Gefopi na teoria da indissociabilidade ensino, pesquisa e extensão

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O referido texto compõe as discussões do GEFOPI - Grupo de Estudos em Formação de Professores e Interdisciplinaridade, da Universidade Estadual de Goiás, Câmpus São Luis de Montes Belos, e tem como objetivo discutir teoricamente sobre a questão da indissociabilidade entre o ensino, a pesquisa e a extensão, no sentido de demonstrar que na academia isso deve ser o eixo norteador das ações dos professores. Todo planejamento docente deve se alicerçar no tripé pesquisa, ensino e extensão. Não é fácil, mas é possível. Tente e verás.

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Gefopi na teoria da indissociabilidade ensino, pesquisa e extensão

  1. 1. INDISSOCIABILIDADE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO: uma reflexão teórica1 Ms. Andréa Kochhann2 RESUMO: O tema que será abordado neste artigo é a indissociabilidade ensino, pesquisa e extensão com produção científico-acadêmico. O objetivo é refletir teoricamente sobre a efervescência dessa indissociabilidade na Universidade, em especial na Universidade Estadual de Goiás. Se o sistema nervoso das universidades é a pesquisa, deve-se entender que a partir dela ocorre o ensino e a extensão. Eis o norte dessa reflexão. PALAVRAS-CHAVE: Universidade. Indissociabilidade. Ensino. Pesquisa. Extensão. ABSTRACT: The topic that will be discussed in this article is the inseparability of teaching, research and scientific-academic production. The goal is to reflect theoretically on the effervescence of this inseparability at the University, particularly at the State University of Goiás If the nervous system of universities is research, it should be understood that from her teaching and extension occurs. Behold the north of this reflection. KEYWORDS: University. Inseparability. Education. Search. Extension. INTRODUÇÃO Para discutir sobre a indissociabilidade ensino, pesquisa e extensão é preciso conceituar universidade. O espaço universitário precisa ser entendido como o espaço da produção do conhecimento. A universidade é centro por excelência de pesquisa, como já afirmara Demo (2006). O conceito de universidade no Brasil é entendido como centro de pesquisa desde a época do Manifesto dos Pioneiros da Educação, de 1932, quando afirmavam que a pesquisa era o sistema nervoso da universidade. Na concepção de Demo (2006) a partir da pesquisa é que ocorre o ensino e a extensão. Nesse contexto é possível inferir que não há como haver ensino e extensão sem haver a pesquisa. Infere-se também que não há sentido na realização de uma pesquisa se não for a serviço do ensino e da extensão. Portanto, quando autores conceituam a universidade como o 1 Artigo elaborado para a palestra de abertura do evento I Encontro de Extensão Universitária da Universidade Estadual de Goiás, envolvendo as Unidades Universitárias de São Luís de Montes Belos e Formosa, em 2014. 2 Pedagoga, Especialista em Docência Universitária. Mestre em Educação. Coordenadora do GEFOPI –Grupo de Estudos em Formação de Professores e Interdisciplinaridade. Docente Efetiva de Dedicação Exclusiva da UEG, na UnU de São Luís de Montes Belos. andreakochhann@yahoo.com.br
  2. 2. espaço por excelência da pesquisa, estão diretamente afirmando a indissociabilidade entre a pesquisa, o ensino e a extensão. UMA REFLEXÃO TEÓRICA A universidade brasileira como centro de excelência em pesquisa pode ser questionada. O que não pode ser questionado é que como universidade deve cumprir com o seu papel de pesquisa, ensino e extensão. Essa tripla função deve alicerçar todos os cursos ofertados em uma universidade. Afirmamos isso devido algumas concepções errôneas sobre universidade e pesquisa. Principalmente após a Reforma Universitária, em 1968, que possibilitou o avanço do ensino do 3º grau, nomenclatura da época. Esse avanço ocorreu com a abertura de instituições do ensino superior de caráter privado e não apenas de caráter público. Nem todas as instituições de ensino superior compreenderam que a pesquisa é o sistema nervoso da universidade. Bem como nem todas que fazem pesquisas adotam a indissociabilidade ensino, pesquisa e extensão. Algumas aliam apenas a pesquisa ao ensino. A desmistificação crucial é sobre a separação entre pesquisa e ensino. Eles são indissociáveis. Mas, como diz Demo (2006, p. 12) “Muitos estão dispostos a aceitar universidades que apenas ensinam, como é o caso típico de instituições noturnas, nas quais os alunos comparecem somente para aprender e passar, e os professores, quase todos biscateiros de tempo parcial somente dão aula.”. Consoante a questão da indissociabilidade ensino, pesquisa e extensão, a Universidade Estadual de Goiás – UEG, vem alicerçando essa tripla função em seus cursos. O conceito de universidade que esta instituição adota é que a todas deveriam adotar – a pesquisa precede o ensino e a extensão. Para tanto é importante que os docentes e discentes tenham o domínio epistemológico do que vem a ser e como se realiza o ensino, a pesquisa e a extensão. Outro ponto de destaque é no tocante a possibilidade de ações interdisciplinares e principalmente que promovam a indissociabilidade entre o ensino, da pesquisa e da extensão. Paulo Freire é um dos mais importantes educadores do século XX e um dos mais expressivos pensadores do nosso tempo. Contribuiu para o ensino, a pesquisa e a extensão. Contudo, é importante questionar o que vem a ser o ensino, o que vem a ser a pesquisa e o que vem a ser a extensão.
  3. 3. Para início da reflexão buscou-se embasamento teórico nos documentos legais da Universidade Estadual de Goiás, foco dessa reflexão. No Plano de Desenvolvimento Institucional – PDI da Universidade Estadual de Goiás (2010, p. 23) “A política básica do ensino de graduação deve-se pautar pela busca da excelência da academia, melhoria das condições do processo de ensino e aprendizagem [...]”. Dessa forma a oferta de cursos deve levar em conta que “Metodologicamente as prioridades são a dimensão problematizadora, a aprendizagem significativa e a incorporação de novas tecnologias de ensino.”(PDI, 2010, p. 23). A defesa eu se faz é que o ensino se torna mais eficiente quando os assuntos estudados fazem sentido para o aluno, fazendo com que ele o considere necessário e indispensável para seu futuro. O aluno consegue aprender mais quando o assunto estudado pode ser relacionado com coisas que ele já convive, assim ele saberá onde poderá ser mais bem aplicado, e terá mais curiosidade em saber como funciona, como fazer. Nessa concepção o ensino de qualidade que a Universidade Estadual de Goiás imprime realizar parte de pesquisa. Nessa linha de pensamento é preciso então conceituar a pesquisa para a Universidade Estadual de Goiás. No Plano de Desenvolvimento Institucional encontra-se uma conceituação para a pesquisa que converge com o que Demo (2005) defende ao dizer que a pesquisa deve preceder o ensino e a extensão. A política de pesquisa da UEGdeverá concentrar-se nas áreas básicas e específicas, segundo o CNPQ, priorizando as demandas sociais, objetivando produzir conhecimento e tecnologia emtodos os campos do saber e disseminá-los empadrões elevados de qualidade, atendendo às demandas socioeconômicas locais, regionais e/ou nacionais. (PDI, 2010, p. 25) Luna (2009) afirma que a pesquisa é a procura do novo. É a busca de novos conhecimentos e de confirmações ou negações de teorias. Toda pesquisa exige que seja levantado alguns pontos do assunto a ser pesquisado. São eles: elaboração de um conjunto de perguntas que se deve responder com a pesquisa; levantamento de todas as informações que são fundamentais para se chegar as respostas; levantamento das fontes que serão pesquisadas; determinação das ações que cheguem as informações; seleção de meios que serão, usados para o tratamento das informações; escolha de um desenvolvimento teórico para interpretação delas; elaboração das respostas para as perguntas formadas pelo problema; a exposição dos resultados alcançados com a pesquisa, demonstrando até que ponto os resultados podem ser
  4. 4. considerados verdadeiros. Dessa forma para Luna (2009, p. 35) ''Essencialmente, pesquisa visa a produção de conhecimento novo, relevante teórica e socialmente e fidedigno". Analisando o conceito de pesquisa supracitado é possível inferir que a Universidade Estadual de Goiás prega a indissociabilidade ensino, pesquisa e extensão. Isso é notado quando se afirma que a produção do conhecimento advindo da pesquisa deve ser disseminados com elevada qualidade. Essa disseminação pode ser feita pelas vias do ensino e também da extensão. Outro fato comprobatório é quando afirma que as pesquisas devem atender às demandas da sociedade. Com um ensino de qualidade, seja ao formar licenciados, bacharéis ou tecnólogos, a Universidade Estadual de Goiás, está disseminando a produção do conhecimento. Com a mesma intensidade afirma-se que a realização de ações extensionistas é a consolidação da pesquisa, visto que a sociedade será diretamente beneficiada com os resultados da pesquisa. Se uma pesquisa parte de uma problemática deve chegar a uma resposta, mesmo que crie outras tantas problemáticas. Essas respostas precisam chegar a sociedade, seja via ensino ou extensão. De preferência via ensino e extensão, consolidando assim a indissociabilidade pesquisa, ensino e extensão. Seja a pesquisa, o ensino ou a extensão, o mediador dessas atividades é o professor. Dessa forma cabe nesse momento saber quem é o professor. Para Demo (2006, p. 38) é “o pesquisador, o socializador e motivador de novos pesquisadores.”. A interpretação desse conceito pode ser de que o professor é aquele que pesquisa, ensina e extensiona seus conhecimentos de forma que motiva novos pesquisadores. Nessa linha de conceituação infere-se que o professor deve ser um exímio elaborador para auxiliar a elaboração própria do acadêmico. Sobre isso Demo (2006, p. 49) assevera que “somente tem algo a ensinar quem pesquisa.”. O autor continua afirmando que “Quem pesquisa tem o que comunicar. Quem não pesquisa apenas reproduz ou apenas escuta. Quem pesquisa é capaz de produzir instrumentos e procedimentos de comunicação.”(p. 39). Mas, nas universidades encontra-se muito o “professor-papagaio, que sempre diz a mesma coisa e já sequer sabe o que diz”, como assevera Demo (2006, p. 51). Outro ponto interessante que precisa ser levado em consideração é que em uma Universidade que visa cumprir com seu papel social para além da produção do conhecimento realiza a socialização de suas elaborações, por meio das ações de extensão. A extensão se define como um vasto conjunto de ações e com uma grande demanda de informações. E realizada através de projetos, prestações de serviço e cursos e eventos, e pode ser caracterizada como um conjunto de publicações e tecnológicos. A extensão é uma forma de
  5. 5. divulgar a conclusão do que foi pesquisado e ensinado, é uma forma de expor o que se alcançou com a pesquisa. Nos documentos legais da UEG a extensão está assim conceituada, segundo o PDI (2010, p. 28) “A UEG conceitua a extensão universitária como o processo educativo, cultural e científico que articula o ensino e a extensão, de forma indissociável, e viabiliza a relação transformadora entre a Universidade e a sociedade.”. As contribuições da extensão universitária para a formação profissional dos acadêmicos também é apresentada nos documentos legais da UEG, como apresenta o PDI (2010, p. 28) A participação dos estudantes é um dos pilares das ações que viabilizama extensão como momento da prática profissional, da consciência social e do compromisso político, devendo ser obrigatória para todos os cursos, desde os primeiros semestres, se possível, e estar integrada a programas decorrentes das unidades acadêmicas e à temática curricular, sendo computada para a integralização do currículo dos discentes. Ao analisar o conceito de extensão que a UEG adota é possível relacionar com o conceito que Demo (2006, p. 99) apresenta ao ressaltar que a extensão deve distanciar-se do voluntariado e do assistencialismo e que permite além da relação com a sociedade, também a politização dos acadêmicos. A extensão – pertinente quando intrínseca – arrasta-se no voluntariado e na ilusão de evitar o afastamento da universidade de seus compromissos sociais. Há exemplos de atividade extensionista, que, além do impacto na comunidade, motivou a formação política dos alunos. A Universidade para efetivar a indissociabilidade pesquisa, ensino e extensão, elabora seus documentos mediante essa concepção. Um dos documentos é o Projeto Pedagógico dos cursos que devem contemplar essa discussão. Sobre isso o PDI (2010, p. 22) apresenta que “O Projeto pedagógico de cada curso deve ser adequado aos novos parâmetros de aprendizagem e estar de acordo com as DCNs, nos princípios da articulação entre teoria e prática, entre ensino, pesquisa e extensão, da interdisciplinaridade e da flexibilidade curricular.”. Nessa concepção os docentes e discentes devem analisar o projeto de seu curso e a matriz curricular para analisar como está proposto a efetivação da indissociabilidade ensino, pesquisa e extensão. Seja pelas vias da pesquisa, do ensino ou da extensão, a produção efetivada deve ser socializada em forma de divulgação textual ou virtual. Assim é possível organizar livros,
  6. 6. capítulos de livros, artigos, relatório técnico, relato de experiência, resumos expandidos, resumos simples, manuais didáticos, anais de eventos, comunicações e banners em eventos, Cds, DVDs, movie maker, Slideshare, You tube, notas em jornais e revistas e outros. Os acadêmicos da UEG têm apoio financeiro para realizarem a indissociabilidade pesquisa, ensino e extensão. No ensino tem bolsa para o PIBID, Monitoria e Permanência. Na pesquisa tem bolsas do CNPQ, da UEG e da FAPEG. Na extensão tem bolsas da própria UEG e também do PROEXT. Além das bolsas que podem vir por meio dos estagiários do IEL – Instituto. O valor das bolsas atualmente é de R$ 400,00 mensal e do IEL é próximo a um salário. Mesmo sem apóio financeiro, sem bolsa institucional, o acadêmico precisam se envolver com as atividades acadêmicas.Pois, nada substituiu a aprendizagem ganha. CONSIDERAÇÕES A discussão sobre a indissociabilidade ensino, pesquisa e extensão paira muito eventos acadêmicos e algumas perguntas têm sido constantes é se esse tripé é difícil de acontecer? Se a produção científica pela indissociabilidade é difícil de acontecer? Para que serve a produção científica? O que eu ganho com isso? Os professores que atuam com os jovens e adultos, que estão na Universidade, precisam deixar claro para esses estudantes a importância que essas ações proporcionam em sua formação acadêmica e o que isso lhe trará de contribuições para sua profissão. A práxis é o melhor caminho da formação acadêmica. O melhor não significa o mais fácil. O melhor é possível. Para saber basta começar. Eis o convite. REFERÊNCIAS DEMO, Pedro. PESQUISA: princípio científico e educativo. 12.ed. São Paulo: Cortez, 2006. LUNA, Sergio Vasconcelos de. PLANEJAMENTO DE PESQUISA:uma introdução. São Paulo: Educ, 2009. PDI. PLANO DE DESENVOLVIMENTO INSTITUCIONAL. UEG – 2010 – 2019. In: http://www.cdn.ueg.br/arquivos/jussara/conteudoN/598/pdi_aprovado_csu.pdf

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