Relatório da ação daniela

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Relatório da ação daniela

  1. 1. Universidade Federal do Rio Grande – FURG Universidade Aberta do Brasil Secretaria de Educação a Distância – SEaD Curso de Educação Ambiental Lato Sensu Relatório da Ação O Protagonismo dos Educandos diante das Demandas Socioambientais da Escola: a experiência de educação ambiental na EMEF Maria Quitéria Autora: Daniela Vieira Costa Menezes Orientação: Prof Alexandre Macedo Pereira Apresentação O presente projeto está pautado em uma prática pedagógica direcionada à Educação Ambiental, desenvolvida durante as aulas do Projeto Vivências InterDisciplinares Artísticas e Ambientais – VIDAA, cobrindo a hora atividade dos professores titulares, realizadas na EMEF Maria Quitéria localizada no município de Novo Hamburgo/RS. Tal prática pedagógica, integradas às exigências curriculares das Séries Iniciais do Ensino Fundamental, insere na realidade da escola a metodologia de ensino pela pesquisa, voltada à observação, identificação e busca de soluções para questões socioambientais locais. Dessa forma, desenvolveu-se no espaço da referida unidade de ensino, com as turmas do 4º e do 5º ano do Ensino Fundamental, um processo didático- pedagógico que visou potencializar a reflexão crítica e criativa a partir da realidade socioambiental vivida pela comunidade escolar. Todo o trabalho escolar deve ser organizado para que os educandos aprendam o que for necessário para sua emancipação. Dessa forma, a escola deve estruturar uma pedagogia que os coloque no cerne do processo educativo. Além disso, o discurso presente na legislação brasileira defende uma formação para a cidadania, atribuindo à escola a tarefa de promover a construção de uma sociedade mais justa e sustentável. Se entendermos a educação ambiental como: Práxis social que favorece a interdependência entre o “eu e o outro” em relações sociais na natureza, estabelecendo processos dialógicos com a finalidade de emancipar as pessoas e transformar a realidade por meio de
  2. 2. processo reflexivo e politicamente comprometido com a revolução das subjetividades e práticas na sociedade capitalista (LOUREIRO; COSTA, 2013, p. 16). O conhecimento escolar passa por uma ampliação de seu campo de atuação, expressando-se no cotidiano social dos educandos. No que se refere à EA, tais aprendizagens estão diretamente conectadas à forma como as novas gerações se relacionam com a realidade socioambiental na qual estão inseridas. Dessa forma, o processo escolar deve priorizar a aprendizagem dos educandos a partir das demandas socioambientais. Diante do caráter transversal da EA, presente na legislação vigente, as demandas ambientais – e sociais – se incorporaram ao currículo escolar, permitindo uma reflexão sobre a realidade socioambiental a partir da observação do ambiente escolar. Para que tal reflexão proporcione uma ruptura dos padrões que promovem a problemática ambiental nas sociedades contemporâneas, o educando deve ocupar uma posição de protagonismo no cenário escolar, posicionando-se como corresponsável pelas transformações de sua realidade socioambiental. Portanto, o presente projeto de Educação Ambiental visou a transformação da realidade socioambiental no qual um grupo de educandos está inserido a partir da promoção do ensino pela pesquisa, onde os envolvidos ocuparão uma posição de protagonismo a partir da observação da realidade circundante, utilizando-se da linguagem artística e científica como ponto de encontro entre a crítica e a criação para a formação cidadã. Por isso, o presente projeto criou condições para que educandos das séries iniciais do ensino fundamental pudessem organizar coletivamente projetos de aprendizagem, através de posturas sustentáveis conscientes e transformadoras, articuladas aos componentes curriculares das séries iniciais do ensino fundamental. Mesmo que a aprendizagem do educando dependa de um conjunto de fatores que transbordem a ação pedagógica, a escola é responsável pela instrumentalização das gerações que passam por ela, contribuindo para a formação cidadã do indivíduo. Para tanto, quanto mais o ensino proporcionar os elementos necessários para a construção de um aluno-pesquisador, mais estes educandos terão condições de atuarem ativamente na construção de uma aprendizagem que promova a leitura do mundo, começando pelo ambiente que existe ao seu redor e se expandindo para a comunidade global; que permita a problematização e libertação
  3. 3. dos condicionamentos impostos pela cultura de exclusão presente na sociedade capitalista; e contribua para a busca de uma vida autônoma dentro e fora do ambiente escolar. Objetivos Atendidos Geral Oportunizar, aos educandos do 4º ano e do 5º ano do ensino fundamental, condições favoráveis para que assumissem a posição de protagonismo diante da problemática socioambiental escolar, promovendo a formação cidadã através de uma proposta de ensino pela pesquisa integrada à autoexpressão artística e científica. Específicos  Criar espaços de observação, reflexão e compreensão da realidade socioambiental escolar, e sua problemática atual, de maneira interdisciplinar;  Promover a metodologia de ensino pela pesquisa, visando a construção de uma aprendizagem pautada na leitura de mundo e na autonomia, através do trabalho colaborativo;  Integrar a linguagem artística e científica para a organização das aprendizagens dos educandos, visando difundi-las através do exercício da autoexpressão individual e coletiva. Desenvolvimento das atividades O terceiro trimestre do ano letivo de 2014 na EMEF Maria Quitéria, foi organizado para que cada uma das 5 turmas que fazem parte do projeto pudessem escolher temáticas relacionadas a questões socioambientais vividas na comunidade onde a escola está inserida, relacionando as vivências locais com as questões socioambientais globais. Em primeiro lugar, as turmas tiveram a oportunidade de observar o espaço escolar e seu entorno, exercitando um olhar crítico diante das questões socioambientais encontradas. As aulas foram semanais, com duração de 2 períodos. De acordo com as necessidades das atividades e do calendário escolar, a quantidade de aulas para cada atividade foi maior ou menor, aproveitando o horário destinado para cada turma. A cada aula, novos questionamentos surgiam, permitindo
  4. 4. uma reflexão sobre os pressupostos que promoveram as situações observadas e as possibilidades de superação das mesmas. Semanalmente, as turmas desenvolveram atividades que visavam ampliar os conhecimentos sobre as temáticas escolhidas. Apesar de existir uma proposta comum para cada atividade, as turmas desenvolveram uma caminhada particular, seguindo pelas etapas de pesquisa desde a elaboração dos projetos até a socialização das ideias e dos resultados obtidos, utilizando-se de diferentes linguagens artísticas, com a comunidade escolar. Foi seguida, assim, a seguinte organização das atividades:  Atividade 1 – Construção dos Projetos de Pesquisa das Turmas  Atividade 2 – Pesquisa bibliográfica inicial  Atividade 3 – Primeiras Aprendizagens  Atividade 4 – Seminário de Educação Ambiental Escolar  Atividade 5 – Saídas de Estudo  Atividade 6 – Palestras Temáticas  Atividade 7 – Ações das Turmas  Atividade 8 – Mostra de Arte Ecológica Na Atividade 1, o jogo democrático foi exercitado nas salas de aula, permitindo a construção de projetos de pesquisa coletivos. Todas as situações observadas na escola e em seu entorno foram listadas e debatidas em sala de aula; os educandos exercitaram a defesa de suas impressões, discutindo-as com seus pares; surgiram sugestões de ações e produções coletivas; e, por fim, cada turma realizou suas escolhas, seja através de votação (aberta ou secreta), ou com o consenso de opiniões. Dessa forma, os educandos assumiram uma posição de protagonismo desde a escolha da temática do projeto de pesquisa até a elaboração do texto usado para a divulgação de tais projetos diante da comunidade escolar (apêndice 1). Em seguida, na Atividade 2, já com os projetos escritos divulgados para os professores titulares das turmas e para a equipe diretiva da escola, as turmas começaram o processo de pesquisa através do levantamento das dúvidas decorrentes das observações. Separados em duplas ou trios, cada turma apresentou uma lista de perguntas, devidamente aprovadas por todo o grupo, que serviria como base para a pesquisa bibliográfica inicial.
  5. 5. Na Atividade 3, utilizando-se de sites, livros, revistas e informações das famílias, cada dupla ou trio apresentou para a turma suas descobertas. Tivemos espaço para questionamentos e foi possível a organização das informações iniciais que iriam para o caderno de pesquisa das turmas, um espaço para o registro coletivo, onde há o registro da trajetória da pesquisa e das ações da turma. Caderno de Pesquisa das Turmas, para registro das aprendizagens. Depois dos projetos definidos, e da pesquisa bibliográfica inicial realizada, tivemos um momento de socialização de ideias. Cada turma escolheu representantes que defenderam os projetos coletivos. Primeiro foi feito o levantamento daqueles que gostaria de representar a turma, apontando as responsabilidades de tal tarefa. Depois de um período de defesa da “candidatura”, a turma realizou uma votação aberta e os três mais votados se tornaram os representantes da turma. Entretanto, a turma deveria participar da organização da apresentação, elencando os pontos mais importantes do projeto de pesquisa e das descobertas iniciais. Material de divulgação da atividade 4.
  6. 6. Então, foi realizado na Atividade 4, o I Seminário de Educação Ambiental Escolar, que permitiu uma integração maior dentro e fora das turmas, pois ao mesmo tempo em que os educandos de uma mesma turma tiveram que buscar informações relevantes para a construção da defesa do projeto, os de outras turmas, juntamente com os professores, a equipe diretiva e as funcionárias da escola, puderam relacionar os projetos que se conectavam em busca da construção de uma escola sustentável. Todos os educandos e educadores foram acomodados na área coberta da escola para acompanharem as apresentações dos projetos de pesquisa e das primeiras aprendizagens das turmas. Cada turma teve 5 minutos para apresentar seu projeto1 . Após a apresentação, os educadores e os Repórteres Ambientais Mirins (grupo de educandos de todas as turmas do 2º ao 5º ano que auxiliam e acompanham as atividades de Educação Ambiental da escola) deveriam preencher uma ficha de avaliação do projeto. A partir das avaliações, que foram organizadas em gráficos (apêndice 2), foi escolhida a turma que representaria a escola na II FEMICTEC2 . Na construção da metodologia dos projetos, as turmas pensaram em saídas de estudos que complementariam as informações levantadas na pesquisa bibliográfica inicial. Este planejamento passou pela avaliação da direção da escola, que pensou na logística e viabilizou o financiamento necessário para que as saídas ocorressem. Nessa Atividade 5, os locais escolhidos foram de acordo com o projeto de Educação Ambiental da Secretaria Municipal de Educação de Novo Hamburgo e contou com o apoio da Gerência de Educação Ambiental do município, pensando sempre nos objetivos das turmas. Houve uma conversa inicial com os responsáveis pelos espaços que seriam visitados, informando-os previamente sobre os projetos das turmas e seus objetivos específicos para as visitas. Após a visita, a turma fez uma roda de conversa, levantando os principais aspectos de cada visita, as curiosidades e as contribuições da mesma para o desenvolvimento da pesquisa, como uma preparação para as ações que estavam 1Para ver os vídeos das apresentações acesse o blog do projeto: Sustentabilidade da Sala de Aula. http://sustentabilidadedasaladeaula.blogspot.com.br/2014/09/os-protagonistas-da-pesquisa.html 2A turma 5º B foi a escolhida como representante da escola para a II FEMICTEC, realizada nos dias 18 e 19 de setembro de 2014.
  7. 7. sendo planejadas por eles. Foi pedido também um relatório da atividade, em pequenos grupos ou por representantes das turmas, organizando as aprendizagens alcançadas com a saída de estudos como registro para o caderno de pesquisa de cada turma. Na organização inicial dos projetos, as turmas também sugeriram convidar profissionais de áreas relacionadas aos seus projetos, pensando em complementar o levantamento de dados para a fundamentação das ações que seriam realizadas por eles. Para a Atividade 6, foi necessário refletir sobre as dúvidas que a turma ainda tinha, analisando quais profissionais poderiam ajudá-los a superá-las. Partimos, portanto, do planejamento inicial, adaptando-o quando necessário. Cada turma encaixou a visita em um cronograma de trabalho com sugestões de datas e os convites foram realizados, com ênfase nos objetivos das mesmas. Depois de tudo agendado, as turmas foram preparadas para aproveitarem melhor a presença dos convidados: formulando perguntas-chave para que cada um tentasse responder a partir da palestra; fazendo combinações em relação à postura dos alunos; estimulando o registro, o questionamento e o debate; e revendo ideias para a ação da turma. Depois das visitas, cada turma teve a tarefa de preparar um relatório, com as aprendizagens oferecidas pela palestra. Inicialmente, de maneira individual e depois, de maneira coletiva, os registros dos alunos deveriam apresentar a atividade como uma complementação da pesquisa realizada. A Atividade 7, ou a ação das turmas, já estava prevista nos projetos de pesquisa, portanto foi necessário avaliar a aplicabilidade da mesma a partir das aprendizagens alcançadas na pesquisa. Cada turma, portanto, precisou novamente rever seu caderno de pesquisa, organizando as informações e conclusões registradas a partir das atividades anteriores. Em seguida, foi feito um planejamento da ação, distribuindo, pelas semanas restantes no calendário escolar do 3º trimestre do ano letivo, as etapas necessárias para a aplicação do que estava previsto. Dessa forma, foi necessário o levantamento dos materiais necessários, das informações que seriam compartilhadas, a organização dos espaços e a elaboração de um título que representaria todo o trabalho realizado pela turma. Os educandos foram convidados a refletir sobre a caminhada que tiveram em seus projetos, apontando as dificuldades que surgiram e a forma que encontraram para superá-las.
  8. 8. Com o cronograma da ação organizado, os materiais preparados ou separados, os espaços escolhidos e estruturados e as possibilidades de ação reconhecidas, cada turma colocou suas ideias em prática, visando o equilíbrio socioambiental de toda a escola. No final, foi preciso encontrar uma estratégia para envolver as outras turmas da escola nas ações propostas. Material de divulgação do evento final, difundido pela comunidade escolar e redes sociais. Pensando em finalizar os projetos de pesquisa, a escola promoveu um sábado letivo de integração com as famílias para a divulgação das aprendizagens dos alunos durante o 3º trimestre do Projeto VIDAA, previsto nesse projeto como Atividade 8. A I Mostra de Arte Ecológica da EMEF Maria Quitéria, foi um espaço de integração entre as famílias e a escola, visando a divulgação dos resultados dos projetos de pesquisa das turmas. Cada turma selecionou, dentre os materiais produzidos durante a pesquisa, aqueles que melhor expressem as aprendizagens alcançadas diante dos objetivos propostos por cada projeto. Como as turmas já sabiam que haveria esse momento de trocas, as ações foram pensadas para culminarem na Mostra. Diante do que foi construído, as turmas precisaram pensar na produção de materiais que mostrassem aos visitantes as etapas vividas e os resultados obtidos. Apesar dos educandos terem a tarefa de participar da Mostra, apresentando seus trabalhos, as exposições devem ser auto-explicativas. Cada educando levou para sua família um folder (apêndice3) com a contextualização do evento, um resumo das pesquisas, a descrição das atividades
  9. 9. da Mostra e uma lista de dicas para se viver de forma mais sustentável, produzida a partir da integração dos projetos de todas as 14 turmas da escola. Dessa forma, eles e suas famílias tiveram conhecimento prévio dos projetos de outras turmas. Pensando na escola como um polo disseminador de ideias, as turmas também prepararam algum material para que as famílias pudessem levar para casa informações importantes da experiência das turmas, visando a aplicação de algumas ideias na rotina doméstica de cada uma. A Mostra foi dividia nos seguintes espaços: Água, Lixo, Casa Sustentável, Plantas, Animais, Alimentação, Sala de Teatro e Sala do Troca-troca Solidário. Os projetos das turmas se juntaram aos projetos das outras turmas da escola, de acordo com a temática, mostrando uma complementação de informações e exibições artísticas. No dia do evento, as turmas tiveram representantes presentes para conversarem com os visitantes sobre a pesquisa e a ação realizada, oferecendo atividades interativas ou vivências práticas relacionadas as temáticas estudadas. Avaliação das atividades Cada turma apresentou uma dinâmica diferente em relação à construção do projeto de pesquisa, na Atividade 1, algumas foram mais participativas, outras precisaram de alguns direcionamentos através de exemplos. O envolvimento das turmas também foi desigual, onde a colaboração, a concentração e a reflexão exigiram maior ou menor interferência para a construção do projeto de pesquisa. Na Atividade 2, pude perceber o comprometimento dos alunos em relação à pesquisa. Fiquei preocupada quanto ao retorno das perguntas, pois não estou com eles nos outros dias da semana e nem sempre tenho o apoio da professora titular para acompanhar as produções dos educandos. De uma maneira geral as turmas surpreenderam positivamente quanto à preocupação em buscarem informações para compartilhar, mas se mostraram despreparados para a pesquisa bibliográfica, pois os trabalhos apresentaram algumas deficiências na interpretação de textos, demonstrando uma tendência à repetição e cópia ao invés de reflexão e crítica. Percebo que faltam atividades de interpretação em diferentes níveis para ampliar a compreensão das leituras realizadas e que o tempo que tenho com as turmas não é suficiente para superar esta dificuldade.
  10. 10. Os grupos procuraram complementar suas pesquisas iniciais organizando um trabalho escrito mais estruturado e completo. Em geral, mesmo aqueles que entregaram textos com pouco embasamento científico, trouxeram informações que contribuíram para uma melhor compreensão de cada turma sobre suas temáticas. Continuando, na Atividade 3, com a preparação das turmas para o Seminário de Educação Ambiental, os educandos se organizaram para a montagem de suas apresentações a partir do projeto e das aprendizagens iniciais. Nos 5ºs anos uma grande parte dos educandos se disponibilizou a apresentar o projeto no Seminário, já nos 4ºs anos a disponibilidade foi menor e, em alguns casos, os que não foram escolhidos se chatearam com isso. A participação dos educandos na construção da apresentação de suas turmas foi irregular, com turmas bem mais participativas que outras. De uma maneira geral, faltou comprometimento coletivo dos educandos, principalmente dos 4ºs anos, para o desenvolvimento da atividade integralmente. O envolvimento das turmas foi desigual e isso se expressou nas apresentações do Seminário de Educação Ambiental Escolar, a Atividade 4. As turmas que participaram mais da construção da apresentação, e que tiveram representantes que escreveram e ensaiaram suas falas, se destacaram em relação às turmas que apenas leram o projeto escrito anteriormente, sem se preocuparem em apresentar o que a turma já tinha realizado até o momento da parte da metodologia. Mesmo assim, as apresentações foram importantes para que educandos e educadores tivessem conhecimento dos projetos que estão sendo realizados nas salas de aula da escola. A reação do público do evento, diante das apresentações, foi muito positiva e tivemos um grande envolvimento do corpo docente da escola na atividade, que aproximou os professores titulares dos projetos de pesquisa de suas turmas. Na Atividade 5, para a realização das saídas de estudos planejadas pelas turmas, foi necessário realizar uma reorganização dos horários dos projetos de Hora Atividade, nesse sentido, a parceria das professoras da escola e o apoio da equipe diretiva foram fundamentais para que o planejamento se concretizasse. Enfrentamos problemas climáticos, por isso, vários passeios tiveram que ser remarcados em função das chuvas. Alguns deles foram cancelados momentos antes do previsto, o que causou frustração em todos os envolvidos, pois há toda uma preparação, da escola e das famílias, para que atividades realizadas fora do
  11. 11. ambiente escolar atendam a especificidades logísticas exigidas, como autorizações, contratação de transporte, preparação do lanche, adequação da vestimenta e outras. Apesar disso, os passeios realizados superaram as expectativas. Em primeiro lugar, os educandos estavam motivados ao sair da escola em busca de conhecimento. Até nos lugares que já conheciam, como o Parcão NH, a existência de objetivos específicos fez com que eles se relacionassem com o espaço de uma maneira diferente: mais atentos, mais ativos e mais receptivos, complementando as descobertas já realizadas e abrindo espaço para novas dúvidas. Os profissionais responsáveis pelos locais visitados assumiram os projetos das turmas, adaptando as visitas guiadas de acordo com os objetivos anunciados. Houve um enfoque diferente para cada turma, mesmo em visita ao mesmo local, o que ampliou as possibilidades de observação dos educandos, pois puderam perceber que tudo está relacionado. As Rodas de Conversa foram, em geral, produtivas. Em cada turma, a participação dos educandos foi diferenciada entre um envolvimento da maior parte da turma até a participação pontual de alguns discentes mais expressivos. Entretanto, foi possível obter um registro adequado das saídas de estudo, complementando o caderno de pesquisas das turmas como uma importante etapa do processo de pesquisa. A logística para a organização da Atividade 6, com palestras para cada turma, esbarrou no calendário e nos horários da escola e na agenda dos convidados. Para superar tais dificuldades, algumas das palestras foram marcadas nos espaços visitados, complementando a atividade anterior. Novamente a assessoria da Gerência de Educação Ambiental da SMED NH foi fundamental para a escolha e contato com os profissionais que participaram desta atividade. Além disso, algumas parcerias já estabelecidas com a escola completaram o grupo dos palestrantes. Superadas as questões de agenda, as datas marcadas foram cumpridas. No geral, os educandos aguardaram com ansiedade a presença dos convidados e os receberam com curiosidade e interesse. Todas as palestras foram bem aproveitadas pelos educandos que se preocuparam em registrar, perguntar e participar ativamente das discussões. Percebi uma postura discente diferente, expressando um amadurecimento discente em relação à metodologia de ensino pela pesquisa. Nem todos fizeram
  12. 12. registros completos e organizados, mas a maioria mostrou que acompanhou com atenção, pois as turmas conseguiram desenvolver ideias relacionadas ao projeto a partir da fala dos convidados. Nessa atividade, encerramos a parte de preparação através da pesquisa e partimos para a ação, onde as turmas aplicaram toda a aprendizagem construída em produções artísticas que contribuíram para o equilíbrio socioambiental da escola. Durante toda a pesquisa houve uma preocupação em registrar cada atividade, buscando o envolvimento de toda a turma. Dessa forma, a organização das aprendizagens para a preparação da ação foi uma consequência natural do trabalho realizado. A Atividade 7 foi dividida em etapas, respeitando o tempo disponível para a atividade e acompanhando o calendário da escola. Nem todas as turmas conseguiram organizar suas ações de acordo com o planejamento inicial, porém os objetivos estipulados foram alcançados progressivamente. As linguagens artísticas estiveram presentes nas ações das turmas com maior ou menor intensidade. Os toques criativos de cada grupo de educandos fez com que as construções resultantes das ações exibissem talentos individuais e coletivos, ainda não percebidos. Foi possível ver as ações das turmas espalhadas pelo espaço coletivo da escola. O resultado foi um exemplo de opções viáveis para o cotidiano das famílias da comunidade escolar. Em todas as etapas desta atividade, as turmas procuraram refletir sobre os exemplos que poderiam produzir para as outras turmas, para os professores e funcionários da escola e para as famílias do bairro. Isso se refletiu nos títulos dos projetos, apresentados pelas turmas, que tiveram a inspiração nas ações elaboradas e posteriormente vivenciadas. Para tanto, o registro da realização de cada etapa da ação no Caderno de Pesquisa foi fundamental. Cada turma teve uma organização diferente em relação a esse registro. Embora todos os educandos fossem encorajados a manter seus cadernos pessoais sempre atualizados em relação a cada etapa concluída, nem todas as turmas tiveram o envolvimento necessário e foi preciso fazer cobranças e contar com o apoio das professoras titulares das turmas para que os registros fossem realizados adequadamente, de forma que fosse possível manter o caderno de pesquisa em dia. Algumas ações exigiam mais interação entre os educandos, dentro ou fora da turma, do que outras. O importante foi a capacidade de adaptação das turmas,
  13. 13. diante das dificuldades que surgiram. Dessa forma, o protagonismo dos educandos se expressou muito mais no processo vivenciado nas etapas do que na perspectiva da finalização da ação. A combinação entre ciência e arte permeou todos os projetos, porém nessa atividade a expressão artística foi mais evidente. Os educandos foram muito criativos nas atividades propostas, expressando o protagonismo em suas ações. A comunidade escolar da EMEF Maria Quitéria tem muitas razões para se orgulhar das crianças e jovens que fazem parte das nossas turmas em 2014. O Projeto Vivências InterDisciplinares Artísticas e Ambientais – VIDAA teve como principal objetivo abrir espaços para a observação do ambiente escolar e promover uma troca de ideias entre os educandos, pensando em possibilidades de uma vida mais equilibrada e sustentável através do ensino pela pesquisa. Mas nossos educandos foram além. Partindo dos Indicadores de Sustentabilidade, cada turma construiu seu projeto de pesquisa; buscou informações em sites, livros, jornais e revistas; realizou saídas de estudo; participou de palestras temáticas; desenvolveu ações pensando no equilíbrio socioambiental da escola; e organizou suas aprendizagens, utilizando-se de uma linguagem artística, para compartilhar ideias. Como resultado, tivemos a Atividade 8, permitindo que as famílias da Roselândia, e demais convidados, pudessem aprender com a ciência e a arte, que é possível diminuir o impacto negativo das nossas ações sobre o meio natural no qual vivemos. Tivemos exposição de desenhos, cartazes, e esculturas além de construções como o canteiro, a horta em vasos, jogo de tabuleiro, vídeo e peça teatral. Tudo construído coletivamente com as turmas, contendo informações levantadas nas pesquisas realizadas. Contamos o apoio de algumas funcionárias da escola para a preparação dos lanches e vários alunos e com a presença de alguns educadores que fizeram o apoio no gerenciamento dos espaços. Vários educandos chegaram mais cedo para auxiliar na organização dos espaços e muitos passaram pela escola ao longo do sábado letivo. Abrimos espaço para a candidata à direção da escola conversar com os pais sobre seu plano de ação, entendendo que o exercício do jogo democrático também faz parte da Educação Ambiental. A escola tem experiências para a realização desse tipo de atividade e participação dos pais e da comunidade em geral é baixa, porém a presença da
  14. 14. comunidade surpreendeu positivamente, com pais que ficaram do início ao fim, aproveitando cada espaço e atividade oferecidos. De acordo com a descrição das atividades propostas anteriormente, a seguir apresento uma avaliação da trajetória de cada turma. Inicio comentando a escolha da temática, a organização para a pesquisa bibliográfica inicial, a entrega do registro escrito, a escolha dos representantes, a organização para o Seminário de Educação Ambiental Escolar, a saída de estudos realizada, a palestra temática, a ação realizada e a participação de cada turma na Mostra de Arte Ecológica. 4º ano A (segunda-feira de manhã) Temática: ALIMENTAÇÃO Título: A Horta Sustentável: construindo uma alimentação melhor Na Atividade 1, os educandos começaram com ideias muito genéricas que apresentavam uma posição muito conservacionista da Educação Ambiental. Precisei questioná-los quanto a suas colocações, o que gerou desconforto e silêncio. Porém, quando alguns deles começaram a devolver algumas perguntas mais honestas, diante da realidade observada, consegui apresentar um fio condutor para a discussão. A turma escolheu uma votação aberta após a defesa de algumas propostas. As participações foram mais integradoras, o que já antecipou as ideias para o projeto de pesquisa escrito. Fiz algumas sugestões, mas nem todas foram aprovadas pela turma. Na elaboração das perguntas, precisei fazer alguns direcionamentos, mas a distribuição foi bem organizada. O envolvimento da turma foi desigual na Atividade 2. Enquanto alguns educandos trouxeram uma pesquisa organizada e cheia de informações relevantes, outros tiveram dificuldades em encontrar um caminho para elaborar suas respostas ou nem se preocuparam em contribuir com a turma. Pude fazer intervenções para direcionar o trabalho dos educandos para uma escrita mais completa. Mesmo sem uma participação integral na busca de informações, no momento da apresentação a turma acompanhou com atenção o que cada dupla ou trio apresentava. Percebi que os grupos, em geral, fizeram pesquisas na internet e livros, cada membro separadamente. Para alguns, o tempo que ofereci em aula antes da apresentação foi suficiente para a articulação da resposta, para outros a apresentação foi a simples soma do que cada um coletou.
  15. 15. A maioria dos grupos levou em consideração minhas intervenções e entregou um trabalho escrito, para a Atividade 3, mais completo do que a apresentação feita anteriormente, porém alguns grupos não entregaram o trabalho e outros entregaram com atraso. Precisei acrescentar poucas informações, organizando com eles uma boa conexão entre as respostas construídas. Poucos alunos se candidataram para apresentar o projeto no Seminário e a turma fez poucas intervenções, deixando a apresentação sob a responsabilidade dos colegas escolhidos que se dispuseram a ensaiar em momentos fora do período de aula. Uma das alunas que representaria a turma na Atividade 4 faltou em função de um falecimento na família, mas foi substituída por outra colega da turma. Não houve prejuízos, pois a turma participou da construção da apresentação e elas ensaiaram muito, com o apoio da professora titular. Local da visita: Centro de Educação Ambiental NH Objetivo específico: Observar as plantas em sua manifestação natural; refletir sobre possibilidades agroecológicas. Data da Visita: 2/10/2014 Inicialmente a turma tinha um agendamento para o Parcão em 10/09, que foi realizado em 6/10. Porém, surgiu a possibilidade deles visitarem no Centro de Educação Ambiental Ernest Sarlet – CEAES NH, que fica na Lomba Grande, bairro rural de Novo Hamburgo. Lá, se localizam vários sítios de agricultura familiar, muitos deles seguindo os princípios agroecológicos de produção. Como esse espaço se aproxima mais dos objetivos da turma, darei ênfase a ele neste relato da Atividade 5. Após uma conversa inicial sobre a história e os espaços do CEAES NH, os alunos foram visitar alguns deles. A turma foi separada em dois grupos, que
  16. 16. circularam nos espaços em momentos diferentes. O Relógio do Corpo Humano é um espaço onde se relacionam ervas e órgãos, apontando o horário do dia em que o efeito dos chás com as ervas é melhor aproveitado pelo corpo humano, lá eles puderam conhecer os chás e ver diferenças entre o formato das folhas, suas cores e texturas. O Jardim das Sensações é um espaço pensado para pessoas portadoras de deficiências visuais, mas que também é aproveitado por crianças com visão perfeita. Lá eles encontraram ervas aromáticas, onde podem aproveitar os diferentes aromas, comparando-os e relacionando-os entre si, além disso, podem também sentir diferentes texturas com pés e mãos. A Horta Orgânica é um espaço onde os educandos puderam ver hortaliças produzidas com adubação orgânica a partir de esterco de animais herbívoros como cavalo e galinha. Foi um momento onde eles ficaram muito atentos e interessados, refletindo sobre o que poderão realizar na ação prevista no projeto. A Trilha Ecológica, envolve uma parte com vegetação nativa, mata ciliar e banhado, próprios do espaço rural do bairro. Nela, os educandos observaram a relação entre animais e plantas e os elementos da natureza. O dia estava seco, com um pouco de vento. Os educandos aproveitaram os momentos do passeio com atenção, curiosidade e alegria. O registro do passeio foi feito por 2 grupos de 4, em uma atividade que também contou com a parceria da professora titular da turma. Houve um pouco de confusãod para a organização dos grupos para o relatório, mas foi realizado de maneira coletiva. Palestra com a Nutricionista Diane, do Posto de Saúde do bairro. Objetivo: Relacionar os alimentos orgânicos e frescos com alimentação saudável. Data da Palestra: 29/09/2010 Existe uma parceria entre o Posto de Saúde do bairro Roselândia e a EMEF Maria Quitéria, onde uma equipe multidisciplinar realiza o acompanhamento de
  17. 17. alunos e desenvolve atividades para disseminar informações sobre qualidade de vida e saúde. Desde o início do ano, a nutricionista Diane tem visitado a escola, desenvolvendo atividades relacionadas a alimentação, principalmente com as turmas dos educandos mais novos da escola (5 e 6 anos). Além disso, ela atende crianças da escola que estão em desequilíbrio nutricional, no posto de saúde do bairro. Foi a partir dessa aproximação da nutricionista com a comunidade escolar, que surgiu a ideia de convidá-la para participar da Atividade 6. Na construção do projeto, a turma entendeu que deveria ter o apoio de um profissional da nutrição para complementar a pesquisa, e a nutricionista Diane prontamente se disponibilizou diante do convite da turma. A palestra teve o apoio de material multimídia, com muitas imagens e informações. Primeiro ela falou sobre os alguns nutrientes importantes para a alimentação, enfatizando os alimentos onde poderiam ser encontrados, e sobre os tipos de alimentos e suas funções no organismo humano. Em seguida, apontou a diferença entre verdura, legume e fruta e apresentou uma tabela com informações nutricionais de vários alimentos frescos que poderiam ser plantados pela turma. Houve muita interação dos alunos com a palestrante, que fez vários questionamentos ao longo de sua palestra. Vários alunos fizeram um registro completo desse momento e, com as informações apresentadas, fizemos um debate para decidir quais seriam os vegetais que fariam parte da horta da turma. Um grupo de alunos ficou responsável pelo registro formal dessa atividade, para ser incluído no caderno de pesquisa. Ação: Construção de uma hora orgânica. Para começar a Atividade 7, a turma precisava decidir quais seriam as plantas que seriam cultivadas e qual seria o espaço disponível para a construção da
  18. 18. horta orgânica. Inicialmente havia uma parceria para a produção de uma horta em um centro comunitário localizado na frente da escola, porém houve um atraso na limpeza do local e a turma decidiu investir em um pequeno espaço disponível dentro da escola, onde poderiam montar um canteiro em forma de semicírculo, um espiral de ervas e alguns vasos. Foi preciso pensar em algumas plantas que estariam ao alcance dos educandos, realizando uma pesquisa sobre as informações nutricionais das escolhidas. Poucos alunos contribuíram para esta etapa, mas a turma conseguiu juntar as informações necessárias. Na saída de estudos, a turma ganhou várias mudas de chás e temperos, além disso, houve a realização de uma oficina de semeadura de pepino, então a decisão foi de começar a horta com essas plantas, organizando as ervas em garrafas de plástico cortadas. No espaço escolhido, que já havia sido utilizado para a manutenção de uma pequena horta em outro período, foi necessária a realização de uma limpeza, pois ficou cheio de mato após um ano sem cuidados. A escola possui equipamento de jardinagem, como pás de diferentes tamanhos, luvas, regadores e tesoura de poda, tivemos a doação de esterco e de serragem e coletamos folhas secas separadas pelas funcionárias de limpeza da escola, que seriam utilizados na adubação orgânica. A área foi limpa a partir de um esforço coletivo, que mostrou entrosamento de alguns participantes com a manipulação do solo. O contorno do canteiro e da espiral de ervas foi feito com tijolos disponibilizados pela direção da escola, o solo foi remexido e o adubo orgânico foi adicionado. Em seguida, os pepinos foram transplantados e algumas famílias enviaram mudas de alface para o canteiro em semicírculo, além disso, algumas das ervas em vasos foram organizadas no espiral, enquanto que outras ficaram nos vasos, em uma prateleira improvisada para aproveitar melhor o sol no espaço. A turma está fazendo o movimento de visitar o espaço constantemente, seja nas aulas do Projeto VIDAA ou em outros momentos, para realizar a rega, acompanhar o crescimento das plantas e manter os canteiros limpos. Existe um grupo responsável por esse acompanhamento diário, que foi instruído a controlar a quantidade de água de acordo com a intensidade do sol. Algumas mudas secaram, mas a maioria se mantém em desenvolvimento, como o pepino que está florido. A participação dos educandos aumentou na medida em que percebiam o avanço da ação. Da mesma forma, o registro das etapas foi melhor organizado com o tempo. A turma escreveu coletivamente um guia com o passo a passo para a
  19. 19. construção de uma pequena horta, a partir da experiência realizada. O título foi o resultado de uma reflexão coletiva a partir do objetivo principal do projeto, onde vários alunos contribuíram com empolgação. Espaço da turma na Mostra de Arte Ecológica. Para a Atividade 8, a turma se reuniu para comprar mudas de salsa e cebolinha (foram 2 dúzias de cada) para serem adotadas pela comunidade escolar, junto com um guia com dicas para a montagem de uma mini-horta doméstica e os cuidados necessários para as plantas. A turma também expôs os vasos com as plantas cultivadas na mini-horta que produziram na escola, com plaquinhas identificando as hortaliças. Além disso, foram preparados chás com as ervas cultivadas pela turma para o lanche da Mostra. Os educandos que se comprometeram a participar da Mostra estiveram empenhados com suas funções. Eles se dividiram no espaço das plantas, entregando as mudas de tempero verde para adoção, mostrando as plantas que eles cultivavam e conversando com a comunidade sobre a importância das ervas na alimentação, e no espaço da alimentação saudável, servindo o chá que foi servido com bolinhos de banana. 4º ano B (segunda-feira de tarde) Temática: ÁGUA Título: Economizando a Água para um mundo melhor
  20. 20. Os educandos apresentaram várias ideias criativas desde o início da discussão na Atividade 1, porém as dificuldades de relacionamento presentes na turma atrapalharam a organização dessas ideias. Houve muitas conversas paralelas e algumas situações de desrespeito entre os alunos. A turma escolheu uma votação secreta diante das propostas apresentadas. Na apuração, alguns grupos se mostraram insatisfeitos com o resultado. As participações foram conflituosas e, em vários momentos, antagônicas. Tivemos dificuldade para a realização da escrita do projeto coletivo e precisamos de novas votações para decidir entre uma posição e outra. Na elaboração das perguntas, os grupos tiveram um bom desempenho, com muitas dúvidas bem organizadas. Houve pouco envolvimento da turma na Atividade 2. A maioria coletou alguma informação superficial de sites e livros, sem aprofundamento ou articulação dentro dos grupos. Nas apresentações, os alunos demonstraram, salvo algumas exceções, pouco entendimento do que liam e/ou falta de interesse no projeto. Os conflitos dentro das duplas e trios foi evidente, com alunos se acusando em uma tentativa de justificar o insucesso do trabalho. Além de intervenções sobre as informações compartilhadas, fiz uma fala bem firme sobre a questão da responsabilidade do estudante e da importância do engajamento deles para o sucesso do projeto que eles escolheram. A maioria dos grupos entregou o trabalho escrito, na Atividade 3, mas poucos procuraram incluir minhas considerações em busca de um trabalho mais completo. Alguns grupos entregaram trabalhos incompletos, outros entregaram depois e poucos nem se preocuparam em entregar algo. Mesmo assim, com as informações levantadas pelos alunos, conseguimos relacionar as respostas, ampliando a visão da turma sobre a temática. Poucos alunos se candidataram para apresentar o projeto no Seminário e a turma se envolveu pouco na organização da apresentação do Seminário. Os representantes não estudaram e não se organizaram adequadamente para a Atividade 4, além disso, não tiveram o apoio necessário da turma, mas fizeram uma boa leitura do projeto de pesquisa e conseguiram expressar as ideias principais do projeto.
  21. 21. Local da Visita: COMUSA Objetivo específico: Conhecer mais sobre o tratamento da água em NH; observar uma cisterna em funcionamento; Data da Visita: 3/11/2014 O passeio marcado inicialmente era para o Centro de Práticas Ambientais Urbanas, em Novo Hamburgo, para que os alunos vissem uma casa com 5 cisternas, de 500 l cada, em funcionamento. Porém esse passeio não foi realizado. Na primeira data marcada (12/09), em função das fortes chuvas em Novo Hamburgo e na segunda data (30/09), em função de outros compromissos que surgiram para a pessoa responsável pelo local. Como não conseguimos conciliar as agendas, decidimos fazer uma visita à COMUSA para conhecer o tratamento da água em Novo Hamburgo. Os educandos observaram, na Atividade 5, um espaço onde funciona a Estação de Tratamento da Água – ETA, desde a entrada da água bruta até o reservatório de água tratada. Inicialmente a água é bombeada do Rio dos Sinos e chega no primeiro tanque cheia de sujeira. É adicionado o tanino, uma substância feita com a casca da Acácia Negra, que acumula moléculas de sujeira. Essa água passa por uma decantação, onde a sujeira, mais pesada, cai para o fundo do tanque. Em seguida, a água passa por uma filtragem e, no próximo tanque é adicionado cloro para deixá-la livre de microorganismos. Para finalizar o tratamento, a água recebe flúor e vai para o reservatório. Ao acompanhar todas as etapas de tratamento da água, os alunos puderam compreender que a água potável que chega na torneira da escola, e de suas casas, passa por um processo caro e difícil, por isso, ela deve ser utilizada apenas para funções prioritárias e com uma postura que vise sua economia. Nesse ponto, o projeto da turma ganhou um novo contorno, pois identificar o valor da água tratada potencializa a importância da coleta da água da chuva para fins não prioritários.
  22. 22. Os alunos tiveram a tarefa de registrarem as etapas de tratamento em casa e houve uma reconstrução dessas etapas através de um fluxograma produzido coletivamente em sala de aula, enfatizando a função de cada etapa. Os alunos foram participativos e contribuíram para a construção coletiva, aqueles que não contribuíram ativamente, conseguiram acompanhar a discussão. Palestra com o Sr Celso, do setor socioambiental da COMUSA – Serviços de água e esgoto de Novo Hamburgo. Objetivo: Conhecer as etapas para a construção de uma cisterna. Data da Palestra: 3/11/2014 Houve um desencontro na data agendada anteriormente (3/10) e o encontro, programado para acontecer na escola, não ocorreu. A Atividade 6 aconteceu junto com a visita programada pela turma, aproveitando os materiais da cisterna disponíveis para melhor visualização e a existência de uma cisterna em funcionamento no espaço. O palestrante levou um material impresso para os educandos acompanharem sua explicação. Ele começou questionando sobre o uso da água no dia a dia e quais são as atividades onde a água é prioritária e as que não são. Com a cisterna montada e a folha, ele foi guiando os participantes em cada etapa da construção da cisterna, explicando a função de cada parte. O modelo apresentado foi fruto de experiências realizadas pela COMUSA em parceria com instituições e se mostrou eficiente para uso em diversas funções que permitem o uso da água não potável como rega de canteiros e hortas, limpeza de chão e banheiro. A turma questionou sobre a possibilidade de usar essa água para lavar resíduos secos, a ideia foi bem aceita pelo palestrante. Durante a palestra, a turma teve uma relatora, que fez os registros no caderno de pesquisa. Esses registro foram apresentados e debatidos com a turma posteriormente.
  23. 23. Para realizar a Atividade 7, a turma precisava elaborar uma estratégia para o levantamento dos materiais necessários para a construção da cisterna, definir o local mais adequado para sua instalação, conhecer a necessidade de manutenção e refletir sobre as possibilidades de utilização da água coletada. Como houve atraso para a realização das atividades anteriores e a turma depende da parceria com a COMUSA, o cronograma elaborado pela turma teve que ser modificado várias vezes. Ação: Construção de uma cisterna para coleta de água da chuva. Após as etapas anteriores concluídas, a turma já sabia quais materiais deveriam ser reunidos para a construção da cisterna, a quem deveriam pedir ajuda para efetivar essa construção, os critérios que deveriam ser observados para a escolha do local de instalação e a utilização da água coletada na realidade da escola. Inicialmente a turma fez uma observação no pátio da escola, escolhendo a quadra como local de instalação da cisterna por ter um telhado maior, o que garante uma maior vazão da água e por não ter árvores altas a seu redor, permitindo calhas mais limpas, o que previne entupimentos nos canos e diminui a sujeira na água coletada. Com o local escolhido, o financiamento do projeto era o maior obstáculo para a realização da ação, portanto a turma decidiu que deveria sensibilizar a Diretora da escola com uma carta, apontando a importância de uma cisterna para coleta de água da chuva na escola. Os educandos consultaram seus registros da pesquisa e elaboraram as cartas em grupos de 3 ou 4. Houve muita dificuldade da turma para a escrita desse texto, mas com a parceria da professora titular, o resultado final foi satisfatório. Uma comitiva foi escolhida para a oficialização da entrega das cartas e a Diretora foi chamada na sala de aula para receber o pedido
  24. 24. de maneira formal. Com uma avaliação positiva, a direção da escola buscou parcerias com empresas para diminuir o gasto e garantir a efetivação da ação da turma. A escola conseguiu a doação de duas bombonas de 200 l e a turma preparou um cartão de agradecimento para a empresa. Os demais materiais como canos, filtros e torneira, foram comprados pela escola. O desânimo que abateu a turma após a demora das atividades anteriores foi substituído por empolgação quando viram as bombonas que foram doadas à escola. Assim, o título do trabalho foi construído coletivamente, com a participação da maioria dos participantes. Os educandos puderam perceber o caminho que a água da chuva vai fazer até a cisterna da escola e se animaram em calcular a economia de água que pode ser obtida com essa ação. Seguindo esse caminho, o título foi escolhido para representar os efeitos da ação da turma, porém não houve uma grande participação dos educandos nessa etapa. Nesse ponto, a COMUSA foi chamada para a realização técnica da construção, essa etapa demorou um pouco mais do que o previsto em função da agenda do setor socioambiental da empresa, mas houve um grande esforço nessa parceria e o trabalho foi realizado a tempo da Mostra. Entretanto, na as bombonas recebidas foram avaliadas inadequadas para a cisterna e a COMUSA, conhecendo o trabalho da turma, decidiu fazer a doação de uma bombona nova para a escola. Paralelamente a turma confeccionou cartazes sobre maneiras de se evitar o desperdício de água potável e um esquema com dicas para a instalação de uma cisterna domiciliar, a partir do material recebido na visita à COMUSA. Espaço da turma na Mostra de Arte Ecológica. A turma fez uma demonstração da cisterna montada na escola na Atividade 8, enfatizando nas possibilidades de uso da água coletada e da manutenção necessária. Ela estava vazia, então os educandos presentes na Mostra fizeram uma
  25. 25. apresentação de como ela é por dentro também, deixando a atividade mais interativa. Além disso, os educandos distribuíram os panfletos com o esquema de montagem da cisterna, estimulando a construção de cisternas para coleta de água da chuva entre as famílias. Os representantes da turma fizeram uma preparação mais técnica para a apresentação dos resultados do projeto, defendendo com dedicação e orgulho o trabalho realizado. 4º ano C (segunda-feira de tarde) Temática: PLANTAS Título: Pesquisando e aprendendo sobre as árvores da escola Os educandos já apresentaram uma ideia bem organizada desde o início da Atividade 1, pois a turma é bem integrada e já vem desenvolvendo um trabalho de Educação Ambiental desde o ano anterior. É uma turma muito ativa, que tem dificuldade de concentração, mas com algumas intervenções, conseguiram expressar suas ideias para o projeto de pesquisa. A turma escolheu uma votação aberta, onde uma proposta teve grande preferência. Enfrentamos algumas dificuldades na escrita, em função de algumas limitações da turma no processo de alfabetização, por isso auxiliei também a escrita das perguntas a partir das ideias apresentadas por eles em relação à temática escolhida. De uma maneira geral a turma se mostrou envolvida com a Atividade 2. A maioria das duplas ou trios trouxe informações interessantes a partir das perguntas elaboradas, mesmo os que não pesquisaram em casa, se preocuparam em improvisar uma resposta baseada em observação e consulta do livro didático. Houve uma participação maior depois da apresentação, visando a complementação dos trabalhos para a parte escrita. Ainda há a agitação da turma que tira o foco e exige maior diretividade da minha parte, mas com essa intervenção a turma consegue trabalhar de maneira integrada, não apenas dentro dos grupos. A maioria da turma entregou o trabalho escrito, da Atividade 3, com informações mais completas do que as apresentadas anteriormente. Fiz algumas intervenções que complementaram as ideias apresentadas pelos alunos e tive uma boa participação dos mesmos. Alguns educandos se candidataram para representarem a turma, mas senti falta daqueles que são muito participativos nas
  26. 26. aulas. A votação foi bem apertada e houve alguns pequenos conflitos entre os alunos participantes dessa escolha, pois as preferências e desavenças entre eles se expressaram nas escolhas. A participação na construção da apresentação foi discreta, com pouco envolvimento dos alunos. Não houve muita preocupação da turma com a Atividade 4. A leitura dos representantes foi desconcentrada e sem compromisso, porém conseguiram expressar as ideias principais do projeto. Local da Visita: Parcão NH Objetivo específico: Observar as árvores em ambiente natural; refletir sobre as espécies nativas do RS. Data da Visita: 6/10/2014 A Atividade 5, inicialmente marcada para o dia 10/09, permitiu o contato da turma com um ambiente natural que existe no coração da parte urbana de Novo Hamburgo. O Parque Municipal Henrique Luís Roessler, mais conhecido como Parcão, tem mais de 50 hectares e está aberto para a comunidade de Novo Hamburgo como uma opção de lazer e contato com a natureza. Criado em 1990, possui um espaço para palestras e pesquisas, onde funciona uma Sala Verde, e conta com profissionais da Secretaria do Meio Ambiente e da Secretaria de Educação do município de Novo Hamburgo. Depois de conhecerem um pouco mais sobre a história e os espaços do parque, os alunos foram lanchar em um espaço ao ar livre, cercado por uma mini-horta feita em pneus e canos. Em seguida observaram o açude com tartarugas e começaram a trilha em meio à vegetação nativa e exótica encontrada em boa parte do parque. O dia estava nublado e houve uma preocupação com a possibilidade de chuva, que se confirmou no final da trilha, impossibilitando a parte final na pracinha do parque e antecipando a volta para a escola. Como o objetivo principal da turma é
  27. 27. construir uma horta na escola, as possibilidades apresentadas no espaço visitado despertou a curiosidade dos alunos, que fizeram vários comentários com ideias e sugestões para o trabalho que futuro da turma. Na trilha, a guia conversou com a turma sobre a vida na floresta para os animais conseguirem comida e a dificuldade em se distinguir plantas que poderiam ser usadas na alimentação e aquelas que poderiam fazer mal aos seres humanos primitivos. Além disso, também foi apontado outras usos para plantas, como as sementes de Urucum, encontradas no parque. Os ambientes rurais são ambientes naturais manipulados pelos seres humanos, pois a agricultura é uma forma de domesticar as plantas. Os educandos fizeram várias perguntas ao longo do trajeto, demonstrando interesse pelo assunto pesquisado e por outras questões pertinentes que não havia aparecido no planejamento anterior. O registro da saída de estudos foi realizado inicialmente como um relatório individual, pedido como um tema de casa. A turma foi prejudicada em função da presença de uma estagiária durante algumas semanas, diminuindo o número de aulas disponíveis. Analisamos os textos que foram produzidos pelos educandos, organizando os passos da turma no Parcão e suas aprendizagens, porém vários deles não realizaram a tarefa proposta. Palestra com Felipe Scheid, responsável por um viveiro de mudas de árvores nativas em Novo Hamburgo. Objetivo: Auxiliar na identificação das espécies de árvores presentes no pátio da escola. Data: 20/10/2014 Desde o ano de 2012, Felipe Scheid visita a nossa escola para propagar o amor pelas árvores. Ele é responsável pelo Viveiro Scheid, um espaço de cultivo de
  28. 28. mudas de árvores nativas para compensação ambiental mantido por uma empresa de esquadrias de madeira. Em 2013, os alunos da turma tinham visitado o Viveiro Scheid, para complementarem seus estudos sobre as árvores. Lá eles viram várias mudas nativas e as etapas de desenvolvimento das mudas de árvores e o momento do plantio. Essa experiência inspirou a construção do projeto de pesquisa da turma em 2014, pois já naquela ocasião os alunos demonstraram interesse em conhecer melhor as árvores da escola. Portanto, a presença desse profissional na Atividade 6, foi uma consequência lógica de um trabalho anterior e ele também entendeu o convite como a continuação de um trabalho bem realizado A atividade foi mais uma oficina do que uma palestra. Depois de uma rápida conversa sobre as árvores, enfatizando a importância das árvores nativas, fomos para o pátio da escola onde os alunos levaram tiras de tecido para escreverem o nome popular das árvores, a partir da ajuda do Felipe. Cada um escolheu uma árvore diferente e se posicionou ao seu lado. Nosso visitante foi transitando entre os alunos apresentando o nome popular das árvores e mostrando as características de cada uma que o levavam a tal conclusão. Depois os alunos tiveram que identificar no pátio árvores iguais às que já tinham sido nomeadas. Durante toda a movimentação dos participantes da oficina e do visitante no pátio, surgiram muitas perguntas em relação àquelas árvores. Eles queriam saber a idade delas, de qual região do país ou do mundo elas eram, qual era o tamanho que elas ficavam... todas dúvidas que faziam parte da pesquisa deles e que, até aquele momento, tinham sido respondidas parcialmente. No final, voltamos à sala de aula e os alunos tiveram que relembrar os nomes que tinham escrito. Fizemos uma lista e cada educando fez o registro em seu caderno, com a tarefa de procurar o nome científico e mais características dessas árvores. A turma começou a Atividade 7 com uma lista de nomes populares de árvores presentes no pátio da escola, obtida através da atividade anterior. Para a realização da ação, foi necessário ampliar as informações sobre essas árvores, escolher o material que seria utilizado para apresentar os dados de cada árvore e buscar estratégias para a valorização das árvores no ambiente escolar.
  29. 29. Ação: Identificação das árvores do pátio da escola. A primeira decisão da turma foi a de fazer um papel reciclado para a escrita das informações sobre cada árvore. Esse papel deveria ser plastificado e furado para receber um fio, de modo que pudesse ficar impermeável e ser pendurado nos galhos das árvores. Além disso, a turma decidiu fazer desenhos realistas das árvores do pátio e construir um jogo que valorizasse a importância das árvores para os ambientes naturais e humanos. Toda a turma participou da reciclagem do papel, que ganhou folhas secas coletadas no pátio da escola em sua polpa. Essa ideia surgiu a partir de experiências anteriores da turma com essa técnica e da relação existente entre o tronco de árvore e o papel, ganhando uma simbologia extra ao incorporar folhas secas das árvores que serão nomeadas nesse material. Paralelamente à reciclagem de papel, os educandos refletiram sobre os cuidados necessários para o crescimento das árvores e sua importância para a vida, através da escrita de frases que se juntariam às informações científicas das mesmas no pátio da escola. Os educandos se dividiram em 3 grupos, cada um seria responsável por uma das etapas da ação. O primeiro grupo foi responsável pelas placas feitas de papel reciclado. Eles elaboraram um modelo de escrita e distribuição das informações, buscaram os nomes científicos das árvores e elaboraram frases de efeito sobre elas. A confecção das placas foi realizada sem grandes conflitos, exceto por poucos alunos terem participado do levantamento das informações científicas a partir dos nomes populares. Os educandos que realizaram a pesquisa compartilharam suas descobertas com os colegas para a produção das placas, que receberam uma plastificação para serem instaladas. Alumas placas ficaram com rasuras e precisarão ser refeitas, mas a maioria das árvores do pátio e da frente da escola estão devidamente identificadas.
  30. 30. O segundo grupo foi formado por um grupo que participa do Clubinho de Pintura MQ3 , onde receberam uma formação sobre técnicas de desenho e pintura. Cada um recebeu uma foto com uma das árvores do pátio para inspiração e produziram verdadeiras obras de arte no papel. Houve pequenos conflitos entre os participantes desse grupo, pois eles ficaram comparando e criticando os trabalhos, o que exigiu uma intervenção minha. Todos os desenhos receberam uma moldura com papel colorido. O terceiro grupo realizou um trabalho mais coletivo que os anteriores. Eles criaram as regras do jogo e se utilizaram dos registros no caderno de pesquisa para elaborarem as cartinhas que acompanharão a caminhada dos jogadores por uma trilha em um tabuleiro, cheio de informações sobre a importância das árvores. O grupo esteve muito entrosado, permitindo a fluência de ideias criativas em um clima de colaboração. O tabuleiro foi confeccionado em papel pardo e as cartinhas no papel reciclado da turma. A construção do título do trabalho foi movimentada pela participação dos educandos. Eles demonstraram integração, com sugestões sobrepostas, onde uma ideia era complementada por outra. Com a finalização das produções dos grupos, foi preciso um momento de apresentação entre eles, buscando uma integração dos mesmos enquanto turma, para que todos possam valorizar os talentos expressos em cada grupo, como preparação para a Atividade 8. Porém esse momento foi tumultuado e a turma não conseguiu efetivar tal preparação. Espaço da turma na Mostra, com o jogo confeccionado. 3 Projeto do Mais Cultura, programa financiado pelo MEC, com a finalidade de disseminar a arte na escola.
  31. 31. Os visitantes da Mostra puderam conhecer o nome das árvores presentes no pátio da escola, através das placas produzidas pela turma. Além disso, os educandos ofereceram o jogo aos visitantes, promovendo uma reflexão sobre a importância das árvores de forma divertida. Apesar da falta de preparação da turma, os representantes que estiveram na Mostra se dedicaram em apresentar o jogo aos visitantes, que fez muito sucesso no evento. A partir da parceria com o Horto Municipal de NH, a turma teve 10 mudas de pitanga para oferecer aos visitantes, através da atividade de adoção de mudas, que contou com dicas para os cuidados com as plantas. 5º ano A (terça-feira de manhã) Temática: ANIMAIS Título: Animais: os melhores amigos do ser humano Os educandos demonstraram um pouco de timidez no início da Atividade 1, porém as ideias que surgiram foram fruto da observação crítica de uma situação presente na comunidade escolar. A escolha da temática foi um consenso entre os alunos, que não realizaram a votação. A escrita do projeto de pesquisa contou com a colaboração ativa da maioria dos educandos, que refletiram sobre a melhor palavra para cada frase. Para a metodologia, eles pensaram em grandes ações e tive que questionar a viabilidade delas. Na elaboração das perguntas, a maioria dos grupos apresentou questionamentos que surgiram da reflexão sobre as situações observadas. Com questões complexas diante da temática escolhida, a turma mostrou muito esforço para construir a tarefa da Atividade 2. Os grupos buscaram informações em sites de notícias e de ONGs e conseguiram trazer dados bem interessantes. Em sua maioria, os educandos se mostraram bem articulados na apresentação, muitos grupos buscaram um tempo fora do período de aula para trocarem ideias e complementarem as pesquisas. Tivemos uma discussão coletiva bem interessante, pois a turma se mostra comprometida com o projeto desde o início. Percebi que eles relacionaram os dados com suas vivências. A maioria dos grupos fez a Atividade 3 em forma de cartaz. Pedi que anotassem no caderno de pesquisa e recolhi os cartazes para expor na Mostra de
  32. 32. Arte Ecológica. Foram trabalhos completos e com a preocupação de incluir os apontamentos que fiz na apresentação. Mais da metade da turma se candidatou para representar a turma no seminário e tivemos uma votação bem apertada. De uma maneira geral, os educandos se preocuparam em auxiliar os colegas representantes, com ideias para a apresentação a Atividade 4. Os representantes se preocuparam em montar uma apresentação incluindo as aprendizagens iniciais da turma. Houve combinações entre os representantes e a participação da turma ajudou no resultado da apresentação, o apoio da professora titular também contribuiu para o sucesso da apresentação. Local da Visita: Parcão NH Objetivo específico: Observar os animais em ambiente natural. Data da Visita: 16/09/2014 Inicialmente, a turma pensou em visitar o Canil Municipal, porém o mesmo encontra-se em processo de mudança de local e reestruturação, por isso optamos por realizar uma visita ao Parque Municipal Henrique Luís Roessler – PARCÃO, que é um abrigo para a fauna e a flora no meio da área urbana de Novo Hamburgo. O objetivo da turma, na Atividade 5, foi apresentado para as responsáveis do espaço, que prepararam uma visita enfatizando a fauna do local. Já na entrada do parque, houve a proposta de os educandos ficarem em silêncio para que pudessem perceber, pelos sons, os animais que habitam as redondezas. Nesse momento, os pássaros puderam ser percebidos com mais clareza. Inicialmente houve uma palestra, onde elas contaram a história do parque e apresentaram os animais que vivem ali, desde várias espécies de pássaros, répteis e mamíferos de pequeno porte. No espaço da palestra existem animais empalhados, peles de animais, ninhos de pássaros, animais em vidros e várias imagens. Todos esses animais chegaram
  33. 33. ao parque porque estavam fora de seus habitats naturais e/ou estavam sofrendo maus tratos. Em seguida, os educandos foram até um açude e observaram tartarugas e peixes que vivem lá. A guia levou alimento para que os alunos jogassem na água e atraísse os animais, assim eles viram o movimento deles, principalmente das tartarugas. Lá também tinham aves maiores, como um marreco, e nos arredores tinha um cavalo, recolhido por maus tratos de seus donos. No caminho eles viram o trabalho das formigas. No final, os alunos passearam pela trilha, onde ouviram mais de perto os pássaros e viram tocas de preás que vivem no parque. Em sala de aula, fizemos uma linha do tempo da visita, na roda de conversa, e os alunos se organizaram em trios para fazerem o registro da saída de estudos. A participação da turma foi grande na construção da linha do tempo e eles apontaram detalhes do passeio. Não foi possível terminar a atividade em aula, mas eles fizeram em casa e entregaram depois. Palestra com o Veterinário Maicon, do Canil Municipal de NH. Objetivo: Apresentar dados sobre o abandono e maus tratos de animais em Novo Hamburgo. Data: 16/09/2014 Quando o projeto da turma foi apresentando às professoras responsáveis pelas visitas ao Parcão NH, surgiu a ideia de integrar a visita que os educandos fariam ao espaço com um projeto desenvolvido pelo Canil Municipal de NH. Um ônibus sucateado foi reformado e remodelado, pela Secretaria do Meio Ambiente de Novo Hamburgo, para virar uma sala de aula multimídia a serviço da Educação Ambiental. Atualmente esse ônibus, em parceria com o Canil Municipal, tem visitado instituições para levar à população de Novo Hamburgo informações que ajudem a combater o abando e maus tratos de animais domésticos.
  34. 34. Como a turma tinha pensado em conversar com alguém sobre os maus tratos de animais, no agendamento da atividade no Parcão NH, foi sugerido que o veterinário do Canil Municipal de NH estivesse no ônibus para conduzir a Atividade 6 da turma. Levei a ideia à turma, que concordou com empolgação. Após a apresentação do Parcão NH, pelas professoras responsáveis, os educandos foram conduzidos até o ônibus onde o veterinário os esperava. Com o auxílio de uma apresentação multimídia, ele fazia várias perguntas, buscava as ideias dos participantes e depois as respondia com gráficos e imagens. Eles ficaram muito impressionados com os números apresentados e conheceram mais sobre o trabalho realizado em Novo Hamburgo para diminuir a população de cães e gatos de rua. O veterinário apontou o abandono como a maior causa do aumento da população de animais na rua e a castração como o ideal para controlar essa situação. Ele também falou sobre a Senciência, a guarda responsável e as 5 liberdades dos animais. No final, a turma foi convidada a participar de uma reportagem sobre o ônibus com a TV Feevale (disponível em https://www.youtube.com/watch?v=ucsXjaNy2XE), onde alguns alunos falaram sobre a atividade realizada. Vários educandos levaram material para registrar as informações durante a palestra e tinham informações bem precisas durante a discussão posterior em sala de aula, gerando relatos escritos bem completos. Eles iniciaram a escrita na sala de aula, em pequenos grupos, e concluíram em casa para ser entregue depois. Ação: Vídeo sobre a relação entre os animais e os seres humanos. Para a realização da Atividade 7, havia a necessidade de apresentar um embasamento técnico da linguagem artística escolhida pela turma. Dessa forma, começamos com a organização de um Storyboard do vídeo que seria produzido, seguido pela organização das cenas e escrita de roteiro, passando para a filmagem e consequente edição do vídeo.
  35. 35. Inicialmente, coletamos imagens de animais abandonados pelas ruas do bairro e de animais de estimação das famílias da turma. Além disso, buscamos as informações levantadas na pesquisa, fazendo uma revisão nos registros dos alunos e consultando o caderno de pesquisa da turma. Essa etapa permitiu o levantamento de ideias que deveriam ser defendidas no vídeo. A turma foi dividia em grupos de trabalho, onde cada um teve a tarefa de produzir um storyboard do vídeo. Expliquei sobre a importância de se prever a sequência visual das cenas, buscando uma diversidade de enquadramentos para o vídeo ficar mais dinâmico. Dei vários exemplos sobre as possibilidades de composição das cenas para o tipo de vídeo que estava sendo produzido e sugeri a organização em 6 quadros para o storyboard, ou seja, 6 cenas para o vídeo. Primeiramente pedi que os grupos listassem a ênfase de cada uma das cenas e depois dividissem uma folha em 6 partes para desenhar cada uma das cenas na sequência escolhida. Em seguida, analisamos as sugestões que surgiram em cada grupo e definimos coletivamente como seria a sequência de cenas do vídeo: 1) Apresentação da temática; 2) Perguntas iniciais; 3) Situações-problema; 4) Dados coletados; 5) Informações pertinentes; e 6) Encerramento. Novamente houve a necessidade de organização de grupos de trabalho, mas dessa vez com a responsabilidade de planejar como seria cada cena. A turma definiu um enquadramento e organização para cada cena e os grupos tiveram a tarefa de definir o roteiro e os elementos presentes na cena de sua responsabilidade. Na cena 1, a apresentação da temática seria feita por um grupo, contextualizando o vídeo na pesquisa da turma. O grupo se baseou no projeto de pesquisa para a escrita do roteiro, apontando as atividades realizadas que estavam registradas no caderno de pesquisa. Esse grupo apresentou conflitos entre os participantes, o que atrasou a escrita do roteiro e filmagem. No fim, decidiram incluir uma dramatização de adoção e abandono de animais e depois fazer uma apresentação mais forma. A cena 2 resgatou as perguntas iniciais da turma para a pesquisa bibliográfica. O grupo selecionou 4 perguntas e montou a cena com duplas onde um faria a pergunta e o outro demonstraria desconhecimento diante da mesma. Nem todos os integrantes do grupo se sentiram à vontade para participar dela, embora tenham contribuído para sua elaboração.
  36. 36. Para a cena 3, a turma decidiu utilizar a estrutura de um slide com imagens de situações de maus tratos e abandono, complementadas com pequenos textos e o áudio com uma narração ao fundo. O roteiro foi escrito pelo grupo, mas falta ser revisado e as imagens já começaram a ser selecionadas. O grupo optou por utilizar também imagens de reportagens nessa cena, demonstrando que tais situações são corriqueiras na comunidade local. Foram selecionadas situações em relação aos animais de rua, aos maus tratos pelas famílias, à situação do abate de animais e ao sofrimento de animais para o entretenimento humano. A turma optou pela exibição de gráficos para a cena 4. O grupo revisou os dados apresentados pelo veterinário do Canil Municipal de NH, em relação aos animais do município e planejou a organização desses dados em gráficos, que aparecerão com uma narrativa ao fundo. O grupo montou um gráfico sobre a situação dos animais em NH e montou um texto de apresentação para o vídeo. A pesquisa bibliográfica inicial foi complementada com a leitura de revistas temáticas para a cena 5. Nela, a turma optou pela apresentação individual, com a fonte de pesquisa aparecendo. As informações já foram escolhidas para o roteiro, que ainda precisa ser organizado para revisão. Esse grupo teve dificuldades para um trabalho coletivo e sua produção ficou fragmentada no início, porém, na filmagem eles apresentaram um texto bem completo, que foi lido pelo grupo. E para encerrar o vídeo na cena 6, a decisão foi de aparecer toda a turma com algumas falas individuais e outras coletivas. Nessa cena, aparece toda a turma, que solicitou a minha participação. Alguns colegas ficaram à frente para fazer o encerramento do vídeo. O título do trabalho também foi uma escolha de consenso, com sugestões de vários educandos da turma. A finalização das filmagens foi apertada e o cancelamento da aula na semana anterior à Mostra atrapalhou essa tarefa. Contei com o interesse e dedicação dos grupos, que ensaiaram as falas em casa e estiveram prontos para a filmagem nos poucos momentos livres que tive nessa última semana de preparação. Nessa etapa, o apoio da secretária da escola para a edição do vídeo foi fundamental. O resultado foi bem positivo, levando em consideração a minha inexperiência para essa linguagem artística e o pouco tempo que tivemos para sua realização.
  37. 37. Espaço da turma na Mostra. O vídeo produzido pela turma foi exibido durante a Atividade 8, juntamente com cartazes sobre os cuidados necessários para um guarda responsável. O Ônibus da Educação Ambiental esteve no evento, com o Veterinário Maicon, que utilizou o vídeo produzido pelos alunos para conversar com a comunidade sobre os maus tratos dos animais. O ônibus trouxe vários banners com informações, o que chamou a atenção dos visitantes. Porém, dos educandos que estiveram na mostra, somente uma se disponibilizou a defender o projeto e conversar com a comunidade, fazendo uma parceria com outra turma da escola que também tinha um projeto sobre os animais. 5º ano B (terça-feira de manhã) Temática: RESÍDUOS Título: Arte e Lixo: reutilização e reciclagem com criatividade Os educandos apresentaram muitas ideias interessantes desde o início da Atividade 1. Essa turma é muito participativa, mas houve muitas interferências em todo o processo de escrita do projeto, o que desviou a atenção dos deles. A turma escolheu uma votação aberta, onde houve pouca diferença entre as temáticas propostas para a votação. Entretanto, a maioria assumiu a ideia eleita e apresentaram boas ideias para a organização do projeto. Para a escrita do projeto de pesquisa alguns alunos participaram mais do que outros e ouve um consenso em relação à pesquisa bibliográfica inicial, onde cada grupo ficaria responsável pela pesquisa do histórico, características e possibilidades de um tipo de resíduo.
  38. 38. Houve uma grande preparação de vários grupos da turma para a Atividade 2, eles se encontraram fora da escola, fizeram cartazes e ensaiaram. É uma turma cheia de ideias mas com certa ansiedade para dar prosseguimento ao projeto. As informações foram completas e percebi o interesse dos colegas diante da apresentação de cada grupo. Percebi uma boa organização das duplas e trios para a pesquisa bibliográfica inicial, com alunos trabalhando juntos e uma preocupação em juntar os dados de maneira contextualizada. Eles perguntaram muitas coisas diante da fala dos grupos, assim, tivemos um momento de muitas trocas. Todos os grupos entregaram a Atividade 3, embora uns estivessem mais completos do que outros. Alguns grupos já tinham feito cartazes na apresentação anterior e os recolhi para expor na Mostra de Arte Ecológica. Percebi um amadurecimento das pesquisas, onde os alunos buscaram organizar melhor as informações no texto apresentado. Os grupos, em geral, trabalharam de forma coletiva e integrada. Mais da metade da turma se candidatou para representar a turma no seminário e a votação mostrou as lideranças e conflitos existentes entre os alunos. Porém a turma colaborou para montar a apresentação e as alunas escolhidas se empenharam muito para organizar a fala e ensaiá-la para a Atividade 4. As representantes se dedicaram e ensaiaram com a ajuda da turma e o apoio da professora titular. A apresentação foi bem organizada e houve uma preocupação em apontar o que já havia sido realizado e o que a turma ainda pretende realizar. Local da Visita: Central de Gestão de Resíduos Sólidos da Roselândia Objetivo específico: Conhecer o trabalho de separação de resíduos para a reciclagem da COOLABORE, através do projeto CATAVIDA NH; Data da Visita: 9/09/2014
  39. 39. A Central de Gestão de Resíduos Sólidos da Roselândia, local da Atividade 5, foi construída na área onde funcionava o Lixão da cidade de Novo Hamburgo, até a década de 90. Depois dos anos 2000, foi feito o correto aterramento de todo o lixo que ali estava, com o plantio de grama e árvores no local, e o primeiro galpão com esteiras para a separação dos resíduos foi erguido nesse espaço. São 3 esteiras, em uma ponta estão os resíduos como chegam dos caminhões. Em Novo Hamburgo não há coleta seletiva nos caminhões, porém não há compactação e as sacolas chegam misturadas, mas quando há a separação nas residências, nas fábricas e no comércio, essa separação se mantém antes de entrar na esteira. As sacolas entram na esteira e são abertas, os catadores vão organizando os materiais em recipientes na medida em que passam pela esteira. Todo o material que não pode ser reciclado vai para a outra ponta da esteira, que é recolhido e enviado a Minas do Leão/RS, para aterramento. O material recolhido nas esteiras são organizados em locais maiores e é enviado para a compactação. Depois disso, o material é encaminhado para as indústrias de reciclagem. Os educandos acompanharam cada etapa, no início o cheio forte e o aspecto geral do lixo incomodou muitos deles. O guia foi apresentando cada etapa, falando da importância da separação feita em casa para que o trabalho na esteira pudesse ser mais produtivo. Ele falou dos princípios do projeto CATAVIDA, promovido pela Secretaria de Desenvolvimento Social, onde os catadores passam por uma capacitação e recebem equipamentos mais adequados para o seu trabalho, e da COOLABORE, cooperativa que realiza o trabalho de separação de resíduos em Novo Hamburgo. O trabalho realizado tem um fundo social, por ser a fonte de renda daqueles catadores, mas também é um trabalho ambiental, pois a separação para a reciclagem diminui o lixo aterrado e economiza água e energia na extração da matéria-prima da natureza. No final da visita, aquele ambiente não estava mais incomodando as crianças, que foram observar o espaço onde foi aterrado o lixo do antigo lixão. Lá só tem uma subida cheia de grama, por onde eles correram e brincaram, chegando no topo eles avistaram a escola e todo o bairro. Nesse espaço eles viram caixas, que servem para a coleta do chorume, e chaminés, por onde sai o gás metano. Em sala de aula, mostrei as fotos e recriamos o passeio, para que cada um fizesse o seu registro. Depois conversamos sobre o que vimos e a turma elegeu alguns educandos para fazerem o relato final por escrito, a partir da roda de
  40. 40. conversa realizada. Os alunos falaram muito sobre a mudança de visão sobre o lixo do início ao final da atividade, percebendo a importância do trabalho que é realizado ali. Palestra com Maria Ignês, responsável pelo projeto de Economia Solidária de Novo Hamburgo. Objetivo: Relacionar a separação de resíduos com o artesanato. Data: 16/09/2014 A Gerência de Economia Solidária de Novo Hamburgo faz parte de um grupo multissetorial que organiza o projeto de Educação Ambiental no município. Em uma das reuniões do Coletivo Educador Ambiental de Novo Hamburgo, Maria Ignês apresentou como as questões da Economia Solidária eram conduzidas no município e se disponibilizou para uma parceria com as escolas da Rede Municipal de Ensino de Novo Hamburgo. Como a proposta da turma envolvia as questões da coleta seletiva e o Projeto Catavida está inserido na Economia Solidária em NH, sugeri que a turma convidasse a Maria Ignês para a Atividade 6. Naquela ocasião, apesar da aceitação dos alunos, não ficou muito claro para eles a importância dessa visita. Porém, depois da saída de estudos à Central de Resíduos Sólidos da Roselândia, que tem parceria com o Catavida, os alunos se animaram com a possibilidade de conhecerem a pessoa que é responsável pelo que viram. A convidada montou uma apresentação com imagens, vídeo e informações especificamente para atender às necessidades do projeto da turma. Inicialmente fez uma relação do Projeto Catavida, projeto da prefeitura que enfatiza a formação e instrumentalização dos catadores, com a Cooperativa COOLABORE, grupo dos catadores responsáveis pela separação de resíduos no município. Em seguida apresentou alguns conceitos relacionados ao lixo a reutilização e reciclagem e dados do descarte em Novo Hamburgo, apresentando exemplos de reutilização utilizados pelos artesãos do grupo de Economia Solidária do município, que se utilizam dos
  41. 41. resíduos separados pela COOLABORE como matéria prima para suas produções. No final, ela propôs uma oficina de reutilização usando placas de madeira e latas, para inspirar os alunos da turma. Foi uma palestra bem esclarecedora para os educandos, que foi ao encontro da experiência que tiveram na atividade anterior. A maioria fez um registro bem completo da fala da convidada ao longo da palestra e participou com perguntas, demostrando curiosidade e interesse na atividade. Como essa turma foi escolhida para representar a escola na FEMICTEC e precisava dos resultados parciais da pesquisa, um grupo ficou responsável pelo registro, mas tivemos uma boa discussão em sala de aula a partir das anotações dos alunos. Nessa ocasião, a turma também escolheu o título do trabalho, com sugestões de vários educandos em uma construção coletiva. Ação: Oficinas de reutilização e reciclagem. A Atividade 7 da turma dependia da participação de colegas de outras turmas, por isso, havia uma dupla preocupação. A ideia era estruturar oficinas de reutilização e reciclagem para serem oferecidas durante os recreios. Por um lado, a turma precisava experimentar técnicas de reutilização e reciclagem e a organizar as oficinas para se enquadrarem no tempo disponível e se adaptarem ao público-alvo e, por outro, havia a necessidade de elaborar estratégias de mobilização dos colegas, para que procurassem as oficinas na hora do recreio. Para tanto, os educandos foram desafiados a utilizarem a ludicidade em seus trabalhos, tornando a oficina um momento prazeroso para os participantes. Inicialmente, a turma selecionou os resíduos que seriam utilizados nas oficinas e se organizou em grupos de trabalho a partir das ideias inicias de produção com cada material. Cada grupo teve que descrever sua oficina, listando os materiais necessários para sua realização. Em seguida, eles deveriam criar uma peça inicial para a construção de um passo a passo da produção do grupo. Nessa etapa, foram
  42. 42. confeccionados cartazes com a propaganda da oficina e os grupos tiveram que visitar as salas de aula da escola, apresentando a proposta para a mobilização dos alunos exibindo sua produção inicial. Para finalizar, os grupos tiveram que organizar seus materiais para a realização das oficinas agendadas. A cada semana, os grupos ofereceram as oficinas programadas, atendendo os dois recreios do turno da manhã. A participação foi desigual para cada oferta, mas houve muita curiosidade dos que circulavam pelos recreios. Após a realização da oficina, o grupo responsável teve que elaborar um relatório contando sua experiência. A primeira oficina foi de brinquedos com sucata, o grupo se organizou para produzir um carrinho e um boneco. A ideia foi de juntar resíduos diversos, como caixinhas, tampinhas e potinhos e deixar a criatividade fluir. Existiram alguns conflitos entre os membros do grupo e algumas lideranças produziram a peça inicial enquanto outros acompanhavam sem muito entusiasmo. No dia da oficina, o grupo estava desarticulado e o apoio de colegas de outros grupos auxiliaram na divulgação, visitando as salas de aula da escola. O grupo não separou previamente o material e alguns integrantes nem participaram ativamente da oficina. Apesar disso, havia um público razoável, com vários alunos de diferentes séries rodeando a mesa da oficina. De uma maneira geral, os participantes procuraram criar seus brinquedos a partir do modelo, mas com características próprias. O relatório foi produzido sem muita preocupação, com o grupo desarticulado. A segunda oficina foi de papel reciclado, o grupo preparou a polpa antecipadamente, com a preocupação de fazer um papel com características próprias. O grupo passou nas salas para fazerem o convite na semana anterior à oficina e no dia para relembrar. Antes do recreio começar o grupo já estava a postos, com todo o material organizado e as integrantes do grupo bem posicionadas para auxiliar os colegas na retirada das folhas recicladas da bacia. Foi preciso pouca supervisão e a participação dos colegas foi grande e entusiasmada. No final do segundo recreio, o grupo deixou tudo organizado e limpo. O relatório foi completo, escrito de maneira coletiva. A terceira oficina foi de puff de caixa de leite. Desde a organização das oficinas, esse grupo percebeu a necessidade de coletar caixas de leite e tomou a iniciativa de passar nas salas pedindo-as para os colegas. Desde então, a participação foi grande. Todo o trabalho de divulgação do grupo foi bem organizado e houve receptividade dos colegas, de professores e funcionários para a proposta. O
  43. 43. grupo teve um pouco de dificuldade para montar o primeiro puff, mas na hora da oficina estavam com tudo organizado e bem posicionadas para construírem um puff com os colegas participantes, no final, todos que passavam queriam experimentar o puff. A quarta oficina foi de cesto de jornal. O grupo demorou para dominar a técnica, mas preparou tudo para a oficina, onde conduziram os participantes em cada etapa para a construção de um cesto coletivo com rodelinhas de jornal. O grupo trabalhou coletivamente, sem grandes conflitos. A participação nos recreios foi boa. A quinta, e última, oficina seria de porta-lápis de latinhas, forrado com tecido. As alunas fizeram um porta-lápis com divisórias, juntando várias latinhas pequenas e está em fase de ornamentação. A ideia era ensinar os participantes a forrarem uma latinha, para tanto levariam os tecidos cortados e as latinhas preparadas. O grupo trabalha coletivamente, sem conflitos. Porém na semana prevista, a turma não teve aula em função de uma reunião na escola e o grupo não conseguiu se organizar para outra data. Mesmo assim as produções do grupo em sala de aula fizeram parte da Mostra. Os grupos se organizaram para oferecerem algumas das oficinas durante a Atividade 8. Dessa forma, a comunidade escolar poderia aprender a reutilizar e reciclar os resíduos. Porém, o envolvimento da turma para essa atividade foi muito aquém do ideal e poucos alunos estiveram presentes na Mostra. Espaço da turma na Mostra. Porém, com o apoio de colegas de outras turmas, a turma ofereceu uma oficina de papa-livros, feitos com o papel reciclado em uma das oficinas de recreio, levando, assim, uma atividade prática onde o lixo se transforma em arte para a comunidade que participou da Mostra.
  44. 44. Também foi apresentado o trabalho que representou a escola na II FEMICTEC de Novo Hamburgo, no mês de setembro e todas as produções realizadas nas oficinas de recreio. Os cartazes produzidos durante a pesquisa bibliográfica complementaram a participação da turma na Mostra. Considerações finais O projeto apresentado esteve pautado na Pedagogia de Paulo Freire aplicada à questão ambiental. Pois, “Paulo Freire tem nos indicado caminhos, acreditando no sonho possível, como o sonho da escola cidadã e da ecopedagogia” (GADOTTI, 2009, p. 25). Nesse sentido, a EMEF Maria Quitéria teve uma experiência de Educação Ambiental que se preocupou em ir: […] além da preservação dos recursos naturais e da viabilidade de um desenvolvimento sem agressão ao meio ambiente. Ele implica um equilíbrio do ser humano consigo mesmo e, em consequência com todo o planeta [...]. A sustentabilidade que defendemos refere-se ao próprio sentido do que somos, de onde vivemos e para onde vamos, como seres do sentido e doadores de sentido de tudo que nos cerca. (GADOTTI, 2009, p. 35) A escolha metodológica para a aplicação da ação na escola foi do ensino pela pesquisa, onde os educandos tiveram a oportunidade de se colocarem como protagonistas de suas aprendizagens, refletindo sobre suas atuações, individuais e coletivas, diante da realidade socioambiental circundante. Todo o processo de pesquisa parte da curiosidade sobre o que não se sabe, abrindo espaço para a construção e reconstrução do saber. Por isso, “como professor devo saber que sem a curiosidade que me move, que me inquieta, que me insere na busca, não aprendo nem ensino” (FREIRE, 2002, p. 95). Para tanto, é preciso legitimar a curiosidade do educando das séries iniciais, direcionando-os para a organização de seus questionamentos e instrumentalizando-os para a prática da pesquisa em seus cotidianos. Nesse sentido, as etapas desenvolvidas no projeto contemplaram o caminho necessário para a pesquisa. Percebe-se uma diferença entre a atuação das 2 turmas de 5º ano para as 3 turmas de 4º ano, mostrando que existem etapas na estrutura curricular para o desenvolvimento dos educandos. As Séries Iniciais do Ensino Fundamental visam a alfabetização, com os últimos dois anos para o aperfeiçoamento da escrita e da leitura.
  45. 45. Porém, o ensino pela pesquisa é mais do que o exercício de busca de informações e interpretações decorrentes da leitura e o registro escrito dessas informações de maneira organizada. Pesquisar é educar o olhar para a realidade circundante, observando os efeitos dos fenômenos na vida ao nosso redor. Esse exercício deve ser iniciado o quanto antes, e a realidade escolar deve valorizar a curiosidade de seus educandos, como ponto de partida da prática de pesquisa. A formação para a cidadania deve, portanto, valorizar uma postura investigativa, pois “a curiosidade nos faz querer conhecer o mundo, refletir sobre ele e compreendê-lo, para então poder transformá-lo” (CRUZ et al, 2012, p. 10). Abre- se, assim, espaço para um ensino pela pesquisa, dentro de projetos que insiram a sustentabilidade socioambiental como agente integrador do currículo. Tal metodologia de ensino permite que os conteúdos sejam abordados de forma inter e transdisciplinar.
  46. 46. Referências CRUZ, R. et al. Paulo Freire, um Educador Ambiental: apontamento críticos sobre a educação ambiental a partir do pensamento freireano. DELOS – Revista Desarrollo Local Sostemble. Grupo Eurned.net y Red Academica Iberoamericana Local Global. Vol. 5, nº13. Fevereiro de 2012. Disponível em <www.eumed.net/rev/delos/13> acesso em 7/02/2014. FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 2002. GADOTTI, M. Pedagogia da Terra. São Paulo: Peirópolis, 2009, 6ª edição. LOUREIRO, C. F. e COSTA, C. A. Educação Ambiental Crítica e Interdisciplinaridade: a contribuição da dialética materialista na determinação conceitual. NUPEAT-IESA. UFG, v. 3, n. 1, jan-jun, 2013. p. 1-22, artigo 34.
  47. 47. APÊNDICES 1 – Projetos de Pesquisa das turmas: Projeto de Pesquisa do 4º A Temática: Alimentação Saudável Objetivo: Construir uma horta escolar e estimular a horta doméstica no bairro. Justificativa: As plantas fazem parte da nossa vida, elas nos dão madeira, sombra, ar fresco e alimentos saudáveis. As frutas e legumes nos ajudam a ter mais saúde em nossas vidas, por isso devemos cultivar o verde através de uma horta. Na escola podemos aprender como cuidar de uma horta, para podermos também fazer em nossas casas. Metodologia:  Buscar informações: Condições favoráveis para as plantas se desenvolverem; escolha de plantas para a horta.  Observação do espaço para a horta;  Visita ao CEAES ou Suzuki;  Visita da nutricionista para falar sobre a importância das plantas na alimentação;  Preparação, construção e manutenção da horta escolar;  Divulgação dos resultados com impressos, postagens e oficinas. Projeto de Pesquisa do 4º B Temática: Água Objetivo: Identificar as melhores maneiras de usar a água na cidade (tratamento da água e coleta da chuva). Justificativa: Nós usamos a água em vários momentos da vida e acabamos sujando e desperdiçando. Para entender como podemos preservar a água do planeta devemos conhecer mais sobre ela, pensando em diminuir a poluição nos rios e mares das cidades, trocando produtos que usamos para a limpeza e coletando água da chuva para as plantas. Metodologia:  Buscar informações: Origem da água no planeta, uso humano, ciclo da água na natureza e tratamento da água;  Visita à COMUSA (tratamento);  Busca de locais do bairro que coletam água da chuva;  Preparação, construção e uso de cisterna (Consultoria COMUSA);  Divulgação dos resultados com visita a escolas vizinhas, cartazes explicativos e oficinas para a comunidade escolar.
  48. 48. Projeto de Pesquisa do 4º C Temática: Plantas Objetivos: Conhecer e identificar as Árvores da escola; aumentar a área verde da escola. Justificativa: As plantas são importantes pois elas limpam o ar e a água, nos dão sombra e alimento, além de embelezar os ambientes. Cada tipo de planta nos ajuda em alguma coisa e para poder cuidar delas precisamos pesquisar mais sobre elas, assim teremos uma escola mais verde e sustentável. Metodologia:  Buscar informações: Partes das plantas; tipos de árvores e suas características.  Observação das árvores do bairro e fotografia das mesmas;  Visita do Felipe Scheid (palestra);  Visita ao Parcão ou CEAES;  Identificação das árvores da escola;  Cartazes e postagens sobre a importância das árvores;  Produção de mudas de árvores para a comunidade. Projeto de Pesquisa do 5º A Temática: Animais Objetivo: Conscientizar a comunidade escolar sobre a responsabilidade de cada um em relação aos animais urbanos. Justificativa: Os animais são muito importantes para a natureza. Eles precisam ser respeitados e muito bem cuidados, evitando os maus tratos. Alguns animais foram domesticados pelo homem e passaram a fazer parte das famílias. Porém, algumas dessas famílias não cuidam deles corretamente, negando comida, água, carinho, higiene e outros. Metodologia:  Pesquisa bibliográfica: maus tratos e abandono de animais domésticos; consciência animal; violência contra animais.  Observação dos animais do bairro;  Visita ao Canil Municipal;  Visita de ONG de Proteção aos animais;  Campanha de proteção dos animais;  Produção de vídeo, livro e cartazes informativos;  Visitas à comunidade para divulgação de materiais.
  49. 49. Projeto de Pesquisa do 5º B Temática: Resíduos Objetivo: Disseminar ideias criativas que ajudem a combater a poluição no bairro. Justificativa: A poluição é um problema urbano que afeta todos nós. Por isso devemos tomar atitudes que preservem o meio ambiente para um futuro melhor. Quando cuidamos dos resíduos que produzimos diminuímos a poluição. Metodologia:  Pesquisa bibliográfica: origem, produção, utilização e descarte de resíduos diversos.  Observação do descarte no bairro;  Visita à Central de Resíduos da Roselândia;  Oficinas de reutilização e reciclagem;  Estruturação de oficina para alunos (no recreio);  Campanha de cuidado com o lixo;  Produção de materiais para divulgação;  Exposição dos objetos produzidos.
  50. 50. 2- Gráficos da Avaliação dos Projetos no Seminário de Educação Ambiental Escolar:
  51. 51. 3 – Conteúdo do Foldes da I Mostra de Arte Ecológica da EMEF Maria Quitéria. Página 1: Projeto VIDAA e ComVida MQ apresentam: I Mostra de Arte Ecológica Ciência e Arte para uma Escola Sustentável Teatro • Vídeo • Músicas • Desenhos Fotografias • Esculturas • Ações Divulgação dos resultados dos Projetos de Pesquisa desenvolvidos pelas turmas. Dia 29/11/2014 Sábado – a partir das 9 h Página 2: A Comunidade Escolar da EMEF Maria Quitéria tem muitas razões para se orgulhar das crianças e jovens que fazem parte das nossas 14 turmas em 2014. O Projeto Vivências InterDisciplinares Artísticas e Ambientais – VIDAA, oferecido pela Profª Daniela Menezes, teve como principal objetivo abrir espaços para a observação do ambiente escolar e promover uma troca de ideias entre os alunos, pensando em possibilidades de uma vida mais equilibrada e sustentável através do ensino pela pesquisa. Mas nossos alunos foram além. Partindo dos Indicadores de Sustentabilidade, cada turma construiu seu projeto de pesquisa; buscou informações em sites, livros, jornais e revistas; realizou saídas de estudo; participou de palestras temáticas; desenvolveu ações pensando no equilíbrio socioambiental da escola; e organizou suas aprendizagens, utilizando-se de uma linguagem artística, para compartilhar ideias. Como resultado, temos a I Mostra de Arte Ecológica da EMEF Maria Quitéria, permitindo que as famílias da Roselândia, e demais convidados, possam aprender com a ciência e a arte, que é possível diminuir o impacto negativo das nossas ações sobre o meio natural no qual vivemos.

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