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“O que perturba o ser humano não são os fatos, mas a
interpretação que ele faz dos fatos.” (Epictetus - Sec. I).
Na década de 70 houve um grande desenvolvimento e reconhecimento da
terapia comportamental devido ao surgimento de novas técnicas,
especialmente no tratamento de fobias, obsessões e disfunções sexuais.
Foi nesta época que Lang, Rachman e outros desenvolveram a ideia de que um
problema psicológico poderia ser compreendido sob três enfoques diferentes (ou
“três sistemas”) ligados entre si, tais como: os sistemas comportamental,
cognitivo/afetivo e fisiológico. Esta ideia representou uma quebra com a visão
unitária dos problemas psicológicos que até então existia.
“A designação mais abrangente de terapia cognitivo-comportamental (TCC) é
a mais usual na atualidade, pois utiliza ao mesmo tempo intervenções típicas
do modelo cognitivo, como as técnicas destinadas à correção de crenças e
pensamentos disfuncionais e incorpora técnicas comportamentais da terapia
comportamental, como a exposição e o uso de reforçadores, entre outras”.
(KNAPP, 2008).
A TCC integra técnicas e conceitos vindos de duas principais
abordagens psicológicas:
Cognitiva;
Comportamental;
A terapia comportamental tem como base as teorias e princípios da
aprendizagem que se desenvolveram a partir do início do século XX,
apoiando-se principalmente nos conceitos de:
o Condicionamento clássico (Pavlov),
o Condicionamento operante (Skinner) e,
o Aprendizagem social (Bandura).
Sistema de terapia cujo princípio básico é de que as cognições
(pensamentos, crenças, interpretações) de um indivíduo frente a
situações influenciam suas emoções e comportamentos. O terapeuta
atua sobre as cognições, a fim de alterar as emoções e comportamentos
que as acompanham.
Proposta inicialmente por Aaron T. Beck (1976) que observou a
existência de três principais áreas de distorção cognitiva na depressão
(tríade cognitiva):
o Visão negativa de si mesmo - percepção de si mesmo,
o Visão negativa do mundo/outro/ambiente de vida - experiências a
sua volta/o que lhe transmite e
o Visão negativa para o futuro - o que se espera que aconteça.
Beck propôs o uso de estratégias para corrigir tais distorções, que se
revelaram efetivas. Posteriormente a terapia cognitiva foi estendida
para diversos outros transtornos.
A Terapia Cognitiva (TC) que é uma abordagem que tem como objetivo nosso
pensamento, ou seja, nossa cognição. Para entender melhor a TC, é
fundamental que você conheça seus três princípios básicos:
1. O pensamento afeta o humor e o comportamento;
2. O pensamento pode ser monitorado e alterado;
3. Mudanças no humor e no comportamento desejado podem ser efetuadas
por meio de mudanças no pensamento;
A partir destes princípios observamos que nossas emoções indesejáveis e nossas
atitudes não adaptadas à realidade são produtos de um pensamento
disfuncional, ou seja, quando você sente ansiedade e se comporta de forma a
evitar situações está exercendo uma forma errônea de pensar. Portanto, a TC é
uma abordagem voltada para a modificação da forma disfuncional que
pensamos, pois essa mudança trará benefícios para nossas emoções e atitudes
disfuncionais.
O modelo cognitivo está embasado no fato de que uma situação gera
pensamentos automáticos que geram nossas emoções. Estes pensamentos
automáticos são formados pelas nossas crenças. Frente a estas explicações
podemos observar que a mudança é viável, pois à medida que modificamos
nosso pensamento, automaticamente estamos modificando nossa maneira de
pensar, e conseqüentemente a de agir.
Os modelos principais de disfunção no processamento de informações são
baseados em:
o Pensamentos automáticos - são cognições que aparecem
rapidamente em uma determinada situação e não estão sujeitos à
análise racional, relacionados, geralmente, com base em uma lógica
defeituosa (erros cognitivos);
o Crenças centrais (incorporadas aos esquemas) - incluem as regras
básicas para a seleção e codificação da informação no ambiente.
“Crenças centrais (nucleares - core beliefs) são as nossas idéias e
conceitos mais enraizados e fundamentais acerca de nós mesmos,
das pessoas e do mundo.” (KNAPP, Paulo & colaboradores. Terapia
Cognitivo-Comportamental na Prática Psiquiátrica. Porto Alegre:
Artes Médicas (ARTMED Editora), 2004, p.21).
Estas construções organizacionais são desenvolvidas através da
experiência da infância e influências posteriores.
As distorções cognitivas resultam em comportamentos desajustados e
que causam sofrimento psíquico.
O princípio fundamental da TC é que a maneira como os indivíduos
percebem e processam a realidade influenciará a maneira como eles se
sentem e se comportam. Desta forma, o objetivo terapêutico da TC,
desde seus primórdios, tem sido reestruturar e corrigir esses pensamentos
distorcidos e colaborativamente desenvolver soluções pragmáticas para
produzir mudança e melhorar transtornos emocionais.
A Terapia Cognitiva Comportamental, se baseia na idéia de que não
são as situações que influenciam nossas emoções e comportamento, e sim a
maneira como nós enxergamos ou pensamos sobre as situações.
Os nossos pensamentos sobre as situações, avaliação cognitiva ou a
maneira que as informações apresentadas são processadas por nós,
causam nossa emoção e consequentemente afetam nosso comportamento
e resposta fisiológica.
Tendo isso como base, trabalha com a identificação e o
questionamento dos pensamentos considerados disfuncionais, que causam
as emoções e os comportamentos disfuncionais como por exemplo uma
Ansiedade excessiva e Evitar eventos importantes por causa da ansiedade.
Situação Pensamento Emoção
Comportamento
Resposta Fisiológica
Na terapia cognitiva, os clientes aprendem a:
Distinguir entre pensamentos, sentimentos e a própria realidade. Muitas vezes
usamos as palavras “pensar” e “sentir” como sinônimos (por exemplo, Eu sinto
que seria uma má decisão comprar esse carro. - Esse é um pensamento, não um
sentimento).
Tornar-se consciente das maneiras que os seus pensamentos influenciam os seus
sentimentos. Os clientes em terapia cognitiva analisam as suas próprias
experiências, associadas a uma mudança no humor e na ligação destes com as
suas respostas comportamentais. O que estava a pensar antes de notar que
estava a ficar triste? Quando tem o pensamento automático: “Eu não consigo
fazer nada direito, como se sente?” Quando você enfrentar esses pensamentos e
sentimentos é mais provável que você faça algo construtivo ou desistir? Que
tipo de comportamento aumenta a probabilidade de sucesso? Por exemplo, se
não age como gostaria de agir, poderão existir pensamentos ou crenças auto-
desmoralizantes, críticos ou perfeccionistas que paralisam a ação; se estamos a
exigir demasiada perfeição de um comportamento, isto pode criar tanta tensão
que o mais certo é uma paralisação, devido ao medo de falhar, como se esta
“falha” fosse uma catástrofe.
Avaliar criticamente a veracidade de seus pensamentos automáticos e
suposições. Os clientes em terapia cognitiva são incentivados a desafiar os seus
pensamentos automáticos, considerando os factos, a realidade, as explicações
alternativas e a conduzir experiencias comportamentais informais. O objetivo é
não adotar uma visão irrealisticamente otimista ou positiva. Pelo contrário,
aprende-se a considerar o bem e o mal, as provas a favor e contra, e chegar a
um pensamento mais correto e lógico, menos preconceituoso, e muitas vezes a
conclusões mais razoáveis e flexíveis. Por exemplo, imagine que (a) recebe
feedback crítico de seu chefe, (b) tem o pensamento automático: Eu não
consigo fazer nada direito, e então (c) se sente triste. Você pode aprender a
avaliar criticamente o conteúdo real do feedback, as circunstâncias do
feedback e que provas você tem (pró e contra) que você não consegue fazer
nada direito, a fim de avaliar a precisão e utilidade do que o pensamento
inicial automático lhe sugeria.
Desenvolver as habilidades para perceber, interromper e intervir ao nível dos
pensamentos automáticos e como eles acontecem. Finalmente, o objetivo da
terapia cognitiva é desenvolver as habilidades para modificar processos
cognitivos habituais. Como acontece com qualquer habilidade, é preciso tempo
e prática para obter a eficácia de aplicar técnicas de terapia cognitiva.
Ao longo do tratamento, utiliza-se uma abordagem colaborativa e
psicoeducativa, com experiências específicas de aprendizagem desenhadas com o
intuito de ensinar os pacientes a:
1) Dar-se conta dos padrões de pensamento, monitorar e identificar pensamentos
automáticos;
2) Reconhecer as relações entre pensamento, emoção e comportamento;
(reconhecer as relações entre cognição, afeto e comportamento);
3) Testar a validade de pensamentos automáticos e crenças centrais, regras e
pressupostos;
4) Corrigir interpretações, conceitualizações tendenciosas e entendimentos
irracionais de si e do mundo, substituindo pensamentos distorcidos por ideias
e/ou cognições mais realistas e que funcionem;
5) Identificar e alterar crenças, pressupostos ou esquemas que estão na origem de
padrões disfuncionais de pensamento.
Seu objetivo é compreender sistematicamente os processos que mantém
a condição do sofrimento emocional, identificar as ideias, memórias,
pensamentos e comportamentos que prejudicam a pessoa, refletindo
sobre elas e, posteriormente, testando novos paradigmas de pensamento
e comportamento para que seja possível o desenvolvimento de uma vida
mais saudável e flexível.
Estes três elementos (pensamento, emoção e comportamento) são
interligados entre si, muitas vezes levando a ciclos viciosos.
Pensamento
distorcido
Emoção
(Humor)
Comportamento
Constitui um sistema de psicoterapia integrado, combinando o modelo cognitivo de
personalidade e de psicopatologia a um modelo aplicado, que reúne um conjunto de
princípios, técnicas e estratégias terapêuticas fundamentado diretamente em seu modelo
teórico.
Demonstra aplicabilidade eficaz, segundo estudos controlados, em áreas diversas, por
exemplo: educação, esporte, organizações, tratamento de distúrbios psíquicos e orgânicos,
etc.
É focal, requerendo uma definição concreta e específica dos problemas do paciente e das
metas terapêuticas.
Possui um caráter didático, em que o objetivo não é unicamente ajudar o paciente com
seus problemas, mas dotá-lo de um novo instrumento cognitivo e comportamental, a fim
de que ele possa perceber e responder ao real de forma funcional.
As sessões, bem como o processo terapêutico, são semiestruturadas, envolvendo tarefas
entre as sessões.
É colaborativa, ou seja, reflete um processo em que ambos, terapeuta e paciente, têm um
papel ativo, ou seja, as intervenções são explícitas, envolvendo feedback recíproco entre o
terapeuta e o paciente.
É um processo terapêutico de tempo curto e limitado, podendo sua aplicação variar entre
aproximadamente de 10 a 20 sessões.
Mostra-se eficaz para diferentes populações, independente da cultura e níveis
socioeconômicos ou educacionais.
Trabalha em cima das crenças:
“Eu sou incompetente”
“Se eu não entendo algo, então eu sou burro.”
“Isso é difícil demais...
“Eu jamais vou aprender...”
“Eu jamais entenderia isso...”
Aula
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Tristeza
Desconforto
Sai da sala
Fecha o livro
(KNAPP, Paulo & colaboradores. Terapia Cognitivo-Comportamental
na Prática Psiquiátrica. Porto Alegre: Artes Médicas (ARTMED
Editora), 2004, p.21) ou
(BECK, Judith S. Teoria Cognitiva: teoria e prática. Tradução Sandra
Costa. Porto Alegre: Artes Médicas (ARTMED Editora), 1997, p.33).
As crenças são o entendimento mais básico de pessoas sobre:
• Eu;
• Mundo;
• E o futuro;
Os nossos pensamentos influenciam:
• O que sentimos;
• Comportamentos;
• Reações fisiológicas;
Surgem então os:
Eles estão ligados as nossas crenças centrais:
• Desamor: certeza que será rejeitado;
• Desamparo: certeza de que é incompetente será sempre um fracasso;
• Desvalor: sou um nada, sou insignificante, sou inaceitável, não tenho valor;
Com essas ideias distorcidas as pessoas vão criando o que se chama:
• Sou Insignificante: Estratégia compensatória  Vai se isolar, evitar contato com as pessoas ou o
mundo;
• Sou Vulnerável: Estratégia compensatória  Eu mando aqui, vai ser controladora para evitar se
machucar;
• Através da Restruturação Cognitiva;
Transtorno da
personalidade
Crença/atitudes básicas Estratégia (comportamento
manifesto)
Dependente “Eu sou incapaz”. Apego/vinculação
Esquiva “Eu posso me machucar”. Evitação
Passivo-agressiva “Eu poderia ser controlado”. Resistência
Paranoide “As pessoas são perigosas”. Cautela
Narcisista “Eu sou especial”. Auto-engrandecimento
Histriónica “Eu preciso impressionar”. Dramaticidade
Obsessivo-compulsiva “Eu não posso errar”. Perfeccionismo
Anti-social “Os outros estão aí para serem
explorados”.
Ataque
Esquizóide “Eu preciso de muito espaço”. Isolamento
(BEACK, Aaron T. FREEMAN, Arthur. DAVIS, Denise D. e colaboradores.
Terapia Cognitiva dos Transtornos da Personalidade. Tradução: Maria Adriana
Veríssimo Veronese. 2ª edição. Porto Alegre: Artmed, 2005. Pag. 34).
Transtorno da
personalidade
Visão do Self Visão dos Outros Principais crenças Principais estratégias
Esquiva Vulnerável a rejeição
Socialmente inepto.
Incompetente
Críticos. Exigentes.
Superiores.
Elas vêem os outros como
potencialmente críticos,
desinteressados e capazes
de humilhar.
“Eu não presto...não tenho valor...não sou digna de amor.”
“E terrível ser rejeitado, desprezado.”
“Se as pessoas conhecessem o meu ‘verdadeiro’ eu, elas me
rejeitariam.”
Evitar situações de
avaliação.
Evitar sentimentos ou
pensamentos
Desagradáveis.
Dependente Carente Frágil Incapaz
Incompetente
(Idealizada)
Nutridores. Apoiadores.
Competentes.
“Eu preciso das pessoas para sobreviver, ser feliz.”
“Eu preciso ter uma fonte constante de apoio, de encorajamento.”
Cultivar relacionamentos
dependentes.
Passivo-agressiva Auto-suficiente.
Vulnerável ao controle, à
interferência.
Intrusivos.
Exigentes.
Interferentes.
Controladores,
dominadores.
“Os outros interferem na minha liberdade de ação.”
“Ser controlado pelos outros é intolerável.”
“Eu tenho de fazer as coisas a minha maneira.”
Ameaça: A principal ameaça ou medo gira em tomo da perda da
aprovação e redução da autonomia.
Resistir passivamente
submeter-se
aparentemente.
Evitar, contornar regras
Obsessivo-compulsiva
Palavras-chave:
“controle” e “devo”
Responsável. Confiável
Meticuloso. Competente.
Sua consciência é
perfeccionista. São
impulsionados pelo
“dever”.
Irresponsáveis
Casuais
Incompetentes
Auto-indulgentes
“Eu sei o que e melhor.”
“Os detalhes são cruciais.”
“As pessoas deveriam fazer melhor, se esforçar mais.”
Ameaças: As principais ameaças são falhas, erros, desorganização
ou imperfeições. Eles tendem a “catastrofizar”: “As coisas fugirão
ao controle” ou “Não conseguiremos fazer isso”.
Aplicar regras, padrões,
deveres.
Perfeccionismo
Avaliar, controlar
Controlar o que “deveria”
fazer, criticar, punir
Paranoide
Palavra chave:
“Desconfiança”
Cheio de razão.
Inocente, nobre
Vulnerável
Interferentes
Maliciosos
Discriminadores
Enganadores, traiçoeiros,
Disfarçadamente
manipuladores
Motivos abusivos
“Os motivos dos outros são suspeitos.”
“Preciso estar sempre em guarda.”
“Se eu não tomar cuidado, as pessoas vão me manipular, abusar
ou tirar vantagem de mim.”
“Se as pessoas agirem amigavelmente, e porque estão tentando
me usar.”
“Se as pessoas parecerem distantes, isso prova que são hostis.”
“Eu não posso confiar nas pessoas.”
“Procure motivos ocultos.”
“Não se deixe enganar.”
Ser cauteloso.
Procurar motivos ocultos
Acusar
Contra-atacar
Anti-social Solitário
Autônomo
Forte
Vulneráveis
Exploradores
“Eu tenho direito de quebrar regras.”
“Os outros são otários, covardes.”
“Eu sou melhor do que os outros.”
“Eu preciso tomar cuidado.”
“Tenho de ser o agressor para não ser a vítima.”
Atacar, roubar
Enganar, manipular
(BEACK, Aaron T. FREEMAN, Arthur. DAVIS, Denise D. e colaboradores. Terapia Cognitiva dos
Transtornos da Personalidade. Tradução: Maria Adriana Veríssimo Veronese. 2ª edição. Porto Alegre:
Artmed, 2005. Pags. 54-55).
Transtorno da
personalidade
Visão do Self Visão dos Outros Principais crenças Principais estratégias
Borderline Vulnerável (a rejeição, a
traição, a dominação)
Destituído (do apoio
emocional necessário)
Desamparado
Fora de controle Defeituoso
Indigno de amor
Mau
(Idealizada)
Poderosos,
amorosos, perfeitos
(Desvalorizada)
Rejeitadores,
controladores,
traidores,
abandonadores
“Não consigo enfrentar as coisas sozinho.”
“Preciso de alguém em quem confiar.”
“Não tolero sentimentos desagradáveis.”
“Se confiar em alguém serei maltratado, considerado
insignificante e me abandonarão.”
“A pior coisa possível seria o abandono.”
“E impossível me controlar.”
“Eu mereço ser punido.”
Subjugar as próprias
Mostrar necessidades, para manter conexão
Protestar dramaticamente, ameaçar ou
tornar-se punitivo em relação àqueles que
sinalizam possível rejeição
Aliviar a tensão por meio da
automutilação e do comportamento
autodestrutivo
Tentar o suicídio como escape
Narcisista
Palavra chave:
“auto-
engrandecimento”.
Especial, único Merecedor
de regras especiais;
Acima das regras
Inferiores
Admiradores
“Já que sou especial, eu mereço, atenção, privilégios,
prerrogativas, regras especiais.”
“Eu estou acima das regras.”
“Eu sou melhor do que os outros.”
“Sou superior aos outros e eles devem reconhecer isso.”
“Se os outros não reconhecerem meu status especial,
eles merecem ser castigados.”
“Para que eu possa manter meu status superior, devo
esperar subserviência dos outros”.
Usar os outros
Transcender as regras
Manipular
Competir
Buscam glória, riqueza, posição, poder e
prestígio, para reforçar continuamente sua
imagem superior.
Histriónica
Palavra chave:
“expressividade”
Glamoroso
Impressionante
Seduzíveis
Receptivos
Admiradores
“As pessoas estão aqui para me servir ou admirar.”
“As pessoas não tem direito de me negar o que eu
mereço.”
“Devo seguir meus sentimentos.”
Usar dramaticidade, charme; ter ataques
de raiva, chorar; gestos suicidas
Esquizóide
Palavra chave:
“Isolamento”
Auto-suficiente
Solitário
Intrusivo “Eu sou, basicamente, uma pessoa sozinha”;
“Os outros são frustrantes.”
“Os relacionamentos são complicados, indesejáveis.”
Manter distancia
Esquizotípica Irreal, isolado, solitário
Vulnerável socialmente
conspícuo
Sobrenaturalmente sensível
e talentoso
Inconfiáveis
Malevolentes
(Pensamento ideográfico, peculiar, supersticioso,
magico; por exemplo, crenças na clarividência,
telepatia ou “sexto sentido” são centrais na estrutura
de crenças.)
“E melhor ficar isolado dos outros.”
Ficar atento e neutralizar a
atenção malevolente dos outros Ficar
consigo mesmo
Estar vigilante quanto a forcas
ou eventos sobrenaturais
(BEACK, Aaron T. FREEMAN, Arthur. DAVIS, Denise D. e colaboradores. Terapia Cognitiva dos
Transtornos da Personalidade. Tradução: Maria Adriana Veríssimo Veronese. 2ª edição. Porto Alegre:
Artmed, 2005. Pags. 54-55).
Transtorno da Personalidade Esquiva
• “Eu sou socialmente inepto(a) e socialmente indesejável em situações profissionais ou sociais.”
• “Se as pessoas se aproximarem de mim, elas descobrirão o meu ‘verdadeiro’ eu e me rejeitarão.”
• “Eu devo evitar situações em que atraia a atenção ou ficar o mais despercebido possível.”
• “Ser exposto(a) como inferior ou inadequado(a) será intolerável.”
• “As pessoas são potencialmente críticas, indiferentes, degradantes ou rejeitadoras.”
Transtorno da Personalidade Dependente
• “Se eu não for amado(a), serei sempre infeliz.”
• “A pior coisa possível seria ser abandonado(a).”
• “Eu me sinto desamparado quando me deixam por minha própria conta.”
• “Eu preciso ter acesso o tempo todo à pessoa que me ajuda e me apóia.”
• “Eu sou basicamente sozinho (a) - a menos que consiga me ligar a uma pessoa mais forte.”
Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva
• “Os detalhes são extremamente importantes.”
• “E importante fazer com perfeição tudo o que se faz.”
• “As pessoas deveriam fazer as coisas à minha maneira.”
• “Eu preciso de ordem, esquemas e regras a fim de fazer bem o meu trabalho.”
• “Se não tivermos esquemas, tudo acaba dando errado.”
Transtorno da Personalidade Narcisista
• “Eu não preciso seguir as regras que se aplicam às outras pessoas.”
• “Tenho todas as razões para esperar grandes coisas.”
• “Já que sou tão superior, mereço tratamento e privilégios especiais.”
• “As outras pessoas não merecem a admiração e as riquezas que conseguem obter.”
• “Já que sou tão talentoso(a), as pessoas deveriam fazer o possível para promover a minha carreira.”
(BEACK, Aaron T. FREEMAN, Arthur. DAVIS, Denise D. e colaboradores. Terapia Cognitiva dos Transtornos da
Personalidade. Tradução: Maria Adriana Veríssimo Veronese. 2ª edição. Porto Alegre: Artmed, 2005. Pag. 66).
(continuação)
Transtorno da Personalidade Paranóide
• “As pessoas tirarão vantagens de mim se eu lhes der chance.”
• “Os outros tentarão me usar ou manipular se eu não tomar cuidado.”
• “Tenho de ficar em guarda o tempo todo.”
• “Se as pessoas agirem amistosamente, podem estar tentando me usar ou explorar.”
• “As pessoas tentarão, deliberadamente, me degradar.”
Transtorno da Personalidade Borderline
• “Sentimentos desagradáveis virão à tona e ficarão fora de controle.”
• “Não consigo lidar com as situações como os outros conseguem.”
• “As pessoas, muitas vezes, dizem uma coisa, mas querem dizer outra.”
• “Se as pessoas se aproximarem de mim, elas descobrirão o meu ‘verdadeiro’ eu e me rejeitarão.”
• “Alguma pessoa de quem sou íntimo(a) poderia ser desleal ou infiel”.
• “Eu sou carente e frágil.”
• “Não posso confiar nas pessoas.”
• “Tenho de ficar em guarda o tempo todo.”
• “Preciso de alguém que esteja todo o tempo disponível para me ajudar e executar o que eu preciso fazer ou no
caso de alguma coisa ruim acontecer.”
• “As pessoas tirarão vantagem de mim, se eu lhes der chance.”
• “Qualquer sinal de tensão em um relacionamento indica que o relacionamento se deteriorou, portanto devo terminá-lo.”
• “Eu me sinto desamparado quando me deixam por conta própria.”
• “As pessoas só prestarão atenção se eu agir de maneira extrema.”
• “As pessoas vão me atingir, se eu não atingi-las primeiro.”
Nota: Com exceção do transtorno da personalidade borderline (TPB), estão listados os critérios das cinco crenças mais comuns do PBQ que
discriminam melhor uns transtornos da personalidade de outros. Estão listadas todas as 14 crenças, descobertas por Butler e colaboradores
(2002) para diferenciar o TPB de outros transtornos da personalidade.
(BEACK, Aaron T. FREEMAN, Arthur. DAVIS, Denise D. e colaboradores. Terapia Cognitiva dos Transtornos da
Personalidade. Tradução: Maria Adriana Veríssimo Veronese. 2ª edição. Porto Alegre: Artmed, 2005. Pag. 66).
Eu sou o que penso. Meus pensamento se formam a partir de como eu percebo o mundo. De acordo com o
que penso, assim vou atuar no mundo. O que eu penso, o que eu sinto, cria minha realidade.
“Não são as situações que nos afetam, e sim como reagimos a ela, a maneira como nós enxergamos essas
situações.” A maneira como processamos o que acontece conosco gera, um pensamento, e este gera uma
emoção, e nossas respostas fisiológicas. Todos nós temos visões bem especificas sobre nós mesmos, sobre os
outros e sobre o futuro.
As disfuncionais ativam
pensamentos tipo:
“Ninguém gosta de mim”;
“Nada dá certo”;
“É sempre assim”.
Os pensamentos disfuncionais causam prejuízo sobre a vida da pessoa;
Levam emoções negativas ou disfuncionais e comportamentos disfuncionais;
As crenças disfuncionais geralmente são:
Negativas, rígidas e generalizantes;
Elas se formam durante o desenvolvimento, na infância, na adolescência, pensamentos e
comportamentos dos pais e familiares, de amigos, da sociedade e cultura, experiências de vida positiva e
negativa.
Crenças sobre:
ou
Pensamentos e comportamentos:
o Dos pais e familiares;
o De amigos;
o De pessoas próximas;
o Da sociedade;
Experiências gerais de nossas vidas
(positivas e negativas);
Cultura;
Vão criar crenças:
o sobre si mesmo,
o sobre o outro,
o sobre o mundo,
o e sobre o futuro;
Estas crenças geram os
Pensamentos automáticos;
Essas crenças podem ser:
Em relação a si mesmo: citado acima;
Em relação aos outros: Os outros são categorizados de maneira inflexível. São
vistos como desprezíveis, frios, prejudiciais, ameaçadores e manipuladores.
o Também é possível desenvolver uma crença positiva em relação aos outros
e em detrimento a si mesmo: as pessoas são superiores, muito eficientes,
amáveis e úteis (diferente de si mesmo);
Em relação ao mundo: o mundo é injusto, hostil, imprevisível, incontrolável,
perigoso.
As crenças centrais são conteúdos dos esquemas cognitivos mal adaptativos e
agem como uma lente que afeta a Percepção, isto é, a pessoa passa a ver a
situação apenas de um ponto de vista (equivocado, distorcido, exagerado).
Com essas ideias na mente, a pessoa vai criando Estratégias Compensatórias
para lidar com o sofrimento. Tais estratégias podem ser desadaptativas trazendo
desajustes emocionais.
EXEMPLO:
o Crença central: Sou insignificante;
• Estratégia: É melhor eu me isolar, evitar aproximação.
o Crença central: sou vulnerável;
• Estratégia: Agir com firmeza, dominar, evitar qualquer possibilidade de ser
prejudicado.
As crenças disfuncionais podem ser divididas em:
Em nossa experiência de vida, desde a infância, é possível desenvolver idéias
negativas, distorcidas da realidade, equivocadas pela percepção que temos
sobre os eventos da vida. Tais ideias se enraizam em nossa mente e são
incorporadas como verdades absolutas e geram sofrimento psicológico ao longo
dos anos da idade adulta. Essas idéias são chamadas, na Terapia Cognitiva, de
crenças centrais. As crenças centrais podem ser:
o DESAMPARO - a pessoa tem uma certeza (irracional/inconsciente) de que é
incompetente e sempre será um fracassado.
o Ex de PA: Sou inadequado, ineficiente, incompetente; Sou fraco e descontrolado; Eu
não consigo mudar; Eu não tenho atitude; Sou uma vítima; Sou vulnerável, inferior,
um fracasso, um perdedor; Não sou igual aos outros.
o DESAMOR - a pessoa tem a certeza (irracional/inconsciente) de que será
rejeitada.
o Ex de PA: Sou diferente, indesejável, feio, monótono, não tenho nada a oferecer; Não
sou amado, querido, sou negligenciado; Sempre serei rejeitado, abandonado, sempre
estarei sozinho; Sou diferente, imperfeito, não sou bom o suficiente para ser amado.
o DESVALOR - a pessoa acredita ser inaceitável e sem importância alguma.
o Ex de PA: Sou inaceitável; Sou mau, louco, derrotado; Sou um nada, um lixo. Sou
cruel, perigoso, maligno; Não tenho valor, e não mereço viver.
Geralmente as pessoas acreditam que são incapazes de fazer alguma coisa. Se sentem impotentes,
carentes, frágeis. Incapazes de se protegerem (emocionalmente ou fisicamente) ou incapazes comparadas
a outras pessoas. Crenças de serem frágeis, de serem vulneráveis em relação aos outros.
• “Sou incapaz”, “Eu não consigo mudar”, “Eu não tenho atitude”, “Não sou objetivo”, “Não tenho jeito”,
“Não faço nada direito”, “Sou vulnerável”, “Sou indefeso”, “Sou fraco, descontrolado”, “Sou um
fracasso”, “Sou uma vítima”, “Eu não consigo me proteger”, “Não sou bom como os outros”, “Não sou
bom suficiente”, “Sou inadequado, ineficiente, incompetente”;
As pessoas acreditam que há algo nelas que dificulta receber amor dos outros, ou intimidade que elas
querem das outras pessoas. Incapacidade de receber amor (não se sentem merecedoras de serem amadas.
Rejeitadas. São pensamentos de:
• “Não me encaixo”, “Sou desinteressante”, “Não sou amável”, “Os outros não gostam de mim”, “Não vão
gostar de mim”;
As pessoas pensam que existem nela alguma coisa nela moralmente ruim. Elas acreditam que são
moralmente ruins, que há algo dentro delas que é simplesmente terrível. Elas se sentem incapaz, falhando
em tudo que ela faz, começa a botar defeito e não se sai bem o suficiente. São pensamentos de:
• “Sou mau”, “Eu não presto”, “Sou ruim”, “Sou tóxico”, “Sou um perigo para os outros”, “Sou um animal”;
As crenças também podem ser mais generalizantes sobre as outras pessoas, sobre o mundo e sobre o futuro.
• “As mulheres são todas ruins”, “Os homens são todos uns safados”, “O mundo é um lugar perigoso e
incerto”, “O futuro será muito ruim”;
As crenças disfuncionais causam muito sofrimento. Desenvolvemos então:
1) Suposições;
2) Regras;
3) Estratégias compensatórias;
Exemplos:
Crença Central  “Sou um fracasso”
1) Suposição: pode desenvolver uma suposição:
– Se eu falho, erro, significa que sou um fracasso.
Então ele vai desenvolver uma:
2) Estratégia compensatória
vai desenvolver Comportamentos Perfeccionistas:
– Tenho que fazer tudo perfeito e assim não mostrarei aos outros que eu sou um
fracassado.
Crença Central  “Sou Inadequado”
3) Estratégia compensatória:
É melhor eu depender dos outros.
Pensamentos automáticos
Crenças Intermediárias
(pressupostos e regras)
Crenças Nucleares
(esquemas)
Níveis de cognição.
Exemplos:
Crença Central  “Sou vulnerável, frágil”.
1) Suposições e Regras Intermediárias:
– Se eu evitar outras pessoas, eu ficarei bem, mas se eu reclamar, vou me
machucar.
Então vou desenvolver a regra:
2) Regra:
“Não chegue perto das pessoas”.
3) Estratégia compensatória:
Evita participar de grupo que tem interesse.
Crença Central  “Sou vulnerável” (Crença de Desamor)
3) Estratégia compensatória:
Eu mando aqui.
Vai ser controladora para evitar possibilidades em que será prejudicada.
Crença Central  “Sou Insignificante” (Crença de Desvalor)
3) Estratégia compensatória:
Se isolar para que não percebam. Evita convívio.
Ansiedade
(Emoção de Medo)
Comportamento de ligar
para a pessoa para saber se
aconteceu algo com o
amigo. Vai ter reações
fisiológicas de taquicardia,
sudorese.
A CRENÇA SOBRE O
MUNDO- é de que o mundo
é um lugar incerto e
perigoso.
Se alguém desmarcou é
porque algo sério aconteceu.
Raiva
Comportamento de
ficar sem falar com a
pessoas.
Pensa que a pessoa é
sem educação e é um
desrespeito.
Alivio
(Emoção de Alegria)
Remarcou com o
amigo para outro
dia.
Tristeza
Tem a crença de
que não é amado.
Tem a reação de
choro.
Um amigo cancela o jantar em cima da hora
“Será que aconteceu
alguma coisa?”
“Que desrespeito, é
sempre assim.”
“Ufa! Não estava com
vontade mesmo.”
“Ele não quer sair
comigo”
Coexistem com o fluxo de pensamentos manifestos;
Aparecem espontaneamente, e não como resultado de reflexão ou vontade;
São, usualmente, aceitos como verdadeiros, sem avaliação crítica;
Se não monitorados, passam completamente despercebidos; a emoção associada é mais
frequentemente reconhecida;
Estão associados com emoções específicas, consoante seu conteúdo e significado;
São, usualmente, breves, rápidos e fugazes, de forma telegráfica;
Podem ocorrer em forma verbal ou como imagens;
Pode-se aprender a identificar pensamentos automáticos;
Pode-se avaliá-los quanto à sua validade e/ou utilidade.
Em relação à validade e utilidade dos pensamentos automáticos, eles podem ser de três tipos (J. Beck,
1995):
1. Distorcidos, ocorrendo apesar das evidências em contrário. Ex.: “Se me separar, nunca mais serei
feliz.”
2. Acurados, mas com a conclusão distorcida. Ex.: “Meu filho não me telefonou até agora, deve
estar incomodado comigo.”
3. Acurados, mas totalmente disfuncionais. Ex.: “Com esta lesão articular, a vida perdeu a graça,
pois nunca mais poderei jogar tênis.”
(KNAPP, Paulo & colaboradores. Terapia Cognitivo-Comportamental na Prática Psiquiátrica. Porto
Alegre: Artes Médicas (ARTMED Editora), 2004, p.25-26).
Distorções Cognitivas, exemplos:
o Inferência Arbitrária – concluir ao contrário do que apontam as
evidências;
o Abstração Seletiva (Filtro Mental) – concluir baseando-se apenas em uma
pequena parte de dados;
o Magnificação ou Minimização – avaliar distorcidamente a importância
relativa dos eventos, para mais ou para menos;
o Personalização – relacionar eventos externos a própria pessoa quando
não há indícios para tanto;
o Pensamento Dicotômico – classificar as pessoas ou a si mesmo em
categorias rígidas e estanques;
o Pensamento Catastrófico – previsão de um pior desfecho possível, sem
levar em conta as alternativas.
1. Catastrofização – Pensar que o pior de uma situação irá acontecer, sem levar em consideração a possibilidade de outros
desfechos. Acreditar que o que aconteceu ou irá acontecer será terrível e insuportável. Eventos negativos que podem ocorrer são
tratados como catástrofes intoleráveis, em vez de serem vistos em perspectiva. Exemplos: Perder o emprego será o fim da minha
carreira. Eu não suportarei a separação da minha mulher. Se eu perder o controle, será meu fim.
2. Raciocínio emocional (emocionalização) – Presumir que sentimentos são fatos. “Sinto, logo existe”. Pensar que algo é
verdadeiro porque tem um sentimento (na verdade, um pensamento) muito forte a respeito. Deixar os sentimentos guiarem a
interpretação da realidade. Presumir que as reações emocionais necessariamente refletem a situação verdadeira. Exemplos: Eu
sinto que minha mulher não gosta mais de mim. Eu sinto que meus colegas estão rindo nas minhas costas. Sinto que estou tendo
um enfarto, então deve ser verdadeiro. Sinto-me desesperado, portanto, a situação deve ser desesperadora.
3. Polarização (pensamento tudo-ou-nada, dicotômico) – Ver a situação em duas categorias apenas, mutuamente
exclusivas, em vez de um continuum. Perceber eventos ou pessoas em termos absolutos. Exemplos: Deu tudo errado na festa.
Devo sempre tirar a nota máxima, ou serei um fracasso. Ou algo é perfeito, ou não vale a pena. Todos me rejeitam. Tudo foi
uma perda de tempo total.
4. Abstração seletiva (visão em túnel, filtro mental, filtro negativo) – Um aspecto de uma situação complexa é o foco da
atenção, enquanto outros aspectos relevantes da situação são ignorados. Uma parte negativa (ou mesmo neutra) de toda uma
situação é realçada, enquanto todo o restante positivo não é percebido. Exemplos: Veja todas as pessoas que não gostam de
mim. A avaliação do meu chefe foi ruim (focando apenas um comentário negativo e negligenciando todos os comentários
positivos).
5. Adivinhação – Prever o futuro. Antecipar problemas que talvez não venham a existir. Expectativas negativas estabelecidas
como fatos. Exemplos: Não irei gostar da viagem. Ela não aprovará meu trabalho. Dará tudo errado.
6. Leitura mental – Presumir, sem evidências, que sabe o que os outros estão pensando, desconsiderando outras hipóteses
possíveis. Exemplos: Ela não está gostando da minha conversa. Ele está me achando inoportuno. Ele não gostou do meu projeto.
7. Rotulação – Colocar um rótulo global, rígido em si mesmo, numa pessoa ou situação, em vez de rotular a situação ou o
comportamento específico. Exemplos: Sou incompetente. Ele é uma pessoa má. Ela é burra.
(KNAPP, Paulo & colaboradores. Terapia Cognitivo-Comportamental na Prática Psiquiátrica. Porto Alegre: Artes Médicas
(ARTMED Editora), 2004, p.33).
8. Desqualificação do positivo – Experiências positivas e qualidades que conflituam com a visão negativa são desvalorizadas
porque “não contam” ou são triviais. Exemplos: O sucesso obtido naquela tarefa não importa, porque foi fácil. Isso é o que
esposas devem fazer, portanto, ela ser legal comigo não conta. Eles só estão elogiando meu trabalho porque estão com pena.
9. Minimização e maximização – Características e experiências positivas em si mesmo, no outro ou nas situações são
minimizadas, enquanto o negativo é maximizado. Exemplos: Eu tenho um ótimo emprego, mas todo mundo tem. Obter notas
boas não quer dizer que eu sou inteligente, os outros obtêm notas melhores do que as minhas.
10.Personalização – Assumir a culpa ou responsabilidade por acontecimentos negativos, falhando em ver que outras pessoas e
fatores também estão envolvidos nos acontecimentos. Exemplos: O chefe estava com a cara amarrada, devo ter feito algo
errado. É minha culpa. Não consegui manter meu casamento, ele acabou por minha causa.
11. Hipergeneralização – Perceber num evento específico um padrão universal. Uma característica específica numa situação
específica é avaliada como acontecendo em todas as situações. Exemplos: Eu sempre estrago tudo. Eu não me dou bem com
mulheres.
12. Imperativos (“deveria” e “tenho-que”) – Interpretar eventos em termos de como as coisas deveriam ser, em vez de
simplesmente considerar como as coisas são. Afirmações absolutistas na tentativa de prover motivação ou modificar um
comportamento. Demandas feitas a si mesmo, aos outros e ao mundo para evitar as consequências do não cumprimento dessas
demandas. Exemplos: Eu tenho que ter controle sobre todas as coisas. Eu devo ser perfeito em tudo que faço. Eu não deveria
ficar incomodado com minha esposa.
13. Vitimização – Considerar-se injustiçado ou não entendido. A fonte dos sentimentos negativos é algo ou alguém, havendo
recusa ou dificuldade de se responsabilizar pelos próprios sentimentos ou comportamentos. Exemplos: Minha esposa não entende
meus sentimentos. Faço tudo pelos meus filhos e eles não me agradecem.
14. Questionalização (E se?) – Focar o evento naquilo que poderia ter sido e não foi. Culpar-se pelas escolhas do passado e
questionar-se por escolhas futuras. Exemplos: Se eu tivesse aceitado o outro emprego, estaria melhor agora. E se o novo emprego
não der certo? Se eu não tivesse viajado, isso não teria acontecido.
(KNAPP, Paulo & colaboradores. Terapia Cognitivo-Comportamental na Prática Psiquiátrica. Porto Alegre: Artes Médicas
(ARTMED Editora), 2004, p.33).
Leitura Mental
Achar que sabe o que os
outros pensam, sem ter
evidências.
Previsão do Futuro
Fazer previsões somente
negativas para o futuro.
Catastrofização
Acreditar que um
acontecimento é terrível
e insuportável.
Rotulação
Atribuir traços negativos
que englobam a pessoa
completamente.
Desqualificação do
Positivo
Menosprezar aspectos
positivos de si ou dos
outros.
Filtro Negativo
Enxergar somente a
faceta negativa da
pessoa ou situação.
Generalização
Padrão global negativo
baseado em um único
evento.
Pensamento Dicotômico
Avaliar fatos e pessoas
em termos de tudo ou
nada.
“Deveria”
Enfatizar como as coisas
deveriam ser em vez de
perceber o que são.
Personalização
Atribuir somente a si a
culpa por fatos
negativos.
Culpabilizar
Considerar somente
outra pessoa como fonte
de suas emoções
negativas.
Comparações Injustas
Estabelecer padrões
irreais, comparando-se
com níveis muito
superiores.
Lamentações
Enfatizar
exageradamente o que
deveria ter feito ao invés
do que pode fazer
agora.
E se?
Fazer mil e uma
conjecturas “se isso ou
aquilo acontecer” e
nunca se dar por
satisfeito e seguro.
Incapacidade de Refutar
Negar evidências que
contradizem os
pensamentos negativos.
Julgamento
Avaliar tudo em termos
de bom mau ou superior
inferior, exagerando nos
julgamentos.
BECK, Aaron T. Teoria cognitiva da depressão. Porto Alegre: Artes Médicas (ARTMED Editora),
2007.
LEAHY, Robert L. Técnicas de terapia cognitiva: manual do terapeuta. Porto Alegre: Artes
Médicas (ARTMED Editora), 2006.
1) Identificação do Pensamento Automático:
que deriva de uma...
2) Crença Central;
3) Intervenções que modificam essas crenças
Começamos a trabalhar em cima dos Pensamentos Automáticos:
• São mais flexíveis;
• São menos rígidos que as crenças disfuncionais
Como fazemos isso?
Em cima do que chamamos Restruturação Cognitiva
Utilizando o Questionamento Socrático
Como se faz? Devolvendo as perguntas, fazendo com que o paciente
reflita sobre a situação, o pensamento que gerou a emoção (reação), o
comportamento e a resposta fisiólogica.
Depois fazemos ou cogitamos os Pensamentos Alternativos
Cogitamos com o paciente outras possibilidades. Outros pensamentos
alternativos que poderiam estar explicando aquela situação.
(ex.: Que tipos de pensamentos poderia ser?)
Depois vai se colocando em prática os Experimentos Comportamentais.
Inicia-se pela identificação e pelo registro de pensamentos automáticos
e crenças disfuncionais.
Subsequentemente, é feita uma análise dos “erros de lógica” inerentes
às interpretações catastróficas. Para isso, é importante que o paciente
considere tais pensamentos como meras hipóteses, e não como fatos.
A forma mais usual de corrigir esses erros de lógica é o chamado
questionamento socrático. Nessa técnica, o paciente, juntamente com o
terapeuta, faz um exame das evidências que apoiam o seu pensamento
e das evidências que são contrárias, a fim de descobrir formas
alternativas de interpretar suas sensações físicas.
Após a análise das probabilidades, elaboram-se novas alternativas,
que são chamadas de “lembretes” (por exemplo: “estou tendo um
ataque que não mata nem enlouquece”.
Servem para provar para o paciente se o pensamento disfuncional é
verdadeiro ou não. Se o pensamento alternativo também funciona ou não.
Os experimentos: Exemplo:
1) Coloca a pessoa de frente com o seu medo: para desqualificar, fazendo
com que ele perca sua força.
2) Mostra a validade do Pensamento Disfuncional e desqualifica;
Outros pensamentos considerados verdadeiros nas crenças disfuncionais
precisa de outra técnica. Utilizamos então a técnica de Resolução de
Problemas.
Ex.: Analisando chegamos a conclusão que a pessoa não gosta mesmo
dela... e isto causa Reações Disfuncionais.
Vamos para:
1) Como lidar com isso.
2) Isto é mesmo importante?
3) Porque é importante?
Vamos solucionar o problema.
a) Redescobrir a melhor maneira de lidar com o modelo cognitivo do
problema.
b) Diminuir o sofrimento.
c) Pode ajudar na restruturação cognitiva.
Mudança de comportamento, mudança de ambiente.
Ex.: Se a pessoa tem uma crença de ansiedade  ensinar uma técnica de
relaxamento pela respiração.
1) Podemos trabalhar em cima do pensamento a técnica de
restruturação cognitiva que foi explicada.
2) Ou em cima da Emoção – técnica de relaxamento por respiração para
diminuir a ansiedade.
3) Ou podemos trabalhar em cima do comportamento – testando outros
comportamentos.
4) Trabalhar no controle de situação –
Para situações muitos especificas
Tirando a pessoa daquela ambiente, daquela circunstância.
Ex.: A pessoa que quer emagrecer – tira de sua frente doces, etc.
Situação de pessoas que não sentem bem em um grupo. Não podemos
utilizar o trabalho sobre a situação.
O que o paciente quer alcançar.
Áreas de vida avaliada:
• Família;
• Saúde;
• Lazer;
• Afetiva;
• Acadêmica;
• Espiritualidade;
• Social;
• Financeira;
Autoconceito – Avaliamos as metas e dificuldades em cada área deste.
Avaliamos o dia típico  o que gostaria que fosse diferente.
É importante que o terapeuta se comporte de forma a minimizar o
sofrimento do cliente. Para isso é necessário que ele apresente-se como
uma audiência não-punitiva e como um agente reforçador, trazendo
um aumento da tolerância do cliente para a exposição a emoções
aversivas e maximizando as chances do cliente aceitar interpretações,
seguir instruções e atentar quaisquer intervenções que o terapeuta
possa fazer.
Na TCC os terapeutas:
Encorajam o reconhecimento e a identificação de pensamentos
patológicos em dois níveis de processamento de informações
relativamente autônomos:
o pensamentos automáticos e
o crenças centrais.
Ensinam os pacientes a utilizar técnicas para “pensar sobre o
pensamento” a fim de atingir a meta de trazer as cognições autônomas
à atenção e ao controle consciente.
Primeira Fase – enfatiza-se a definição da estratégia de intervenção,
ou seja, a conceitualização cognitiva do paciente e de seus problemas,
a definição das metas terapêuticas e do planejamento do processo de
intervenção;
Segunda Fase – o terapeuta objetiva a normalização das emoções do
paciente para promover a motivação do paciente para o trabalho
terapêutico e sua vinculação ao processo.
Terceira Fase – o terapeuta enfatiza a intervenção em nível
estrutural, ou seja, o desafio das crenças e esquemas disfuncionais,
objetivando promover a reestruturação cognitiva.
Quarta Fase – onde promove-se, através de várias técnicas, a
assimilação e generalização dos ganhos terapêuticos, bem como a
prevenção de recaídas;
Término:
o A terapia em seu formato semanal deve ser encerrada quando a
maioria dos sintomas tiver sua intensidade reduzida
significativamente, causando interferência mínima na rotina de
vida do paciente.
o Nessa fase, faz-se a revisão das técnicas aprendidas e orienta-se
para a prática contínua das mesmas, visando-se assim, a
manutenção da melhora clínica.
o Deve-se também atentar para a recaídas e seus potenciais
desencadeantes.
o Finalmente, as consultas podem ser espaçadas ao longo de um
período, até a alta propriamente dita.
Depressão – Visão negativa de si, dos outros e do futuro;
Transtornos de Ansiedade;
Transtornos Alimentares;
Abuso de Substâncias e de Álcool;
Transtornos de Personalidade;
Transtorno Psicótico (Esquizofrenia, transtorno delirante);
Transtorno Bipolar;
Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade;
Dor Crônica.
Casos contraindicados:
Doença mental orgânica, que implique comprometimento cognitivo
(Demência).
Retardo Mental.
Pouca capacidade para trabalhar introspectivamente (incapacidade de
identificar pensamentos, emoções, crenças e expressá-los em palavras).
Psicose aguda.
Patologia grave do caráter borderline ou antissocial.
Ausência de Motivação.
O terapeuta e o paciente trabalham juntos para identificar crenças que
a pessoa tem de si e utilizam técnicas que incluem:
o Identificação e Registro de Pensamentos Automáticos Disfuncionais
(RPD) e Distorções Cognitivas (ABC);
R.P.D.
Dia/hora Situação Pensamento
Automático
Emoção Resposta
adaptativa
Resultado
Quando você notar
seu humor ficando
pior.
Especifique a
situação, o que
aconteceu. Onde
você estava.
Fazendo o quê.
Quem estava
envolvido.
Que pensamentos e/ou
imagens passaram pela
sua cabeça naquela
situação? Sublinhe o
pensamento mais
importante ou que mais
lhe incomodou. Se
possível, quanto você
acredita em cada uns
dos pensamentos (0-
100%).
Que sentimentos ou
emoções (tristeza,
ansiedade, raiva,
etc.) você sentiu
naquela situação. Se
possível, avalie a
intensidade de cada
emoção (0-100%).
Verifique quão realistas ou
verdadeiros são estes
pensamentos, e construa uma
resposta mais racional, com
os pensamentos alternativos
mais adequados para a
situação.
Use as perguntas abaixo para
compor as respostas dos
pensamentos automáticos.
Se possível, avalie quanto
você acredita em cada
resposta alternativa.
Quais as possíveis distorções
cognitivas que você fez?
Avalie quanto
mudou seu
pensamento e sua
emoção original.
Avalie quanto
você acredita
agora em seus
pensamentos
automáticos (0-
100%) e a
intensidade de
suas emoções (0-
100%).
(BECK, Judith S. Teoria Cognitiva: teoria e prática. Tradução Sandra Costa. Porto Alegre: Artes
Médicas (ARTMED Editora), 1997, p.136).
A ansiedade é uma resposta de proteção, que prepara o organismo
para atacar ou fugir de perigos reais ou não. O relaxamento é um
processo psicofisiológico, de aprendizagem das respostas biológicas de
relaxamento e inclui:
o Exercícios de respiração – treino em padrões de baixas taxas de
respiração, inspiração-expiração profundas e amplas e respirações
diafragmáticas. Esse treino distrai o paciente, dando-lhe sensação
de controle sobre o organismo.
o Relaxamento muscular progressivo – tensionar e relaxar diferentes
grupos musculares para obtenção de um estado de conforto e bem-
estar.
O paciente, durante um estado de relaxamento físico, vai imaginar
uma hierarquia de situações que lhe provocam ansiedade, com o
objetivo de familiarizar-se com elas e, ao mesmo tempo, com a
finalidade de reduzir as respostas ansiosas. Uma das principais
técnicas utilizadas no tratamento da fobia social e específica e
síndrome do pânico.
Orienta-se o paciente a emitir respostas adequadas em situações
específicas ou pelo ensaio comportamental (procedimento para o
treino da assertividade). É uma técnica eficaz no tratamento da fobia
e da ansiedade social.
Terapeuta e cliente se comportam imitando o comportamento de
alguma pessoa relevante no ambiente natural do sujeito ou fazendo
uma representação do comportamento do próprio sujeito em alguma
situação social. Serve para treinar o paciente a interagir
adequadamente em situações sociais.
É uma técnica de autocontrole, que consiste em formular um
pensamento indesejado e com um comando de “pare” em voz alta,
impedir a evolução do pensamento. Essa técnica é muito útil porque a
presença de pensamentos incômodos favorece a ocorrência de
comportamentos indesejáveis. Muito utilizada no tratamento do
estresse pós-traumático.
Consiste em ensinar ao paciente a desenvolver pensamentos adequados
à situação temida e realísticos quanto às possíveis consequências do
comportamento.
“O que mais poderia acontecer?”
Consiste em treinar o paciente na vivência de uma situação
estressante, para que ele desenvolva recursos de enfrentamento a
serem utilizados na situação temida real. Muito utilizada no
tratamento do pânico, fobias específicas, transtorno do estresse pós-
traumático, ansiedade generalizada, alcoolismo, entre outros.
O treinamento é programado conforme a queixa, as características e
as necessidades de cada paciente e realizado em três etapas:
o Preparação: o terapeuta informa e educa o paciente com relação
ao conceito e a causa da ansiedade e do medo.
o Treino em habilidade básicas: o paciente, inicialmente, antecipa a
situação crítica e descreve o evento estressante. Aprende e ensaia
respostas adequadas de autoinstrução para enfrentamento dessas
situações.
o Confronto: o paciente é colocado com situações reais, reconhecidas
como estressantes, nas quais terá a oportunidade de aplicar suas
habilidades. Iniciando com situações de dificuldade média, é
orientado a confrontar cada situação e analisar suas respostas de
enfrentamento.
Reconhecer e descrever o problema, apontando suas especificidades.
Determinar os objetivos e propor possíveis estratégias viáveis de ação
ao alcance da realidade pessoal do paciente.
Ponderar sobre possíveis consequências de cada estratégia proposta,
analisando ganhos e perdas a curto e médio prazo.
Avaliar se a alternativa selecionada esta conduzindo ao resultado
desejado.
Consiste em expor o paciente, repetidamente, ao vivo ou na
imaginação, diretamente a situação temida, que são evitadas por
desencadearem ansiedade. Muito apropriada para tratamento de
fobias.
https://www.youtube.com/watch?gl=BR&v=45U1F7cDH5k&hl=pt

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TCC - Terapia cognitivo-comportamental

  • 1. “O que perturba o ser humano não são os fatos, mas a interpretação que ele faz dos fatos.” (Epictetus - Sec. I).
  • 2. Na década de 70 houve um grande desenvolvimento e reconhecimento da terapia comportamental devido ao surgimento de novas técnicas, especialmente no tratamento de fobias, obsessões e disfunções sexuais. Foi nesta época que Lang, Rachman e outros desenvolveram a ideia de que um problema psicológico poderia ser compreendido sob três enfoques diferentes (ou “três sistemas”) ligados entre si, tais como: os sistemas comportamental, cognitivo/afetivo e fisiológico. Esta ideia representou uma quebra com a visão unitária dos problemas psicológicos que até então existia. “A designação mais abrangente de terapia cognitivo-comportamental (TCC) é a mais usual na atualidade, pois utiliza ao mesmo tempo intervenções típicas do modelo cognitivo, como as técnicas destinadas à correção de crenças e pensamentos disfuncionais e incorpora técnicas comportamentais da terapia comportamental, como a exposição e o uso de reforçadores, entre outras”. (KNAPP, 2008).
  • 3. A TCC integra técnicas e conceitos vindos de duas principais abordagens psicológicas: Cognitiva; Comportamental; A terapia comportamental tem como base as teorias e princípios da aprendizagem que se desenvolveram a partir do início do século XX, apoiando-se principalmente nos conceitos de: o Condicionamento clássico (Pavlov), o Condicionamento operante (Skinner) e, o Aprendizagem social (Bandura).
  • 4. Sistema de terapia cujo princípio básico é de que as cognições (pensamentos, crenças, interpretações) de um indivíduo frente a situações influenciam suas emoções e comportamentos. O terapeuta atua sobre as cognições, a fim de alterar as emoções e comportamentos que as acompanham. Proposta inicialmente por Aaron T. Beck (1976) que observou a existência de três principais áreas de distorção cognitiva na depressão (tríade cognitiva): o Visão negativa de si mesmo - percepção de si mesmo, o Visão negativa do mundo/outro/ambiente de vida - experiências a sua volta/o que lhe transmite e o Visão negativa para o futuro - o que se espera que aconteça. Beck propôs o uso de estratégias para corrigir tais distorções, que se revelaram efetivas. Posteriormente a terapia cognitiva foi estendida para diversos outros transtornos.
  • 5. A Terapia Cognitiva (TC) que é uma abordagem que tem como objetivo nosso pensamento, ou seja, nossa cognição. Para entender melhor a TC, é fundamental que você conheça seus três princípios básicos: 1. O pensamento afeta o humor e o comportamento; 2. O pensamento pode ser monitorado e alterado; 3. Mudanças no humor e no comportamento desejado podem ser efetuadas por meio de mudanças no pensamento; A partir destes princípios observamos que nossas emoções indesejáveis e nossas atitudes não adaptadas à realidade são produtos de um pensamento disfuncional, ou seja, quando você sente ansiedade e se comporta de forma a evitar situações está exercendo uma forma errônea de pensar. Portanto, a TC é uma abordagem voltada para a modificação da forma disfuncional que pensamos, pois essa mudança trará benefícios para nossas emoções e atitudes disfuncionais. O modelo cognitivo está embasado no fato de que uma situação gera pensamentos automáticos que geram nossas emoções. Estes pensamentos automáticos são formados pelas nossas crenças. Frente a estas explicações podemos observar que a mudança é viável, pois à medida que modificamos nosso pensamento, automaticamente estamos modificando nossa maneira de pensar, e conseqüentemente a de agir.
  • 6. Os modelos principais de disfunção no processamento de informações são baseados em: o Pensamentos automáticos - são cognições que aparecem rapidamente em uma determinada situação e não estão sujeitos à análise racional, relacionados, geralmente, com base em uma lógica defeituosa (erros cognitivos); o Crenças centrais (incorporadas aos esquemas) - incluem as regras básicas para a seleção e codificação da informação no ambiente. “Crenças centrais (nucleares - core beliefs) são as nossas idéias e conceitos mais enraizados e fundamentais acerca de nós mesmos, das pessoas e do mundo.” (KNAPP, Paulo & colaboradores. Terapia Cognitivo-Comportamental na Prática Psiquiátrica. Porto Alegre: Artes Médicas (ARTMED Editora), 2004, p.21). Estas construções organizacionais são desenvolvidas através da experiência da infância e influências posteriores. As distorções cognitivas resultam em comportamentos desajustados e que causam sofrimento psíquico. O princípio fundamental da TC é que a maneira como os indivíduos percebem e processam a realidade influenciará a maneira como eles se sentem e se comportam. Desta forma, o objetivo terapêutico da TC, desde seus primórdios, tem sido reestruturar e corrigir esses pensamentos distorcidos e colaborativamente desenvolver soluções pragmáticas para produzir mudança e melhorar transtornos emocionais.
  • 7. A Terapia Cognitiva Comportamental, se baseia na idéia de que não são as situações que influenciam nossas emoções e comportamento, e sim a maneira como nós enxergamos ou pensamos sobre as situações. Os nossos pensamentos sobre as situações, avaliação cognitiva ou a maneira que as informações apresentadas são processadas por nós, causam nossa emoção e consequentemente afetam nosso comportamento e resposta fisiológica. Tendo isso como base, trabalha com a identificação e o questionamento dos pensamentos considerados disfuncionais, que causam as emoções e os comportamentos disfuncionais como por exemplo uma Ansiedade excessiva e Evitar eventos importantes por causa da ansiedade. Situação Pensamento Emoção Comportamento Resposta Fisiológica
  • 8. Na terapia cognitiva, os clientes aprendem a: Distinguir entre pensamentos, sentimentos e a própria realidade. Muitas vezes usamos as palavras “pensar” e “sentir” como sinônimos (por exemplo, Eu sinto que seria uma má decisão comprar esse carro. - Esse é um pensamento, não um sentimento). Tornar-se consciente das maneiras que os seus pensamentos influenciam os seus sentimentos. Os clientes em terapia cognitiva analisam as suas próprias experiências, associadas a uma mudança no humor e na ligação destes com as suas respostas comportamentais. O que estava a pensar antes de notar que estava a ficar triste? Quando tem o pensamento automático: “Eu não consigo fazer nada direito, como se sente?” Quando você enfrentar esses pensamentos e sentimentos é mais provável que você faça algo construtivo ou desistir? Que tipo de comportamento aumenta a probabilidade de sucesso? Por exemplo, se não age como gostaria de agir, poderão existir pensamentos ou crenças auto- desmoralizantes, críticos ou perfeccionistas que paralisam a ação; se estamos a exigir demasiada perfeição de um comportamento, isto pode criar tanta tensão que o mais certo é uma paralisação, devido ao medo de falhar, como se esta “falha” fosse uma catástrofe.
  • 9. Avaliar criticamente a veracidade de seus pensamentos automáticos e suposições. Os clientes em terapia cognitiva são incentivados a desafiar os seus pensamentos automáticos, considerando os factos, a realidade, as explicações alternativas e a conduzir experiencias comportamentais informais. O objetivo é não adotar uma visão irrealisticamente otimista ou positiva. Pelo contrário, aprende-se a considerar o bem e o mal, as provas a favor e contra, e chegar a um pensamento mais correto e lógico, menos preconceituoso, e muitas vezes a conclusões mais razoáveis e flexíveis. Por exemplo, imagine que (a) recebe feedback crítico de seu chefe, (b) tem o pensamento automático: Eu não consigo fazer nada direito, e então (c) se sente triste. Você pode aprender a avaliar criticamente o conteúdo real do feedback, as circunstâncias do feedback e que provas você tem (pró e contra) que você não consegue fazer nada direito, a fim de avaliar a precisão e utilidade do que o pensamento inicial automático lhe sugeria. Desenvolver as habilidades para perceber, interromper e intervir ao nível dos pensamentos automáticos e como eles acontecem. Finalmente, o objetivo da terapia cognitiva é desenvolver as habilidades para modificar processos cognitivos habituais. Como acontece com qualquer habilidade, é preciso tempo e prática para obter a eficácia de aplicar técnicas de terapia cognitiva.
  • 10. Ao longo do tratamento, utiliza-se uma abordagem colaborativa e psicoeducativa, com experiências específicas de aprendizagem desenhadas com o intuito de ensinar os pacientes a: 1) Dar-se conta dos padrões de pensamento, monitorar e identificar pensamentos automáticos; 2) Reconhecer as relações entre pensamento, emoção e comportamento; (reconhecer as relações entre cognição, afeto e comportamento); 3) Testar a validade de pensamentos automáticos e crenças centrais, regras e pressupostos; 4) Corrigir interpretações, conceitualizações tendenciosas e entendimentos irracionais de si e do mundo, substituindo pensamentos distorcidos por ideias e/ou cognições mais realistas e que funcionem; 5) Identificar e alterar crenças, pressupostos ou esquemas que estão na origem de padrões disfuncionais de pensamento.
  • 11. Seu objetivo é compreender sistematicamente os processos que mantém a condição do sofrimento emocional, identificar as ideias, memórias, pensamentos e comportamentos que prejudicam a pessoa, refletindo sobre elas e, posteriormente, testando novos paradigmas de pensamento e comportamento para que seja possível o desenvolvimento de uma vida mais saudável e flexível. Estes três elementos (pensamento, emoção e comportamento) são interligados entre si, muitas vezes levando a ciclos viciosos. Pensamento distorcido Emoção (Humor) Comportamento
  • 12. Constitui um sistema de psicoterapia integrado, combinando o modelo cognitivo de personalidade e de psicopatologia a um modelo aplicado, que reúne um conjunto de princípios, técnicas e estratégias terapêuticas fundamentado diretamente em seu modelo teórico. Demonstra aplicabilidade eficaz, segundo estudos controlados, em áreas diversas, por exemplo: educação, esporte, organizações, tratamento de distúrbios psíquicos e orgânicos, etc. É focal, requerendo uma definição concreta e específica dos problemas do paciente e das metas terapêuticas. Possui um caráter didático, em que o objetivo não é unicamente ajudar o paciente com seus problemas, mas dotá-lo de um novo instrumento cognitivo e comportamental, a fim de que ele possa perceber e responder ao real de forma funcional. As sessões, bem como o processo terapêutico, são semiestruturadas, envolvendo tarefas entre as sessões. É colaborativa, ou seja, reflete um processo em que ambos, terapeuta e paciente, têm um papel ativo, ou seja, as intervenções são explícitas, envolvendo feedback recíproco entre o terapeuta e o paciente. É um processo terapêutico de tempo curto e limitado, podendo sua aplicação variar entre aproximadamente de 10 a 20 sessões. Mostra-se eficaz para diferentes populações, independente da cultura e níveis socioeconômicos ou educacionais.
  • 13. Trabalha em cima das crenças:
  • 14. “Eu sou incompetente” “Se eu não entendo algo, então eu sou burro.” “Isso é difícil demais... “Eu jamais vou aprender...” “Eu jamais entenderia isso...” Aula Ler este livro Tristeza Desconforto Sai da sala Fecha o livro (KNAPP, Paulo & colaboradores. Terapia Cognitivo-Comportamental na Prática Psiquiátrica. Porto Alegre: Artes Médicas (ARTMED Editora), 2004, p.21) ou (BECK, Judith S. Teoria Cognitiva: teoria e prática. Tradução Sandra Costa. Porto Alegre: Artes Médicas (ARTMED Editora), 1997, p.33).
  • 15. As crenças são o entendimento mais básico de pessoas sobre: • Eu; • Mundo; • E o futuro; Os nossos pensamentos influenciam: • O que sentimos; • Comportamentos; • Reações fisiológicas; Surgem então os: Eles estão ligados as nossas crenças centrais: • Desamor: certeza que será rejeitado; • Desamparo: certeza de que é incompetente será sempre um fracasso; • Desvalor: sou um nada, sou insignificante, sou inaceitável, não tenho valor; Com essas ideias distorcidas as pessoas vão criando o que se chama: • Sou Insignificante: Estratégia compensatória  Vai se isolar, evitar contato com as pessoas ou o mundo; • Sou Vulnerável: Estratégia compensatória  Eu mando aqui, vai ser controladora para evitar se machucar; • Através da Restruturação Cognitiva;
  • 16.
  • 17.
  • 18.
  • 19. Transtorno da personalidade Crença/atitudes básicas Estratégia (comportamento manifesto) Dependente “Eu sou incapaz”. Apego/vinculação Esquiva “Eu posso me machucar”. Evitação Passivo-agressiva “Eu poderia ser controlado”. Resistência Paranoide “As pessoas são perigosas”. Cautela Narcisista “Eu sou especial”. Auto-engrandecimento Histriónica “Eu preciso impressionar”. Dramaticidade Obsessivo-compulsiva “Eu não posso errar”. Perfeccionismo Anti-social “Os outros estão aí para serem explorados”. Ataque Esquizóide “Eu preciso de muito espaço”. Isolamento (BEACK, Aaron T. FREEMAN, Arthur. DAVIS, Denise D. e colaboradores. Terapia Cognitiva dos Transtornos da Personalidade. Tradução: Maria Adriana Veríssimo Veronese. 2ª edição. Porto Alegre: Artmed, 2005. Pag. 34).
  • 20. Transtorno da personalidade Visão do Self Visão dos Outros Principais crenças Principais estratégias Esquiva Vulnerável a rejeição Socialmente inepto. Incompetente Críticos. Exigentes. Superiores. Elas vêem os outros como potencialmente críticos, desinteressados e capazes de humilhar. “Eu não presto...não tenho valor...não sou digna de amor.” “E terrível ser rejeitado, desprezado.” “Se as pessoas conhecessem o meu ‘verdadeiro’ eu, elas me rejeitariam.” Evitar situações de avaliação. Evitar sentimentos ou pensamentos Desagradáveis. Dependente Carente Frágil Incapaz Incompetente (Idealizada) Nutridores. Apoiadores. Competentes. “Eu preciso das pessoas para sobreviver, ser feliz.” “Eu preciso ter uma fonte constante de apoio, de encorajamento.” Cultivar relacionamentos dependentes. Passivo-agressiva Auto-suficiente. Vulnerável ao controle, à interferência. Intrusivos. Exigentes. Interferentes. Controladores, dominadores. “Os outros interferem na minha liberdade de ação.” “Ser controlado pelos outros é intolerável.” “Eu tenho de fazer as coisas a minha maneira.” Ameaça: A principal ameaça ou medo gira em tomo da perda da aprovação e redução da autonomia. Resistir passivamente submeter-se aparentemente. Evitar, contornar regras Obsessivo-compulsiva Palavras-chave: “controle” e “devo” Responsável. Confiável Meticuloso. Competente. Sua consciência é perfeccionista. São impulsionados pelo “dever”. Irresponsáveis Casuais Incompetentes Auto-indulgentes “Eu sei o que e melhor.” “Os detalhes são cruciais.” “As pessoas deveriam fazer melhor, se esforçar mais.” Ameaças: As principais ameaças são falhas, erros, desorganização ou imperfeições. Eles tendem a “catastrofizar”: “As coisas fugirão ao controle” ou “Não conseguiremos fazer isso”. Aplicar regras, padrões, deveres. Perfeccionismo Avaliar, controlar Controlar o que “deveria” fazer, criticar, punir Paranoide Palavra chave: “Desconfiança” Cheio de razão. Inocente, nobre Vulnerável Interferentes Maliciosos Discriminadores Enganadores, traiçoeiros, Disfarçadamente manipuladores Motivos abusivos “Os motivos dos outros são suspeitos.” “Preciso estar sempre em guarda.” “Se eu não tomar cuidado, as pessoas vão me manipular, abusar ou tirar vantagem de mim.” “Se as pessoas agirem amigavelmente, e porque estão tentando me usar.” “Se as pessoas parecerem distantes, isso prova que são hostis.” “Eu não posso confiar nas pessoas.” “Procure motivos ocultos.” “Não se deixe enganar.” Ser cauteloso. Procurar motivos ocultos Acusar Contra-atacar Anti-social Solitário Autônomo Forte Vulneráveis Exploradores “Eu tenho direito de quebrar regras.” “Os outros são otários, covardes.” “Eu sou melhor do que os outros.” “Eu preciso tomar cuidado.” “Tenho de ser o agressor para não ser a vítima.” Atacar, roubar Enganar, manipular (BEACK, Aaron T. FREEMAN, Arthur. DAVIS, Denise D. e colaboradores. Terapia Cognitiva dos Transtornos da Personalidade. Tradução: Maria Adriana Veríssimo Veronese. 2ª edição. Porto Alegre: Artmed, 2005. Pags. 54-55).
  • 21. Transtorno da personalidade Visão do Self Visão dos Outros Principais crenças Principais estratégias Borderline Vulnerável (a rejeição, a traição, a dominação) Destituído (do apoio emocional necessário) Desamparado Fora de controle Defeituoso Indigno de amor Mau (Idealizada) Poderosos, amorosos, perfeitos (Desvalorizada) Rejeitadores, controladores, traidores, abandonadores “Não consigo enfrentar as coisas sozinho.” “Preciso de alguém em quem confiar.” “Não tolero sentimentos desagradáveis.” “Se confiar em alguém serei maltratado, considerado insignificante e me abandonarão.” “A pior coisa possível seria o abandono.” “E impossível me controlar.” “Eu mereço ser punido.” Subjugar as próprias Mostrar necessidades, para manter conexão Protestar dramaticamente, ameaçar ou tornar-se punitivo em relação àqueles que sinalizam possível rejeição Aliviar a tensão por meio da automutilação e do comportamento autodestrutivo Tentar o suicídio como escape Narcisista Palavra chave: “auto- engrandecimento”. Especial, único Merecedor de regras especiais; Acima das regras Inferiores Admiradores “Já que sou especial, eu mereço, atenção, privilégios, prerrogativas, regras especiais.” “Eu estou acima das regras.” “Eu sou melhor do que os outros.” “Sou superior aos outros e eles devem reconhecer isso.” “Se os outros não reconhecerem meu status especial, eles merecem ser castigados.” “Para que eu possa manter meu status superior, devo esperar subserviência dos outros”. Usar os outros Transcender as regras Manipular Competir Buscam glória, riqueza, posição, poder e prestígio, para reforçar continuamente sua imagem superior. Histriónica Palavra chave: “expressividade” Glamoroso Impressionante Seduzíveis Receptivos Admiradores “As pessoas estão aqui para me servir ou admirar.” “As pessoas não tem direito de me negar o que eu mereço.” “Devo seguir meus sentimentos.” Usar dramaticidade, charme; ter ataques de raiva, chorar; gestos suicidas Esquizóide Palavra chave: “Isolamento” Auto-suficiente Solitário Intrusivo “Eu sou, basicamente, uma pessoa sozinha”; “Os outros são frustrantes.” “Os relacionamentos são complicados, indesejáveis.” Manter distancia Esquizotípica Irreal, isolado, solitário Vulnerável socialmente conspícuo Sobrenaturalmente sensível e talentoso Inconfiáveis Malevolentes (Pensamento ideográfico, peculiar, supersticioso, magico; por exemplo, crenças na clarividência, telepatia ou “sexto sentido” são centrais na estrutura de crenças.) “E melhor ficar isolado dos outros.” Ficar atento e neutralizar a atenção malevolente dos outros Ficar consigo mesmo Estar vigilante quanto a forcas ou eventos sobrenaturais (BEACK, Aaron T. FREEMAN, Arthur. DAVIS, Denise D. e colaboradores. Terapia Cognitiva dos Transtornos da Personalidade. Tradução: Maria Adriana Veríssimo Veronese. 2ª edição. Porto Alegre: Artmed, 2005. Pags. 54-55).
  • 22. Transtorno da Personalidade Esquiva • “Eu sou socialmente inepto(a) e socialmente indesejável em situações profissionais ou sociais.” • “Se as pessoas se aproximarem de mim, elas descobrirão o meu ‘verdadeiro’ eu e me rejeitarão.” • “Eu devo evitar situações em que atraia a atenção ou ficar o mais despercebido possível.” • “Ser exposto(a) como inferior ou inadequado(a) será intolerável.” • “As pessoas são potencialmente críticas, indiferentes, degradantes ou rejeitadoras.” Transtorno da Personalidade Dependente • “Se eu não for amado(a), serei sempre infeliz.” • “A pior coisa possível seria ser abandonado(a).” • “Eu me sinto desamparado quando me deixam por minha própria conta.” • “Eu preciso ter acesso o tempo todo à pessoa que me ajuda e me apóia.” • “Eu sou basicamente sozinho (a) - a menos que consiga me ligar a uma pessoa mais forte.” Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva • “Os detalhes são extremamente importantes.” • “E importante fazer com perfeição tudo o que se faz.” • “As pessoas deveriam fazer as coisas à minha maneira.” • “Eu preciso de ordem, esquemas e regras a fim de fazer bem o meu trabalho.” • “Se não tivermos esquemas, tudo acaba dando errado.” Transtorno da Personalidade Narcisista • “Eu não preciso seguir as regras que se aplicam às outras pessoas.” • “Tenho todas as razões para esperar grandes coisas.” • “Já que sou tão superior, mereço tratamento e privilégios especiais.” • “As outras pessoas não merecem a admiração e as riquezas que conseguem obter.” • “Já que sou tão talentoso(a), as pessoas deveriam fazer o possível para promover a minha carreira.” (BEACK, Aaron T. FREEMAN, Arthur. DAVIS, Denise D. e colaboradores. Terapia Cognitiva dos Transtornos da Personalidade. Tradução: Maria Adriana Veríssimo Veronese. 2ª edição. Porto Alegre: Artmed, 2005. Pag. 66).
  • 23. (continuação) Transtorno da Personalidade Paranóide • “As pessoas tirarão vantagens de mim se eu lhes der chance.” • “Os outros tentarão me usar ou manipular se eu não tomar cuidado.” • “Tenho de ficar em guarda o tempo todo.” • “Se as pessoas agirem amistosamente, podem estar tentando me usar ou explorar.” • “As pessoas tentarão, deliberadamente, me degradar.” Transtorno da Personalidade Borderline • “Sentimentos desagradáveis virão à tona e ficarão fora de controle.” • “Não consigo lidar com as situações como os outros conseguem.” • “As pessoas, muitas vezes, dizem uma coisa, mas querem dizer outra.” • “Se as pessoas se aproximarem de mim, elas descobrirão o meu ‘verdadeiro’ eu e me rejeitarão.” • “Alguma pessoa de quem sou íntimo(a) poderia ser desleal ou infiel”. • “Eu sou carente e frágil.” • “Não posso confiar nas pessoas.” • “Tenho de ficar em guarda o tempo todo.” • “Preciso de alguém que esteja todo o tempo disponível para me ajudar e executar o que eu preciso fazer ou no caso de alguma coisa ruim acontecer.” • “As pessoas tirarão vantagem de mim, se eu lhes der chance.” • “Qualquer sinal de tensão em um relacionamento indica que o relacionamento se deteriorou, portanto devo terminá-lo.” • “Eu me sinto desamparado quando me deixam por conta própria.” • “As pessoas só prestarão atenção se eu agir de maneira extrema.” • “As pessoas vão me atingir, se eu não atingi-las primeiro.” Nota: Com exceção do transtorno da personalidade borderline (TPB), estão listados os critérios das cinco crenças mais comuns do PBQ que discriminam melhor uns transtornos da personalidade de outros. Estão listadas todas as 14 crenças, descobertas por Butler e colaboradores (2002) para diferenciar o TPB de outros transtornos da personalidade. (BEACK, Aaron T. FREEMAN, Arthur. DAVIS, Denise D. e colaboradores. Terapia Cognitiva dos Transtornos da Personalidade. Tradução: Maria Adriana Veríssimo Veronese. 2ª edição. Porto Alegre: Artmed, 2005. Pag. 66).
  • 24. Eu sou o que penso. Meus pensamento se formam a partir de como eu percebo o mundo. De acordo com o que penso, assim vou atuar no mundo. O que eu penso, o que eu sinto, cria minha realidade. “Não são as situações que nos afetam, e sim como reagimos a ela, a maneira como nós enxergamos essas situações.” A maneira como processamos o que acontece conosco gera, um pensamento, e este gera uma emoção, e nossas respostas fisiológicas. Todos nós temos visões bem especificas sobre nós mesmos, sobre os outros e sobre o futuro. As disfuncionais ativam pensamentos tipo: “Ninguém gosta de mim”; “Nada dá certo”; “É sempre assim”. Os pensamentos disfuncionais causam prejuízo sobre a vida da pessoa; Levam emoções negativas ou disfuncionais e comportamentos disfuncionais; As crenças disfuncionais geralmente são: Negativas, rígidas e generalizantes; Elas se formam durante o desenvolvimento, na infância, na adolescência, pensamentos e comportamentos dos pais e familiares, de amigos, da sociedade e cultura, experiências de vida positiva e negativa. Crenças sobre: ou
  • 25. Pensamentos e comportamentos: o Dos pais e familiares; o De amigos; o De pessoas próximas; o Da sociedade; Experiências gerais de nossas vidas (positivas e negativas); Cultura; Vão criar crenças: o sobre si mesmo, o sobre o outro, o sobre o mundo, o e sobre o futuro; Estas crenças geram os Pensamentos automáticos;
  • 26.
  • 27. Essas crenças podem ser: Em relação a si mesmo: citado acima; Em relação aos outros: Os outros são categorizados de maneira inflexível. São vistos como desprezíveis, frios, prejudiciais, ameaçadores e manipuladores. o Também é possível desenvolver uma crença positiva em relação aos outros e em detrimento a si mesmo: as pessoas são superiores, muito eficientes, amáveis e úteis (diferente de si mesmo); Em relação ao mundo: o mundo é injusto, hostil, imprevisível, incontrolável, perigoso. As crenças centrais são conteúdos dos esquemas cognitivos mal adaptativos e agem como uma lente que afeta a Percepção, isto é, a pessoa passa a ver a situação apenas de um ponto de vista (equivocado, distorcido, exagerado). Com essas ideias na mente, a pessoa vai criando Estratégias Compensatórias para lidar com o sofrimento. Tais estratégias podem ser desadaptativas trazendo desajustes emocionais. EXEMPLO: o Crença central: Sou insignificante; • Estratégia: É melhor eu me isolar, evitar aproximação. o Crença central: sou vulnerável; • Estratégia: Agir com firmeza, dominar, evitar qualquer possibilidade de ser prejudicado.
  • 28. As crenças disfuncionais podem ser divididas em:
  • 29. Em nossa experiência de vida, desde a infância, é possível desenvolver idéias negativas, distorcidas da realidade, equivocadas pela percepção que temos sobre os eventos da vida. Tais ideias se enraizam em nossa mente e são incorporadas como verdades absolutas e geram sofrimento psicológico ao longo dos anos da idade adulta. Essas idéias são chamadas, na Terapia Cognitiva, de crenças centrais. As crenças centrais podem ser: o DESAMPARO - a pessoa tem uma certeza (irracional/inconsciente) de que é incompetente e sempre será um fracassado. o Ex de PA: Sou inadequado, ineficiente, incompetente; Sou fraco e descontrolado; Eu não consigo mudar; Eu não tenho atitude; Sou uma vítima; Sou vulnerável, inferior, um fracasso, um perdedor; Não sou igual aos outros. o DESAMOR - a pessoa tem a certeza (irracional/inconsciente) de que será rejeitada. o Ex de PA: Sou diferente, indesejável, feio, monótono, não tenho nada a oferecer; Não sou amado, querido, sou negligenciado; Sempre serei rejeitado, abandonado, sempre estarei sozinho; Sou diferente, imperfeito, não sou bom o suficiente para ser amado. o DESVALOR - a pessoa acredita ser inaceitável e sem importância alguma. o Ex de PA: Sou inaceitável; Sou mau, louco, derrotado; Sou um nada, um lixo. Sou cruel, perigoso, maligno; Não tenho valor, e não mereço viver.
  • 30. Geralmente as pessoas acreditam que são incapazes de fazer alguma coisa. Se sentem impotentes, carentes, frágeis. Incapazes de se protegerem (emocionalmente ou fisicamente) ou incapazes comparadas a outras pessoas. Crenças de serem frágeis, de serem vulneráveis em relação aos outros. • “Sou incapaz”, “Eu não consigo mudar”, “Eu não tenho atitude”, “Não sou objetivo”, “Não tenho jeito”, “Não faço nada direito”, “Sou vulnerável”, “Sou indefeso”, “Sou fraco, descontrolado”, “Sou um fracasso”, “Sou uma vítima”, “Eu não consigo me proteger”, “Não sou bom como os outros”, “Não sou bom suficiente”, “Sou inadequado, ineficiente, incompetente”; As pessoas acreditam que há algo nelas que dificulta receber amor dos outros, ou intimidade que elas querem das outras pessoas. Incapacidade de receber amor (não se sentem merecedoras de serem amadas. Rejeitadas. São pensamentos de: • “Não me encaixo”, “Sou desinteressante”, “Não sou amável”, “Os outros não gostam de mim”, “Não vão gostar de mim”; As pessoas pensam que existem nela alguma coisa nela moralmente ruim. Elas acreditam que são moralmente ruins, que há algo dentro delas que é simplesmente terrível. Elas se sentem incapaz, falhando em tudo que ela faz, começa a botar defeito e não se sai bem o suficiente. São pensamentos de: • “Sou mau”, “Eu não presto”, “Sou ruim”, “Sou tóxico”, “Sou um perigo para os outros”, “Sou um animal”; As crenças também podem ser mais generalizantes sobre as outras pessoas, sobre o mundo e sobre o futuro. • “As mulheres são todas ruins”, “Os homens são todos uns safados”, “O mundo é um lugar perigoso e incerto”, “O futuro será muito ruim”;
  • 31. As crenças disfuncionais causam muito sofrimento. Desenvolvemos então: 1) Suposições; 2) Regras; 3) Estratégias compensatórias; Exemplos: Crença Central  “Sou um fracasso” 1) Suposição: pode desenvolver uma suposição: – Se eu falho, erro, significa que sou um fracasso. Então ele vai desenvolver uma: 2) Estratégia compensatória vai desenvolver Comportamentos Perfeccionistas: – Tenho que fazer tudo perfeito e assim não mostrarei aos outros que eu sou um fracassado. Crença Central  “Sou Inadequado” 3) Estratégia compensatória: É melhor eu depender dos outros. Pensamentos automáticos Crenças Intermediárias (pressupostos e regras) Crenças Nucleares (esquemas) Níveis de cognição.
  • 32. Exemplos: Crença Central  “Sou vulnerável, frágil”. 1) Suposições e Regras Intermediárias: – Se eu evitar outras pessoas, eu ficarei bem, mas se eu reclamar, vou me machucar. Então vou desenvolver a regra: 2) Regra: “Não chegue perto das pessoas”. 3) Estratégia compensatória: Evita participar de grupo que tem interesse. Crença Central  “Sou vulnerável” (Crença de Desamor) 3) Estratégia compensatória: Eu mando aqui. Vai ser controladora para evitar possibilidades em que será prejudicada. Crença Central  “Sou Insignificante” (Crença de Desvalor) 3) Estratégia compensatória: Se isolar para que não percebam. Evita convívio.
  • 33. Ansiedade (Emoção de Medo) Comportamento de ligar para a pessoa para saber se aconteceu algo com o amigo. Vai ter reações fisiológicas de taquicardia, sudorese. A CRENÇA SOBRE O MUNDO- é de que o mundo é um lugar incerto e perigoso. Se alguém desmarcou é porque algo sério aconteceu. Raiva Comportamento de ficar sem falar com a pessoas. Pensa que a pessoa é sem educação e é um desrespeito. Alivio (Emoção de Alegria) Remarcou com o amigo para outro dia. Tristeza Tem a crença de que não é amado. Tem a reação de choro. Um amigo cancela o jantar em cima da hora “Será que aconteceu alguma coisa?” “Que desrespeito, é sempre assim.” “Ufa! Não estava com vontade mesmo.” “Ele não quer sair comigo”
  • 34. Coexistem com o fluxo de pensamentos manifestos; Aparecem espontaneamente, e não como resultado de reflexão ou vontade; São, usualmente, aceitos como verdadeiros, sem avaliação crítica; Se não monitorados, passam completamente despercebidos; a emoção associada é mais frequentemente reconhecida; Estão associados com emoções específicas, consoante seu conteúdo e significado; São, usualmente, breves, rápidos e fugazes, de forma telegráfica; Podem ocorrer em forma verbal ou como imagens; Pode-se aprender a identificar pensamentos automáticos; Pode-se avaliá-los quanto à sua validade e/ou utilidade. Em relação à validade e utilidade dos pensamentos automáticos, eles podem ser de três tipos (J. Beck, 1995): 1. Distorcidos, ocorrendo apesar das evidências em contrário. Ex.: “Se me separar, nunca mais serei feliz.” 2. Acurados, mas com a conclusão distorcida. Ex.: “Meu filho não me telefonou até agora, deve estar incomodado comigo.” 3. Acurados, mas totalmente disfuncionais. Ex.: “Com esta lesão articular, a vida perdeu a graça, pois nunca mais poderei jogar tênis.” (KNAPP, Paulo & colaboradores. Terapia Cognitivo-Comportamental na Prática Psiquiátrica. Porto Alegre: Artes Médicas (ARTMED Editora), 2004, p.25-26).
  • 35. Distorções Cognitivas, exemplos: o Inferência Arbitrária – concluir ao contrário do que apontam as evidências; o Abstração Seletiva (Filtro Mental) – concluir baseando-se apenas em uma pequena parte de dados; o Magnificação ou Minimização – avaliar distorcidamente a importância relativa dos eventos, para mais ou para menos; o Personalização – relacionar eventos externos a própria pessoa quando não há indícios para tanto; o Pensamento Dicotômico – classificar as pessoas ou a si mesmo em categorias rígidas e estanques; o Pensamento Catastrófico – previsão de um pior desfecho possível, sem levar em conta as alternativas.
  • 36. 1. Catastrofização – Pensar que o pior de uma situação irá acontecer, sem levar em consideração a possibilidade de outros desfechos. Acreditar que o que aconteceu ou irá acontecer será terrível e insuportável. Eventos negativos que podem ocorrer são tratados como catástrofes intoleráveis, em vez de serem vistos em perspectiva. Exemplos: Perder o emprego será o fim da minha carreira. Eu não suportarei a separação da minha mulher. Se eu perder o controle, será meu fim. 2. Raciocínio emocional (emocionalização) – Presumir que sentimentos são fatos. “Sinto, logo existe”. Pensar que algo é verdadeiro porque tem um sentimento (na verdade, um pensamento) muito forte a respeito. Deixar os sentimentos guiarem a interpretação da realidade. Presumir que as reações emocionais necessariamente refletem a situação verdadeira. Exemplos: Eu sinto que minha mulher não gosta mais de mim. Eu sinto que meus colegas estão rindo nas minhas costas. Sinto que estou tendo um enfarto, então deve ser verdadeiro. Sinto-me desesperado, portanto, a situação deve ser desesperadora. 3. Polarização (pensamento tudo-ou-nada, dicotômico) – Ver a situação em duas categorias apenas, mutuamente exclusivas, em vez de um continuum. Perceber eventos ou pessoas em termos absolutos. Exemplos: Deu tudo errado na festa. Devo sempre tirar a nota máxima, ou serei um fracasso. Ou algo é perfeito, ou não vale a pena. Todos me rejeitam. Tudo foi uma perda de tempo total. 4. Abstração seletiva (visão em túnel, filtro mental, filtro negativo) – Um aspecto de uma situação complexa é o foco da atenção, enquanto outros aspectos relevantes da situação são ignorados. Uma parte negativa (ou mesmo neutra) de toda uma situação é realçada, enquanto todo o restante positivo não é percebido. Exemplos: Veja todas as pessoas que não gostam de mim. A avaliação do meu chefe foi ruim (focando apenas um comentário negativo e negligenciando todos os comentários positivos). 5. Adivinhação – Prever o futuro. Antecipar problemas que talvez não venham a existir. Expectativas negativas estabelecidas como fatos. Exemplos: Não irei gostar da viagem. Ela não aprovará meu trabalho. Dará tudo errado. 6. Leitura mental – Presumir, sem evidências, que sabe o que os outros estão pensando, desconsiderando outras hipóteses possíveis. Exemplos: Ela não está gostando da minha conversa. Ele está me achando inoportuno. Ele não gostou do meu projeto. 7. Rotulação – Colocar um rótulo global, rígido em si mesmo, numa pessoa ou situação, em vez de rotular a situação ou o comportamento específico. Exemplos: Sou incompetente. Ele é uma pessoa má. Ela é burra. (KNAPP, Paulo & colaboradores. Terapia Cognitivo-Comportamental na Prática Psiquiátrica. Porto Alegre: Artes Médicas (ARTMED Editora), 2004, p.33).
  • 37. 8. Desqualificação do positivo – Experiências positivas e qualidades que conflituam com a visão negativa são desvalorizadas porque “não contam” ou são triviais. Exemplos: O sucesso obtido naquela tarefa não importa, porque foi fácil. Isso é o que esposas devem fazer, portanto, ela ser legal comigo não conta. Eles só estão elogiando meu trabalho porque estão com pena. 9. Minimização e maximização – Características e experiências positivas em si mesmo, no outro ou nas situações são minimizadas, enquanto o negativo é maximizado. Exemplos: Eu tenho um ótimo emprego, mas todo mundo tem. Obter notas boas não quer dizer que eu sou inteligente, os outros obtêm notas melhores do que as minhas. 10.Personalização – Assumir a culpa ou responsabilidade por acontecimentos negativos, falhando em ver que outras pessoas e fatores também estão envolvidos nos acontecimentos. Exemplos: O chefe estava com a cara amarrada, devo ter feito algo errado. É minha culpa. Não consegui manter meu casamento, ele acabou por minha causa. 11. Hipergeneralização – Perceber num evento específico um padrão universal. Uma característica específica numa situação específica é avaliada como acontecendo em todas as situações. Exemplos: Eu sempre estrago tudo. Eu não me dou bem com mulheres. 12. Imperativos (“deveria” e “tenho-que”) – Interpretar eventos em termos de como as coisas deveriam ser, em vez de simplesmente considerar como as coisas são. Afirmações absolutistas na tentativa de prover motivação ou modificar um comportamento. Demandas feitas a si mesmo, aos outros e ao mundo para evitar as consequências do não cumprimento dessas demandas. Exemplos: Eu tenho que ter controle sobre todas as coisas. Eu devo ser perfeito em tudo que faço. Eu não deveria ficar incomodado com minha esposa. 13. Vitimização – Considerar-se injustiçado ou não entendido. A fonte dos sentimentos negativos é algo ou alguém, havendo recusa ou dificuldade de se responsabilizar pelos próprios sentimentos ou comportamentos. Exemplos: Minha esposa não entende meus sentimentos. Faço tudo pelos meus filhos e eles não me agradecem. 14. Questionalização (E se?) – Focar o evento naquilo que poderia ter sido e não foi. Culpar-se pelas escolhas do passado e questionar-se por escolhas futuras. Exemplos: Se eu tivesse aceitado o outro emprego, estaria melhor agora. E se o novo emprego não der certo? Se eu não tivesse viajado, isso não teria acontecido. (KNAPP, Paulo & colaboradores. Terapia Cognitivo-Comportamental na Prática Psiquiátrica. Porto Alegre: Artes Médicas (ARTMED Editora), 2004, p.33).
  • 38. Leitura Mental Achar que sabe o que os outros pensam, sem ter evidências. Previsão do Futuro Fazer previsões somente negativas para o futuro. Catastrofização Acreditar que um acontecimento é terrível e insuportável. Rotulação Atribuir traços negativos que englobam a pessoa completamente. Desqualificação do Positivo Menosprezar aspectos positivos de si ou dos outros. Filtro Negativo Enxergar somente a faceta negativa da pessoa ou situação. Generalização Padrão global negativo baseado em um único evento. Pensamento Dicotômico Avaliar fatos e pessoas em termos de tudo ou nada. “Deveria” Enfatizar como as coisas deveriam ser em vez de perceber o que são. Personalização Atribuir somente a si a culpa por fatos negativos. Culpabilizar Considerar somente outra pessoa como fonte de suas emoções negativas. Comparações Injustas Estabelecer padrões irreais, comparando-se com níveis muito superiores. Lamentações Enfatizar exageradamente o que deveria ter feito ao invés do que pode fazer agora. E se? Fazer mil e uma conjecturas “se isso ou aquilo acontecer” e nunca se dar por satisfeito e seguro. Incapacidade de Refutar Negar evidências que contradizem os pensamentos negativos. Julgamento Avaliar tudo em termos de bom mau ou superior inferior, exagerando nos julgamentos. BECK, Aaron T. Teoria cognitiva da depressão. Porto Alegre: Artes Médicas (ARTMED Editora), 2007. LEAHY, Robert L. Técnicas de terapia cognitiva: manual do terapeuta. Porto Alegre: Artes Médicas (ARTMED Editora), 2006.
  • 39. 1) Identificação do Pensamento Automático: que deriva de uma... 2) Crença Central; 3) Intervenções que modificam essas crenças
  • 40. Começamos a trabalhar em cima dos Pensamentos Automáticos: • São mais flexíveis; • São menos rígidos que as crenças disfuncionais Como fazemos isso? Em cima do que chamamos Restruturação Cognitiva Utilizando o Questionamento Socrático Como se faz? Devolvendo as perguntas, fazendo com que o paciente reflita sobre a situação, o pensamento que gerou a emoção (reação), o comportamento e a resposta fisiólogica. Depois fazemos ou cogitamos os Pensamentos Alternativos Cogitamos com o paciente outras possibilidades. Outros pensamentos alternativos que poderiam estar explicando aquela situação. (ex.: Que tipos de pensamentos poderia ser?) Depois vai se colocando em prática os Experimentos Comportamentais.
  • 41. Inicia-se pela identificação e pelo registro de pensamentos automáticos e crenças disfuncionais. Subsequentemente, é feita uma análise dos “erros de lógica” inerentes às interpretações catastróficas. Para isso, é importante que o paciente considere tais pensamentos como meras hipóteses, e não como fatos. A forma mais usual de corrigir esses erros de lógica é o chamado questionamento socrático. Nessa técnica, o paciente, juntamente com o terapeuta, faz um exame das evidências que apoiam o seu pensamento e das evidências que são contrárias, a fim de descobrir formas alternativas de interpretar suas sensações físicas. Após a análise das probabilidades, elaboram-se novas alternativas, que são chamadas de “lembretes” (por exemplo: “estou tendo um ataque que não mata nem enlouquece”.
  • 42. Servem para provar para o paciente se o pensamento disfuncional é verdadeiro ou não. Se o pensamento alternativo também funciona ou não. Os experimentos: Exemplo: 1) Coloca a pessoa de frente com o seu medo: para desqualificar, fazendo com que ele perca sua força. 2) Mostra a validade do Pensamento Disfuncional e desqualifica; Outros pensamentos considerados verdadeiros nas crenças disfuncionais precisa de outra técnica. Utilizamos então a técnica de Resolução de Problemas.
  • 43. Ex.: Analisando chegamos a conclusão que a pessoa não gosta mesmo dela... e isto causa Reações Disfuncionais. Vamos para: 1) Como lidar com isso. 2) Isto é mesmo importante? 3) Porque é importante? Vamos solucionar o problema. a) Redescobrir a melhor maneira de lidar com o modelo cognitivo do problema. b) Diminuir o sofrimento. c) Pode ajudar na restruturação cognitiva. Mudança de comportamento, mudança de ambiente. Ex.: Se a pessoa tem uma crença de ansiedade  ensinar uma técnica de relaxamento pela respiração.
  • 44. 1) Podemos trabalhar em cima do pensamento a técnica de restruturação cognitiva que foi explicada. 2) Ou em cima da Emoção – técnica de relaxamento por respiração para diminuir a ansiedade. 3) Ou podemos trabalhar em cima do comportamento – testando outros comportamentos. 4) Trabalhar no controle de situação – Para situações muitos especificas Tirando a pessoa daquela ambiente, daquela circunstância. Ex.: A pessoa que quer emagrecer – tira de sua frente doces, etc. Situação de pessoas que não sentem bem em um grupo. Não podemos utilizar o trabalho sobre a situação.
  • 45. O que o paciente quer alcançar. Áreas de vida avaliada: • Família; • Saúde; • Lazer; • Afetiva; • Acadêmica; • Espiritualidade; • Social; • Financeira; Autoconceito – Avaliamos as metas e dificuldades em cada área deste. Avaliamos o dia típico  o que gostaria que fosse diferente.
  • 46. É importante que o terapeuta se comporte de forma a minimizar o sofrimento do cliente. Para isso é necessário que ele apresente-se como uma audiência não-punitiva e como um agente reforçador, trazendo um aumento da tolerância do cliente para a exposição a emoções aversivas e maximizando as chances do cliente aceitar interpretações, seguir instruções e atentar quaisquer intervenções que o terapeuta possa fazer. Na TCC os terapeutas: Encorajam o reconhecimento e a identificação de pensamentos patológicos em dois níveis de processamento de informações relativamente autônomos: o pensamentos automáticos e o crenças centrais. Ensinam os pacientes a utilizar técnicas para “pensar sobre o pensamento” a fim de atingir a meta de trazer as cognições autônomas à atenção e ao controle consciente.
  • 47. Primeira Fase – enfatiza-se a definição da estratégia de intervenção, ou seja, a conceitualização cognitiva do paciente e de seus problemas, a definição das metas terapêuticas e do planejamento do processo de intervenção; Segunda Fase – o terapeuta objetiva a normalização das emoções do paciente para promover a motivação do paciente para o trabalho terapêutico e sua vinculação ao processo. Terceira Fase – o terapeuta enfatiza a intervenção em nível estrutural, ou seja, o desafio das crenças e esquemas disfuncionais, objetivando promover a reestruturação cognitiva. Quarta Fase – onde promove-se, através de várias técnicas, a assimilação e generalização dos ganhos terapêuticos, bem como a prevenção de recaídas;
  • 48. Término: o A terapia em seu formato semanal deve ser encerrada quando a maioria dos sintomas tiver sua intensidade reduzida significativamente, causando interferência mínima na rotina de vida do paciente. o Nessa fase, faz-se a revisão das técnicas aprendidas e orienta-se para a prática contínua das mesmas, visando-se assim, a manutenção da melhora clínica. o Deve-se também atentar para a recaídas e seus potenciais desencadeantes. o Finalmente, as consultas podem ser espaçadas ao longo de um período, até a alta propriamente dita.
  • 49. Depressão – Visão negativa de si, dos outros e do futuro; Transtornos de Ansiedade; Transtornos Alimentares; Abuso de Substâncias e de Álcool; Transtornos de Personalidade; Transtorno Psicótico (Esquizofrenia, transtorno delirante); Transtorno Bipolar; Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade; Dor Crônica. Casos contraindicados: Doença mental orgânica, que implique comprometimento cognitivo (Demência). Retardo Mental. Pouca capacidade para trabalhar introspectivamente (incapacidade de identificar pensamentos, emoções, crenças e expressá-los em palavras). Psicose aguda. Patologia grave do caráter borderline ou antissocial. Ausência de Motivação.
  • 50. O terapeuta e o paciente trabalham juntos para identificar crenças que a pessoa tem de si e utilizam técnicas que incluem: o Identificação e Registro de Pensamentos Automáticos Disfuncionais (RPD) e Distorções Cognitivas (ABC); R.P.D. Dia/hora Situação Pensamento Automático Emoção Resposta adaptativa Resultado Quando você notar seu humor ficando pior. Especifique a situação, o que aconteceu. Onde você estava. Fazendo o quê. Quem estava envolvido. Que pensamentos e/ou imagens passaram pela sua cabeça naquela situação? Sublinhe o pensamento mais importante ou que mais lhe incomodou. Se possível, quanto você acredita em cada uns dos pensamentos (0- 100%). Que sentimentos ou emoções (tristeza, ansiedade, raiva, etc.) você sentiu naquela situação. Se possível, avalie a intensidade de cada emoção (0-100%). Verifique quão realistas ou verdadeiros são estes pensamentos, e construa uma resposta mais racional, com os pensamentos alternativos mais adequados para a situação. Use as perguntas abaixo para compor as respostas dos pensamentos automáticos. Se possível, avalie quanto você acredita em cada resposta alternativa. Quais as possíveis distorções cognitivas que você fez? Avalie quanto mudou seu pensamento e sua emoção original. Avalie quanto você acredita agora em seus pensamentos automáticos (0- 100%) e a intensidade de suas emoções (0- 100%). (BECK, Judith S. Teoria Cognitiva: teoria e prática. Tradução Sandra Costa. Porto Alegre: Artes Médicas (ARTMED Editora), 1997, p.136).
  • 51. A ansiedade é uma resposta de proteção, que prepara o organismo para atacar ou fugir de perigos reais ou não. O relaxamento é um processo psicofisiológico, de aprendizagem das respostas biológicas de relaxamento e inclui: o Exercícios de respiração – treino em padrões de baixas taxas de respiração, inspiração-expiração profundas e amplas e respirações diafragmáticas. Esse treino distrai o paciente, dando-lhe sensação de controle sobre o organismo. o Relaxamento muscular progressivo – tensionar e relaxar diferentes grupos musculares para obtenção de um estado de conforto e bem- estar.
  • 52. O paciente, durante um estado de relaxamento físico, vai imaginar uma hierarquia de situações que lhe provocam ansiedade, com o objetivo de familiarizar-se com elas e, ao mesmo tempo, com a finalidade de reduzir as respostas ansiosas. Uma das principais técnicas utilizadas no tratamento da fobia social e específica e síndrome do pânico.
  • 53. Orienta-se o paciente a emitir respostas adequadas em situações específicas ou pelo ensaio comportamental (procedimento para o treino da assertividade). É uma técnica eficaz no tratamento da fobia e da ansiedade social. Terapeuta e cliente se comportam imitando o comportamento de alguma pessoa relevante no ambiente natural do sujeito ou fazendo uma representação do comportamento do próprio sujeito em alguma situação social. Serve para treinar o paciente a interagir adequadamente em situações sociais.
  • 54. É uma técnica de autocontrole, que consiste em formular um pensamento indesejado e com um comando de “pare” em voz alta, impedir a evolução do pensamento. Essa técnica é muito útil porque a presença de pensamentos incômodos favorece a ocorrência de comportamentos indesejáveis. Muito utilizada no tratamento do estresse pós-traumático. Consiste em ensinar ao paciente a desenvolver pensamentos adequados à situação temida e realísticos quanto às possíveis consequências do comportamento. “O que mais poderia acontecer?”
  • 55. Consiste em treinar o paciente na vivência de uma situação estressante, para que ele desenvolva recursos de enfrentamento a serem utilizados na situação temida real. Muito utilizada no tratamento do pânico, fobias específicas, transtorno do estresse pós- traumático, ansiedade generalizada, alcoolismo, entre outros. O treinamento é programado conforme a queixa, as características e as necessidades de cada paciente e realizado em três etapas: o Preparação: o terapeuta informa e educa o paciente com relação ao conceito e a causa da ansiedade e do medo. o Treino em habilidade básicas: o paciente, inicialmente, antecipa a situação crítica e descreve o evento estressante. Aprende e ensaia respostas adequadas de autoinstrução para enfrentamento dessas situações. o Confronto: o paciente é colocado com situações reais, reconhecidas como estressantes, nas quais terá a oportunidade de aplicar suas habilidades. Iniciando com situações de dificuldade média, é orientado a confrontar cada situação e analisar suas respostas de enfrentamento.
  • 56. Reconhecer e descrever o problema, apontando suas especificidades. Determinar os objetivos e propor possíveis estratégias viáveis de ação ao alcance da realidade pessoal do paciente. Ponderar sobre possíveis consequências de cada estratégia proposta, analisando ganhos e perdas a curto e médio prazo. Avaliar se a alternativa selecionada esta conduzindo ao resultado desejado. Consiste em expor o paciente, repetidamente, ao vivo ou na imaginação, diretamente a situação temida, que são evitadas por desencadearem ansiedade. Muito apropriada para tratamento de fobias.