Trade-off Inflação e Desemprego e Inconsistência Dinâmica

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Começa com uma revisão de política monetária em IS-LM-BP, seguida de uma síntese de Curva de Phillips até a discussão de inconsistência intertemporal, para alunos de graduação.

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Trade-off Inflação e Desemprego e Inconsistência Dinâmica

  1. 1. Economia Monetária Prof. Dra. Roseli da Silva roselisilva@fearp.usp.br
  2. 2. Conteúdo  Tradeoff inflação e desemprego  Expectativas racionais  Inconsistência Dinâmica  Metas de inflação
  3. 3. Síntese de IS-LM-BP  Até o slide 24, deixei um resumo da análise de estática comparativa para política monetária restritiva, com câmbio fixo e flexível, no modelo IS-LM-BP, como revisão para os próximos passos, ok?  ;-)
  4. 4. Efeitos de política econômica     Análises de estática comparativa Política Fiscal: mudanças nas variáveis exógenas Gastos do governo (G) e Tributos (T); Política monetária: mudanças nos instrumentos de política monetária  reservas compulsórias, open market e taxa de redesconto de liquidez; Política cambial: disponível apenas para regimes de câmbio fixo  mudanças na taxa nominal de câmbio; imposição de restrições ao fluxo de capitais, cotas de importação, etc.
  5. 5. Política Econômica  Restritiva: objetiva reduzir o nível de atividade, a renda da economia (e consequentemente, o emprego)  Expansionista: objetiva elevar o nível de atividade, a renda da economia (e consequentemente, o emprego)
  6. 6. Análise de Estática Comparativa    Ponto de Partida: Estática comparativa: comparação entre dois pontos de equilíbrio distintos, alterados por mudança de alguma variável exógena. Em qualquer análise de estática comparativa, inicia-se o raciocínio de um equilíbrio inicial, e segue-se a seqüência lógica de desequilíbrio/equilíbrio nos mercados até que nada mais se altere (um novo ponto de equilíbrio é alcançado).
  7. 7. Política Monetária restritiva Como o Banco Central pode realizá-la?  Por meio de 1 de seus instrumentos:   Open Market de venda de títulos públicos;  Elevar o percentual de reservas compulsórias;  Elevar a taxa de redesconto de liquidez.
  8. 8. Política Monetária restritiva Vamos supor que seja por meio de open market de venda.  Qual o primeiro impacto de tal ação?  Excesso de oferta no mercado de títulos públicos, preços dos títulos caem e seus retornos (taxa básica de juros) sobem 
  9. 9. Política Monetária restritiva    Simultaneamente, o mercado de moeda apresenta um excesso de demanda, pois para um mesmo nível de renda (mesma necessidade de moeda para transações) as pessoas gostariam de continuar mantendo o mesmo nível de demanda por moeda anterior Porém, à medida que o Banco Central vende títulos, retira moeda de circulação O novo equilíbrio monetário, para cada nível de renda, será alcançado com taxa juros mais elevada, a tal ponto que o custo de oportunidade de reter moeda leve as pessoas a aceitarem manter menos moeda.
  10. 10. Política Monetária restritiva   Com o aumento da taxa de juros, menos projetos de investimento produtivo são economicamente viáveis, o que diminui a demanda agregada e o nível de renda. Com menor nível de renda o demanda por moeda também diminui, o que faz com a taxa de juros de equilíbrio doméstico (Ed) esteja no meio termo entre aquela necessária para equilibrar o mercado monetário e a de equilíbrio geral inicial.
  11. 11. Política Monetária restritiva    O novo equilíbrio doméstico (Ed) não é um equilíbrio geral, já que o balanço de pagamentos está desequilibrado. Com a queda no nível de renda, as importações diminuem e o déficit de transações correntes diminui, em contrapartida a taxa de juros mais elevada atrai mais capitais internacionais e eleva o superávit da balança de capitais. Dessa forma, o balanço de pagamentos está em superávit.
  12. 12. Política Monetária restritiva    ATENÇÃO: O superávit no balanço de pagamentos significa que há mais dólares entrando no mercado de câmbio que saindo, ou seja, excesso de oferta de dólares nesse mercado. A partir desse ponto, o regime cambial adotado pelo governo importa para a análise dos efeitos conseqüentes da política monetária.
  13. 13. Política Monetária restritiva com câmbio fixo Com regime de câmbio fixo, o Banco Central se compromete a comprar e vender moeda estrangeira a uma taxa de câmbio nominal fixa.  Assim, na presença de excesso de oferta de moeda estrangeira, o Banco Central deve entrar comprando dólares e acumulando Reservas Internacionais. 
  14. 14. Política Monetária restritiva com câmbio fixo Porém, ao elevar o nível de RI, a base monetária doméstica se eleva.  Ou seja, o BC recoloca moeda doméstica em circulação.  Excesso de oferta no mercado de moeda  excesso de demanda no mercado de títulos  preços do títulos sobem a taxa de juros cai 
  15. 15. Política Monetária restritiva com câmbio fixo   Todo o processo descrito anteriormente começa a ser revertido. Esse processo de ajustes é verificado enquanto houver superávit no balanço de pagamentos e esse superávit só será revertido quando o Banco Central recolocar em circulação, através da sua atuação no mercado de câmbio, a mesma quantidade de moeda que retirou na operação de open market.
  16. 16. Política Monetária restritiva com câmbio fixo As taxas de juros caem, o investimento produtivo aumenta, a demanda agregada aumenta, a renda aumenta...  E um novo equilíbrio geral só será alcançado quando o BP não apresentar mais superávit, ou seja, a renda crescer e a taxa de juros cair até o ponto do equilíbrio inicial. 
  17. 17. Política Monetária restritiva com câmbio fixo Assim, a renda e a taxa de juros da economia retorno ao ponto inicial, e o resultado final é de apenas maior acumulação de reservas internacionais pelo Banco Central.  A política monetária é, então, ineficaz para alterar a renda e a taxa de juros doméstica sob regime de câmbio fixo. 
  18. 18. Política Monetária restritiva com câmbio fixo  Esterilização:  O BC poderia manter o ponto de Equilíbrio doméstico com desequilíbrio no BP se esterilizasse os efeitos da compra de dólares (elevação das reservas internacionais) sobre a oferta de moeda doméstica vendendo títulos públicos:   Preço do título e taxa de juros e a renda cairia, como vimos. Porém, manter isso ao longo do tempo significa acumular uma dívida pública crescente e, portanto, insustentável.
  19. 19. Política Monetária restritiva com câmbio flexível Com regime de câmbio flexível, a taxa nominal de câmbio é determinada pelos fluxos de oferta e demanda de dólares.  O processo inicial da política monetária restritiva é o mesmo, mas o raciocínio muda totalmente a partir da identificação do superávit do BP (ponto Ed) 
  20. 20. Política Monetária restritiva com câmbio flexível   Com superávit no balanço de pagamentos (excesso de oferta de dólares) a taxa nominal de câmbio cai, valorizando a moeda doméstica. A valorização da moeda doméstica desestimula as exportações e estimula as importações, tornando a balança de transações correntes mais deficitária, para um mesmo nível de renda.
  21. 21. Política Monetária restritiva com câmbio flexível O déficit em transações correntes que daí decorre, por sua vez, tem impacto sobre a demanda agregada, diminuindo-a.  Lembre-se: para cada nível de renda, para compensar a queda na BTC, outro componente da DA deve subir, e o investimento sobe se a taxa de juros cai. 
  22. 22. Política Monetária restritiva com câmbio flexível    O novo equilíbrio geral se dará inequivocamente com renda menor que o equilíbrio inicial. Mas os efeitos finais sobre a taxa de juros dependem dos impactos relativos da valorização da moeda doméstica e da renda sobre a demanda agregada e sobre o balanço de pagamentos. A política monetária é eficaz.
  23. 23. Política Monetária restritiva com câmbio flexível A indeterminação da taxa de juros, neste caso, é apenas conseqüência do uso de instrumental gráfico: temos 3 endógenas e só 2 eixos para representá-las;  A solução algébrica do modelo, mostraria inequivocamente que a determinação taxa de juros dependeria da inclinação relativa entre BP e LM. 
  24. 24. Política Econômica A política monetária é, então, ineficaz para alterar a renda doméstica sob regime de câmbio fixo e eficaz para sob regime de câmbio flexível.  O contrário acontece com a política fiscal. Experimente seguir a seqüência lógica do raciocínio para compreender tais efeitos! 
  25. 25. Efeitos sobre a Demanda Agregada Com câmbio flexível, o efeito é de diminuir o produto da economia. Se o cambio é fixo, a demanda agregada retornaria para o ponto de equilíbrio original. P = nível geral de preços Equilíbrio macroeconômico Oferta Agregada Demanda Agregada y = produto real
  26. 26. Modelo Completo  Neste ponto, devemos nos perguntar o que acontece quando abandonamos a hipótese simplificadora, de que a Oferta Agregada seja infinitamente elástica.   do Curto Prazo para o Médio Prazo Lembrando que o produto potencial mostrará as condições de oferta agregada no longo prazo (crescimento econômico):  Produto em que os fatores de produção estão plenamente empregados.
  27. 27. Oferta Agregada  Por que a Oferta Agregada teria uma inclinação positiva?  Para compreendermos os determinantes da oferta agregada no curto e médio prazos, devemos nos voltar para o mercado de trabalho.
  28. 28. Síntese Neoclássica e inflação    O papel da política fiscal como elemento estabilizador da DA levou à subestimação do papel da política monetária na economia, a moeda não tinha importância. A nova crença levou a políticas de crédito barato que estimularam a inflação. No pós-guerra, a inflação, e não a recessão amplamente anunciada, foi o que se tornou o principal problema nos países capitalistas de maneira geral. A partir do final da década de 50 a inflação passou a ser um fenômeno sistemático no mundo, não mais passível de ser analisado enquanto conseqüência de situações extraordinárias.
  29. 29. Síntese Neoclássica e inflação    Mesmo com oferta agregada positivamente inclinada, inflação tem natureza autoeliminadora no modelo da Síntese: Após uma inflação de demanda ou de custo, um novo equilíbrio macro é alcançado e desaparecem as pressões para elevação de preços. Inflação: processo contínuo de elevação de preços
  30. 30. Síntese Neoclássica e inflação  P  OA  P1 DA1 P0 DA0  y  Ao nível inicial de preços P0, o produto de equilíbrio do lado da demanda aumenta (todo o mecanismo de ajustes que estudamos se aplica)  excesso de demanda Os preços não subiriam se OA fosse infinitamente elástica, porém com OA positivamente inclinada e se não estamos a plena capacidade, há espaço para um aumento do produto e não apenas dos preços. Caso estejamos a pleno emprego (oferta agregada vertical), apenas teríamos impacto inflacionário – como no modelo clássico. Ao atingir o nível de preços P1 a economia se encontra num novo nível de equilíbrio de produto e de emprego maior que o anterior e o excesso de demanda inicial que originou a inflação foi eliminado, não há razão para esperar que o nível de preços continue crescendo. Natureza auto-eliminadora da inflação.
  31. 31. Síntese Neoclássica e inflação   Década de sessenta  microfundamentos (função consumo: ciclo de vida e renda permanente) Antes, porém, que a falta de microfundamentos pudesse levar a uma completa reformulação da Síntese, a Curva de Phillips veio se incorporar a ela.  Estabelecendo uma relação não-linear e negativa entre a taxa de crescimento dos salários nominais e a taxa de desemprego, a Curva de Phillips agregada ao corpo da Síntese permitiu a análise e explicação da inflação e alcançou enorme sucesso empírico, o que postergou a derrocada da Síntese.
  32. 32. Mundo real de novo...      No entanto, a década de 70 revelou o pior dos mundos: a inflação era acompanhada por altas taxas de desemprego. A relação estabelecida pela Curva de Phillips não só apresentava alta instabilidade, já captada vela sua versão aceleracionista, como também aparentemente mudara de inclinação. O mundo presenciava o fenômeno da estagflação e, novamente, o instrumental de análise econômica se mostrava insuficiente. Uma nova crítica ergueu-se não só contra a Curva de Phillips, mas também contra todo o arcabouço da Síntese, mais uma vez questionavam-lhe a falta de microfundamentos, ainda que os defensores da Síntese atribuíssem a situação de estagflação aos choques de Oferta ocorridos na década em questão. Sob esta crítica, o consenso em macroeconomia, que perdurara cerca de três décadas, viu-se rompido e novas agendas de pesquisa foram abertas objetivando principalmente microfundamentar a análise macroeconômica.
  33. 33. Inflação x desemprego: Curva de Phillips    A primeira fase corresponde à formulação do conceito inicial por Phillips (1958) e o embasamento teórico fornecido por Lipsey por meio do mercado de trabalho, inclui-se também nesta primeira fase as contribuições de Samuelson e Solow. A fase seguinte é caracterizada pela hipótese da taxa natural de desemprego e pela formulação de uma regra de formação das expectativas inflacionárias, as expectativas adaptativas, caracterizando a versão aceleracionista da Curva de Phillips. Por fim, a terceira fase consiste na crítica da escola de Expectativas Racionais quanto à regra de formação adotada na fase anterior. Sob esta nova versão, a Curva de Phillips colapsa e os resultados obtidos através desta análise remontam os da análise clássica de total independência entre as variáveis reais e nominais, tanto no curto quanto no longo prazo.
  34. 34. Curva de Phillips: Primeira Fase   O trabalho original de Phillips foi dedicado à investigação da relação entre a taxa de crescimento dos salários nominais (ΔW) e a taxa de desemprego (u) no período de 1861 a 1957 para o Reino Unido, encontrando empiricamente uma correlação não-linear e negativa entre aquelas duas variáveis. Duas propriedades caracterizaram a forma desta relação: os salários permaneciam estacionários (Δw=0) quando a taxa de desemprego era de 5,5%; e, a partir da dispersão dos dados, Phillips concluiu que os salários monetários cresciam um pouco mais rápido que a taxa de desemprego quando esta decresce e um pouco mais devagar quando u cresce:
  35. 35. Curva de Phillips: Primeira Fase ΔW   u Assim, a taxa de crescimento dos salários nominais dependia não somente da taxa de desemprego (o nível de excesso de demanda), mas também da mudança de u Após esta evidência empírica, surgiu a questão de como se podia interpretar esta relação teoricamente. A resposta foi providenciada pelo modelo de excesso de demanda de Lipsey (1960).
  36. 36. Curva de Phillips: Primeira Fase  Lipsey derivou a Curva de Phillips a partir de um sistema de demanda e oferta de um mercado de trabalho com demanda e oferta de trabalho como funções do salário nominal (ilusão monetária).  Estas funções são planejadas pelos agentes a cada taxa de salário nominal, de modo que não se pode concluir daí que o equilíbrio neste mercado implique em ausência de desemprego. Em geral, o equilíbrio pode estar aquém ou além do compatível com o equilíbrio de pleno emprego. 
  37. 37. Curva de Phillips: Primeira Fase     u* taxa natural de desemprego u Foi com a modificação Samuelson-Solow que a curva de Phillips passou a representar a relação entre a taxa de inflação () e a taxa de desemprego, e foi recomendada aos gestores da política econômica como instrumento que permitiria a formulação de programas de política com combinações alternativas de taxa de inflação e de desemprego. Isto é conseguido agregando-se ao desenvolvimento anterior uma equação de determinação de preços via markup fixo calculado sobre a base de custos da unidade de trabalho. Cada ponto da Curva de Phillips assim modificada passou a ser interpretado como uma alternativa de programa de política econômica, os gestores poderiam escolher uma meta para estabilização de preços desde que estivessem dispostos a aceitar a taxa de desemprego que correspondesse a essa meta, ou vice-versa.
  38. 38. Curva de Phillips: Versão Aceleracionista    A Curva de Phillips, tal como formulada em sua primeira fase, obteve embasamento teórico através da manutenção de uma hipótese que muito incomodava os economistas de sólida crença na racionalidade neoclássica, qual seja, a de que os trabalhadores guiavam-se pelos salários nominais para decidirem a quantidade de trabalho ofertada. Friedman (1968) e Phelps desenvolveram independentemente caminhos teóricos pelos quais aquela falha poderia ser suprimida. Sob esta nova versão, o comportamento dos participantes do mercado de trabalho, para dado salário nominal, é motivado pela taxa de salário real e depende, portanto, das expectativas sobre o nível de preços que os agentes sejam capazes de formar. Se estas expectativas estiverem erradas, o salário nominal pode se equilibrar em posições não compatíveis com a estrutura dos salários reais e a pleno emprego.
  39. 39. Curva de Phillips: Versão Aceleracionista     Funcionamento do mercado de trabalho: - o salário nominal se move para equilibrar o mercado de trabalho; - os trabalhadores decidem quanto trabalho ofertar a cada salário nominal formando uma expectativa de nível de preços (Pe), e então transformando o salário nominal em seu equivalente real, é o salário real que determina quanto trabalho é ofertado. - os empregadores decidem quanto trabalho demandar a cada salário nominal usando seu conhecimento sobre o preço de seu próprio produto para transformar o salário nominal em seu equivalente real, que é, então, igualado ao produto físico marginal do trabalho pela maximização do lucro.
  40. 40. Expectativas Adaptativas   Hipótese de que o valor futuro de uma determinada variável é uma função dos seus valores passados, idéia que foi usada por Fischer (1930) ao definir a inflação esperada como uma defasagem distribuída de valores passados, mas que ganhou notoriedade a partir do estudo de Cagan (1956) sobre hiperinflação. Esta regra admite que os agentes aprendem com seus próprios erros passados. Deste modo, os agentes (especificamente, os trabalhadores no modelo aqui desenvolvido) não possuem ilusão monetária, mas, sim, ajustam lentamente suas expectativas à luz dos erros que têm experimentado com suas expectativas anteriores.   e t e t   e t 1      t 1 t 1  e t 1  1     e t 1
  41. 41. Curva de Phillips: Versão Aceleracionista  Partindo de uma situação inicial de equilíbrio a pleno emprego, para o qual corresponde uma taxa de desemprego, a taxa natural de desemprego u*, suponha que o governo decida ser maior que o desejável esta taxa de desemprego e implemente uma política de gerenciamento da demanda agregada expansionista, de tal modo que os níveis de produto e emprego aumentem assim como o nível de preços.
  42. 42. Curva de Phillips: Versão Aceleracionista  Esta situação representa um desequilíbrio. No curto prazo, a busca desta política aumenta a taxa de inflação que passa a ser maior que a taxa de inflação esperada, ou seja, as taxas realizadas de mudanças nos preços não correspondem aos valores esperados desta variável e um processo de ajustamento segundo as expectativas adaptativas é iniciado.
  43. 43. Curva de Phillips: Versão Aceleracionista   Enquanto o processo de ajuste via expectativas se realiza, tanto os preços quanto os salários nominais estão crescendo, sendo que o último cresce mais rápido que o primeiro, de tal modo que a curva de oferta de trabalho vai se deslocando para a esquerda. No ajuste, o crescimento dos salários nominais, após um movimento inicial do nível de preços, impulsiona dinamicamente o crescimento dos preços, até que a taxa de inflação esperada coincida com a taxa de inflação real.
  44. 44. Curva de Phillips: Versão Aceleracionista  ST = g(W/Pe) W/P πt = πe maior que a anterior W/P* DT = f(W/P) N* N u* u
  45. 45. Curva de Phillips: Versão Aceleracionista    Neste ponto, a taxa natural de desemprego é restabelecida e nem o salário real nem os preços relativos dos produtos cresceram. A Curva de Phillips foi deslocada para um novo patamar e corresponde agora às expectativas ajustadas maiores que as anteriores. Concluí-se daí que quaisquer níveis de expectativas inflacionárias são compatíveis com a taxa natural de desemprego, desde que plenamente antecipadas. E que se o governo quisesse manter a taxa de desemprego abaixo de sua taxa natural, deveria estar disposto a promover taxas de inflação não antecipadas cada vez mais altas, de modo que pudessem continuamente superar as taxas de inflação esperadas, uma vez que os agentes aprendem com a experiência. Daí o aceleracionismo desta versão.
  46. 46. Curva de Phillips: Versão Aceleracionista   Deste modo, somente a parte não antecipada da taxa de inflação consegue influir no lado real da economia permitindo um trade-off entre inflação e desemprego no curto prazo, em outras palavras, somente um erro de expectativas torna inexistente a dicotomia clássica. No longo prazo:  Aa expectativas estarão plenamente ajustadas, e a taxa de desemprego estará a seu nível natural.  Não há trade-off de longo prazo entre inflação e desemprego.  As diferentes taxas de inflação compatíveis com a taxa natural de desemprego são plenamente antecipadas e permanecem constantes.  A moeda é neutra no longo prazo e a Curva de Phillips ‚ vertical no nível da taxa natural de desemprego.
  47. 47. Curva de Phillips: Expectativas Racionais  Lucas e mais tarde Sargent argumentam que, se as pessoas estão persistente e sistematicamente cometendo erros, elas não podem ser consideradas racionais. Um agente racional deveria aprender com seus erros e usar de todas as informações disponíveis (não só os valores passados da variável esperada) a fim de formar suas expectativas.
  48. 48. Curva de Phillips: Expectativas Racionais   Para integrar estas idéias em modelos econômicos formais, Lucas e Sargent (1978) adotaram a técnica de J. Muth (1961) de expectativas racionais. Segundo esta técnica, as expectativas são racionais quando, em média, coincidem com os valores verdadeiros das variáveis sobre as quais as expectativas forem formuladas, ou, dito de outra forma, a distribuição de probabilidade subjetiva dos resultados é igual à objetiva.
  49. 49. Expectativas Racionais  A hipótese das expectativas racionais envolve três afirmações:  as informações são escassas e o sistema econômico não as desperdiça;  as expectativas são formadas a partir da estrutura específica do modelo que descreve a economia;  a previsão econômica verdadeira não dá a ninguém uma oportunidade especial de lucrar a partir dela, se ela é conhecida por todos.
  50. 50. Novos-clássicos e Expectativas Racionais   As expectativas racionais estão intimamente ligadas à doutrina novo-clássica, embora o uso deste instrumental não seja peculiar somente a esta escola de pensamento econômico. A escola novo-clássica caracteriza-se por três princípios-chave:    as decisões econômicas dos agentes são baseadas unicamente em fatores reais; os agentes são, no limite de suas informações, otimizadores consistentes, ou seja, estão continuamente em equilíbrio; e eles não cometem erros sistemáticos na avaliação do comportamento econômico - formam expectativas racionais.
  51. 51. Expectativas Racionais   Formalmente, o conceito de expectativas racionais equivale à esperança matemática condicionada pelo conjunto de informações relevante e disponível para o período de tempo imediatamente anterior (It-1), o qual inclui todas as variáveis exógenas, todos os valores passados das variáveis endógenas e, principalmente, a estrutura do modelo. t 1 X  t  E X t I t 1 
  52. 52. Curva de Phillips: Expectativas Racionais    A implicação da hipótese de expectativas racionais é que a taxa de desemprego real oscila aleatoriamente em torno da taxa natural. Verifica-se que desvios sistemáticos da taxa de inflação em relação a taxa esperada não podem ser gerados por meio da política de gerenciamento da demanda agregada para influenciar a taxa de desemprego corrente. Sob esta versão, a Curva de Phillips de curto prazo colapsa, nenhuma relação entre inflação e desemprego é encontrada seja no curto ou no longo prazo  ditocomia clássica Apenas uma surpresa sobre o curso da oferta de moeda, por exemplo, pode alterar instantaneamente o nível real de emprego. Este modelo não é adequado, portanto, para explicar movimentos persistentes na taxa de desemprego, tais como os observados nos ciclos dos negócios no mundo real.
  53. 53. Curva de Phillips: Expectativas Racionais   Neste sentido, há apenas que se fazer uma ressalva. Os resultados aqui apresentados são derivados da chamada hipótese forte de Expectativas Racionais dentro da escola novo-clássica. A busca de uma explicação, consistente com este arcabouço teórico, para os movimentos sistemáticos da taxa de desemprego durante a contração ou expansão de um ciclo tem levado ao desenvolvimento das teorias dos ciclos reais. Por hora, o que nos interessa extrair deste instrumental é que a inflação é um fenômeno estritamente monetário e que, sob esta versão, a Curva de Phillips deixa de existir ao mesmo tempo em que se buscam fundamentos de estrita racionalidade neoclássica para a macroeconomia.
  54. 54. Nesse contexto: Como realizar política monetária?   Novos mecanismos de transmissão – principalmente expressos em rigidez de preços e salários monetários – da política econômica e de choques em geral para o nível de preços abriram espaço para o desenvolvimento da teoria monetária positiva e normativa. Nesse desenvolvimento, ganha corpo o debate regras versus discricionariedade na condução da política monetária de controle da inflação. Este debate foi formalmente inaugurado pelo famoso artigo de Kydland e Prescott (1977) e reafirmado com o trabalho de Barro e Gordon (1983).
  55. 55. Regras x Discricionariedade  O artigo original de Kydland e Prescott trazia uma preocupação clara com a aplicação da teoria de controle ótimo para análise de sistemas dinâmicos econômicos, considerando que esta passara a ser uma técnica bastante utilizada a partir da microfundamentação da macroeconomia observada na literatura póscolapso da curva de Phillips.
  56. 56. Regras x Discricionariedade  À época, trabalhos teóricos já apontavam para o surgimento de um tradeoff assumindo rigidez de preços e de salários, supondo que estes eram fixados antes da realização da demanda, substituindo os argumentos tradicionais de informação imperfeita.  O tradeoff entre desemprego e inflação, nos moldes da última versão da curva de Phillips e sob hipótese de rigidez de preços e salários, foi descrito por:   ut  u    e t  t 
  57. 57. Regras x Discricionariedade A formação de expectativas é racional;  Para completar o modelo, os autores assumem que alguma função objetivo social racionaliza a escolha de política, podendo ser descrita genericamente como:  S  t , u t 
  58. 58. Regras x Discricionariedade  A política consistente maximiza essa função sujeita à curva de Phillips. Usando um expediente gráfico, com a taxa de inflação corrente como função do desvio entre a taxa de desemprego corrente e a natural, os autores mostram que a escolha ótima de política é inconsistente.
  59. 59. Regras x Discricionariedade t C O ut – u* As linhas retas representam as Curvas de Phillips, com inclinação --1 e intercepto no eixo vertical em e, e as curvas são curvas de indiferença a partir da função objetivo social.
  60. 60. Inconsistência Dinâmica  Uma política é consistente se, para cada período de tempo, ela maximiza a função objetivo, tomando como dadas as decisões anteriores e as decisões de políticas futuras são selecionadas da mesma forma.  Assim, a política escolhida é consistente se a curva de indiferença tangencia a curva de Phillips ao longo do eixo vertical: ou seja, a escolha de política ignora os efeitos que as escolhas futuras possam ter sobre as variáveis correntes, o que significa que a política é a melhor, sob expectativas racionais, dadas as condições correntes, e a inflação esperada é igual a inflação corrente, com taxa de desemprego igual à natural (ponto C).
  61. 61. Inconsistência Dinâmica   Por outro lado, a taxa de desemprego natural, de acordo com a função objetivo social, também pode ser obtida com taxa de inflação nula, o que é socialmente preferível, ou seja, otimiza a função objetivo social (ponto O). A política consistente é, portanto, subótima, pois as decisões dos agentes econômicos são realizadas a partir de suas expectativas sobre a política futura e estas expectativas são influenciadas pelos planos escolhidos, de acordo com a crítica de Lucas (1976).
  62. 62. Inconsistência Dinâmica   Autoridades monetárias que agem discricionariamente estão selecionando a política melhor, dada a situação corrente, ou seja, a política consistente. Apenas a adoção de regras de atuação, que possam ser incorporadas ao conjunto de informações dos agentes em sua formação de expectativa sobre a política futura, pode levar à escolha ótima da política econômica, no sentido de maximizar a função objetivo social.
  63. 63. Inconsistência Dinâmica   A literatura sobre regras versus discricionariedade é ampla; Barro e Gordon (1983) tratam de um ponto que consideramos extremamente relevante:  mais do que discutir ou teorizar sobre a questão, é importante considerar que a política monetária é sempre realizada a partir de um arcabouço institucional dado, alertando para a importância das instituições monetárias existentes numa economia.
  64. 64. Inconsistência Dinâmica   Adicionalmente, a ausência de commitment technology e a ambição com relação ao desemprego (busca da taxa de desemprego abaixo da taxa de desemprego natural) faz com que a autoridade monetária seja incentivada a promover surpresa inflacionária. Daí surgiria o viés inflacionário, pois a promoção da surpresa inflacionária não é consistente no tempo, uma vez que os agentes estão sempre ajustando suas expectativas.
  65. 65. Inconsistência Dinâmica   A surpresa inflacionária acarretaria, no tempo, a existência de um viés inflacionário sistemático, o que resultaria em uma taxa de desemprego igual à taxa natural de desemprego da economia, mas com inflação acima do ótimo. A existência de regras para a atuação do banco central resolve o problema da tendência à criação de surpresa inflacionária que resulta em um equilíbrio com inflação e expansão monetária mais baixas, mas que também a criação de reputação (credibilidade) – resultado da interação entre autoridade monetária e agentes – traria o mesmo resultado, pois faz com que o benefício de curto prazo da surpresa inflacionária seja menor que o de longo prazo de estabilidade dos preços.
  66. 66. Daí para…  A discussão sobre âncoras nominais que já realizamos em sala.  Regime de metas de inflação, em comparação às demais âncoras apresenta vantagens e tem sido amplamente adotado.
  67. 67. Meta de Inflação  Meta de Inflação: a autoridade monetária estabelece uma meta diretamente para a inflação futura. Principais características:       anúncio público de meta quantitativa para a inflação de médio prazo; comprometimento institucional com estabilidade de preços; uma estratégia inclusiva de informação; comunicação e transparência da estratégia de política monetária; monitoramento da atuação do banco central. Âncora: expectativas de inflação futura do público
  68. 68. 3. Meta de inflação: desvantagens    impõe regra rígida X muita discricionaridade; gera muita volatilidade no produto de curto prazo; inflação é difícil de controlar.
  69. 69. Meta de inflação: ponto crítico   O regime de metas de inflação depende muito da credibilidade do banco central em se comprometer com os requisitos para o funcionamento do regime. A ancoragem nominal da economia nas expectativas de inflação é sutil e frágil, principalmente considerando que, antes do plano Real, o País vivia um verdadeiro caos monetário.  Comunicação e transparência  previsibilidade
  70. 70. Caso brasileiro: Novos rumos    Fev/99: o Banco Central (Armínio Fraga) imprimiu um novo direcionamento à política monetária e cambial através de dois passos: 1) com o reconhecimento da urgência em estabelecer uma âncora nominal para a economia, o novo presidente do Banco Central anunciou que, em breve, o Brasil adotaria o regime de metas de inflação; e 2) choque temporário de juros, aumentando a taxa básica em 600 pontos-base (de 39% aa para 45% aa), na tentativa de reverter as expectativas e restabelecer a credibilidade da política monetária.
  71. 71. Casos brasileiro: Meta de Inflação  21 de junho de 1999  Decreto 3088: regime de metas de inflação    Anúncio de metas numéricas explícitas para múltiplos anos, 1999, 2000 e 2001, com um comprometimento em anunciar as metas para 2002 e, a partir daí, sempre anunciando metas para os próximos dois anos; Designação do Conselho Monetário Nacional, por meio das reuniões do seu Comitê de Política Monetária (Copom), como responsável por fixar as metas de inflação e os limites de tolerância; Atribuição ao Banco Central da responsabilidade de implementar as políticas necessárias para alcançar as metas de inflação;
  72. 72. Casos brasileiro: Meta de Inflação  Procedimentos para aumentar o monitoramento do Banco Central, tais como a necessidade de que o Presidente do Banco Central envie uma carta aberta ao Ministro da Fazenda explicando as razões para o descumprimento da meta, bem como as medidas tomadas para revertê-lo e o tempo necessário para que a inflação volte para o seus limites de tolerância (sem cláusulas de escape); e  Implementação de ações que aumentam a transparência da política monetária e sua comunicação com o público, por meio da institucionalização do Relatório de Inflação trimestral.
  73. 73. Gestão da política monetária    O instrumento intermediário é a taxa nominal de juros de curto prazo (Selic); O BC tem autonomia de instrumento; A decisão é tomada com base no conjunto de informação mais abrangente possível.  um conjunto de modelos e análises empíricas servem de base para a formulação de uma função de reação adequada e para a geração de previsões de inflação, bem como de suas distribuições de probabilidade;  percepções do setor privado sobre a perspectiva para a inflação;  por informações extra-modelo;  por indicadores antecedentes para o comportamento do produto e inflação; e  qualquer outro conhecimento que possa contribuir para a formação do cenário básico.
  74. 74. Gestão da política monetária 90,0 4 80,0 3,5 70,0 3 60,0 2,5 50,0 Regime Monetário de Metas de Inflação e Câmbio Flexível 40,0 30,0 2 1 ,5 20,0 1 10,0 0,5 0,0 Fonte: Banco Central do Brasil jul/01 jan/02 jul/02 jan/03 jul/03 jan/04 jul/04 jan/05 jul/05 jan/06 jul/06 jan/07 jan/95 jul/95 jan/96 jul/96 jan/97 jul/97 jan/98 jul/98 jan/99 jul/99 jan/00 jul/00 jan/01 0 Selic Câmbio

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