Na Questão 392 de O Livro dos Espíritos, Kardec pergunta aos Espíritos:
Por que o Espírito encarnado perde a lembrança do seu passado?
E os Espíritos responderam: “O homem nem pode nem deve saber tudo;
Deus assim o quer na sua sabedoria. Sem o véu que lhe encobre certas
coisas, o homem ficaria ofuscado como aquele que passa sem transição da
obscuridade para a luz. Pelo esquecimento do passado, ele é mais ele
mesmo”.
Os críticos contumazes do Espiritismo atribuem a não existência da
reencarnação ao fato das pessoas não se recordarem das vidas anteriores;
o que foram, o que fizeram.
Diga-se, desde logo, que a memória não é condição necessária da
existência. Afirma-se, ainda, que o esquecimento do passado é
contraproducente. Se já vivemos muitas vezes na Terra, por que não nos
lembramos? Segundo alguns, a lembrança auxiliaria a não repetir os
equívocos do passado. Também serviria de incentivo à adoção de um
patamar nobre de conduta. Afinal, seria possível correlacionar as dores
atuais a específicos erros de outrora. Consequentemente, as criaturas
teriam interesse em agir com dignidade. Essa ideia parece sedutora, mas
não resiste a uma análise criteriosa. Tenha-se em mente que o
esquecimento constitui a regra geral.
Raras pessoas têm, naturalmente, a lembrança de seu agir em outras
existências. Quem desconhece a realidade da reencarnação alega que, se
já houvesse vivido antes, deveria lembrar; por isso, acha que reencarnação
não existe. Quem pensa assim não percebe que o cérebro físico não
poderia arquivar lembranças de algo que não viveu, algo de que não
participou. O cérebro físico só guarda registros da fatos que chegaram a
ele através dos cinco sentidos físicos: visão, audição, paladar, olfato e
tato. São os sentidos que captam informações exteriores e transmitem
essas informações ao cérebro. Entre os que compreendem a reencarnação
também há os que acham que deveríamos lembrar de nossas vidas
passadas.
Cada um pensa como quiser. Mas o esquecimento do passado do Espírito
imortal é uma das maiores dádivas que a vida nos oferece. É talvez o mais
precioso exemplo da misericórdia divina. Deus sempre nos concede novas
oportunidades de aprendizado. O que não aprendemos numa etapa,
podemos aprender na etapa seguinte.
Um dos postulados básicos da Doutrina Espírita é o da pluralidade das
existências ou reencarnação. A reencarnação equaciona o problema das
diferenças individuais, e explica o motivo das aparentes injustiças. Com a
reencarnação, Espíritos afins reencontram-se com o objetivo de se
aprimorarem e as lembranças de vidas pretéritas prejudicariam o
desempenho da criatura na atual existência.
No processo evolutivo em que todo o universo está incluso, num
dinamismo e mutações constantes, através de leis perfeitas e imutáveis, o
Espírito humano caminha sempre, aprendendo e desenvolvendo-se.
Conhecer essas leis é necessário para saber-se quem se é, de onde veio, o
que faz na Terra, para onde vai e como deve ir. Quanto mais o homem se
aprofunda nessas questões, mais facilidade e segurança ganha nessa
caminhada evolutiva para a conquista da perfeição e felicidade possíveis.
Uma dessas leis é a das vidas sucessivas em mundo material, a
reencarnação, ou seja, o retorno do Espírito ao corpo tantas vezes quantas
se tornem necessárias para o autoburilamento, libertando-se das paixões e
adquirindo experiências superiores.
Com exceção de Espíritos missionários, minoria absoluta na presente
época da Humanidade, somos, por enquanto, seres em sintonia com um
mundo de expiação e de provas. Isso significa que nos encontramos mais
próximos do ponto de partida do que do ponto de chegada. Reencarnamos
justamente para progredir, e no contexto desse progresso está inserida a
programação de buscarmos aparar as arestas com aqueles que
prejudicamos no passado. Em cada reencarnação temos a oportunidade de
repetir as experiências mal sucedidas, reparando os erros e desfazendo
equívocos perante àqueles com quem nos comprometemos. A cada novo
retorno à matéria, somos beneficiados com o esquecimento temporário de
nossas ações pretéritas para que, com esse esquecimento, ...
A criança que chega ao nosso lar como nosso filho, seja recebida e tratada
com todo carinho, com todo cuidado, com toda ternura, se tornando alvo
de inúmeras atenções de seus pais e demais familiares, todos empenhados
em dar-lhe o melhor, em todos os sentidos, contribuindo assim para a sua
elevação. Agora, como ficaria o exercício da fraternidade nessa família
onde cada um soubesse o mal que fez ao outro em existência pregressa?
Algozes ferrenhos poderiam aprender o exercício do amor, da paciência e
da tolerância, se recordando das feridas que foram provocadas? Os ciclos
de experiências ficariam embaralhados, se tornando um complicador, um
problema muito difícil de ser resolvido.
Há razões para o esquecimento, inclusive de ordem prática. Cada
existência encerra em si mesma um ciclo de experiências, confundindo-
nos se estivéssemos de posse das lembranças do pretérito, impondo-nos,
não raro, constrangimentos insuperáveis e perturbadores. Imaginemos
uma criança a contestar o parentesco com pais, irmãos, alegando ter outra
família; o adolescente que enxerga no pai de hoje o filho de ontem, ou
uma irmã de ontem a mãe de hoje; o homem que possuía brilhante
inteligência e agora experimenta as limitações de um cérebro deficiente; o
pária que foi nobre; o racista que se vê filho da raça que oprimiu.
Sem passar borracha no passado, tais situações seriam muito complicadas.
Sobretudo seria difícil vencer um dos mais graves problemas humanos; o
ódio, que é a negação dos princípios de fraternidade que regem o
Universo. Obedecendo aos imperativos da reconciliação, inimigos
ferrenhos reencontram-se no lar, ligados pelos laços da consanguinidade,
a ensejar que, pela convivência, a animosidade seja superada. Mas como
poderá isso ocorrer sem a bênção do esquecimento? Como abraçará um
pai ao filho, sabendo que ele é um odiado desafeto? O esquecimento
permite a transformação do ódio em amor. Ante o rostinho e olhar ingênuo
de uma criança, torna-se possível amar quem ontem odiávamos.
Quem ontem nos incomodava hoje nos auxilia na figura de um amigo ou
de um irmão. Esse esquecimento temporário, bem ao contrário do que se
possa supor, é uma verdadeira bênção. Para efeito de comparação,
observemos que o condenado pela justiça humana geralmente é visto com
desconfiança, mesmo depois de cumprida a pena a que foi sentenciado. Se
assim é, o que dizer então se soubéssemos que, entre nós, em nossa
família, no cadinho de nossa lar, tivesse reencarnado como nosso filho,
por exemplo, alguém que, em existência passada, tivesse eliminado a
nossa vida física naquela existência? Não é difícil concluir que, muito
provavelmente, haveria uma tragédia.
A sabedoria divina certamente possui razões para assim estabelecer.
Convém recordar que a lei do progresso rege a vida. Toda criação está em
permanente processo de evolução e metamorfose. Na conformidade dessa
lei, os Espíritos não retroagem em suas conquistas. As posições sociais
mudam constantemente, mas ninguém é hoje pior do que já foi um dia. As
conquistas morais e intelectuais dos espíritos jamais são perdidas. Assim,
cada homem hoje se encontra no auge de seu processo evolutivo.
Ninguém nunca foi no passado mais bondoso ou nobre do que é agora.
Nesse contexto, o esquecimento das encarnações pretéritas constitui uma
bênção.
O que se viveu persiste na forma de intuições e tendências, simpatias e
antipatias, facilidades e dificuldades. Muitas vezes, o inimigo de ontem
renasce na condição de um membro da família. O esquecimento permite a
transformação da mágoa em amor. Assim, podemos concluir que sob a
bênção do esquecimento os elos fraternos se estabelecem. Não é relevante
lembrar o passado. O importante é viver bem o presente.
Muita Paz!
Visite meu Blog: http://espiritual-espiritual.blogspot.com.br
A serviço da Doutrina Espírita; com estudos comentados de O Livro dos
Espíritos, de O Livro dos Médiuns, e de O Evangelho Segundo o
Espiritismo.

Esquecimento do passado

  • 2.
    Na Questão 392de O Livro dos Espíritos, Kardec pergunta aos Espíritos: Por que o Espírito encarnado perde a lembrança do seu passado? E os Espíritos responderam: “O homem nem pode nem deve saber tudo; Deus assim o quer na sua sabedoria. Sem o véu que lhe encobre certas coisas, o homem ficaria ofuscado como aquele que passa sem transição da obscuridade para a luz. Pelo esquecimento do passado, ele é mais ele mesmo”. Os críticos contumazes do Espiritismo atribuem a não existência da reencarnação ao fato das pessoas não se recordarem das vidas anteriores; o que foram, o que fizeram.
  • 3.
    Diga-se, desde logo,que a memória não é condição necessária da existência. Afirma-se, ainda, que o esquecimento do passado é contraproducente. Se já vivemos muitas vezes na Terra, por que não nos lembramos? Segundo alguns, a lembrança auxiliaria a não repetir os equívocos do passado. Também serviria de incentivo à adoção de um patamar nobre de conduta. Afinal, seria possível correlacionar as dores atuais a específicos erros de outrora. Consequentemente, as criaturas teriam interesse em agir com dignidade. Essa ideia parece sedutora, mas não resiste a uma análise criteriosa. Tenha-se em mente que o esquecimento constitui a regra geral.
  • 4.
    Raras pessoas têm,naturalmente, a lembrança de seu agir em outras existências. Quem desconhece a realidade da reencarnação alega que, se já houvesse vivido antes, deveria lembrar; por isso, acha que reencarnação não existe. Quem pensa assim não percebe que o cérebro físico não poderia arquivar lembranças de algo que não viveu, algo de que não participou. O cérebro físico só guarda registros da fatos que chegaram a ele através dos cinco sentidos físicos: visão, audição, paladar, olfato e tato. São os sentidos que captam informações exteriores e transmitem essas informações ao cérebro. Entre os que compreendem a reencarnação também há os que acham que deveríamos lembrar de nossas vidas passadas.
  • 5.
    Cada um pensacomo quiser. Mas o esquecimento do passado do Espírito imortal é uma das maiores dádivas que a vida nos oferece. É talvez o mais precioso exemplo da misericórdia divina. Deus sempre nos concede novas oportunidades de aprendizado. O que não aprendemos numa etapa, podemos aprender na etapa seguinte. Um dos postulados básicos da Doutrina Espírita é o da pluralidade das existências ou reencarnação. A reencarnação equaciona o problema das diferenças individuais, e explica o motivo das aparentes injustiças. Com a reencarnação, Espíritos afins reencontram-se com o objetivo de se aprimorarem e as lembranças de vidas pretéritas prejudicariam o desempenho da criatura na atual existência.
  • 6.
    No processo evolutivoem que todo o universo está incluso, num dinamismo e mutações constantes, através de leis perfeitas e imutáveis, o Espírito humano caminha sempre, aprendendo e desenvolvendo-se. Conhecer essas leis é necessário para saber-se quem se é, de onde veio, o que faz na Terra, para onde vai e como deve ir. Quanto mais o homem se aprofunda nessas questões, mais facilidade e segurança ganha nessa caminhada evolutiva para a conquista da perfeição e felicidade possíveis. Uma dessas leis é a das vidas sucessivas em mundo material, a reencarnação, ou seja, o retorno do Espírito ao corpo tantas vezes quantas se tornem necessárias para o autoburilamento, libertando-se das paixões e adquirindo experiências superiores.
  • 7.
    Com exceção deEspíritos missionários, minoria absoluta na presente época da Humanidade, somos, por enquanto, seres em sintonia com um mundo de expiação e de provas. Isso significa que nos encontramos mais próximos do ponto de partida do que do ponto de chegada. Reencarnamos justamente para progredir, e no contexto desse progresso está inserida a programação de buscarmos aparar as arestas com aqueles que prejudicamos no passado. Em cada reencarnação temos a oportunidade de repetir as experiências mal sucedidas, reparando os erros e desfazendo equívocos perante àqueles com quem nos comprometemos. A cada novo retorno à matéria, somos beneficiados com o esquecimento temporário de nossas ações pretéritas para que, com esse esquecimento, ...
  • 8.
    A criança quechega ao nosso lar como nosso filho, seja recebida e tratada com todo carinho, com todo cuidado, com toda ternura, se tornando alvo de inúmeras atenções de seus pais e demais familiares, todos empenhados em dar-lhe o melhor, em todos os sentidos, contribuindo assim para a sua elevação. Agora, como ficaria o exercício da fraternidade nessa família onde cada um soubesse o mal que fez ao outro em existência pregressa? Algozes ferrenhos poderiam aprender o exercício do amor, da paciência e da tolerância, se recordando das feridas que foram provocadas? Os ciclos de experiências ficariam embaralhados, se tornando um complicador, um problema muito difícil de ser resolvido.
  • 9.
    Há razões parao esquecimento, inclusive de ordem prática. Cada existência encerra em si mesma um ciclo de experiências, confundindo- nos se estivéssemos de posse das lembranças do pretérito, impondo-nos, não raro, constrangimentos insuperáveis e perturbadores. Imaginemos uma criança a contestar o parentesco com pais, irmãos, alegando ter outra família; o adolescente que enxerga no pai de hoje o filho de ontem, ou uma irmã de ontem a mãe de hoje; o homem que possuía brilhante inteligência e agora experimenta as limitações de um cérebro deficiente; o pária que foi nobre; o racista que se vê filho da raça que oprimiu.
  • 10.
    Sem passar borrachano passado, tais situações seriam muito complicadas. Sobretudo seria difícil vencer um dos mais graves problemas humanos; o ódio, que é a negação dos princípios de fraternidade que regem o Universo. Obedecendo aos imperativos da reconciliação, inimigos ferrenhos reencontram-se no lar, ligados pelos laços da consanguinidade, a ensejar que, pela convivência, a animosidade seja superada. Mas como poderá isso ocorrer sem a bênção do esquecimento? Como abraçará um pai ao filho, sabendo que ele é um odiado desafeto? O esquecimento permite a transformação do ódio em amor. Ante o rostinho e olhar ingênuo de uma criança, torna-se possível amar quem ontem odiávamos.
  • 11.
    Quem ontem nosincomodava hoje nos auxilia na figura de um amigo ou de um irmão. Esse esquecimento temporário, bem ao contrário do que se possa supor, é uma verdadeira bênção. Para efeito de comparação, observemos que o condenado pela justiça humana geralmente é visto com desconfiança, mesmo depois de cumprida a pena a que foi sentenciado. Se assim é, o que dizer então se soubéssemos que, entre nós, em nossa família, no cadinho de nossa lar, tivesse reencarnado como nosso filho, por exemplo, alguém que, em existência passada, tivesse eliminado a nossa vida física naquela existência? Não é difícil concluir que, muito provavelmente, haveria uma tragédia.
  • 12.
    A sabedoria divinacertamente possui razões para assim estabelecer. Convém recordar que a lei do progresso rege a vida. Toda criação está em permanente processo de evolução e metamorfose. Na conformidade dessa lei, os Espíritos não retroagem em suas conquistas. As posições sociais mudam constantemente, mas ninguém é hoje pior do que já foi um dia. As conquistas morais e intelectuais dos espíritos jamais são perdidas. Assim, cada homem hoje se encontra no auge de seu processo evolutivo. Ninguém nunca foi no passado mais bondoso ou nobre do que é agora. Nesse contexto, o esquecimento das encarnações pretéritas constitui uma bênção.
  • 13.
    O que seviveu persiste na forma de intuições e tendências, simpatias e antipatias, facilidades e dificuldades. Muitas vezes, o inimigo de ontem renasce na condição de um membro da família. O esquecimento permite a transformação da mágoa em amor. Assim, podemos concluir que sob a bênção do esquecimento os elos fraternos se estabelecem. Não é relevante lembrar o passado. O importante é viver bem o presente.
  • 14.
    Muita Paz! Visite meuBlog: http://espiritual-espiritual.blogspot.com.br A serviço da Doutrina Espírita; com estudos comentados de O Livro dos Espíritos, de O Livro dos Médiuns, e de O Evangelho Segundo o Espiritismo.