UNIVERSIDADE FEDERAL DE CAMPINA GRANDE- UFCG 
CENTRO DE TECNOLOGIA DE RECURSOS NATURAIS- CTRN 
UNIDADE ACADÊMICA DE MINERAÇÃO E GEOLOGIA- UAMG 
CURSO DE ENGENHARIA DE MINAS 
DISCIPLINA: ESTABILIDADE DE ESCAVAÇÕES EM ROCHAS 
II ESTÁGIO: ESCAVAÇÕES 
SUBTERRÂNEAS 
Alunos: Igor Henry Cavalcante de Almeida Mat.: 111110682 
Mozart Manfrinni Dantas de Figueiredo Mat:. 109110672 
Rafael Chagas Silva Mat:. 111110011 
Professor: Alexandre José Buril de Macêdo 
Turma: 01 - Período: 2014.1 
Campina Grande-PB, 31 de julho de 2014
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Suporte de túneis de acordo com a classificação geomecânica 
1. Objetivos 
O seguinte trabalho visa desenvolver dois textos explicativos relacionados aos 
aspectos de suporte de túneis de acordo com a classificação geomecânica e os 
critérios geomecânicos de ruptura. 
Em seguida, será feita uma aplicação dessas classificações com relação ao 
tipo de suporte requerido para um dado tipo de rocha. 
2. Introdução 
A construção de túneis subterrâneos vem incorporando nas últimas décadas 
um crescimento considerável, sobretudo no desenvolvimento de suporte provisório e 
definitivo utilizando como base critérios empíricos de classificação de maciços 
rochosos e a sua posterior modelação a partir de modelos numéricos de cálculo 
através do método dos elementos finitos, procurando-se analisar a influência que 
exercem alguns fatores sobre o comportamento dos túneis, tais como: o estado de 
tensão inicial do maciço, a dimensão das aberturas, e os modelos usados na 
representação do comportamento mecânico dos diversos materiais [1,2]. 
Neste sentido, os métodos de classificação geomecânicas empíricos para 
suporte de túneis permitem uma primeira aproximação do tipo de suporte necessário 
para uma dada obra, e uma previsão plausível do seu desempenho. Estes métodos 
levam em consideração um número limitado de parâmetros geotécnicos, em geral, 
passíveis de serem determinados à custa de ensaios simples de laboratório e a 
partir de observações da superfície e do estudo da amostragem efetuada nas 
sondagens mecânicas, permitindo, assim, divisão dos maciços rochoso em várias 
classes e, com isso, o seu zoneamento em termos de comportamento geomecânico, 
possibilitando a escolha do suporte adequado, de acordo com as características 
avaliadas no maciço rochoso [1,2]. 
Com o surgimento do NATM- New Austrian Tunelling Method- em 1960, 
novos parâmetros e conceitos geotécnicos referentes a estabilidade dos maciços 
começaram a ser adotados em obras subterrâneas. Com a aplicação deste método, 
além de inovações quanto aos tratamentos objetivando à estabilidade das frentes de 
serviço, ocorreu uma grande evolução das técnicas de escavação subterrânea e dos 
equipamentos até então utilizados, com toda a segurança possível e reduzindo de 
forma direta os custos [1]. 
As investigações geológicas preliminares em um projeto passaram a ter uma 
importância ainda maior para as escavações subterrâneas. O quadro geológico-geotécnico 
identificado por elas permitirá uma correta projeção das metodologias a 
serem empregadas, dos tratamentos necessários para garantir a estabilidade dos 
maciços a serem escavados, além do correto dimensionamento prévio dos recursos 
humanos, materiais e equipamentos a serem disponibilizados para as obras [1]. 
3. Fundamentação teórica 
O NATM introduziu a aplicação de tratamentos específicos para cada classe 
de maciço, sendo estes preliminarmente definidos na fase de projeto [1].
Para a escavação de um túnel, por exemplo, a partir do quadro geológico-geomecânico 
revelado pelas investigações, os maciços a serem escavados podem 
3 
ser classificados em até cinco classes de rocha, como previsto pelo NATM: 
 Classe I: maciços de rocha sã, sem alterações, autoportantes e coesos, com 
ausência de planos de fraturas ou diaclases que, no entanto, podem ocorrer 
de forma isolada; 
 Classe II: maciços de rocha sã, sem alterações, autoportantes e coesos, 
porém já apresentando no mínimo uma família de fraturas ou diaclases; 
 Classe III: maciços de rocha sã, fraturada, com certo grau de autossuporte e 
coesão, porém entrecortado por famílias de fraturas segundo diferentes 
direções e mergulhos, podendo ocorrer faixas de alterações nessas fraturas, 
relacionadas a maiores concentrações de água subterrânea. 
 Classe IV: maciços de rocha mais fraturada e apresentando faixas 
intercaladas de rocha alterada, com menor coesão, autossuporte e 
estabilidade temporária, sendo que o quadro que pode se agravar na 
presença de água subterrânea; 
 Classe V: maciços formados por solo de alteração ou rocha totalmente 
alterada, com pouca ou sem nenhuma coesão, ausência de autossuporte e 
estabilidade quando escavados; na presença de água subterrânea esses 
maciços são classificados como Classe VI. 
Uma das primeiras classificações geomecânicas conhecidas, adaptável a 
rochas e solos, foi elaborada por Terzaghi. Nesta classificação, os terrenos foram 
englobados em nove classes, sendo indicada para cada uma a carga transmitida ao 
suporte. Todavia esta classificação possui divergências quanto à eficiência da 
escolha adequada dos suportes de túneis, tendo em vista que não leva em 
consideração o estado de tensão inicial no maciço, limitando a previsão das cargas 
transmitidas ao suporte após a formação do vazio [3]. Além do mais, Terzaghi limita 
a escolha do suporte em túneis a cambotas metálicas. Por este motivo, surgiram 
outros sistemas de avaliação geomecânicas para classificação e dimensionamento 
de suportes em túneis que englobavam critérios quantificáveis e que forneciam 
indicações mais precisas no que se dizia respeito às propriedades intrínsecas do 
maciço [3]. 
A partir dos anos 1970, graças a um maior e melhor detalhamento da 
geologia local e de seus condicionantes geotécnicos, os maciços estão sendo 
mapeados e classificados pelo RMR (Rock Mass Rating- Bieniawski) e pelo sistema 
Q de Barton (NGI). Estas classificações são mais rigorosas e precisas que uma 
primeira classificação pelo NATM e deverão ser sempre bem fundamentadas, 
ajustadas e até refeitas corretamente já na fase das escavações subterrâneas, 
quando as frentes de avanço devem ser acompanhadas e mapeadas por geólogos 
experientes [1, 3, 4]. 
3.1. Classificação pelo RMR de Bieniawski 
A classificação geomecânica proposta por Bieniawski, bastante versátil e de 
fácil utilização, surgiu logo após a necessidade de quantificar com maior precisão 
parâmetros geológicos no maciço frente à necessidade de dimensionamento de 
suporte em aberturas subterrâneas [3,4].
O sistema RMR (Rock Mass Rating), assim intitulado por Bieniawski, analisa 
uma série de parâmetros geológicos e geotécnicos no maciço e ponderam uma 
pontuação frente estes parâmetros. A partir do valor obtido para o RMR pode-se 
estimar uma série de informações úteis, como o vão autoportante, o tempo de 
autossustentação, a pressão de suporte para uma dada abertura, e também, ajudar 
na escolha do método de escavação [4]. Também, pode-se estimar: a coesão, o 
ângulo de atrito interno, o módulo de deformação do maciço rochoso e a pressão de 
suporte máxima variando conforme a classe do maciço. No entanto, estas 
informações só deverão ser utilizadas para estudos de viabilidade e projetos 
preliminares. Ensaios in situ e modelagens numéricas para definições de suportes 
permanentes serão sempre essenciais, principalmente para o caso de cavernas ou 
grandes aberturas, em que as condições geológicas apresentam uma grande 
variação [1,4]. 
Para determinar o RMR de um dado maciço rochoso, alguns parâmetros 
geomecânicos devem ser analisados e receberão uma pontuação crescente, quanto 
mais favorável for à estabilidade na frente de escavação [1,4]: 
 Resistência à compressão simples (de 0 a 15 pontos); 
 RQD= Índice de Qualidade das Rochas (de 3 a 20 pontos); 
 Maior ou menor espaçamento entre as fraturas mapeadas (de 5 a 20 
4 
pontos); 
 Condições das fraturas (de 0 a 30 pontos); 
 Posição, orientação das fraturas em relação às escavações (de -60 a 0 
ponto); 
 Presença ou ação de água subterrânea (de 0 a 10 pontos). 
O somatório destes pontos irá determinar o valor do RMR e, assim, a classe 
do maciço. Baseado no valor do RMR é possível projetar o vão autoportante, o 
tempo de autossustentação, a pressão de suporte para uma dada abertura de um 
maciço, a dimensão e a geometria mais adequada para as seções de escavação e, 
também, projetar os tratamentos primários a ser aplicado, estimar a coesão, o 
ângulo de atrito interno, o módulo de deformação do maciço e a pressão de suporte 
máxima variando conforme sua classe [1,4]: 
Tabela 1- Classe do maciço pelo RMR [1]. 
Classes I II III IV V 
PONTOS 110/81 81/61 60/41 40/21 < 20 
DESCRIÇÃO Ótimo Bom Regular Pobre Muito 
pobre 
SUSTENTAÇÃO 10 anos 6 meses 1 semana 5 horas 10 minutos 
VÃO/SEÇÃO 15 m 10 m 5 m 2,5 m 1 m 
Bieniawski estabeleceu recomendações quanto ao modo de escavação e tipo 
de suporte a adaptar para túneis com cerca de 10 metros de vão, tensão vertical 
inferior a 25 [MPa] e escavados com explosivos. 
3.2. Sugestão de Suporte de túneis de Romana 
Romana estabeleceu recomendações quanto ao modo de escavação e tipo 
de suporte em túneis com vão entre 10 e 14 metros. Para tal, buscou complementar
novos parâmetros à classificação de Bieniawski. Todavia, Romana estabeleceu 
estas novas recomendações com base em estudos geológicos na construção de 
túneis na Península Ibérica, por esta razão os parâmetros descritos podem não ser 
representativos para outras regiões [3]. 
A classificação de Bieniawski divide o índice RMR em cinco classes (I, II, III, 
IV e V) variando entre “Muito boa” a “Muito má”. Romana propõe então a 
substituição do sistema de cinco classes por um sistema de 10 subclasses. Tendo 
cada subclasse uma amplitude de 10 pontos, e para manter certo grau de correlação 
com a classificação de Bieniawski, denomina-se com a numeração romana de 
Bieniawski (I, II, III, IV e V) seguido de uma letra, a para a metade superior e b para 
a metade inferior de cada classe [3]. 
5 
3.3. Classificação de suporte de túneis pelo índice Q (Barton) 
Baseado em mais de 200 casos históricos de problemas em obras 
subterrâneas, Barton et. al. desenvolveram esse sistema de classificação, pelo NGI-Instituto 
Geotécnico da Noruega. Esse índice é determinado a partir do 
levantamento de seus parâmetros geomecânicos e é calculado pela expressão: 
Q= (RQD/Jn) x (Jr/Ja) x (Jw/SRF), onde [1,4]: 
 RQD (de 10 a 100); 
 Jn= nº de famílias de fraturas (de 0,5 a 20); 
 Jr= rugosidade das paredes das fraturas (de 0,5 a 4); 
 Ja= grau de alteração das paredes das fraturas (de 0,07 a 20); 
 Jw= influência da água subterrânea (0,05 a 1); 
 SRF= (Stress Reduction Factor), estado de tensões do maciço no entorno da 
seção da escavação. 
Em suma: o maciço será classificado numa classe inferior, com valor do 
índice Q reduzido, na medida em que o RQD for baixo (<50); o nº de famílias de 
fraturas for alto (Jn>1); a rugosidade das paredes das fraturas for baixa, ou paredes 
lisas (Jr<1); as paredes das fraturas forem mais alteradas ou preenchidas com rocha 
alterada (Ja>1); ocorrer uma maior quantidade de água subterrânea na frente (Jw<1) 
e/ou SRF alto (>1), adotado quando há presença de minerais expansivos ou de 
maciços sujeitos a fenômenos geológicos como rockbursting [1]. 
Em princípio, uma classificação geomecânica de maciços rochosos baseado 
neste índice pode ser assim expresso [1]: 
Tabela 2- Classificação pelo índice Q 
CLASSE I II III IV V VI 
INDICE 
Q 
>20 10<Q<20 4<Q<10 1<Q<4 0,1<Q<1 <0,1 
4. Tratamentos de acordo com a classificação geomecânica 
A partir das classificações geomecânicas dos maciços pelo NATM, e ajustes 
pelo RMR ou Q, para cada classe de maciço deverão ser previstos os tratamentos a 
serem aplicados, acompanhando o avanço da frente de escavação. Estes se 
constituem nos tratamentos primários, ou até definitivos, que irão proporcionar uma
maior estabilidade nas frentes de escavação, evitando-se problemas acidentais 
como queda de blocos, por exemplo, além de inibir a iniciação de processos de 
relaxamento-deformação do maciço, que podem ocorrer em função do avanço das 
escavações [1]. 
Para classes de maciços com menor autossuporte e coesão (maciços de 
classe inferior a IV) poderão, também, ser indicados e quantificados tratamentos 
especiais, a serem aplicados preliminarmente às escavações subterrâneas, de modo 
a dispor uma maior estabilidade temporária. Isso favorecerá as escavações na 
frente, além de propiciar a aplicação de tratamentos primários posteriores, seguindo 
passo a passo o avanço das escavações [1]. Os principais tratamentos referentes a 
suportes nas escavações, a partir do advento do NATM são segundo Geraldi [1]: 
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Tratamentos preliminares especiais: 
 Enfilagens mecânicas; 
 Enfilagens tubulares injetadas; 
 Pregagem da frente de escavação; 
 Injeções de consolidação do maciço; 
 Consolidação temporária do maciço por congelamento. 
Tratamentos primários e revestimentos: 
 Chumbadores de aço, tipo monobarra, ancorados com calda de cimento ou 
resinas epóxicas; 
 Telas metálicas soldadas; 
 Tirantes de aço, tipo monobarra, ancorados com resinas epóxicas e pós-tensionados; 
 Concreto projetado; 
 Concreto moldado; 
 Cambotas metálicas, feitas de perfis metálicos ou com barras de aço 
soldadas, as chamadas cambotas “treliçadas”; 
 Concreto projetado reforçado com fibras metálicas ou de polipropileno. 
Além destes, algumas classes de maciços podem exigir tratamentos prévios 
e/ou durante a escavação da frente, como a drenagem da água subterrânea nas 
frentes e rebaixamento do lençol freático [1]. 
Nos projetos, estas metodologias permitem ao técnico um maior controle, e 
consequentemente, uma maior segurança nas escavações subterrâneas, podendo 
ser previstos e quantificados com grande precisão, a partir de uma correta 
classificação geomecânica preliminar dos maciços [1]. 
Devido às condições geomecânicas mais favoráveis em maciços de classes I 
e II, a aplicação de tratamentos primários poderá até ser desnecessária ou 
acompanhar o avanço da frente com certa defasagem, de modo a não interferir os 
ciclos de escavação. Entretanto, para maciços de classes III e IV, maciços rochosos 
com condições geomecânicas variadas, a cada avanço devem ser aplicados os 
tratamentos necessários, após a conclusão dos serviços de limpeza da rocha 
detonada [1]. 
De acordo com o grau de alteração do maciço e suas condições de 
autossustentação, as escavações da frente serão sempre acompanhadas da 
aplicação de suportes e revestimentos primários, tratamentos específicos para se 
conseguir uma maior estabilidade da frente escavada, sendo que, no final das
escavações o túnel deverá ser revestido com concreto moldado ou mesmo com 
camada mais espessa de concreto projetado aplicado sobre armadura metálica, ou 
concreto projetado reforçado com fibras [1]. 
Como dito antes, com o surgimento do NATM e da classificação dos maciços 
rochosos, foram projetados suportes, revestimentos e tratamentos, a serem 
aplicados durante as escavações de túneis. Os maciços rochosos, classificados 
como uma das classes I, II ou III, contemplam rochas duras e autoportantes quando 
escavadas. Todavia, nos maciços rochosos de classe IV, a presença de 
descontinuidades atuantes como falhamentos, planos de xistosidades, fraturas e 
água subterrânea, podem criar zonas de instabilidade ao longo do traçado do túnel, 
de forma isolada ou em conjunto [1]. Poderão ocorrer acidentes geotécnicos durante 
as escavações, tais como quedas de blocos ou de lascas de rocha, além de ser 
iniciados processos de instabilização mais amplos. 
Por isso se faz necessário a execução de tratamentos durante as 
escavações, com a aplicação de suportes e revestimentos primários, seguindo a 
evolução, avanço da frente, inibindo esses processos de instabilização e, portanto, 
propiciando maior segurança para os trabalhos. 
O NATM recomenda a aplicação dos seguintes suportes e revestimentos 
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primários, para a escavação de túneis em rocha [1]: 
4.1. Chumbadores monobarra ou ancoragens passivas 
Aplicados de forma isolada ou segundo uma distribuição regular na seção de 
escavação de um túnel e visam à fixação de blocos e cunhas de rocha ou mesmo 
como reforço de abóbadas e paredes rochosas provenientes das escavações em 
maciços mais fraturados. São os principais suportes primários para tratamentos 
localizados em trechos de túneis escavados em maciços rochosos de classes I e II, 
permitindo a continuidade normal das escavações e melhorando as condições de 
segurança. 
Esses chumbadores são fabricados, normalmente com barras de aço CA-50, 
diâmetros de 7/8” a 1”, comprimento variando de 2 a 6m (monobarra ou 
interconectados com luvas especiais) e devem receber uma pintura anticorrosiva. 
Sua fixação nos furos é feita com a utilização de argamassas de cimento, com 
aditivos especiais, ou cartuchos de resinas epóxicas, que deverão preencher todo o 
espaço anular entre o furo e a barra de aço. 
Segundo Geraldi, 2011 [1]: “Os chumbadores não receberão nenhuma carga 
ou protensão após a sua colocação no furo e seu princípio de funcionamento pode 
ser assim explicado: ocorre inicialmente uma tração natural, inicial e instantânea da 
barra de aço ancorada, provocada pelo relaxamento do maciço rochoso em 
escavação, seguida da posterior reação da barra tracionada, que exercerá uma 
força de compressão contra o maciço”. 
4.2. Tirantes monobarra 
Estes tirantes são fabricados com barras de aço CA-50 ou de aços especiais, 
com maior resistência a tração, em geral com comprimentos de 2 a 6m e diâmetro 
de 1” a 1 ¾”, também com pintura anticorrosiva. Entretanto, uma vez aplicados, 
estes receberão cargas de tração-protensão, variando de 8 a 20 ton, de modo a 
exercer sobre o maciço esforços de compressão quase que imediatos, inibindo de
forma rápida qualquer processo de movimentação, ruptura ou deformação do 
maciço na frente de escavação. Sua utilização é indicada para maciços de classes 
III e IV, que envolvem rochas sãs a medianamente alteradas, com grau de 
faturamento elevado [1]. 
Sua aplicação será sempre em conjunto, com os tirantes distribuídos 
radialmente ao longo do trecho de túnel, em fileiras ou malhas geometricamente 
demarcadas, normalmente na abóbada ou nas paredes do túnel, com espaçamentos 
e afastamentos adequados a cada situação, criando um arco de maciço sob forte 
compressão, de modo a conferir à seção escavada, por completo, uma maior 
estabilidade, o chamado efeito “arco colaborante” (vide Figura 1). 
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Figura 1- Aplicação de chumbadores e/ou tirantes radiais em abóbada de túneis escavados em rocha, e 
revestimento com concreto projetado de acordo com a classificação geomecânica dos maciços. 
Retirado de Geraldi, 2011:pág 222, [1]. 
Para aplicação da protensão, os tirantes serão colocados nos furos já 
preenchidos com cartuchos de resina epóxicas. Em geral, na extremidade do furo 
serão colocados dois cartuchos de resina de pega-rápida (40 a 60 minutos, quando 
a protensão deverá ser aplicada), sendo o restante do furo preenchido com 
cartuchos de resina de pega-lenta. Esses tirantes têm sua extremidade rosqueada e 
são equipados com placas de aço especiais, uma cunha para posicionamento e 
duas porcas. A protensão será conferida apertando-se a primeira porca contra a 
placa, utilizando-se ferramentas especiais, como chaves de impacto. A carga de 
tração conferida ao tirante deverá ser checada depois com torquímetros [1]. 
Assim como nos chumbadores, os tirantes deverão ser aplicados em furos da 
ordem de 1,5 vez o diâmetro da barra de aço. Também são fabricados os tirantes de 
coquilha expansiva, que poderão receber cargas de protensão da mesma ordem dos 
tirantes de resina. O baixo custo somado à facilidade de colocação dos tirantes de 
resina, entretanto, tem sido decisivos para a adoção deste tipo de tirante na grande 
maioria das obras de mineração subterrâneas. 
Segundo Geraldi, 2011 [1]: “Para a utilização de tirantes, não poderá ser 
empregada argamassa de cimento para sua incorporação ao maciço, uma vez que 
iria ocorrer o completo aprisionamento da barra de aço, impossibilitando a execução 
do seu giro para se aplicar a tração-protensão desejada”. 
O atirantamento em maciços de classes III e IV será sempre sistemático, 
acompanhando sempre os avanços da frente de escavação. Sua aplicação com
maior defasagem em relação ao avanço da frente poderá ser totalmente inofensiva, 
visto que o maciço mais fraturado já pode ter entrado em estado de relaxamento, 
com desprendimento inicial de blocos e cunhas de rocha. Sua correta aplicação 
proporcionará à escavação uma estabilidade quase que permanente; todavia, 
sempre é aconselhável proceder a um revestimento final, com concreto projetado, 
do trecho já reforçado com tirantes (vide figura 2) [1]. 
Figura 2- Aplicação de enfilagens tubulares e cambotas em abóbada de túneis escavados em rocha alterada; 
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revestimento com Concreto Projetado Reforçado com Fibras (CPRF). Fonte: Geraldi, 2011. Pág 223 [1]. 
4.3. Tela metálica 
A aplicação de telas metálicas é ainda muito utilizada em túneis escavados 
em rocha, onde o maciço se encontra mais fraturado e, principalmente, em tuneis 
escavados em solo e rocha alterada. No geral, a superfície rochosa deverá ser limpa 
e receber a projeção de uma primeira camada de concreto projetado de espessura 
reduzida (<3cm) [1]. A tela metálica, geralmente eletrossoldada, será assim aplicada 
com a utilização de chumbadores curtos, recebendo em seguida a projeção de 
novas camadas de concreto projetado até a sua completa cobertura e incorporação 
ao maciço. 
Com o surgimento do Concreto Projetado Reforçado com Fibras (CPRF), a 
tela metálica foi sendo substituída aos poucos nos túneis em rocha como suporte 
primário, uma vez que sua utilização apresenta as seguintes desvantagens se 
comparadas às do CPRF: 
 Flexibilidade e rapidez 
A projeção de concreto sobre a tela metálica é muito demorada e 
complexa, visto que a colocação da tela exige um tempo considerável, 
paralisando praticamente as outras atividades na frente da escavação. Há de 
se considerar, inclusive, que o maciço já poderá apresentar alguma relaxação 
até que se termine o revestimento com tela e concreto projetado. 
 Volumes de concreto 
A projeção de concreto sobre a tela será sempre de maior volume que 
o volume previsto em projeto, em função das maiores perdas por reflexão 
provocadas pela própria estrutura da tela e por sua fixação contra o maciço.
Há de se considerar inclusive a necessidade de se cobrir totalmente com o 
concreto projetado a área com tela aplicada. No geral, caso se trate de um 
maciço mais fraturado, a superfície rochosa será sempre mais irregular, 
surgindo os overbreaks provocados nas escavações. Desse modo, maiores 
volumes de concreto poderão ser necessários para “tapar” estes buracos e 
cobrir totalmente a tela, sem nenhuma função estrutural. 
10 
4.4. Concreto projetado 
Com o advento do NATM, este suporte passou a ser amis utilizado nas obras 
subterrâneas, uma vez que, após sua aplicação com altras pressões contra a 
superfície rochosa, o concreto projetado atingirá resistências elevadas, da ordem de 
até 3 kg/cm2 em no máximo duas horas, passando a atuar como suporte imediato a 
seção em escavação ou escavada [1]. 
Esta propriedade fundamental aliada à evolução dos equipamentos e aditivos 
diversos para a aplicação de concreto projetado fez deste revestimento, primário o 
principal recurso técnico para a abertura de trechos de maciços em condições 
geomecânicas adversas, aumentando quase instantaneamente as condições de 
autossuporte do maciço e “inibindo os processos de relaxação e deformação que 
podem se instalar na frente recém-escavada” [1]. 
A mistura das fibras metálicas com o concreto projetadas, convenientemente 
aplicadas no contorno da seção escavada, substituiu, com vantagens, a utilização de 
telas metálicas eletrossoldadas. Antes, as telas eram prefixadas no maciço mais 
fraturado que, em seguida, receberia o revestimento de concreto projetado simples. 
O Concreto Projetado Reforçado com Fibras Metálico, prontamente aplicado contra 
o maciço recém-escavado, atinge rapidamente resistências ainda mais altas (até 6 
kg/cm2 em 3 horas) e se apresenta atualmente no principal artifício de tratamento 
primário nas escavações de túneis em maciços muitos fraturados ou alterados, que 
apresentam condições variadas de suporte e estabilidade [1]. 
Para a correta aplicação do concreto projetado, deverá ser feita 
preliminarmente uma correta limpeza da superfície rochosa, com a completa 
remoção de fragmentos de rocha soltos e uma criteriosa lavagem da área de 
aplicação. De acordo com um maior ou menor grau de faturamento da rocha no local 
de aplicação, a camada inicial de concreto irá variar de 5 a 10 cm de espessura [1]. 
Em áreas ou faces de maciço com uma maior presença de água subterrânea, 
é necessário fazer drenagens e condução dos cursos de água, evitando-se maiores 
perdas por reflexão de concreto, graças à baixa aderência que será provocada pela 
presença de água [1]. 
OBS: Geraldi, 2011 [1], afirma que desde o ano 2000 as fibras plásticas de 
polipropileno estão substituindo as fibras metálicas com os mesmos resultados com 
relação à resistência do concreto projetado, já que as fibras metálicas causam 
grande desgaste nos equipamentos de projeção de concreto e tubulações. 
Com o desenvolvimento das modernas metodologias de escavação de túneis 
e tratamento dos maciços, estas obras podem ser desenvolvidas hoje em dia 
atingindo grandes avanços mensais, vencendo desafios de engenharia que, até 
então, eram considerados quase impossíveis de serem superados [1]. 
4. Tratamentos para a escavação de túneis em maciços de classe V 
As técnicas usualmente empregadas para tratamentos preliminares em 
maciços de classe V são [1]:
11 
4.1. Enfilagens tubulares injetadas 
Consistem na execução prévia de furos acompanhando o contorno da seção 
da escavação do túnel, em toda sua extensão ou na abóbada. Nesses furos serão 
colocados tubos de aço tipo Schedulle de 2” a 2 ½”, que serão injetados com caldas 
de cimento, formando um arco de proteção mais resistente englobando toda a seção 
de escavação do túnel ou, no mínimo, seu teto. 
Poderá ser necessário executar mais de um lance de enfilagens ou até 
mesmo se empregar sistematicamente esse tratamento ao longo de todo o traçado 
do túnel, em maciços com baixo grau de autossuporte. 
Os furos terão de 3” a 4” de diâmetro, com profundidade de 10 a 12m, de 
acordo com as condições locais do maciço. Uma vez concluídas as injeções, 
procede-se o avanço gradual do túnel, com a colocação de cambotas metálicas e 
projeção de concreto, até se chegar a 8 ou 10m de penetração, permanecendo um 
trecho de 2m de enfilagens como uma proteção à frente, para a execução de mais 
um lance de enfilagens, se for preciso [1]. 
4.2. Enfilagens mecânicas 
Caracterizam-se na perfuração e colocação nos furos de barras de aço, 
normalmente de aço CA-50 de 1”, que serão colocadas no maciço com resina 
epóxica ou argamassa, seguindo o contorno da escavação. Normalmente essas 
enfilagens são colocadas principalmente na escavação da abóboda, onde o maciço 
se apresentar com baixas condições de estabilidade temporária [1]. 
4.3. Colunas de CCPH (Jet Grounting) 
Trata-se do principal tratamento para escavações em maciços mais frágeis, 
de baixa coesão, sem qualquer estabilidade temporária. De modo geral, esse 
método consiste na “fabricação” de colunas justapostas de concreto no interior do 
maciço a escavar, dispostas de modo a envolver a seção de escavação formando 
um arco de proteção com grande resistência (vide figura 3) [1]. 
A fabricação das colunas é feita a partir da perfuração de um furo piloto com 
diâmetro de 4” a 6”, utilizando uma perfuratriz rotativa especial. Atingida a 
profundidade projetada, geralmente entre 8 e 12m, a coluna de perfuração passará a 
atuar como ferramenta de injeção de calda de cimento com altas pressões, que no 
seu giro e recuo irá desintegrando o maciço, misturando-o com cimento injetado, 
formando a coluna em diâmetros de 0,4 até 1 m [1]. 
Sua limitação se encontra na menor ou maior resistência do material que 
forma o maciço. Sendo um maciço mais consistente, mesmo que alterado, não será 
possível a sua desagregação e formação da coluna, impedindo do método ser 
aplicado.
Figura 3-Aplicação de Jet Grouting e escavação preliminar de sidedrifts para túneis em terrenos de baixa coesão; 
aplicação posterior de cambotas metálicas e revestimento com concreto projetado, inclusive a construção de 
12 
arco invertido. Fonte Geraldi, 2011, Pág:237. 
4.4. Agulhamento ou pregagem da frente 
A utilização sistemática do “jet grounting” como agulhamento da frente de 
escavação será de alto custo e até inviável em alguns tipos de rochas mais 
heterogêneos. Normalmente, visando uma maior estabilidade temporária da frente 
de escavação, é utilizado o agulhamento ou pregagem da frente. Isso consiste na 
perfuração, seguida da instalação de tubos de PVC rígido com diâmetro de 64 a 
100mm, com até 15m de profundidade. Os furos são horizontais, dispostos em 
malhas de perfuração adequadas a maior ou menor instabilidade da frente e serão 
injetados com calda de cimento, promovendo o “enraizamento” ou pregagem da 
frente [1]. 
Sem maiores riscos de ocorrência de abatimentos para o interior do túnel, a 
pregagem vai facilitar e muito as escavações, a colocação de cambotas e a projeção 
de concreto. 
4.5. Injeções de consolidação do maciço 
Estas irão proporcionar uma maior coesão intergranular, consolidar e até 
impermeabilizar o maciço em tratamento, melhorando suas condições de 
autossustentação e estabilidade temporária para as futuras escavações 
subterrâneas [1]. 
5. Suportes e revestimentos primários para a escavação de túneis em maciços 
de classe V 
Além dos tratamentos descritos anteriormente, algumas técnicas foram 
desenvolvidas com o surgimento do NATM e são muito utilizados em escavações de 
túneis e galerias de maciços de classe V, sendo os principais:
13 
5.1. Cambotas metálicas 
São normalmente constituídas de duas ou mais peças que serão montadas e 
aparafusadas no local da aplicação, formando uma moldura metálica, um arco de 
sustentação de forma ajustada à abóbada e paredes da seção de escavação, 
apoiando-se de forma direta no piso do túnel, através de placas de concreto pré-moldado 
[1]. 
Antes, o ajuste entre a cambota e o maciço era feito de forma lenta com o uso 
de pranchas e cunhas de madeira. Atualmente, a cambota será posicionada, 
ajustada e incorporada rapidamente ao maciço com a utilização de concreto 
projetado, passando a atuar de forma ativa, inibindo os processos de deformação na 
frente da escavação. 
5.2. CPRF 
Esse tipo pode ser considerado o principal artifício a ser utilizado para que se 
alcance, de forma rápida, atingir as condições de estabilidade nas frentes de 
escavação subterrânea. O autor ainda destaca: “Para as escavações em maciços de 
classe V, o concreto projetado é de vital importância e, sem ele praticamente não 
seria possível a escavação de túneis pelo método NATM” [1]. 
5.3. Arcos invertidos com concreto projetado ou moldado 
Em maciços pouco consolidados, de baixa coesão, onde ocorrem esforços 
laterais provenientes de movimentações do maciço em escavação, os arcos 
invertidos tornam-se necessários. Essas estruturas são construídas nas soleiras dos 
túneis, com concreto armado ou projetado, se constituindo em uma estrutura auxiliar 
do escoramento na fase de escavação ou mesmo como parte integrante do 
revestimento final do túnel proporcionando: 
 Melhores condições de fundação para o apoio do escoramento do 
túnel, formado de cabotas metálicas e revestimento com concreto 
projetado; 
 Travamento dos pés das cambotas, impedindo movimentações laterais 
e consequentemente o fechamento da seção escavada. 
 A construção do arco invertido, devidamente incorporado ao 
revestimento do túnel, paredes laterais e abóbadas, proporciona uma 
melhor distribuição dos esforços que atuam sobre o contorno da seção 
escavada. 
5.4. Drenagens 
A água subterrânea poderá se tornar um problema em função de seu maior 
volume e gradiente de pressão, gerando problemas diretos como inundações da 
frente, trazendo diversos materiais para o interior das escavações ou até atuando 
sobre a estabilidade da frente ou das paredes de escavação, sendo necessárias 
medidas como rebaixamento do nível de água e dreno horizontal profundo. Onde, 
normalmente, os drenos serão instalados nas laterais do túnel (fora da área da 
seção), na direção do eixo só que com leve divergência e com profundidades 
chegando até 20m [1].
14 
6. Critérios Geomecânicos de Ruptura 
Para avaliação do estado de tensão e deformação do maciço rochoso, 
devem-se considerar dois aspectos: primeiro, antes da execução de uma obra em 
rocha existe um estado de tensão decorrente das condições naturais dos maciços; o 
segundo aspecto é que após a execução da escavação o estado de tensão 
preexistente sofrerá uma redistribuição em função da forma da escavação e sua 
disposição espacial. Em outras palavras, é necessário se identificar os valores de 
tensão e deformação que levarão o material a uma ruptura. Esses valores são 
obtidos através de ensaios experimentais para os diversos possíveis esforços 
presentes nas estruturas, como tração, compressão, os mais conhecidos e 
executados, e os de cisalhamento, torção e flexão, utilizados para finalidades 
específicas [2,3,4]. 
Os parâmetros geomecânicos de ruptura são obtidos através de ensaios de 
laboratório e no campo, bem como da experiência dos profissionais envolvidos, que 
fornecem os dados de coesão, ângulo de atrito interno, módulo de deformabilidade 
do maciço, etc. Os resultados de uma classificação normalmente não são 
universalmente aplicáveis, restringindo-se, a priori, àqueles casos para os quais a 
classificação foi originalmente determinada [3]. 
Critérios de ruptura são relações entre as tensões correspondentes ao estado 
de ruptura de um material. 
No caso de rochas é muitas vezes difícil de definir o que seja um estado de 
ruptura. No entanto, é comum se associar este estado às tensões correspondentes 
ao pico da curva tensão-deformação. Cabe lembrar que após o pico da curva 
tensão-deformação, a rocha não perde completamente sua capacidade de 
resistência, podendo atingir um estado de tensões denominado residual [3,4]. 
Vários critérios têm sido introduzidos na definição de resistência da rocha 
intacta. Temos como principais critérios: Mohr-Coulomb; Griffith; e Hoek e Brown 
[3,4,5]. 
6.1. Critério de Mohr-Coulomb 
O critério de Mohr-Coulomb é o mais simples e conhecido dos critérios de 
ruptura para materiais granulares foi proposto por Coulomb em 1773, que sugeriu 
que a resistência ao cisalhamento seria composta de duas parcelas: a coesão e o 
atrito do material [3]. 
Aplicando estas parcelas no círculo de Mohr, obtemos uma envoltória de 
ruptura linear a todos os círculos de Mohr que representem combinações críticas de 
tensões principais. Em outras palavras, o critério de Coulomb pode ser 
convenientemente descrito por uma linha reta no espaço de Mohr, com μ 
representando sua inclinação e ϕ o ângulo de inclinação, cuja ruptura ocorrerá 
quando a resistência interna ou coesão (c) for excedida [4,5]. 
Logo, a resistência ao cisalhamento é composta da coesão e do ângulo de 
atrito do material. Deste modo, pode ser escrito em termos das tensões de tensão 
de cisalhamento (휏) e normal (σ) atuantes no plano de ruptura, que é representado 
pelo ponto de tangencia de um círculo de Mohr crítico com a envolvente de Coulomb 
Figura 4, ou seja [3,4,5]: 
휏 = 푐 + 휎푛 푡푔휙 = 푐 + 휎푛 μ
15 
Em que: 
휏 - resistência ao cisalhamento; 휏 = 2푐 푐표푠∅ 
1+ 푠푒푛∅ 
c - coesão aparente da junta; 
휎푛 - Tensão normal ao plano de ruptura; 
ϕ – ângulo de atrito interno do material; 
μ - Coeficiente de atrito interno. 
O critério de Mohr- Coulomb pode também ser definido com relação às 
tensões principais, na seguinte forma: 
휎1 = 휏 + 휎3 푡푎푛훽 
Onde, 
휎1 − 푡푒푛푠ã표 푝푟푖푛푐푖푝푎푙 푚á푥푖푚푎 
휎3 − 푡푒푛푠ã표 푝푟푖푛푐푖푝푎푙 푚í푛푖푚푎 
푡푎푛훽 = 푡푎푛2 (45 + 
∅ 
2 
) 
Figura 4-Envoltória Linear de Mohr-Coulomb. Fonte: [3], p. 36 
Neste sentido, o esforço de cisalhamento necessário para início de uma 
fratura de cisalhamento também depende do esforço normal através do plano de 
cisalhamento em potencial: quanto maior for o esforço normal, maior será o esforço 
de cisalhamento necessário para produzir uma fratura de cisalhamento. Caso o 
esforço normal aplicado a rocha supere sua resistência interna, o círculo de Mohr 
tocará a envoltória (limite de estabilidade e início de instabilidade), ocasionando a 
ruptura da rocha [3]. 
Os parâmetros do material, c e ϕ, podem ser obtidos a partir de ensaios 
triaxiais na rocha intacta, c pode ser interpretado como uma resistência ao 
cisalhamento inerente ao material, independente do nível de tensões atuantes [3,4]. 
6.2. Critério de Griffith 
No critério de Griffith é descrito o que acontece com o material 
microscopicamente. 
Griffith (1921) observou que há uma grande diferença entre os materiais 
perfeitamente isotrópicos e a resistência real de rochas naturais determinada em
laboratório. Ele baseou seu estudo teórico sobre a resistência ao fraturamento rúptil 
extensional uniaxial de uma rocha sem defeitos [4,5]. 
Desta forma, a resistência à tração de amostra de rocha de comportamento 
frágil, medida em laboratório, era menor que os valores calculados teoricamente 
através da determinação das forças intermoleculares. Essa di ferença sugeriu a 
hipótese de que as fraturas da rocha sejam provocadas por concentrações de 
tensões nas extremidades de pequenas fissuras preexistentes no material de forma 
elíptica (Figura 5) [4,5]. 
Figura 5-Microfraturamento causado pela aplicação de tensão nas extremidades de pequenas fissuras. Fonte [5], 
16 
p. 177 
Daí, ele postulou que, para materiais frágeis, a fratura inicia-se quando é 
ultrapassada a resistências à tração do material nas extremidades de defeitos 
microscópicos, onde há concentração de tensões e por isso, as rochas e os minerais 
estão longe da perfeição. As rochas contêm abundancia de defeitos microscópicos e 
microfraturas, cavidades vazias, poros e limites de grãos [5]. 
Ao contrário de Coulomb, Griffith encontrou uma relação não linear entre 
esforços principais em uma rocha entre esforços principais em rocha submetida a 
um esforço critico (próximo a ruptura). Essa relação, denominada critério de 
fraturamento de Griffith, é dada pela equação [5]: 
휏 2 + 4푇휎푛 − 4푇2 = 0 
Essa equação define uma parábola no diagrama de Mohr, no qual a 
resistência a tração T é a intersecção com o eixo horizontal. A intersecção entre a 
parábola de Griffith e o eixo vertical é encontrada ao considerar 휎푛 = 0, o que resulta 
em 휏 = 2푇, que corresponde a c, ou coesão interna do material. Ou seja, a 
resistência coesiva de uma rocha é duas vezes maior que a sua resistência a tração, 
o que se aproxima com os dados experimentais [5]. 
휏 = 2푇 + 휎푛 푡푔휙 
Essa relação permite uma combinação simples do critério de Coulomb para 
regime compressional com o de Griffith para o regime extensional. 
No entanto, uma fratura irá se estender apenas quando a energia potencial 
total do sistema de forças aplicada e material decresce ou permanece constante 
com o aumento da fratura. 
Uma contribuição importante do critério de Griffith foi à percepção de que a 
resistência rúptil da rocha é controlada por microfraturas intragranulares 
aleatoriamente orientadas e distribuídas. As microfraturas orientadas próximas ao 
esforço de cisalhamento máximo possivelmente irão crescer mais rapidamente que
as outras e, então, conectar-se e formar fraturas que atravessarão a rocha como um 
todo [4,5]. 
17 
O critério estabelece o início de fratura para (Figura 6): 
Figura 6-Representação gráfica do critério de Griffith. Fonte: [5], p. 178. 
(σ1 - σ3)2 = 8 T0 (σ1 + σ3), se σ1 + 3σ3 > 0 
σ3 = -T0, se σ1 + 3σ3 < 0 
Onde : 
σ1 , σ3 = Tensões principais maior e menor respectivamente 
T0 = resistência à tração uniaxial 
A essência do critério de Griffith é que para um material quebrar sob tensão, a 
presença de micro-trincas pré-existentes exige que seja liberada energia suficiente 
que seja capaz de permitir a formação e propagação de novas superfícies [5]. 
Neste contexto, Griffith demonstrou, que quando uma trinca de comprimento 
2a se forma (Figura 7) a tensão elástica agindo sobre o material relaxa liberando 
uma energia UE = -( a2.T2)/E (para uma espessura unitária da amostra), onde E é o 
módulo de Young e T é a tensão de tração aplicada ao corpo; em compensação é 
despendido um trabalho de criação de duas novas superfícies livres de US = 4.a. , 
onde  é a energia de superfície. A energia total é UT = UE + U [5]. 
Figura 7-Placa plana carregada uniaxialmente, promovendo o inicio da propagação da fratura unitária. Fonte [5], 
p. 178. 
Griffith propõe que a trinca cresce espontaneamente apenas se um aumento 
infinitesimal σa na trinca provocar uma variação nula ou negativa na energia a ela 
associada, ou seja:
18 
Ocorrerá ruptura se: 흈 ≥ (ퟐ휸푬 
풂 
) 
ퟎ,ퟓ 
O critério de Griffith pressupõe que o raio na ponta da trinca seja fino o 
suficiente para que a tensão local exceda a energia de coesão do material, 
causando a ruptura. 
Neste sentido, para uma determinada rocha, a resistência a tração irá variar 
inversamente com o quadrado do comprimento inicial da trinca. Isto permite emitir 
uma explicação mecânica mais simples e direta sobre o efeito de tamanho: a 
resistência à tração diminui com o aumento no comprimento da trinca, e espécimes 
mais espessos tendem a conter trincas maiores. 
6.3. Critério de Hoek-Brown 
O critério foi derivado a partir dos resultados de pesquisas de rupturas 
frágeis em rocha intacta e em modelos de maciços rochosos fraturados. Inicialmente 
é realizada uma análise das propriedades de resistência da rocha intacta, e são 
introduzidos fatores que visam minorar estas características baseado nas 
descontinuidades do maciço. Os autores tentaram estabelecer uma ligação entre o 
critério empírico e as observações geológicas, através das classificações 
geomecânicas. Com isso montaram uma expressão adimensional fazendo uma 
relação empírica entre as tensões principais na ruptura definida pela equação [2, 3, 
4]: 
휎1 
푐0 
= 
휎3 
푐0 
+ √푚 + 
휎3 
푐0 
+ 푠 
Onde: 휎1= tensão principal efetiva na ruptura; 휎3= tensão principal menor efetiva na 
ruptura; c0 = Resistência à compressão uniaxial da rocha intacta; m = constante para 
maciço rochoso; e s = constante empírica, que é função do grau de fraturamento do 
maciço rochoso [2,3]. 
Em seguida, sugeriram uma função potência para condição de ruptura, que 
pode também ser aplicadas a rochas anisotrópicas e fraturadas. No espaço das 
tensões principais efetivas, essa condição conhecida como critério de Hoek-Brown 
original, é expressa por [2,3]: 
2 
휎1 = 휎3 + √푚푐0휎3 + 푠푐0 
Para estimar, por exemplo, a resistência a tração de maciços rochosos, faz-se 
tensão principal máxima igual a zero e a tensão principal mínima igual a tensão 
total, obtendo-se [2, 3]: 
휎푡 = 
푐0 
2 
(푚 − √푚2 + 4푠 ) 
Dentre os critérios de ruptura disponíveis, o de Hoek e Brown é o único que 
leva consideração a resistência da rocha intacta e do maciço rochoso (através das 
constantes m, s, c0) [2,3]. 
Os valores do parâmetro m podem ser estimados através de uma relação 
aproximada entre a resistência à compressão e a resistência à tração da rocha 
intacta, onde [2]: 
 Altos valores de m (15-25) tendem a se associar a rochas ígneas e 
metamórficas (frágeis).
 Baixos valores de m (3-5) tendem a se associar a rochas cabornáticas mais 
19 
dúcteis. 
O parâmetro s caracteriza o grau de alteração das rochas, onde: 
 Para rochas intactas que tenham resistência a tração finita, s assume o valor 
máximo, 1 (s=1). 
 Para rochas muito fraturadas para as quais a resistência à tração é nula e a 
resistência de coesão do maciço é zero quando a tensão efetiva é zero, o 
valor de s=0. 
Apesar do critério de resistência de Hoek & Brown para maciços rochosos ser 
grandemente aceito e ter sido aplicado num vasto leque de projetos, há algumas 
incertezas e imprecisões que podem tornar o critério inconveniente ao ser aplicado e 
incorporado em modelos numéricos e programas de análise por equilíbrio limite. Em 
particular, a dificuldade em se estimar valores “equivalentes” aceitáveis do ângulo de 
atrito e da coesão para um determinado maciço rochoso, parâmetros estes que são 
diretamente estimados com o critério de Mohr-Coulomb [4]. 
7. Estudo de Caso 
Visando aplicar os conhecimentos adquiridos quanto ao tipo de suporte de 
acordo com a classificação geomecânica, e o possível tipo de ruptura proveniente 
num determinado tipo de maciço, nos foi dado o seguinte problema: 
“Estimar a estabilidade de escavação com 10m de vão, desenvolvida de Leste 
para Oeste, utilizando-se dos sistemas RMR e Q: trata-se de um maciço de xisto 
argiloso escavado a profundidade de 200m que contém três famílias de 
descontinuidades: 
1. Família 1: consiste em planos de acamamento, fortemente alterados, 
com superfícies levemente rugosas, contínuos com orientação 180/10. 
2. Família 2: juntas levemente alteradas e rugosas, orientação 185/75. 
3. Família 3: juntas, também levemente alteradas e rugosas e orientação 
090/80. 
A resistência da rocha intacta foi definida em 55 Mpa. 
Para o valor do RQD e espaçamento médio de fraturas, assumir 60% e 0,4m, 
respectivamente”. 
Para a classificação deste maciço, utilizou-se primeiramente o método de 
classificação do RMR, de Bieniawski. Como não foram dadas as condições sobre a 
presença de água em torno do maciço, logo, realizou-se o estudo tanto para um 
maciço completamente seco, como para um maciço com graves problemas de água, 
onde se chegou as seguintes conclusões:
20 
Tabela 3 - Classificação do maciço rochoso por Bieniawski, com a condição de completamente seco. 
Parâmetros Pesos 
Resistência à compressão uniaxial = 
55MPa 
7 
RQD= 60% 13 
Espaçamento das juntas= 0,4m 20 
Condição das juntas = 
Superfícies levemente rugosas. 
Separação <1mm. Paredes Macias 
12 
Presença de água = 
Completamente seco 
10 
RMR 62 
Portanto, obtendo o RMR com valor igual a 62, o maciço rochoso será 
classificado na CLASSE II-ROCHA BOA. 
Tabela 4 - Classificação do maciço rochoso por Bieniawski, com graves problemas de água. 
Parâmetros Pesos 
Resistência à compressão uniaxial = 
55MPa 
7 
RQD= 60% 13 
Espaçamento das juntas = 0,4m 20 
Condição das juntas = 
Superfícies levemente rugosas. 
12 
Separação <1mm. Paredes Macias 
Presença de água= Graves problemas de 
água 
0 
RMR 52 
Sendo assim, nas condições em que o maciço encontrar graves problemas de 
água, e posteriormente obter o RMR com valor igual a 52, o maciço rochoso será 
classificado na CLASSE III: ROCHA REGULAR. 
A partir do mergulho das descontinuidades, assim como da disposição das 
mesmas quanto à direção do túnel, chegou-se a conclusão que o mergulho das 
descontinuidades trará condições favoráveis ao desenvolvimento do túnel. Dessa 
forma, o fator de correção devido à orientação das descontinuidades, por ser 
favorável, será subtraído “-2” dos valores do RMR. 
Sendo assim, teremos: 
62 - 2 = 60 (p/ maciço sem a presença de água) e 52 - 2 = 50 (p/ maciço com 
forte presença de água em torno da escavação) 
Com essa correção, o maciço é classificado em ROCHA DA CLASSE III 
descrita como REGULAR, para os dois casos.
Levando em conta essa classificação, maciço de Classe III, temos as 
21 
seguintes características e recomendações (tabela 5 e 6): 
Tabela 5- Classes de maciços rochosos para túneis e valores de parâmetros de resistência. Retirado de Azevedo 
[4]. 
Classe III 
Descrição da qualidade Regular 
RMR 60 - 41 
Coesão do maciço rochoso 150-200KPa 
Ângulo de atrito do maciço 35°- 40° 
Período da estabilidade sem 
revestimento 
1 semana para um vão de 3m 
Tabela 6- Recomendações de escavação e suporte com base nas classes do sistema RMR. Retirado de 
Azevedo [4]. 
Classe do maciço Escavação Suporte 
Pregagens (20 mm 
diâmetroenvolvidas em 
Grout) 
Betão 
projetado 
Cimbres 
III Seção parcial (frente 
e rebaixo), avanço 
1,5-3m. Início do 
suporte após cada 
fogo. Suporte 
completo a 10m 
Pregagens de 3m de 
comp., espaçadas de 
2,5m, ocasionalmente 
com malha em certas 
zonas do teto. 
50-100 
mm no 
teto; 30 
mm nas 
paredes 
Nenhum 
Além disso, para um maciço desta classe, como dito no início do trabalho, 
será recomendado o uso de tratamentos especiais visando o suporte da rocha, tais 
como: 
 Chumbadores de aço; 
 Telas metálicas soldadas; 
 Tirantes de aço, 
 Concreto projetado e/ou moldado; 
 Cambotas metálicas. 
Lembrando que o maciço caracterizado com presença de água no entorno da 
escavação será necessário realizar a drenagem dele. 
Após ter utilizado todos os critérios estabelecidos por Bieniawski para 
classificação do tipo de rocha neste estudo, utilizou-se também o método de 
classificação Q de Barton. 
Através da orientação das famílias de descontinuidades, foi possível no 
programa stereonet [6], ver um esboço quanto ao comportamento do 
desenvolvimento do túnel, já que se dá de leste para oeste, em relação a cada 
família. E observou-se que o desenvolvimento do túnel só intercepta duas das três 
famílias de descontinuidades, como visto abaixo:
22 
Figura 8- Atitude dos planos e pólos das descontinuidades. Fonte Stereonet [7]. 
Assim como na utilização do método de Bieniawski, no critério de Barton 
teremos que levar em consideração um corpo com percolação de água mínima, e 
um corpo com grande percolação de água. Veremos abaixo as duas situações 
dispostas: 
Onde através dos dados obtidos, e possivelmente utilizados na formulação 
obtiveram-se as seguintes informações: 
푄 = 
푅푄퐷 
퐽푛 
퐽푟 
퐽푎 
퐽푤 
푆푅퐹 
Tabela 7- Parâmetros de classificação do indicie Q (maciço sem presença de água). 
Parâmetros Valores 
RQD = 60% 60 
Jn = 2 famílias de descontinuidades 4 
Jr = Fraturas ásperas ou irregulares, 
planas 
1,5 
Ja = Paredes levemente alteradas, com 
partículas arenosas e rochas 
2 
desintegradas não-brandas 
Jw = caudal nulo ou pequeno (< 5 l/min), 
pressão de água aproximada <1.0kg/cm² 
1 
SRF = C – Zona alterada com argila ou 
rocha quimicamente desintegrada 
(profundidade de escavação > 50m. 
2,5 
푄 = 
60 
4 
1,5 
2 
1 
2,5 
푸 = ퟒ, ퟓ
Após a obtenção dos valores relativos a cada um dos parâmetros analisado, 
como sendo um maciço em que não há a presença de água, e obtendo o valor de Q 
= 4,5, o maciço é classificado como sendo da CLASSE V – MACIÇO DE 
QUALIDADE REGULAR. 
23 
Tabela 8- Parâmetros de Classificação do índice Q (Maciço com presença de água). 
Parâmetros Valores 
RQD = 60% 60 
Jn = 2 famílias de descontinuidades 4 
Jr = Fraturas ásperas ou irregulares, 
planas 
1,5 
Ja = Paredes levemente alteradas, com 
partículas arenosas e rochas 
2 
desintegradas não-brandas 
Jw = caudal excepcionalmente grande ou 
pressão contínua, sem decaimento 
notável. P>10kg/cm² 
0,05 
SRF = C – Zona alterada com argila ou 
rocha quimicamente desintegrada 
(profundidade de escavação > 50m. 
2,5 
푄 = 
60 
4 
1,5 
2 
0,05 
2,5 
푸 = ퟎ, ퟐퟐퟓ 
Por conseguinte, ao analisarmos o maciço diante há presença de água, e o 
valor do Q = 0,225, o maciço é classificado como sendo da CLASSE VII – MACIÇO 
DE MUITO MÁ QUALIDADE. 
Depois de determinado o valor obtido da classificação do Q de Barton, e 
relacionando o tamanho do vão com a razão de suporte de escavação (ESR), 
encontrando o De, como a seguir [7]: 
퐷푒 = 
푉ã표, 퐷푖â푚푒푡푟표 표푢 푎푙푡푢푟푎 푑푎 푒푠푐푎푣푎çã표 (푚) 
푅푎푧ã표 푑푒 푠푢푝표푟푡푒 푑푎 푒푠푐푎푣푎çã표 (퐸푆푅) 
Onde o numerador, como dito antes, apresenta 10m de vão.
A partir do gráfico abaixo é possível notificar se será necessário, ou não, 
24 
algum tipo de suporte mediante a escavação através do gráfico De x Q: 
Figura 9-Relação entre De de uma escavação subterrânea não-suportada e o índice Q. Por Bieniawski [7]. Pág 82. 
Para isso é necessário que se realize os cálculos para diferentes ESR, já que 
o caso não especifica qual o tipo de obra a ser realizada. Para tal, escolhemos 
quatro valores arbitrários com intuito de mostrar que dependendo do valor ESR 
escolhido (consequentemente do tipo de obra- a partir da tabela 8), para o mesmo 
maciço poderá se definir a necessidade ou não de suportes. Os valores escolhidos 
foram: 5; 3; 1,6 e 1,3. 
Tabela 8 - Valores de ESR de acordo com o tipo de escavação. Por Azevedo [4]. 
Tipo de escavação ESR 
A – Aberturas mineiras temporárias 3,0 – 5,0 
B – Aberturas mineiras permanentes, túneis d´água de 
1,6 
hidrelétricas (exceto para alta pressão), túneis pilotos, desvios, 
galerias de avanço 
C – Salões de armazenamento, plantas de tratamento de água, 
túneis rodoviários e ferroviários menores, túneis de acesso 
1,3 
D – Estações de força, túneis rodoviários e ferroviários 
maiores, abrigos de defesa 
1,0 
E – Estações nucleares subterrâneas, estações ferroviárias, 
salões públicos e de esporte, fábricas 
0,8 
푃푎푟푎 퐸푆푅 = 5,0: 퐷푒 = 10 
5,0 
= 2 
푃푎푟푎 퐸푆푅 = 3,0: 퐷푒 = 10 
3,0 
= 3,333 
Para 퐸푆푅 = 1,6: 퐷푒 = 10 
1,6 
= 6,25
25 
푃푎푟푎 퐸푆푅 = 1,3: 퐷푒 = 10 
1,3 
= 7,6923 
Considerando o Q= 4,5 (maciço sem a presença de água): 
Figura 10- Variação dos Valores "De" de acordo com os valores do ESR escolhidos, levando-se o índice Q= 4,5. 
Por Bieniawski [7]. Pág 82. 
Como mostrado na figura 10, percebe-se que dependendo do valor do ESR 
atribuído, o mesmo maciço passa de uma condição de autossuportado para uma 
condição de necessidade de suporte específica. 
Obs: os números indicados na figura 10, representam o tipo de suporte 
necessário para o maciço de acordo e suas especificações: para o nº17 no gráfico, 
recomenda-se utilizar sistema de aparafusamento de 1-1,5m. Para o nº18 
recomenda-se sistemas de aparafusamento, também, de 1-1,5m auxiliado da 
presença de telas metálicas [7].
Considerando o Q= 0,225 (maciço com forte presença de água) o gráfico irá 
26 
se dispor da seguinte forma: 
Figura 11- Variação dos Valores "De" de acordo com os valores do ESR escolhidos, levando-se o índice Q= 
0,225. Por Bieniawski [7]. Pág 82. 
Da mesma forma, dependendo do valor ESR escolhido, o maciço nesta 
condição, exigirá sempre um suporte para sua estabilidade. Para o nº 29, 
recomenda-se sistema de aparafusamento de 1m reforçado com concreto projetado 
com espessura de 2-3 cm; para o nº 30 recomenda-se sistema de aparafusamento 
de 1m reforçado com concreto projetado com espessura de 2,5-5 cm; e para o nº 31 
recomenda-se sistemas de aparafusamento de 1m reforçado com concreto 
projetado de espessura de 5 a 12,5 cm com malha reforçada [7].
27 
8. Referências 
1. Geraldi, J. L. P. O ABC das Escavações de Rocha. Rio de Janeiro: ED. 
Interciência, 2011. Págs: 169-175, 182, 183, 193, 218-228, 235-246. 
2. Fiori, A. P. Carmignani, L. Fundamentos de mecânica dos solos e das 
rochas: aplicações na estabilidade de taludes. Rev e ampl. Curitiba: ED. 
UFPR, 2009. Págs: 395, 396, 398, 399. 
3. AGUIAR, J. C. N. M. Calibração de uma Classificação de Suportes de 
Túneis com o Obtido em Modelo. Faculdade de Engenharia- Universidade 
do Porto, Mestrado Integrado em Engenharia Civil, p. 5-42. Porto, Portugal, 
2010. 
4. AZEVEDO, I. C. D.; MARQUES, E. A. G. Introdução a Mecânica das 
Rochas. Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais: Editora UFV, p. 90- 
105, 2006. 
5. FOSSEN, H.. Geologia estrutural. Tradução Fábio R. D. de Andrade. São 
Paulo: ED Oficina de Textos, 2012. p. 172-179. 
6. Stereonet. Disponível em: www.app.visiblegeology.com/stereonet.html. 
Retirado em <28 de julho de 2014>. 
7. Bieniawski,Z.T. Engineering rock mass classification: A complete manual 
for engineer and geologists in mining, civil, and petroleum engineering 
/Ed: Wiley – Interscience 1989. Cáp 5 – 73 – 88.

Estabilidade de escavações subterrâneas

  • 1.
    UNIVERSIDADE FEDERAL DECAMPINA GRANDE- UFCG CENTRO DE TECNOLOGIA DE RECURSOS NATURAIS- CTRN UNIDADE ACADÊMICA DE MINERAÇÃO E GEOLOGIA- UAMG CURSO DE ENGENHARIA DE MINAS DISCIPLINA: ESTABILIDADE DE ESCAVAÇÕES EM ROCHAS II ESTÁGIO: ESCAVAÇÕES SUBTERRÂNEAS Alunos: Igor Henry Cavalcante de Almeida Mat.: 111110682 Mozart Manfrinni Dantas de Figueiredo Mat:. 109110672 Rafael Chagas Silva Mat:. 111110011 Professor: Alexandre José Buril de Macêdo Turma: 01 - Período: 2014.1 Campina Grande-PB, 31 de julho de 2014
  • 2.
    2 Suporte detúneis de acordo com a classificação geomecânica 1. Objetivos O seguinte trabalho visa desenvolver dois textos explicativos relacionados aos aspectos de suporte de túneis de acordo com a classificação geomecânica e os critérios geomecânicos de ruptura. Em seguida, será feita uma aplicação dessas classificações com relação ao tipo de suporte requerido para um dado tipo de rocha. 2. Introdução A construção de túneis subterrâneos vem incorporando nas últimas décadas um crescimento considerável, sobretudo no desenvolvimento de suporte provisório e definitivo utilizando como base critérios empíricos de classificação de maciços rochosos e a sua posterior modelação a partir de modelos numéricos de cálculo através do método dos elementos finitos, procurando-se analisar a influência que exercem alguns fatores sobre o comportamento dos túneis, tais como: o estado de tensão inicial do maciço, a dimensão das aberturas, e os modelos usados na representação do comportamento mecânico dos diversos materiais [1,2]. Neste sentido, os métodos de classificação geomecânicas empíricos para suporte de túneis permitem uma primeira aproximação do tipo de suporte necessário para uma dada obra, e uma previsão plausível do seu desempenho. Estes métodos levam em consideração um número limitado de parâmetros geotécnicos, em geral, passíveis de serem determinados à custa de ensaios simples de laboratório e a partir de observações da superfície e do estudo da amostragem efetuada nas sondagens mecânicas, permitindo, assim, divisão dos maciços rochoso em várias classes e, com isso, o seu zoneamento em termos de comportamento geomecânico, possibilitando a escolha do suporte adequado, de acordo com as características avaliadas no maciço rochoso [1,2]. Com o surgimento do NATM- New Austrian Tunelling Method- em 1960, novos parâmetros e conceitos geotécnicos referentes a estabilidade dos maciços começaram a ser adotados em obras subterrâneas. Com a aplicação deste método, além de inovações quanto aos tratamentos objetivando à estabilidade das frentes de serviço, ocorreu uma grande evolução das técnicas de escavação subterrânea e dos equipamentos até então utilizados, com toda a segurança possível e reduzindo de forma direta os custos [1]. As investigações geológicas preliminares em um projeto passaram a ter uma importância ainda maior para as escavações subterrâneas. O quadro geológico-geotécnico identificado por elas permitirá uma correta projeção das metodologias a serem empregadas, dos tratamentos necessários para garantir a estabilidade dos maciços a serem escavados, além do correto dimensionamento prévio dos recursos humanos, materiais e equipamentos a serem disponibilizados para as obras [1]. 3. Fundamentação teórica O NATM introduziu a aplicação de tratamentos específicos para cada classe de maciço, sendo estes preliminarmente definidos na fase de projeto [1].
  • 3.
    Para a escavaçãode um túnel, por exemplo, a partir do quadro geológico-geomecânico revelado pelas investigações, os maciços a serem escavados podem 3 ser classificados em até cinco classes de rocha, como previsto pelo NATM:  Classe I: maciços de rocha sã, sem alterações, autoportantes e coesos, com ausência de planos de fraturas ou diaclases que, no entanto, podem ocorrer de forma isolada;  Classe II: maciços de rocha sã, sem alterações, autoportantes e coesos, porém já apresentando no mínimo uma família de fraturas ou diaclases;  Classe III: maciços de rocha sã, fraturada, com certo grau de autossuporte e coesão, porém entrecortado por famílias de fraturas segundo diferentes direções e mergulhos, podendo ocorrer faixas de alterações nessas fraturas, relacionadas a maiores concentrações de água subterrânea.  Classe IV: maciços de rocha mais fraturada e apresentando faixas intercaladas de rocha alterada, com menor coesão, autossuporte e estabilidade temporária, sendo que o quadro que pode se agravar na presença de água subterrânea;  Classe V: maciços formados por solo de alteração ou rocha totalmente alterada, com pouca ou sem nenhuma coesão, ausência de autossuporte e estabilidade quando escavados; na presença de água subterrânea esses maciços são classificados como Classe VI. Uma das primeiras classificações geomecânicas conhecidas, adaptável a rochas e solos, foi elaborada por Terzaghi. Nesta classificação, os terrenos foram englobados em nove classes, sendo indicada para cada uma a carga transmitida ao suporte. Todavia esta classificação possui divergências quanto à eficiência da escolha adequada dos suportes de túneis, tendo em vista que não leva em consideração o estado de tensão inicial no maciço, limitando a previsão das cargas transmitidas ao suporte após a formação do vazio [3]. Além do mais, Terzaghi limita a escolha do suporte em túneis a cambotas metálicas. Por este motivo, surgiram outros sistemas de avaliação geomecânicas para classificação e dimensionamento de suportes em túneis que englobavam critérios quantificáveis e que forneciam indicações mais precisas no que se dizia respeito às propriedades intrínsecas do maciço [3]. A partir dos anos 1970, graças a um maior e melhor detalhamento da geologia local e de seus condicionantes geotécnicos, os maciços estão sendo mapeados e classificados pelo RMR (Rock Mass Rating- Bieniawski) e pelo sistema Q de Barton (NGI). Estas classificações são mais rigorosas e precisas que uma primeira classificação pelo NATM e deverão ser sempre bem fundamentadas, ajustadas e até refeitas corretamente já na fase das escavações subterrâneas, quando as frentes de avanço devem ser acompanhadas e mapeadas por geólogos experientes [1, 3, 4]. 3.1. Classificação pelo RMR de Bieniawski A classificação geomecânica proposta por Bieniawski, bastante versátil e de fácil utilização, surgiu logo após a necessidade de quantificar com maior precisão parâmetros geológicos no maciço frente à necessidade de dimensionamento de suporte em aberturas subterrâneas [3,4].
  • 4.
    O sistema RMR(Rock Mass Rating), assim intitulado por Bieniawski, analisa uma série de parâmetros geológicos e geotécnicos no maciço e ponderam uma pontuação frente estes parâmetros. A partir do valor obtido para o RMR pode-se estimar uma série de informações úteis, como o vão autoportante, o tempo de autossustentação, a pressão de suporte para uma dada abertura, e também, ajudar na escolha do método de escavação [4]. Também, pode-se estimar: a coesão, o ângulo de atrito interno, o módulo de deformação do maciço rochoso e a pressão de suporte máxima variando conforme a classe do maciço. No entanto, estas informações só deverão ser utilizadas para estudos de viabilidade e projetos preliminares. Ensaios in situ e modelagens numéricas para definições de suportes permanentes serão sempre essenciais, principalmente para o caso de cavernas ou grandes aberturas, em que as condições geológicas apresentam uma grande variação [1,4]. Para determinar o RMR de um dado maciço rochoso, alguns parâmetros geomecânicos devem ser analisados e receberão uma pontuação crescente, quanto mais favorável for à estabilidade na frente de escavação [1,4]:  Resistência à compressão simples (de 0 a 15 pontos);  RQD= Índice de Qualidade das Rochas (de 3 a 20 pontos);  Maior ou menor espaçamento entre as fraturas mapeadas (de 5 a 20 4 pontos);  Condições das fraturas (de 0 a 30 pontos);  Posição, orientação das fraturas em relação às escavações (de -60 a 0 ponto);  Presença ou ação de água subterrânea (de 0 a 10 pontos). O somatório destes pontos irá determinar o valor do RMR e, assim, a classe do maciço. Baseado no valor do RMR é possível projetar o vão autoportante, o tempo de autossustentação, a pressão de suporte para uma dada abertura de um maciço, a dimensão e a geometria mais adequada para as seções de escavação e, também, projetar os tratamentos primários a ser aplicado, estimar a coesão, o ângulo de atrito interno, o módulo de deformação do maciço e a pressão de suporte máxima variando conforme sua classe [1,4]: Tabela 1- Classe do maciço pelo RMR [1]. Classes I II III IV V PONTOS 110/81 81/61 60/41 40/21 < 20 DESCRIÇÃO Ótimo Bom Regular Pobre Muito pobre SUSTENTAÇÃO 10 anos 6 meses 1 semana 5 horas 10 minutos VÃO/SEÇÃO 15 m 10 m 5 m 2,5 m 1 m Bieniawski estabeleceu recomendações quanto ao modo de escavação e tipo de suporte a adaptar para túneis com cerca de 10 metros de vão, tensão vertical inferior a 25 [MPa] e escavados com explosivos. 3.2. Sugestão de Suporte de túneis de Romana Romana estabeleceu recomendações quanto ao modo de escavação e tipo de suporte em túneis com vão entre 10 e 14 metros. Para tal, buscou complementar
  • 5.
    novos parâmetros àclassificação de Bieniawski. Todavia, Romana estabeleceu estas novas recomendações com base em estudos geológicos na construção de túneis na Península Ibérica, por esta razão os parâmetros descritos podem não ser representativos para outras regiões [3]. A classificação de Bieniawski divide o índice RMR em cinco classes (I, II, III, IV e V) variando entre “Muito boa” a “Muito má”. Romana propõe então a substituição do sistema de cinco classes por um sistema de 10 subclasses. Tendo cada subclasse uma amplitude de 10 pontos, e para manter certo grau de correlação com a classificação de Bieniawski, denomina-se com a numeração romana de Bieniawski (I, II, III, IV e V) seguido de uma letra, a para a metade superior e b para a metade inferior de cada classe [3]. 5 3.3. Classificação de suporte de túneis pelo índice Q (Barton) Baseado em mais de 200 casos históricos de problemas em obras subterrâneas, Barton et. al. desenvolveram esse sistema de classificação, pelo NGI-Instituto Geotécnico da Noruega. Esse índice é determinado a partir do levantamento de seus parâmetros geomecânicos e é calculado pela expressão: Q= (RQD/Jn) x (Jr/Ja) x (Jw/SRF), onde [1,4]:  RQD (de 10 a 100);  Jn= nº de famílias de fraturas (de 0,5 a 20);  Jr= rugosidade das paredes das fraturas (de 0,5 a 4);  Ja= grau de alteração das paredes das fraturas (de 0,07 a 20);  Jw= influência da água subterrânea (0,05 a 1);  SRF= (Stress Reduction Factor), estado de tensões do maciço no entorno da seção da escavação. Em suma: o maciço será classificado numa classe inferior, com valor do índice Q reduzido, na medida em que o RQD for baixo (<50); o nº de famílias de fraturas for alto (Jn>1); a rugosidade das paredes das fraturas for baixa, ou paredes lisas (Jr<1); as paredes das fraturas forem mais alteradas ou preenchidas com rocha alterada (Ja>1); ocorrer uma maior quantidade de água subterrânea na frente (Jw<1) e/ou SRF alto (>1), adotado quando há presença de minerais expansivos ou de maciços sujeitos a fenômenos geológicos como rockbursting [1]. Em princípio, uma classificação geomecânica de maciços rochosos baseado neste índice pode ser assim expresso [1]: Tabela 2- Classificação pelo índice Q CLASSE I II III IV V VI INDICE Q >20 10<Q<20 4<Q<10 1<Q<4 0,1<Q<1 <0,1 4. Tratamentos de acordo com a classificação geomecânica A partir das classificações geomecânicas dos maciços pelo NATM, e ajustes pelo RMR ou Q, para cada classe de maciço deverão ser previstos os tratamentos a serem aplicados, acompanhando o avanço da frente de escavação. Estes se constituem nos tratamentos primários, ou até definitivos, que irão proporcionar uma
  • 6.
    maior estabilidade nasfrentes de escavação, evitando-se problemas acidentais como queda de blocos, por exemplo, além de inibir a iniciação de processos de relaxamento-deformação do maciço, que podem ocorrer em função do avanço das escavações [1]. Para classes de maciços com menor autossuporte e coesão (maciços de classe inferior a IV) poderão, também, ser indicados e quantificados tratamentos especiais, a serem aplicados preliminarmente às escavações subterrâneas, de modo a dispor uma maior estabilidade temporária. Isso favorecerá as escavações na frente, além de propiciar a aplicação de tratamentos primários posteriores, seguindo passo a passo o avanço das escavações [1]. Os principais tratamentos referentes a suportes nas escavações, a partir do advento do NATM são segundo Geraldi [1]: 6 Tratamentos preliminares especiais:  Enfilagens mecânicas;  Enfilagens tubulares injetadas;  Pregagem da frente de escavação;  Injeções de consolidação do maciço;  Consolidação temporária do maciço por congelamento. Tratamentos primários e revestimentos:  Chumbadores de aço, tipo monobarra, ancorados com calda de cimento ou resinas epóxicas;  Telas metálicas soldadas;  Tirantes de aço, tipo monobarra, ancorados com resinas epóxicas e pós-tensionados;  Concreto projetado;  Concreto moldado;  Cambotas metálicas, feitas de perfis metálicos ou com barras de aço soldadas, as chamadas cambotas “treliçadas”;  Concreto projetado reforçado com fibras metálicas ou de polipropileno. Além destes, algumas classes de maciços podem exigir tratamentos prévios e/ou durante a escavação da frente, como a drenagem da água subterrânea nas frentes e rebaixamento do lençol freático [1]. Nos projetos, estas metodologias permitem ao técnico um maior controle, e consequentemente, uma maior segurança nas escavações subterrâneas, podendo ser previstos e quantificados com grande precisão, a partir de uma correta classificação geomecânica preliminar dos maciços [1]. Devido às condições geomecânicas mais favoráveis em maciços de classes I e II, a aplicação de tratamentos primários poderá até ser desnecessária ou acompanhar o avanço da frente com certa defasagem, de modo a não interferir os ciclos de escavação. Entretanto, para maciços de classes III e IV, maciços rochosos com condições geomecânicas variadas, a cada avanço devem ser aplicados os tratamentos necessários, após a conclusão dos serviços de limpeza da rocha detonada [1]. De acordo com o grau de alteração do maciço e suas condições de autossustentação, as escavações da frente serão sempre acompanhadas da aplicação de suportes e revestimentos primários, tratamentos específicos para se conseguir uma maior estabilidade da frente escavada, sendo que, no final das
  • 7.
    escavações o túneldeverá ser revestido com concreto moldado ou mesmo com camada mais espessa de concreto projetado aplicado sobre armadura metálica, ou concreto projetado reforçado com fibras [1]. Como dito antes, com o surgimento do NATM e da classificação dos maciços rochosos, foram projetados suportes, revestimentos e tratamentos, a serem aplicados durante as escavações de túneis. Os maciços rochosos, classificados como uma das classes I, II ou III, contemplam rochas duras e autoportantes quando escavadas. Todavia, nos maciços rochosos de classe IV, a presença de descontinuidades atuantes como falhamentos, planos de xistosidades, fraturas e água subterrânea, podem criar zonas de instabilidade ao longo do traçado do túnel, de forma isolada ou em conjunto [1]. Poderão ocorrer acidentes geotécnicos durante as escavações, tais como quedas de blocos ou de lascas de rocha, além de ser iniciados processos de instabilização mais amplos. Por isso se faz necessário a execução de tratamentos durante as escavações, com a aplicação de suportes e revestimentos primários, seguindo a evolução, avanço da frente, inibindo esses processos de instabilização e, portanto, propiciando maior segurança para os trabalhos. O NATM recomenda a aplicação dos seguintes suportes e revestimentos 7 primários, para a escavação de túneis em rocha [1]: 4.1. Chumbadores monobarra ou ancoragens passivas Aplicados de forma isolada ou segundo uma distribuição regular na seção de escavação de um túnel e visam à fixação de blocos e cunhas de rocha ou mesmo como reforço de abóbadas e paredes rochosas provenientes das escavações em maciços mais fraturados. São os principais suportes primários para tratamentos localizados em trechos de túneis escavados em maciços rochosos de classes I e II, permitindo a continuidade normal das escavações e melhorando as condições de segurança. Esses chumbadores são fabricados, normalmente com barras de aço CA-50, diâmetros de 7/8” a 1”, comprimento variando de 2 a 6m (monobarra ou interconectados com luvas especiais) e devem receber uma pintura anticorrosiva. Sua fixação nos furos é feita com a utilização de argamassas de cimento, com aditivos especiais, ou cartuchos de resinas epóxicas, que deverão preencher todo o espaço anular entre o furo e a barra de aço. Segundo Geraldi, 2011 [1]: “Os chumbadores não receberão nenhuma carga ou protensão após a sua colocação no furo e seu princípio de funcionamento pode ser assim explicado: ocorre inicialmente uma tração natural, inicial e instantânea da barra de aço ancorada, provocada pelo relaxamento do maciço rochoso em escavação, seguida da posterior reação da barra tracionada, que exercerá uma força de compressão contra o maciço”. 4.2. Tirantes monobarra Estes tirantes são fabricados com barras de aço CA-50 ou de aços especiais, com maior resistência a tração, em geral com comprimentos de 2 a 6m e diâmetro de 1” a 1 ¾”, também com pintura anticorrosiva. Entretanto, uma vez aplicados, estes receberão cargas de tração-protensão, variando de 8 a 20 ton, de modo a exercer sobre o maciço esforços de compressão quase que imediatos, inibindo de
  • 8.
    forma rápida qualquerprocesso de movimentação, ruptura ou deformação do maciço na frente de escavação. Sua utilização é indicada para maciços de classes III e IV, que envolvem rochas sãs a medianamente alteradas, com grau de faturamento elevado [1]. Sua aplicação será sempre em conjunto, com os tirantes distribuídos radialmente ao longo do trecho de túnel, em fileiras ou malhas geometricamente demarcadas, normalmente na abóbada ou nas paredes do túnel, com espaçamentos e afastamentos adequados a cada situação, criando um arco de maciço sob forte compressão, de modo a conferir à seção escavada, por completo, uma maior estabilidade, o chamado efeito “arco colaborante” (vide Figura 1). 8 Figura 1- Aplicação de chumbadores e/ou tirantes radiais em abóbada de túneis escavados em rocha, e revestimento com concreto projetado de acordo com a classificação geomecânica dos maciços. Retirado de Geraldi, 2011:pág 222, [1]. Para aplicação da protensão, os tirantes serão colocados nos furos já preenchidos com cartuchos de resina epóxicas. Em geral, na extremidade do furo serão colocados dois cartuchos de resina de pega-rápida (40 a 60 minutos, quando a protensão deverá ser aplicada), sendo o restante do furo preenchido com cartuchos de resina de pega-lenta. Esses tirantes têm sua extremidade rosqueada e são equipados com placas de aço especiais, uma cunha para posicionamento e duas porcas. A protensão será conferida apertando-se a primeira porca contra a placa, utilizando-se ferramentas especiais, como chaves de impacto. A carga de tração conferida ao tirante deverá ser checada depois com torquímetros [1]. Assim como nos chumbadores, os tirantes deverão ser aplicados em furos da ordem de 1,5 vez o diâmetro da barra de aço. Também são fabricados os tirantes de coquilha expansiva, que poderão receber cargas de protensão da mesma ordem dos tirantes de resina. O baixo custo somado à facilidade de colocação dos tirantes de resina, entretanto, tem sido decisivos para a adoção deste tipo de tirante na grande maioria das obras de mineração subterrâneas. Segundo Geraldi, 2011 [1]: “Para a utilização de tirantes, não poderá ser empregada argamassa de cimento para sua incorporação ao maciço, uma vez que iria ocorrer o completo aprisionamento da barra de aço, impossibilitando a execução do seu giro para se aplicar a tração-protensão desejada”. O atirantamento em maciços de classes III e IV será sempre sistemático, acompanhando sempre os avanços da frente de escavação. Sua aplicação com
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    maior defasagem emrelação ao avanço da frente poderá ser totalmente inofensiva, visto que o maciço mais fraturado já pode ter entrado em estado de relaxamento, com desprendimento inicial de blocos e cunhas de rocha. Sua correta aplicação proporcionará à escavação uma estabilidade quase que permanente; todavia, sempre é aconselhável proceder a um revestimento final, com concreto projetado, do trecho já reforçado com tirantes (vide figura 2) [1]. Figura 2- Aplicação de enfilagens tubulares e cambotas em abóbada de túneis escavados em rocha alterada; 9 revestimento com Concreto Projetado Reforçado com Fibras (CPRF). Fonte: Geraldi, 2011. Pág 223 [1]. 4.3. Tela metálica A aplicação de telas metálicas é ainda muito utilizada em túneis escavados em rocha, onde o maciço se encontra mais fraturado e, principalmente, em tuneis escavados em solo e rocha alterada. No geral, a superfície rochosa deverá ser limpa e receber a projeção de uma primeira camada de concreto projetado de espessura reduzida (<3cm) [1]. A tela metálica, geralmente eletrossoldada, será assim aplicada com a utilização de chumbadores curtos, recebendo em seguida a projeção de novas camadas de concreto projetado até a sua completa cobertura e incorporação ao maciço. Com o surgimento do Concreto Projetado Reforçado com Fibras (CPRF), a tela metálica foi sendo substituída aos poucos nos túneis em rocha como suporte primário, uma vez que sua utilização apresenta as seguintes desvantagens se comparadas às do CPRF:  Flexibilidade e rapidez A projeção de concreto sobre a tela metálica é muito demorada e complexa, visto que a colocação da tela exige um tempo considerável, paralisando praticamente as outras atividades na frente da escavação. Há de se considerar, inclusive, que o maciço já poderá apresentar alguma relaxação até que se termine o revestimento com tela e concreto projetado.  Volumes de concreto A projeção de concreto sobre a tela será sempre de maior volume que o volume previsto em projeto, em função das maiores perdas por reflexão provocadas pela própria estrutura da tela e por sua fixação contra o maciço.
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    Há de seconsiderar inclusive a necessidade de se cobrir totalmente com o concreto projetado a área com tela aplicada. No geral, caso se trate de um maciço mais fraturado, a superfície rochosa será sempre mais irregular, surgindo os overbreaks provocados nas escavações. Desse modo, maiores volumes de concreto poderão ser necessários para “tapar” estes buracos e cobrir totalmente a tela, sem nenhuma função estrutural. 10 4.4. Concreto projetado Com o advento do NATM, este suporte passou a ser amis utilizado nas obras subterrâneas, uma vez que, após sua aplicação com altras pressões contra a superfície rochosa, o concreto projetado atingirá resistências elevadas, da ordem de até 3 kg/cm2 em no máximo duas horas, passando a atuar como suporte imediato a seção em escavação ou escavada [1]. Esta propriedade fundamental aliada à evolução dos equipamentos e aditivos diversos para a aplicação de concreto projetado fez deste revestimento, primário o principal recurso técnico para a abertura de trechos de maciços em condições geomecânicas adversas, aumentando quase instantaneamente as condições de autossuporte do maciço e “inibindo os processos de relaxação e deformação que podem se instalar na frente recém-escavada” [1]. A mistura das fibras metálicas com o concreto projetadas, convenientemente aplicadas no contorno da seção escavada, substituiu, com vantagens, a utilização de telas metálicas eletrossoldadas. Antes, as telas eram prefixadas no maciço mais fraturado que, em seguida, receberia o revestimento de concreto projetado simples. O Concreto Projetado Reforçado com Fibras Metálico, prontamente aplicado contra o maciço recém-escavado, atinge rapidamente resistências ainda mais altas (até 6 kg/cm2 em 3 horas) e se apresenta atualmente no principal artifício de tratamento primário nas escavações de túneis em maciços muitos fraturados ou alterados, que apresentam condições variadas de suporte e estabilidade [1]. Para a correta aplicação do concreto projetado, deverá ser feita preliminarmente uma correta limpeza da superfície rochosa, com a completa remoção de fragmentos de rocha soltos e uma criteriosa lavagem da área de aplicação. De acordo com um maior ou menor grau de faturamento da rocha no local de aplicação, a camada inicial de concreto irá variar de 5 a 10 cm de espessura [1]. Em áreas ou faces de maciço com uma maior presença de água subterrânea, é necessário fazer drenagens e condução dos cursos de água, evitando-se maiores perdas por reflexão de concreto, graças à baixa aderência que será provocada pela presença de água [1]. OBS: Geraldi, 2011 [1], afirma que desde o ano 2000 as fibras plásticas de polipropileno estão substituindo as fibras metálicas com os mesmos resultados com relação à resistência do concreto projetado, já que as fibras metálicas causam grande desgaste nos equipamentos de projeção de concreto e tubulações. Com o desenvolvimento das modernas metodologias de escavação de túneis e tratamento dos maciços, estas obras podem ser desenvolvidas hoje em dia atingindo grandes avanços mensais, vencendo desafios de engenharia que, até então, eram considerados quase impossíveis de serem superados [1]. 4. Tratamentos para a escavação de túneis em maciços de classe V As técnicas usualmente empregadas para tratamentos preliminares em maciços de classe V são [1]:
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    11 4.1. Enfilagenstubulares injetadas Consistem na execução prévia de furos acompanhando o contorno da seção da escavação do túnel, em toda sua extensão ou na abóbada. Nesses furos serão colocados tubos de aço tipo Schedulle de 2” a 2 ½”, que serão injetados com caldas de cimento, formando um arco de proteção mais resistente englobando toda a seção de escavação do túnel ou, no mínimo, seu teto. Poderá ser necessário executar mais de um lance de enfilagens ou até mesmo se empregar sistematicamente esse tratamento ao longo de todo o traçado do túnel, em maciços com baixo grau de autossuporte. Os furos terão de 3” a 4” de diâmetro, com profundidade de 10 a 12m, de acordo com as condições locais do maciço. Uma vez concluídas as injeções, procede-se o avanço gradual do túnel, com a colocação de cambotas metálicas e projeção de concreto, até se chegar a 8 ou 10m de penetração, permanecendo um trecho de 2m de enfilagens como uma proteção à frente, para a execução de mais um lance de enfilagens, se for preciso [1]. 4.2. Enfilagens mecânicas Caracterizam-se na perfuração e colocação nos furos de barras de aço, normalmente de aço CA-50 de 1”, que serão colocadas no maciço com resina epóxica ou argamassa, seguindo o contorno da escavação. Normalmente essas enfilagens são colocadas principalmente na escavação da abóboda, onde o maciço se apresentar com baixas condições de estabilidade temporária [1]. 4.3. Colunas de CCPH (Jet Grounting) Trata-se do principal tratamento para escavações em maciços mais frágeis, de baixa coesão, sem qualquer estabilidade temporária. De modo geral, esse método consiste na “fabricação” de colunas justapostas de concreto no interior do maciço a escavar, dispostas de modo a envolver a seção de escavação formando um arco de proteção com grande resistência (vide figura 3) [1]. A fabricação das colunas é feita a partir da perfuração de um furo piloto com diâmetro de 4” a 6”, utilizando uma perfuratriz rotativa especial. Atingida a profundidade projetada, geralmente entre 8 e 12m, a coluna de perfuração passará a atuar como ferramenta de injeção de calda de cimento com altas pressões, que no seu giro e recuo irá desintegrando o maciço, misturando-o com cimento injetado, formando a coluna em diâmetros de 0,4 até 1 m [1]. Sua limitação se encontra na menor ou maior resistência do material que forma o maciço. Sendo um maciço mais consistente, mesmo que alterado, não será possível a sua desagregação e formação da coluna, impedindo do método ser aplicado.
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    Figura 3-Aplicação deJet Grouting e escavação preliminar de sidedrifts para túneis em terrenos de baixa coesão; aplicação posterior de cambotas metálicas e revestimento com concreto projetado, inclusive a construção de 12 arco invertido. Fonte Geraldi, 2011, Pág:237. 4.4. Agulhamento ou pregagem da frente A utilização sistemática do “jet grounting” como agulhamento da frente de escavação será de alto custo e até inviável em alguns tipos de rochas mais heterogêneos. Normalmente, visando uma maior estabilidade temporária da frente de escavação, é utilizado o agulhamento ou pregagem da frente. Isso consiste na perfuração, seguida da instalação de tubos de PVC rígido com diâmetro de 64 a 100mm, com até 15m de profundidade. Os furos são horizontais, dispostos em malhas de perfuração adequadas a maior ou menor instabilidade da frente e serão injetados com calda de cimento, promovendo o “enraizamento” ou pregagem da frente [1]. Sem maiores riscos de ocorrência de abatimentos para o interior do túnel, a pregagem vai facilitar e muito as escavações, a colocação de cambotas e a projeção de concreto. 4.5. Injeções de consolidação do maciço Estas irão proporcionar uma maior coesão intergranular, consolidar e até impermeabilizar o maciço em tratamento, melhorando suas condições de autossustentação e estabilidade temporária para as futuras escavações subterrâneas [1]. 5. Suportes e revestimentos primários para a escavação de túneis em maciços de classe V Além dos tratamentos descritos anteriormente, algumas técnicas foram desenvolvidas com o surgimento do NATM e são muito utilizados em escavações de túneis e galerias de maciços de classe V, sendo os principais:
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    13 5.1. Cambotasmetálicas São normalmente constituídas de duas ou mais peças que serão montadas e aparafusadas no local da aplicação, formando uma moldura metálica, um arco de sustentação de forma ajustada à abóbada e paredes da seção de escavação, apoiando-se de forma direta no piso do túnel, através de placas de concreto pré-moldado [1]. Antes, o ajuste entre a cambota e o maciço era feito de forma lenta com o uso de pranchas e cunhas de madeira. Atualmente, a cambota será posicionada, ajustada e incorporada rapidamente ao maciço com a utilização de concreto projetado, passando a atuar de forma ativa, inibindo os processos de deformação na frente da escavação. 5.2. CPRF Esse tipo pode ser considerado o principal artifício a ser utilizado para que se alcance, de forma rápida, atingir as condições de estabilidade nas frentes de escavação subterrânea. O autor ainda destaca: “Para as escavações em maciços de classe V, o concreto projetado é de vital importância e, sem ele praticamente não seria possível a escavação de túneis pelo método NATM” [1]. 5.3. Arcos invertidos com concreto projetado ou moldado Em maciços pouco consolidados, de baixa coesão, onde ocorrem esforços laterais provenientes de movimentações do maciço em escavação, os arcos invertidos tornam-se necessários. Essas estruturas são construídas nas soleiras dos túneis, com concreto armado ou projetado, se constituindo em uma estrutura auxiliar do escoramento na fase de escavação ou mesmo como parte integrante do revestimento final do túnel proporcionando:  Melhores condições de fundação para o apoio do escoramento do túnel, formado de cabotas metálicas e revestimento com concreto projetado;  Travamento dos pés das cambotas, impedindo movimentações laterais e consequentemente o fechamento da seção escavada.  A construção do arco invertido, devidamente incorporado ao revestimento do túnel, paredes laterais e abóbadas, proporciona uma melhor distribuição dos esforços que atuam sobre o contorno da seção escavada. 5.4. Drenagens A água subterrânea poderá se tornar um problema em função de seu maior volume e gradiente de pressão, gerando problemas diretos como inundações da frente, trazendo diversos materiais para o interior das escavações ou até atuando sobre a estabilidade da frente ou das paredes de escavação, sendo necessárias medidas como rebaixamento do nível de água e dreno horizontal profundo. Onde, normalmente, os drenos serão instalados nas laterais do túnel (fora da área da seção), na direção do eixo só que com leve divergência e com profundidades chegando até 20m [1].
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    14 6. CritériosGeomecânicos de Ruptura Para avaliação do estado de tensão e deformação do maciço rochoso, devem-se considerar dois aspectos: primeiro, antes da execução de uma obra em rocha existe um estado de tensão decorrente das condições naturais dos maciços; o segundo aspecto é que após a execução da escavação o estado de tensão preexistente sofrerá uma redistribuição em função da forma da escavação e sua disposição espacial. Em outras palavras, é necessário se identificar os valores de tensão e deformação que levarão o material a uma ruptura. Esses valores são obtidos através de ensaios experimentais para os diversos possíveis esforços presentes nas estruturas, como tração, compressão, os mais conhecidos e executados, e os de cisalhamento, torção e flexão, utilizados para finalidades específicas [2,3,4]. Os parâmetros geomecânicos de ruptura são obtidos através de ensaios de laboratório e no campo, bem como da experiência dos profissionais envolvidos, que fornecem os dados de coesão, ângulo de atrito interno, módulo de deformabilidade do maciço, etc. Os resultados de uma classificação normalmente não são universalmente aplicáveis, restringindo-se, a priori, àqueles casos para os quais a classificação foi originalmente determinada [3]. Critérios de ruptura são relações entre as tensões correspondentes ao estado de ruptura de um material. No caso de rochas é muitas vezes difícil de definir o que seja um estado de ruptura. No entanto, é comum se associar este estado às tensões correspondentes ao pico da curva tensão-deformação. Cabe lembrar que após o pico da curva tensão-deformação, a rocha não perde completamente sua capacidade de resistência, podendo atingir um estado de tensões denominado residual [3,4]. Vários critérios têm sido introduzidos na definição de resistência da rocha intacta. Temos como principais critérios: Mohr-Coulomb; Griffith; e Hoek e Brown [3,4,5]. 6.1. Critério de Mohr-Coulomb O critério de Mohr-Coulomb é o mais simples e conhecido dos critérios de ruptura para materiais granulares foi proposto por Coulomb em 1773, que sugeriu que a resistência ao cisalhamento seria composta de duas parcelas: a coesão e o atrito do material [3]. Aplicando estas parcelas no círculo de Mohr, obtemos uma envoltória de ruptura linear a todos os círculos de Mohr que representem combinações críticas de tensões principais. Em outras palavras, o critério de Coulomb pode ser convenientemente descrito por uma linha reta no espaço de Mohr, com μ representando sua inclinação e ϕ o ângulo de inclinação, cuja ruptura ocorrerá quando a resistência interna ou coesão (c) for excedida [4,5]. Logo, a resistência ao cisalhamento é composta da coesão e do ângulo de atrito do material. Deste modo, pode ser escrito em termos das tensões de tensão de cisalhamento (휏) e normal (σ) atuantes no plano de ruptura, que é representado pelo ponto de tangencia de um círculo de Mohr crítico com a envolvente de Coulomb Figura 4, ou seja [3,4,5]: 휏 = 푐 + 휎푛 푡푔휙 = 푐 + 휎푛 μ
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    15 Em que: 휏 - resistência ao cisalhamento; 휏 = 2푐 푐표푠∅ 1+ 푠푒푛∅ c - coesão aparente da junta; 휎푛 - Tensão normal ao plano de ruptura; ϕ – ângulo de atrito interno do material; μ - Coeficiente de atrito interno. O critério de Mohr- Coulomb pode também ser definido com relação às tensões principais, na seguinte forma: 휎1 = 휏 + 휎3 푡푎푛훽 Onde, 휎1 − 푡푒푛푠ã표 푝푟푖푛푐푖푝푎푙 푚á푥푖푚푎 휎3 − 푡푒푛푠ã표 푝푟푖푛푐푖푝푎푙 푚í푛푖푚푎 푡푎푛훽 = 푡푎푛2 (45 + ∅ 2 ) Figura 4-Envoltória Linear de Mohr-Coulomb. Fonte: [3], p. 36 Neste sentido, o esforço de cisalhamento necessário para início de uma fratura de cisalhamento também depende do esforço normal através do plano de cisalhamento em potencial: quanto maior for o esforço normal, maior será o esforço de cisalhamento necessário para produzir uma fratura de cisalhamento. Caso o esforço normal aplicado a rocha supere sua resistência interna, o círculo de Mohr tocará a envoltória (limite de estabilidade e início de instabilidade), ocasionando a ruptura da rocha [3]. Os parâmetros do material, c e ϕ, podem ser obtidos a partir de ensaios triaxiais na rocha intacta, c pode ser interpretado como uma resistência ao cisalhamento inerente ao material, independente do nível de tensões atuantes [3,4]. 6.2. Critério de Griffith No critério de Griffith é descrito o que acontece com o material microscopicamente. Griffith (1921) observou que há uma grande diferença entre os materiais perfeitamente isotrópicos e a resistência real de rochas naturais determinada em
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    laboratório. Ele baseouseu estudo teórico sobre a resistência ao fraturamento rúptil extensional uniaxial de uma rocha sem defeitos [4,5]. Desta forma, a resistência à tração de amostra de rocha de comportamento frágil, medida em laboratório, era menor que os valores calculados teoricamente através da determinação das forças intermoleculares. Essa di ferença sugeriu a hipótese de que as fraturas da rocha sejam provocadas por concentrações de tensões nas extremidades de pequenas fissuras preexistentes no material de forma elíptica (Figura 5) [4,5]. Figura 5-Microfraturamento causado pela aplicação de tensão nas extremidades de pequenas fissuras. Fonte [5], 16 p. 177 Daí, ele postulou que, para materiais frágeis, a fratura inicia-se quando é ultrapassada a resistências à tração do material nas extremidades de defeitos microscópicos, onde há concentração de tensões e por isso, as rochas e os minerais estão longe da perfeição. As rochas contêm abundancia de defeitos microscópicos e microfraturas, cavidades vazias, poros e limites de grãos [5]. Ao contrário de Coulomb, Griffith encontrou uma relação não linear entre esforços principais em uma rocha entre esforços principais em rocha submetida a um esforço critico (próximo a ruptura). Essa relação, denominada critério de fraturamento de Griffith, é dada pela equação [5]: 휏 2 + 4푇휎푛 − 4푇2 = 0 Essa equação define uma parábola no diagrama de Mohr, no qual a resistência a tração T é a intersecção com o eixo horizontal. A intersecção entre a parábola de Griffith e o eixo vertical é encontrada ao considerar 휎푛 = 0, o que resulta em 휏 = 2푇, que corresponde a c, ou coesão interna do material. Ou seja, a resistência coesiva de uma rocha é duas vezes maior que a sua resistência a tração, o que se aproxima com os dados experimentais [5]. 휏 = 2푇 + 휎푛 푡푔휙 Essa relação permite uma combinação simples do critério de Coulomb para regime compressional com o de Griffith para o regime extensional. No entanto, uma fratura irá se estender apenas quando a energia potencial total do sistema de forças aplicada e material decresce ou permanece constante com o aumento da fratura. Uma contribuição importante do critério de Griffith foi à percepção de que a resistência rúptil da rocha é controlada por microfraturas intragranulares aleatoriamente orientadas e distribuídas. As microfraturas orientadas próximas ao esforço de cisalhamento máximo possivelmente irão crescer mais rapidamente que
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    as outras e,então, conectar-se e formar fraturas que atravessarão a rocha como um todo [4,5]. 17 O critério estabelece o início de fratura para (Figura 6): Figura 6-Representação gráfica do critério de Griffith. Fonte: [5], p. 178. (σ1 - σ3)2 = 8 T0 (σ1 + σ3), se σ1 + 3σ3 > 0 σ3 = -T0, se σ1 + 3σ3 < 0 Onde : σ1 , σ3 = Tensões principais maior e menor respectivamente T0 = resistência à tração uniaxial A essência do critério de Griffith é que para um material quebrar sob tensão, a presença de micro-trincas pré-existentes exige que seja liberada energia suficiente que seja capaz de permitir a formação e propagação de novas superfícies [5]. Neste contexto, Griffith demonstrou, que quando uma trinca de comprimento 2a se forma (Figura 7) a tensão elástica agindo sobre o material relaxa liberando uma energia UE = -( a2.T2)/E (para uma espessura unitária da amostra), onde E é o módulo de Young e T é a tensão de tração aplicada ao corpo; em compensação é despendido um trabalho de criação de duas novas superfícies livres de US = 4.a. , onde  é a energia de superfície. A energia total é UT = UE + U [5]. Figura 7-Placa plana carregada uniaxialmente, promovendo o inicio da propagação da fratura unitária. Fonte [5], p. 178. Griffith propõe que a trinca cresce espontaneamente apenas se um aumento infinitesimal σa na trinca provocar uma variação nula ou negativa na energia a ela associada, ou seja:
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    18 Ocorrerá rupturase: 흈 ≥ (ퟐ휸푬 풂 ) ퟎ,ퟓ O critério de Griffith pressupõe que o raio na ponta da trinca seja fino o suficiente para que a tensão local exceda a energia de coesão do material, causando a ruptura. Neste sentido, para uma determinada rocha, a resistência a tração irá variar inversamente com o quadrado do comprimento inicial da trinca. Isto permite emitir uma explicação mecânica mais simples e direta sobre o efeito de tamanho: a resistência à tração diminui com o aumento no comprimento da trinca, e espécimes mais espessos tendem a conter trincas maiores. 6.3. Critério de Hoek-Brown O critério foi derivado a partir dos resultados de pesquisas de rupturas frágeis em rocha intacta e em modelos de maciços rochosos fraturados. Inicialmente é realizada uma análise das propriedades de resistência da rocha intacta, e são introduzidos fatores que visam minorar estas características baseado nas descontinuidades do maciço. Os autores tentaram estabelecer uma ligação entre o critério empírico e as observações geológicas, através das classificações geomecânicas. Com isso montaram uma expressão adimensional fazendo uma relação empírica entre as tensões principais na ruptura definida pela equação [2, 3, 4]: 휎1 푐0 = 휎3 푐0 + √푚 + 휎3 푐0 + 푠 Onde: 휎1= tensão principal efetiva na ruptura; 휎3= tensão principal menor efetiva na ruptura; c0 = Resistência à compressão uniaxial da rocha intacta; m = constante para maciço rochoso; e s = constante empírica, que é função do grau de fraturamento do maciço rochoso [2,3]. Em seguida, sugeriram uma função potência para condição de ruptura, que pode também ser aplicadas a rochas anisotrópicas e fraturadas. No espaço das tensões principais efetivas, essa condição conhecida como critério de Hoek-Brown original, é expressa por [2,3]: 2 휎1 = 휎3 + √푚푐0휎3 + 푠푐0 Para estimar, por exemplo, a resistência a tração de maciços rochosos, faz-se tensão principal máxima igual a zero e a tensão principal mínima igual a tensão total, obtendo-se [2, 3]: 휎푡 = 푐0 2 (푚 − √푚2 + 4푠 ) Dentre os critérios de ruptura disponíveis, o de Hoek e Brown é o único que leva consideração a resistência da rocha intacta e do maciço rochoso (através das constantes m, s, c0) [2,3]. Os valores do parâmetro m podem ser estimados através de uma relação aproximada entre a resistência à compressão e a resistência à tração da rocha intacta, onde [2]:  Altos valores de m (15-25) tendem a se associar a rochas ígneas e metamórficas (frágeis).
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     Baixos valoresde m (3-5) tendem a se associar a rochas cabornáticas mais 19 dúcteis. O parâmetro s caracteriza o grau de alteração das rochas, onde:  Para rochas intactas que tenham resistência a tração finita, s assume o valor máximo, 1 (s=1).  Para rochas muito fraturadas para as quais a resistência à tração é nula e a resistência de coesão do maciço é zero quando a tensão efetiva é zero, o valor de s=0. Apesar do critério de resistência de Hoek & Brown para maciços rochosos ser grandemente aceito e ter sido aplicado num vasto leque de projetos, há algumas incertezas e imprecisões que podem tornar o critério inconveniente ao ser aplicado e incorporado em modelos numéricos e programas de análise por equilíbrio limite. Em particular, a dificuldade em se estimar valores “equivalentes” aceitáveis do ângulo de atrito e da coesão para um determinado maciço rochoso, parâmetros estes que são diretamente estimados com o critério de Mohr-Coulomb [4]. 7. Estudo de Caso Visando aplicar os conhecimentos adquiridos quanto ao tipo de suporte de acordo com a classificação geomecânica, e o possível tipo de ruptura proveniente num determinado tipo de maciço, nos foi dado o seguinte problema: “Estimar a estabilidade de escavação com 10m de vão, desenvolvida de Leste para Oeste, utilizando-se dos sistemas RMR e Q: trata-se de um maciço de xisto argiloso escavado a profundidade de 200m que contém três famílias de descontinuidades: 1. Família 1: consiste em planos de acamamento, fortemente alterados, com superfícies levemente rugosas, contínuos com orientação 180/10. 2. Família 2: juntas levemente alteradas e rugosas, orientação 185/75. 3. Família 3: juntas, também levemente alteradas e rugosas e orientação 090/80. A resistência da rocha intacta foi definida em 55 Mpa. Para o valor do RQD e espaçamento médio de fraturas, assumir 60% e 0,4m, respectivamente”. Para a classificação deste maciço, utilizou-se primeiramente o método de classificação do RMR, de Bieniawski. Como não foram dadas as condições sobre a presença de água em torno do maciço, logo, realizou-se o estudo tanto para um maciço completamente seco, como para um maciço com graves problemas de água, onde se chegou as seguintes conclusões:
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    20 Tabela 3- Classificação do maciço rochoso por Bieniawski, com a condição de completamente seco. Parâmetros Pesos Resistência à compressão uniaxial = 55MPa 7 RQD= 60% 13 Espaçamento das juntas= 0,4m 20 Condição das juntas = Superfícies levemente rugosas. Separação <1mm. Paredes Macias 12 Presença de água = Completamente seco 10 RMR 62 Portanto, obtendo o RMR com valor igual a 62, o maciço rochoso será classificado na CLASSE II-ROCHA BOA. Tabela 4 - Classificação do maciço rochoso por Bieniawski, com graves problemas de água. Parâmetros Pesos Resistência à compressão uniaxial = 55MPa 7 RQD= 60% 13 Espaçamento das juntas = 0,4m 20 Condição das juntas = Superfícies levemente rugosas. 12 Separação <1mm. Paredes Macias Presença de água= Graves problemas de água 0 RMR 52 Sendo assim, nas condições em que o maciço encontrar graves problemas de água, e posteriormente obter o RMR com valor igual a 52, o maciço rochoso será classificado na CLASSE III: ROCHA REGULAR. A partir do mergulho das descontinuidades, assim como da disposição das mesmas quanto à direção do túnel, chegou-se a conclusão que o mergulho das descontinuidades trará condições favoráveis ao desenvolvimento do túnel. Dessa forma, o fator de correção devido à orientação das descontinuidades, por ser favorável, será subtraído “-2” dos valores do RMR. Sendo assim, teremos: 62 - 2 = 60 (p/ maciço sem a presença de água) e 52 - 2 = 50 (p/ maciço com forte presença de água em torno da escavação) Com essa correção, o maciço é classificado em ROCHA DA CLASSE III descrita como REGULAR, para os dois casos.
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    Levando em contaessa classificação, maciço de Classe III, temos as 21 seguintes características e recomendações (tabela 5 e 6): Tabela 5- Classes de maciços rochosos para túneis e valores de parâmetros de resistência. Retirado de Azevedo [4]. Classe III Descrição da qualidade Regular RMR 60 - 41 Coesão do maciço rochoso 150-200KPa Ângulo de atrito do maciço 35°- 40° Período da estabilidade sem revestimento 1 semana para um vão de 3m Tabela 6- Recomendações de escavação e suporte com base nas classes do sistema RMR. Retirado de Azevedo [4]. Classe do maciço Escavação Suporte Pregagens (20 mm diâmetroenvolvidas em Grout) Betão projetado Cimbres III Seção parcial (frente e rebaixo), avanço 1,5-3m. Início do suporte após cada fogo. Suporte completo a 10m Pregagens de 3m de comp., espaçadas de 2,5m, ocasionalmente com malha em certas zonas do teto. 50-100 mm no teto; 30 mm nas paredes Nenhum Além disso, para um maciço desta classe, como dito no início do trabalho, será recomendado o uso de tratamentos especiais visando o suporte da rocha, tais como:  Chumbadores de aço;  Telas metálicas soldadas;  Tirantes de aço,  Concreto projetado e/ou moldado;  Cambotas metálicas. Lembrando que o maciço caracterizado com presença de água no entorno da escavação será necessário realizar a drenagem dele. Após ter utilizado todos os critérios estabelecidos por Bieniawski para classificação do tipo de rocha neste estudo, utilizou-se também o método de classificação Q de Barton. Através da orientação das famílias de descontinuidades, foi possível no programa stereonet [6], ver um esboço quanto ao comportamento do desenvolvimento do túnel, já que se dá de leste para oeste, em relação a cada família. E observou-se que o desenvolvimento do túnel só intercepta duas das três famílias de descontinuidades, como visto abaixo:
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    22 Figura 8-Atitude dos planos e pólos das descontinuidades. Fonte Stereonet [7]. Assim como na utilização do método de Bieniawski, no critério de Barton teremos que levar em consideração um corpo com percolação de água mínima, e um corpo com grande percolação de água. Veremos abaixo as duas situações dispostas: Onde através dos dados obtidos, e possivelmente utilizados na formulação obtiveram-se as seguintes informações: 푄 = 푅푄퐷 퐽푛 퐽푟 퐽푎 퐽푤 푆푅퐹 Tabela 7- Parâmetros de classificação do indicie Q (maciço sem presença de água). Parâmetros Valores RQD = 60% 60 Jn = 2 famílias de descontinuidades 4 Jr = Fraturas ásperas ou irregulares, planas 1,5 Ja = Paredes levemente alteradas, com partículas arenosas e rochas 2 desintegradas não-brandas Jw = caudal nulo ou pequeno (< 5 l/min), pressão de água aproximada <1.0kg/cm² 1 SRF = C – Zona alterada com argila ou rocha quimicamente desintegrada (profundidade de escavação > 50m. 2,5 푄 = 60 4 1,5 2 1 2,5 푸 = ퟒ, ퟓ
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    Após a obtençãodos valores relativos a cada um dos parâmetros analisado, como sendo um maciço em que não há a presença de água, e obtendo o valor de Q = 4,5, o maciço é classificado como sendo da CLASSE V – MACIÇO DE QUALIDADE REGULAR. 23 Tabela 8- Parâmetros de Classificação do índice Q (Maciço com presença de água). Parâmetros Valores RQD = 60% 60 Jn = 2 famílias de descontinuidades 4 Jr = Fraturas ásperas ou irregulares, planas 1,5 Ja = Paredes levemente alteradas, com partículas arenosas e rochas 2 desintegradas não-brandas Jw = caudal excepcionalmente grande ou pressão contínua, sem decaimento notável. P>10kg/cm² 0,05 SRF = C – Zona alterada com argila ou rocha quimicamente desintegrada (profundidade de escavação > 50m. 2,5 푄 = 60 4 1,5 2 0,05 2,5 푸 = ퟎ, ퟐퟐퟓ Por conseguinte, ao analisarmos o maciço diante há presença de água, e o valor do Q = 0,225, o maciço é classificado como sendo da CLASSE VII – MACIÇO DE MUITO MÁ QUALIDADE. Depois de determinado o valor obtido da classificação do Q de Barton, e relacionando o tamanho do vão com a razão de suporte de escavação (ESR), encontrando o De, como a seguir [7]: 퐷푒 = 푉ã표, 퐷푖â푚푒푡푟표 표푢 푎푙푡푢푟푎 푑푎 푒푠푐푎푣푎çã표 (푚) 푅푎푧ã표 푑푒 푠푢푝표푟푡푒 푑푎 푒푠푐푎푣푎çã표 (퐸푆푅) Onde o numerador, como dito antes, apresenta 10m de vão.
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    A partir dográfico abaixo é possível notificar se será necessário, ou não, 24 algum tipo de suporte mediante a escavação através do gráfico De x Q: Figura 9-Relação entre De de uma escavação subterrânea não-suportada e o índice Q. Por Bieniawski [7]. Pág 82. Para isso é necessário que se realize os cálculos para diferentes ESR, já que o caso não especifica qual o tipo de obra a ser realizada. Para tal, escolhemos quatro valores arbitrários com intuito de mostrar que dependendo do valor ESR escolhido (consequentemente do tipo de obra- a partir da tabela 8), para o mesmo maciço poderá se definir a necessidade ou não de suportes. Os valores escolhidos foram: 5; 3; 1,6 e 1,3. Tabela 8 - Valores de ESR de acordo com o tipo de escavação. Por Azevedo [4]. Tipo de escavação ESR A – Aberturas mineiras temporárias 3,0 – 5,0 B – Aberturas mineiras permanentes, túneis d´água de 1,6 hidrelétricas (exceto para alta pressão), túneis pilotos, desvios, galerias de avanço C – Salões de armazenamento, plantas de tratamento de água, túneis rodoviários e ferroviários menores, túneis de acesso 1,3 D – Estações de força, túneis rodoviários e ferroviários maiores, abrigos de defesa 1,0 E – Estações nucleares subterrâneas, estações ferroviárias, salões públicos e de esporte, fábricas 0,8 푃푎푟푎 퐸푆푅 = 5,0: 퐷푒 = 10 5,0 = 2 푃푎푟푎 퐸푆푅 = 3,0: 퐷푒 = 10 3,0 = 3,333 Para 퐸푆푅 = 1,6: 퐷푒 = 10 1,6 = 6,25
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    25 푃푎푟푎 퐸푆푅= 1,3: 퐷푒 = 10 1,3 = 7,6923 Considerando o Q= 4,5 (maciço sem a presença de água): Figura 10- Variação dos Valores "De" de acordo com os valores do ESR escolhidos, levando-se o índice Q= 4,5. Por Bieniawski [7]. Pág 82. Como mostrado na figura 10, percebe-se que dependendo do valor do ESR atribuído, o mesmo maciço passa de uma condição de autossuportado para uma condição de necessidade de suporte específica. Obs: os números indicados na figura 10, representam o tipo de suporte necessário para o maciço de acordo e suas especificações: para o nº17 no gráfico, recomenda-se utilizar sistema de aparafusamento de 1-1,5m. Para o nº18 recomenda-se sistemas de aparafusamento, também, de 1-1,5m auxiliado da presença de telas metálicas [7].
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    Considerando o Q=0,225 (maciço com forte presença de água) o gráfico irá 26 se dispor da seguinte forma: Figura 11- Variação dos Valores "De" de acordo com os valores do ESR escolhidos, levando-se o índice Q= 0,225. Por Bieniawski [7]. Pág 82. Da mesma forma, dependendo do valor ESR escolhido, o maciço nesta condição, exigirá sempre um suporte para sua estabilidade. Para o nº 29, recomenda-se sistema de aparafusamento de 1m reforçado com concreto projetado com espessura de 2-3 cm; para o nº 30 recomenda-se sistema de aparafusamento de 1m reforçado com concreto projetado com espessura de 2,5-5 cm; e para o nº 31 recomenda-se sistemas de aparafusamento de 1m reforçado com concreto projetado de espessura de 5 a 12,5 cm com malha reforçada [7].
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    27 8. Referências 1. Geraldi, J. L. P. O ABC das Escavações de Rocha. Rio de Janeiro: ED. Interciência, 2011. Págs: 169-175, 182, 183, 193, 218-228, 235-246. 2. Fiori, A. P. Carmignani, L. Fundamentos de mecânica dos solos e das rochas: aplicações na estabilidade de taludes. Rev e ampl. Curitiba: ED. UFPR, 2009. Págs: 395, 396, 398, 399. 3. AGUIAR, J. C. N. M. Calibração de uma Classificação de Suportes de Túneis com o Obtido em Modelo. Faculdade de Engenharia- Universidade do Porto, Mestrado Integrado em Engenharia Civil, p. 5-42. Porto, Portugal, 2010. 4. AZEVEDO, I. C. D.; MARQUES, E. A. G. Introdução a Mecânica das Rochas. Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais: Editora UFV, p. 90- 105, 2006. 5. FOSSEN, H.. Geologia estrutural. Tradução Fábio R. D. de Andrade. São Paulo: ED Oficina de Textos, 2012. p. 172-179. 6. Stereonet. Disponível em: www.app.visiblegeology.com/stereonet.html. Retirado em <28 de julho de 2014>. 7. Bieniawski,Z.T. Engineering rock mass classification: A complete manual for engineer and geologists in mining, civil, and petroleum engineering /Ed: Wiley – Interscience 1989. Cáp 5 – 73 – 88.