ARCADISMO
O QUE VOCÊ DEVERÁ SABER:1) O que foi o iluminismo.•   Como a natureza passou a simbolizar o belo2) O que foi o Arcadismo.•...
3) Quais foram as características da produção árcade    no Brasil.•   De que modo Cláudio Manuel da Costa e Tomás    Antôn...
CONTEXTO HISTÓRICOPrimeira metade do séc. XVIII: Decadência do pensamento Barroco. Burguesia ascendente; Preocupação co...
O que estava acontecendo nomundo?   1670 – Término da construção do palácio de    Versalhes;   1687 – Newton publica a l...
   1751 – Diderot publica o primeiro volume da    Enciclopédia;   1756 – Fundação da Arcádia Lusitana;   1759 – Os jesu...
   1764 – Mozart escreve sua primeira sinfonia,    aos 8 anos de idade;   1774 – Luís XVI chega ao poder na França;   1...
O iluminismo   Tendências ideológicas, filosóficas e    científicas;   Recuperação de um espírito    experimental, racio...
Diderot   "O homem só será livre    quando o último    déspota for    estrangulado com as    entranhas do último    padre...
Montesquieu                 “Não existem leis justas                  ou injustas. O que existe                  são leis...
Voltaire              "Posso não concordar               com nenhuma das               palavras que               dizeis,...
Rousseau   “O homem nasce livre,    porém está acorrentado    de todos os lados” (O    contrato social)   Teoria do Bom ...
O projeto literário doArcadismo   Havia, na Grécia Antiga, uma parte central    do Peloponeso denominada Arcádia.    De r...
O projeto literário doArcadismo   Criação da Arcádias literárias – que tinham    seus doutrinadores, pessoas responsáveis...
   Reação aos excessos do Barroco;   Simplicidade;   Bucolismo;   Inutilia truncat;   Aurea mediocritas;   Carpe die...
Convite à MaríliaJá se afastou de nós o inverno agreste.Envolto nos seus úmidos vapores;A fértil Primavera, a mãe das flor...
Vem, ó Marília, vem lograr comigoDestes alegres campos a beleza,Destas copadas árvores o abrigo.Deixa louvar da corte a vã...
O Arcadismo brasileiro   Febre do ouro em Minas Gerais;   Vila Rica era uma das cidades mais    avançadas socialmente; ...
Cláudio Manuel da Costa   1769 – Obras   Glauceste Satúrnio;   Musa – Nise;   Sonetos;   Poema épico – Vila Rica;   ...
Leia a posteridade, ó pátrio Rio,Em meus versos teu nome celebrado,Porque vejas uma hora despertadoO sono vil do esquecime...
Turvo banhando as pálidas areiasNas porções do riquíssimo tesouroO vasto campo da ambição recreias.Que de seus raios o Pla...
   Toda a sua criação literária de Cláudio Manuel      da Costa está em Obras Poéticas, obra que      reúne a produção lí...
O poeta admite a contradição que existe entre     o ideal poético e a realidade de sua obra.    Com efeito, se os poemas e...
A todo instante, o autor de Obras Poéticas vale-se de antíteses - típicoprocedimento barroco - para registraros seus confl...
Destes penhascos fez a natureza   O berço em que nasci! Oh, quem              cuidara Que entre penhas tão duras se criara...
Tomás Antônio Gonzaga   Pseudônimo – Dirceu;   Musa – Marília;   Autor da famosa obra Marília de    Dirceu,escrita no c...
Poesia líricaLira I  Eu, Marília, não sou algum vaqueiro,  Que viva de guardar alheio gado;  De tosco trato, d expressões ...
Eu vi o meu semblante numa fonte,Dos anos inda não está cortado:Os pastores, que habitam este monte,Com tal destreza toco ...
Mas tendo tantos dotes da ventura,Só apreço lhes dou, gentil Pastora,Depois que teu afeto me segura,Que queres do que tenh...
Poesia satírica   Autor de Cartas Chilenas;   Pseudônimo – Critilo;   Escrevia à Doroteu ( Cláudio Manuel da    Costa)...
Cartas ChilenasAquele, Doroteu, que não é santo,Mas quer fingir-se santo aos outros homens,Pratica muito mais do que prati...
Bocage   Português que veio morar no Brasil;   Morou na Índia;   Foi preso pela Inquisição;   Pseudônimo – Elmano Sadi...
Poesia satírica Não lamentes, oh Nise, o teu estado; Puta tem sido muita gente boa; Putíssimas fidalgas tem Lisboa, Milhõe...
Essa da Rússia imperatriz famosaQue ainda há pouco morreu (diz a Gazeta),Entre mil porras expirou vaidosa:Todas no mundo d...
Poesia lírica (convencional)Olha, Marília, as flautas dos pastoresQue bem que soam, como estão cadentes!Olha o Tejo a sorr...
Poesia lírica (pré-romântico) Incultas produções da mocidade Exponho a vossos olhos, ó leitores: Vede-as com mágoa, vede-a...
Os épicos árcades   São o embrião dos símbolos de    nacionalidade que povoarão os textos    românticos: a natureza exube...
O Uraguai   Versos brancos;   Poema épico;   História da luta travada entre os índios que    viviam nas Missões dos Set...
Este lugar delicioso e triste,Cansada de viver, tinha escolhidoPara morrer a mísera Lindóia.Lá reclinada, como que dormia,...
Caramuru   Modelo camoniano: 10 cantos, oitava    rima;   História do descobrimento da Bahia por    Diogo Álvares Correi...
O poeta contemporâneo e anatureza             Vento no Litoral (Legião Urbana)  De tarde quero descansar, chegar até a pra...
Agimos certo sem quererFoi só o tempo que errouVai ser difícil sem vocêPorque você está comigo o tempo todo.E quando vejo ...
Quero ser feliz ao menosLembra que o planoEra ficarmos bem...Eieieieiei, olha só o que eu achei:Cavalos-marinhos.Sei que f...
Uma releitura hippie dos ideaisárcades. Eu quero uma casa no campo Onde eu possa compor muitos rocks rurais E tenha soment...
Eu quero a esperança de óculosMeu filho de cuca legalEu quero plantar e colher com a mãoA pimenta e o salEu quero uma casa...
Para pensar...   Reflita sobre a relação entre o conceito    de mimese e a estética árcade.   Procure identificar de que...
   A imitação da natureza ocorre porque é nela    que os gregos identificam as verdades    universais.   Por isso, o ide...
Pastores, que levais ao monte o gado,Vede lá como andais por essa serra;Que para dar contágio a toda terra,Basta ver-se o ...
Se a quereis conhecer, vinde comigo,Vereis a formosura, que eu adoro;Mas não; tanto não sou vosso inimigo:Deixai, não a ve...
(USP) Aponte a alternativa cujo conteúdo não se aplica ao   Arcadismo:a) Desenvolvimento do gênero épico, registrando o in...
(Mackenzie) Assinale a alternativa em que  aparece uma característica imprópria do  Arcadismo:a) Bucolismo.b) Presença de ...
(UFV) Todos os fragmentos abaixo representam, pela linguagem   ou pela temática, o movimento árcade brasileiro, EXCETO:a) ...
Assinale o que não se refere ao Arcadismo:a) Época do Iluminismo (século XVIII) – Racionalismo, clareza,   simplicidade.b)...
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  1. 1. ARCADISMO
  2. 2. O QUE VOCÊ DEVERÁ SABER:1) O que foi o iluminismo.• Como a natureza passou a simbolizar o belo2) O que foi o Arcadismo.• Como o iluminismo influenciou a estética árcade.• Como os conceitos de equilíbrio, ordem e simplicidade definiram o projeto do Arcadismo.
  3. 3. 3) Quais foram as características da produção árcade no Brasil.• De que modo Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga exploraram o modelo da poesia árcade.• Como as primeiras tendências nativistas se manifestaram na poesia épica de Basílio da Gama e Santa Rita Durão.
  4. 4. CONTEXTO HISTÓRICOPrimeira metade do séc. XVIII: Decadência do pensamento Barroco. Burguesia ascendente; Preocupação com questões mundanas; Pensamentos de uma vida sem exageros ou questões metafísicas
  5. 5. O que estava acontecendo nomundo? 1670 – Término da construção do palácio de Versalhes; 1687 – Newton publica a lei da gravidade; 1698 – É inventada a bomba à vapor; 1750 – A música sinfônica começa a se difundir pela Europa. O Tratado de Madri é firmado. Em Portugal, o Marquês de Pombal torna-se secretário de Estado.
  6. 6.  1751 – Diderot publica o primeiro volume da Enciclopédia; 1756 – Fundação da Arcádia Lusitana; 1759 – Os jesuítas são expulsos do Brasil; Voltaire publica Cândido; 1762 – Rousseau lança O contrato social;
  7. 7.  1764 – Mozart escreve sua primeira sinfonia, aos 8 anos de idade; 1774 – Luís XVI chega ao poder na França; 1776 – A Declaração da Independência dos EUA é assinada; 1789 – Revolução Francesa; No Brasil, acontece a Inconfidência Mineira.
  8. 8. O iluminismo Tendências ideológicas, filosóficas e científicas; Recuperação de um espírito experimental, racional Saber enciclopédico Razão e ciência = luz Apologia do saber e do conhecimento.
  9. 9. Diderot "O homem só será livre quando o último déspota for estrangulado com as entranhas do último padre". Criador da Enciclopédia; Preocupação com a natureza do homem e sua condição, os seus problemas morais e seu destino.
  10. 10. Montesquieu  “Não existem leis justas ou injustas. O que existe são leis mais ou menos adequadas a um determinado povo e a uma determinada circunstância de época ou lugar.”  Estudioso das leis e dos governos;  Acreditava existir 3 governos:República, Monarquia e despotismo.
  11. 11. Voltaire  "Posso não concordar com nenhuma das palavras que dizeis, mas defenderei até a morte teu direito de dizê-las."  O poder deve ser exercido de forma racional e benéfica;  As pessoas comuns estão fadadas ao fanatismo e à superstição;
  12. 12. Rousseau “O homem nasce livre, porém está acorrentado de todos os lados” (O contrato social) Teoria do Bom selvagem; Contra a sociedade privada e exploração; Liberdade e igualdade.
  13. 13. O projeto literário doArcadismo Havia, na Grécia Antiga, uma parte central do Peloponeso denominada Arcádia. De relevo montanhoso, era habitada por pastores e vista com um lugar especial, quase mítico, em que os habitantes associavam o trabalho á poesia, cantando o paraíso em que viviam.
  14. 14. O projeto literário doArcadismo Criação da Arcádias literárias – que tinham seus doutrinadores, pessoas responsáveis pela estética do movimento; “Só o verdadeiro é belo”(equilíbrio, harmonia,arte ética) Retomada dos valores da Antiguidade Clássica; Artificialidade do cenário; Apologia dos valores espirituais em detrimento aos valores materiais;
  15. 15.  Reação aos excessos do Barroco; Simplicidade; Bucolismo; Inutilia truncat; Aurea mediocritas; Carpe diem; Locus amoenus; Fugere urbem;
  16. 16. Convite à MaríliaJá se afastou de nós o inverno agreste.Envolto nos seus úmidos vapores;A fértil Primavera, a mãe das flores,O prado ameno de boninas veste.Varrendo os ares, o sutil NordesteOs torna azuis; as aves de mil coresAdejam entre Zéfiros e Amores,E toma o fresco Tejo a cor celeste.
  17. 17. Vem, ó Marília, vem lograr comigoDestes alegres campos a beleza,Destas copadas árvores o abrigo.Deixa louvar da corte a vã grandeza:Quanto me agrada mais estar contigoNotando as perfeições da Natureza! BOCAGE, O delírio amoroso e outros poemas.
  18. 18. O Arcadismo brasileiro Febre do ouro em Minas Gerais; Vila Rica era uma das cidades mais avançadas socialmente; A riqueza do ouro patrocinava o desenvolvimento artístico e cultural; Ideais de liberdade e igualdade baseados em textos iluministas; Inconfidência Mineira; Libertas quae sera tamen (Virgilio)
  19. 19. Cláudio Manuel da Costa 1769 – Obras Glauceste Satúrnio; Musa – Nise; Sonetos; Poema épico – Vila Rica; Influenciado por Camões e Petrarca em seus sonetos; Preso e morto no cárcere.
  20. 20. Leia a posteridade, ó pátrio Rio,Em meus versos teu nome celebrado,Porque vejas uma hora despertadoO sono vil do esquecimento frio:Não vês nas tuas margens o sombrio,Fresco assento de um álamo copado;Não vês Ninfa cantar, pastar o gadoNa tarde clara do calmoso estio.
  21. 21. Turvo banhando as pálidas areiasNas porções do riquíssimo tesouroO vasto campo da ambição recreias.Que de seus raios o Planeta louro,Enriquecendo o influxo em tuas veias,Quanto em chamas fecunda, brota em ouro.
  22. 22.  Toda a sua criação literária de Cláudio Manuel da Costa está em Obras Poéticas, obra que reúne a produção lírica do poeta, sonetos, éclogas, epicédios, cantatas e outras modalidades, e que dá início ao Arcadismo Brasileiro. Essa publicação marcou a fundação da Arcádia Ultramarina, uma instituição cultural onde os poetas se reuniam para escrever e declamar seus poemas.
  23. 23. O poeta admite a contradição que existe entre o ideal poético e a realidade de sua obra. Com efeito, se os poemas estão cheios de pastores - comprovando o projeto de literatura árcade - o seu gosto pela antítese e a preferência pelo soneto indicam a herança de uma tradição que remonta ao Camões lírico e à poesia portuguesa do século XVII.
  24. 24. A todo instante, o autor de Obras Poéticas vale-se de antíteses - típicoprocedimento barroco - para registraros seus conflitos pessoais. No soneto LXXXIV, temos um belo exemplo decontraste entre a dureza da pedra e a ternura do coração:
  25. 25. Destes penhascos fez a natureza O berço em que nasci! Oh, quem cuidara Que entre penhas tão duras se criaraUma alma terna, um peito sem dureza!
  26. 26. Tomás Antônio Gonzaga Pseudônimo – Dirceu; Musa – Marília; Autor da famosa obra Marília de Dirceu,escrita no cárcere e dividida em 2 partes:- primeira: num tom mais esperançoso, antevendo o casamento;- segunda: tom mais melancólico, de saudades da amada. Foi degredado para Moçambique onde fez um bom casamento e ficou rico.
  27. 27. Poesia líricaLira I Eu, Marília, não sou algum vaqueiro, Que viva de guardar alheio gado; De tosco trato, d expressões grosseiro, Dos frios gelos, e dos sóis queimado. Tenho próprio casal, e nele assisto; Dá-me vinho, legume, fruta, azeite; Das brancas ovelhinhas tiro o leite, E mais as finas lãs, de que me visto. Graças, Marília bela, Graças à minha Estrela!
  28. 28. Eu vi o meu semblante numa fonte,Dos anos inda não está cortado:Os pastores, que habitam este monte,Com tal destreza toco a sanfoninha,Que inveja até me tem o próprio Alceste:Ao som dela concerto a voz celeste;Nem canto letra, que não seja minha,Graças, Marília bela,Graças à minha Estrela!
  29. 29. Mas tendo tantos dotes da ventura,Só apreço lhes dou, gentil Pastora,Depois que teu afeto me segura,Que queres do que tenho ser senhora.É bom, minha Marília, é bom ser donoDe um rebanho, que cubra monte, e prado;Porém, gentil Pastora, o teu agradoVale mais qum rebanho, e mais qum trono.Graças, Marília bela,Graças à minha Estrela!
  30. 30. Poesia satírica Autor de Cartas Chilenas; Pseudônimo – Critilo; Escrevia à Doroteu ( Cláudio Manuel da Costa) O alvo é o governo de Luís da Cunha Menezes, chamado de “Fanfarrão Minésio”
  31. 31. Cartas ChilenasAquele, Doroteu, que não é santo,Mas quer fingir-se santo aos outros homens,Pratica muito mais do que praticaQuem segue os sãos caminhos da verdade.Mal se põe nas igrejas, de joelhos,Abre os braços em cruz, a terra beija,Entorta o seu pescoço, fecha os olhos,Faz que chora, suspira, fere o peitoE executa outras muitas macaquices,Estando em parte onde o mundo as veja.Assim o nosso chefe, que procuraMostrar-se compassivo, não descansaCom estas poucas obras: passa a dar-nosDa sua compaixão maiores provas.(Carta 2ª, versos 81 a 94)
  32. 32. Bocage Português que veio morar no Brasil; Morou na Índia; Foi preso pela Inquisição; Pseudônimo – Elmano Sadino; Produziu poesia satírica, lírica e erótica.
  33. 33. Poesia satírica Não lamentes, oh Nise, o teu estado; Puta tem sido muita gente boa; Putíssimas fidalgas tem Lisboa, Milhões de vezes putas têm reinado: Dido foi puta, e puta dum soldado, Cleópatra por puta alcança a c’roa; Tu, Lucrécia, com toda a tua proa, O teu cono não passa por honrado:
  34. 34. Essa da Rússia imperatriz famosaQue ainda há pouco morreu (diz a Gazeta),Entre mil porras expirou vaidosa:Todas no mundo dão a sua greta:Não fiques pois, oh Nise, duvidosaQue isto de virgo e honra é tudo peta.
  35. 35. Poesia lírica (convencional)Olha, Marília, as flautas dos pastoresQue bem que soam, como estão cadentes!Olha o Tejo a sorrir-se! Olha, não sentesOs Zéfiros brincar por entre flores?Vê como ali beijando-se os AmoresIncitam nossos ósculos ardentes!Ei-las de planta e planta as inocentes,As vagas borboletas de mil cores.Naquele arbusto o rouxinol suspira,Ora nas folgas a abelhinha pára,Ora nos ares sussurrando gira:Que alegre campo! Que manhã tão clara!Mas ah! Tudo o que vês, se eu te não vira,Mais tristeza que a morte me causara.
  36. 36. Poesia lírica (pré-romântico) Incultas produções da mocidade Exponho a vossos olhos, ó leitores: Vede-as com mágoa, vede-as com piedade, Que elas buscam piedade, e não louvores: Ponderai da Fortuna a variedade Nos meus suspiros, lágrimas, e amores; Notai dos males seus a imensidade, A curta duração dos seus favores: E se entre versos mil de sentimento Encontrardes alguns, cuja aparência Indique festival contentamento, Crede, ó mortais, que foram com violência Escritos pela mão do Fingimento, Cantados pela voz da Dependência.
  37. 37. Os épicos árcades São o embrião dos símbolos de nacionalidade que povoarão os textos românticos: a natureza exuberante e os índios valorosos. O Uraguai – José Basílio da Gama Caramuru – Santa Rita Durão
  38. 38. O Uraguai Versos brancos; Poema épico; História da luta travada entre os índios que viviam nas Missões dos Sete Povos (Uruguai)e um exército luso-espanhol. Para cumprir o Tratado de Madri, os soldados deveriam transferir Sete Povos para os portugueses e Sacramento para os espanhóis.
  39. 39. Este lugar delicioso e triste,Cansada de viver, tinha escolhidoPara morrer a mísera Lindóia.Lá reclinada, como que dormia,Na branda relva e nas mimosas flores,Tinha a face na mão e a mão no troncoDum fúnebre cipreste, que espalhavaMelancólica sombra. Mais de pertoDescobrem que se enrola no seu corpoVerde serpente, e lhe passeia e cingePescoço e braços, e lhe lambe o seio.
  40. 40. Caramuru Modelo camoniano: 10 cantos, oitava rima; História do descobrimento da Bahia por Diogo Álvares Correia; Exaltação da paisagem brasileira, dos recursos naturais, das tradições e dos costumes dos índios.
  41. 41. O poeta contemporâneo e anatureza Vento no Litoral (Legião Urbana) De tarde quero descansar, chegar até a praia Ver se o vento ainda está forte E vai ser bom subir nas pedras. Sei que faço isso para esquecer Eu deixo a onda me acertar E o vento vai levando tudo embora Agora está tão longe Vê, a linha do horizonte me distrai: Dos nossos planos é que tenho mais saudade, Quando olhávamos juntos na mesma direção. Aonde está você agora? Além de aqui, dentro de mim...
  42. 42. Agimos certo sem quererFoi só o tempo que errouVai ser difícil sem vocêPorque você está comigo o tempo todo.E quando vejo o marExiste algo que diz:-Que a vida continuaE se entregar é uma bobagem...Já que você não está aquiO que posso fazerÉ cuidar de mim...
  43. 43. Quero ser feliz ao menosLembra que o planoEra ficarmos bem...Eieieieiei, olha só o que eu achei:Cavalos-marinhos.Sei que faço issoPra esquecerEu deixo a ondaMe acertarE o vento vai levandoTudo embora...
  44. 44. Uma releitura hippie dos ideaisárcades. Eu quero uma casa no campo Onde eu possa compor muitos rocks rurais E tenha somente a certeza Dos amigos do peito e nada mais Eu quero uma casa no campo Onde eu possa ficar no tamanho da paz E tenha somente a certeza Dos limites do corpo e nada mais Eu quero carneiros e cabras pastando solenes No meu jardim Eu quero o silêncio das línguas cansadas
  45. 45. Eu quero a esperança de óculosMeu filho de cuca legalEu quero plantar e colher com a mãoA pimenta e o salEu quero uma casa no campoDo tamanho ideal, pau-a-pique e sapéOnde eu possa plantar meus amigosMeus discos e livrosE nada mais
  46. 46. Para pensar... Reflita sobre a relação entre o conceito de mimese e a estética árcade. Procure identificar de que modo o Arcadismo projeta na natureza os principais valores que deseja divulgar junto ao público leitor.
  47. 47.  A imitação da natureza ocorre porque é nela que os gregos identificam as verdades universais. Por isso, o ideal de beleza e equilíbrio se manifesta, na poesia árcade, associado á criação de cenários naturais perfeitos, que convidam o ser humano a abandonar o luxo e a corrupção das cidades e retomar uma vida mais simples e natural.
  48. 48. Pastores, que levais ao monte o gado,Vede lá como andais por essa serra;Que para dar contágio a toda terra,Basta ver-se o meu rosto magoado:Eu ando (vós me vedes) tão pesado;E a pastora infiel, que me faz guerra,É a mesma, que em seu semblante encerraA causa de um martírio tão cansado.
  49. 49. Se a quereis conhecer, vinde comigo,Vereis a formosura, que eu adoro;Mas não; tanto não sou vosso inimigo:Deixai, não a vejais; eu vo-lo imploro;Que se seguir quiserdes, o que eu sigo,Chorareis, ó pastores, o que eu choro.(COSTA, Cláudio Manuel. Poemas escolhidos)
  50. 50. (USP) Aponte a alternativa cujo conteúdo não se aplica ao Arcadismo:a) Desenvolvimento do gênero épico, registrando o início da corrente indianista na poesia brasileira.b) Presença da mitologia grega na poesia de alguns poetas desse período.c) Propagação do gênero lírico em que os poetas assumem a postura de pastores e transformam a realidade num quadro idealizado.d) Circulação de manuscritos anônimos de teor satírico e conteúdo político.e) Penetração de tendência mística e religiosa, vinculada à expressão de ter ou não fé.
  51. 51. (Mackenzie) Assinale a alternativa em que aparece uma característica imprópria do Arcadismo:a) Bucolismo.b) Presença de entidades mitológicas.c) Exaltação da natureza.d) Tranquilidade no relacionamento amoroso.e) Evasão na morte.
  52. 52. (UFV) Todos os fragmentos abaixo representam, pela linguagem ou pela temática, o movimento árcade brasileiro, EXCETO:a) “A mesma formosura/é dote que só goza a mocidade:/rugam-se as faces, o cabelo alveja/mal chega a longa idade.”b) “Pastores que levais ao monte o gado,/Vede lá como andais por essa serra,/Que para dar contágio a toda a terra,/Basta ver-se o meu rosto magoado.”c) “Passam, prezado amigo, de quinhentos/Os presos que se ajuntam na cadeia./Uns dormem encolhidos sobre a terra,/Mal cobertos dos trapos, que molharam/de dia, no trabalho.”d) “Que havemos de esperar, Marília bela?/que vão passando os florescentes dias?/as glórias que vêm tarde, já vêm frias,/e pode enfim mudar-se a nossa estrela.”e) “Oh! Que saudades que eu tenho/Da aurora da minha vida,/Da minha infância querida/Que os anos não trazem mais!”
  53. 53. Assinale o que não se refere ao Arcadismo:a) Época do Iluminismo (século XVIII) – Racionalismo, clareza, simplicidade.b) Volta aos princípios clássicos greco-romanos e renascentistas (o belo, o bem, a verdade, a perfeição, a imitação da natureza).c) Ornamentação estilística, predomínio da ordem inversa, excesso de figuras.d) Pastoralismo, bucolismo suaves idílios campestres.e) Apóia-se em temas clássicos e tem como lema: inutilia truncat (“corta o que é inútil”).

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