Álvaro de Campos

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Trabalho realizado no âmbito da disciplina de Português 12ºE (Escola Básica 2,3/ de Vale de Cambra 2009/2010), a propósito do estudo de Álvaro de Campos - heterónimo de Fernando Pessoa.

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Álvaro de Campos

  1. 1. Álvaro de Campos Trabalho realizado por: Fábio Moreira, Mickael Ferreira, Sabrina Soares 12ºE (2009/2010) Decadentismo Futurismo Abulia Sensacionismo Unanimismo Escola Básica 2,3/ de Vale de Cambra
  2. 2. ÁLVARO DE CAMPOS CEGONHA PORTUGUESA TAVIRA 15/10/1890 1,75
  3. 3. Características de Álvaro de Campos <ul><li>Branco e moreno, de cara rapada e cabelo liso com risca ao lado; </li></ul><ul><li>Usa monóculo e faz lembrar um judeu português; </li></ul><ul><li>Alto, magro e um pouco curvado; </li></ul><ul><li>Formou-se em Engenharia Naval, em Glasgow (Escócia); </li></ul><ul><li>Frequentou os melhores hóteis e conduzia um Chevrolet; </li></ul><ul><li>Conheceu o seu Mestre Caeiro em casa de um primo deste; </li></ul><ul><li>Álvaro de Campos surge quando “sente um impulso para escrever”; </li></ul><ul><li>É o único dos heterónimos cuja obra manifesta um processo evolutivo, sendo possível evidenciar três fases: a decadentista, o futurismo e a intimista ou abúlica. </li></ul><ul><li>Aspectos formais: </li></ul><ul><li>Estrofes e versos livres e longos; </li></ul><ul><li>Estilo torrencial, repetitivo e excessivo; </li></ul><ul><li>Linguagem marcada por um tom excessivo e intenso: exclamações, apóstrofes, enumerações, adjectivações abundantes, anáforas, interjeições, onomatopeias, metáforas ousadas, aliterações, etc. </li></ul><ul><li>Construções gerundivas. </li></ul>
  4. 4. Fase Decadentista Opiário -Sujeito poético doente e inadaptado à vida e ao mundo -Descontentamento para com as ilusões da vida
  5. 5. Fase Futurista Unanimismo Sensacionismo Futurismo “ Ode Triunfal ”
  6. 6. Fase intimista ou abúlica <ul><li>Dissolução do “eu”; </li></ul><ul><li>A dor de pensar; </li></ul><ul><li>Conflito entre a realidade e o poeta; </li></ul><ul><li>Cansaço, tédio, abulia; </li></ul><ul><li>Angústia existencial; </li></ul><ul><li>Solidão; </li></ul><ul><li>Nostalgia da infância irremediavelmente perdida (“Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!”,  Aniversário ). </li></ul>
  7. 7. Todas as cartas de amor são  Ridículas.  Não seriam cartas de amor se não fossem  Ridículas.  Também escrevi em meu tempo cartas de amor,  Como as outras,  Ridículas. As cartas de amor, se há amor,  Têm de ser  Ridículas. Mas, afinal,  Só as criaturas que nunca escreveram  Cartas de amor  É que são  Ridículas. Quem me dera no tempo em que escrevia  Sem dar por isso  Cartas de amor  Ridículas. A verdade é que hoje  As minhas memórias  Dessas cartas de amor  É que são  Ridículas. (Todas as palavras esdrúxulas,  Como os sentimentos esdrúxulos,  São naturalmente  Ridículas.)
  8. 8. Dactilografia <ul><li>Traço, sozinho, no meu cubículo de engenheiro, o plano,  Firmo o projeto, aqui isolado,  Remoto até de quem eu sou.  Ao lado, acompanhamento banalmente sinistro,  O tique-taque estalado das máquinas de escrever.  </li></ul><ul><li>Que náusea da vida!  Que abjecção esta regularidade!  Que sono este ser assim!  Outrora, quando fui outro, eram castelos e cavalarias  (Ilustrações, talvez, de qualquer livro de infância),  Outrora, quando fui verdadeiro ao meu sonho,  Eram grandes paisagens do Norte, explícitas de neve,  Eram grandes palmares do Sul, opulentos de verdes.  </li></ul><ul><li>Outrora.  </li></ul>
  9. 9. <ul><li>Ao lado, acompanhamento banalmente sinistro,  O tique-taque estalado das máquinas de escrever.  </li></ul><ul><li>Temos todos duas vidas:  A verdadeira, que é a que sonhamos na infância,  E que continuamos sonhando, adultos, num substracto de névoa;  A falsa, que é a que vivemos em convivência com outros,  Que é a prática, a útil,  Aquela em que acabam por nos meter num caixão.  Na outra não há caixões, nem mortes,  Há só ilustrações de infância:  Grandes livros coloridos, para ver mas não ler;  Grandes páginas de cores para recordar mais tarde.  Na outra somos nós,  Na outra vivemos;  Nesta morremos, que é o que viver quer dizer;  Neste momento, pela náusea, vivo na outra ...  Mas ao lado, acompanhamento banalmente sinistro, </li></ul><ul><li>Se, desmeditando, escuto,  Ergue a voz o tique-taque estalado das máquinas de escrever.  </li></ul>

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