ÉTICA PARA O CUIDADOR DE IDOSOS

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ÉTICA PARA O CUIDADOR DE IDOSOS

  1. 1. ÉTICA PARA O CUIDADOR DE IDOSOS Conteúdo Organizado por Jocilaine Moreira Fortaleza, 2014
  2. 2. A ÉTICA PROFISSIONAL E OS CUIDADORES O que é Ética? Ética é o nome dado ao ramo da filosofia dedicado aos assuntos morais. A palavra ética é derivada do grego, e significa aquilo que pertence ao caráter. Ética é diferente de moral, pois moral se fundamenta na obediência a normas, costumes ou mandamentos culturais, hierárquicos ou religiosos e a ética, busca fundamentar o modo de viver pelo pensamento humano.
  3. 3. A ÉTICA PROFISSIONAL E OS CUIDADORES O que é Moral? A Moral estabelece regras que são assumidas pela pessoa, como uma forma de garantir o seu bem-viver. A Moral independe das fronteiras geográficas e garante uma identidade entre pessoas que sequer se conhecem, mas utilizam este mesmo referencial moral comum.
  4. 4. É impossível pensar em ética se não pensarmos em convivência. A ética é o que marca a fronteira da nossa convivência, seja com outras pessoas, seja no mercado ou com os indivíduos. Ética é aquela perspectiva para olharmos os nossos princípios e os nossos valores para existirmos juntos. Ética é aquilo que orienta sua capacidade de julgar, decidir e avaliar com autonomia, ou seja, isso pressupõe liberdade. Quando se fala em ética se fala num conjunto de princípios e valores que você usa para responder três grandes perguntas da vida humana: Quero? Devo? Posso?
  5. 5. Os outros de nós mesmos: “Visão de alteridade é a capacidade de ver o outro como outro, e não como estranho”. Continuando a falar em ética, antes de mais nada ela é a capacidade de proteger a dignidade da vida coletiva. A nossa humanidade é compartilhada, ser humano é ser junto. Isso significa que é preciso saber que nossa convivência exige uma noção de igualdade e se afastar de qualquer forma de arrogância. Pessoas arrogantes acham que já sabem tudo, que são os únicos e se relacionam com o outro por conta de alguma coisa.
  6. 6. O QUE É ÉTICA PROFISSIONAL? Ética profissional é o conjunto de normas morais pelas quais um indivíduo deve orientar seu comportamento profissional. A Ética é importante em todas as profissões, e para todo ser humano, para que todos possam viver bem em sociedade. Quando se inicia esta reflexão? A fase da escolha profissional, ainda durante a adolescência muitas vezes, já deve ser permeada por esta reflexão. A escolha por uma profissão é optativa, mas ao escolhê-la, o conjunto de deveres profissionais passa a ser obrigatório. Geralmente, quando você é jovem, escolhe sua carreira sem conhecer o conjunto de deveres que está prestes ao assumir tornando-se parte daquela categoria que escolheu.
  7. 7. ÉTICA PROFISSIONAL: COMO É ESTA REFLEXÃO? É fundamental ter sempre em mente que há uma série de atitudes que não estão descritas nos códigos de todas as profissões, mas que são comuns a todas as atividades que uma pessoa pode exercer. Atitudes de generosidade e cooperação no trabalho em equipe, mesmo quando a atividade é exercida solitariamente em uma sala, ela faz parte de um conjunto maior de atividades que dependem do bom desempenho desta. Uma postura proativa, ou seja, não ficar restrito apenas às tarefas que foram dadas a você, mas contribuir para o engrandecimento do trabalho, mesmo que ele seja temporário.
  8. 8. ÉTICA PROFISSIONAL E RELAÇÕES SOCIAIS As leis de cada profissão são elaboradas com o objetivo de proteger os profissionais, a categoria como um todo e as pessoas que dependem daquele profissional, mas há muitos aspectos não previstos especificamente e que fazem parte do comprometimento do profissional em ser eticamente correto, aquele que, independente de receber elogios, faz A COISA CERTA. “Difícil não é fazer o que é certo, é descobrir o que é certo fazer.” (Robert Henry Srour)
  9. 9. ÉTICA PROFISSIONAL: PONTOS PARA SUA REFLEXÃO Competência técnica, aprimoramento constante, respeito às pessoas, confidencialidade, privacidade, tolerância, flexibilidade, fidelidade, envolvimento, afetividade, correção de conduta, boas maneiras, relações genuínas com as pessoas, responsabilidade, corresponder à confiança que é depositada em você. Um caminho consciente do processo de tomada de decisões éticas, no entanto, torna o funcionário mais valioso, que será procurado por sua responsabilidade ética no trabalho. Apenas ler um livro ou fazer um curso sobre ética não necessariamente transforma uma pessoa desonesta em honesta. Comportamento eticamente adequado e sucesso continuado são indissociáveis!
  10. 10. A CONSTRUÇÃO DE UMA RELAÇÃO DE AJUDA Quando os cuidadores não forem os familiares, é fundamental que os conteúdos sobre a construção de uma relação de ajuda sejam desenvolvidos, pois isso vai constituir-se na base das atividades esses profissionais. Relação de ajuda pode ser entendida como uma ligação profunda e significativa entre a pessoa que ajuda e a que é ajudada, a qual ultrapassa as simples trocas funcionais, atendo um prisma de crescimentoe evolução. Cria vínculos com a execução de atividades de cuidado que tenham por princípio o respeito e a liberdade, ou seja, tenham por finalidade auxiliar a pessoa que é ajudada a restabelecer e manter sua autonomia.
  11. 11. Capacidade de respeitar-se e de respeitar o idoso Os comportamentos expressam o significado e o valor do idoso para o cuidador. Ser capaz de estabelecer uma relação que envolva escuta e presença física atentas; aceitar o idoso incondicionalmente, evitando juízos críticos; demonstrar empatia, afeto e cordialidade; auxiliá-lo a desenvolver seus recursos pessoais, encorajando-o, motivando-o e apoiando-o e não agindo por ele; manifestar compreensão e dedicação são exemplos de comportamentos respeitosos.
  12. 12. MAUS TRATOS – VIOLÊNCIA CONTRA O IDOSO Maus tratos são atos ou omissões que causem dano, prejuízo, aflição, ou ameaça à saúde e bem-estar da pessoa. O mau trato pode ocorrer uma única vez ou se tornar repetitivo, pode variar de uma reação brusca, impensada, até uma ação planejada e contínua e causar sofrimento físico ou psicológico à pessoa cuidada. Os maus tratos tanto podem ser praticados pelo cuidador, por familiares, amigos, vizinhos, como por um profissional de saúde.
  13. 13. Como os maus tratos são classificados Abusos físicos, maus tratos físicos ou violência física – são ações que se referem ao uso da força física como beliscões, puxões, queimaduras, amarrar os braços e as pernas, obrigar a tomar calmantes etc. Abuso psicológico, violência psicológica ou maus tratos psicológicos – correspondem a agressões verbais ou com gestos, visando aterrorizar e humilhar a pessoa, como ameaças de punição e abandono, impedir a pessoa de sair de casa ou trancá-la em lugar escuro, não dar alimentação e assistência médica, dizer frases como “você é inútil”, “você só dá trabalho” etc. Abuso sexual, violência sexual – é o ato ou jogo de relações de caráter hétero ou homossexual, sem a permissão da pessoa. Esses abusos visam obter excitação, relação sexual ou práticas eróticas por meio de convencimento, violência física ou ameaças. Abandono – é uma forma de violência que se manifesta pela ausência de responsabilidade em cuidar da pessoa que necessite de proteção, seja por parte de órgãos do governo ou de familiares, vizinhos amigos e cuidador.
  14. 14. Como os maus tratos são classificados Negligência – refere-se à recusa ou omissão de cuidados às pessoas que se encontram em situação de dependência ou incapacidade, tanto por parte dos responsáveis familiares ou do governo. A negligência freqüentemente está associada a outros tipos de maus tratos que geram lesões e traumas físicos, emocionais e sociais. Abuso econômico/financeiro – consiste na apropriação dos rendimentos, pensão e propriedades sem autorização da pessoa. Normalmente o responsável por esse tipo de abuso é um familiar ou alguém muito próximo em quem a pessoa confia. Autonegligência – diz respeito às condutas pessoais que ameacem a saúde ou segurança da própria pessoa. Ela se recusa a adotar cuidados necessários a si mesma, tais como: não tomar os remédios prescritos, não se alimentar, não tomar banho e escovar os dentes, não seguir as orientações dadas pelo cuidador ou equipe de saúde.
  15. 15. O que o cuidador pode fazer diante de situações de maus tratos Ter consciência de que maus tratos existem e que têm um efeito destrutivo na qualidade de vida das pessoas. Refletir diariamente se, mesmo sem querer, realizou algum ato que possa ser considerado como maus tratos, procurando desculpar-se junto à pessoa cuidada. Identificar as razões e buscar a ajuda da equipe de saúde. Caso assista ou tenha conhecimento de alguma forma de maus tratos à pessoa cuidada, denunciar, esse fato.
  16. 16. Denúncia em caso de maus tratos Quanto mais dependente for a pessoa, maior seu risco de ser vítima de violência. O cuidador, os familiares e os profissionais de saúde devem estar atentos à detecção de sinais e sintomas que possam denunciar situações de violência. Todo caso suspeito ou confirmado de violência deve ser notificado, segundo a rotina estabelecida em cada município, os encaminhamentos devem ser feitos para os órgãos e instituições descriminados a seguir, de acordo com a organização da rede de serviços local: a) Delegacia especializada da mulher b) Centros de Referência da mulher c) Delegacias Policiais d) Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa e) Centro de Referência da Assistência Social (CRAS) f) Ministério Público g) IML e outros
  17. 17. PARA REFLETIR! “Cuidar é mais que um ato, é uma atitude. Atitude de responsabilização e de envolvimento afetivo com o outro.” Leonardo Boff
  18. 18. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BORN, TOMIKO. CUIDAR MELHOR E EVITAR A VIOLÊNCIA-MANUAL DO CUIDADOR DA PESSOA IDOSA – BRASÍLIA: SECRETARIA ESPECIAL DOS DIREITOS HUMANOS - SUBSECRETARIA DE PROMOÇÃO E DEFESA DOS DIREITOS HUMANOS, 2008.330P. CORTELLA, MARIO SERGIO. QUAL É A TUA OBRA? INQUIETAÇÕES PROPOSITIVAS SOBRE GESTÃO, LIDERANÇA E ÉTICA. RIO DE JANEIRO: EDITORA VOZES, 2007. PUBLIFOLHA DUARTE, YEDA APARECIDA DE OLIVEIRA MANUAL DOS FORMADORES DE CUIDADORES DE PESSOAS IDOSAS / YEDA APARECIDA DE OLIVEIRA DUARTE ; [COORDENAÇÃO GERAL ÁUREA ELEOTÉRIO SOARES BARROSO]. -- SÃO PAULO : SECRETARIA ESTADUAL DE ASSISTÊNCIA E DESENVOLVIMENTO SOCIAL : FUNDAÇÃO PADRE ANCHIETA, 2009. FORTES, ÉTICA E SAÚDE: QUESTÕES ÉTICAS, DEODONTOLOGICAS E LEGAIS, AUTONOMIA E DIREITOS DO PACIENTE, ESTUDO DE CASOS. SÃO PAULO: EPU, 2002. GAUDERER. E.C. OS DIREITOS DO PACIENTE: UM MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA. RIO DE JANEIRO: RECORD, 2000. GLOCK, RS, GOLDIM JR. ÉTICA PROFISSIONAL É COMPROMISSO SOCIAL. MUNDO JOVEM (PUCRS, PORTO ALEGRE) 2003. SÁ, ANTÔNIO LOPES DE. ÉTICA PROFISSIONAL. 8 ED. SÃO PAULO: ATLAS, 2007.

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