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                manejo e subjetivações na contemporaneidade




                                      Tema:
                  Neurose obsessiva e transtorno afetivo bipolar

ALEXANDRE
   SIMÕES
                                   Coordenação   Alexandre Simões
 ® Todos os
  direitos de
     autor
 reservados.
Novos sintomas ou
                         sintomas apresentados
                          sob uma nova forma


 Lacan, argumenta que estamos passando, nas últimas
 décadas, por uma significativa mudança na lógica dos
                      discursos:

          esta é uma forma de dizer que o laço
social muda e o lugar do Outro: o mundo que nos fala e de
                        onde nós
                falamos, mudam também.
De forma mais homogênea, até a metade do século
passado, os ideais funcionavam amplamente como
  moderadores do modo de gozar de cada sujeito
Neste
    século, os ideais já não
predominam no ordenamento
         dos discursos
    e, portanto, nas nossas
    relações com o outro (o
     semelhante, o corpo, o
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 que é diferente de dizer que
  eles tenham desaparecido



Há uma face do objeto a que está cada
      vez mais em evidência.
No lugar
do ideal que tempera o gozo, vemos
       uma multiplicidade de
  ideais distintos que produzem
      identificações subjetivas
       transitórias e precárias
Fragmento clínico:
Um homem, com aproximadamente 45 anos de
 idade, me é indicado por um colega psiquiatra
por conta de algumas situações que, desde esta
    perspectiva, receberam o diagnóstico de
     Transtorno Afetivo Bipolar (TAB).

   Do ponto de vista meramente descritivo, o
   paciente apresentava claramente algumas
  manifestações sintomáticas que facilmente se
 adequavam aos critérios demarcadores do TAB:
havia, ao longo de sua vida, mais de um episódio
de alternância entre os momentos de um humor
  mais depressivo e as situações de elevação do
 mesmo, chegando quase à hiperexcitabilidade.
Quando tomado por uma situação de maior
 desânimo e apatia, sua maneira de pensar, agir e
 sentir sofriam as repercussões, tornando-se mais
lentificada. Igualmente, quando imbuído de maior
excitabilidade no seu dia-a-dia, o pensamento, as
   ações e o modo de se relacionar com o mundo
     tornavam-se mais intensos e acelerados.




   Como é de se esperar, estas alternâncias acabavam por
  envolver sua esposa e dois filhos, fazendo com que a vida
familiar tivesse seus altos e baixos ao comando das elevações
               e rebaixamentos do humor do pai.
O que era bem nítido na situação de oscilação do
      afeto descrita pelo paciente como uma
 característica já instalada ao longo de sua vida -
mas, certamente, bem mais exacerbada nas tramas
  do discurso psiquiátrico - restringia-se a um
   sentimento bastante íntimo de ora estar bem
          consigo mesmo, ora estar mal.
Ou seja, mais do que grandes
   comportamentos orquestrados por um
humor elevado ou depreciado e instalado nas
relações de objeto, o paciente apontava para
 uma sensação de alternância entre o „estar
            bem‟ e o „estar mal‟.

        E isto se dava apesar de suas
conquistas, pois ele se via, do ponto de vista
 material, como um homem bem-sucedido.
  Ele e sua esposa eram empresários, com
 trajetórias de trabalho já firmadas desde a
                 adolescência.
Vale fazer aqui um parêntese e indicar
  que, atualmente, a categoria clínica nomeada
  Transtorno Afetivo Bipolar está tão difundida
  entre os pacientes adultos (vindo, ao que tudo
indica, a superar a apresentação da Síndrome de
 Pânico), na mesma proporção que o TDAH está
               alastrada na infância.


           Não devemos, junto da Psicanálise, perder de vista o
             posicionamento do sujeito em seu modo de gozo.

       Frequentemente, isto há de ser construído, não só ao lado da
       demarcação sindrômica do diagnóstico mas, para-além desta
                              demarcação.

      Isto, quando não se faz necessário até mesmo ir na contramão
            deste raciocínio sindrômico baseado em evidências.
Na nossa atualidade, é perfeitamente
                 possível
que toda uma gama de sujeitos histéricos
 e obsessivos sejam apreendidos dentro
        do   espectro bipolar.


 E mais: é esperado que eles próprios se
             prendam a isto.
Atitudes relacionadas a compras e gastos excessivos -
  este modo um tanto quanto típico de se expandir em
consonância com o mercado - não eram tão manifestas
                    neste paciente.



 A excitabilidade, neste caso, apresentava-se com mais
nitidez por meio de dois aspectos: o uso de álcool e a
                   atividade sexual.
O intenso chamado sexual que este homem encarnava fez com
que ele realizasse uma „pesquisa‟, como assim nomeou: iniciou
 uma temporada de inquérito de todos os homens com quem
tinha alguma forma de amizade (incluindo aqui os conhecidos
  mais recentes): na roda de conversa, na festa, no encontro
     fortuito, ele queria saber destes homens como que se
   manifestava neles a excitação sexual, pois ele acreditava
  (sobretudo por conta dos frequentes desencontros que isto
   gerava entre ele e sua esposa) que havia um „a-mais‟, um
                         „excesso‟ com ele.
A frequência com que ele se mostrava excitado diante de
 sua esposa, o número de vezes ao longo da semana em
   que ele a procurava para fazerem sexo e - um fato
   chamativo neste paciente - a insaciabilidade eram
     marcas, ao ver do paciente, que justificavam a
        comparação dele com os outros homens.
Basicamente, ele aborda estes outros homens com
  uma indagação fálica: “o que eu tenho, vocês
                 também têm?”.

    Por mais de uma vez, assim que este homem
  terminava de fazer sexo com sua esposa (e esta
     excitabilidade também envolvia, em alguns
momentos, outras mulheres), ele precisava de manter
   a atividade sexual (e normalmente sua esposa
             recusava) ou se masturbar.

E na conversa com seus amigos, o que era para estes
uma dádiva, mostrava-se para ele como uma situação
de prazer que sempre esbarrava no mal-estar e, junto
                 deste, no enigma.
Quanto ao uso do álcool:



                Seguia uma trajetória
                  um tanto quanto
                semelhante ao circuito
                 da excitação sexual.

                 Tanto que a alteração
                de uma via, ao longo da
                      análise, foi
                    concomitante à
                 modificação da outra.
O que é importante ressaltar é a
     instalação, para-além da demarcação
sindrômica do TAB, de uma nítida problemática
            obsessiva neste paciente
A Clínica Psicanalítica
pode, atualmente, oferecer
outras vias a estes sujeitos?



                 Como operar com o
                gozo que se impõe ao
                   nosso tempo?
Por nossa posição de
sujeito somos sempre
    responsáveis
     Jacques Lacan, A Ciência e a Verdade,
              (in: Escritos), p.873
Prosseguiremos com o tema:

Neurose obsessiva e transtorno da ansiedade generalizada




                        Até lá!
               Acesso a este conteúdo:
             www.alexandresimoes.com.br


                                                         ALEXANDRE
                                                           SIMÕES
                                                      ® Todos os direitos
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CURSO CLÍNICA PSICANALÍTICA 2012 - Aula 7 - Neurose obsessiva e transtorno afetivo bipolar

  • 1. Clínica Psicanalítica: manejo e subjetivações na contemporaneidade Tema: Neurose obsessiva e transtorno afetivo bipolar ALEXANDRE SIMÕES Coordenação Alexandre Simões ® Todos os direitos de autor reservados.
  • 2. Novos sintomas ou sintomas apresentados sob uma nova forma Lacan, argumenta que estamos passando, nas últimas décadas, por uma significativa mudança na lógica dos discursos: esta é uma forma de dizer que o laço social muda e o lugar do Outro: o mundo que nos fala e de onde nós falamos, mudam também.
  • 3. De forma mais homogênea, até a metade do século passado, os ideais funcionavam amplamente como moderadores do modo de gozar de cada sujeito
  • 4. Neste século, os ideais já não predominam no ordenamento dos discursos e, portanto, nas nossas relações com o outro (o semelhante, o corpo, o limite, o sintoma, etc.), o que é diferente de dizer que eles tenham desaparecido Há uma face do objeto a que está cada vez mais em evidência.
  • 5. No lugar do ideal que tempera o gozo, vemos uma multiplicidade de ideais distintos que produzem identificações subjetivas transitórias e precárias
  • 6. Fragmento clínico: Um homem, com aproximadamente 45 anos de idade, me é indicado por um colega psiquiatra por conta de algumas situações que, desde esta perspectiva, receberam o diagnóstico de Transtorno Afetivo Bipolar (TAB). Do ponto de vista meramente descritivo, o paciente apresentava claramente algumas manifestações sintomáticas que facilmente se adequavam aos critérios demarcadores do TAB: havia, ao longo de sua vida, mais de um episódio de alternância entre os momentos de um humor mais depressivo e as situações de elevação do mesmo, chegando quase à hiperexcitabilidade.
  • 7. Quando tomado por uma situação de maior desânimo e apatia, sua maneira de pensar, agir e sentir sofriam as repercussões, tornando-se mais lentificada. Igualmente, quando imbuído de maior excitabilidade no seu dia-a-dia, o pensamento, as ações e o modo de se relacionar com o mundo tornavam-se mais intensos e acelerados. Como é de se esperar, estas alternâncias acabavam por envolver sua esposa e dois filhos, fazendo com que a vida familiar tivesse seus altos e baixos ao comando das elevações e rebaixamentos do humor do pai.
  • 8. O que era bem nítido na situação de oscilação do afeto descrita pelo paciente como uma característica já instalada ao longo de sua vida - mas, certamente, bem mais exacerbada nas tramas do discurso psiquiátrico - restringia-se a um sentimento bastante íntimo de ora estar bem consigo mesmo, ora estar mal.
  • 9. Ou seja, mais do que grandes comportamentos orquestrados por um humor elevado ou depreciado e instalado nas relações de objeto, o paciente apontava para uma sensação de alternância entre o „estar bem‟ e o „estar mal‟. E isto se dava apesar de suas conquistas, pois ele se via, do ponto de vista material, como um homem bem-sucedido. Ele e sua esposa eram empresários, com trajetórias de trabalho já firmadas desde a adolescência.
  • 10. Vale fazer aqui um parêntese e indicar que, atualmente, a categoria clínica nomeada Transtorno Afetivo Bipolar está tão difundida entre os pacientes adultos (vindo, ao que tudo indica, a superar a apresentação da Síndrome de Pânico), na mesma proporção que o TDAH está alastrada na infância. Não devemos, junto da Psicanálise, perder de vista o posicionamento do sujeito em seu modo de gozo. Frequentemente, isto há de ser construído, não só ao lado da demarcação sindrômica do diagnóstico mas, para-além desta demarcação. Isto, quando não se faz necessário até mesmo ir na contramão deste raciocínio sindrômico baseado em evidências.
  • 11. Na nossa atualidade, é perfeitamente possível que toda uma gama de sujeitos histéricos e obsessivos sejam apreendidos dentro do espectro bipolar. E mais: é esperado que eles próprios se prendam a isto.
  • 12. Atitudes relacionadas a compras e gastos excessivos - este modo um tanto quanto típico de se expandir em consonância com o mercado - não eram tão manifestas neste paciente. A excitabilidade, neste caso, apresentava-se com mais nitidez por meio de dois aspectos: o uso de álcool e a atividade sexual.
  • 13. O intenso chamado sexual que este homem encarnava fez com que ele realizasse uma „pesquisa‟, como assim nomeou: iniciou uma temporada de inquérito de todos os homens com quem tinha alguma forma de amizade (incluindo aqui os conhecidos mais recentes): na roda de conversa, na festa, no encontro fortuito, ele queria saber destes homens como que se manifestava neles a excitação sexual, pois ele acreditava (sobretudo por conta dos frequentes desencontros que isto gerava entre ele e sua esposa) que havia um „a-mais‟, um „excesso‟ com ele.
  • 14. A frequência com que ele se mostrava excitado diante de sua esposa, o número de vezes ao longo da semana em que ele a procurava para fazerem sexo e - um fato chamativo neste paciente - a insaciabilidade eram marcas, ao ver do paciente, que justificavam a comparação dele com os outros homens.
  • 15. Basicamente, ele aborda estes outros homens com uma indagação fálica: “o que eu tenho, vocês também têm?”. Por mais de uma vez, assim que este homem terminava de fazer sexo com sua esposa (e esta excitabilidade também envolvia, em alguns momentos, outras mulheres), ele precisava de manter a atividade sexual (e normalmente sua esposa recusava) ou se masturbar. E na conversa com seus amigos, o que era para estes uma dádiva, mostrava-se para ele como uma situação de prazer que sempre esbarrava no mal-estar e, junto deste, no enigma.
  • 16. Quanto ao uso do álcool: Seguia uma trajetória um tanto quanto semelhante ao circuito da excitação sexual. Tanto que a alteração de uma via, ao longo da análise, foi concomitante à modificação da outra.
  • 17. O que é importante ressaltar é a instalação, para-além da demarcação sindrômica do TAB, de uma nítida problemática obsessiva neste paciente
  • 18. A Clínica Psicanalítica pode, atualmente, oferecer outras vias a estes sujeitos? Como operar com o gozo que se impõe ao nosso tempo?
  • 19. Por nossa posição de sujeito somos sempre responsáveis Jacques Lacan, A Ciência e a Verdade, (in: Escritos), p.873
  • 20. Prosseguiremos com o tema: Neurose obsessiva e transtorno da ansiedade generalizada Até lá! Acesso a este conteúdo: www.alexandresimoes.com.br ALEXANDRE SIMÕES ® Todos os direitos de autor reservados.