hipermídia & hipertexto
Narrativas Hipertextuais, UCS 2016
http://leofoletto.info
Hieroglifo, I ching, : pré-pré-pré hipertexto. Não-linearidade. Memex.
Hipertexto. Hipermídia. Linguagem digital: características. Base de dados como
forma cultural. Entender a mídia, entender os computadores. Materialidades: os
objetos importam. Software.(“Software takes command”)
Na ficção: o poder das artes de antecipar os futuros
Conto " O jardim dos caminhos que se bifurcam" ( O jardim de veredas que se
bifurcam), (1941), Jorge Luis Borges, presente em “Ficções” (dá nome a primeira
parte, é o último conto dessa parte).
“Não conjecturei outro processo senão o de um volume cíclico, circular. Um volume
cuja última página fosse idêntica à primeira, com possibilidade de continuar
indefinidamente.” (Borges, 1941, p.105)
O Jogo de Amarelinha, Júlio Cortazar (1963)
Se numa noite de inverno um viajante… (1981), Italo Calvino
Role Playing Games (RPGs)
….
Mais em: http://www.facom.ufba.br/jol/pdf/1999_palacios_hipertexto_naolinearidade.pdf
http://www.oocities.org/espanol/rayuel_o_matic/indice_proyecto.html
“As we may think”: Bush e o memex (1945)
“A soma das informações aumenta em um ritmo prodigioso, e não encontra eco
em relação à evolução dos meios de armazenamento e acesso aos dados. A
mente humana associa, não usa índices”.
Vannevar Bush (1890-1974) pensa no memex como um dispositivo em que
associações podem ser feitas à mesma palavra ou ideia.
Não foi construído, só imaginado. Mas inspirou Ted Nelson (1937-) e o Xanadú
(1960: “toda a produção do mundo num único sistema de documentos; precursor
da ideia da world wide web). Inventor do termo “hipertex”: escrita não sequencial.
Douglas Engelbert (pioneiro no desenho gráfico do hipertexto, 1968), Andries van
Dam, entre outros pioneiros no hipertexto.
No campo das ideias
Foucault, Derrida e outros (em especial na linguística) já pensavam no texto
enquanto multilinear, nós, nexos, redes em vez de centralizado, hierárquico, linear
Barthes, S/Z (1970): texto “ideal” ; lexia: blocos de significação, unidades de
leitura que contém vários significados. Leitura implica escritura - interação.
“En este texto ideal, abundan las redes (réseaux) que actúan entre sí sin que
ninguna pueda imponerse a las demás; este texto es una galaxia de significantes
y no una estructura de significados; no tiene principio, pero sí diversas vías de
acceso, sin que ninguna de ellas pueda calificarse de principal; los códigos que
moviliza se extienden hasta donde alcance la vista”. (In Landow, 1992, p.15)
Hiper(mídia) como conhecemos hoje
Michael Joyce, “Afternoon, a story” (1987, publicado em disquete em 1990)
https://www.youtube.com/watch?v=djIrHF8S6-Q
Mais em: http://www.eastgate.com/catalog/Afternoon.html
http://temas.folha.uol.com.br/20-anos-da-internet/
O que mudou?
1) Representação numérica: todo elemento pode ser representado por números
e por funções matemáticas, e desta forma pode ser manipulado;
2) Modularidade: todos os elementos se integram, porém sem perder sua
individualidade, podendo ser acessados de forma independente dos outros
elementos;
3) Automação: parte da ação humana pode ser substituída por processos
automatizados através de rotinas desempenhadas pelo computador;
4) Variabilidade: um mesmo elemento pode existir de várias formas.
5) Transcodificação: tudo pode ser transformado e convertido em outro formato.
Mais: http://baixacultura.org/manovich-e-a-nova-midia/, “The Language of New Media”.
Lev Manovich e a “nova mídia”
Base de dados como forma cultural
Arquivos relacionados entre si, coleções organizadas de dados que se relacionam
de forma a criar algum sentido.
RUPTURA: A narrativa (fora da base de dados) é construída por uma sucessão
de causas e conseqüências encadeadas. Nas bases de dados os elementos
não são ordenados, todos os registros tem sua relevância e podem ser
vistos de forma independente. Multilinear, descentralizado.
Mais: “The Language of New Media”, MANOVICH, 2001 - (2006 edição em espanhol);
“Software no comando”
“A escola e o hospital, a base militar e o laboratório científico, o aeroporto e a
cidade – todos os sistemas sociais, econômicos e culturais da sociedade
moderna – são acionados via software. O software é a cola invisível
que une tudo e todos.”
Software Studies. “Seguir as pessoas enquanto eles navegam por um site e
analisar os caminhos pelos quais andam, em vez de apenas analisar o conteúdo
do site”. Entender a mídia, entender os computadores (e o software).
Softwares como produto principal: música, game, livro, e… jornalismo?
Mais em: : http://baixacultura.org/software-como-musica-poesia-jornalismo/ e “Softwares Takes
Command”, Manovich (2013).
Mas não só ele
A partir da digitalização e da internet, estamos nos dando conta de que, na
verdade, não é só o software que “importa”, mas todos os objetos técnicos.
A tecnologia não é neutra.
Virada “não humana” nas pesquisas em comunicação. Virada “ontológica” nas
ciências humanas.
Teoria Ator-rede (Bruno Latour, John Law, Michel Callon, Annemarie Mol,
Madeleine Akrich, entre outros)
“Múltiplas realidades, múltiplas narrativas”.
gracias!
http://leofoletto.info
leofoletto@gmail.com - @leofoletto
http://baixacultura.org
info@baixacultura.org - @baixacultura

Hipermídia & Hipertextos

  • 1.
    hipermídia & hipertexto NarrativasHipertextuais, UCS 2016 http://leofoletto.info
  • 2.
    Hieroglifo, I ching,: pré-pré-pré hipertexto. Não-linearidade. Memex. Hipertexto. Hipermídia. Linguagem digital: características. Base de dados como forma cultural. Entender a mídia, entender os computadores. Materialidades: os objetos importam. Software.(“Software takes command”)
  • 5.
    Na ficção: opoder das artes de antecipar os futuros Conto " O jardim dos caminhos que se bifurcam" ( O jardim de veredas que se bifurcam), (1941), Jorge Luis Borges, presente em “Ficções” (dá nome a primeira parte, é o último conto dessa parte). “Não conjecturei outro processo senão o de um volume cíclico, circular. Um volume cuja última página fosse idêntica à primeira, com possibilidade de continuar indefinidamente.” (Borges, 1941, p.105) O Jogo de Amarelinha, Júlio Cortazar (1963) Se numa noite de inverno um viajante… (1981), Italo Calvino Role Playing Games (RPGs) …. Mais em: http://www.facom.ufba.br/jol/pdf/1999_palacios_hipertexto_naolinearidade.pdf
  • 6.
  • 7.
    “As we maythink”: Bush e o memex (1945) “A soma das informações aumenta em um ritmo prodigioso, e não encontra eco em relação à evolução dos meios de armazenamento e acesso aos dados. A mente humana associa, não usa índices”. Vannevar Bush (1890-1974) pensa no memex como um dispositivo em que associações podem ser feitas à mesma palavra ou ideia. Não foi construído, só imaginado. Mas inspirou Ted Nelson (1937-) e o Xanadú (1960: “toda a produção do mundo num único sistema de documentos; precursor da ideia da world wide web). Inventor do termo “hipertex”: escrita não sequencial. Douglas Engelbert (pioneiro no desenho gráfico do hipertexto, 1968), Andries van Dam, entre outros pioneiros no hipertexto.
  • 9.
    No campo dasideias Foucault, Derrida e outros (em especial na linguística) já pensavam no texto enquanto multilinear, nós, nexos, redes em vez de centralizado, hierárquico, linear Barthes, S/Z (1970): texto “ideal” ; lexia: blocos de significação, unidades de leitura que contém vários significados. Leitura implica escritura - interação. “En este texto ideal, abundan las redes (réseaux) que actúan entre sí sin que ninguna pueda imponerse a las demás; este texto es una galaxia de significantes y no una estructura de significados; no tiene principio, pero sí diversas vías de acceso, sin que ninguna de ellas pueda calificarse de principal; los códigos que moviliza se extienden hasta donde alcance la vista”. (In Landow, 1992, p.15)
  • 10.
    Hiper(mídia) como conhecemoshoje Michael Joyce, “Afternoon, a story” (1987, publicado em disquete em 1990) https://www.youtube.com/watch?v=djIrHF8S6-Q Mais em: http://www.eastgate.com/catalog/Afternoon.html
  • 11.
  • 13.
    O que mudou? 1)Representação numérica: todo elemento pode ser representado por números e por funções matemáticas, e desta forma pode ser manipulado; 2) Modularidade: todos os elementos se integram, porém sem perder sua individualidade, podendo ser acessados de forma independente dos outros elementos; 3) Automação: parte da ação humana pode ser substituída por processos automatizados através de rotinas desempenhadas pelo computador; 4) Variabilidade: um mesmo elemento pode existir de várias formas. 5) Transcodificação: tudo pode ser transformado e convertido em outro formato. Mais: http://baixacultura.org/manovich-e-a-nova-midia/, “The Language of New Media”.
  • 14.
    Lev Manovich ea “nova mídia”
  • 15.
    Base de dadoscomo forma cultural Arquivos relacionados entre si, coleções organizadas de dados que se relacionam de forma a criar algum sentido. RUPTURA: A narrativa (fora da base de dados) é construída por uma sucessão de causas e conseqüências encadeadas. Nas bases de dados os elementos não são ordenados, todos os registros tem sua relevância e podem ser vistos de forma independente. Multilinear, descentralizado. Mais: “The Language of New Media”, MANOVICH, 2001 - (2006 edição em espanhol);
  • 17.
    “Software no comando” “Aescola e o hospital, a base militar e o laboratório científico, o aeroporto e a cidade – todos os sistemas sociais, econômicos e culturais da sociedade moderna – são acionados via software. O software é a cola invisível que une tudo e todos.” Software Studies. “Seguir as pessoas enquanto eles navegam por um site e analisar os caminhos pelos quais andam, em vez de apenas analisar o conteúdo do site”. Entender a mídia, entender os computadores (e o software). Softwares como produto principal: música, game, livro, e… jornalismo? Mais em: : http://baixacultura.org/software-como-musica-poesia-jornalismo/ e “Softwares Takes Command”, Manovich (2013).
  • 18.
    Mas não sóele A partir da digitalização e da internet, estamos nos dando conta de que, na verdade, não é só o software que “importa”, mas todos os objetos técnicos. A tecnologia não é neutra. Virada “não humana” nas pesquisas em comunicação. Virada “ontológica” nas ciências humanas. Teoria Ator-rede (Bruno Latour, John Law, Michel Callon, Annemarie Mol, Madeleine Akrich, entre outros) “Múltiplas realidades, múltiplas narrativas”.
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