Workshop “ À descoberta do SER” – A sexualidade na deficiência  Paula Pinto
O que é a Sexualidade? A sexualidade é uma energia que nos motiva para encontrar amor, contacto, ternura e intimidade.  Integra o modo como nos sentimos, movemos, tocamos e somos tocados; é ser-se sensual e ao mesmo tempo ser-se sexual. A sexualidade influencia pensamentos, sentimentos, acções e interacções e, por isso, influencia também a nossa saúde física e mental. Organização Mundial Saúde (OMS)
Associação Mundial de Saúde Sexual  (WAS), preconiza a saúde sexual para todos e reconhece o prazer sexual como um componente do bem-estar em que a saúde sexual é mais do que a ausência de doença. O prazer e a satisfação sexuais são componentes integrais do bem-estar e requerem o reconhecimento universal e sua promoção.
Até meados do Século XX: Tabu Ocultada Apresentada de forma negativa Perigo para a condição humana Século XX:  Valores democráticos e humanísticos  Emancipação da mulher  Revolução Contraceptiva Visão positiva Ligada ao bem-estar e realização pessoal
Educação Sexual “ Saúde Positiva” “ Aquisição e manutenção de um estado de bem-estar  físico,  psicológico, social e ambiental,  no qual o indivíduo é chamado a participar de modo activo na  procura individual e na  construção dinâmica desse  bem-estar” Ottawa,1986 Promoção e Educação  para a Saúde  “ Processo de capacitação,  participação e responsabilização que inclui  como objectivos levar as  pessoas a sentirem-se  competentes, felizes e  valorizadas, ao adoptar e  manter estilos de vida  saudáveis”
Crenças ou teorias implícitas sobre a educação sexual A educação sexual desperta prematuramente o comportamento sexual. A sexualidade não se ensina, vai-se aprendendo naturalmente ao longo da vida. A educação sexual dos jovens compete à família e não à escola. A educação sexual como informação objectiva e científica. A educação sexual como conhecimento biológico.
Educação Sexual Na esfera da sexualidade os valores, atitudes, sentimentos e  comportamentos são construídos através de dois processos: Educação sexual informal  –  decorre das vivências do quotidiano, de forma espontânea e ocasional. Educação sexual intencional –  refere-se a um processo de aprendizagem sistemático, desenvolvido por profissionais, fornecendo informações mais estruturadas e dirigidas.  Pode ser:
Sexualidade positiva Através de uma abordagem Pró- activa; Construtiva; “ Pela positiva”  Pretende-se Trabalhar a diversidade de valores  e atitudes face à sexualidade  incutindo o respeito pelos valores e opções de cada um , o respeito por sim próprio e pelo outro, diminuindo e/ou evitando sentimentos e /ou vivências menos positivos. A informação clara, precisa e consistente permite tomar decisões, saber dizer não, saber dizer sim. Decisões essas que são a base das preocupações dos pais e outros educadores.
A sexualidade na deficiência   O Adolescente com necessidades especificas, como qualquer outro jovem, tem necessidade de expressar e vivenciar a sua sexualidade, ainda que  por vezes, de uma forma muito própria. É importante que este tenha a oportunidade de compreender tendo em conta as suas dificuldades, o que é adequado e quando é apropriado. A expressão da sexualidade devidamente orientada, permitirá melhorar o desenvolvimento afectivo e favorecerá a sua capacidade de se relacionar, melhorando a sua auto-estima e a adequação à sociedade.
No caso dos adolescentes com Síndrome de Asperger, estes gostam de aumentar o seu conhecimento e adquirir e registar informação, mas a área da sexualidade é mais que a recolha e aquisição de informação. Como não têm as mesmas experiências ao nível de interacção com outros adolescentes, especialmente com o sexo oposto, estabelecer relações de intimidade e lidar com a diversidade de comportamentos e sentimentos na expressão da sexualidade representa um esforço acrescido  para estes jovens.
A sexualidade na deficiência Estes adolescentes vivenciam as mesmas mudanças físicas e hormonais relacionadas com a puberdade e tem os mesmos desejos e interesses face à sexualidade, tal como ocorre com os jovens em geral.  No entanto, as suas dificuldades especificas no desenvolvimento da maturidade social, auto-controle emocional, comunicação social, pensamento abstracto e competências na resolução de problemas, não lhes permite ler e compreender os pensamentos complexos e emoções dos outras pessoas e a expressar adequadamente os seus sentimentos.
A sexualidade na deficiência Questões a trabalhar com o jovens: Auto-conceito positivo Imagem corporal Intimidade e proximidade física Noção de privacidade (diferença entre comportamento público e privado)  Estabelecimento de limites face a si próprio e aos outro   A segurança pessoal   Prevenção das infecções sexualmente transmissíveis Uso correctamente os métodos contraceptivos Questões emocionais e afectivas relacionadas com a vivência da sexualidade Relações interpessoais e namoro  
A sexualidade na deficiência Reforçar  a auto-estima e valorizar a imagem corporal; Aumentar  os conhecimentos sobre anatomia e fisiologia humana; Trabalhar  as competências da comunicação de sentimentos e necessidades sexuais; Promover  atitudes positivas e não culpabilizantes face aos seus sentimentos e comportamentos sexuais; Reforçar  atitudes de entendimento e aceitação dos sentimentos e necessidades dos outros.
A sexualidade na deficiência Fomentar  a partilha de informação, conhecimentos, sentimentos e vivências; Favorecer  uma atitude informada, crítica e saudável relativamente ao planeamento familiar, à violência relacional e sexual e a situações de discriminação; Desenvolver  conhecimentos e atitudes adequadas no domínio da sexualidade; Melhorar  as competências emocionais, relacionais e sociais.
Sexualidade na deficiência A família enfrenta muita ansiedade para lidar com a sexualidade de um filho com deficiência. Ao tenderem a ver estes jovens como “assexuados” recebem com surpresa e temor as suas manifestações sexuais.  Será assim fundamental o aconselhamento aos pais em programas de orientação sexual.
Sexualidade na deficiência Os objectivos com a família são: Trabalhar  o medo e a ansiedade dos pais quanto ao futuro sexual dos filhos; Esclarecer  sobre a variação das condições e manifestações sexuais; Orientar  sobre os limites para a adaptação do comportamento sexual; Diminuir  o preconceito e incentivar a comunicação dos pais quanto à sexualidade;  Auxiliar  na compreensão da sexualidade como um direito à saúde sexual
A família deve entender que: Não existe uma correlação directa entre conhecimento sobre sexualidade e o inicio do relacionamento sexual; A adolescência é um período marcado pela curiosidade e exploração. Esta fase de desenvolvimento é completamente saudável; A ignorância leva ao medo. A informação permite ao adolescente com dificuldades de desenvolvimento e deficits cognitivos desenvolver uma postura mais critica, colocando-os numa posição mais favorável face a várias situações; Um comportamento tem muito menos probabilidade de ser excessivo se for reconhecido, aceite e apropriado num dado contexto, e não proibido. As necessidades e desejo sexual não devem ser repreendidos e/ou ignorados - devem ser direccionados de modo a serem expressos e vivenciados positivamente.
A  sexualidade e deficiência  é uma temática da vida quotidiana dos portadores de  deficiência  O  senso comum  delimita a vida sexual de portadores de deficiência física como se esta actividade não existisse ou como um  tabu . Por desconhecimento, uma série de suposições não verdadeiras é realizada, são criadas crenças e visões estereotipadas, além do preconceito.
A sexualidade na deficiência promove o desenvolvimento afectivo, facilitando a capacidade de relacionamento, melhora a auto-estima e facilita a inserção na sociedade. Os direitos sexuais são um componente integral dos direitos humanos básicos e, portanto são inalienáveis e universais
Livros de referência Félix, Ivone e António Manuel Marques (1995). E nós... Somos Diferentes? Sexualidade e Educação Sexual na Deficiência Mental. Lisboa: APF – Associação para o Planeamento da Família.   Félix López - Guía para el desarrollo de la afectividad y de la sexualidad de las personas con discapacidad intelectual.
Filmes de referência A Outra Margem de Paulo Branco. Yo, también,  Álvaro Pastor y António Naharro .  Simples como amar De Garry Marshall

Workshop sexualidade e deficiência

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    Workshop “ Àdescoberta do SER” – A sexualidade na deficiência Paula Pinto
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    O que éa Sexualidade? A sexualidade é uma energia que nos motiva para encontrar amor, contacto, ternura e intimidade. Integra o modo como nos sentimos, movemos, tocamos e somos tocados; é ser-se sensual e ao mesmo tempo ser-se sexual. A sexualidade influencia pensamentos, sentimentos, acções e interacções e, por isso, influencia também a nossa saúde física e mental. Organização Mundial Saúde (OMS)
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    Associação Mundial deSaúde Sexual (WAS), preconiza a saúde sexual para todos e reconhece o prazer sexual como um componente do bem-estar em que a saúde sexual é mais do que a ausência de doença. O prazer e a satisfação sexuais são componentes integrais do bem-estar e requerem o reconhecimento universal e sua promoção.
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    Até meados doSéculo XX: Tabu Ocultada Apresentada de forma negativa Perigo para a condição humana Século XX: Valores democráticos e humanísticos Emancipação da mulher Revolução Contraceptiva Visão positiva Ligada ao bem-estar e realização pessoal
  • 5.
    Educação Sexual “Saúde Positiva” “ Aquisição e manutenção de um estado de bem-estar físico, psicológico, social e ambiental, no qual o indivíduo é chamado a participar de modo activo na procura individual e na construção dinâmica desse bem-estar” Ottawa,1986 Promoção e Educação para a Saúde “ Processo de capacitação, participação e responsabilização que inclui como objectivos levar as pessoas a sentirem-se competentes, felizes e valorizadas, ao adoptar e manter estilos de vida saudáveis”
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    Crenças ou teoriasimplícitas sobre a educação sexual A educação sexual desperta prematuramente o comportamento sexual. A sexualidade não se ensina, vai-se aprendendo naturalmente ao longo da vida. A educação sexual dos jovens compete à família e não à escola. A educação sexual como informação objectiva e científica. A educação sexual como conhecimento biológico.
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    Educação Sexual Naesfera da sexualidade os valores, atitudes, sentimentos e comportamentos são construídos através de dois processos: Educação sexual informal – decorre das vivências do quotidiano, de forma espontânea e ocasional. Educação sexual intencional – refere-se a um processo de aprendizagem sistemático, desenvolvido por profissionais, fornecendo informações mais estruturadas e dirigidas. Pode ser:
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    Sexualidade positiva Atravésde uma abordagem Pró- activa; Construtiva; “ Pela positiva” Pretende-se Trabalhar a diversidade de valores e atitudes face à sexualidade incutindo o respeito pelos valores e opções de cada um , o respeito por sim próprio e pelo outro, diminuindo e/ou evitando sentimentos e /ou vivências menos positivos. A informação clara, precisa e consistente permite tomar decisões, saber dizer não, saber dizer sim. Decisões essas que são a base das preocupações dos pais e outros educadores.
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    A sexualidade nadeficiência   O Adolescente com necessidades especificas, como qualquer outro jovem, tem necessidade de expressar e vivenciar a sua sexualidade, ainda que por vezes, de uma forma muito própria. É importante que este tenha a oportunidade de compreender tendo em conta as suas dificuldades, o que é adequado e quando é apropriado. A expressão da sexualidade devidamente orientada, permitirá melhorar o desenvolvimento afectivo e favorecerá a sua capacidade de se relacionar, melhorando a sua auto-estima e a adequação à sociedade.
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    No caso dosadolescentes com Síndrome de Asperger, estes gostam de aumentar o seu conhecimento e adquirir e registar informação, mas a área da sexualidade é mais que a recolha e aquisição de informação. Como não têm as mesmas experiências ao nível de interacção com outros adolescentes, especialmente com o sexo oposto, estabelecer relações de intimidade e lidar com a diversidade de comportamentos e sentimentos na expressão da sexualidade representa um esforço acrescido para estes jovens.
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    A sexualidade nadeficiência Estes adolescentes vivenciam as mesmas mudanças físicas e hormonais relacionadas com a puberdade e tem os mesmos desejos e interesses face à sexualidade, tal como ocorre com os jovens em geral. No entanto, as suas dificuldades especificas no desenvolvimento da maturidade social, auto-controle emocional, comunicação social, pensamento abstracto e competências na resolução de problemas, não lhes permite ler e compreender os pensamentos complexos e emoções dos outras pessoas e a expressar adequadamente os seus sentimentos.
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    A sexualidade nadeficiência Questões a trabalhar com o jovens: Auto-conceito positivo Imagem corporal Intimidade e proximidade física Noção de privacidade (diferença entre comportamento público e privado) Estabelecimento de limites face a si próprio e aos outro   A segurança pessoal   Prevenção das infecções sexualmente transmissíveis Uso correctamente os métodos contraceptivos Questões emocionais e afectivas relacionadas com a vivência da sexualidade Relações interpessoais e namoro  
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    A sexualidade nadeficiência Reforçar a auto-estima e valorizar a imagem corporal; Aumentar os conhecimentos sobre anatomia e fisiologia humana; Trabalhar as competências da comunicação de sentimentos e necessidades sexuais; Promover atitudes positivas e não culpabilizantes face aos seus sentimentos e comportamentos sexuais; Reforçar atitudes de entendimento e aceitação dos sentimentos e necessidades dos outros.
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    A sexualidade nadeficiência Fomentar a partilha de informação, conhecimentos, sentimentos e vivências; Favorecer uma atitude informada, crítica e saudável relativamente ao planeamento familiar, à violência relacional e sexual e a situações de discriminação; Desenvolver conhecimentos e atitudes adequadas no domínio da sexualidade; Melhorar as competências emocionais, relacionais e sociais.
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    Sexualidade na deficiênciaA família enfrenta muita ansiedade para lidar com a sexualidade de um filho com deficiência. Ao tenderem a ver estes jovens como “assexuados” recebem com surpresa e temor as suas manifestações sexuais. Será assim fundamental o aconselhamento aos pais em programas de orientação sexual.
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    Sexualidade na deficiênciaOs objectivos com a família são: Trabalhar o medo e a ansiedade dos pais quanto ao futuro sexual dos filhos; Esclarecer sobre a variação das condições e manifestações sexuais; Orientar sobre os limites para a adaptação do comportamento sexual; Diminuir o preconceito e incentivar a comunicação dos pais quanto à sexualidade; Auxiliar na compreensão da sexualidade como um direito à saúde sexual
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    A família deveentender que: Não existe uma correlação directa entre conhecimento sobre sexualidade e o inicio do relacionamento sexual; A adolescência é um período marcado pela curiosidade e exploração. Esta fase de desenvolvimento é completamente saudável; A ignorância leva ao medo. A informação permite ao adolescente com dificuldades de desenvolvimento e deficits cognitivos desenvolver uma postura mais critica, colocando-os numa posição mais favorável face a várias situações; Um comportamento tem muito menos probabilidade de ser excessivo se for reconhecido, aceite e apropriado num dado contexto, e não proibido. As necessidades e desejo sexual não devem ser repreendidos e/ou ignorados - devem ser direccionados de modo a serem expressos e vivenciados positivamente.
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    A sexualidadee deficiência é uma temática da vida quotidiana dos portadores de deficiência O senso comum delimita a vida sexual de portadores de deficiência física como se esta actividade não existisse ou como um tabu . Por desconhecimento, uma série de suposições não verdadeiras é realizada, são criadas crenças e visões estereotipadas, além do preconceito.
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    A sexualidade nadeficiência promove o desenvolvimento afectivo, facilitando a capacidade de relacionamento, melhora a auto-estima e facilita a inserção na sociedade. Os direitos sexuais são um componente integral dos direitos humanos básicos e, portanto são inalienáveis e universais
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    Livros de referênciaFélix, Ivone e António Manuel Marques (1995). E nós... Somos Diferentes? Sexualidade e Educação Sexual na Deficiência Mental. Lisboa: APF – Associação para o Planeamento da Família. Félix López - Guía para el desarrollo de la afectividad y de la sexualidad de las personas con discapacidad intelectual.
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    Filmes de referênciaA Outra Margem de Paulo Branco. Yo, también, Álvaro Pastor y António Naharro . Simples como amar De Garry Marshall