hipertextos
Narrativas Hipertextuais, PUCRS 2017
Leonardo Foletto
Escrita. pré-pré-pré hipertexto. Não-linearidade. Ideia X
Materialização. Memex, Bush, Nelson. Hipertexto.
Hipermídia. Linguagem digital. Base de dados como
forma cultural. Entender a mídia, entender os computadores.
Os objetos importam. Software.
ESCRITA
A fala tenta ajustar o discurso às circunstâncias. A escrita
cristaliza a fala, recombina um texto com diversos outros, e
permanece: empurra o que era fala ao infinito (ou quase).
Com a escrita e o alfabeto, a expressão de um
pensamento/fala ganha LINEARIDADE.
Mas nosso pensamento é linear?
IDEIA x MATERIALIZAÇÃO DA IDEIA
IDEIA
Desde que existe texto, existe a ideia do hiper-texto
Todo texto não é senão a leitura de um texto anterior, por
vezes inexistente (Jorge Luís Borges).
Biblioteca de Alexandria
UNIVERSALIDADE
“Não conjecturei outro processo senão o de um volume
cíclico, circular. Um volume cuja última página fosse idêntica
à primeira, com possibilidade de continuar indefinidamente”
(" O jardim dos caminhos que se bifurcam/ O jardim de
veredas que se bifurcam”, Jorge Luís Borges, Ficções 1941,
p.105)
Enciclopédia (1751)
Diderot e D’Allembert criaram o Livro-máquina para
“organizar o pensamento” do mundo: 35 volumes, 2 só de
índice.
INTERATIVIDADE
Não basta só tocar (um livro).
Quero mexer nesse texto. Tocar, mudar, copiar, reescrever!
Leitor - Escritor - Comentarista - Autor
Marginália (séc. XIV - ..._)
NÃO - LINEARIDADE
Pensamos de forma linear? Contamos histórias de modo
linear, com “início - meio - fim” ?
NÃO-LINEARIDADE, INTERATIVIDADE
1970’s: Linguística e semiótica francesa: Michel Foucault,
Jacques Derrida e Roland Barthes.
No “livro ideal” abundam muitas redes sem hierarquia;
galáxia de significantes; diversas vias de acesso; códigos
se extendem até onde a vista alcança; sistema de
significantes ilimitado (Barthes, S/Z, 1970):
A PALAVRA, MATERIALIZAÇÃO DA IDEIA
HIPERTEXTO: ALÉM DO, SOBRE O TEXTO.
Ted Nelson (1965), a partir de Vannevar Bush e o Memex
(“As we may think”, 1945): associações podem ser feitas à
mesma palavra ou ideia.
MATERIALIZAÇÃO DA IDEIA
HIPERTEXTO
Xanadú, 1960: “toda a produção do mundo num único
sistema de documentos”. Precursor da ideia da WWW
(http://xanadu.com/)
MATERIALIZAÇÃO DA IDEIA
+ INTERNET
MATERIALIZAÇÃO DA IDEIA
Junção de ciências da: computação, informação, linguagem,
livro, design…+ COMPUTADOR PESSOAL (Apple II, 1977)
MATERIALIZAÇÃO DA IDEIA
+ WORLD WIDE WEB (1989-1990)
CERN, Tim Berners-Lee: unir hipertexto e a internet
IDEIA + MATERIALIZAÇÃO DA IDEIA
= HIPERTEXTO
Universalidade, interatividade, não-linearidade, ubiquidade
O QUE MUDOU?
A capacidade de armazenar dados em menos
dispositivos. Quanto mais microprocessadores, maior
capacidade de cálculo, o que determina uma quantidade
maior de dados a processar, o que por sua vez leva
computadores cada vez menores a trabalhar com
arquivos cada vez maiores: texto, som, imagem,
separados e depois juntos, ao mesmo tempo, em movimento,
combinados com outros arquivos.
BASE DE DADOS COMO FORMA CULTURAL
Arquivos relacionados entre si, coleções organizadas de
dados que se relacionam de forma a criar algum sentido.
RUPTURA: A narrativa (fora da base de dados) é
construída por uma sucessão de causas e conseqüências
encadeadas. Nas bases de dados os elementos não são
necessariamente ordenados, todos os registros tem sua
relevância e podem ser vistos de forma independente.
Multilinear, descentralizado.
Linguagem digital
1) Representação numérica: todo elemento pode ser representado por
números e por funções matemáticas, e desta forma pode ser manipulado;
2) Modularidade: todos os elementos se integram, porém sem perder
sua individualidade, podendo ser acessados de forma independente dos
outros elementos;
3) Automação: parte da ação humana pode ser substituída por
processos automatizados através de rotinas desempenhadas pelo
computador;
4) Variabilidade: um mesmo elemento pode existir de várias formas.
5) Transcodificação: tudo pode ser transformado e convertido em outro
formato.
[MANOVICH, Lev. The Language of New Media, 2001]
SOFTWARE NO COMANDO
“A escola e o hospital, a base militar e o laboratório científico,
o aeroporto e a cidade – todos os sistemas sociais,
econômicos e culturais da sociedade moderna – são
acionados via software. O software é a cola invisível
que une tudo e todos.”
Softwares como produto principal: música, game, livro, e…
jornalismo?
[MANOVICH, Lev. Softwares Takes Command, 2013.]
A TECNOLOGIA NÃO É NEUTRA
A partir da digitalização e da internet, estamos nos dando
conta de que, na verdade, não é só o software que importa,
mas todos os objetos técnicos.
Virada não-humana nas pesquisas em comunicação.
Virada “ontológica” nas ciências humanas.
Teoria Ator-rede (Bruno Latour, John Law, Michel Callon,
Annemarie Mol, entre outros)
gracias!
http://leofoletto.info
leofoletto@gmail.com - @leofoletto
http://baixacultura.org
info@baixacultura.org - @baixacultura

Hipertextos

  • 1.
  • 2.
    Escrita. pré-pré-pré hipertexto.Não-linearidade. Ideia X Materialização. Memex, Bush, Nelson. Hipertexto. Hipermídia. Linguagem digital. Base de dados como forma cultural. Entender a mídia, entender os computadores. Os objetos importam. Software.
  • 3.
    ESCRITA A fala tentaajustar o discurso às circunstâncias. A escrita cristaliza a fala, recombina um texto com diversos outros, e permanece: empurra o que era fala ao infinito (ou quase). Com a escrita e o alfabeto, a expressão de um pensamento/fala ganha LINEARIDADE. Mas nosso pensamento é linear?
  • 4.
  • 5.
    IDEIA Desde que existetexto, existe a ideia do hiper-texto Todo texto não é senão a leitura de um texto anterior, por vezes inexistente (Jorge Luís Borges). Biblioteca de Alexandria
  • 6.
    UNIVERSALIDADE “Não conjecturei outroprocesso senão o de um volume cíclico, circular. Um volume cuja última página fosse idêntica à primeira, com possibilidade de continuar indefinidamente” (" O jardim dos caminhos que se bifurcam/ O jardim de veredas que se bifurcam”, Jorge Luís Borges, Ficções 1941, p.105)
  • 7.
    Enciclopédia (1751) Diderot eD’Allembert criaram o Livro-máquina para “organizar o pensamento” do mundo: 35 volumes, 2 só de índice.
  • 8.
    INTERATIVIDADE Não basta sótocar (um livro). Quero mexer nesse texto. Tocar, mudar, copiar, reescrever! Leitor - Escritor - Comentarista - Autor
  • 9.
  • 10.
    NÃO - LINEARIDADE Pensamosde forma linear? Contamos histórias de modo linear, com “início - meio - fim” ?
  • 11.
    NÃO-LINEARIDADE, INTERATIVIDADE 1970’s: Linguísticae semiótica francesa: Michel Foucault, Jacques Derrida e Roland Barthes. No “livro ideal” abundam muitas redes sem hierarquia; galáxia de significantes; diversas vias de acesso; códigos se extendem até onde a vista alcança; sistema de significantes ilimitado (Barthes, S/Z, 1970):
  • 12.
    A PALAVRA, MATERIALIZAÇÃODA IDEIA HIPERTEXTO: ALÉM DO, SOBRE O TEXTO. Ted Nelson (1965), a partir de Vannevar Bush e o Memex (“As we may think”, 1945): associações podem ser feitas à mesma palavra ou ideia.
  • 13.
    MATERIALIZAÇÃO DA IDEIA HIPERTEXTO Xanadú,1960: “toda a produção do mundo num único sistema de documentos”. Precursor da ideia da WWW (http://xanadu.com/)
  • 14.
  • 15.
    MATERIALIZAÇÃO DA IDEIA Junçãode ciências da: computação, informação, linguagem, livro, design…+ COMPUTADOR PESSOAL (Apple II, 1977)
  • 16.
    MATERIALIZAÇÃO DA IDEIA +WORLD WIDE WEB (1989-1990) CERN, Tim Berners-Lee: unir hipertexto e a internet
  • 17.
    IDEIA + MATERIALIZAÇÃODA IDEIA = HIPERTEXTO Universalidade, interatividade, não-linearidade, ubiquidade
  • 20.
    O QUE MUDOU? Acapacidade de armazenar dados em menos dispositivos. Quanto mais microprocessadores, maior capacidade de cálculo, o que determina uma quantidade maior de dados a processar, o que por sua vez leva computadores cada vez menores a trabalhar com arquivos cada vez maiores: texto, som, imagem, separados e depois juntos, ao mesmo tempo, em movimento, combinados com outros arquivos.
  • 21.
    BASE DE DADOSCOMO FORMA CULTURAL Arquivos relacionados entre si, coleções organizadas de dados que se relacionam de forma a criar algum sentido. RUPTURA: A narrativa (fora da base de dados) é construída por uma sucessão de causas e conseqüências encadeadas. Nas bases de dados os elementos não são necessariamente ordenados, todos os registros tem sua relevância e podem ser vistos de forma independente. Multilinear, descentralizado.
  • 22.
    Linguagem digital 1) Representaçãonumérica: todo elemento pode ser representado por números e por funções matemáticas, e desta forma pode ser manipulado; 2) Modularidade: todos os elementos se integram, porém sem perder sua individualidade, podendo ser acessados de forma independente dos outros elementos; 3) Automação: parte da ação humana pode ser substituída por processos automatizados através de rotinas desempenhadas pelo computador; 4) Variabilidade: um mesmo elemento pode existir de várias formas. 5) Transcodificação: tudo pode ser transformado e convertido em outro formato. [MANOVICH, Lev. The Language of New Media, 2001]
  • 23.
    SOFTWARE NO COMANDO “Aescola e o hospital, a base militar e o laboratório científico, o aeroporto e a cidade – todos os sistemas sociais, econômicos e culturais da sociedade moderna – são acionados via software. O software é a cola invisível que une tudo e todos.” Softwares como produto principal: música, game, livro, e… jornalismo? [MANOVICH, Lev. Softwares Takes Command, 2013.]
  • 24.
    A TECNOLOGIA NÃOÉ NEUTRA A partir da digitalização e da internet, estamos nos dando conta de que, na verdade, não é só o software que importa, mas todos os objetos técnicos. Virada não-humana nas pesquisas em comunicação. Virada “ontológica” nas ciências humanas. Teoria Ator-rede (Bruno Latour, John Law, Michel Callon, Annemarie Mol, entre outros)
  • 25.