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8                               LISTA DE GRÁFICOSGráficos 4.1.1 – Percentual em relação ao sexo.Gráficos 4.1.2 – Percentua...
9                               LISTA DE SIGLASMDS – Ministério do Desenvolvimento SocialPETI – Programa de Erradicação do...
10                                                        SUMÁRIOINTRODUÇÃO..................................................
114. RETRATOS DE UMA REALIDADE: ANALISANDO OS RESULTADOS........... 464.1. Resultado do questionário fechado: o perfil dos...
12                                INTRODUÇÃOA leitura se faz presente em todas as etapas educacionais das sociedades letra...
13solucionar os inúmeros problemas de exclusão junto às comunidades pobresespecialmente aquelas localizadas no semiárido b...
14                                     CAPÍTULO I             1.1.   CONTEXTUALIZAÇÃO DA LEITURA NO BRASILAo longo da hist...
15                     Aprender a ler o mundo e a palavra escrita, é uma prática                     fundamental e essenci...
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19Assim, como já foi enfatizado anteriormente, aquela entidade foi a provocadora daproposta na busca pela qualificação do ...
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21assim propiciar a obtenção de informações em relação a diversos contextos e áreado conhecimento, pois “ se ler é um proc...
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26O UNICEF e o MOC sonharam com esse projeto, embora sozinhos pouco fariam.Provocaram então outros parceiros entre eles a ...
27no   Semiárido,    demonstrando      a   capacidade      de   produzir    conhecimento,principalmente daqueles (as) aos ...
28                     agudização de poder de crítica por parte do público leitor (p.112-                     113).Sendo a...
29encontrar uma literatura que relate a vida e o cotidiano desse povo. Diferente dessaconcepção Carneiro (2006) diz:      ...
30das crianças, educadores e a comunidade na qual pertencem. Na compreensão deSouza (2006):                     Na busca c...
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32O uso do “ Mote” vem desde a Literatura Medieval Portuguesa através das “ Cançõesde Amor” e “ Canções de Amigos” , onde ...
33despertam uma percepção integrada ao mundo, onde os leitores são capazes derelacionar os conhecimentos, para compreender...
34Educadores e leitores desenvolvem o sentido de “ cuidar” da natureza. A partir doMote II, aprende que “cuidar é mais que...
35compreender a fazer a leitura de mundo para que dele possam apropriar-se etransformá-lo. De acordo com Silva (2005):    ...
36na perspectiva de geração e distribuição de riquezas, mas naquela dodesenvolvimento integral de todas as pessoas. Essas ...
37envolvidos na ação como aperfeiçoamento do conteúdo básico e essencial naformação.Contudo, tal formação será embasada na...
38que esse repasse seja efetuado é necessário cumprir algumas pré-requisitos, entreeles a freqüência escolar que deve ter ...
39Acredita-se que com a inserção da criança no Programa, a mesma é beneficiada,pois ao invés de estar no campo ou na roça ...
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42Sendo assim, foi a partir desse tipo de pesquisa e através da escolha dosinstrumentos de coleta de dados, que tivemos um...
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47Observando os resultados percebemos que houve uma disparidade em relação aosexo. Embora ambos obtiveram um percentual eq...
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Monografia Joerly Pedagogia 2011
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  1. 1. 1 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS VII SENHOR DO BONFIM - BA JOERLY RAMOS DE ARAÚJOPROJETO BAÚ DE LEITURA: REENCANTANDO O MUNDO DA LEITURA NO SEMIÁRIDO CAMPOFORMOSENSE SENHOR DO BONFIM-BA SETEMBRO - 2011
  2. 2. 2 JOERLY RAMOS DE ARAUJOPROJETO BAÚ DE LEITURA: REENCANTANDO O MUNDO DA LEITURA NO SEMIÁRIDO CAMPOFORMOSENSE Trabalho monográfico apresentado como pré- requisito de Licenciatura Plena em Pedagogia Docência e Gestão de Processos Educativos pelo Departamento de Educação Campus VII – Senhor do Bonfim. Orientadora: Profª MS.c Maria Elizabeth Souza Gonçalves SENHOR DO BONFIM - BA SETEMBRO - 2011
  3. 3. 3 JOERLY RAMOS DE ARAÚJOPROJETO BAÚ DE LEITURA: REENCANTANDO O MUNDO DA LEITURA NO SEMIÁRIDO CAMPOFORMOSENSE APROVADA_______DE___________DE 2011: Maria Elizabeth Souza Gonçalves Orientadora _______________________________ Avaliador (a) _______________________________ Avaliador (a)
  4. 4. 4A Deus, pelas as maravilhas que têm feitona minha vida, pela fé e pela esperançade alcançar a vitória.Aos meus pais, irmãos e irmãs; famílialinda e amorosa que em meio àsdificuldades nunca deixou de acreditar nopoder da educação. Pelo apoio quesempre me deram para a realização deum projeto de vida, contribuindo para quechegasse ate aqui.Em especial ao meu amado filhoAnderson, pela compreensão de minhaausência durante o período do curso.À minha querida sobrinha e afilhada AnaPaula, sempre presente vivenciandocomigo angustias, inquietações esucessos.
  5. 5. 5 AGRADECIMENTOSA Universidade do Estado da Bahia (UNEB) – Campus VII representada por aquelese aquelas que fazem desse espaço acadêmico um espaço significativo deconstrução de saberes.Aos meus professores e professoras do curso, pelas contribuições na socializaçãodos conhecimentos durante todos estes semestres. Em especial a professoraClaudia Maisa, pela provocação e incentivo no tema monográfico no segundosemestre por conhecer a minha vivência junto ao Projeto.Aos/as colegas e amigas do curso, pelo apoio durante todos estes anos.Acreditamos que juntos construímos nossa vida acadêmica de maneira sólida e deaprendizagens significativas. Em especial minhas inesquecíveis parceiras Jeame,Edilene, Sandra, Cleane, Voneide, Renata e Lucélia, amigas que no espaçoacadêmico fizeram o cinza se transformar no colorido meproporcionando momentos inesquecíveis.A professora orientadora Elizabeth Gonçalves, pelo carinho, apoio, dedicação epelas intervenções que contribuíram significativamente na construção da pesquisa etambém por ter acompanhado um pouco da minha caminhada junto ao Projeto Baúde Leitura.Aos beneficiários e educadores do PETI pela receptividade, entusiasmo econtribuição para o trabalho monográfico.Aos meus amigos e amigas parceiros/as do PETI que sempre estivemos juntosvivenciando a alegria e o colorido de uma Leitura lúdica e encantadora, onde juntosconstruímos saberes riquíssimos sobre a leitura tendo uma relevância plural emminha vida profissional, acadêmica e humana.
  6. 6. 6O Baú é realmente um baú “cheinho”de livros. Na Bahia é confeccionado desisal. A fibra de sisal que, em umpassado recente, era sinônimo deexploração, opressão, prisão esofrimento para as crianças dosemiárido baiano, hoje, através doslivros/textos contidos no Baú, lhesrevela um mundo até entãodesconhecido. (Ana Cecília dos Reis)
  7. 7. 7 RESUMOEsta pesquisa com o título Projeto Baú de Leitura: reencantando o mundo da leitura nosemiárido campoformosense teve por finalidade identificar e analisar os impactos do ProjetoBaú de Leitura para os beneficiários do PETI em relação ao desenvolvimento da leitura.Neste estudo buscamos apoio teórico em Silva (1986); Freire (1993); Lajolo (2002); ECA(2004); Baptista (2006); Lerner (2002); Abramovich (1997); e Martins (2006); dentre outros,para melhor fundamentar a pesquisa, contribuindo para uma reflexão crítica neste estudo,travando discussões sobre os impactos do Projeto Baú de Leitura. Utilizamos osprocedimentos metodológicos com enfoque qualitativo com os seguintes instrumentos: aobservação participante para um contato direto com a realidade pesquisada; umquestionário fechado para traçar o perfil dos sujeitos e uma entrevista semi-estruturada paraidentificar a visão dos sujeitos a respeito da investigação. Tivemos como lócus do trabalhode campo a comunidade de Lagoa do Porco, situada no Município de Campo Formoso-BA ecomo sujeitos da pesquisa o educador social e os beneficiários do PETI. A partir da análisedo questionário, da entrevista e da observação, foi possível identificarmos vários fatoresimpactantes junto ao Projeto Baú de Leitura, e a contribuição que este Projeto proporciona ademocratização do livro e à formação não apenas da leitura e da escrita, como da formaçãointegral de crianças e adolescentes, ao proporcionar lazer, alegria, respeito às diferençasdentre outros.Palavras-chave: Leitura. Projeto Baú de Leitura. Beneficiários do PETI.
  8. 8. 8 LISTA DE GRÁFICOSGráficos 4.1.1 – Percentual em relação ao sexo.Gráficos 4.1.2 – Percentual em relação à faixa etária.Gráficos 4.1.3 – Percentual em relação à moradia.Gráficos 4.1.4 – Percentual em relação às fontes de leitura.Gráficos 4.1.5 – Percentual em relação à preferência pelas atividadessocioeducativas.Gráficos 4.1.6 – Percentual em relação às atividades socioeducativas que realizam.Gráficos 4.1.7 – Percentual em relação à preferência pelo lazer.Gráficos 4.1.8 – Percentual em relação à participação em outro projeto além doProjeto Baú de Leitura.
  9. 9. 9 LISTA DE SIGLASMDS – Ministério do Desenvolvimento SocialPETI – Programa de Erradicação do Trabalho InfantilMOC – Movimento de Organização ComunitáriaIRPAA – Instituto Regional da Pequena Agropecuária ApropriadaUNICEF – Fundo das Nações Unidas para a InfânciaUJA – Unidades da Jornada AmpliadaSETRAS – Secretaria Estadual de Trabalho e Ação SocialSEDES – Secretária do Desenvolvimento Social da BahiaMEC – Ministério da Educação e CulturaCAT – Conhecer Analisar e Transformar a realidade do CampoONG – Organização não governamentalPBL – Projeto Baú de Leitura
  10. 10. 10 SUMÁRIOINTRODUÇÃO...........................................................................................................12CAPÍTULO I1. Contextualização da leitura no Brasil.....................................................................141.1. Alternativas de Afirmação de Leitura..................................................................17CAPÍTULO II2. QUADRO TEÓRICO............................................................................................. 202.1. Leitura................................................................................................................. 202.1.1. Leitura: uma questão social............................................................................. 222.1.2. Contação de história: fator essencial na formação de leitores........................ 242.2. Projeto Baú de Leitura........................................................................................ 252.2.1. Aspectos metodológicos do Projeto Baú de Leitura........................................ 292.2.2. Motes: os eixos temáticos............................................................................... 312.2.3. Acervos do Baú: livros de literatura infanto-juvenil.......................................... 342.2.4. Formação e sensibilização de Educadores-leitores........................................ 352.3. Beneficiários do PETI......................................................................................... 372.3.1. Perfil dos Beneficiários.................................................................................... 39CAPÍTULO III3. METODOLOGIA................................................................................................... 413.1. Tipo de pesquisa................................................................................................ 413.2. Lócus.................................................................................................................. 423.3. Sujeitos da pesquisa.......................................................................................... 423.4. Instrumentos de coleta de dados....................................................................... 423.4.1. Observação participante................................................................................. 433.4.2. Questionário fechado...................................................................................... 433.4.3. Entrevista Semi-estruturada............................................................................ 44CAPÍTULO IV
  11. 11. 114. RETRATOS DE UMA REALIDADE: ANALISANDO OS RESULTADOS........... 464.1. Resultado do questionário fechado: o perfil dos sujeitos................................... 464.1.1. Sexo................................................................................................................ 464.1.2. Faixa etária...................................................................................................... 474.1.3. Com quem residem......................................................................................... 474.1.4. O que costumam ler........................................................................................ 484.1.5. Atividades socioeducativas que mais gostam................................................. 494.1.6. Atividades socioeducativas que realizam........................................................ 504.1.7. Quanto ao lazer o que preferem...................................................................... 504.1.8. Participação em outro projeto além do Projeto Baú de Leitura....................... 514.2. RESULTADOS DA ENTREVISTA SEMI-ESTRUTURADA E DAOBSERVAÇÃO PARTICIPANTE............................................................................. 524.2.1. O significado do Projeto Baú de Leitura.......................................................... 524.2.2. O Prazer de ler na perspectiva do Projeto Baú de Leitura.............................. 544.2.3 Os livros mais lidos do Projeto Baú de Leitura................................................ 554.2.4. Os impactos do Projeto Baú de Leitura na vida dos beneficiários.................. 564.2.5. Dedicação da leitura antes e depois do Projeto Baú de Leitura..................... 574.2.6. Relação Baú/Comunidade.............................................................................. 58CONSIDERAÇÕES FINAIS..................................................................................... 60REFERÊNCIAS........................................................................................................ 62APÊNDICES............................................................................................................. 66.
  12. 12. 12 INTRODUÇÃOA leitura se faz presente em todas as etapas educacionais das sociedades letradas.E isso sem dúvida começa no período da alfabetização, quando o indivíduo passa acompreender os significados das mensagens através da escrita. A leitura, por suavez é uma prática essencial a qualquer área do conhecimento e mais essencialainda à própria vida do ser humano.O intuito do presente trabalho monográfico é identificar os impactos do Projeto Baúde Leitura para os beneficiários do PETI em relação ao desenvolvimento da leitura.Esta identificação é de grande relevância numa sociedade mascarada pela negaçãodo direito a ler para as classes dominadas onde o acesso a educação e o livro têmsido objeto de poder e dominação, reafirmando uma cultura de negação aoconhecimento e a informação, algo extremamente importante contra a opressão,alienação e dominação.A opção pela temática os impactos do Projeto Baú de Leitura está diretamenterelacionado à nossa trajetória como educadora social e por acreditarmos que foiatravés das nossas vivencias junto ao referido projeto que ingressamos no espaçoacadêmico. Soma-se a isso as inquietações e discussões provocadas ao longo donosso processo formativo no Curso de Pedagogia, acerca da temática e dosentraves e resistências, fruto de uma educação colonizadora.Sendo assim, com o objetivo de identificar os impactos do Projeto Baú de Leiturapara os beneficiários do PETI em relação ao desenvolvimento da leitura, iniciamos opresente trabalho apresentando a seguinte estrutura redacional:No capitulo I, abordamos uma breve contextualização sobre leitura no Brasil, em umcontexto social marcado pelo processo de negação do direito a ler para as classespopulares e pela não democratização do livro, sendo este historicamente objeto depoder e que tanto a educação quanto a leitura estiveram e ainda podem estar aserviço da exploração e exclusão. Representando os reais interesses de umasociedade hierarquizada e elitista. Logo após encerramos esse capituloapresentando o Projeto Baú de Leitura, como alternativa de afirmação de leitura,destacando a luta e conquistas dos movimentos sociais na incansável busca de
  13. 13. 13solucionar os inúmeros problemas de exclusão junto às comunidades pobresespecialmente aquelas localizadas no semiárido brasileiro.No Capitulo II, construímos o referencial teórico a partir da exploração dosconceitos-chaves, travando discussões com o apoio de alguns teóricos, sobre arelevância do Projeto Baú de Leitura no contexto social onde está inserido,principalmente para as comunidades pobres onde ele se apresenta.No capítulo III, apresentamos os procedimentos metodológicos utilizados para aconcretização da pesquisa com o apoio de alguns teóricos para uma melhorcompreensão da pesquisa.Já no capítulo IV, apresentamos a análise e interpretação dos resultados, ondeutilizamos o questionário fechado para traçar o perfil os sujeitos, a entrevista semi-estruturada para identificar os impactos do Projeto Baú de Leitura nodesenvolvimento da leitura junto aos beneficiários e a observação participante paraobtermos um contato direto com a realidade pesquisada.Por fim, trazemos as considerações finais enfatizando os fatores impactantes doProjeto Baú de Leitura e da luta para se tornar uma política pública. Destacamostambém as lacunas e entraves na desenvoltura do projeto.
  14. 14. 14 CAPÍTULO I 1.1. CONTEXTUALIZAÇÃO DA LEITURA NO BRASILAo longo da história, assim como a educação, a leitura também sofreu a influênciado processo de colonização. Quando os Jesuítas aqui chegaram traziam consigo osprimeiros livros liderados pela igreja católica para “ domesticar” os índios sufocandosua identidade, sendo que a maioria da população quase não tinha acesso a esseslivros. Isso demonstra o processo de negação do direito das classes dominadas deter acesso a educação e a leitura, reafirmando uma cultura de negação ao sabersistematizado que permanece até os dias atuais. Como afirma Araújo (1999): (...) Aliada ao contexto político e social foi a herança deixada e que muitos buscam superar. O acesso ao livro à leitura e escrita foi um privilégio de poucos, podemos, afinal, concluir que o livro também foi um símbolo de riqueza e hierarquia social objeto a que raríssimos não ricos puderam ter acesso (p.21).Desse modo, a leitura tornou-se um privilégio das classes dominantes e foi utilizadacomo instrumento para apropriação do poder com relação às classes populares. E odomínio da leitura no Brasil ainda é um privilégio de uma minoria, sendo que esteprivilégio persiste não porque as camadas sociais se negam a ler, mas porque asoportunidades que lhes são oferecidas são reduzidas. Como Soares (2001) ressalta,enquanto as classes dominantes vêem a leitura como fruição, lazer, ampliação dehorizontes, de conhecimentos, de experiências, as classes dominadas a vêem comoinstrumento necessário a sobrevivência, ao acesso ao mundo do trabalho, à lutacontra suas condições de vida.A negação do direito a ler para as classes dominadas não está presente apenas nahistória do passado, infelizmente ela permanece no Brasil de hoje, junto a umapopulação sofrida, excluída que vive a margem de uma sociedade egoísta e muitasvezes excludente. Quando aprendemos a ler e escrever, o importante é procurarcompreender melhor o que foi a exploração colonial, o que significa a nossa“Independência” . Freire (1993) complementa dizendo: “ Compreender melhor a nossaluta para criar uma sociedade justa sem exploradores e nem explorados (p. 56)” . Eleainda destaca:
  15. 15. 15 Aprender a ler o mundo e a palavra escrita, é uma prática fundamental e essencial para mudar as pessoas e mudarem o mundo. A leitura por sua vez tem um papel central no processo de libertação dos que vivem oprimidos, dos que vivem alienados, dos que vivem excluídos (p. 42).Nesse contexto, falar de leitura implica refletir sobre a função político-social desseato e é importante associá-la ao processo de “ alfabetizar-se” numa compreensãomais ampla, como um processo interminável de interação no mundo.A sociedade moderna traz consigo uma diversidade de informações pelo usointensivo das tecnologias que necessita constantemente do uso da leitura de modoque, o ato de ler, em toda sua complexidade, assume uma importância significativano meio social. Visto que a leitura é um dos instrumentos mais importantes para aconsecução de novas possibilidades de aprendizagens e propícia a construção e ofortalecimento de idéias e ações significativas na dimensão do conhecimento. Silva(1986) confirma tal discussão dizendo: Se o “ ler” for tomado como um ato de libertação como uma atividade provocadora de consciência dos fatos sociais por parte do povo, então é interessante ao poder dominante que as condições de produção da leitura sejam empobrecidas ao máximo, ou seja, que o acesso ao livro e a certo tipo de leitura (a crítica transformadora) seja dificultado ou bloqueado (p.44).Diante desta realidade a escola muitas vezes em sua prática, não oportuniza aosalunos e alunas a vivenciar a leitura como um meio de construção de conhecimentoe compreensão do contexto, o que tornaria um ato político, significativo e de prazerpara o leitor. E as experiências de leitura, apenas como decodificação vãodesestimulando a prática leitora.Lajolo (2002) cita uma leitura como fonte de prazer e de sabedoria, uma leitura quenão esgota seu poder de sedução nos círculos da escola. A leitura da qual falamos,autônoma e crítica é uma trajetória que é construída em espaços mais amplos,abertos, sendo proporcionadas condições de envolvimento, onde o sujeito seidentifica como parte do contexto, indo além da aprendizagem que se efetiva nainstância escolar. Cagliari (2002) acrescenta: Há um descaso enorme pela leitura, pelos textos, pela programação dessa atividade na escola; no entanto a leitura deveria ser a maior herança legada pela escola aos alunos, pois ela, e não a escrita,
  16. 16. 16 será a fonte perene da educação, com ou sem a escola. (...) É ainda uma fonte de prazer, de satisfação pessoal, de conquista, de realização, que serve de grande estímulo e motivação para que a criança goste da escola e de estudar (p.169-173).A partir desta visão percebe-se que foi atribuída à escola a função de formar o leitor,muitas vezes destruindo-se a noção de texto como representação de todas asproduções humanas, dando ênfase ao livro como intermédio do conhecimento.“Passou-se a destacar, assim o livro por ser este uma produção de classedominante a ela pertencente e a qual aspiram às classes dominadas (BORDINI,1993, p. 11)” .Faz-se necessário salientar que a decadência da leitura no Brasil não écoincidência, mas sim algo extremamente intencional e muito bem planejado poraqueles que detêm o poder. Pois para a classe dominante não é interessante que aspessoas tenham acesso ao conhecimento do mundo e das relações de poderexistentes na sociedade através do livro, para eles o importante é manter o povo naignorância, de modo que as causas da exclusão, da miséria, da marginalizaçãosocial e cultural sejam obscurecidas ao máximo.Na compreensão de Yunes (1995): (...) a leitura é fonte de novas idéias, ela pressupõe possibilidades de entrar em contato com outros universos, ela amplia o universo do leitor, parece algo aceito por todos, por esse motivo o livro já foi, e em muitos casos ainda continua sendo proibido - uma arma contra a dominação (p. 187) [grifo nosso].Dessa forma, a leitura destaca-se como colaboradora na construção decompetências (compreensão, interpretação, intertextualização entre outrasinformações) que se fortalecem e dão significados ao que se lê. Então é através deuma leitura crítica, prazerosa, que as pessoas interagem com o mundo,oportunizando-as vivenciá-la como um meio de apropriação de conhecimento ecompreensão do contexto o que tornaria um ato político e não alienador.A seguir apresenta-se o nascimento do Projeto Baú de Leitura, como alternativa deafirmação de leitura, enfatizando sua contextualização histórica, refletindo sobre oque seu trabalho representa para os envolvidos e especialmente para a comunidadeonde ele se apresenta.
  17. 17. 171.2. Alternativas de Afirmação de LeituraAtualmente surgiram alternativas que visam superar o contexto acima apresentado.A realidade anteriormente enfatizada da dificuldade de acesso a livro e informação,de se ter negado o direito a ler às classes dominadas, como aconteceu no decorrerda história brasileira, também existem constantes lutas contra a negação do direito aleitura. Os movimentos sociais na contemporaneidade tem se destacado com seucompromisso sócio político, lutando mais pela inclusão daqueles e daquelas a quemtem sido negado esse direito, por reconhecerem os valores humanos e sociais.Apoiando as lutas das classes populares e buscando com elas alternativas parasolucionar os inúmeros problemas de exclusão, algumas ONG’s brasileiras têm dadocontribuições significativas visando superar o contexto apresentado, principalmentena melhoria da educação, esforçando-se também para que haja políticas deeducação no campo mais qualificadas que levem em consideração suasespecificidades que atendam as reais necessidades da população local e regional.Na busca de valorização das pessoas e melhoria de vida para todos,compreendendo que a leitura é um portal de acesso ao universo sócio-cultural, foique surgiu o Projeto Baú de Leitura, provocado e incentivado pelo UNICEF (Fundodas Nações Unidas para Infância), o qual sugeriu ao MOC (Movimento deOrganização Comunitária) que realizasse experiências para estimular uma leituralúdica e reflexiva com os beneficiários do PETI. “ Os alunos e alunas das escolas docampo tinham pouco acesso a textos e livros de histórias, pois suas escolas nãopossuem bibliotecas, apenas alguns livros didáticos das séries iniciais (Baptista,2006; p.26)” .Para enfrentar esses problemas, criou-se o Projeto Baú de leitura, na perspectiva deredimensionar o trabalho pedagógico, tornando a leitura uma atividade mais ampla,gratificante e cidadã, possibilitando também a reflexão sobre a leitura de mundo,como instrumento de busca de melhoria de vida das pessoas. De acordo comSantos (2006): Assim, partido das histórias encontradas nos livros que compõe o Baú as crianças, adolescentes e educadores constroem uma ponte entre a realidade vivida por eles e aquela encontrada nas histórias, muitas vezes essas realidades confundem-se levando todos, assim,
  18. 18. 18 a refletir sobre as histórias vivenciadas através da leitura e as histórias do seu mundo pessoal ou social (p.150).No entanto, no quadro da educação brasileira, aliam-se a inaptidão do ensinoescolar à inadequação do material didático, que ao contrário de estimular o aluno-leitor a se tornar um leitor cada vez mais crítico e, por isso estimulado, acaba porconfiná-lo a uma visão completamente acrítica do ato de ler, o que, por sua vezgerará um profundo desestímulo e maior alienação. Portanto se essa estratégia de“imbecialização dos textos” (KATO, 1988), pode aparentemente resultar em ummelhor desempenho na parte mecânica, ela, ao mesmo tempo, bloqueia odesenvolvimento e a aprendizagem por não oferecer desafios motivadores.É nesse contexto de des-contextos que muitas vezes a escola atua, com inúmerascrianças e adolescentes dando um retorno negativo através de altos índices derepetência, reprovação, idade inadequada para série e analfabetismo.Haja vista, se analisarmos bem a questão, podemos constatar que a maioria dascrianças matriculadas nas escolas públicas corre o risco de evasão, repetência ereprovação, até porque grande parte delas desenvolve alguma atividade paracontribuir financeiramente no orçamento familiar, diante disso é que surge o PETI ecom ele o Projeto Baú de Leitura que traz uma metodologia de leitura, com a qual ascrianças buscam desenvolver seu potencial de leitores, valorizando a dimensãoartística.Nesse panorama o Projeto Baú de Leitura inseriu-se dentro de um movimento devalorização da leitura que surgiu na década de 90, fim do século XX, como o“PROLER” , coordenado por um grupo da Biblioteca Nacional, sendo algumasentidades da sociedade civil que praticavam a leitura de “ histórias indígenas enegras” (afro-brasileiras), fazendo o possível pra registrá-las e divulgá-las. Na épocaum grupo de “ sonhadores” saiu navegando pelo Rio São Francisco, “ levandohistórias” à população ribeirinha que não tinha acesso. O UNICEF (Bahia eSergipe), conhecedor dessas “ aventuras” , propôs ao MOC para realizar, umaaventura semelhante junto ao público com o qual trabalhava (o PETI e o CAT)(BAPTISTA, 2006; p. 27).
  19. 19. 19Assim, como já foi enfatizado anteriormente, aquela entidade foi a provocadora daproposta na busca pela qualificação do ensino-aprendizagem, e na melhoria daqualidade de vida das pessoas inseridas em comunidades pobres especialmenteaquelas localizadas no campo, onde se situam os maiores índices de pobreza, defalta de acesso a educação de qualidade e de livros.Dentro desse contexto de negação de direitos e com variadas mudanças, em 2002 omunicípio de Campo Formoso foi contemplado com o Projeto Baú de Leitura. Paradesenvolver com os beneficiários do PETI atividades de incentivo a uma leituralúdica, contextualizada, reflexiva, significativa e crítica a fim de reduzir osassustadores índices de analfabetismo.Assim, parafraseando com Freire (1993), quando nos diz “ o nosso discurso tem quecondizer com a nossa prática” e que é através da vivência e das experiências quetrazemos na bagagem social e cultural, vamos construindo a maneira de pensar, seexpressar e ter uma visão de mundo.Todavia, não poderia ser diferente, pois a nossa inquietação foi fruto da nossavivência enquanto educadora social do PETI e coordenadora pedagógica do ProjetoBaú de Leitura, no município de Campo Formoso, onde presenciamos os sucessos,entraves, e resistências encontradas na desenvoltura do Projeto pelos beneficiários,sendo um desafio democratizar o livro e sensibilizar as crianças e adolescentes parauma leitura que proporcione prazer e ao mesmo tempo desenvolvimento do crítico,imaginário, político e do social.Diante disso, levantamos a seguinte questão: Quais os impactos do Projeto Baú deLeitura para os beneficiários do PETI em relação ao desenvolvimento da leitura?Esta pesquisa pode ser relevante porque busca compreender o processo de leitura,bem como o reconhecimento da sua importância para o desenvolvimento doindivíduo numa perspectiva crítica, cultural, social, política e de humanização.Assim, o objetivo é: Analisar os impactos do Projeto Baú de Leitura para osbeneficiários do PETI em relação ao desenvolvimento da leitura, na comunidade deLagoa do Porco em Campo Formoso Bahia.
  20. 20. 20 CAPÍTULO II 2. QUADRO TEÓRICODiante das discussões abordada na problemática objetivamos identificar os impactosdo Projeto Baú de Leitura para os beneficiários do PETI em relação aodesenvolvimento da leitura. Sendo assim, trataremos do referencial teórico dapesquisa, cujas discussões serão norteadas pelos conceitos-chave: Leitura. ProjetoBaú de Leitura. Beneficiário do PETI.2.1. LeituraNo mundo pós-moderno, muito tem se discutido a respeito do que é leitura. De todosos lados surgem experiências que muitas vezes são afirmações vagas a respeito doverdadeiro papel da leitura e suas implicações. Temos a impressão que nunca seestudou ou problematizou tanto sobre leitura. Temos inclusive a idéia de queninguém havia pensado certas questões anteriormente. Com base nessa afirmação: O que pouca gente discute é que esta espécie de modismo recai sobre um já velho, e não menos presente paradigma: Para que serve ler? Afinal, direcionado ou não, quando lemos estamos efetivamente estudando: estudando ciências, estudando agrimensura, estudando horóscopo, estudando nós mesmos e ainda estudando nossa já crônica pequinês diante do mundo que ora se apresenta como impossível, intocável, infindável. Alguém por aí já deve ter dito que somos finitos demais perante o infinito do mundo e das coisas (LERNER; 2002, p.22).Dentro da perspectiva de Ruiz (2011), etimologicamente, ler deriva do latim“lego/legere” , que significa recolher, apanhar, escolher, captar com os olhos. Nestareflexão, enfatizamos a leitura da palavra escrita. No entanto, compreendemos que aleitura para obter significado, deve intencionalmente referir-se à realidade. Casocontrário ela será um mero processo enfadonho, mecânico de decodificação designos. Logo, todo individuo é capaz de ler e lê efetivamente. Tanto lê o conhecedordos signos lingüísticos/gramaticais, quanto o camponês, “ não letrado” que,observando a natureza e através do seu conhecimento popular prevê o sol e achuva (p. 1).É mister frisar que a leitura tem importância fundamental na vida das pessoas. Hajavista, que a necessidade de muita leitura está posto entre todos os sujeitos, podendo
  21. 21. 21assim propiciar a obtenção de informações em relação a diversos contextos e áreado conhecimento, pois “ se ler é um processo desafiador, porque exige do leitor maisdo que apenas decodificação de signos, somente a necessidade, seja qual for ela,será capaz de garantir a adesão do sujeito a esse mundo” (YUNES,1995; p.187).Sob este ponto de vista Lerner (2002): “ [...] ler é adentrar outros mundos possíveis.É questionar a realidade para compreendê-la melhor, é distanciar-se do texto eassumir uma postura crítica frente ao que de fato se diz ao que se quer dizer, éassumir a cidadania no mundo da cultura escrita (p. 1)” .Com essa reflexão, nota-se que a prática da leitura requer uma interação entre oque já se sabe fruto das experiências cotidianas e dos novos conhecimentos, alémdisso, o leitor precisa compreender essa relação para que possa fazer uso dasinformações adquiridas. Pois, a leitura exige do sujeito leitor a capacidade deinteração no mundo que o cerca. A leitura é uma atividade ao mesmo tempo individual e social. É individual porque nela se manifesta particularidades do leitor: suas características intelectuais, sua memória, sua história; é social porque está sujeita às convenções lingüísticas, ao contexto social, à política (NUNES APUD ROSA, 1994; p.14).Indubitavelmente, a transformação das práticas leitoras e o desejo de ler ainda éalgo que está extremamente distanciado da maioria das pessoas, especialmentedaquelas oriundas das classes populares que muitas vezes só conseguemprioritariamente na instituição escolar acesso às práticas de leitura e escrita. Sobreisso Lerner (2002), afirma que: O desafio é formar pessoas desejosas de embrenhar-se em outros mundos possíveis que a literatura nos oferece, dispostas a identificar-se com o semelhante ou solidarizar-se com o diferente e capazes de apreciar a qualidade literária. Assumir este desafio significa abandonar as atividades mecânicas e desprovidas de sentido, que levam as crianças a distanciar-se da leitura por considerá-la uma mera obrigação escolar (p. 28).Para tento, caberá a escola enquanto instituição formal principal, responsável pelaconstrução do conhecimento sistematizado, priorizar e promover práticas leitorasque possibilite aos indivíduos condições favoráveis para que seja possíveldesenvolver suas leituras de maneira plena, capazes de praticá-las com autonomia
  22. 22. 22e criticidade utilizando-a como ferramenta essencial de progresso cognoscitivo e decrescimento pessoal.2.1.1 Leitura: uma questão socialDentro de uma sociedade letrada e desenvolvida a leitura se faz presente e secoloca como via de acesso eficaz a construção do conhecimento, ainda que pelouso intenso dos bens de comunicação e o progresso da mídia, o acesso aoconhecimento depende essencialmente dos livros e das habilidades e competênciasimprescindíveis do leitor. Porque a conquista da habilidade de ler é o primeiro passopara que o indivíduo possa se lançar rumo à assimilação dos valores inerentes acada sociedade e assim, aceitando-os ou questionando-os ele vai construindo a seumodo, a forma pela qual deverá enxergá-la (ALMEIDA, 2005).Por conseguinte a leitura é vista como uma questão social, sendo necessárias taiscompetências para o desenvolvimento intelectual e consequentemente econômicode uma sociedade indiscutivelmente depende das oportunidades de acesso a estaspráticas de leitura e escrita. Marcuschi (2001) exemplifica tal argumento dizendo “ Ocerto é que ler e escrever são hoje, duas práticas básicas em todas as sociedadesletradas, independentemente do tempo médio com elas dispendido e do contingentede pessoas que as praticam (p. 39)” .Nessa perspectiva, a leitura deverá que se tornar algo que possibilite a criação e a(re) criação de novos horizontes por parte do leitor, que darão rumo ao mundo queele deseja descobrir a sua frente. A leitura deverá ser parte do processo delibertação e de identificação do homem. O ser humano deverá saber que com aleitura o seu universo pode sofrer transformações incomensuráveis, sejam elasfísicas ou psíquicas. É possível descortinar o mundo oculto através do ato de ler eisso é imprescindível que todos saibam. Comungando com esse pensamentoCardoso (2011): Assim é que percebemos, o ato de ler... Um exercício onde os sujeitos dialogam com as diferenças e singularidades, onde se constrói a própria cidadania, uma vez que a capacidade de uso social da leitura atribui ao homem/mulher um poder maior de movência dentro da sociedade no âmago da qual interagem com seus pares
  23. 23. 23 buscando a garantia dos direitos e cumprimento dos papéis sociais e das regras inerentes ao jogo das convivências sociais (p. 6).Sobre esta questão Silva (1986) afirma, analisando a realidade brasileira concebe aleitura como: “ (...) Um direito de todos e ao mesmo tempo, um instrumento decombate alienação e a ignorância (p.51)” . Visto que a leitura enquanto prática socialestá intimamente relacionada à liberdade de expressão, poder da crítica,compreensão e claro o domínio numa dimensão politizada.Sobre este olhar com a leitura, ou a partir dela, os cidadãos estão prontos paraformular hipóteses, questionar ações e tomar decisões e isto pode, em muitoscasos, significar uma ameaça a determinados valores e conceitos da sociedade.Pois a leitura tida, por muitos, também como mantenedora dos ideais burgueses aolongo do tempo poderá sofrer contra-ataque de suas próprias forças. A medida emque esta vai dando significado às ações da sociedade, cada vez mais vamospercebendo as competências dela. Yunes (1995) confirma tal discussão dizendo“(...) quando lemos o mundo organizado se desorganiza, o mundo caótico ganhasentido, o fantástico é experimentado, a história ganha condições de maravilhoso eo maravilhoso de verdade. Aqui o mundo se explica (p.142)” .Dessa forma, o ato de ler passa a ser prática social, colocando-nos a refletir sobresua essência, um processo contínuo de reflexão que nos faz reconhecer como sereshumanos sociais, onde os sujeitos buscam construir sentidos e compreensão sobreas diversas relações existentes dentro de um contexto, aprendendo quotidianamentesobre os mais variados aspectos da vida. Silva (2001) nos diz que: Leitura não é esse ato solidário é interação verbal, entre indivíduos, e indivíduos socialmente determinados: o leitor, seu universo, seu lugar na estrutura social, suas relações com o mundo e com os outros; o autor, seu universo, seu lugar na estrutura social, suas relações com o mundo e os outros (p. 18).Assim, o ato de ler é um processo de construção de saberes que se adquire com asexperiências cotidiana. Para Almeida (2005) “ Ler é criar uma trama própria derelações, relações essas que vão deferindo de indivíduo para indivíduo à medidaque esses vão percebendo possibilidades, preenchendo lacunas, tomando partido,interagindo, desafiando e dando outros significados (p.143)” . A leitura do mundo
  24. 24. 24numa visão ampla condiciona o homem ao convívio com os demais sujeitosprocessando-os na interação com o mundo.2.1.2. Contação de História: fator essencial na formação de leitoresEvidentemente que o ato de contar histórias tem contribuição significativa noprocesso da formação do leitor, haja vista, é sabido por todos da relevância desseaspecto cultural para a humanidade, desde o tempo em que as histórias eramtransmitidas apenas através da oralidade. Na visão de Abramovich (1997), “ Ouvirhistórias é viver um momento de gostosura, de prazer de divertimento dosmelhores... É encantamento, maravilhamento, sedução... Ainda destaca: Ah, como é importante para a formação de qualquer criança ouvir muitas, muitas histórias... Escutá-las é o início da aprendizagem para ser leitor, e ser leitor é ter um caminho absolutamente infinito de descoberta e de compreensão do mundo (p.16).Nesse contexto, a criança ouvindo ou lendo histórias sobre outros lugares, outrasculturas, outras pessoas, e até mesmo sobre seus medos e inseguranças, sobresuas emoções, descobre valores e desenvolve seu potencial crítico. E odesenvolvimento desse potencial crítico, no entanto condicionado aosdirecionamentos críticos que se darão no processo e formação do leitor e na suacontinuidade. Pois a partir das histórias a criança pode pensar, questionar, duvidar,ser curiosa querer saber mais, e assim vai formulando e reconstruindo conceitos.De acordo com Abramovich (1997): Ler histórias para crianças, sempre, sempre (...). É poder sorrir, rir, gargalhar com as situações vividas pelos personagens, com a idéia do conto ou com o jeito de escrever dum autor e, então, poder ser um pouco cúmplice desse momento de humor, de brincadeira, de divertimento (p.17).Partindo destas premissas acreditamos que ouvir histórias, é o primeiro contato quea criança tem com o texto. A história, quando apresentada de uma forma atraente esedutora, desperta na criança o encantamento, o prazer e o gosto pela leitura. Docontrário, provoca seu distanciamento dos livros. Lida de um livro, ou até mesmoinventada, contada pela mãe, pai, avós, tios, tias ou outros, é através da história queas crianças entram em contato com o mundo mágico da literatura, e que aprendem aser leitores. Visto que a familiaridade com a leitura e o envolvimento com a literatura
  25. 25. 25devem ser desenvolvidos desde a infância. Pois é através dos textos literários que acriança, desenvolve o plano das idéias, contribuindo para seu desenvolvimentointelectual e psicológico.Sendo assim, não podemos pensar em despertara leitura sem trabalhar a fantasia, apoesia, o jogo, a brincadeira, enfim aquilo que tem a ver com o coração, a emoção,a intuição, invenção e a intervenção. E sem dúvida o uso da literatura é muitoimportante nesse processo, visto como subsídio essencial para a aprendizagem,assim irá formar cidadãos no exercício da conscientização do que se é e do estar nomundo, atravessando um espaço existencial, disseminando uma leitura que inquietaa humanidade, adquirindo uma dimensão política e libertadora.2.2. Projeto Baú de LeituraAs marcas sócio-culturais que excluem crianças e adolescentes dos livros dehistórias, onde seus professores muitas vezes se preocupam apenas em regras deortografia e sintaxe, relegando a segundo plano, ou até mesmo não realizando aleitura como instrumento de cidadania ou pelo prazer de ler provocaram osurgimento em 1999, do Baú de Leitura, uma maleta que pretendia visitar escolas docampo e do PETI (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil), com o objetivo deproporcionar as UJAs1 (Unidades da Jornada Ampliada) momentos de alegria, leiturae reflexão a milhares de crianças e adolescentes que não tinham oportunidade defazer prazerosamente, convidando as crianças para “ viajar no mundo da fantasia” emostrar aos adultos que esse mundo é bom, agradável e que é possível sonhar comum mundo diferente do que se tem.O Projeto Baú de Leitura só se tornou possível, porque contou com o apoiogigantesco de vários parceiros, sendo eles entidades da sociedade civil, órgãospúblicos e até mesmo pessoas que acreditaram no seu “ fazer” pedagógico ehumano.¹ Termo utilizado para designar o espaço onde são desenvolvidas as atividades socioeducativas doPETI.
  26. 26. 26O UNICEF e o MOC sonharam com esse projeto, embora sozinhos pouco fariam.Provocaram então outros parceiros entre eles a comissão Estadual de Erradicaçãodo Trabalho Infantil do Estado da Bahia, que incentivou e apoiou a experiência nasJornadas Ampliadas (do PETI), a antiga SETRAS atualmente SEDES (Secretaria doDesenvolvimento Social da Bahia) e, a partir dela, as Prefeituras Municipais, atravésde suas Secretarias de Ação Social e de Educação. No pensamento de Baptista(2006): As experiências da sociedade civil, na caminhada da construção de políticas, não se podem imbuir da postura de donos da verdade. Importa desconstruir a mentalidade de que a entrada do poder público no circuito de projetos e experiências implica, automaticamente, em perda de qualidade do mesmo (p.91).Dessa forma, foi-se criando força e espaço para atuar e levar adiante o Projeto Baúde Leitura para crianças e adolescentes do semiárido. Outras parcerias foramsurgindo ao longo da caminhada, por causa da divulgação e ampliação dasexperiências, agregando-se, somando forças, contribuindo de formas variadas, entreelas o IRPAA (Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada), sendo estainstituição responsável por experiências exitosas de educação contextualizada nosemiárido, assumindo a coordenação do Projeto em vários municípios do Norte doEstado, contando com a colaboração da Fundação Abrinq e de algumas entidades,entre elas algumas internacionais.O número de municípios que aderiram à proposta do Projeto Baú de Leitura tem-seampliado sensivelmente, muitas prefeituras vêm comprando os livros, organizandoos acervos que lhes vêm do MEC (Ministério da Educação) e sensibilizando seuseducadores-leitores para um trabalho mais lúdico, prazeroso, artístico e crítico deleitura com crianças, adolescentes e até mesmo adultos.Nessa perspectiva, o Projeto Baú de Leitura foi ganhando espaço, conquistando ascomunidades e o apoio da sociedade civil, grupo gestores do PETI, Sindicatos,Associações Comunitárias entre outros. Foi tecendo uma rede de diversasexperiências interessantes, que vão compondo um jeito de fazer e acontecer oprojeto em diversos contextos.É importante considerar que o Baú de Leitura é fruto da reflexão de um trabalho deleitura desenvolvido por comunidades pobres, de modo especial aquelas localizadas
  27. 27. 27no Semiárido, demonstrando a capacidade de produzir conhecimento,principalmente daqueles (as) aos quais é sempre subtraído o direito de seexpressar, escrever, ler e até mesmo de viver. Levam adiante, a despeito dasprecárias condições de ensino em que vivem jogadas por este semiárido e nestecontexto está a criançada que através da leitura começa a descobrir seus valores eespecialmente sua força transformadora da realidade. “ O gosto pela leitura, que semdúvida resulta de práticas de leitura, também se sujeita às regras encontradas noconjunto da estrutura social (SILVA; 1986. p. 45)” .Pode-se dizer então que o Projeto Baú de Leitura vê a leitura como fonte de prazer,como também de desenvolvimento e de crescimento das pessoas envolvidas noprocesso de transformação da realidade, oportunizando a todos envolvidos, espaçoe instrumentos para realizá-la da melhor maneira possível, compreendendo o mundode forma mais digna e humana. Segundo Freire (1993): (...) a leitura da palavra é sempre precedida da leitura de mundo. E aprender a ler, a escrever, alfabetizar-se é, antes de mais nada, aprender a ler o mundo, compreender o seu contexto, não numa manipulação de mecânica de palavras mas numa relação dinâmica que vincula linguagem à realidade. Ademais, a aprendizagem da leitura e da alfabetização são atos de educação, e educação é um ato fundamentalmente político (p. 8).Em concordância com a visão do educador a leitura na qual se refere o Projeto Baúde Leitura traz um novo olhar, um novo sentido, realçado pela arte, beleza noencantamento das palavras, na alegria de contar e ouvir histórias, na curiosidade deconstruir conhecimentos e na descoberta de tantos outros. Nesta construção coletivahumanizada, vai se construindo entre os indivíduos letrados e não letrados umaconstante troca, onde cada um, homens e mulheres, são capazes de ler o real apartir do imaginário, capazes de ler o mundo, interagir com outras culturas, outrosespaços, reafirmando que ler, é uma habilidade com várias dimensões: desoculta arealidade, compreende melhor o mundo permitindo assim uma visão crítica,estimulando a criatividade, e inquietando a humanidade. De acordo com Silva(2001): Compreendida dialeticamente, a leitura também pode-se apresentar na condição de conscientização. (...) Coloca-se como um meio de aproximação entre indivíduos e a produção cultural, podendo significar a possibilidade concreta de acesso ao conhecimento e
  28. 28. 28 agudização de poder de crítica por parte do público leitor (p.112- 113).Sendo assim, a leitura precisa ter um sentido para o leitor, pois saber ler não podeser apenas decodificação de signos e de símbolos. Ler é um movimento deinteração dos indivíduos com o mundo e deles entres si, “ e isso só é possívelquando passa a exercer a função social da língua, saindo do simplismo dadecodificação para a leitura e re-elaboração dos “ textos” , que podem ser de diversasformas possibilitando uma percepção de mundo (GONÇALVES, 2006, p.41)” .Aprender a ler a palavra escrita deve ser o ato da continuidade da leitura queaprendemos a fazer da vida, uma forma de adentrar nos textos, criar uma situaçãoque viabilize um saber vivo, fixado de forma a levar o indivíduo a desenvolver acapacidade de interagir com o mundo de forma crítica, sensibilizada eprincipalmente como sujeito capaz de reescrever o mundo transformando-o atravésde uma prática consciente.Podemos perceber que ainda hoje em muitas escolas “ ler” se reduz ao exercício de“decodificar” . E isso acaba comprometendo o educando a desenvolver suacapacidade de compreensão, análise e reflexão do contexto no qual está inserido.Tendo a necessidade de desenvolver outros métodos e outra concepção deformação de leitor, e entender a leitura de forma mais ampla. Assim Martins (2004)declara que: A leitura vai, portanto além do texto (seja ela qual for) e começa antes do contato com ele. O leitor assume um papel atuante, deixa de ser mero decodificador ou receptor passivo. E o contexto geral em que ele atua, as pessoas com quem convive passam a ter influência apreciável em seu desempenho na leitura. Isso porque o dar sentido a um texto implica sempre levar em conta a situação deste texto e de seu leitor (p.32).Sabe-se que a leitura que se tem ofertado aos educandos não é uma leituraprazerosa e que tem sido fundamentalmente um objeto de aprendizagem tornando-se portanto, uma leitura solta, mecânica e reprimida. Nesse sentido, há umacarência de bons materiais de leitura e principalmente uma diversidade numaperspectiva multicultural nos livros infanto-juvenis. A exemplo da história dos Negros,suas manifestações culturais, valores, crenças e lutas. E ainda hoje é difícil
  29. 29. 29encontrar uma literatura que relate a vida e o cotidiano desse povo. Diferente dessaconcepção Carneiro (2006) diz: (...) o registro dessa experiência do Projeto Baú de Leitura é uma leitura mais na perspectiva sócio-interacionista de educação popular, que pode ser inserido em qualquer realidade e que leva em consideração os elementos culturais, sociais, econômicos, políticos, psicológicos, de gênero, etnia, geração, de forma transversal que respeite e valoriza a identidade e diversidade das pessoas especialmente das crianças e adolescentes (p. 23).O trabalho que é desenvolvido através do Projeto Baú de Leitura no PETI -Programade Erradicação do Trabalho Infantil com crianças e adolescentes, busca resgataresta diversidade, étnica, social e política, valorizando a história de vida dosexcluídos, buscando garantir o acesso à leitura daqueles que, historicamente,tiveram suas leituras de mundo sufocadas. Como aponta Silva, (2005), “ Dada ascondições do desenvolvimento histórico e cultural do país, a leitura, enquantoatividade de lazer e atualização, sempre se restringiu a uma minoria de indivíduosque teve acesso à educação e portanto, o livro (p.37).Portanto, o que se pretende não é o aumento do consumo do número de livros, nãoé ler muito, ler tudo, mas a ampliação das bases sociais daquilo que se exerce nouso da leitura, o poder de, com uma ferramenta (o livro), trabalhar a realidade paradela extrair formas de representação e transformação. É uma batalha pelademocracia, pois visa o domínio coletivo dos meios de produção de sentido. Nãosão hábitos de leitura existente, mas uma alteração na prática social.2.2.1. Aspectos metodológicos do Projeto Baú de LeituraInicialmente, a metodologia foi trazida, pelo Centro de Cultura Luiz Freire no Estadode Pernambuco. Essa entidade tinha uma rica experiência por desenvolveratividades com leitura com comunidades indígenas pernambucanas quilombolas ena periferia de Olinda em Recife. No início do ano de 1999, foi convidada pelo MOC– Movimento de Organização Comunitária, para apresentar a um grupo deeducadores na Bahia, especialmente da região do sisal, o seu trabalho pedagógicocom leituras de diversas histórias, onde as idéias foram lançadas, provocadas,porém era necessário ser experimentada, vivenciada e construída junto aos saberes
  30. 30. 30das crianças, educadores e a comunidade na qual pertencem. Na compreensão deSouza (2006): Na busca constante da construção coletiva do conhecimento acredita-se que todas as pessoas, letradas ou não, são produtoras de conhecimento. Por essa razão, o Projeto Baú de Leitura, ao tempo em que veicula conhecimentos já produzidos pela humanidade, incita as pessoas com a sua metodologia a quem produzam novos conhecimentos e os expressem das mais variadas formas, contribuindo, assim, com o crescimento da comunidade e a construção da justiça (p. 76).No início, 12 baús foram entregues em Jornadas Regulares (Escolas) e JornadasAmpliadas (PETI) de 03 municípios da região sisaleira. Desse modo, começava umahistória diferente nas escolas e nas Unidades da Jornada Ampliada. Os alunosreceberam os livros com muita alegria e interesse, mas nem sempre os utilizaramcom o mesmo entusiasmo da recepção. Constata-se que alguns trabalhamdesenvolvendo diversas atividades, mas outros os fazem sem o mesmo entusiasmodo início. Baptista (2006) vem confirmando tal discussão dizendo: Entende-se essa postura, pois os educadores vêm de uma educação que não estimulou a leitura nem a reflexão sobre a própria vida e o seu entorno. Mas, no exercício e com a formação que, com esse Projeto lhe é proporcionada, o educador também cresce, superando dificuldades oriundas da sua formação profissional deficiente (p. 30).Nessa perspectiva, através das reflexões metodológicas que vão se fazendopercebe-se que há pessoas sensíveis a realidade, envolvidas num mesmo caminhoa trilhar, os passos, os resultados tem um diferencial, o ritmo de trabalho, desintonia, de produção e de crescimentos são diferentes. “ As possibilidades deapropriação de conhecimento se faz presente, nas interações sociais (PALO, 2001;p. 26).Nesta visão, é percebido que apesar das dificuldades do dia a dia, o maisimportante, porém é verificar que a maioria continua firme na metodologia eentusiasmada com o trabalho. A força para a persistência vem da constatação dodesenvolvimento das crianças e adolescentes e dos próprios educadores. Nessesentido Baptista (2006) evidencia que: Daí se é impelido de fazer sempre mais o melhor. Anima-se com o desabrochar de crianças e adolescentes para uma vida mais ativa, consciente, com postura crítica e cidadã “ crescendo e aparecendo” ,
  31. 31. 31 colaborando para o crescimento dos outros e da comunidade, dando sua contribuição jovem e entusiasta para o desenvolvimento sustentável de sua comunidade e município (p. 31).Nesse sentido, para estimular uma leitura lúdica, reflexiva, artística prazerosa ecrítica aos beneficiários do PETI (Programa de erradicação do Trabalho Infantil), oProjeto traz consigo uma metodologia diferenciada baseada em exercício de práticasleitoras, centrado na oralidade, no cotidiano das pessoas, na imaginação, na viagemao mundo da fantasia, e principalmente no desejo de mudar para melhor a qualidadede vida de inúmeras crianças e adolescentes do Semiárido e de todos que fazemparte do processo histórico e social de educação e de leitura em nosso país.Em decorrência desse processo, como exigência da metodologia e ampliação donúmero de educadores, surgiu a necessidade de uma pessoa que seresponsabilizasse e coordenasse o processo metodológico nos municípiosenvolvidos, que zelasse por ele. No entanto era necessário alguém que tivesseexperiência, compromisso, dedicação e facilidade de articulação e interação com osdemais educadores envolvidos no processo com o Baú. Nesse sentido, justificou-sea razão de haver coordenador (a) em todos os municípios. Sendo eles responsáveispara acompanhar a ação pedagógica dos educadores, propiciando espaço e tempode reunirem-se, avaliar o processo e planejar novos passos, realizar estudos deaprofundamento e valorizar a troca de experiência e idéias. É uma função político-pedagógica de grande responsabilidade. “Esse momento é chamador de novosconhecimentos, é um espaço propício para a expressão criativa, muito bem aceitopor todos os envolvidos no projeto (GONÇALVES, 2006; p.45).As leituras praticadas pelos educadores-leitores e das crianças são direcionadas emtorno de motes. Assim, no Projeto Baú de Leitura, os livros, são agrupados em trêsmotes onde orientam as análises das leituras entre os envolvidos.No texto que se segue, serão explicitadas a composição e características do Baú,bem como os Motes e Acervos e como são abordados no Projeto Baú de Leitura.2.2.2. Motes: os eixos temáticos
  32. 32. 32O uso do “ Mote” vem desde a Literatura Medieval Portuguesa através das “ Cançõesde Amor” e “ Canções de Amigos” , onde ele aparecia. E os violeiros do Brasilaprenderam dali o sentido em que o usam até hoje.No Projeto Baú de Leitura, os motes são mais que simples temas, são eixosnorteadores que orientam a escolha do acervo que compõe cada Baú, bem como asanálises dos livros e textos nele contidos e que possibilitam aos educadoresconstruir conhecimentos com os leitores a partir da reflexão, compreensão ecomunicação com o mundo e com os outros, constituindo em aventura o prazer pelaleitura. “ A leitura fornece ao sujeito uma nova maneira de ser-no-mundo pelo qualele se engrandece, ou seja, encontra novas formas de existir e conviver socialmente(SILVA, 2005; p. 79)” .O Projeto Baú de Leitura propõe o desenvolvimento da leitura através de três eixosnorteadores abordados nos Motes, sendo eles:Mote I – Nós enquanto seres humanos e nossa identidade pessoal, cultural, local.Resgate da identidade, etnias, cultura, etc.Mote II – Nós e a relação com a natureza e o meio ambiente. Tecnologia.Mote III – Nós e os outros: a família, a comunidade, a sociedade. Exercício dacidadania.A partir dos Motes supracitados vai se construindo uma formação crítica onde oseducadores são sensibilizados para uma leitura prazerosa, que vão sensibilizandotambém as crianças. Ao pedir subsídio a Gonçalves (2006) evidencia-se que: (...) Todo o processo se constrói sem perder de vista a ludicidade, criatividade, a pulsão de inventar formas, e formas de expressividades. Por isso a escolha dos livros, poemas, textos, recortes, gravuras, contos, crônicas, contos de fada, fábulas, quadrinhos, exige acuidade do olhar, para que de alguma forma, refiram-se as experiências significativas para crianças e jovens. (...) Que valorizem elementos dos povos, dos territórios de que aqui se trata. Que embora trate de questões “ sérias” , não perca de vista o encanto, o lúdico, a alegria (p. 50).O Projeto Baú de Leitura traz em cada mote diversas histórias que possibilitamaprendizagens e trazem informações acerca do mundo em que vive. As histórias
  33. 33. 33despertam uma percepção integrada ao mundo, onde os leitores são capazes derelacionar os conhecimentos, para compreender sua própria realidade e atéquestioná-la, comparando muitas vezes com suas histórias, proporcionando umareflexão sobre a importância da leitura como ato prazeroso, construtivo que ampliaseu conhecimento e as ajuda a desenvolver o senso crítico, a visão de se mesmo edo mundo. “ Cada um de nós é um ser no mundo, com o mundo e com os outros(FREIRE, 1993; p. 26).Mote INo primeiro Mote trata da questão da identidade pessoal, cultural e local. É atravésdele que o educador e os leitores resgatam alguns valores neles adormecidos oununca construídos, que são o respeito pelo negro, branco, índio, homem, mulher,idoso pela religião que tem entre outros. Nesse mote, a partir da sua história pessoale de sua comunidade, as pessoas envolvidas no Projeto Baú de Leitura sãoincentivadas a valorizar-se enquanto sujeitos da sua própria história, orgulhando-sede sua origem, de sua cultura e do fato de pertencerem a um determinado contextosocial. “Essa tomada de consciência adquire uma noção pluridimensional onde as identidades construídas por diferentes pessoas, em diferentes momentos de suas histórias se juntam e se justapõem constituindo um mosaico, que se organiza formando um todo. No caso os negros, os brancos e índios constituem a base da etnia brasileira.Tratar desse mote permite ao Projeto o ajuntamento de informações importantíssimas sobre a cultura local dos diferentes municípios (ALVES APUD REIS; 2003, p.05)” .E assim, educadores e leitores passam a compreender que a história de cada um éessencial na construção da identidade de um povo.Mote IILevando em consideração, a preocupação, cada vez mais eminente, com adegradação ambiental e com o desenvolvimento sustentável, utilizando os recursosnaturais, é de vital importância trabalhar a nossa relação com a natureza e o meioambiente, não deixando de lado a existência e a importância da tecnologia. Porconta disso, estes temas são trabalhados.
  34. 34. 34Educadores e leitores desenvolvem o sentido de “ cuidar” da natureza. A partir doMote II, aprende que “cuidar é mais que um ato, é uma atitude. Portanto, abrangemais que um momento de atenção, de zelo e desvelo. Representa uma atitude deocupação, preocupação, de responsabilidade e de envolvimento afetivo com o outro”(BOFF, 2004, p. 33). Sendo que este “ outro” pode ser tanto o meio em que vivemoscomo a história de um povo.Mote IIIPode-se dizer que o mote III possibilita a reflexão sobre qual o papel social dosleitores, não na sua individualidade e sim o coletivo junto à família, comunidade esociedade.Esse mote abre espaço para debates sobre a organização da sociedade e aparticipação cidadã das pessoas, a ética, a família, as drogas, a sexualidade, entreoutros temas que estão em evidência e têm grande poder de reflexão sobre qual opapel de cada um diante deles enquanto membro de uma coletividade. “Todos os indivíduos, dentro de um clima de liberdade e sem restrições de ordem social, têm a possibilidade de abordar originalmente a realidade e desenvolver suas potencialidades de forma crítica e criativa (SILVA, 1997, p.79).Através de uma apreciação das temáticas dos três motes que se relacionam entre si,observa-se que a escolha dos títulos que compõem o Projeto Baú de Leitura tem dealcançar o objetivo de incentivar a aproximação dos educadores e dos leitores com aleitura, e que este contato possa contribuir para a formação de pessoas conscientese sensíveis, no sentido de pensar sobre o significado desses elementos para a vida.2.2.3. Acervos do Baú: livros de literatura infanto-juvenilNo Projeto Baú de Leitura acervo é o conjunto de livros/textos da literatura infanto-juvenil que compõe cada Baú. Os títulos que compõem o acervo são diversificados.São livros da literatura infanto-juvenil, onde fábulas, histórias, poemas, contos defadas, lendas indígenas, africanas e nordestinas possibilitam desenvolver umaleitura de forma prazerosa crítica e criativa. Os Baús contém em média quinze títulosdiferentes, agrupados de forma a contemplar os três motes propostos,proporcionando a ampliação do horizonte cultural e social, levando leitores a
  35. 35. 35compreender a fazer a leitura de mundo para que dele possam apropriar-se etransformá-lo. De acordo com Silva (2005): Leitura é um dos principais instrumentos que permite ao Ser Humano situar-se com os outros, de discussão e de crítica para se poder chegar a práxis. (...) Ler é, em última instância não uma ponte para a tomada de consciência, mas também um modo de existir no qual o indivíduo compreende e interpreta a expressão registrada pela escrita e passa a compreender-se no mundo (p.43-45).Organizar os livros do Baú em motes não pressupõem que as temáticas não possamser extrapoladas. Através delas poderão surgir tantas outras. Com a contação dehistórias, vários conflitos, problemas enfrentados pelas crianças, adolescentes e atémesmo adultos podem ser discutidos através de uma leitura que não é óbvia,discursiva ou demonstrativa do tema que nela flui, naturalmente dentro da narrativaque, evidentemente, não tratará apenas disso.2.2.4. Formação e sensibilização de Educadores-LeitoresFalar de formação de educadores é importante refletir sobre a relevância desseprocesso, numa visão de humanização, construção, e descobertas, especialmenteno âmbito da leitura.No Projeto Baú de Leitura discute-se a questão como elemento de formação decidadania e de identidade das pessoas e grupos, redimensionando o trabalhopedagógico tornando a leitura uma atividade formadora, cidadã, gratificante e crítica,assumida como formação continuada, exigindo do educador reflexão, diálogo,presença crítica e criadora, possibilitando-lhe uma leitura de mundo. “ O professorbrasileiro, dada a sua condição de oprimido, também é um carente de leitura”(SILVA, 1997; p.42).Não podemos discutir ou explicitar formação de educadores sem refletir sobre oprocesso educativo, pois a educação não é algo neutro, e que sempre esteve e estáatrelado ao serviço da construção de um projeto de sociedade ao qual ela serve.Por conseguinte, no Baú de leitura, seus idealizadores, assim como aqueles quenele trabalham optam por um projeto de sociedade que se caracteriza pela justiça,pela inclusão de todas as pessoas no desenvolvimento, entendido este, não apenas
  36. 36. 36na perspectiva de geração e distribuição de riquezas, mas naquela dodesenvolvimento integral de todas as pessoas. Essas idéias comungam com aabordagem de Souza (2006), quando diz: O educador do Baú de Leitura não tem formas prontas, não tem pacotes, mas está disposto caminhar com os leitores, a partir das histórias lidas e interpretadas, no conhecimento de se mesmo, da sua comunidade, de sua história, de seu papel na sociedade, para a construção da justiça e beleza (p.70).Nessa linha de formação, os envolvidos crescem, aprendem, se modificam econsequentemente modificam a realidade, se descobrem dentro dessa realidade,aprendem a refleti-la, inquietar-se, de um lado, por onde interferir nela paratransformá-la e, de outro, os conhecimentos que são necessários construir oubuscar para subsidiar a mudança da realidade. Baseado nesse pressuposto Martins(2006) relata que este aspecto nos permite fortalecer as idéias de que as pessoasnão estão de forma algumas soltas no ar, no tempo, à mercê das eventualidades.Elas estão inseridas numa cultura, num modo de vida, estão ligadas a uma memória,a uma linguagem dotada de sentido prático, a um conjunto de algoritmos com osquais organiza suas interpretações e suas formas de intervenção no mundo (p. 46).É relevante ressaltar que “ não há cursos de Baú de Leitura” , há uma caminhadaformativa, onde as pessoas que se inserem nela vão fazendo gradativamente, suasdescobertas, na medida em que desenvolvem as atividades de leitura com ascrianças e adolescentes, reúnem-se de tempos em tempos para refletir sobre asações praticadas, intercambiar dificuldades e sucessos, aprender uns com os outros,ler ampliar e construir conhecimento. É interessante destacar este diálogo com opensamento de Nóvoa (1997), quando afirma: A formação de professores não se constrói por acumulação (de cursos, de conhecimentos ou de técnicas), mas sim através de um trabalho de refletividade crítica sobre as práticas de re(construção) permanente de uma identidade pessoal. Por isso é tão importante investir nas pessoas e dar um estatuto ao saber da experiência (p.25).Entendemos que o processo formativo, baseia-se em duas premissasindispensáveis e que entre si, se relacionam: o acesso ao conhecimento produzidohistoricamente na humanidade é aquele oriundo da práxis refletida dos grupos
  37. 37. 37envolvidos na ação como aperfeiçoamento do conteúdo básico e essencial naformação.Contudo, tal formação será embasada na crítica das práticas desenvolvidas,confrontando-as com os referenciais e valores do projeto de sociedade que se querconstruir, com suas próprias incoerências e inconsistências, modo a se poder gerarnovos conhecimentos e, a partir deles, novas posturas ante a realidade social.Como nos diz Paulo Freire (2004), “ O incabamento do ser ou sua inconclusão épróprio da experiência vital. Onde há vida há inacabamento (p.55)” . Isso porque,numa visão crítica de educação, as pessoas nunca estão completamente formadasou acabadas, pois sempre há algo a aprender.Assim, como é feita por pessoas e para pessoas a formação do Projeto Baú deLeitura não é pronta e acabada, é dinâmica, porque dialógica e libertadora porque étransformadora.2.3. Beneficiários do PETINos últimos anos algumas políticas de proteção à infância tem tido ênfase e temsido adotadas como ações capazes de colaborar na transformação da vida demilhares de crianças e adolescentes castigados pelo trabalho precoce, consideradoperigoso, penoso, insalubre e degradante, colocando em risco seu desenvolvimento.Em meios essas políticas destaca-se o PETI (Programa de Erradicação do TrabalhoInfantil), pois de acordo com o Ministério da Previdência Social e Assistência Social(2002), aponta como principal objetivo do Programa “ retirar crianças e adolescentesdo trabalho mantendo-os na escola (p.15)” Ainda ressalta: São beneficiários do PETI (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil), crianças e adolescentes de áreas rurais e urbanas, na faixa etária de 07 a 15 anos, que estejam trabalhando, sendo vítimas de exploração de sua mão de obra, em situação de extremo risco. [...] Devem ser priorizadas as crianças e adolescentes que trabalham em atividades consideradas perigosas, insalubres ou degradantes e cujas famílias possuam renda per capita de até meio salário mínimo (p.14).A família beneficiada recebe uma bolsa mensal, (ajuda financeira) no valor de vinte ecinco reais, correspondente a cada criança que retirar do trabalho. No entanto para
  38. 38. 38que esse repasse seja efetuado é necessário cumprir algumas pré-requisitos, entreeles a freqüência escolar que deve ter 85% de aprovação. Quando as crianças nãoobtiverem a freqüência escolar mínima exigida, sem justificativa, ou quando a famíliadeixar de cumprir com os compromissos junto ao programa, será suspenso opagamento da bolsa. Além de participar das atividades escolares as crianças eadolescentes devem ir para a Jornada Ampliada, onde terão um reforço escolar eoutras atividades: esportivas, culturais, artísticas e de lazer. O Estatuto da Criança eAdolescente (ECA) no art.4°, afirma: É dever da família da comunidade, da sociedade em geral e do Poder Público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária (ECA, 2004, p.7).Vale ressaltar as contribuições do PETI no enfrentamento ao trabalho infantil e damelhoria de qualidade de vida das famílias beneficiadas a partir do olhar depesquisas nacionais, encomendadas pelo (MDS) Ministério do DesenvolvimentoSocial. De acordo o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome(2010), os ganhos advindos das atividades socioeducativas e de convivência para avida dos beneficiários são incomparavelmente maiores que os ganhos materiais.Ainda destaca: 47,5% afirmam que o programa conseguiu reduzir o trabalho infantil em mais de 71% no seu município; 49% acham que a capacidade das crianças de ler, escrever e interpretar textos melhorou, e mais de 51%; apontam que o PETI auxiliou com a redução do trabalho infantil (p.48).Notoriamente, é nítido o impacto positivo do PETI na vida das famílias, crianças eadolescentes no que diz respeito aos beneficiários do programa apontado comocrucial para a melhoria de suas condições de vida, em relação ao desenvolvimentofísico e psicológico. Para os professores escolares, a participação de seus alunos nas atividades socioeducativas parece ser benéfica, quer seja porque retiraria as crianças e adolescentes das ruas e do trabalho, quer seja porque impactaria positivamente no seu desempenho, aprendizagem, rendimento escolar e socialização (MDS, p. 50).
  39. 39. 39Acredita-se que com a inserção da criança no Programa, a mesma é beneficiada,pois ao invés de estar no campo ou na roça realizando trabalhos penosos, einsalubres, tem a oportunidade de participar de uma Jornada Ampliada que garanteum reforço escolar e atividades socioeducativas viabilizando um desenvolvimentocognitivo no ensino regular e o incentivo na frequência, portanto desenvolvendosuas potencialidades para uma atuação tanto na família, quanto na comunidade e nocontexto na qual está inserida, contribuindo assim, para sua condição peculiar depessoa em desenvolvimento.2.3.1. Perfil dos BeneficiáriosO trabalho infantil está entre os grandes desafios a serem superados no Brasil, umavez que retira de crianças e adolescentes direitos básicos assegurados por lei comobrincar e estudar, elementos fundamentais na formação para a vida adulta. O termo “ trabalho infantil” refere-se às atividades econômicas e / ou atividades de sobrevivência, com ou sem finalidade de lucro, remuneradas ou não, realizadas por crianças ou adolescentes em idade inferior 16 anos, ressalvada a condição de aprendiz a partir dos 14 (quatorze) anos, independentemente de sua condição ocupacional (MDS, p.20)As crianças e adolescentes beneficiadas pelo PETI desenvolviam diversos tipos deatividades rurais e urbanas, consideradas perigosas insalubres e degradantes, quecolocam em risco seu desenvolvimento, entre elas podemos destacar: vendedoresambulantes, carregadores, engraxates, cortadores de sisal, cortadores de cana,carvoarias, quebradores de pedras, raspadores de mandioca, olarias, catadores deuricuri, catadores de mamona, etc. Além do trabalho doméstico algo tão presente nasociedade e que muitas vezes é mascarado, passando a ser encarado como umaatividade normal. Sobre essa discussão o MDS (2010) afirma: O trabalho infantil doméstico está classificado como a pior forma de trabalho infantil. Essa forma de trabalho para crianças/adolescentes, com frequência, fere a convivência familiar e comunitária e mascara a exploração mediante contextos falsos de caridade e ajuda, os quais, na verdade, mantém relações de subalternidade, sobrecarga de trabalho e atividades que prejudicam o desenvolvimento infanto- juvenil (p.34).Os Beneficiários do PETI são de famílias de baixa renda, os fatoressocioeconômicos contribuem de maneira crucial. A impossibilidade de uma grande
  40. 40. 40parcela de adultos se inserirem no mundo do trabalho tem levado crianças cada vezmais cedo, para as ruas, o trabalho agrícola, estradas e, por vezes, para trabalhosilícitos, situações que definem limites e impossibilidade quanto ao seudesenvolvimento, ao direito fundamental e inalienável de ser criança.Importa ressaltar que na maioria dos casos os núcleos familiares beneficiados peloPrograma coexistem diversas vulnerabilidades associadas ao trabalho infantil, entreelas a baixa renda, fator essencial para a permanência da criança no mundo dotrabalho.
  41. 41. 41 CAPITULO III 3. METODOLOGIADe acordo com o quadro teórico em discussão, trataremos aqui da metodologia doprojeto, como instrumento que norteia o processo de investigação, ou seja, conduzos passos da pesquisa, sendo o caminho do pensamento e a prática exercida naabordagem da realidade. Nesse pensamento, a metodologia ocupa um lugar centralpara competência científica.Nessa perspectiva, metodologia envolve etapas diferentes para seguir umdeterminado processo, na qual tem como principal objetivo captar e analisardiferentes meios disponíveis, avaliarem possibilidades, limitações, capacidades queconduz a pesquisa. Dessa forma pesquisa significa diálogo crítico e criativo com arealidade, chegando ao mais alto ponto da elaboração própria e da capacidade deinteração.3.1. Tipo de pesquisaA construção da pesquisa caracteriza-se pela natureza qualitativa, pois segundoLudke e André (1986), “ a pesquisa qualitativa tem o ambiente natural como suafonte direta de dados e o pesquisador como seu principal instrumento (p 11)” . Alémdisso, privilegia o contexto, a realidade pesquisada e os atores envolvidos junto aoprocesso. Sendo assim, a abordagem qualitativa foi escolhida por envolver ocontato, a troca de informação e a integração entre o pesquisador e o pesquisado nabusca de conhecimentos e reflexão. Visto que, o pesquisador qualitativo se tornacapaz de ver “ através dos olhos daqueles que estão sendo pesquisados (BRIMAN,1988, p.61)” . Dessa forma, é necessário compreender as interpretações que osatores sociais possuem do mundo social.Richardson (1999) menciona que “ os estudos que empregam uma metodologiaqualitativa podem descrever a complexidade de determinado problema, analisar ainteração de certas variáveis, compreende e classifica processos dinâmicos vividospor grupos sociais (p.80)” . A partir desse pensamento, percebe-se que a pesquisaqualitativa dá suporte para análises mais profundas em relação ao fenômeno queestá sendo investigado.
  42. 42. 42Sendo assim, foi a partir desse tipo de pesquisa e através da escolha dosinstrumentos de coleta de dados, que tivemos uma maior compreensão do objetivopesquisado que visava: identificar os impactos do Projeto Baú de Leitura para osbeneficiários do PETI em relação ao desenvolvimento da leitura.3.2. LócusO lócus possibilita uma abertura para atender as provocações e inquietações dopesquisador, é nesse ambiente que os sujeitos se expressam e se relacionam dandooriginalidade as suas representações.Assim, a pesquisa foi realizada na UJA (Unidade da Jornada Ampliada) do PETI,localizada na comunidade de Lagoa do Porco no município de Campo Formoso –BA: Comunidade situada no campo com uma vasta diversidade cultural, e umaeconomia centrada na agricultura, apicultura e especialmente no cultivo do sisal,sendo a principal fonte de renda das pessoas daquela região. A referida UJA atendecrianças e adolescentes com turmas multisseriadas nos turnos matutino e vespertinopossuindo cinquenta e seis beneficiários. Esse lócus foi escolhido por contemplarbeneficiários do PETI e ser um dos primeiros povoados do município a sercontemplado com o Projeto Baú de Leitura.O espaço físico é distribuído do seguinte modo: uma sala de atividadessocioeducativas com TV e DVD, uma sala de leitura, uma cozinha, um almoxarifadoe um banheiro.3.3. Sujeitos da PesquisaBuscando identificar os impactos do Projeto Baú de Leitura para os beneficiários doPETI em relação ao desenvolvimento da leitura, foi que elegemos dez crianças eadolescentes e um educador social do PETI do turno matutino e vespertino, sendoestes o total dos sujeitos da pesquisa.3.4. Instrumentos de coleta de dadosOs instrumentos de coleta de dados utilizados na produção dessa pesquisa foram: aobservação participante, entrevista semi-estruturada e questionário fechado,considerando estas, uma das melhores formas para fornecerem os subsídios para a
  43. 43. 43busca de informações necessárias a produção do material de análise para apesquisa.Portanto, os instrumentos de coleta de dados são essenciais em qualquer pesquisa,pois somente através deles que o pesquisador obtém a resposta e o esclarecimentodo problema que deu origem a investigação.3.4.1 Observação ParticipanteA observação participante possibilita ao investigador obter informações e respostasaos seus objetivos e anseios, permitindo um contato direto com a realidade e ações.A respeito dessa discussão Cruz Neto (1994), afirma: A técnica de observação participante se realiza através do contato direto do pesquisador com o fenômeno observado para obter informações sobre a realidade dos atores sociais em seus próprios contextos. O observador, enquanto parte do contexto de observação, estabelece uma relação face a face com os obstáculos. Nesse processo, ele, ao mesmo tempo, pode modificar e ser modificado pelo contexto (p. 59).Nessa perspectiva Ludke e André (1986) destacam que um contato pessoal e diretodo pesquisador com o fenômeno pesquisado, possibilita recorrer aos conhecimentose experiências pessoais como auxiliares no processo de compreensão einterpretação do fenômeno estudado.Ao observar participadamente o pesquisador chega mais perto da perspectiva dossujeitos, sendo bastante relevante para a pesquisa qualitativa como pontua Ludke eAndré (1986), nesse convívio em contato com as experiências diárias, o observadorpercebe ou acompanha os sujeitos e sua compreensão sobre visões de mundo e ossignificados que eles atribuem a realidade que os cercam. O pesquisador devemergulhar profundamente na cultura e no mundo dos sujeitos da pesquisa. Quantomaior for à participação, maior a interação entre pesquisador e membros dainvestigação, colaborando para a busca de um resultado mais consistente a partir doestudo.3.4.2 Questionário Fechado
  44. 44. 44Optamos por utilizar o questionário fechado para o levantamento de dados,contando com questões norteadoras com o tema abordado. Ele irá enriquecer asinformações, possibilitando um melhor conhecimento da realidade dos sujeitos dapesquisa.Gressler (1989) diz que o questionário fechado não está limitado a uma determinadaquantidade de questões, e que não deve ser exaustivo ao pesquisando. O autorafirma que o mesmo é constituído por uma série de perguntas organizadas, do qualas respostas são formuladas sem a assistência direta do pesquisador tendo comoobjetivo levantar dados para a pesquisa.O questionário fechado é um instrumento de trabalho que tem uma relevânciasignificativa no campo da pesquisa para coletar os aspectos sócio-culturais dossujeitos dando liberdade nas suas opiniões e possibilita que os indivíduos exponhamsuas idéias de forma evidente. Portanto, os questionários têm como principalobjetivo descrever as características de uma pessoa ou de determinados grupossociais.3.4.3 Entrevista Semi-estruturadaA entrevista semi-estruturada é um dos instrumentos básicos para a coleta de dadosem uma pesquisa. É um dos meios mais utilizados na pesquisa qualitativa, porproporcionar uma relação de interação entre o entrevistador e o entrevistado.Marconi e Lakatos (1996) a definem como: [...] um encontro entre duas pessoas, a fim de que uma delas obtenha informação a respeito de determinado assunto, mediante uma conversação de natureza profissional... Uma conversação efetuada face a face, de maneira metódica; proporciona ao entrevistado, verbalmente, a informação necessária (p.70).Nesta mesma linha de raciocínio Haguete (1987) define tal entrevista como umprocesso de interação social entre duas pessoas na qual uma delas, o entrevistador,tem por objetivo a obtenção de informações por parte do outro, o entrevistado.Na visão de Ludke e André (1986) a entrevista ganha vida quando começa, pois arelação que se constrói durante sua realização é de diálogo e interação entre quem
  45. 45. 45entrevista e quem é entrevistado. Com isso facilita ao entrevistador sempre estaratento, as respostas que se obtêm ao longo dessa interação, observando mais deperto a gestos, expressões, entonações e sinais não verbais, visto que todacaptação é importante para compreender o que foi falo.Sendo assim, na visão de alguns autores a entrevista pode ser de vários tipos,sempre visando à adequação ao objeto de estudo, é um procedimento utilizado nainvestigação social que permite obter a informação desejada e imediata, bem comopara ajudar na identificação do problema.
  46. 46. 46 CAPITULO IV 4. RETRATOS DE UMA REALIDADE: ANALISANDO OS RESULTADOSDiante da necessidade de compreender os impactos do Projeto Baú de Leitura paraos beneficiários do PETI em relação ao desenvolvimento da leitura, inserido nacomunidade de Lagoa do Porco no município de Campo Formoso, apresentamos aseguir os resultados da nossa investigação, obtidos a partir da análise dosinstrumentos de coleta de dados utilizados; observação participante, entrevista semi-estruturada e o questionário fechado. Ressaltamos que tal realidade nos foiapresentada a partir de dois grupos de sujeitos, os quais nos possibilitou aosresultados da pesquisa aqui revelado. Sendo esses sujeitos os beneficiários e umEducador Social do PETI.4.1. RESULTADO DO QUESTIONÁRIO FECHADO: O PERFIL DOS SUJEITOSApresentação do perfil dos sujeitos através das informações coletadas com oquestionário fechado.4.1.1. SexoPodemos perceber que os participantes da pesquisa são 70% do sexo feminino eapenas 30% do sexo masculino.Gráfico 1 30% Masculino 70% FemininoFonte: Questionário Fechado aplicado com os sujeitos da pesquisa
  47. 47. 47Observando os resultados percebemos que houve uma disparidade em relação aosexo. Embora ambos obtiveram um percentual equivalente na participação dapesquisa.4.1.2. Faixa EtáriaEm relação à faixa etária entendemos que 20% dos entrevistados são crianças, 60%pré-adolescentes e 20% adolescentes.Gráfico 2 20% 20% 09 - 11 anos 12 - 14 anos 15 - 16 anos 60%Fonte: Questionário Fechado aplicado com os sujeitos da pesquisaObserva-se que a faixa etária dos sujeitos pesquisados, conforme o gráfico acima;temos um grupo diversificado quando nos referimos à idade, visto que são crianças,pré-adolescentes e adolescentes, estão entre 09 a 11 anos, 12 a 14 anos e 15 a 16anos.4.1.3. Com quem residemQuanto à moradia, podemos constatar que a maioria dos beneficiários reside com ospais e mães, apresentando um total de 90% e apenas 10% moram com suas mães.Gráfico 3
  48. 48. 48 10% Residem com os pais Residem com as mães 90%Fonte: Questionário Fechado aplicado com os sujeitos da pesquisaAnalisando os resultados constatamos que a maioria dos entrevistados convive emnúcleos familiares definidos, embora a sociedade moderna esteja perdendo osvínculos familiares percebemos que no campo ainda prevalece o modelo deestrutura familiar.4.1.4. O que costumam lerQuanto às fontes de leitura utilizadas pelos beneficiários, constatamos que 27%deles têm preferência por livros-infantis. Comprovando que a proposta do Projeto seefetiva proporcionando interesse pela leitura.Gráfico 4 11% 3% 27% Livros Infantis Livros Infanto-Juvenil 24% Gibis 16% Resvistas 19% Jornais Notícias na InernetFonte: Questionário Fechado aplicado com os sujeitos da pesquisaOs sujeitos pesquisados demonstram que utilizam algumas fontes de informaçãopara fazer uso da leitura, algo de grande relevância para a formação de leitores, poiso ato de ler é um exercício de indagação, é também de entendimento, de captação

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