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O extrato de papoula, composto opióide mais
antigo utilizado em medicina, foi descrito no
século 3 ac. Inicialmente foi empregado para contro-
lar diarréias, entretanto suas propriedades analgési-
cas logo foram observadas. Semanas antes da
demonstração das propriedades anestésicas do éter
por Morton, no Massachussets General Hospital,
Smilie publicou no Boston Medical and Surgical Jour-
nal suas observações sobre as propriedades anal-
gésicas de uma solução de ópio aquecida, que agia
por via inalatória1
.
A nomenclatura dos componentes deste
grupo de fármacos tem se alterado no decorrer dos
anos; foram inicialmente designados como narcóti-
cos. Este termo porém incluía não só as substâncias
derivadas da morfina, mas também outras que pro-
duziam sonolência. Passou-se então a designar os
derivados naturais de opiáceos e os derivados sinté-
ticos de opióides. Entretanto a tendência atual é
designar todo o grupo, de forma genérica, como
agentes opióides2.
A racionalização no uso de opióides derivou
do conhecimento dos receptores, e portanto esclare-
cimento de seu principal mecanismo de ação.
RECEPTORES E PEPTÍDEOS OPIÓIDES
ENDÓGENOS
O receptor é um conceito fundamental em
farmacologia moderna; trata-se de uma macromolé-
cula específica no tecido alvo, tipicamente uma pro-
teína que se liga à droga, resultando desta ligação
sua atividade biológica. A macromolécula é um local
de reconhecimento para a droga e um intermediário
entre sua presença na biofase e o evento bioquímico
ou biofísico, que corresponde a sua ação biológica.
Quando uma droga desencadeia esta reação é cha-
mada de agonista; se a interação não desencadeia
nenhum efeito, mas impede o acesso de qualquer
agonista, a substância é chamada de antagonista. O
antagonista é um composto suficientemente seme-
lhante em sua estrutura ao agonista para conseguir
combinação com o sítio reconhecedor, mas sem ca-
pacidade para conseguir a mudança conformacional
que produz o efeito biológico3.
É importante observar que os receptores
não somente são determinantes da regulação de
funções fisiológicas e bioquímicas, como eles
próprios estão sujeitos a controles homeostáticos. A
estimulação contínua de um receptor por um
agonista resulta em um estado de dessensibilização
(também conhecido como refratariedade). Neste
estado o efeito obtido por exposição subseqüente da
mesma concentração de droga é menor. Diversos
mecanismos podem ser responsáveis por este
fenômeno, tais como, alteração do receptor, sua de-
struição, relocalização na célula. De forma inversa,
um estado de hiperreatividade, supersensibilidade
do receptor ao agonista é freqüentemente observado
após redução da estimulação crônica (administração
prolongada de antagonista, por exemplo)3.
A identificação de receptores opióides na
década de 70 foi também acompanhada da identifi-
cação de substâncias endógenas que se ligavam a
eles. Estas substâncias são peptídeos, divididos em
3 famílias, cada uma originada de um gene distinto.
Estes genes orientam o código de síntese de uma
grande proteína precursora a partir da qual os vários
peptídeos ativos são separados. Uma destas pro-
teínas precursoras é a pro-opiomelanocortina que dá
origem ao hormônio melanocítico estimulante, ACTH
e ß-endorfina. O segundo grupo de peptídeos
opióides deriva do precursor pro-encefalina, que dá
origem a metionina encefalina (met-encefalina) e à
leucina encefalina (leu-encefalina). O terceiro pre-
cursor é a pro-dinorfina que origina as dinorfinas
(com cadeias de aminoácidos de diferentes compri-
mentos)4.
Rev Bras Anestesiol
1994; 44: 1: 65 - 73
Opióides e Antagonistas
Judymara Lauzi Gozzani,TSA
Gozzani JL - Opioids and Antagonists
Key Words: PHARMACOLOGY: opioids, agonists, antagonists
Correspondência para Judymara Lauzi Gozzani
R Abílio Soares 330/11
04005-001 São Paulo - SP
© 1994, Sociedade Brasileira de Anestesiologia
Revista Brasileira de Anestesiologia 65
Vol. 44 : Nº 1, Janeiro - Fevereiro, 1994
Os ligantes endógenos dos receptores
opióides não são só diferentes em suas origens ge-
néticas, mas aparecem em células e áreas diversas
do sistema nervoso central.
A ß-endorfina esta presente na hipófise an-
terior, lobo intermediário, em núcleos do hipotálamo
basal e medial e células do núcleo do trato solitário
(centro simpático primário para os arcos reflexos dos
baro e quimiorreceptores). As encefalinas são encon-
tradas no sistema nervoso central e na periferia,
como medula adrenal, no trato gastrintestinal (espe-
cialmente no plexo mientérico), medula espinhal
(lâminas I e II de Rexed), diversas regiões supra-
espinhais do sistema nervoso central, em particular
corpos celulares do globo pálido, núcleos supra-óp-
ticos e paraventriculares do hipotálamo, amígdala e
neocórtex. Por sua ampla distribuição supõe-se um
grande número de funções para as encefalinas, mas
suas projeções estão ainda incompletamente
mapeadas. As dinorfinas foram identificadas no in-
testino, hipotálamo, hipófise posterior, tronco ence-
fálico e medula espinhal5.
Antes que estes agonistas endógenos
fossem completamente identificados, sugeria-se a
existência de diferentes classes de receptores. Mui-
tos receptores foram propostos. Entretanto, a maioria
dos autores da área trabalha com 3 bem estabeleci-
dos: µ dividido em 2 subclasses µ1 e µ2, δ e κ; os
receptores epsilon e sigma não parecem ter papel
relevante no mecanismo de analgesia.
As ligações com o receptor µ são feitas pela
ß-endorfina, met-encefalina e dinorfina A1-13; o re-
ceptor d liga-se com ß-endorfina, leu-encefalina e
dinorfina A1-8; o receptor kappa é o alvo principal de
ligação das dinorfinas4.
A analgesia dos opióides é mediada por
uma interação complexa entre os receptores µ, delta
e kappa. Em relação a ação supra-espinhal os recep-
tores µ parecem ter a influência mais importante,
enquanto que os receptores δ e κ estão envolvidos
com a analgesia espinhal. Através do uso de an-
tagonistas seletivos de µ1 (naloxonazina e naloxo-
zona) foi possível concluir que os receptores µ1
estão relacionados com a analgesia supra-espinhal;
pelos estudos realizados os receptores µ2 não pare-
cem ter grande importância na ação analgésica6. A
analgesia medular envolve outros receptores. Neste
local os ligantes delta específicos são cerca de 5
vezes mais potentes que a morfina.
Classificação dos receptores opióides
Receptor Efeito Agonista Antagonista
µ (mu) analgesia supra-espinhal ß endorfina naloxona
depressão ventilatória dinorfina A1-13
euforia
dependência miose
morfina e
derivados
δ (delta) modulação µ leu-encefalina naloxona
analgesia ß endorfina
depressão ventilatória dinorfina A1-8
κ (kapa) analgesia espinhal dinorfina naloxona
depressão ventilatória morfina
sedação e miose nalbufina
sigma* disforia pentazocina?
alucinação fenciclidina?
estimulação vasomotora
midríase
* - O receptor sigma não parece ser um receptor opióide verdadeiro.
Suas ações não são revertidas pela naloxona. Há algumas evidências
que seria um receptor de fenciclidina.
DISTRIBUIÇÃO DOS RECEPTORES NO
SISTEMA NERVOSO CENTRAL
Os receptores µ estão amplamente distri-
buídos em todo o encéfalo, e sua função relaciona-se
com a integração motora-sensorial e percepção do-
lorosa. Os receptores δ são mais limitados em sua
distribuição e encontram-se nas áreas relacionadas
à olfação, neocórtex, caudado-putamen, núcleo
acumbens e amígdala. Parecem ter papel na integra-
ção motora, olfação e função cognitiva.
Os receptores κ são observados nos núcleo
caudado-putamen,acumbens, amígdala, hipotálamo,
neurohipófise, eminência média e núcleo do trato
solitário. Suas prováveis funções relacionam-se com
balanço hídrico, ingesta alimentar, percepção doloro-
sa e atividade neuroendócrina7.
MECANISMO DE AÇÃO DOS OPIÓIDES
Os opióides ligam-se aos receptores, tanto
no sistema nervoso central como em outros tecidos.
Somente a forma levo-rotatória possue atividade
agonista.A existência da forma ionizada é necessária
para a interação com o ligante aniônico do receptor.
A ligação de um opióide endógeno ou exó-
geno com o receptor promove a inibição do segundo
mensageiro, altera o transporte do cálcio na membra-
na celular e atua pré-sinapticamente impedindo a
liberação de neurotransmissor.
GOZZANI
66 Revista Brasileira de Anestesiologia
Vol. 44 : Nº 1, Janeiro - Fevereiro, 1994
CLASSIFICAÇÃO DOS OPIÓIDES
A capacidade que determinada substância
tem em ativar o receptor ao qual está ligada é sua
atividade intrínseca ou eficácia. Este conceito pode
ser expresso pela fórmula:
onde E é o efeito; Emax é o efeito máximo;
Ro são os receptores ocupados; Rt o número total de
receptores e k a atividade intrínseca. Quando a ativi-
dade intrínseca é 1, isto significa que o agonista é
puro, a ocupação de todos os receptores (Ro=Rt)
produz a resposta máxima (E= Emax). O antagonista
tem atividade intrínseca zero, portanto não produz
efeito, independente da ocupação dos receptores.
Os compostos agonistas parciais e agonistas/ an-
tagonistas têm atividade intrínseca entre zero e um5.
De acordo com a ação no receptor, os
opióides classificam-se em:
Agonistas ---- morfina, meperidina, alfaprodina,
fentanil, alfentanil, sufentanil, fenoperidina,
codeína, hidromorfona, oximorfona,
metadona e heroína.
Antagonista - naloxona e naltrexona.
Agonista parcial - buprenorfina.
Agonista/Antagonista (agonista κ/antagonista µ) -
nalbufina, nalorfina, levalorfan, pentazocina,
butorfanol e dezocina.
FARMACOLOGIA DOS OPIÓIDES
O índice terapêutico (DL50/DE50) é a re-
lação entre a dose de uma droga que produz efeitos
letais em 50% dos animais testados e a dose que
produz os efeitos desejados em 50% dos animais. Os
opióides possuem, em geral, uma ampla margem de
segurança (índice terapêutico) quando testados em
modelos animais.
Índice Terapêutico8
Morfina 69,5
Meperidina 4,8
Fentanil 277,0
Alfentanil 1080,0
Sufentanil 25211,0
Para que um fármaco produza seu efeito,
necessita atravessar membranas e alcançar o recep-
tor. A velocidade e extensão com as quais um fárma-
co penetra através de membranas são determinadas
por seu peso molecular, solubilidade lipídica, ligação
a proteínas plasmáticas e grau de ionização. Uma
molécula pequena tende a passar mais rapidamente
através das membranas celulares.A maior solubilida-
de lipídica permite ao fármaco passar pelo conteúdo
lipídico das membranas biológicas,inclusive a barrei-
ra hemato-encefálica, com maior facilidade.A ligação
às proteínas plasmáticas e membranas das hemá-
cias deixa menos fármaco livre para penetrar e alcan-
çar os receptores.Da mesma forma,a ionização de
um fármaco diminui sua habilidade de atravessar
membranas; moléculas carregadas serão repelidas
por cargas iguais nas membranas ou atraídas por
cargas oposta; em ambos os casos a efetividade de
atravessá-las e ligar-se ao receptor diminui. Os
opióides têm, de forma geral, um pequeno tamanho
molecular.
A solubilidade lipídica (coeficiente oc-
tanol/água) é de 1,4 para a morfina, 813 para o
fentanil, 145 para o alfentanil e 1778 para o sufen-
tanil. A morfina possue a menor lipossolubilidade o
que resulta numa lenta penetração através das mem-
branas; isto faz com que chegue ao sistema nervoso
central lentamente, exibindo um início de ação mais
demorado. O sufentanil, fentanil e em menor grau o
alfentanil possuem uma alta lipossolubilidade e por-
tanto um rápido início de ação após injeção venosa.
A porcentagem de ligação protéica (in-
cluindo albumina e α1-glicoproteína ácida), em pH
7,4, é de 30 para a morfina, 84 para o fentanil, 92
para o alfentanil e 93 para o sufentanil. O fentanil,
alfentanil e sufentanil ligam-se principalmente a α1-
glicoproteína ácida, enquanto que a morfina liga-se,
principalmente, à albumina9. Os opióides mais recen-
tes possuem um alto grau de ligação protéica, con-
seqüentemente uma menor quantidade do fármaco
está disponível na forma livre, estado no qual há a
penetração no sistema nervoso central e produção
do efeito. A alta taxa de ligação protéica também
contribui para um menor volume de distribuição e
limita a quantidade de droga livre disponível para
eliminação pelos sistemas hepático e renal, o que
reduz a taxa de depuração.
A porcentagem de fármaco não ionizado
(em pH 7,4) é de 23 para a morfina, 10 para o fentanil,
20 para o sufentanil e 90 para o alfentanil. O pequeno
grau de ionização do alfentanil contribui para sua
mobilização através das membranas e explica, par-
cialmente, seu rápido início de ação.
A solubilidade lipídica também desem-
E = k Ro/Rt Emax
OPIÓIDES E ANTAGONISTAS
Revista Brasileira de Anestesiologia 67
Vol. 44 : Nº 1, Janeiro - Fevereiro, 1994
penha um papel na eliminação de uma substância.
Um fármaco com alto grau de lipossolubilidade será
facilmente estocado em tecidos que contenham
lipídeos, sendo liberado lentamente destes tecidos
para o plasma, resultando numa baixa velocidade de
eliminação. Fármacos com altos graus de lipossolu-
bilidade terão meia-vida de eliminação (ß) maiores
do que aqueles com menor lipossolubilidade. A
menor lipossolubilidade do alfentanil contribui para
sua meia-vida ß menor10,11.
Perfil Físico-químico dos Opióides
Morfina Fentanil Alfentanil Sufentanil
Tamanho da
molécula
pequena pequena pequena pequena
Solubilidade
lipídica
1,4 813 145 1778
% ligada a pro -
teínas
30,0 84 92 93
% não ionizada 23,0 10 90 20
Farmacocinética Comparativa8
Morfina Fentanil Sufent Alfent Meperid Naloxona
Meia-vida de
distribuição
(α) (min)
10-20 5-10 5-15 5-10 10-20
Volume de
distribuição
(L/kg)
3,4 4,0 1,7 0,7 4,4 1,8
Depuração
(ml/kg/min)
10-20 10-20 10-12 3-8 30,1
Meia-vida de
eliminação
(ß) horas
1,7 3,6 2,7 1,6 6,7 1,1
Os opióides agonistas apresentam ações
farmacodinâmicas semelhantes, que incluem anal-
gesia, sedação, sonolência, inconsciência, su-
pressão da resposta vegetativa e endócrina ao
estresse. A sedação, sonolência e inconsciência de-
pendem da dose, estado físico do paciente, asso-
ciação com outros depressores do sistema nervoso
central e intensidade dos estímulos nociceptivos.
Em relação ao aparelho cardiovascular, os
agonistas opióides produzem depressão miocárdica
mínima, não sensibilizam o coração à ação de cate-
colaminas, preservam a autorregulação da circu-
lação cerebral, cardíaca, renal e diminuem a
freqüência cardíaca (com exceção da meperidina
que produz taquicardia).
Não há referências em relação a toxicidade
hepática ou renal com o uso dos opióides agonistas.
Quanto aos efeitos no sistema nervoso cen-
tral diminuem o fluxo sangüíneo e o metabolismo
cerebral, provocam alteração mínima na latência e
amplitude dos potenciais evocados somatossenso-
riais12.
Em relação ao aparelho digestivo induzem
ao aparecimento de náuseas e vômitos por estimu-
lação direta dos quimiorreceptores da zona de gatilho
no assoalho do quarto ventrículo (agindo como
agonista parcial do receptor de dopamina). O retardo
do esvaziamento e aumento de secreções no trato
gastrointestinal são também mecanismos possíveis
na gênese desses sintomas associados ao uso de
opióides9. Os opióides podem aumentar a pressão
nas vias biliares; doses equianalgésicas de fentanil,
morfina, meperidina e pentazocina aumentam a
pressão no ducto biliar em 99, 53, 61 e 15%, respec-
tivamente, acima dos valores anteriores à adminis-
tração do fármaco13. A incidência de espasmo do
esfíncter de Oddi é cerca de 3% nos pacientes que
recebem fentanil durante anestesia balanceada com
anestésicos inalatórios14.
Os opióides agonistas interferem com a
função do sistema respiratório levando a depressão
respiratória (dose dependente) e possuem pro-
priedades antitussígenas. A depressão da ventilação
expressa-se por aumento da pressão parcial de
dióxido de carbono no sangue arterial e deslo-
camento da curva de resposta ao CO2 para a direita,
caracterizando sensibilidade diminuída a frações in-
spiratórias aumentadas de CO2. Os agonistas
opióides agem nos centros que regulam o ritmo respi-
ratório, na região do bulbo, podendo aumentar as
pausas entre os movimentos respiratórios e aumen-
tar o tempo expiratório. A diminuição da sensibilidade
ao CO2 pode ser decorrente da redução de liberação
de acetilcolina dos neurônios da área ventilatória, em
resposta à hipercarbia8,9.
Os opióides podem induzir rigidez muscu-
lar, de provável mecanismo central15.
Na anestesia, os opióides são capazes de
bloquear as respostas à laringoscopia e intubação,
sendo este efeito dose dependente. Um dos mecan-
ismos específicos propostos para esta ação é o blo-
queio dos estímulos provenientes da laringe, uma
área muito rica em extremidades nervosas, inervada
pelo vago e glossofaríngeo. Os núcleos desses ner-
vos possuem altíssima concentração de receptores
opióides e é provável que esse seja um dos motivos
pelos quais os opióides são tão eficazes no bloqueio
das respostas decorrente da laringoscopia e in-
tubação.
Algumas variáveis interferem com o com-
portamento farmacocinético e farmacodinâmico dos
opióides: a idade do paciente, função hepática, obe-
sidade, função renal, consumo de drogas com ativi-
GOZZANI
68 Revista Brasileira de Anestesiologia
Vol. 44 : Nº 1, Janeiro - Fevereiro, 1994
dade no sistema nervoso central (por exemplo álcool
e tranqüilizantes).
A meia-vida de eliminação (t1
2
ß) dos opiói-
des está aumentada nos pacientes idosos, provavel-
mente em decorrência do aumento no volume de dis-
tribuição e diminuição da depuração plasmática16-18.
O fentanil não mostrou alteração em relação ao volu-
me de distribuição, quando foram comparados pa-
cientes idosos e adultos jovens; portanto prolon-
gamento de sua meia-vida de eliminação nos idosos,
deve ser decorrente da diminuição da depuração19.
Aumento da meia-vida de eliminação e dimi-
nuição da depuração também é observado com o uso
de alguns opióides (fentanil, sufentanil) em recém-
nascidos, quando comparados com crianças maio-
res. Esta modificação farmacocinéticas pode ser
decorrente de redução enzimática ou de fluxo
sangüíneo hepático no período neonatal20.
USO CLÍNICO
Os agonistas opióides mais utilizados em
anestesia são morfina, fentanil, alfentanil, sufentanil
e meperidina.
A morfina, embora possa ser sintetizada em
laboratório, é obtida da cápsula da semente da
papoula, como um dos alcalóides do exsudato leitoso
do ópio. Os alcalóides representam cerca de 25% do
peso do ópio e são divididos em 2 classes químicas:
fenantrenos e benzilisoquinolinas. O principal fenan-
treno é a morfina, com quantidades menores de
codeína e tebaína. A principal benzilisoquinolina é a
papaverina.
Em 1969 Löwenstein e col21 popularizaram
o uso da morfina como anestésico em pacientes com
doença valvar aórtica. Administrando morfina na
dose de 5-10 mg/min associada a oxigênio, um
estado anestésico foi obtido com uma dose em torno
de 1 a 3 mg/kg. A situação hemodinâmica do paciente
era estável, com tendência e vasodilatação (respon-
siva a volume) e bradicardia (reversível com a
atropina). Os problemas com a técnica proposta por
Löwenstein incluíam amnésia incompleta ocasional,
reações de liberação de histamina (rash cutâneo,
hipotensão e broncoconstrição) e depressão respi-
ratória prolongada.
A morfina é rapidamente absorvida pelas
vias tradicionais de administração,entretanto um me-
tabolismo intenso na primeira passagem pelo fígado
precisa ser considerado quando a via oral é eleita. A
dose eficaz pela via enteral é cerca de 5 vezes a dose
equianalgésica por via venosa. A meia-vida de elimi-
nação da morfina é de cerca de 2 horas. A principal
via metabólica é a conjugação com o ácido glu-
curônico no fígado. Após a metabolização os com-
postos são excretados pela urina, associados a uma
pequena quantidade de morfina livre. Cerca de 7 a
10% da morfina administrada é excretada nas fezes
como componente da bile.
A morfina é o opióide de referência, no que
diz respeito à potência analgésica, sendo a ela
atribuído o valor 1.
A meperidina foi o primeiro opióide sin-
tético, apresentada em 1939 e inicialmente consid-
erada um agente semelhante à atropina. Sua
atividade analgésica foi, entretanto, notada rapida-
mente. A meperidina possue uma potência anal-
gésica de 1/10 da morfina é absorvida por todas as
vias e cerca de 50% é eliminada pelo fenômeno da
primeira passagem pelo fígado, quando administrada
por via oral. Apresenta uma meia-vida no plasma de
aproximadamente 3 horas, e possue uma taxa de
ligação à proteínas plasmáticas de 60%. É principal-
mente metabolizada no fígado através de hidrólise ou
N-desmetilação. resultando em ácido meperidínico e
normeperidina. A normeperidina possue pro-
priedades tóxicas para o sistema nervoso central, e
em caso de acúmulo deste metabólito pode-se obser-
var excitação, cuja principal manifestação clínica é a
convulsão. Em relação a sua ação sobre o sistema
cardiovascular a meperidina diminui a contratilidade
do miocárdio e aumenta a freqüência cardíaca1.
O fentanil é um opióide sintético do grupo
da fenilpiperidina. Sua potência analgésica é cerca
de 80 a 100 vezes a da morfina. Apresenta como
principal vantagem a ausência de liberação de his-
tamina e conserva as características de pouca ação
sobre os parâmetros hemodinâmicos. Após a admin-
istração de dose única, por via venosa, exibe um
início de ação mais rápido e duração do efeito menor
que a morfina. Sua maior potência e início de ação
mais rápido refletem sua maior lipossolubilidade,
comparado à morfina. Esta lipossolubilidade facilita
sua passagem através da barreira hemato-ence-
fálica. A curta duração de efeito decorre da redis-
tribuição para tecidos ‘‘inativos’’, como gordura,
musculatura esquelética e tecido pulmonar. Se
múltiplas doses ou infusão contínua forem adminis-
trados ocorre progressiva saturação destes tecidos e
a concentração plasmática de fentanil deixa de decli-
nar rapidamente, prolongando a duração da analge-
sia e depressão respiratória22,23.
Os estudos publicados por Stanley e col22,
no final dá década de 70, documentaram seu valor
como anestésico único, que mantinha a estabilidade
cardiovascular.A dose para utilização na técnica fen-
tanil-oxigênio entre 50 e 150 µg/kg. Em contraste
OPIÓIDES E ANTAGONISTAS
Revista Brasileira de Anestesiologia 69
Vol. 44 : Nº 1, Janeiro - Fevereiro, 1994
com a morfina, há melhor predição em relação ao
estado de inconsciência e amnésia com o uso de
altas doses de fentanil. Ele não aumenta as necessi-
dades de fluidos no período da intervenção cirúrgica,
diminui o tempo de despertar e as necessidades de
ventilação controlada no pós-operatório. A utilização
de altas doses de fentanil pode associar-se a bradi-
cardia24 (reversível pela atropina), hipotensão oca-
sional (relacionada com a dose e velocidade de
injeção), depressão respiratória e rigidez torácica.
Da mesma forma que a morfina a estabilidade
hemodinâmica é melhor em pacientes hemodinami-
camente comprometidos no pré-operatório. Em
pacientes em bom estado geral, com doença
coronariana, observou-se uma incidência maior de
hipertensão intra-operatória, com necessidades de
doses suplementares de fentanil, inclusive para gar-
antir a amnésia. Estas observações levaram os
autores a propor a adição de outros agentes como o
óxido nitroso, baixas concentrações de anestésicos
inalatórios e diazepam em associação com o fentanil.
Diversos estudos documentaram que estas asso-
ciações com altas doses de fentanil reverteram em
parte a estabilidade hemodinâmica, induzindo hipo-
tensão com diminuição da resistência vascular
sistêmica e eventual depressão da contratilidade
miocárdica.
O fentanil é um componente muito popular
da ‘‘anestesia balanceada’’, em doses moderadas,
devido a sua fácil administração, potência e ação de
curta duração relativa. Nesta técnica tem sido utili-
zado em associação com diversos bloqueadores
neuro-musculares, óxido nitroso, benzodiazepínicos
a anestésicos inalatórios em baixas concentrações.
O alfentanil é um derivado do fentanil, com
uma potência analgésica 5 a 10 vezes menor.
Quando utilizado em dose única, possue uma
duração de ação muito curta (cerca de 11 minutos) e
uma meia-vida de eliminação de 72 a 94 minutos.
Algumas características do alfentanil são peculiares
em relação aos outros opióides. Os volumes de dis-
tribuição aparente e no estado de equilíbrio são
menores que os do fentanil (cerca de 4 vezes),
propiciando um início de ação mais rápido e meia-
vida de eliminação mais curta. Apesar da depuração
do alfentanil ser menor que o do fentanil, esta di-
minuição não chega a superar o menor volume de
distribuição e resulta numa meia-vida de eliminação
menor. O pKa do alfentanil é de 6,5 e do fentanil 8,4
e o da morfina 7,93. Num pH fisiológico (7,35 a 7,45)
90% da fração livre de alfentanil não está ionizada (e
portanto mais difusível) enquanto que 10% do fen-
tanil e 23% da morfina estão neste estado. Os
opióides com pKa mais alto têm sua fração livre mais
afetadas por alterações de pH do que o alfentanil. Em
regiões onde o pH esteja mais baixo pode haver
seqüestro dos opióides com pKa mais alto e posterior
recirculação; com o alfentanil isto não ocorre, favore-
cendo o rápido retorno do fármaco para o plasma
durante a fase de eliminação. Este fato, associado a
sua alta taxa de ligação às proteínas plasmáticas,
porém baixa taxa de ligação às proteínas dos eritróci-
tos, favorece seu rápido trânsito através da barreira
hemato-encefálica. O resultado clínico é um rápido
início de ação apesar de sua lipossolubilidade menor.
As diferenças entre o alfentanil e fentanil,
quanto ao início de ação, foram estudadas em huma-
nos, Scott & Stanski25 observaram a relação entre
concentração plasmática e eletroencefalograma
(EEG), medida pela análise espectral. Os resultados
deste trabalho revelaram que o equilíbrio meia-vida
plasmática-cérebro (histerese) era de 1,1 minutos
para o alfentanil e 6,4 para o fentanil. O retorno da
linha de base do EEG também foi mais rápido para o
alfentanil que para o fentanil. Estas propriedades
significam não só que o alfentanil penetra e deixa o
cérebro muito mais rapidamente que os outros
opióides, mas também que possue menor tendência
a acumular-se na gordura e outros tecidos.
O alfentanil tem sido muito estudado em
procedimentos cirúrgicos de curta duração e também
na técnica de infusão contínua. Tem demostrado ser
um agente eficaz para induzir e manter a anestesia.
Ausems e col26-28 estudaram as concen-
trações plasmáticas terapêuticas do alfentanil em
várias situações cirúrgicas. Quando associado ao
óxido nitroso as concentrações plasmáticas anal-
gésicas situam-se entre 200 e 500 ng/ml; uma con-
centração plasmática de 300 ng/ml é suficiente para
bloquear a maioria dos estímulos nóxicos durante
procedimentos cirúrgicos. A recuperação da con-
sciência com respiração espontânea ocorre com con-
centrações abaixo de 200 ng/ml. Com uma infusão
de 1 µg/kg/min a concentração de estado de
equilíbrio de 185 ng/ml é alcançada após 6 horas (4
ou 5 meias-vidas). Tal situação não é prática na
clínica, e uma concentração necessária para iniciar
a intervenção cirúrgica pode ser obtida com uma
dose de carga inicial, seguida de infusão de
manutenção.
Através de cálculos, concluiu-se que a dose
inicial necessária para preencher o volume de dis-
tribuição do estado de equilíbrio (Vss) é de 100
µg/kg. Esta dose pode ser administrada em um bolus
único, ou fracionado durante 10 minutos, ou ainda em
infusão rápida em 10 minutos, seguida de uma in-
fusão variando de 0,5 a 2 µg/kg/min, de acordo com
o porte de intervenção cirúrgica. A concentração
GOZZANI
70 Revista Brasileira de Anestesiologia
Vol. 44 : Nº 1, Janeiro - Fevereiro, 1994
plasmática de alfentanil diminui rapidamente após
cessar a infusão. São necessários cerca de 20 mi-
nutos para que a concentração caia para cerca de
200 ng/ml (CP50 - concentração plasmática na qual
50% dos pacientes tem respiração espontânea).
Pelos estudos de Ausems e col, a concentração
plasmática na qual todos os pacientes respiram é de
120 ng/ml, que é atingida cerca de 25 minutos após
interrupção da infusão. Com concentrações plas-
máticas acima de 121 ng/ml a sensibilidade ao CO2
diminui de 40 a 50%. Os tempos de recuperação são
válidos para doses de infusão de no máximo 2
µg/kg/min; com doses de 3 µg/kg/min o tempo de
recuperação prolongou-se entre 2 e 3 horas. As car-
acterísticas farmacocinéticas do alfentanil favorecem
sua utilização em infusão contínua, e a possibilidade
de acúmulo com este fármaco é mínima, desde que
doses elevadas não sejam utilizadas. A utilização
como agente analgésico em terapia intensiva tam-
bém tem sido estudada.
Sufentanil é cerca de 500 a 1000 vezes
mais potente que a morfina e 5 a 10 que o fentanil. A
estabilidade hemodinâmica e hormonal observada
com o uso de sufentanil está presente não só nos
pacientes com doença cardíaca mas também nos
hígidos, com doses entre 5 e 30 µg/kg. Em relação
aos parâmetros farmacocinéticos ele apresenta um
volume de distribuição menor que o do fentanil e uma
meia-vida de eliminação também menor. A bradi-
cardia parece ser um pouco mais freqüente com o
uso do sufentanil do que com fentanil.
A produção de amnésia e habilidade para
contornar hipertensão e taquicardia intra-operatória
com doses suplementares de sufentanil é maior do
que com fentanil29. A associação sufentanil-N2O é
capaz de manter a concentração plasmática de no-
repinefrina abaixo dos níveis pré-operatórios. Em-
bora o sufentanil previna a resposta endócrina e
metabólica em cirurgia cardíaca, não consegue fazê-
lo durante circulação extra corpórea, mesmo em
doses elevadas (20 µg/kg)30.
Em relação aos metabólitos, o sufentanil
apresenta os produtos da N-desalquilação que são
inativos, entretanto a via da O-metilação produz o
desmetil-sufentanil que tem 10% da atividade do
sufentanil. Os metabolistos são excretados quase
igualmente pela urina e fezes, 30% aparecem conju-
gados. Isto reforça a importância da função renal da
depuração do sufentanil. Em um paciente com insufi-
ciência renal crônica observou-se prolongamento da
depressão ventilatória e elevadas concentrações
plasmáticas de sufentanil31.
Um estudo observou o tempo necessário
para diminuir em 50% a concentração de sufentanil
e alfentanil nos efetores, após cessação de uma
infusão planejada para manter a concentração de
opióide constante. Se a infusão durar menos que 8
horas, o tempo requerido para um decréscimo de
50% na concentração nos efetores é menor para o
sufentanil do que para o alfentanil, à despeito da
meia-vida de eliminação mais rápida do último. Este
fato ocorre pela alta lipossolubilidade do sufentanil,
que tende a ser seqüestrado pela gordura. Esta dis-
tribuição do sufentanil produz uma meia-vida de
eliminação mais longa, mas também aumenta a
depuração do sufentanil, diminuindo rapidamente a
concentração plasmática do fármaco, após a inter-
rupção da infusão. A implicação clínica desta carac-
terísticas farmacocinéticas é o sufentanil ser,
provavelmente, uma melhor escolha que o alfentanil
para infusões até 8 horas. O alfentanil é melhor para
infusões mais longas, se uma recuperação rápida é
desejável ao final da infusão. Por esta razão o alfen-
tanil tem sido escolhido para sedação em terapia
intensiva em pacientes adultos e pediátricos32.
ANTAGONISTAS: NALOXONA E NALTREXONA
A naloxona é um antagonista puro, que
pode reverter a ação dos agonistas (morfina, fentanil,
alfentanil, sufentanil) bem como a de alguns agonis-
tas/antagonistas e agonistas parciais (butorfanol,
nalbufina, pentazocina, dezocina e buprenorfina). A
naxolona não costuma produzir nenhum efeito
quando administrada a um paciente que não recebeu
nenhum opióide. A meia-vida de eliminação curta da
naloxona (cerca de 1 hora), implica numa duração de
ação mais curta que a da maioria dos agonistas com
que ela vai competir. Este é o conhecimento que
justifica doses adicionais de naloxona e observação
cuidadosa do paciente, uma vez que o efeito do
antagonista pode ser mais breve que a eliminação do
agonista, e os fenômenos de ação agonista rein-
stalarem-se.
Durante administração de naloxona pode-
se observar efeitos colaterais como náusea, vômito,
excitação, instabilidade hemodinâmica. Para minimi-
zar ou evitar este inconvenientes, a naloxona deve
ser administrada lentamente, em pequenas doses
seqüenciais, até que o efeito desejado seja atingido.
A instabilidade hemodinâmica, observada com o uso
de naloxona. manifesta-se por aumentada atividade
do sistema nervoso simpático, expressa através de
taquicardia, hipertensão, edema pulmonar e arrit-
mias cardíacas, tendo sido observada até fibrilação
ventricular30-31.
A naltrexona é um derivado da naloxona,
mais potente e de longa duração, pode ser adminis-
OPIÓIDES E ANTAGONISTAS
Revista Brasileira de Anestesiologia 71
Vol. 44 : Nº 1, Janeiro - Fevereiro, 1994
trada por via oral. Sua aplicabilidade em anestesiolo-
gia ainda não possue apoio na literatura.
AGONISTA PARCIAL: BUPRENORFINA
A buprenorfina é uma analgésico sintético
derivado da tebaína. Liga-se aos receptores µ e δ, e
apresenta atividade intrínseca menor que a dos
agonistas. Sua interação com o receptor é estável e
a velocidade de dissociação lenta. Estima-se que a
afinidade da buprenorfina com o receptor µ seja 50
vezes maior que a da morfina. A ligação do fármaco
às proteínas plasmáticas é de 96%. A duração de
seus efeitos não se correlaciona bem com sua con-
centração plasmática, em decorrência de sua grande
afinidade pelo receptor. Após administração intra-
muscular ou sublingual os efeitos analgésicos ini-
ciam-se em cerca de 30 minutos, permanecendo por
8 a 10 horas, entretanto alguns efeitos colaterais
podem durar até 24 horas.
A buprenorfina não tem sido utilizada du-
rante o ato anestésico, mas principalmente como
agente de tratamento de dor no pós-operatório, em
politraumatizados, pacientes com câncer, infarto do
miocárdio e cólica renal.
AGONISTA/ANTAGONISTAS: NALBUFINA
A nalbufina é um agonista κ/antagonista µ,
não possue potência analgésica igual aos agonistas.
Sua capacidade analgésica é limitada, a correlação
dose-resposta perde a característica linear acima de
um determinado valor (efeito teto).
A nalbufina tem sido empregada em anest-
esia, como componente de técnicas balanceadas.
Sua capacidade de diminuir o CAM do enflurano é
de 25%, em oposição aos agonistas que diminuem
em até 70% o CAM dos anestésicos inalatórios.
A principal indicação da nalbufina tem sido
para analgesia pós-operatória, principalmente por
sua capacidade de antagonizar parcialmente o efeito
dos opióides agonistas1.
Gozzani JL - Opióides e Antagonistas
Unitermos: FARMACOLOGIA: opióides,
agonistas, antagonistas
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OPIÓIDES E ANTAGONISTAS
Revista Brasileira de Anestesiologia 73
Vol. 44 : Nº 1, Janeiro - Fevereiro, 1994

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Opioides e antagonistas

  • 1. O extrato de papoula, composto opióide mais antigo utilizado em medicina, foi descrito no século 3 ac. Inicialmente foi empregado para contro- lar diarréias, entretanto suas propriedades analgési- cas logo foram observadas. Semanas antes da demonstração das propriedades anestésicas do éter por Morton, no Massachussets General Hospital, Smilie publicou no Boston Medical and Surgical Jour- nal suas observações sobre as propriedades anal- gésicas de uma solução de ópio aquecida, que agia por via inalatória1 . A nomenclatura dos componentes deste grupo de fármacos tem se alterado no decorrer dos anos; foram inicialmente designados como narcóti- cos. Este termo porém incluía não só as substâncias derivadas da morfina, mas também outras que pro- duziam sonolência. Passou-se então a designar os derivados naturais de opiáceos e os derivados sinté- ticos de opióides. Entretanto a tendência atual é designar todo o grupo, de forma genérica, como agentes opióides2. A racionalização no uso de opióides derivou do conhecimento dos receptores, e portanto esclare- cimento de seu principal mecanismo de ação. RECEPTORES E PEPTÍDEOS OPIÓIDES ENDÓGENOS O receptor é um conceito fundamental em farmacologia moderna; trata-se de uma macromolé- cula específica no tecido alvo, tipicamente uma pro- teína que se liga à droga, resultando desta ligação sua atividade biológica. A macromolécula é um local de reconhecimento para a droga e um intermediário entre sua presença na biofase e o evento bioquímico ou biofísico, que corresponde a sua ação biológica. Quando uma droga desencadeia esta reação é cha- mada de agonista; se a interação não desencadeia nenhum efeito, mas impede o acesso de qualquer agonista, a substância é chamada de antagonista. O antagonista é um composto suficientemente seme- lhante em sua estrutura ao agonista para conseguir combinação com o sítio reconhecedor, mas sem ca- pacidade para conseguir a mudança conformacional que produz o efeito biológico3. É importante observar que os receptores não somente são determinantes da regulação de funções fisiológicas e bioquímicas, como eles próprios estão sujeitos a controles homeostáticos. A estimulação contínua de um receptor por um agonista resulta em um estado de dessensibilização (também conhecido como refratariedade). Neste estado o efeito obtido por exposição subseqüente da mesma concentração de droga é menor. Diversos mecanismos podem ser responsáveis por este fenômeno, tais como, alteração do receptor, sua de- struição, relocalização na célula. De forma inversa, um estado de hiperreatividade, supersensibilidade do receptor ao agonista é freqüentemente observado após redução da estimulação crônica (administração prolongada de antagonista, por exemplo)3. A identificação de receptores opióides na década de 70 foi também acompanhada da identifi- cação de substâncias endógenas que se ligavam a eles. Estas substâncias são peptídeos, divididos em 3 famílias, cada uma originada de um gene distinto. Estes genes orientam o código de síntese de uma grande proteína precursora a partir da qual os vários peptídeos ativos são separados. Uma destas pro- teínas precursoras é a pro-opiomelanocortina que dá origem ao hormônio melanocítico estimulante, ACTH e ß-endorfina. O segundo grupo de peptídeos opióides deriva do precursor pro-encefalina, que dá origem a metionina encefalina (met-encefalina) e à leucina encefalina (leu-encefalina). O terceiro pre- cursor é a pro-dinorfina que origina as dinorfinas (com cadeias de aminoácidos de diferentes compri- mentos)4. Rev Bras Anestesiol 1994; 44: 1: 65 - 73 Opióides e Antagonistas Judymara Lauzi Gozzani,TSA Gozzani JL - Opioids and Antagonists Key Words: PHARMACOLOGY: opioids, agonists, antagonists Correspondência para Judymara Lauzi Gozzani R Abílio Soares 330/11 04005-001 São Paulo - SP © 1994, Sociedade Brasileira de Anestesiologia Revista Brasileira de Anestesiologia 65 Vol. 44 : Nº 1, Janeiro - Fevereiro, 1994
  • 2. Os ligantes endógenos dos receptores opióides não são só diferentes em suas origens ge- néticas, mas aparecem em células e áreas diversas do sistema nervoso central. A ß-endorfina esta presente na hipófise an- terior, lobo intermediário, em núcleos do hipotálamo basal e medial e células do núcleo do trato solitário (centro simpático primário para os arcos reflexos dos baro e quimiorreceptores). As encefalinas são encon- tradas no sistema nervoso central e na periferia, como medula adrenal, no trato gastrintestinal (espe- cialmente no plexo mientérico), medula espinhal (lâminas I e II de Rexed), diversas regiões supra- espinhais do sistema nervoso central, em particular corpos celulares do globo pálido, núcleos supra-óp- ticos e paraventriculares do hipotálamo, amígdala e neocórtex. Por sua ampla distribuição supõe-se um grande número de funções para as encefalinas, mas suas projeções estão ainda incompletamente mapeadas. As dinorfinas foram identificadas no in- testino, hipotálamo, hipófise posterior, tronco ence- fálico e medula espinhal5. Antes que estes agonistas endógenos fossem completamente identificados, sugeria-se a existência de diferentes classes de receptores. Mui- tos receptores foram propostos. Entretanto, a maioria dos autores da área trabalha com 3 bem estabeleci- dos: µ dividido em 2 subclasses µ1 e µ2, δ e κ; os receptores epsilon e sigma não parecem ter papel relevante no mecanismo de analgesia. As ligações com o receptor µ são feitas pela ß-endorfina, met-encefalina e dinorfina A1-13; o re- ceptor d liga-se com ß-endorfina, leu-encefalina e dinorfina A1-8; o receptor kappa é o alvo principal de ligação das dinorfinas4. A analgesia dos opióides é mediada por uma interação complexa entre os receptores µ, delta e kappa. Em relação a ação supra-espinhal os recep- tores µ parecem ter a influência mais importante, enquanto que os receptores δ e κ estão envolvidos com a analgesia espinhal. Através do uso de an- tagonistas seletivos de µ1 (naloxonazina e naloxo- zona) foi possível concluir que os receptores µ1 estão relacionados com a analgesia supra-espinhal; pelos estudos realizados os receptores µ2 não pare- cem ter grande importância na ação analgésica6. A analgesia medular envolve outros receptores. Neste local os ligantes delta específicos são cerca de 5 vezes mais potentes que a morfina. Classificação dos receptores opióides Receptor Efeito Agonista Antagonista µ (mu) analgesia supra-espinhal ß endorfina naloxona depressão ventilatória dinorfina A1-13 euforia dependência miose morfina e derivados δ (delta) modulação µ leu-encefalina naloxona analgesia ß endorfina depressão ventilatória dinorfina A1-8 κ (kapa) analgesia espinhal dinorfina naloxona depressão ventilatória morfina sedação e miose nalbufina sigma* disforia pentazocina? alucinação fenciclidina? estimulação vasomotora midríase * - O receptor sigma não parece ser um receptor opióide verdadeiro. Suas ações não são revertidas pela naloxona. Há algumas evidências que seria um receptor de fenciclidina. DISTRIBUIÇÃO DOS RECEPTORES NO SISTEMA NERVOSO CENTRAL Os receptores µ estão amplamente distri- buídos em todo o encéfalo, e sua função relaciona-se com a integração motora-sensorial e percepção do- lorosa. Os receptores δ são mais limitados em sua distribuição e encontram-se nas áreas relacionadas à olfação, neocórtex, caudado-putamen, núcleo acumbens e amígdala. Parecem ter papel na integra- ção motora, olfação e função cognitiva. Os receptores κ são observados nos núcleo caudado-putamen,acumbens, amígdala, hipotálamo, neurohipófise, eminência média e núcleo do trato solitário. Suas prováveis funções relacionam-se com balanço hídrico, ingesta alimentar, percepção doloro- sa e atividade neuroendócrina7. MECANISMO DE AÇÃO DOS OPIÓIDES Os opióides ligam-se aos receptores, tanto no sistema nervoso central como em outros tecidos. Somente a forma levo-rotatória possue atividade agonista.A existência da forma ionizada é necessária para a interação com o ligante aniônico do receptor. A ligação de um opióide endógeno ou exó- geno com o receptor promove a inibição do segundo mensageiro, altera o transporte do cálcio na membra- na celular e atua pré-sinapticamente impedindo a liberação de neurotransmissor. GOZZANI 66 Revista Brasileira de Anestesiologia Vol. 44 : Nº 1, Janeiro - Fevereiro, 1994
  • 3. CLASSIFICAÇÃO DOS OPIÓIDES A capacidade que determinada substância tem em ativar o receptor ao qual está ligada é sua atividade intrínseca ou eficácia. Este conceito pode ser expresso pela fórmula: onde E é o efeito; Emax é o efeito máximo; Ro são os receptores ocupados; Rt o número total de receptores e k a atividade intrínseca. Quando a ativi- dade intrínseca é 1, isto significa que o agonista é puro, a ocupação de todos os receptores (Ro=Rt) produz a resposta máxima (E= Emax). O antagonista tem atividade intrínseca zero, portanto não produz efeito, independente da ocupação dos receptores. Os compostos agonistas parciais e agonistas/ an- tagonistas têm atividade intrínseca entre zero e um5. De acordo com a ação no receptor, os opióides classificam-se em: Agonistas ---- morfina, meperidina, alfaprodina, fentanil, alfentanil, sufentanil, fenoperidina, codeína, hidromorfona, oximorfona, metadona e heroína. Antagonista - naloxona e naltrexona. Agonista parcial - buprenorfina. Agonista/Antagonista (agonista κ/antagonista µ) - nalbufina, nalorfina, levalorfan, pentazocina, butorfanol e dezocina. FARMACOLOGIA DOS OPIÓIDES O índice terapêutico (DL50/DE50) é a re- lação entre a dose de uma droga que produz efeitos letais em 50% dos animais testados e a dose que produz os efeitos desejados em 50% dos animais. Os opióides possuem, em geral, uma ampla margem de segurança (índice terapêutico) quando testados em modelos animais. Índice Terapêutico8 Morfina 69,5 Meperidina 4,8 Fentanil 277,0 Alfentanil 1080,0 Sufentanil 25211,0 Para que um fármaco produza seu efeito, necessita atravessar membranas e alcançar o recep- tor. A velocidade e extensão com as quais um fárma- co penetra através de membranas são determinadas por seu peso molecular, solubilidade lipídica, ligação a proteínas plasmáticas e grau de ionização. Uma molécula pequena tende a passar mais rapidamente através das membranas celulares.A maior solubilida- de lipídica permite ao fármaco passar pelo conteúdo lipídico das membranas biológicas,inclusive a barrei- ra hemato-encefálica, com maior facilidade.A ligação às proteínas plasmáticas e membranas das hemá- cias deixa menos fármaco livre para penetrar e alcan- çar os receptores.Da mesma forma,a ionização de um fármaco diminui sua habilidade de atravessar membranas; moléculas carregadas serão repelidas por cargas iguais nas membranas ou atraídas por cargas oposta; em ambos os casos a efetividade de atravessá-las e ligar-se ao receptor diminui. Os opióides têm, de forma geral, um pequeno tamanho molecular. A solubilidade lipídica (coeficiente oc- tanol/água) é de 1,4 para a morfina, 813 para o fentanil, 145 para o alfentanil e 1778 para o sufen- tanil. A morfina possue a menor lipossolubilidade o que resulta numa lenta penetração através das mem- branas; isto faz com que chegue ao sistema nervoso central lentamente, exibindo um início de ação mais demorado. O sufentanil, fentanil e em menor grau o alfentanil possuem uma alta lipossolubilidade e por- tanto um rápido início de ação após injeção venosa. A porcentagem de ligação protéica (in- cluindo albumina e α1-glicoproteína ácida), em pH 7,4, é de 30 para a morfina, 84 para o fentanil, 92 para o alfentanil e 93 para o sufentanil. O fentanil, alfentanil e sufentanil ligam-se principalmente a α1- glicoproteína ácida, enquanto que a morfina liga-se, principalmente, à albumina9. Os opióides mais recen- tes possuem um alto grau de ligação protéica, con- seqüentemente uma menor quantidade do fármaco está disponível na forma livre, estado no qual há a penetração no sistema nervoso central e produção do efeito. A alta taxa de ligação protéica também contribui para um menor volume de distribuição e limita a quantidade de droga livre disponível para eliminação pelos sistemas hepático e renal, o que reduz a taxa de depuração. A porcentagem de fármaco não ionizado (em pH 7,4) é de 23 para a morfina, 10 para o fentanil, 20 para o sufentanil e 90 para o alfentanil. O pequeno grau de ionização do alfentanil contribui para sua mobilização através das membranas e explica, par- cialmente, seu rápido início de ação. A solubilidade lipídica também desem- E = k Ro/Rt Emax OPIÓIDES E ANTAGONISTAS Revista Brasileira de Anestesiologia 67 Vol. 44 : Nº 1, Janeiro - Fevereiro, 1994
  • 4. penha um papel na eliminação de uma substância. Um fármaco com alto grau de lipossolubilidade será facilmente estocado em tecidos que contenham lipídeos, sendo liberado lentamente destes tecidos para o plasma, resultando numa baixa velocidade de eliminação. Fármacos com altos graus de lipossolu- bilidade terão meia-vida de eliminação (ß) maiores do que aqueles com menor lipossolubilidade. A menor lipossolubilidade do alfentanil contribui para sua meia-vida ß menor10,11. Perfil Físico-químico dos Opióides Morfina Fentanil Alfentanil Sufentanil Tamanho da molécula pequena pequena pequena pequena Solubilidade lipídica 1,4 813 145 1778 % ligada a pro - teínas 30,0 84 92 93 % não ionizada 23,0 10 90 20 Farmacocinética Comparativa8 Morfina Fentanil Sufent Alfent Meperid Naloxona Meia-vida de distribuição (α) (min) 10-20 5-10 5-15 5-10 10-20 Volume de distribuição (L/kg) 3,4 4,0 1,7 0,7 4,4 1,8 Depuração (ml/kg/min) 10-20 10-20 10-12 3-8 30,1 Meia-vida de eliminação (ß) horas 1,7 3,6 2,7 1,6 6,7 1,1 Os opióides agonistas apresentam ações farmacodinâmicas semelhantes, que incluem anal- gesia, sedação, sonolência, inconsciência, su- pressão da resposta vegetativa e endócrina ao estresse. A sedação, sonolência e inconsciência de- pendem da dose, estado físico do paciente, asso- ciação com outros depressores do sistema nervoso central e intensidade dos estímulos nociceptivos. Em relação ao aparelho cardiovascular, os agonistas opióides produzem depressão miocárdica mínima, não sensibilizam o coração à ação de cate- colaminas, preservam a autorregulação da circu- lação cerebral, cardíaca, renal e diminuem a freqüência cardíaca (com exceção da meperidina que produz taquicardia). Não há referências em relação a toxicidade hepática ou renal com o uso dos opióides agonistas. Quanto aos efeitos no sistema nervoso cen- tral diminuem o fluxo sangüíneo e o metabolismo cerebral, provocam alteração mínima na latência e amplitude dos potenciais evocados somatossenso- riais12. Em relação ao aparelho digestivo induzem ao aparecimento de náuseas e vômitos por estimu- lação direta dos quimiorreceptores da zona de gatilho no assoalho do quarto ventrículo (agindo como agonista parcial do receptor de dopamina). O retardo do esvaziamento e aumento de secreções no trato gastrointestinal são também mecanismos possíveis na gênese desses sintomas associados ao uso de opióides9. Os opióides podem aumentar a pressão nas vias biliares; doses equianalgésicas de fentanil, morfina, meperidina e pentazocina aumentam a pressão no ducto biliar em 99, 53, 61 e 15%, respec- tivamente, acima dos valores anteriores à adminis- tração do fármaco13. A incidência de espasmo do esfíncter de Oddi é cerca de 3% nos pacientes que recebem fentanil durante anestesia balanceada com anestésicos inalatórios14. Os opióides agonistas interferem com a função do sistema respiratório levando a depressão respiratória (dose dependente) e possuem pro- priedades antitussígenas. A depressão da ventilação expressa-se por aumento da pressão parcial de dióxido de carbono no sangue arterial e deslo- camento da curva de resposta ao CO2 para a direita, caracterizando sensibilidade diminuída a frações in- spiratórias aumentadas de CO2. Os agonistas opióides agem nos centros que regulam o ritmo respi- ratório, na região do bulbo, podendo aumentar as pausas entre os movimentos respiratórios e aumen- tar o tempo expiratório. A diminuição da sensibilidade ao CO2 pode ser decorrente da redução de liberação de acetilcolina dos neurônios da área ventilatória, em resposta à hipercarbia8,9. Os opióides podem induzir rigidez muscu- lar, de provável mecanismo central15. Na anestesia, os opióides são capazes de bloquear as respostas à laringoscopia e intubação, sendo este efeito dose dependente. Um dos mecan- ismos específicos propostos para esta ação é o blo- queio dos estímulos provenientes da laringe, uma área muito rica em extremidades nervosas, inervada pelo vago e glossofaríngeo. Os núcleos desses ner- vos possuem altíssima concentração de receptores opióides e é provável que esse seja um dos motivos pelos quais os opióides são tão eficazes no bloqueio das respostas decorrente da laringoscopia e in- tubação. Algumas variáveis interferem com o com- portamento farmacocinético e farmacodinâmico dos opióides: a idade do paciente, função hepática, obe- sidade, função renal, consumo de drogas com ativi- GOZZANI 68 Revista Brasileira de Anestesiologia Vol. 44 : Nº 1, Janeiro - Fevereiro, 1994
  • 5. dade no sistema nervoso central (por exemplo álcool e tranqüilizantes). A meia-vida de eliminação (t1 2 ß) dos opiói- des está aumentada nos pacientes idosos, provavel- mente em decorrência do aumento no volume de dis- tribuição e diminuição da depuração plasmática16-18. O fentanil não mostrou alteração em relação ao volu- me de distribuição, quando foram comparados pa- cientes idosos e adultos jovens; portanto prolon- gamento de sua meia-vida de eliminação nos idosos, deve ser decorrente da diminuição da depuração19. Aumento da meia-vida de eliminação e dimi- nuição da depuração também é observado com o uso de alguns opióides (fentanil, sufentanil) em recém- nascidos, quando comparados com crianças maio- res. Esta modificação farmacocinéticas pode ser decorrente de redução enzimática ou de fluxo sangüíneo hepático no período neonatal20. USO CLÍNICO Os agonistas opióides mais utilizados em anestesia são morfina, fentanil, alfentanil, sufentanil e meperidina. A morfina, embora possa ser sintetizada em laboratório, é obtida da cápsula da semente da papoula, como um dos alcalóides do exsudato leitoso do ópio. Os alcalóides representam cerca de 25% do peso do ópio e são divididos em 2 classes químicas: fenantrenos e benzilisoquinolinas. O principal fenan- treno é a morfina, com quantidades menores de codeína e tebaína. A principal benzilisoquinolina é a papaverina. Em 1969 Löwenstein e col21 popularizaram o uso da morfina como anestésico em pacientes com doença valvar aórtica. Administrando morfina na dose de 5-10 mg/min associada a oxigênio, um estado anestésico foi obtido com uma dose em torno de 1 a 3 mg/kg. A situação hemodinâmica do paciente era estável, com tendência e vasodilatação (respon- siva a volume) e bradicardia (reversível com a atropina). Os problemas com a técnica proposta por Löwenstein incluíam amnésia incompleta ocasional, reações de liberação de histamina (rash cutâneo, hipotensão e broncoconstrição) e depressão respi- ratória prolongada. A morfina é rapidamente absorvida pelas vias tradicionais de administração,entretanto um me- tabolismo intenso na primeira passagem pelo fígado precisa ser considerado quando a via oral é eleita. A dose eficaz pela via enteral é cerca de 5 vezes a dose equianalgésica por via venosa. A meia-vida de elimi- nação da morfina é de cerca de 2 horas. A principal via metabólica é a conjugação com o ácido glu- curônico no fígado. Após a metabolização os com- postos são excretados pela urina, associados a uma pequena quantidade de morfina livre. Cerca de 7 a 10% da morfina administrada é excretada nas fezes como componente da bile. A morfina é o opióide de referência, no que diz respeito à potência analgésica, sendo a ela atribuído o valor 1. A meperidina foi o primeiro opióide sin- tético, apresentada em 1939 e inicialmente consid- erada um agente semelhante à atropina. Sua atividade analgésica foi, entretanto, notada rapida- mente. A meperidina possue uma potência anal- gésica de 1/10 da morfina é absorvida por todas as vias e cerca de 50% é eliminada pelo fenômeno da primeira passagem pelo fígado, quando administrada por via oral. Apresenta uma meia-vida no plasma de aproximadamente 3 horas, e possue uma taxa de ligação à proteínas plasmáticas de 60%. É principal- mente metabolizada no fígado através de hidrólise ou N-desmetilação. resultando em ácido meperidínico e normeperidina. A normeperidina possue pro- priedades tóxicas para o sistema nervoso central, e em caso de acúmulo deste metabólito pode-se obser- var excitação, cuja principal manifestação clínica é a convulsão. Em relação a sua ação sobre o sistema cardiovascular a meperidina diminui a contratilidade do miocárdio e aumenta a freqüência cardíaca1. O fentanil é um opióide sintético do grupo da fenilpiperidina. Sua potência analgésica é cerca de 80 a 100 vezes a da morfina. Apresenta como principal vantagem a ausência de liberação de his- tamina e conserva as características de pouca ação sobre os parâmetros hemodinâmicos. Após a admin- istração de dose única, por via venosa, exibe um início de ação mais rápido e duração do efeito menor que a morfina. Sua maior potência e início de ação mais rápido refletem sua maior lipossolubilidade, comparado à morfina. Esta lipossolubilidade facilita sua passagem através da barreira hemato-ence- fálica. A curta duração de efeito decorre da redis- tribuição para tecidos ‘‘inativos’’, como gordura, musculatura esquelética e tecido pulmonar. Se múltiplas doses ou infusão contínua forem adminis- trados ocorre progressiva saturação destes tecidos e a concentração plasmática de fentanil deixa de decli- nar rapidamente, prolongando a duração da analge- sia e depressão respiratória22,23. Os estudos publicados por Stanley e col22, no final dá década de 70, documentaram seu valor como anestésico único, que mantinha a estabilidade cardiovascular.A dose para utilização na técnica fen- tanil-oxigênio entre 50 e 150 µg/kg. Em contraste OPIÓIDES E ANTAGONISTAS Revista Brasileira de Anestesiologia 69 Vol. 44 : Nº 1, Janeiro - Fevereiro, 1994
  • 6. com a morfina, há melhor predição em relação ao estado de inconsciência e amnésia com o uso de altas doses de fentanil. Ele não aumenta as necessi- dades de fluidos no período da intervenção cirúrgica, diminui o tempo de despertar e as necessidades de ventilação controlada no pós-operatório. A utilização de altas doses de fentanil pode associar-se a bradi- cardia24 (reversível pela atropina), hipotensão oca- sional (relacionada com a dose e velocidade de injeção), depressão respiratória e rigidez torácica. Da mesma forma que a morfina a estabilidade hemodinâmica é melhor em pacientes hemodinami- camente comprometidos no pré-operatório. Em pacientes em bom estado geral, com doença coronariana, observou-se uma incidência maior de hipertensão intra-operatória, com necessidades de doses suplementares de fentanil, inclusive para gar- antir a amnésia. Estas observações levaram os autores a propor a adição de outros agentes como o óxido nitroso, baixas concentrações de anestésicos inalatórios e diazepam em associação com o fentanil. Diversos estudos documentaram que estas asso- ciações com altas doses de fentanil reverteram em parte a estabilidade hemodinâmica, induzindo hipo- tensão com diminuição da resistência vascular sistêmica e eventual depressão da contratilidade miocárdica. O fentanil é um componente muito popular da ‘‘anestesia balanceada’’, em doses moderadas, devido a sua fácil administração, potência e ação de curta duração relativa. Nesta técnica tem sido utili- zado em associação com diversos bloqueadores neuro-musculares, óxido nitroso, benzodiazepínicos a anestésicos inalatórios em baixas concentrações. O alfentanil é um derivado do fentanil, com uma potência analgésica 5 a 10 vezes menor. Quando utilizado em dose única, possue uma duração de ação muito curta (cerca de 11 minutos) e uma meia-vida de eliminação de 72 a 94 minutos. Algumas características do alfentanil são peculiares em relação aos outros opióides. Os volumes de dis- tribuição aparente e no estado de equilíbrio são menores que os do fentanil (cerca de 4 vezes), propiciando um início de ação mais rápido e meia- vida de eliminação mais curta. Apesar da depuração do alfentanil ser menor que o do fentanil, esta di- minuição não chega a superar o menor volume de distribuição e resulta numa meia-vida de eliminação menor. O pKa do alfentanil é de 6,5 e do fentanil 8,4 e o da morfina 7,93. Num pH fisiológico (7,35 a 7,45) 90% da fração livre de alfentanil não está ionizada (e portanto mais difusível) enquanto que 10% do fen- tanil e 23% da morfina estão neste estado. Os opióides com pKa mais alto têm sua fração livre mais afetadas por alterações de pH do que o alfentanil. Em regiões onde o pH esteja mais baixo pode haver seqüestro dos opióides com pKa mais alto e posterior recirculação; com o alfentanil isto não ocorre, favore- cendo o rápido retorno do fármaco para o plasma durante a fase de eliminação. Este fato, associado a sua alta taxa de ligação às proteínas plasmáticas, porém baixa taxa de ligação às proteínas dos eritróci- tos, favorece seu rápido trânsito através da barreira hemato-encefálica. O resultado clínico é um rápido início de ação apesar de sua lipossolubilidade menor. As diferenças entre o alfentanil e fentanil, quanto ao início de ação, foram estudadas em huma- nos, Scott & Stanski25 observaram a relação entre concentração plasmática e eletroencefalograma (EEG), medida pela análise espectral. Os resultados deste trabalho revelaram que o equilíbrio meia-vida plasmática-cérebro (histerese) era de 1,1 minutos para o alfentanil e 6,4 para o fentanil. O retorno da linha de base do EEG também foi mais rápido para o alfentanil que para o fentanil. Estas propriedades significam não só que o alfentanil penetra e deixa o cérebro muito mais rapidamente que os outros opióides, mas também que possue menor tendência a acumular-se na gordura e outros tecidos. O alfentanil tem sido muito estudado em procedimentos cirúrgicos de curta duração e também na técnica de infusão contínua. Tem demostrado ser um agente eficaz para induzir e manter a anestesia. Ausems e col26-28 estudaram as concen- trações plasmáticas terapêuticas do alfentanil em várias situações cirúrgicas. Quando associado ao óxido nitroso as concentrações plasmáticas anal- gésicas situam-se entre 200 e 500 ng/ml; uma con- centração plasmática de 300 ng/ml é suficiente para bloquear a maioria dos estímulos nóxicos durante procedimentos cirúrgicos. A recuperação da con- sciência com respiração espontânea ocorre com con- centrações abaixo de 200 ng/ml. Com uma infusão de 1 µg/kg/min a concentração de estado de equilíbrio de 185 ng/ml é alcançada após 6 horas (4 ou 5 meias-vidas). Tal situação não é prática na clínica, e uma concentração necessária para iniciar a intervenção cirúrgica pode ser obtida com uma dose de carga inicial, seguida de infusão de manutenção. Através de cálculos, concluiu-se que a dose inicial necessária para preencher o volume de dis- tribuição do estado de equilíbrio (Vss) é de 100 µg/kg. Esta dose pode ser administrada em um bolus único, ou fracionado durante 10 minutos, ou ainda em infusão rápida em 10 minutos, seguida de uma in- fusão variando de 0,5 a 2 µg/kg/min, de acordo com o porte de intervenção cirúrgica. A concentração GOZZANI 70 Revista Brasileira de Anestesiologia Vol. 44 : Nº 1, Janeiro - Fevereiro, 1994
  • 7. plasmática de alfentanil diminui rapidamente após cessar a infusão. São necessários cerca de 20 mi- nutos para que a concentração caia para cerca de 200 ng/ml (CP50 - concentração plasmática na qual 50% dos pacientes tem respiração espontânea). Pelos estudos de Ausems e col, a concentração plasmática na qual todos os pacientes respiram é de 120 ng/ml, que é atingida cerca de 25 minutos após interrupção da infusão. Com concentrações plas- máticas acima de 121 ng/ml a sensibilidade ao CO2 diminui de 40 a 50%. Os tempos de recuperação são válidos para doses de infusão de no máximo 2 µg/kg/min; com doses de 3 µg/kg/min o tempo de recuperação prolongou-se entre 2 e 3 horas. As car- acterísticas farmacocinéticas do alfentanil favorecem sua utilização em infusão contínua, e a possibilidade de acúmulo com este fármaco é mínima, desde que doses elevadas não sejam utilizadas. A utilização como agente analgésico em terapia intensiva tam- bém tem sido estudada. Sufentanil é cerca de 500 a 1000 vezes mais potente que a morfina e 5 a 10 que o fentanil. A estabilidade hemodinâmica e hormonal observada com o uso de sufentanil está presente não só nos pacientes com doença cardíaca mas também nos hígidos, com doses entre 5 e 30 µg/kg. Em relação aos parâmetros farmacocinéticos ele apresenta um volume de distribuição menor que o do fentanil e uma meia-vida de eliminação também menor. A bradi- cardia parece ser um pouco mais freqüente com o uso do sufentanil do que com fentanil. A produção de amnésia e habilidade para contornar hipertensão e taquicardia intra-operatória com doses suplementares de sufentanil é maior do que com fentanil29. A associação sufentanil-N2O é capaz de manter a concentração plasmática de no- repinefrina abaixo dos níveis pré-operatórios. Em- bora o sufentanil previna a resposta endócrina e metabólica em cirurgia cardíaca, não consegue fazê- lo durante circulação extra corpórea, mesmo em doses elevadas (20 µg/kg)30. Em relação aos metabólitos, o sufentanil apresenta os produtos da N-desalquilação que são inativos, entretanto a via da O-metilação produz o desmetil-sufentanil que tem 10% da atividade do sufentanil. Os metabolistos são excretados quase igualmente pela urina e fezes, 30% aparecem conju- gados. Isto reforça a importância da função renal da depuração do sufentanil. Em um paciente com insufi- ciência renal crônica observou-se prolongamento da depressão ventilatória e elevadas concentrações plasmáticas de sufentanil31. Um estudo observou o tempo necessário para diminuir em 50% a concentração de sufentanil e alfentanil nos efetores, após cessação de uma infusão planejada para manter a concentração de opióide constante. Se a infusão durar menos que 8 horas, o tempo requerido para um decréscimo de 50% na concentração nos efetores é menor para o sufentanil do que para o alfentanil, à despeito da meia-vida de eliminação mais rápida do último. Este fato ocorre pela alta lipossolubilidade do sufentanil, que tende a ser seqüestrado pela gordura. Esta dis- tribuição do sufentanil produz uma meia-vida de eliminação mais longa, mas também aumenta a depuração do sufentanil, diminuindo rapidamente a concentração plasmática do fármaco, após a inter- rupção da infusão. A implicação clínica desta carac- terísticas farmacocinéticas é o sufentanil ser, provavelmente, uma melhor escolha que o alfentanil para infusões até 8 horas. O alfentanil é melhor para infusões mais longas, se uma recuperação rápida é desejável ao final da infusão. Por esta razão o alfen- tanil tem sido escolhido para sedação em terapia intensiva em pacientes adultos e pediátricos32. ANTAGONISTAS: NALOXONA E NALTREXONA A naloxona é um antagonista puro, que pode reverter a ação dos agonistas (morfina, fentanil, alfentanil, sufentanil) bem como a de alguns agonis- tas/antagonistas e agonistas parciais (butorfanol, nalbufina, pentazocina, dezocina e buprenorfina). A naxolona não costuma produzir nenhum efeito quando administrada a um paciente que não recebeu nenhum opióide. A meia-vida de eliminação curta da naloxona (cerca de 1 hora), implica numa duração de ação mais curta que a da maioria dos agonistas com que ela vai competir. Este é o conhecimento que justifica doses adicionais de naloxona e observação cuidadosa do paciente, uma vez que o efeito do antagonista pode ser mais breve que a eliminação do agonista, e os fenômenos de ação agonista rein- stalarem-se. Durante administração de naloxona pode- se observar efeitos colaterais como náusea, vômito, excitação, instabilidade hemodinâmica. Para minimi- zar ou evitar este inconvenientes, a naloxona deve ser administrada lentamente, em pequenas doses seqüenciais, até que o efeito desejado seja atingido. A instabilidade hemodinâmica, observada com o uso de naloxona. manifesta-se por aumentada atividade do sistema nervoso simpático, expressa através de taquicardia, hipertensão, edema pulmonar e arrit- mias cardíacas, tendo sido observada até fibrilação ventricular30-31. A naltrexona é um derivado da naloxona, mais potente e de longa duração, pode ser adminis- OPIÓIDES E ANTAGONISTAS Revista Brasileira de Anestesiologia 71 Vol. 44 : Nº 1, Janeiro - Fevereiro, 1994
  • 8. trada por via oral. Sua aplicabilidade em anestesiolo- gia ainda não possue apoio na literatura. AGONISTA PARCIAL: BUPRENORFINA A buprenorfina é uma analgésico sintético derivado da tebaína. Liga-se aos receptores µ e δ, e apresenta atividade intrínseca menor que a dos agonistas. Sua interação com o receptor é estável e a velocidade de dissociação lenta. Estima-se que a afinidade da buprenorfina com o receptor µ seja 50 vezes maior que a da morfina. A ligação do fármaco às proteínas plasmáticas é de 96%. A duração de seus efeitos não se correlaciona bem com sua con- centração plasmática, em decorrência de sua grande afinidade pelo receptor. Após administração intra- muscular ou sublingual os efeitos analgésicos ini- ciam-se em cerca de 30 minutos, permanecendo por 8 a 10 horas, entretanto alguns efeitos colaterais podem durar até 24 horas. A buprenorfina não tem sido utilizada du- rante o ato anestésico, mas principalmente como agente de tratamento de dor no pós-operatório, em politraumatizados, pacientes com câncer, infarto do miocárdio e cólica renal. AGONISTA/ANTAGONISTAS: NALBUFINA A nalbufina é um agonista κ/antagonista µ, não possue potência analgésica igual aos agonistas. Sua capacidade analgésica é limitada, a correlação dose-resposta perde a característica linear acima de um determinado valor (efeito teto). A nalbufina tem sido empregada em anest- esia, como componente de técnicas balanceadas. Sua capacidade de diminuir o CAM do enflurano é de 25%, em oposição aos agonistas que diminuem em até 70% o CAM dos anestésicos inalatórios. A principal indicação da nalbufina tem sido para analgesia pós-operatória, principalmente por sua capacidade de antagonizar parcialmente o efeito dos opióides agonistas1. Gozzani JL - Opióides e Antagonistas Unitermos: FARMACOLOGIA: opióides, agonistas, antagonistas REFERÊNCIAS 01. Samuelson PN - Current status of opioid used for anesthesia. Anesth Analg, 1991; 70: 131-6. 02. Jaffe JH, Marin WR - Opioid analgesics and an- tagonists, em Gilman AG, Goodman LS, Rall TW, Murad F. The Pharmacological Basis of Therapeu- tics. New York, Macmillan, 1985; 491-531. 03. Ross EM, Gilmam AG - Pharmacodynamics: mechanisms of drug action and relationship be- tween drug concentration and effect, em Gilman AG, Goodman LS, Rall TW, Murad F. The Pharma- cological Basis of Therapeutics. New York. Macmillan, 1985; 35-48. 04. Simon Ej - Opioid peptides and their receptors, em Estafanous FG. Opioids in Anesthesia II. Boston, Butterworth - Heinemann, 1991; 20-32. 05. Pasternak GW, Childers SR - Opiáceos, peptídeos opióides e seus receptores, em Shoemaker WC, Ayres S, Grenvik A, Holbrook PR, Thompson WL. Tratado de Terapia Intensiva. São Paulo, Panamericana, 1992; 1198-214. 06. Pasternak GW, Zhang A-Z, Tecott L - Developmen- tal diferences between high and low affinity opiate binding depression. Life Sci, 1980; 27: 1185-9. 07. Bloor BC, Maze M, Segal I - Interaction between adrenergic and opioid pathways, em Estafanous FG. Opioids in Anesthesia II. Butterworth-Heine- man, Boston, 1991; 34-46. 08. Sebel PS, Bovil JG - Opioid analgesics in cardiac anesthesia, em Kaplan JA. Cardiac anesthesia, JB Lippincott Co, Philadelphia, 1987; 67-123. 09. Stoelting RK - Opioid agonists and antagonists, em Stoelting RK - Pharmacology and Physiology in anesthetic practice. JB Lippincott Co, Philadel- phia, 1987; 69-101. 10. Corssen G, Reves JG, Stanley TH - Intravenous anesthesia and analgesia. Lea and Febiger, Phila- delphia, 1988. 11. Prys-Roberts C, Hug CC - Pharmacokinetics of anesthesia. Blackwell Scientific Publications, Lon- don, 1984; 207-23. 12. Sebel PS, Bruijin N, Jacobs J et al - Median nerve somatosensory evoked potentials during anesthe- sia with sufentanil or fentanyl. Anesthesiology, 1988; 69: A312. 13. Radnay PA, Brodman E, Mankikar D et al - The effect of equianalgesic doses of fentanyl, mor- phine, meperidine and pentazocine on common bile duct pressure. Anesthetist, 1980; 29: 26-9. 14. Jones RM, Detmer M, Hill AB et al - Incidence of choledochoduodenal sphincter spasm during fen- tanyl - supplemented anesthesia. Anesth Analg, 1981; 60: 638-40. 15. Freund FG, Martin WE, Wong KC et al - Abdominal muscle rigidity induced by morphine and nitrous oxide. Anesthesiology, 1973; 38: 358-62. GOZZANI 72 Revista Brasileira de Anestesiologia Vol. 44 : Nº 1, Janeiro - Fevereiro, 1994
  • 9. 16. Bentley JB, Borel JD, Nenand RE - Age and fen- tanyl pharmacokinetics. Anesth Analg, 1982; 61: 968-71. 17. Hermers H, Van Peer A, Woestenborghs R - Alfen- tanil Kinetics in the elderly. Clin Pharmacol Ther, 1984; 36: 239-43. 18. Matteo RS, Ornstein E, Young WL - Pharmacoki- netics of sufentanil in the elderly. Anesth Analg, 1986; 65: 594. 19. Bentley JB, Borel JD, Nenand RE et al - Age and fentanyl pharmacokinetics. Anesth Analg, 1982; 61: 968-71. 20. Greely WJ, Bruijin NP, Davis DP - Pharmacokinet- ics of sufentanil in pediatric patients. Anesthesiol- ogy, 1986; 65: A422. 21. Löwenstein E, Hallowell P, Levine FH - Cardiovas- cular response to large doses of intravenous mor- phine in man. N Engl J Med, 1969; 281: 1389-93. 22. Stanley TH, Webster L - Anesthetic requirements and cardiovascular effects of fentanyl-oxygen and fentanyl-diazepan-oxygen anesthesia in man. An- esth Analg, 1978; 57: 411-416. 23. Hug CC, Murphy MR - Tissue redistribution of fentanyl and termination of its effects in rats. An- esthesiology, 1981; 55: 369-75. 24. Bennett GM, Stanley TH - Comparasion of the cardiovascular effects of morphine-N2O and fen- tanyl-N2O balanced anesthesia in man. Anesthe- siology, 1979; 51: S102. 25. Scott JC, Ponganis KV, Stanski DR - EEG quanti- tation of narcotic effects. The comparative phar- macodynamics of fentanyl and alfentanil. Anesthesiology, 1985; 62: 234-41. 26. Ausems ME, Hug Jr CC, Lange S et al - Variable rate infusion of alfentanil as a supplement to ni- trous oxide anesthesia for general surgery. Anesth Analg, 1983; 62: 982-6. 27. Ausems ME, Hug Jr CC - Plasma concentrations of alfentanil required to supplement nitrous oxide anesthesia for lower abdodimal surgery. Br J An- esth, 1983; 55: 191-7. 28. Ausems ME, Hug Jr CC, Stanski DR - Plasma concentrations of alfentanil required to supplement nitrous oxide anesthesia for general surgery. An- esthesiology, 1986; 65: 31-47. 29. Flacke JW, Bloor BC, Kripke BJ - Comparison of morphine, meperidine, fentanyl and sufentanyl in balanced anesthesia: a double-blind study. Anesth Analg, 1985; 64: 897-910. 30. Bovill JG, Sebel PS, Fiolet JWT et al - The influence of sufentanil on endocrine and metabolic re- sponses to cardiac surgery. Anesth analg, 1983; 62: 391-7. 31. Waggum DC, Cork RC, Weldon ST et al - Postop- erative respiratory depression and elevated sufen- tanil levels in a patient in chronic renal failure. Anesthesiology, 1985; 63: 708-10. 32. Shafer SL - Intravenous anesthesia: new drugs and techniques. ASA 1992 Annual Refresher Course Lectures, 1992; 211: 1-7. 33. Flacke JW, Flacke WE, Williams GD - Acute pul- monary edema following naloxone reversal of high-dose morphine anesthesia. Anesthesiology, 1977; 47: 376-8. 34. Azar I, Tunrdorf H - Severe hypertension and multipli premature contrations following naloxone administration. Anesth Analg, 1979; 58: 524-5. 35. Andree RA - Sundden death following naloxone administration. Anesth Analg; 1980; 59: 782-4. OPIÓIDES E ANTAGONISTAS Revista Brasileira de Anestesiologia 73 Vol. 44 : Nº 1, Janeiro - Fevereiro, 1994