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A Ciclópia
Ch eios de sau dades, os gregos m eteram -se n os barcos e dirigiram -se para
as su as terras. Ulisses lem brava-se de Pen élope e do filh o qu e deixara tão
pequenino.
Reuniu-se com qu aren ta valen tes m arin h eiros e lá foram n u m belo n avio
em direcção a Ítaca. Os Gregos eram u m povo de m arin h eiros destem idos. Eles
cruzavam os m ares, tal com o ,os Fen ícios, os Cartagin eses, e m ais tarde n ós,
os Portugueses.
Agora em plen o m ar, Ulisses só pen sa em regressar à pátria. Mal ele sabe
que só lá chegará daí a muitos anos ..
Lá iam a cam in h o de Ítaca, pelo m ar fora, ven cen do ven to e ven to através
de onda e onda.
De sú bito com eçaram a n otar qu e o n avio estava a ser arrastado por u m a
estran h a corren te su bm arin a qu e os ia levan do para on de eles n ão qu eriam ir.
E de tal m an eira qu e se acaso obrigassem o n avio a segu ir a direcção qu e
pretendiam, este corria o risco de se virar. Então Ulisses decidiu:
-Não vale a pen a resistirm os agora. Deixem o-n os ir n esta corren te, e
quando ela abrandar retomaremos o rumo de Ítaca.
Assim fizeram. Mas a corrente não abrandava nunca.
Aumentava
aumentava
aumentava ...
J á iam lon ge de tu do, m esm o de en con tro ao descon h ecido. Com eçaram a
avistar terra: era u m a ilh a on de o n avio calm am en te aportou . Aí já a corren te
misteriosa abrandara. Ulisses olhou em volta e de repente deu um grande grito:
-Ai, meus amigos, onde nós viemos parar!
-Onde foi? Onde foi?-perguntaram os marinheiros aflitos. '
-Olhem, viemos parar à Ciclópia, às ilhas da Ciclópia. Mas esperem, que ...
se não me engano, tivemos uma sorte espantosa!
-Uma sorte espantosa?!-admíraram-se os marinheiros.
-Sim-explicou Ulisses.-Aqu i é realm en te o arqu ipélago da Ciclópia. Tu do
n este lu gar é gigan tesco, é ciclópico: os an im ais, as plan tas, as pedras ... Os
seu s h abitan tes são os ciclopes, espécie de gigan tes com u m só olh o n o m eio
da testa, e que são devoradores de homens ...
-Devoradores de homens?!-gritaram os marinheiros, espavoridos.
-Sim , m as acalm em -se, porqu e esta é a ú n ica ilh a desabitada. J á aqu i
passei uma vez ao largo, e sei isso muito bem.
Todos sossegaram en tão u m pou co, e com o realm en te n ão aparecesse
n in gu ém por ali, resolveram sair e ir apan h ar algu m a fru ta fresca, beber águ a
pura!
Aventuraram-se também a percorrer a ilha deserta.
Mas antes de saírem, Ulisses
lem brou qu e era m elh or levarem
u m pequ en o barril de vin h o qu e
traziam n o n avio, pois podia
apetecer-lhes. Assim fizeram.
Com eçaram a explorar a
ilh a, todos con ten tes e cada vez
mais descansados.
A certa altu ra, depois de
terem su bido u m a pequ en a
colin a, ao descerem a verten te do
lado de lá viram -se de repen te n o
m eio de u m en orm e reban h o de
ovelh as, cabras e carn eiros. E o
pior de tu do é qu e avistaram m esm o n o m eio do reban h o, sen tado n u m
rochedo altíssimo, um ciclope formidável!
Ele estava tão en tretido a aparar u m tron co de árvore para fazer u m a
flauta, como é hábito os pastores fazerem de palhinhas, que nem deu por eles.
Apavorados, qu iseram fu gir. Mas era tarde, pois se ten tassem voltar para
trás e o ciclope os visse, o qu e era qu ase in evitável, n em u m bocadin h o se lh es
aproveitava! Esconderam-se então no meio do rebanho, e como reparassem que
ali ao lado h avia u m a en trada de u m a gru ta en orm e, para lá se dirigiram todos
rastejando com muita cautela para o monstro não os ver.
Ch egaram à gru ta e lá den tro respiraram . Pelo m en os por u n s tem pos
estavam a salvo, pois o ciclope não os tinha pressentido
Agora pergu n to-vos eu : E os ciclopes, existem ? Os ciclopes existiam , sim ,
mas na imaginação dos primeiros marinheiros. Eles não conheciam bem o mar,
acreditavam em corren tes m isteriosas, em deu ses qu e protegiam ou
persegu iam os h om en s, em m on stros, em sereias qu e en can tavam com a su a
voz doce ... In ven tavam razões para os n au frágios, deixavam correr livremente
a su a im agin ação! O ciclope era para os Gregos destes tem pos o m esm o qu e o
gigan te Adam astor foi para os Portu gu eses: du as im agen s criadas por dois
poetas, Homero e Camões, para nos falar do medo do desconhecido.
Mas voltem os a Ulisses e aos seu s com pan h eiros. Lá den tro da gru ta
combin aram qu e ao com eçar a cair a n oite se escapariam em direcção ao n avio
e fugiriam dali a sete pés, porque afinal aquela ilha também era habitada, e por
UM CICLOPE enorme!
Ulisses pen sava: «Com o é possível h aver aqu i u m ciclope? O qu e terá
acontecido? Muito eu gostava de saber!»
Ele realm en te n ão sabia o qu e eu vos vou con tar: Ulisses tin h a razão
qu an do pen sara qu e ali n ão h avia ciclopes, pois eles h abitavam m esm o em
todas as ou tras ilh as do seu arqu ipélago da Ciclópia. Mas h avia en tre eles u m
que era
mais forte do que todos
mais cruel do que todos
mais bravo do que todos
e que era o terror!!!!! de todos. Chamava-se Polifemo e tinha um mau génio
horrível. Zangava -se por tudo e por nada, e depois dava murros para
a
esquerda,
murros para
a
direita,
e já só h avia por aqu elas paragen s ciclopes de cabeças partidas, braços ao
peito, pernas cheias de nódoas negras , sem dentes - um horror! É verdade que
o Polifemo depois arrependia-se, mas o mal já estava feito.
Então os ciclopes tinham-se reunido e dito para o Polifemo:
-Olh a, o m elh or é tu viveres sozin h o. Nós levam os-te o reban h o para
aquela ilha deserta de além, e tu vives lá.
Assim foi. Todas as noites se ouvia:
-Estás bom, Polifemo?
-Estou. E vocês?
-Estamos bem. Boa noite!
-Boa noite!
E pron to: já n ão h avia desorden s n em lágrim as. E assim viviam já h á u n s
tempos perfeitamente em paz de ciclopes.
Ora, foi este Polifemo que os nossos amigos foram encontrar ali.
Mas voltan do à h istória: já era qu ase n oite, e Ulisses e os seu s
companheiros resolveram abandonar a gruta e correr até ao navio.
Precisam en te n o m om en to em qu e com eçavam a sair, eis qu e com eçaram
a en trar as ovelh as, as cabras, os carn eiros ... e o Polifem o. Só tiveram tem po
para se escon der atrás deste ou daqu ele pedregu lh o, dos m u itos qu e h avia
espalhados por ali.
Calcu lem on de eles tin h am ido parar: à própria cavern a on de m orava o
ciclope!
Qu an do o Polifem o en trou , trazia u m veado m orto às costas, qu e ele tin h a
apan h ado para a su a ceia. Nem reparou n os h om en s. Foi orden h ar as ovelh as
e as cabras, gu ardou o leite em gran des vasilh as, e depois foi acen der u m a
fogueira no meio da gruta, e nela pôs o veado a assar. Depois, cansado, sentou-
se ali no chão.
De repen te-o qu e viu ele? Som bras de h om en s dan çan do n a parede
m esm o n a su a fren te, som bras de h om en s qu e se escon diam en tre a fogu eira e
a parede ...
Deu um salto e começou a gritar:
«HOMENS ... HOMENS ... HOMENS ... »
Pegou n u m gran de pedregu lh o e com ele
tapou a en trada da gru ta. Depois com eçou a
agarrar u m h om em , ou tro h om em , e a en goli-
los inteiros! E mais outro, e mais outro ...
Os m arin h eiros com eçaram a gritar
apavorados, e a correr doidam en te pela gru ta
em todas as direcções, e m ais facilm en te ele os
ia apan h an do a u m e a ou tro. Os fortes
m arin h eiros pareciam bon ecos n as su as m ãos bru tais, ou u vas qu e com os
seus dedos peludos ele ia colhendo e depois engolindo sofregamente.
Ulisses trem ia de m edo e en colh ia-se n o seu escon derijo. O pân ico tom ava
conta dos marinheiros e parecia não haver salvação para nenhum. Já uns nove
homen s tin h am desaparecido n as goelas do m on stro e já este com eçava a n ão
querer agarrá-los ...
Agora já muito empanturrado, só queria era dormir.
Dirigiu-se pesadamente para um canto da caverna e ali se sentou.
Ulisses, quando o viu mais calmo, saiu do seu esconderijo para lhe falar. E
a conversa desenrolou-se assim:
ULISSES-Ou ve lá, ou ve lá, n ão m e com as, n ão m e com as, qu e eu qu ero
falar contigo.
POLIFEMO-O qu e é
que tu me queres, pigmeu?
ULISSES-Bem ... tu já
com este tan ta carn e
humana, com certeza
deves sentir sede ...
POLIFEMO-Sede?!
Ten h o, ten h o sede ... Mas
se ju lgas qu e vou bu scar águ a lá fora para vocês se escaparem daqu i, estás
muito enganado!
ULISSES-Não é n ada disso. É qu e eu ten h o ali u m vin h o m u ito bom para
ti, mas só to dou a beber se me fizeres um favor ...
POLIFEMO-Vinho?! Que é isso?
ULISSES-É uma bebida muito agradável. Queres experimentar?
POLIFEMO-Quero. E que favor é que tu vais pedir-me?
ULISSES-Que nos deixes sair daqui vivos estes poucos que somos já ...
POLIFEMO-Olha que ideia! Esse favor não te faço eu.
Mas prom eto fazer-te u m favor qu e te digo qu al é depois de beber o vin h o.
Dá-me lá esse tal vinho! DÁ-ME ESSE VINHO JÁ, JÁ ....
Ulisses m an dou logo qu e trou xessem o barril de vin h o e o esten dessem ao
ciclope, qu e o pôs à boca e deu m u itos estalin h os com a lín gu a e bebeu tu do
até à última gota!
POLIFEMO-Isto é bom , m u ito bom m esm o. Foste sim pático para m im e
por isso vou fazer-te o favor qu e te prom eti. Sabes qu al é? Tu vais ser o ú ltim o
de vocês todos que eu vou comer!
ULISSES-O quê? Isso é verdade? Então tu tencionas comer-nos a todos?
E ele e os ou tros m arin h eiros com eçaram a gritar, a ch orar, a pedir em
altos brados socorro aos seus deuses.
Ulisses, n o en tan to, resolveu ver se con segu ia ain da algu m a coisa do
ciclope, e com eçou a con versar de n ovo com ele. Pergu n tou -lh e por qu e razão
se en con trava ele ali sozin h o n aqu ela ilh a, e com o se ch am ava. O gigan te
contou-lh e tu do e disse qu e se ch am ava Polifem o. E depois foi a vez de ele
pergu n tar a Ulisses com o é qu e ele se ch am ava. Ora Ulisses n u n ca dizia qu em
era, n u n ca gostava de dizer o seu n om e, e prin cipalm en te n u m a ocasião
daqu elas, em qu e com toda a razão se via perdido tão desgraçadam en te ... Qu e
ao menos nunca ninguém soubesse o triste fim que Ulisses, o herói, tinha tido!
En tão ali de repen te ten tou lem brar-se de u m n om e qu alqu er para
enganar o ciclope, um nome
qualquer
um nome qualquer
um nome qualquer um nome qualquer
u m n om e qu alqu er u m n om e qu alquer - m as a aflição era tão gran de qu e
não se lembrava de nenhum!
Polifemo começava a ficar irritado, a ficar furioso:
-Então não sabes como te chamas? Como te chamas?
COMO TE CHAMAS? COMO TE CHAMAS???
Ulisses, de cabeça perdida, só lh e sou be respon der: -Com o m e ch am o?
Como me chamo? Sei lá. Olha, espera, chamo-me ... Ninguém.
POLIFEMO-Nin gu ém ?! Qu e diabo de n om e te deram , pigm eu ! Por isso tu
não o querias dizer. E tinhas razão, lá isso tinhas! Olha que ideia, Ninguém ...
E en tão de repen te a cabeça caiu -lh e sobre o peito e adorm eceu
profundamente.
Ulisses e os com pan h eiros reu n iram -se logo n o m eio da cavern a e
com bin aram o qu e h aviam de fazer. O pedregu lh o qu e tapava a en trada era
m u ito pesado e n ão con segu iram sequ er m ovê-lo u m cen tím etro. Se m atassem
o gigan te, acabariam por ficar ali fech ados para sem pre. Mas se con segu issem
que fosse o próprio gigante a afastar o pedregulho... E como?
Bom , prim eiro resolveram retem perar as forças perdidas após tan tos
su stos e tan ta aflição. Acabaram de assar o veado e com eram -n o, beberam o
leite das ovelh as e das cabras e descan saram u m pou co. Depois pegaram n u m
tronco de árvore fina que ali encontraram afiaram-no muito bem na ponta. Nas
cin zas da fogu eira torn aram essa pon ta in can descen te. E en tão, todos u m a à
u m a, apon tan do a pon ta arden te n a direcção do único olh o do gigan te
adorm ecido, exclam aram UM ... DOIS ... TRÊS! E espetaram o tron co n o olh o
mesmo a meio da testa!
O ciclope acordou aos u rros, e m ais fu rioso ficou qu an do percebeu qu e
estava cego! Dava pulos tão grandes que batia com a cabeça no tecto
Ainda matou alguns homens com esta sua fúria. No meio da noite cerrada,
os seus urros e gritos ecoavam de uma forma tremenda.
Ele atroava os ares:
-Acudam, meus irmãos! Acudam, meus irmãos!
Os ciclopes das ou tras ilh as acordaram estrem u n h ados e disseram u n s
para os outros:
-É o Polifem o qu e está a ch am ar por n ós, e está a pedir socorro. Tem os de
ir lá ver o que é, temos de lhe acudir!
E levan taram -se todos, e deitaram -se todos ao m ar, e ch egaram todos à
porta da gru ta on de m orava o Polifem o. Ch egaram escorren do águ a e frio e
ansiedade.
Disse um:-Metemos o pedregulho dentro!
Respon deram os ou tros:-Não, n ão. Olh a qu e ele pode estar com u m dos
seu s ataqu es de m au gén io e n ós é qu e sofrem os. Vam os pergu n tar o qu e lh e
está acontecendo, e depois veremos.
E assim fizeram. A conversa que se seguiu foi esta:
-Ó Polifemo, o que tens?
-Ai meus irmãos, acudam-me, acudam-me!
-O que foi, Polifemo?
-Ai meus irmãos, acudam! Ninguém quer matar-me ...
-Pois não, Polifemo, ninguém te quer matar.
- Não é isso, seu s palerm as! O qu e eu estou a dizer é qu e Nin gu ém está
aqui e Ninguém quer matar-me!
-Pois é, rapaz! É o qu e n ós estam os a perceber m u ito bem : n in gu ém está
aqui e ninguém te quer matar. ..
-Não é isso, seus idiotas!. ..
E n ão h avia m an eira de se en ten derem u n s com os ou tros. Qu an do os
ciclopes perceberam qu e o Polifem o estava já m u ito zan gado, dizen do sem pre
aquelas mesmas coisas que eles já tinham ouvido, escorrendo ainda água e frio
se foram retiran do para as su as cavern as das ou tras ilh as, com en tan do en tre
si: «Ora esta! Qu e ideia, n o m eio da n oite cerrada acordar-n os assim para n os
dizer qu e n in gu ém estava lá e n in gu ém o qu eria m atar... Coitado! Com certeza
estava com alguma dor de dentes!»
E lá se foram todos em bora para as su as cavern as lon ge. Ulisses estava
radian te por ter tido aqu ela boa ideia de dizer qu e se ch am ava Nin gu ém .
Em bora en tretan to tivesse sofrido u m en orm e su sto ao sen tir ali tão perto
tantos ciclopes...
Mas com o h aviam eles de sair dali? Polifem o con tin u ava a su a lam ú ria,
agora m ais calm o: «Não h á direito! Fazerem -m e isto a m im , qu e sou tão
bon zin h o! Pois deixem estar, qu e am an h ã n em u m só h om em sairá desta
caverna. Só o meu rebanho é que sai!»
Qu an do Ulisses ou viu isto, teve u m a ideia: atar cada com pan h eiro seu por
baixo de cada ovelh a, para assim n o dia segu in te qu an do o reban h o
aban don asse a cavern a, os h om en s a aban don arem tam bém sem perigo. E
assim foi. Para ele, por n ão se poder atar a si próprio, gu ardou o carn eiro m ais
lan zu do do reban h o a fim de se agarrar à su a lã qu an do passasse ju n to do
Polifemo.
No dia segu in te, às apalpadelas, Polifem o retirou o pedregu lh o da en trada
da gru ta e pôs-se logo do lado de fora da abertu ra, de m an eira a im pedir a
saída de qu alqu er h om em qu e ten tasse fu gir. Ch am ou o reban h o, e afagan do o
dorso de cada an im al qu e saía, n ão reparava, pois estava cego, qu e debaixo de
cada um seguia um marinheiro grego ...
Só já faltava Ulisses, agarrado com u n h as e den tes à lã com prida do
carneiro velho!
Ora acon tecia qu e este carn eiro era o preferido do Polifem o, qu e dem orou
ali u m bocadin h o a con versar com ele, qu eixan do-se do qu e lh e tin h am feito,
com o se o carn eiro o pu desse com preen der. Ulisses, em difícil equilíbrio, qu ase
a despren der-se, qu ase a cair, fazia m il esforços para se agu en tar n aqu ela
incómoda posição. E o Polifemo falando, falando ... Até que se resolveu a deixar
sair o carn eiro e deu -lh e u m a pan cadin h a am igável n o dorso. Com tal
pan cadin h a, Ulisses desequ ilibrou -se m esm o e caiu n o m eio do ch ão, m as logo
se levan tou e desatou a correr com o doido pelos cam pos fora. O ciclope
percebeu qu e algu ém se tin h a escapado, e ia a com eçar a correr atrás dos
passos qu e ou via, qu an do h esitou ... pois se lem brou dos h om en s qu e estavam
lá den tro. Preferiu perder este e apoderar-se dos ou tros todos. Ele n ão sabia, é
claro, qu e já n en h u m h om em estava den tro da cavern a, e qu e tin h am saído
atados à barriga dos animais do seu rebanho ...
Qu an do percebeu qu e n ão h avia h om en s den tro da cavern a, e qu e tin h a
portan to sido en gan ado, n ão sabia com o, Polifem o dirigiu -se em gran des
passadas e com gran des gritos em direcção ao m ar, para on de tam bém os
marinheiros, já soltos entretanto por Ulisses, se dirigiam correndo.
O ciclope avançava a v a n ç a v a a v a n ç a v a a v a n ç a
v a.
Os marinheiros corriam como cavalos bravos.Rápidos ,rápidos,
alcançaram o navio, subiram e afastaram-se mesmo a tempo ... deixando o
ciclope aos urros no meio da praia, desesperado de os ter deixado escapar, e
clamando : «Ninguém! Ninguém! Ninguém!»
-Ufff-disse Ulisses.-Que cansado estou, de tantas emoções! Vou dormir um
pouco.
Deitou-se e adormeceu.
Menéres, Maria Alberta; Ulisses, Edições ASA(33ª edição),pp16 a36
Ulisses16a36
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Ulisses16a36

  • 1. A Ciclópia Ch eios de sau dades, os gregos m eteram -se n os barcos e dirigiram -se para as su as terras. Ulisses lem brava-se de Pen élope e do filh o qu e deixara tão pequenino. Reuniu-se com qu aren ta valen tes m arin h eiros e lá foram n u m belo n avio em direcção a Ítaca. Os Gregos eram u m povo de m arin h eiros destem idos. Eles cruzavam os m ares, tal com o ,os Fen ícios, os Cartagin eses, e m ais tarde n ós, os Portugueses. Agora em plen o m ar, Ulisses só pen sa em regressar à pátria. Mal ele sabe que só lá chegará daí a muitos anos .. Lá iam a cam in h o de Ítaca, pelo m ar fora, ven cen do ven to e ven to através de onda e onda. De sú bito com eçaram a n otar qu e o n avio estava a ser arrastado por u m a estran h a corren te su bm arin a qu e os ia levan do para on de eles n ão qu eriam ir. E de tal m an eira qu e se acaso obrigassem o n avio a segu ir a direcção qu e pretendiam, este corria o risco de se virar. Então Ulisses decidiu: -Não vale a pen a resistirm os agora. Deixem o-n os ir n esta corren te, e quando ela abrandar retomaremos o rumo de Ítaca. Assim fizeram. Mas a corrente não abrandava nunca. Aumentava aumentava aumentava ...
  • 2. J á iam lon ge de tu do, m esm o de en con tro ao descon h ecido. Com eçaram a avistar terra: era u m a ilh a on de o n avio calm am en te aportou . Aí já a corren te misteriosa abrandara. Ulisses olhou em volta e de repente deu um grande grito: -Ai, meus amigos, onde nós viemos parar! -Onde foi? Onde foi?-perguntaram os marinheiros aflitos. ' -Olhem, viemos parar à Ciclópia, às ilhas da Ciclópia. Mas esperem, que ... se não me engano, tivemos uma sorte espantosa! -Uma sorte espantosa?!-admíraram-se os marinheiros. -Sim-explicou Ulisses.-Aqu i é realm en te o arqu ipélago da Ciclópia. Tu do n este lu gar é gigan tesco, é ciclópico: os an im ais, as plan tas, as pedras ... Os seu s h abitan tes são os ciclopes, espécie de gigan tes com u m só olh o n o m eio da testa, e que são devoradores de homens ... -Devoradores de homens?!-gritaram os marinheiros, espavoridos. -Sim , m as acalm em -se, porqu e esta é a ú n ica ilh a desabitada. J á aqu i passei uma vez ao largo, e sei isso muito bem. Todos sossegaram en tão u m pou co, e com o realm en te n ão aparecesse n in gu ém por ali, resolveram sair e ir apan h ar algu m a fru ta fresca, beber águ a pura! Aventuraram-se também a percorrer a ilha deserta. Mas antes de saírem, Ulisses lem brou qu e era m elh or levarem u m pequ en o barril de vin h o qu e traziam n o n avio, pois podia apetecer-lhes. Assim fizeram. Com eçaram a explorar a ilh a, todos con ten tes e cada vez mais descansados. A certa altu ra, depois de terem su bido u m a pequ en a colin a, ao descerem a verten te do lado de lá viram -se de repen te n o m eio de u m en orm e reban h o de ovelh as, cabras e carn eiros. E o
  • 3. pior de tu do é qu e avistaram m esm o n o m eio do reban h o, sen tado n u m rochedo altíssimo, um ciclope formidável! Ele estava tão en tretido a aparar u m tron co de árvore para fazer u m a flauta, como é hábito os pastores fazerem de palhinhas, que nem deu por eles. Apavorados, qu iseram fu gir. Mas era tarde, pois se ten tassem voltar para trás e o ciclope os visse, o qu e era qu ase in evitável, n em u m bocadin h o se lh es aproveitava! Esconderam-se então no meio do rebanho, e como reparassem que ali ao lado h avia u m a en trada de u m a gru ta en orm e, para lá se dirigiram todos rastejando com muita cautela para o monstro não os ver. Ch egaram à gru ta e lá den tro respiraram . Pelo m en os por u n s tem pos estavam a salvo, pois o ciclope não os tinha pressentido Agora pergu n to-vos eu : E os ciclopes, existem ? Os ciclopes existiam , sim , mas na imaginação dos primeiros marinheiros. Eles não conheciam bem o mar, acreditavam em corren tes m isteriosas, em deu ses qu e protegiam ou persegu iam os h om en s, em m on stros, em sereias qu e en can tavam com a su a voz doce ... In ven tavam razões para os n au frágios, deixavam correr livremente a su a im agin ação! O ciclope era para os Gregos destes tem pos o m esm o qu e o gigan te Adam astor foi para os Portu gu eses: du as im agen s criadas por dois poetas, Homero e Camões, para nos falar do medo do desconhecido. Mas voltem os a Ulisses e aos seu s com pan h eiros. Lá den tro da gru ta combin aram qu e ao com eçar a cair a n oite se escapariam em direcção ao n avio e fugiriam dali a sete pés, porque afinal aquela ilha também era habitada, e por UM CICLOPE enorme! Ulisses pen sava: «Com o é possível h aver aqu i u m ciclope? O qu e terá acontecido? Muito eu gostava de saber!» Ele realm en te n ão sabia o qu e eu vos vou con tar: Ulisses tin h a razão qu an do pen sara qu e ali n ão h avia ciclopes, pois eles h abitavam m esm o em todas as ou tras ilh as do seu arqu ipélago da Ciclópia. Mas h avia en tre eles u m que era mais forte do que todos mais cruel do que todos mais bravo do que todos e que era o terror!!!!! de todos. Chamava-se Polifemo e tinha um mau génio
  • 4. horrível. Zangava -se por tudo e por nada, e depois dava murros para a esquerda, murros para a direita, e já só h avia por aqu elas paragen s ciclopes de cabeças partidas, braços ao peito, pernas cheias de nódoas negras , sem dentes - um horror! É verdade que o Polifemo depois arrependia-se, mas o mal já estava feito. Então os ciclopes tinham-se reunido e dito para o Polifemo: -Olh a, o m elh or é tu viveres sozin h o. Nós levam os-te o reban h o para aquela ilha deserta de além, e tu vives lá. Assim foi. Todas as noites se ouvia: -Estás bom, Polifemo? -Estou. E vocês? -Estamos bem. Boa noite! -Boa noite! E pron to: já n ão h avia desorden s n em lágrim as. E assim viviam já h á u n s tempos perfeitamente em paz de ciclopes. Ora, foi este Polifemo que os nossos amigos foram encontrar ali. Mas voltan do à h istória: já era qu ase n oite, e Ulisses e os seu s companheiros resolveram abandonar a gruta e correr até ao navio. Precisam en te n o m om en to em qu e com eçavam a sair, eis qu e com eçaram a en trar as ovelh as, as cabras, os carn eiros ... e o Polifem o. Só tiveram tem po para se escon der atrás deste ou daqu ele pedregu lh o, dos m u itos qu e h avia espalhados por ali. Calcu lem on de eles tin h am ido parar: à própria cavern a on de m orava o ciclope! Qu an do o Polifem o en trou , trazia u m veado m orto às costas, qu e ele tin h a apan h ado para a su a ceia. Nem reparou n os h om en s. Foi orden h ar as ovelh as e as cabras, gu ardou o leite em gran des vasilh as, e depois foi acen der u m a fogueira no meio da gruta, e nela pôs o veado a assar. Depois, cansado, sentou- se ali no chão.
  • 5. De repen te-o qu e viu ele? Som bras de h om en s dan çan do n a parede m esm o n a su a fren te, som bras de h om en s qu e se escon diam en tre a fogu eira e a parede ... Deu um salto e começou a gritar: «HOMENS ... HOMENS ... HOMENS ... » Pegou n u m gran de pedregu lh o e com ele tapou a en trada da gru ta. Depois com eçou a agarrar u m h om em , ou tro h om em , e a en goli- los inteiros! E mais outro, e mais outro ... Os m arin h eiros com eçaram a gritar apavorados, e a correr doidam en te pela gru ta em todas as direcções, e m ais facilm en te ele os ia apan h an do a u m e a ou tro. Os fortes m arin h eiros pareciam bon ecos n as su as m ãos bru tais, ou u vas qu e com os seus dedos peludos ele ia colhendo e depois engolindo sofregamente. Ulisses trem ia de m edo e en colh ia-se n o seu escon derijo. O pân ico tom ava conta dos marinheiros e parecia não haver salvação para nenhum. Já uns nove homen s tin h am desaparecido n as goelas do m on stro e já este com eçava a n ão querer agarrá-los ... Agora já muito empanturrado, só queria era dormir. Dirigiu-se pesadamente para um canto da caverna e ali se sentou. Ulisses, quando o viu mais calmo, saiu do seu esconderijo para lhe falar. E a conversa desenrolou-se assim: ULISSES-Ou ve lá, ou ve lá, n ão m e com as, n ão m e com as, qu e eu qu ero falar contigo. POLIFEMO-O qu e é que tu me queres, pigmeu? ULISSES-Bem ... tu já com este tan ta carn e humana, com certeza deves sentir sede ... POLIFEMO-Sede?! Ten h o, ten h o sede ... Mas
  • 6. se ju lgas qu e vou bu scar águ a lá fora para vocês se escaparem daqu i, estás muito enganado! ULISSES-Não é n ada disso. É qu e eu ten h o ali u m vin h o m u ito bom para ti, mas só to dou a beber se me fizeres um favor ... POLIFEMO-Vinho?! Que é isso? ULISSES-É uma bebida muito agradável. Queres experimentar? POLIFEMO-Quero. E que favor é que tu vais pedir-me? ULISSES-Que nos deixes sair daqui vivos estes poucos que somos já ... POLIFEMO-Olha que ideia! Esse favor não te faço eu. Mas prom eto fazer-te u m favor qu e te digo qu al é depois de beber o vin h o. Dá-me lá esse tal vinho! DÁ-ME ESSE VINHO JÁ, JÁ .... Ulisses m an dou logo qu e trou xessem o barril de vin h o e o esten dessem ao ciclope, qu e o pôs à boca e deu m u itos estalin h os com a lín gu a e bebeu tu do até à última gota! POLIFEMO-Isto é bom , m u ito bom m esm o. Foste sim pático para m im e por isso vou fazer-te o favor qu e te prom eti. Sabes qu al é? Tu vais ser o ú ltim o de vocês todos que eu vou comer! ULISSES-O quê? Isso é verdade? Então tu tencionas comer-nos a todos? E ele e os ou tros m arin h eiros com eçaram a gritar, a ch orar, a pedir em altos brados socorro aos seus deuses. Ulisses, n o en tan to, resolveu ver se con segu ia ain da algu m a coisa do ciclope, e com eçou a con versar de n ovo com ele. Pergu n tou -lh e por qu e razão se en con trava ele ali sozin h o n aqu ela ilh a, e com o se ch am ava. O gigan te contou-lh e tu do e disse qu e se ch am ava Polifem o. E depois foi a vez de ele pergu n tar a Ulisses com o é qu e ele se ch am ava. Ora Ulisses n u n ca dizia qu em era, n u n ca gostava de dizer o seu n om e, e prin cipalm en te n u m a ocasião daqu elas, em qu e com toda a razão se via perdido tão desgraçadam en te ... Qu e ao menos nunca ninguém soubesse o triste fim que Ulisses, o herói, tinha tido! En tão ali de repen te ten tou lem brar-se de u m n om e qu alqu er para enganar o ciclope, um nome qualquer um nome qualquer um nome qualquer um nome qualquer
  • 7. u m n om e qu alqu er u m n om e qu alquer - m as a aflição era tão gran de qu e não se lembrava de nenhum! Polifemo começava a ficar irritado, a ficar furioso: -Então não sabes como te chamas? Como te chamas? COMO TE CHAMAS? COMO TE CHAMAS??? Ulisses, de cabeça perdida, só lh e sou be respon der: -Com o m e ch am o? Como me chamo? Sei lá. Olha, espera, chamo-me ... Ninguém. POLIFEMO-Nin gu ém ?! Qu e diabo de n om e te deram , pigm eu ! Por isso tu não o querias dizer. E tinhas razão, lá isso tinhas! Olha que ideia, Ninguém ... E en tão de repen te a cabeça caiu -lh e sobre o peito e adorm eceu profundamente. Ulisses e os com pan h eiros reu n iram -se logo n o m eio da cavern a e com bin aram o qu e h aviam de fazer. O pedregu lh o qu e tapava a en trada era m u ito pesado e n ão con segu iram sequ er m ovê-lo u m cen tím etro. Se m atassem o gigan te, acabariam por ficar ali fech ados para sem pre. Mas se con segu issem que fosse o próprio gigante a afastar o pedregulho... E como? Bom , prim eiro resolveram retem perar as forças perdidas após tan tos su stos e tan ta aflição. Acabaram de assar o veado e com eram -n o, beberam o leite das ovelh as e das cabras e descan saram u m pou co. Depois pegaram n u m tronco de árvore fina que ali encontraram afiaram-no muito bem na ponta. Nas cin zas da fogu eira torn aram essa pon ta in can descen te. E en tão, todos u m a à u m a, apon tan do a pon ta arden te n a direcção do único olh o do gigan te adorm ecido, exclam aram UM ... DOIS ... TRÊS! E espetaram o tron co n o olh o mesmo a meio da testa!
  • 8. O ciclope acordou aos u rros, e m ais fu rioso ficou qu an do percebeu qu e estava cego! Dava pulos tão grandes que batia com a cabeça no tecto Ainda matou alguns homens com esta sua fúria. No meio da noite cerrada, os seus urros e gritos ecoavam de uma forma tremenda. Ele atroava os ares: -Acudam, meus irmãos! Acudam, meus irmãos! Os ciclopes das ou tras ilh as acordaram estrem u n h ados e disseram u n s para os outros: -É o Polifem o qu e está a ch am ar por n ós, e está a pedir socorro. Tem os de ir lá ver o que é, temos de lhe acudir! E levan taram -se todos, e deitaram -se todos ao m ar, e ch egaram todos à porta da gru ta on de m orava o Polifem o. Ch egaram escorren do águ a e frio e ansiedade. Disse um:-Metemos o pedregulho dentro! Respon deram os ou tros:-Não, n ão. Olh a qu e ele pode estar com u m dos seu s ataqu es de m au gén io e n ós é qu e sofrem os. Vam os pergu n tar o qu e lh e está acontecendo, e depois veremos. E assim fizeram. A conversa que se seguiu foi esta: -Ó Polifemo, o que tens? -Ai meus irmãos, acudam-me, acudam-me! -O que foi, Polifemo?
  • 9. -Ai meus irmãos, acudam! Ninguém quer matar-me ... -Pois não, Polifemo, ninguém te quer matar. - Não é isso, seu s palerm as! O qu e eu estou a dizer é qu e Nin gu ém está aqui e Ninguém quer matar-me! -Pois é, rapaz! É o qu e n ós estam os a perceber m u ito bem : n in gu ém está aqui e ninguém te quer matar. .. -Não é isso, seus idiotas!. .. E n ão h avia m an eira de se en ten derem u n s com os ou tros. Qu an do os ciclopes perceberam qu e o Polifem o estava já m u ito zan gado, dizen do sem pre aquelas mesmas coisas que eles já tinham ouvido, escorrendo ainda água e frio se foram retiran do para as su as cavern as das ou tras ilh as, com en tan do en tre si: «Ora esta! Qu e ideia, n o m eio da n oite cerrada acordar-n os assim para n os dizer qu e n in gu ém estava lá e n in gu ém o qu eria m atar... Coitado! Com certeza estava com alguma dor de dentes!» E lá se foram todos em bora para as su as cavern as lon ge. Ulisses estava radian te por ter tido aqu ela boa ideia de dizer qu e se ch am ava Nin gu ém . Em bora en tretan to tivesse sofrido u m en orm e su sto ao sen tir ali tão perto tantos ciclopes... Mas com o h aviam eles de sair dali? Polifem o con tin u ava a su a lam ú ria, agora m ais calm o: «Não h á direito! Fazerem -m e isto a m im , qu e sou tão bon zin h o! Pois deixem estar, qu e am an h ã n em u m só h om em sairá desta caverna. Só o meu rebanho é que sai!» Qu an do Ulisses ou viu isto, teve u m a ideia: atar cada com pan h eiro seu por baixo de cada ovelh a, para assim n o dia segu in te qu an do o reban h o aban don asse a cavern a, os h om en s a aban don arem tam bém sem perigo. E assim foi. Para ele, por n ão se poder atar a si próprio, gu ardou o carn eiro m ais lan zu do do reban h o a fim de se agarrar à su a lã qu an do passasse ju n to do Polifemo. No dia segu in te, às apalpadelas, Polifem o retirou o pedregu lh o da en trada da gru ta e pôs-se logo do lado de fora da abertu ra, de m an eira a im pedir a saída de qu alqu er h om em qu e ten tasse fu gir. Ch am ou o reban h o, e afagan do o dorso de cada an im al qu e saía, n ão reparava, pois estava cego, qu e debaixo de cada um seguia um marinheiro grego ...
  • 10. Só já faltava Ulisses, agarrado com u n h as e den tes à lã com prida do carneiro velho! Ora acon tecia qu e este carn eiro era o preferido do Polifem o, qu e dem orou ali u m bocadin h o a con versar com ele, qu eixan do-se do qu e lh e tin h am feito, com o se o carn eiro o pu desse com preen der. Ulisses, em difícil equilíbrio, qu ase a despren der-se, qu ase a cair, fazia m il esforços para se agu en tar n aqu ela incómoda posição. E o Polifemo falando, falando ... Até que se resolveu a deixar sair o carn eiro e deu -lh e u m a pan cadin h a am igável n o dorso. Com tal pan cadin h a, Ulisses desequ ilibrou -se m esm o e caiu n o m eio do ch ão, m as logo se levan tou e desatou a correr com o doido pelos cam pos fora. O ciclope percebeu qu e algu ém se tin h a escapado, e ia a com eçar a correr atrás dos passos qu e ou via, qu an do h esitou ... pois se lem brou dos h om en s qu e estavam lá den tro. Preferiu perder este e apoderar-se dos ou tros todos. Ele n ão sabia, é claro, qu e já n en h u m h om em estava den tro da cavern a, e qu e tin h am saído atados à barriga dos animais do seu rebanho ... Qu an do percebeu qu e n ão h avia h om en s den tro da cavern a, e qu e tin h a portan to sido en gan ado, n ão sabia com o, Polifem o dirigiu -se em gran des passadas e com gran des gritos em direcção ao m ar, para on de tam bém os marinheiros, já soltos entretanto por Ulisses, se dirigiam correndo. O ciclope avançava a v a n ç a v a a v a n ç a v a a v a n ç a v a. Os marinheiros corriam como cavalos bravos.Rápidos ,rápidos, alcançaram o navio, subiram e afastaram-se mesmo a tempo ... deixando o ciclope aos urros no meio da praia, desesperado de os ter deixado escapar, e clamando : «Ninguém! Ninguém! Ninguém!» -Ufff-disse Ulisses.-Que cansado estou, de tantas emoções! Vou dormir um pouco. Deitou-se e adormeceu. Menéres, Maria Alberta; Ulisses, Edições ASA(33ª edição),pp16 a36
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