SlideShare uma empresa Scribd logo
1 de 6
Teste 1 Poesia Trovadoresca (Sequência 2)
Cantigas de amigo
Teste de avaliação sumativa
GRUPO I
A
Lê o poema seguinte. Em caso de necessidade, consulta o vocabulário apresentado.
Que trist' oj' é meu amigo,
amiga, no seu coraçom!
ca non pôde falar migo
nen veer-m', e faz gram razom
meu amigo de trist' andar
pois m' el non vir e lh' eu nembrar.
Trist' anda, se Deus mi valha,
ca me non viu, e dereit' é,
e por esto faz sen falha
mui gram razom, per bõa fé,
meu amigo de trist' andar
pois m' el non vir e lh' eu nembrar.
D' andar triste faz guisado,
ca o non vi, nen vio el mi,
nen ar oío meu mandado,
e poren faz gram dereit' i
meu amigo de trist' andar
pois m' el non vir e lh' eu nembrar.
Mais, Deus, como pode durar
que já non morreu con pesar!
D. Dinis, n.os
157 do Cancioneiro da Vaticana e 554 do Cancioneiro Colocci-
Brancuti.
Vocabulário
«oj’» (v. 1) – hoje; «é» (v. 1) – está, anda; «ca» (v. 3) – porque; «faz gram razom (…) de» (vv. 4
e 5) – tem toda a razão (…) para; «nembrar» (v. 6) – lembrar; «D’andar triste faz guisado»
(v. 13) – o seu estado é de tristeza; «nem ar oío meu mandado» (v. 15) – nem por certo
1
©Edições ASA  2015  Entre Palavras 10  António Vilas-Boas e Manuel Vieira
recebeu o meu recado; «poren» (v. 16) – por isso; «Mais» (v. 19) – Mas; «pesar» (v. 20) –
sofrimento
Apresenta, de forma clara e bem estruturada, as tuas respostas aos itens que se seguem.
1. Indica, justificando, qual a relação entre o sujeito poético e a sua «amiga».
2. Elabora a caracterização psicológica do «amigo», justificando com elementos textuais
pertinentes.
3. Identifica uma marca de paralelismo presente no texto, justificando.
4. Tem em atenção o refrão. Explicita o desabafo da amiga relativo ao seu «amigo».
B
Nas cantigas de amigo, o sentimento amoroso da amiga encontra frequentemente na
natureza ou noutras amigas um consolo para as suas dúvidas e aflições.
Escreve um texto no qual comproves esta firmação com base na tua experiência de leitura.
O teu texto deve ter entre 120 e 150 palavras.
GRUPO II
Lê o texto seguinte.
O INÍCIO DA LITERATURA PORTUGUESA
OS TEXTOS
As primeiras manifestações históricas da literatura portuguesa (entende-se literatura como
a arte ou ofício de escrever de forma artística) verificáveis provêm de composições poéticas
datadas do século XII. São em verso os mais antigos textos de caráter literário escritos em
português. Acontece na literatura portuguesa o que aliás se verifica em quase todas as
literaturas antigas e modernas: a poesia toma a dianteira e, muito antes da prosa, alcança as
condições de mais completa maturidade literária.
Foi a poesia trovadoresca, na fala galaico-portuguesa que, por mais de um século se fez
ouvir em Portugal, que encontrou na escrita o apropriado meio de registo da arte lírica criada
por trovadores, e que deu inicio à expressão literária da língua portuguesa.
Esta poesia trovadoresca apresenta três modalidades, singularmente caracterizadas: a
“Cantiga de Amigo”, a mais antiga; a “Cantiga de amor”, mais complexa e mais culta; a
“Cantiga de Escárnio e de Maldizer” que, sem amenidades de linguagem, exprime uma outra
faceta da vida medieval, bastante mais vulgar mas também realista.
Ao registo lírico sucedeu-se a prosa medieval. Contrastando com a qualidade e volume da
produção poética, os primeiros documentos literários em prosa exibem, com a sua penúria,
uma forma de expressão ainda hesitante e confusa. Nos conventos, praticamente os únicos
focos de irradiação cultural da época, ensaiaram-se as primeiras tentativas de prosa literária:
obras de edificação moral e religiosa; breves anotações de acontecimentos; piedosas vidas de
santos e inúmeras traduções de obras latinas, normalmente destinadas à instrução ou à
edificação dos crentes. Além destas obras de intuitos religiosos e morais e de rudimentar
feição histórica, há a considerar os Livros de Linhagens ou Nobiliários que, embora tendo como
2
©Edições ASA  2015  Entre Palavras 10  António Vilas-Boas e Manuel Vieira
objetivo o registo genealógico das famílias nobres do reino, incluem, curiosamente, algumas
narrativas de lendas, constituindo pois também formas de literatura.
A partir do século XIII impõe-se então a verdadeira prosa literária, de caráter ficcional e
romanesco, tendo como tema central a vida aventurosa dos cavaleiros. Estas tobras, que se
passaram a chamar “Romances de Cavalaria” nasceram no antigo reino de Provença, mas
depressa se espalharam por toda a Europa, e criaram aquilo que hoje se entende pelos Mitos
da Idade Média, ligados às aventuras de cavaleiros com seres fantásticos (como os Dragões), à
demanda de objectos sagrados (como o Santo Grall) ou à exaltação dos ideais de cavalaria
defendidos por cortes imaginárias (como a Corte do Rei Artur e da sua Távola Redonda). O
mais famoso romance é o Amadis de Gaula —, sobre o qual Portugal e Espanha disputam a
autoria.
OS AUTORES E DIVULGADORES DA LÌRICA MEDIEVAL
Por trovador entende-se todos os homens de arte que escreviam trovas (versos) e
compunham melodias para as cantar. Havia vários tipos de trovadores – segrel, menestrel ou
jogral são outros nomes para os praticantes da arte de “trovar”, a diferença do título estava na
própria condição social do trovador. De modo geral a designação de “trovador” aplicava-se
somente aos autores de origem nobre, pois os autores de origem plebeia, mas que também
tocavam nas cortes, tinham o nome de jogral; são de ambos os versos que sobreviveram até
aos dias de hoje, por meio do registo literário. Já os segréis eram trovadores de baixa condição
que vendiam a sua arte de compor músicas a troco de dinheiro quando alguém de algumas
posses precisava de animar os serões da sua própria casa. Os menestréis, por sua vez,
parecidos com os bardos que contavam histórias de vila em vila, eram trovadores errantes
que, de terra em terra, cantavam a troco de comida, muitas das vezes cantando os versos dos
trovadores das cortes, ajudando assim a popularizar determinada canção entre o povo.
http://www.luso-livros.net/idade-media
(Texto adaptado, consultado em 06.07.2015)
1. Para responder a cada um dos itens de 1.1 a 1.7, seleciona a opção que permite obter uma
afirmação correta.
1.1 Este texto tem como função principal
(A) distinguir entre lírica medieval e prosa medieval em Portugal.
(B) comparar a lírica medieval portuguesa com a de épocas posteriores.
(C) caracterizar os autores dos textos literários medievais portugueses.
(D) informar sobre as características gerais da literatura medieval portuguesa.
1.2 O início da literatura em Portugal caracteriza-se
(A) por não se distinguir dos inícios de outras literaturas.
3
©Edições ASA  2015  Entre Palavras 10  António Vilas-Boas e Manuel Vieira
(B) por se distinguir dos inícios de outras literaturas.
(C) pela precedência da prosa em relação à poesia.
(D) pela ausência de poesia lírica.
1.3 A expressão «sem amenidades de linguagem», linha 12, que significa que a linguagem das
cantigas de escárnio e maldizer podia ser insultuosa e ofensiva, concretiza, por isso,
(A) um eufemismo.
(B) uma hipérbole.
(C) uma antítese.
(D) uma comparação.
1.4 O contraste referido no início do terceiro parágrafo relaciona
(A) duas culturas.
(B) dois espaços.
(C) duas formas de expressão literárias.
(D) dois documentos literários.
1.5 Os diferentes textos em prosa produzidos nos conventos medievais caracterizavam -se, no
que ao seu valor histórico diz respeito
(A) por apresentarem informação histórica de qualidade.
(B) por se referirem somente à história de Portugal e de Espanha.
(C) por apresentarem informação histórica praticamente irrelevante.
(D) por incluírem informações sobre a vida de alguns santos.
1.6 A prosa literária portuguesa caracteriza-se, a partir do século XIII, por apresentar temáticas
de natureza
(A) social e religiosa.
(B) religiosa e fantástica.
(C) fantástica e mítica.
(D) aventurosa e fantástica.
4
©Edições ASA  2015  Entre Palavras 10  António Vilas-Boas e Manuel Vieira
1.7 A distinção entre os diferentes tipos de trovadores estabelecia-se a partir de fatores de
natureza
(A) cultural.
(B) estética.
(C) artística.
(D) social.
2. Responde, de forma correta aos itens apresentados.
Tem em atenção o Texto do Grupo I.
2.1 Indica o processo fonológico de alteração que se verifica na evolução da palavra latina
<amicu> para a palavra portuguesa <amigo, v.1>.
Tem em atenção o Texto do Grupo II.
2.2 Indica a função sintática desempenhada pelo primeiro pronome pessoal átono present no
último parágrafo.
2.3 Classifica a oração subordinada sublinhada em «Os menestréis, por sua vez, parecidos com
os bardos que contavam histórias de vila em vila, eram trovadores errantes».
GRUPO III
Escreve um texto no qual aprecies criticamente um livro recentemente lido ou um filme
visto há pouco.
O teu texto deve ter um mínimo de 200 e um máximo de 300 palavras.
5
©Edições ASA  2015  Entre Palavras 10  António Vilas-Boas e Manuel Vieira
1.7 A distinção entre os diferentes tipos de trovadores estabelecia-se a partir de fatores de
natureza
(A) cultural.
(B) estética.
(C) artística.
(D) social.
2. Responde, de forma correta aos itens apresentados.
Tem em atenção o Texto do Grupo I.
2.1 Indica o processo fonológico de alteração que se verifica na evolução da palavra latina
<amicu> para a palavra portuguesa <amigo, v.1>.
Tem em atenção o Texto do Grupo II.
2.2 Indica a função sintática desempenhada pelo primeiro pronome pessoal átono present no
último parágrafo.
2.3 Classifica a oração subordinada sublinhada em «Os menestréis, por sua vez, parecidos com
os bardos que contavam histórias de vila em vila, eram trovadores errantes».
GRUPO III
Escreve um texto no qual aprecies criticamente um livro recentemente lido ou um filme
visto há pouco.
O teu texto deve ter um mínimo de 200 e um máximo de 300 palavras.
5
©Edições ASA  2015  Entre Palavras 10  António Vilas-Boas e Manuel Vieira

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

Lírica de Luís de Camões
Lírica de Luís de Camões Lírica de Luís de Camões
Lírica de Luís de Camões Lurdes Augusto
 
Exp10 emp lp_007 atos ilocutorios
Exp10 emp lp_007 atos ilocutoriosExp10 emp lp_007 atos ilocutorios
Exp10 emp lp_007 atos ilocutoriosmariaric
 
Análise comparativa - Mostrengo e Adamastor
Análise comparativa - Mostrengo e AdamastorAnálise comparativa - Mostrengo e Adamastor
Análise comparativa - Mostrengo e AdamastorMarisa Ferreira
 
Predicativo do complemento direto
Predicativo do complemento diretoPredicativo do complemento direto
Predicativo do complemento diretoquintaldasletras
 
Mudam-se os tempos
Mudam-se os temposMudam-se os tempos
Mudam-se os temposMaria Góis
 
Episódio de inês de castro
Episódio de inês de castroEpisódio de inês de castro
Episódio de inês de castroQuezia Neves
 
Os lusíadas tempestade - Português 9º ano
Os lusíadas tempestade - Português 9º anoOs lusíadas tempestade - Português 9º ano
Os lusíadas tempestade - Português 9º anoGabriel Lima
 
Cantigas de amor -resumo
Cantigas de amor -resumoCantigas de amor -resumo
Cantigas de amor -resumoGijasilvelitz 2
 
Capítulo V Sermão Santo António aos Peixes Padre António Vieira
Capítulo V Sermão Santo António aos Peixes Padre António VieiraCapítulo V Sermão Santo António aos Peixes Padre António Vieira
Capítulo V Sermão Santo António aos Peixes Padre António VieiraAlexandra Madail
 
Ficha formativa_ Recursos Expressivos (I)
Ficha formativa_ Recursos Expressivos (I)Ficha formativa_ Recursos Expressivos (I)
Ficha formativa_ Recursos Expressivos (I)Raquel Antunes
 
Os Lusíadas - Reflexões do Poeta
Os Lusíadas - Reflexões do PoetaOs Lusíadas - Reflexões do Poeta
Os Lusíadas - Reflexões do PoetaDina Baptista
 
A formosura desta fresca serra
A formosura desta fresca serraA formosura desta fresca serra
A formosura desta fresca serraHelena Coutinho
 
A representação na amada na lírica de Camões
A representação na amada na lírica de CamõesA representação na amada na lírica de Camões
A representação na amada na lírica de CamõesCristina Martins
 
Descalça vai para a fonte
Descalça vai para a fonteDescalça vai para a fonte
Descalça vai para a fonteHelena Coutinho
 

Mais procurados (20)

Lírica de Luís de Camões
Lírica de Luís de Camões Lírica de Luís de Camões
Lírica de Luís de Camões
 
Proposição
ProposiçãoProposição
Proposição
 
Exp10 emp lp_007 atos ilocutorios
Exp10 emp lp_007 atos ilocutoriosExp10 emp lp_007 atos ilocutorios
Exp10 emp lp_007 atos ilocutorios
 
Análise comparativa - Mostrengo e Adamastor
Análise comparativa - Mostrengo e AdamastorAnálise comparativa - Mostrengo e Adamastor
Análise comparativa - Mostrengo e Adamastor
 
Adamastor
AdamastorAdamastor
Adamastor
 
Teste 9º os lusíadas
Teste 9º os lusíadasTeste 9º os lusíadas
Teste 9º os lusíadas
 
Predicativo do complemento direto
Predicativo do complemento diretoPredicativo do complemento direto
Predicativo do complemento direto
 
Mudam-se os tempos
Mudam-se os temposMudam-se os tempos
Mudam-se os tempos
 
Episódio de inês de castro
Episódio de inês de castroEpisódio de inês de castro
Episódio de inês de castro
 
Recursos expressivos
Recursos expressivosRecursos expressivos
Recursos expressivos
 
A tempestade
A tempestadeA tempestade
A tempestade
 
Os lusíadas tempestade - Português 9º ano
Os lusíadas tempestade - Português 9º anoOs lusíadas tempestade - Português 9º ano
Os lusíadas tempestade - Português 9º ano
 
Cantigas de amor -resumo
Cantigas de amor -resumoCantigas de amor -resumo
Cantigas de amor -resumo
 
Capítulo V Sermão Santo António aos Peixes Padre António Vieira
Capítulo V Sermão Santo António aos Peixes Padre António VieiraCapítulo V Sermão Santo António aos Peixes Padre António Vieira
Capítulo V Sermão Santo António aos Peixes Padre António Vieira
 
Ficha formativa_ Recursos Expressivos (I)
Ficha formativa_ Recursos Expressivos (I)Ficha formativa_ Recursos Expressivos (I)
Ficha formativa_ Recursos Expressivos (I)
 
Os Lusíadas - Reflexões do Poeta
Os Lusíadas - Reflexões do PoetaOs Lusíadas - Reflexões do Poeta
Os Lusíadas - Reflexões do Poeta
 
A formosura desta fresca serra
A formosura desta fresca serraA formosura desta fresca serra
A formosura desta fresca serra
 
Sedia m'eu na ermida
Sedia m'eu na ermidaSedia m'eu na ermida
Sedia m'eu na ermida
 
A representação na amada na lírica de Camões
A representação na amada na lírica de CamõesA representação na amada na lírica de Camões
A representação na amada na lírica de Camões
 
Descalça vai para a fonte
Descalça vai para a fonteDescalça vai para a fonte
Descalça vai para a fonte
 

Semelhante a Teste poesia trovadoresca 10 ano

SEMANA DO FERA 2014 - SEGUNDO ANO
SEMANA DO FERA 2014 - SEGUNDO ANOSEMANA DO FERA 2014 - SEGUNDO ANO
SEMANA DO FERA 2014 - SEGUNDO ANOPaulo Alexandre
 
Aula 06 barroco no brasil
Aula 06   barroco no brasilAula 06   barroco no brasil
Aula 06 barroco no brasilJonatas Carlos
 
Resolucao 2015 pre-vestibular_literatura_l1_split - SAS
Resolucao 2015 pre-vestibular_literatura_l1_split - SASResolucao 2015 pre-vestibular_literatura_l1_split - SAS
Resolucao 2015 pre-vestibular_literatura_l1_split - SASjasonrplima
 
Aula 27 produções contemporâneas em portugal e no brasil
Aula 27   produções contemporâneas em portugal e no brasilAula 27   produções contemporâneas em portugal e no brasil
Aula 27 produções contemporâneas em portugal e no brasilJonatas Carlos
 
Resumo literatura portuguesa20143anoEM
Resumo literatura portuguesa20143anoEMResumo literatura portuguesa20143anoEM
Resumo literatura portuguesa20143anoEMMarly Rodrigues
 
51.2 ribeiro o medievismo em gonçalves dias
51.2 ribeiro o medievismo em gonçalves dias51.2 ribeiro o medievismo em gonçalves dias
51.2 ribeiro o medievismo em gonçalves diasHadoock Ezequiel
 
Apoesiatrovadoresca.pdf
Apoesiatrovadoresca.pdfApoesiatrovadoresca.pdf
Apoesiatrovadoresca.pdfBeatriz Gomes
 
Literatura Brasileira [Quinhentismo, Barroco, Arcadismo]
Literatura Brasileira [Quinhentismo, Barroco, Arcadismo]Literatura Brasileira [Quinhentismo, Barroco, Arcadismo]
Literatura Brasileira [Quinhentismo, Barroco, Arcadismo]Pedro Andrade
 
VESTIBULAR UFPE 2014 - PROVA DE LITERATURA - TODOS OS TIPOS
VESTIBULAR UFPE 2014 - PROVA DE LITERATURA - TODOS OS TIPOSVESTIBULAR UFPE 2014 - PROVA DE LITERATURA - TODOS OS TIPOS
VESTIBULAR UFPE 2014 - PROVA DE LITERATURA - TODOS OS TIPOSIsaquel Silva
 
Crítica ao livro «Contra o Esquecimento das Mãos» de João Ricardo Lopes (2002)
Crítica ao livro «Contra o Esquecimento das Mãos» de João Ricardo Lopes (2002)Crítica ao livro «Contra o Esquecimento das Mãos» de João Ricardo Lopes (2002)
Crítica ao livro «Contra o Esquecimento das Mãos» de João Ricardo Lopes (2002)Madga Silva
 
A literatura romântica.
A literatura romântica.A literatura romântica.
A literatura romântica.Vanuza Duarte
 

Semelhante a Teste poesia trovadoresca 10 ano (20)

SEMANA DO FERA 2014 - SEGUNDO ANO
SEMANA DO FERA 2014 - SEGUNDO ANOSEMANA DO FERA 2014 - SEGUNDO ANO
SEMANA DO FERA 2014 - SEGUNDO ANO
 
Aula 06 barroco no brasil
Aula 06   barroco no brasilAula 06   barroco no brasil
Aula 06 barroco no brasil
 
Resolucao 2015 pre-vestibular_literatura_l1_split - SAS
Resolucao 2015 pre-vestibular_literatura_l1_split - SASResolucao 2015 pre-vestibular_literatura_l1_split - SAS
Resolucao 2015 pre-vestibular_literatura_l1_split - SAS
 
Aula 27 produções contemporâneas em portugal e no brasil
Aula 27   produções contemporâneas em portugal e no brasilAula 27   produções contemporâneas em portugal e no brasil
Aula 27 produções contemporâneas em portugal e no brasil
 
Resumo literatura portuguesa20143anoEM
Resumo literatura portuguesa20143anoEMResumo literatura portuguesa20143anoEM
Resumo literatura portuguesa20143anoEM
 
51.2 ribeiro o medievismo em gonçalves dias
51.2 ribeiro o medievismo em gonçalves dias51.2 ribeiro o medievismo em gonçalves dias
51.2 ribeiro o medievismo em gonçalves dias
 
Apoesiatrovadoresca.pdf
Apoesiatrovadoresca.pdfApoesiatrovadoresca.pdf
Apoesiatrovadoresca.pdf
 
Unidade ii
Unidade iiUnidade ii
Unidade ii
 
Simulado lit-prise 2.1 ok
Simulado lit-prise 2.1 okSimulado lit-prise 2.1 ok
Simulado lit-prise 2.1 ok
 
Literatura Brasileira [Quinhentismo, Barroco, Arcadismo]
Literatura Brasileira [Quinhentismo, Barroco, Arcadismo]Literatura Brasileira [Quinhentismo, Barroco, Arcadismo]
Literatura Brasileira [Quinhentismo, Barroco, Arcadismo]
 
Estilos literarios
Estilos literariosEstilos literarios
Estilos literarios
 
Estilos literarios
Estilos literariosEstilos literarios
Estilos literarios
 
VESTIBULAR UFPE 2014 - PROVA DE LITERATURA - TODOS OS TIPOS
VESTIBULAR UFPE 2014 - PROVA DE LITERATURA - TODOS OS TIPOSVESTIBULAR UFPE 2014 - PROVA DE LITERATURA - TODOS OS TIPOS
VESTIBULAR UFPE 2014 - PROVA DE LITERATURA - TODOS OS TIPOS
 
Literatura Tipo A
Literatura Tipo ALiteratura Tipo A
Literatura Tipo A
 
RecuperaçãO Final 2 Em
RecuperaçãO Final 2 EmRecuperaçãO Final 2 Em
RecuperaçãO Final 2 Em
 
Crítica ao livro «Contra o Esquecimento das Mãos» de João Ricardo Lopes (2002)
Crítica ao livro «Contra o Esquecimento das Mãos» de João Ricardo Lopes (2002)Crítica ao livro «Contra o Esquecimento das Mãos» de João Ricardo Lopes (2002)
Crítica ao livro «Contra o Esquecimento das Mãos» de João Ricardo Lopes (2002)
 
Literatura 2010
Literatura 2010Literatura 2010
Literatura 2010
 
A literatura romântica.
A literatura romântica.A literatura romântica.
A literatura romântica.
 
A literatura romântica..ppt
A literatura romântica..pptA literatura romântica..ppt
A literatura romântica..ppt
 
A literatura romântica..ppt
A literatura romântica..pptA literatura romântica..ppt
A literatura romântica..ppt
 

Último

CONCORDÂNCIA NOMINAL atividade ensino médio ead.pptx
CONCORDÂNCIA NOMINAL atividade ensino médio  ead.pptxCONCORDÂNCIA NOMINAL atividade ensino médio  ead.pptx
CONCORDÂNCIA NOMINAL atividade ensino médio ead.pptxLuana240603
 
Exercícios de Clima no brasil e no mundo.pdf
Exercícios de Clima no brasil e no mundo.pdfExercícios de Clima no brasil e no mundo.pdf
Exercícios de Clima no brasil e no mundo.pdfRILTONNOGUEIRADOSSAN
 
Livro infantil: A onda da raiva. pdf-crianças
Livro infantil: A onda da raiva. pdf-criançasLivro infantil: A onda da raiva. pdf-crianças
Livro infantil: A onda da raiva. pdf-criançasMonizeEvellin2
 
bem estar animal em proteção integrada componente animal
bem estar animal em proteção integrada componente animalbem estar animal em proteção integrada componente animal
bem estar animal em proteção integrada componente animalcarlamgalves5
 
ufcd_9649_Educação Inclusiva e Necessidades Educativas Especificas_índice.pdf
ufcd_9649_Educação Inclusiva e Necessidades Educativas Especificas_índice.pdfufcd_9649_Educação Inclusiva e Necessidades Educativas Especificas_índice.pdf
ufcd_9649_Educação Inclusiva e Necessidades Educativas Especificas_índice.pdfManuais Formação
 
Nós Propomos! Canil/Gatil na Sertã - Amigos dos Animais
Nós Propomos! Canil/Gatil na Sertã - Amigos dos AnimaisNós Propomos! Canil/Gatil na Sertã - Amigos dos Animais
Nós Propomos! Canil/Gatil na Sertã - Amigos dos AnimaisIlda Bicacro
 
Aula 5 - Fluxo de matéria e energia nos ecossistemas.ppt
Aula 5 - Fluxo de matéria e energia nos ecossistemas.pptAula 5 - Fluxo de matéria e energia nos ecossistemas.ppt
Aula 5 - Fluxo de matéria e energia nos ecossistemas.pptParticular
 
UFCD_9184_Saúde, nutrição, higiene, segurança, repouso e conforto da criança ...
UFCD_9184_Saúde, nutrição, higiene, segurança, repouso e conforto da criança ...UFCD_9184_Saúde, nutrição, higiene, segurança, repouso e conforto da criança ...
UFCD_9184_Saúde, nutrição, higiene, segurança, repouso e conforto da criança ...Manuais Formação
 
O que é, de facto, a Educação de Infância
O que é, de facto, a Educação de InfânciaO que é, de facto, a Educação de Infância
O que é, de facto, a Educação de InfânciaHenrique Santos
 
Respostas prova do exame nacional Port. 2008 - 1ª fase - Criterios.pdf
Respostas prova do exame nacional Port. 2008 - 1ª fase - Criterios.pdfRespostas prova do exame nacional Port. 2008 - 1ª fase - Criterios.pdf
Respostas prova do exame nacional Port. 2008 - 1ª fase - Criterios.pdfssuser06ee57
 
Slides Lição 9, CPAD, Resistindo à Tentação no Caminho, 2Tr24.pptx
Slides Lição 9, CPAD, Resistindo à Tentação no Caminho, 2Tr24.pptxSlides Lição 9, CPAD, Resistindo à Tentação no Caminho, 2Tr24.pptx
Slides Lição 9, CPAD, Resistindo à Tentação no Caminho, 2Tr24.pptxLuizHenriquedeAlmeid6
 
Slides Lição 8, Central Gospel, Os 144 Mil Que Não Se Curvarão Ao Anticristo....
Slides Lição 8, Central Gospel, Os 144 Mil Que Não Se Curvarão Ao Anticristo....Slides Lição 8, Central Gospel, Os 144 Mil Que Não Se Curvarão Ao Anticristo....
Slides Lição 8, Central Gospel, Os 144 Mil Que Não Se Curvarão Ao Anticristo....LuizHenriquedeAlmeid6
 
Nós Propomos! Sertã 2024 - Geografia C - 12º ano
Nós Propomos! Sertã 2024 - Geografia C - 12º anoNós Propomos! Sertã 2024 - Geografia C - 12º ano
Nós Propomos! Sertã 2024 - Geografia C - 12º anoIlda Bicacro
 
O que é uma Revolução Solar. tecnica preditiva
O que é uma Revolução Solar. tecnica preditivaO que é uma Revolução Solar. tecnica preditiva
O que é uma Revolução Solar. tecnica preditivaCludiaRodrigues693635
 
Plano de aula ensino fundamental escola pública
Plano de aula ensino fundamental escola públicaPlano de aula ensino fundamental escola pública
Plano de aula ensino fundamental escola públicaanapsuls
 
"Nós Propomos! Escola Secundária em Pedrógão Grande"
"Nós Propomos! Escola Secundária em Pedrógão Grande""Nós Propomos! Escola Secundária em Pedrógão Grande"
"Nós Propomos! Escola Secundária em Pedrógão Grande"Ilda Bicacro
 
Meu corpo - Ruth Rocha e Anna Flora livro
Meu corpo - Ruth Rocha e Anna Flora livroMeu corpo - Ruth Rocha e Anna Flora livro
Meu corpo - Ruth Rocha e Anna Flora livroBrenda Fritz
 
O Reizinho Autista.pdf - livro maravilhoso
O Reizinho Autista.pdf - livro maravilhosoO Reizinho Autista.pdf - livro maravilhoso
O Reizinho Autista.pdf - livro maravilhosoVALMIRARIBEIRO1
 

Último (20)

CONCORDÂNCIA NOMINAL atividade ensino médio ead.pptx
CONCORDÂNCIA NOMINAL atividade ensino médio  ead.pptxCONCORDÂNCIA NOMINAL atividade ensino médio  ead.pptx
CONCORDÂNCIA NOMINAL atividade ensino médio ead.pptx
 
Exercícios de Clima no brasil e no mundo.pdf
Exercícios de Clima no brasil e no mundo.pdfExercícios de Clima no brasil e no mundo.pdf
Exercícios de Clima no brasil e no mundo.pdf
 
Livro infantil: A onda da raiva. pdf-crianças
Livro infantil: A onda da raiva. pdf-criançasLivro infantil: A onda da raiva. pdf-crianças
Livro infantil: A onda da raiva. pdf-crianças
 
Enunciado_da_Avaliacao_1__Sistemas_de_Informacoes_Gerenciais_(IL60106).pdf
Enunciado_da_Avaliacao_1__Sistemas_de_Informacoes_Gerenciais_(IL60106).pdfEnunciado_da_Avaliacao_1__Sistemas_de_Informacoes_Gerenciais_(IL60106).pdf
Enunciado_da_Avaliacao_1__Sistemas_de_Informacoes_Gerenciais_(IL60106).pdf
 
bem estar animal em proteção integrada componente animal
bem estar animal em proteção integrada componente animalbem estar animal em proteção integrada componente animal
bem estar animal em proteção integrada componente animal
 
ufcd_9649_Educação Inclusiva e Necessidades Educativas Especificas_índice.pdf
ufcd_9649_Educação Inclusiva e Necessidades Educativas Especificas_índice.pdfufcd_9649_Educação Inclusiva e Necessidades Educativas Especificas_índice.pdf
ufcd_9649_Educação Inclusiva e Necessidades Educativas Especificas_índice.pdf
 
Nós Propomos! Canil/Gatil na Sertã - Amigos dos Animais
Nós Propomos! Canil/Gatil na Sertã - Amigos dos AnimaisNós Propomos! Canil/Gatil na Sertã - Amigos dos Animais
Nós Propomos! Canil/Gatil na Sertã - Amigos dos Animais
 
Aula 5 - Fluxo de matéria e energia nos ecossistemas.ppt
Aula 5 - Fluxo de matéria e energia nos ecossistemas.pptAula 5 - Fluxo de matéria e energia nos ecossistemas.ppt
Aula 5 - Fluxo de matéria e energia nos ecossistemas.ppt
 
UFCD_9184_Saúde, nutrição, higiene, segurança, repouso e conforto da criança ...
UFCD_9184_Saúde, nutrição, higiene, segurança, repouso e conforto da criança ...UFCD_9184_Saúde, nutrição, higiene, segurança, repouso e conforto da criança ...
UFCD_9184_Saúde, nutrição, higiene, segurança, repouso e conforto da criança ...
 
O que é, de facto, a Educação de Infância
O que é, de facto, a Educação de InfânciaO que é, de facto, a Educação de Infância
O que é, de facto, a Educação de Infância
 
Respostas prova do exame nacional Port. 2008 - 1ª fase - Criterios.pdf
Respostas prova do exame nacional Port. 2008 - 1ª fase - Criterios.pdfRespostas prova do exame nacional Port. 2008 - 1ª fase - Criterios.pdf
Respostas prova do exame nacional Port. 2008 - 1ª fase - Criterios.pdf
 
Slides Lição 9, CPAD, Resistindo à Tentação no Caminho, 2Tr24.pptx
Slides Lição 9, CPAD, Resistindo à Tentação no Caminho, 2Tr24.pptxSlides Lição 9, CPAD, Resistindo à Tentação no Caminho, 2Tr24.pptx
Slides Lição 9, CPAD, Resistindo à Tentação no Caminho, 2Tr24.pptx
 
Slides Lição 8, Central Gospel, Os 144 Mil Que Não Se Curvarão Ao Anticristo....
Slides Lição 8, Central Gospel, Os 144 Mil Que Não Se Curvarão Ao Anticristo....Slides Lição 8, Central Gospel, Os 144 Mil Que Não Se Curvarão Ao Anticristo....
Slides Lição 8, Central Gospel, Os 144 Mil Que Não Se Curvarão Ao Anticristo....
 
Nós Propomos! Sertã 2024 - Geografia C - 12º ano
Nós Propomos! Sertã 2024 - Geografia C - 12º anoNós Propomos! Sertã 2024 - Geografia C - 12º ano
Nós Propomos! Sertã 2024 - Geografia C - 12º ano
 
O que é uma Revolução Solar. tecnica preditiva
O que é uma Revolução Solar. tecnica preditivaO que é uma Revolução Solar. tecnica preditiva
O que é uma Revolução Solar. tecnica preditiva
 
Plano de aula ensino fundamental escola pública
Plano de aula ensino fundamental escola públicaPlano de aula ensino fundamental escola pública
Plano de aula ensino fundamental escola pública
 
"Nós Propomos! Escola Secundária em Pedrógão Grande"
"Nós Propomos! Escola Secundária em Pedrógão Grande""Nós Propomos! Escola Secundária em Pedrógão Grande"
"Nós Propomos! Escola Secundária em Pedrógão Grande"
 
Enunciado_da_Avaliacao_1__Sociedade_Cultura_e_Contemporaneidade_(ED70200).pdf
Enunciado_da_Avaliacao_1__Sociedade_Cultura_e_Contemporaneidade_(ED70200).pdfEnunciado_da_Avaliacao_1__Sociedade_Cultura_e_Contemporaneidade_(ED70200).pdf
Enunciado_da_Avaliacao_1__Sociedade_Cultura_e_Contemporaneidade_(ED70200).pdf
 
Meu corpo - Ruth Rocha e Anna Flora livro
Meu corpo - Ruth Rocha e Anna Flora livroMeu corpo - Ruth Rocha e Anna Flora livro
Meu corpo - Ruth Rocha e Anna Flora livro
 
O Reizinho Autista.pdf - livro maravilhoso
O Reizinho Autista.pdf - livro maravilhosoO Reizinho Autista.pdf - livro maravilhoso
O Reizinho Autista.pdf - livro maravilhoso
 

Teste poesia trovadoresca 10 ano

  • 1. Teste 1 Poesia Trovadoresca (Sequência 2) Cantigas de amigo Teste de avaliação sumativa GRUPO I A Lê o poema seguinte. Em caso de necessidade, consulta o vocabulário apresentado. Que trist' oj' é meu amigo, amiga, no seu coraçom! ca non pôde falar migo nen veer-m', e faz gram razom meu amigo de trist' andar pois m' el non vir e lh' eu nembrar. Trist' anda, se Deus mi valha, ca me non viu, e dereit' é, e por esto faz sen falha mui gram razom, per bõa fé, meu amigo de trist' andar pois m' el non vir e lh' eu nembrar. D' andar triste faz guisado, ca o non vi, nen vio el mi, nen ar oío meu mandado, e poren faz gram dereit' i meu amigo de trist' andar pois m' el non vir e lh' eu nembrar. Mais, Deus, como pode durar que já non morreu con pesar! D. Dinis, n.os 157 do Cancioneiro da Vaticana e 554 do Cancioneiro Colocci- Brancuti. Vocabulário «oj’» (v. 1) – hoje; «é» (v. 1) – está, anda; «ca» (v. 3) – porque; «faz gram razom (…) de» (vv. 4 e 5) – tem toda a razão (…) para; «nembrar» (v. 6) – lembrar; «D’andar triste faz guisado» (v. 13) – o seu estado é de tristeza; «nem ar oío meu mandado» (v. 15) – nem por certo 1 ©Edições ASA  2015  Entre Palavras 10  António Vilas-Boas e Manuel Vieira
  • 2. recebeu o meu recado; «poren» (v. 16) – por isso; «Mais» (v. 19) – Mas; «pesar» (v. 20) – sofrimento Apresenta, de forma clara e bem estruturada, as tuas respostas aos itens que se seguem. 1. Indica, justificando, qual a relação entre o sujeito poético e a sua «amiga». 2. Elabora a caracterização psicológica do «amigo», justificando com elementos textuais pertinentes. 3. Identifica uma marca de paralelismo presente no texto, justificando. 4. Tem em atenção o refrão. Explicita o desabafo da amiga relativo ao seu «amigo». B Nas cantigas de amigo, o sentimento amoroso da amiga encontra frequentemente na natureza ou noutras amigas um consolo para as suas dúvidas e aflições. Escreve um texto no qual comproves esta firmação com base na tua experiência de leitura. O teu texto deve ter entre 120 e 150 palavras. GRUPO II Lê o texto seguinte. O INÍCIO DA LITERATURA PORTUGUESA OS TEXTOS As primeiras manifestações históricas da literatura portuguesa (entende-se literatura como a arte ou ofício de escrever de forma artística) verificáveis provêm de composições poéticas datadas do século XII. São em verso os mais antigos textos de caráter literário escritos em português. Acontece na literatura portuguesa o que aliás se verifica em quase todas as literaturas antigas e modernas: a poesia toma a dianteira e, muito antes da prosa, alcança as condições de mais completa maturidade literária. Foi a poesia trovadoresca, na fala galaico-portuguesa que, por mais de um século se fez ouvir em Portugal, que encontrou na escrita o apropriado meio de registo da arte lírica criada por trovadores, e que deu inicio à expressão literária da língua portuguesa. Esta poesia trovadoresca apresenta três modalidades, singularmente caracterizadas: a “Cantiga de Amigo”, a mais antiga; a “Cantiga de amor”, mais complexa e mais culta; a “Cantiga de Escárnio e de Maldizer” que, sem amenidades de linguagem, exprime uma outra faceta da vida medieval, bastante mais vulgar mas também realista. Ao registo lírico sucedeu-se a prosa medieval. Contrastando com a qualidade e volume da produção poética, os primeiros documentos literários em prosa exibem, com a sua penúria, uma forma de expressão ainda hesitante e confusa. Nos conventos, praticamente os únicos focos de irradiação cultural da época, ensaiaram-se as primeiras tentativas de prosa literária: obras de edificação moral e religiosa; breves anotações de acontecimentos; piedosas vidas de santos e inúmeras traduções de obras latinas, normalmente destinadas à instrução ou à edificação dos crentes. Além destas obras de intuitos religiosos e morais e de rudimentar feição histórica, há a considerar os Livros de Linhagens ou Nobiliários que, embora tendo como 2 ©Edições ASA  2015  Entre Palavras 10  António Vilas-Boas e Manuel Vieira
  • 3. objetivo o registo genealógico das famílias nobres do reino, incluem, curiosamente, algumas narrativas de lendas, constituindo pois também formas de literatura. A partir do século XIII impõe-se então a verdadeira prosa literária, de caráter ficcional e romanesco, tendo como tema central a vida aventurosa dos cavaleiros. Estas tobras, que se passaram a chamar “Romances de Cavalaria” nasceram no antigo reino de Provença, mas depressa se espalharam por toda a Europa, e criaram aquilo que hoje se entende pelos Mitos da Idade Média, ligados às aventuras de cavaleiros com seres fantásticos (como os Dragões), à demanda de objectos sagrados (como o Santo Grall) ou à exaltação dos ideais de cavalaria defendidos por cortes imaginárias (como a Corte do Rei Artur e da sua Távola Redonda). O mais famoso romance é o Amadis de Gaula —, sobre o qual Portugal e Espanha disputam a autoria. OS AUTORES E DIVULGADORES DA LÌRICA MEDIEVAL Por trovador entende-se todos os homens de arte que escreviam trovas (versos) e compunham melodias para as cantar. Havia vários tipos de trovadores – segrel, menestrel ou jogral são outros nomes para os praticantes da arte de “trovar”, a diferença do título estava na própria condição social do trovador. De modo geral a designação de “trovador” aplicava-se somente aos autores de origem nobre, pois os autores de origem plebeia, mas que também tocavam nas cortes, tinham o nome de jogral; são de ambos os versos que sobreviveram até aos dias de hoje, por meio do registo literário. Já os segréis eram trovadores de baixa condição que vendiam a sua arte de compor músicas a troco de dinheiro quando alguém de algumas posses precisava de animar os serões da sua própria casa. Os menestréis, por sua vez, parecidos com os bardos que contavam histórias de vila em vila, eram trovadores errantes que, de terra em terra, cantavam a troco de comida, muitas das vezes cantando os versos dos trovadores das cortes, ajudando assim a popularizar determinada canção entre o povo. http://www.luso-livros.net/idade-media (Texto adaptado, consultado em 06.07.2015) 1. Para responder a cada um dos itens de 1.1 a 1.7, seleciona a opção que permite obter uma afirmação correta. 1.1 Este texto tem como função principal (A) distinguir entre lírica medieval e prosa medieval em Portugal. (B) comparar a lírica medieval portuguesa com a de épocas posteriores. (C) caracterizar os autores dos textos literários medievais portugueses. (D) informar sobre as características gerais da literatura medieval portuguesa. 1.2 O início da literatura em Portugal caracteriza-se (A) por não se distinguir dos inícios de outras literaturas. 3 ©Edições ASA  2015  Entre Palavras 10  António Vilas-Boas e Manuel Vieira
  • 4. (B) por se distinguir dos inícios de outras literaturas. (C) pela precedência da prosa em relação à poesia. (D) pela ausência de poesia lírica. 1.3 A expressão «sem amenidades de linguagem», linha 12, que significa que a linguagem das cantigas de escárnio e maldizer podia ser insultuosa e ofensiva, concretiza, por isso, (A) um eufemismo. (B) uma hipérbole. (C) uma antítese. (D) uma comparação. 1.4 O contraste referido no início do terceiro parágrafo relaciona (A) duas culturas. (B) dois espaços. (C) duas formas de expressão literárias. (D) dois documentos literários. 1.5 Os diferentes textos em prosa produzidos nos conventos medievais caracterizavam -se, no que ao seu valor histórico diz respeito (A) por apresentarem informação histórica de qualidade. (B) por se referirem somente à história de Portugal e de Espanha. (C) por apresentarem informação histórica praticamente irrelevante. (D) por incluírem informações sobre a vida de alguns santos. 1.6 A prosa literária portuguesa caracteriza-se, a partir do século XIII, por apresentar temáticas de natureza (A) social e religiosa. (B) religiosa e fantástica. (C) fantástica e mítica. (D) aventurosa e fantástica. 4 ©Edições ASA  2015  Entre Palavras 10  António Vilas-Boas e Manuel Vieira
  • 5. 1.7 A distinção entre os diferentes tipos de trovadores estabelecia-se a partir de fatores de natureza (A) cultural. (B) estética. (C) artística. (D) social. 2. Responde, de forma correta aos itens apresentados. Tem em atenção o Texto do Grupo I. 2.1 Indica o processo fonológico de alteração que se verifica na evolução da palavra latina <amicu> para a palavra portuguesa <amigo, v.1>. Tem em atenção o Texto do Grupo II. 2.2 Indica a função sintática desempenhada pelo primeiro pronome pessoal átono present no último parágrafo. 2.3 Classifica a oração subordinada sublinhada em «Os menestréis, por sua vez, parecidos com os bardos que contavam histórias de vila em vila, eram trovadores errantes». GRUPO III Escreve um texto no qual aprecies criticamente um livro recentemente lido ou um filme visto há pouco. O teu texto deve ter um mínimo de 200 e um máximo de 300 palavras. 5 ©Edições ASA  2015  Entre Palavras 10  António Vilas-Boas e Manuel Vieira
  • 6. 1.7 A distinção entre os diferentes tipos de trovadores estabelecia-se a partir de fatores de natureza (A) cultural. (B) estética. (C) artística. (D) social. 2. Responde, de forma correta aos itens apresentados. Tem em atenção o Texto do Grupo I. 2.1 Indica o processo fonológico de alteração que se verifica na evolução da palavra latina <amicu> para a palavra portuguesa <amigo, v.1>. Tem em atenção o Texto do Grupo II. 2.2 Indica a função sintática desempenhada pelo primeiro pronome pessoal átono present no último parágrafo. 2.3 Classifica a oração subordinada sublinhada em «Os menestréis, por sua vez, parecidos com os bardos que contavam histórias de vila em vila, eram trovadores errantes». GRUPO III Escreve um texto no qual aprecies criticamente um livro recentemente lido ou um filme visto há pouco. O teu texto deve ter um mínimo de 200 e um máximo de 300 palavras. 5 ©Edições ASA  2015  Entre Palavras 10  António Vilas-Boas e Manuel Vieira