Contabilidade nacional 2011

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Contabilidade nacional 2011

  1. 1. II – As Três Ópticas do Valor da Produção Nacional I. Óptica da Produção: quando queremos saber quanto é que se produz. Por isso, temos de calcular o valor acrescentado (VA) de cada empresa durante o processo produtivo até aos bens chegarem ao consumidor final e, depois, somar cada um desses valores acrescentados de modo a obtermos o valor da produção nacional. Nota: VA = Valor das Vendas (VV) - Consumos Intermédios (CI) II. Óptica do Rendimento: quando queremos saber como é que se distribui a produção de uma dada economia pelos seus agentes: salários, lucros, juros, etc. III. Óptica da Despesa: quando há interesse em saber quanto é que cada agente económico (em termos agregados) gasta — Consumo Privado (das Famílias), Despesas Públicas, Investimento, Importações e Exportações. Como calcular o Produto (o valor da produção de um país) ? Existem dois métodos: o Método dos Valores Finais e o Método dos Valores Acrescentados. I. Método dos Valores Finais tomamos os valores finais da produção aos preços de mercado, isto é, utilizamos os valores do consumo final em bens e serviços para a satisfação directa das necessidades humanas. II. Método dos Valores Acrescentados, o valor do produto vai ser decomposto nas parcelas com que os diversos sectores de actividade contribuem para a formação desse mesmo produto: VA = VV - CI . O Valor das Vendas (VV) diz respeito a uma determinada etapa do processo produtivo e os Consumos Intermédios (CI) correspondem ao valor dos bens não duráveis e dos serviços comerciais usados no decurso do processo de produção a preços de aquisição. Deste modo, evitamos contabilizar duas vezes o mesmo valor acrescentado porque retiramos o valor que foi acrescentado (anteriormente) aos produtos intermédios que uma determinada empresa compra para produzir um novo produto ou serviço - problema da dupla contagem. Recorrendo a um exemplo extremamente simples, veremos como é que se pode aplicar cada um dos dois métodos. Imaginemos uma economia fechada com 4 agentes: um agricultor, um moleiro, um padeiro e uma empresa produtora de energia eléctrica. • O agricultor produz trigo que vende ao moleiro por 30 u.m. (unidades monetárias). • O moleiro compra o trigo por 30 u.m., produzindo farinha que vende por 90 u.m., utilizando 20 u.m. de energia eléctrica. • O padeiro compra a farinha ao moleiro (por 90 u.m.) e utiliza 30 u.m. de energia eléctrica; o pão é vendido por 150 u.m. • A empresa produtora de energia realiza vendas no valor de 20 u.m. (moleiro) e 30 u.m. (padeiro) e não tem consumos intermédios visto que usa um gerador hidroeléctrico.
  2. 2. Compra s Agricultor Vendas Compra s Moleiro Vendas CI 0 Trigo 30 Energia 20 Farinha 90 VA 30 Trigo 30 30 30 VA 40 90 90 Compra s Padeiro Vendas Compra s Energia Vendas Energia 30 Pão 150 CI 0 Energia 20+30 Farinha 90 VA 50 VA 30 50 50 150 150 Método dos Valores Finais: Produto (é igual ao valor de venda do pão - único bem de consumo final) = 150 u.m. Método dos Valores Acrescentados: ΣVA = VA Agricultor + VA Moleiro + VA Padeiro + VA Energia = = 30 + 40+ 30 + 50 =150 u.m. * * * Noções de Contabilidade Nacional Produto Interno e Produto Nacional Produto Interno (PI): é o somatório de todos os valores acrescentados de todas as unidades produtivas residentes (i.e., independentemente de pertencerem ou não a agentes económicos nacionais) no território nacional, calculado para um determinado período (geralmente, um ano). Produto Nacional (PN): é o somatório dos valores acrescentados, atribuível a factores de produção nacionais. Por isso, temos de adicionar o valor das remunerações que recebemos do resto do mundo (por ex., de emigrantes portugueses em França) e os rendimentos de propriedade e de empresa que recebemos do exterior (por ex., lucros de empresas portuguesas em Moçambique) e deduzir as remunerações e os rendimentos que saem de Portugal por não pertencerem a agentes económicos nacionais (ex.: lucros das filiais de multinacionais estrangeiras em Portugal). PI → PN ⇒ PN = PI + RRRM - RPRM PN = PI + SRRM RRRM : Rendimentos Recebidos do Resto do Mundo RPRM : Rendimentos Pagos ao Resto do Mundo
  3. 3. SRRM = RRRM - RPRM :Saldo dos Rendimentos com o Resto do Mundo O SRRM pode ser nulo, positivo ou negativo, consoante os Rendimentos Recebidos sejam iguais, superiores ou inferiores aos Rendimentos Pagos ao Resto do Mundo: SRRM = 0 (nulo): RRRM - RPRM = 0 ⇔ RRRM = RPRM SRRM > 0 (positivo): RRRM - RPRM > 0 ⇔ RRRM > RPRM SRRM < 0 (negativo): RRRM - RPRM < 0 ⇔ RRRM < RPRM Distinção entre o Produto Líquido e o Produto Bruto Para calcularmos o valor do produto retiramos o valor do que foi gasto para a produção dos bens (as matérias primas, os produtos intermédios, etc.). Deste modo evitamos o problema da dupla contagem quando aplicamos o Método dos Valores Acrescentados. Contudo não se considerou o valor do desgaste (ou mais tecnicamente, o valor da depreciação: obsolescência e desgaste físico) das máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo - as amortizações. Uma forma de analisar esta questão é fazer a distinção entre investimento líquido (investimento que corresponde realmente a um aumento da capacidade produtiva) e investimento bruto (total do investimento que visa repor a capacidade perdida durante o processo produtivo - a amortização dos equipamentos - e ainda permitir um aumento de capacidade). Logo: Invest. Bruto = Invest Líq. + Amort. Assim, teremos as seguintes equações para a Contabilidade Nacional: PIL = PIB - Amort. PIL / PIB : Produto Interno Líquido / Bruto ou PNL = PNB - Amort.PNL / PNB : Produto Nacional Líquido / Bruto Distinção entre a valorização a preços de mercado (pm) e a valorização a custo de factores (cf) A valorização a preços de mercado (pm) não é mais do que aquilo que o consumidor paga quando adquire um bem para satisfação de qualquer necessidade e a valorização a custo de factores (cf) aquilo que custaria esse mesmo bem se incluísse o valor correspondente apenas à remuneração dos factores produtivos, i.e., se ao preço no mercado retirássemos o valor dos impostos indirectos (impostos sobre o consumo, como o IVA - Imposto sobre o Valor Acrescentado) e adicionássemos o valor dos subsídios à exploração concedidos aos produtores. Esquematicamente, para passarmos de “cf” para “pm” adicionamos os impostos indirectos (I I) e deduzimos os subsídios (Sub): pmcf SubII  → −+ E para obtermos uma valorização a custo de factores a partir de uma valorização a preços de mercado, retiramos os impostos indirectos e acrescentamos os subsídios: pm cf I I Sub− +  → logo: PIBcf = PIBpm - I I + Sub ⇔ PIBpm = PIBcf + I I - Sub e: PNBcf = PNBpm - I I + Sub
  4. 4. ⇔ PNBpm = PNBcf + I I - Sub Formação Bruta de Capital O Investimento Bruto é geralmente designado na Contabilidade Nacional por Formação Bruta de Capital, sendo esta composta por duas parcelas, a Formação Bruta de Capital Fixo e a Variação das Existências: FBC = FBCF + ∆Exist Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF): valor dos bens duráveis destinados a fins não militares adquiridos pelas unidades produtivas residentes para utilização por um prazo superior a um ano no processo produtivo, ou seja, toda a despesa em aumentos de maquinaria, edifícios ou outro capital produtivo1 . Variação das Existências (∆Exist): é a diferença entre as existências de bens, seja qual for a fase do processo produtivo; é, pois, a diferença entre as entradas e saídas de existências de bens que se encontram em armazém e ainda não vendidas. CONTABILIDADE NACIONAL 1. ÓPTICA DA PRODUÇÃO PIBpm = ΣVABpm+Impostos sobre a Importação PIBcf = PIBpm - Imp. sobre a Importação - Imp. sobre a Produção + Subsídios à Exploração = PIBpm - I I + Sub com: Impostos Indirectos (I I) = Imp. sobre a Importação + Imp. sobre a Produção 2. ÓPTICA DO RENDIMENTO PIBcf = Remunerações + EBE PIBpm = PIBcf + I I - Sub = Remunerações + EBE+ I I - Sub EBE → Excedente Bruto de Exploração (outros rendimentos: rendas, juros, etc.) EBE = PIBcf - Remunerações (ou EBE = PIBpm - I I + Sub - Remunerações) 3. ÓPTICA DA DESPESA DI (Despesa Interna) = PIBpm = C + G + FBCF + ∆Exist + X - M = C + G + FBC + SBC C: Consumo Privado (despesa em produtos consumidos e pagos directamente pelos residentes) 1 In, Introdução à Economia, João de Sousa Andrade (1998).
  5. 5. G: Gastos/Despesa Públicas (despesa realizada pelo Sector Público Administrativo em produtos e serviços que fornece a título gratuito ou não, tais como educação, saúde, policiamento, defesa, saneamento básico, etc.) FBC = FBCF + ∆Exist X: Exportações (despesa feita por não residentes em bens e serviços vendidos por agentes residentes) M: Importações (despesa dos residentes em bens e serviços que não são produzidos internamente) Saldo da Balança Comercial: SBC = X-M Outras noções fundamentais para a Contabilidade Nacional: • Procura Interna = C + G + FBC • Procura Externa = X Logo: Procura Global = Proc. Interna + Proc. Externa = (C + G + FBC) + X Como parte dessa Procura Global é satisfeita por importações, temos de as subtrair de modo a obtermos o valor da Despesa Interna: DI = Proc. Global - M = = Proc. Interna + Proc. Externa - M = (C + G + FBC) + X -M • Despesa Nacional (DN) = Produto Nacional (PN) = PNBpm = PIB pm + SRRM ⇔ DN = PN = PNBpm = PIB pm + (RRRM - RPRM) • Rendimento Nacional (RN) = PNLcf = PNBcf - Amort. = PNBpm - I I + Sub - Amort. • Rendimento Disponível (RD) = RN - Lucros Não Distrib. – I D + Tr Lucros Não Distrib. → lucros não distribuídos pelas empresas I D → Impostos Directos pagos pelas Famílias (IRS) Tr → Transferências do Estado para as Famílias • Poupança = Rendimento Disponível - Consumo Privado * * * CASO PRÁTICO: Para uma dada economia conhecem-se os seguintes dados (em unidades monetárias): Consumo Privado = 1500 RRRM = 100 Transferências do Estado= 150
  6. 6. Gastos Públicos = 500 RPRM = 300 Remessas de Emigrantes = 350 Investimento = 800 Impostos Indirectos: I I = 600 Amortizações = 200 Exportações = 400 Subsídios à Exploração = 100 Lucros Não Distrib = 200 Importações = 600 Determine: a) a Procura Interna, a Procura Externa, a Procura Global e a Despesa Interna b) o PIBpm ; o PIBcf ; o PNBpm e o PNBcf c) o Rendimento Nacional, o Rendimento Disponível e a Poupança Resolução: a) Procura Interna = C + G + FBC = 1500 + 500 + 800 = 2800 u.m. Procura Externa = X = 400 u.m. Procura Global = Proc. Interna + Proc. Externa = 2800 + 400 = 3200 u.m. Despesa Interna: DI = Proc. Global - M = 3200 - 600 = 2600 u.m. ou DI = C + G + FBC + X - M = 1500 + 500 +800 + 400 - 600 =2600 u.m. b) PIBpm = D I = 2600 u.m. PIBcf = PIBpm - Imp. Indirectos + Sub. à Explor. = 2600 - 600 + 100 = 2100 u.m. Dado que SRRM = RRRM - RPRM = 100 - 300 = -200 u.m. então, PNBpm = PIBpm + SRRM = 2600 - 200 = 2400 u.m. e PNBcf = PIBcf + SRRM = 2100 - 200 = 1900 u.m. Ou, partindo do valor de PNBpm: PNBcf = PNBpm- Imp. Indirectos + Sub. à Explor. = 2400 - 600 + 100 = 1900 u.m. c) Rendimento Nacional: RN = PNLcf = PNBcf - Amort. = 1900 - 200 = 1700 u.m. Rendimento Disponível: RD = RN - lucros não distrib. + Tr + RE = 1700 - 200 + 150 + 350 = 2000 u.m. Poupança: S = RD - C = 2000 - 1500 = 500 u.m.
  7. 7. Gastos Públicos = 500 RPRM = 300 Remessas de Emigrantes = 350 Investimento = 800 Impostos Indirectos: I I = 600 Amortizações = 200 Exportações = 400 Subsídios à Exploração = 100 Lucros Não Distrib = 200 Importações = 600 Determine: a) a Procura Interna, a Procura Externa, a Procura Global e a Despesa Interna b) o PIBpm ; o PIBcf ; o PNBpm e o PNBcf c) o Rendimento Nacional, o Rendimento Disponível e a Poupança Resolução: a) Procura Interna = C + G + FBC = 1500 + 500 + 800 = 2800 u.m. Procura Externa = X = 400 u.m. Procura Global = Proc. Interna + Proc. Externa = 2800 + 400 = 3200 u.m. Despesa Interna: DI = Proc. Global - M = 3200 - 600 = 2600 u.m. ou DI = C + G + FBC + X - M = 1500 + 500 +800 + 400 - 600 =2600 u.m. b) PIBpm = D I = 2600 u.m. PIBcf = PIBpm - Imp. Indirectos + Sub. à Explor. = 2600 - 600 + 100 = 2100 u.m. Dado que SRRM = RRRM - RPRM = 100 - 300 = -200 u.m. então, PNBpm = PIBpm + SRRM = 2600 - 200 = 2400 u.m. e PNBcf = PIBcf + SRRM = 2100 - 200 = 1900 u.m. Ou, partindo do valor de PNBpm: PNBcf = PNBpm- Imp. Indirectos + Sub. à Explor. = 2400 - 600 + 100 = 1900 u.m. c) Rendimento Nacional: RN = PNLcf = PNBcf - Amort. = 1900 - 200 = 1700 u.m. Rendimento Disponível: RD = RN - lucros não distrib. + Tr + RE = 1700 - 200 + 150 + 350 = 2000 u.m. Poupança: S = RD - C = 2000 - 1500 = 500 u.m.

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