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Poemas líricos de gregório de matos guerra barroco no brasil

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Poemas líricos de gregório de matos guerra barroco no brasil

  1. 1. COLÉGIO PRO CAMPUS – “A PAZ ESTÁ NA BOA EDUCAÇÃO” RESUMO DE OBRA – UFPI/PSIU – 1ª SÉRIE GREGÓRIO DE MATOS – LÍRICA Prof. Jorge Alberto1-CONSIDERAÇÕES GERAIS: dividido entre a espiritualidade e o materialismo . Além desses , destaca-se seu caráter O Barroco é a denominação dada à arte do interrogativo (denotando uma conotaçãoséculo dezessete , que se estende no Brasil até filosófica sobre o mundo e o estar no mundo) , ameados do século seguinte . A significação do fugacidade da vida e a fragilidade da vidatermo BARROCO é bastante diversa , onde humana.resolveu-se optar por uma que dá uma dimensão Quanto à linguagem , o texto barroco vaimais abrangente das características da referida primar pela sofisticação e detalhismo . Essasescola – a IRREGULARIDADE . Para se duas características foram exploradas não só naentender tal acepção , optou-se por fazer um literatura desse período , mas também naparalelo com o período antecedente , o arquitetura , pintura e escultura . Isso justifica oRenascimento (Classicismo) . aspecto visual de vários textos barrocos , que No Renascimento , houve uma forte são desenvolvidos pelo uso da METÁFORA .oposição ao período medieval , denominado-o São símbolos usuais a água , a fumaça , a neve ,erroneamente de “Período das Trevas” . A arte o fogo , a cinza , enfim, substâncias que não têmdo século dezesseis buscava uma retomada do formas definidas . Torna-se comum aqui asperíodo da Grécia antiga , enfatizando dentre inversões sintáticas dos períodos , umoutros elementos a racionalidade e a mitologia vocabulário de certa forma elevado e agreco-romana . A Europa vive o apogeu da utilização constante de figuras de linguagemReforma Religiosa , onde a Igreja Católica , (principalmente a antítese , o paradoxo , aalém de questionada, perde parte de sua metáfora e a anáfora) .influência . A religiosidade é um pouco relegada Há dois estilos seguidos pelos escritores :para se valorizar o ANTROPOCENTRISMO . o Cultismo e o Conceptismo . Atenta-se para o Na segunda metade do século XVI , a fato que nenhum escritor seguiu um só estilo .Igreja Católica reage a tal movimento iniciando A mistura de ambos não fica restrita à obra dea Contra-Reforma (que tem o seu ápice no um escritor, mas se evidencia também em umséculo seguinte) . Há um “refluxo” no caráter mesmo texto . Feito tal esclarecimento sobre aracional do Homem , onde mais uma vez a utilização desses estilos , parte-se agora para asreligiosidade é posta em evidência . É nesse suas definições :século (XVII) que se situa a arte barroca , O Cultismo é um requinte formal quetentando conciliar a religiosidade católica de consiste em elaborar um intrincado jogo deseu tempo com o legado racionalista que o palavras , explorando efeitos sensoriais comoRenascimento deixou . Todavia , tal conciliação forma , volume , cor , além de um forte caráternão passa do plano da tentativa , pois estamos imagéstico . A valorização da imagem élidando com elementos antagônicos – a fé e a formulada com base na metáfora ,razão – como formas de compreensão do pormenorizando seus detalhes . Como exemplomundo . Daí o caráter conflitivo , irregular do desse “jogo de palavras , tem-se esse fragmentoBarroco . Esse caráter é realçado no texto pela de Gregório de Matos :utilização abundante de ANTÍTESES ePARADOXOS . “O todo sem a parte não é todo, Partindo dessa assertiva , as demais A parte sem o todo não é parte;características do período literário em questão Mas se a parte fez todo, sendo parte,são conseqüências diretas ou indiretas desse Não se diga que é parte, sendo todo.”conflito espiritual . A ânsia por quereraproveitar o momento (Carpe diem ) se faz Já o Conceptismo consiste em um jogolatente . A vida é compreendida como apurado de raciocínio lógico , onde o escritorpassageira . A “confusão” se faz na maneira barroco tenta mostrar a “veracidade “de seucomo isso é feito, pois o Homem barroco fica ponto de vista . No fragmento destacado abaixowww.procampus.com.br procampus@procampus.com.br
  2. 2. COLÉGIO PRO CAMPUS – “A PAZ ESTÁ NA BOA EDUCAÇÃO” RESUMO DE OBRA – UFPI/PSIU – 1ª SÉRIEdo mesmo poeta , o autor tenta convencer a torna latente no autor , visto uma não concretizaçãoDeus (ou a si) que merece ser salvo quando amorosa , exacerbando os seus sentimentos em conotações contraditórias , tipicamente barroca ,morrer . Para tanto , faz uma analogia com a como se evidencia no soneto abaixo :parábola bíblica do pastor e das ovelhas , onde opastor “abandona” suas noventa e nove ovelhas Quis o poeta embarcar-se para a cidade e viupara ir atrás de uma desgarrada . Nesse sistema antecipando a notícia à sua senhora, lhe viude analogias , as ovelhas seriam os fiéis ;o umas derradeiras mostras de sentimento em verdadeiras lágrimas de amor .pastor , Deus ; e a desgarrada o pecador (opróprio poeta) , merecendo portanto ser salvo : Ardor em firme coração nascido; Pranto por belos olhos derramado; Incêndio em mares de água disfarçado;“Pequei, Senhor; mas não porque hei pecado, Rio de neve em fogo convertido: Da vossa alta clemência me despido, Porque quanto mais tenho delinqüido, Tu, que um peito abrasas escondido; Vos tenho a perdoar mais empenhado. Tu, que em um rosto corres desatado; ................................................................... Quando fogo, em cristais aprisionado;Se uma ovelha perdida e já cobrada Quando cristal, em chamas derretido.Glória tal e prazer tão repentinoVos deu, como afirmais na sacra história: Se és fogo, como passas brandamente, Se és neve, como queimas com porfia?Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada, Mas ai, que andou Amor em ti prudente!Cobrai-a; e não queirais, pastor divino,Perder na vossa ovelha a vossa glória.” Pois para temperar a tirania, Como quis que aqui fosse a neve ardente, Permitiu parecesse a chama fria.2-Gregório de Matos Guerra COMENTÁRIOS : Ao evocar-se a figura de Gregório de Matos ,mais vulgarmente conhecido como “Boca doInferno” , tem-se o aspecto mais sublime e o mais Na primeira estrofe , o poeta caracterizamordaz da poesia barroca brasileira . O poeta seus sentimentos para com a sua musa . Obaiano , além de desenvolver uma poética em sofrimento é nitidamente evidenciado aosintonia com as tendências européias, deu “tons colocar como sinônimo de amor ardor e prantolocais” em sua obra , relatando os costumes e aorganização social brasileira . Esse aspecto de sua . O exagero sentimental nesses dois primeirospoesia é evidenciado por Segismundo Spina ao versos se faz com a utilização da hipérbole .colocar que ele “Foi , sem dúvida , o primeiro prelo e Nos dois versos seguintes , o conflito amorosoo primeiro jornal que circulou na Colônia.” no autor se torna claro com o uso de paradoxos Levando em consideração os temas – Incêndio em mares , neve convertida em fogodesenvolvidos pelo autor , pode ser feita a seguintedivisão de sua obra : lírica amorosa , fescenina , .satírica , religiosa , filosófica e encomiástica . Na estrofe seguinte , ele escreve sobre esseNeste breve comentário, nos deteremos na sua sentimento que o consome . Para desenvolver talpoesia satírica e religiosa em virtude de serem estas conotação, foi necessário que o poeta começasse aduas modalidades textuais solicitadas pelo atribuir toda uma simbologia na estrofe anterior ,vestibular da UESPI. onde neve significaria tranqüilidade e fogo a inquietude do amor . É com base nessa simbologia , ele coloca que seu peito está abrasado , que esseA LÍRICA AMOROSA fogo (amor) aprisionado em cristal (peito do poeta ) o está consumindo . A produção amorosa de Gregório de Matos As contradições oriundas do amor sãorecebe uma forte influência de Petrarca e Camões . questionadas com interrogações no primeiroHá tons idealizantes no que diz respeito à terceto para que se chegasse à conclusão queconcepção feminina , ressaltando o seu aspecto enquanto ele fosse a neve ardente , ela seria aangelical . O platonismo é evidenciado comopredominante , destinando o poeta um sentimento chama fria . Perceba que essas definições estão“puro” , sublime . Todavia , o sofrimento amoroso se calcadas no paradoxo para ressaltar aswww.procampus.com.br procampus@procampus.com.br
  3. 3. COLÉGIO PRO CAMPUS – “A PAZ ESTÁ NA BOA EDUCAÇÃO” RESUMO DE OBRA – UFPI/PSIU – 1ª SÉRIEcontrariedades do amor (que não é É a produção satírica a mais destacada porcorrespondido pela parte feminina) . alguns na poesia de Gregório de Matos . Dir-se-ia aqui que ela representa a que deu uma maior tônica Estilisticamente , há a predominância de pessoal ao poeta . Gregório parece figurar comoversos decassílabos , as rimas intercaladas , os uma espécie de metralhadora giratória , nãoperíodos invertidos sintaticamente , além do poupando críticas a nenhum seguimento social datipo de composição escolhida : o soneto . Bahia . Governantes , clero , mulatos , comerciantes , a “nobreza Caramuru” , mestiços , enfim , todos . Um exemplo dessa indistinção se percebe noA LÍRICA FESCENINA poema “Milagres do Brasil São” , satirizando a figura do Vigário de Passé , Lourenço Ribeiro, pelo fato de Nessa parte da obra do poeta baiano , o amor ser um homem de cor , chamando-o de “Cãoganha uma conotação puramente erótica, deixando- revestido em Padre” :se levar pelos impulsos carnais . Todavia , o alvo deGregório de Matos é bem distinto de sua poesia Imaginais que o insensatoamorosa apreciada a pouco . Enquanto que a Do canzarrão fala tantoprimeira é destinada à mulher branca de elevada Porque saba tanto , ou quanto ?classe social e apta ao casamento , a poesia Não , senão porque é mulato ;fescenina é destinada à mulher de cor . Ter sangue de carrapato , Para explicar essa aparente contrariedade na Ter estoraque de congo ,poesia do vate baiano , utiliza-se aqui as palavras Cheirar-lhe a roupa a mondongode Gilberto Freyre em sua obra Casa-Grande & É cifrar de perfeição :Senzala . Ao tecer considerações sobre a formação Milagres do Brasil são .racial brasileira , o sociólogo pernambucano afirmaa pouca disponibilidade de mulheres brancas para o ou então no célebre poema do “Pica-Flor” , quecasamento no Brasil do século XVI . Dessa forma , seria uma resposta malcriada a uma freira que lheos seguimentos sociais brasileiros estariam compara ao beija-flor :calcados na miscigenação . O autor ainda destaca aforte influência dos mouros no povo português , A uma freira que, satirizando a delgadaonde “O longo contato com os sarracenos deixara fisionomia do poeta, chamou-lhe pica-flor.entre os portugueses a figura da moura-encantada ,tipo delicioso de mulher morena de olhos pretos ,envolta de um misticismo sexual (...) que os Se pica-flor me chamais,colonizadores vieram encontrar parecido , quase Pica-flor aceito ser,igual , entre as índias nuas e de cabelos soltos no Mas resta agora saber,Brasil.” De acordo com o mesmo autor , é por isso se no nome, que me dais,que “Nesta vazou-se porventura o ciúme ou a inveja meteis a flor, que guardaissexual da mulher loura contra a de cor. (...) Ódioque resultaria mais tarde em toda a Europa na no passarinho melhor!idealização do tipo louro , identificado como se me dais este favor,personagens angélicas e divinas em detrimento do sendo só de mim o pica,moreno (...). e o mais vosso, claro fica, (...) A moda da mulher loura , limitada aliás às que fico então pica-flor.classes altas , terá sido antes a repercussão deinfluências exteriores do que a expressão de Ironia , deboche , humor e irreverência – eisgenuíno gosto nacional . Com relação ao Brasil , as marcas na sátira de Gregório de Matos que lheque diga o ditado: ‘Branca para casar , mulata para renderam o degredo a Angola em 1694 .f...., negra para trabalhar’.” No exemplo abaixo , pode-se perceber , além As idéias aqui expostas por Gilberto Freyre dos predicados aludidos no parágrafo anterior , umsão perfeitamente aplicáveis à poética de Gregório . tom de ressentimento e vingança por parte do autorÉ dispensado por ele um tratamento refinado à :mulher branca , em tom respeitoso , enquanto quepara a mulher de cor , além do amor carnal , o Pondo os olhos primeiramente na sua cidadedeboche , a vulgaridade e a ironia com que ele se conhece que os mercadores são o primeirodirige a tal tipo de figura revela um certo tom móvel da ruína , em que arde pelas mercadoriaspreconceituoso , bem ressaltado pelo crítico Alfredo inúteis , e enganosas.Bosi ao colocar : “Aqui o preconceito , (...) desce aosubterrâneo de uma prática erótica onde se geram ,íntima e simultaneamente , a atração física ,a Triste Bahia! oh quão dessemelhanterepulsa e o sadismo.” Estás e estou do nosso antigo estado! Pobre te vejo a ti, tu a mim empenhado.A LÍRICA SATÍRICA Rica te vi eu já, tu a mim abundante.www.procampus.com.br procampus@procampus.com.br
  4. 4. COLÉGIO PRO CAMPUS – “A PAZ ESTÁ NA BOA EDUCAÇÃO” RESUMO DE OBRA – UFPI/PSIU – 1ª SÉRIE (capote) simplória (de algodão) , o queA ti tocou-te a máquina mercante, representaria a perda total do status da Bahia .Que em tua larga barra tem entrado,A mim foi-me trocando e tem trocadoTanto negócio e tanto negociante. A LÍRICA RELIGIOSADeste em dar tanto açúcar excelente Essa é a produção gregoriana maisPelas drogas inúteis, que abelhuda tipicamente barroca , pois aqui vê-se inserido oSimples aceitas do sagaz Brichote. conflito espiritual desse período . A dialética PECADO x PERDÃO é bem evidenciada . O poetaOh, se quisera Deus que, de repente, assume a sua condição de pecador diante da divindade , não extraindo de si a sua culpabilidade .Um dia amanheceras tão sisuda Todavia , é nessa mesma culpabilidade que eleQue fora de algodão o teu capote! espera ser salvo , como ilustra bem o poema no início desse capítulo ao ser exemplificado o CONCEPTISMO .COMENTÁRIOS : Nos seus textos religiosos , o estilo predominante é o conceptismo . Aqui , o autor tentará convencer a Deus que , embora tenha Nesse poema , tem-se um painel das pecado (e como) ele merece (e precisa) ser salvo .transformações sociais e econômicas sofridas pela O materialismo e a espiritualidade se chocamBahia ao final do século XVII . Na primeira estrofe , continuamente dentro desse tipo de produçãoo poeta evoca um passado (antigo estado) dele e poética . Todos esses aspectos estão bemda Bahia , colocando estarem tão diferentes (quão evidenciados no poema abaixo :dessemelhante ) . Dois tempos são evocados aqui :o presente e o passado de ambos . Atualmente , A Cristo S. N. crucificado estando o poeta nasua terra natal se vê empobrecida , enquanto ele última hora de sua vida .(pertencente à nobreza Caramuru) não estágozando do status e das facilidades que levara atéentão . Meu Deus, que estais pendente em um madeiro , A máquina mercante que tem entrado na Em cuja lei protesto de viver ,larga barra baiana é uma alusão à atividade Em cuja santa lei hei de morrermercantilista que se processa nesse período , Animoso , constante , firme , e inteiro .principalmente pelos franceses , holandeses e Nesse lance , por ser o derradeiro ,britânicos . Tudo isso tem alterado (trocado) Pois vejo a minha vida anoitecer ,não somente o perfil baiano como do próprio É , meu Jesus , a hora de se verautor . As atividades comerciais começam a ter A brandura de um Pai manso Cordeiro .sua ascensão enquanto as agrárias (cana-de-açúcar) em que o poeta se vê inserido estão em Mui grande é vosso amor , e meu delito , Porém pode ter fim todo o pecar ,declínio . É esse declínio econômico que E não o vosso amor , que é infinito .Gregório de Matos faz referência no início dotexto . Esta razão me obriga a confiar , A imprudência dos baianos é condenada Que por mais que pequei , neste conflitonos dois últimos tercetos . O autor se utiliza de Espero em vosso amor de me salvar .uma personificação para a Bahia , colocando-a COMENTÁRIOS :como personagem . O caráter de “metida”dasenhora Bahia é ressaltado pelo termo O poeta inicia o texto se dirigindo à divindadeabelhuda , que troca seu açúcar (ouro branco) em tom de súplica. Reafirma aqui sua condição depor artigos de luxo (drogas inúteis) trazidas pecador (v.02) e, embora tenha renegado as leis divinas, tem consciência de que irá ser julgado porpelos comerciantes (que estão aqui designados elas quando morrer.por Broichote , perjorativo de British – Na segunda estrofe, tenta uma última chancecomerciante inglês ) . de ser salvo, pois percebe estar próximo à morte – É tal imprudência que faz com que a “minha vida anoitecer”. A chantagem emocional quesenhora Bahia decline . Por isso , o poeta o eu lírico faz com Deus começa a ganhar corpo. É nesse momento que ele afirma ser a hora de se verevoca a divindade (Deus) para que lhe dê um o caráter misericordioso do Pai celeste.castigo – amanhecendo sisuda com uma capawww.procampus.com.br procampus@procampus.com.br
  5. 5. COLÉGIO PRO CAMPUS – “A PAZ ESTÁ NA BOA EDUCAÇÃO” RESUMO DE OBRA – UFPI/PSIU – 1ª SÉRIE Na estrofe seguinte, é dado início ao jogo sem causa de tormento ; entendimento econceptista. O poeta começa a articular sua “teia pensamento , refletindo bem o caráter antitético doargumentativa” afirmando ser grande o amor de Barroco.Deus e o seu pecar. Todavia, este amor é infinito,contrapondo-se com seus pecados, finitos. Fecha-se o jogo conceptista na última estrofe. A LÍRICA ENCOMIÁSTICADe acordo com o autor baiano, ele espera se salvarem virtude da imensidão do amor divino, já que São poemas de circunstâncias que o autorDeus é misericordioso (20 estrofe). fazia, alguns em tons nitidamente bajulatórios. Com esses textos, Gregório conseguia quer seja favores, quer seja a proteção de figuras ilustres da Bahia,A LÍRICA FILOSÓFICA dado o seu lado polêmico. Por isso, trata-se de uma produção menor, sem muita qualidade poética. A influência de Camões é muito evidenciadanesse tipo de composição. Aqui, Gregório fica nocampo das especulações, tentando obter respostas 3-POEMAS PARA ANÁLISEsobre dúvidas que dilaceram o eu lírico. Taisdúvidas, em grande parte, são oriundas do conflito A) Sacros:espiritual vivenciado pelo autor. Embora exista uma busca constante porrespostas, o que se percebe é um eu poéticoperdido em suas indagações, transitando entre seusconflitos em busca de valores, como no sonetoabaixo: Defendendo o Bem Perdido O bem que não chegou a ser possuído, Perdido causa tanto sentimento, Que, faltando-lhe a causa do tormento, Faz ser maior tormento o padecido. Sentir o bem logrado, e já perdido, Mágoa será do próprio entendimento; Porém, o bem que perde um pensamento Não deixa a outro bem restituído. Se o lôgro satisfaz a mesma vida E, depois de logrado, fica engano A falta que o bem faz em qualquer sorte. Infalível será ser homicida O bem que sem ser mal, motiva o dano; O mal que sem ser bem, apressa a morte.COMENTÁRIOS: Aqui, Gregório de Matos questiona-se sobre oseguinte ponto: O que é mais significativo- o bemque se perde na posse ou antes de possuído ? Ao início, o autor pondera o sentimentocausado pelo que foi perdido antes da posse. Talsentimento aumenta quando ele não sabe o que fezpara a perda do que ansiava. Na estrofe seguinte, o autor reflete sobre osofrimento que lhe ficou diante da perda para, nostercetos, concluir que perder algo antes de possuídocausa-lhe maior angústia. Para chegar a tal conclusão, temos odesenvolvimento de todo um pensamentoconceptista, ponderando entre bem possuído, masperdido e bem que não chegou a ser possuído;sentimento com causa de tormento e sentimentowww.procampus.com.br procampus@procampus.com.br
  6. 6. COLÉGIO PRO CAMPUS – “A PAZ ESTÁ NA BOA EDUCAÇÃO” RESUMO DE OBRA – UFPI/PSIU – 1ª SÉRIEA CRISTO S.N. CRUSCIFICADO ESTANDO OPOETA NA ÚLTIMA HORA DE SUA VIDA Luz, que claro, me mostra a salvação, A salvação pretendo em tais abraços,Meu Deus, que estais pendente em um madeiro, Misericórdia, Amor, Jesus, Jesus.Em cuja lei protesto de viver,Em cuja santa lei hei de morrer, B) Filosóficos:Animoso, constante, firme, inteiro. MORALIZA O POETA NOSNeste lance por ser o derradeiro, OCIDENTES DO SOL A INCONSTÂNCIAPois vejo a minha vida anoitecer, DOS BENS DO MUNDOÉ, meu Jesus, a hora de se verA brandura de um Pai manso Cordeiro. Nasce o Sol, e não dura mais que um dia, Depois da Luz se segue a noite escura,Mui grande é vosso amor e meu delito, Em tristes sombras morre a formosura,Porém pode ter fim todo o pecar, Em contínuas tristezas a alegria.E não o vosso amor que é infinito. Porém se acaba o Sol, por que nascia?Esta razão me obriga a confiar, Se formosa a Luz é, por que não dura?Que por mais que pequei, neste conflito Como a beleza assim se transfigura?Espero em vosso amor de me salvar. Como o gosto da pena assim se fia?A JESUS CRISTO NOSSO SENHOR Mas no Sol, e na Luz, falte a firmeza, Na formosura não se dê constância,Pequei, Senhor; mas não porque hei pecado, E na alegria sinta-se tristeza.Da vossa alta clemência me despido;Porque quanto mais tenho delinqüido, Começa o mundo enfim pela ignorância,Vos tenho a perdoar mais empenhado. E tem qualquer dos bens por natureza A firmeza somente na inconstância.Se basta a vos irar tanto pecado,A abrandar-vos sobeja um só gemido: C) Satíricos:Que a mesma culpa, que vos há ofendido,Vos tem para o perdão lisonjeado. AOS VÍCIOSSe uma ovelha perdida e já cobrada Eu sou aquele que os passados anosGlória tal e prazer tão repentino Cantei na minha lira maldizenteVos deu, como afirmais na sacra história, Torpezas do Brasil, vícios e enganos.Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada, E bem que os descantei bastantemente,Cobrai-a; e não queirais, pastor divino, Canto segunda vez na mesma liraperder na vossa ovelha a vossa glória. O mesmo assunto em pletro diferente.A N. S. JESUS CRISTO COM ATOS DE De que pode servir calar quem cala?CONTRIÇÃO E SUSPIROS DE AMOR Nunca se há de falar o que se sente?! Sempre se há de sentir o que se fala.Ofendi-vos, meu Deus, bem é verdade,É verdade, meu Deus, que hei deliqüido, Qual homem pode haver tão paciente,Deliqüido vos tenho, e ofendido, ofendido vos tem Que, vendo o triste estado da Bahia,minha maldade. Não chore, não suspire e não lamente?Maldade, que encaminha à vaidade, Isto faz a discreta fantasia:Vaidade, que todo me há vencido; Discorre em um e outro desconcerto,Vencido quero ver-me, e arrependido, Condena o roubo, increpa a hipocrisia.Arrependido a tanta enormidade. O néscio, o ignorante, o inexperto,Arrependido estou de coração, Que não elege o bom, nem mau reprova,De coração vos busco, daí-me os braços, Por tudo passa deslumbrado e incerto.Abraços, que me rendem vossa luz.www.procampus.com.br procampus@procampus.com.br
  7. 7. COLÉGIO PRO CAMPUS – “A PAZ ESTÁ NA BOA EDUCAÇÃO” RESUMO DE OBRA – UFPI/PSIU – 1ª SÉRIEE quando vê talvez na doce trova de um tostão pedir prestadoLouvado o bem, e o mal vituperado, para o ventre sustentar:A tudo faz focinho, e nada aprova. diz que antes o quer furtar por manter a negra honra,Diz logo prudentaço e repousado: que passar pela desonra- Fulano é um satírico, é um louco, de que lhe neguem talvez;De língua má, de coração danado. mas se o virdes nas galés com honras de Vice-Rei,Néscio, se disso entendes nada ou pouco, esta é a justiça, que manda El-Rei.Como mofas com riso e algazarrasMusas, que estimo ter, quando as invoco? A Donzela embiocada mal trajada, e mal comida,Se souberas falar, também falaras, antes quer na sua vidaTambém satirizaras, se souberas, ter saia, que ser honrada:E se foras poeta, poetizaras. à pública amancebada por manter a negra honrinha,A ignorância dos homens destas eras e se lho sabe a vizinhaSisudos faz ser uns, outros prudentes, e lho ouve a clerezia,Que a mudez canoniza bestas feras. dão com ela na enxovia e paga a pena da lei:Há bons, por não poder ser insolentes, esta é a justiça, que manda El-Rei.Outros há comedidos de medrosos,Não mordem outros não - por não ter dentes. A Viúva autorizada, que não possui um vintém,Quantos há que os telhados têm vidrosos, porque o Marido de beme deixam de atirar sua pedrada, deixou a casa empenhada:De sua mesma telha receosos? ali vai a fradalhada, qual formiga em correição,Uma só natureza nos foi dada; dizendo que à casa vãoNão criou Deus os naturais diversos; manter a honra da casa;Um só Adão criou, e esse de nada. se a virdes arder em brasa, que ardeu a honra entendei:Todos somos ruins, todos perversos, esta é a justiça, que manda El-Rei.Só os distingue o vício e a virtude, Se virdes um Dom AbadeDe que uns são comensais, outros adversos. sobre o púlpito cioso, não lhe chameis religioso,Quem maior a tiver, do que eu ter pude, chamai-lhe embora de frade:Esse só me censure, esse me note, e se o tal paternidadeCalem-se os mais, chitom, e haja saúde. rouba as rendas do convento para acudir ao sustentoFinge que Defende a Honra da Cidade e Aponto da puta, como da peita,os Vícios de Seus Moradores com que livra da suspeita do Geral, do Viso-Rei:Uma cidade tão nobre, esta é a justiça, que manda El-Rei.uma gente tão honradaveja-se um dia louvada D) Lírica Amorosa:desde o mais rico ao mais pobre:cada pessoa o seu cobre, A UMA DAMAmas se o diabo me atiça,que indo a fazer-lhe justiça Dama cruel, quem quer que vós sejais,algum saia a justiçar, Que não quero por hora descobrir-vos,não me poderão negar Dai-me licença agora para argüir-vos,que por direito, e por Lei Pois para amar-vos sempre ma negais:esta é a justiça, que manda El-Rei. Por que razão de ingrata vos prezais,O Fidalgo de solar Não me pagando o zelo de servir-vos?se dá por envergonhado Sem dúvida deveis de persuadir-vos,www.procampus.com.br procampus@procampus.com.br
  8. 8. COLÉGIO PRO CAMPUS – “A PAZ ESTÁ NA BOA EDUCAÇÃO” RESUMO DE OBRA – UFPI/PSIU – 1ª SÉRIEQue a ingratidão aformoseia mais. Vida, saúde e fazenda. E se hemos falar a verdadeNão há cousa mais feia na verdade: É hoje o Amor desta eraSe a ingratidão aos nobres envilece, Tudo uma bebedice.Que beleza fará, o que é fealdade? Que se acaba co dormir E co dormir se começa.Depois, que sois ingrata me parece, O Amor é finalmenteQue hoje é torpeza o que era então beldade, Um embaraço de pernas,Que é flor a ingratidão que em flor fenece. Uma união de barrigas, Um breve tremor de artérias,À MARIA DOS POVOS, MINHA FUTURA Uma confusão de bocas,ESPOSA Uma batalha de veias, Um rebuliço de ancas,Discreta e formosíssima Maria, Quem diz outra coisa é besta.Enquanto estamos vendo claramente,Na vossa ardente vista o sol ardente,E na rosada face a aurora fria:Enquanto pois produz, enquanto criaEssa esfera gentil, mina excelenteNo cabelo o metal mais reluzente,E na boca a mais fina pedraria:Gozai, gozai da flor da formosura,Antes que o frio da madura idadeTronco deixe despido, o que é verdura.Que passado o zênite da mocidade,Sem a noite encontrar da sepultura,É cada dia ocaso da beldade.DEFINIÇÃO DE AMOR (ROMANCE)Nada disto é, nem se ignora,Que o Amor é fogo, e bem eraTivesse por berço as chamasSe é raio nas aparências.Este se chama Monarca,Ou semideus se nomeiaCujo céu são esperanças,Cujo inferno são ausências.Um Rei, que mares domina, um mundo que sopeia,Sem mais tesouro que um arco,Sem mais arma que uma seta,O arco talvez de pipa,A seta talvez de esteira,Despido como um maroto, cego como uma topeira.Arre lá com tal amor!Isto é amor? É quimera,Que faz de um homem prudenteConverter-se logo em besta.Uma bofia, uma mentira,Chamar-lhe ei mais depressa,Fogo selvagem nas bolsas,E uma sarna nas moedas.É este, o que chupa, e tirawww.procampus.com.br procampus@procampus.com.br

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