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Romantismo
Contexto histórico
• Ápice da ascensão burguesa com a Revolução
Francesa, de 1789.
• Fim das barreiras rígidas entre as classes sociais
• Novo sentimento de vida, baseado na livre iniciativa,
audácia, competição, méritos pessoais do indivíduo.
• Novo público leitor
• “democratização da arte”
• Publicação em 1774 de Os sofrimentos do Jovem
Werther, de Goethe
Características
• Individualismo e subjetivismo
 O eu vitorioso
 O eu oprimido
• Sentimentalismo
• Culto à natureza
• Evasão
 Sonho e fantasia
 “Mal do século”
 Culto ao passado
Estilo Romântico
• Expressão decorre mais da inspiração do que da
pesquisa formal
• Na poesia há grande variedade métrica, de ritmos e
de rimas, indicando a liberdade de composição que
os autores possuem.
• Uso de adjetivos, hipérboles, etc (força expressiva)
• Grandiloquência, ênfase declamatória, busca
exagerada do sublime
Romantismo no Brasil
• Independência política em 1822
• Desenvolvimento da imprensa
• Primeiras instituições universitárias
• Aumento da escolarização
• Surgimento de um novo público leitor
• Sentimento ufanista
• Os valores românticos adequavam-se às aspirações
ideológicas dos escritores brasileiros
• Classicismo = dominação portuguesa no Brasil
• Suspiros poéticos e saudades, de Gonçalves de
Magalhães em 1836
Características do Romantismo no Brasil
• Busca da identidade nacional
• Indianismo
• Sertanismo (ou regionalismo)
• Culto à natureza
• Busca de uma linguagem literária nacional
Poesia Romântica
• Divisão em três gerações
• Temas e visões de mundo distintas
Geração Denominação Poetas Temas
1ª Nacionalista • Gonçalves de
Magalhães
• Gonçalves
Dias
 O índio
 A saudade da pátria
 A natureza
 A religiosidade
 O amor impossível
2ª Individualista, ou
Ultrarromântica,
ou
Geração do “Mal
do Século”
• Álvares de
Azevedo
• Casimiro de
Abreu
• Fagundes
Varela
• Junqueira
Freire
 A dúvida
 O tédio
 A orgia
 A morte
 A infância
 O medo do amor
 O sofrimento
3ª Liberal, ou
Social, ou
Condoreira
• Castro Alves
• Sousândrade
 Defesa de causas humanitárias
 Denúncia da escravidão
 Amor erótico
Poetas da Primeira Geração
Geração Nacionalista
Observações gerais:
• Nacionalismo ufanista pós-1822
• Viagens da jovem intelectualidade para o
exterior
• Sentimento de exílio
• Apogeu entre 1836 e 1851.
Gonçalves de Magalhães (1811 – 1887)
 Suspiros Poéticos e Saudades (1836)
• Marco introdutório do Romantismo no Brasil
• Encarado como possibilidade de afirmação de
uma literatura nacional, na medida em que
destruía os artifícios neoclássicos e propunha a
valorização da natureza, do índio e de uma
religiosidade panteísta (Deus =
Natureza/Universo).
• Mais valor histórico que estético.
 A Confederação dos Tamoios (1857)
• Tentativa de indianismo épico
• “fracasso”
Gonçalves Dias (1823 – 1864)
• Consolidou o Romantismo no Brasil
• Três assuntos principais:
1. Indianismo
• Reafirmação dos princípios nacionalistas/sentimento
localista posterior à Independência
• Teoria do “bom selvagem”
• Visão idealizada do índio (frequentemente inverossímil)
 I – Juca Pirama
• “aquele que vai morrer”, em Tupi.
• Publicado em Últimos cantos (1851)
• Bravura e generosidade de tupis e timbiras
• Jogo de ritmo
• O poema relata a história de um
guerreiro tupi sobrevivente e fugitivo da destruição na
costa brasileira que cai aprisionado por uma
tribo antropófaga dos Timbiras e que deve ser
sacrificado conforme o rito. Antes dos sacrifícios o
chefe Timbira propõe que àquele que vai ser morto
deve cantar às suas façanhas para que os bravos
Timbiras tenham maior gosto em sacrificá-lo
I-Juca Pirama
No meio das tabas de amenos verdores,
Cercadas de troncos - cobertos de flores,
Alteiam-se os tetos d’altiva nação;
São muitos seus filhos, nos ânimos fortes,
Temíveis na guerra, que em densas coortes
Assombram das matas a imensa extensão.
São rudos, severos, sedentos de glória,
Já prélios incitam, já cantam vitória,
Já meigos atendem à voz do cantor:
São todos Timbiras, guerreiros valentes!
Seu nome lá voa na boca das gentes,
Condão de prodígios, de glória e terror!As
tribos vizinhas, sem forças, sem brio,
As armas quebrando, lançando-as ao rio,
O incenso aspiraram dos seus maracás:
Medrosos das guerras que os fortes
acendem,
Custosos tributos ignavos lá rendem,
Aos duros guerreiros sujeitos na paz.No
centro da taba se estende um terreiro,
Onde ora se aduna o concílio guerreiro
Da tribo senhora, das tribos servis:
Os velhos sentados praticam d’outrora,
E os moços inquietos, que a festa enamora,
Derramam-se em torno dum índio
infeliz.Quem é? - ninguém sabe: seu nome é
ignoto,
Sua tribo não diz: - de um povo remoto
Descende por certo - dum povo gentil;
Assim lá na Grécia ao escravo insulano
Tornavam distinto do vil muçulmano
As linhas corretas do nobre perfil.Por casos
de guerra caiu prisioneiro
Nas mãos dos Timbiras (...)
IV
Meu canto de morte,
Guerreiros, ouvi:
Sou filho das selvas,
Nas selvas cresci;
Guerreiros, descendo
Da tribo tupi.Da tribo pujante,
Que agora anda errante
Por fado inconstante,
Guerreiros, nasci;
Sou bravo, sou forte,
Sou filho do Norte;
Meu canto de morte,
Guerreiros, ouvi. (...)
2. Natureza
• Canta o mar, o céu, os campos, as florestas, etc.
• Natureza não tem um valor universal, só é celebrada
quando representa o Brasil (pátria aparece como
natureza)
• Saudosismo/nostalgia
 Canção do Exílio
• Publicado em Primeiros Cantos (1846)
Canção do exílio
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves que aqui gorjeiam
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar –sozinho, à noite–
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
3. Amor impossível
• Sofrimento
• Amor raramente se realiza
• Ilusão perdida
Se se morre de amor
Se se morre de amor! – Não, não se morre,
Quando é fascinação que nos surpreende
De ruidoso sarau entre os festejos;
Quando luzes, calor, orquestra e flores
Assomos de prazer nos raiam n’alma,
Que embelezada e solta em tal ambiente
No que ouve e no que vê prazer alcança!
Simpáticas feições, cintura breve,
Graciosa postura, porte airoso,
Uma fita, uma flor entre os cabelos,
Um quê mal definido, acaso podem
Num engano d’amor arrebentar-nos.
Mas isso amor não é; isso é delírio
Devaneio, ilusão, que se esvaece
Ao som final da orquestra, ao derradeiro
Clarão, que as luzes ao morrer despedem:
Se outro nome lhe dão, se amor o chamam,
D’amor igual ninguém sucumbe à perda.
Amor é vida; é ter constantemente
Alma, sentidos, coração – abertos
Ao grande, ao belo, é ser capaz d’extremos,
D’altas virtudes, té capaz de crimes!
Compreender o infinito, a imensidade,
E a natureza e Deus; gostar dos campos,
D’aves, flores, murmúrios solitários;
Buscar tristeza, a soledade, o ermo,
E ter o coração em riso e festa;
E à branda festa, ao riso da nossa alma
fontes de pranto intercalar sem custo;
Conhecer o prazer e a desventura
No mesmo tempo, e ser no mesmo ponto
O ditoso, o misérrimo dos entes;
Isso é amor, e desse amor se morre!
Amar, é não saber, não ter coragem
Pra dizer que o amor que em nós sentimos;
Temer qu’olhos profanos nos devassem
O templo onde a melhor porção da vida
Se concentra; onde avaros recatamos
Essa fonte de amor, esses tesouros
Inesgotáveis d’lusões floridas;
Sentir, sem que se veja, a quem se adora,
Compreender, sem lhe ouvir, seus
pensamentos,
Segui-la, sem poder fitar seus olhos,
Amá-la, sem ousar dizer que amamos,
E, temendo roçar os seus vestidos,
Arder por afogá-la em mil abraços:
Isso é amor, e desse amor se morre! (...)
Poetas da Segunda Geração
Geração Ultrarromântica ou Geração
do “mal do século”
Observações gerais:
• Década de 1850
• Processo de estabilidade do Segundo Império
• Confissão/extravasamento íntimo
• Influenciados pelo poeta inglês Lord Byron e
pelo poeta francês Musset
– Modelos universais de rebeldia moral
– Recusa à insipidez da vida cotidiana
– Busca de novas formas de sensualidade e de afeto
• Mortos na faixa dos vinte anos
Álvares de Azevedo (1831 – 1852)
• Poesia autobiográfica
• Marca da adolescência
• Lira dos Vinte Anos (1853)
• Principais temas:
1. Amor
– Tom de falsidade/pouco convincente
– Amor e medo
– Imagem da mulher adormecida (seu desejo não se
satisfaz, pois não quer acordar – “profanar” – a
amada)
2. Morte
– Profetiza a própria morte
– Desespero/angústia
– Resolução de suas dores
3. Tédio
– Cansaço existencial/spleen
– Mal do século
– Enfado de quem tudo viveu e experimentou (sexo,
bebida, ópio, transgressões)
4. Humor prosaico
– Ironia
– Descoberta do risível nas coisas cotidianas
SONETO
Pálida à luz da lâmpada sombria,
Sobre o leito de flores reclinada,
Como a lua por noite embalsamada,
Entre as nuvens do amor ela dormia!
Era a virgem do mar, na escuma fria
Pela maré das águas embalada!
Era um anjo entre nuvens d'alvorada
Que em sonhos se banhava e se esquecia!
Era a mais bela! Seio palpitando...
Negros olhos as pálpebras abrindo...
Formas nuas no leito resvalando...
Não te rias de mim, meu anjo lindo!
Por ti - as noites eu velei chorando,
Por ti - nos sonhos morrerei sorrindo!
Ideias Íntimas IX
Oh! ter vinte anos sem gozar de leve
A ventura de uma alma de donzela!
E sem na vida ter sentido nunca
Na suave atração de um róseo corpo
Meus olhos turvas se fechar de gozo!
Oh! nos meus sonhos, pelas noites
minhas
Passam tantas visões sobre meu
peito!
Palor de febre meu semblante cobre,
Bate meu coração com tanto fogo!
Um doce nome os lábios meus
suspiram,
Um nome de mulher . . e vejo
lânguida
No véu suave de amorosas sombras
Seminua, abatida, a mão no seio,
Perfumada visão romper a nuvem,
Sentar? se junto a mim, nas minhas
pálpebras
O alento fresco e leve como a vida
Passar delicioso. . . Que delírios!
Acordo palpitante . . inda a procuro;
Embalde a chamo, embalde as minhas
lágrimas
Banham meus olhos, e suspiro e
gemo. . .
Imploro uma ilusão. . . tudo é silêncio!
Só o leito deserto, a sala muda!
Amorosa visão, mulher dos sonhos,
Eu sou tão infeliz, eu sofro tanto!
Nunca virás iluminar meu peito
Com um raio de luz desses teus olhos?
 Macário (1855)
• Teatro em prosa
• Cinco atos
• Um jovem, Macário, viaja à São Paulo, onde vai
estudar, faz amizade com Satã numa estalagem
• Personagem angelical, Penseroso, morre e
Macário volta a se encontrar com Satã, que o leva
para observar uma orgia, que supostamente seria
o “início” de Noite na Taverna
 Noite na Taverna (1855)
• Contos
• 5 rapazes que bebem, fumam e narram histórias
de suas vidas orgíacas e criminosas
• Tom de falsidade/ingenuidade
• Cenas de necrofilia, incesto, canibalismo,
assassinato e violação de códigos morais e
sexuais
• Elementos góticos (satanismo, atração pela
morte)
Casimiro de Abreu (1839 – 1860)
• Lirismo meigo
• Visão graciosa e deslumbrada dos tempos
juvenis/”primavera da vida”
• Simplicidade da linguagem
• Lirismo amoroso
– Tom familiar/adequado aos padrões morais
– Sensualidade encoberta
• Saudades da pátria
• Tristeza da vida
• Primaveras (1859)
Meus 8 anos
Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem,
mais!
Que amor, que sonhos, que
flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!
Como são belos os dias
Do despontar da existência!
Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é — lago sereno,
O céu — um manto azulado,
O mundo — um sonho
dourado,
A vida — um hino d'amor!
Que auroras, que sol, que
vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!
Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã!
Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberto o peito,
Pés descalços, braços nus
Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!
Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava as Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo,
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!
Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem
mais!
Que amor, que sonhos, que
flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!
Fagundes Varela (1841 – 1875)
• Recupera os temas de Álvares de Azevedo e
de Casimiro de Abreu, inclusive o indianismo
de Gonçalves Dias
• Poesia sertaneja (universo rural)
• Noturnas (1861)
Junqueira Freire (1832 – 1855)
 Inspirações do Claustro (1855)
• Poesia autobiográfica
• Caráter documental de sua experiência no
mosteiro de São Bento, em Salvador.
Poetas da Terceira Geração
Geração Liberal, ou Geração Social,
ou Geração Condoreira
Observações gerais:
• Crise que atingiu senhores rurais e grupos
exportadores
• Primeiras indústrias
• Encarecimento do escravo
• Utilização de imigrantes
• Distância entre os interesses escravocratas e
monarquistas dos proprietários de terras e os
interesses do resto da população
Castro Alves (1847 – 1871)
• Poesia social (condoreirismo)
– Causas liberais e humanitárias
– Engajamento político
– Poemas abolicionistas
– Excesso verbal (redundância, ênfase emocional)
– Grandiloquência
 O Navio Negreiro (1869)
• Violência dos traficantes de escravos
• Invocações a Deus
• Apelo aos heróis do Novo Mundo (América)
 Vozes d’África
• Prosopopeia
• Personifica o continente africano e o deixa expressar
sua dor
• Sofrimento e humilhações dos povos africanos
Vozes d’África
Deus! ó Deus! onde estás que não respondes?
Em que mundo, em qu’estrela tu t’escondes
Embuçado nos céus?
Há dois mil anos te mandei meu grito,
Que embalde desde então corre o infinito...
Onde estás, Senhor Deus?... (...)
Minha garupa sangra, a dor poreja,
Quando o chicote do simoun dardeja
O teu braço eternal.
Minhas irmãs são belas, são ditosas...
Dorme a Ásia nas sombras voluptuosas
Dos haréns do Sultão. (...)
A Europa é sempre Europa, a gloriosa! ...
A mulher deslumbrante e caprichosa,
Rainha e cortesã. (...)
Mas eu, Senhor!... Eu triste abandonada
Em meio das areias esgarrada,
Perdida marcho em vão!
Se choro... bebe o pranto a areia ardente;
talvez... p’ra que meu pranto, ó Deus clemente!
Não descubras no chão...
E nem tenho uma sombra de floresta...
Para cobrir-me nem um templo resta
No solo abrasador...
Quando subo às Pirâmides do Egito
Embalde aos quatro céus chorando grito:
“Abriga-me, Senhor!...” (...)
Vi a ciência desertar do Egito...
Vi meu povo seguir — Judeu maldito —
Trilho de perdição.
Depois vi minha prole desgraçada
Pelas garras d’Europa — arrebatada —
Amestrado falcão! ...
Cristo! embalde morreste sobre um monte
Teu sangue não lavou de minha fronte
A mancha original.
Ainda hoje são, por fado adverso,
Meus filhos — alimária do universo,
Eu — pasto universal...
*embuçado = escondido
*embalde = em vão, inutilmente
*porejar = verter, sair pelos poros
*simoun (francês) = vento forte e árido do deserto
*dardejar = arremessar algo como a um dardo
*eternal = que possui características do que é eterno
*ditosas = que possuem boa sorte
*voluptuosas = sensuais
*cortesã = prostituta elegante, da alta classe
*esgarrada =que perdeu o caminho, extraviou-se
*clemente = bondoso
*abrasador = que abrasa, esquenta como brasa
*arrebatada = arrancada com violência
*amestrado = adestrado, treinado
*fado = destino
*alimária = animal de carga
• Poesia lírica
– Natureza
– Amor sensual
– Nem considera o amor impossível, como
Gonçalves Dias, nem encobre a sensualidade,
como Casimiro de Abreu, tampouco apresenta a
relação física como perversa, como Álvares de
Azevedo.
– Ligações sentimentais são sensuais e calorosas
– Linguagem simples e coloquial
ADORMECIDA
Uma noite, eu me lembro... Ela dormia
Numa rede encostada molemente...
Quase aberto o roupão... solto o cabelo
E o pé descalço do tapete rente.
'Stava aberta a janela. Um cheiro agreste
Exalavam as silvas da campina...
E ao longe, num pedaço do horizonte,
Via-se a noite plácida e divina.
De um jasmineiro os galhos encurvados,
Indiscretos entravam pela sala,
E de leve oscilando ao tom das auras,
Iam na face trêmulos — beijá-la.
Era um quadro celeste!... A cada afago
Mesmo em sonhos a moça estremecia...
Quando ela serenava... a flor beijava-a...
Quando ela ia beijar-lhe... a flor fugia...
Dir-se-ia que naquele doce instante
Brincavam duas cândidas crianças...
A brisa, que agitava as folhas verdes,
Fazia-lhe ondear as negras tranças!
E o ramo ora chegava ora afastava-se...
Mas quando a via despeitada a meio,
Pra não zangá-la... sacudia alegre
Uma chuva de pétalas no seio...
Eu, fitando esta cena, repetia
Naquela noite lânguida e sentida:
"Ó flor! - tu és a virgem das campinas!
"Virgem! - tu és a flor de minha vida!..."
Sousândrade (1833 – 1902)
• Linguagem dominada por elipses, orações
reduzidas e fusões vocabulares.
• Foge do discurso derramado e dos clichês
sentimentais dos românticos
• Uso de latinismos (palavras latinas), helenismos
(palavras gregas) e arcaísmos (palavras fora de
uso)
• Poeta experimental (metáforas complexas,
aliterações, onomatopeias, criações gráficas, etc.)
 Guesa Errante (1866 – 1884)
• Poema narrativo, baseado numa lenda indígena
colombiana
• 13 cantos, dos quais 4 ficaram inacabados
• Guesa, uma criança roubada dos pais por
Bochicha, deus do Sol.
• Peregrinação pela estrada do Suna, passa pela
América, África, Europa e Ásia.
• Caricaturas ironizando o Brasil colonial e a
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Romantismo contexto e poetas

  • 2. Contexto histórico • Ápice da ascensão burguesa com a Revolução Francesa, de 1789. • Fim das barreiras rígidas entre as classes sociais • Novo sentimento de vida, baseado na livre iniciativa, audácia, competição, méritos pessoais do indivíduo. • Novo público leitor • “democratização da arte” • Publicação em 1774 de Os sofrimentos do Jovem Werther, de Goethe
  • 3. Características • Individualismo e subjetivismo  O eu vitorioso  O eu oprimido • Sentimentalismo • Culto à natureza • Evasão  Sonho e fantasia  “Mal do século”  Culto ao passado
  • 4. Estilo Romântico • Expressão decorre mais da inspiração do que da pesquisa formal • Na poesia há grande variedade métrica, de ritmos e de rimas, indicando a liberdade de composição que os autores possuem. • Uso de adjetivos, hipérboles, etc (força expressiva) • Grandiloquência, ênfase declamatória, busca exagerada do sublime
  • 5. Romantismo no Brasil • Independência política em 1822 • Desenvolvimento da imprensa • Primeiras instituições universitárias • Aumento da escolarização • Surgimento de um novo público leitor • Sentimento ufanista • Os valores românticos adequavam-se às aspirações ideológicas dos escritores brasileiros • Classicismo = dominação portuguesa no Brasil • Suspiros poéticos e saudades, de Gonçalves de Magalhães em 1836
  • 6. Características do Romantismo no Brasil • Busca da identidade nacional • Indianismo • Sertanismo (ou regionalismo) • Culto à natureza • Busca de uma linguagem literária nacional
  • 7. Poesia Romântica • Divisão em três gerações • Temas e visões de mundo distintas
  • 8. Geração Denominação Poetas Temas 1ª Nacionalista • Gonçalves de Magalhães • Gonçalves Dias  O índio  A saudade da pátria  A natureza  A religiosidade  O amor impossível 2ª Individualista, ou Ultrarromântica, ou Geração do “Mal do Século” • Álvares de Azevedo • Casimiro de Abreu • Fagundes Varela • Junqueira Freire  A dúvida  O tédio  A orgia  A morte  A infância  O medo do amor  O sofrimento 3ª Liberal, ou Social, ou Condoreira • Castro Alves • Sousândrade  Defesa de causas humanitárias  Denúncia da escravidão  Amor erótico
  • 9. Poetas da Primeira Geração Geração Nacionalista
  • 10. Observações gerais: • Nacionalismo ufanista pós-1822 • Viagens da jovem intelectualidade para o exterior • Sentimento de exílio • Apogeu entre 1836 e 1851.
  • 11. Gonçalves de Magalhães (1811 – 1887)  Suspiros Poéticos e Saudades (1836) • Marco introdutório do Romantismo no Brasil • Encarado como possibilidade de afirmação de uma literatura nacional, na medida em que destruía os artifícios neoclássicos e propunha a valorização da natureza, do índio e de uma religiosidade panteísta (Deus = Natureza/Universo). • Mais valor histórico que estético.
  • 12.  A Confederação dos Tamoios (1857) • Tentativa de indianismo épico • “fracasso”
  • 13. Gonçalves Dias (1823 – 1864) • Consolidou o Romantismo no Brasil • Três assuntos principais: 1. Indianismo • Reafirmação dos princípios nacionalistas/sentimento localista posterior à Independência • Teoria do “bom selvagem” • Visão idealizada do índio (frequentemente inverossímil)
  • 14.  I – Juca Pirama • “aquele que vai morrer”, em Tupi. • Publicado em Últimos cantos (1851) • Bravura e generosidade de tupis e timbiras • Jogo de ritmo • O poema relata a história de um guerreiro tupi sobrevivente e fugitivo da destruição na costa brasileira que cai aprisionado por uma tribo antropófaga dos Timbiras e que deve ser sacrificado conforme o rito. Antes dos sacrifícios o chefe Timbira propõe que àquele que vai ser morto deve cantar às suas façanhas para que os bravos Timbiras tenham maior gosto em sacrificá-lo
  • 15. I-Juca Pirama No meio das tabas de amenos verdores, Cercadas de troncos - cobertos de flores, Alteiam-se os tetos d’altiva nação; São muitos seus filhos, nos ânimos fortes, Temíveis na guerra, que em densas coortes Assombram das matas a imensa extensão. São rudos, severos, sedentos de glória, Já prélios incitam, já cantam vitória, Já meigos atendem à voz do cantor: São todos Timbiras, guerreiros valentes! Seu nome lá voa na boca das gentes, Condão de prodígios, de glória e terror!As tribos vizinhas, sem forças, sem brio, As armas quebrando, lançando-as ao rio, O incenso aspiraram dos seus maracás: Medrosos das guerras que os fortes acendem, Custosos tributos ignavos lá rendem, Aos duros guerreiros sujeitos na paz.No centro da taba se estende um terreiro, Onde ora se aduna o concílio guerreiro Da tribo senhora, das tribos servis: Os velhos sentados praticam d’outrora, E os moços inquietos, que a festa enamora, Derramam-se em torno dum índio infeliz.Quem é? - ninguém sabe: seu nome é ignoto, Sua tribo não diz: - de um povo remoto Descende por certo - dum povo gentil; Assim lá na Grécia ao escravo insulano Tornavam distinto do vil muçulmano As linhas corretas do nobre perfil.Por casos de guerra caiu prisioneiro Nas mãos dos Timbiras (...) IV Meu canto de morte, Guerreiros, ouvi: Sou filho das selvas, Nas selvas cresci; Guerreiros, descendo Da tribo tupi.Da tribo pujante, Que agora anda errante Por fado inconstante, Guerreiros, nasci; Sou bravo, sou forte, Sou filho do Norte; Meu canto de morte, Guerreiros, ouvi. (...)
  • 16. 2. Natureza • Canta o mar, o céu, os campos, as florestas, etc. • Natureza não tem um valor universal, só é celebrada quando representa o Brasil (pátria aparece como natureza) • Saudosismo/nostalgia  Canção do Exílio • Publicado em Primeiros Cantos (1846)
  • 17. Canção do exílio Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá; As aves que aqui gorjeiam Não gorjeiam como lá. Nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas têm mais flores, Nossos bosques têm mais vida, Nossa vida mais amores. Em cismar, sozinho, à noite, Mais prazer eu encontro lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá. Minha terra tem primores, Que tais não encontro eu cá; Em cismar –sozinho, à noite– Mais prazer eu encontro lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá. Não permita Deus que eu morra, Sem que eu volte para lá; Sem que disfrute os primores Que não encontro por cá; Sem qu'inda aviste as palmeiras, Onde canta o Sabiá.
  • 18. 3. Amor impossível • Sofrimento • Amor raramente se realiza • Ilusão perdida
  • 19. Se se morre de amor Se se morre de amor! – Não, não se morre, Quando é fascinação que nos surpreende De ruidoso sarau entre os festejos; Quando luzes, calor, orquestra e flores Assomos de prazer nos raiam n’alma, Que embelezada e solta em tal ambiente No que ouve e no que vê prazer alcança! Simpáticas feições, cintura breve, Graciosa postura, porte airoso, Uma fita, uma flor entre os cabelos, Um quê mal definido, acaso podem Num engano d’amor arrebentar-nos. Mas isso amor não é; isso é delírio Devaneio, ilusão, que se esvaece Ao som final da orquestra, ao derradeiro Clarão, que as luzes ao morrer despedem: Se outro nome lhe dão, se amor o chamam, D’amor igual ninguém sucumbe à perda. Amor é vida; é ter constantemente Alma, sentidos, coração – abertos Ao grande, ao belo, é ser capaz d’extremos, D’altas virtudes, té capaz de crimes! Compreender o infinito, a imensidade, E a natureza e Deus; gostar dos campos, D’aves, flores, murmúrios solitários; Buscar tristeza, a soledade, o ermo, E ter o coração em riso e festa; E à branda festa, ao riso da nossa alma fontes de pranto intercalar sem custo; Conhecer o prazer e a desventura No mesmo tempo, e ser no mesmo ponto O ditoso, o misérrimo dos entes; Isso é amor, e desse amor se morre! Amar, é não saber, não ter coragem Pra dizer que o amor que em nós sentimos; Temer qu’olhos profanos nos devassem O templo onde a melhor porção da vida Se concentra; onde avaros recatamos Essa fonte de amor, esses tesouros Inesgotáveis d’lusões floridas; Sentir, sem que se veja, a quem se adora, Compreender, sem lhe ouvir, seus pensamentos, Segui-la, sem poder fitar seus olhos, Amá-la, sem ousar dizer que amamos, E, temendo roçar os seus vestidos, Arder por afogá-la em mil abraços: Isso é amor, e desse amor se morre! (...)
  • 20. Poetas da Segunda Geração Geração Ultrarromântica ou Geração do “mal do século”
  • 21. Observações gerais: • Década de 1850 • Processo de estabilidade do Segundo Império • Confissão/extravasamento íntimo • Influenciados pelo poeta inglês Lord Byron e pelo poeta francês Musset – Modelos universais de rebeldia moral – Recusa à insipidez da vida cotidiana – Busca de novas formas de sensualidade e de afeto • Mortos na faixa dos vinte anos
  • 22. Álvares de Azevedo (1831 – 1852) • Poesia autobiográfica • Marca da adolescência • Lira dos Vinte Anos (1853) • Principais temas: 1. Amor – Tom de falsidade/pouco convincente – Amor e medo – Imagem da mulher adormecida (seu desejo não se satisfaz, pois não quer acordar – “profanar” – a amada)
  • 23. 2. Morte – Profetiza a própria morte – Desespero/angústia – Resolução de suas dores 3. Tédio – Cansaço existencial/spleen – Mal do século – Enfado de quem tudo viveu e experimentou (sexo, bebida, ópio, transgressões) 4. Humor prosaico – Ironia – Descoberta do risível nas coisas cotidianas
  • 24. SONETO Pálida à luz da lâmpada sombria, Sobre o leito de flores reclinada, Como a lua por noite embalsamada, Entre as nuvens do amor ela dormia! Era a virgem do mar, na escuma fria Pela maré das águas embalada! Era um anjo entre nuvens d'alvorada Que em sonhos se banhava e se esquecia! Era a mais bela! Seio palpitando... Negros olhos as pálpebras abrindo... Formas nuas no leito resvalando... Não te rias de mim, meu anjo lindo! Por ti - as noites eu velei chorando, Por ti - nos sonhos morrerei sorrindo!
  • 25. Ideias Íntimas IX Oh! ter vinte anos sem gozar de leve A ventura de uma alma de donzela! E sem na vida ter sentido nunca Na suave atração de um róseo corpo Meus olhos turvas se fechar de gozo! Oh! nos meus sonhos, pelas noites minhas Passam tantas visões sobre meu peito! Palor de febre meu semblante cobre, Bate meu coração com tanto fogo! Um doce nome os lábios meus suspiram, Um nome de mulher . . e vejo lânguida No véu suave de amorosas sombras Seminua, abatida, a mão no seio, Perfumada visão romper a nuvem, Sentar? se junto a mim, nas minhas pálpebras O alento fresco e leve como a vida Passar delicioso. . . Que delírios! Acordo palpitante . . inda a procuro; Embalde a chamo, embalde as minhas lágrimas Banham meus olhos, e suspiro e gemo. . . Imploro uma ilusão. . . tudo é silêncio! Só o leito deserto, a sala muda! Amorosa visão, mulher dos sonhos, Eu sou tão infeliz, eu sofro tanto! Nunca virás iluminar meu peito Com um raio de luz desses teus olhos?
  • 26.  Macário (1855) • Teatro em prosa • Cinco atos • Um jovem, Macário, viaja à São Paulo, onde vai estudar, faz amizade com Satã numa estalagem • Personagem angelical, Penseroso, morre e Macário volta a se encontrar com Satã, que o leva para observar uma orgia, que supostamente seria o “início” de Noite na Taverna
  • 27.  Noite na Taverna (1855) • Contos • 5 rapazes que bebem, fumam e narram histórias de suas vidas orgíacas e criminosas • Tom de falsidade/ingenuidade • Cenas de necrofilia, incesto, canibalismo, assassinato e violação de códigos morais e sexuais • Elementos góticos (satanismo, atração pela morte)
  • 28. Casimiro de Abreu (1839 – 1860) • Lirismo meigo • Visão graciosa e deslumbrada dos tempos juvenis/”primavera da vida” • Simplicidade da linguagem • Lirismo amoroso – Tom familiar/adequado aos padrões morais – Sensualidade encoberta • Saudades da pátria • Tristeza da vida • Primaveras (1859)
  • 29. Meus 8 anos Oh! que saudades que tenho Da aurora da minha vida, Da minha infância querida Que os anos não trazem, mais! Que amor, que sonhos, que flores, Naquelas tardes fagueiras À sombra das bananeiras, Debaixo dos laranjais! Como são belos os dias Do despontar da existência! Respira a alma inocência Como perfumes a flor; O mar é — lago sereno, O céu — um manto azulado, O mundo — um sonho dourado, A vida — um hino d'amor! Que auroras, que sol, que vida, Que noites de melodia Naquela doce alegria, Naquele ingênuo folgar! O céu bordado d'estrelas, A terra de aromas cheia, As ondas beijando a areia E a lua beijando o mar! Oh! dias da minha infância! Oh! meu céu de primavera! Que doce a vida não era Nessa risonha manhã! Em vez das mágoas de agora, Eu tinha nessas delícias De minha mãe as carícias E beijos de minha irmã! Livre filho das montanhas, Eu ia bem satisfeito, Da camisa aberto o peito, Pés descalços, braços nus Correndo pelas campinas À roda das cachoeiras, Atrás das asas ligeiras Das borboletas azuis! Naqueles tempos ditosos Ia colher as pitangas, Trepava a tirar as mangas, Brincava à beira do mar; Rezava as Ave-Marias, Achava o céu sempre lindo, Adormecia sorrindo E despertava a cantar! Oh! que saudades que tenho Da aurora da minha vida, Da minha infância querida Que os anos não trazem mais! Que amor, que sonhos, que flores, Naquelas tardes fagueiras À sombra das bananeiras, Debaixo dos laranjais!
  • 30. Fagundes Varela (1841 – 1875) • Recupera os temas de Álvares de Azevedo e de Casimiro de Abreu, inclusive o indianismo de Gonçalves Dias • Poesia sertaneja (universo rural) • Noturnas (1861)
  • 31. Junqueira Freire (1832 – 1855)  Inspirações do Claustro (1855) • Poesia autobiográfica • Caráter documental de sua experiência no mosteiro de São Bento, em Salvador.
  • 32. Poetas da Terceira Geração Geração Liberal, ou Geração Social, ou Geração Condoreira
  • 33. Observações gerais: • Crise que atingiu senhores rurais e grupos exportadores • Primeiras indústrias • Encarecimento do escravo • Utilização de imigrantes • Distância entre os interesses escravocratas e monarquistas dos proprietários de terras e os interesses do resto da população
  • 34. Castro Alves (1847 – 1871) • Poesia social (condoreirismo) – Causas liberais e humanitárias – Engajamento político – Poemas abolicionistas – Excesso verbal (redundância, ênfase emocional) – Grandiloquência  O Navio Negreiro (1869) • Violência dos traficantes de escravos • Invocações a Deus • Apelo aos heróis do Novo Mundo (América)
  • 35.  Vozes d’África • Prosopopeia • Personifica o continente africano e o deixa expressar sua dor • Sofrimento e humilhações dos povos africanos
  • 36. Vozes d’África Deus! ó Deus! onde estás que não respondes? Em que mundo, em qu’estrela tu t’escondes Embuçado nos céus? Há dois mil anos te mandei meu grito, Que embalde desde então corre o infinito... Onde estás, Senhor Deus?... (...) Minha garupa sangra, a dor poreja, Quando o chicote do simoun dardeja O teu braço eternal. Minhas irmãs são belas, são ditosas... Dorme a Ásia nas sombras voluptuosas Dos haréns do Sultão. (...) A Europa é sempre Europa, a gloriosa! ... A mulher deslumbrante e caprichosa, Rainha e cortesã. (...) Mas eu, Senhor!... Eu triste abandonada Em meio das areias esgarrada, Perdida marcho em vão! Se choro... bebe o pranto a areia ardente; talvez... p’ra que meu pranto, ó Deus clemente! Não descubras no chão... E nem tenho uma sombra de floresta... Para cobrir-me nem um templo resta No solo abrasador... Quando subo às Pirâmides do Egito Embalde aos quatro céus chorando grito: “Abriga-me, Senhor!...” (...) Vi a ciência desertar do Egito... Vi meu povo seguir — Judeu maldito — Trilho de perdição. Depois vi minha prole desgraçada Pelas garras d’Europa — arrebatada — Amestrado falcão! ... Cristo! embalde morreste sobre um monte Teu sangue não lavou de minha fronte A mancha original. Ainda hoje são, por fado adverso, Meus filhos — alimária do universo, Eu — pasto universal... *embuçado = escondido *embalde = em vão, inutilmente *porejar = verter, sair pelos poros *simoun (francês) = vento forte e árido do deserto *dardejar = arremessar algo como a um dardo *eternal = que possui características do que é eterno *ditosas = que possuem boa sorte *voluptuosas = sensuais *cortesã = prostituta elegante, da alta classe *esgarrada =que perdeu o caminho, extraviou-se *clemente = bondoso *abrasador = que abrasa, esquenta como brasa *arrebatada = arrancada com violência *amestrado = adestrado, treinado *fado = destino *alimária = animal de carga
  • 37. • Poesia lírica – Natureza – Amor sensual – Nem considera o amor impossível, como Gonçalves Dias, nem encobre a sensualidade, como Casimiro de Abreu, tampouco apresenta a relação física como perversa, como Álvares de Azevedo. – Ligações sentimentais são sensuais e calorosas – Linguagem simples e coloquial
  • 38. ADORMECIDA Uma noite, eu me lembro... Ela dormia Numa rede encostada molemente... Quase aberto o roupão... solto o cabelo E o pé descalço do tapete rente. 'Stava aberta a janela. Um cheiro agreste Exalavam as silvas da campina... E ao longe, num pedaço do horizonte, Via-se a noite plácida e divina. De um jasmineiro os galhos encurvados, Indiscretos entravam pela sala, E de leve oscilando ao tom das auras, Iam na face trêmulos — beijá-la. Era um quadro celeste!... A cada afago Mesmo em sonhos a moça estremecia... Quando ela serenava... a flor beijava-a... Quando ela ia beijar-lhe... a flor fugia... Dir-se-ia que naquele doce instante Brincavam duas cândidas crianças... A brisa, que agitava as folhas verdes, Fazia-lhe ondear as negras tranças! E o ramo ora chegava ora afastava-se... Mas quando a via despeitada a meio, Pra não zangá-la... sacudia alegre Uma chuva de pétalas no seio... Eu, fitando esta cena, repetia Naquela noite lânguida e sentida: "Ó flor! - tu és a virgem das campinas! "Virgem! - tu és a flor de minha vida!..."
  • 39. Sousândrade (1833 – 1902) • Linguagem dominada por elipses, orações reduzidas e fusões vocabulares. • Foge do discurso derramado e dos clichês sentimentais dos românticos • Uso de latinismos (palavras latinas), helenismos (palavras gregas) e arcaísmos (palavras fora de uso) • Poeta experimental (metáforas complexas, aliterações, onomatopeias, criações gráficas, etc.)
  • 40.  Guesa Errante (1866 – 1884) • Poema narrativo, baseado numa lenda indígena colombiana • 13 cantos, dos quais 4 ficaram inacabados • Guesa, uma criança roubada dos pais por Bochicha, deus do Sol. • Peregrinação pela estrada do Suna, passa pela América, África, Europa e Ásia. • Caricaturas ironizando o Brasil colonial e a consolidação do capitalismo.