Barroco

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Literatura Brasileira - Barroco (contexto histórico, barroco no Brasil, principais autores: Gregório de Matos e Padre Antônio Vieira).

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Barroco

  1. 1. Barroco Literatura - Barroco
  2. 2. Contexto histórico • ↑ Influência da burguesia; • Desenvolvimento mercantilista; • Reforma protestante: ▫ Movimento político-religioso / Lutero; ▫ Feudalismo → Capitalismo; • Contrarreforma: ▫ Renovação da igreja católica; ▫ Inquisição, censuras, perseguição a protestantes; • Razão x Fé; • Movimento pós-renascentista.
  3. 3. Características • Características renascentistas e medievais; • Conflito/contraste/contradição/dualidade: ▫ Razão x Fé / Terreno x Celestial; • Inconstância das coisas; • Fusão de opostos; • Linguagem rebuscada, exagerada; • Teocentrismo x Antropocentrismo; • Excesso no uso de figuras de linguagem, principalmente antíteses e inversões.
  4. 4. Características • Cultismo/Gongorismo: ▫ Jogo de palavras: som/forma; ▫ Linguagem culta, extravagante; ▫ Valorização do pormenor, imagens e sensações; ▫ Abuso de figuras de linguagem. • Conceptismo/Quevedismo: ▫ Jogo de ideias e conceitos: significados; ▫ Racionalidade/Lógica formal; ▫ Retórica/Argumentação; ▫ Essência íntima das coisas.
  5. 5. Barroco no Brasil • “Ecos do Barroco”: país ainda não tinha condições de desenvolver “consciência literária”; • Pequenos núcleos urbanos, vida cultural quase ausente; • Público leitor também muito pequeno; • Prosopopeia – Bento Teixeira (1601) ▫ Louvor a Jorge de Albuquerque, donatário da capitania de Pernambuco (cana-de-açúcar); ▫ Feitos de heróis portugueses em terras brasileiras e africanas; ▫ Imitação de Os Lusíadas (Camões); ▫ Louvação da terra enquanto colônia.
  6. 6. Prosopopeia – Bento Teixeira XVIII É este porto tal, por estar posta Ua cinta de pedra, inculta e viva, Ao longo de soberba e larga costa, Onde quebra Netuno a fúria esquiva. Entre a praia e pedra descomposta, O estranhado elemento se deriva Com tanta mansidão, que ua fateixa Basta ter à fatal Argos aneixa. XIX Em o meio desta obra alpestre, e dura, Ua boca rompeu o Mar inchado, Que na língua dos bárbaros escura, Pernambuco de todos é chamado. De Para’ná, que é Mar salgado, Que sem no derivar cometer míngua, Cova do Mar se chama em nossa língua.
  7. 7. Gregório de Matos • Firmou-se como “primeiro poeta brasileiro”; • Poesia satírica (“Boca do Inferno”): ▫ Satiriza o brasileiro, o português, o clero, El-Rei e os costumes da sociedade baiana; ▫ Ambiguidade da vida moral; ▫ “Sentimento nativista”: brasileiro ≠ exploração lusitana; • Poesia lírica e religiosa: ▫ Idealismo renascentista; ▫ Conflito entre pecado e perdão; ▫ Pureza da fé x Necessidade da vida mundana.
  8. 8. Gregório de Matos Triste Bahia Triste Bahia! Ó quão dessemelhante Estás e estou do nosso antigo estado! Pobre te vejo a ti, tu a mi empenhado, Rica te vi eu já, tu a mi abundante. A ti trocou-te a máquina mercante, Que em tua larga barra tem entrado, A mim foi-me trocando, e tem trocado, Tanto negócio e tanto negociante. Deste em dar tanto açúcar excelente Pelas drogas inúteis, que abelhuda Simples aceitas do sagaz Brichote. Oh se quisera Deus que de repente Um dia amanheceras tão sisuda Que fora de algodão o teu capote!
  9. 9. Gregório de Matos A Jesus Cristo Pequei, Senhor; mas não porque hei pecado, Da vossa alta clemência me despido; Porque, quanto mais tenho delinquido, Vos tenho a perdoar mais empenhado. Se basta a vos irar tanto pecado, A abrandar-vos sobeja um só gemido: Que a mesma culpa que vos há ofendido, Vos tem para o perdão lisonjeado. Se uma ovelha perdida e já cobrada Glória tal e prazer tão repentino Vos deu, como afirmais na sacra história, Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada, Cobrai-a; e não queirais, pastor divino, Perder na vossa ovelha a vossa glória.
  10. 10. Gregório de Matos O poeta muda o soneto pela terceira vez Discreta, e formosíssima Maria, Enquanto estamos vendo claramente Na vossa ardente vista o sol ardente, E na rosada face a Aurora fria. Enquanto pois produz, enquanto cria Essa esfera gentil, mina excelente No cabelo o metal mais reluzente, E na boca a mais fina pedraria. Gozai, gozai da flor da formosura, Antes que o frio da madura idade Tronco deixe despido, o que é verdura. Que passado o zenith da mocidade, Sem a noite encontrar da sepultura, É cada dia ocaso da beldade
  11. 11. Padre Antônio Vieira • Dominava a oratória → conceptista; • Defensor dos nativos e dos “novos-cristãos” (protestantes convertidos); • Engajado politicamente; • Forte religiosidade e sólida cultura humanística; • Ilusão de um Império luso e católico. “Saiba o mundo, saibam os hereges e os gentios que não se enganou Deus, quando fez aos Portuguezes conquistadores e pregadores de seu santo Nome. Saiba o mundo, que ainda há verdade, que ainda há temor de Deus, que ainda há alma, que ainda há consciência e que não é o interesse tão absoluto e tão universal senhor de tudo, como se cuida. Saiba o mundo que ainda há quem por amor de Deus, e da sua salvação, metta debaixo dos pés interesses. Quanto mais, senhores, que isto não é perder interesses, é multiplicá-los, é acrescentá-los, é semeá-los, é dá-los à usura” – Trecho de um dos Sermões de Vieira.
  12. 12. Padre Antônio Vieira Mas como eu prego para todos, e nem todos podem menear estas armas, nem usar destes remédios, é o meu intento hoje inculcar-vos outras armas mais prontas, e outros remédios mais fáceis, com que todos possais resistir a todas as tentações. Na boca da víbora pôs a natureza a peçonha, e juntamente a triaga. Se quando a semente tentou aos primeiros homens souberam eles usar bem das suas mesmas palavras, não haviam mister outras armas para resistir nem outro remédio para se conservar no paraíso. O mais pronto e mais fácil remédio contra qualquer tentação do demônio é a mesma tentação. A mesma coisa oferecida pelo demônio é tentação; bem considerada por nós, é remédio. Isto hei de pregar hoje. [...] Trecho de “o Sermão da Primeira Dominga da Quaresma”. • Tenta persuadir os colonos do Maranhão a libertar os indígenas.

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