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Márcia Oliveira
A vidraça e os lençóis 
Um casal, recém-casado, mudou-se para um bairro muito tranqüilo. Na primeira manhã que passavam 
na casa, enquanto tomavam café, a mulher reparou através da janela em uma vizinha que pendurava 
lençóis no varal e comentou com o marido: 
- Que lençóis sujos ela está pendurando no varal! Está precisando de um sabão novo! Se eu tivesse 
intimidade perguntaria se ela quer que eu a ensine a lavar as roupas! 
O marido a tudo escutava, calado. 
Alguns dias depois, novamente, durante o café da manhã, a vizinha pendurava lençóis no varal e a 
mulher comentou com o marido: 
- Nossa vizinha continua pendurando os lençóis sujos! Se eu tivesse intimidade, perguntaria se ela quer 
que eu a ensine a lavar as roupas! 
E assim, a cada dois ou três dias, a mulher repetia seu discurso, enquanto a vizinha pendurava suas 
roupas no varal. 
Passado um mês, a mulher se surpreendeu ao ver os lençóis muito brancos sendo estendidos e, toda 
empolgada, foi dizer ao marido: 
- Veja, ela aprendeu a lavar as roupas! Será que a outra vizinha a ensinou? Porque eu não fiz nada! 
O marido calmamente respondeu: 
- Não, hoje eu levantei mais cedo e lavei os vidros da nossa janela! 
Moral 
E assim é. Tudo depende da janela, através da qual observamos os fatos. 
Antes de condenar, verifique se você fez alguma coisa para contribuir; 
depois, verifique seus próprios defeitos e limitações. E, se necessitar, não se acanhe: lave sua vidraça. 
Você jamais será o único a ter de fazê-lo...
Tipologia e gêneros textuais
TIPOS DE TEXTOS 
De acordo com as diferentes situações de uso, os enunciados se 
organizam e se agrupam em tipos, conforme a finalidade da 
comunicação. Quando um indivíduo utiliza a língua para se comunicar, 
sempre o faz por meio de um tipo de texto, conscientemente ou não. 
Nesse sentido, a língua se realiza por enunciados, orais ou escritos, 
previamente dominados pelo indivíduo. Caso não fosse assim, a 
comunicação se tornaria praticamente inviável. 
Quando estabelecemos tipologias claras e concisas para os textos, 
fica mais fácil interpretar e produzir textos que circulam em um 
determinado ambiente social. Por exemplo: ao nos depararmos com o 
texto a seguir, à primeira vista já sabemos que se trata de uma 
receita. Pela forma e pela distribuição do texto no papel, 
identificamos a parte dos ingredientes e a parte do “modo de fazer”. 
Isso nos prepara para a leitura e, consequentemente, para a 
interpretação. Veja:
Tipologia e gêneros textuais
Existem muitas formas de classificar os textos de acordo com seus 
tipos. A cada época da produção textual da humanidade, novas 
classificações vão surgindo. Isso por causa das novas tecnologias que 
aparecem ao longo dos anos. Na primeira metade do século XX, por 
exemplo, não se pensava em textos como e-mail, blog ou homepage. 
Alguns pesquisadores classificam os tipos de acordo com sua funcionalidade. 
Vejamos: 
Textos literários conto; novela; obra teatral; poema 
Textos jornalísticos 
notícia; artigo de opinião; reportagem; 
entrevista 
Textos de informação científica 
definição; nota de enciclopédia; relato de 
experimento científico; monografia; 
biografia 
Textos instrucionais receita; instrutivo 
Textos epistolares carta; solicitação 
Textos humorísticos história em quadrinhos 
Textos publicitários aviso; folheto; cartaz; outdoor
Todos os textos que produzimos, orais ou escritos, apresentam um 
conjunto de características relativamente estáveis, tenhamos ou não 
consciência delas. Essas características configuram diferentes textos ou 
GÊNEROS DO DISCURSO, que podem ser caracterizados por três 
aspectos básicos: tema, modo composicional (a estrutura) e o estilo ( usos 
específicos da língua). 
Os gêneros do discurso são inúmeros. Vejamos alguns a partir do estudo 
da tipologia.
TEXTO NARRATIVO 
Esta é uma modalidade textual em que se conta um fato, fictício 
ou real, ocorrido num determinado tempo e lugar, envolvendo certos 
personagens. Há uma relação de anterioridade e posterioridade. O 
tempo verbal predominante é o pretérito perfeito e mais-que-perfeito. 
Em geral, a narrativa se desenvolve na prosa. O narrar surge da 
busca de transmitir, de comunicar qualquer acontecimento ou 
situação. A narração em primeira pessoa pressupõe a participação do 
narrador ( narrador personagem) e em terceira pessoa mostra o que 
ele viu ou ouviu ( narrador observador ). 
Na narração encontramos ainda os personagens ( principais ou 
secundários ), o espaço ( cenário) e o tempo da narrativa. 
Exemplos: conto, fábula, crônica, reportagem, relato, romance, 
piada, anedota, novela, etc.
No texto narrativo, os fatos são vividos por personagens em determinado 
lugar e tempo. Além disso, há um narrador que assume duas perspectivas 
básicas diante do texto agindo como uma personagem ou como um mero 
observador. Leia o texto abaixo: 
O Coveiro 
Millôr Fernandes 
Ele foi cavando, cavando, cavando, pois sua profissão - coveiro - era cavar. Mas, de 
repente, na distração do ofício que amava, percebeu que cavara demais. Tentou sair da 
cova e não conseguiu. Levantou o olhar para cima e viu que sozinho não conseguiria sair. 
Gritou. Ninguém atendeu. Gritou mais forte. Ninguém veio. Enrouqueceu de gritar, 
cansou de esbravejar, desistiu com a noite. Sentou-se no fundo da cova, desesperado. A 
noite chegou, subiu, fez-se o silêncio das horas tardias. Bateu o frio da madrugada e, na 
noite escura, não se ouviu um som humano, embora o cemitério estivesse cheio de pipilos 
e coaxares naturais dos matos. Só pouco depois da meia-noite é que vieram uns passos. 
Deitado no fundo da cova o coveiro gritou. Os passos se aproximaram. Uma cabeça ébria 
apareceu lá em cima, perguntou o que havia: O que é que há? 
O coveiro então gritou, desesperado: Tire-me daqui, por favor. Estou com um frio 
terrível! Mas, coitado! - condoeu-se o bêbado - Tem toda razão de estar com frio. 
Alguém tirou a terra de cima de você, meu pobre mortinho! E, pegando a pá, encheu-a e 
pôs-se a cobri-lo cuidadosamente. 
Reflexão: Nos momentos graves é preciso verificar muito bem para quem se apela.
TEXTO DESCRITIVO 
A descrição usa um tipo de texto em que se faz um retrato falado de uma 
pessoa, animal, objeto ou lugar. A classe de palavras mais utilizada nessa 
produção é o adjetivo, pela sua função caracterizadora, dando ao leitor uma 
grande riqueza de detalhes. 
A descrição, ao contrário da narração, não supõe ação. É uma estrutura 
pictórica, em que os aspectos sensoriais predominam. Assim como o pintor 
capta o mundo exterior ou interior em suas telas, o autor de uma descrição 
focaliza cenas ou imagens, conforme o permita sua sensibilidade. 
Predominam na descrição a adjetivação, o presente e o pretérito 
imperfeito. 
Quanto à descrição de pessoas, podemos atribuir-lhes características 
físicas ou psicológicas. 
Exemplos: cardápio, folheto turístico, anúncio classificado, etc.
Exemplo de texto descritivo 
A casa era grande, branca e antiga. Em sua frente havia um pátio quadrado. À 
direita havia um laranjal onde noite e dia corria uma fonte. À esquerda era o 
jardim de buxo, úmido e sombrio, com suas camélias e seus bancos de azulejo. 
A meio da fachada que dava para o pátio havia uma escada de granito coberta 
de musgo. Em frente dessa escada, do outro lado do pátio, ficava o grande 
portão que dava para a estrada. A parte de trás da casa era virada ao poente 
e das suas janelas debruçadas sobre pomares e campos via-se o rio que 
atravessa a várzea verde e viam-se ao longe os montes azulados cujos cimos 
em certas tardes ficavam roxos. Nas vertentes cavadas em socalco crescia a 
vinha. À direita, entre a várzea e os montes, crescia a mata, a mata carregada 
de murmúrios e perfumes e que os Outonos tornavam doirada. 
Sophia de Mello Breyner Andresen, O Jantar do Bispo Calisto
DISSERTAR é o mesmo que desenvolver ou explicar um assunto, discorrer 
sobre ele. Dependendo do objetivo do autor, pode ter caráter expositivo ou 
argumentativo. 
TEXTO DISSERTATIVO 
Neste tipo de texto há posicionamentos pessoais e exposição de ideias. 
Tem por base a argumentação, apresentada de forma lógica e coerente a fim 
de defender um ponto de vista. Assim, a dissertação consiste na ordenação e 
exposição de um determinado assunto. É a nossa conhecida “redação” de 
cada dia. É a modalidade mais exigida nos concursos, já que exige dos 
candidatos um conhecimento de leitura do mundo, como também um bom 
domínio da norma culta. 
Está estruturada basicamente assim: 
1. Ideia principal ( introdução ) 
2. Desenvolvimento ( argumentos e aspectos que o tema envolve ) 
3. Conclusão ( síntese da posição assumida )
DISSERTATIVO-EXPOSITIVO 
Apresenta um saber já construído e legitimado, ou um saber teórico. 
Apresenta informações sobre assuntos, expõe, reflete, explica e avalia 
ideias de modo objetivo. O texto expositivo apenas expõe ideias sobre um 
determinado assunto. A intenção é informar, esclarecer. 
Exemplos: aula, resumo, textos científicos, enciclopédia, textos 
expositivos de revistas e jornais, etc. 
DISSERTATIVO-ARGUMENTATIVO 
Um texto dissertativo-argumentativo faz a defesa de ideias ou um ponto de 
vista do autor. O texto, além de explicar, também persuade o interlocutor, 
objetivando convencê-lo de algo. Caracteriza-se pela progressão lógica de 
ideias. Geralmente utiliza linguagem denotativa. É tipo predominante em: 
sermão, ensaio, monografia, dissertação, tese, ensaio, manifesto, 
crítica, editorial de jornais e revistas.
Sou contra a redução da maioridade penal 
A brutalidade cometida contra os dois jovens em São Paulo reacendeu a fogueira da redução 
da idade penal. A violência seria resultado das penas que temos previstas em lei ou do sistema de 
aplicação das leis? É necessário também pensar nos porquês da violência já que não há um único 
crime. 
De qualquer forma, um sistema socioeconômico historicamente desigual e violento só pode 
gerar mais violência. Então, medidas mais repressivas nos dão a falsa sensação de que algo está 
sendo feito, mas o problema só piora. Por isso, temos que fazer as opções mais eficientes e mais 
condizentes com os valores que defendemos. Defendo uma sociedade que cometa menos crimes e 
não que puna mais. Em nenhum lugar do mundo houve experiência positiva de adolescentes e adultos 
juntos no mesmo sistema penal. Fazer isso não diminuirá a violência e formará mais quadros para o 
crime. Além disso, nosso sistema penal como está não melhora as pessoas, ao contrário, aumenta 
sua violência. 
O Brasil tem 400 mil trabalhadores na segurança pública e 1,5 milhão na segurança privada 
para uma população que supera 171 milhões de pessoas. O problema não está só na lei, mas na 
capacidade para aplicá-la. Sou contra a redução da idade penal porque tenho certeza que ficaremos 
mais inseguros e mais violentos. Sou contra porque sei que a possibilidade de sobrevivência e 
transformação destes adolescentes está na correta aplicação do ECA. Lá estão previstas seis 
medidas diferentes para a responsabilização de adolescentes que violaram a lei. Agora não podemos 
esperar que adolescentes sejam capturados pelo crime para, então, querer fazer mau uso da lei. 
Para fazer o bom uso do ECA é necessário dinheiro, competência e vontade.
Sou contra toda e qualquer forma de impunidade. Quem fere a lei deve ser responsabilizado. Mas 
reduzir a idade penal, além de ineficiente para atacar o problema, desqualifica a discussão. Isso é 
muito comum quando acontecem crimes que chocam a opinião pública, o que não respeita a dor das 
vítimas e não reflete o tema seriamente. 
Problemas complexos não serão superados por abordagens simplórias e imediatistas. 
Precisamos de inteligência, orçamento e, sobretudo, um projeto ético e político de sociedade que 
valorize a vida em todas as suas formas. Nossos jovens não precisam ir para a cadeia. Precisam sair 
do caminho que os leva lá. A decisão agora é nossa: se queremos construir um país com mais prisões 
ou com mais parques e escolas. 
O ARTIGO DE OPINIÃO é um texto argumentativo, opinativo, de caráter persuasivo, o 
qual dá ao autor maior liberdade de expressão. É claro que o domínio do assunto 
abordado é imprescindível, além do respeito à linguagem formal. 
Contudo, é um texto em que se observa a presença de ironias, citações intertextuais, 
metáforas, provérbios e explicações diversas sobre o ponto de vista do autor em relação 
ao tema proposto.
TEXTO INJUNTIVO/INSTRUCIONAL 
Este tipo de texto indica como realizar uma determinada ação. Ele 
normalmente pede, manda ou aconselha. Utiliza linguagem direta, objetiva e 
simples. Os verbos são, na sua maioria, empregados no modo imperativo. 
Bons exemplos deste tipo de texto são receitas médicas, receitas 
culinárias, manuais e instruções para montagem ou uso de aparelhos e 
instrumentos, ordens, pedidos, textos com regras de comportamento, 
textos de orientação (ex: recomendações de trânsito, cartões com votos e 
desejos (de natal, aniversário, etc.). 
PREDIÇÃO 
Caracterizado por predizer algo ou levar o interlocutor a crer em alguma 
coisa, a qual ainda estar por ocorrer. É o tipo predominante nos gêneros: 
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Tipologia e gêneros textuais

  • 2. A vidraça e os lençóis Um casal, recém-casado, mudou-se para um bairro muito tranqüilo. Na primeira manhã que passavam na casa, enquanto tomavam café, a mulher reparou através da janela em uma vizinha que pendurava lençóis no varal e comentou com o marido: - Que lençóis sujos ela está pendurando no varal! Está precisando de um sabão novo! Se eu tivesse intimidade perguntaria se ela quer que eu a ensine a lavar as roupas! O marido a tudo escutava, calado. Alguns dias depois, novamente, durante o café da manhã, a vizinha pendurava lençóis no varal e a mulher comentou com o marido: - Nossa vizinha continua pendurando os lençóis sujos! Se eu tivesse intimidade, perguntaria se ela quer que eu a ensine a lavar as roupas! E assim, a cada dois ou três dias, a mulher repetia seu discurso, enquanto a vizinha pendurava suas roupas no varal. Passado um mês, a mulher se surpreendeu ao ver os lençóis muito brancos sendo estendidos e, toda empolgada, foi dizer ao marido: - Veja, ela aprendeu a lavar as roupas! Será que a outra vizinha a ensinou? Porque eu não fiz nada! O marido calmamente respondeu: - Não, hoje eu levantei mais cedo e lavei os vidros da nossa janela! Moral E assim é. Tudo depende da janela, através da qual observamos os fatos. Antes de condenar, verifique se você fez alguma coisa para contribuir; depois, verifique seus próprios defeitos e limitações. E, se necessitar, não se acanhe: lave sua vidraça. Você jamais será o único a ter de fazê-lo...
  • 4. TIPOS DE TEXTOS De acordo com as diferentes situações de uso, os enunciados se organizam e se agrupam em tipos, conforme a finalidade da comunicação. Quando um indivíduo utiliza a língua para se comunicar, sempre o faz por meio de um tipo de texto, conscientemente ou não. Nesse sentido, a língua se realiza por enunciados, orais ou escritos, previamente dominados pelo indivíduo. Caso não fosse assim, a comunicação se tornaria praticamente inviável. Quando estabelecemos tipologias claras e concisas para os textos, fica mais fácil interpretar e produzir textos que circulam em um determinado ambiente social. Por exemplo: ao nos depararmos com o texto a seguir, à primeira vista já sabemos que se trata de uma receita. Pela forma e pela distribuição do texto no papel, identificamos a parte dos ingredientes e a parte do “modo de fazer”. Isso nos prepara para a leitura e, consequentemente, para a interpretação. Veja:
  • 6. Existem muitas formas de classificar os textos de acordo com seus tipos. A cada época da produção textual da humanidade, novas classificações vão surgindo. Isso por causa das novas tecnologias que aparecem ao longo dos anos. Na primeira metade do século XX, por exemplo, não se pensava em textos como e-mail, blog ou homepage. Alguns pesquisadores classificam os tipos de acordo com sua funcionalidade. Vejamos: Textos literários conto; novela; obra teatral; poema Textos jornalísticos notícia; artigo de opinião; reportagem; entrevista Textos de informação científica definição; nota de enciclopédia; relato de experimento científico; monografia; biografia Textos instrucionais receita; instrutivo Textos epistolares carta; solicitação Textos humorísticos história em quadrinhos Textos publicitários aviso; folheto; cartaz; outdoor
  • 7. Todos os textos que produzimos, orais ou escritos, apresentam um conjunto de características relativamente estáveis, tenhamos ou não consciência delas. Essas características configuram diferentes textos ou GÊNEROS DO DISCURSO, que podem ser caracterizados por três aspectos básicos: tema, modo composicional (a estrutura) e o estilo ( usos específicos da língua). Os gêneros do discurso são inúmeros. Vejamos alguns a partir do estudo da tipologia.
  • 8. TEXTO NARRATIVO Esta é uma modalidade textual em que se conta um fato, fictício ou real, ocorrido num determinado tempo e lugar, envolvendo certos personagens. Há uma relação de anterioridade e posterioridade. O tempo verbal predominante é o pretérito perfeito e mais-que-perfeito. Em geral, a narrativa se desenvolve na prosa. O narrar surge da busca de transmitir, de comunicar qualquer acontecimento ou situação. A narração em primeira pessoa pressupõe a participação do narrador ( narrador personagem) e em terceira pessoa mostra o que ele viu ou ouviu ( narrador observador ). Na narração encontramos ainda os personagens ( principais ou secundários ), o espaço ( cenário) e o tempo da narrativa. Exemplos: conto, fábula, crônica, reportagem, relato, romance, piada, anedota, novela, etc.
  • 9. No texto narrativo, os fatos são vividos por personagens em determinado lugar e tempo. Além disso, há um narrador que assume duas perspectivas básicas diante do texto agindo como uma personagem ou como um mero observador. Leia o texto abaixo: O Coveiro Millôr Fernandes Ele foi cavando, cavando, cavando, pois sua profissão - coveiro - era cavar. Mas, de repente, na distração do ofício que amava, percebeu que cavara demais. Tentou sair da cova e não conseguiu. Levantou o olhar para cima e viu que sozinho não conseguiria sair. Gritou. Ninguém atendeu. Gritou mais forte. Ninguém veio. Enrouqueceu de gritar, cansou de esbravejar, desistiu com a noite. Sentou-se no fundo da cova, desesperado. A noite chegou, subiu, fez-se o silêncio das horas tardias. Bateu o frio da madrugada e, na noite escura, não se ouviu um som humano, embora o cemitério estivesse cheio de pipilos e coaxares naturais dos matos. Só pouco depois da meia-noite é que vieram uns passos. Deitado no fundo da cova o coveiro gritou. Os passos se aproximaram. Uma cabeça ébria apareceu lá em cima, perguntou o que havia: O que é que há? O coveiro então gritou, desesperado: Tire-me daqui, por favor. Estou com um frio terrível! Mas, coitado! - condoeu-se o bêbado - Tem toda razão de estar com frio. Alguém tirou a terra de cima de você, meu pobre mortinho! E, pegando a pá, encheu-a e pôs-se a cobri-lo cuidadosamente. Reflexão: Nos momentos graves é preciso verificar muito bem para quem se apela.
  • 10. TEXTO DESCRITIVO A descrição usa um tipo de texto em que se faz um retrato falado de uma pessoa, animal, objeto ou lugar. A classe de palavras mais utilizada nessa produção é o adjetivo, pela sua função caracterizadora, dando ao leitor uma grande riqueza de detalhes. A descrição, ao contrário da narração, não supõe ação. É uma estrutura pictórica, em que os aspectos sensoriais predominam. Assim como o pintor capta o mundo exterior ou interior em suas telas, o autor de uma descrição focaliza cenas ou imagens, conforme o permita sua sensibilidade. Predominam na descrição a adjetivação, o presente e o pretérito imperfeito. Quanto à descrição de pessoas, podemos atribuir-lhes características físicas ou psicológicas. Exemplos: cardápio, folheto turístico, anúncio classificado, etc.
  • 11. Exemplo de texto descritivo A casa era grande, branca e antiga. Em sua frente havia um pátio quadrado. À direita havia um laranjal onde noite e dia corria uma fonte. À esquerda era o jardim de buxo, úmido e sombrio, com suas camélias e seus bancos de azulejo. A meio da fachada que dava para o pátio havia uma escada de granito coberta de musgo. Em frente dessa escada, do outro lado do pátio, ficava o grande portão que dava para a estrada. A parte de trás da casa era virada ao poente e das suas janelas debruçadas sobre pomares e campos via-se o rio que atravessa a várzea verde e viam-se ao longe os montes azulados cujos cimos em certas tardes ficavam roxos. Nas vertentes cavadas em socalco crescia a vinha. À direita, entre a várzea e os montes, crescia a mata, a mata carregada de murmúrios e perfumes e que os Outonos tornavam doirada. Sophia de Mello Breyner Andresen, O Jantar do Bispo Calisto
  • 12. DISSERTAR é o mesmo que desenvolver ou explicar um assunto, discorrer sobre ele. Dependendo do objetivo do autor, pode ter caráter expositivo ou argumentativo. TEXTO DISSERTATIVO Neste tipo de texto há posicionamentos pessoais e exposição de ideias. Tem por base a argumentação, apresentada de forma lógica e coerente a fim de defender um ponto de vista. Assim, a dissertação consiste na ordenação e exposição de um determinado assunto. É a nossa conhecida “redação” de cada dia. É a modalidade mais exigida nos concursos, já que exige dos candidatos um conhecimento de leitura do mundo, como também um bom domínio da norma culta. Está estruturada basicamente assim: 1. Ideia principal ( introdução ) 2. Desenvolvimento ( argumentos e aspectos que o tema envolve ) 3. Conclusão ( síntese da posição assumida )
  • 13. DISSERTATIVO-EXPOSITIVO Apresenta um saber já construído e legitimado, ou um saber teórico. Apresenta informações sobre assuntos, expõe, reflete, explica e avalia ideias de modo objetivo. O texto expositivo apenas expõe ideias sobre um determinado assunto. A intenção é informar, esclarecer. Exemplos: aula, resumo, textos científicos, enciclopédia, textos expositivos de revistas e jornais, etc. DISSERTATIVO-ARGUMENTATIVO Um texto dissertativo-argumentativo faz a defesa de ideias ou um ponto de vista do autor. O texto, além de explicar, também persuade o interlocutor, objetivando convencê-lo de algo. Caracteriza-se pela progressão lógica de ideias. Geralmente utiliza linguagem denotativa. É tipo predominante em: sermão, ensaio, monografia, dissertação, tese, ensaio, manifesto, crítica, editorial de jornais e revistas.
  • 14. Sou contra a redução da maioridade penal A brutalidade cometida contra os dois jovens em São Paulo reacendeu a fogueira da redução da idade penal. A violência seria resultado das penas que temos previstas em lei ou do sistema de aplicação das leis? É necessário também pensar nos porquês da violência já que não há um único crime. De qualquer forma, um sistema socioeconômico historicamente desigual e violento só pode gerar mais violência. Então, medidas mais repressivas nos dão a falsa sensação de que algo está sendo feito, mas o problema só piora. Por isso, temos que fazer as opções mais eficientes e mais condizentes com os valores que defendemos. Defendo uma sociedade que cometa menos crimes e não que puna mais. Em nenhum lugar do mundo houve experiência positiva de adolescentes e adultos juntos no mesmo sistema penal. Fazer isso não diminuirá a violência e formará mais quadros para o crime. Além disso, nosso sistema penal como está não melhora as pessoas, ao contrário, aumenta sua violência. O Brasil tem 400 mil trabalhadores na segurança pública e 1,5 milhão na segurança privada para uma população que supera 171 milhões de pessoas. O problema não está só na lei, mas na capacidade para aplicá-la. Sou contra a redução da idade penal porque tenho certeza que ficaremos mais inseguros e mais violentos. Sou contra porque sei que a possibilidade de sobrevivência e transformação destes adolescentes está na correta aplicação do ECA. Lá estão previstas seis medidas diferentes para a responsabilização de adolescentes que violaram a lei. Agora não podemos esperar que adolescentes sejam capturados pelo crime para, então, querer fazer mau uso da lei. Para fazer o bom uso do ECA é necessário dinheiro, competência e vontade.
  • 15. Sou contra toda e qualquer forma de impunidade. Quem fere a lei deve ser responsabilizado. Mas reduzir a idade penal, além de ineficiente para atacar o problema, desqualifica a discussão. Isso é muito comum quando acontecem crimes que chocam a opinião pública, o que não respeita a dor das vítimas e não reflete o tema seriamente. Problemas complexos não serão superados por abordagens simplórias e imediatistas. Precisamos de inteligência, orçamento e, sobretudo, um projeto ético e político de sociedade que valorize a vida em todas as suas formas. Nossos jovens não precisam ir para a cadeia. Precisam sair do caminho que os leva lá. A decisão agora é nossa: se queremos construir um país com mais prisões ou com mais parques e escolas. O ARTIGO DE OPINIÃO é um texto argumentativo, opinativo, de caráter persuasivo, o qual dá ao autor maior liberdade de expressão. É claro que o domínio do assunto abordado é imprescindível, além do respeito à linguagem formal. Contudo, é um texto em que se observa a presença de ironias, citações intertextuais, metáforas, provérbios e explicações diversas sobre o ponto de vista do autor em relação ao tema proposto.
  • 16. TEXTO INJUNTIVO/INSTRUCIONAL Este tipo de texto indica como realizar uma determinada ação. Ele normalmente pede, manda ou aconselha. Utiliza linguagem direta, objetiva e simples. Os verbos são, na sua maioria, empregados no modo imperativo. Bons exemplos deste tipo de texto são receitas médicas, receitas culinárias, manuais e instruções para montagem ou uso de aparelhos e instrumentos, ordens, pedidos, textos com regras de comportamento, textos de orientação (ex: recomendações de trânsito, cartões com votos e desejos (de natal, aniversário, etc.). PREDIÇÃO Caracterizado por predizer algo ou levar o interlocutor a crer em alguma coisa, a qual ainda estar por ocorrer. É o tipo predominante nos gêneros: previsões astrológicas, previsões meteorológicas, previsões escatológicas/apocalípticas. DIALOGAL / CONVERSACIONAL Caracteriza-se pelo diálogo entre os interlocutores. É o tipo predominante nos gêneros: entrevista, conversa telefônica, chat, etc.