Clínica Psicanalítica:                manejo e subjetivações na contemporaneidade                                     Tema...
De início, as primeiras histéricas escutadas por Freud mantinham umaparente distanciamento das atuações
Elas exibiam um mal-estar que, em  boa medida, era   veiculado pelosintoma clássico da      histeria:o sintoma conversivo
Isto já indicava uma abertura do   corpo à escrita sintomática
Mas, havia a ideia de que enquanto umahistérica falasse do seu sofrimento, ela               não atuaria  O sintoma histér...
Tanto que no caso de uma convulsão histérica havia um   imaginário que, em certa   medida, guiava a clínica:se os desmaios...
O que esta fórmula - de alcance duvidoso - acabapor mostrar é precisamentea forma como o corpo estava   apropriado na hist...
A partir principalmente do caso da jovem homossexual  (“Sobre a psicogênese de um caso de homossexualidade feminina”, de 1...
O tratamento psicanalítico foi iniciado seis meses   após esse acontecimento. A adolescente já se  encontrava refeita dos ...
Essa atitude da jovem paciente deFreud foi considerada mais do que    uma simples encenação: foi tomada por Freud como uma...
Temos, pois:   Um corpo     tocado      pelo    sintoma              Um corpo que se                deixa cair
Um pouco mais do que isto, na atualidade:       Um corpo tocado        pelo sintoma                             Um corpo q...
Como o mal-estar seinscreve, hoje, no corpo do     sujeito histérico?
Fragmento clínico:Há alguns anos, recebi em meu consultório umajovem na faixa dos 27 anos de idade, muito vivaz         e ...
Via-se como uma jovem aplicada emseus estudos e com uma vida bastante              saudável.A sua trilha universitária ini...
Aqui, há um detalhe acerca do vínculo bastante estreitoentre esta menina e a sua tia. A relação da paciente com a sua mãe ...
A paciente se forma na área de atuação almejada pela   tia e dá início às suas atividades profissionais.Porém, nos locais ...
Não tardou o aparecimento de questionamentoscada vez mais inviáveis acerca de sua carreira e  a manifestação de uma grande...
Nos últimos anos, com o retorno    para a sua cidade natal, estapaciente começa a notar algo que até então não fazia parte...
Um encontro bastante intenso com                   vários tipos de drogas associou-se ao                  uso de álcool. T...
Em mais de uma ocasião, seja na vidaprofissional ou na trajetória boêmia, esta pessoa             „qual é o meuportava a i...
O que, em termos de condução dotratamento, pode nos conduzir a indagar se as   atuações - por mais problemáticas que possa...
Prosseguiremos com o tema:07/05: Adolescência e transgressão: o supereu imperativo                        Até lá!         ...
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CURSO CLÍNICA PSICANALÍTICA 2012 - Aula 4 - Histeria e atuação: corpo e gozo

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CURSO CLÍNICA PSICANALÍTICA 2012 - Aula 4 - Histeria e atuação: corpo e gozo

  1. 1. Clínica Psicanalítica: manejo e subjetivações na contemporaneidade Tema: Histeria e atuação: corpo e gozoALEXANDRE SIMÕES ® Todos os Coordenação Alexandre Simões direitos de autor reservados.
  2. 2. De início, as primeiras histéricas escutadas por Freud mantinham umaparente distanciamento das atuações
  3. 3. Elas exibiam um mal-estar que, em boa medida, era veiculado pelosintoma clássico da histeria:o sintoma conversivo
  4. 4. Isto já indicava uma abertura do corpo à escrita sintomática
  5. 5. Mas, havia a ideia de que enquanto umahistérica falasse do seu sofrimento, ela não atuaria O sintoma histérico na sua perspectiva conversiva era zeloso quanto ao corpo
  6. 6. Tanto que no caso de uma convulsão histérica havia um imaginário que, em certa medida, guiava a clínica:se os desmaios e convulsões trouxessem um sério risco à integridade do corpo, estaríamos diante de uma epilepsia. Se o desmaio - seguido ou não deconvulsões - não implicasse em danos ao corpo, estaríamos nas águas da
  7. 7. O que esta fórmula - de alcance duvidoso - acabapor mostrar é precisamentea forma como o corpo estava apropriado na histeria:tratava-se ali de um corpo erótico, envolvido pela lógica libidinal;
  8. 8. A partir principalmente do caso da jovem homossexual (“Sobre a psicogênese de um caso de homossexualidade feminina”, de 1920), omodelo clínico da histeria começa a passar, em Freud, por uma transição Trata-se de uma jovem que, em um dado momento, joga-se de uma ponte sobre os trilhos do trem
  9. 9. O tratamento psicanalítico foi iniciado seis meses após esse acontecimento. A adolescente já se encontrava refeita dos seus ferimentos – estes foram muito sérios, mas não deixaram sequelas físicas.
  10. 10. Essa atitude da jovem paciente deFreud foi considerada mais do que uma simples encenação: foi tomada por Freud como uma autêntica tentativa de suicídio
  11. 11. Temos, pois: Um corpo tocado pelo sintoma Um corpo que se deixa cair
  12. 12. Um pouco mais do que isto, na atualidade: Um corpo tocado pelo sintoma Um corpo que se deixa cair, rasgar, abrir, transformar.
  13. 13. Como o mal-estar seinscreve, hoje, no corpo do sujeito histérico?
  14. 14. Fragmento clínico:Há alguns anos, recebi em meu consultório umajovem na faixa dos 27 anos de idade, muito vivaz e de inteligência bem afinada. Nascida no interior do Estado, ela vai para acapital completar o segundo grau e dar ingresso à vida universitária. Em Belo Horizonte, foi acolhida pela tia (uma executiva bem sucedida, solteira e sem filhos) e assim realizou seus estudos, desfrutando das melhores condições materiais que podia obter na época. Ao lado dos estudos, destacou-se como nadadora, chegando a ganhar alguns torneios e , em alguns momentos, foi uma praticante de triathlon.
  15. 15. Via-se como uma jovem aplicada emseus estudos e com uma vida bastante saudável.A sua trilha universitária iniciou-se em meio a um desagrado. O seu cursosuperior foi, segundo ela, decidido pela tia. A tia preocupava-se muito com a futura inserção profissional de sua sobrinha e a conduziu a se decidir por fazer o mesmo curso realizado anteriormente por ela (a própria tia) eque tinha relação direta com a sua área de atuação. Esperava-se, assim, que a sobrinha desse continuidade à carreira da tia.
  16. 16. Aqui, há um detalhe acerca do vínculo bastante estreitoentre esta menina e a sua tia. A relação da paciente com a sua mãe era extremamente tensa, desde os anos iniciais da infância. A mãe surgia como uma mulher descuidada acerca da maternidade e, adicionado a isto o uso de álcool, não se mostrava em condições de cuidar da filha.Neste cenário, é desde bem cedo que esta tia ocupará um lugar de referência para a paciente: uma referência feminina transversalizada por uma atitude fálica. Esta referência não era feita sem se acompanhar daindicação do desmerecimento da progenitora em ser mãe.
  17. 17. A paciente se forma na área de atuação almejada pela tia e dá início às suas atividades profissionais.Porém, nos locais em que ela atuou, rapidamente seembaralhou em dificuldades de relacionamento comalguns colegas e também com os gestores, aliadas a um questionamento político que ela fazia de sua atuação e da lógica do mercado que acabavainfluenciando diretamente sua atuação profissional.
  18. 18. Não tardou o aparecimento de questionamentoscada vez mais inviáveis acerca de sua carreira e a manifestação de uma grande infelicidade quanto à sua profissão.A permanência em Belo Horizonte e na atuação direta da profissão tornaram-se inviáveis e apaciente voltou para sua cidade, vindo a exercer um cargo burocrático junto à Prefeitura. Na sua nova atuação profissional, não cessava de considerar os gestores e seus chefes imediatos como pessoas sem inteligência e como legítimos burocratas de plantão. Neste cenário, ela se via desperdiçada em suas qualidades.
  19. 19. Nos últimos anos, com o retorno para a sua cidade natal, estapaciente começa a notar algo que até então não fazia parte de sua vida: um conjunto amplo de atuações com sérias repercussões para sua integridade física e saúde. Ao lado disso, havia também diversas exposições de caráter erótico que, em alguma medida, tornavam melindroso o lugar desta paciente em meio às suas relações sociais e profissionais.
  20. 20. Um encontro bastante intenso com vários tipos de drogas associou-se ao uso de álcool. Tornou-se cada vez mais frequente estes usos se darem em meio a uma atmosfera boêmia: a paciente passava muitas noites seguidas em bares, chegando em casa de dia. Em alguns momentos, após diversas aventuras sexuais (tanto hetero quanto homoeróticas, algumas delas arriscadas), era tomada de forte culpabilidade. Erasobretudo nestas ocasiões que a paciente punha-se a cortar seu corpo insistentemente com um estilete. Ao lado disso, ela realizava um intenso uso de medicamentosvindo, mais de uma vez, a ser encontrada desacordada após a associação fármaco-álcool.
  21. 21. Em mais de uma ocasião, seja na vidaprofissional ou na trajetória boêmia, esta pessoa „qual é o meuportava a indagação:lugar?‟, „o que sou para o Outro?‟
  22. 22. O que, em termos de condução dotratamento, pode nos conduzir a indagar se as atuações - por mais problemáticas que possam ser - não possibilitam a este sujeito um chamado: reapropriar-se de sua condição desejante
  23. 23. Prosseguiremos com o tema:07/05: Adolescência e transgressão: o supereu imperativo Até lá! Acesso a este conteúdo: www.alexandresimoes.com.br ALEXANDRE SIMÕES ® Todos os direitos de autor reservados.

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