Gládis Kaercher - UFRGS - Diversidade

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Gládis Kaercher - UFRGS - Diversidade

  1. 1. Educação para diversidade: entre a lei e a ética Profª.Gládis Silva Kaercher [email_address]
  2. 2. Há uma ambiência de conflito no cotidiano da escola: xingamentos, agressões (verbais, físicas, simbólicas)
  3. 3. Há um estranhamento por parte dos professores sobre os conflitos: como intervir? Há um desejo intenso de que a escola possa ser (re) configurada como um espaço possível de aprendizagens, de cidadania, de acolhida...
  4. 4. <ul><li>A diversidade (e as diferenças) integram a humanidade. </li></ul><ul><li>Diferir enriquece o humano (não é um problema). </li></ul><ul><li>Isto não significa situar as diferenças na natureza: precisamos atentar para os modos como a cultura cria estas diferenças. </li></ul>
  5. 5. <ul><li>O problema está na hierarquização das diferenças: a partir dela promovemos desigualdades. </li></ul><ul><li>A escola, como construção humana, é cada vez mais um lugar onde a diversidade e as diferenças devem estar . </li></ul><ul><li>A cultura constrói identidades através das representações. </li></ul><ul><li>Estas representações se materializam nos artefatos que circulam dentro e fora da escola. </li></ul>
  6. 6. <ul><li>Todo artefato tem um “estatuto pedagógico”: educa o olhar para ver determinados sentidos e não outros quaisquer. </li></ul><ul><li>Ao mostrarmos de um determinado modo, hierarquizado e inferiorizado determinadas raças, etnias, corporeidades, gêneros, classes (dentre outros), perpetuamos a imagem de inferioridade destes marcadores e educamos para o preconceito e a discriminação. </li></ul>
  7. 7. <ul><li>Os livros de Literatura e didáticos são um artefato priorizado dentro da escola e, portanto, ensinam sobre os marcadores identitários: gênero, raça, etnia, classe, nacionalidade, sexualidade, corporeidade, dentre outros. </li></ul><ul><li>Os marcadores identitários não são neutros nem fixos: se articulam, uns com os outros, deslocando as identidades e promovendo ajustes constantes. </li></ul>
  8. 8. <ul><li>A ação pedagógica, e nossas escolhas cotidianas são, portanto, FUNDAMENTAIS!!! O que usamos nas aulas (filmes, imagens, livros, músicas, brinquedos, etc.) narra identidades : modos de ser e de viver a pertença aos marcadores identitários. </li></ul>
  9. 9. <ul><li>O Brasil, mestiço, funde (confunde) raça/cor/etnia </li></ul><ul><ul><li>Nos documento oficiais (DNV) </li></ul></ul><ul><ul><li>Nas representações presentes na cultura </li></ul></ul><ul><ul><li>Nas práticas cotidianas das salas de aula </li></ul></ul><ul><ul><li>Nos produtos direcionados à infância </li></ul></ul>
  10. 10. <ul><li>Antecedentes do conceito de raça </li></ul><ul><ul><li>Medicina : Anatomia e a busca por catalogar os tipos humanos - Cesare Lombroso (Anatomia patológica – relacionando características fenotípicas à criminalidade) Séc. XIX </li></ul></ul><ul><ul><li>Biologia: o conceito de eugenia (pureza racial) </li></ul></ul><ul><ul><li>Foucault: a transformação das guerras nacionais em “guerras raciais”/racismo </li></ul></ul><ul><ul><li>Regimes fascistas (2ª. Guerra) e a invenção da etnia no pós-guerra </li></ul></ul>
  11. 11. <ul><li>“ [...] é justo aí que aparece a necessidade de teorizar as “ raças ” como elas são, ou seja, construtos sociais , formas de identidade baseadas em uma idéia biologicamente errônea, mas socialmente eficaz para construir, manter e reproduzir diferenças, privilégios. (Guimarães:1999, p.64).” </li></ul>
  12. 12. <ul><li>Tomar o branco como incolor é uma fantasia. </li></ul><ul><li>Cabe perguntar para quem a branquidade é invisível? (Kaercher: 2006, p. 113) </li></ul>
  13. 13. <ul><li>Cor sob o signo da negritude </li></ul><ul><li>Em outros países , tais como Estados Unidos ou África do Sul, podemos perceber a existência de uma “linha de cor”, que separa brancos de não-brancos – não interessando , para tanto, as nuanças cromáticas. </li></ul><ul><li>No Brasil uma zona racial intermediáriaque flutua até certo ponto ao sabor do observador e das circunstâncias fazendo com que os mestiços com traços negróides disfarçáveis principalmente quando portadores de atributos que implicam status médio ou elevado (diploma superior, riqueza e outros) possam ser incorporados ao grupo branco. </li></ul>
  14. 14. <ul><li>O termo deriva do grego ethnikos , adjetivo de ethos , e refere-se a povo ou nação. </li></ul><ul><li>Descreve um grupo possuidor de algum grau de coerência e solidariedade, composto por pessoas conscientes de terem origens e interesses comuns . </li></ul>
  15. 15. <ul><li>As condições de possibilidades que antecedem as leis: movimento negro e indígena, militância negra e indígena nos partidos políticos, pressão da sociedade civil, etc. </li></ul><ul><li>Constituição de 1988 </li></ul><ul><li>Criação da SECAD (Secretaria de Educação continuada, Alfabetização e Diversidade) </li></ul><ul><li>LDBEN 9394/96 </li></ul><ul><li>Lei nº 10639/2003 </li></ul><ul><li>Lei nº 11645/2009 </li></ul><ul><li>Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-raciais e para o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira (CNE – Parecer 003/2004) </li></ul>
  16. 16. Da Necessidade de uma Educação Anti-Racista Porque negros e não-negros (brancos, índios) precisam ser educados: ambiências pedagógicas plurais. Para que diferenças não se transformem em desigualdades: combate às hierarquizações. Os preconceitos não se constroem isoladamente: machismo, homofobia, “os anormais”.
  17. 17. Precisamos promover uma educação antirracista, não por força de lei, mas pela ÉTICA!!!
  18. 18. <ul><li>Compromisso da comunidade escolar </li></ul><ul><li>Cursos de formação para os educadores sobre a história e cultura da África, história e cultura indígenas. </li></ul><ul><li>Equipamento das Escolas: bibliotecas, acesso à internet, espaços para convivência e promoção de cursos </li></ul>
  19. 19. <ul><li>Educar todas as raças para a valorização da raça negra e dos povos indígenas: compromisso de impregnar as salas/escolas/vida de representações positivas da negritude e indianidade </li></ul><ul><li>Respeito à diferença como pressuposto para uma educação anti-racista </li></ul><ul><li>Diferença não implica desigualdade </li></ul>
  20. 20. <ul><li>Ambiência multi-racial : brinquedos, livros, filmes, imagens “publicitárias”, etc. que representem as diferentes raças. </li></ul><ul><li>Projetos pedagógicos e ações pedagógicas voltadas para a valorização e conhecimento da raça negra e dos povos indígenas. </li></ul><ul><li>Ação pedagógica anti-racista: </li></ul><ul><ul><li>Postura anti-racista clara do professor </li></ul></ul>
  21. 21. Espaço para externar o racismo (rodas de conversa, debates, diálogos informais) Para tensionar o racismo : como um argumento que se apresenta “ lógico” só podemos desconstruir o racismo através da lógica. AÇÃO PEDAGÓGICA SISTEMÁTICA, CONSTANTE, PROPOSITIVA
  22. 22. Obrigada!!! [email_address]

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