2. O estresse pode ter seu
lado bom, basta saber
controlá-lo
TEXTO E ENTREVISTAS GIOVANE ROCHA/COLABORADOR
DESIGN KAREN ZANATA/COLABORADORA
Questão de
equilíbrio
N
osensocomum,oestresse
está diretamente ligado
aosefeitosnegativosquea
sua falta de controle pode
causar. Sejam sintomas
fisiológicos (como medo, arritmia cardíaca
e respiração descontrolada) ou psicológicos
(como muita irritação, desconforto, nervo-
sismo e humor deprimido).
No entanto, o que muitas pessoas esquecem
é que, primordialmente, as reações de estresse
são nada mais do que um mecanismo natural de
defesa do corpo humano. É graças a esse sistema
que conseguimos reagir a uma determinada situação
de perigo eminente, fugindo ou correndo. Claro que
esse exemplo se aplica melhor nos tempos em que nossos
ancestrais pré-históricos eram as caças ou os caçadores.
Mas, trazendo esse sistema aos dias de hoje, é possível citar
outros benefícios que o estresse pode proporcionar.
Lado bom
Se controlado, esse alarme de fábrica do organismo até tem alguma
utilidade. Segundo a psicóloga Patricia Mekler, o estresse pode ser visto
como uma “alavanca emocional”, no sentido em que estimula a pessoa a resol-
ver seus problemas cotidianos, sejam familiares, sociais ou profissionais. “O
estresse tende a ajudar o sujeito a se motivar para ir em busca de seus objetivos
Imagem:iStock.com/GettyImages
12 | Segredos da Mente - Cérebro e Estresse
3. AJUDAR FAZ BEM
Pesquisadores da Escola de
Medicina da Universidade
de Yale, nos Estados Unidos,
concluíram, em um estudo
publicado na revista científica
Clinical Psychological
Science, que quebrar aquele
galho para familiares, amigos
ou apenas conhecidos pode
ajudar a diminuir os efeitos
negativos de elementos
estressores no dia a dia.
O estudo se deu por meio
de uma avaliação com
77 voluntários de 18 à 44
anos. Durante 14 dias, os
participantes tiveram que
relatar diariamente quaisquer
problemas com estresse que
tiveram, além de terem que
informar se fizeram qualquer
ação, por mais simples que
fosse, para ajudar o próximo.
Depois, eles deveriam
responder a um questionário
sobre suas emoções daquele
dia e também autoavaliarem
sua condição mental numa
escala de 0 até 100 (de pior
para melhor).
Isso não quer dizer que você
precisa “mover montanhas”
ajudando alguém para sentir
um alívio no estresse diário. A
pesquisa sugere que pequenas
ações já são mais do que
suficientes para proporcionar
mais relaxamento na sua
rotina.
Dar carona para um amigo,
segurar a porta do elevador
para o outro poder entrar,
ajudar alguém a se levantar
— vamos combinar que um
pouco de boa vontade por
menos estresse é um bom
negócio! Afinal de contas, o
estresse elevado pode deixar
você de mau humor e causar
prejuízos para sua saúde
mental a longo prazo.
CONSULTORIAS Caio Henrique Vianna Baptista, psicólogo do Hospital Sepaco, em
São Paulo (SP); Patricia Mekler, responsável pelo serviço de psicologia do Hospital
Sepaco, em São Paulo (SP); Rodrigo Pessanha, psiquiatra.
“O estresse tende a ajudar o sujeito a se
motivar para ir em busca de seus objetivos
e a solucionar eventos adversos que se
colocam diante dele”
Patricia Mekler, psicóloga
e a solucionar eventos adversos que se colocam
diante dele”, afirma a especialista.
Essa motivação ocorre, como explica o
psicólogoCaioHenriqueViannaBaptista,
devido a duas substâncias essenciais para
areaçãodeansiedade—osneurotrans-
missores adrenalina e noradrenalina.
“Eles fazem com que respostas em
busca da solução dos problemas
e/ou conflitos sejam acionadas”,
conclui Caio.
Falha no sistema
Mas,comoqualquermáquina,
se utilizada constantemente por
muito tempo, todo esse proce-
dimento envolvendo o estresse
podesofrerumapane—éaíque
começam a surgir os problemas.
O psiquiatra Rodrigo Pessa-
nha explica que o acionamento
desenfreado desse mecanismo
pode danificar outros sistemas
envolvidos no processo, como o
neurológico, cardiovascular, cog-
nitivo e comportamental. E isso,
segundooprofissional,“acabalevando
tanto a mente quanto o corpo a um
desgaste, e esse é um fator importante”.
Por isso, é importante compreender
que a palavra-chave em questão quando
se fala de estresse é equilíbrio. Afinal, “os
mesmos mecanismos que funcionavam a favor
do indivíduo, da sua performance diante de uma
situação de perigo e ameaça, levados ao exagero e
utilizados de forma continuada, vão levando o próprio
organismo ao esgotamento”, finaliza Pessanha.
Segredos da Mente - Cérebro e Estresse | 13
4. Não deixe os sintomas do estresse se
acumularem. Veja quais os tratamentos
disponíveis para combater esse transtorno
TEXTO E ENTREVISTAS GIOVANE ROCHA/COLABORADOR E NATÁLIA NEGRETTI
DESIGN KAREN ZANATA/COLABORADORA
Qual a melhor
saída?
14 | Segredos da Mente - Cérebro e Estresse
5. O
estresseéconsideradopatológico
quando seus sintomas começam,
em excesso, a prejudicar o estado
físico e emocional do indivíduo.
E, a partir desse momento, é
necessário aceitar o estresse como um distúrbio
mental e procurar a saída mais convencional,
que será indicada por um profissional especia-
lista, psiquiatra ou psicólogo, de acordo com
as características e demandas de cada quadro.
Remédios
Quando o diagnóstico do profissional aponta
um quadro avançado de estresse, os remédios
parecem ser a saída mais eficaz — e de fato
podem ser. O tratamento medicamentoso
vai atuar diretamente contra os sintomas do
estresse, tanto os de caráter físico quanto
emocional. Como explica o psiquiatra Rodrigo
Pessanha, “hoje em dia, temos vários tipos de
medicamentos. Há tranquilizantes de diversas
classes, antidepressivos que podem ser usados
de maneira bastante individualizada sem, ne-
cessariamente, fazer com que o indivíduo pague
o preço dos efeitos colaterais por períodos de
tempo relativamente curtos”.
Caminho alternativo
Mesmo que seja uma saída segura se realizada
juntamente de um acompanhamento médico,
o tratamento medicamentoso ainda pode gerar
alguma insegurança para quem sofre com o
estresse. Visto isso, existem outros caminhos
a se seguir quando o assunto é combater esse
distúrbio ou o surgimento dele.
Rodrigo Pessanha conta que é difícil pensar
em prevenir o estresse devido às rotinas cada vez
mais corridas. “Mas eu acredito que podemos
pensar em medidas paliativas, buscando trata-
mento para as complicações ligadas ao estresse
o mais cedo possível”, indica o especialista.
Imagem:iStock.com/GettyImage
Segredos da Mente - Cérebro e Estresse | 15
6. 12 dicas de terapias
e atividades
Qualquer coisa que deixe você em um
estado de relaxamento e faça com que se
abstraia, mesmo que momentaneamente
(como qualquer hobby), dos elementos
estressores do seu dia a dia já é um bom
começo.
Entretanto,paraquemseencontraemum
quadro mais avançado de estresse, existem
algumas medidas terapêuticas alternativas
ministradas por diferentes especialistas.
Porém, como ressalta a psicóloga Patrícia
Mekler, “em alguns casos, quando este pode
ser patológico, se faz necessário procurar
por um médico psiquiatra associado a um
tratamento com um psicólogo”.
Abaixo, confira 12 dicas de terapias e
atividades para se livrar dos sintomas do
estresse:
1. Acupuntura
A ideia de ficar sendo espetado por agu-
lhas pode ser desagradável para algumas
pessoas — mas é um meio muito eficiente
para combater o estresse. Por meio da
aplicação de agulhas em regiões especí-
ficas com vias nervosas, liberará a tensão
naquela área. Esse efeito de relaxamento
ocorre devido à liberação no cérebro de
substâncias responsáveis pelo prazer, como
a dopamina, a serotonina e a endorfina.
2. Musicoterapia
Ao contrário do que parece, essa alterna-
tiva de tratamento não se resume a colocar
seu estilo de música preferido, sentar e
curtir (apesar de isso também funcionar
muito bem, não é?). O musicoterapeuta, por
meio do ritmo, harmonia, som e melodia
utilizará a música para proporcionar um
estado de grande relaxamento ao pacien-
te, além de um maior desenvolvimento
emocional.
3. Ioga
Com exercícios que trabalham desde a
postura até um controle maior da respira-
ção com técnicas específicas, esse método
é capaz de diminuir toda a tensão causada
pelo estresse.
4. Pilates
Por meio do aperfeiçoamento e da reeduca-
ção da postura corporal com alongamentos e
técnicas para melhorar a respiração, o pilates
(conduzido por um fisioterapeuta ou educador
físico) é uma excelente alternativa para quem
busca diminuir os sintomas do estresse.
5. Shiatsu
Essa técnica é baseada na medicina tradicional
do oriente para quem quer se livrar do estresse.
Além de também trabalhar com a postura e res-
piração, o shiatsu visa um equilíbrio energético
corporal completo. Essa terapia também pode
ser utilizada para auxiliar em outras patologias,
como as relacionadas ao sistema circulatório.
6. Dieta
Uma alimentação balanceada não é uma
recomendação exclusiva para se prevenir e
combater o estresse. Contudo, especificamente
para esse caso, incluir alimentos com vitamina
C, como as frutas cítricas, derivados de leite e
ovo e cereais integrais são uma boa pedida para
se ter no cardápio.
E, é claro, um dos alimentos mais apreciados
entre o grande público, o chocolate também é
uma indicação contra o estresse, visto que os
flavanoides presentes nele favorecem a produção
de serotonina no cérebro, um neurotransmissor
importante para a regulação do humor e do
sono. Mas nada de exageros, hein!
7. Meditação
Meditar periodicamente, mesmo que por
poucos minutos, pode ser uma boa saída para
aliviar as tensões geradas pelo estresse. Além
desse benefício, a técnica pode ser bastante útil
para diminuir a ansiedade, fortalecer as defesas
do sistema imunológico, combater a insônia e
auxiliar você a ter uma mente mais focada. Vale
a pena tentar!
8.Terapiacognitivo-comportamental
(TCC)
Utilizada por psicólogos para controlar
quadros de crises de ansiedade, esse tipo de
terapia é uma opção interessante em casos de
estresse. O especialista nessa técnica vai aju-
dar a pessoa a identificar, compreender e lidar
com os elementos estressores que estiverem
desencadeando os sintomas. Assim, com um
16 | Segredos da Mente - Cérebro e Estresse
7. CONSULTORIAS Maura de Albanesi, mestre em
psicologia e religião pela Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo (PUC–SP), em São Paulo
(SP); Patricia Mekler, responsável pelo serviço de
psicologia do Hospital Sepaco, em São Paulo (SP);
Rodrigo Pessanha, psiquiatra; Viviani Farah, terapeuta
especialista em florais.
“Podemos pensar em
medidas paliativas,
buscando tratamento
para as complicações
ligadas ao estresse o mais
cedo possível”
Rodrigo Pessanha, psiquiatra
tratamento progressivo, o paciente conseguirá
mudar os pensamentos ou hábitos que ativam
o gatilho da crise.
9. Hipnoterapia
Muitoútilemcasosdeestressepós-traumático,
o hipnoterapeuta, por meio da ressignificação
do subconsciente, fará com que o paciente
reconstrua o sentido daquilo que ativa a crise
de estresse.
É importante ressaltar que não há nada de
místico na hipnose como costumava se pensar.
Por isso, é necessário ter paciência com o méto-
do para poder sentir os avanços do tratamento
gradualmente.
10. Exercícios aeróbicos
Vamos combinar que se mexer de vez em
quando é uma ótima maneira de manter a saú-
de em dia, não é? E, para reforçar essa ideia, a
prática de exercícios físicos está cientificamente
ligada ao aumento da produção de endorfina (o
neurotransmissor responsável pelo bem-estar
geral).
Mas isso não quer dizer que você precisa ser
um atleta para adquirir esses benefícios. Comece
com uma caminhada curta e vá aumentando
o ritmo conforme for melhorando seu condi-
cionamento físico. Vale lembrar que, antes de
começar qualquer atividade, é importante passar
pela avaliação de uma equipe multidisciplinar
para checar suas condições cardiovasculares e
outros fatores para garantir a prática de exer-
cícios com segurança.
11. Apenas relaxe
Essa não é bem uma terapia e muito menos
requer um especialista para auxiliar no proces-
so. A mestre em psicologia Maura de Albanesi
aconselha que a maneira mais eficiente de se
precaver contra os prejuízos causados pelo
estresse é descobrir e definir o ritmo de vida
mais confortável para você e respeitá-lo.
“Temos 24 horas por dia, oito para dormir,
oito para trabalhar e oito para lazer. Começar a
inverter demasiadamente esses tempos o colocará
sob estresse”, sugere a especialista.
12. Florais de Bach
Outro tratamento que tem o objetivo de pro-
mover o equilíbrio das emoções é a terapia floral,
que consta na administração de algumas
gotas diárias de uma solução que mistura
propriedades das flores. “Para a segurança
do paciente, somente os profissionais que
têm a formação de pós-graduação em te-
rapia floral podem indicar o tratamento”,
informa a terapeuta especialista em florais
Viviani Farah.
Qualquer pessoa pode se beneficiar da
terapia, já que não há contraindicação nem
efeitos colaterais. Segundo a especialista,
eles podem ser usados junto a outros me-
dicamentos e um dos objetivos, inclusive,
pode ser o de fazer o paciente abandonar
os remédios que causam efeitos colaterais.
Os mais conhecidos são os Florais de Bach,
assim chamados por terem sido desenvol-
vidos pelo médico inglês Edward Bach na
década de 1930.
Ao todo, são 38 essências indicadas
para controlar emoções. A quantidade e a
combinação entre elas são prescritas pelo
especialista, bem como a frequência de uso
e a duração do tratamento. “Cada paciente
é único, com sua história particular. É
preciso tratar o doente, e não a doença”,
complementa a terapeuta.
Imagem:iStock.com/GettyImage
Segredos da Mente - Cérebro e Estresse | 17