CRISES E RESSACAS DA
INTERNET EM TEMPOS DE
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Leonardo Foletto, BaixaCultura
FGV ECMI
f%deu
“A única razão pela qual, em um primeiro momento, a
internet parecia “mais livre” ou mais aberta se deveu ao
fato de que os projetos de financeirização e de
expropriação não foram implementados todos ao
mesmo tempo, tendo levado alguns anos para alcançar
um ponto de aceleração, no começo da década de
2000”.
Jonathan Crary, Terra Arrasada (Ubu, 2023)
“O complexo internético nunca foi empregado, com o
menor sucesso que fosse, na promoção de agendas
anticapitalistas ou antiguerra. Seu funcionamento
dispersa os desempoderados em agrupamento de
identidades, facções e interesses separados - e é
eficiente sobretudo na solidificação de grupos
reacionários”
Jonathan Crary, Terra Arrasada (Ubu, 2023)
“A internet leva a estratégia de realçar a diversidade e
incentivar a compartimentação a um novo patamar de
eficiência. Ao mesmo tempo, o fato de que as redes
sociais fazem circular apenas as ideias de mais fácil
presentação dilui e domestica programas
potencialmente radicais ou insurgentes, sobretudo
aqueles que não produzem resultados imediatos ou que
possam exigir comprometimentos de longo prazo””
Jonathan Crary, Terra Arrasada (Ubu, 2023)
1) Questões éticas sobre adoção (ou não)
desses sistemas em salas de aula, por
exemplo, assim como sobre mecanismos
possíveis para regulamentá-los e assegurar
que evitem (ou diminuam) a disseminação de
racismo algorítmico, discursos de ódio e
desinformação
2) Como as Inteligências artificiais
generativas são utilizadas em trabalhos
criativos de texto e imagem e as questões
filosóficas que envolvem a simbiose entre
a realidade humana e a realidade das
máquinas
3) Precarização do trabalho e extrativismo digital, a
partir da acentuação do colonialismo de dados (Couldry
e Mejías, 2019; Lippold e Faustino, 2022), o que pode
nos levar a um modo de produção ainda pior que o
capitalismo (Mckenzie Wark, 2023), agora baseado
também no controle do “vetor da informação”, aquelas
tecnologias que coletam grandes quantidades de dados,
os ordenam, gerenciam e processam para extrair valor
– como as IAs generativas.
4) A discussão sobre criação, cópia e propriedade
intelectual na internet. Entre especialistas em direito
autoral, muitos se perguntam se a extração de conteúdo
de terceiros por estas IAs generativas pode ser
considerado “fair use” (uso justo), mecanismo da Lei
dos Estados Unidos que estabelece como uso justo a
reprodução de trechos para fins como crítica,
comentário, notícias, ensino ou pesquisa.
4) Um número muito grande de obras produzidas pode exaurir a
quantidade de expressões possíveis de uma ideia em um certo meio —
música, por exemplo, onde já há casos de IAs, como a do Google
Assistente, que reconhece amostras de uma música, trechos de até
menos de um segundo.
Identificar pode significar também controlar e restringir; empresas de
tecnologia já identificam e barram rapidamente a circulação de
informações para defender a propriedade.
Como poderemos falar de cópia e original num mundo
cada vez mais dominado por múltiplas cópias
reproduzidas ad infinitum por sistemas algorítmicos
“inteligentes”?
Seria o triunfo do plágio, como diz Chomsky, (“A falsa
promessa do ChatGPT*”)?
A obra de arte na era de sua reprodutibilidade algorítmica
Força negativa da automação é menos a perda da “aura”
(Benjamin) e mais a perda do “risco individual” e da
“participação comunal” (Hal Foster, O que vem depois da Farsa,
2021)
É possível usar as redes digitais para a construção e manutenção
do comum, e não de feudos proprietários, fechados, fábricas de
desinformação e exclusão do que não é a norma “padrão”
ocidental e branca? Descentralização (redes federadas, etc) é
uma solução? Trabalhar no paradigma da abundância, e não da
escassez?
gracias!
leofoletto@gmail.com
@leofoletto nas redes - @baixacultura
leofoletto.info / baixacultura.org

Crises e Ressacas da Internet.pdf

  • 1.
    CRISES E RESSACASDA INTERNET EM TEMPOS DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL Leonardo Foletto, BaixaCultura FGV ECMI
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  • 12.
    “A única razãopela qual, em um primeiro momento, a internet parecia “mais livre” ou mais aberta se deveu ao fato de que os projetos de financeirização e de expropriação não foram implementados todos ao mesmo tempo, tendo levado alguns anos para alcançar um ponto de aceleração, no começo da década de 2000”. Jonathan Crary, Terra Arrasada (Ubu, 2023)
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    “O complexo internéticonunca foi empregado, com o menor sucesso que fosse, na promoção de agendas anticapitalistas ou antiguerra. Seu funcionamento dispersa os desempoderados em agrupamento de identidades, facções e interesses separados - e é eficiente sobretudo na solidificação de grupos reacionários” Jonathan Crary, Terra Arrasada (Ubu, 2023)
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    “A internet levaa estratégia de realçar a diversidade e incentivar a compartimentação a um novo patamar de eficiência. Ao mesmo tempo, o fato de que as redes sociais fazem circular apenas as ideias de mais fácil presentação dilui e domestica programas potencialmente radicais ou insurgentes, sobretudo aqueles que não produzem resultados imediatos ou que possam exigir comprometimentos de longo prazo”” Jonathan Crary, Terra Arrasada (Ubu, 2023)
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    1) Questões éticassobre adoção (ou não) desses sistemas em salas de aula, por exemplo, assim como sobre mecanismos possíveis para regulamentá-los e assegurar que evitem (ou diminuam) a disseminação de racismo algorítmico, discursos de ódio e desinformação
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    2) Como asInteligências artificiais generativas são utilizadas em trabalhos criativos de texto e imagem e as questões filosóficas que envolvem a simbiose entre a realidade humana e a realidade das máquinas
  • 21.
    3) Precarização dotrabalho e extrativismo digital, a partir da acentuação do colonialismo de dados (Couldry e Mejías, 2019; Lippold e Faustino, 2022), o que pode nos levar a um modo de produção ainda pior que o capitalismo (Mckenzie Wark, 2023), agora baseado também no controle do “vetor da informação”, aquelas tecnologias que coletam grandes quantidades de dados, os ordenam, gerenciam e processam para extrair valor – como as IAs generativas.
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    4) A discussãosobre criação, cópia e propriedade intelectual na internet. Entre especialistas em direito autoral, muitos se perguntam se a extração de conteúdo de terceiros por estas IAs generativas pode ser considerado “fair use” (uso justo), mecanismo da Lei dos Estados Unidos que estabelece como uso justo a reprodução de trechos para fins como crítica, comentário, notícias, ensino ou pesquisa.
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    4) Um númeromuito grande de obras produzidas pode exaurir a quantidade de expressões possíveis de uma ideia em um certo meio — música, por exemplo, onde já há casos de IAs, como a do Google Assistente, que reconhece amostras de uma música, trechos de até menos de um segundo. Identificar pode significar também controlar e restringir; empresas de tecnologia já identificam e barram rapidamente a circulação de informações para defender a propriedade.
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    Como poderemos falarde cópia e original num mundo cada vez mais dominado por múltiplas cópias reproduzidas ad infinitum por sistemas algorítmicos “inteligentes”? Seria o triunfo do plágio, como diz Chomsky, (“A falsa promessa do ChatGPT*”)?
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    A obra dearte na era de sua reprodutibilidade algorítmica Força negativa da automação é menos a perda da “aura” (Benjamin) e mais a perda do “risco individual” e da “participação comunal” (Hal Foster, O que vem depois da Farsa, 2021) É possível usar as redes digitais para a construção e manutenção do comum, e não de feudos proprietários, fechados, fábricas de desinformação e exclusão do que não é a norma “padrão” ocidental e branca? Descentralização (redes federadas, etc) é uma solução? Trabalhar no paradigma da abundância, e não da escassez?
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    gracias! leofoletto@gmail.com @leofoletto nas redes- @baixacultura leofoletto.info / baixacultura.org