O PROJETO LITERÁRIO DO ARCADISMO
ILUMINISMO <ul><li>França S XVII------Apogeu: s. XVIII/  Século das luzes </li></ul><ul><li>Domínio da razão sobre a visão...
<ul><li>ARCADISMO </li></ul><ul><li>Literatura do séc. XVIII ––Setecentismo ou  Neoclassicismo </li></ul><ul><li>Domínio h...
<ul><li>Havia, na Grécia Antiga, uma parte central do Peloponeso denominada Arcádia.  De relevo montanhoso, essa região er...
Nicolau Poussin (1594-1665):  Et in Arcadia ego
A idealização da vida no campo <ul><li>A estética desenvolvida nessas academias de poetas passou a ser chamada  Arcadismo....
O pastoralismo <ul><li>Um dos aspectos mais artificiais da estética árcade  </li></ul><ul><li>é o fato de os poetas e de s...
O bucolismo <ul><li>O adjetivo  bucólico  faz referência a tudo aquilo que é relativo a pastores e seus rebanhos, à vida e...
Linguagem: simplicidade acima de tudo <ul><li>O Arcadismo adota como missão combater a artificialidade verbal dos poetas b...
<ul><li>•  fugere urbem:  fuga da cidade; afirmação das qualidades da vida no campo . </li></ul><ul><li>•  locus amoenus: ...
A OBRA POÉTICA   LÍRICA SATÍRICA ÉPICA Silvio Alvarenga,  Claudio da Costa Reproduzem as formas e  temas do Neoclassicismo...
CLÁUDIO MANUEL DA COSTA <ul><li>Influência de Petrarca e Camões (sonetos); </li></ul><ul><li>Resíduos cultistas : (transiç...
“ Destes penhascos fez a natureza” <ul><li>Destes penhascos fez a natureza </li></ul><ul><li>O berço em que nasci: oh! que...
TOMÁS ANTÔNIO GONZAGA   Elementos não-convencionais: –  representação direta da natureza mineira, e não clássica; – lirism...
“ MARÍLIA DE DIRCEU ” <ul><li>1ª. Parte </li></ul><ul><li>- Valorização da figura da mulher </li></ul><ul><li>amada; </li>...
<ul><li>Os teus olhos espalham luz divina, </li></ul><ul><li>A quem a luz do Sol em vão se atreve: </li></ul><ul><li>Papou...
<ul><li>Pastoralismo e bucolismo :   entendimento de que felicidade e beleza decorrem da vida no campo; </li></ul><ul><li>...
<ul><li>Tomás Antônio Gonzaga –  satírico </li></ul><ul><li>Obra:  “CARTAS CHILENAS” </li></ul><ul><li>Forma e conteúdo : ...
O INDIANISMO DE BASÍLIO DA GAMA E SANTA RITA DURÃO <ul><li>BASÍLIO DA GAMA  SANTA RITA DURÃO </li></ul>INDIANISMO Glorific...
BASÍLIO DA GAMA <ul><li>Poema épico:  “O URAGUAI” </li></ul><ul><li>Tema central:  a história das tropas luso-espanholas e...
Personagens: <ul><li>-   General Gomes Freire de Andrade   (chefe português); </li></ul><ul><li>-   Catâneo  (chefe das tr...
<ul><li>Este lugar delicioso e triste, </li></ul><ul><li>Cansada de viver, tinha escolhido </li></ul><ul><li>Para morrer a...
SANTA RITA DURÃO <ul><li>CARAMURU –  A glorificação do colonizador branco. </li></ul><ul><li>Personagens: - Diogo Álvares ...
Características de “Caramuru”: <ul><li>Tradicionalismo épico:  duros trabalhos dum heróis, </li></ul><ul><li>contato entre...
<ul><li>XXXVIII </li></ul><ul><li>'Bárbaro (a bela diz), tigre e não homem </li></ul><ul><li>Porém o tigre, por cruel que ...
O Arcadismo e a Inconfidência Mineira <ul><li>A descoberta do ouro nas Minas Gerais deslocou para o sudeste o desenvolvime...
Vila Rica (atual Ouro Preto) <ul><li>1  2 </li></ul>
Libertas quae sera tamen <ul><li>proclamar  a República </li></ul><ul><li>Objetivos dos inconfidentes  </li></ul><ul><li>t...
O fim dos inconfidentes <ul><li>Ouvidor em Vila Rica, </li></ul><ul><li>Foi preso e deportado para  </li></ul><ul><li>Moça...
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Arcadismo 2010

  1. 1. O PROJETO LITERÁRIO DO ARCADISMO
  2. 2. ILUMINISMO <ul><li>França S XVII------Apogeu: s. XVIII/ Século das luzes </li></ul><ul><li>Domínio da razão sobre a visão teoc ê ntrica. </li></ul><ul><li>+ iluminar as trevas em que se encontrava a sociedade . </li></ul><ul><li>+ as crenças religiosas e o misticismo bloqueavam a evolução do homem.Deus estava na natureza </li></ul><ul><li>+ John Locke: conhecimento através de empirismo. </li></ul><ul><li>+ Voltaire: liberdade do pensamento </li></ul><ul><li>+ Jacques Rousseau: estado democrático/igualdade. .(Contrato Social) </li></ul><ul><li>+ Montesquieu:Divisão do poder em Ex./Leg./ Jud. </li></ul><ul><li>+ Diderot: “A Enciclopédia” </li></ul>
  3. 3. <ul><li>ARCADISMO </li></ul><ul><li>Literatura do séc. XVIII ––Setecentismo ou Neoclassicismo </li></ul><ul><li>Domínio histórico no Brasil: </li></ul><ul><li>1768 : “Obras”, de Cláudio Manuel da Costa </li></ul><ul><li>1836 : “Suspiros poéticos e Saudades”, de Gonçalves de Magalhães </li></ul>
  4. 4. <ul><li>Havia, na Grécia Antiga, uma parte central do Peloponeso denominada Arcádia. De relevo montanhoso, essa região era habitada por pastores e vista como um lugar especial, quase mítico, em que os habitantes associavam o trabalho à poesia, cantando o paraíso rústico em que viviam. </li></ul><ul><li>No século XVIII, o termo Arcádia passou a identificar as academias ou agremiações de poetas que se reuniam para restaurar o estilo dos poetas clássico-renascentistas, com o objetivo declarado de combater o rebuscamento barroco. </li></ul>Ordem e convencionalismo
  5. 5. Nicolau Poussin (1594-1665): Et in Arcadia ego
  6. 6. A idealização da vida no campo <ul><li>A estética desenvolvida nessas academias de poetas passou a ser chamada Arcadismo. Tinha como característica principal a idealização da vida no campo. O desejo de seguir as regras da poesia clássica fez com que essa estética também fosse conhecida como Neoclassicismo. </li></ul>
  7. 7. O pastoralismo <ul><li>Um dos aspectos mais artificiais da estética árcade </li></ul><ul><li>é o fato de os poetas e de suas musas serem identificados como pastores </li></ul><ul><li>e pastoras . </li></ul>Sou pastor, não te nego; os meus montados São esses, que aí vês; vivo contente Ao trazer entre a selva florescente A doce companhia dos meus gados; ( Soneto IV - Cláudio Manuel da Costa)
  8. 8. O bucolismo <ul><li>O adjetivo bucólico faz referência a tudo aquilo que é relativo a pastores e seus rebanhos, à vida e aos costumes do campo. </li></ul><ul><li>Marília de Dirceu: Lira XIII </li></ul><ul><li>Num sítio ameno, </li></ul><ul><li>Cheio de rosas </li></ul><ul><li>De Brancos lírios, </li></ul><ul><li>Murtas viçosas, </li></ul><ul><li>Dos seus amores </li></ul><ul><li>Na companhia, </li></ul><ul><li>Dirceu passava </li></ul><ul><li>Alegre o dia. </li></ul><ul><li>(Tomás Antônio Gonzaga) </li></ul>
  9. 9. Linguagem: simplicidade acima de tudo <ul><li>O Arcadismo adota como missão combater a artificialidade verbal dos poetas barrocos. Por isso, elege a simplicidade como norma para a criação literária . </li></ul><ul><li>Enquanto pasta alegre o manso gado, </li></ul><ul><li>Minha bela Marília, nos sentemos </li></ul><ul><li>À sombra deste cedro levantado. </li></ul><ul><li>Um pouco meditemos </li></ul><ul><li>Na regular beleza, </li></ul><ul><li>Que em tudo quanto vive nos descobre </li></ul><ul><li>A sábia Natureza </li></ul><ul><li>(Tomás Antônio Gonzaga) </li></ul>
  10. 10. <ul><li>• fugere urbem: fuga da cidade; afirmação das qualidades da vida no campo . </li></ul><ul><li>• locus amoenus: valorização das coisas </li></ul><ul><li>cotidianas, simples, focalizadas pela razão e pelo </li></ul><ul><li>bom senso </li></ul><ul><li>• aurea mediocritas: caracterização de um </li></ul><ul><li>lugar ameno, onde os amantes se encontram para </li></ul><ul><li>desfrutar dos prazeres da natureza. </li></ul><ul><li>• carpe diem: cantar o dia; trata da </li></ul><ul><li>passagem do tempo como algo que traz a velhice, a fragilidade e a morte, tornando imperativo aproveitar o momento presente de modo intenso. </li></ul><ul><li>• inutilia truncat: eliminação dos excessos, evitando qualquer uso mais elaborado da linguagem . </li></ul>Retomada dos lemas latinos:
  11. 11. A OBRA POÉTICA LÍRICA SATÍRICA ÉPICA Silvio Alvarenga, Claudio da Costa Reproduzem as formas e temas do Neoclassicismo europeu “ As cartas chilenas” Tomás Antônio Gonzaga Refletem a insatisfação dos habitantes da colônia em relação à administração portuguesa e aos seus agentes Basílio da Gama e Santa Rita Durão Introdução ao indianismo como tema literário, ganhando o índio o papel de guerreiro em ação, tomado como Personagem . “ Uraguai” e “Caramuru”
  12. 12. CLÁUDIO MANUEL DA COSTA <ul><li>Influência de Petrarca e Camões (sonetos); </li></ul><ul><li>Resíduos cultistas : (transição Barroco/Arcadismo); </li></ul><ul><li>Fixação pelo cenário rochoso de Minas (“a imaginação da pedra”); </li></ul><ul><li>Conflito interior: provocado pelo contraste </li></ul><ul><li>entre o rústico mineiro e a vivência intelectual e </li></ul><ul><li>social na Europa ; </li></ul><ul><li>Ambiguidade : “nativismo” X “colonialismo”; </li></ul><ul><li>Platonismo amoroso : Nise é a musa freqüente; </li></ul><ul><li>Temática: o amante infeliz; o contraste rústico X civilizado; a tristeza da mudança das coisas em relação à permanência dos sentimentos </li></ul>
  13. 13. “ Destes penhascos fez a natureza” <ul><li>Destes penhascos fez a natureza </li></ul><ul><li>O berço em que nasci: oh! quem cuidara </li></ul><ul><li>Que entre penhas tão duras se criara </li></ul><ul><li>Uma alma terna, um peito sem dureza! </li></ul><ul><li>Amor, que vence os tigres, por empresa </li></ul><ul><li>Tomou logo render-me; ele declara </li></ul><ul><li>Contra meu coração guerra tão rara </li></ul><ul><li>Que não me foi bastante a fortaleza. </li></ul><ul><li>Por mais que eu mesmo conhecesse o dano </li></ul><ul><li>A que dava ocasião minha brandura, </li></ul><ul><li>Nunca pude fugir ao cego engano; </li></ul><ul><li>Vós que ostentais a condição mais dura, </li></ul><ul><li>Temei, penhas, temei: que Amor tirano </li></ul><ul><li>Onde há mais resistência mais se apura. </li></ul><ul><li>Cláudio Manuel da Costa </li></ul>
  14. 14. TOMÁS ANTÔNIO GONZAGA Elementos não-convencionais: – representação direta da natureza mineira, e não clássica; – lirismo pessoal (depressivo) decalcado da biografia, mas sem exageros <ul><li>. </li></ul><ul><li>Obra lírica: “MARÍLIA DE DIRCEU” </li></ul><ul><li>Eu, Marília, não sou algum vaqueiro, </li></ul><ul><li>Que viva de guardar alheio gado, </li></ul><ul><li>De tosco trato, de expressões grosseiro, </li></ul><ul><li>Dos frios gelos e dos sóis queimado. </li></ul><ul><li>Tenho próprio casal e nele assisto; </li></ul><ul><li>Dá-me vinho, legume, fruta, azeite; </li></ul><ul><li>Das brancas ovelhinhas tiro o leite, </li></ul><ul><li>E mais as finas lãs, de que visto. </li></ul><ul><li>Graças, Marília bela, </li></ul><ul><li>Graças à minha estrela! </li></ul><ul><li>• </li></ul><ul><li>Eu vi o meu semblante numa fonte, </li></ul><ul><li>Dos anos inda não está cortado; </li></ul><ul><li>Os Pastores, que habitam este monte, </li></ul><ul><li>Respeitam o poder do meu cajado. </li></ul><ul><li>Com tal destreza toco a sanfoninha, </li></ul><ul><li>Que inveja até me tem o próprio Alceste: </li></ul><ul><li>Ao som dela concerto a voz celeste </li></ul><ul><li>Nem canto letra que não seja minha. </li></ul><ul><li>Graças, Marília bela, </li></ul><ul><li>Graças à minha estrela! ... </li></ul>
  15. 15. “ MARÍLIA DE DIRCEU ” <ul><li>1ª. Parte </li></ul><ul><li>- Valorização da figura da mulher </li></ul><ul><li>amada; </li></ul><ul><li>- A natureza é o cenário perfeito </li></ul><ul><li>para o idílio; </li></ul><ul><li>- Declaração de Dirceu a Marília; </li></ul><ul><li>- Dirceu assume-se como pastor; </li></ul><ul><li>Sonhos de felicidade futura. </li></ul><ul><li>2ª parte </li></ul><ul><li>- Escrita no cárcere pelo inconfidente; </li></ul><ul><li>- Substitui-se o locus amoenus pelo </li></ul><ul><li>locus horrendus ; </li></ul><ul><li>- Pré-Romantismo: melancolia, </li></ul><ul><li>saudade, depressão </li></ul>
  16. 16. <ul><li>Os teus olhos espalham luz divina, </li></ul><ul><li>A quem a luz do Sol em vão se atreve: </li></ul><ul><li>Papoula, ou rosa delicada, e fina, </li></ul><ul><li>Te cobre as faces, que são cor de neve. </li></ul><ul><li>Os teus cabelos são uns fios d’ouro; </li></ul><ul><li>Teu lindo corpo bálsamos vapora. </li></ul><ul><li>Ah! Não, não fez o Céu, gentil Pastora, </li></ul><ul><li>Para glória de Amor igual tesouro. </li></ul><ul><li>Graças, Marília bela, </li></ul><ul><li>Graças à minha Estrela! (...) </li></ul><ul><li>Os seus compridos cabelos, </li></ul><ul><li>Que sobre as costas ondeiam, </li></ul><ul><li>São que os de Apolo mais belos; </li></ul><ul><li>Mas de loura cor não são. </li></ul><ul><li>Têm a cor da negra noite; </li></ul><ul><li>E com o branco do rosto </li></ul><ul><li>Fazem, Marília, um composto </li></ul><ul><li>Da mais formosa união. </li></ul>
  17. 17. <ul><li>Pastoralismo e bucolismo : entendimento de que felicidade e beleza decorrem da vida no campo; </li></ul><ul><li>Convencionalismo: pseudônimos árcades (Tomás = Dirceu; Maria Dorotéia Joaquina = Marília) </li></ul><ul><li>Texto monologal: Marília é vocativo, pretexto para o autor falar de si mesmo </li></ul><ul><li>Otimismo e narcisismo: satisfação com o próprio destino,autovalorização, exaltação à sensibilidade artística e alusão à virilidade; </li></ul><ul><li>Ideal burguês de vida : afirmação da privilegiada situação econômica e da posse da terra; </li></ul><ul><li>Simplicidade: predomínio da ordem da frase, sem muitas figuras. </li></ul><ul><li>Realismo descritivo: captação da rusticidade da paisagem e da vida da Colônia. </li></ul><ul><li>Amor serôdio: valorização do “carpe diem” devido à consciência da fugacidade do tempo. </li></ul>
  18. 18. <ul><li>Tomás Antônio Gonzaga – satírico </li></ul><ul><li>Obra: “CARTAS CHILENAS” </li></ul><ul><li>Forma e conteúdo : </li></ul><ul><li>* Treze cartas anônimas </li></ul><ul><li>* Decassílabos brancos </li></ul><ul><li>* Critilo (Gonzaga) escreve a seu amigo Doroteu (Cláudio M. da Costa), criticando os atos do governador do“Chile”, Fanfarrão Minésio , (o governador de Minas Gerais, Luís da Cunha Menezes) </li></ul>
  19. 19. O INDIANISMO DE BASÍLIO DA GAMA E SANTA RITA DURÃO <ul><li>BASÍLIO DA GAMA SANTA RITA DURÃO </li></ul>INDIANISMO Glorificação do homem natural que enfrenta os representantes da civilização européia . Glorificação do índio que se converte à religião do dominador luso e o auxilia na conquista da terra
  20. 20. BASÍLIO DA GAMA <ul><li>Poema épico: “O URAGUAI” </li></ul><ul><li>Tema central: a história das tropas luso-espanholas enviadas à região das missões jesuíticas para desalojar os índios e jesuítas (após o Tratado de Madri ) e subseqüente destruição de São Miguel. O poema é a narração da luta pela posse da terra, travada em 1757 e foi dedicado ao irmão do Marquês de Pombal. </li></ul>
  21. 21. Personagens: <ul><li>- General Gomes Freire de Andrade (chefe português); </li></ul><ul><li>- Catâneo (chefe das tropas espanholas); </li></ul><ul><li>- Cacambo (chefe indígena); </li></ul><ul><li>- Cepé (guerreiro índio); </li></ul><ul><li>- Balda (jesuíta administrador de Sete Povos das Missões); </li></ul><ul><li>- Caitutu (guerreiro indígena, irmão de Lindóia); </li></ul><ul><li>- Lindóia (esposa de cacambo); </li></ul><ul><li>- Tanajura (indígena feiticeira). </li></ul>
  22. 22. <ul><li>Este lugar delicioso e triste, </li></ul><ul><li>Cansada de viver, tinha escolhido </li></ul><ul><li>Para morrer a mísera Lindóia. </li></ul><ul><li>Lá reclinada, como que dormia, </li></ul><ul><li>Na branda relva e nas mimosas flores, </li></ul><ul><li>Tinha a face na mão, e a mão no tronco </li></ul><ul><li>De um fúnebre cipreste, que espalhava </li></ul><ul><li>Melancólica sombra. Mais de perto </li></ul><ul><li>Descobrem que se enrola no seu corpo </li></ul><ul><li>Verde serpente, e lhe passeia, e cinge </li></ul><ul><li>Pescoço e braços, e lhe lambe o seio. </li></ul><ul><li>Fogem de a ver assim, sobressaltados, </li></ul><ul><li>E param cheios de temor ao longe; </li></ul><ul><li>E nem se atrevem a chamá-la, e temem </li></ul><ul><li>Que desperte assustada, e irrite o monstro, </li></ul><ul><li>E fuja, e apresse no fugir a morte. </li></ul><ul><li>Porém o destro Caitutu, que treme </li></ul><ul><li>Do perigo da irmã, sem mais demora </li></ul><ul><li>Dobrou as pontas do arco, e quis três vezes </li></ul><ul><li>Soltar o tiro, e vacilou três vezes </li></ul><ul><li>Entre a ira e o temor. Enfim sacode </li></ul><ul><li>O arco e faz voar a aguda seta, </li></ul><ul><li>Que toca o peito de Lindóia, e fere </li></ul><ul><li>A serpente na testa, e a boca e os dentes </li></ul><ul><li>Deixou cravados no vizinho tronco. </li></ul><ul><li>Açouta o campo co'a ligeira cauda </li></ul><ul><li>O irado monstro, e em tortuosos giros </li></ul><ul><li>Se enrosca no cipreste, e verte envolto </li></ul><ul><li>Em negro sangue o lívido veneno. </li></ul><ul><li>Leva nos braços a infeliz Lindóia </li></ul><ul><li>O desgraçado irmão, que ao despertá-la </li></ul><ul><li>Conhece, com que dor! no frio rosto </li></ul><ul><li>Os sinais do veneno, e vê ferido </li></ul><ul><li>Pelo dente sutil o brando peito. </li></ul><ul><li>Os olhos, em que Amor reinava, um dia, </li></ul><ul><li>Cheios de morte; e muda aquela língua </li></ul><ul><li>Que ao surdo vento e aos ecos tantas vezes </li></ul><ul><li>Contou a larga história de seus males. </li></ul><ul><li>Nos olhos Caitutu não sofre o pranto, </li></ul><ul><li>E rompe em profundíssimos suspiros, </li></ul><ul><li>Lendo na testa da fronteira gruta </li></ul><ul><li>De sua mão já trêmula gravado </li></ul><ul><li>O alheio crime e a voluntária morte. </li></ul><ul><li>E por todas as partes repetido </li></ul><ul><li>O suspirado nome de Cacambo. </li></ul><ul><li>Inda conserva o pálido semblante </li></ul><ul><li>Um não sei quê de magoado e triste, </li></ul><ul><li>Que os corações mais duros enternece </li></ul><ul><li>Tanto era bela no seu rosto a morte! </li></ul>
  23. 23. SANTA RITA DURÃO <ul><li>CARAMURU – A glorificação do colonizador branco. </li></ul><ul><li>Personagens: - Diogo Álvares Correia </li></ul><ul><li>- Paraguaçú </li></ul><ul><li>- Moema </li></ul>
  24. 24. Características de “Caramuru”: <ul><li>Tradicionalismo épico: duros trabalhos dum heróis, </li></ul><ul><li>contato entre gentes diversas, visão duma seqüência </li></ul><ul><li>histórica (uma “brasilíada”!); </li></ul><ul><li>Referência: a fatos históricos desde o Descobrimento </li></ul><ul><li>até a época do autor; </li></ul><ul><li>Destaque ao teor informativo e descritivo: louvação da </li></ul><ul><li>terra, dos costumes, dos ritos indígenas... </li></ul><ul><li>Inspiração religiosa: louva a colonização como </li></ul><ul><li>empresa religiosa desinteressada ( objetivo :catequese!); </li></ul><ul><li>Desprezo: à visão laica e civil – a qual se observa em </li></ul><ul><li>“ O Uraguai” e nos poemas satíricos </li></ul>
  25. 25. <ul><li>XXXVIII </li></ul><ul><li>'Bárbaro (a bela diz), tigre e não homem </li></ul><ul><li>Porém o tigre, por cruel que brame, </li></ul><ul><li>Acha forças amor que enfim o domem; </li></ul><ul><li>Só a ti não domou, por mais que eu te ame. </li></ul><ul><li>Fúrias, raios, coriscos, que o ar consomem, </li></ul><ul><li>Como não consumis aquele infame? </li></ul><ul><li>Mas pagar tanto amor com tédio e asco... </li></ul><ul><li>Ah! que corisco és tu... raio... penhasco! </li></ul><ul><li>XXXIX </li></ul><ul><li>Bem puderes, cruel, ter sido esquivo, </li></ul><ul><li>Quando eu a fé rendia ao teu engano; </li></ul><ul><li>Nem me ofenderas a escutar-me altivo, </li></ul><ul><li>Que é favor, dado a tempo, um desengano; </li></ul><ul><li>Porém, deixando o coração cativo </li></ul><ul><li>Com fazer-te a meus rogos sempre humano, </li></ul><ul><li>Fugiste-me, traidor, e desta sorte </li></ul><ul><li>Paga meu fino amor tão crua morte? </li></ul>
  26. 26. O Arcadismo e a Inconfidência Mineira <ul><li>A descoberta do ouro nas Minas Gerais deslocou para o sudeste o desenvolvimento urbano brasileiro no século XVIII. A produção cultural, acontecia principalmente na Bahia e em Pernambuco, passa a se concentrar na cidade de Vila Rica (atual Ouro Preto), a mais próspera da região. </li></ul><ul><li>A opressão administrativa portuguesa, </li></ul><ul><li>o declínio da produção do ouro, </li></ul><ul><li>a convivência com as idéias liberais de </li></ul><ul><li>Rousseau, </li></ul><ul><li>Montesquieu, </li></ul><ul><li>John Locke e </li></ul><ul><li>a revolução na América do Norte </li></ul><ul><li>principais fatores </li></ul><ul><li>movimento revolucionário em Vila Rica. </li></ul>
  27. 27. Vila Rica (atual Ouro Preto) <ul><li>1 2 </li></ul>
  28. 28. Libertas quae sera tamen <ul><li>proclamar a República </li></ul><ul><li>Objetivos dos inconfidentes </li></ul><ul><li>tornar o Brasil independente de Portugal. </li></ul><ul><li>A bandeira escolhida estamparia </li></ul><ul><li>o lema dos inconfidentes, extraído </li></ul><ul><li>de um verso de Virgílio: </li></ul><ul><li>Libertas quae sera tamen </li></ul><ul><li>(liberdade ainda que tardia). </li></ul>
  29. 29. O fim dos inconfidentes <ul><li>Ouvidor em Vila Rica, </li></ul><ul><li>Foi preso e deportado para </li></ul><ul><li>Moçambique, onde falece, </li></ul><ul><li>em 1810. </li></ul><ul><li>Tomás Antônio Gonçaga </li></ul>Cláudio Manuel da Costa Foi denunciado e preso. Enforcou-se, em 1789, na celda da prisão em que aguardava julgamento, localizada na Casa dos Contos.

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