleciona o material, de maneira que 
possam servir a objetivos mais amplos e importantes que treinar, encurralar e 
estereotipar o aluno. 
O princípio de “educação para todos” só é evidenciado nos sistemas 
escolares que se especializam em todos os alunos e não apenas em alguns deles. 
Muita coisa ainda deve ser feita para que se possa caracterizar um sistema como 
apto para atender as especificidades de cada aluno, sem cair nas teias da educação 
especial e suas formas de exclusão, mas é urgente caminhar nessa direção. 
Assim como o caleidoscópio que cria imagens que se multiplicam, que se 
transfiguram em incontáveis e fascinantes nuances. Por esse viés pretende-se 
construir uma visão dilatada e multifacetada dos diferentes. Não se quer tratar a 
inclusão como concessão de um espaço. 
Reconhece-se, a priori, que o diferente, freqüentemente, perturba, ameaça, 
desordena o status quo. O diferente desequilibra porque se traduz em falta. Mas 
seria uma maravilha se todos fossem, no mundo, e, em especial na escola, iguais 
em seu direito de ser único. 
REFERÊNCIAS 
ALVES, F. Inclusão: muitos olhares, vários caminhos e um grande desafio. Rio de 
Janeiro: WAK, 2003. 
GIL, G. In.: Jornal Nacional. Disponível em <www.globo.com/jornalnacional>. 
Acesso em 20/out/2005. 
MANTOAN, M. T. E. (org.). Pensando e Fazendo Educação de Qualidade. São 
Paulo: Moderna, 2001. 
MANTOAN, M. T. E. Inclusão Escolar: o que é? Por quê? Como fazer? São Paulo: 
Moderna, 2003. 
_____. O direito à diferença nas escolas. In.: Pátio. Ano VIII, n.32, nov2004/jan2005. 
p.13-15. 
MITTLER, P. Educação Inclusiva: contextos sociais. Porto Alegre: Artmed, 2003. 
PARR, T. Tudo bem ser diferente. São Paulo: Panda, 2002. 
RAMOS, R. Na minha escola todo mundo é igual. São Paulo: Cortez, 2004. 
STAINBACK, S.; STAINBACK, W. Inclusão: um guia para educadores. Porto Alegre: 
Artmed, 1999. 
ZENTI, Luciana. Uma escola para todos. In.: Aprende Brasil. Curitiba, PR. Ano2, 
n.03 fev, 2005. p.38-41
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Educação inclusiva pre-projeto mestrado

  • 1. EDUCAÇÃO INCLUSIVA, O QUE É ISSO? Andressa Bordignon RESUMO: A Educação Inclusiva é, hoje em dia, um tema muito discutido em encontros de educadores. Percebe-se, porém, a falta de relação entre a teoria, muito estudada, e as práticas dos educadores. Este estudo tem como objetivo principal contribuir para a elucidação do termo Educação Inclusiva visando a melhoria do processo de ensino aprendizagem, garantindo a todos os alunos a permanência e o sucesso escolar. A valorização da diversidade, na sala de aula, torna-se uma das melhores oportunidades de aprendizagens. Os professores continuam bem divididos quanto ao entendimento da educação inclusiva, uns acreditam, ser ainda a aceitação de alunos deficientes em sala de aula, enquanto outros, vindo ao encontro do estudo, estendem a educação inclusiva como a percepção e valorização das diferenças, num sentido de diversidade, multiculturalidade. Palavras-Chave: concepção - Educação Inclusiva – diferenças – diversidade. INTRODUÇÃO Nas últimas décadas, o discurso da inclusão escolar assumiu status privilegiado. Entretanto, existem diversas controvérsias no plano dos discursos e das práticas. Há autores e profissionais que, defendendo a inclusão escolar como parte integrante de um movimento maior de inclusão social, atuam na educação pela universalização do acesso e pela igualdade de ensino. E, há aqueles, pouco informados, que têm interpretado a inclusão escolar como mero acesso de alunos com algum tipo de deficiência na classe comum. Tendo em vista os equívocos causados pelas dúbias interpretações do termo inclusão, optou-se pelo desnudamento do mesmo através dos conceitos dos teóricos e dos educadores, bem como através das práticas educativas dos últimos. A necessidade de ouvir professores deve-se ao fato de que muitos estudos têm sido feitos na área da inclusão e pouca mudança tem se percebido na prática, pois mais do que criar condições para os deficientes, a inclusão é um desafio que implica mudar a escola como um todo. É valorizar as peculiaridades de cada aluno, atender a todos na escola, incorporar a diversidade, sem nenhum tipo de distinção. A inclusão é um processo cheio de imprevistos, sem fórmulas prontas e que exige aperfeiçoamento constante. A leitura da realidade escolar indica a existência de um conflito entre a concepção de teóricos, especialistas ou não, na área de inclusão e o que se observa nos ambientes educacionais. Concebemos que a prática errônea se deva talvez ao fato de os professores não possuírem um significado real e fundamentado do que
  • 2. 2 seja incluir. Fato que pode estar relacionado a má formação inicial, ao não oferecimento de formação continuada, a inoperância dos cursos de licenciatura, ou a falta de vontade de os professores fundamentarem suas práticas e argumentos pedagógicos. Entende-se que a inclusão mereça análise e deva ocorrer em todas as instâncias sociais, partindo do princípio de que a escola é o lócus de formação dos indivíduos constituintes desta sociedade, buscou-se conhecer como os professores estão alicerçando o entendimento da educação inclusiva, e propiciando a vivência do mesmo no contexto escolar. Este estudo tem como escopo contribuir para a elucidação do termo Educação Inclusiva visando a melhoria do processo de ensino aprendizagem, garantindo a todos os alunos a permanência e o sucesso escolar. Primeiramente foi feita uma pesquisa bibliográfica a respeito do significado que a Educação Inclusiva assume para autores da área, recolhendo informações para a realização do comparativo. EDUCAÇÃO INCLUSIVA X ENSINO APRENDIZAGEM Conforme Barth (apud Stainback e Stainback, 2002, p.16), “as diferenças representam grandes oportunidades de aprendizado. As diferenças oferecem um recurso grátis, abundante e renovável... o que é importante nas pessoas – e nas escolas – é o que é diferente, não o que é igual”. “Não lidar com as diferenças é não perceber a diversidade que nos cerca, nem os muitos aspectos em que somos diferentes uns dos outros e transmitir, explícita ou explicitamente, que as diferenças devem ser ocultadas, tratadas à parte” (Mantoan, 2001, p.51). Essa atitude reforça a discriminação, remete à divisão de alunos com dificuldades em escolas e classes especiais, à busca da “psedo-homogeneidade” nas salas de aula para obter sucesso no ensino. Nos remete à dificuldade da convivência com pessoas que se “desviam um pouco mais da média das diferenças, conduzindo-as ao isolamento, à exclusão, dentro e fora das escolas” (idem). Inclusão e exclusão começam na sala de aula, são as experiências cotidianas das crianças nas salas de aula que definem a qualidade de sua participação e a gama total de experiências de aprendizagem oferecidas em uma escola. Do mesmo modo, são importantes as interações e as relações sociais que as crianças têm umas com as outras e com os outros membros da comunidade escolar. As formas
  • 3. 3 através da quais as escolas promovem a inclusão e previnem a exclusão constituem o cerne da qualidade de viver e aprender experimentado por todas as crianças. (MITTLER, 2003). Encontramos em Stainback e Stainback (1999, p. XII) uma citação de Robert Barth, descrevendo de uma forma paternal, sua preocupação com o valor da diversidade: As diferenças encerram grandes oportunidades para a aprendizagem. Elas oferecem um recurso livre, abundante e renovável. Eu gostaria de ver nossa compulsão para eliminar as diferenças substituída por um enfoque igualmente insistente em se fazer uso dessas diferenças para melhorar as escolas. Em salas de aula, onde há inclusão, as crianças enriquecem-se por terem a oportunidade de aprender umas com as outras, instruem-se a cuidar umas das outras e apropriam-se de atitudes, habilidades e valores necessários para garantir a inclusão de todos os cidadãos na sociedade. A existência de programas adequados de inclusão funciona para todos os alunos, deficientes ou não, no sentido de atitudes positivas, desenvolvidas em conjunto, de vantagens nas habilidades acadêmicas e sociais e de apresto para a vida na comunidade. O princípio de inclusão, considerado aqui, dá conta de que todos os alunos com as mais diversas capacidades, características, necessidades e interesses, possam aprender juntos, recebendo atenção em seu desenvolvimento global, criando-se um verdadeiro sentido de igualdade de oportunidades, visando o sucesso escolar. No cenário da educação inclusiva os alunos aprendem envolvendo-se em atividades do mundo real, significativas, nas quais as habilidades são aprendidas através de sua aplicação, onde a reflexão, investigação e o pensamento crítico ocorrem em intercâmbio com os outros aprendizes e com apoio mútuo, usando diversas abordagens e estilos de aprendizagem. Dessa forma, os estudantes aprendem em grupos diversos e heterogêneos, desenvolvendo a cooperação, o trabalho em grupo e aprendem a valorizar e acomodar uma grande diversidade (Stainback e Stainback, 1999). Ramsey (apud Stainback e Stainback, 1999) relacionou oito objetivos para o ensino multicultural, e serve sobremaneira para o estudo até aqui realizado, que acredita na inclusão na direção da multiculturalidade e da diversidade. A educação inclusiva tem como finalidade ajudar as crianças a desenvolver identidades positivas
  • 4. 4 de gênero, raça, cultura, classe e individuais; capacitá-las a enxergarem-se como parte de um todo maior; incitar o respeito e a apreciação pelos modos de viver das pessoas; encorajar um interesse pelos outros, uma disposição para incluí-los; desenvolver uma consciência da sociedade atual, no sentido de responsabilidade social; capacitar as crianças para tornarem-se autônomas e críticas em seu ambiente; desenvolver de habilidades educacionais e sociais necessárias para participação na sociedade, de maneira adequada aos estilos, culturas e língua e promover relacionamentos eficazes e recíprocos entre as escolas e famílias. Mantoan (2003) cita alguns princípios fundamentais que têm sido observados pelas escolas que obtiveram sucesso no ideal de inclusão, respeitando os alunos e oferecendo alternativas para que todos aprendam: reconhecimento e valorização da diversidade como enriquecimento do processo ensino-aprendizagem; professores conscientes de como devem atuar para que todos aprendam; cooperação entre toda a comunidade escolar envolvida; valorização do processo e não mais do produto; enfoques curriculares, metodológicos e estratégias pedagógicas que favoreçam a construção coletiva. Para que o que foi referenciado acima aconteça, é preciso que os professores conheçam seus alunos, suas capacidades, suas experiências prévias, seus interesses e conhecimentos; devem ser conscientes de que os alunos precisam ser ajudados a atribuir um sentido próprio às tarefas de que participam e que as aulas devem ser organizadas com o objetivo de estimular a participação e o esforço. Promover trabalhos em grupo e individuais que possibilitem diferentes níveis de desempenho dos alunos; oferecer oportunidades para experimentarem, criarem e fazerem descobertas, para a construção do conhecimento próprio; elaborar debates, pesquisas e registros escritos; avaliar os avanços da turma a partir da evolução das competências; fortalecer o processo de cooperação entre os alunos e diversificar as metodologias, são alguns exemplos de como lidar com as diferenças na sala de aula, favorecendo e facilitando a aprendizagem de todos (Zenti, 2005). O importante é que professores e alunos saibam que ser diferente é ser normal, que tudo bem ser diferente (Parr, 2002). EDUCAÇÃO INCLUSIVA É... A Educação Especial foi concebida para atender os alunos deficientes físico, mental, visual, auditivo e motor, além dos que apresentassem alguma síndrome, os com altas habilidades e superdotação. Na abordagem inclusiva, a educação especial
  • 5. 5 passou a atender também os estudantes com problemas de aprendizagem relacionadas a condições, disfunções, limitações e deficiências. Dessa forma, toda a sala de aula, por um motivo ou outro, é local de inclusão, pois ser gordo ou muito magro, superdotado, pobre, agressivo, rico, ter diabetes ou déficit de atenção, usar óculos entre outros, muitas vezes torna o aluno alvo de piadinhas e preconceito. Torna-se urgente que os professores pratiquem o respeito e a tolerância, que só nascem quando se compreende que, como já foi dito, o normal é ser diferente. O caleidoscópio traduz com muita propriedade a educação inclusiva, pois assim como ele, que forma imagens com pedras de vários tamanhos, formas e cores, cada vez mais os professores devem perceber que as diferenças não só devem ser aceitas como também, acolhidas como formas de montar ou completar o cenário da educação, assim como no livro “Na minha escola todo mundo é igual” (Ramos, 2004). Incluir significa “abranger, compreender, envolver, implicar, acrescentar e somar” (Alves, 2003, p.15). Dessa forma, todo indivíduo pode ser incluído, pois todos precisam ser envolvidos, implicados, juntados a qualquer outro ser para somar o crescimento de um ao de outro. A educação inclusiva envolve um processo de reforma e reestruturação das escolas como um todo, com o objetivo de garantir que todos os alunos possam ter acesso a todas as oportunidades educacionais e sociais oferecidas pela escola. Isso inclui currículo, registros e relatórios de aquisições acadêmicas dos alunos, a avaliação, as decisões sobre o agrupamento dos alunos nas salas de aula, as práticas de sala de aula, bem como acesso ao lazer, esporte e recreação. O objetivo da reforma nas escolas é assegurar o acesso e participação de todos os alunos em todas as possibilidades oferecidas pela instituição educacional e impedir a segregação e o isolamento. Essa política foi planejada para beneficiar todos os alunos. Incluir não é integrar pois essa significa “inserir um aluno ou grupo de aluno que já foi anteriormente excluído” (Mantoan, 2003, p.24), enquanto que incluir é não deixar ninguém à margem do ensino regular desde o princípio da escolarização. A diferença entre integração e inclusão, está principalmente, na questão de que no modelo integrativo a sociedade não tem responsabilidade com a diferença apenas aceitando-as desde que não comprometam e alterem o funcionamento social.
  • 6. 6 Uma das professoras questionadas, respondeu que “inclusão significa integrar um aluno especial a uma classe regular, adequando conteúdos, objetivos e critérios de avaliação as reais condições do aluno incluso”, e ela continua respondendo que a inclusão não ocorre plenamente na sua sala de aula, “faço o possível para integrar o aluno às atividades desenvolvidas pela turma”. Outras respostas sobre o que é incluir, também remetem à questão da integração: “Inclusão na escola significa todos os alunos com acesso, integração e progresso de aprendizagem”. A mudança da integração para a inclusão vai muito além de uma mudança de moda ou de semântica do politicamente correto. Embora os termos sejam usados como sinônimos (inclusive em alguns dicionários), há uma diferença real de prática e valores entre eles. Não há, atualmente, um consenso sobre as diferenças entre esses termos, mas nesse estudo elas serão diferenciadas baseadas em Mittler (2003) e Mantoan (2003). A integração envolve preparar os alunos para serem colocados em escolas regulares, o que implica um conceito de “prontidão” para transferir o aluno da escola especial para a escola regular. O aluno deve adaptar-se à escola e não há um compromisso da escola de mudança para acomodar uma diversidade cada vez maior de alunos. A integração significa tornar as escolas regulares em escolas especiais através da transposição das melhores práticas, dos melhores equipamentos e dos melhores professores das escolas especiais para o sistema regular de ensino. A inclusão implica uma reforma radical nas escolas em termos de currículo, pedagogia, avaliação e formas de agrupamento dos alunos nas atividades de sala de aula. É baseada num sistema de valores que faz com que todos se sintam bem-vindos e celebra a diversidade, em nível de gênero, nacionalidade, raça, linguagem de origem, nível de aquisição educacional ou deficiência. A maioria dos professores, equivocadamente, pensa que só existe um tipo de aprendizado, esquecendo as diversidades, as necessidades individuais. É importante se perguntar e perceber o que o aluno precisa nesse momento e a partir daí elaborar suas aulas. Vale lembrar que, no Brasil, a formação de professores e outros agentes ligados à educação segue um modelo tradicional, inadequado para suprir as demandas da diversidade humana. São poucos os cursos de formação de professores que oferecem disciplinas voltadas para a educação inclusiva. Não existe
  • 7. 7 ainda, um referencial definido sobre como receber e incluir, em sala de aula de ensino regular, alunos diferentes. Todos os envolvidos com a educação têm algo a aprender sobre a inclusão, ninguém pode ser excluído de ser capacitado para a inclusão. A inclusão não é apenas uma meta que pode ser alcançada, mas uma caminhada com uma finalidade. Durante a caminhada, os professores vão construir e ampliar suas habilidades sobre o que já experienciaram com o objetivo de alcançar todas as crianças e suas necessidades de aprendizagem. Entretanto, eles também têm o direito de encontrar apoio e oportunidades para seu crescimento profissional durante a jornada, da mesma forma que as famílias têm o direito de esperar que suas crianças sejam ensinadas por professores cuja formação os preparou para ensinar a todas elas. Outra professora também entende a inclusão como integração: “a inclusão é a aceitação, a integração do diferente”. Mas reconhece que: “todos somos diferentes em nossas qualidade e habilidades, no nosso modo de ver e viver. Mas somos iguais em relação a direitos e deveres. Todos temos potencialidades e limitações”. Algumas das pesquisadas consideram a inclusão com relação aos alunos que precisam de “atendimento especial”, que possuam “necessidades especiais” para que ele “possa conviver com pessoas também “diferentes” dele, fazer com que ele se sinta capaz de fazer, falar, ouvir, sentir”. O pensamento das pesquisadas vem ao encontro da maioria das concepções teóricas sobre inclusão, tanto dos autores que consideram a Declaração de Salamaca como um marco da inclusão, sendo que ela é uma lei que só referencia os deficientes, quanto às “inúmeras propostas educacionais que defendem e recomendam a inclusão e continuam a diferenciar alunos pela sua deficiência” (Mantoan, 2005, p.13). Entendendo a inclusão como a inserção na sala de aula de um aluno que é diferente do “normal” ou das concepções e posturas desejadas pela professora e pela escola. Considerando como incluso apenas aquele aluno que é diferente fisicamente ou que apresenta algum déficit de aprendizagem, enquanto que a inclusão parte do princípio de que todos como seres únicos são diferentes. “No cenário da educação, entendo como inclusão a oportunização à participação de todos os alunos em todas as atividades propostas”. “A possibilidade de atender e atentar para as necessidades especiais de cada um”.
  • 8. 8 Quanto a existência da inclusão, todas as professoras se pronunciaram que há, “sempre, em qualquer sala de aula, há um processo de inclusão, mesmo que não haja evidências de deficiências físicas ou mentais”, metade delas com relação a alunos deficientes na sala de aula, que participam de todas as atividades. A outra metade, no entanto, considerando que “cada pessoa é um universo particular, vê as coisas de acordo com as suas vivências e experiências. Cada aluno é diferente, por isso cada um tem seu tempo e modo de aprender. Ver os alunos e conhecer como eles aprendem e se desenvolvem”, diversificando as atividades para contemplar todos em suas individualidades. Todas as pesquisadas planejam aulas variadas “para que as crianças aprendam a conviver construtivamente com a riqueza das diferenças existentes entre os seres humanos”, “trabalhando em grupos para que aconteça uma ajuda mútua”, “mudando o nível de exigência”, “vejo no diálogo uma das melhores formas de decidirmos em conjunto as maneiras de dinamizar as aulas, visando assim a participação de todos”. Alguns professores acreditam que devem ser incluídos apenas alunos com necessidades especiais, “todo aluno que seja considerado “diferente” dos parâmetros considerados normais”, sendo que a maioria considera que todos os alunos devem ser incluídos. No entendimento das instituições educacionais, também, todos os alunos devem ser incluídos, questionando inclusive, se não é “obrigação da escola, sob pena de ter sua qualidade atingida, atender a todos os alunos”. CONSIDERAÇÕES FINAIS Em tempos de “globalização”, existe, também, uma consciência crescente de que inúmeras pessoas têm dificuldades em conseguir essa tal “participação igualitária” na sociedade. Uma das maneiras de superar as desigualdades nesses dias, é o conhecimento. Sendo assim, este estudo teve como linha de pesquisa a educação inclusiva na valorização da diversidade cultural, social e econômica, rompendo com a idéia de que apenas os deficientes devem ser incluídos. Não se pode uniformizar a vida no planeta. [...] Um país enorme, com uma diversidade étnica, criado por várias raças, vindas de várias procedências no mundo inteiro. Isso desencadeou a produção enorme de facetas diferentes na vida brasileira, na cultura brasileira, nos modos de falar, de viver, de existir, de celebrar. Tudo isso precisa realmente ter espaço. Essa
  • 9. 9 diversidade, essa variedade brasileira, e de outros países, não pode ser aniquilada. (Gil, 2005) Esse ensaio traz a concepção de que os princípios da inclusão aplicam-se não apenas aos alunos deficientes ou sob risco, mas a todos os alunos, as questões desafiadoras enfrentadas pela educação hoje, não permitem que ninguém se isole e se concentre em um grupo de alunos. Enfim, boas escolas são escolas para todos os alunos. Uma educação inclusiva baseada em uma educação multicultural, ou seja, implicada num processo de reconhecimento e valorização de todas as manifestações, buscando a integração e convivência respeitosa entre elas, de tal forma que se possa potencializá-las, proporcionando uma identidade cultural. Um ideal que se firma na diversidade e nas diferenças. A inclusão depende de professores para os quais o processo de aprendizagem é tão importante quanto o produto final e que respeitem o ritmo e o traçado das aprendizagens que cada aluno elabora, a partir de seus conhecimentos prévios e de seus sistemas de significação. Os educadores precisam, também, conhecer como os alunos aplicam conhecimentos, informações já possuídas para se adaptarem a situações novas e desequilibradoras do pensamento e da ação. Esse conhecimento pode ser percebido a todo o instante, quando os alunos resolvem os mais diversos problemas, sem a obrigação e inquietação de encontrar a resposta exigida, mas aquela que corresponde às suas condições de compreensão. A formação de professores, dessa forma, deve remeter os educadores a refletirem sobre a prática escolar, questionando-a, constantemente, de modo que possam aprender com sua própria experiência, compartilhada com a de seus colegas. Todos são diferentes uns dos outros e não é diferente com os alunos, logo, devem ser tratados de forma diferentes para que se alcancem os mesmos objetivos de ensino. Assim, a inclusão não indica a individualização do ensino para os alunos “diferentes”, mas que se diminuam e/ou se eliminem os obstáculos que impedem que todos os alunos progridam, tornando essa interação mais equilibrada. Portanto, as atividades e recursos pedagógicos serão sempre os mesmos para todos os alunos. O que fará diferença é, a partir do aluno, a possibilidade deste realizar suas tarefas sem discriminações. Desse modo a espontaneidade e o potencial de cada criança pode insurgir da interação com os objetos de
  • 10. 10 conhecimento e com os colegas. A partir do professor, o que faz a diferença é o modo como este planeja as atividades e como seleciona o material, de maneira que possam servir a objetivos mais amplos e importantes que treinar, encurralar e estereotipar o aluno. O princípio de “educação para todos” só é evidenciado nos sistemas escolares que se especializam em todos os alunos e não apenas em alguns deles. Muita coisa ainda deve ser feita para que se possa caracterizar um sistema como apto para atender as especificidades de cada aluno, sem cair nas teias da educação especial e suas formas de exclusão, mas é urgente caminhar nessa direção. Assim como o caleidoscópio que cria imagens que se multiplicam, que se transfiguram em incontáveis e fascinantes nuances. Por esse viés pretende-se construir uma visão dilatada e multifacetada dos diferentes. Não se quer tratar a inclusão como concessão de um espaço. Reconhece-se, a priori, que o diferente, freqüentemente, perturba, ameaça, desordena o status quo. O diferente desequilibra porque se traduz em falta. Mas seria uma maravilha se todos fossem, no mundo, e, em especial na escola, iguais em seu direito de ser único. REFERÊNCIAS ALVES, F. Inclusão: muitos olhares, vários caminhos e um grande desafio. Rio de Janeiro: WAK, 2003. GIL, G. In.: Jornal Nacional. Disponível em <www.globo.com/jornalnacional>. Acesso em 20/out/2005. MANTOAN, M. T. E. (org.). Pensando e Fazendo Educação de Qualidade. São Paulo: Moderna, 2001. MANTOAN, M. T. E. Inclusão Escolar: o que é? Por quê? Como fazer? São Paulo: Moderna, 2003. _____. O direito à diferença nas escolas. In.: Pátio. Ano VIII, n.32, nov2004/jan2005. p.13-15. MITTLER, P. Educação Inclusiva: contextos sociais. Porto Alegre: Artmed, 2003. PARR, T. Tudo bem ser diferente. São Paulo: Panda, 2002. RAMOS, R. Na minha escola todo mundo é igual. São Paulo: Cortez, 2004. STAINBACK, S.; STAINBACK, W. Inclusão: um guia para educadores. Porto Alegre: Artmed, 1999. ZENTI, Luciana. Uma escola para todos. In.: Aprende Brasil. Curitiba, PR. Ano2, n.03 fev, 2005. p.38-41
  • 11. 11