Monografia Jane Pedagogia 2011

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Pedagogia 2011

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Monografia Jane Pedagogia 2011

  1. 1. 1 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS VII SENHOR DO BONFIM - BA JANE FERREIRAAS COMPREENSÕES DOS PROFESSORES ACERCA DA ARTE NO ENSINO FUNDAMENTAL I SENHOR DO BONFIM-BA 2011
  2. 2. 2 JANE FERREIRAAS COMPREENSÕES DOS PROFESSORES ACERCA DO ENSINO DE ARTE NO FUNDAMENTAL I Trabalho Monográfico apresentado à Universidade do Estado da Bahia, Departamento de Educação, Campus VII como pré-requisito para a conclusão do Curso de Pedagogia: Docência e Gestão dos Processos Educativos. Orientadora: Profª. Msc. Maria Elizabeth Souza Gonçalves. SENHOR DO BONFIM - BA 2011
  3. 3. 3 JANE FERREIRAAS COMPREENSÕES DOS PROFESSORES ACERCA DO ENSINO DE ARTE NO FUNDAMENTAL I APROVADA_______DE_________DE 2011 ________________________ avaliador _______________________ avaliador _______________________ Orientadora: Maria Elizabeth S. Gonçalves
  4. 4. 4Ao meu querido Deus e Salvador, portudo que fez e faz em minha vida, peloamor incondicional e força semprepresente.Aos meus queridos pais pelo incentivoconstante, amor,carinho e compreensãosem limites.Aos meus irmãos que sempre me fizeramacreditar na minha capacidade deconcretização deste trabalho.As minhas amigas Lucineide, Josenita,Raulita, Silvana, Solene, Gizélia, Vitalinae Joseci pelo apóio, carinho e torcida.
  5. 5. 5 AGRADECIMENTOSÀ Universidade do Estado da Bahia – UNEB - Departamento de Educação -Campus VII – Senhor do Bonfim – BA, e a todos os professores e funcionários destainstituição por oportunizar o conhecimento acadêmico e pelas amizades queformamos no processo educativo quando aí estivemos.Aos professores do Centro Experimental Rural de Torrões, pelas contribuições paraa realização da presente pesquisa.A minha orientadora, a professora Maria Elizabeth Souza Gonçalves pela dedicação,paciência e acima de tudo pela bela contribuição na construção desta pesquisa.Aos meus queridos colegas do curso, pelo convívio, amizade e momentos dediversão que vivenciamos.Aos meus queridos colegas e amigos: Amanda Feitosa, Aurelina, Jeane Lola, JaciraLola,Valci, Cícero, Elaine que comigo caminharam deixando marcas de umagrande amizade e saudades. Em especial aos meus colegas e amigos EuridesCarneiro, Mayara Jatobá, Monica Simões, Robson Soares e Vilma Maria, pela forteamizade que construímos a partir do convívio e dos trabalhos que realizamos.E em geral, a todos que direta ou indiretamente contribuíram para essa conquista.
  6. 6. 6No contexto da educação escolar, adisciplina Arte compõe o currículocompartilhando com as demaisdisciplinas num projeto deenvolvimento individual e coletivo. Oprofessor de Arte, junto com osdemais docentes e através de umtrabalho formativo e informativo, tema possibilidade de contribuir para apreparação de indivíduos quepercebam melhor o mundo em quevivem, saibam compreendê-lo e nelepossam atuar.(Maria Heloísa C. de T. Ferraz)
  7. 7. 7 LISTA DE FIGURASFigura 4.1.1 – Percentual quanto ao sexo.Figura 4.1.2 – Percentual quanto à idade.Figura 4.1.3 – Percentual quanto ao grau de escolaridadeFigura 4.1.4 - Percentual quanto a área de formação.Figura 4.1.5 – Percentual quanto ao tempo de atuação na área da educação.Figura 4.1.6 – Percentual quanto as fontes de pesquisa sobre a Arte.Figura 4.1.7 – Percentual em relação as atividades mais aplicadas na disciplina Arte.Figura 4.1.8 - Percentual em relação as compreensões dos professores sobre aArte.Figura 4.1.9 – Percentual sobre os materiais utilizados no ensino da Arte.
  8. 8. 8 SUMÁRIORESUMO................................................................................................................... 10INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 111. CAPÍTULO I................................................................................................................. 142. CAPÍTULO II – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA.................................................... 192.1. A arte de compreender/ compreensão............................................................... 192.2. Professor como mediador/ A relação professor e Arte....................................... 222.3. Com Arte também se aprende: a importância da Arte na escola como caminhoda aprendizagem...................................................................................................... 282.4. Ensino Fundamental I a base da escolaridade................................................. 363. CAPÍTULO III – METODOLOGIA.......................................................................... 413.1. Tipo de pesquisa .............................................................................................. 413.2. Lócus de pesquisa...............................................................................................433.3. Sujeitos da pesquisa......................................................................................... 433.4. Instrumentos de coleta de dados.............................................................,......... 443.4.1. Entrevista semi-estruturada............................................................................ 443.4.2. Observação..................................................................................................... 453.4.3. Questionário fechado...................................................................................... 464. CAPÍTULO IV – ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS................ 484.1. Resultado do questionário fechado: o perfil dos sujeitos................................... 494.1.1. Sexo................................................................................................................ 494.1.2. Idade................................................................................................................ 494.1.3. Grau de escolaridade...................................................................................... 504.1.4. Área de formação............................................................................................ 51
  9. 9. 94.1.5. Tempo de atuação na área da educação ...................................................... 524.1.6. Fontes de pesquisa sobre a Arte................................................................... 534.1.7. Atividades a mais aplicadas em relação a Arte............................................... 544.1.8. Visão dos professores sobre o ensino de Arte ............................................... 554.1.9. Utilização de materiais para o ensino de Arte ................................................ 564.2. RESULTADO DA ENTREVESTA SEMI ESTRUTURADA ............................... 574.2.1. Compreensão dos professores sobre a Arte.................................................. 584.2.2. O Ensino Fundamental e o ensino da Arte .................................................... 614.2.3. A prática educativa no ensino da Arte ........................................................... 654.2.4. A autonomia dos professores e o ensino da disciplina Arte .......................... 674.2.5. Materiais/ Recursos de apóio para o ensino da Arte...................................... 71CONSIDERAÇÕES FINAIS...................................................................................... 74REFERÊNCIA.......................................................................................................... 76APÊNDICES............................................................................................................. 79
  10. 10. 10 RESUMOA presente pesquisa tem por objetivo identificar as compreensões que osprofessores da Escola Centro Experimental Rural de Torrões apresentam acerca doensino da Arte-educação no Fundamental I. Para o embasamento teórico dapesquisas buscamos aporte nos seguintes autores: Morin (2005); Duarte júnior(1996); Biasoli (1999); Barbosa (2008); Buoro (2003); Cunha (1994), entre outros tãoimportantes para a construção deste trabalho, com contribuições significativas paraa nossa fundamentação auxiliando nossa busca. A abordagem metodológicaescolhida para o desenvolvimento dessa pesquisa é de cunho qualitativo, porproporcionar o contato com os sujeitos e o local pesquisado, embora existamelementos da pesquisa quantitativa por possuir dados estatísticos. Utilizamos para acoleta de dados os seguintes instrumentos: questionário fechado, que traz o perfildos sujeitos; a observação, in lócus, e a entrevista semi-estrutura que contribuiu eenriqueceu bastante a construção desse estudo, bem como, ampliou a nossa visãodas práticas com o ensino da Arte. Por meio desses instrumentos foi possívelidentificar que a relação dos professores estabelecida com o ensino da Artenecessita ser revisada, pois eles ainda se encontram presos ao modelo de educaçãoque trabalha a Arte com atividades voltadas para pinturas, desenhos estereotipadossem muita reflexão, pois na maioria das vezes atividades educativas são realizadasdentro de uma data específica, por exemplo, as famosas e tão relembradas datascomemorativas. Nas considerações finais, destacamos a necessidade de formaçãopara educadores de Arte e uma aprendizagem mais significativa para os alunos.Palavras-Chaves: Compreensões, Professores, Arte, Ensino fundamental I.
  11. 11. 11 INTRODUÇÃOA educação até hoje é alvo de pesquisas e debates em prol de mudanças, quevenham contribuir melhorando a qualidade do ensino. A Arte como campo deconhecimento, está dentro deste quadro carente de mudanças. Sabemos que aescola é a instituição formal que tem em seu papel a responsabilidade de mediar esocializar o conhecimento. Portanto entendemos que compete a escola oferecersubsídios que possibilitem uma aprendizagem de qualidade para que ao educandopossa sentir-se parte do meio em que vive, reconhecendo entre as demaisdisciplinas que a Arte lhe possibilita inserção no mundo.Para tanto vale ressaltar que esse processo também depende de como a escolaoferece o ensino desta área do conhecimento que acompanha o ser humano desdea sua existência, mais precisamente desde nosso antepassados, entendendo que aArte está totalmente ligada com a própria existência do aluno. Separá-los seriadesmembrar o aluno, fragmentando o seu saber, a compreensão de si mesmo.Neste sentido o ensino da Arte nas escolas brasileiras, assim como toda aeducação, continua apresentando deficiências na qualidade como é oferecida.Diante desta realidade, podemos afirmar que a realização da presente pesquisa,teve como objetivo identificar as compreensões dos professores da Escola CentroExperimental Rural de Torrões situada na cidade de Campo Formoso - BA, emrelação ao ensino da Arte no Ensino Fundamental I. Assim identificar ascompreensões é fundamental l para elucidá-las no sentido de promover reflexõesacerca do tipo de educação que estamos oferecendo. Quanto maior forem osestudos oferecidos sobre a Arte, mais o cenário que ela vem ocupando será refletidoe estudado, dessa forma possibilitando a formação de cidadãos com uma visãomenos fragmentada do conhecimento, tornando-os sujeitos reflexivos, críticos eparticipativos na sua cidadania.A Arte inserida do contexto escolar promove a integração os conhecimentos erealidade dos alunos, sua realidade local, respeitando e valorizando suas
  12. 12. 12especificidades, buscando dessa forma ver o aluno em sua totalidade. Assim valedestacar a importância do ensino da Arte para o crescimento intelectual do aluno.Por isso, a escolha do tema da pesquisa, emergiu das aulas apresentadas sobre aArte-educação no curso de Pedagogia, no qual tivemos a oportunidade decompreender que a forma simplificada e a visão reducionistas que muitosprofessores ainda apresentam, por terem sido vítimas de uma educaçãocolonizadora, interferem e provocam limitações das compreensões intelectuais dosalunos, que por sua vês apresentando também dificuldades na relação eaprendizagem desta área. É preciso romper com as barreiras que impedem que aeducação avance, especialmente a disciplina Arte.Dessa forma, partindo do nosso objetivo que é identificar as compreensões dasprofessoras da Escola Centro Experimental de Torrões em relação ao ensino da Arteno Ensino Fundamental I, nosso trabalho ficou assim evidenciado:No I capítulo I, apresentamos o nosso problema trazendo também uma discussãosobre o contexto histórico da Arte e sua importância e presença na vida dos serhumano, pontuando a questões da influência colonizadora como fator negativo parao campo da Arte, que até hoje é refletida nas escolas brasileiras.No capítulo II, discutimos a temática, a partir dos nossos conceitos-chavereforçando-a com a fala dos teóricos que retratam a importância da disciplina Artedentro do currículo para o crescimento intelectual dos alunos, na sequência, serãotambém abordados o papel do professor frente ao processo da educação em Arte,procurando reforçar através dessas reflexões teóricas, que a compreensão desseseducadores, poderá viabilizar ainda no ensino fundamental I o desejo pela Arte porparte dos alunos. Ainda nesse capítulo pontuamos a necessidade do ensino da Artee o Ensino Fundamental I, como a base para a aprendizagem escolar do aluno.No capítulo III, revelamos o caminho percorrido para a realização desta pesquisa,com base em uma pesquisa qualitativa com elementos da quantitativa. Dentro destetópico apresentamos o perfil dos sujeitos, o lócus, e os instrumentos de coletas dedados para o estudo que melhor definiria o objetivo em questão.
  13. 13. 13No capitulo IV, apresentamos a análise e interpretações dos resultados com oauxílio do questionário fechado que traçou o perfil dos sujeitos, a aplicação daentrevista semi-estruturada que nos permitiu entender as compreensões sobre oensino da Arte no fundamental I e por fim a observação que também possibilitou umacesso mais próximo da realidade da instituição escolar escolhida para estapesquisa. Para reforçar os resultados aqui apresentados utilizamos os teóricosnecessários para esta discussão.Nas considerações finais, pontuamos a evidente necessidade de educadoresformados na área da Arte, a fim de que se possa garantir no cenário educacionalbrasileiro uma prática educativa, que viabilize um ensino de qualidade nesta área doconhecimento, visto que suas compreensões sobre esta área ainda se apresentadistanciadas da realidade.
  14. 14. 14 CAPÍTULO IPara melhor compreender o sistema educativo que está entre nós e que nos éoferecido, como também o ensino de Arte nas escolas, é importante relembrar queeste modelo educacional é fruto do processo de submissão do Brasil, queconsequentemente teve sua cultura originada através da transmissão da culturaportuguesa enquanto colônia de Portugal, de forma que vivia-se e pensava-se osvalores europeus que em sua maioria nada tinha a ver com a nossa realidade, nãorespeitando nossos modelos artísticos advindos das classes populares comopodemos destacar as manifestações artísticas populares. Para a classe popular aeducação era pautada para a preparação de mão-de-obra e não como um caminhode aprendizagem, ficando pois a disposição da elite brasileira o “ direito” de decidir oque seria adotado como educativo ou artístico pela população. A respeito dissoDuarte Junior ( 1994) coloca que: Ao povo – sempre visto como ignorante e atrasada - reservava-se o ensino voltado à produção de mão de obra (...) a Arte, considerada um luxo e interpretada segundo ao cânones europeus, destinava-se à formação e ao lazer das classe mais abastadas. Tais classes também nunca viram com bons olhos as manifestações artísticas populares, consideradas “ primitivas” e “ incultas” . O povo que não tinha acesso à arte da elite, também era desencorajado e até reprimido em suas manifestações estéticas. Em tal contexto é compreensível que a arte e a educação nunca fossem vistas como fenômenos e complementares. Com uma invasão cultural entranhada desde as suas origens, a cultura brasileira veio se ressentindo de sentidos e valores genuinamente nacionais, procurando sustentar, através das elites, valores importados de outras culturas que, consequentemente, não podiam exprimir a vida concretamente vivida (p. 125 e126).Como podemos perceber a nossa educação, em especial o ensino da Arte nasescolas, teve em seu contexto a influência européia dominante e que aindainfluencia as práticas educativas, e o quanto sofreram o preconceito, em seuprocesso inicial quando já existiam aqui no Brasil, artistas de origem popular compotenciais artísticos considerados como aponta Barbosa (2005): Nossos artistas, todos de origem popular, mestiços em sua maioria, eram vistos pelas camadas superiores como simples artesãos, mas não só quebraram a uniformidade do barroco de importação, jesuítico, apresentando contribuição renovadora, como realizaram uma arte que já poderíamos considerar como brasileira (p. 19).
  15. 15. 15Por vivermos em uma sociedade que cultivou e ainda cultiva os valores estéticos,não podemos ignorar a arte, a mesma é inerente ao ser humano. Assim passamos acompreendermos que afastando a arte do contato popular, alimentam também opreconceito contra ela até hoje acentuada em nossa sociedade em especial nasescolas, considerando-a muitas vezes como uma atividade supérflua, vista apenascomo um acessório da cultura destinada a população mais elitizada da sociedade.Considerando a Arte como campo de aprendizagem e do conhecimento, quecontempla também o belo, o diferente, o novo, o real, o abstrato, fica evidente anecessidade de incluí-la frequentemente em nossas atividades cotidianas, didáticasde forma mais sensível e agradável; propícia à aprendizagem. Assim Duarte Júnior(1994) nos diz que: Não haveria problema algum em se propor uma presença mais sensível da arte em nossas práticas educativas. Na verdade isto não interfereria em coisa alguma. Não provocaria confusões institucionais ou políticas. Pelo contrário, proporcionaria o desenvolvimento de uma função a mais (p. 12).Dessa forma olhando para a educação pela perspectiva da Arte é possível perceberque estamos envolvidos pelas várias manifestações de Arte, motivo pelo qual pensaré arte é pensar em cultura. Diante do exposto é importante lembrar que desde oinício da história da humanidade, nota-se a presença da arte nas formaçõesculturais. Assim a arte permeia a existência humana desde os seus primórdiosquando estes durante a Pré-história deixavam expostos desenhos que retratavamatividades realizadas por eles no seu cotidiano com a capacidade de ensinar para ooutro o que faziam. Assim o ensino e a aprendizagem da arte fazem parte doconhecimento que envolve a produção artística em todos os tempos. O homematravés da imaginação é capaz de construir o seu mundo podendo expressa-lo devárias formas. Segundo Farias (1999): O homem, que é entre os animais o único que possui a dimensão simbólica a palavra, tem na linguagem o instrumento básico de ordenação e significação do mundo. O homem é o único ser que tem consciência de outras dimensões e outros tempos. A radical diferença entre o homem e os outros animais é a sua consciência reflexiva, simbólica (p.68).Hoje sabemos o quanto são essenciais informações deixadas nas cavernas, naspedras pelos primatas.
  16. 16. 16No contexto escolar em especial na educação fundamental o descaso com adisciplina de Arte é bastante nítida quando paramos para observar as formas emque os professores trabalham em sala de aula, geralmente aplicando-a em datascomemorativas, não sendo compreendida como campo de conhecimento. Nessecontexto Barbosa (2005) afirma que: As referências que se encontram sobre Arte na escola e seu ensino são pouco freqüentes, esparsas e excessivamente gerais. Mesmo aqueles que têm refletido com maior agudeza sobre nossos problemas educacionais quase sempre deixam de lado o ensino da Arte (p.13).Diante disso é importante salientar que é por intermédio da Arte que o educandoconsegue ampliar a sensibilidade, a percepção, a reflexão e a imaginação, quandoesta realiza formas artísticas, como também na ação de apreciar e conhecer asforma s produzidas por ele pelos colegas cabendo aí a participação fundamental doprofessor do ensino fundamental nas realizações significativas das atividadespropostas buscando despertar o potencial artístico de cada um em sala de aula.Diante disso Duarte júnior (1994) coloca que: Permitindo à criança uma organização de suas experiências: a Arte possibilita-lhe, consequentemente, uma maior autocompreensão. Através de seu trabalho ela pode, de certa forma, ver-se “ de fora” já que existe (...) uma identificação sua com aquilo que ela produz (p.113).Nessa perspectiva não se pode negar ao aluno em seu processo de escolarização aaproximação e o contato com Arte que é indispensável para sua aprendizagem, paraque ela possa tirar tudo o quanto a Arte suscita, abrindo espaço par que seja capazde criar, sentir, perceber.O professor na sua prática educativa precisa contextualizar,ou seja, educar diante da realidade que os alunos estão inseridos, não impondogostos como modelo padrão, mas enaltecendo os conhecimentos que eles já tem.Quando a escola não valoriza a contextualização, quando esta não atribui valor ouatenção para o ensino artístico, ocorre a descontextualizarão abrindo campo para acolonização, opressão e exploração. De acordo com a afirmação citada DuarteJúnior (1980), afirma que: Em primeiro lugar, a atividade artística da criança apresenta o sentido de organização de suas experiências. Desenhando, pintando, esculpindo,
  17. 17. 17 jogando papéis dramáticos, etc, a criança seleciona os aspectos de suas experiências que ela vê como importantes, articulando-os e integrando-os num todo significativo (p.112).A Arte sofreu e ainda sofre preconceitos, muitas vezes decorrentes da incipienteformação docente. A realidade é que a educação brasileira ainda continua resistenteao diferente, ao inovador, por que para muitos o tratamento com rte na escola exigeinteresse do professor e que este abrace o caminho que deseja seguir tendocompromisso com um projeto educativo, com um currículo que contemple as quêstoes artísticas. A respeito disso Dehelnzelin (1994) afirma: “ para que o professortenha domínio de sua arte, necessita de um currículo que seja para ele uminstrumento, assim como a tela e os pincéis são instrumentos para o pintor (p.15)” .De acordo com afirmação fica evidente a importância do papel do professor quetenha intimidade com arte baseado em um currículo eficaz significativo que visemcontemplar as experiências e conhecimentos que as crianças já têm consigo. Aprática educativa e significativa envolvendo a arte possibilita o desenvolvimento dehabilidades como valores, respeito, amizade, e a escola como mediadora doconhecimento precisa estar inovando seus métodos podendo contribuir para umaeducação transformadora.Diante do contexto abordado e dessa realidade comum a muitas escolas que aindaempregam a Arte de forma superficial, nota-se que permanece ainda em muitoscasos a visão reducionista desta disciplina. Assim Farias (1999) vem nos afirmandoessa realidade quando noz diz que: No ambiente escolar educacional é comum a referência às diferenças entre aulas de arte e as aulas “ mais sérias” . A medida em que o aluno vai avançando nas séries, a escola vai gradativamente retirando dos programas o aspecto lúdico que poderia estar presente no processo educativo. Com isso, as atividades que envolvem a expressão artística, a dinâmica corporal e até mesmo a experiência estética vão tomando os últimos lugares na escola de prioridade dentro dos currículos (p. 67).Diante do que foi exposto aqui, surge assim a nossa questão de pesquisa: Quais ascompreensões dos professores da Escola Centro Experimental Rural de Torrões emrelação ao ensino de Arte no Ensino Fundamental I?
  18. 18. 18A presente pesquisa tem como objetivo: identificar as compreensões dosprofessores da Escola Centro Experimental Rural de Torrões em relação ao ensinode Arte-Educação no Ensino Fundamental I.Assim essa pesquisa poderá ser relevante por contribuir para a compreensão ereconhecimento dos professores sobre a importância do trabalho com o ensino daArte nos espaços escolares, podendo auxiliar em suas práticas em sala de aula. Oestudo sobre a arte é importante porque nos ajuda a refletir com ela está sendoencarado nas escolas de um modo geral e a parir daí analisar de que formapodemos fazer diferente quando estivermos em sala de aula procurando evidenciarmais o potencial que a arte é capaz de desenvolver nos indivíduos quando bemaplicada.
  19. 19. 19 CAPÍTULO II 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICAA partir da problemática apresentada na presente pesquisa temos com objetivoidentificar as compreensões que os professores da Escola Centro ExperimentalRural de Torrões situada em Campo Formoso- BA, apresentam sobre a o ensino daArte-educação no Fundamental I. Dessa forma trataremos aqui dos referenciaisteóricos que tratam da presente temática. Para tal realização apresentamos asarticulações norteadas pelos respectivos conceitos-chave: Compreensão - Arte-Educação - Professores – Educação Fundamental I.2.1. A Arte de compreender / compreensão:Enquanto seres humanos necessitamos de conhecimentos que nos possibilitem ummelhor compreensão do mundo e de todo o contexto ao qual estamos inseridos.Neste sentido a nossa compreensão torna-se um suporte importante e necessárioque nos conduzirá a informações que irão nos ajudar a interpretar o mundo ajuda-nos a perceber melhor toda a realidade ou pelo menos parte dela. E quandodominamos esta compreensão entendemos que compreender, não está associadosomente ao aprender, mas também ao ato de ensinar. Pois de posse deconhecimentos somos capazes de transferir aquilo que sabemos oucompreendemos a outros sujeitos.Assim compreender não é apenas, por exemplo, descobrir uma lei, um princípio queregulamente um acontecimento, mas chegar a característica do comportamento dosindivíduos diante do outro, como também da natureza e do tempo. Ainda nessecontexto Silva (2005) afirma que compreender refere-se á: Possibilidade de organizar o mundo e as coisas e constitui um estado básico da existência do ser-do-homem. Dessa forma não deverá haver um gesto humano, uma palavra, um silêncio que não tenham um significado que se torna visível por si só; na maioria das vezes, este significado tornar- se visível através da compreensão (p. 27).
  20. 20. 20Segundo Silva ( 2005, p.26 ) “ Compreensão refere-se à potencialidade de ser e deconhecer aquilo que se é capaz” . Compreensão aí não se refere apenas ao estarpreparado para fazer ou dirigir alguma coisa a ser competente para algo, ele temsentido amplo, sendo que este saber do que é capaz não é apenas resultado deuma autopercepção, mas é o resultado de um estado de consciência, ou seja, umaconsciência presente.O que se está sempre presente na compreensão é a possibilidade de interpretação,como também a possibilidade de apropriação e de apreensão de tudo aquilo que foicompreendido pelo indivíduo. Diante da afirmação Silva (2005) salienta que: Compreender é assim a intenção total, não apenas assumir o que as coisas representam, o seu simbolismo, as suas propriedades, mas o modo específico de existir das coisas que se expressam na composição do texto, nas idéias que se desvelam, no pensamento do autor do texto (p.26).Morin ( 2005 ) afirma que: A compreensão é ao mesmo tempo meio e fim. Dada a importância da educação para a compreensão, em todos os níveis educativos e em todas as idades, o desenvolvimento da compreensão necessita de reforma planetária das mentalidades. Esse deve ser a tarefa da educação do futuro (p. 104).Com a afirmação percebe-se que o ato de compreender está sendo associado aeducação do futuro e que não só os professores, mas todos devem compreender aspotencialidades dos alunos e procurar estimulá-las afim de expressarem suascapacidades.Morin (2005, p.95) diz que: “ A compreensão humana vai além da explicação. Aexplicação é bastante para a compreensão intelectual ou objetivo das coisasanônimas ou materiais, é suficiente para compreensão humana” .A instituição escolar é a mediadora de conhecimentos e oportunidades, pois nela oato de pensar e refletir são desenvolvido. O desenvolvimento de compreensãopermite ao aluno a aproximação e domínio da realidade, atraindo-o para intervir deforma eficaz na mesma. Ainda nesse contexto Morin (2005), destaca que acompreensão é uma das finalidades da educação do futuro. Educar para
  21. 21. 21compreender uma disciplina, dentro, de um realidade, envolvendo vários conceitos,é educação interdisciplinar. Permitir que o aluno compreenda o que faz depende, em boa medida, de que seu professor ou professora seja capaz de ajudá-lo a compreender, dar sentido ao que tem entre as mãos; quer dizer, depende de como se apresenta, de como tenta motivá-lo, na medida em que lhe faz sentir que sua contribuição será necessária para aprender (ZABALA, 1998; p. 91).Analisando a fala do autor percebe-se que o papel do professor é fundamental parao crescimento do aluno, que será orientado a entender e dar sentido naquilo querealiza em sala de aula.È a compreensão do outro e o respeito que nos tira do centro do universo e nosdeixa perceber que os obstáculos à compreensão são múltiplos e multiformes. Massó pela compreensão humana é que se transpõem as barreiras que existem.Vaz (1991, p.27) nos diz que: “ o educador, mais comprometido com seu papel social– ponte entre a criança e a sociedade – preocupa-se com o tipo de relação queestará sendo desenvolvida com a criança” .Cabe aos professores compreender a importância dessa área do conhecimento queé por muitos, taxada como “ boba” , mas que diante da necessidade que as criançastem de compreender-se no mundo e os fatores das suas realidades vivenciadasconceberá a ela uma educação com função transformadora, norteada pelasoportunidades de expressão livres que poderão ter no desenrolar das aulasartísticas.Nesta mesma compreensão Ferraz (2009), argumenta que: os estudantes têm o direito de contar com professores que estudem arte vinculada à vida pessoal, regional, nacional e internacional (...) o professor de arte precisa saber o alcance de sua ação profissional (...) é um dos responsáveis pelo sucesso desse processo transformador, ao ajudar os alunos a melhorarem suas sensilbilidades e saberes práticos e teóricos em arte (p. 51).
  22. 22. 22O autor aponta que quando o professor apresenta uma compreensão do real valorsignificativo que a disciplina Arte tem na educação, o trabalho com os alunos ficamais envolvente, abrindo o olhar, a sensibilidade e a capacidade artística doeducando, incentivando o desenvolvimento da sua capacidade crítica e criadora, e apartir daí estabelecer relação do novo com o que já faz parte do seu mundo,levando-o a produzir, lê, apreciar e compreender o mundo que o cerca. O professornecessita perceber que o educando reflete suas expressões artísticas nas suasatitudes mais simples e compreendendo-a, ele irá focalizar especialmente todo osaber que este traz de casa e fará desses conhecimentos subsídios para sua práticaem sala de aula, sistematizando com toda a turma as experiências de cada um,estabelecendo assim momentos de trocas com os colegas.2.2. Professor como mediador / A relação professor e a ArteTodo professor em sala de aula deve ter em mente que se tornará responsável pelacriação de um contexto favorável para a construção do saber, cabendo a ele umatarefa muito importante que é de acompanhar o avanço do aluno diante do que estásendo sistematizado na escola.Para melhor definir professor, Ferreira (2001, p. 596) conceitua professor dizendoque: “ professor é aquele que professa ou ensina uma ciência, uma arte, técnica,mestre, aquele que professa publicamente as verdades” .Entende-se que educar é saber escutar, dialogar é ensinar a pensar certo, sabendoque pensar certo é pensar criticamente, ou seja, não só transferir conhecimento.Sobre isso Freire (1996, p.52) afirma: “ Saber que ensinar não é transferirconhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a suaconstrução” . Neste sentido o professor exercendo o seu trabalho perceberá a suatarefa enquanto educador, que sempre estará buscando criar possibilidade para onascimento e crescimento do saber.Martins (1997) vêm nos falando a respeito e coloca que:
  23. 23. 23 O professor em sala de aula instrui, explica, informa, questiona e corrige o aluno, fazendo-o explicar seus conceitos espontâneos. A ajuda do adulto permite a criança resolver mais cedo os problemas complexos que não poderia enfrentar se fosse deixada à mercê da vida cotidiana. Assim as experiências das crianças, mais notadamente as que se dão de forma sistemática no mundo escolar, parecem implicar mais desenvolvimento e maior conhecimento sobre a realidade física e social (p.120).Freire (1996) ainda nos diz que em seu papel, o educador não só ensina conteúdos,mas auxilia o desenvolvimento da consciência dos alunos diante daquilo que lhe étransmitido dentro e fora da escola. Assim percebe-se que o professor aí tem emseu ofício o papel de formador de opiniões.O papel do professor está cada vez mais complexo, pois não se admite apenasconhecer as matérias em que vai atuar, é preciso saber atuar, conhecendo arealidade em que ele e os alunos vivem, conhecer didática, ter amor, compromisso eresponsabilidade no que se faz. Sobre isso, Dehelnzelin (1994) nos diz que: A conduta do professor, ao propor atividades artísticas, deve proporcionar as crianças experiências significativas, desde que estas não impliquem a perda da inocência infantil, caracterizada por uma propulsão desbravadora sempre em ação (p.125).Em comentário a essa questão Demo, (1995) enfatiza que: “o papel do professorbásico precisa mudar de situação atual marcada pela mera transmissão copiada deconhecimento, mero intermediário repassador, para a condição, ativa, dinâmica de(re) construtor de conhecimento (p.10)” .O professor precisa refletir sobre suas formas de atuação profissional, diante dasociedade, pois os mesmos são levados a definir seus papéis e suas funções emuma sociedade em transformação que questiona valores.Mizukami (1986), afirma: Um professor que esteja engajado numa prática transformadora procurará desmistificar e questionar com os alunos, com a cultura dominante, valorizando a linguagem e a cultura deste, criando condições para que cada um deles analise seu contexto e produza cultura (...). O professor procurará criar condições para que, juntamente com os alunos, a consciência ingênua seja superada (p. 83).
  24. 24. 24O professor em sua prática educativa, também precisa ter um cuidado especial eperceber que cada educando aprende de forma diferente, dentro da suaindividualidade a cada trabalho realizado, permitindo assim que sintam-se segurosem suas produções e desempenho. O primeiro olhar do educador que irá trabalharcom arte deve voltar-se para a cultura local. As práticas educativas em sala de aula,precisam priorizar saberes artísticos da região onde se encontra a escola, dessaforma aprecia-se a manifestação artística livre ou espontânea de uma cultura,promovendo um espaço intramuros escolar.No dizer sempre expressivo de Mahoney (2006): (...) o professor não só é o mediador entre a cultura e o aluno, mas é o representante da cultura para o aluno. Na relação professor-aluno, é ele que acaba selecionando entre os saberes e os materiais culturais disponíveis em dado momento, bem como tornando ou não esses saberes efetivamente transmissíveis; é ela que faz a aproximação do aluno com a cultura de sua época (p.80 - 81).O autor assinala ainda que a influência da escola na vida do educando é bastanteevidente destacando que deverá ser o centro de divulgação da cultura em diversasáreas. Sobre essa questão Ferraço (2008), pontua que: Cada escola, cada sala de aula, cada grupo de alunos/as, e de educadores/as, fazem história e , dessa forma, o patrimônio cultural presente não pode ser desconsiderado sob pena de mutilar a atividade docente. No chão da escola, manifestam-se diferentes interesses, histórias de vida, expectativas, ou seja, numa escola, há diferente currículos reais sendo tecidos nesses grupos (p.79).No cenário atual, muitos professores que hoje atuam em sala de aula, quandoalunos de séries iniciais não tiveram a oportunidade de terem seus saberes locaisvalidados, tiveram pois, suas vivências negadas ou silenciadas no seu cotidianoescolar, como também sofreram a priorização de conteúdos distanciados de suasvivências, o que refletiu na sua postura profissional atual principalmente no campoda Arte. Por isso faz-se necessário uma conduta contrária ao de seu tempo,buscando uma postura mais próxima da realidade do aluno.Diante disso vale salientar que no contexto que envolve os professores, há umsentimento angustiante, que os leva a refletirem sobre qual é o seu verdadeiro papel
  25. 25. 25na escola, já que o público de educandos, antes submissos e disponíveis paraaprender o que lhe era exigido já não se encontra da mesma forma. Isso acontecepor que o modelo de aluno que temos hoje ocupa um outro espaço no mundo, asexigências, as curiosidades, as necessidades, as percepções são outrasdiferenciam-se das nossas, daquelas que nos foram cobradas. A partir daípercebemos que o professor de hoje precisa adequar-se ao novo aluno que recebeem sua sala de aula. Mesmo que os professores não tenham tido a chance ou odireito de liberdade não justifica uma prática de limitações. Mas uma prática quegaranta um fazer pedagógico mais eficaz. Enquanto não construirmos um novo sentido para a nossa profissão, sentido este que está ligado à própria função da escola na sociedade aprendente, esse vazio, essa perplexidade, essa crise, deverão continuar. Em sua essência, ser professor hoje não é nem mais difícil nem mais fácil do que era décadas atrás. É diferente. Diante da velocidade com que a informação se desloca, envelhece e morre, diante de um mundo em constante mudança, seu papel vem mudando, senão na essencial tarefa de educar, pelo menos na tarefa de ensinar, de conduzir a aprendizagem e na sua própria formação que se tornou permanentemente necessária (GADOTTI, 2007;p.63 e 64).O autor continua e argumenta explicando que a docência: é uma atividade baseada em perguntas. Por isso não é uma atividade rotineira. Cada dia é uma surpresa. Cada dia o ser humano é diferente (...). Por isso, a docência é, também, uma atividade de reencantamento permanente. (GADOTTI, 2007; p.55 e 56):Diante da fala do autor percebemos que o educador precisa desenvolver umapostura ativa, indagadora, reflexiva, criativa, socializadora, e assim o envolvimentodo professor contribuirá na realização de atividades mais agradáveis. O professornecessita de um espaço de reconhecimento dentro da escola e formação na áreaque está atuando. Sobre isso Fonseca (2007) afirma que: “ a atuação do professorem sua sala de aula, e suas reflexões sobre a própria docência irá contribuir para acompreensão da prática educativa” (p. 86).Por isso Cunha (1994) explica que: “ o fato do professor ter tido uma educaçãoautoritária e punitiva pode fazê-lo tentar repelir esta forma no seu cotidiano docente,mas pode também, levá-lo a repetir esta prática” (p.36).
  26. 26. 26Portanto é válido colocar, que ao contrário de uma educação punitiva e autoritária, apostura de um professor que trabalha com Arte ou qualquer outra disciplina precisaestar voltada para a mediação e aproximação dos educandos com a diversidade quea Arte oferece, entendendo que só através desse contato, os alunos perceberãouma educação significativa, caso contrário estará acontecendo uma educação deadestramento. Por sua vez criar o espaço de compreensão comum requer um compromisso de participação por parte dos alunos/as e do professor num processo aberto de comunicação. (...) os alunos devem participar na aula trazendo tanto seus conhecimentos e concepções como seus interesses preocupações e desejos, envolvidos num processo vivo, em que o jogo de interações, conquistas e concepções provoque, como em qualquer outro âmbito da vida, o enriquecimento mútuo (SACRISTÁN, 1998; p. 64).Deste modo se o educando for considerado e visto como ser capaz de criar, elepoderá receber as estimulações para expressar-se artisticamente. O aluno trazdentro de si, um mundo de imaginação e criatividade, que precisa ser expresso.Assim o professor não pode esquecer que aquele aluno que estar entre 4 paredesde uma sala de aula, também aprende e detém em suas vivências um mundorecheado de informações artísticas. Sobre isso Freire (1996) nos afirma que: É preciso que, pelo contrário, desde os começos do processo, vá ficando cada vez mais claro que, embora diferentes entre si, quem forma se forma e re-forma ao formar e quem é formado forma-se e forma ao ser formado. É neste sentido que ensinar não é transferir conhecimentos, conteúdos nem formar é ação pela qual o sujeito criador dá forma, estilo ou alma a um corpo indeciso e acomodado. Não há docência sem discência, as duas se explicam e seus sujeitos apesar das diferenças que os conotam, não de reduzem à condição de objeto, um do outro. Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender (p.23).A partir daí percebe-se que é fundamental ao professor, superar a condição de merotransmissor de conhecimentos prontos e acabado, permitindo ao aluno elabore suaspróprias idéias. Nessa perspectiva, é preciso que cada professor comprometa-senão apenas com questões relacionadas com suas disciplinas, isoladamentedeixando de lado as demais que julga menos importante como acontece com adisciplina Arte em muitas escolas. Pelo contrário, todas as disciplinas sãoimportantes e fazem parte do coletivo da escola, que pensa tanto os conteúdosdisciplinares de forma integrada, como também outros aspectos formativos,relacionados à instituição escolar.
  27. 27. 27Ser educador em tempo de mudanças torna-se uma tarefa árdua e ao mesmo tempoexigente nos dias atuais. Neste sentido podemos destacar que no cenário daeducação, outro fator que está em questão é a desvalorização de algumasdisciplinas, caracterizando assim um cenário de discriminação em relação a algumase o enaltecimento de outras. Como exemplo, podemos destacar a forma como adisciplina de Arte se destaca neste aspecto, quando esta área é colocada emsegundo plano com a perpetuação de trabalhos sem criatividade e desinteressantespara os alunos. Caindo sobre ela a rotulação de disciplina de lazer, diversão,descanso, tudo, menos como área de conhecimento fundamental paraaprendizagem cultural dos aluno.Para tanto Buoro (2003) afirma que: “ é necessário realizar um trabalho significativo,compromissado com a qualidade e melhoria da Arte na Educação (...)” (p.38).Partindo dessas discussões, fica claro que é importante o desenvolvimento detrabalhos voltados para uma prática envolvente que enalteça o potencial tanto dadisciplina como do professor que atua com ela, para que se possa também estaroferecendo conhecimentos propícios ao crescimento do aluno.O professor que atua dentro da área de Arte necessita ter convicção da metodologiaque irá contemplar o saber dos seus alunos, visando o sucesso e guiando asatividades e garantindo informações que lhe serão úteis no processo deaproximação e apropriação das diversas linguagens artísticas.Neste sentido Ferraz (2009) enfatiza dizendo que “ (...) o professor de arte é um dosresponsáveis pelo sucesso desse processo transformador, ao ajudar os alunos amelhorarem suas sensibilidades e saberes práticos e teóricos em arte” (p.51). Oautor ainda acrescenta que para: o desenvolvimento de um bom trabalho envolvendo a arte, o professor precisará compreender os conhecimentos que o aluno já traz sobre a arte e também suas outras necessidade destaca que“ para desenvolver um bom trabalho de Arte o professor precisa descobrir quais são os interesse, vivências, linguagens, modos de conhecimento de arte e práticas de vida de seus alunos (Ferraz (2009; p. 71).
  28. 28. 28Partir de temáticas retiradas da realidade concretas dos alunos são práticas que oprofessor precisa garantir para que de fato se tenha uma educação que valorize ascompetências artísticas dos educandos. Barbosa (2008) destaca que: “ Somente aação inteligente e empática do professor pode tornar a Arte ingrediente essencialpara favorecer o crescimento individual e o comportamento de cidadão como fruidorde cultura e conhecedor da construção de sua própria nação (p.14)”.O professor de arte, não precisa ser um artista para desenvolver seu trabalho, mas éimportante que ele, enquanto mediador desta área do de conhecimento organize-sea cerca do que vai ser aplicado, para não correr o risco de passar atividades semsentido nenhum para a turma e isso implica também um trabalho voltado para ocampo da pesquisa fora da instituição escolar, necessitando aí de tempo para abusca de novos conhecimentos onde ele possa estar oferecendo outras fontes deinformações da área que trabalha. Sobre outras fontes de informações ou espaçosde pesquisa. Barbosa (2008) continua afirmando que: O professor precisa de tempo e de recursos para pesquisa. O professor de Arte precisa sair da sala de aula e interagir com os espaços culturais, museus, bibliotecas e outras instituições que produzem e veiculam os bens culturais. Precisa se conectar as redes de informação. Precisa buscar o conhecimento com seus alunos aonde ele se encontra (p.158).O professor que reconhece o papel de sua disciplina na vida do educando, cumpreseu dever, tem segurança, habilidade e flexibilidade com os outros saberes,dificilmente irá encontrar barreiras para a sua atuação docente. Os professores quetrabalham com a arte-educação, necessitam de informações diversificadas quevenham contemplar e desafiar o educando em suas potencialidades.2.3. Com Arte também se aprende: A importância da Arte na escola comocaminho da aprendizagem.Sendo a arte uma área que está ligada ao ser humano desde seus tempos maisremotos, percebe-se então que a sua inserção na vida do aluno é fundamental, e aescola está aberta ao oferecer o espaço repensando assim um trabalho escolarfirme, no qual o aluno possa encontrar meios para o seu desenvolvimento por meiodos conhecimentos estéticos e artísticos que ele já possui.
  29. 29. 29Nas palavras de Ferraz (2009): “ A Educação através da Arte é na verdade, ummovimento educativo e cultural que busca a constituição de um ser humanocompleto, total, dentro dos moldes do pensamento idealista e democrático (p. 17)” .Segundo o autor a Arte-Educação representa um movimento na busca de outrosmétodos para o ensino de arte nos espaços escolares. Essa é, também, acompreensão de Biasoli (1999) que vai ainda mais longe e nos diz que: A arte-educação constituiu, no Brasil, um movimento surgido no final da década de 1970, organizado fora da educação escolar, que buscava novas metodologias de ensino e aprendizagem da arte nas escola por meio de uma concepção de ensino de arte com base numa ação educativa mais criadora, mais ativa e que envolvesse o aluno de forma mais direta, mais concreta (P. 87).O autor em suas colocações fala do envolvimento direto do educando com oconhecimento da Arte, partindo de metodologias propostas pelo professor quepossibilitem um trabalho mais concreto.Nas palavras de Buoro (2003), ele nos esclarece que: Embora o ensino de Arte esteja previsto por lei na escola brasileira desde o início da década de 70, sua história é muito mais longa do que o registro oficial indica, perfazendo um percurso enriquecido pelas diversas teorias de ensino que impulsionaram os professores á procura de novos caminhos na reestruturação de seu trabalho educacional (p. 47)” .Buscando definir Arte, Ferreira (2001), destaca que: A Arte possibilita asensibilidade, e reforça que atividades que contemplam a pintura, a música, adança, a representação teatral, a escultura entre outras formas artística aguçam eprovocam sensações diferentes nas pessoas.Ao nos reportarmos sobre a Arte, percebe-se que a mesma está em toda a parte. Naverdade a sociedade humana inspira e expira Arte, dessa forma fica a questão:como ignorá-la se a mesma está inserida em todo o espaço sócio-cultural? Nãopodemos ignorar algo que está intrínseco em nosso ser. O homem desde os temposmais remotos, no período pré-histórico/ paleolítico sentiu a necessidade de seexpressar e para isso registrou desenhos nas paredes das cavernas, muitas vezescenas do seu próprio cotidiano demonstrando assim, pela utilização de sua arte,
  30. 30. 30informações para explicar ou até mesmo para exprimir algum ritual de seu povo,ficando evidente a presença da arte desde as cavernas. De acordo com essaafirmação Buoro (2003) coloca que: Uma das primeiras referências da existência humana na Terra aparece nas imagens desenhadas nas cavernas, que hoje chamamos de imagens artísticas. Neste sentido, pode-se dizer que a Arte está presente no mundo desde que o homem é homem (p.19).De acordo com a fala do autor convém notar que a arte permeia a existênciahumana e que não há como ignorá-la, pelo contrário, devemos colocá-la como parteda nossa existência para que através dela seja possível entendermos a nossaprópria origem. Assim: “ A Arte evidencia sempre o momento histórico do homem.Cada época, com suas características, contando o seu momento de vida, faz umpercurso próprio na representação, como questão de sobrevivência (BUORO, 2003;p. 25)” .Ainda sobre esta afirmação Buoro (2003) nos diz que: A arte, portanto, se faz presente, desde as primeiras manifestações de que se tem conhecimento, como linguagem, produto da relação homem/mundo (...) neste sentido, não existe o homem puro, o ser biológico separado de suas especificidades psicológicas, sociais e culturais. Cada uma dessas especificidades está presente e sempre esteve na vida humana, e é por meio delas que desde os tempos mais remotos o homem foi se relacionando com a natureza e com o mundo ao seu redor, construindo as possibilidades de sua sobrevivência e desenvolvimento. Por isso a Arte é uma forma de o homem entender o contexto ao seu redor e relacionar-se com ele. O conhecimento do meio é básico para a sobrevivência, e representá-lo faz parte do próprio processo pelo qual o ser humano amplia seu saber (p. 20).Nesta perspectiva compreende-se então que o homem permanece ligado a essecampo de conhecimento que contempla o fazer, existir, o exprimir e o sentir humano.A respeito disso Ferraz (2009) coloca que: “observando-se as produções artísticasdesde os primórdios, nota-se que elas se relacionam com a própria vida humana,com a sua realidade social, construtiva e com a comunidade na qual se insere(p.122)” .O autor reforça nos dizendo que:
  31. 31. 31 A arte é uma das mais inquietantes e eloqüentes produções do homem. Arte como técnica, lazer, derivativo existencial, processo intuitivo, genialidade, comunicação, expressão, são variantes do conhecimento arte que fazem parte de nosso universo conceitual, estreitamente ligado ao sentimento de humanidade (p.101)” .Diante das colocações dos autores, percebe-se a importância que a arte tem nocontexto sócio-cultural da sociedade, e o quanto o estudo, sobre essa área deconhecimento resgata as diferentes culturas presentes no mundo. Tal grau deimportância é atribuída ao campo da arte e é defendida por Coli (1947) quando nosdiz que: A arte são certas manifestações da atividade humana diante das quais nosso sentimento é admirativo, isto é: nossa cultura possui uma noção que domina solidamente algumas de suas atividades e as privilegia (...) ela nos ensina muito sobre o nosso próprio universo, de um modo específico, que não passa pelo discurso pedagógico, mas por um contato contínuo, por uma freqüentação que refina nosso espírito (p.113).Nesta visão o autor pontua que a Arte contribui para a compreensão do mundo deforma a situar o homem no tempo e espaço que ocupa, evidenciando assim, aimportância de seu estudo que ao mesmo tempo pode contribuir esclarecendo asvariadas culturas existentes. Diante do contexto abordado sobre a Arte, percebemosque ela como disciplina dentro da escola, contribui para o resgate pessoal e socialdo indivíduo, na medida que a sua cultura, sua história, venha ser lembrada pormeio de atividades que viabilizem esses momentos de socialização, descobertas,debates e exposição de suas vivências.Neste sentido Duarte júnior (1996) pontua que: “ (...) a arte é um fenômeno presenteem todas as culturas (p.4)” . O referido autor destaca em sua fala que a arte é umfator comum presente em todas as culturas, tanto nas mais atuais quanto nas maisantigas, do homem pré-histórico ao mais “ civilizado” enfatizando que todos osmodelos de cultura sempre produziu arte e que esta nos acompanha desde ascavernas. A arte é sempre produto de uma cultura e de um determinado período histórico. Nela se expressam os sentimentos de um povo com relação às questões humanas, como são interpretadas e vividas em seu ambiente e em sua época. Através da arte temos acesso a essa dimensão da vida cultural (...) (DUARTE JÚNIOR,1994; p.18).Infelizmente na história da cultura brasileira há marcas do processo de dominação eda grande influência de modelos culturais europeus que foram colocados como
  32. 32. 32referências superiores a nossa. É preciso insistir no fato de que isso aconteceudesde a educação colonizadora também européia que exerceu um forte domínio,impondo sua cultura e reforçando o preconceito com a arte local brasileira, econseqüentemente ignorando-a. Em comentário a essa questão, o autor aponta que: Historicamente sempre tivemos aqui a educação do colonizador, isto é, aquela que despreza as condições específicas da terra e procura impor a visão de mundo que interessa às minorias dominantes copiávamos (e copiamos) modelos de “ desenvolvimento” baseados em experiências de outras culturas e que, ao serem transplantados para cá, sofrem sérias distorções, gerando verdadeiros descalabros, especialmente educacionais (DUARTE JÚNIOR,1996; P. 77).Dessa forma vale acrescentar que esse domínio como já foi dito, atingiu também aarte que já se fazia presente na educação, tida como artigo de luxo destinadaapenas as elites mas não chegando a todos com a valorização merecida, pois: neste sentido a arte sempre foi vista como “ artigo de luxo” , como um “acessório” cultural: coisa de desocupados. O verdadeiro ensino da arte foi reservado apenas às horas de ócio das classes superiores, dando-se apenas nos “ conservatórios” e academias particulares (DUARTE JÚNIOR,1996; P. 77).Na compreensão de Duarte Júnior (1996) é preciso ter muito cuidado ao adotar asArtes originadas de outros povos, para não corrermos risco de invadir outrosespaços que não são nossos. O importante na visão do autor é seguir os nossospróprios padrões artísticos em especial o nosso folclore que reflete profundamenteas nossas raízes. Partindo desse pressuposto nota-se que é preciso contemplar adisciplina de Arte de modo que ela venha a contribuir com a formação dos sujeitosna sociedade partindo das nossas riquezas e informações culturais rompendo com aidéia reducionista que sofreu e ainda sofre atualmente vista como mera reproduçãoartística sem sentido. Para tanto é fundamental que haja maior espaço para quedesde cedo já exista uma apropriação e envolvimento dos alunos nosconhecimentos proporcionado pela disciplina de Arte, pois: É nesse sentido que podemos vislumbrar toda a importância que a compreensão da Arte pode ter no ensino escolar. Precisamos conquistar um espaço para a Arte dentro da escola, espaço que ficou perdido no tempo e que, se recuperado, poderá mostrar-se tão significativo como qualquer outra matéria do currículo (BUORO, 2003; p. 33).
  33. 33. 33À escola sempre é atribuída o papel de responsável por novos comportamentos nasociedade, como uma instituição destinada a formação crítico-social dos sujeitos, noentanto no que diz respeito a arte muito pouco tem mudado. Vale lembrar que asformas como são trabalhadas as questões do campo da arte pelos professores,ainda preocupa e tem levado a discussões e estudos na tentativa de destacar aimportância da arte como também rever e mudar essa realidade. Nas palavras deBuoro (2003): O primeiro passo nessa direção é favorecer a autoconfiança, a capacidade de enfrentar desafios, o autoconhecimento e a imaginação criadora, afim de resgatar a criança inventiva. Para tanto, é necessário realizar um trabalho significativo, compromissado com qualidade e melhoria da Arte na Educação, por meio de um processo ativo, que vincule os sujeitos aos objetos de conhecimento, levando-os a uma construção de sentido (p.38).Nesse sentido podemos compreender a importância que a compreensão da Artepode influenciar no ensino escolar. Precisamos viabilizar a conquista de um espaçosignificativo para a disciplina Arte dentro da escola, espaço que por muito tempoficou esquecido no tempo e que, se recuperado, poderá revelar-se tão significativocomo outra matéria qualquer do currículo escolar. Assim o ensino da arte dentro docontexto escolar deve reconhecer fatores ligados aos conteúdos selecionados comotambém as questões de ensino participação, aprendizagem e envolvimento dosprofessores e alunos.Segundo Dehelnzelin, (1994, p.121) “ a arte é um vasto campo de conhecimentohumano, certamente o mais misterioso e belo de todos” . Diante da afirmaçãopercebe-se que a arte está ligada ao ser humano, e que através dela o indivíduoconsegue realizar, apreciar e conhecer formas artísticas correspondendo as suasmais variadas formas de expressão. É uma maneira de despertar o indivíduo paraque este dê mais atenção ao seu próprio sentir. A arte se manifesta de váriasmaneiras exprimindo sentimentos (o grito, o choro). Não se pode separar osconhecimentos, a música, a dança, os sentimentos, o comportamento, tudo é arte.Nesse sentido Duarte Júnior (1996) vem colocando que: Através da arte, no entanto, o indivíduo pode expressar aquilo que o inquieta e o preocupa. Por ela este pode elaborar seus sentimentos, para que haja uma evolução mais integrada entre o conhecimento simbólico e seu próprio “ eu” . A arte coloca-o frente a frente com a questão da criação: a criação de um sentido pessoal que oriente sua ação no mundo (p.72 e 73).
  34. 34. 34A LDB- Lei de Diretrizes e Bases da Educação (1997) diz que: Art. 26 § 2 “ o ensinoda arte constituirá componente curricular a obrigatório, nos diversos níveis daeducação básica de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos” .Embora esteja imposto na lei a questão da valorização e o desenvolvimento culturaldos alunos com base no ensino da Arte, o que acontece na realidade em especialdentro do contexto escolar, é que a forma como o ensino de Arte foi e ainda étrabalhada em algumas escolas, traz o retorno que temos hoje com atividadesdesconexas que não representam o sentido da Arte. Percebemos que as instituiçõesescolares trabalham há muito tempo com o ensino da Arte, mas na maioria dasvezes como lazer ou uma forma de aliviar as demais disciplinas ficando exprimida eem segundo ou terceiro plano. Com isso Duarte Júnior (1994, p. 79) nos diz que: “ Aarte continua a ser encarada, no interior da própria escola, como um mero lazer,uma distração entre as atividades “ úteis” das demais disciplinas” .Infelizmente o que ainda ocorre em algumas instituições escolares dentro das salasde aula com o ensino da arte, reforça uma prática distorcida do que a disciplina Artetem em sua essência, pois ela tem conteúdo próprio como todas as disciplinas, eesse conteúdo deve ser respeitado, contemplado e estimulado tanto quanto osoutros. Nessa perspectiva, a Arte na escola tem um função importante, e osprofessores tem o papel de facilitador ou mediador dessa construção, e conhecer osconceitos fundamentais da linguagem da Arte.Diante do exposto Barbosa (2008) confirma e vem afirmando: Ainda olhamos muito pouco a produção de nossos aprendizes; ainda escutamos muito pouco o que permitimos que eles nos digam. Por isso mesmo o saber cultural de Arte dos alunos articulado às mais largas, da humanidade, é que constituem-se em um complexo material cultural que deve mobiliar mediações docentes para inventar tarefas, criar exercícios de exploração, imaginar temas, ousar propostas inovadoras (p.58).Mas a disciplina Arte vem marcada por algo muito mais importante que é o aprendere o ensinar, deve despertar o potencial artístico de cada um em sala de aula.Embora o que ocorre muitas vezes, é a separação entre razão e a emoção, onde asvivências e as experiências dos alunos não são valorizadas. Segundo Duarte júnior(1996):
  35. 35. 35 A escola hoje se caracteriza pela imposição de verdades já prontas, às quais os educandos devem se submeter. Não há ali um espaço para que cada um elabore a sua visão de mundo, a partir de sua situação existencial. A escola ensina respostas. Respostas que na maioria dos casos, não correspondem às perguntas e inquietações de cada um (p. 72).Nos espaços educacionais é muito comum as referências às diferenças entre asaulas de Arte e as demais consideradas mais “ sérias” como se a mesma não fossetão necessária a aquisição de conhecimentos assim como as ditas mais importantes.Por isso é necessário entender que a disciplina Arte nas séries inicias, tem que serrespeitada e compreendida afim de que se possa dar espaço de liberdade artísticapara o educando demonstrar as suas habilidades em geral. No entanto essa posturaserá concretizada pelo o professor preparado, que entenda e saiba lidar com estadisciplina. Por sua vez Buoro (2003) aponta que nessa perspectiva é preciso repensar a formação do educador e do educando no sentido de possibilitar o conhecimento, levando em conta a totalidade do ser e de perceber a função da Arte na educação como campo de conhecimento tão importante como o da Ciência (p. 32).Diante das colocações acima, o que ainda se percebe em muitos espaços escolares,é a ausência de atividades que enalteçam os conhecimentos, as experiências eprincipalmente a capacidade criativa dos educandos. Atividades que favoreçam odesempenho artístico e estético, em especial quando surgem das própria realidadecultural, pois a Arte pode contribuir imensamente para o desenvolvimento dessesalunos. Como ressalta Barbosa (2008): É preciso que o trabalho do professor de Arte não fique isolado entre as paredes da escola. Escola precisa com urgência abrir suas portas e acolher a produção cultural de sua comunidade e de outros lugares e épocas. A comunidade precisa também apoiar a escola, facilitando a construção e circulação dos conhecimentos ali produzidos (p. 159).Neste sentido, vale ressaltar que ainda é muito comum a utilização de atividades noEnsino Fundamental I que se referem apenas a datas comemorativas, na maioriadas vezes, sem fundamento e com a finalidade de reproduzir aquilo que algunsprofessores acham interessante ensinar aos alunos, acreditando-se desta forma quea disciplina Arte, está sendo desenvolvida de maneira eficaz, embora tais atitudesafastem-se das linguagens artísticas que a Arte contemplada. A partir daí, percebe-
  36. 36. 36se o abismo existente entre a teoria e a prática no trabalho com o ensino da Arte nasescolas. (...) nessas condições, terminam os professores de arte por desempenhar um papel decorativo no interior da escola. Terminam por se sentirem, eles mesmos, confusos, quanto ao real valor e necessidade para a formação do indivíduo (DUARTE JUNIOR P. 135; 1994).Diante do contexto percebemos que valorizar a educação pela ótica da Arte étambém valorizar o educando em suas potencialidades e possibilidades, cabendo aoprofessor estimular a aprendizagem a partir de conteúdos amplos que viabilizematender as suas expectativas, principalmente o artístico, dessa forma buscandoabandonar as atividades baseadas em “ tarefas” de rotina ou de prontidão que muitose vê nas escolas nas quais o ensino da Arte ainda surge de desenhosmimeografados. É fundamental deixar os alunos livres para criar o que elesdesejam, desde que esse ato de criação esteja em sintonia com o objetivo dadisciplina, não significando um abandono, mas um tempo necessário para que arealização das propostas pela a disciplina as expressões, imaginações fluamnaturalmente sem fins avaliativos .2.4.Educação Fundamental I a base da escolaridadeA escola como veículo de aprendizagem, é um espaço de mediação doconhecimento que viabiliza o exercício da cidadania, e precisa se apresentartambém como um espaço de contextualização. Isto é, na realidade, seus valores,sua configuração variam segundo as condições histórico-sociais que a envolvem. Epor isso que Sacristán (2007) nos lembra: “ educar é mais que se informar, é tambémpreparar cidadãos, facilitar o desenvolvimento de sua personalidades, fazê-lossolidários (p. 44)” .É válido salientar que embora a escola tenha essa representação, a sociedade atualestá embasada em uma política educacional fragmentada, que contribui paraalgumas mazela na educação, as quais podemos citar como exemplo, a evasão, arepetência, o analfabetismo, e a má qualidade no próprio ensino.
  37. 37. 37Hoje somos tomados pela emoção e razão, aplicando a razão acabamos por passarinformações que não interessa, não toca nos alunos. Segundo Duarte júnior (1996): Assim em nosso ambiente escolar, essa separação razão-emoção é não só mantida como estimulada. Dentro de seus muros o aluno penetra despindo- se de toda e qualquer emotividade. Sua vida, suas experiências pessoais, não contam. Ele aí está apenas para “ adiquirir conhecimento” sendo que “adquirir conhecimentos” , neste caso, significa tão somente “ decorar” fórmulas, teorias e mais teorias, que estão distantes de sua vida cotidiana (p.34).Para superar as dificuldades e melhorar a qualidade do ensino fundamental I, énecessário elevar o grau de envolvimento, dedicação e inovação, buscando assimuma escola que saiba valorizar as diferenças individuais respeitando o ritmo de cadaaluno, será essa responsável por uma aprendizagem significativa com resultadosbrilhantes de seus educandos. De fato não é fácil selecionar o que ensinar no ensino fundamenta, mas precisamos refletir sobre quais saberes poderão ser mais relevantes para o convívio diário dos meninos e meninas que freqüentam nossas escolas e para a sua inserção cada vez mais plena nessa sociedade letrada, pois eles tem o direito de aprender os conteúdos das diferentes áreas de conhecimento que lhe assegurem cidadania no convívio dentro e fora da escola (LEAL, 2007;p. 97;98).Dessa forma compreende-se que a escola tem sido o lugar que propícia o exercíciodo papel social do professor como um importante comunicador que contribui naformação de opiniões, hábitos e atitudes dos seus alunos. “ É preciso planejar eavaliar bem aquilo que estamos ensinando e o que as crianças e os adolescentesestão aprendendo desde o início da escolarização (LEAL, 2007; p.101)” .A escola tem um papel importantíssimo e desafiador no que diz respeito apreparação intelectual e formação de uma personalidade crítica dos alunos, poiscabe a mesma dar oportunidades para que eles apropriem-se de instrumentosnecessários ao desenvolvimento das múltiplas competências, até porque estamosenvolvidos com ela mesmo sem percebemos. Neste aspecto Brandão (2001) defineesse papel dizendo: “Ninguém escapa da educação. Em casa, na rua, na igreja ouna escola, de um modo ou de muitos todos nós envolvemos pedaços de vida comela (p.9)” .
  38. 38. 38 Cada escola, cada sala de aula, cada grupo de alunos/as, fazem história e, dessa forma, o patrimônio cultural presente não pode ser desconsiderado sob pena de mutilar a atividade docente. No chão da escola manifestam-se diferentes, histórias de vida, expectativas, ou seja, numa mesma escola, há diferentes currículos reais tecidos nesse grupos. ( FERRAÇO 2008, p.79).A partir do momento que a escola, como espaço de mediação e troca deinformações se inserir no contexto de sua clientela e começar a conversar comoutros saberes e outras culturas, será mais democrática e justa. As escolas, eprincipalmente as públicas, estão cheias de uma diversidade cultural. Elas sóprecisam seguir em prol de uma sociedade mais humana, sem fechar os olhos paraas diferenças e o potencial de cada alunos como conhecedores e produtores dediversos saberes populares. A instituição escolar, tem portanto por função repassarvalores da cultura local de forma contextualizada. Se a cultura está mudando rapidamente, toda a escola precisa ser repensada: sua estrutura, gestão, seu funcionamento, currículo, a aula; e isso, não somente para acompanhar a mudanças, mas para não deixar escapar a função educativa da escola, assegurando a formação geral do educando (CASTRO,P.37;1998).Educação é vida, é essência, e a vida se exerce pelo saber e adentra outros mundopossíveis. Sabemos que a escola sozinha não mudará a sociedade. Mas, ela podeser um veículo muito rico para propagação de novas atitudes e valores, desde que,não venha a se adequar ou se acomodar com esta realidade excludente que estátão presente. Neste sentido, a situação de exclusão cai no esquecimento e nosilêncio, fazendo com que as partes envolvidas neste processo permaneçam namesma situação. Quando se afirma que o objetivo do processo educativo é ajudar o educando a descobrir e vivenciar a sua verdadeira identidade, esta- se dizendo, com isso, que o verdadeiro objetivo é ensinar-lhe a arte de viver. Sendo arte, aprende-se fazendo, e quem não faz, não aprende; e quem não aprende, não pode ensinar (RÚDIO, 1991; P. 72; 73).Apesar de todas as investidas no sentido de transformar o ensino, ainda vivemoshoje, numa busca constante de reconhecimento da Arte-educação nos espaçosescolares. Percebemos que ela já se faz presente, embora de forma mais tímida.Porém, a mesma ainda permanece em muitos ambiente educacionais camuflada porquestões de prática educativa de cada professor que atua. Rúdio (1991) coloca que:
  39. 39. 39“A educação é, portanto, um processo sem fim que, em cada situação e etapa denossa vida, apresenta novas necessidades e nos faz novas exigências (p.74)” .De acordo com os Parâmetros Nacionais Curriculares - PCNs (2001), os conteúdosda área de Arte precisam estar relacionados de tal maneira que possam garantir aaprendizagem artística dos alunos do ensino fundamental I. É papel da escola incluir as informações sobre a arte produzida nos âmbitos regional e internacional, compreendendo criticamente também aquelas produzidas pelas mídias para democratizar o conhecimento e ampliar as possibilidades de participação social do aluno. (...) O ensino fundamental configura-se como um momento escolar especial na vida dos alunos, porque é nesse momento de seu desenvolvimento que eles tendem a se aproximar mais das questões do universo do adulto e tentam compreendê- la dentro de suas possibilidades (PCNs, 2001;p. 48)Conforme os PCNS é necessário que a escola pense um modelo de educação emArte que favoreça o acesso de conhecimentos a todos os educandos a nívelnacional e internacional, para uma aprendizagem significativa. Neste aspecto Ferraz(2009), pontua que: ”Essa forma de pensar a educação escolar em Arte deve seracessível a todos, numa concepção de escola democrática, e deve garantir a possedos conhecimentos artísticos e estéticos (p. 55)” .Atualmente vivemos nesse contexto cheio de mudanças, desse modo é pertinentepensar a escola enquanto espaço privilegiado capazes de tornar o aprendizado maisdinâmico e capaz de abrir leques de possibilidades e competências para os alunosoriundos das classes desfavorecidas partindo dos conhecimentos que eles trazemde suas realidades, da sua cultura, pois o que acontece ainda é o enaltecimento dacultura dos já privilegiado, ignorando saberes tão ricos que a classe dos menosfavorecidos apresentam. No que diz respeito à cultura local, pode-se constatar que quase sempre apenas o nível erudito dessa cultura é admitido na escola...a culturas de classes sociais desfavorecidas continuam a ser ignoradas pelas instituições educacionais, mesmo pelos que estão envolvidos na educação dessas classes (BARBOSA, 2008; p. 20).De acordo com o que foi citado entendemos que necessitamos e uma escola quebusque a solidariedade e respeito às diferenças, tanto locais, culturais e sociais. Quecontribua para que os seus alunos se reconheçam enquanto indivíduos,
  40. 40. 40participantes de sua cultura. Neste sentido, a escola do Ensino Fundamental I,deveestar aberta à presença e participação da comunidade, em especial a dos pais nabusca de resultados positivos em relação a aprendizagem de seus filhos. È nestecenário que a disciplina Arte tem muito a contribuir na vida desses educados,tornando-se uma ponte que fará a ligação do conhecimento acumulado com o queelas ainda vão aprender, possibilitando a troca de informações.As famílias também podem contribuir muito, acrescentando como a escola podefazer para aproximar mais os conteúdos que trabalham com o mundo dos seusfilhos, partindo da realidade local. Hoje, as famílias precisam estar envolvidas nocontexto escolar, participando ativamente da vida do seu filho que ali está inserido. Aescola que temos hoje distancia-se da que sonhamos, portanto ela precisa de umaidentidade escolar voltada ao interesse e alcance de todos.
  41. 41. 41 CAPÍTULO III 3. METODOLOGIAA presente pesquisa se caracteriza por um estudo de natureza qualitativa e estáfundamentada na necessidade de repensar as forma em que a arte está sendoexplorada e aplicada nos espaços escolares. E por meio dessa tem-se por objetivoidentificar as compreensões que os professores da Escola Centro ExperimentalRural de Torrões tem sobre a importância de se trabalhar com a Arte no EnsinoFundamental I. Assim como já foi mencionado acima, o tipo de pesquisa utilizadaserá que a qualitativa, no entanto trazemos também elementos da pesquisaquantitativa, pois esta se fez importante para que pudéssemos traçar o perfil dossujeitos. Metodologia significa, etimologicamente, o estudo dos caminhos a serem seguidos, dos instrumentos usados para se fazer ciência. A metodologia faz um questionamento crítico da construção do objeto científico, problematizando a relação sujeito-objeto construído (GOLDENBERG, 2000; 105).Nessa mesma abordagem, Deslandes (1994) vem definindo metodologia como:“caminho do pensamento e a prática exercida na abordagem da realidade (p. 16)” .Pelas palavras do autor, entendemos que a metodologia consiste em um caminho aser seguido para chegar até o objetivo desejado.3.1. Tipo de pesquisaAqui será abordada a pesquisa qualitativa, através dela é possível a obtenção dedados descritivos diante do contato direto e interativo entre pesquisador e a situaçãoobjeto de estudo.Na perspectiva de Oliveira Netto (2008), a pesquisa hoje, vem ocupando lugarprivilegiado na vida dos estudantes, especialmente no meio acadêmico, afirmandoque ela está em evidência nas salas de aula no processo educativo que envolveprofessor-aluno, dessa forma atingindo a sociedade que também se encontra
  42. 42. 42envolvida nesse processo. O autor acrescenta que: “ fazer pesquisa, então requercapacidade, competência humana e técnica. Para isso, torna-se fundamental aformação do pesquisador, que necessita de instrumentos básicos para empreendertrabalho de investigação científica (p.32)” .Neste sentido Deslandes (1994) vem conceituando o modelo de pesquisa qualitativadizendo que: A pesquisa qualitativa responde a questões muito particulares. Ela se preocupa, nas ciências sociais, com um nível de realidade que não pode ser quantificado. Ou seja, ela trabalha com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis (p.21 e 22).È importante a utilização do referido método, porque permite a coleta de dados maisprecisos na informação das causas e consequências do problema em questão,sendo possível até mesmo o levantamento de meios eficazes no combate ou atésolução do problema. Quanto à definição desse tipo de pesquisa, Triviños (1987)diz: O ambiente, o contexto no qual os indivíduos realizam nas ações e desenvolvem seus modos de vida fundamentais, tem um valor essencial para alcançar das pessoas uma compreensão clara de suas atividades. O meio, com suas características físicas e sociais, imprime ao sujeito traços peculiares que são desvendados à luz do entendimento dos significados que ele estabelece (p.122).Percebe-se aí a importância de dados qualitativos com o objetivo de melhorentender aspectos que não podem ser definidos exclusivamente com dadosnuméricos.Para Goldenberg (2000) a pesquisa é a construção de conhecimento original, de acordo com certas exigências científicas. È um trabalho de produção de conhecimento sistemático, não meramente repetitivo mas produtivo, que faz avançar a área de conhecimento a qual se dedica (p.105).
  43. 43. 43O autor ainda nos diz que para se realizar uma pesquisa, é necessário criatividade,organização e modéstia, podendo haver no processo dessa construção, confrontosentre o possível e o impossível, como também entre o conhecimento e a ignorância.A partir desse modelo de pesquisa de cunho qualitativo e dos instrumentos de coletade dados escolhidos, buscou-se identificar as compreensões dos professores acercada importância do ensino de arte no Fundamental I na Escola Centro ExperimentalRural de Torrões.3.2. Lócus de pesquisaO local utilizado para a realização da pesquisa foi a Escola Centro ExperimentalRural de Torrões localizada no Povoado de Torrões, Rua da Cajazeira, s/n situadano interior do Município de Campo Formoso-BA, onde são oferecidos o FundamentalI, II e Educação Infantil.O espaço físico está organizado da seguinte forma: 5 salas de aula / 3 banheiros / 1Biblioteca/ 1 secretaria/ 1sala de professores/ 1diretoria / 1 cozinha e um pátio.A equipe administrativa compõe-se de: 1 diretora, 1 Coordenadora, 3 secretárias ,10 professores, 2 auxiliares de serviços gerais e 1vigia.A opção pelo local justifica-se por ser uma instituição que trabalha com turmas dofundamental I, desta forma encaixando-se no perfil que se pretende observar,analisar e pesquisar, podendo atender as minhas expectativas com as informaçõesnecessárias para a realização desse trabalho.3.3. Sujeitos da pesquisaOs sujeitos envolvidos na pesquisa são 5 professores do Ensino Fundamental I daEscola Centro experimental Rural de Torrões que atuam no turno vespertino. Aescolha por esses sujeitos surgiu diante da curiosidade de saber como elestrabalham a Arte dentro do espaço escolar. Destacamos que a participação dasprofessoras foi de grande importância para os resultados dessa pesquisa.
  44. 44. 443.4. Instrumentos de coleta de dadosPara melhor precisão nos resultados desta pesquisa, será realizada a coleta dedados através da técnica de entrevista semi-estruturada, questionário fechado comotambém pela observação no lócus, tratando-se de instrumentos que irão contribuirbastante para melhor garantir as informações importantes para a o esclarecimentoda questão de pesquisa que se buscou compreender.3.5. Entrevista Semi-estruturadaA entrevista refere-se a um procedimento utilizado na investigação social bem comoauxilia na identificação do problema, sendo bastante utilizado no trabalho de campo,permitindo ao pesquisador obter informações a partir das falas dos entrevistados.Segundo Lakatos (1991) “ a entrevista se constitui um importante instrumento detrabalho nos vários Campos, nas ciências sociais e em outros setores de atividades,como a Sociologia, a Antropologia, a psicologia e outros (p.75)” .A importância da entrevista é que ela é um instrumento que possibilita diálogos entreentrevistados e informante havendo esse contato mais próximo. Assim Cruz (1994)afirma que: Através da entrevista, o pesquisador busca informes contidos na fala dos atores sociais. Ela não significa uma conversa despretensiosa e neutra, uma vez que se insere como meio de coleta dos fatos relatados pelos atores, enquanto sujeitos-objetos da pesquisa que vivenciam uma realidade que está sendo focalizada (p. 57).Vale salientar que as entrevistas proporcionam a interação social entre opesquisador e o entrevistado, o que favorece ao pesquisador escolher a melhorforma que irá registrar as respectivas respostas para a sua pesquisa.Assim, Ludorf (2004), coloca que a entrevista uma vez coletada pode ser registradapelo entrevistador através de gravações ou anotações com o objetivo na maioria dasvezes, de levantar sentimentos, emoções, percepções e opiniões dos sujeitosentrevistados.
  45. 45. 45“ As entrevistas também podem ser estruturadas (com roteiro fechado de questões),semi-estruturadas ( algumas questões-chaves que permitem uma certa abertura nomomento da interação) (...) (LUDORF, 2004; p. 91)” . De acordo com as colocaçõesdo autor, percebemos que a entrevista permite um contato maior com ospesquisados, garantindo a originalidade das palavras pronunciadas, dos sentimentosexpressos e de uma abertura maior no diálogo estabelecido com ambas as partes,ou seja pesquisador e pesquisado.3.6. ObservaçãoNa compreensão de Ruiz (2002; p.53) observar é: “ aplicar a atenção um fenômenoou problema, captá-lo, retratá-lo tal como se manifesta. Situa-se a observaçãoparticularmente na fase inicial da pesquisa (...) (p.53)” .O ato de observar consiste em ampliar a atenção a um fenômeno ou problema,captá-lo, retratá-lo tal como se manifesta. A observação acontece na fase inicial dapesquisa, e segue de forma contínua, durante todo o processo. Diante disso Ruiz(2002) vem explicando que: A observação pode ser natural e espontânea ou direta e intencional. E as etapas posteriores da pesquisa ficarão prejudicadas se não partirem da observação correta e adequada ou, tanto quanto possível, completa na enumeração das circunstâncias antecedentes ou variáveis (p.53).A importância da técnica de observação se dá pela possibilidade que o observadortem de captar uma variedade de situações ou fenômenos que não são através deperguntas, mas sim com a observação direta da própria realidade que prioriza atransmissão daquilo que é mais imponderável e evasivo na vida real. Nacompreensão de Barros (1990) a observação é: “ uma das técnicas de coleta dedados imprescindível em toda pesquisa qualitativa. Observar significa aplicaratentamente os sentidos a um objeto para dele adquirir um conhecimento claro epreciso (p.76)” .Na verdade a observação é um dos instrumentos que aproxima o pesquisador dasua fonte de pesquisa possibilitando uma melhor interpretação dos fatos, isso

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