LIVRO SEGUNDO: DO MUNDO ESPÍRITA OU MUNDO DOS ESPÍRITOS
CAPÍTULO IV: PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS
4.1 – DA REENCARNAÇÃO
4.2 – JUSTIÇA DA REENCARNAÇÃO
4.3 – ENCARNAÇÃO NOS DIFERENTES MUNDOS
4.4 – TRANSMIGRAÇÃO PROGRESSIVA
4.5 – DESTINO DAS CRIANÇAS DEPOIS DA MORTE
4.6 – SEXO NOS ESPÍRITOS
4.7 – PARENTESCO, FILIAÇÃO
4.8 – SEMELHANÇAS FÍSICAS E MORAIS
4.9 – IDÉIAS INATAS
Slides:
https://pt.slideshare.net/slideshow/2-4-1-reencarnacao-a-reencarnacao-
de-segismundo-pptx/282391046
https://pt.slideshare.net/slideshow/2-4-2-encarnacao-nos-diferentes-
mundos-pptx/282391401
https://pt.slideshare.net/slideshow/2-4-3-transmigrassao-progressiva-
destino-das-criancas-sexo-nos-espiritos-pptx/285218472
https://pt.slideshare.net/slideshow/2-4-4-parentesco-filiacao-ideias-
inatas-pptx/285218736
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O LIVRO
DOS
4.1 – DA REENCARNAÇÃO
INTRODUÇÃO:
A reencarnação é uma das crenças mais antigas e difundidas da
humanidade, presente em tradições religiosas, filosofias e, mais
recentemente, em investigações científicas.
A reencarnação é um dos pilares fundamentais da doutrina espírita que
explica o processo evolutivo da alma. Trata-se do retorno do espírito à vida
corporal, em sucessivas existências, como uma oportunidade de
aprendizado, crescimento e reparação de falhas. Através dela, cada
indivíduo tem a chance de aprimorar-se moral e intelectualmente,
acumulando experiências e, gradualmente, aproximando-se da perfeição
espiritual.1
Como ocorre
A reencarnação é guiada por leis universais, particularmente a do progresso
e a do karma (causa e efeito). Os espíritos são designados a novas
existências físicas de acordo com suas necessidades e méritos, sendo
influenciados pelo que fizeram em existências passadas. Sob a orientação
de espíritos superiores, cada reencarnação é planejada levando em conta
desafios e provas que permitirão o crescimento espiritual.
Por que ocorre
A reencarnação é uma lei de Deus, sendo um mecanismo indispensável da
justiça divina.
A doutrina espírita não está inventando nada, mas explicando, revelando as
leis que nos regem. Ela nasce da observação dos fatos e não da suposição
de teorias.
Ela possibilita que todos os seres humanos tenham igual oportunidade de
evoluir, reparar erros e aprender lições que não foram compreendidas em
vidas anteriores.
1
- A doutrina Espírita é comparável a um edifício sempre em construção, no qual as bases, o alicerce bem
estruturados, firme é constituído pelas obras básicas, sendo as demais obras (sérias) o complemento da construção.
A doutrina Espírita tem recebido das duas esferas (física e espiritual) a contribuição de muitos operários na construção
edifício de luz e de amor, dentre os quais citamos:
- Chico Xavier – Emmanuel, André Luiz, Humberto de Campos (Irmão X), Meimei, Maria João de Deus, etc.
- Divaldo Franco – Joanna de Angelis, Manoel Philomeno de Miranda
- Yvonne do Amaral – Camilo Cândido Botelho, Bezerra de Menezes, Leon Dennis
- Abel Glaiser – Cairbar Schutel
André Luiz, através de Chico Xavier, complementa e consolida com profundidade doutrinária e ensinamentos sobre a
vida após a morte, mediunidade, obsessão, reencarnação e evolução espiritual.
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LIVRO SEGUNDO: MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS
Capítulo IV: Pluralidade das Existências
É uma resposta para questões sobre desigualdade e sofrimento, revelando
que cada experiência tem um propósito maior.
Qual a finalidade
A finalidade da reencarnação é o aperfeiçoamento moral e intelectual do
espírito. Ela busca levar o indivíduo a alcançar estados elevados de virtude,
sabedoria e harmonia com as leis divinas. Ao longo de várias existências
físicas, o espírito evolui, tornando-se mais próximo de Deus e contribuindo
para o bem coletivo.
Deus, em sua sabedoria, criou a reencarnação como um instrumento de
amor e justiça:
 Igualdade de Oportunidades: Todos terão múltiplas chances para
evoluir.
 Redenção: Nenhum erro é eterno; o arrependimento e o trabalho no
bem permitem repará-lo.
 Felicidade Plena: Atingida quando o Espírito se liberta das paixões
inferiores e se une à harmonia divina.
O que se deve fazer para melhor aproveitar
Para aproveitar ao máximo a oportunidade de reencarnação, devemos:
 Praticar a caridade: Ajudar o próximo é visto como uma forma de
purificação e evolução espiritual.
 Cultivar virtudes: Trabalhar paciência, humildade, perdão e bondade
no dia a dia.
 Estudar: Buscar conhecimento sobre as leis espirituais e se dedicar ao
entendimento das obras espíritas.
 Revisar atitudes: Refletir sobre erros cometidos e esforçar-se para
corrigi-los.
 Evitar vícios: Manter-se longe de comportamentos prejudiciais que
atrasam o progresso moral.
A reencarnação não é um castigo, mas uma bênção que nos permite reparar
o passado, aprender e nos aproximar de Deus. Cada existência física é uma
página nova a ser escrita, e o livre-arbítrio nos dá o poder de escolher entre
o bem e o mal – sempre com as consequências de nossas escolhas.
A doutrina espírita esclarece o processo da reencarnação nos fornecendo
uma apresentação real de como ela ocorre. Independente de acreditar ou
não o processo continua
"Nascer, morrer, renascer ainda, e progredir sem cessar, tal é a lei."
(Allan Kardec, O Evangelho Segundo o Espiritismo).
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Jesus em sua conversa com Nicodemos
E havia entre os fariseus um homem, chamado Nicodemos, príncipe dos judeus.
Este foi ter de noite com Jesus, e disse-lhe: Rabi, bem sabemos que és Mestre, vindo de Deus;
porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele. Jesus
respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo,
não pode ver o reino de Deus.
Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a
entrar no ventre de sua mãe, e nascer?
Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do
Espírito, não pode entrar no reino de Deus.
O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito.
Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo.
O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde
vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito.
Nicodemos respondeu, e disse-lhe: Como pode ser isso?
Jesus respondeu, e disse-lhe: Tu és mestre de Israel, e não sabes isto?
Na verdade, na verdade te digo que nós dizemos o que sabemos, e testificamos o que vimos; e
não aceitais o nosso testemunho.
Se vos falei de coisas terrestres, e não crestes, como crereis, se vos falar das celestiais?
(João 3:01-12)
É preciso que nasçamos novamente para que possamos vencer as nossas
imperfeições e ganhar o reino dos Céus que Jesus nos ensinou. Conquistar
a evolução através do aprendizado, tanto intelectual, quanto o aprendizado
do amor.
Para ler:
PESQUISAS CIENTÍFICAS SOBRE A REENCARNAÇÃO - Instituto de
Pesquisas Projeciológicas e Bioenergéticas
Evidências Científicas de Reencarnação: Entre a Ciência e a Espiritualidade
–
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166 – A alma que não alcançou a perfeição na vida corpórea, como
acaba de depurar-se?
Suportando a prova de uma nova existência.
COMENTÁRIOS:
Se renascer é necessário, significa que devemos renascer várias vezes para
ir depurando a nossa evolução.
A reencarnação é que nos coloca às claras a justiça divina, porque é através
dela que temos a chave para compreender a vontade do Pai e a justiça de
Deus, principalmente quando nos deparamos com tantas diferenças no
mundo:
 Diferenças social, intelectual, capacidade de aprendizagem;
 Algumas pessoas nascem com limitações físicas ou intelectuais, outras
bem saudáveis;
 Algumas em lugares bem pobres ou situações de extrema pobreza,
outras em ambientes fartos de bens materiais;
 Algumas em famílias capaz de encaminhar na vida fornecendo
orientação com valores morais, religiosos e intelectuais, outras em
famílias desestruturadas onde impera a violência, o desamor.
Por que tantas diferenças ao nascer, se não houvesse nada anterior que
justificasse tal situação? Onde estaria a justiça de Deus?
A reencarnação nos fornece a chave para compreender.
Nós que aqui renascemos temos um passado, uma história construída, na
qual temos o nosso crescimento, mas também os nossos erros.
Dessa forma, cada um de nós vivencia as situações necessárias para
resgatar os débitos adquiridos no passado, para aprender aquilo que deixou
de aprender. Portanto, aquele que hoje passa pela prova da riqueza, amanhã
passará pela prova da pobreza e vice-versa.
A vida material é uma prova para o Espírito, pois a verdadeira vida é a
espiritual.
Vida espiritual – casa
Vida material – escola (prova)
A reencarnação é a maior demonstração do amor de Deus para conosco. Se
tivéssemos apenas uma oportunidade, e nesta cometemos erros, equívocos
indo para o suplício eterno, como ficaria a justiça divina?
Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso
Pai, que está nos céus, dará bens aos que lhe pedirem? Mateus 7:11
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Deus nos confiou a paternidade e a maternidade como prova da confiança
Dele para que possamos nos orientar e despertar o amor. São papeis que
são trocados nas diversas oportunidades reencarnatórias.
O amor sendo o sentimento mais nobre abraça todas as demais virtudes,
dentre elas o perdão. Nessas relações pais e filhos sempre há a
oportunidade do perdão. As rusgas, as mágoas do passado acabam sendo
extintas.
Deus, um ser supremo com uma bondade extrema e uma justiça infalível nos
fornece as oportunidades.
Pelo caminho do amor todos nós chegaremos à perfeição e à felicidade.
166.a) Como a alma realiza essa nova existência? É por sua
transformação como Espírito?
Depurando-se, a alma sofre, sem dúvida, uma transformação; mas para isso
lhe é necessária a prova da vida material.
COMENTÁRIOS:
A alma, Espírito encarnado, realiza essa nova existência. Evoluir significa
transformar, modificar, melhorar.
Quando aprende alguma coisa, se evolui, tornando diferente do que era
antes.
Essa nova existência é por transformação enquanto Espírito que é individual.
Cada um segue o seu caminho de maneira particular, conforme o livre-
arbítrio. O processo se dá pela transformação moral e intelectual.
Não deixe para modificar na próxima reencarnação, vamos melhorar a partir
de agora. São 365 oportunidades por ano.
Nascer de novo – Jesus
Para o despertar do Espírito é necessário passar pela prova (reencarnação)
166.b) A alma passa, pois, por várias existências corporais?
Sim, todos nós passamos por várias existências físicas. Os que dizem o
contrário, pretendem manter-vos na ignorância em que eles próprios se
encontram; esse é o desejo deles.
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COMENTÁRIOS:
Passa sim, pois é humanamente impossível atingirmos o máximo de
aprendizado em apenas uma encarnação.
Não temos como aprender intelectualmente e moralmente ao ponto de não
mais precisar continuar aqui.
Um Espírito evoluído passa a compreender todas as leis naturais, as leis
divinas, ou seja, todas as áreas científicas, além do seu refinamento moral.
Às vezes reencarnamos para compreender apenas uma área, uma
habilidade.
O que às vezes dizemos dom de Deus, são as conquistas que trazemos
através do aprendizado acumulado durante várias reencarnações.
Precisamos crescer em todos os segmentos do conhecimento humano.
166.c) Parece resultar desse princípio que a alma, depois de deixar um
corpo toma outro, ou, então, ela se reencarna em novo corpo; é assim
que se deve entender?
É evidente.
COMENTÁRIOS:
Duas características:
Depois de deixar um corpo toma outro – Seria o Espírito que sai de um
corpo, escolhe outro para coabitar. (Não é isso). Não há nenhuma
possibilidade para isso. Um corpo já formado, nascido, tem o seu Espírito
ligado. A ligação acontece no decorrer da formação do ser. O períspirito está
ligado ao corpo célula a célula.
Reencarna em um novo corpo – É isso que a doutrina esclarece. Ele
reencarna em outro corpo construído por ele. Períspirito – modelador
biológico, fôrma do corpo biológico. O corpo é programado conforme as
necessidades do reencarnante, a partir da configuração do períspirito
decorre a constituição do reencarnante.
Dentre os 300 milhões de espermatozoides, apenas aquele apto à
configuração do corpo programado conforme as necessidades do
reencarnante atinge o óvulo. Há nesse processo o auxílio dos mentores
espirituais e a atração energética do reencarnante (inconsciente).
Para cada existência a gente constrói um corpo novo. Durante uma
existência a gente melhora as emoções, os sentimentos, a gente aprende,
avança.
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Toda a conquista de uma existência passada e da erraticidade vai fazer parte
da constituição da próxima existência.
Corpo deficiente, com limitações: A depuração do Espírito ocorre pela
transformação que ele vai realizando ao longo do tempo. A transformação
exige provas e expiações. Às vezes uma experiência que o Espírito precisa
passar, requer um instrumento com alguns defeitos que lhe exigirão mais em
determinadas áreas da atividade humana, pois a limitação, apesar de
dolorosa, é um exercício que o Espírito vivencia na ausência daquela
habilidade. Ao mesmo tempo, o próprio aprendizado dele é o não exercício
de determinadas liberdades. É um processo de reeducação. Às vezes se
torna uma existência de dor pela não aceitação da limitação.
A Doutrina Espírita é o consolador prometido. Onde está o consolo?
Está no entendimento dessas coisas, das leis divinas.
É por isso que precisamos revezar entre o plano material e o plano espiritual
para que possamos adquirir a experiência necessária em todos os aspectos.
Quando terminamos de progredir tudo o que precisamos na matéria paramos
de reencarnar e continuaremos o progresso apenas no plano espiritual que é
quando chegarmos ao estado de Espíritos puros.
Fontes:
 O Livro dos Espíritos
 A Gênese
 Perisipírito – Zalmino Zimmermann
 Evolução em dois mundos – Chico/André Luiz – pág. 151
 Missionários da Luz – Chico/André Luiz – pág. 163
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PROCESSO REENCARNATÓRIO
A reencarnação é um processo complexo, envolvendo fatores genéticos,
energéticos e espirituais, sempre supervisionado pela Misericórdia Divina.
O perispírito (ou psicossoma) exerce função fundamental na
reencarnação, sendo o elemento de ligação entre o espírito e o novo corpo
físico.
Desde a concepção, ele comanda o desenvolvimento embrionário,
moldando o corpo físico de acordo com as necessidades espirituais do
reencarnante.
Funções do Perispírito
(Perispírito – Extensão da alma, eterno espelho da mente, matriz do corpo físico)
Função Instrumental
O perispírito atua como instrumento da alma, permitindo sua interação
tanto no plano espiritual quanto no plano físico. Ele é uma projeção
energética da própria essência espiritual, funcionando como
um intermediário entre a consciência imortal e os diferentes níveis da
realidade.
Função Individualizadora
O perispírito, como corpo semimaterial e imperecível da alma, tem a função
de individualizar e identificar o espírito. Ele garante a identidade única de
cada ser, refletindo sua história evolutiva e características próprias.
Função Organizadora / modeladora
Papel fundamental na reencarnação
 O perispírito atua como modelo morfogenético, orientando a
formação do novo corpo físico.
 Ele molda o corpo de acordo com as características do Espírito
reencarnante, servindo de “projeção da alma”.
 O perispírito não só atua na expressão genética, mas também modula
a organização celular, indo além do controle puramente genético.
 Proposto por Hernâni Guimarães Andrade, o MOB (Modelo
Organizador Biológico) é um campo que atua sobre a matéria
orgânica, organizando-a biologicamente.
 O conceito remonta aos "campos morfogenéticos" dos anos 1920,
retomado depois por Rupert Sheldrake.
 Allan Kardec afirma que o Espírito modela seu corpo conforme seu
nível de evolução e necessidades. (A Gênese – Cap. 11 – pág. 138)
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 Emmanuel e André Luiz destacam o perispírito como molde
fundamental do corpo físico, que permanece após a morte.
Consequências da ausência do perispírito
 Um organismo pode se formar sem alma vinculada, levando a:
o Abortos espontâneos
o Natimortos
o Malformações graves
 Esses casos refletem a falta da atuação modeladora do perispírito.
Função Sustentadora
O perispírito atua como matriz energética sustentadora, garantindo
a estabilidade e integridade do corpo físico ao longo da vida, desde a
formação até a manutenção do organismo adulto.
É como uma matriz invisível, que organiza e estabiliza a forma biológica do
ser humano, mesmo com a constante renovação celular, além da
sustentação do sistema imunológico.
Etapas da Reencarnação
Cada reencarnação é única, mas alguns padrões são descritos por autores
espirituais como André Luiz.
Não existe uma forma única de reencarnar. Cada Espírito, de acordo com
sua evolução, méritos e necessidades, passa por um processo
reencarnatório específico, que pode variar muito em termos de consciência,
participação e condições biológicas.
Assim como a morte tem diversas formas (violenta, natural, repentina, lenta,
etc.), o retorno à vida física também acontece de modos variados.
A reencarnação não é um processo padronizado — ela depende das
características espirituais, psicológicas e morais do indivíduo.
Três categorias de Espíritos:
 Espíritos superiores: possuem lucidez, atuam conscientemente no
planejamento da nova vida, podendo até interferir na genética
(plasmam seus corpos com auxílio de técnicos espirituais). ®
Reencarnação livre
 Espíritos inferiores: São atraídos mecanicamente ao útero, sem
escolha ou planejamento, sendo totalmente submetidos à lei da
hereditariedade. ® Reencarnação compulsória
 Espíritos medianos: com méritos e débitos, têm assistência de
equipes espirituais para planejamento detalhado, ajustado às suas
necessidades evolutivas. ® Reencarnação proposta
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Espíritos superiores: reencarnação livre, consciente e controlada
 Espíritos de alta categoria moral e intelectual têm grande autonomia e
consciência no processo.
 Em geral, mantêm ligação sutil com a mente da mãe que os receberá,
e são capazes de plasmarem o próprio corpo, isto é, interferir na
formação do corpo físico, moldando inclusive aspectos genéticos
(cromossomos) de acordo com a missão ou aprendizado futuro.
 Instrutores espirituais colaboram nesse processo, como engenheiros
biológicos do plano superior.
 Exemplo: Missionários, grandes artistas, cientistas ou líderes espirituais
que trazem contribuições específicas à humanidade.
Espíritos inferiores: reencarnação compulsória e instintiva
 Espíritos ainda muito atrasados, presos a ideias fixas (monoideísmo) —
geralmente ligados ao mal, à culpa ou à obsessão — são atraídos
quase por magnetismo ou automatismo para a reencarnação.
 Ocorre simbiose fluídica com o organismo da futura mãe, ou seja, sua
psicosfera se funde com a dela, de forma inconsciente.
 Em alguns casos, o Espírito entra em ovoidização — um estado de
colapso do corpo espiritual, tornando-se um "ovoide", ou seja, um ser
embrionário, sem forma humana definida.
 Nessas situações, o Espírito não escolhe família, corpo, tempo ou
lugar: é atraído pela afinidade fluídica e pelas leis da hereditariedade,
como uma semente que cai no solo certo e germina pelas leis da
biologia.
 Exemplo: Espíritos com fortes ligações a vícios ou crimes, que
reencarnam em condições de expiação ou provação.
Espíritos medianos: reencarnação proposta / planejada / equilibrada, com
assistência
 A maioria dos Espíritos humanos está nesse grupo: possuem virtudes e
vícios, méritos e débitos.
 Para eles, o processo reencarnatório é cuidadosamente preparado,
pois precisam cumprir missões, saldar dívidas e seguir adiante no
aprendizado.
 São acompanhados por mentores e técnicos espirituais, que cuidam da
ligação com os futuros pais, da escolha das provas, da configuração do
corpo físico e das circunstâncias gerais da nova vida.
 Exemplo: A maioria das pessoas comuns, que alternam entre acertos e
erros, buscando progresso moral e intelectual.
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A reencarnação não serve só para reparar erros; é também uma ferramenta
para avanço intelectual e moral, como expandir virtudes, desenvolver
talentos e conquistar novos aprendizados.
Serve tanto à regeneração (corrigir) quanto à evolução (crescer).
Há Espíritos muito bondosos que precisam adquirir mais intelecto ou
conhecimento, assim como Espíritos muito inteligentes que precisam
desenvolver o sentimento ou a moral.
Muitos, mesmo após longa permanência no plano espiritual, sentem a
necessidade de voltar à carne para reavaliar suas imperfeições num
ambiente de provas reais, como um teste prático após longos estudos.
Embora as colônias espirituais ofereçam oportunidades evolutivas (trabalho,
estudo, elevação), poucos Espíritos conseguem, de imediato, permanecer
nos planos superiores — a maioria ainda está emocionalmente ligada à
Terra: suas famílias, ideias, raças, nações, tradições.
Por isso, artistas, cientistas, missionários, religiosos e líderes morais muitas
vezes retornam ao mundo voluntariamente, não por débitos, mas por amor,
missão ou necessidade de continuar sua própria evolução em ação.
O progresso, diz André Luiz, exige esforço constante. A subida espiritual
pode ocorrer por aprendizado (trabalho honesto, dedicação) ou por dor
(resgate, expiação). Exemplo da montanha.
Tanto a regeneração quanto a evolução não se verificam sem preço.
Nem todo sofrimento atual vem de erros passados. Muitas dificuldades são
resultados de escolhas feitas no presente, pois estamos constantemente
criando novas causas que influenciam nosso destino. è O Evangelho
Segundo o Espiritismo – Capítulo 5 – Itens 4 e 5 – pág. 62.
Etapas da Reencarnação
1) Estudo Prévio do Espírito:
èRealizado por Espíritos Superiores (Espíritos Construtores), analisa:
o Situação cármica do reencarnante
o Genética dos pais
o Clima emocional entre os progenitores
o Possíveis missões e provas futuras
No mundo espiritual existem centros especializados onde são planejadas e
modeladas as estruturas futuras do corpo físico: órgãos, membros, tecidos e
células.
Esses “institutos” funcionam como laboratórios espirituais que estudam as
necessidades físicas, emocionais, morais e cármicas do reencarnante.
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Isso é feito antes mesmo da fecundação, ou seja, antes que comece a
rematerialização da alma no plano físico.
Quando o Espírito não tem ainda autonomia total (como os superiores), nem
está em estado de animalização ou inconsciência completa (como os
inferiores), ele passa por um processo intermediário: a reencarnação
programada com assistência e restrições morais específicas.
A Justiça Divina define os limites físicos e mentais necessários à evolução do
reencarnante, com base em seu passado (débitos e méritos) e nos objetivos
futuros.
Órgãos, membros, fibras e células são previamente esboçados em nível
perispiritual.
Isso explica anomalias congênitas, dons ou limitações físicas – nada é
aleatório, mas sim resultado de um planejamento invisível.
- A presença de setores ligados à reencarnação é comum em colônias
sérias.
- Reencarnar não exceção, mas sim, é regra no processo de evolução dos
Espíritos ligados à Terra.
Preparação: (Missionários da Luz – Capítulo 12)
André e Alexandre recebem a visita de Herculano (entidade de elevada
espiritualidade), pedindo colaboração na preparação de Segismundo, para
sua volta ao plano físico, ou seja, a reencarnação.
Em uma encarnação anterior Raquel era casada com Adelino. Após uma
paixão desvairada, Segismundo assassinou Adelino e Raquel foi parar no
prostíbulo. Desencarnaram, cada um por sua vez, sob intensa vibração de
ódio e desesperação, padecendo vários anos, em zonas inferiores. Ainda
no plano espiritual, o casal prometeu retornar e receber Segismundo como
filho. E agora, já adultos, Raquel e Adelino se casaram e já tem um filho
(Joãozinho).
André e Alexandre vão ao Planejamento de Reencarnação e repara que
uma grande quantidade de entidades transita no prédio, e algumas levam
consigo uns reduzidos rolos brancos tipo pergaminho. Eram trabalhadores
interessados em reencarnação próxima, bem como, outros em trabalho de
intercessão para amigos íntimos.
Os rolos eram mapas de formas orgânicas, elaboradas por orientadores do
Departamento, especializados em conhecimentos biológicos, com todo o
estudo sobre o corpo físico da próxima reencarnação.
Conforme o grau de adiantamento do futuro reencarnante, e de acordo
com o serviço que lhe é designado no corpo físico, é necessário
estabelecer planos adequados aos fins que se destinam.
Alexandre e André entram num dos gabinetes extensos do edifício
13
principal.
Alexandre apresenta André ao assistente Josino, esclarecendo o objetivo
da visita.
“A possibilidade de André visitar a instituição de planejamento, quantas
vezes fosse possível durante a semana em curso, a fim de adquirir noções
seguras, referentemente ao trabalho de auxílio nas atividades
reencarnacionistas.”
O assistente prometeu a melhor boa vontade, conduzindo-o aos demais
colegas para que não faltassem minúcias de conhecimento, exporia suas
próprias experiências para que André retirasse delas o máximo proveito.
Penetraram numa das dependências consagradas aos serviços de
desenho.
Pequenas telas demonstrando peças do organismo humano, estavam
ordenadamente em todos os recantos.
Ele teve a impressão de que se encontrava num grande centro de
anatomistas, cercados de auxiliares competentes e operosos. Espalhavam-
se desenhos de membros, tecidos, glândulas, fibras, órgãos de todos os
feitios e para todos os gostos.
Silvério irá reencarnar, após 15 anos de atividades de auxílio no plano
espiritual, com objetivos de reparar erros passados. Estava um tanto
hesitante, com receio de contrair novos débitos, devido ao esquecimento
do passado. Acatou a sugestão de trazer um defeito físico na perna, a fim
de se defender das tentações, como antídoto à vaidade. Tem possibilidade
de viver até 70 anos.
Anacleta vai reencarnar após 40 anos de trabalho em favor de espíritos
familiares que estão em desequilíbrio. Pretende recebê-los como filhos,
dois na condição de paralisia, outro com debilidade mental, e uma filha,
também com problemas, mas que deverá auxiliá-la na velhice do corpo.
Repara o erro de outra encarnação, quando permitiu, como mãe, através
da falta de disciplina e do excesso de mimo, que seus filhos não
conseguissem enfrentar as lutas da vida.
Outra entidade que deve reencarnar, pede que haja interferência na
formação das glândulas tireoide e paratireoide, a fim de que o corpo não se
apresente harmônico fisicamente, uma vez a beleza física poderia dificultar
as tarefas que ela devia desempenhar.
Outro Espírito deve reencarnar com a possibilidade de surgimento de uma
úlcera logo que chegue a maioridade. Através deste processo, poderá
resgatar um crime cometido há mais de cem anos antes, quando
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assassinou um homem a facadas. A vítima tornou-se seu obsessor e
provocou gradativamente sua desencarnação. Após sofrer no plano
espiritual, reergueu-se moralmente e obteve várias intercessões. No
entanto, pela lei de ação e reação, o crime ainda permanece em aberto, e
a reencarnação dolorosa servirá de pena e reparação.
Manassés comenta que são inúmeros os projetos de corpos futuros nesses
setores de serviço.
André Luiz permaneceu por mais alguns dias, ali no Instituto de
Planejamento das Reencarnações para aprofundar seus estudos acerca do
processo de reencarnação.
“A existência humana não é um ato acidental e, no plano da ordem divina,
a justiça exerce o seu ministério, todos os dias, obedecendo ao alto
desígnio que manda ministrar os dons da vida: a cada um por suas obras.”
2) Preparação mental do reencarnante:
 O espírito é preparado psicologicamente para a reencarnação.
 Condicionamento para evitar pensamentos negativos que
prejudiquem a gestação.
 Medo, resistência, conflitos dos pais ou obsessões podem prejudicar
ou impedir o processo.
3) Mentalização e Redução Perispirítica:
 O reencarnante mentaliza sua futura forma fetal.
 O perispírito é reduzido e adaptado ao novo corpo físico, processo
facilitado por sua plasticidade.
è A redução pode ser feita:
o Por autoindução (em espíritos evoluídos)
o Por intervenção dos Construtores (na maioria dos casos)
Propriedade plástica do perispírito: ovoidização, retratilidade e ideoplastia.
Nesse caso utiliza a retratilidade ou ovoidização (espíritos inferiores).
Como o perispírito precisa ser restringido (condensado, compactado) para
caber e se ajustar ao novo corpo físico, os Espíritos são submetidos a um
estado semelhante ao sono profundo.
Isso ocorre em instituições hospitalares do plano espiritual, com auxílio de
magnetizadores desencarnados (Espíritos capacitados que aplicam passes
fluídicos).
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O processo usa fluidos balsâmicos, que relaxam e adormecem o Espírito,
reduzindo temporariamente sua atividade mental e facilitando o ajustamento
perispiritual ao embrião.
É nessa fase que ocorre o esquecimento.
4) Ligação Fluídica e Fecundação:
• O perispírito do reencarnante se conecta ao da mãe.
• O espermatozoide "escolhido" para fecundar o óvulo entra em
sintonia magnética com o espírito que vai reencarnar, sendo atraído
pelo óvulo.
• Essa escolha não depende apenas da qualidade genética, mas da
afinidade vibratória com o perispírito do reencarnante
• A genética resultante reflete necessidades cármicas (saúde,
doenças, características físicas).
Planejamento da encarnação: muito além da genética
 A espiritualidade escolhe criteriosamente elementos como:
o Pais e família (paternidade e maternidade),
o Raça e nacionalidade (condições sociais, históricas e culturais),
o Laços consanguíneos e ambiente doméstico.
Tudo isso é conjugado com sabedoria para oferecer ao Espírito as
experiências exatas que ele necessita.
Mesmo elementos que parecem casuais ou injustos, como nascer em um
país em guerra ou em um lar desestruturado, têm um sentido espiritual mais
amplo.
5) Desenvolvimento embrionário
 A vibração do espírito e seu histórico mental influenciam a
formação do novo corpo.
O perispírito carrega a "marca" do espírito, refletindo seu estado
evolutivo e suas necessidades de aprendizado ou expiação.
O esquecimento é temporário, mas não absoluto
 O olvido (esquecimento) é uma lei divina de misericórdia, que impede
que a memória completa de vidas anteriores atrapalhe o aprendizado
atual.
 Contudo, não é um apagamento total: muitas lembranças ressurgem
como:
o Intuições,
o Atrações ou repulsas,
16
o Medos e aptidões inexplicáveis.
Nem sempre corpo e mente estão em plena harmonia
 O Espírito não recebe sempre um corpo perfeito. Muitas vezes, o novo
corpo:
o Apresenta deficiências físicas ou mentais,
o Traz mutilações ou enfermidades “benéficas” (úteis ao
progresso),
o Impõe inibições ou obstáculos, planejados previamente.
Essas limitações não são castigos, mas recursos educativos para o Espírito
que precisa superar o orgulho, desenvolver a paciência, a humildade, ou
aprender a valorizar a vida e os outros.
Situações:
• Reencarnações assistidas: Alguns espíritos recebem ajuda direta
de mentores espirituais.
• Maioria inconsciente: A maioria dos reencarnantes não tem
consciência do processo, sendo "magnetizados" por benfeitores
espirituais.
De qualquer forma, porém, a Misericórdia Divina propicia, em todas as
situações, a supervisão espiritual superior.
"A modelagem fetal e o desenvolvimento do embrião obedecem a leis
físicas naturais, qual ocorre na organização de formas em outros reinos da
Natureza, mas, em todos os fenômenos, os ascendentes de cooperação
espiritual coexistem com as leis, de acordo com os planos de evolução ou
resgate.” (Missionários da Luz, pág. 215)
Missão ou resgate? Depende do histórico espiritual:
Corpos saudáveis podem ser oportunidades de serviço.
Corpos enfermos podem ser lições de reparação ou provas a serem
superadas.
Nada é permanente: Cada existência física é um novo capítulo na jornada
rumo à "Imortalidade Celeste".
Finalidade maior: ascensão espiritual
Todo esse processo (da concepção do corpo físico ao retorno à vida
material) tem um fim sublime: ajudar o Espírito a:
 Progredir de tarefa em tarefa,
 Aprender com os erros,
 Alcançar a Imortalidade Celeste, ou seja, a libertação espiritual
definitiva.
Reencarnação de Segismundo
17
Missionários da luz – Capítulo 13
André Luiz se sente feliz e emocionado quando Alexandre convida para
visitar em sua companhia o ambiente doméstico de Adelino e Raquel, onde
se processaria a reencarnação de Segismundo.
Era fascinado pelas leis biogenéticas e até então não tivera conhecimento
direto com o fenômeno reencarnacionista.
Ainda não acompanhara de mais perto, o processo de imersão da entidade
desencarnada no campo da matéria densa.
PERSONAGENS:
• ANDRÉ LUIZ (d) – É o Autor Espiritual. Desvenda os segredos da
reencarnação revelando a tarefa dos Espíritos missionários
encarregados do processo de renascimento.
• ALEXANDRE (d) – Instrutor - Espírito de "elevadas funções" no
"Nosso Lar". Está presente em todos os capítulos do livro
"Missionários da Luz”. Tem profunda sabedoria e bondade.
• SEGISMUNDO (d) – Preparando-se para reencarnar (em processo
normal)
• ADELINO e RAQUEL (e) – Serão pais de Segismundo, que em vida
passada, prejudicou-os
• HERCULANO (d) – Espírito elevado (será o mentor de Segismundo)
• JOÃOZINHO (e) – Primeiro filho de Adelino e Raquel
Esquema-resumo:
Elemento Função espiritual
Paternidade, pátria, lar Moldam o ambiente e as provas a enfrentar
Corpo físico novo Instrumento de trabalho e aprendizagem
Tendências e impulsos Resultado das experiências passadas
Esquecimento parcial do
passado
Evita conflitos e permite foco na vida
presente
Doenças e limitações físicas
Mecanismos de reajuste e desenvolvimento
moral
Objetivo final
Superar as provas e ascender rumo à
perfeição espiritual
Vídeo: A reencarnação de Segismundo (proposta / planejada)
https://www.youtube.com/watch?v=4QYVPG5d7bs&t=1802s
18
Exemplo de reencarnação comum
https://www.youtube.com/watch?v=u3Y27y9blfs
19
167 – Qual é o objetivo da reencarnação?
Expiação, aprimoramento progressivo da Humanidade, sem o que, onde
estaria a justiça?
COMENTÁRIOS:
Rever Questão 115
O aprimoramento progressivo do Espírito. Evolução, aprendizado,
crescimento moral, intelectual, ético.
Expiação – Processo de depuração das nossas faltas anteriores, dos nossos
resgates. É através da expiação que resgatamos os equívocos do passado,
adquire novas experiências, progride e evolui.
O conhecimento que a natureza, a ciência e as leis divinas podem nos
proporcionar é tão vasto e para compreender tantas áreas é preciso se tornar
um ser uno, detentor de todas as grandezas que Deus nos oferece, mas não
onisciente, o que é impossível ocorrer em apenas uma existência. Dessa
forma, a reencarnação nos proporciona o crescimento.
Quando chegarmos no nível de Espíritos evoluídos (angelicais) estaremos
atuando muito em prol da humanidade (terrena e de outros orbes).
Ao conhecer o processo de evolução, a gente não quer perder mais tempo
com coisas banais e pequenas, jogando o estudo fora, com rebeldias, com
“vantagens”, com faz de conta. A gente procura fazer as coisas corretamente
a fim de crescer e auxiliar o próximo. Procura agir com a consciência, usando
a inteligência para o bem de todos. O próprio conhecimento freia o
comportamento de todos aqueles que vem cometendo equívocos.
Se não encontramos justificativas para os nossos sofrimentos ou por nossas
habilidades nesta existência corpórea, busquemos nas passadas, pois
somos amparados pela lei de causa e efeito. É buscar a compreensão, o
entendimento através dos estudos.
A reencarnação é um instrumento divino que nos permite resgatar os
débitos, superar as faltas cometidas no passado e nos permite aprender
sempre.
Reencarnação é um processo de despertamento da alma. As vidas sucessivas são
escolas em todos os reinos da natureza. É, pois, uma depuração constante em rumos
variáveis. Ela é uma das leis de Deus, e se encontra fixada na eternidade para ajudar
seus filhos a compreenderem a si mesmos, a serem obedientes aos programas do Todo
Poderoso.
20
168 – O número de existências corporais é limitado, ou o Espírito se
reencarna perpetuamente?
A cada nova existência, o Espírito dá um passo para diante no caminho do
progresso. Quando se despojou de todas as suas impurezas, não tem mais
necessidade das provas da vida corporal.
COMENTÁRIOS:
Estamos na Terra com a vida corporal objetivando o progresso, a evolução.
A reencarnação não é infinita.
Não há um número determinado de reencarnações, pois a reencarnação é
um instrumento de aprendizado, um instrumento de evolução. Deus nos
concede tantas chances quanto forem necessárias. Alguns se lapidam mais
rapidamente, outros demoram mais. E daí como cada ser progride no seu
tempo, conforme o seu curso de aprendizado dentro do livre arbítrio, cada
um seguirá sua trajetória individualmente.
O estágio reencarnatório não se limita ao nosso planeta, há as
reencarnações em planetas mais evoluídos que o nosso. Então não tem
como mensurar os números de reencarnações mínimos ou máximos. Deus
em sua bondade infinita, nos fornecesse todas as oportunidades necessárias
para o nosso burilamento.
Quando chegarmos na condição de Espírito puro, angélico, não
precisaremos mais reencarnar. O que tínhamos que aprender na vida
material, já teríamos feito. Então continuaremos nosso processo evolutivo
vivendo apenas a vida de Espírito. Até lá continuaremos reencarnando em
muitas vezes, mas não infinito.
Em cada nova reencarnação, renova-se a oportunidade do nosso progresso.
Devemos aproveitar bem a reencarnação que temos, sempre buscando
aprender, moldar as atitudes, renovar os pensamentos e as emoções,
vivenciar as leis de Deus através dos ensinamentos que Jesus nos deixou.
169 – O número de encarnações é o mesmo para todos os Espíritos?
Não, aquele que caminha depressa se poupa das provas. Todavia, as
encarnações sucessivas são sempre muito numerosas porque o progresso é
quase infinito.
COMENTÁRIOS:
21
A necessidade da reencarnação não se limita ao nosso planeta Terra.
Vivemos em um planeta de provas e expiações e sabemos que há muito
mais planetas, mais evoluídos que o nosso tanto intelectual, quanto
moralmente e, menos evoluídos também.
Vencidas as nossas necessidades neste planeta, podemos alçar voos para
planetas mais evoluídos para vencer a nossa caminhada.
Não é possível identificar o número de reencarnações necessárias para cada
Espírito. Elas são inúmeras e nem de perto temos como fornecer um número
qualquer.
Evolução em dois mundos – Jornada Espírita na Evolução, desde a mônada
até a razão para entrar o reino animal. Essa etapa do reino mineral ao reino
animal abrange cerca de 1,5 bilhão de anos do tempo daqui do nosso
planeta. Essa jornada é direcionada, pois não havia razão e sim somente um
condicionamento.
Cada um vai traçando seu próprio caminho conforme o livre-arbítrio. Uns vão
precisar de mais tempo, outros vão precisar de menos tempo.
Uns caminharão mais rapidamente, outros caminharão mais lentamente e a
todos Deus vai fornecendo as condições e o tempo necessário para se
encontrarem nesse processo de aprendizado, de crescimento.
Aqueles que avançam mais rápido, costumam olhar para trás e buscar
auxiliar aqueles que ama a progredir. Os vínculos afetivos continuam. Não
faz sentido caminhar adiante deixando os entes queridos para trás. Ninguém
é feliz sozinho.
A cada um segundo as suas obras
Ex: Bezerra de Menezes
170 – Em que se transforma o Espírito depois da sua última
encarnação?
Espírito bem-aventurado; é um Espírito puro.
COMENTÁRIOS:
Continua sendo Espírito, o ser criado por Deus para ser feliz.
Continua mantendo a sua individualidade, trabalhando e crescendo porque o
progresso é da natureza divina. Está em todos os espaços e em todos os
momentos da criação.
Aquele que vai adiante, na retaguarda, segue nos auxiliando. Sem a
necessidade de reencarnar, mas voltam vez ou outra para nos auxiliar, como
22
Francisco de Assis, João Evangelista, Madre Tereza, Bezerra de Menezes,
Chico Xavier. Eles vêm para nos mostrar que em meio às adversidades que
vivemos, é possível vivenciar o Evangelho de Jesus, é possível amar. Eles
vêm como exemplo para nos dar a mão e nos resgatar para um mundo
melhor, para impulsionar a nossa evolução.
São Espíritos que já venceram a lei da reencarnação em relação ao nosso
planeta. Terão outras reencarnações, mas em planetas mais evoluídos que o
nosso. Foge da nossa compreensão: as necessidades, o que vão aprender,
qual é esse amor maior.
Ex: Jesus, filho de Deus, nosso irmão, criado nas mesmas circunstâncias
que nós, mas que já se tornou puro. Deus lhe deu a missão de nos conduzir.
Ele teve que encarnar para nos fornecer através dos exemplos práticos (aula
prática).
Uma coisa é certa: vamos trabalhar. Teremos muito mais o que fazer, do que
temos por aqui. Não existe o descanso eterno.
Vamos nos preocupar com o presente, pois o futuro é consequência do
momento atual.
23
Reflexão sobre a Reencarnação: O Milagre Silencioso da Volta à Vida
Em meio ao silêncio que antecede o berço, realiza-se um dos mais sublimes
milagres do universo: a reencarnação. Não é obra do acaso. É fruto de um
trabalho grandioso, realizado nos bastidores da vida, por mãos amorosas e
justas, sob a condução perfeita da Sabedoria Divina.
Antes de retornarmos ao corpo físico, somos envolvidos por equipes
espirituais que nos conhecem profundamente — conhecem nossas dores,
nossos anseios, nossos erros e nossas conquistas. Em oficinas de luz, com
ciência e amor, esculpem-se os contornos do corpo que vestiremos; ajustam-
se limites que curam, oportunidades que educam, vínculos que redimem.
Enquanto isso, a Lei da Hereditariedade tece com exatidão os fios da
genética, guiada por forças superiores que nos unem aos corações certos,
nos lares certos, nas nações certas. Nada é por acaso. Tudo é providência.
E então, ao nascer, esquecemos temporariamente o passado, não como
castigo, mas como bênção — para recomeçar, amar de novo, reconstruir
com mais sabedoria. O esquecimento é o véu que protege o aprendizado. A
vida é a lousa limpa para escrevermos nova história.
Mas, quantas vezes ignoramos esse dom imenso?
Quantas vezes desperdiçamos a chance de crescer, de amar, de servir, por
nos perdermos em queixas, vícios e ilusões?
Estar na Terra, com um corpo, uma família, um tempo e uma missão, é uma
dádiva sagrada.
Há um investimento imenso do Céu em cada um de nós. Somos frutos do
amor e da justiça divina, e nos cabe honrar essa confiança.
Aproveitemos, pois, cada dia como uma página preciosa de nosso livro
eterno.
Que a consciência da reencarnação nos desperte para a gratidão, para o
esforço sincero de melhorar, e para o compromisso de sermos instrumentos
da luz onde estivermos.
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Passagens Bíblicas Relacionadas a Reencarnação
🔁 1. João Batista como Elias reencarnado
Mateus 17:10-13
“Os discípulos perguntaram: ‘Por que dizem os escribas que é necessário
que Elias venha primeiro?’ Jesus respondeu: ‘De fato, Elias virá e restaurará
todas as coisas. Eu, porém, vos digo que Elias já veio, e não o
reconheceram...’ Então os discípulos entenderam que Ele lhes falava a
respeito de João Batista.”
👉 Interpretação espiritualista: Jesus confirma que João Batista é a
reencarnação do profeta Elias.
🧠 2. O cego de nascença – João 9:1-3
“E, passando Jesus, viu um homem cego de nascença. E os seus discípulos
lhe perguntaram: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse
cego?”
👉 Essa pergunta sugere a ideia de pré-existência da alma, pois como
poderia o homem ter pecado antes de nascer, se não tivesse vivido antes?
✨ 3. A ressurreição em novo corpo – Paulo
1 Coríntios 15:35-38
“Mas alguém dirá: Como ressuscitam os mortos? E com que corpo virão?
Insensato! O que tu semeias não é vivificado, se primeiro não morrer... Deus
lhe dá o corpo como quer.”
👉 Interpretação reencarnacionista: Paulo está falando de uma mudança de
corpo espiritual, ou seja, uma nova encarnação — não da ressurreição do
mesmo corpo físico.
👼 4. A multiplicidade de moradas
João 14:2
“Na casa de meu Pai há muitas moradas.”
👉 Interpretação espiritualista: Jesus pode estar se referindo aos diferentes
planos da vida espiritual e também à pluralidade de experiências da alma
— inclusive em diferentes corpos e mundos.
5. Nascimento de novo – Diálogo com Nicodemos
🪞
25
João 3:3-7
“Em verdade, em verdade te digo que ninguém pode ver o Reino de Deus se
não nascer de novo.” [...] “O que é nascido da carne é carne, e o que é
nascido do Espírito é espírito.”
👉 Jesus fala de um “renascimento” não apenas simbólico, mas espiritual —
que o Espiritismo interpreta como a reencarnação necessária à evolução
da alma.
📚 Outras menções e interpretações:
 Eclesiastes 1:9-11 – Fala da repetição dos ciclos da vida.
 Hebreus 11:35 – Cita pessoas que "esperavam uma melhor
ressurreição", indicando uma continuidade da existência.
 Apocalipse 3:12 – Fala de um retorno à Terra.
26
4.2 – JUSTIÇA DA REENCARNAÇÃO
171 – Sobre o que está baseado o dogma da reencarnação?
Sobre a justiça de Deus e a revelação, pois, repetimos sempre: Um bom pai
deixa sempre aos seus filhos uma porta aberta ao arrependimento. Não lhe
diz a razão que seria injusto privar para sempre, da felicidade eterna, todos
aqueles cujo progresso não dependeu deles mesmos? Não são todos os
homens filhos de Deus? Somente entre os egoístas se encontram a
iniquidade, o ódio implacável e os castigos sem perdão.
Allan Kardec:
Todos os Espíritos tendem à perfeição e Deus lhes fornece os meios
pelas provas da vida corpórea; mas, em sua justiça, lhes faculta
realizar, em novas existências, o que não puderam fazer ou concluir
numa primeira prova.
Não estaria de acordo com a equidade, nem com a bondade de Deus,
castigar para sempre aqueles que encontraram obstáculos ao seu
progresso, independentemente da sua vontade, no próprio meio onde
foram colocados. Se o destino do homem está irrevogavelmente fixado
após a sua morte, Deus não teria pesado as ações de todos na mesma
balança, e não os teria tratado com imparcialidade.
A doutrina da reencarnação, isto é, aquela que admite para o homem
várias existências sucessivas, é a única que responde à ideia que
fazemos da justiça de Deus em relação aos homens colocados em uma
condição moral inferior, a única que nos explica o futuro e fundamenta
nossas esperanças, pois que nos oferece o meio de resgatar nossos
erros através de novas provas. A razão indica essa doutrina e os
Espíritos no-la ensinam.
O homem, consciente da sua inferioridade, tem, na doutrina da
reencarnação, uma esperança consoladora. Se acredita na justiça de
Deus, não pode esperar, por toda a eternidade, estar em pé de
igualdade com aqueles que agiram melhor do que ele. O pensamento de
que essa inferioridade não o deserdará para sempre do bem supremo, e
que ele poderá superá-la por meio de novos esforços, o sustenta e lhe
reanima a coragem. Qual é aquele que, no fim do seu caminho, não
lamenta ter adquirido muito tarde uma experiência que não pode mais
aproveitar? Essa experiência tardia não ficará perdida; ele a aproveitará
numa nova existência.
27
LIVRO SEGUNDO: MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS
Capítulo IV: Pluralidade das Existências
COMENTÁRIOS:
Termo dogma: (Questões: 171 – 222 – 1010)
- Termo de origem grega – o que se pensa é verdade (crença ou convicção)
- Ponto fundamental de uma doutrina religiosa apresentado como certo e
indiscutível;
O dogma da reencarnação é discutível para levar o entendimento, o
esclarecimento a quem ainda não compreende. Se vai aceitar ou não, não
vem o caso.
Agora entre espíritas é indiscutível. Se a pessoa diz espírita e não acredita
na reencarnação, não pode dizer espírita.
CAPÍTULO II – MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO (Evangelho Seg. Espiritismo)
A vida futura
2. Por essas palavras, Jesus claramente se refere à vida futura, que Ele apresenta, em
todas as circunstâncias, como a meta que a Humanidade irá ter e como devendo
constituir objeto das maiores preocupações do homem na Terra. Todas as suas máximas
se reportam a esse grande princípio. Com efeito, sem a vida futura, nenhuma razão de
ser teria a maior parte dos seus preceitos morais, donde vem que os que não creem na
vida futura, imaginando que Ele apenas falava na vida presente, não os compreendem, ou
os consideram pueris.
Esse dogma pode, portanto, ser tido como o eixo do ensino do Cristo, pelo que foi
colocado num dos primeiros lugares à frente desta obra. É que ele tem de ser o ponto de
mira de todos os homens; só ele justifica as anomalias da vida terrena e se mostra de
acordo com a Justiça de Deus.
Em que está baseada a certeza da reencarnação:
- Na justiça divina
- Na bondade divina
Todos nós sabemos que entre os atributos de Deus estão a infinita justiça e
a infinita bondade.
Q.13 – Deus é eterno, infinito, imutável, imaterial, único, todo-poderoso, soberanamente
justo e bom
Infinita justiça – como podemos explicá-la diante das diversidades da vida.
As inúmeras diferenças que encontramos ao nascer: uns nascem
inteligentes, outros ainda presos na ignorância do conhecimento, uns
nascem ricos, outros pobres, uns nascem saudáveis, outros portam
problemas físicos ou mentais, nascem em famílias equilibradas, outros em
famílias violentas. As mortes prematuras, as doenças, as doenças infantis.
28
Tantas diferenças ao nascer que não seriam justificadas se o Espírito fora
criado no momento da concepção ou do nascimento, se não trouxera já um
passado construído por ele próprio como é colocada pela doutrina da
reencarnação que fomos criados simples e ignorantes e estamos todos em
evolução, rumo a felicidade eterna, o que é possível através das várias
reencarnações.
Quando as diferenças se apresentam em um novo nascimento, elas são
frutos das nossas necessidades específicas, de acordo com a história que
construímos para nós mesmos. De acordo com os débitos contraídos com o
prejuízo a outros ou então através dos créditos que conseguimos conquistar.
Apenas a reencarnação é capaz de explicar a justiça de Deus considerando
as grandes diferenças que existem entre nós logo ao nascer.
Infinita bondade – um pai seria todo bondade permitindo que seu filho por
mais errado que fosse, pereça eternamente no fogo do inferno? Sem ter
oportunidade de redimir suas faltas? De buscar se melhorar? Realmente isso
não pode se conceber.
A reencarnação é necessária porque através da razão possamos explicar a
justiça de Deus e a bondade de Deus.
É a razão que nos mostra a realidade da reencarnação do Espírito.
- Jesus e Nicodemos.
Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará. (Ignorância)
Pai, perdoa. Eles não sabem o que fazem. (Ignorância)
- Através do estudo se liberta da ignorância.
- Corrigir os nossos erros para não levar débitos para a próxima
reencarnação
Parábola dos talentos
Seja melhor hoje do que foi ontem.
Muda agora, não perca tempo.
Faça uma viagem interior, faça um balanço dos pensamentos, dos
sentimentos, verifique onde está errando, onde deve melhorar.
Diga que ama a quem você ama. Não deixe para dizer depois.
Pede perdão.
Engula o egoísmo, o orgulho.
Se solte e se torne leve.
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Reflexão: A Dádiva da Reencarnação e a Sabedoria Divina
"A vida não é um acaso, mas uma obra-prima de amor e justiça.
Cada respiro que damos, cada desafio que enfrentamos e cada lágrima que
derramamos são partes de um sagrado projeto de aperfeiçoamento. A
reencarnação não é um castigo, mas uma misericórdia sem limites – a
chance de recomeçar, corrigir, aprender e, sobretudo, amar mais.
Deus, em Sua perfeição, não nos condena aos erros do passado, mas tece,
com fios de luz e sombra, o caminho que nos levará de volta a Ele. O corpo
que hoje carregamos, a família que nos cerca, as dores que nos moldam –
tudo foi cuidadosamente ajustado por mãos divinas para que nossa alma
encontre, nesta existência, exatamente o que precisa para se elevar.
E, no entanto, quantas vezes desperdiçamos essa dádiva?
 Reclamamos da vida, mas esquecemos que fomos nós quem a
planejamos.
 Fugimos das provas, ignorando que são escadas para a luz.
 Buscamos felicidade em coisas passageiras, quando a verdadeira
alegria está em servir, amar e crescer.
Hoje é um novo dia no grande teatro da evolução.
 Se seu corpo tem limitações, elas são lições disfarçadas de
obstáculos.
 Se sua alma carrega dores, elas são sementes de futura sabedoria.
 Se o mundo parece injusto, lembre-se: a Justiça Divina nunca erra,
apenas enxerga além do que nossos olhos podem ver.
Não desperdice sua encarnação.
Aproveite cada instante para:
 Amar mais do que pedem.
 Perdoar mais do que é justo.
 Trabalhar como quem edifica para a eternidade.
Pois, quando esta vida chegar ao fim, só levaremos conosco o bem que
fizemos e a luz que acumulamos. O resto – as mágoas, o orgulho, o
egoísmo – ficará para trás, como cascas vazias de uma jornada superada.
Que possamos, enfim, honrar este dom sagrado: a oportunidade de
renascer, recomeçar e nos aproximar, passo a passo, da Fonte de todo
Amor.
"A reencarnação é a prova de que Deus nunca desiste de nós."
30
Esta passagem aborda o dogma da reencarnação como um pilar da justiça
divina, combinando razão, equidade e bondade de Deus.
1. A Base da Reencarnação: Justiça e Misericórdia Divina
 "Um bom pai deixa sempre aos seus filhos uma porta aberta ao
arrependimento":
Kardec usa uma analogia familiar para destacar que Deus, como Pai
amoroso, não condena irrevogavelmente seus filhos. A reencarnação é
essa "porta aberta" para corrigir erros e evoluir.
 Progresso não depende só do indivíduo:
Muitas pessoas nascem em condições desfavoráveis (pobreza,
ignorância, más influências). Seria injusto puni-las eternamente por
algo que não tiveram pleno controle.
 Crítica ao castigo eterno:
Kardec contrasta a reencarnação com o dogma cristão do inferno
perpétuo, que considera incompatível com a bondade de Deus.
2. A Reencarnação como Mecanismo de Justiça
 Novas chances:
Espíritos imperfeitos têm múltiplas vidas para aprender. O que não foi
conquistado em uma existência pode ser alcançado em outra.
 Equidade divina:
Se o destino fosse definido em uma única vida, Deus seria parcial —
pois alguns têm mais oportunidades que outros. A
reencarnação nivela essas diferenças ao longo do tempo.
 Razão + Revelação:
Kardec afirma que a reencarnação não é só uma crença espiritual,
mas racional. Ela explica:
o Por que há desigualdades iniciais entre os homens.
o Como Deus dá a todos os mesmos direitos ao progresso.
3. A Esperança na Reencarnação
 Consolo para os "atrasados":
Quem falha em uma vida não está perdido. A ideia de que
pode recomeçar alivia o desespero e incentiva o melhoramento.
 Experiência não perdida:
31
Kardec menciona o arrependimento tardio ("experiência adquirida
demasiado tarde"). Na visão espírita, esse aprendizado será útil em
uma próxima encarnação.
 Igualdade possível:
Ninguém é excluído para sempre da felicidade. Até o pior criminoso
pode se redimir através de novas provas.
4. Contrastes com Outras Doutrinas
 Vs. Cristianismo tradicional:
Rejeita a ideia de "céu/inferno eternos". Para o espiritismo, não há
condenação sem volta.
 Vs. Materialismo:
Explica a desigualdade humana sem atribuí-la ao acaso ou injustiça
divina.
Conclusão (Kardec)
A reencarnação é:
1. Justa: Trata todos com igualdade ao longo do tempo.
2. Racional: Responde a questões que outras doutrinas não solucionam.
3. Consoladora: Oferece esperança de progresso contínuo.
"A doutrina da reencarnação é a única que corresponde à justiça de Deus."
32
4.3 – ENCARNAÇÃO NOS DIFERENTES MUNDOS
172 – Nossas diferentes existências corporais se passam todas sobre a
Terra?
Não, não todas, mas nos diferentes mundos; a que passamos neste globo
não é a primeira, nem a última e é uma das mais materiais e das mais
distanciadas da perfeição.
COMENTÁRIOS:
Ú Passar para a próxima tela. aNa casa de meu Pai há muitas moradas
Na casa de meu Pai há muitas moradas.
Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim.
Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou
preparar-vos lugar.
E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo,
para que onde eu estiver estejais vós também. João 14:1-3
ESE – Cap. III
 Casa do Pai = O Universo – muito vasto (infinito), cheio de moradas.
 Moradas = São os planetas e estados vibratórios — adaptados ao
grau evolutivo dos Espíritos. Os diferentes mundos são onde os
Espíritos encarnam, conforme seu grau de evolução (LE 172).
Essa afirmação é central tanto para o entendimento do pluralismo dos
mundos habitados, quanto da pluralidade das existências
(reencarnações sucessivas).
Pluralidade dos Mundos (Questões 55 a 58 – O Livro dos Espíritos)
• Todos os globos do Universo são habitados por seres vivos.
• Acreditar que só a Terra abriga vida é fruto de orgulho e ignorância.
• Cada mundo tem uma constituição física própria, diferente da Terra.
• Os seres que os habitam são adaptados ao meio em que vivem, assim como os
peixes à água e as aves ao ar.
Todos os globos do Universo são habitados por seres vivos.
Explicação: Deus não criou o Universo apenas para ornamentar o céu da
Terra. Todos os mundos têm uma função útil e são moradas para diferentes
33
LIVRO SEGUNDO: MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS
Capítulo IV: Pluralidade das Existências
categorias de Espíritos, em estágios diversos de evolução. Cada globo, do
menor ao maior, visível ou invisível, é parte do grande lar universal.
“Deus povoou os mundos de seres vivos. A vida está em toda parte.”
Acreditar que só a Terra abriga vida é fruto de orgulho e ignorância.
Explicação: Essa ideia limitada parte da falsa suposição de que nós somos
o centro da criação. O orgulho humano tende a achar que somente aqui
existe inteligência ou progresso. Mas, na verdade, a Terra não é nem o mais
adiantado nem o mais atrasado dos mundos. O universo é imenso e cheio de
vida em diversas formas e estágios.
A doutrina espírita é clara: “Deus não pode ter criado esses milhões de
mundos somente para o nosso prazer de vê-los.”
Cada mundo tem uma constituição física própria, diferente da Terra.
Explicação: Os mundos têm leis físicas, atmosferas, densidades e formas
de matéria diferentes das que conhecemos. Assim como na Terra temos
desertos, oceanos e florestas – cada um com condições distintas – o mesmo
ocorre em escala cósmica: a matéria não é uniforme em todo o Universo.
Em mundos mais elevados, a matéria é mais sutil, menos densa, e os corpos
dos habitantes são mais etéreos.
Os seres que os habitam são adaptados ao meio em que vivem, assim
como os peixes à água e as aves ao ar.”
Explicação: A lei de adaptação se aplica a todo o Universo. Assim como o
corpo físico do homem é adequado às condições terrestres, os habitantes de
outros mundos têm corpos e organizações próprias ao ambiente em que
vivem. Isso mostra a sabedoria e justiça divinas, que fornecem os meios
ideais para cada Espírito progredir conforme seu nível evolutivo.
34
Classificação dos Mundos Habitados
1. Mundos Primitivos
 São os primeiros estágios da encarnação da alma.
 Habitantes rudimentares, com instintos predominantes e pouca
inteligência.
 Ainda não desenvolveram a moralidade, a justiça e a sensibilidade.
 Lembram as raças selvagens da Terra.
 São comparáveis a crianças espirituais, não almas más, mas em
crescimento.
2. Mundos de Expiações e Provas
 A Terra é um exemplo típico.
 Misturam-se Espíritos em diferentes graus de progresso.
 Prevalecem as dores, injustiças, doenças, guerras e dificuldades
morais.
 Serve como escola e hospital espiritual.
 Muitos Espíritos vêm de outros orbes, em expiação, degredados por
sua rebeldia em mundos mais adiantados.
 Esses Espíritos, apesar de inteligentes, sofrem mais pelas provas
morais e pela sensibilidade maior.
3. Mundos Regeneradores
 São mundos de transição entre os de provas e os felizes.
35
 As almas arrependidas e desejosas de renovação encontram repouso
e esperança.
 Ainda há sofrimento, mas sem o peso da expiação cruel.
 A maldade deliberada já não reina.
 A lei da fraternidade começa a predominar.
 Pode representar o futuro próximo da Terra em sua transição moral.
4. Mundos Felizes
 Ausência de egoísmo, guerras, ódio e ambição.
 Os corpos são mais sutis, quase etéreos; não há doenças nem
deformidades.
 A infância é breve e a morte, serena, sem sofrimento.
 Vigoram a justiça, o amor e a igualdade moral.
 A autoridade é conquistada pelo mérito e exercida com sabedoria.
 As almas são conscientes da vida espiritual e vivem quase em
constante emancipação.
 A vida é longa e harmoniosa.
 O mal não existe mais nesses mundos.
5. Mundos Celestes ou Divinos
 Habitados por Espíritos puros.
 A matéria já não mais os prende.
 Vivem em perfeita comunhão com Deus.
 São destinos finais de longa jornada evolutiva.
A jornada evolutiva deve passar todas essas fases, nos diversos mundos,
pois o processo reencarnatório ocorre em vários planetas, não apenas na
Terra.
Os planetas, os mundos são solidários entre si nesse processo de evolução.
A Terra não será capaz de nos oferecer todo o aprendizado que precisamos,
mas sabemos que os mundos também evoluem. É tanto que o nosso planeta
está em fase de transição.
Se nós enquanto Espíritos estamos avançando mais que a média do planeta,
teremos que partir para outro mundo em busca do nosso progresso
espiritual.
36
Durante a nossa caminhada até a perfeição, vamos reencarnar em vários
mundos conforme a nossa condição evolutiva, iniciando nos mundos
primitivos, passando nos mundos de provas e expiações, depois para o de
regeneração, depois para os felizes e, por fim os celestes.
Se precisarmos, por exemplo, reencarnar em mundos de provas e
expiações, não necessariamente precisa ser a Terra, pois há muitos mundos
nas mesmas condições evolutivas que a Terra (não material/ambiental).
Nós já reencarnamos na Terra e com certeza em outros planetas. Depende
das nossas necessidades, do nosso planejamento reencarnatório. Podemos
ir e voltar.
Ela está em transição passando de mundo de expiação para mundo de
regeneração, onde o amor começa a despontar nos corações das almas, de
sorte que as lições do Mestre serão vividas na sua feição mais pura, mesmo
para aqueles que terão que passar pela dor. Ainda há uma distância entre a
teoria dos conceitos evangélicos com a verdadeira prática. A humanidade
terrestre em geral se encontra muito distante da perfeição, contudo, está a
caminho.
Nem todos os Espíritos que ora estagiam na Terra, tiveram nela as primeiras
reencarnações. Muitos já viveram em outros mundos, dos quais guardaram
muitas experiências, que lhes servem de amparo contra muitos males.
A Terra é um dos mundos atrasados, porém não dos mais atrasados.
 Transformação moral: A reforma íntima é o passaporte para mundos
melhores.
Reflexão final
“O mal não existe nos mundos felizes.”
Esta frase resume o destino final de todas as almas: a paz. O Espiritismo nos
convida a viver desde já como cidadãos do bem, promovendo a fraternidade,
a inteligência com humildade, e o amor universal — como preparação natural
para esse porvir glorioso.
Cabe à Doutrina dos Espíritos fazer reviver na Terra os ensinamentos do
Divino Mestre na sua pureza, para que as almas descubram pelos próprios
esforços, a luz do entendimento, dando início à caminhada de libertação
espiritual.
Considerações Finais
A busca por vida fora da Terra e a descoberta de milhares de exoplanetas
consolidam a hipótese de que a vida pode ser comum no Universo. Isso
reforça a visão espírita de que a casa do Pai tem muitas moradas (João
14:2) e que a pluralidade dos mundos não é apenas uma possibilidade, mas
uma realidade em expansão.
37
A ciência e a espiritualidade caminham, portanto, de forma complementar na
compreensão do Cosmos e da nossa existência nele.
Quando pensamos em 2 trilhões de galáxias, cada uma com centenas de
bilhões de estrelas, e sabemos que muitas (senão a maioria) dessas
estrelas possuem sistemas planetários, a pergunta natural é:
"É possível que só aqui haja vida?"
A vida não está restrita à Terra. A existência de inúmeros mundos habitados
é uma consequência natural da sabedoria e justiça divinas. Entre os pontos
principais:
 Os mundos habitados abrigam espíritos em diferentes estágios evolutivos.
 A Terra é apenas um entre incontáveis planetas, e não o centro do
universo.
 A vida se manifesta de formas variadas, segundo o meio e a evolução
espiritual local.
 A diversidade dos mundos é reflexo da multiplicidade das experiências
evolutivas.
Assim, a ciência e a espiritualidade se encontram: a vastidão do cosmos
torna racional e esperada a pluralidade da vida. A doutrina espírita, ao
reconhecer essa realidade, nos convida à humildade, ao estudo e à
esperança em uma criação que é, em sua essência, infinita em amor e
sabedoria.
38
Quadro-Resumo – Exoplanetas e Sistemas Planetários (Visão Científica)
Aspecto Dados/Estatísticas Atuais (2025)
Galáxias no
Universo
observável
~2 trilhões
Estrelas na Via
Láctea
Estimadas em 100 a 400 bilhões
Exoplanetas
confirmados
Mais de 5.500 até 2025
Estrelas com
planetas
Estima-se que mais de 70% das estrelas tenham planetas orbitando
Planetas
semelhantes à
Terra
Estima-se que 1 em cada 5 estrelas como o Sol tenha um planeta
do tamanho da Terra em zona habitável
Planetas
flutuantes
(órfãos)
Podem existir bilhões a trilhões na galáxia; talvez mais comuns
que estrelas
Métodos de
detecção
Trânsito (Kepler, TESS), Velocidade radial, Microlente gravitacional,
Imagem direta
Sistemas
planetários
diversos
Confirmados sistemas com planetas muito próximos da estrela,
sistemas compactos, gigantes gasosos muito próximos ou muito
distantes (hot Jupiters, cold Neptunes), etc.
Hipóteses
modernas
- Planetas formam-se naturalmente a partir de discos
protoplanetários.- Há mais mundos do que estrelas.- Sistemas
binários ou múltiplos também podem ter planetas.- A vida pode ser
comum em formas microbianas.
Princípio Básico da Pluralidade: A Morada da Criação Divina
A astronomia moderna confirma que há bilhões de estrelas na Via Láctea, e cada uma
pode ter planetas. Até 2025, já foram descobertos mais de 5.000 exoplanetas
confirmados, com bilhões estimados.
Os cientistas afirmam que a formação de planetas é uma consequência natural da
formação estelar. Ou seja, planetas são regra, não exceção.
Atualmente, os cientistas estimam que há milhares de exoplanetas com potencial para
abrigar vida, mesmo que microscópica. Até maio de 2025, mais de 5.500 exoplanetas
foram confirmados, com muitos outros aguardando confirmação. (UNINTER)
Entre esses, destaca-se o exoplaneta K2-18b, localizado a 124 anos-luz da Terra.
Observações recentes com o Telescópio Espacial James Webb detectaram na atmosfera
desse planeta compostos como sulfeto de dimetila (DMS) e dissulfeto de dimetila
(DMDS), que na Terra são produzidos exclusivamente por organismos vivos, como o
fitoplâncton marinho. Embora esses sinais sejam promissores, os cientistas ressaltam que
são necessárias mais pesquisas para confirmar a presença de vida. (Correio Braziliense)
39
Além disso, um novo modelo de inteligência artificial desenvolvido por pesquisadores da
Universidade de Berna identificou 44 sistemas estelares com alta probabilidade de abrigar
planetas semelhantes à Terra em zonas habitáveis. Esses sistemas representam alvos
prioritários para futuras observações na busca por vida extraterrestre. (Exame, Space
Today)
A ciência reforça a base da pluralidade, validando que inúmeros mundos existem.
O Espiritismo, por sua vez, acrescenta: esses mundos são moradas de Espíritos em
diferentes graus de evolução.
A Terra não é o ponto de partida do Espírito. Há muitas moradas na casa do Pai.
Hoje, sabe-se que há planetas rochosos (como a Terra) em zonas habitáveis, com
água em estado líquido como possibilidade real, como ocorre em sistemas como o
TRAPPIST-1 ou Kepler-452.
Além disso, a hipótese dos planetas órfãos (milhões deles vagando sem estrela) amplia
o conceito de moradas transitórias ou diferentes da nossa lógica de vida.
A diversidade de planetas pode refletir a diversidade de estágios espirituais, com mundos
mais primitivos ou mais adiantados, conforme o grau moral e intelectual de seus
habitantes.
Com a descoberta de exoplanetas em zonas habitáveis e a possibilidade de vida em
ambientes extremos, a Terra deixou de ser o “centro privilegiado da criação”.
O conceito do “princípio da mediocridade” (em astrobiologia) propõe que a Terra não é
especial — apenas uma entre trilhões.
A espiritualidade nos convida à humildade cósmica: somos parte de algo vasto, e a vida
física e espiritual se manifesta por toda parte.
Embora a ciência não comprove a vida espiritual, ela abre portas:
 Reconhece a possibilidade de vida não detectável ainda.
 Admite que formas de vida podem escapar aos nossos padrões sensoriais e
tecnológicos.
 Investiga a vida como fenômeno universal, o que abre espaço para novos
paradigmas.
Estrelas e Galáxias
 A Via Láctea possui entre 100 a 400 bilhões de estrelas, segundo estimativas da
NASA e da ESA.
 O universo observável contém aproximadamente 2 trilhões de galáxias, conforme
dados recentes do Telescópio Espacial Hubble (2016).
Exoplanetas e Sistemas Planetários
 Mais de 5.500 exoplanetas já foram confirmados (maio de 2025), sendo que
muitos estão na chamada zona habitável.
 Estima-se que cerca de 1 em cada 5 estrelas semelhantes ao Sol possa ter um
planeta do tamanho da Terra em zona habitável.
 O exoplaneta K2-18b, a 124 anos-luz da Terra, mostrou traços de compostos
orgânicos que, na Terra, são associados à vida biológica (fitoplâncton).
Planetas "órfãos"
40
 Estima-se que existam mais planetas errantes (sem estrela fixa) do que estrelas
na Via Láctea.
 Teoricamente, esses planetas poderiam ser capturados gravitacionalmente por
outras estrelas, incluindo o nosso Sol.
Conexão com "O Livro dos Espíritos"
 A pluralidade dos mundos como uma realidade natural e universal.
 Cada planeta sendo morada de espíritos em diferentes estágios evolutivos.
 A Terra como um mundo de provas e expiações, não sendo dos mais primitivos
nem dos mais adiantados.
 A descoberta de tantos exoplanetas e sistemas planetários sustenta a ideia de que
planetas não são exceção, mas uma etapa comum na formação estelar.
 A variedade dos exoplanetas permite imaginar também diversidade de condições
evolutivas e materiais.
As estimativas mais aceitas atualmente sobre a composição do Universo são:
 Energia escura: cerca de 68%
 Matéria escura: cerca de 27%
 Matéria visível (ou bariônica): cerca de 5%
Esses valores vêm principalmente de observações do fundo cósmico de micro-ondas,
movimentos de galáxias e supernovas distantes, analisados por projetos como o
satélite Planck (ESA) e o WMAP (NASA).
Resumo visual:
Componente
Porcentagem
aproximada
Descrição
Energia
escura
68%
Responsável pela expansão acelerada do Universo.
Sua natureza exata ainda é desconhecida.
Matéria
escura
27%
Invisível, mas detectável pelos efeitos gravitacionais.
Não interage com a luz.
Matéria visível 5%
Tudo o que podemos observar diretamente: estrelas,
planetas, gás, poeira interestelar etc.
Comparação entre Galáxias
Galáxia Tipo
Diâmetro
Aproximado
Número de
Estrelas
Massa Estimada (em
massas solares)
Distância da
Terra
Via Láctea Espiral barrada
100.000 a 200.000
anos-luz
100 a 400
bilhões
~1 a 1,5 trilhão
— (nossa
galáxia)
Andrômeda Espiral ~220.000 anos-luz ~1 trilhão ~0,8 a 1,2 trilhão
~2,5 milhões de
anos-luz
IC 1101
Elíptica
supergigante
Até 6.000.000
anos-luz
Estimado em
trilhões
Até 100 trilhões
(estimativa incerta)
~1 bilhão de
anos-luz
Se o Universo é tão vasto, por que ainda não temos provas diretas de
vida inteligente fora da Terra?
Por Que a Ciência Não Confirma Vida Extraterrestre Inteligente?
41
Apesar de evidências lógicas, como a vastidão do Universo, a ciência oficial
ainda não confirma vida inteligente fora da Terra.
As razões são científicas, culturais e até espirituais:
1. Limitações Tecnológicas Atuais
Distâncias astronômicas:
 A estrela mais próxima (Próxima Centauri) está a 4,2 anos-luz2
de nós.
 Não conseguem captar estruturas muito distantes, devido à imensidão
do espaço, à limitação da luz, e ao tempo que ela leva para chegar até
nós.
 Mesmo sinais de rádio levariam séculos para serem captados por uma
civilização próxima.
Dificuldade de detecção mesmo com nossos melhores telescópios e sondas:
 Telescópios como o James Webb identificam planetas habitáveis, mas
não conseguem ver "obras" ou cidades alienígenas (seria como tentar
enxergar uma formiga na Lua).
 Civilizações avançadas podem usar tecnologias não detectáveis por
nossos instrumentos (ex.: energia baseada em antimatéria,
comunicação telepática).
2. Viés Materialista da Ciência
A ciência exige prova física (material):
 Como a maioria dos cientistas trabalha no paradigma materialista, eles
ignoram ou rejeitam evidências não físicas (como mediunidade,
Espíritos, ou contatos espirituais com seres de outros mundos).
 Algo precisa ser detectado, medido ou reproduzido em laboratório.
 Relatos subjetivos (como experiências mediúnicas ou espirituais) não
são aceitos como prova.
 Uma civilização alienígena só seria "confirmada" se encontrássemos
algo concreto: uma nave pousada, uma mensagem codificada
inequívoca, um esqueleto, uma estrutura tecnológica identificável etc.
Medo do ridículo, fatores psicológicos e culturais:
 Pesquisadores que falam sobre UFOs ou vida extraterrestre são
frequentemente ridicularizados (caso do Projeto Blue Book, da NASA).
 A ciência prefere não arriscar sua credibilidade sem "provas
irrefutáveis".
2
- Velocidade da luz: 300.000 km/s.
42
 O medo do desconhecido, o antropocentrismo (achar que somos o
centro do universo) e a influência das religiões tradicionais contribuem
para a resistência.
 A visão espiritual da vida é muitas vezes ridicularizada ou considerada
“mística” ou “anticientífica”, quando, na verdade, pode oferecer as
chaves que faltam à compreensão integral da realidade.
Somos uma civilização ainda primitiva na escala cósmica:
 A Terra é ainda um mundo de provas e expiações, e nossa
humanidade ainda luta com o egoísmo, a intolerância e o materialismo.
 Nossa ciência, embora avançada tecnologicamente, ainda está limitada
pelo orgulho, pela vaidade e por paradigmas restritivos.
 Isso impede muitos cientistas de aceitarem hipóteses que envolvem
espiritualidade, consciência extrafísica ou inteligência não-humana
superior.
3. Barreiras Evolutivas e Espirituais
Lei de Não Intervenção:
 Espíritos superiores (como os de Capela, citados por André Luiz) não
interferem diretamente em nossa evolução, a menos que
seja necessário (LE 55).
 Civilizações mais avançadas podem evitar contato massivo para não
perturbar nosso livre-arbítrio. Sabem de nossa existência, mas nos
observam à distância, sem interferir (como fazemos com tribos
isoladas).
 Eles não querem contato aberto até que estejamos moralmente
preparados.
 Contato existe, mas é velado, feito por vias mediúnicas, inspirações,
intuições — como os Espíritos superiores fazem conosco.
Diferentes Estados Vibracionais:
 Mundos mais evoluídos têm matéria sutil, invisível aos nossos
instrumentos (LE 181).
 Seres desses planos podem se materializar temporariamente (como
em aparições de UFOs), mas não deixam "provas concretas" por muito
tempo.
4. O Que o Espiritismo Explica?
Há vida em outros mundos (LE 55-58) – inclusive mais inteligente que a
nossa.
Alguns Espíritos já viveram em outros planetas (LE 172-173) e reencarnaram
aqui.
43
Os Espíritos revelam que a pluralidade dos mundos habitados é uma lei
natural, e que os corpos são diferentes conforme a evolução espiritual do
ser.
A ciência um dia comprovará, mas enquanto a humanidade não estiver
pronta, as provas serão sutis.
Conclusão
A falta de confirmação científica não significa ausência de vida extraterrestre,
mas sim:
Nossas limitações tecnológicas.
O ceticismo cultural da ciência.
Não é que os cientistas estejam errados — eles estão apenas limitados aos
seus métodos e percepções.
A vida inteligente em outros mundos — tanto física quanto espiritual — é
uma realidade ampla, coerente com a lógica universal, e será um dia
reconhecida quando a humanidade estiver mais amadurecida moral, ética e
espiritualmente.
Enquanto isso as civilizações superiores respeitam o nosso estágio evolutivo.
Cada um de nós é, sob uma perspectiva cósmica, precioso. Se um humano
discorda de você, deixe-o viver. Em cem bilhões de galáxias, você não vai
achar outro. (Carl Sagan)
O universo é um lugar bem grande. Se é só nós, parece um terrível
desperdício de espaço. (Carl Sagan)
Ausência de evidência não é evidência de ausência. (Carl Sagan)
Para pequenas criaturas como nós, a vastidão é suportável somente através
do amor. (Carl Sagan)
44
173 – A alma, a cada nova existência corporal, passa de um mundo a
outro ou pode viver várias vezes sobre o mesmo globo?
Pode reviver muitas vezes sobre o mesmo globo se não é bastante
avançada para passar para um mundo superior.
173.a) Assim, podemos reaparecer várias vezes sobre a Terra?
Certamente.
173.b) Podemos voltar a ela depois de termos vivido em outros
mundos?
Seguramente; já vivestes em outros mundos e sobre a Terra.
COMENTÁRIOS:
A reencarnação é um instrumento de evolução para o Espírito e ela ocorre
conforme a necessidade de aprendizado e de evolução do Espírito.
Se o Espírito se encontra em um patamar evolutivo que a Terra não ofereça
mais as condições ideais para o seu aperfeiçoamento, certamente deslocará
para outro orbe onde proporcione as condições adequadas para a sua
evolução. Portanto, às vezes a gente reencarna na Terra, às vezes
reencarna em outro mundo, mas o certo é que sempre reencarnaremos
naquele que ofereça as condições ideias para o nosso aprendizado para o
nosso crescimento e para os resgastes dos débitos de outrora.
A alma pode reencarnar várias vezes na Terra. Isso explica por que muitas
pessoas sentem certa afinidade com determinados lugares, épocas ou
culturas. Essas experiências múltiplas no mesmo planeta são necessárias
quando o Espírito ainda não atingiu o grau de progresso moral e intelectual
suficiente para galgar mundos mais elevados.
O Espírito não está limitado a um só planeta. Ele pode viver em diferentes
mundos, de acordo com suas necessidades evolutivas. Pode inclusive
retornar a mundos anteriores (como a Terra), tanto por necessidade quanto
por missão, o que abre um vasto campo para reflexão.
Isso confirma a solidariedade entre os mundos habitados — uma ideia
essencial na cosmologia espírita. Espíritos mais evoluídos podem retornar a
mundos inferiores como missionários, ajudando no progresso coletivo.
45
Acerta-te com teu irmão enquanto estás a caminho com ele.
Há muitas moradas na casa de meu pai.
Todas as moradas que existem são do Pai, portanto, em todas elas vamos
encontrar o bondoso auxílio do Pai.
O Espírito que já venceu suas etapas no planeta Terra e alçou voo para
orbes mais evoluídos, sente a necessidade de retornar para auxiliar seus
irmãos para que estes possam avançar e galgar o estado de felicidade que
ele já alcançou. São os elos que permanecem. É um ato de amor.
Essa questão amplia nossa perspectiva sobre a existência. Nossas origens
espirituais são mais antigas e complexas do que supomos. Isso nos ajuda a
compreender aptidões, tendências e até sentimentos de não pertencimento
ou saudade de "algo que não sabemos nomear", que algumas pessoas
experimentam — talvez uma vaga lembrança de mundos anteriores.
Compreendendo as Leis de Deus, o resultado é o amor.
174 – Voltar a habitar a Terra é uma necessidade?
Não, mas se não progredistes, podereis ir para outro mundo que não seja
melhor, e que pode ser pior.
COMENTÁRIOS:
A Terra é um instrumento da Lei Divina que fornece a condição de vida
exatamente necessária ao nosso aprendizado, conforme o nosso estágio
evolutivo: os familiares, as conquistas, os avanços obtidos, os débitos para
resgatar.
Se estamos aqui é porque é esse o planeta que oferece as melhores
condições para o progresso nesse estágio em que nos encontramos.
Mudaremos de planeta somente quando a necessidade de aprendizado
modificar.
A necessidade que existe é da evolução.
Todas as moradas são compatíveis com as necessidades de cada conjunto
de Espíritos para continuar a evolução. A necessidade de avançar
permanece sempre. Se isso será feito sobre a Terra ou outro ambiente é
uma questão que depende de cada situação.
Enquanto não progredimos continuamos reencarnando no mesmo planeta ou
em outros na mesma condição evolutiva ou ainda piores, como é o caso do
período de transição.
46
Muitas pessoas na Terra serão exiladas para planetas menos evoluídos que
a Terra considerando que continuam voltados para o mal, distanciados da lei
de amor e de caridade, portanto não permanecerão na Terra a fim de não
perturbar os novos rumos do planeta voltados para o bem, para o amor e a
caridade. (Não conseguiram acompanhar o avanço da Terra)
Pessoas que ainda não estão compatíveis com esse nível que a Terra
passará a ter, não poderão permanecer por aqui e irão para planetas menos
evoluídos.
Vamos reencarnar na Terra enquanto tivermos necessidade e se estivermos
em condições para estarmos por aqui, no mesmo nível evolutivo da Terra.
- Se estivermos mais evoluídos que a Terra iremos para um mundo mais
evoluído.
- Se não evoluirmos com a Terra iremos para planetas menos evoluídos.
O que está faltando é sabermos aproveitar as condições que estão à nossa
disposição. (telefone, internet, meios de transporte, conhecimento ,
informação)
Estamos atrasados em relação à evolução técnico-científica à nossa
disposição. Aprimorar os sentimentos de amor.
Os Espíritos que não souberem aproveitar essas oportunidades, certamente
serão encaminhados para uma escola que não tenha todos esses recursos,
como não tínhamos no passado. Aproveitar, utilizar como verdadeiro cristão,
com ética, entre irmãos.
ÚLivro Ação e Reação – Pág. 13.
– Acresce notar que a Terra é vista sob os mais variados ângulos. Para o
astrônomo, é um planeta a gravitar em torno do Sol; para o guerreiro é um
campo de luta em que a geografia se modifica a ponta de baionetas; para o
sociólogo é amplo reduto em que se acomodam raças diversas; mas, para
nós, é valiosa arena de serviço espiritual, assim como um filtro em que a
alma se purifica, pouco a pouco, no curso dos milênios, acendrando
qualidades divinas para a ascensão à glória celeste. Por isso, há que
sustentar a luz do amor e do conhecimento, no seio das trevas, como é
necessário manter o remédio no foco da enfermidade.
175 – Existe alguma vantagem em voltar a habitar sobre a Terra?
Nenhuma vantagem particular, a menos que seja em missão; nesse caso, se
progride aí como em outro mundo.
175.a) Não seria melhor permanecer como Espírito?
47
Não, não; estacionar-se-ia e o que se quer é avançar para Deus.
COMENTÁRIOS:
Questão:
A única vantagem é a de ser útil e contribuir para o avanço dos que aqui
permanecem. Servir o próximo.
Quando o Espírito vem em um planeta mais inferior em missão, sempre
estará evoluindo, além de estar nesse momento se doando ao próximo.
Onde quer que estejamos, em qualquer planeta, seja na Terra ou em outro,
vamos evoluir.
Extraterrestre – ser que vive fora da Terra. Nós somos do Universo. O
Espírito habita onde for necessário habitar. Em qualquer uma das Casas do
Pai, conforme as necessidades e as condições.
Letra A:
O progresso para o Espírito depende da matéria, por razões das condições
que a matéria impõe. Nós que habitamos o planeta através do corpo físico
que nos serve de instrumento para o progresso, temos que trabalhar para
sobreviver: alimentar, vestir, morar, se instruir. Só conseguimos manter as
nossas necessidades através do trabalho. O trabalho nos promove o
crescimento moral e espiritual.
Há determinados aprendizado que só conseguimos efetuar no plano
material.
No plano espiritual continuamos evoluindo em determinados pontos, valores
que precisamos agregar ao nosso Espírito, mas há outros que só a vida
material nos oportuniza.
A necessidade da reencarnação é porque a matéria impõe restrições que
não há na condição de Espírito desencarnado. Essas restrições é que vão
proporcionar as necessidades que vão nos fazer caminhar para o progresso.
As reencarnações são necessárias para o aprendizado do Espírito.
Nós vivenciamos aqui algumas reencarnações de expiação. São aqueles
erros, débitos constituídos no passado e que denotam alguma ignorância.
Vamos passar por algumas dificuldades que vem na forma de sofrimento, de
dor para que possamos aprender.
Condição de desencarnado – aula teórica
Condição de encarnado – aula prática. Testar para ver se tudo o que estudou
foi assimilado, mesmo com as limitações e dificuldades que a matéria
exerce:
48
 Limitação da percepção e da consciência
 Tempo e espaço
 Sujeição às leis biológicas: fome, dor, cansaço, doenças, morte, etc.
 Influência dos instintos e desejos materiais
 Dificuldade de comunicação espiritual, etc.
 Passando por provas deverá se corrigir e desenvolver virtudes, como:
paciência, humildade, compaixão, resiliência, autodomínio, etc.
Reencarnações de provas: já aprendi tudo aquilo que errei na minha
caminhada, mas agora para demonstrar que realmente aprendi, venho nessa
nova reencarnação para provar que de fato aprendi.
Então se ficássemos somente na vida de Espírito estacionaríamos. Nós
fomos criados para avançar sempre, para sermos luzes.
176 – Os Espíritos depois de terem encarnado em outros mundos,
podem encarnar neste sem jamais terem passado por aqui?
Sim, como vós em outros mundos. Todos os mundos são solidários; o que
não se faz num, pode-se fazer noutro.
176.a) Há homens que estão sobre a Terra pela primeira vez?
Há muitos e em diversos graus.
176.b) Pode-se reconhecer, por um sinal qualquer, quando um Espírito
está pela primeira vez na Terra?
Nenhuma utilidade teria isso.
COMENTÁRIOS:
Assim como podemos reencarnar em outros mundos, outros Espíritos que
nunca estiveram na Terra podem vir aqui reencarnar.
Cada orbe (Planeta) gravitando pelo Universo é uma dessas moradas da
casa do Pai. É uma escola bendita que promove o crescimento, a evolução e
a busca da felicidade para tantos Espíritos que ali estão vivenciando a sua
experiência evolutiva.
Porém entre a infinita quantidade de orbes pelo Universo e a grande
diversidade, a humanidade é uma só. Somos todos filhos do mesmo Criador
– Deus, portanto, somos todos irmãos, estando na Terra ou em qualquer
outro planeta/satélite (morada) e estamos em crescimento.
49
O Espírito é um ser que está em evolução e caminha pelos orbes do
Universo por diversos planetas, pois cada planeta oferece condições
específicas, condições especiais e necessárias aos Espíritos que habitam ali
naquele momento.
Não é por acaso que nesse momento nós todos habitamos o planeta Terra.
É porque o nosso atual grau evolutivo, de acordo com as nossas
necessidades de aprendizado e de resgates de débitos que temos é este
planeta que oferece as condições perfeitas para o nosso crescimento.
Quando tivermos necessidade de vivenciarmos outras situações, nós iremos
vivenciar em outra casa planetária.
Todas as moradas da Casa do Pai são escolas abertas para todos nós.
Letras A e B:
Há tanto em níveis menos avançado, como em níveis bem avançados. Há
aqueles que estão aqui em busca de aprendizagem e experiência e aqueles
que além desses itens estão em missão.
Não há nenhuma vantagem em identificar aqueles que estão passando por
aqui pela primeira vez, desde os reptilianos até os pleidianos (Alcione).
O fato de estarmos pela primeira vez ou não em um mundo não faz a menor
diferença. Estaremos sempre no mundo apropriado à nossa condição
evolutiva e qualquer mundo em que estejamos nos oportuniza o progresso.
A questão é: Estamos aproveitando a oportunidade que estamos tendo?
Os mundos são escolas diferentes, porém, ensinando a mesma lição de amor e
movimentando as criaturas para o mesmo conhecimento da verdade. (Miramez)
177 – Para alcançar a perfeição e o bem supremo, objetivo final de
todos os homens, o Espírito deve passar por todos os mundos que
existem no Universo?
Não, pois há muitos mundos que estão no mesmo nível e onde o Espírito
não aprenderia nada de novo.
177.a) Como se explica, nesse caso, a pluralidade de suas existências
sobre um mesmo globo?
Ele pode se encontrar aí cada vez em posições bem diferentes, que são
outras tantas ocasiões de adquirir experiência.
COMENTÁRIOS:
50
Jesus nos ensinou: São muitas as moradas na Casa de meu Pai. (ESE –
Cap. III)
Não é preciso passar por todos os mundos
Cada planeta, cada satélite, cada corpo celeste é uma morada que abriga ali
uma parcela da humanidade, irmãos nossos, filhos do mesmo pai.
Há moradas de matéria mais rarefeita, de matéria mais grosseira. Enfim cada
um oferece uma condição específica para o crescimento, para o
aperfeiçoamento daqueles Espíritos que ali vivenciam as suas experiências.
Diante dessa infinidade de mundos, da grandiosidade da humanidade, não
haja apenas um planeta que ofereça as mesmas condições. Existirá no
Universo muitos outros em condições similares à Terra. Se aprendi aqui na
Terra o que deveria, não há necessidade de passar por mundos similares à
Terra, pois não me acrescentaria nada em relação às experiências.
Ex: Escola (Ensino Fundamental – Não precisa frequentar todas as escolas
que oferecem o Ensino Fundamental))
O Espírito não precisa viver em todos os mundos do universo, porque muitos
deles estão em estágios semelhantes de evolução. Isso mostra que o
aprendizado espiritual não depende da quantidade de mundos visitados, mas
da qualidade das experiências adquiridas.
Ou seja, o progresso está na variedade das provas e missões e não
necessariamente na diversidade dos planetas.
Por que reencarnar várias vezes no mesmo mundo?
Um Espírito vivencia muitas experiências em um só planeta, não tendo
necessidade de passar pelos planetas que estão no mesmo nível. Várias são
as condições que podemos nos deparar somente aqui. Portanto, é
necessário que a gente passe pelo nosso planeta em diversas
reencarnações para conseguir vivenciar tudo aquilo que ele nos proporciona
de aprendizado, por isso vamos passar por várias situações.
Cada encarnação traz uma posição diferente (por exemplo: homem/mulher,
rico/pobre, líder/subalterno, doente/saudável, sábio/ignorante etc.). Essas
experiências variadas ampliam nossa compreensão da vida e fortalecem
virtudes como empatia, humildade, perseverança e amor ao próximo.
Existem vários planetas primitivos, vários de provas e expiação, vários de
regeneração, etc. A razão nos diz que aquele que atingiu o nível de
aprendizado no planeta primitivo, por que teria que passar pelos demais
planetas primitivos? Tem que ir para frente.
Não importa vagar pelos diversos mundos do Universo. O que importa é
aprender, avançar o máximo que puder no mundo em que se encontra. A
perfeição se faz pela qualidade do aprendizado.
51
Uma coisa é para alcançar a perfeição ter que encarnar/reencarnar
passando por todos os mundos – todas as Casas do Pai. A outra é
reencarnar várias vezes no mesmo planeta – na mesma Casa do Pai para
aprimorar a aprendizagem.
A sucessão de reencarnações no mesmo globo é para que o Espírito
aproveite o máximo de possibilidades de aprendizagem disponíveis neste
globo.
Ex: As disciplinas de uma escola.
Isso reafirma a justiça e a pedagogia divina: somos levados a vivenciar todos
os lados das situações humanas para desenvolver compreensão plena e
espírito de justiça. Essa é a essência da lei de causa e efeito aplicada à
evolução moral.
Ex: A Escola (Ensino Fundamental – 1º ano, 2º ano, 3º ano.... É um ano de
cada vez. A gente não aprende tudo e não se aprende tudo de uma vez.)
Essas respostas também mostram que o plano divino não é um jogo de
acúmulo de encarnações ou um turismo espiritual por diferentes mundos,
mas sim uma trajetória inteligente e personalizada. O Espírito progride pela
experiência útil, e não pela multiplicidade de cenários.
178 – Os Espíritos podem reviver corporalmente num mundo
relativamente inferior àquele em que já viveram?
Sim, quando devem cumprir uma missão para ajudar o progresso, e, nesse
caso, aceitam com alegria as tribulações dessa existência, visto que lhes
fornecem um meio de progredir.
178.a) Isso não pode ocorrer por expiação e Deus não pode enviar os
Espíritos rebeldes para mundos inferiores?
Os Espíritos podem permanecer estacionários, mas não retrogradam; a sua
punição, pois, é a de não avançar e de recomeçar as existências mal-
empregadas num meio conveniente à sua natureza.
178.b) Quais são aqueles que devem recomeçar a mesma existência?
Os que faliram em suas missões ou em suas provas.
COMENTÁRIOS:
52
Não há retrocesso na criação divina.
Isso mostra que o amor e o dever assumido pelos Espíritos mais evoluídos
os fazem voluntariamente aceitar encarnar em condições mais difíceis, não
para expiar, mas para servir e crescer ainda mais através do sacrifício e do
trabalho pelo bem alheio.
Os Espíritos até podem reencarnar em um planeta inferior3
para cumprir uma
missão, para atender as necessidades dos irmãos que pode ser coletiva ou
individual.
Ex: Francisco de Assis, Madre Tereza, Bezerra de Menezes, Chico Xavier
Há Espíritos que descem ao planeta como missão em busca de entes
queridos que ficaram na retaguarda.
Ex: Livro Renúncia – Alcione vem em auxílio do seu estimado Pólux. Vem
resgatar e impulsionar aquele Espírito amado para as mesmas conquistas
que ela já atingira.
O planeta Terra em transição seguindo para um planeta regenerador. Como
isso ocorre?
Ex: Sistema de Capela (Constelação do Cocheiro/Auriga) – Os irmãos que
não estavam em condições de acompanhar o avanço do planeta foram
banidos de lá, foram exilados para a Terra (que ainda estava no estágio
primitivo) e vieram auxiliar no progresso da humanidade aqui.
A mesma coisa irá ocorrer nessa fase transitória da Terra.
Eles saíram de lá com dois objetivos:
- Ao sair de lá, possibilitaram a evolução do planeta. Não tinham condições
de permanecer lá. Estavam atrapalhando o avanço do planeta.
- Promover a evolução do planeta de destino (Terra), trazendo todos os
ensinamentos adquiridos lá, no planeta de origem.
Então vieram como missão: Manejar a terra, cultivar produtos, descobrir a
roda, fazer construções, desenvolver e investigar as ciências, etc.
Mesmo sendo rudes tiveram a missão de dar uma arrancada no processo
evolutivo da Terra. E continuou aprendendo.
178. a) Isso reforça o princípio da não-retrogradação da alma: ninguém volta
a ser menos do que já é. Mas, quando um Espírito não aproveita bem suas
oportunidades, ele permanece nos mesmos patamares, ou reencarna em
mundos mais grosseiros (não por regressão, mas porque é o meio
compatível com seu atraso moral).
3
- ESE – Capítulo III
53
Exemplo didático: Pense em um aluno que repete de ano. Ele não
desaprendeu, mas não avançou, então precisa refazer a experiência para
consolidar o aprendizado.
Adão e Eva – perda do paraíso (simbologia) – primeiras civilizações
terrestres.
Analisar o planeta Terra hoje. A natureza bela e estável (abalos sísmicos,
vulcões, vendavais). Todas as conquistas realizadas, praticamente livre da
babárie, todas as invenções e avanços científicos, tecnológicos, sociais e
humanitários. A Terra é um Paraíso.
Ter que retornar para um planeta primitivo! Seria bem difícil. Mas não é
retroagir e sim devido ter estagnado, não avançou como deveria. É uma
expiação.
178.b) Isso não significa repetir literalmente a mesma vida, mas sim passar
por situações semelhantes (por vezes com os mesmos Espíritos, em
contextos parecidos), até aprender as lições necessárias. É um mecanismo
de educação da alma. O Espírito recebe novas chances de reparar, aprender
e desenvolver virtudes.
Alguns Espíritos passam por reencarnações consecutivas em ambientes
semelhantes, para aprender lições que rejeitaram anteriormente.
Os Espíritos explicam que repetem etapas aqueles que:
 Falharam em suas missões (ex.: abandonaram uma tarefa importante).
 Não superaram suas provas (ex.: sucumbiram ao orgulho, ao egoísmo,
à revolta).
Aqueles que não conseguiram passar pelas provas, cumprir suas missões. A
missão de ser um bom pai, uma boa mãe, (todas as funções de uma família),
um bom profissional, suportar um familiar com problemas, passar por
situações difíceis profissionais ou de saúde, enfrentar as adversidades da
vida com tolerância, respeito e amor e crescer em todos os sentidos.
Isso não é um castigo, mas uma nova oportunidade de acertar.
179 – Os seres que habitam cada mundo alcançaram um mesmo grau
de perfeição?
Não, é como ocorre sobre a Terra: existem os mais e os menos avançados.
COMENTÁRIOS:
A diversidade é um instrumento de progresso.
54
Nos mundos, inclusive os mais adiantados, coexistem:
 Espíritos mais evoluídos, que já cultivam virtudes como amor,
tolerância e sabedoria;
 Espíritos em progresso, que estão no esforço de se elevar;
 Espíritos ainda imperfeitos, que precisam de mais experiências e
aprendizado.
As possibilidades de progresso em um mesmo mundo são bem variadas.
Ex: A Terra – Há seres em diferentes estágios de adiantamento moral e
intelectual.
- Há Espíritos mais rudes, ainda com atitudes voltadas para o mal, para a
criminalidade;
- Há Espíritos que tem buscado promover a sua evolução, uma nova ordem
dos sentimentos em seu coração;
- Há aqueles que já conseguem fazer boas realizações no campo da
evolução moral.
Portanto, há Espíritos vivendo nas diversas escala espírita. É assim para que
possamos aprender uns com os outros. Aqueles que vão à nossa frente são
responsáveis por nos fornecer exemplos de boa conduta, de bons
sentimentos, nos auxiliar para a retomada do caminho do qual nos
desviamos lá atrás.
Nós outros que estamos na retaguarda também podemos contribuir com
aqueles que vão na nossa frente: o trabalho que eles têm para nos conduzir
que é evolução e aprendizado para eles, pois podem aprender também
conosco. O bom mestre é aquele que sempre está apto a aprender.
Estamos aqui em diversos graus evolutivos, formando uma só comunidade.
Nenhum é melhor que o outro porque está num patamar evolutivo maior que
o outro.
Essa ideia se aplica claramente ao nosso dia a dia na Terra, como por
exemplo, em uma mesma casa, escola, cidade ou centro espírita convivem
pessoas com diferentes níveis de consciência, caráter, cultura e
sensibilidade moral. Desenvolver o respeito, a compreensão, a empatia, a
indulgência, o perdão.
A evolução é gradual e coletiva, mas individualizada.
Aplicação prática para nossa vida:
 Não julgar os outros: Se alguém age com ignorância ou maldade, pode
ser um Espírito menos experiente (LE 361).
55
 Cultivar paciência e empatia com quem está em outro estágio de
consciência.
 Ajudar quem está atrás: Quem já tem mais consciência deve servir de
exemplo, com bom senso e humildade.
 Reconhecer que ninguém é superior por condição social, mas pelo bem
que realiza.
 Aceitar que, mesmo entre os Espíritas, há graus de compreensão e
prática diferentes, e isso faz parte do processo coletivo de crescimento.
 Ser paciente com nós mesmos: Estamos todos em processo, e
ninguém chega à perfeição de uma só vez.
180 – Passando deste mundo para outro, o Espírito conserva a
inteligência que tinha aqui?
Sem dúvida, a inteligência não se perde, mas ele pode não dispor dos
mesmos meios para manifestá-la, dependendo isso da sua superioridade e
das condições do corpo que tomar. (Ver Influência do organismo).
COMENTÁRIOS:
Tudo aquilo que é conquistado pelo Espírito em termos de aprendizado e
experiências, ele leva consigo.
Não levamos os bens materiais. Esses são conquistas que ficam por aqui
mesmo.
Mas todas as conquistas morais e a bagagem intelectual é patrimônio do
Espírito para sempre, para se manifestar aqui na Terra ou em qualquer outro
orbe.
O Espírito conserva todas as aquisições intelectuais, morais e afetivas feitas
ao longo de sua trajetória.
Muitas vezes, mesmo tendo esse aprendizado, esse patrimônio, essa
inteligência, em determinada reencarnação, seja na Terra ou em outro
planeta, estará impedido de manifestar essa inteligência, ficando em estado
latente. Isso ocorre para benefício do próprio Espírito, para algo que ele
tenha que aprender e desenvolver para o seu crescimento moral e espiritual.
Ex: Os enfermos mentais que não são Espíritos que estão naquela condição.
Se apresentam assim somente nesta reencarnação.
Muitas vezes são Espíritos muito inteligentes que habitam aqueles corpos,
onde a enfermidade impõe limitações. Quando se libertarem desse corpo, no
56
fim dessa reencarnação, estarão usufruindo de todo o seu patrimônio
intelectual e moral que já conquistaram.
Por que isso acontece?
Lembrando que Deus não é vingativo. Existem Leis que Ele criou e se a
gente infringe, a gente entra em desequilíbrio com essas leis. Ocorre a
desarmonia com as leis. O efeito é natural.
O mau uso da inteligência ou das condições que teve em reencarnação
anterior.
Em muitas situações vêm com essas restrições para aprender a viver com
mais humildade, com mais simplicidade, compreendendo a beleza do amor
puro. É necessário que cresça a asa do amor e do intelecto para alçar voos
mais altos.
Jamais devemos julgar, sempre amar.
Dessa forma, a manifestação da inteligência depende do corpo que ele utiliza
Quando o Espírito reencarna, pode:
 reencarnar em um corpo com limitações orgânicas, como no caso de
deficiências;
 encarnar em mundos menos desenvolvidos, onde os corpos são mais
grosseiros, o que dificulta a expressão de suas faculdades superiores;
 ou, ao contrário, reencarnar em mundos mais evoluídos, com corpos
mais sutis, que facilitam a manifestação do pensamento e da
inteligência.
O Livro dos Espíritos: Questões 369 a 372 tratam da influência que o organismo exerce
sobre as faculdades do Espírito encarnado.
Implicações para Nossa Vida:
- Não confundir inteligência com sabedoria:
 Um grande cientista pode ser moralmente atrasado.
 Um analfabeto pode ter profunda sabedoria espiritual.
- Valorizar o aprendizado contínuo: Tudo o que aprendemos fica registrado
no Espírito e será útil em futuras encarnações.
- Compreender as diferenças: Pessoas com deficiências intelectuais não são
"menos evoluídas" – podem ser Espíritos em provas ou missões específicas.
O verdadeiro progresso é o equilíbrio entre intelecto e moralidade.
181 – Os seres que habitam os diferentes mundos têm corpos
semelhantes ao nosso?
57
Sem dúvida, eles têm corpos porque é preciso que o Espírito esteja revestido
de matéria para poder agir sobre a matéria; mas esse envoltório é mais ou
menos material de acordo com o grau de pureza a que chegaram os
Espíritos, e é isso que diferencia os mundos que devemos percorrer. Há
várias moradas na casa de nosso Pai e muitos graus, portanto. Alguns
sabem disso e estão conscientes aqui na Terra; outros nada sabem.
COMENTÁRIOS:
Todos os Espíritos precisam de um corpo (material ou semimaterial) para
interagir com o ambiente onde vivem, mesmo em mundos superiores. Não é
sempre constituído com a matéria que conhecemos, como o nosso, mas
adequado ao grau de densidade daquele mundo;
A densidade desse corpo varia conforme o grau de evolução do mundo e do
Espírito, sendo desde o nosso corpo carnal grosseiro, até envoltórios mais
sutis e luminosos, nos mundos felizes ou celestes.
A Espiritualidade usa o termo “envoltório” — que pode ser entendido como:
 o corpo físico, no plano material;
 o perispírito, nos planos espirituais, cuja densidade também varia com
o progresso moral do Espírito.
Lembremos que o Fluido Cósmico Universal é o princípio material. É a
matéria primária (original) para a formação de todos os corpos deste planeta
que habitamos, dos demais planetas que existem e de toda a matéria
existente no Universo.
Portanto, seja aqui ou em outro planeta, todos os corpos, toda a matéria tem
por base o FCU, mas cada mundo está em um grau evolutivo diferente.
58
As necessidades de aprendizado dos Espíritos em evolução são diferentes,
de acordo com o mundo em que estão habitando. Em cada mundo o corpo
dos seus habitantes tem exatamente o que é necessário para viver naquele
mundo para seguir o processo evolutivo. Em uns a matéria é mais rarefeita,
em outros é mais densa, em outros é muito grosseiro como por aqui ou até
mais. Os nossos ancestrais tinham corpos muito mais grosseiros que os da
atualidade.
Os seres humanos em diferentes mundos possuem corpos semelhantes,
adaptados às condições específicas de cada planeta e ao grau de evolução
dos Espíritos.
A forma é basicamente humana, pois o Espírito utiliza um modelo
organizador comum, ainda que com diferenças de detalhe, como:
 densidade da matéria;
 proporção dos órgãos;
 necessidades físicas;
 capacidades sensoriais e mentais.
Portanto: Existe uma semelhança estrutural (forma humana), mas com
variações segundo o grau evolutivo moral e físico do planeta e do Espírito.
Visitas na Lua e em Marte – Os cientistas dizem que não há vida.
59
Nossos cinco sentidos captam muito pouco da realidade exterior. Se a gente
sabe que conseguimos captar muito pouco do que existe no planeta Terra,
como podemos garantir não há nada além da nossa percepção? Existe sons
que não ouvimos, existem luzes que não enxergamos, obviamente há
realidades que não percebemos por que os nossos sentidos não captam.
Observações Adicionais:
 Perispírito: presente em todos os mundos, mas cada vez mais sutil
conforme o Espírito evolui.
 A inteligência não se perde ao mudar de mundo (ver q. 180), mas pode
encontrar limites de expressão devido ao corpo disponível.
 A reencarnação em mundos inferiores pode ser voluntária (por missão)
ou educativa, mas nunca punitiva no sentido de regressão espiritual
(ver q. 178).
182 – Podemos conhecer com exatidão o estado físico e moral dos
diferentes mundos?
Nós, os Espíritos, só podemos responder de acordo com o grau de
adiantamento em que vos achais; quer dizer que não devemos revelar estas
coisas a todos, porque nem todos estão em condições de compreendê-las, e
isso os perturbaria.
Allan Kardec:
À medida que o Espírito se purifica, o corpo que ele reveste se
aproxima igualmente da natureza espírita. A matéria é menos densa,
não rastejam mais penosamente na superfície do solo, as necessidades
físicas são menos grosseiras e os seres vivos não têm mais
necessidade de se entredevorarem para se nutrir. O Espírito é mais livre
e tem, para as coisas distantes, percepções que nos são
desconhecidas; vê pelos olhos do corpo o que vemos apenas pelo
pensamento.
A purificação dos Espíritos reflete-se na perfeição moral dos seres em
que estão encarnados. As paixões animais enfraquecem e o egoísmo
cede lugar ao sentimento de fraternidade. É assim que, nos mundos
superiores à Terra, as guerras são desconhecidas, os ódios e as
discórdias não têm motivo, visto que ninguém se preocupa em causar
dano ao seu semelhante. A intuição que seus habitantes têm do futuro,
a segurança que lhes dá uma consciência isenta de remorsos, fazem
60
com que a morte não lhes cause nenhuma apreensão; recebem-na sem
medo como uma simples transformação.
A duração da vida nos diferentes mundos parece ser proporcional ao
grau de superioridade física e moral desses mundos; e isto é
perfeitamente racional. Quanto menos o corpo é material, menos está
sujeito às vicissitudes que o desorganizam; quanto mais puro o
Espírito, menos paixões para destruí-lo. É esse um auxílio da
Providência, que deseja abreviar os sofrimentos.
COMENTÁRIOS:
As informações que os Espíritos nos traz são de acordo com o nosso estágio
evolutivo e com a nossa capacidade de compreender. Assim como Jesus
que nos ensinou por parábolas, pois não estávamos preparados para um
conhecimento mais profundo de sua doutrina.
“Aquele que estiver em condições de ouvir, que ouça. Aquele que puder
compreender, que compreenda.” E nós vimos de reencarnação em
reencarnação buscando aprender, estudando, renovando para ter uma
melhor compreensão daqueles ensinamentos que Jesus nos trouxe por
parábolas.
Do mundo espiritual chegam apenas as informações necessárias para o
nosso aprendizado de agora. A Espiritualidade não vai nos adiantar aquilo
que teremos que aprender só lá na frente.
Ex: Um engenheiro estudando o seu curso de engenharia. Se lá nos
primeiros anos de escolaridade fosse ensinada as fórmulas dos cálculos
complexos de engenharia ao invés de alfabetizar, ele não conseguiria
assimilar aqueles conhecimentos.
Quando os Espíritos dizem que não pode nos revelar tudo, não se trata de
mistérios ou de nos negar ensinamentos. É apenas a dosagem didática que
neste momento somos capazes de compreender e que não vai atrapalhar a
nossa evolução. Com o crescimento vamos aprendendo cada vez mais, as
informações vão chegando à medida que amplia a nossa capacidade.
A humanidade da Terra ainda é predominantemente:
 Materialista;
 Apegada a formas exteriores;
 Pouco preparada moralmente para lidar com realidades espirituais
complexas.
Por isso, muitas vezes os Espíritos evitam dar informações absolutas sobre
os mundos superiores, para não gerar:
 Idolatria do desconhecido;
61
 Misticismo irresponsável;
 Sensacionalismo.
Entretanto, à medida que crescemos em discernimento, ética e
espiritualidade, mais verdades nos serão confiadas — inclusive sobre os
mundos habitados, suas leis, e a maravilhosa diversidade de formas de vida
no universo.
Conhecer o estado físico e moral de cada mundo não vai nos fazer crescer
espiritualmente. Nós estamos buscando conhecer o nosso próprio mundo
que ainda não conhecemos.
Não conhecemos o próximo e nem a nós mesmos.
Para que se preocupar com a condição moral do irmão que mora no planeta
distante?
Essa questão nos ensina humildade, paciência e vigilância.
Ela nos convida a buscar o progresso interior, pois quanto mais evoluímos,
mais o véu se levanta diante dos nossos olhos.
Ou, como disse o próprio Cristo:
“Tenho ainda muitas coisas a vos dizer, mas vós não as podeis
suportar agora.” (João 16:12)
Então vamos tentar buscar em nós mesmos aquilo que pode nos servir para
o nosso conhecimento, o conhecimento do próximo para conquistar a nossa
evolução
Comentário de Kardec:
1. Corpo e Matéria: A Purificação Progressiva
"À medida que o Espírito se purifica, o corpo que ele reveste se aproxima
igualmente da natureza espírita. A matéria é menos densa... as
necessidades físicas são menos grosseiras."
 Nos mundos inferiores (como a Terra):
o O corpo físico é denso, sujeito a doenças, envelhecimento e
necessidades primitivas (fome, violência).
o Exemplo: Ainda nos alimentamos de carne (predação), sofremos
com guerras e egoísmo.
 Nos mundos superiores:
o O corpo é mais sutil, sem doenças graves, e as necessidades
são reduzidas (como descreve André Luiz em Nosso Lar).
o Analogia: Comparável à diferença entre um corpo humano e o
perispírito de um Espírito elevado.
62
2. Percepções Ampliadas e Vida nos Mundos Superiores
O Espírito é mais livre e tem, para as coisas distantes, percepções que nos
são desconhecidas... vê pelos olhos do corpo o que vemos apenas pelo
pensamento.
 Na Terra: Nossa visão é limitada pelo cérebro físico; intuição e
mediunidade são faculdades latentes.
 Em mundos elevados:
o Os seres têm visão espiritual ativa (como a clarividência descrita
em Missionários da Luz).
o A comunicação é telepática, e a tecnologia é harmonizada com
as leis morais (sem poluição, guerras, etc.).
Relação com a ciência:
 A física quântica já sugere que a matéria é energia condensada – o
que corrobora a ideia de corpos menos densos em mundos avançados.
3. Moralidade, Paz e Longevidade
Nos mundos superiores à Terra, as guerras são desconhecidas... A duração
da vida é proporcional ao grau de superioridade física e moral.
 Mundos primitivos: Vida curta, violenta (como a Terra na Idade Média).
 Mundos elevados:
o Vida longa: Corpos menos sujeitos a doenças (LE 172).
o Sem guerras: O egoísmo é substituído pela fraternidade (LE
785).
o Morte sem medo: Sabem que é apenas uma transição (LE 155).
4. Implicações para a Humanidade Atual
A Terra está em transição:
 Estamos caminhando para ser um mundo de regeneração (menos
denso), mas ainda há egoísmo e violência.
 Pessoas mais elevadas têm menos apego a vícios e necessidades
grosseiras.
Quem vive com retidão moral não teme a morte – como nos mundos
superiores.
63
183 – Passando de um mundo a outro, o Espírito passa por uma nova
infância?
A infância é, em toda parte, uma transição necessária, porém, não é em toda
parte assim precária como entre vós.
COMENTÁRIOS:
A infância é uma etapa necessária em todas as reencarnações, existente em
todos os mundos, mas sua duração e características variam conforme o grau
de evolução do planeta.
Por que passar pela infância?
 Necessidade de adaptação: O Espírito recém-encarnado precisa:
o Ajustar-se ao novo corpo (físico ou perispiritual).
o Reaprender as leis do mundo onde está.
 Proteção espiritual: A infância é um período de amparo (pelos pais e
Espíritos protetores) antes das provas da vida adulta. – Fase educativa
para o Espírito: adaptação, aprendizado e desenvolvimento moral e
intelectual.
Na Terra, por sermos ainda um mundo de provas e expiações, a infância é
marcada por grande fragilidade, dependência e limitações fisiológicas e
psíquicas.
Já em mundos mais adiantados, essa fase é menos “precária”, ou seja,
menos limitada, mais consciente, mais rápida e menos vulnerável. A
inteligência, a moralidade e o domínio do espírito sobre o corpo fluídico são
mais elevados, mesmo durante a infância. A infância, nesses casos, não
serve mais como esquecimento completo, mas como adaptação fluídica e
reorganização das percepções.
Em mundos mais primitivos a infância deverá ser mais longa e mais frágil
que a nossa.
Quanto mais atrasado o planeta, mais demorada a infância para proteção do
Espírito.
Relação com nossa realidade:
A infância na Terra continua sendo uma etapa de extrema importância moral,
psicológica e espiritual, apesar de ser difícil:
 Infância longa – Sendo um mundo de expiação, o corpo denso e as
paixões exigem um longo aprendizado, com muitos anos de
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dependência: coordenação, andar, falar, se alimentar, se cuidar, ter
autonomia e responsabilidade.
 As crianças são frágeis e vulneráveis a doenças, acidentes – Precisa
de constante acompanhamento.
 Necessidade de educação rigorosa: orientação, implantação dos
valores. Nessa fase estamos mais propensos a receber a orientação
daqueles que nos receberam como pais, porque nessa fase ainda
estamos maleáveis por não termos o domínio completo da nossa
personalidade.
É quando os Espíritos reencarnados, mesmo os mais endurecidos, estão
mais abertos à renovação. A infância permite:
 A atuação mais intensa dos pais e educadores, já que o Espírito está
mais flexível;
 A influência dos mentores espirituais, que ajudam na reorganização
das ideias e sentimentos;
 A oportunidade de semear valores espirituais, aproveitando o estado
de receptividade do Espírito. Esse é o momento para que os pais
procurem reeducar e redirecionar seus filhos.
 A prática do exercício do amor verdadeiro (desinteressado), tanto por
parte do reencarnante, quanto dos pais.
Devemos respeitar a infância como fase sagrada de reajuste espiritual.
Essa precária infância que conhecemos é uma bênção, mas também um
reflexo do nosso estágio evolutivo.
Em mundos mais elevados, a infância é mais serena, e as crianças são
desde cedo conscientes de suas responsabilidades, irradiando paz, equilíbrio
e inteligência.
Aqui no nosso planeta não é raro as pessoas comentarem acerca da
maturidade das crianças de hoje. O mundo começa a reclamar mais cedo
deles as responsabilidades, as tarefas para que possa ir construindo as
possibilidades profissionais para sua vida adulta.
Há muitas situações que o comportamento infantil se prolonga muito além da
faixa cronológica infantil. A maturidade demora chegar.
184 – O Espírito pode escolher o novo mundo que vai habitar?
Nem sempre, mas pode pedir e, se tiver méritos, pode ser atendido; pois os
mundos são acessíveis aos Espíritos de acordo com o seu grau de elevação.
65
184.a) Se o Espírito nada pede, o que determina o mundo em que deve
se reencarnar?
O grau de sua elevação.
COMENTÁRIOS:
Essa questão aborda diretamente como se dá a migração espiritual
interplanetária. Se é o Espírito que escolhe, se é imposto ou orientado.
A resposta revela um princípio de justiça e progresso:
 O mérito espiritual do Espírito é a chave de acesso a mundos mais
adiantados.
 Ele pode pedir a mudança de ambiente evolutivo, ou seja, desejar
habitar um planeta mais moralizado ou mais propício ao seu progresso.
 Contudo, não é o desejo que determina, e sim o grau de elevação real
conquistado por esforço próprio.
 Os mundos não são escolhidos ao acaso, mas ocupados conforme a
vibração e o progresso do Espírito. É uma transição natural e justa.
 Se o Espírito não pede reencarnação em determinado mundo, a Lei
Natural — por meio dos Espíritos superiores que coordenam as
encarnações — o direciona de acordo com suas necessidades,
aptidões e conquistas morais.
Não se leva em conta apenas as condições materiais do mundo, mas
também as condições da humanidade que nele está encarnada e as
questões particulares, onde estão os Espíritos familiares. Nós fazemos parte
de uma família espiritual que caminha mais ou menos juntos. E também tem
os credores. Temos os débitos a pagar.
Nós sempre renasceremos no melhor lugar que ofereça as condições para
as nossas necessidades do momento.
Neste momento de transição de mundo de provas e expiações para mundo
de regeneração, o critério para continuar aqui ou ser conduzido a mundos
inferiores (exílio) ou superiores (ascensão) será:
 O grau de amor ao próximo,
 O domínio das más inclinações,
 A disposição sincera para o bem coletivo.
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Assim, tanto o exílio de Espíritos endurecidos quanto a vinda de Espíritos
mais evoluídos para ajudar a regeneração da Terra são realidades alinhadas
com a resposta desta questão
A gente geralmente sonha em ir para um lugar melhor, mas o Espírito
evoluído procura ir para os lugares onde há mais sofrimento e ele pode ser
mais útil.
- Aquela estrela brilha mais, mas essa ofuscada precisa mais de mim. Eu
preciso estar aqui.
“Cada mundo é uma escola. O aluno é promovido não por desejo, mas por
esforço, mérito e aprendizado.”
MARIA DE NAZARÉ MANDA MENSAGEM À BEZERRA DE MENEZES
No dia 11 de abril de 1950, ocorreu no plano espiritual uma reunião para
homenagear os 50 anos de desenlace do Dr. Bezerra de Menezes. Chico
Xavier foi um dos convidados. Bezerra achava-se naquele ambiente de luz e
emoção, sinceridade e gratidão e vivendo com grande emoção aqueles
momentos em que recordava dos 69 anos vividos na Terra como o Médico
dos Pobres, o Irmão dos sofredores, o Discípulo humilde e sincero de Jesus
e o Kardec Brasileiro.
De repente, sob a surpresa dos que compunham a grande assembleia, de
mais Alto, uma Estrela luminescente dá presença. Era Celina, a enviada da
Virgem Santíssima, que chega e lê a sua mensagem, promovendo Bezerra a
uma Tarefa Maior e numa Esfera mais Alta. O Evangelizador Espírita chora
emocionadíssimo e ajoelha-se agradecendo entre lágrimas, à Mãe das Mães
a graça recebida, suplicando-lhe, por intermédio de sua enviada sublime,
para ficar no seu humilde Posto, junto à Terra, a fim de continuar atendendo
aos pedidos de seus irmãos terrestres que tantas provas lhe dão de estima e
gratidão.
O espírito luminoso de Celina sobe às esferas elevadas donde veio e se
dirige aos pés da Mãe Celestial, submetendo à sua apreciação o pedido de
seu servo agradecido.
Daí a instantes, volta e traz a resposta de Nossa Senhora:
- Que sim, que Bezerra ficasse no seu Posto o tempo que quisesse e
sempre sob suas bênçãos!
E da Terra e do Além partem vozes em Prece!
Em 29 de agosto de 1831 nascia Adolfo Bezerra de Menezes, o médico dos
pobres, o apóstolo da caridade, o Kardec brasileiro.
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185 – As condições físicas e morais dos seres vivos, em cada globo,
são sempre as mesmas, perpetuamente?
Não; os mundos também são submetidos à lei do progresso. Todos
começaram como o vosso, por um estado inferior, e a própria Terra
suportará uma transformação semelhante. Tornar-se-á um paraíso terrestre,
quando os homens se tornarem bons.
Allan Kardec:
É assim que as raças que povoam hoje a Terra desaparecerão um dia e
serão substituídas por seres cada vez mais perfeitos; essas raças
transformadas sucederão às atuais, como estas sucederam a outras
mais atrasadas.
COMENTÁRIOS:
Na criação divina o progresso é constante, não para e está presente em
todos os mundos e em todos os locais da natureza.
Os mundos não são estáticos — eles evoluem em conjunto com os Espíritos
que os habitam. Assim como o Espírito progride em inteligência e
moralidade, o planeta também se transforma, tornando-se um ambiente mais
sutil, harmônico e ajustado às novas necessidades da coletividade.
Ao verificarmos a pré-história do nosso planeta veremos que toda a natureza
evolui em conjunto: a estabilidade geológica e climática, as mudanças nos
reinos vegetal e animal, o aperfeiçoamento humano e continua evoluindo,
continua modificando.
Nossos corpos hoje são muito mais belos e mais leves que os corpos dos
nossos ancestrais pré-históricos.
Se o trabalhador melhora suas condições, tem que se melhorar as condições
das suas ferramentas de trabalho para que o seu trabalho seja melhor com
resultados mais perfeitos.
Na nossa ótica esse progresso parece ser muito lento, porém na ótica
espiritual tudo caminha no ritmo que tem que ser, conforme o tempo
estabelecido por Deus e Jesus está no leme.
Essas etapas evolutivas ocorrem em todos os orbes do Universo.
O ser em evolução é o Espírito imortal. O corpo físico, a natureza, a matéria
são ferramentas da lei divina para nos proporcionar o progresso.
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A Terra está mudando. Estamos atualmente vivendo os primeiros passos
dessa transformação. Isso se reflete:
 Turbulência social, psicológica e de valores (uma bagunça)
 Alterações na parte física da Terra: mudanças climáticas, no eixo e no
núcleo da Terra, nos campos magnéticos, intensificação do tectonismo
(terremoto, maremoto e vulcanismo), tsunami, fenômenos
meteorológicos.
 Na consequência da alteração vibracional do planeta: dor de cabeça,
mal estar, tempo corrido (o dia está curto)
 No aumento de crises morais, sociais e ambientais, como dores de
parto de uma Terra melhor;
 Na intensificação do bem e do mal, como um período de depuração;
 Na desconstrução de estruturas injustas e mais busca por
sustentabilidade e paz;
 No surgimento de novas gerações mais sensíveis, intuitivas e pacíficas
(as chamadas "crianças índigo", "cristal", ou “Espíritos missionários”);
Por isso, a luta por um mundo mais justo, fraterno e consciente é, na
verdade, o motor da transição espiritual da Terra. Não é um evento mágico,
mas fruto do nosso esforço moral coletivo.
Quando todos nós seres humanos deixarmos Jesus conduzir os nossos
corações teremos um mundo bem melhor para viver e conviver.
O mundo se transforma com os homens. Quanto mais luz houver em nós,
mais luz se acenderá na Terra.
186 – Há mundos onde o Espírito, cessando de habitar corpos
materiais, só tenha por envoltório o perispírito?
Sim, e esse próprio envoltório torna-se tão etéreo que, para vós, como se
não existisse; é o estado dos Espíritos puros.
186.a) Resulta daí, ao que parece, que não há uma demarcação definida
entre o estado das últimas encarnações e aquele dos Espíritos puros?
Essa demarcação não existe; a diferença, que se desfaz pouco a pouco,
torna-se imperceptível, como a noite que se desfaz aos primeiros clarões do
dia.
COMENTÁRIOS:
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Os Espíritos revelam aqui que existe uma gradação contínua, sem rupturas
abruptas, entre o estado dos que ainda reencarnam e os que atingiram a
condição de Espíritos puros.
A natureza não dá saltos. Da mesma forma, a natureza humana, a dos
Espíritos também não dá saltos. A evolução do ser ocorre passo a passo,
sempre numa caminhada ininterrupta.
Tudo na natureza se encadeia em um processo contínuo, lento, gradual,
crescente.
Ex: Momento exato entre a madrugada e o alvorecer do dia. Último dia da
infância e o primeiro dia da adolescência.
Nos mundos muito elevados não existem corpos físicos densos como os
nossos. O corpo físico já é quase translúcido, com poucas necessidades
materiais.
Mesmo o perispírito (corpo espiritual que envolve o Espírito) torna-se
extremamente sutil, quase imperceptível para os nossos padrões. O
perispírito se funde com a luz espiritual, mantendo apenas um véu sutil para
interagir com outros planos.
A matéria é tão etérea numa forma tão sutil sendo imperceptível, que do
nosso ponto de vista não existiria matéria.
Como ainda estamos muito presos à matéria, ao sofrimento e às paixões,
temos dificuldade até de imaginar essa condição. Mas a evolução é lei — e
todos, sem exceção, a ela estamos submetidos. O que nos cabe é:
 Cultivar virtudes (humildade, compaixão, perdão);
 Purificar desejos e pensamentos;
 Servir ao próximo;
 Buscar compreender e viver a Lei de Amor.
Cada passo nessa direção torna nosso perispírito mais leve e nossa
existência mais espiritualizada — e nos aproxima dos mundos felizes e dos
Espíritos puros.
Há mundos elevados em que os Espíritos ali estagiados se encontram com corpos
fluídicos, pelo aperfeiçoamento da matéria. Tudo neles acompanhou o progresso do
Espírito, e a beleza é o penhor da natureza, oferecendo um visual encantador aos
moradores; todavia, é bom que se compreenda que o Espírito ignorante não se sentiria
bem nessa estância de luz, devido ao seu modo de vida ser outro, sem condições de
mudanças apressadas. Todos têm seu habitat: o animal, o homem, e qualquer troca sem
preparo provocará desastres de difícil reparo. Sabemos que o progresso não dá saltos,
entretanto, ele não para; a sua marcha é permanente em todos os sentidos, porque é
vontade do Soberano Arquiteto do Universo. (Miramez)
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187 – A substância do perispírito é a mesma em todos os mundos?
Não; ela é mais ou menos etérea. Passando de um mundo para outro o
Espírito se reveste da matéria própria de cada um, com mais rapidez que um
relâmpago.
COMENTÁRIOS:
O perispírito é formado da substância do mundo em que o Espírito se
encontra.
Cada orbe tem a sua estrutura material compatível com o nível do Espírito
que habita aquele mundo. Cada Espírito também tem a sua evolução,
formada pela evolução do Espírito e pela natureza da matéria do mundo no
qual ele habita. Cada períspirito é diferente um do outro porque cada Espírito
está em um processo de grau evolutivo e cada um vai absorver os elementos
necessários para a constituição do períspirito que passando de um mundo a
outro será todo moldado.
Cada um tem a sua história, a sua realidade espiritual para agregar valores
ao seu períspirito.
Em mundos mais evoluídos, essa matéria é mais sutil e etérea.
A adaptação do perispírito à nova realidade ocorre de forma instantânea,
pois se dá por sintonia vibratória.
Portanto, o perispírito não é um corpo rígido, mas um envoltório fluídico
mutável, sensível às leis da vibração e da afinidade espiritual.
Quando o Espírito reencarna ou visita outras regiões, seu perispírito se
adapta às condições magnéticas locais, ajustando-se automaticamente à
densidade ou leveza do meio.
Podemos imaginar o perispírito como uma roupa de energia que o Espírito
veste conforme o clima do lugar onde vai:
 Se desce a um plano inferior, veste-se com fluidos mais densos.
 Se sobe a um plano superior, sua vestimenta se torna mais clara, leve
e radiante, como o próprio ser que a anima.
Na Terra, nosso perispírito é constituído de fluido vital e dos elementos sutis
da atmosfera terrestre, por isso reflete o peso, os desejos, os vícios ou as
virtudes do Espírito.
Em mundos superiores, o perispírito é quase uma aura luminosa,
obedecendo instantaneamente à vontade do Espírito.
Essa compreensão nos ajuda a perceber que:
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 Ao evoluirmos moralmente, purificamos nosso perispírito, mesmo
enquanto encarnados;
 Os sentimentos, pensamentos e intenções moldam a matéria sutil que
nos envolve;
 O progresso espiritual nos permitirá um dia habitar mundos mais
felizes, onde nosso perispírito será leve e radiante.
188 – Os Espíritos puros habitam mundos especiais ou estão no espaço
universal sem estarem mais ligados a um mundo que a outro?
Os Espíritos puros habitam certos mundos, mas não estão confinados neles
como os homens sobre a Terra; eles podem, melhor que os outros, estar por
toda a parte. (1)
(1) - Segundo os Espíritos, de todos os globos que compõem o nosso sistema planetário,
a Terra é um daqueles onde os Espíritos são os menos avançados, física e moralmente.
Marte seria ainda inferior e Júpiter, o mais superior em relação a todos. O Sol não seria
um mundo habitado por seres corporais, mas um local de reunião dos Espíritos superiores
que, de lá, irradiam seus pensamentos para outros mundos, que dirigem por intermédio
dos Espíritos menos elevados, transmitindo-os a estes, por intermédio do fluido universal.
Como constituição física, o Sol seria um foco de eletricidade. Todos os sóis parecem estar
numa posição idêntica.
O volume e a distância que estão do Sol não têm nenhuma relação necessária com o
grau de adiantamento dos mundos, pois parece que Vênus é mais adiantado que a Terra,
e Saturno menos adiantado que Júpiter.
Vários Espíritos que animaram pessoas conhecidas sobre a Terra, disseram estar
encarnados em Júpiter, um dos mundos mais próximos da perfeição, e ficaram admirados
de ver, nesse globo tão adiantado, homens que, na opinião do nosso mundo, não eram
tão elevados. Isso não deve causar admiração, se considerarmos que certos Espíritos
que habitam aquele planeta podiam ter sido enviados à Terra para cumprir uma missão,
que, aos nossos olhos, não os colocava em primeiro plano; em segundo lugar que, entre
a existência que viveram na Terra e a que vivem em Júpiter, devem ter tido outras
intermediárias, nas quais se melhoraram; em terceiro lugar, que nesse mundo, como no
nosso, existem diferentes graus de adiantamento e que, entre esses graus, pode haver a
mesma distância que separa, entre nós, o selvagem do homem civilizado. Assim, do fato
de habitarem Júpiter não se segue que estão ao nível dos seres mais avançados, da
mesma forma que não se está ao mesmo nível de um sábio do Instituto, só porque se
habita em Paris.
As condições de longevidade não são, também, em toda parte as mesmas de sobre a
Terra e a idade não se pode comparar. Uma pessoa desencarnada havia alguns anos,
sendo evocada, disse estar encarnada há seis meses num mundo cujo nome nos é
desconhecido. Interrogada sobre a idade que tinha esse mundo, respondeu: “Não posso
avaliá-la porque não contamos o tempo como vós; depois, o nosso modo de vida não é o
mesmo, desenvolvemo-nos com muito maior rapidez; embora não faça mais que seis dos
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vossos meses que lá estou, quanto à inteligência, posso dizer que tenho trinta anos da
idade que tive sobre a Terra.”
Muitas respostas análogas nos foram dadas por outros Espíritos e isso nada tem de
inacreditável. Não vemos sobre a Terra um grande número de animais adquirir, em
poucos meses, o seu desenvolvimento normal? Por que não poderia ocorrer a mesma
coisa com o homem de outras esferas? Notemos, por outro lado, que o desenvolvimento
alcançado pelo homem na Terra, na idade de trinta anos, pode ser uma espécie de
infância comparado àquele que deve alcançar. Bem curto de vista se revela quem nos
toma em tudo por protótipos da Criação, e é rebaixar a Divindade acreditar-se que, fora o
homem, nada mais seja possível a Deus.
COMENTÁRIOS:
Espíritos puros: São os seres que alcançaram a plenitude moral e intelectual,
não necessitando mais da reencarnação. Estão na última etapa da escala
espírita. (Q.625 e 879)
Eles habitam mundos altamente adiantados, mas não estão restritos a um
local específico. Não estão confinados a um espaço físico.
Sua liberdade é tal que pode se deslocar pelo Universo inteiro, sem barreiras
de tempo ou espaço, com a velocidade do pensamento.
O próprio pensamento dele se projeta para vários locais ao mesmo tempo. A
irradiação da sua vontade que faz com que ele se apresente em vários
lugares ao mesmo tempo. (Ubiquidade)
Espíritos puros como Cristo podem acompanhar e guiar mundos inteiros,
permanecendo onde quiserem, segundo os desígnios divinos.
Os Espíritos puros têm responsabilidades que o Pai atribui de acordo com a
sua capacidade lhe exigindo necessidades de deslocamento dos mais
diversos, sempre a serviço do Pai.
 A liberdade dos Espíritos cresce com a elevação moral.
 Os laços com a matéria se rompem pouco a pouco, até que o Espírito
possa viver em plenitude no espaço universal.
 Embora habitem mundos elevados, esses Espíritos atuam onde forem
necessários — ajudando, iluminando, inspirando os demais seres,
inclusive a nós, aqui na Terra.
Por Que Têm Mundos Especiais se Podem Estar em Todo Lugar?
 Centros de Harmonia: Esses mundos são pontos de reunião e
planejamento cósmico (ex.: onde mentores se encontram para
coordenar missões).
 Necessidade de Referência: Até os Espíritos mais elevados precisam
de um "lar" simbólico – uma base de operações no Infinito.
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Os Espíritos puros são trabalhadores divinos da Criação, livres das
limitações que hoje conhecemos. Habitam mundos sublimes, mas sua
verdadeira morada é o amor universal e a harmonia com Deus.
Um dia, todos teremos essa liberdade – mas, por enquanto, nosso dever
é evoluir onde estamos.
Portanto, quanto mais nos purificamos, mais livres nos tornamos, não só da
matéria, mas também dos sofrimentos, dos limites, da ignorância e dos
apegos.
Quanto mais evoluído ficarmos, mais trabalho teremos. A gente evolui para
servir.
A condição de Espírito livre é conquistada pela alma em suas variadas reencarnações,
nos diversos mundos. A idade da alma é a soma das suas experiências. A liberdade do
Espírito lhe vem pelo conhecimento da verdade.
Já é do nosso conhecimento de que Deus criou a alma simples e ignorante, no entanto,
toda criação tem na sua estrutura todas as qualidades espirituais do seu Criador, na
feição de filhos do Seu coração, sem, com isso, poder Ele se igualar.
Os Espíritos livres sentem a felicidade onde se encontram, e trabalham em benefício da
ordem e do progresso onde quer que seja. Eles estão completamente libertos das
mazelas humanas; já se esqueceram do ódio, não se lembram mais da inveja, do ciúme,
enfim, da decadência moral. Compreendem e aceitam todas as regras estabelecidas pela
natureza e vivem dentro da alegria. A sua pureza lhes mostra a verdadeira paz. (Miramez)
Comentário da descrição dos mundos:
Nível evolutivo da Terra no sistema solar
o A Terra está entre os mundos menos avançados, tanto física quanto
moralmente.
o Marte seria ainda inferior à Terra.
o Júpiter é descrito como um dos mundos mais evoluídos do sistema
solar.
O papel do Sol
o O Sol não é habitado por seres corporais, mas serve como centro de
reunião de Espíritos superiores.
o Esses Espíritos irradiam pensamentos para outros mundos, guiando-os
através de Espíritos menos elevados, usando o fluido universal como
meio de transmissão.
o O Sol é descrito fisicamente como um foco de eletricidade, e outros
sóis teriam função semelhante.
Adiantamento dos mundos não depende de tamanho ou posição
o O grau de evolução dos mundos não está ligado ao seu volume ou
distância do Sol.
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o Por exemplo, Vênus pode ser mais adiantado que a Terra, enquanto
Saturno pode ser menos adiantado que Júpiter.
Espíritos conhecidos reencarnados em mundos superiores
o Alguns Espíritos que viveram na Terra disseram estar agora em Júpiter.
o A surpresa de encontrá-los lá (mesmo não sendo pessoas notáveis na
Terra) se explica por:
 Missões humildes realizadas aqui;
 Evolução ocorrida entre suas encarnações na Terra e em Júpiter;
 A existência de diferentes níveis evolutivos também em Júpiter,
como ocorre na Terra.
Desenvolvimento e tempo em outros mundos
o A noção de tempo e envelhecimento varia entre os mundos.
o Exemplo: um Espírito desencarnado há poucos anos diz estar
encarnado há 6 meses em um mundo desconhecido, mas que já possui
o equivalente a 30 anos de desenvolvimento mental terrestre.
o Isso se explica porque o progresso nesses mundos é mais rápido, tanto
física quanto intelectualmente.
o Essa ideia não é absurda: na Terra, animais se desenvolvem
rapidamente, então o mesmo pode ocorrer com humanos em outros
orbes.
“Todas essas distantes pátrias, que os vossos telescópios
focalizam, dentro da noite imensa, não poderiam estar vazios e
abandonados. Não se compreende uma cidade edificada, rica de
monumentos e obras, sem habitantes e sem vida. Os planetas, que
rolam no infinito, constituem a família universal, por excelência.
Cada um deles comporta uma humanidade, irmã de todas as outras
que vibram na imensidade.
É toda vaidade do homem terreno afirmar-se a única criatura
pensante do Universo, mesmo porque a Terra é um dos planos
mais obscuros e mais repletos de amargura para quantos já
experimentaram algo das felicidades imorredouras, que a evolução
do sentimento e do raciocínio pode facultar.
Para as almas acendradas no amor, a Terra é bem o recanto do
exílio e das sombras.
(...) deveis arquivar no coração o tesouro divino da esperança. Se
na atualidade as dores vos assediam, sabeis que a vida não se
circunscreve no âmbito mesquinho do orbe terráqueo.”
(O Planeta Marte - Cartas de uma morta – Maria João de Deus)
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Achar que o homem terrestre é o modelo supremo da criação é um erro de
visão espiritual e um rebaixamento da grandeza de Deus.
O Universo é vasto, com inúmeras formas de vida e condições evolutivas,
que não podem ser compreendidas apenas pelos parâmetros da Terra.
Para nós, que estamos na Terra, é difícil imaginar uma vida corporal sem
dor, sem conflito, sem egoísmo, mas isso só mostra o quanto ainda
confundimos progresso com sofrimento.
Nos mundos felizes, a vida corporal existe, mas se torna um meio sublime de
manifestação espiritual.
Diálogo entre Allan Kardec e o Espírito Bernard Palissy publicado na
Revista Espírita de março de 1858, no artigo “Conversas Familiares de
Além-Túmulo – Descrição de Júpiter”. O diálogo trata da vida espiritual e
das condições dos habitantes do planeta Júpiter, onde Palissy afirma habitar
atualmente.
I. Situação pós-desencarne de Bernard Palissy
 Permaneceu algum tempo na Terra após a morte, reencarnando com a
missão de viver como uma mulher amorosa e devotada.
 Essa reencarnação foi missionária e durou 30 anos.
 Não valoriza suas obras materiais na Terra, mas sim os sofrimentos
que o elevaram espiritualmente.
II. Motivo da descrição de Júpiter
 Transmitiu desenhos de Júpiter por meio do médium Victorien Sardou.
 O objetivo foi dar testemunho visual da beleza e harmonia desse
mundo mais evoluído.
III. Condições físicas dos habitantes de Júpiter
Aparência física:
 Semelhança básica com os humanos da Terra, mas mais altos e bem
proporcionados.
 O corpo reflete a elevação moral do Espírito, funcionando como “um
véu sobre uma estátua”.
Estrutura corporal:
 Corpos podem ser opacos, translúcidos ou diáfanos, conforme a
natureza e missão do Espírito.
 O corpo não oculta o Espírito; há transparência moral e visual entre os
seres.
Matéria corporal:
 É menos condensada do que a da Terra, mas ainda compacta e
impenetrável.
 Possuem levitação: podem se deslocar sem se prender ao solo.
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Sexualidade:
 Há sexos em todos os mundos onde há matéria – é uma lei da matéria.
IV. Alimentação e vida física
 Alimentação exclusivamente vegetal; o homem é protetor dos animais.
 Parte da nutrição se dá por absorção de emanações do meio ambiente.
 Não há doenças terrestres.
 A vida alterna entre ação e repouso, não exatamente como vigília e
sono.
V. Tempo de vida e infância
 A vida em Júpiter dura, em média, cerca de cinco séculos (tempo
terrestre).
 A infância não limita a inteligência e a velhice não extingue as
faculdades mentais.
 Não há degeneração física ou intelectual como na Terra.
VI. Intelecto, comunicação e percepção
 Comunicação se dá por transmissão de pensamento, sem linguagem
articulada.
 A segunda vista (vidência) é normal e constante.
 Conhecimento do futuro: acessível conforme o grau de perfeição moral
e espiritual.
o Útil para cumprimento de missões, mas não absoluto como o de
Deus.
VII. Ocupações e cultura
 Principal ocupação dos habitantes é ajudar Espíritos encarnados em
mundos inferiores, inspirando-os ao bem.
 Não há infortúnios a aliviar em Júpiter, por isso trabalham pela
regeneração alheia.
 As artes terrestres são consideradas brincadeiras frente à elevação
espiritual local.
VIII. Emoções e morte
 Não sentem tédio nem desgosto pela vida; isso nasce do desprezo de
si mesmo, algo ausente entre eles.
 A morte não causa temor, pois não há mal a temer nem julgamento
punitivo.
 Após a morte, os Espíritos continuam a evoluir sem provas penosas,
guiados pelo amor ao bem.
IX. Missões espirituais e falhas
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 Espíritos podem voltar a mundos inferiores por missão, mas isso não é
mais prova nem castigo.
 Missões são movidas pelo amor ao bem, não por necessidade de
expiação.
 Não falham em suas missões, pois já são bons e não têm fraquezas.
X. Espíritos ilustres habitantes de Júpiter
 São Luís é citado como um Espírito que vive em Júpiter.
 Outros Espíritos também habitam Júpiter, inclusive aqueles com
missões discretas, destinadas ao bem de apenas uma pessoa, mas
que podem ser mais dolorosas e nobres do que missões públicas.
XI. Os Animais em Júpiter
Natureza e Condição:
 Corpo mais material que o do homem, que é considerado o “rei” e guia.
 Não há animais carnívoros nem predadores; os animais vivem em
harmonia e se amam mutuamente.
Relação com os homens:
 Todos os animais são úteis ao homem — mesmo os insetos, peixes e
aves.
 Servem ao homem em tarefas materiais, como construções e afazeres
— não como escravos, mas por submissão voluntária.
Vínculos e convivência:
 Cada animal liga-se a uma família, mas podem ser substituídos
conforme a necessidade ou afinidade.
 Não há remuneração; os animais agem espontaneamente,
desenvolvendo suas próprias faculdades.
Comunicação:
 Possuem linguagem mais precisa e desenvolvida que os animais
terrestres.
XII. Estado Moral dos Habitantes de Júpiter
Organização social:
 Vivem reunidos em cidades, pois os que se amam se agrupam.
 Não há solidão imposta como punição; só as paixões provocam o
isolamento.
Grau dos Espíritos:
 Todos os Espíritos são bons e superiores, embora com graus
diferentes de sabedoria e experiência.
 Não há mistura entre bem e mal: o bem pode visitar o mal, mas o mal
não se mistura ao bem.
Povos e guerras:
 Existem povos diversos, mas unidos pelos laços do amor.
 Guerras são inexistentes.
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 Na Terra, a guerra desaparecerá com o fim do egoísmo e o avanço da
fraternidade.
Governança:
 Existem chefes cuja autoridade se baseia na superioridade moral e
intelectual.
 As desigualdades sociais existem, mas são baseadas no grau de
perfeição e sabedoria, semelhantes à relação entre pai e filho.
XIII. Propriedade, riqueza e justiça social
Justiça e Leis:
 Há leis, mas não existem leis penais, pois não há crimes.
 As leis são naturais e divinas.
Riqueza:
 Não há miséria nem supérfluos.
 Cada um possui o necessário de acordo com sua condição; ninguém
passa necessidade.
 A inveja e o ciúme são as verdadeiras fontes da infelicidade, e estão
ausentes em Júpiter.
Desigualdades:
 Existem, mas com base no nível evolutivo espiritual e intelectual.
 Os mais elevados orientam os menos experientes, com amor e
sabedoria.
XIV. Educação e Evolução
 A educação desenvolve as faculdades humanas.
 Um Espírito pode atingir, na Terra, perfeição suficiente para reencarnar
diretamente em Júpiter.
 Entretanto, mesmo esses Espíritos passam um tempo como errantes,
até se libertarem das imperfeições da Terra.
XV. Religião e Espiritualidade
 Não existem religiões diferentes.
 Todos adoram um único Deus e praticam o bem.
 Templo é o coração do homem; o culto é o bem que se faz.
Considerações finais
A descrição feita por Bernard Palissy sobre Júpiter é um retrato de um
mundo ditoso, onde:
 Há superioridade moral e intelectual.
 A convivência se baseia no amor, na cooperação e na elevação
espiritual.
 Os valores são espirituais, e a matéria já não representa obstáculos à
fraternidade.
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Quadro comparativo detalhado entre a Terra e Júpiter, com base na descrição do Espírito Bernard Palissy,
Revista Espírita de março e abril de 1858, sob a orientação de Allan Kardec.
Aspecto Terra (Mundo de Provas e Expiações) Júpiter (Mundo Feliz / Ditoso)
Finalidade da
encarnação
Provas, expiações, aprendizado com sofrimento Missões, progresso consciente,
serviço voluntário ao bem
Motivação para
reencarnar
Necessidade de aprender, corrigir erros Amor ao bem, desejo de servir e
auxiliar os inferiores
Corpo físico Denso, opaco, grosseiro, sujeito à dor e doença Leve, sutil, translúcido ou diáfano;
sem doenças ou dores
Infância e velhice Infância limita a razão; velhice desgasta e
enfraquece
Infância não limita a inteligência;
velhice não extingue a lucidez
Alimentação Animal e vegetal Puramente vegetal + absorção de
emanações do ambiente
Doenças Muitas e variadas, físicas e mentais Não há doenças como as da Terra
Transporte e
locomoção
Corpo é limitado pela gravidade Corpo pode se mover livremente, não
preso ao solo
Linguagem Verbal, imperfeita, cheia de mal-entendidos Comunicação telepática (transmissão
de pensamento)
Segunda vista
(clarividência)
Excepcional e temporária É uma faculdade normal e
permanente
Visão espiritual O Espírito é oculto pela matéria O corpo é como um véu fino: o
Espírito é visível e transparente
Conhecimento do
futuro
Limitado, sujeito a incertezas Parcialmente conhecido conforme o
grau de perfeição
Sociedade e
convivência
Marcada por desigualdades, egoísmo, guerras Fraterna, solidária, respeito mútuo,
sem guerras, sem egoísmo
Autoridade e chefia Baseada em poder, riqueza ou imposição Fundada na superioridade moral e
intelectual
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Leis e governo Leis humanas, falhas, penas e castigos Leis divinas; não há leis penais nem
crimes
Ricos e pobres Grandes desigualdades, miséria e supérfluo Todos têm o necessário; o supérfluo
é inexistente
Religião Múltiplas religiões, dogmas, disputas Unidade: todos adoram um único
Deus pelo bem praticado
Culto Templos, rituais exteriores Coração é o templo; o bem é o culto
Ocupações humanas Lutas pela sobrevivência, superação de instintos
e paixões, busca por conforto e poder
Apoio espiritual a mundos inferiores;
missão e elevação
Desafios enfrentados Luta material, conflitos emocionais, tentações,
egoísmo
Desafios morais mais sutis;
compromisso com o bem coletivo
Aprendizado
espiritual
Lento, muitas vezes por sofrimento Consciente, direto, baseado no amor
e na sabedoria
Artes Buscam consolar o sofrimento Inúteis — já não há dor a consolar; a
beleza está em tudo
Animais Há carnívoros; muitos vivem livres ou ameaçados Todos vivem em harmonia com o
homem, sem violência
Animais como
servidores
Sem essa função Ajudam o homem em tarefas práticas
com inteligência própria
Desencarnação
(morte)
Muitas vezes causa medo e dor É natural, serena; não inspira temor
Evolução após a
morte
Continua com provas e expiações Crescimento contínuo sem provas
dolorosas
Destaque filosófico
 Terra: mundo de contrastes, onde a dor educa e o egoísmo ainda impera. O Espírito ainda precisa de estímulo
externo, limites e correções.
 Júpiter: mundo onde a matéria não escraviza o Espírito, mas o serve como canal de manifestação luminosa.
 Reencarnar nesses mundos não é punição, mas ato consciente de participação no plano divino.
82
JÚPITER
https://kardecpedia.com
83
https://www.geolegadodeallankardec.com.br
84
https://refletindooespiritismo.blogspot.com
85
Questionamento:
Nas obras da codificação (especificamente a Q.188 do LE) e alguns relatos
nas Revistas Espíritas dizem que todos os planetas do Sistema solar são
habitados. Depois Chico Xavier por meio da mediunidade confirma esses
relatos, especialmente, através da carta de sua mãe Maria João de Deus.
Mas tomemos o caso de Marte em que há equipamentos humanos terrestres
em sua superfície fazendo rastreamentos para análises e estudos e, no
entanto, não há em suas imagens emitidas nenhum vestígio de civilização.
Meu questionamento: Considerando que Marte é um planeta bastante denso,
os Espíritos estavam equivocados?
Resposta da IA:
A dúvida central:
Se O Livro dos Espíritos (Q. 188), a Revista Espírita e Chico Xavier afirmam
que todos os planetas do Sistema Solar são habitados, como explicar a
ausência de qualquer vestígio de civilização em Marte, mesmo com sondas
da NASA explorando sua superfície?
1. O que diz a Doutrina Espírita (Codificação):
Q. 188 de O Livro dos Espíritos:
“Todos os globos que circulam no espaço são habitados?”
Resposta: “Sim, e o homem da Terra está longe de ser, como supõe, o
primeiro em inteligência, em bondade e em perfeição.”
Isso afirma que há vida em todos os globos, mas não diz que essa vida seja
física e visível com nossos olhos ou instrumentos grosseiros.
2. Complementos de Chico Xavier e Maria João de Deus:
Na obra Cartas de uma Morta, Maria João de Deus (mãe de Chico) descreve
habitantes em Marte e outros planetas com formas, hábitos e sociedades
diferentes das da Terra.
Mas deixa claro que a matéria é mais rarefeita e que os corpos, cidades e
meios de vida não são perceptíveis à nossa visão comum ou instrumentos
físicos.
3. Conciliação lógica: a questão da densidade e da dimensão vibratória
Aqui está o ponto-chave da sua dúvida:
86
Por que não vemos os seres ou civilizações em Marte, mesmo com câmeras
e robôs humanos lá?
Resposta doutrinária plausível:
 Os habitantes espirituais ou mesmo encarnados de Marte (segundo as
descrições espirituais) não vivem na mesma faixa vibratória material
que nós, ou seja:
o Podem estar em um plano mais sutil, não detectável por
equipamentos físicos humanos;
o Ou sua matéria corporal é mais rarefeita do que a da Terra,
tornando-os invisíveis às câmeras convencionais.
É o mesmo motivo pelo qual não vemos os Espíritos que nos rodeiam na
Terra: falta de sintonia vibratória e sensorial.
4. Um paralelo científico:
Nossos instrumentos detectam frequências e densidades específicas de
matéria.
Se algo for muito sutil ou vibrar em outra faixa (como o infrassom, o
ultravioleta, ou até matéria escura), nossos olhos e aparelhos simplesmente
não percebem.
Assim, a ausência de evidência (como você mesma citou com Sagan) não é
evidência de ausência.
5. Marte é “bastante denso”?
Na verdade, Marte é menos denso que a Terra, tem atmosfera rarefeita e
gravidade inferior — o que, segundo muitos relatos espirituais, o torna
apropriado a uma vida semimaterial, menos corpórea que a nossa.
Conclusão:
Os Espíritos não estavam equivocados. O que ocorre é que:
 Quando afirmam que todos os planetas são habitados, referem-se à
vida em todas as formas e graus possíveis, desde a vida espiritual,
fluídica, até a corporal;
 A vida em Marte (e outros planetas) pode não ser acessível pelos
meios físicos atuais de nossa ciência materialista;
 O Espiritismo sempre nos orienta a não confundir ausência de prova
com negação da existência — tudo tem seu tempo de revelação.
87
 A ciência ainda não achou vida em Marte porque busca padrões
terrestres.
 O Espiritismo sugere que a vida lá existe, mas em outro plano ou
forma (física sutil/espiritual).
 Não há contradição, apenas diferentes perspectivas da realidade.
88
4.4 – TRANSMIGRAÇÃO PROGRESSIVA
O que é Transmigração Progressiva?
Três elementos gerais do Universo: (Q.27)
 Deus: causa primária de todas as coisas; Inteligência suprema.
 Espírito: o princípio inteligente. Princípio espiritual – inteligência é
atributo do Espírito – Conquista do Espírito. (Q.23)
 Matéria: o princípio material, formado a partir do Fluido Cósmico
Universal (ver questão 27-a e 33).
Essa estrutura básica não revela a origem do Espírito, apenas reconhece
sua existência e distinção dos demais elementos.
A Doutrina Espírita é clara e coerente ao afirmar:
 O Espírito é criado por Deus.
 Como e quando isso ocorre, não sabemos.
 Não temos ainda maturidade espiritual para compreender a gênese do
Espírito em sua essência.
Portanto, não é possível conhecer com exatidão a origem do Espírito — ou
seja, o momento e o modo de sua criação. Essa é considerada uma questão
que ultrapassa a capacidade atual de compreensão humana.
Enquanto toda a matéria que conhecemos tem sua origem no Fluido
Cósmico Universal, um elemento primordial em constante transformação, a
origem o princípio espiritual permanece um mistério que transcende nossa
compreensão atual.
Esse princípio, ao se individualizar e animar os diferentes reinos da natureza,
impulsiona a evolução contínua, permitindo que cada ser adquira
experiências e aprendizados, preparando-o para novas e mais elevadas
etapas de sua jornada eterna.
A transmigração progressiva descreve a jornada ininterrupta do Espírito
através de incontáveis existências, sempre em direção à perfeição.
Essa evolução não se limita apenas ao corpo humano, mas engloba todas as
etapas da vida, desde o princípio inteligente nas formas mais rudimentares
de existência até alcançar a consciência e a moralidade que caracterizam os
Espíritos superiores.
A transmigração progressiva, portanto, não é apenas sobre passar de um
corpo para outro, mas sobre o aprimoramento contínuo das faculdades do
Espírito ao longo de sua existência imortal.
89
LIVRO SEGUNDO: MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS
Capítulo IV: Pluralidade das Existências
O espírito nunca regride em sua evolução essencial, mesmo que possa
estagnar temporariamente.
Toda evolução espiritual é, ao mesmo tempo, física, perispiritual e
mental.
Autor Obra Trecho/Capítulo Conteúdo
Allan
Kardec
O Livro dos
Espíritos
Questões 27, 78 Espírito é criação distinta de
Deus, origem desconhecida
Allan
Kardec
Introdução do
Livro dos
Espíritos
Item VI Origem dos Espíritos ainda
ignorada
André Luiz
(Chico
Xavier)
Evolução em
Dois Mundos
Cap. IV –
"Automatismo e Corpo
Espiritual"
Não se pretende explicar a
gênese do Espírito, por
respeito à grandeza divina
A evolução espiritual é ascendente, mas não é linha reta. É um processo
com idas e vindas, escolhas, provações e diferentes trajetórias de
aprendizado.
Os Espíritos podem estagnar, recusar-se a progredir por um tempo ou evoluir
mais rapidamente dependendo do livre arbítrio e do esforço.
90
189 – Desde o princípio de sua formação, goza o Espírito da plenitude
de suas faculdades?
Não, porque o Espírito, como o homem, tem sua infância. Em sua origem, os
Espíritos não têm mais que uma existência instintiva e possuem apenas a
consciência de si mesmos e de seus atos. Não é senão pouco a pouco que a
inteligência se desenvolve.
COMENTÁRIOS:
Pergunta se o Espírito já nasce com todas as suas faculdades
desenvolvidas, e a resposta é um claro não.
A Infância do Espírito
Assim como um ser humano passa pela infância, com suas limitações e o
desenvolvimento gradual de suas capacidades, o Espírito também tem uma
"infância". No seu ponto de partida, em sua origem, o Espírito é simples e
ignorante. Isso significa que ele não possui um conhecimento vasto ou uma
inteligência desenvolvida.
Existência Instintiva e Consciência Primária
Nessa fase inicial, o Espírito se manifesta de forma instintiva. Ele age por
impulsos básicos, sem um raciocínio complexo. No entanto, é importante
notar que, mesmo nessa etapa, ele já possui a consciência de si mesmo e de
seus atos. Essa consciência rudimentar é o ponto de partida para o seu
desenvolvimento. Ele começa a perceber sua existência individual e as
consequências mais imediatas de suas ações, mesmo que de forma muito
elementar.
O Desenvolvimento Gradual da Inteligência
A resposta deixa claro que a inteligência não surge de repente, mas se
desenvolve "pouco a pouco". Isso reforça a ideia de progresso contínuo.
Através das sucessivas encarnações e das experiências vividas em cada
uma delas, o Espírito vai adquirindo conhecimento, amadurecendo sua
razão, expandindo sua percepção e aprimorando suas faculdades morais e
intelectuais.
Todos nós fomos criados simples e ignorantes. (Q. 115)
Antes de conquistarmos a razão, como seres racionais, nós passamos como
princípio espiritual pelos reinos inferiores da criação. Fomos aprender no
reino mineral, no reino vegetal e no reino animal até atingirmos o reino
hominal, onde conquistamos a condição de seres humanos, de Espíritos e
não mais princípio espiritual, podendo exercer o livre arbítrio, pois nos foi
dada a razão, a capacidade de discernir sobre as coisas, principalmente,
sobre o bem e o mal.
91
Esta imagem ilustra de forma clara a progressão do princípio espiritual
através dos diversos reinos da natureza.
Ela mostra a jornada do princípio inteligente desde a matéria inerte (Reino
Mineral), onde se manifesta como atração, passando pela aquisição de
vitalidade (Reino Vegetal) e instinto e individualidade (Reino Animal).
Culminando no Reino Hominal, o princípio espiritual atinge o estágio de
Espírito, onde desenvolve a razão, o livre-arbítrio, a consciência do eu, a
inteligência ilimitada e o conhecimento de Deus.
O Espírito não surge diretamente na condição humana, mas sim ascende
gradualmente, aproveitando as experiências de todas as formas de vida
anteriores para seu aprimoramento e alcance da plenitude.
Há a progressão gradual do ser através dos diferentes reinos da natureza:
 Reino Mineral: O princípio espiritual ainda está em estágio rudimentar,
atuando apenas por meio da atração. A matéria é inerte, sem vitalidade
ou consciência. ð Atração
 Reino Vegetal: Surge a vitalidade, mas ainda sem consciência
individualizada. Há sensibilidade, mas sem movimento voluntário ou
percepção. ð Sensação
 Reino Animal: O princípio espiritual adquire instinto, individualidade e
inteligência primitiva, iniciando o desenvolvimento da consciência e das
92
emoções básicas. Inicia a organização e formação do perispírito ð
Instinto
 Reino Hominal: O Espírito atinge a individualidade, o conhecimento de
si mesmo, a razão, a inteligência ilimitada e o livre-arbítrio,
desenvolvendo gradativamente a consciência moral, a noção do futuro
e a capacidade de conhecer Deus. ð Razão
 Reino Angelical: Consciência plena ð Divindade
Essa progressão demonstra a lei de progresso, onde o Espírito é criado
simples e ignorante, mas destinado à perfeição. Cada etapa é necessária
para o aprendizado e o amadurecimento da alma, até que ela alcance a
plenitude espiritual.
Reinos da Natureza e Suas Características:
Reino Atributos Relacionado à Questão 189
Mineral
Atração (coesão
molecular)
"O princípio inteligente se elabora e
individualiza pouco a pouco"
Vegetal
Sensibilidade (vida
orgânica)
"No vegetal, a inteligência dormita;
no animal, sonha"
Animal Instinto + Individualidade
"O animal tem uma inteligência
limitada ao presente"
Homina
l
Razão, livre-arbítrio,
consciência de Deus
"No homem, há a alma espiritual,
destinada à perfeição"
A Lei do Progresso é Universal
o Não se aplica apenas ao ser humano, mas a toda a Natureza.
o Desde a célula mais primitiva até o ser humano, todas as formas
de vida passam por uma evolução contínua.
o A consciência e a liberdade só surgem após muitos estágios:
 Na planta, a inteligência dorme.
 No animal, ela sonha.
No homem, desperta e se torna consciente
93
EVOLUÇÃO DOIS MUNDOS
Herança Espiritual (Lei da Recapitulação)
 O corpo espiritual registra todas as experiências passadas:
o Reino mineral → Inércia, estrutura.
o Reino vegetal → Sensibilidade (tato rudimentar, fotossíntese).
o Reino animal → Instinto, movimentos reflexos.
o Reino humano → Razão, livre-arbítrio.
 Transmissão para o corpo físico:
o O perispírito (corpo espiritual) "ensina" o corpo físico a repetir
funções já dominadas em vidas passadas (ex.: um bebê já nasce
sabendo sugar o leite).
A Gênese dos Órgãos e Sentidos
André Luiz detalha como cada sentido surgiu na evolução:
Sentid
o
Origem Evolutiva
Tato Células ameboides (reagiam ao toque).
Visão Flagelados monocelulares (sensíveis à luz).
Olfato Animais aquáticos primitivos (detectavam químicos na água).
Paladar Plantas carnívoras (pelos digestivos).
Sexo Algas com células masculinas/femininas (atração química).
➡ Conclusão: Nossos órgãos físicos são a materialização de funções
que o espírito já dominava em estágios anteriores.
Automatismo e Livre-Arbítrio
 O que já é automático:
o Funções corporais (batimento cardíaco, digestão).
o Reações emocionais primitivas (medo, desejo).
 O que podemos controlar:
o Razão e moral elevam o espírito além do automatismo.
94
o Meta final: Tornar o amor e a sabedoria tão naturais quanto
respirar.
Evolução nos Dois Planos (Físico e Espiritual)
 No plano físico: Aprendemos através da matéria (dor, prazer,
repetição).
 No plano espiritual: Assimilamos experiências morais (consequências
dos nossos atos).
 Papel dos Instrutores Espirituais: Supervisionam esse processo,
garantindo que nenhum esforço evolutivo seja perdido.
Livro: Evolução em dois Mundos – Capítulos III e IV
A natureza não dá saltos.
O princípio espiritual atravessa lentamente os círculos elementares da
Natureza, qual vaso vivo, de forma em forma, até configurar-se no indivíduo
humano, em trânsito para a maturação sublimada no campo angélico.
Entre as últimas experiências como seres irracionais, no reino animal, e as
primeiras reencarnações dentro do período da humanidade, a diferença não
pode ser grande.
Ao atingirmos a razão só pouco a pouco vamos desenvolvendo a nossa
inteligência para nós aprendermos a usar a razão.
Ex: Os homens das cavernas (pouco além dos animais)
Depois através de várias reencarnações fomos aprendendo, fomos
crescendo, fomos evoluindo e hoje estamos no mundo tecnológico.
São fases contínuas, não se muda de uma hora para outra. Todo
aprendizado depende da experiência, da repetição, da busca, do esforço e
do trabalho.
“Deus cria a vida. O tempo modela as formas.”
Essa ideia da "infância" do Espírito e de seu desenvolvimento progressivo é
fundamental para entender:
 A Justiça Divina: Explica por que alguns Espíritos parecem mais
avançados do que outros. Não há injustiça, apenas diferentes estágios
de uma jornada evolutiva.
 O Propósito da Reencarnação: As múltiplas existências são o meio
pelo qual o Espírito tem a oportunidade de aprender, errar, corrigir-se e
desenvolver todas as suas potencialidades.
95
 Nossa Responsabilidade: Como a inteligência e a consciência se
desenvolvem, aumenta também nossa responsabilidade sobre nossos
atos e escolhas.
96
190 – Qual é o estado da alma em sua primeira encarnação?
O estado da infância na existência corpórea. Sua inteligência apenas
desabrocha: ela se ensaia para a vida.
COMENTÁRIOS:
A alma se manifesta em sua primeira encarnação mais a animalidade das
existências anteriores do que a racionalidade adquirida recentemente.
O instinto prevalece. →Lei de conservação: abrigo, proteção, alimentação,
reprodução.
A alma, em sua primeira encarnação, está no estado de infância espiritual.
Isso não significa que ela seja uma “criança” no sentido físico, mas que está
começando a desenvolver suas potências.
 Sua inteligência ainda é rudimentar, funcionando de forma instintiva.
 Há pouca ou nenhuma autonomia moral: ela ainda não escolhe com
discernimento, apenas reage.
 Como a criança que engatinha antes de andar, o Espírito recém-criado
experimenta a encarnação como ensaio para a vida consciente.
 Nessa fase, predomina a existência vegetativa e instintiva, com pouca
ou nenhuma elaboração racional.
É o estágio de transição saindo dos primeiros reinos da Natureza (reinos:
mineral, vegetal, animal inferior) passando para o reino hominal, em que o
princípio espiritual se molda por automatismos e experiências repetitivas,
ensaiando-se para a vida moral e intelectual plena.
Terá que aprender como lidar com essa nova ferramenta. Não direcionado
pelo instinto, mas passa a fazer suas próprias escolhas através do exercício
do livre arbítrio. Mas tal qual a criança, esse livre arbítrio ainda é bastante
limitado em suas primeiras reencarnações, ou seja, na infância espiritual.
Limite da condição de discernimento e aprendizado. É passo a passo. É
pouco mais que o animal.
A evolução espiritual é um processo gradual, e a primeira encarnação
marca o início de uma longa jornada de aprendizado.
191 – As almas dos nossos selvagens são almas em estado de
infância?
Infância relativa; mas são almas que já progrediram, pois têm paixões.
97
191.a) As paixões são, pois, um sinal de desenvolvimento?
De desenvolvimento sim, mas não de perfeição; as paixões são um sinal de
atividade e da consciência do eu, enquanto que, na alma primitiva, a
inteligência e a vida estão em estado de germe.
Allan Kardec:
A vida do Espírito, no seu conjunto, percorre as mesmas fases que
vemos na vida corporal; passa gradualmente do estado de embrião ao
da infância, para alcançar, por uma sucessão de períodos, a idade
adulta, que é a da perfeição, com a diferença de que não conhece o
declínio e a decrepitude como na vida corporal; que essa vida, que teve
começo, não terá fim; que é preciso um tempo imenso, do nosso ponto
de vista, para passar da infância espírita a um desenvolvimento
completo, e seu progresso se realiza não sobre uma só esfera, mas,
passando por mundos diversos. A vida do Espírito se compõe assim de
uma série de existências corporais, sendo cada uma, para ele, uma
oportunidade de progresso, da mesma forma que cada existência
corporal se compõe de uma série de dias em cada um dos quais o
homem adquire um acréscimo de experiências e de instrução. Todavia,
da mesma forma que na vida do homem existem dias que não
produzem fruto, na vida do Espírito há existências corporais sem
nenhum resultado, porque ele não as soube aproveitar.
COMENTÁRIOS:
Livro dos Espíritos – 18 de abril de 1857. (Sociedade da época, escravidão, o
termo selvagem era legal)
Selvagens – Kardec se referia aquilo que ele conhecia naquela época: tribos
da África, nativos das Américas, nativos da Austrália.
A palavra “selvagem” aqui designa os povos considerados mais próximos da
natureza, com poucos recursos civilizatórios. Esses Espíritos não são mais
infantis no sentido absoluto, pois já desenvolveram:
 Paixões, que indicam um grau de consciência do “eu”;
 As paixões — sejam elas o medo, a raiva, o desejo, o instinto de
sobrevivência — indicam que o Espírito já possui atividade. Ele reage
ao ambiente, tem desejos, vontades, e uma consciência mais apurada
de sua individualidade (o "eu") em relação ao mundo exterior.
 Atividade mental e emocional mais intensa.
Eles se encontram numa fase de infância relativa, como adolescentes
espirituais:
98
 Ainda distantes da razão plena e do controle moral sobre os instintos;
 Mas já despertos para desejos, reações emocionais e algum senso de
identidade
191.a) As paixões — desejos intensos, sentimentos fortes, impulsos —
indicam que a alma já não está adormecida.
 Mostram despertar da atividade mental e emocional, sinalizando o
surgimento da individualidade.
 indica que o espírito já desenvolveu autoconsciência e vontade própria,
diferentemente de um espírito primitivo, que age mais por instinto.
 No entanto, paixões descontroladas também revelam imperfeição
moral, pois o espírito ainda não aprendeu a dominá-las.
A alma já não é instintiva como na origem, mas ainda não é sábia nem
disciplinada.
É como o jovem que já tem força e desejos, mas ainda precisa aprender a
dirigir suas emoções com responsabilidade.
Comentário de Kardec:
Allan Kardec oferece uma analogia profunda entre a vida do Espírito e a vida
corporal, destacando o processo contínuo e gradual de evolução. Ele detalha
a jornada do Espírito desde seu início até a perfeição, diferenciando-a da
existência material.
1. A Analogia com a Vida Corporal: Fases e Crescimento Contínuo
Kardec compara a vida do Espírito à vida física do ser humano:
 Fases Graduais: Assim como o corpo passa do embrião à infância e à
idade adulta, o Espírito também percorre esses estágios. No entanto,
para o Espírito, a "idade adulta" simboliza a perfeição, um estado de
pleno desenvolvimento moral e intelectual.
 Ausência de Declínio: Uma diferença crucial é que o Espírito não
conhece o declínio nem a decrepitude da vida corporal. Uma vez que
atinge a perfeição, ele não regride.
 Imortalidade: A vida do Espírito, que teve um começo, não terá fim. Ele
é imortal e sua jornada de aprendizado é eterna.
2. A Escala do Tempo e o Progresso Multiesferas
 Tempo Imensurável: A transição da "infância espírita" para o
desenvolvimento completo exige um tempo imenso do nosso ponto de
99
vista humano. Isso ressalta a grandiosidade e a paciência necessárias
para a evolução espiritual.
 Progressão em Mundos Diversos: O progresso do Espírito não se limita
a uma única esfera (planeta). Ele se realiza passando por mundos
diversos, cada um oferecendo novas oportunidades e desafios
adequados ao seu estágio evolutivo. Isso reforça a ideia da pluralidade
dos mundos habitados e da transmigração progressiva.
3. Existências Corporais como Oportunidades de Progresso
 Série de Existências: A vida do Espírito é composta por uma série de
existências corporais (reencarnações). Cada uma dessas existências é,
para o Espírito, uma oportunidade de progresso.
 Analogia com os Dias da Vida Humana: Kardec compara cada
existência corporal a um dia na vida de um homem, em que ele adquire
"acréscimo de experiências e de instrução". Isso sublinha o valor e o
propósito de cada encarnação.
4. A Importância do Aproveitamento das Oportunidades
 Existências sem Fruto: Assim como há dias na vida humana que não
produzem fruto (ou seja, são desperdiçados), existem também
existências corporais que não resultam em progresso para o Espírito.
 Responsabilidade Individual: Isso ocorre porque o Espírito não soube
aproveitar as oportunidades oferecidas por aquela encarnação. Essa
parte do comentário enfatiza a responsabilidade individual no processo
evolutivo. O livre-arbítrio permite que o Espírito escolha usar (ou não
usar) as provas e lições para seu avanço.
Nesse comentário Kardec nos oferece uma visão abrangente e esperançosa
da jornada do Espírito. Ele destaca a continuidade da vida, a gradualidade do
progresso, a imortalidade e a pluralidade das existências e dos mundos.
Mais importante, ele nos lembra da responsabilidade que cada Espírito tem
em aproveitar suas encarnações para evoluir, pois, embora a perfeição seja
um destino certo, o tempo e a extensão do caminho dependem de nosso
próprio esforço e boa vontade.
100
Para aprofundar nos comentários:
Aqui estão alguns pontos para direcionar os comentários e esclarecer essa
questão:
1. Contexto Histórico da Linguagem:
 Terminologia da Época: O termo "selvagem" era uma classificação
antropológica e sociológica comum no século XIX, utilizada por
estudiosos para descrever povos que viviam fora dos padrões da
sociedade europeia industrializada da época (sem escrita formal, com
outras formas de organização social, etc.). Não se tratava
necessariamente de um juízo de valor racial intrínseco, mas de uma
categorização baseada na percepção de desenvolvimento material e
social. Infelizmente, essa terminologia carregava e ainda carrega
conotações pejorativas, mas é vital entender que o vocabulário
científico e social evolui.
 Não Era um Termo Racial: Kardec não usou "selvagens" para se
referir a uma raça específica, mas a um estágio de organização
social e material. No século XIX, muitas populações africanas,
indígenas das Américas e da Oceania eram classificadas dessa forma,
independentemente de sua etnia, com base em seus modos de vida.
2. A Doutrina Espírita e a Universalidade do Espírito:
 Infância do Espírito, Não da Raça: A resposta dos Espíritos na
questão 191 refere-se à infância do Espírito em seu processo
evolutivo, e não à infância de uma raça. O Espírito, em sua origem, é
"simples e ignorante" (questão 115) e inicia sua jornada evolutiva em
estágios muito rudimentares. O fato de encarnar em um corpo que faz
parte de uma cultura "selvagem" (na terminologia da época) reflete o
estágio evolutivo daquele Espírito individual, e não uma característica
inerente ou "inferior" de um grupo racial.
 Reencarnação em Todas as Raças: A Doutrina Espírita ensina que o
Espírito reencarna em todas as raças, em todas as condições
sociais e em ambos os sexos para adquirir a plenitude das
experiências. Se uma raça fosse "inferior" espiritualmente, isso anularia
o propósito da reencarnação como meio de aprendizado universal. A
raça é apenas um "vestuário" temporário para o Espírito.
 Progresso Individual e Universal: O Espiritismo prega a igualdade
fundamental de todos os Espíritos perante Deus. Todos, sem
exceção, são destinados à perfeição, independentemente da veste
carnal ou do local de encarnação. O que difere é o grau de
101
adiantamento moral e intelectual individual, fruto de escolhas e
esforços em vidas sucessivas.
 Paixões como Sinal de Desenvolvimento: Na questão 191.a, os
Espíritos afirmam que as paixões são um "sinal de atividade e da
consciência do eu" e de "desenvolvimento". Isso mostra que, para o
Espiritismo, mesmo as características associadas a esse "estágio de
selvageria" (como a manifestação mais bruta das paixões) são vistas
como parte do processo evolutivo do Espírito, um passo além do
"germe" de inteligência.
3. A Essência do Pensamento de Kardec:
 Fraternidade e Igualdade: A obra de Kardec, em seu todo, é um hino
à fraternidade universal, à caridade e à justiça. Princípios como
"Fora da caridade não há salvação" e a igualdade de todos perante a
Lei Divina são pilares do Espiritismo. Um pensamento genuinamente
racista seria fundamentalmente contraditório a esses pilares.
 Crítica à Materialidade: Kardec sempre criticou a visão materialista
que valorizava a forma física em detrimento do Espírito. O foco do
Espiritismo é o ser imortal, e não as características transitórias do
corpo ou da cultura material.
O Espiritismo defende a igualdade fundamental de todos os Espíritos e a
necessidade de reencarnar em diversas condições e raças para adquirir
todas as experiências necessárias ao seu aprimoramento. A raça é um
'vestuário' temporário, e a essência do ser é o Espírito imortal, que progride
rumo à perfeição por mérito próprio, superando suas paixões e
desenvolvendo o amor e a inteligência.
Ilustrar através do livro "Eustáquio-Quinze séculos de uma trajetória"
quando em uma de suas encarnações foi direcionado pelas equipes
reencarnatórias da Colônia Alvorada Nova a se reencarnar entre os
indígenas das terras brasileiras mesmo antes de o Brasil existir, a fim de
treinar a humildade e a simplicidade. Está no capítulo XIX, desvendando um
continente selvagem.
102
Palavra “selvagem”
Não deve mais ser usada para se referir a esses povos.
Apesar de ter sido usada no passado (inclusive por Allan Kardec em O Livro dos
Espíritos, como no item 191), hoje ela é considerada inadequada, pejorativa e até
ofensiva. O termo carrega uma carga histórica ligada ao preconceito, ao colonialismo e à
desvalorização de culturas diferentes da ocidental.
Como devemos chamá-los?
Os termos mais apropriados, usados atualmente por antropólogos, pesquisadores e
organismos internacionais, incluem:
 Povos originários
 Grupos indígenas
 Povos isolados ou voluntariamente isolados
 Povos tribais
 Povos tradicionais
 Culturas ancestrais ou nativas
Essas expressões reconhecem que:
 Eles têm saberes próprios, espiritualidade, organização social, línguas e relações
com a natureza que não são “atrasadas”, mas diferentes das sociedades
industrializadas.
 A forma de vida deles é digna de respeito e representa outra fase ou escolha
dentro da trajetória da humanidade — e, conforme o Espiritismo ensina, cada
Espírito está em uma etapa diferente de evolução.
É importante ressaltar que os povos que vivem de forma rudimentar, semelhante às
fases da pré-história, são geralmente conhecidos como povos indígenas isolados ou
de contato recente. Eles optam por manter-se afastados da sociedade moderna,
preservando seus modos de vida tradicionais, que incluem caça, pesca, coleta e, em
alguns casos, agricultura de subsistência, com uso limitado de tecnologia.
Esses grupos não são "relíquias primitivas de um passado remoto", mas sim
contemporâneos nossos que escolheram um caminho diferente de desenvolvimento.
Seu isolamento é, muitas vezes, uma forma de proteção contra doenças, violência e
exploração de suas terras.
Conclusão:
Esses povos não devem ser considerados "selvagens".
Esse termo pertence a uma visão antiga, já superada tanto pela ciência quanto pela
espiritualidade.
Devemos vê-los como:
 Irmãos em jornada evolutiva, em estágios diferentes.
 Portadores de culturas valiosas, dignas de proteção e respeito.
103
 Seres humanos como todos nós — com inteligência, sentimentos, e um Espírito
eterno em aprendizado.
Por que Kardec usava o termo “selvagem?
Kardec viveu em um contexto histórico de meados do século XIX, onde termos como
“selvagem”, “bárbaro” e classificações sociais ou raciais eram comuns até mesmo entre
os pensadores mais progressistas da época. Esses termos refletiam o vocabulário e o
pensamento da sociedade europeia daquele período — não significam, necessariamente,
preconceito moral por parte de quem os usava, mas sim a influência do tempo e da
linguagem disponíveis.
Sobre Kardec e o racismo:
 Kardec nunca defendeu a superioridade de uma raça sobre outra em termos
espirituais.
 Pelo contrário, ele afirmava constantemente que todos os Espíritos foram criados
simples e ignorantes, e que só o progresso moral e intelectual determina o grau de
evolução — não a etnia, a nacionalidade, nem a posição social.
 A Doutrina Espírita, codificada por ele, condena o orgulho de raça, a escravidão, a
exploração e qualquer forma de preconceito.
Exemplo claro está em O Livro dos Espíritos, questão 803:
“Todos os homens são iguais perante Deus?”
Resposta: “Sim, todos tendem para o mesmo fim, e Deus fez Suas leis para todos. Dizeis
frequentemente: o sol brilha para todos, e com isso dizeis uma verdade maior e mais
geral do que pensais.”
Entendendo o contexto histórico:
 Em 1857 (ano da publicação de O Livro dos Espíritos), a escravidão ainda era legal
em muitas partes do mundo, inclusive no Brasil (abolida só em 1888).
 O pensamento europeu ainda era marcado por visões colonialistas e eurocêntricas.
 Mesmo os cientistas e filósofos da época usavam categorias como “raças
superiores e inferiores” — o que hoje sabemos ser totalmente equivocado.
 Kardec se destacou nesse cenário ao tratar todos os Espíritos como irmãos e
iguais perante Deus, independentemente de sua cor de pele ou origem.
“Kardec não era racista, simplesmente estava em um momento histórico.”
Graças ao trabalho dele, abrimos espaço para uma visão da humanidade como uma só
família, com Espíritos em diferentes estágios evolutivos, mas todos criados com o mesmo
potencial de luz.
A verdadeira justiça é reconhecer o passado com honestidade, atualizar o que precisa ser
melhorado e preservar os princípios eternos do amor, da igualdade e do progresso
espiritual.
O que Kardec realmente ensinava?
104
Apesar da linguagem da época, a mensagem doutrinária de Allan Kardec foi
profundamente humanista, espiritualista e igualitária. Ele afirmava com clareza:
“Todos os Espíritos foram criados simples e ignorantes.” (LE, questão 115)
“Todos os homens são iguais perante Deus.” (LE, questão 803)
E mais ainda:
A verdadeira medida de um Espírito não está em sua cor, raça ou origem social, mas sim
em seu grau de progresso moral e intelectual, que pode ser alcançado em qualquer
ponto do planeta e em qualquer condição externa.
Julgá-lo como racista seria um erro histórico e doutrinário. Ele foi um homem muito à
frente de seu tempo, que trouxe à humanidade uma doutrina baseada na igualdade
espiritual, no progresso contínuo, na reencarnação e no amor ao próximo.
Reconhecer isso não é negar os avanços sociais e éticos que tivemos desde então, mas
sim honrar as raízes de uma doutrina que valoriza o Espírito imortal,
independentemente da aparência exterior.
Reflexão:
“Se todos os Espíritos foram criados por Deus com igual potencial para o bem, o que nos
cabe é reconhecer em cada ser humano — de qualquer cultura ou época — um irmão em
jornada de evolução. Julgar o passado é fácil, mas compreender com caridade e ampliar
a consciência é a verdadeira luz do Espírito.”
105
192 – Pode-se, desde esta vida, por uma conduta perfeita, superar
todos os graus e se tornar Espírito puro, sem passar pelos graus
intermediários?
Não, pois o que o homem acredita ser perfeito, está longe da perfeição; há
qualidades que lhe são desconhecidas e que não pode compreender. Ele
pode ser tão perfeito quanto o permita a sua natureza terrestre, mas, isso
não é a perfeição absoluta. Uma criança, por precoce que seja, deve passar
pela juventude antes de atingir a idade madura; da mesma forma, também, o
doente passa pelo estado de convalescença antes de recuperar toda a
saúde. Aliás, o Espírito deve avançar em ciência e em moralidade; e, se ele
não progride senão num sentido, é necessário que progrida também no outro
para alcançar o alto da escala. Todavia, quanto mais o homem avança na
sua vida atual, menos as provas seguintes são longas e penosas.
192.a) Pode o homem, ao menos, assegurar nesta vida uma existência
futura menos cheia de amarguras?
Sim, sem dúvida, pode abreviar a extensão e as dificuldades do caminho. Só
o negligente se encontra sempre na mesma situação.
COMENTÁRIOS:
Estamos reencarnados no planeta Terra, de provas e expiações. Temos
ainda os de regeneração, os mundos felizes, os mundos ditosos e os
celestes.
"Não, pois o que o homem acredita ser perfeito, está longe da
perfeição."
 Limitação da percepção humana: O que consideramos "perfeição" na
Terra é apenas um estágio relativo dentro de uma escala cósmica
muito maior.
 Ignorância de qualidades superiores: Existem virtudes e conhecimentos
que ainda não compreendemos, pois nossa consciência ainda não
alcançou esses patamares.
"Pode ser tão perfeito quanto o permita a sua natureza terrestre, mas
isso não é a perfeição absoluta."
o Relativa: Alcançar o máximo possível dentro das limitações de
uma encarnação (ex.: ser honesto, caridoso, compreensivo,
indulgente, perdoar, etc.).
o Absoluta: Estado dos Espíritos puros, que transcende
completamente as imperfeições humanas.
106
Analogias usadas pelos Espíritos
- Criança → Adulto:
o Uma criança prodígio não pode pular diretamente para a
maturidade; precisa viver as fases naturais de crescimento.
o Da mesma forma, o espírito precisa passar por experiências
múltiplas para consolidar sabedoria e virtude.
- Doente → Convalescença → Cura:
o A recuperação é gradual; não há salto direto da doença para a
saúde plena.
o Assim, o espírito precisa de várias existências para "curar" suas
imperfeições.
Progresso duplo: Ciência e Moralidade
 Não basta ser bom ou sábio isoladamente:
o Um gênio científico sem ética não está verdadeiramente
evoluído.
o Uma pessoa bondosa, mas ignorante, também precisa
desenvolver conhecimento.
 Equilíbrio necessário: A evolução exige avanço integral (intelectual +
moral).
→ Livro O Consolador – Q.117.
192.a – Livre-arbítrio e responsabilidade: Cada um define seu ritmo de
evolução pelas escolhas atuais. Quem age com negligência (egoísmo, vícios,
indiferença) repete provas difíceis.
Lei de causa e efeito – A lei do progresso é implacável, mas justa: quem se
esforça colhe frutos mais cedo. Encurta o caminho em futuras encarnações.
As provas se tornam mais suaves para quem já demonstrou compromisso
com o progresso.
Mensagem de esperança: Não estamos condenados ao sofrimento
eterno; podemos mudar nosso futuro espiritual a partir das ações desta vida.
→ A dor existe, é ferramenta para a nossa evolução, mas não precisamos
passar por ela.
Teremos ainda muitas e muitas reencarnações para adquirir todo o
aprendizado que necessitamos.
Espíritas, amai-vos, eis o primeiro ensinamento.
107
Espíritas, instruí-vos, eis o segundo ensinamento.
É o amor e a instrução. É o sentimento e o intelecto.
São as duas asas: a razão (aprimoramento do intelecto, o conhecimento
dominando todas as áreas do conhecimento humano) e a emoção (amor da
forma que Jesus nos ensinou).
Muito trabalho pela frente para chegarmos à plenitude.
193 – Um homem, em suas novas existências, pode descer mais baixo
que na atual?
Como posição social, sim; como Espírito, não.
COMENTÁRIOS:
Tudo caminha para frente.
As leis, criadas por Deus não permitem que o homem, em uma
reencarnação, desça, espiritualmente, mais abaixo do que se encontra.
O conhecimento é patrimônio do Espírito, não há involução. Não há
retrocesso na vida do Espírito.
Na condição social acontece sim, pois a condição social não é sinônimo de
evolução.
O Espírito não regride; ele sempre avança para frente e para o alto. O que
pode acontecer é a alma descer socialmente; regressão material é escola
para o Espírito; no entanto, o que aprendemos nunca mais esquecemos,
pois, significa despertamento. Os valores espirituais adquiridos irradiam
sempre em todas as reencarnações. (independente da condição social,
física, religiosa, cultural, profissional)
O que por vezes acontece, é que o Espírito em boas condições intelectuais
pode voltar à Terra em outra vida física, sem condições de se expressar, o
que, contudo, não significa regressão. O que ele sabe, está registrado para a
eternidade.
Lei do Progresso Contínuo: É irreversível. O Espírito está sempre
caminhando para a perfeição, mesmo que lentamente ou com desvios
temporários.
Conhecimento e Virtudes Adquiridas: As experiências e o aprendizado
acumulados ao longo das encarnações se incorporam ao Espírito. Ele pode
estagnar por um tempo (se não aproveitar suas existências), mas não perde
o que já conquistou em termos de inteligência e virtudes.
108
Diferença entre Posição Social e Estado Espiritual: É crucial distinguir
entre a posição social (transitória, externa, material) e o estado do Espírito
(essencial, interno, moral e intelectual). A posição social é um instrumento
para o progresso do Espírito, não o seu indicador direto. Um Espírito muito
evoluído pode, por missão ou prova, encarnar em um meio social humilde,
mantendo sua elevação interior.
Isso significa que alguém que hoje vive em uma família abastada, com
acesso à educação e a privilégios, pode, em uma vida futura, nascer em
condições de pobreza, em um ambiente menos favorecido ou em um país
com menos recursos materiais ou em um corpo com limitações físicas e
intelectuais. Por que isso acontece?
 Provas e Expiações: A descida de posição social é frequentemente
uma prova necessária para o Espírito. Pode ser para desenvolver
virtudes como a humildade, a paciência, a resiliência, ou para
aprender a valorizar o que antes desprezou.
 Reparação de Erros: Pode ser também uma expiação, uma
oportunidade de reparar erros cometidos em vidas passadas, como o
orgulho, a vaidade, a exploração ou a indiferença para com os menos
afortunados. Ao vivenciar a carência, o Espírito aprende a desenvolver
a empatia e a solidariedade.
 Aprendizado e Equilíbrio: Essa alternância de posições sociais
contribui para o equilíbrio e o aprendizado completo do Espírito. Ao
experimentar diferentes realidades, ele compreende melhor as
necessidades alheias e desenvolve uma visão mais abrangente da vida
e da sociedade.
O plano divino da evolução é flexível em relação às circunstâncias externas
(posição social), utilizando-as como ferramentas pedagógicas. No entanto, é
inflexível quanto à direção do progresso: o Espírito avança sempre, sem
possibilidade de retroceder em sua essência e nos conhecimentos e virtudes
que já adquiriu.
194 – A alma de um homem de bem pode, numa nova encarnação,
animar o corpo de um homem perverso?
Não, visto que ela não pode degenerar.
194.a) A alma de um homem perverso pode vir a ser a de um homem de
bem?
Sim, se se arrependeu e isso, então, é uma recompensa.
109
Allan Kardec:
A marcha dos Espíritos é progressiva, jamais retrógrada. Eles se
elevam gradualmente na hierarquia e não descem da categoria que já
alcançaram. Nas suas diferentes existências corporais, podem descer
como homens, mas não como Espíritos. Assim, a alma de um
potentado da Terra pode, mais tarde, animar o mais modesto artesão e
vice-versa, porque as posições entre os homens, frequentemente, estão
na razão inversa da elevação dos sentimentos morais. Herodes era rei,
Jesus, carpinteiro.
COMENTÁRIOS:
Progresso irreversível:
 Um espírito que já atingiu um certo nível moral (homem de bem) não
regride a um estado de perversidade.
 A evolução espiritual segue sempre em frente, nunca para trás.
Degeneração moral só ocorre no mesmo estágio: Um espírito
pode estagnar ou demorar a progredir, mas não volta a ser perverso se já
superou essa fase.
194.a) Redenção do perverso
Um Espírito que foi "perverso" pode se regenerar através do arrependimento
sincero, do esforço para reparar seus erros e do aprendizado em novas
encarnações, evoluir para se tornar um "homem de bem". (Sempre há ajuda)
A reencarnação oferece novas oportunidades para corrigir erros.
Tornar-se um "homem de bem" é uma conquista, não um acaso.
- ESE – Capítulo 17: Sede perfeitos
- LE – Q.918
Comentário de Kardec:
A posição social que uma pessoa ocupa nesse momento de sua existência
não indica que tenha uma evolução maior ou menor em relação aqueles que
o cercam.
Há muitos seres evoluídos vivendo em condições bem humildes.
Por outro lado, há seres que buscam um melhor entendimento emocional e o
amor ao próximo e que estão em posição de destaque, ocupando cargos,
tomando decisões.
A condição de cada um reencarnado no planeta é exatamente a condição
necessária para aquela individualidade, conforme seus créditos ou seus
110
débitos e adquirir o aprendizado que necessita, considerando o que se já
vivenciou lá atrás.
Somos herdeiros de nós mesmos.
Os valores morais conquistados estarão presentes na essência do Espírito,
em seu coração.
Kardec culmina com a comparação de Herodes (rei) e Jesus (carpinteiro).
Este é o exemplo máximo para demonstrar que a grandeza espiritual não
está atrelada ao poder ou à posição social terrena, mas sim à elevação dos
sentimentos morais. Jesus, o Espírito mais puro que conhecemos em sua
encarnação na Terra, escolheu uma vida de humildade e simplicidade,
provando que a condição social é apenas um invólucro para o Espírito em
sua jornada de aprimoramento.
195 – A possibilidade de melhorar-se numa outra existência, não pode
conduzir certas pessoas a perseverarem no mau caminho com a ideia
de que poderão sempre corrigir-se mais tarde?
Aquele que pensa assim não crê em nada e a ideia de um castigo eterno não
o deteria mais, porque a sua razão a repele e essa ideia conduz à
incredulidade sobre todas as coisas. Se se houvesse empregado apenas
meios racionais para conduzir os homens, não haveria tantos céticos. Um
espírito imperfeito pode, com efeito, pensar durante sua existência corporal,
como dizes, mas, uma vez desligado da matéria, ele pensará de outra forma,
pois perceberá que fez cálculo errado, e é então, que trará um sentimento
contrário em uma nova existência. É assim que se realiza o progresso e é
por essa razão que, na Terra, existem homens uns mais adiantados do que
outros. Alguns já têm experiências que outros não conhecem ainda, mas que
adquirirão pouco a pouco. Depende de cada um apressar seu progresso ou
atrasar-se indefinidamente.
Allan Kardec:
O homem que ocupa uma posição má deseja trocá-la o mais depressa
possível. Aquele que está convencido de que as tribulações desta vida
são consequências de suas imperfeições, procurará garantir uma nova
existência, menos penosa. Esta ideia o desviará mais depressa do
caminho do mal, que a ideia do fogo eterno, no qual não acredita.
COMENTÁRIOS:
- Se podemos melhorar em vidas futuras, por que não continuar no mal
agora e nos corrigir depois?"
111
- É um argumento usado por alguns para justificar a procrastinação espiritual.
Posso aproveitar para evoluir numa próxima existência considerando que
todos nós somos eternos, Espíritos imortais, todos nós seremos perfeitos, o
que eu não cumprir nessa existência cumprirei na próxima. Muitas pessoas
pensam assim.
Exemplos de frases:
- Não suporto tal pessoa. Não quero resolver por agora. Deixa pra depois.
- Não vou perdoar. Quem sabe numa próxima existência. Quero usufruir de
tudo o que tenho direito. Quero aproveitar a vida, depois levo a sério.
Quando começamos a estudar, aprender, ter conhecimento acerca desses
ensinamentos e das verdades da vida, da razão pela qual estamos aqui,
sabemos que o ideal e fazermos o que precisa ser feito o quanto antes.
Quanto mais prorrogarmos o nosso progresso, mais dores teremos, mais
dificuldades, mais lágrimas, pois permaneceremos sofrendo.
→ Estamos na fase do despertar, então é agir e tentar com muita cautela
despertar quem nos cerca, quem amamos para não sofre muito também.
A quem mais for dado, mais será cobrado.
Nós que já temos acesso à doutrina espírita, aqueles que já possuem um
conhecimento religioso, aqueles que já sabem que devemos amar uns aos
outros ao receber essa bênção de luz nos será cobrado uma conduta mais
concisa, de acordo com os ensinamentos de Jesus.
Por outro lado, aqueles irmãos nossos que ainda não conheceram ou não
aceitam o Cristo e os seus ensinamentos de amor, não buscam aprimorar-
se, desses a cobrança será menor.
Nós que recebemos tanto esclarecimento na doutrina espírita, será que
temos na mesma proporção mudado o nosso comportamento, vivenciado o
amor que Jesus nos ensinou? Por que de nós será cobrado uma conta bem
maior.
As oportunidades são sempre renovadas. Aquilo que não conseguimos
resgatar em uma encarnação, teremos a oportunidade de resgatar em outra.
Contudo, sabemos que a cada tentativa falha aquele débito se agrava. Nas
reencarnações vindouras a dificuldade se agravará, pois, teremos novos
débitos adquiridos em razão do fracasso.
Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.
Temos que estudar o evangelho, estudar todos os ensinamentos da doutrina
espírita. Mas conhecer efetivamente, é necessário colocarmos em prática, na
112
convivência com o próximo, com a família, no trabalho para transformarmos
o aprendizado em conduta para ocorrer a transformação moral.
Quem protela é porque ainda não se conscientizou da verdade do Cristo.
Nunca se deve pensar que, se a vida é eterna, tem-se muito tempo para o
aperfeiçoamento. Na verdade, a evolução é demorada, contudo, é
progressiva, e temos uma função importante no nosso despertamento
espiritual.
Só através do progresso, do esforço sincero, da busca pela evolução, nós
podemos nos depurarmos e evoluir.
Comentário de Kardec:
O medo de um castigo eterno não convence a razão e leva muitos à
incredulidade. Já a ideia da reencarnação, quando bem compreendida,
estimula a reforma íntima, porque mostra que os sofrimentos atuais são
reflexo de escolhas anteriores, e que podemos mudar nossa história com
esforço e responsabilidade.
196 – Os Espíritos não podendo melhorar-se, senão suportando as
tribulações da vida corporal, seguir-se-ia que a vida material seria uma
espécie de cadinho ou depurador, pelo qual devem passar os seres do
mundo espírita para atingirem a perfeição?
Sim, é bem isso. Eles se melhoram nessas provas, evitando o mal e
praticando o bem. Porém, é só depois de várias encarnações ou depurações
sucessivas, num tempo mais ou menos longo, e segundo seus esforços, que
eles atingem o objetivo para o qual tendem.
196.a) É o corpo que influi sobre o Espírito para melhorá-lo ou o
Espírito que influi sobre o corpo?
Teu Espírito é tudo; teu corpo é uma veste que apodrece; eis tudo.
Allan Kardec:
No suco da videira encontramos uma comparação material dos
diferentes graus de depuração da alma. Ele contém o licor chamado
espírito ou álcool, mas, enfraquecido por uma multidão de matérias
estranhas que lhe alteram a essência. Depois de várias destilações, em
cada uma da qual se depura de algumas impurezas, ele alcança a
pureza absoluta. O alambique é o corpo no qual ele deve entrar para se
113
purificar; as matérias estranhas são como o perispírito que se depura,
ele mesmo, à medida que o Espírito se aproxima da perfeição.
COMENTÁRIOS:
Cadinho:
- Gíria (mineira) – pequena quantidade, pouquinho / diminutivo abreviado de
bocado (no português de Portugal essa palavra é muito usada)
- É um recipiente resistente ao calor, usado em laboratórios e indústrias
para fundir metais, vidros ou outros materiais em altas temperaturas.
Símbolo de purificação: Assim como o cadinho refina metais impuros,
a vida material ("cadinho espiritual") serve para:
- Testar o Espírito (provas).
- Purificá-lo (expiações).
- Elevá-lo (evolução moral).
A Vida Material como Cadinho Depurador
 A Pergunta Central: A questão indaga se a vida material é um
"cadinho ou depurador" pelo qual os Espíritos devem passar para
alcançar a perfeição, dado que só podem melhorar-se suportando as
tribulações corporais.
 A Resposta Direta: Os Espíritos confirmam: "Sim, é bem isso." Essa
afirmação é crucial, pois estabelece que a encarnação não é um
castigo em si, mas um instrumento essencial de aprimoramento.
 Mecanismo de Melhoria: A melhora se dá através de um processo
ativo: "evitando o mal e praticando o bem." Isso significa que a vida
terrena oferece escolhas morais constantes, e a forma como o Espírito
lida com elas define seu progresso.
 Progressão Gradual e Esforço Individual: O objetivo da perfeição é
atingido "só depois de várias encarnações ou depurações sucessivas,
num tempo mais ou menos longo, e segundo seus esforços." Isso
reforça a ideia de que o progresso é gradual (múltiplas encarnações) e
depende diretamente do esforço individual do Espírito. Não há atalhos
ou privilégios.
196.a) A Prevalência do Espírito sobre o Corpo
114
- Resposta Incisiva: "Teu Espírito é tudo; teu corpo é uma veste que
apodrece; eis tudo."
Esta resposta é um dos pontos mais diretos sobre a primazia do Espírito na
Doutrina Espírita.
Essa resposta desmistifica qualquer ideia de determinismo biológico ou
material.
O corpo é meramente um invólucro, um instrumento temporário, que se
desgasta e morre. Ele não tem o poder de "melhorar" o Espírito em sua
essência. Pelo contrário, é o Espírito quem utiliza o corpo e as experiências
da vida material como ferramentas para seu próprio aprimoramento. A
capacidade de discernir, de escolher entre o bem e o mal, de sentir e de
progredir reside unicamente no Espírito.
Allan Kardec: A Analogia do Alambique
Kardec complementa as respostas com uma analogia material brilhante para
facilitar a compreensão do processo de depuração:
 O Suco da Videira e o Álcool: Ele compara o Espírito, em seu estado
inicial, ao suco da videira que contém o "licor chamado espírito ou
álcool", mas que está "enfraquecido por uma multidão de matérias
estranhas que lhe alteram a essência". Essas "matérias estranhas"
representam as imperfeições, os vícios e os resquícios do egoísmo que
o Espírito ainda carrega.
 Destilação e Depuração Sucessiva: O processo de "várias
destilações" simboliza as múltiplas encarnações ou depurações
sucessivas. A cada destilação (vida), o licor (Espírito) "se depura de
algumas impurezas", aproximando-se da "pureza absoluta".
 O Alambique e o Corpo: O alambique, o aparelho de destilação, é
comparado ao corpo, que serve de instrumento para o Espírito se
purificar.
 O Perispírito: Por fim, Kardec estende a analogia ao perispírito, a
matéria fluídica que envolve o Espírito. Ele explica que as "matérias
estranhas" são como o perispírito, que também "se depura, ele mesmo,
à medida que o Espírito se aproxima da perfeição". Isso mostra que o
perispírito, sendo um envoltório semimaterial, reflete o estado moral do
Espírito, tornando-se mais sutil e luminoso à medida que o Espírito se
eleva.
- A vida corporal como uma escola indispensável e um laboratório de
aprimoramento moral.
115
- As tribulações não são um castigo sem propósito, mas ferramentas
que, bem utilizadas, impulsionam o Espírito a "evitar o mal e praticar o
bem".
- A primazia é sempre do Espírito, que é o ser pensante e agente,
utilizando o corpo (e o perispírito) como instrumentos para sua
depuração contínua e irreversível, rumo à perfeição que se alcança em
múltiplas existências.
Vamos caminhando enquanto Espírito. O Espírito é imortal, enquanto o corpo
serve apenas de instrumento de aprendizado do Espírito.
Somos Espírito que temos um corpo (transitório)
É necessário que o Espírito passe por todos os tipos de tribulações, para
serem elas escolas onde se aprende a viver melhor. São indispensáveis os
problemas e as dores nos caminhos da humanidade, pelo menos na faixa
evolutiva em que ela se encontra.
São necessárias várias reencarnações para a alma, como sendo
oportunidades de aprimoramento espiritual e educandários de elevado poder
disciplinando para um porvir cheio de luz e de paz.
Esta imagem apresenta, de forma gráfica, o processo contínuo e
progressivo da evolução espiritual do ser, representando o caminho do
Espírito desde sua fase mais instintiva (animalidade) até o ápice da perfeição
moral e intelectual (angelitude).
116
Faixa Laranja – Materialidade / Animalidade
 Nos primeiros estágios (níveis 0 a 4), predominam:
o Instinto e comportamento empírico;
o Ignorância e irresponsabilidade moral;
o A alma ainda está muito presa à matéria, sob forte influência da
Lei de Causa e Efeito, que regula as consequências das ações.
 Representa o Espírito ainda em fase de aprendizado bruto, vivendo
encarnações voltadas ao despertar da consciência e da moralidade.
Faixa Verde – Espiritualidade / Angelitude
 A partir dos níveis intermediários (níveis 5 a 10), ocorre o crescimento
do Espírito em:
o Razão, sabedoria e responsabilidade moral;
o Conhecimento espiritual e vivência da Lei de Amor;
o Predomínio da espiritualidade sobre a materialidade.
 Aqui o Espírito se torna cada vez mais consciente de si mesmo, de
suas responsabilidades, e da sua missão perante Deus e o próximo.
Linha do Tempo – Sucessivas Encarnações
 A evolução ocorre gradualmente, por meio de reencarnações
sucessivas.
 O gráfico enfatiza que esse progresso é infinito e nunca retroativo:
uma vez alcançado determinado grau de evolução, o Espírito não volta
atrás, embora possa estagnar temporariamente.
A marcha dos Espíritos é progressiva, jamais retrógrada. Com esforço,
aprendizado e vivência do bem, o Espírito se desmaterializa e se aproxima
da perfeição — a angelitude.
117
4.5 – DESTINO DAS CRIANÇAS DEPOIS DA MORTE
197 – O Espírito de uma criança, morta em tenra idade, é tão avançado
como o de um adulto?
Algumas vezes muito mais, porque pode ter vivido mais e adquirido maior
soma de experiência, sobretudo se progrediu.
197.a) O Espírito de uma criança pode, assim, ser mais adiantado do
que o do seu pai?
Isto é muito frequente; vós mesmos não vedes isso muitas vezes na Terra?
COMENTÁRIOS:
Essa resposta rompe com a visão materialista de que o ser espiritual é tão
"novo" quanto o corpo que habita. A Doutrina Espírita nos ensina que o
Espírito é imortal e pré-existe ao nascimento, ou seja, a criança é apenas um
Espírito antigo em um corpo novo.
O corpo infantil é apenas um "vestuário" temporário. Um bebê que
desencarna pode ser, na realidade, um Espírito muito elevado que
reencarnou com um propósito específico (como experiências curtas de vida,
provas para os pais, etc.).
O Espírito que habita o corpo de uma criança pode ser mais antigo que o
Espírito que habita o corpo do pai, da mãe, ou então pode até ser mais novo,
mas aproveitou melhor as oportunidades concedidas pela Lei Divina nas
suas diversas reencarnações.
De acordo com o livre arbítrio vem construindo a sua história, por isso,
tomamos caminhos diferentes conforme as escolhas que fazemos.
Um dos critérios ainda no plano espiritual para a constituição da família é a
afinidade.
- Afinidades – existências passadas, retornando no mesmo núcleo familiar
(afinidades por amor ou pela dor). A missão do Espírito mais evoluído no
grupo familiar é auxiliar o grupo, alavancar seus membros, contribuir para as
mudanças através da sua influência.
Numa família podemos estar uns mais adiantados que os outros, mas se a
vida nos colocou juntos é porque temos algo a realizar juntos, temos algo a
aprender, a ensinar uns aos outros. Podemos aprender sempre,
independentemente do nível em que estamos.
118
LIVRO SEGUNDO: MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS
Capítulo IV: Pluralidade das Existências
Não importa se um é mais evoluído ou menos evoluído, temos que dar as
mãos e conviver em harmonia, em paz, fluindo o amor. Buscando sempre
auxiliar uns aos outros.
- Afeição
- Simpatia
- Semelhança das inclinações
Letra A
A doutrina espírita nos mostra claramente que o Espírito existe antes do
nascimento.
É comum que filhos sejam mais evoluídos que os próprios pais. Isso se
evidencia muitas vezes em crianças com sabedoria precoce, comportamento
compassivo, maturidade espiritual ou talentos elevados.
Exemplo de crianças que mostram progresso, que não foi passado pelos
pais ou pelo meio:
• Jesus (mais avançado que o pai e a mãe) – Exemplo máximo;
• Crianças superdotadas;
• Crianças que resistem aos vícios, apesar de todos ao seu redor serem
viciados;
• Crianças que desde cedo são exemplos de bondade, honestidade e
trabalho, quando no lar não se observa essas virtudes.
O Espírito de um filho pode ter reencarnado como filho justamente para
auxiliar seus pais em sua evolução espiritual. Às vezes, ele aceita essa
posição por amor, sacrifício ou missão.
A posição hierárquica familiar na Terra não reflete a hierarquia espiritual.
Todo adulto necessariamente teve que passar pela infância,
independentemente, do seu nível intelectual e moral.
Sintese:
 A infância é uma fase de readaptação do Espírito ao corpo físico, e não
um indicativo de inferioridade espiritual.
 Espíritos superiores podem aceitar reencarnações curtas como forma
de aprendizado, missão ou ajuda a terceiros.
 O vínculo familiar não garante que os pais sejam mais evoluídos que
os filhos.
 A morte precoce não é um castigo, mas pode ser o cumprimento de um
plano reencarnatório específico.
119
198 – Pertence a uma categoria superior o Espírito de uma criança que
morreu em tenra idade, não podendo ter feito o mal?
Se não fez o mal, também não fez o bem, e Deus não o isenta das provas
que deve suportar. Se é puro não é porque é criança, mas porque progrediu
muito.
COMENTÁRIOS:
Deus não julga os Espíritos pela aparência, nem pela idade do corpo físico,
mas sim pelo grau de progresso real que já conquistaram ao longo de suas
muitas existências.
Assim:
 Morrer criança não é sinal automático de elevação espiritual.
 A inocência da infância é apenas relativa: ela se refere ao corpo e à
ausência de experiências atuais, mas o Espírito pode ser ainda
imperfeito e precisar reencarnar outras vezes.
 Se o Espírito da criança for puro, é porque já conquistou essa pureza
em encarnações anteriores — não porque morreu pequeno.
 A pureza espiritual não depende da idade do corpo, mas da
experiência moral e intelectual do Espírito
Se é um Espírito evoluído alçará voos mais elevados não em razão de ser
uma criança, mas pelo fato das conquistas adquiridas em suas existências
anteriores.
Mas se o Espírito tiver algo a depurar, tiver débitos a resgatar, tiver algo a
aprender, ele continuará sua jornada evolutiva normalmente. Não é porque
nesta reencarnação não teve a oportunidade de fazer o mal que estará
isento dos seus débitos contraídos em existências anteriores e ser alçado à
categoria de um Espírito superior.
Nós estamos aqui com o objetivo de aprender e de crescer espiritualmente.
A criança que perdeu a vida orgânica não ganhará o Reino dos Céus, mas
terá novas oportunidades de reencarnação. Nesse momento ela
desencarnou por um motivo que não podemos avaliar, mas terá novas
oportunidades e nesse renovar de oportunidades reencarnatórias é que
consiste na misericórdia divina.
Não é o fato de uma criança ter falecido em tenra idade que a faz pertencer
ao reino dos anjos, como de costume se fala em outras religiões. Ela se
agrupa, depois da morte do corpo físico, em esferas condizentes com o seu
tamanho evolutivo, por suas qualidades espirituais.
120
Ninguém faz anjos; o que transforma o Espírito das trevas para a luz é a
maturidade espiritual, é o tempo, sob as bênçãos do Criador.
Pode acontecer que o corpo de uma criancinha esteja sendo animado por
um Espírito angélico, assim como, em muitos casos anima uma criancinha
um Espírito de condições inferiores. Quando cresce, ele se denuncia,
exteriorizando o que realmente é.
É pela vivência que reconhecemos quem se encontra animando esse ou
aquele corpo, seja da idade que for. Conhecemos a alma por suas
qualidades, e essas qualidades as reconhecemos na vivência do dia a dia.
A evolução espiritual é conquistada pelas escolhas conscientes e pelos
esforços morais ao longo das vidas.
Limbo – Lugar onde as almas das crianças que morreram sem batismo
iriam, não sofrendo punições, mas não podendo “entrar no Céu”.
Hoje os teólogos católicos expressam a esperança de que as crianças que
morrem sem o batismo sejam salvas pela misericórdia de Deus. (2007)
199 – Por que a vida, frequentemente, é interrompida na infância?
A duração da vida de uma criança pode ser, para o Espírito que está nela
encarnado, o complemento de uma existência interrompida antes do seu
tempo marcado, e sua morte, no mais das vezes, é uma prova ou uma
expiação para os pais.
199.a) Que sucede ao Espírito de uma criança que morreu em tenra
idade?
Recomeça uma nova existência.
Allan Kardec:
Se o homem tivesse uma só existência, e se depois dessa existência
sua sorte futura fosse fixada para a eternidade, qual seria o mérito da
metade da espécie humana que morre em tenra idade para desfrutar
sem esforços, da felicidade eterna, e por qual direito ficaria isenta das
condições, frequentemente, tão duras, impostas à outra metade? Uma
tal ordem de coisas não estaria de acordo com a justiça de Deus. Pela
reencarnação, a igualdade é para todos; o futuro pertence a todos sem
exceção e sem favor para ninguém; os que chegam por último não
121
podem culpar senão a si mesmos. O homem deve ter o mérito dos seus
atos, como tem a responsabilidade.
Não é racional, aliás, considerar a infância como um estado normal de
inocência. Não se veem crianças dotadas dos piores instintos em idade
na qual a educação não pôde, ainda, exercer sua influência? Algumas
não há que parecem trazer no berço a astúcia, a felonia, a perfídia, o
instinto mesmo para o roubo e o homicídio, não obstante os bons
exemplos dados pelos que com ela convivem? A lei civil as absolve de
suas ações porque, diz ela, não agem com discernimento, e tem razão
porque, com efeito, elas agem mais instintivamente que pela própria
vontade. Mas de onde podem provir esses instintos tão diferentes em
crianças da mesma idade, educadas nas mesmas condições e
submetidas às mesmas influências? De onde vem essa perversidade
precoce, senão da inferioridade do Espírito, uma vez que a educação
não contribuiu para isso? As que são viciadas é porque seu Espírito
progrediu menos e, então, sofrem as consequências, não por seus atos
de crianças, mas por aqueles de suas existências anteriores. É assim
que a lei é a mesma para todos e a justiça de Deus alcança todo mundo.
COMENTÁRIOS:
As famílias eram numerosas e a mortalidade infantil era elevada.
A criança que inicia uma nova reencarnação é um Espírito antigo que já
passou por diversas reencarnações no planeta, por experiências no mundo
espiritual, já construiu uma história que traz consigo débitos, erros, acertos,
indicando o que deve se passar nessa nova existência.
Pode-se ter a necessidade de desencarnar ainda na infância ou passar por
esse ou aquele tipo de sofrimento, de experiência diversa dos demais.
A interrupção da vida de uma criança pode ter vários motivos:
1 – Complemento de uma existência anterior interrompida:
 Às vezes, o Espírito retorna à Terra por pouco tempo para completar
provas deixadas incompletas em existências anteriores.
 O Espírito pode ter tido uma existência passada curta (morte
prematura) e, por isso, reencarna brevemente para cumprir um tempo
mínimo de experiência corporal.
Exemplo: Um Espírito que morreu jovem em uma encarnação anterior
pode precisar de mais alguns anos de vida física para equilibrar seu
processo evolutivo.
A morte precoce não é punição para a criança, mas pode representar um
ajuste espiritual do próprio Espírito.
122
2 – Missões:
 Missões breves, porém, espiritualmente significativas.
 Ex: Marcel, a criança do n.º 4 – O Céu e o Inferno – pág. 278
3 – Prova ou expiação para os pais:
 A perda de um filho pode ser uma lição de resignação, fé, amor ou
desapego para os pais.
 Em alguns casos, é um resgate cármico (por exemplo, pais que
abandonaram filhos em vidas passadas agora experimentam a dor da
perda).
 O sofrimento da perda de um filho é uma das mais difíceis provas
humanas. Em muitos casos, faz parte do resgate de débitos morais ou
instrumento de amadurecimento espiritual para os envolvidos.
4 – Prova para o próprio Espírito da criança:
 Em certos casos, viver pouco tempo é o que o Espírito precisa para
avançar moralmente.
 Resgate de débitos cármicos com encarnações curtas.
5 – Ajuda ao Espírito Desencarnado:
 Em alguns casos, o Espírito que desencarna cedo pode ter tendências
ou débitos de vidas passadas que seriam agravados se a vida se
prolongasse. A interrupção precoce da encarnação é, então, uma
misericórdia divina, que evita maiores quedas e permite ao Espírito
recomeçar em melhores condições.
 Lares desajustado, com frequentes conflitos – Provocaria maior
sofrimento ao Espírito que está reencarnando (Entre a Terra e o Céu –
cap. 10)
Geralmente, o desencarne na infância é uma programação necessária tanto
para o Espírito quanto para os envolvidos.
Tudo na vida tem explicações, tem as suas razões.
O esclarecimento e o consolo oferecidos pelo Espiritismo tornam mais leve a
tristeza que representa, em especial, a morte na infância.
Letra A
De forma geral, o que diz a doutrina espírita acerca do destino das crianças
que desencarnam prematuramente. Como por exemplo, para onde vão? O
que ocorre com elas? Como fica a situação delas?
1 – Retorna para o mundo espiritual:
• Ao desencarnar, o Espírito que animava o corpo da criança retorna ao
mundo espiritual, sua verdadeira pátria.
123
• É crucial entender que a idade física não corresponde à idade do
Espírito.
• Um Espírito que se encontra em um corpo infantil é Espírito antigo e
experiente, com um vasto histórico de vidas anteriores.
2 – Ausência de Sofrimento Umbralino:
• A doutrina espírita não concebe "inferno" ou sofrimento direto para o
Espírito da criança devido à sua morte prematura. Pelo contrário, por
não terem tido tempo de desenvolver plenamente o livre-arbítrio para
cometer grandes equívocos na encarnação recém-interrompida, são
acolhidas e amparadas com muito amor.
• Após o desencarne, a criança é acolhida por seus guias espirituais,
familiares desencarnados ou benfeitores. Ela não fica "perdida" ou
"sozinha".
3 – Retomada da Consciência e Forma Perispiritual:
 No plano espiritual, o Espírito da criança não permanece
indefinidamente com a forma de um bebê ou de uma criança pequena.
 Ele tende a readquirir sua lucidez e a forma perispiritual que
corresponde ao seu grau de adiantamento, geralmente a forma adulta
que possuía em existências anteriores.
 Processo gradativo em função da bênção do esquecimento e da
perturbação espiritual pós-desencarne.
 Espíritos mais evoluídos conseguem essa retomada da consciência e
da forma adulta mais rapidamente, enquanto Espíritos menos
evoluídos podem levar mais tempo, sendo assistidos por benfeitores
espirituais.
4 – Período de Adaptação e Estudo:
 Amparo e Reeducação: O amparo é total, e as crianças são
conduzidas a locais apropriados, como o "Lar da Bênção" ou escolas
específicas no mundo espiritual, onde continuam seu desenvolvimento
sob a tutela de Espíritos mais elevados.
 Há no plano espiritual instituições e colônias dedicadas ao acolhimento
e amparo de crianças desencarnadas.
 Nesses locais, elas recebem orientação, educação e auxílio para se
adaptarem à nova realidade da vida espiritual.
 É um período de repouso e aprendizado, onde podem se preparar para
futuras reencarnações.
5 – Preparação para Nova Encarnação:
• O objetivo final é a reencarnação.
• Após um período de adaptação e aprendizado, o Espírito da criança se
prepara para uma nova oportunidade de vida no corpo físico, muitas
124
vezes retornando à mesma família ou a um novo núcleo familiar que
possa oferecer as condições necessárias para seu progresso.
• O tempo para o retorno depende de cada situação.
• O desencarne é apenas aquele momento, uma etapa.
• A vida prossegue.
A doutrina espírita nos convida a ver a morte na infância não como um fim
trágico e sem sentido, mas como parte de um plano divino maior e justo,
onde o Espírito segue sua jornada evolutiva, e a família terrestre tem a
oportunidade de aprender e se fortalecer através da fé e do amor.
Comentário de Allan Kardec:
Kardec aprofunda com lógica e justiça:
Se só existisse uma vida, as crianças mortas precocemente seriam
“privilegiadas” com a felicidade eterna sem mérito, enquanto os demais
passariam por duras provas — isso seria injusto.
A reencarnação elimina esses privilégios e favorecimentos, estabelecendo:
 Igualdade de oportunidades para todos.
 Responsabilidade individual por escolhas e atitudes.
A infância não é sinal de pureza garantida:
 Há crianças com inclinações más, agressivas, cruéis, mesmo sem
influência do meio.
 Isso revela instintos trazidos de vidas anteriores, ou seja, o grau
evolutivo do Espírito.
A criança não sofre castigo por atos da infância, mas traz consigo tendências
adquiridas em outras existências. A nova vida é oportunidade de
regeneração.
Ler:
Entre a Terra e o Céu - Capítulos 9, 10 e 11 - pág. 61-80
Alvorada Nova – A partir da Pág. 111
ESE – Cap. V – item 21: Mortes prematuras – pág. 74-75
ESE – Cap. VIII – itens 3 e 4 - pág. 97-98
As mães de Chico Xavier – Biblioteca
- A Bicicleta – pag. 110 e 111
- A criança após a morte - pág. 213-214
125
- Bebete – pág. 190-201
Mensagens - pág. 113 e 183
Exemplos de colônias e instituições infantis
Lar da Bênção
Entre a Terra e o Céu – Chico Xavier, pelo Espírito André Luiz
“Colônia educativa, misto de escola de mães e domicílio dos pequeninos que
regressam da esfera carnal” (Clarêncio)
Localização
O Lar da Bênção é uma colônia educativa espiritual que serve como
domicílio para crianças desencarnadas.
Está localizado em uma esfera espiritual onde a comunicação e a visita de
mães da Terra a seus filhos são possíveis, funcionando como um ponto de
encontro e aprendizado.
Responsável: Blandina (Meimei) – É uma das responsáveis
Quem foi Blandina (Meimei)
• Irma de Castro Rocha – Mateus Lemes-MG (1922-1946)
• Apelido fornecido pelo esposo – Pequena Flor
• Teve uma vida simples marcada pela doçura, delicadeza e profundo
amora Deus e ao próximo.
• Aos 24 anos foi levada pela tuberculose, não realizando seu sonho de
ser mãe.
• No plano espiritual dedica-se ao amparo das crianças desencarnadas e
à educação do Espírito na fase infantil, além de orientar as mães em
sofrimento (encarnadas e desencarnadas)
Estrutura
O local (casa de Blandina) é descrito como um ambiente sereno e belo,
composto por um grande parque com vegetação verde-clara e um pequeno
castelo muito alvo, com ogivas azuis e trepadeiras em flor. O castelo é
cercado por um extenso jardim perfumado com rosas e outras flores
desconhecidas na Terra.
O espaço é amplo o suficiente para abrigar grupos de crianças e mães.
Objetivo
126
 Acolher e educar espíritos infantis que retornam prematuramente da
vida terrena.
 Permitir encontros temporários de mães desencarnadas ou em
desdobramento com seus filhos.
 Amparar casos de crianças em sofrimento psíquico ou físico após a
desencarnação.
Atividades
 Reuniões de canto e jogos educativos.
 Tratamento magnético e passes para reequilíbrio espiritual.
 Atendimento individualizado, como no caso do menino Júlio.
 Acolhimento materno por voluntárias espirituais que se dedicam como
mães substitutas.
 Visitas de mães terrestres (em espírito) para fortalecer laços afetivos.
 Tratamento de casos graves em quartos individuais (ex.: criança com
pesadelos e chagas energéticas).
Destaques
 Integração entre mães desencarnadas e seus filhos em clima de amor.
 Exemplo do menino Júlio, que sofria sequelas espirituais de suicídio
em encarnação passada e era assistido com carinho até futura
reencarnação.
 Ensinamento central: a Lei Divina é justa e perfeita – mesmo as
crianças carregam consigo a herança espiritual de vidas anteriores,
mas sempre amparadas pelo Amor de Deus.
 A oração e o amor materno são forças que auxiliam na cura espiritual
das crianças.
O Lar da Bênção é, ao mesmo tempo, escola de ternura, hospital de almas e
lar de reequilíbrio, mostrando como a Espiritualidade Superior conjuga justiça
e misericórdia na educação dos pequenos espíritos.
O Lar da Bênção é um oásis de amor e cura no plano espiritual, onde
crianças recebem amparo para superar traumas e preparar-se para novas
jornadas.
O texto ilustra como o amor materno, a lei de causa e efeito e a misericórdia
divina se entrelaçam no processo de evolução das almas.
127
Casa da Criança de Alvorada Nova
Alvorada Nova - Abel Glaser – Pelo Espírito Cairbar Schutel – pág. 111-116.
Localização: Colônia espiritual "Alvorada Nova"
Responsável: Scheila
Estrutura:
 Prédio em formato de "U" (maior construção da colônia em área
construída).
 5 andares de material cristalino com armações metálicas, emitindo
brilho intenso.
 Jardins externos com chafariz de água prateada, caminhos coloridos
e flores diversas.
 Divisões internas:
o Térreo: Sala de purificação energética, salão de recepção e
administração.
o Mezanino: Enfermaria para bebês espirituais em miniaturização
(vítimas de aborto).
o 1º andar: Setor para crianças doentes ou inadaptadas (atividades
pedagógicas).
o 2º andar: Alojamentos dos meninos (quartos com brinquedos e
decoração lúdica).
o 3º andar: Alojamentos das meninas (ambiente com flores
fluidificadas para repouso).
o Último andar: Salão de atividades coletivas (aulas, brincadeiras
e cantorias).
 Anexo: Pousada Celeste (local onde espíritos alteram sua forma para
missões específicas).
Objetivo:
 Acolher crianças desencarnadas em condições especiais:
o Vítimas de aborto (espíritos em miniaturização).
o Crianças com desencarne traumático ou prematuro.
o Espíritos que optam por permanecer em forma infantil para
missões ou aprendizado.
128
 Prepará-las para reencarnações futuras ou para atividades no plano
espiritual.
 Servir de campo de resgate e missão para trabalhadores espirituais.
Atividades:
 Purificação energética de recém-chegados (sala especial no térreo).
 Atividades pedagógicas para superar traumas e sequelas do
desencarne.
 Aulas doutrinárias (último andar) sobre valores cristãos e evolução
espiritual.
 Brincadeiras e atividades lúdicas para estimular convívio comunitário.
 Repouso em quartos com fluidos positivos (flores para meninas,
aquários para meninos).
 Preparação para reencarnação sob supervisão de mentores
especializados.
Destaques:
1. Capacidade: Abriga 2.550 crianças com apenas 250 trabalhadores (o
amor multiplica a eficiência).
2. Trabalhadores notáveis:
o Cairbar Schutel: Doutrina crianças com base no Evangelho.
o Scheilla: Conduz crianças a reuniões com encarnados quando
necessário.
o Espíritos em resgate (ex.: ex-nazista arrependido) que trabalham
para evoluir.
3. Pousada Celeste: Anexo onde espíritos mudam de forma (ex.: adulto
→ criança) para missões.
4. Mensagem central: A criança é o esteio da humanidade. Educá-la com
instrução e amor é sublimar a causa do progresso evolutivo.
Conclusão:
A Casa da Criança de Alvorada Nova é um exemplo de organização, amor e
eficiência espiritual, refletindo a importância do amparo à infância tanto no
plano espiritual quanto na Terra. Seu modelo inspira a caridade e o trabalho
fraterno, mostrando que o amor é a base para transformar realidades.
129
3. Núcleo da Colônia Raios do Amanhecer (Norte da América do Sul /
Amapá)
Referências mediúnicas e estudos de espiritualistas
 Localização: Norte da América do Sul, com abrangência até o estado
do Amapá.
 Responsável: Informações apontam para equipes espirituais
integradas ao projeto de regeneração planetária.
 Objetivo:
o Atender Espíritos ligados à região amazônica e povos originários.
o Instruir Espíritos infantis para missões futuras.
 Atividades:
o Ambientação espiritual com elementos da natureza.
o Evangelização e práticas ligadas à espiritualidade natural.
 Destaques:
o Atua também com crianças desencarnadas vítimas de violência e
abandono.
o Fortemente ligada a projetos de luz e regeneração na transição
planetária.
4. Cidade e Reino de Castrel
A Vida Além do Véu – Rev. G. Vale Owen, por Frederic Myers
 Localização: Região elevada do plano espiritual, semelhante a um
“reino celeste”.
 Finalidade: Acolhimento de almas puras, incluindo muitas crianças.
 Cuidados com as Crianças:
o Crianças são cuidadas por espíritos femininos e anjos de elevada
pureza.
o Estão em ambientes de luz suave, jardins e salas de
aprendizado.
o Desenvolvem-se espiritualmente até atingirem a maturidade do
espírito.
 Destaques: O processo é descrito como harmonioso e envolto em
beleza celestial. Não há pressa para reencarnação; o foco está na
elevação espiritual e na alegria.
130
Comunicação
Quando o Espírito de uma criança se manifesta em uma reunião
mediúnica (como ocorreu tantas vezes através do Chico Xavier no
consolo aos corações dilacerados das mães) é aquela criança que está
se manifestando ou é o seu tutor espiritual?
Em geral, é o Espírito da própria criança que se manifesta.
Mesmo desencarnando com poucos anos ou meses de vida, a criança não é
um Espírito infantil, mas sim um Espírito antigo, com múltiplas encarnações
anteriores, que estava temporariamente vivendo a infância naquele corpo.
Após a desencarnação, esse Espírito retoma progressivamente sua
consciência espiritual anterior, de acordo com seu grau de evolução e com o
tempo necessário para se reequilibrar.
Em várias obras espíritas, crianças desencarnadas se comunicam por meio
de médiuns, demonstrando:
- Consciência de sua condição;
- Amor pelos pais;
- Desejo de reencontro no futuro;
- Compreensão do motivo de sua breve passagem na Terra.
Assim, nas comunicações mediúnicas autênticas vemos crianças que se
manifestam em linguagem simples ou simbólica, mas que expressam
sentimentos, lembranças e afetos reais para consolar os familiares.
Mas e se a criança desencarnou ainda bebê ou sem ter se desenvolvido
intelectualmente?
Mesmo nesses casos, o Espírito pode se comunicar. A manifestação pode
ocorrer:
1. Diretamente, pelo Espírito da criança, que já readquiriu parte de sua
consciência anterior e pode se comunicar com maturidade espiritual
compatível com seu grau de evolução;
2. Com auxílio de tutores espirituais, que ajudam a organizar os
pensamentos ou a modular a comunicação (sem falsificá-la),
respeitando o tempo e o preparo do Espírito;
3. Através de um espírito intermediário, nos raros casos em que a
criança ainda está em recuperação fluídica e não tem condições de se
manifestar sozinha. Nesse caso, o tutor ou mentor não finge ser a
131
criança, mas transmite mensagens dela com fidelidade, às vezes
citando isso explicitamente.
Chico Xavier dizia que o mundo espiritual tem “educandários” e "lares de
amparo" para acolher crianças desencarnadas, onde elas são tratadas com
extremo carinho, amor e orientação, até que estejam prontas para seguir seu
processo evolutivo – seja reencarnando ou assumindo tarefas no plano
espiritual.
Exemplo: No livro Crianças no Além (Espírito: diversos, médium: Chico
Xavier)
Há relatos tocantes de crianças que desencarnaram ainda pequenas, mas se
comunicam com lucidez e carinho aos pais, mostrando que:
 Relembraram suas vidas anteriores;
 Compreenderam os motivos de sua partida precoce;
 Continuam amando seus familiares e os aguardam.
Conclusão
Portanto, na maioria das vezes, é o próprio Espírito da criança quem se
manifesta, mesmo que tenha desencarnado em tenra idade. A infância é
apenas um estágio do corpo físico — o Espírito por trás dela é milenar e traz
sua bagagem. Quando isso não é possível, mentores ou tutores espirituais
podem auxiliar, sempre respeitando a verdade, a individualidade e os laços
afetivos.
A Doutrina Espírita ensina que os laços verdadeiros não se rompem com a
morte.
Pais e filhos que se amam reencontrar-se-ão no mundo espiritual, ou se
reunirão em futuras reencarnações.
A perda pode ser temporária, mas os laços são eternos quando baseados
no amor.
Espiritismo se constrói com ideias e com fé raciocinada, doa a quem doer.
Conduta espírita
132
133
Como ficam os casos de entidades infantil, como Cosme e Damião? Eles
permanecem com a aparência de criança por longos anos ou até séculos?
 O Espírito, na essência, não é criança nem adulto — a infância é só
uma fase encarnatória.
 Contudo, há relatos mediúnicos (especialmente em obras de Chico
Xavier) de espíritos que desencarnam ainda crianças e se apresentam
com aparência infantil por um tempo, seja por amor aos familiares ou
para facilitar reconhecimento.
 Esses espíritos podem se mostrar doces e brincalhões, mas possuem
maturidade espiritual condizente com seu nível evolutivo.
Cosme e Damião são considerados Espíritos que viveram vidas de
grande abnegação no passado, possuindo um elevado grau de evolução
moral. Eles não são "crianças" no sentido de terem permanecido com a
mentalidade ou a forma perispiritual de crianças por séculos.
Cosme e Damião, embora popularmente associados à infância nas religiões
afro-brasileiras (como o Candomblé e a Umbanda), não são propriamente
espíritos infantis no sentido literal do termo. Eles representam uma força
simbólica de pureza, alegria e proteção à infância, mas, em essência, são
espíritos evoluídos que assumem, por amor e missão, a aparência e vibração
de crianças para atuar de maneira eficaz junto aos pequeninos e aos
humildes.
A presença contínua de espíritos na forma infantil ocorre não por
estagnação, mas por finalidade amorosa e funcional. Entidades como
Cosme e Damião são expressões vibracionais de luz, assumindo esse
“molde” por razões espirituais mais profundas — jamais por imaturidade.
Biografia Concisa de Cosme e Damião
Cosme e Damião foram dois irmãos médicos, martirizados no século III d.C.,
conhecidos como os "Santos Médicos" ou "Santos Gêmeos".
Dados Principais:
 Nascimento: Século III, na região da Arábia (possivelmente na cidade
de Egéia).
 Família: Cristãos devotos, filhos de uma nobre família.
 Profissão: Médicos, atendiam gratuitamente e pregavam o
cristianismo.
134
 Milagres: Realizavam curas em nome de Jesus, convertendo muitos
ao cristianismo.
 Morte: Perseguidos pelo imperador romano Diocleciano, foram
torturados e decapitados por se recusarem a renunciar à fé cristã (c.
303 d.C.).
Culto e Sincretismo:
 Igreja Católica: Santos padroeiros de médicos, farmacêuticos e
crianças. Festa em 26 de setembro.
 Espiritismo: Associados à caridade, são vistos como espíritos de luz
que auxiliam crianças desencarnadas.
 Religiões Afro-Brasileiras: Sincretizados com os Ibejis (orixás
crianças no Candomblé) ou Erês (na Umbanda), representando alegria
e proteção infantil.
Curiosidade:
 No Brasil, são celebrados com distribuição de doces para crianças,
refletindo sua ligação com a pureza e o auxílio aos pequenos.
135
É quase comum haver relatos de crianças que dizem ter um amiguinho que
conversam, brincam, se divertem, mas que outras pessoas não o veem.
Esse seria o mesmo caso já mencionado acima? Esses amiguinhos seriam
Espíritos com uma certa evolução e que se apresentam com a aparência de
criança? E por que esses Espíritos se apresentam às crianças?
Amiguinhos invisíveis — Quem são eles?
Na maioria dos casos relatados, essas presenças que as crianças
descrevem como “amiguinhos” são:
1. Espíritos protetores ou benfeitores que se apresentam com aparência
infantil para estabelecer afinidade e confiança com a criança;
2. Espíritos desencarnados da mesma idade, muitas vezes irmãos,
priminhos ou colegas de outras existências que mantêm laços afetivos;
3. Espíritos simpáticos, que se aproximam da criança pela leveza
vibratória e pela pureza do ambiente familiar.
Eles são Espíritos com evolução moral ou podem ser sofredores?
 Nem sempre são evoluídos, mas quase sempre são inofensivos e
ligados afetivamente à criança.
 Espíritos mais evoluídos que se apresentam como crianças — como
acontece com a falange dos Erês, no sincretismo afro-brasileiro —
adotam essa forma por escolha, por identificação com a simplicidade, a
alegria e a leveza.
 Já os menos esclarecidos também podem se aproximar, mas nesse
caso, podem influenciar emocionalmente a criança — por isso, a
vigilância e o acompanhamento dos pais é sempre essencial.
Por que os Espíritos aparecem para crianças com mais frequência?
1. Sensibilidade natural
Durante os primeiros anos da vida, o Espírito é mais acessível às
impressões do mundo espiritual, porque ainda não está completamente
ligado à matéria. As crianças mantêm uma conexão mais espontânea
com o mundo espiritual — algo que tende a diminuir conforme a mente
racional se fortalece.
2. Pureza de coração
A criança possui uma energia mais pura, vibrando em amor, confiança,
leveza e alegria — o que facilita a aproximação de Espíritos afins com
essas vibrações.
136
3. Afinidade espiritual
Muitas vezes, a criança reencarna em famílias onde há Espíritos
protetores ou irmãos espirituais que acompanham seu
desenvolvimento desde cedo, criando laços desde a infância.
4. Missões específicas
Em alguns casos, a criança é médium desde muito cedo, e os
“amiguinhos” são parte de um preparo espiritual para sua missão futura
(como no caso de médiuns de infância descritos por Chico Xavier e
outros estudiosos espíritas).
Quando se preocupar?
A presença de “amiguinhos invisíveis” não é um problema em si. Mas os pais
devem observar:
 Se a criança demonstra medo, sofrimento ou alterações bruscas de
comportamento;
 Se há influência para comportamentos inadequados ou reações fora do
normal;
 Se a criança não perde esse vínculo com o “amigo” com o passar dos
anos.
Nestes casos, é prudente procurar ajuda espiritual num centro sério e
equilibrado, além de acolher a criança com diálogo, segurança e amor.
Esses “amiguinhos” são Espíritos, e nem todos são crianças em essência —
alguns são Espíritos superiores que se apresentam com doçura e
simplicidade.
137
A criança quando desencarna é amparada, auxiliada pelos mentores e
equipes espirituais encarregadas de encaminhar para adaptação da
transição. Mas o que acontece com a criança ou o Espírito que se manifesta
esporadicamente para algumas pessoas através de choro. Muitas pessoas
relatam que ouvem criança chorando. Apesar que no caso de abortos
provocados isso é possível diante da situação do Espírito, mas e quando não
foi aborto provocado?
há muitos relatos, inclusive em ambientes domésticos ou naturais, de
pessoas que ouvem o choro de crianças — às vezes repetidamente, às
vezes de forma isolada.
No contexto espírita, algumas possibilidades podem ser consideradas,
sempre com muito respeito, discernimento e responsabilidade:
Crianças desencarnadas ainda em estado de perturbação
Mesmo não sendo aborto provocado, pode haver situações em que o
desencarne tenha sido traumático (como em acidentes, doenças súbitas,
violência ou negligência). O Espírito pode demorar um pouco para se
recompor, mantendo resquícios das sensações da vida física, inclusive
emocionais.
 O choro pode ser uma manifestação da perturbação pós-desencarne,
não no sentido físico, mas como uma emanação fluídica captada
mediunicamente por encarnados mais sensíveis.
 Em geral, essas manifestações não significam abandono, mas
transição ainda em curso.
Espíritos infantis próximos de antigos laços afetivos
Algumas vezes, o choro ou a presença é percebida por mães, pais ou
familiares que ainda estão fortemente ligados afetivamente ao Espírito
desencarnado da criança.
 O Espírito pode se manifestar em busca de consolo mútuo, ou tentando
se fazer notar.
 Em alguns casos, o Espírito é socorrido e acolhido rapidamente, mas
as formas-pensamento emocionais emitidas pelos familiares podem
"repetir" essas sensações por um tempo, como impressões fluídicas
residuais.
Vínculos interrompidos antes do nascimento
138
Mesmo quando não houve aborto provocado, pode haver perdas
gestacionais espontâneas (abortos naturais), natimortos ou mortes
perinatais. O Espírito pode ter encarnado apenas brevemente para
experiências específicas.
 Ainda assim, o Espírito pode manter uma ligação fluídica com o
ambiente ou com a mãe por algum tempo, manifestando-se
eventualmente.
 O choro, nesses casos, pode ser simbolicamente percebido como
um apelo por carinho, reconhecimento ou liberação.
Nem todo choro é um Espírito infantil: pode ser apenas ressonância
psíquica
Às vezes, o choro ouvido é resultado de uma psicosfera impregnada,
especialmente em locais onde houve muito sofrimento infantil (como
hospitais, asilos, zonas de conflito etc.).
 Isso não representa necessariamente a presença consciente de um
Espírito, mas uma impressão fluídica repetida, como um registro
mediúnico ambiental, que pode ser percebido por pessoas sensitivas.
 Um local que concentra tristeza ou abandono infantil pode "repetir"
essas manifestações, como se fossem ecos energéticos.
O que fazer?
 Prece é sempre o melhor caminho: para acolher, libertar e iluminar os
Espíritos infantis em transição.
 O Evangelho no Lar ajuda a renovar o ambiente, favorecer a harmonia
espiritual e servir de ponte para os benfeitores espirituais atuarem.
 Quando for recorrente ou perturbador, pode-se buscar auxílio em
centros espíritas preparados para orientação e diálogo com Espíritos
necessitados, inclusive os infantis.
139
LAR DA BÊNÇÃO – RESUMO:
O Lar da Bênção trata-se de uma importante colônia educativa, misto de
escola de mães e domicílio dos pequeninos que regressam da esfera carnal
(onde encontram apoio para se refazerem).
O Lar da Bênção é descrito como um local onde há parques, é um grande
educandário, onde são recebidos milhares de Espíritos em estado de
desencarnação como crianças que necessitam de um emergencial
reajustamento no perispírito.
O parque conta com árvores vigorosas cobertas de flores coloridas, tem
inúmeros jardins que emitiam ondas de suave perfume, com árvores em cujo
galhos havia um bando de aves a desfilar.
É dividido em milhares de lares, onde cada irmã cuida de mais ou menos 12
crianças cada uma, recebendo diariamente encarnadas (em desdobramento)
e desencarnadas para visitar seus filhos.
Há um grande conjunto de lares, nos quais muitas almas femininas se
reajustam para a venerável missão da maternidade e juntamente com as
colaboradoras, multidões de meninos (as) encontram abrigo para o
desenvolvimento que lhe é necessário, salientando-se que quase todos se
destinam ao retorno à Terra para a reintegração ao aprendizado que lhes
compete.
Todos eles recebem o apoio de que necessitam ao seu reajustamento (tanto
espiritual, como no perispírito).
140
4.6 – SEXOS NOS ESPÍRITOS
200 – Os Espíritos têm sexos?
Não como o entendeis, pois, os sexos dependem do organismo. Entre eles
há amor e simpatia baseados na identidade de sentimentos.
COMENTÁRIOS:
A resposta se refere a Espíritos mais evoluídos.
Essa questão aborda a diferença entre o sexo físico e a individualidade
espiritual.
O Sexo e a Identidade Sexual no Plano Espiritual
O corpo provém do corpo, o Espírito não provém do Espírito. Portanto, não
há sexo no mundo espiritual da maneira que compreendemos aqui no
planeta.
- O Espírito não tem sexo.
- A sexualidade como conhecemos é uma característica biológica, ligada ao
corpo físico.
- O Espírito é imaterial e não possui órgãos sexuais nem identidade sexual
permanente.
A Relação entre o Espírito e o Corpo Físico
- O corpo é um "traje" temporário que o Espírito utiliza para evoluir na
matéria.
- Os órgãos sexuais são uma característica do corpo físico, fundamental para
a reprodução e para a experiência terrena.
As Relações no Plano Espiritual
- As relações são pautadas por amor e simpatia baseados na identidade de
sentimentos.
- A atração, ligações afetivas e a união entre os espíritos se dão por uma
profunda afinidade de ideias, simpatias, afinidades fluídicas, valores morais e
propósitos, independentemente do gênero.
- Espíritos afins podem se reencontrar e continuar suas jornadas evolutivas
juntos, independentemente de terem sido homens ou mulheres em
encarnações passadas.
- O amor é a expressão da comunhão de sentimentos e ideais, não estando
preso à sensualidade.
141
LIVRO SEGUNDO: MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS
Capítulo IV: Pluralidade das Existências
A Influência do Nível Evolutivo
- Nos níveis medianos e imperfeitos, o Espírito através do seu perispírito
pode manter a ideia de polaridade sexual masculina ou feminina devido às
emanações fluídicas que traz da sua última encarnação, depende do seu
estado mental e vibratório.
Dependendo do nível evolutivo, essa ideia pode ser maior ou menor.
Muitos ainda permanecem presos à sensualidade descontrolada.
A morte não resolve o desequilíbrio sexual.
Os que vivem entregues aos desregramentos passionais não encontram paz
ao desencarnar. A loucura decorre da desorganização dos centros do
perispírito, exigindo reparações longas.
Livro: No Mundo Maior – Capítulo 11
André Luiz foi com Calderaro a um centro de estudos onde mentores
instruem trabalhadores da assistência na Crosta. O emissário iria abordar
questões sobre sexo. O mentor, envolto em luz, explicava de forma clara e
sincera.
Apresentou uma espécie de mapa evolutivo da consciência humana em
relação ao sexo, mostrando três grandes grupos de Espíritos encarnados,
cada qual num degrau de aprendizado.
1º Grupo – A maioria: instinto sexual como força dominante
 Mais da metade da humanidade ainda fixa a mente na zona instintiva.
 Essas criaturas concentram suas forças no sexo, que é a principal via
de prazer, sensação e experiência.
 Daí decorrem distúrbios nervosos, ansiedades e desequilíbrios.
São os irmãos em fase infantil da evolução, que ainda não conseguem
criar felicidade sem recorrer constantemente à excitação dos sentidos.
2º Grupo – O uso da razão, mas ainda presos ao ego
 Muitos já alcançaram a razão, dominando parte do instinto.
 Porém, continuam seduzidos pela vaidade, orgulho, poder e evidência.
 Mesmo realizando trabalhos úteis e cultivando paixões nobres, ainda
buscam realce e prepotência, usando a inteligência para manter
domínio sobre outros.
142
Estão além da fase puramente instintiva, mas ainda enredados em ilusões
do egoísmo e da vaidade.
3º Grupo – Pequena minoria: rumo à angelitude
 Após equilibrar o sexo no instinto e conquistar méritos pelo trabalho e
responsabilidade, um pequeno número de almas passa a buscar algo
maior.
 Não encontram plena alegria no corpo, nem no reconhecimento social,
mas aspiram aos círculos mais altos da vida.
 Estão no limiar da superconsciência, sentindo-se entre as sombras da
noite (mundo material) e as promessas da aurora (esferas divinas).
 Para eles:
o O sexo, a vida social e os bens terrenos têm valor, mas como
oportunidade de servir ao bem.
o Seus sentimentos se sublimam.
o Passam a pressentir a Divindade e a desejar profunda união com
Deus
São os que já se candidatam à angelitude, tendo ultrapassado os limites do
ego e caminhando para o amor universal.
201 – O Espírito que animou o corpo de um homem, em nova
existência, pode animar o de uma mulher, e vice-versa?
Sim, são os mesmos Espíritos que animam os homens e as mulheres.
COMENTÁRIOS:
Adquirimos a polaridade masculina ou feminina quando nos reencarnamos.
O mesmo Espírito que reencarna hoje na condição masculina, amanhã
poderá reencarnar na condição feminina, se assim for necessário para o seu
aprendizado, prova ou missão.
Todos nós que estamos hoje reencarnados no planeta, no histórico das
nossas reencarnações já passamos pelas experiências em ambas as
sexualidades e em ambas as polaridades.
Os Espíritos trocam de posições quantas vezes lhes forem necessárias, no
que tange ao corpo físico, de homem ou de mulher. Um Espírito que animou
muitas vezes um corpo de homem pode, perfeitamente, animar, em outras
oportunidades, corpos de mulher.
143
Espírito, na profundidade do termo, não tem sexo; o sexo se apresenta no
perispírito diferenciando e, ao mesmo tempo, ajustando a matriz da carne
como homem ou mulher. No entanto, mesmo no perispírito ele pode
desaparecer pela sublimação do Espírito.
 A encarnação como homem ou mulher faz parte do currículo evolutivo
do Espírito.
 Cada experiência sexual contribui para desenvolver aspectos distintos
da alma.
Exemplos simbólicos:
 No corpo masculino: habilidades de liderança, firmeza, raciocínio
lógico.
 No corpo feminino: intuição, sensibilidade, empatia.
Um Espírito que foi um guerreiro violento em uma vida masculina pode
reencarnar como mulher para aprender sensibilidade e cuidado.
A compreensão de que o espírito pode alternar entre masculino e feminino
nos orienta a respeitar as escolhas e identidades de cada indivíduo,
reconhecendo que a essência do ser reside no espírito, e não em sua forma
física temporária.
Isso tem implicações profundas para a tolerância, a fraternidade e a
compreensão das diversas expressões da sexualidade e da identidade de
gênero na sociedade.
202 – Quando se é Espírito, prefere-se encarnar no corpo de um homem
ou de uma mulher?
Isso pouco importa ao Espírito; ele escolhe segundo as provas que deve
suportar.
Allan Kardec:
Os Espíritos se encarnam homens ou mulheres porque eles não têm
sexos. Como devem progredir em tudo, cada sexo, como cada posição
social, lhes oferece provas e deveres especiais, além da oportunidade
de adquirir experiência. Aquele que fosse sempre homem não saberia
senão o que sabem os homens.
COMENTÁRIOS:
Temos que analisar o objetivo do Espírito quando reencarna.
144
O Espírito quando reencarna tem por objetivo promover sua
evolução.Quando vem para a reencarnação programa uma vivência para que
dentro daquela nova existência corporal passe pelas experiências
necessárias para o seu crescimento.
Dentro dessa programação virá com o sexo mais apropriado com as
experiências programadas.
Há experiências que são específicas para o sexo feminino, ou para o sexo
masculino. Daí a necessidade de vir como homem, ou como mulher.
Há outras experiências que se programam para vivenciar que independe de
estar como homem ou como mulher, como vencer o orgulho, vencer a
vaidade.
E se nessa experiência for irrelevante a polaridade sexual, poderá vir de
acordo com sua preferência psicológica.
O Espírito não tem sexo, mas pode ter sua preferência, diante das
experiências que já possui e do aproveitamento que já se teve no decorrer
dessas experiências.
O Espírito pode reencarnar com a polaridade invertida.
O psiquismo numa polaridade e o corpo em outra.
Vários fatores que podem levar à inversão (homossexualidade) ou
intersexualidade: (Sexo e Destino – Cap. 09 da 2ª parte Inversão e
intersexo)
1 – Preferência psíquica
Uma das razões para a reencarnação em polaridade invertida é a
acumulação de reencarnações sucessivas no mesmo sexo, criando uma
tendência psíquica que pode não coincidir com a condição física escolhida
ou exigida em uma nova existência.
2 – Provas necessárias
O Espírito pode precisar vivenciar experiências no corpo em desacordo com
sua preferência íntima para desenvolver renúncia, aprendizado emocional
(aceitação, autoestima), respeito e equilíbrio diante do desafio.
3 – Expiações
Alguns Espíritos que abusaram do sexo, foram reprimidas ou se reprimiram,
exploraram pessoas ou usaram o poder de forma desequilibrada podem
145
renascer em situação invertida para refrear impulsos, reparar danos ou
experimentar na própria pele aquilo que causaram.
4 – Missões específicas
Há Espíritos que assumem essa condição voluntariamente, a fim de
contribuir com maior sensibilidade em tarefas de arte, cuidado, fraternidade,
educação ou mesmo para ajudar a humanidade a rever preconceitos e
ampliar a compreensão do amor.
5 – Educação espiritual
Assim como encarnações com deficiências físicas, doenças ou limitações
servem para disciplinar e fortalecer o Espírito, a reencarnação em polaridade
invertida também pode ser uma forma de exercício de autocontrole e
sublimação das energias sexuais.
Também podem vir com restrições físicas (mutilações, inibições etc.),
sempre com finalidade educativa e regeneradora, nunca como castigo.
Preconceito humano e suas consequências
A hostilidade e discriminação social dificultam ou impedem que o Espírito
cumpra sua tarefa de vida.
Muitos são forçados à hipocrisia, escondendo sua identidade para
sobreviver, o que gera sofrimento desnecessário e atrasa o progresso
coletivo.
A polaridade invertida não é castigo. É prova, missão ou ajuste no caminho
do Espírito. Cada situação é planejada para favorecer o crescimento, a
reparação e a evolução rumo ao amor verdadeiro, não apenas do próprio
ser, mas da coletividade.
Uso das energias Sexuais (desequilíbrios)
1. Causa (ações do Espírito quando encarnado)
- Mau uso da energia sexual: erotização, abusos, infidelidade,
promiscuidade, violência, leviandade, crimes passionais.
- Crueldade mental: traição, engano, abandono, promessas em nome do
amor não cumpridas, desrespeito aos sentimentos alheios.
146
- Fixações inferiores: ciúme, egoísmo, prazer transitório, descontrole dos
instintos, busca do prazer sensorial às custas do sofrimento alheio,
armando "ciladas aos corações incautos".
- Inibições extremas: inibição extrema da energia sexual, repressões
doentias que também desequilibram o psiquismo.
- Esquecimento da finalidade divina do sexo: força criadora voltada ao
amor, cooperação e evolução.
2. Consequências imediatas e após o desencarne
- Durante a encarnação:
• Distúrbios psíquicos: ansiedade, depressão, obsessões,
semiloucuras, ciúme, insatisfação, descontrole dos instintos.
• Doenças físicas: Doenças sexuais (DSTs), infertilidade, somatizações,
distúrbios nervosos, câncer (mama, ovários, próstata)
• Desajustes comportamentais e sociais: separações, crimes
passionais, abandono, infanticídio, aborto, devassidão, suicídio.
- Após o desencarne:
• Sequelas no perispírito: Trauma perispirítico" com desajustes nos
tecidos sutis da alma.
• Zonas purgatórias: Fixação em estados de desequilíbrio, loucura,
tormentos em regiões infernais devido às vibrações desequilibrantes
geradas.
• Obsessões mútuas entre desencarnados e encarnados.
• Culpa e remorso: Intensificados pela luz do conhecimento espiritual,
gerando angústia e sofrimento.
3. Assistência espiritual
 Equipes socorristas: Equipes socorristas atuam em resgates difíceis
e auxílio aos espíritos em desequilíbrio, especialmente em quadros
obsessivos e de loucura.
 Instituições espirituais (como “Instituto Almas Irmãs”) acolhem
espíritos em sofrimento afetivo-sexual, oferecendo:
o Ensino sobre sexo e amor, sexo e maternidade, sexo e penalogia
(leis kármicas).
o Tratamento com passes, esclarecimento, apoio fraterno e
reeducação do sentimento.
o Preparação para reencarnações de resgate.
o Acompanhamento contínuo através de registros individuais
(fichas) do progresso espiritual.
147
 Intercessão: Espíritos superiores intercedem por aqueles em zonas
inferiores, mesmo após o fracasso.
 A espiritualidade não pune: auxilia, mas respeita a lei de causa e efeito.
4. Mecanismos de ajuste (Lei de Causa e Efeito)
Os reflexos dos traumas ou desequilíbrios registrados no perispírito como
“cicatrizes espirituais” se manifestam em novas existências físicas:
 Condições físicas: Mutilações congênitas, paralisia, senilidade
precoce, câncer infantil, Câncer nos órgãos reprodutores (mama,
próstata, ovário, útero), enfermidades nervosas, patologias sem causa
aparente.
 Condições psíquicas: Alienação mental, angústia, ansiedade,
obsessão, idiotia, miséria moral e psíquica.
 Provas específicas: Infertilidade e limitações reprodutivas, síndromes
(Turner, Klinefelter) como oportunidades de aprendizado em resiliência
e amor.
 Reencarnação em corpos invertidos: Para resgatar crueldades
cometidas contra o sexo oposto.
 Limitações afetivas: solidão, dificuldades de relacionamento,
privações afetivas ou sexuais como provas educativas e para o
desenvolvimento de virtudes como paciência e renúncia.
 Reencarnações de resgate: Retorno ao mesmo ambiente ou com as
mesmas almas prejudicadas para reparar danos.
Não são castigos: São mecanismos de reeducação e reequilíbrio (lei de
causa e efeito).
5. Orientação e caminho de cura
 Autoconhecimento e aceitação: reconhecer as tendências íntimas,
sem medo e sem revolta. Entender que não somos punidos, mas
convidados a aprender.
 Perdão e reparação: curar as mágoas do passado, perdoando e se
reconciliando; compreender que cada coração ferido precisa de reparo.
 Disciplina dos pensamentos: vigiar para não alimentar fantasias,
ressentimentos ou fixações inferiores, substituindo-os por ocupações
edificantes.
 Afeto sublimado: aprender a amar sem posse, com respeito, amizade,
serviço e fraternidade.
148
 Uso responsável da energia sexual: quando em família, vivê-la com
responsabilidade, respeito e fidelidade; quando solteiro, buscar
sublimar através de atividades úteis, artes, estudo e caridade.
 Oração e ligação com Deus: cultivar a confiança de que ninguém está
sozinho, e que os mentores e amigos espirituais acompanham todo
esforço sincero.
 Exemplo de Jesus: compreender que Ele mostrou a vitória do amor
sobre todas as formas de egoísmo, convidando-nos à fraternidade
universal.
Mensagem final
Muitas vezes erramos no uso do amor, do afeto e da energia sexual.
Esses erros deixam marcas em nossa alma, mas não somos condenados:
somos convidados a recomeçar.
Deus não castiga, Ele educa.
Cada dificuldade, cada prova, cada conflito íntimo, é um recurso para nos
ensinar a amar melhor.
O caminho da cura começa pelo perdão, por nós mesmos e pelos outros.
Segue pela disciplina dos pensamentos, pela oração sincera e pelo trabalho
no bem.
Se não podemos amar de forma plena ainda, aprendamos a servir, a
estender as mãos, a falar palavras de consolo, a respeitar o próximo.
A energia do amor, quando bem dirigida, nos transforma em filhos de luz.
Sigamos o exemplo de Jesus, que fez do amor a sua maior obra.
Lembremo-nos: não importa o tamanho da queda, sempre é possível
recomeçar.
O Pai nunca desampara.
E cada esforço sincero de mudança já é vitória da alma.
Que possamos nos enxergar como almas eternas, aprendizes em evolução,
e usar nossas energias para construir um mundo de luz, onde o amor seja
sempre a lei maior.
Devemos sempre agradecer os nossos pais que nos receberam com amor.
Paz e renovação para todos!
Ú Livro Ação e Reação – Capítulo 15 – pág. 213
Ú Livro Evolução em dois mundos – Capítulo 18 – 1ª Parte – pág. 141
149
Ú Livro Evolução em dois mundos – Capítulo 16 – 2ª Parte – pág. 213
Ú Livro No Mundo Maior – Capítulo 11 – pág. 153
Ú Livro Sexo e Destino – Capítulo 9 – 2ª Parte – pág. 271
150
TUDO É AMOR
André Luiz
Observa, amigo, em como do amor tudo provém e no amor tudo se resume.
Vida – é o Amor existencial.
Razão – é o Amor que pondera.
Estudo – é o Amor que analisa.
Ciência – é o Amor que investiga.
Filosofia – é o Amor que pensa.
Religião – é o Amor que busca Deus.
Verdade – é o Amor que se eterniza.
Ideal – é o Amor que se eleva.
Fé – é o Amor que se transcende.
Esperança – é o Amor que sonha.
Caridade – é o Amor que auxilia.
Fraternidade – é o Amor que se expande.
Sacrifício – é o Amor que se esforça.
Renúncia – é o Amor que se depura.
Simpatia – é o Amor que sorri.
Altruísmo – é o Amor que se engrandece.
Trabalho – é o Amor que constrói.
Indiferença – é o Amor que se esconde.
Desespero – é o Amor que se desgoverna.
Paixão – é o Amor que se desequilibra.
Ciúme – é o Amor que se desvaira.
Egoísmo – é o Amor que se animaliza.
Orgulho – é o Amor que se enlouquece.
Sensualismo – é o Amor que se envenena.
Vaidade – é o Amor que se embriaga.
Finalmente, o ódio, que julgas ser a antítese do Amor, não é senão o
próprio Amor que adoeceu gravemente.
Tudo é Amor.
Não deixes de amar nobremente.
Respeita, no entanto, a pergunta que te faz, a cada instante, a Lei
Divina: “COMO?”.
Da Obra “Apostilas da Vida” -Espírito: André Luiz - Médium: Francisco
Cândido Xavier.
Digitado por: Lúcia Aydir.
151
LGBTQIAPN+
A sigla LGBTQIAPN+ é uma forma inclusiva de representar a diversidade de
identidades de gênero e orientações sexuais. Cada letra traz um grupo
específico:
 L – Lésbicas: mulheres que sentem atração afetiva e/ou sexual por
outras mulheres.
 G – Gays: homens que sentem atração afetiva e/ou sexual por outros
homens.
 B – Bissexuais: pessoas que sentem atração por mais de um gênero
(homens e mulheres, ou além disso).
 T – Transgêneros/Transexuais/Travestis: pessoas cuja identidade de
gênero é diferente do sexo designado ao nascer.
 Q – Queer: termo guarda-chuva para quem não se encaixa na
heteronormatividade ou nas classificações tradicionais de
gênero/sexualidade.
 I – Intersexo: pessoas que nascem com variações biológicas (genitais,
cromossomos ou características sexuais) que não se enquadram
totalmente no padrão masculino ou feminino.
 A – Assexuais/Arromânticos: pessoas que não sentem atração sexual
(assexuais) ou não sentem atração romântica (arromânticos).
 P – Panssexuais: pessoas que sentem atração por outras
independentemente do gênero.
 N – Não-binários: pessoas que não se identificam exclusivamente
como homem ou mulher; podem transitar entre gêneros ou não se
identificar com nenhum.
 + – sinal de inclusão, representando todas as demais identidades e
orientações que não estão listadas, mas fazem parte da diversidade
humana.
152
Sexo e sexualidade
Cada pessoa é única e pode apresentar quanto à sexualidade uma combinação de
características diferentes.
1. Sexo biológico
Refere-se a características físicas observáveis no corpo: genitália, cromossomos,
hormônios e características secundárias (como pelos, voz, formato do corpo).
 Masculino: geralmente XY, produção de testosterona, pênis e testículos.
 Feminino: geralmente XX, produção de estrogênio/progesterona, vagina e ovários.
 Intersexo: quando a pessoa nasce com variações que não se encaixam nos
padrões típicos de "masculino" ou "feminino".
o Exemplos: cromossomos diferentes (XXY, X0), genitália ambígua, variações
hormonais.
o Estima-se que até 1,7% da população apresente alguma forma de intersexo
— ou seja, não é algo tão raro quanto muitos pensam.
2. Orientação Sexual
Refere-se a quem a pessoa sente atração afetiva, romântica e/ou sexual.
 Heterossexual: atração por pessoas de outro gênero.
 Homossexual (gay, lésbica): atração por pessoas do mesmo gênero.
 Bissexual: atração por mais de um gênero.
 Assexual: ausência ou baixa atração sexual.
 Pansexual: atração independente de gênero.
Ou seja, orientação é sobre quem eu amo ou desejo.
Pode ser por pessoas do mesmo gênero (homossexualidade), de gênero diferente
(heterossexualidade), por mais de um gênero (bissexualidade, pansexualidade), ou
nenhuma atração sexual (assexualidade).
3. Identidade de Gênero
É a forma como a pessoa se percebe internamente em relação ao gênero.
 Homem cisgênero: nasceu com corpo masculino e se identifica como homem.
 Mulher cisgênero: nasceu com corpo feminino e se identifica como mulher.
 Transgênero: identidade não corresponde ao sexo biológico atribuído ao nascer.
 Não-binário: não se reconhece totalmente como homem ou mulher, podendo
transitar ou se identificar em outro espectro.
Aqui, identidade é sobre quem eu sou internamente.
- Uma pessoa pode se identificar como homem, mulher, ambos, nenhum ou algo
diferente do binário tradicional.
153
- Isso independe do sexo biológico.
- Exemplo: uma pessoa que nasceu com corpo masculino, mas se identifica e vive
como mulher, tem identidade de gênero feminina.
Ou seja: responde à pergunta “quem eu sou?”.
4. Expressão humana de Gênero
É o modo como a pessoa se apresenta socialmente, por meio de roupas, cabelo,
gestos, voz, maquiagem, adereços, etc.
 Masculina
 Feminina
 Andrógena (mistura de traços considerados masculinos e femininos)
 Neutra
Expressão é sobre como eu mostro quem eu sou para o mundo.
É sobre como a pessoa se mostra ao mundo, através de roupas, gestos, voz,
comportamento, estilo.
- Pode ser mais “masculina”, mais “feminina” ou uma mistura, e não precisa coincidir
com identidade ou orientação.
- Exemplo: um homem heterossexual pode ter uma expressão mais delicada e
feminina, e uma mulher lésbica pode ter expressão mais masculina, sem que isso
altere sua identidade ou orientação.
- Ou seja: responde à pergunta “como eu me apresento?”.
Conclusão
Uma mesma pessoa pode ter combinações diferentes:
 Um homem trans (identidade masculina, mas nascido biologicamente mulher) pode
ser heterossexual, homossexual ou bissexual.
 Uma mulher cis pode ter expressão de gênero andrógena e orientação pansexual.
 Alguém não-binário pode se expressar ora de forma feminina, ora masculina, sem
que isso determine sua orientação sexual.
Ou seja, não é uma caixinha fixa, mas um conjunto de dimensões que se cruzam e
formam a riqueza da experiência humana.
- Biologicamente, nem todos nascem só como “homem” ou “mulher”.
- O intersexo mostra que a natureza é diversa.
- Gênero e orientação sexual são outras camadas além do corpo físico, não
determinadas automaticamente pelo sexo biológico.
 Orientação sexual = por quem eu sinto atração.
 Identidade de gênero = quem eu sou por dentro.
 Expressão de gênero = como eu me mostro por fora.
154
155
4.7 – PARENTESCO, FILIAÇÃO
A família não é apenas resultado do acaso biológico, mas expressão de um
planejamento espiritual.
 Espíritos são reunidos como pais, filhos e parentes para aprenderem
juntos, repararem faltas e se ajudarem mutuamente.
 Quando há amor e afinidade, é sinal de reencontros felizes; quando há
dificuldades, são lições e reconciliações necessárias.
Os vínculos terrenos oferecem oportunidades de aprendizado, reparação e
crescimento, mostrando que cada reencarnação em determinado lar tem
uma finalidade justa e sábia dentro das leis divinas.
A família é a primeira escola da alma, onde se aprende amor, paciência,
reconciliação e solidariedade.
203 – Os pais transmitem aos filhos uma porção da sua alma, ou se
limitam a dar-lhes a vida animal a que uma nova alma, mais tarde, vem
adicionar a vida moral?
A vida animal somente, porque a alma é indivisível. Um pai estúpido pode ter
filhos inteligentes, e vice-versa.
COMENTÁRIOS:
Como Espírito todos nós fomos criados por Deus, simples e ignorantes.
Cada Espírito é uma individualidade única, criada simples e ignorante, e não
se divide nem se reparte.
Os Espíritos são independentes.
Não há como os pais “doarem” parte de sua alma aos filhos.
Em uma nova reencarnação, nossos pais nos fornecem somente os
elementos necessários para a formação do nosso corpo físico.
Por que muitos pais e filhos se parecem?
Na aparência física é natural, pois o corpo vem do corpo.
Essa herança é genética, orgânica e transmite características físicas,
temperamentos, predisposições de saúde etc.
Com relação à personalidade, é que ambos normalmente já fazem parte de
uma mesma família espiritual e vão adquirindo um aprendizado paralelo, em
comum, dentro de experiências semelhantes.
156
LIVRO SEGUNDO: MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS
Capítulo IV: Pluralidade das Existências
Portanto, os pais não transmitem aos filhos parte das suas almas, pois a
alma é indivisível. Somente fornecem meios para que os corpos se
organizem.
Síntese:
 Os pais não transmitem a alma, apenas o corpo.
 Cada filho é um Espírito autônomo, com inteligência e caráter próprios.
 O lar é um campo de convivência, não uma fusão de essências
espirituais.
Devemos gratidão aos nossos pais que nos receberam com amor.
204 – Uma vez que temos tido várias existências, a parentela remonta
além da nossa existência atual?
Não pode ser de outra forma. A sucessão das existências corporais
estabelece entre os Espíritos laços que remontam às existências anteriores.
Daí, muitas vezes, decorrem as causas da simpatia entre vós e certos
Espíritos que vos parecem estranhos.
COMENTÁRIOS:
Cap. 14, item 8 – Evangelho Segundo o Espiritismo.
Nas nossas experiências reencarnatórias e nas nossas vivências na
erraticidade vamos formando elos de amizade com aqueles Espíritos que
conviveram conosco, que dividiram experiências conosco.
Temos inúmeras reencarnações construindo nossa história e em algumas
delas convivemos com o mesmo grupo em que estamos. Nunca estamos
sós. Estamos sempre em grupos para o aprendizado da convivência.
Esses Espíritos que estão muito ligados não se mudam muito, geralmente, o
mesmo grupo de Espíritos vem acompanhando um ao outro através dos
tempos.
Aqueles que convivem conosco hoje, provavelmente, já estiveram em outras
reencarnações, dentro do mesmo núcleo familiar, como vizinho, como colega
de trabalhado, dividindo e compartilhando experiências.
Vamos sempre caminhando juntos.
Neste momento da vida estamos no lugar certo, com as pessoas certas, pois
são com elas que a gente tem os débitos a resgatar, algo a aprender, a
ensinar, ou seja, tem um programa de vida para o crescimento de todos.
157
Quando reencarnamos em uma família, por necessidade de aprendizado,
criamos vínculos de amizade ou, às vezes de ódio; contudo, isso é processo
que se desenvolve entre as criaturas.
Se amamos, esse é o nosso dever, a nossa finalidade; se odiamos, tornamos
a voltar, para que o amor se faça presente nos corações.
Estamos ligados uns aos outros por leis universais.
A família de sangue é importante como ambiente de provas, reconciliações e
aprendizados, mas a verdadeira família é a dos laços espirituais, que são
eternos, fortalecem-se com o bem e transcendem o tempo e a matéria.
205 – Na opinião de certas pessoas, a doutrina da reencarnação parece
destruir os laços de família fazendo-os remontar às existências
anteriores.
Ela os estende, mas não os destrói. A parentela, estando baseada sobre as
afeições anteriores, os laços que unem os membros de uma família são
menos precários. Ela aumenta os deveres da fraternidade, visto que, entre
os vizinhos ou entre os servidores, pode se encontrar um Espírito que esteve
ligado a vós pelos laços consanguíneos.
205.a) Ela diminui, entretanto, a importância que alguns dão à sua
genealogia, visto que, pode ter por pai um Espírito pertencente a outra
raça e vindo de uma condição diferente?
É verdade, mas essa importância se baseia no orgulho; o que a maioria
honra em seus ancestrais, são os títulos, posição e fortuna. Alguém que
coraria por ter como antepassado um honesto sapateiro, se gabaria de
descender de um gentil homem debochado. Mas o que quer que digam ou
façam, não impedirão que as coisas sejam como são, porque Deus não
regulou as leis da Natureza pela sua vaidade. (*)
COMENTÁRIOS:
14, item 8 – ESE
Essa questão refere à preocupação de Kardec de que a reencarnação
pudesse “desfazer a família”. Na verdade, ela mostra que o Espiritismo dá à
família uma dimensão eterna e universal.
158
- A reencarnação não destrói os laços de família, ao contrário, os amplia
e fortalece.
- Os vínculos familiares deixam de ser vistos como algo restrito a uma
única geração e passam a ser entendidos como resultados de relações
anteriores.
- A fraternidade se expande, porque em qualquer posição social ou
relação cotidiana (um vizinho, um empregado, um colega), pode estar
alguém que já foi nosso parente em outras vidas.
Se pegarmos a doutrina da não reencarnação, os laços que vinculam um
membro ao outro da mesma família consanguínea se iniciam no nascimento
do filho e se rompem com a morte de um deles. Então o destino de cada um
ao morrer pode separar eternamente os membros de uma mesma família.
Basta que um vá para o céu e o outro vá para o inferno e eternamente
estarão separados. Os vínculos familiares se romperão para sempre.
(Conforme os dogmas da teologia tradicional)
Buscando a doutrina da reencarnação, como nos ensina a doutrina espírita,
já há laços entre os Espíritos no nascimento, pois ao nascer estará fazendo
parte de uma família consanguínea e certamente já tiveram muitas
existências em comum.
Os Espíritos caminham juntos, compartilhando os mesmos laços, que pode
até ser de sentimentos negativos. Porém no decorrer das diversas
reencarnações vão transformando o ódio em amor.
Letra A
A importância que muitos dão à genealogia (raça, títulos, posição social) está
baseada no orgulho humano.
A reencarnação desmonta essa vaidade, pois mostra que podemos ter sido,
em outras vidas, de qualquer raça ou condição social.
Cultivar o amor somente entre os ancestrais, oferecer atenção somente
àqueles com os quais convivemos, amar só os nossos familiares a
consciência em Cristo nos diz que reforça o egoísmo e o próprio orgulho
A doutrina da reencarnação como lei que vigora em todos os mundos onde
os Espíritos reencarnam, alicerça a verdadeira fraternidade, por alimentar o
amor universal entre todas as criaturas.
A lei da reencarnação é divina, pois elimina os limites de onde poderemos
viver.
As leis divinas não se regulam pela vaidade humana: somos todos iguais
perante Deus.
159
Amar a todos e a tudo, pois, se a criação vem de Deus, somos todos irmãos,
na graça e misericórdia do Senhor.
206 – Do fato de não haver filiação entre os Espíritos descendentes de
uma mesma família, segue-se que o culto dos ancestrais seja uma coisa
ridícula?
Seguramente que não, porque se deve sentir feliz de pertencer a uma família
na qual Espíritos elevados se encarnaram. Embora os Espíritos não
procedam uns dos outros, eles não têm menos afeição aos que lhes estão
ligados pelos laços de família, visto que os Espíritos, frequentemente, são
atraídos em tal ou tal família em razão de simpatia ou por ligações
anteriores. Mas crede que os Espíritos dos vossos ancestrais não se honram
pelo culto que lhes fazeis por orgulho. Seus méritos não refletem sobre vós
senão pelo esforço que fizerdes para seguir os bons exemplos que vos
deram, e é só assim que a lembrança pode não somente lhes ser agradável,
mas até útil.
COMENTÁRIOS:
Há entre nós a família consanguínea, mas a mais importante é a família
espiritual.
Grupo de Espíritos que estabeleceram elos de simpatia ou de desafeto e que
estão juntos na jornada evolutiva em razão daquilo que já construíram juntos
ou dos equívocos estabelecidos juntos em jornadas reencarnatórias
anteriores.
Seres que convivem na nossa família consanguínea, acrescidos de outros
que se relacionam na mesma trajetória, como vizinhos, colegas de trabalho,
grupo religioso, etc., pessoas que convivem conosco que também fazem
parte da nossa família espiritual.
Dentro desse grupo, muitos antepassados nos são caros, seja pelo que
representaram na sociedade em que vivemos, seja pelo exemplo que nos
deixou. Muitas vezes o que nos fornece a simpatia (orgulho) por um
antepassado é a posição que tenha ocupado na sociedade, às vezes, pela
liderança através do orgulho, da violência, o exagero na riqueza. É uma
situação que não é cara à espiritualidade. O que nos une aos nossos
antepassados é a busca do aprendizado, daquilo que eles verdadeiramente
representaram em nossas vidas.
O verdadeiro culto aos ancestrais não deve ser orgulho social e a vaidade
genealógica, com ostentação, apenas para exaltar nomes ou títulos.
160
O que realmente honra um antepassado é seguir seus bons exemplos e
virtudes, uma lembrança respeitosa e inspiradora baseada em amor e
gratidão.
Apenas assim a lembrança se torna agradável para eles e útil para nós.
Pode até ser pela lei da reencarnação que esse antepassado que eu me ligo
foi até eu mesmo. Posso ter sido na linha da minha família, o meu bisavô.
(Livro Há Dois Mil anos).
Quando nos lembrarmos deles, devemos acrescentar sempre gratidão e orar
pelos antepassados pedindo a Deus para os abençoar onde eles se
encontrarem e, ainda mais, devemos cultivar o bem que eles plantaram,
através das sementes de moralidade, de trabalho e de amor.
O que importa na união da família e fora dela é o amor. Só o amor nos une.
O amor bem vivenciado vai nos ensinar a conviver para ampliar da nossa
jornada evolutiva.
161
4.8 – SEMELHANÇAS FÍSICAS E MORAIS
207 – Os pais transmitem, frequentemente, aos filhos uma semelhança
física. Transmitem também uma semelhança moral?
Não, uma vez que têm alma ou Espírito diferentes. O corpo procede do
corpo, mas o Espírito não procede do Espírito. Entre os descendentes das
raças não há senão consanguinidade. (*)
207.a) De onde provêm as semelhanças morais que existem, algumas
vezes, entre pais e filhos?
São Espíritos simpáticos, atraídos pela semelhança de suas tendências.
COMENTÁRIOS:
A cada um de nós foi dada a escolha a que caminho tomar, conforme o livre
arbítrio. E nesse caminhar vamos fazendo escolhas que nos proporciona
diferenciar uns dos outros.
Membros de uma mesma família espiritual são seres que já conviveram no
transcorrer da vida em várias jornadas evolutivas que muitas vezes
aprenderam juntos, também erraram juntos e permanecem juntos nessa
caminhada por afinidades de gosto, de habilidades, de tendências.
Os membros de uma mesma família espiritual quando renascem no seio de
uma mesma família consanguínea, como pais e filhos muitas vezes se
apresentam com os mesmos pendores morais porque aprenderam juntos no
passado. Não são iguais, mas se assemelham porque estão juntos na
mesma caminhada.
O filho não herda do pai os valores morais que possa ter, mas cabe ao pai
instruir o filho, redirecioná-lo na vida, reeducá-lo no momento próprio quando
perceber uma tendência negativa na personalidade desse ser que lhe foi
confiado por Deus.
Nós atraímos uns aos outros enquanto membros da família por afinidades,
daí a explicação da semelhança que pode muitas vezes existir nos valores
morais e ético entre pais e filhos.
Mas nem sempre é assim. Às vezes em uma mesma família há aquele que é
bem diferente dos pais, na forma de pensar e agir.
Nem sempre são Espíritos afins que formam uma família. Há Espíritos que
nada herdam dos familiares. Aparecem como um meteoro nos céus de uma
família, cumprindo uma missão e deixando ali, as bênçãos do exemplo de
162
LIVRO SEGUNDO: MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS
Capítulo IV: Pluralidade das Existências
luz. Outros, vindo do mais baixo, recebem dessa família impulsos para o
bem, porque Deus é amor e não se esquece dos Seus filhos no aprendizado.
Portanto, a semelhança moral é, na verdade, uma manifestação da lei de
afinidade que uniu aqueles espíritos sob o mesmo teto, para que pudessem
seguir suas jornadas evolutivas juntos.
O legado mais importante dos pais para os filhos não é a semelhança moral,
mas o ambiente e as condições para que o espírito individual possa florescer
e evoluir, impulsionado pelas afinidades que os uniram.
A família é um laboratório de aprendizado e evolução mútua.
208 – Os Espíritos dos pais não exercem influência sobre o do filho,
depois do nascimento?
Uma influência muito grande; como dissemos, os Espíritos devem concorrer
para o progresso uns dos outros. Muito bem! Os Espíritos dos pais têm por
missão desenvolver os dos seus filhos pela educação; é para eles uma
tarefa: se falharem, serão culpados.
COMENTÁRIOS:
Missão dos pais:
Dentre as diversas atividades que podemos desenvolver enquanto
encarnados, a mais sublime e transformadora é a missão de ser pai ou mãe.
Não se trata apenas de gerar ou criar um filho, mas de assumir diante de
Deus um compromisso espiritual: o de guiar uma alma em crescimento,
oferecendo-lhe direção, valores e amor.
Deus confia aos pais não apenas o corpo físico dos filhos, mas sobretudo a
orientação moral deles. Portanto, os filhos são empréstimos de Deus que
confia a nós o direcionamento moral dos seus filhos.
Cooperação para o Progresso Mútuo:
Os Espíritos devem "concorrer para o progresso uns dos outros". A família é
um dos principais campos para essa colaboração.
Na cooperação para o progresso, os pais não são apenas guias, mas
também aprendem e crescem junto com os filhos. Muitas vezes, os filhos
vêm para corrigir, despertar sentimentos ou fortalecer virtudes nos pais.
A família é o primeiro templo onde se aprende a amar, respeitar e evoluir.
163
É nela que os filhos recebem os primeiros ensinamentos sobre o bem, sobre
o Evangelho, sobre o sentido da vida.
Os pais são os primeiros educadores, não apenas pelas palavras que dizem,
mas principalmente pelos exemplos que oferecem. Cada gesto, cada
escolha, cada reação é uma lição silenciosa que molda o caráter e a
consciência dos filhos.
Educação como dever sagrado
A palavra "educação" aqui tem um sentido amplo, que vai além do
aprendizado escolar. Ela engloba a formação do caráter, o desenvolvimento
moral, a orientação sobre as leis da vida e a distinção entre o bem e o mal.
O Espírito reencarnado chega com tendências próprias (boas e más), mas
cabe aos pais ajudar no despertar das virtudes, oferecendo-lhe as
ferramentas necessárias para que possa superar suas imperfeições e seguir
em seu caminho evolutivo.
Educar é mais do que instruir. É cultivar. É regar diariamente com paciência,
presença e afeto. É estar junto, ouvir, dialogar, participar. É mostrar, com
atitudes, que os valores do Evangelho não são apenas ideias bonitas, mas
caminhos possíveis e necessários para uma vida plena.
Responsabilidade moral
A paternidade e a maternidade não é uma simples função biológica, mas
uma tarefa espiritual.
É uma tarefa sagrada e séria. O aviso final "se falharem, serão culpados"
destaca a seriedade dessa responsabilidade.
Nossa responsabilidade moral, enquanto pais, é imensa.
Deus nos confia Seus filhos, como empréstimos preciosos, esperando que
sejam conduzidos com sabedoria e amor.
E se houver negligência, se o exemplo faltar, se o coração se ausentar, as
consequências não se apagam. Cada omissão, negligência ou mau exemplo
é uma dívida espiritual que um dia será cobrada pela consciência, diante da
Lei Divina.
Isso não significa que responderemos pelas escolhas futuras dos nossos
filhos (pois cada Espírito é livre), mas que responderemos por não termos
dado as bases morais necessárias.
Concluindo
164
Por isso, ser pai ou mãe é um chamado à grandeza. É uma oportunidade de
servir a Deus através do cuidado com o outro. É uma chance de crescer
junto, de aprender com os erros, de se renovar a cada dia.
Não existe fórmula mágica, mas existe a fé, a oração, o esforço sincero de
fazer o melhor.
Que cada um de nós, enquanto pai ou mãe reconheçamos a beleza e a
seriedade dessa missão.
Que não tratem a paternidade e a maternidade como tarefas comuns, mas
como caminhos sagrados de evolução.
E que, ao final da jornada, possamos olhar para trás com serenidade,
sabendo que fizemos o possível para conduzir nossos filhos à luz.
209 – Por que de pais bons e virtuosos nascem filhos de natureza
perversa? Melhor dizendo, por que as boas qualidades dos pais não
atraem sempre, por simpatia, um bom Espírito para lhes animar o filho?
Um mau Espírito pode pedir pais bons, na esperança de que seus conselhos
o encaminhem para um caminho melhor e, frequentemente, Deus lhe
concede.
COMENTÁRIOS:
Essa questão à primeira vista, pode parecer injusto. Mas à luz da
espiritualidade, compreendemos que tudo obedece à misericórdia e à justiça
divina.
Muitos Espíritos, arrependidos de seus erros passados, pedem a Deus a
oportunidade de renascer em lares virtuosos. Desejam, com sinceridade,
absorver os bons exemplos e evitar recaídas.
Propósito:
Um Espírito rebelde ou atrasado moralmente pode ser confiado a pais
virtuosos como oportunidade de reeducação moral, na esperança de ser
influenciado positivamente por eles. Ele busca um ambiente que o ajude a
corrigir suas falhas e se desviar de um caminho de erro. Busca receber
melhores condições de reforma íntima
Misericórdia Divina
Deus, em Sua infinita bondade, concede essa chance, confiando aos pais a
missão de guiar esses corações em busca de redenção.
165
Colocar um espírito com dificuldades em um lar onde ele receberá bons
exemplos e conselhos é uma forma de auxiliá-lo a evoluir. Isso demonstra a
bondade e a paciência divinas. É um recurso divino para oferecer ao Espírito
rebelde um ambiente favorável de regeneração, que ele talvez não tivesse
em outro meio.
A reencarnação em ambientes elevados é uma dádiva, mas nem sempre é
permitida. Em muitos casos, o Espírito precisa enfrentar desafios mais duros
para desenvolver sua força interior.
Independentemente do ambiente, há sempre vigilantes da vida maior
inspirando e auxiliando cada núcleo familiar.
A força do exemplo
Os pais bons funcionam como modelos vivos, que podem influenciar
positivamente o filho por meio do amor, da paciência e da orientação.
É como plantar uma semente: mesmo que a terra seja difícil, o cultivo pode
dar frutos.
O Papel dos Pais Virtuosos:
Para os pais, a prova de ter um filho com tendências morais opostas às suas
é um grande desafio. Eles são testados em sua paciência, amor
incondicional e capacidade de educar. Se eles forem bem-sucedidos em
guiar o filho, sua própria evolução será acelerada. Se fracassarem, terão
perdido uma valiosa oportunidade de progresso.
Os pais não são culpados pela perversidade anterior do Espírito do filho, mas
respondem se falharem em orientá-lo quando Deus lhes confia essa missão.
Mesmo diante de grandes desafios, os pais devem manter o compromisso de
educar com paciência, firmeza e espiritualidade.
Que possamos acolher nossos vínculos familiares com mais compreensão,
reconhecendo que cada desafio é uma oportunidade de crescimento
espiritual.
Que o amor prevaleça onde antes houve dor, e que a misericórdia de Deus
continue guiando nossos passos com sabedoria e luz.
210 – Podem os pais, por seus pensamentos e preces, atrair para o
corpo do filho um bom Espírito, de preferência a um Espírito inferior?
166
Não, mas podem melhorar o Espírito do filho a que deram nascimento e que
lhes foi confiado; é seu dever. Os maus filhos são uma prova para os pais.
COMENTÁRIOS:
A reencarnação de um filho no seio de uma família não ocorre por acaso.
Para cada nova reencarnação há uma programação no mundo espiritual,
onde são analisadas as necessidades de todas as pessoas envolvidas (pai,
mãe, filho, irmãos, avós, etc.).
Os filhos vêm em determinada família pela necessidade do conjunto, da
aprendizagem de todos ali envolvidos. Não adianta a gente querer que venha
um ser angélico para reencarnar em nossa família. Virá aquele cuja condição
é necessária tanto para ele quanto para a gente na condição de pais e
demais familiares.
Às vezes vem com a fragilidade na saúde ou com algum problema físico.
Tudo depende das necessidades dos envolvidos.
Uma vez confiado o filho, cabe aos pais se dedicarem à sua educação moral,
espiritual e afetiva.
A oração, neste caso, pode ajudar muito, mas, não muda a vontade de Deus;
o Espírito inferior nasce, porém em condições melhores, devido à força da
prece dos pais. Deve-se sempre orar, cultivando a caridade, fazer o culto do
Evangelho no lar, porque os que retornam à carne, encontrando este
ambiente, sentem a felicidade e a esperança nas suas novas lutas, e podem,
com isso, se precaverem de muitos males.
As preces, os bons exemplos e o ambiente de amor podem transformar
gradualmente até mesmo um Espírito de tendências inferiores.
Filhos difíceis como prova
Quando nasce um filho rebelde, ingrato ou perverso, isso representa uma
provação para os pais, testando sua paciência, resignação e perseverança
no bem.
É também uma oportunidade de redenção mútua, pois muitas vezes há
vínculos de vidas passadas que estão sendo reajustados.
Eficácia das preces
Embora não determinem a escolha do Espírito antes da encarnação, as
preces sinceras têm grande valor durante a vida, sustentando, amparando e
iluminando o filho em suas lutas íntimas.
A presença de filhos difíceis é prova e oportunidade de crescimento para os
pais.
A oração e o exemplo são os maiores recursos de auxílio e transformação.
167
Que possamos compreender que não escolhemos os Espíritos que chegam
até nós, mas somos escolhidos para ajudá-los a crescer. Que nossas preces
não sejam para mudar o destino, mas para fortalecer nossa capacidade de
cumprir com amor o papel que nos foi confiado.
Plantemos a semente do amor que colheremos os frutos da fraternidade.
211 – De onde provém a semelhança de caráter que existe, muitas
vezes, entre dois irmãos, sobretudo se gêmeos?
São Espíritos simpáticos que se aproximam pela semelhança de seus
sentimentos e que são felizes por estarem juntos.
COMENTÁRIOS:
Certamente entre os irmãos gêmeos há uma relação anterior. Uma relação
que justifica eles virem tão próximos assim.
As semelhanças de caráter, de personalidade é devido a essa vivência
anterior. As experiências realizadas no mesmo meio familiar, no mesmo meio
cultural da sociedade em que os receberam. Na convivência há a
assimilação das experiências de uns para com os outros.
Se estão juntos é porque juntos têm algo a fazer, algo a realizar.
Em muitos casos, os irmãos gêmeos são Espíritos simpáticos, que se unem
por afinidade de sentimentos, porém, nem todos são assim. Pode acontecer
o contrário: serem Espíritos inimigos que a justiça divina faz se
reencontrarem na formação biológica, no sentido de que se processe o
perdão com mais eficiência.
Os gêmeos, por vezes, têm semelhança de caráter, sendo que não devemos
generalizar esse fato, porque em outros casos são completamente
diferentes, em matéria de conduta e mesmo em semelhança física. São
Espíritos, e cada um é, pois, um mundo à parte, com suas tendências e
atividades em busca da luz.
Seja por afinidade ou por resgate, a presença de irmãos — gêmeos ou não
— é sempre uma oportunidade de crescimento.
A família é o laboratório onde se experimenta o amor em suas múltiplas
formas: fraternal, parental, conjugal e espiritual.
168
A convivência entre irmãos consanguíneos é uma escola de sentimentos,
onde aprendemos a lidar com as diferenças, a valorizar os pontos em
comum e a superar os conflitos com maturidade e compaixão.
Que possamos olhar para nossos irmãos (de sangue ou de alma) com mais
gratidão.
Que reconheçamos nesses vínculos a mão de Deus, reunindo corações que
se amam, se desafiam e se fortalecem mutuamente. E que, em cada relação
familiar, possamos enxergar a oportunidade de crescer juntos, na luz do
amor e da fraternidade.
212 – Nas crianças em que os corpos estão ligados e que têm certos
órgãos em comum, existem dois Espíritos, melhor dizendo, duas
almas?
Sim, mas sua semelhança, frequentemente, faz com que pareçam apenas
um, aos vossos olhos.
COMENTÁRIOS:
Gêmeos xifópagos ou siameses – nascem com os corpos unidos.
Compartilham alguns órgãos.
A Doutrina Espírita aborda a situação dos irmãos siameses ou xifópagos
(termo médico) sob a ótica da reencarnação e da Lei de Causa e Efeito.
Essa situação não é um acaso biológico, mas como uma provação ou
expiação planejada espiritualmente com propósitos de aprendizado e
reconciliação.
- A ciência explica como ocorre a formação do corpo físico.
- A doutrina espírita explica a causa dessa situação.
O Espírito reencarnado atua na mente. Apenas em uma mente. Portanto,
gêmeos siameses com duas cabeças, dois cérebros, obviamente são dois
Espíritos que estão reencarnados e, por algum motivo os corpos estão
ligados. Mesmo que a medicina tente explicar no mundo material, as causas
verdadeiras estão no mundo espiritual, nos débitos, nas necessidades de
aprendizado dos Espíritos que renasceram nessa condição, assim como, os
Espíritos próximos (os pais, irmãos, avós,...)
Provavelmente, haja débitos entre esses Espíritos que fizeram com que eles
se afastaram em outras oportunidades deixando de resgatar e, de repente, a
vida os traz juntos, unidos para que nessa experiência tenham a
169
oportunidade de um estar ao lado do outro sempre, oportunizando aprender
e crescer enquanto Espírito.
A força da justiça divina usa de todos os meios para a devida reconciliação.
Um dos meios é os Espíritos nascerem em corpos ligados, que os obriga a
respirarem juntos, a comerem juntos, a descansarem juntos, com aptidões,
ideias e gostos diferentes.
Aprendem a renúncia, a paciência, a eliminar o egoísmo, a respeitar e ser
respeitados.
A assistência dos pais ajuda esses Espíritos, pelo carinho que não falta, faz
sentirem a bondade de Deus mesmo no arrocho das provas.
É uma experiência muito difícil que se souberem passar com amor,
dedicação, fé e resignação, com certeza darão um grande passo para a sua
evolução.
Deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão;
e, então, voltando, faz a tua oferta." (Mateus, 5:24).
Jesus nos mostra a necessidade da reconciliação. E é esta reconciliação que
buscam esses irmãos siameses.
A condição dos gêmeos siameses, embora rara e desafiadora, é uma lição
profunda que a vida nos oferece.
Dois Espíritos que dividem o mesmo corpo mostram a todos nós que
ninguém caminha sozinho e que a interdependência é lei da existência.
O que para os olhos humanos pode parecer sofrimento ou injustiça, para a
visão espiritual é oportunidade de reconciliação, de aprendizado no amor e
de reparação de faltas passadas.
Que possamos olhar para esses exemplos com respeito e compaixão,
lembrando que cada vida, em qualquer condição, é sagrada. E que sempre
precisamos uns dos outros para crescer em direção à luz.
Que possamos, diante de cada prova, reconhecer o cuidado de Deus.
Que aprendamos a enxergar além da aparência, acolhendo cada ser como
um irmão em jornada de evolução. E que, inspirados por esses Espíritos
corajosos, sejamos mais fraternos, mais pacientes e mais conscientes de
que o amor é sempre o caminho.
A oferta que o Pai quer de nós é nosso coração sincero: amar o próximo
Há realmente duas almas.
Muitas das razões pelas quais esses Espíritos vêm juntos é porque a maioria
deles são Espíritos que em vidas passadas foram desafetos, inimigos e que
170
vieram nessa condição para aprenderem a viver juntos, a desenvolver o
amor.
Muitas vezes são Espíritos que estavam tão ligados fluidicamente um ao
outro no plano espiritual devido ao ódio que carregavam dentro dos seus
corações que seus perispírito ficaram como se estivessem ligados e acabam
imprimindo isso no corpo físico (simbiose, entrelaçados), necessitando
reencarnar juntos para superar aquelas dificuldades.
171
Gêmeos Xifópagos (Siameses): Visão Integrada (Ciência e Espiritismo)
I. Causa e Organização Perispiritual
Perspectiva Causa da União Física Organização Perispiritual
Científica
(Médico-
Biológica)
Divisão Incompleta do Zigoto.
Ocorre com gêmeos idênticos
(monozigóticos) quando o
óvulo fecundado se divide
tardiamente e de forma
incompleta (após o 13º dia de
fecundação), resultando em
embriões unidos.
Não aborda o perispírito. Foca
na falha do desenvolvimento
embrionário e nas
consequências anatômicas.
Espírita
Simbiose Energética e Mental
entre os Espíritos
reencarnantes.
Os dois perispíritos (moldes do
corpo) estão entrelaçados ou
fundidos na região que
corresponde à união física. Isso
reflete um vínculo vibratório
patológico trazido do passado
(ódio, obsessão, culpa) ou um
ajuste planejado pelos
Benfeitores.
II. Motivações e Objetivos da Reencarnação
A condição de xifópago é uma prova extrema e uma oportunidade
redentora sob a Lei de Causa e Efeito (Ação e Reação):
1. Reconciliação e Expiação Compulsória (Causa mais citada):
Espíritos que foram inimigos implacáveis em vidas passadas (por ódio,
violência ou crimes mútuos) são forçados à convivência inseparável. O
corpo siamês é um "atalho pedagógico" para que o ódio seja sublimado
pela solidariedade e pelo amor mútuo.
2. Reparação de Débitos Conjuntos: Resgate de faltas graves
cometidas em parceria (abuso de poder, desunião, crimes), exigindo
que a reparação seja feita em conjunto, na dor e na limitação.
3. Ajuste Terapêutico (Planejamento Espiritual): Os Guias Espirituais
dosam e planejam essa união para que ela sirva como a terapia mais
eficaz. A união é uma imposição da misericórdia divina, evitando que o
ódio se perpetue.
172
III. Dificuldades e Lições Morais
A. Dificuldades para os Reencarnantes
 Coordenação e Limitação Física: A necessidade de coordenar
movimentos e ações com outra vontade e mente, exigindo paciência e
renúncia constantes.
 Conflitos de Vontade: Embora o corpo físico seja o mesmo, há duas
mentes e duas almas com personalidades, gostos e necessidades
emocionais distintas. A convivência forçada exige a superação
constante do egoísmo.
 Identidade e Autonomia: O desafio de desenvolver a individualidade
em um corpo compartilhado, incluindo questões de relacionamentos,
trabalho e vida social.
B. Dificuldades para os Familiares
 Provação Familiar: Receber filhos siameses é uma prova de grande
magnitude para os pais, que são convocados a exercitar o amor
incondicional, a paciência e a fé.
- Sobrecarga emocional, financeira e física nos cuidados.
- Enfrentamento do olhar social, entre compaixão e curiosidade.
Muitas vezes, a família também está em reajuste com os Espíritos
reencarnados.
 Escolhas Éticas: A família é confrontada com decisões difíceis (como
cirurgia de separação, quando aplicável), que testam o discernimento e
a capacidade de renúncia.
C. Lição para a Sociedade (Missão de Testemunho)
A existência dos gêmeos siameses tem um profundo impacto moral na
sociedade, servindo como:
1. Testemunho da Lei de Amor: Demonstra, de forma inequívoca, que o
Espírito é maior que a forma física. Mesmo na união mais extrema, há
duas individualidades distintas e capazes de progresso.
2. Valorização da Vida: A condição siamesa coloca em xeque conceitos
de autonomia e perfeição física, despertando a compaixão e a reflexão
sobre o respeito à vida em qualquer condição.
3. Supremacia da Mente sobre a Matéria: A coordenação e a
capacidade de superação das gêmeas mostram o poder do Espírito em
adaptar e harmonizar-se com as mais severas limitações orgânicas.
Em síntese, enquanto a ciência descreve como o fenômeno ocorre a nível
biológico, o Espiritismo oferece a resposta para por que dois Espíritos se
submetem a essa experiência, apontando para a Justiça Divina que
transforma a dor em oportunidade de crescimento.
173
Por que o nome “siameses”?
O termo “gêmeos siameses” surgiu a partir do caso histórico de Chang e
Eng Bunker, irmãos nascidos em 1811 na região do Sião (atual Tailândia).
Eles eram unidos pelo tórax e compartilhavam parte do fígado. Tornaram-se
famosos mundialmente ao se apresentarem em circos e exposições nos
Estados Unidos e Europa.
 O nome “siameses” foi popularizado por causa da nacionalidade dos
irmãos.
 Embora o termo ainda seja usado popularmente, o nome médico
correto é gêmeos xifópagos, que significa “unidos pelo esterno” (do
grego xiphos = espada, pagos = fixado).
Exemplos notáveis de gêmeos xifópagos
1. Chang e Eng Bunker (1811–1874)
 Unidos pelo tórax.
 Casaram-se com duas irmãs e tiveram 21 filhos no total.
 Viviam alternando o tempo entre as duas famílias.
2. Abigail e Brittany Hensel (nascidas em 1990)
 Unidos por um único corpo com duas cabeças.
 Cada uma controla um lado do corpo.
 São professoras e vivem com independência e harmonia.
3. Ladan e Laleh Bijani (1974–2003)
 Gêmeas iranianas unidas pela cabeça.
 Buscaram cirurgia de separação em Cingapura, mas
infelizmente não sobreviveram ao procedimento.
4. Krista e Tatiana Hogan (nascidas em 2006)
 Unidas pela cabeça, com uma ponte neural que permite compartilhar
sensações.
 Vivem no Canadá e são estudadas por neurocientistas.
5. Gêmeas brasileiras: Maria Clara e Maria Eduarda
(nascidas em 2010)
 Unidas pelo abdômen e tórax.
 Foram separadas com sucesso em cirurgia realizada em
Goiânia. (Shivnath e Shivram)
174
213 – Visto que os Espíritos encarnam como gêmeos por simpatia, de
onde vem a aversão que se vê, algumas vezes, entre estes últimos?
Não é uma regra que os gêmeos sejam Espíritos simpáticos; maus Espíritos
podem querer lutar juntos no teatro da vida.
COMENTÁRIOS:
O fato de nascerem juntos não implica necessariamente em simpatia
espiritual.
A encarnação simultânea pode ter várias causas: afinidade, necessidade de
progresso mútuo ou mesmo provas a serem enfrentadas.
Quando existe aversão entre gêmeos, isso indica que eles não são Espíritos
simpáticos, mas que foram colocados juntos na vida física por uma razão
maior, ligada ao aprendizado e à lei de progresso.
O ódio também une as criaturas.
Já que o amor adoeceu, elas se unem para a cura desse amor, para se
auxiliarem mutuamente e vencer esse sentimento que prejudica e faz todos
sofrerem.
O ódio está sempre presente quando ainda não conseguimos vencê-lo em
nosso coração.
Espíritos que já tiveram conflitos ou rivalidades em outras existências podem
renascer juntos para aprender a superar ressentimentos.
Pode ocorrer que ainda no mundo espiritual esses Espíritos programam
estarem juntos na condição de irmãos gêmeos para que coabitando o
mesmo útero, sendo criados pela mesma mãe, conduzidos pela mesma
família, aprendam a conviver mutuamente, fazendo uma transformação dos
sentimentos negativos pelos sentimentos do amor, retirando o ódio dos seus
íntimos definitivamente.
É uma oportunidade dada a esses irmãos que programam reencarnar nessa
condição almejando essa conquista de vencer esses sentimentos negativos
alimentados um contra o outro durante reencarnações anteriores.
A proximidade física força a convivência, oferecendo chances de perdoar,
compreender e transformar o ódio em fraternidade.
Aqueles que conseguem vencer, iniciam uma bela história totalmente livre do
ódio, transformado em amor.
É a Lei divina em ação, promovendo o nosso crescimento, fornecendo os
instrumentos para avançarmos e uma das formas é através dos irmãos
gêmeos.
175
214 – Que pensar das histórias de crianças que se agridem no ventre
materno?
Lendas! Para exemplificar que seu ódio era inveterado, fizeram-no presente
antes do nascimento. Geralmente, não levais em conta as figuras poéticas.
COMENTÁRIOS:
Estórias de povos antigos diziam que irmãos gêmeos lutavam entre si ainda
no ventre da mãe. Isso não existe.
Na realidade, os bebês se movimentam no ventre da mãe e essa
movimentação dos dois, às vezes confunde dando a ideia de que estão se
debatendo.
Quando o Espírito se coloca para uma nova reencarnação ele entra em fase
de esquecimento das questões do passado. Então qualquer sentimento de
ódio, de desavença que possa ter ocorrido entre aqueles dois Espíritos que
reencarnarão como irmãos gêmeos estará esquecido naquele momento,
como também, na primeira infância. Período em que os pais devem conduzir
para a reciprocidade no amor.
Só no final da primeira infância ou na adolescência é que vão aparecendo
pouco a pouco os traços da personalidade e formas de viver de antes.
As sutilezas da personalidade, as emoções do passado, questões que
formam o caráter do Espírito vão pouco a pouco se apresentando, mas
depois de uma fase em que os pais tiveram a oportunidade de redirecionar,
de educar seus filhos dentro dos princípios do amor, vivenciando o que
Jesus nos ensinou.
Por isso não há nenhuma razão para que dois bebês se debatessem no
ventre da mãe.
A ideia de "briga no ventre" é simbólica – Em muitas culturas, há histórias
de irmãos que já nasceram "inimigos". Para dar força a essa narrativa, diz-se
que “já brigavam no ventre da mãe”. É uma forma poética de dizer que o ódio
entre eles é muito antigo.
A aversão pode ser real, mas não antes do nascimento – Dois Espíritos
realmente podem renascer com sentimentos de inimizade do passado, mas
isso só se manifesta de maneira clara após a infância, quando a consciência
de cada um desperta mais plenamente no corpo físico.
Ensino principal da resposta – Devemos ter cuidado ao interpretar
metáforas e tradições populares, para não confundi-las com fatos espirituais
autênticos. O Espiritismo busca separar o que é simbolismo poético do que é
realidade espiritual.
176
A verdadeira luta entre Espíritos ocorre no campo da convivência, da
reconciliação e do aprendizado mútuo — não em disputas físicas antes do
nascimento.
Gênesis 25:21-26
²¹ E Isaque orou insistentemente ao Senhor por sua mulher, porquanto era
estéril; e o Senhor ouviu as suas orações, e Rebeca sua mulher concebeu.
²² E os filhos lutavam dentro dela; então disse: Se assim é, por que sou eu
assim? E foi perguntar ao Senhor.
²³ E o Senhor lhe disse: Duas nações há no teu ventre, e dois povos se
dividirão das tuas entranhas, e um povo será mais forte do que o outro
povo, e o maior servirá ao menor.
² E cumprindo-se os seus dias para dar à luz, eis gêmeos no seu ventre.
⁴
² E saiu o primeiro ruivo e todo como um vestido de pelo; por isso
⁵
chamaram o seu nome Esaú.
² E depois saiu o seu irmão, agarrada sua mão ao calcanhar de Esaú; por
⁶
isso se chamou o seu nome Jacó. E era Isaque da idade de sessenta anos
quando os gerou.
Isaque, filho de Abraão, ora a Deus porque sua esposa Rebeca é estéril.
Deus atende sua súplica, e Rebeca engravida de gêmeos: Esaú e Jacó. Mas
desde o ventre, há conflito entre eles — o que já prenuncia uma rivalidade
profunda.
Explicação
21 – “Isaque orou insistentemente ao Senhor…”
 Mostra a fé e perseverança de Isaque. A esterilidade era vista como
uma grande provação, e a oração é o canal de confiança em Deus.
 A resposta divina revela que a concepção de Rebeca tem um propósito
maior — não apenas pessoal, mas espiritual e histórico.
22 – “Os filhos lutavam dentro dela…”
 Rebeca sente uma agitação incomum no ventre. Essa “luta” é
interpretada como conflito espiritual entre os dois Espíritos.
 Ela busca a Deus para entender — o que mostra sua sensibilidade e
conexão espiritual.
177
23 – “Duas nações há no teu ventre…”
 Deus revela que os gêmeos representam dois povos distintos: Esaú
será pai dos edomitas; Jacó, dos israelitas.
 “O maior servirá ao menor” é uma inversão da lógica humana — o
primogênito (Esaú) normalmente teria a liderança, mas Jacó será o
escolhido para conduzir o povo de Deus.
 Essa escolha não é arbitrária: no plano espiritual, Jacó representa o
Espírito mais preparado para a missão divina, mesmo que ainda tenha
falhas.
24–26 – O nascimento
 Esaú nasce primeiro, ruivo e peludo — características que o associam
à força bruta e à vida material.
 Jacó nasce agarrado ao calcanhar de Esaú — símbolo de
determinação, disputa e destino entrelaçado.
 Essa cena é altamente simbólica: Jacó já “persegue” Esaú desde o
nascimento, o que prenuncia os conflitos futuros (como a compra da
primogenitura e o roubo da bênção).
Reflexão final
Esse trecho mostra que Deus atua desde antes do nascimento, preparando
caminhos e missões. Também revela que os conflitos humanos têm raízes
espirituais profundas, e que mesmo os embates familiares podem ser
instrumentos de crescimento e redenção.
215 – De onde provém o caráter distintivo que se nota em cada povo?
Os Espíritos têm também famílias formadas pela semelhança de seus
pendores mais ou menos purificados, segundo sua elevação. Muito bem! Um
povo é uma grande família na qual se reúnem os Espíritos simpáticos. A
tendência que têm os membros dessas famílias a se unirem a origem da
semelhança que existe no caráter distintivo de cada povo. Julgas que os
Espíritos bons e humanitários procurem um povo duro e grosseiro? Não, os
Espíritos simpatizam com as coletividades como simpatizam com os
indivíduos; aí eles estão em seu meio.
COMENTÁRIOS:
As afinidades se aproximam. Os Espíritos afins se atraem uns aos outros.
178
Os Espíritos não se atraem apenas por indivíduos, mas também por grupos e
culturas. Eles buscam ambientes que favoreçam seu crescimento ou que
estejam alinhados com suas tendências.
O caráter distintivo de um povo (seja ele mais guerreiro, pacífico, artístico,
materialista, etc.) não é apenas resultado da geografia ou da história, mas é
fundamentalmente o reflexo das tendências morais e intelectuais
predominantes dos Espíritos que o compõem.
Quando nós reencarnamos em determinado local, em determinada cidade,
em determinado povo temos a certeza de que isso foi escolhido por nós no
plano espiritual. Escolhido de forma adequada as nossas próprias tendências
e conforme as necessidades do nosso aprendizado.
Dessa forma estaremos junto ao povo que apresenta a cultura da qual temos
afinidade. Daí todas as formas de convivência do grupo, a forma de lidar com
essa sociedade, a alimentação, a arte, a religiosidade. Tudo isso são fatores
que são analisados ao escolher o local de nascimento, a família que vai
receber.
Os Espíritos que se atraem mutuamente por afinidade espiritual acabam
encarnando juntos, o que explica por que certos povos têm traços
predominantes — como hospitalidade, religiosidade, coragem, ou mesmo
dureza e orgulho.
Ninguém é igual a ninguém, mas há semelhanças de pensamentos, de
princípios, de gostos, fazendo com que o povo vai se formando com suas
características, suas particularidades que faz com que cada povo, cada país,
cada lugar tenha uma característica diferenciada.
As características de uma nação são um espelho do estágio evolutivo médio
dos Espíritos que ali reencarnam, e que essa atração por afinidade é o que
mantém a coesão e o perfil psicológico, moral e intelectual de um povo ao
longo do tempo.
Exemplo:
 Povos guerreiros da Antiguidade (como Esparta) reuniam Espíritos
ainda inclinados à violência e ao orgulho.
 Povos mais voltados à filosofia e espiritualidade (como certas escolas
gregas ou culturas orientais) reuniam Espíritos inclinados ao
pensamento e à elevação.
 Hoje, vemos também que cada país ou região carrega valores
predominantes, que não são meros “costumes”, mas refletem o tipo de
Espíritos que ali se agrupam.
179
Em alguns momentos da vida, por necessidades próprias de crescimento
individual, o Espírito tem que escolher uma outra seara de renascimento. Vai
estar ali junto ao povo se sentindo como um peixe fora d’água, totalmente
inabitado ao meio e à cultura, mas tem uma razão de ser para aquele
momento da vida, para os resgastes dos seus débitos e para a sua
aprendizagem.
Mensagem final:
Cada povo carrega em si uma cultura, costumes, leis e modos próprios de
viver. Essa diversidade é uma riqueza que expressa a grande obra do
Criador. Mas, para que a humanidade avance, é necessário que exista
alteridade, isto é, a consciência de que todos dependemos uns dos outros e
estamos ligados numa mesma teia de vida.
Que saibamos, portanto, respeitar as diferenças e permitir que cada nação,
cada povo e cada coração viva em paz dentro de suas particularidades. A
tolerância e o respeito são sementes do amor universal que Jesus nos
ensinou.
Lembremos da promessa evangélica: “haverá um só rebanho e um só
pastor”. Esse é o futuro que nos aguarda, quando a fraternidade verdadeira
substituir a separação e o conflito.
Que o Cristo nos conduza nesse caminho, transformando a humanidade
pelos métodos suaves e firmes do Seu Evangelho, até que desapareçam de
todas as nações os dois monstros que ainda semeiam guerras, ódio e
divisões: o orgulho e o egoísmo.
Que o amor vença o ódio.
Que a paz cale a vingança.
Que a união supere as separações.
E que cada povo, cada alma, possa encontrar seu lugar na grande família
espiritual da Terra.
Que o amor e a humildade sejam a nossa bandeira, unindo-nos em um único
propósito: a fraternidade universal.
216 – O homem conserva, em suas novas existências, os traços do
caráter moral de suas existências anteriores?
Sim, isso pode acontecer. Mas, em se melhorando, ele muda. Sua posição
social pode, também, não ser a mesma; se de senhor passa a escravo, seus
gostos serão diferentes e teríeis dificuldades em reconhecê-lo. Sendo o
mesmo Espírito nas diversas encarnações, suas manifestações podem ter,
180
de uma a outra, certas analogias, modificadas, todavia, pelos costumes da
sua nova posição, até que um aperfeiçoamento notável venha a mudar
completamente seu caráter. De orgulhoso e mau, pode tornar-se humilde e
humano, se se arrependeu.
COMENTÁRIOS:
Sempre manteremos a nossa individualidade e tudo o que aprendemos, que
conquistamos, o nosso patrimônio.
O Espírito é o mesmo, mas está em constante evolução  Ele pode
conservar traços morais de vidas anteriores — como orgulho, generosidade,
impaciência ou compaixão — mas esses traços não são imutáveis.
A mudança é possível e desejável  Se o Espírito se arrepende, aprende
e se esforça, ele pode transformar completamente seu caráter. Um Espírito
que foi orgulhoso e cruel pode tornar-se humilde e bondoso.
A posição social influencia a expressão do caráter  Um Espírito que foi
líder pode reencarnar como subordinado, e isso muda seus gostos, hábitos e
até sua forma de se manifestar. Por isso, reconhecer alguém de uma
encarnação para outra pode ser difícil, mesmo sendo o mesmo Espírito.
Certos traços podem reaparecer, como talentos, inclinações ou dificuldades,
mas modificados pelas circunstâncias da nova vida — cultura, família,
sociedade, desafios.
O progresso moral é a chave  A reencarnação é uma oportunidade de
aperfeiçoamento contínuo, e os Espíritos vão se lapidando ao longo das
vidas, até que alcancem uma condição mais elevada.
Ninguém está condenado a ser o que foi  O Espírito tem liberdade e
responsabilidade para se transformar, e cada encarnação é uma chance de
reparar, aprender e crescer. O passado pode influenciar, mas não determina
o futuro — o livre-arbítrio e o esforço pessoal são os verdadeiros motores da
evolução.
Cada existência física é uma continuidade, mas também uma oportunidade
de mudança. Carregamos tendências do passado, porém podemos
transformá-las. O Espírito é sempre o mesmo, mas não precisa ser o mesmo
“tipo de pessoa”, porque a evolução permite que o orgulho se converta em
humildade e que o egoísmo se transforme em amor.
O Espírito pode, de uma hora para outra, começar a modificar a sua vida,
alcançando qualidades enobrecidas. A maturidade pode surgir de momento a
momento, mas, nunca que seja filha da dádiva, e sim, conquista de passo a
passo.
181
Somos Espíritos em jornada, viajantes do tempo e da eternidade.
Cada existência é uma página nova no livro da nossa alma, onde podemos
reescrever nossos sentimentos, renovar nossos valores e transformar nosso
caráter.
Trazemos conosco traços das existências passadas: marcas de orgulho, de
bondade, de medo ou de coragem. Mas nada disso é definitivo.
A cada reencarnação, temos a chance de mudar, de crescer, de nos tornar
melhores.
Hoje, aquele que foi senhor pode nascer como servo.
O que foi arrogante pode aprender a ser humilde.
O que feriu pode aprender a curar. E tudo isso faz parte do plano divino de
amor e justiça.
Não somos prisioneiros do passado. Somos construtores do futuro. E o
Evangelho de Jesus é o mapa que nos guia rumo à luz.
Que a paz, o arrependimento sincero e o desejo de servir ao bem sejam os
motores da nossa transformação. E que, um dia, possamos dizer: “De
orgulhoso e mau, tornei-me humilde e humano.”
Mensagem: O Caminho da Transformação Interior
1 – No início da caminhada, eu não percebia minhas imperfeições. Vivendo
no automatismo dos hábitos, achava que tudo estava certo. O orgulho, a
impaciência, o egoísmo — passavam despercebidos, como sombras que eu
não via.
2 – Depois, comecei a enxergar. A luz da consciência me mostrou o que
precisava mudar. Mas mesmo vendo, eu resistia. Não queria modificar. Era
mais fácil justificar, culpar, adiar.
182
3 – Com o tempo, a vontade de mudar nasceu. Eu tentava, mas ainda não
conseguia. Caía, errava, me frustrava. Mas já não era mais a mesma —
porque o desejo sincero de melhorar já morava em mim.
4 – Hoje, percebo minhas imperfeições e estou lentamente conseguindo
modificá-las. Cada esforço, cada oração, cada gesto de amor é um passo.
Não sou perfeita, mas sou aprendiz. E isso basta para seguir.
Que possamos todos reconhecer nossas falhas com humildade, acolher
nossos limites com paciência, e caminhar com fé rumo à transformação que
Jesus nos inspira. Porque o verdadeiro progresso começa quando deixamos
de fingir que estamos prontos — e começamos a querer ser melhores.
217 – O homem, em suas diferentes encarnações, conserva os traços
do caráter físico das existências anteriores?
O novo corpo nenhuma relação tem com o antigo, que está destruído.
Entretanto, o Espírito se reflete sobre o corpo. Sem dúvida, o corpo não é
mais que matéria, mas, malgrado isso, ele é modelado pela capacidade do
Espírito, que lhe imprime um certo caráter, principalmente sobre o rosto, e é
com fundamento que se designam os olhos como espelho da alma, quer
dizer que, o rosto, mais particularmente, reflete a alma. Por isso, uma pessoa
excessivamente feia, quando nela habita um Espírito bom, criterioso e
humano, tem alguma coisa que agrada, ao passo que existem rostos muito
belos que nada fazem sentir e pelos quais se tem, mesmo, repulsa. Poderias
crer que só os corpos bem feitos servem de envoltório aos Espíritos mais
perfeitos, embora encontres todos os dias homens de bem sob aparências
disformes? Sem haver uma semelhança pronunciada, a similitude de gostos
e de pendores pode, pois, dar o que se chama “um ar de família”.
Allan Kardec:
O corpo que reveste a alma, numa nova encarnação, não tendo
nenhuma relação necessária com o corpo que ela deixou, uma vez que
pode ele ter tido uma procedência muito diferente, seria absurdo
admitir- se uma sucessão de existências com uma semelhança física
que não é senão fortuita. Entretanto, as qualidades do Espírito
modificam, muitas vezes, os órgãos que servem à sua manifestação e
imprimem sobre o rosto, e mesmo ao conjunto de maneiras, um cunho
especial. É assim que, sob um envoltório mais humilde, podem-se
encontrar expressões de grandeza e de dignidade, enquanto que sob o
vestuário de um grande senhor veem-se, às vezes, as expressões da
183
baixeza e da ignomínia. Certas pessoas saídas das posições mais
obscuras, adquirem, sem esforços, os hábitos e as maneiras da alta
sociedade. Parece que elas reencontram seu ambiente, ao passo que
outras, malgrado o seu berço e a sua educação, estão sempre
deslocadas nesse meio. Como explicar esse fato senão como um
reflexo do que foi o Espírito?
COMENTÁRIOS:
O novo corpo de um ser reencarnado nada tem a ver com o corpo anterior.
Para a formação do corpo há a carga genética dos pais que influencia a
forma do corpo. Não há continuidade física direta entre os corpos de vidas
passadas.
Porém, ambos os corpos, o anterior e o atual foram estruturados sob a
energia do mesmo Espírito. Dessa forma, pode haver semelhanças de
expressão que faz parte da personalidade do Espírito.
Não podemos esquecer que o corpo sempre atende as necessidades
evolutivas do Espírito reencarnante.
O Espírito imprime sua marca  A personalidade espiritual — seus
sentimentos, sua moral, sua energia — influencia a expressão corporal,
especialmente o rosto. Por isso, diz-se que os olhos são o espelho da alma.
A beleza física não define a elevação espiritual  Uma pessoa
considerada “feia” pode irradiar bondade, sabedoria e ternura, tornando-se
agradável aos olhos e ao coração. Por outro lado, há rostos belos que
causam repulsa, por refletirem vaidade, frieza ou orgulho.
O corpo é moldado pela vibração do Espírito  Embora seja matéria, ele
responde à força interior do ser espiritual. Isso explica por que pessoas com
aparência simples podem ter uma presença encantadora, e por que há uma
“expressão” que transcende a forma física.
Existe o que se chama “ar de família espiritual”  Espíritos com gostos e
pendores semelhantes podem apresentar traços sutis em comum, mesmo
sem semelhança física evidente. É como se a afinidade espiritual criasse
uma identidade perceptível.
O verdadeiro valor de um ser humano está na sua essência espiritual, não na
forma externa. O corpo é apenas um instrumento — e o Espírito, ao longo
das encarnações, vai se tornando mais luminoso, mais sereno, mais belo por
dentro. E essa beleza interior, com o tempo, transparece no olhar, no sorriso,
na presença.
Comentário de Kardec:
184
A cada nova existência, o Espírito recebe um corpo diferente — moldado
pelas leis da biologia, pela família em que renasce, pela cultura que o acolhe.
Mas há algo que permanece além da forma: a marca da alma.
O corpo não é o mesmo, mas o Espírito imprime sobre ele um traço sutil,
uma expressão que revela quem ele é por dentro. É por isso que, sob vestes
humildes, podemos encontrar rostos que irradiam dignidade, serenidade e
grandeza. E, ao contrário, há aparências nobres que escondem a frieza, o
orgulho e a vaidade.
Há pessoas que, mesmo vindas de origens simples, parecem reencontrar
seu ambiente ao se aproximarem da nobreza de espírito. Outras, mesmo
cercadas de luxo e educação, parecem deslocadas — como se o Espírito
ainda não tivesse afinidade com aquele meio.
Isso nos ensina que a verdadeira beleza não está na forma, mas na
essência. O Espírito é o artista invisível que molda a expressão, o olhar, o
gesto. E é por isso que, ao olharmos alguém nos olhos, podemos sentir algo
profundo — uma história espiritual que transcende o corpo.
Que possamos aprender a ver com os olhos da alma. A reconhecer no outro
não apenas o que ele parece ser, mas o que ele verdadeiramente é. Porque
é na luz interior que mora a verdadeira grandeza.
185
4.9 – IDEIAS INATAS
218 – O Espírito encarnado conserva algum traço das percepções que
teve e dos conhecimentos que adquiriu nas suas existências
anteriores?
Resta-lhe uma vaga lembrança que lhe dá o que se chama de ideias inatas.
218.a) A teoria das ideias inatas não é, pois, uma quimera?
Não, os conhecimentos adquiridos em cada existência não se perdem.
Libertado da matéria, o Espírito os conserva. Durante a encarnação, ele
pode esquecê-los em parte momentaneamente, mas a intuição que deles
guarda ajuda o seu adiantamento. Sem isso, deveria sempre recomeçar. O
Espírito parte, em cada nova existência, do ponto em que chegou na
existência anterior.
218.b) Deve haver, assim, uma grande conexão entre duas existências
sucessivas?
Nem sempre tão grande como poderias supor, porque as posições,
frequentemente, são bem diferentes e, no intervalo, o Espírito pode ter
progredido (216).
COMENTÁRIOS:
O Espírito quando encarnado tem vaga lembrança daquilo que ele foi em
reencarnação passada. A consciência registra tudo o que pensamos e
fazemos, como sendo um livro divino. Quando na Terra, movendo-se em um
corpo de carne, aparecem, de vez em quando, na mente, as ideias
chamadas inatas;
O Espírito não lembra conscientemente de suas vidas passadas, não
lembram de detalhes factuais das existências passadas, mas guarda
intuições, tendências e conhecimentos profundos que emergem como ideias
inatas — aquelas que parecem surgir “do nada”, sem ensino direto,
garantindo que o progresso seja contínuo e irreversível.
O corpo é novo, mas o Espírito carrega consigo talentos, inclinações,
moralidade e afinidades.
O que aparece como “ideia inata” é, na verdade, fruto de experiências vividas
em encarnações anteriores.
186
LIVRO SEGUNDO: MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS
Capítulo IV: Pluralidade das Existências
218. a)
As ideias inatas são reais e espiritualmente fundamentadas. O Espírito não
recomeça do zero a cada vida — ele continua sua jornada, acumulando
experiências e aprendizados.
Durante a encarnação, o véu da matéria pode obscurecer essas lembranças,
mas elas permanecem no Espírito e influenciam suas escolhas, sua moral e
sua inteligência.
Isso explica por que algumas pessoas têm facilidade natural para certas
virtudes ou conhecimentos, mesmo sem terem sido ensinadas.
218.b)
Embora o Espírito continue sua evolução, as encarnações podem ser muito
diferentes entre si — em cultura, classe social, gênero, ambiente, desafios.
Entre uma vida e outra, o Espírito pode passar por experiências no plano
espiritual que aceleram seu progresso, o que faz com que a nova
encarnação tenha objetivos distintos.
Por isso, a conexão entre duas existências físicas nem sempre é evidente,
mas o progresso espiritual é contínuo.
Se a gente deixasse tudo para trás e iniciasse do marco zero não haveria
passos evolutivos e a cada reencarnação começaríamos tudo novamente.
Todo o patrimônio que adquirimos segue conosco.
219 – Qual é a origem das faculdades extraordinárias de indivíduos que,
sem estudo prévio, parecem ter a intuição de certos conhecimentos,
como as línguas, o cálculo, etc.?
Lembrança do passado; progresso anterior da alma, mas do qual não tem
consciência. De onde queres que elas venham? O corpo muda, mas o
Espírito não muda, embora troque de vestimenta.
COMENTÁRIOS:
O Espírito muda de corpo, como se muda de roupa, no entanto, o agente de
luz é o mesmo, e a lei permite a variedade de instrumentos de carne, ou de
corpos, para melhor desempenho da alma e enriquecimento das suas
experiências, a caminho da Luz.
187
Somente a reencarnação pode dizer que esses conhecimentos vieram do
passado, em vidas sucessivas, de modo que eles afloram no presente para
mostrarem, no silêncio da vida, que existe a reencarnação.
Esse fenômeno se vê em escritores chamados autodidatas, em oradores
fluentes, em políticos, em filósofos, em artistas, enfim, em todos os ramos da
ciência, da filosofia e da religião se encontram esses personagens que nos
fazem meditar.
A bagagem vem do passado, onde aprenderam todas essas coisas. Mesmo
em uma existência, sem frequentar escolas, o Espírito relembra o
aprendizado, em muitos casos com a ajuda dos mentores.
As faculdades extraordinárias são a prova da continuidade do Espírito. Elas
demonstram que a alma está em constante evolução, e que o progresso
intelectual (a erudição, a habilidade técnica) é uma conquista definitiva que
se conserva e se manifesta como talento natural nas novas existências. O
gênio não é um acaso, mas sim um trabalhador do passado que colhe os
frutos do seu esforço.
Essa questão nos ensina que nada é por acaso. O Espírito é um ser em
constante evolução, e tudo o que ele aprende, sente e vive está gravado em
sua essência. As habilidades que surgem “do nada” são, na verdade,
sementes que foram plantadas em outras vidas e que agora começam a
florescer.
Vemos crianças que precocemente desenvolvem seus talentos para
determinada área, como música, pintura, etc. porque já trazem esse
conhecimento de reencarnações anteriores e apenas relembram.
A revolução da comunicação e, principalmente, a internet, ampliaram
enormemente a visibilidade de casos que antes ficavam restritos ao âmbito
familiar ou regional.
Hoje, com vídeos e redes sociais, qualquer pessoa pode testemunhar e
divulgar histórias de crianças prodígio ou de pequenos que trazem
lembranças espontâneas de vidas anteriores.
Podemos observar nesses casos:
1. Prodígios em áreas do conhecimento:
- Crianças que tocam instrumentos com maestria, falam vários idiomas,
resolvem cálculos complexos ou criam obras artísticas sem nunca
terem estudado formalmente. Há muitos casos divulgados na internet.
188
- Exemplo: alguém que toca piano com naturalidade sem nunca ter
estudado formalmente, ou que aprende idiomas com extrema
facilidade.
- Mozart, que aos 5 anos já compunha óperas, e outros gênios precoces.
- Sibelius Donato Tenório
- O Espiritismo explica isso como lembranças do passado, habilidades
adquiridas pelo Espírito em outras existências. Esses talentos são
lembranças ativas de conquistas anteriores, não são “milagre
genético”.
2. Prodígios na moralidade e espiritualidade:
- Crianças que demonstram desde cedo uma maturidade incomum,
compaixão, empatia, desapego, sabedoria e amor ao próximo.
- São sinais de experiências espirituais acumuladas que se expressam
como intuições.
- Esses sinais revelam avanços espirituais já conquistados.
3. Lembranças claras de vidas passadas:
- Ian Stevenson (médico e pesquisador da Universidade da Virgínia)
documentou centenas de casos de crianças que relatavam
espontaneamente suas vidas anteriores, com detalhes verificáveis.
- Hernani Guimarães Andrade, no Brasil, também estudou e catalogou
inúmeros casos de reencarnação com rigor científico.
- Alexander Moreira-Almeida, psiquiatra e pesquisador, continua
desenvolvendo investigações sérias nesse campo, sempre dialogando
com a ciência.
 Comentar alguns casos do livro: Reencarnações no Brasil, de Hernani
Guimarães Andrade.
Exemplos na literatura espírita
1 – Emmanuel (pelas obras de Chico Xavier):
- No livro Há Dois Mil Anos, ele relata sua existência como senador
romano Públio Lentulus.
- Em reencarnações posteriores, como no Brasil, trouxe as marcas de
seu aprendizado e tendências anteriores, que se manifestaram em sua
afinidade natural com o Evangelho.
- Esse é um caso clássico de continuidade de ideias e valores morais
que atravessam os séculos.
189
2 – André Luiz (na série A Vida no Mundo Espiritual):
- Ele mesmo explica que muitos dos seus interesses científicos e
tendências intelectuais atuais vêm de experiências acumuladas em
outras encarnações, mesmo que não tivesse consciência clara disso.
- Mostra como a “bagagem” do Espírito facilita certos caminhos.
3 – Chico Xavier (biografia):
- Desde criança já apresentava inclinação para a oração, mediunidade,
compaixão e disciplina moral, mesmo sem ter recebido instrução formal
à altura.
- Esses são sinais de ideias inatas trazidas de suas experiências
anteriores.
4 – Allan Kardec (Hippolyte Léon Denizard Rivail):
- Antes mesmo de codificar a Doutrina, era pedagogo, escritor e
estudioso das ciências.
- Sua formação intelectual e moral o preparou naturalmente para a
missão espírita, como se já tivesse uma “base pronta”.
- Ele próprio reconhece, em Obras Póstumas, que essas aptidões eram
fruto de seu Espírito e não de um acaso educacional.
Essas evidências reforçam o que Kardec já afirmava no século XIX:
 O Espírito não recomeça do zero a cada encarnação.
 Ele traz consigo as conquistas intelectuais e morais acumuladas.
 A reencarnação é a única explicação lógica e justa para as diferenças
de aptidões, talentos, tendências e lembranças espontâneas.
Não tem como negar a reencarnação.
Ela se revela não apenas pela fé ou pela filosofia, mas também pelos fatos
observáveis e documentados.
220 – Em mudando de corpo, podem perder-se certas faculdades
intelectuais, deixando-se de ter, por exemplo, o gosto pelas artes?
Sim, se conspurcou essa inteligência ou se fez dela um mau emprego.
Ademais, uma faculdade pode permanecer adormecida durante uma
existência, porque o Espírito veio para exercitar uma outra que com ela não
tem relação; então, ela fica em estado latente para ressurgir mais tarde.
190
COMENTÁRIOS:
Não é perder, pois aquilo que adquirimos a gente não perde. Podemos estar
impedidos temporariamente de acessar determinados conhecimentos.
A resposta explora duas possibilidades distintas: a perda por mau uso e o
adormecimento por escolha.
1. Perda por Mau Uso (O Desvio Moral)
O Espírito pode, de fato, perder a capacidade de manifestar um talento se o
tiver "conspurcado" ou feito "mau emprego" dele na existência anterior.
- Conspurcar ou Usar Mal: Isso significa usar a inteligência ou o talento (por
exemplo, a eloquência, o raciocínio lógico, a arte) para fins egoístas,
maldosos, imorais ou destrutivos.
Exemplo: usar a inteligência para enganar, a arte para corromper, a oratória
para incitar o ódio).
- Consequência: A lei de causa e efeito faz com que a faculdade que foi mal
utilizada seja temporariamente restringida ou adormecida na próxima
encarnação, como uma forma de o Espírito se reeducar e concentrar-se na
moralidade. O talento está lá, mas o Espírito é impedido de manifestá-lo até
que reajuste seus pendores morais.
2. Adormecimento por Escolha (O Estado Latente)
A faculdade também pode simplesmente ficar adormecida se o Espírito tiver
um objetivo evolutivo diferente para a nova vida.
- Foco na Nova Tarefa: O Espírito pode ter reencarnado com o propósito de
exercitar outra faculdade que não tem relação direta com a que ele já
dominava.
Exemplo: um Espírito que foi um grande cientista pode vir em uma nova vida
para desenvolver a humildade e a caridade, em vez de retomar o trabalho
científico.
- Estado Latente: Nesses casos, a faculdade antiga não se perdeu, apenas
permanece em "estado latente" (escondida, não manifestada). Ela pode
"ressurgir mais tarde" nesta mesma vida (se a pessoa for incentivada) ou,
mais provavelmente, em uma encarnação futura, quando for o momento
certo para retomá-la.
Explicação simples
 O Espírito é como um viajante em progresso.
191
 Ele tem várias “ferramentas” (faculdades, talentos, conhecimentos),
mas nem todas são usadas em cada viagem.
 Às vezes, a vida pede que ele desenvolva outra habilidade essencial.
 E se usou mal um dom no passado, pode renascer sem ele por um
tempo, para aprender humildade e responsabilidade.
Exemplo prático
1. Um pintor brilhante que usou seu talento apenas para alimentar a
vaidade ou viver de excessos → pode renascer sem habilidades
artísticas, enfrentando uma vida simples, para desenvolver valores
morais.
2. Um músico ou cientista de grande destaque → pode vir numa
existência sem expressar essas faculdades, mas com a missão de
trabalhar mais na vida familiar ou em profissões comuns, cultivando
virtudes sociais e afetivas.
3. Mais tarde, em outra vida, o dom retorna com mais força e purificado.
O progresso do Espírito é irreversível.
A faculdade intelectual conquistada não se perde; ela apenas fica
adormecida se a nova existência tiver outro foco moral, ou é inibida como
resultado do mau uso feito dela no passado, forçando o Espírito a
concentrar-se na correção do seu caráter.
As experiências ficam no arquivo da consciência profunda para serem
utilizadas quando conveniente, sob o impulso dos sentimentos elevados.
Somente quando chegamos a determinada perfeição, é que podemos usar
todas as qualidades conquistadas. Faz parte das Leis do Criador.
221 – É a uma lembrança retrospectiva que o homem deve, mesmo no
estado selvagem, o sentimento instintivo da existência de Deus e o
pressentimento da vida futura?
É uma lembrança que ele conserva daquilo que sabia como Espírito antes de
encarnar; mas o orgulho sufoca, muitas vezes, esse sentimento.
221.a) É a essa lembrança que se devem certas crenças relativas à
Doutrina Espírita, e que se registram em todos os povos?
Esta doutrina é tão antiga quanto o mundo; por isso, encontramo-la por toda
a parte, sendo uma prova de que é verdadeira. O Espírito encarnado,
192
conservando a intuição de seu estado como Espírito, tem consciência
instintiva do mundo invisível, porém, muitas vezes, os preconceitos falseiam
essa ideia e a ignorância a mistura com a superstição.
COMENTÁRIOS:
A fé é uma manifestação em todos os tempos e entre todos os povos.
A crença no Criador é inata nos seres humanos.
Verificamos na cultura das sociedades antigas a crença e os cultos a uma
divindade, a um Ser superior.
Questão 05 – Sentimento intuitivo da existência de Deus.
Questão 621 – A Lei divina está na consciência de cada um de nós.
Desde a nossa criação (simples e ignorantes) trazemos na nossa
consciência a crença no Ser Superior, que é nosso Pai, responsável pela
vida e por tudo o que existe.
A relação encarnados e desencarnados está na crença popular desde
tempos imemoriais.
Moisés proibira a evocação dos Espíritos. Era costume naquela época a
evocação de Espíritos que tornando comum, o povo hebreu começou a
abusar dessas evocações, como, para finalidades fúteis, como vimos até
hoje. Por isso, Moisés proibiu. Se proibiu é porque era possível essa relação
não só entre os povos hebreus, mas entre todos os povos da antiguidade.
Esse contato entre nós e os desencarnados faz parte da Lei Divina para
proporcionar a evolução e o aprendizado de todos nós.
A fé está entre as conquistas do Espírito e terá sustentação na Lei Divina
escrita na consciência de cada um de nós.
Deus está sempre presente em todas as criaturas, desde o mais rude
Espírito nas selvas, até os grandes sábios da chamada civilização humana.
Está presente desde o átomo ao anjo, distribuindo o Seu amor em todas as
direções.
A Doutrina dos Espíritos, que nos afirma que a vida continua e que ninguém
morre, é tão antiga quanto o universo, por ser baseada nas leis formuladas
por Deus. Jesus Cristo mostrou a todos, principalmente aos seus seguidores,
que a morte é vida. Anunciou que retornaria depois do Calvário e cumpriu a
promessa, selando, assim, a esperança com a verdade, e dando alegria a
toda a humanidade.
Mesmo nos recantos mais simples da Terra, onde não há livros, templos ou
escolas, o ser humano olha para o céu e sente: há algo maior. Esse
193
sentimento não vem de fora — vem de dentro. É a alma que recorda, ainda
que vagamente, o que já viveu como Espírito.
Antes de encarnar, o Espírito conhecia a existência de Deus, a vida
espiritual, a lei do amor. Ao vestir o corpo, essa lembrança se esconde, mas
não se apaga. Ela se manifesta como intuição, como pressentimento, como
fé silenciosa. É por isso que, mesmo no estado mais primitivo, o ser humano
sente Deus e pressente a vida futura.
Essa verdade está gravada na consciência, como nos ensina a questão 621:
a lei de Deus está escrita no coração de cada um. E é por isso que, em todos
os povos, em todas as épocas, surgem crenças que refletem a essência da
Doutrina Espírita — mesmo que misturadas com superstições ou distorcidas
pelos preconceitos.
O orgulho pode sufocar essa voz interior. A ignorância pode confundir seus
sinais. Mas ela continua ali, viva, esperando o momento certo para despertar.
Porque o Espírito nunca esquece completamente de onde veio — ele apenas
se prepara para lembrar.
Que possamos ouvir essa voz com humildade. Que a fé nos reconecte com o
que já sabemos em silêncio. E que a certeza da vida espiritual nos inspire a
viver com mais amor, mais respeito e mais esperança.
194
REFERÊNCIAS:
KARDEC, Allan. A Gênese: Os Milagres e as Predições Segundo o
Espiritismo. Tradução de Salvador Gentile. 52ª Ed. Araras – SP: IDE, 2018.
KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de
Salvador Gentile. 365ª Ed. Araras – SP: IDE, 2009.
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Salvador Gentile. 182ª
Ed. Araras – SP: IDE, 2009.
KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Salvador Gentile. 85ª
Ed. Araras – SP: IDE, 2008.
XAVIER, Chico. A Caminho da Luz. 21ª ed. Rio de Janeiro: FEB, 1995. Pelo
Espírito Emmanuel.
XAVIER, Chico. Libertação. 33ª ed. Brasília: FEB, 2017. Pelo Espírito André
Luiz.
XAVIER, Chico. Nosso Lar. 61ª ed. Brasília: FEB, 2010. Pelo Espírito André
Luiz.
XAVIER, Chico. Obreiros da Vida Eterna. 35ª ed. Brasília: FEB, 2017. Pelo
Espírito André Luiz.
XAVIER, Chico. Os Mensageiros. 47ª ed. Brasília: FEB, 2017. Pelo Espírito
André Luiz.
ZIMMERMANN, Zalmino. Perispírito. Campinas: CEAK, 2000.
https://www.bibliaonline.com.br/
http://www.olivrodosespiritoscomentado.com/questoes.html
https://www.youtube.com/user/livrodosespiritos/videos
https://www.youtube.com/watch?v=4xRhAKctMo8&list=PLI-
OgasY7T5tz8FFyT2yr5aKTPbavF7by&index=111
195

Capitulo IV - Pluralidade das Existencias.docx

  • 1.
    LIVRO SEGUNDO: DOMUNDO ESPÍRITA OU MUNDO DOS ESPÍRITOS CAPÍTULO IV: PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS 4.1 – DA REENCARNAÇÃO 4.2 – JUSTIÇA DA REENCARNAÇÃO 4.3 – ENCARNAÇÃO NOS DIFERENTES MUNDOS 4.4 – TRANSMIGRAÇÃO PROGRESSIVA 4.5 – DESTINO DAS CRIANÇAS DEPOIS DA MORTE 4.6 – SEXO NOS ESPÍRITOS 4.7 – PARENTESCO, FILIAÇÃO 4.8 – SEMELHANÇAS FÍSICAS E MORAIS 4.9 – IDÉIAS INATAS Slides: https://pt.slideshare.net/slideshow/2-4-1-reencarnacao-a-reencarnacao- de-segismundo-pptx/282391046 https://pt.slideshare.net/slideshow/2-4-2-encarnacao-nos-diferentes- mundos-pptx/282391401 https://pt.slideshare.net/slideshow/2-4-3-transmigrassao-progressiva- destino-das-criancas-sexo-nos-espiritos-pptx/285218472 https://pt.slideshare.net/slideshow/2-4-4-parentesco-filiacao-ideias- inatas-pptx/285218736 1 O LIVRO DOS
  • 2.
    4.1 – DAREENCARNAÇÃO INTRODUÇÃO: A reencarnação é uma das crenças mais antigas e difundidas da humanidade, presente em tradições religiosas, filosofias e, mais recentemente, em investigações científicas. A reencarnação é um dos pilares fundamentais da doutrina espírita que explica o processo evolutivo da alma. Trata-se do retorno do espírito à vida corporal, em sucessivas existências, como uma oportunidade de aprendizado, crescimento e reparação de falhas. Através dela, cada indivíduo tem a chance de aprimorar-se moral e intelectualmente, acumulando experiências e, gradualmente, aproximando-se da perfeição espiritual.1 Como ocorre A reencarnação é guiada por leis universais, particularmente a do progresso e a do karma (causa e efeito). Os espíritos são designados a novas existências físicas de acordo com suas necessidades e méritos, sendo influenciados pelo que fizeram em existências passadas. Sob a orientação de espíritos superiores, cada reencarnação é planejada levando em conta desafios e provas que permitirão o crescimento espiritual. Por que ocorre A reencarnação é uma lei de Deus, sendo um mecanismo indispensável da justiça divina. A doutrina espírita não está inventando nada, mas explicando, revelando as leis que nos regem. Ela nasce da observação dos fatos e não da suposição de teorias. Ela possibilita que todos os seres humanos tenham igual oportunidade de evoluir, reparar erros e aprender lições que não foram compreendidas em vidas anteriores. 1 - A doutrina Espírita é comparável a um edifício sempre em construção, no qual as bases, o alicerce bem estruturados, firme é constituído pelas obras básicas, sendo as demais obras (sérias) o complemento da construção. A doutrina Espírita tem recebido das duas esferas (física e espiritual) a contribuição de muitos operários na construção edifício de luz e de amor, dentre os quais citamos: - Chico Xavier – Emmanuel, André Luiz, Humberto de Campos (Irmão X), Meimei, Maria João de Deus, etc. - Divaldo Franco – Joanna de Angelis, Manoel Philomeno de Miranda - Yvonne do Amaral – Camilo Cândido Botelho, Bezerra de Menezes, Leon Dennis - Abel Glaiser – Cairbar Schutel André Luiz, através de Chico Xavier, complementa e consolida com profundidade doutrinária e ensinamentos sobre a vida após a morte, mediunidade, obsessão, reencarnação e evolução espiritual. 2 LIVRO SEGUNDO: MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS Capítulo IV: Pluralidade das Existências
  • 3.
    É uma respostapara questões sobre desigualdade e sofrimento, revelando que cada experiência tem um propósito maior. Qual a finalidade A finalidade da reencarnação é o aperfeiçoamento moral e intelectual do espírito. Ela busca levar o indivíduo a alcançar estados elevados de virtude, sabedoria e harmonia com as leis divinas. Ao longo de várias existências físicas, o espírito evolui, tornando-se mais próximo de Deus e contribuindo para o bem coletivo. Deus, em sua sabedoria, criou a reencarnação como um instrumento de amor e justiça:  Igualdade de Oportunidades: Todos terão múltiplas chances para evoluir.  Redenção: Nenhum erro é eterno; o arrependimento e o trabalho no bem permitem repará-lo.  Felicidade Plena: Atingida quando o Espírito se liberta das paixões inferiores e se une à harmonia divina. O que se deve fazer para melhor aproveitar Para aproveitar ao máximo a oportunidade de reencarnação, devemos:  Praticar a caridade: Ajudar o próximo é visto como uma forma de purificação e evolução espiritual.  Cultivar virtudes: Trabalhar paciência, humildade, perdão e bondade no dia a dia.  Estudar: Buscar conhecimento sobre as leis espirituais e se dedicar ao entendimento das obras espíritas.  Revisar atitudes: Refletir sobre erros cometidos e esforçar-se para corrigi-los.  Evitar vícios: Manter-se longe de comportamentos prejudiciais que atrasam o progresso moral. A reencarnação não é um castigo, mas uma bênção que nos permite reparar o passado, aprender e nos aproximar de Deus. Cada existência física é uma página nova a ser escrita, e o livre-arbítrio nos dá o poder de escolher entre o bem e o mal – sempre com as consequências de nossas escolhas. A doutrina espírita esclarece o processo da reencarnação nos fornecendo uma apresentação real de como ela ocorre. Independente de acreditar ou não o processo continua "Nascer, morrer, renascer ainda, e progredir sem cessar, tal é a lei." (Allan Kardec, O Evangelho Segundo o Espiritismo). 3
  • 4.
    Jesus em suaconversa com Nicodemos E havia entre os fariseus um homem, chamado Nicodemos, príncipe dos judeus. Este foi ter de noite com Jesus, e disse-lhe: Rabi, bem sabemos que és Mestre, vindo de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele. Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer? Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo. O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito. Nicodemos respondeu, e disse-lhe: Como pode ser isso? Jesus respondeu, e disse-lhe: Tu és mestre de Israel, e não sabes isto? Na verdade, na verdade te digo que nós dizemos o que sabemos, e testificamos o que vimos; e não aceitais o nosso testemunho. Se vos falei de coisas terrestres, e não crestes, como crereis, se vos falar das celestiais? (João 3:01-12) É preciso que nasçamos novamente para que possamos vencer as nossas imperfeições e ganhar o reino dos Céus que Jesus nos ensinou. Conquistar a evolução através do aprendizado, tanto intelectual, quanto o aprendizado do amor. Para ler: PESQUISAS CIENTÍFICAS SOBRE A REENCARNAÇÃO - Instituto de Pesquisas Projeciológicas e Bioenergéticas Evidências Científicas de Reencarnação: Entre a Ciência e a Espiritualidade – 4
  • 5.
    166 – Aalma que não alcançou a perfeição na vida corpórea, como acaba de depurar-se? Suportando a prova de uma nova existência. COMENTÁRIOS: Se renascer é necessário, significa que devemos renascer várias vezes para ir depurando a nossa evolução. A reencarnação é que nos coloca às claras a justiça divina, porque é através dela que temos a chave para compreender a vontade do Pai e a justiça de Deus, principalmente quando nos deparamos com tantas diferenças no mundo:  Diferenças social, intelectual, capacidade de aprendizagem;  Algumas pessoas nascem com limitações físicas ou intelectuais, outras bem saudáveis;  Algumas em lugares bem pobres ou situações de extrema pobreza, outras em ambientes fartos de bens materiais;  Algumas em famílias capaz de encaminhar na vida fornecendo orientação com valores morais, religiosos e intelectuais, outras em famílias desestruturadas onde impera a violência, o desamor. Por que tantas diferenças ao nascer, se não houvesse nada anterior que justificasse tal situação? Onde estaria a justiça de Deus? A reencarnação nos fornece a chave para compreender. Nós que aqui renascemos temos um passado, uma história construída, na qual temos o nosso crescimento, mas também os nossos erros. Dessa forma, cada um de nós vivencia as situações necessárias para resgatar os débitos adquiridos no passado, para aprender aquilo que deixou de aprender. Portanto, aquele que hoje passa pela prova da riqueza, amanhã passará pela prova da pobreza e vice-versa. A vida material é uma prova para o Espírito, pois a verdadeira vida é a espiritual. Vida espiritual – casa Vida material – escola (prova) A reencarnação é a maior demonstração do amor de Deus para conosco. Se tivéssemos apenas uma oportunidade, e nesta cometemos erros, equívocos indo para o suplício eterno, como ficaria a justiça divina? Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará bens aos que lhe pedirem? Mateus 7:11 5
  • 6.
    Deus nos confioua paternidade e a maternidade como prova da confiança Dele para que possamos nos orientar e despertar o amor. São papeis que são trocados nas diversas oportunidades reencarnatórias. O amor sendo o sentimento mais nobre abraça todas as demais virtudes, dentre elas o perdão. Nessas relações pais e filhos sempre há a oportunidade do perdão. As rusgas, as mágoas do passado acabam sendo extintas. Deus, um ser supremo com uma bondade extrema e uma justiça infalível nos fornece as oportunidades. Pelo caminho do amor todos nós chegaremos à perfeição e à felicidade. 166.a) Como a alma realiza essa nova existência? É por sua transformação como Espírito? Depurando-se, a alma sofre, sem dúvida, uma transformação; mas para isso lhe é necessária a prova da vida material. COMENTÁRIOS: A alma, Espírito encarnado, realiza essa nova existência. Evoluir significa transformar, modificar, melhorar. Quando aprende alguma coisa, se evolui, tornando diferente do que era antes. Essa nova existência é por transformação enquanto Espírito que é individual. Cada um segue o seu caminho de maneira particular, conforme o livre- arbítrio. O processo se dá pela transformação moral e intelectual. Não deixe para modificar na próxima reencarnação, vamos melhorar a partir de agora. São 365 oportunidades por ano. Nascer de novo – Jesus Para o despertar do Espírito é necessário passar pela prova (reencarnação) 166.b) A alma passa, pois, por várias existências corporais? Sim, todos nós passamos por várias existências físicas. Os que dizem o contrário, pretendem manter-vos na ignorância em que eles próprios se encontram; esse é o desejo deles. 6
  • 7.
    COMENTÁRIOS: Passa sim, poisé humanamente impossível atingirmos o máximo de aprendizado em apenas uma encarnação. Não temos como aprender intelectualmente e moralmente ao ponto de não mais precisar continuar aqui. Um Espírito evoluído passa a compreender todas as leis naturais, as leis divinas, ou seja, todas as áreas científicas, além do seu refinamento moral. Às vezes reencarnamos para compreender apenas uma área, uma habilidade. O que às vezes dizemos dom de Deus, são as conquistas que trazemos através do aprendizado acumulado durante várias reencarnações. Precisamos crescer em todos os segmentos do conhecimento humano. 166.c) Parece resultar desse princípio que a alma, depois de deixar um corpo toma outro, ou, então, ela se reencarna em novo corpo; é assim que se deve entender? É evidente. COMENTÁRIOS: Duas características: Depois de deixar um corpo toma outro – Seria o Espírito que sai de um corpo, escolhe outro para coabitar. (Não é isso). Não há nenhuma possibilidade para isso. Um corpo já formado, nascido, tem o seu Espírito ligado. A ligação acontece no decorrer da formação do ser. O períspirito está ligado ao corpo célula a célula. Reencarna em um novo corpo – É isso que a doutrina esclarece. Ele reencarna em outro corpo construído por ele. Períspirito – modelador biológico, fôrma do corpo biológico. O corpo é programado conforme as necessidades do reencarnante, a partir da configuração do períspirito decorre a constituição do reencarnante. Dentre os 300 milhões de espermatozoides, apenas aquele apto à configuração do corpo programado conforme as necessidades do reencarnante atinge o óvulo. Há nesse processo o auxílio dos mentores espirituais e a atração energética do reencarnante (inconsciente). Para cada existência a gente constrói um corpo novo. Durante uma existência a gente melhora as emoções, os sentimentos, a gente aprende, avança. 7
  • 8.
    Toda a conquistade uma existência passada e da erraticidade vai fazer parte da constituição da próxima existência. Corpo deficiente, com limitações: A depuração do Espírito ocorre pela transformação que ele vai realizando ao longo do tempo. A transformação exige provas e expiações. Às vezes uma experiência que o Espírito precisa passar, requer um instrumento com alguns defeitos que lhe exigirão mais em determinadas áreas da atividade humana, pois a limitação, apesar de dolorosa, é um exercício que o Espírito vivencia na ausência daquela habilidade. Ao mesmo tempo, o próprio aprendizado dele é o não exercício de determinadas liberdades. É um processo de reeducação. Às vezes se torna uma existência de dor pela não aceitação da limitação. A Doutrina Espírita é o consolador prometido. Onde está o consolo? Está no entendimento dessas coisas, das leis divinas. É por isso que precisamos revezar entre o plano material e o plano espiritual para que possamos adquirir a experiência necessária em todos os aspectos. Quando terminamos de progredir tudo o que precisamos na matéria paramos de reencarnar e continuaremos o progresso apenas no plano espiritual que é quando chegarmos ao estado de Espíritos puros. Fontes:  O Livro dos Espíritos  A Gênese  Perisipírito – Zalmino Zimmermann  Evolução em dois mundos – Chico/André Luiz – pág. 151  Missionários da Luz – Chico/André Luiz – pág. 163 8
  • 9.
    PROCESSO REENCARNATÓRIO A reencarnaçãoé um processo complexo, envolvendo fatores genéticos, energéticos e espirituais, sempre supervisionado pela Misericórdia Divina. O perispírito (ou psicossoma) exerce função fundamental na reencarnação, sendo o elemento de ligação entre o espírito e o novo corpo físico. Desde a concepção, ele comanda o desenvolvimento embrionário, moldando o corpo físico de acordo com as necessidades espirituais do reencarnante. Funções do Perispírito (Perispírito – Extensão da alma, eterno espelho da mente, matriz do corpo físico) Função Instrumental O perispírito atua como instrumento da alma, permitindo sua interação tanto no plano espiritual quanto no plano físico. Ele é uma projeção energética da própria essência espiritual, funcionando como um intermediário entre a consciência imortal e os diferentes níveis da realidade. Função Individualizadora O perispírito, como corpo semimaterial e imperecível da alma, tem a função de individualizar e identificar o espírito. Ele garante a identidade única de cada ser, refletindo sua história evolutiva e características próprias. Função Organizadora / modeladora Papel fundamental na reencarnação  O perispírito atua como modelo morfogenético, orientando a formação do novo corpo físico.  Ele molda o corpo de acordo com as características do Espírito reencarnante, servindo de “projeção da alma”.  O perispírito não só atua na expressão genética, mas também modula a organização celular, indo além do controle puramente genético.  Proposto por Hernâni Guimarães Andrade, o MOB (Modelo Organizador Biológico) é um campo que atua sobre a matéria orgânica, organizando-a biologicamente.  O conceito remonta aos "campos morfogenéticos" dos anos 1920, retomado depois por Rupert Sheldrake.  Allan Kardec afirma que o Espírito modela seu corpo conforme seu nível de evolução e necessidades. (A Gênese – Cap. 11 – pág. 138) 9
  • 10.
     Emmanuel eAndré Luiz destacam o perispírito como molde fundamental do corpo físico, que permanece após a morte. Consequências da ausência do perispírito  Um organismo pode se formar sem alma vinculada, levando a: o Abortos espontâneos o Natimortos o Malformações graves  Esses casos refletem a falta da atuação modeladora do perispírito. Função Sustentadora O perispírito atua como matriz energética sustentadora, garantindo a estabilidade e integridade do corpo físico ao longo da vida, desde a formação até a manutenção do organismo adulto. É como uma matriz invisível, que organiza e estabiliza a forma biológica do ser humano, mesmo com a constante renovação celular, além da sustentação do sistema imunológico. Etapas da Reencarnação Cada reencarnação é única, mas alguns padrões são descritos por autores espirituais como André Luiz. Não existe uma forma única de reencarnar. Cada Espírito, de acordo com sua evolução, méritos e necessidades, passa por um processo reencarnatório específico, que pode variar muito em termos de consciência, participação e condições biológicas. Assim como a morte tem diversas formas (violenta, natural, repentina, lenta, etc.), o retorno à vida física também acontece de modos variados. A reencarnação não é um processo padronizado — ela depende das características espirituais, psicológicas e morais do indivíduo. Três categorias de Espíritos:  Espíritos superiores: possuem lucidez, atuam conscientemente no planejamento da nova vida, podendo até interferir na genética (plasmam seus corpos com auxílio de técnicos espirituais). ® Reencarnação livre  Espíritos inferiores: São atraídos mecanicamente ao útero, sem escolha ou planejamento, sendo totalmente submetidos à lei da hereditariedade. ® Reencarnação compulsória  Espíritos medianos: com méritos e débitos, têm assistência de equipes espirituais para planejamento detalhado, ajustado às suas necessidades evolutivas. ® Reencarnação proposta 10
  • 11.
    Espíritos superiores: reencarnaçãolivre, consciente e controlada  Espíritos de alta categoria moral e intelectual têm grande autonomia e consciência no processo.  Em geral, mantêm ligação sutil com a mente da mãe que os receberá, e são capazes de plasmarem o próprio corpo, isto é, interferir na formação do corpo físico, moldando inclusive aspectos genéticos (cromossomos) de acordo com a missão ou aprendizado futuro.  Instrutores espirituais colaboram nesse processo, como engenheiros biológicos do plano superior.  Exemplo: Missionários, grandes artistas, cientistas ou líderes espirituais que trazem contribuições específicas à humanidade. Espíritos inferiores: reencarnação compulsória e instintiva  Espíritos ainda muito atrasados, presos a ideias fixas (monoideísmo) — geralmente ligados ao mal, à culpa ou à obsessão — são atraídos quase por magnetismo ou automatismo para a reencarnação.  Ocorre simbiose fluídica com o organismo da futura mãe, ou seja, sua psicosfera se funde com a dela, de forma inconsciente.  Em alguns casos, o Espírito entra em ovoidização — um estado de colapso do corpo espiritual, tornando-se um "ovoide", ou seja, um ser embrionário, sem forma humana definida.  Nessas situações, o Espírito não escolhe família, corpo, tempo ou lugar: é atraído pela afinidade fluídica e pelas leis da hereditariedade, como uma semente que cai no solo certo e germina pelas leis da biologia.  Exemplo: Espíritos com fortes ligações a vícios ou crimes, que reencarnam em condições de expiação ou provação. Espíritos medianos: reencarnação proposta / planejada / equilibrada, com assistência  A maioria dos Espíritos humanos está nesse grupo: possuem virtudes e vícios, méritos e débitos.  Para eles, o processo reencarnatório é cuidadosamente preparado, pois precisam cumprir missões, saldar dívidas e seguir adiante no aprendizado.  São acompanhados por mentores e técnicos espirituais, que cuidam da ligação com os futuros pais, da escolha das provas, da configuração do corpo físico e das circunstâncias gerais da nova vida.  Exemplo: A maioria das pessoas comuns, que alternam entre acertos e erros, buscando progresso moral e intelectual. 11
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    A reencarnação nãoserve só para reparar erros; é também uma ferramenta para avanço intelectual e moral, como expandir virtudes, desenvolver talentos e conquistar novos aprendizados. Serve tanto à regeneração (corrigir) quanto à evolução (crescer). Há Espíritos muito bondosos que precisam adquirir mais intelecto ou conhecimento, assim como Espíritos muito inteligentes que precisam desenvolver o sentimento ou a moral. Muitos, mesmo após longa permanência no plano espiritual, sentem a necessidade de voltar à carne para reavaliar suas imperfeições num ambiente de provas reais, como um teste prático após longos estudos. Embora as colônias espirituais ofereçam oportunidades evolutivas (trabalho, estudo, elevação), poucos Espíritos conseguem, de imediato, permanecer nos planos superiores — a maioria ainda está emocionalmente ligada à Terra: suas famílias, ideias, raças, nações, tradições. Por isso, artistas, cientistas, missionários, religiosos e líderes morais muitas vezes retornam ao mundo voluntariamente, não por débitos, mas por amor, missão ou necessidade de continuar sua própria evolução em ação. O progresso, diz André Luiz, exige esforço constante. A subida espiritual pode ocorrer por aprendizado (trabalho honesto, dedicação) ou por dor (resgate, expiação). Exemplo da montanha. Tanto a regeneração quanto a evolução não se verificam sem preço. Nem todo sofrimento atual vem de erros passados. Muitas dificuldades são resultados de escolhas feitas no presente, pois estamos constantemente criando novas causas que influenciam nosso destino. è O Evangelho Segundo o Espiritismo – Capítulo 5 – Itens 4 e 5 – pág. 62. Etapas da Reencarnação 1) Estudo Prévio do Espírito: èRealizado por Espíritos Superiores (Espíritos Construtores), analisa: o Situação cármica do reencarnante o Genética dos pais o Clima emocional entre os progenitores o Possíveis missões e provas futuras No mundo espiritual existem centros especializados onde são planejadas e modeladas as estruturas futuras do corpo físico: órgãos, membros, tecidos e células. Esses “institutos” funcionam como laboratórios espirituais que estudam as necessidades físicas, emocionais, morais e cármicas do reencarnante. 12
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    Isso é feitoantes mesmo da fecundação, ou seja, antes que comece a rematerialização da alma no plano físico. Quando o Espírito não tem ainda autonomia total (como os superiores), nem está em estado de animalização ou inconsciência completa (como os inferiores), ele passa por um processo intermediário: a reencarnação programada com assistência e restrições morais específicas. A Justiça Divina define os limites físicos e mentais necessários à evolução do reencarnante, com base em seu passado (débitos e méritos) e nos objetivos futuros. Órgãos, membros, fibras e células são previamente esboçados em nível perispiritual. Isso explica anomalias congênitas, dons ou limitações físicas – nada é aleatório, mas sim resultado de um planejamento invisível. - A presença de setores ligados à reencarnação é comum em colônias sérias. - Reencarnar não exceção, mas sim, é regra no processo de evolução dos Espíritos ligados à Terra. Preparação: (Missionários da Luz – Capítulo 12) André e Alexandre recebem a visita de Herculano (entidade de elevada espiritualidade), pedindo colaboração na preparação de Segismundo, para sua volta ao plano físico, ou seja, a reencarnação. Em uma encarnação anterior Raquel era casada com Adelino. Após uma paixão desvairada, Segismundo assassinou Adelino e Raquel foi parar no prostíbulo. Desencarnaram, cada um por sua vez, sob intensa vibração de ódio e desesperação, padecendo vários anos, em zonas inferiores. Ainda no plano espiritual, o casal prometeu retornar e receber Segismundo como filho. E agora, já adultos, Raquel e Adelino se casaram e já tem um filho (Joãozinho). André e Alexandre vão ao Planejamento de Reencarnação e repara que uma grande quantidade de entidades transita no prédio, e algumas levam consigo uns reduzidos rolos brancos tipo pergaminho. Eram trabalhadores interessados em reencarnação próxima, bem como, outros em trabalho de intercessão para amigos íntimos. Os rolos eram mapas de formas orgânicas, elaboradas por orientadores do Departamento, especializados em conhecimentos biológicos, com todo o estudo sobre o corpo físico da próxima reencarnação. Conforme o grau de adiantamento do futuro reencarnante, e de acordo com o serviço que lhe é designado no corpo físico, é necessário estabelecer planos adequados aos fins que se destinam. Alexandre e André entram num dos gabinetes extensos do edifício 13
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    principal. Alexandre apresenta Andréao assistente Josino, esclarecendo o objetivo da visita. “A possibilidade de André visitar a instituição de planejamento, quantas vezes fosse possível durante a semana em curso, a fim de adquirir noções seguras, referentemente ao trabalho de auxílio nas atividades reencarnacionistas.” O assistente prometeu a melhor boa vontade, conduzindo-o aos demais colegas para que não faltassem minúcias de conhecimento, exporia suas próprias experiências para que André retirasse delas o máximo proveito. Penetraram numa das dependências consagradas aos serviços de desenho. Pequenas telas demonstrando peças do organismo humano, estavam ordenadamente em todos os recantos. Ele teve a impressão de que se encontrava num grande centro de anatomistas, cercados de auxiliares competentes e operosos. Espalhavam- se desenhos de membros, tecidos, glândulas, fibras, órgãos de todos os feitios e para todos os gostos. Silvério irá reencarnar, após 15 anos de atividades de auxílio no plano espiritual, com objetivos de reparar erros passados. Estava um tanto hesitante, com receio de contrair novos débitos, devido ao esquecimento do passado. Acatou a sugestão de trazer um defeito físico na perna, a fim de se defender das tentações, como antídoto à vaidade. Tem possibilidade de viver até 70 anos. Anacleta vai reencarnar após 40 anos de trabalho em favor de espíritos familiares que estão em desequilíbrio. Pretende recebê-los como filhos, dois na condição de paralisia, outro com debilidade mental, e uma filha, também com problemas, mas que deverá auxiliá-la na velhice do corpo. Repara o erro de outra encarnação, quando permitiu, como mãe, através da falta de disciplina e do excesso de mimo, que seus filhos não conseguissem enfrentar as lutas da vida. Outra entidade que deve reencarnar, pede que haja interferência na formação das glândulas tireoide e paratireoide, a fim de que o corpo não se apresente harmônico fisicamente, uma vez a beleza física poderia dificultar as tarefas que ela devia desempenhar. Outro Espírito deve reencarnar com a possibilidade de surgimento de uma úlcera logo que chegue a maioridade. Através deste processo, poderá resgatar um crime cometido há mais de cem anos antes, quando 14
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    assassinou um homema facadas. A vítima tornou-se seu obsessor e provocou gradativamente sua desencarnação. Após sofrer no plano espiritual, reergueu-se moralmente e obteve várias intercessões. No entanto, pela lei de ação e reação, o crime ainda permanece em aberto, e a reencarnação dolorosa servirá de pena e reparação. Manassés comenta que são inúmeros os projetos de corpos futuros nesses setores de serviço. André Luiz permaneceu por mais alguns dias, ali no Instituto de Planejamento das Reencarnações para aprofundar seus estudos acerca do processo de reencarnação. “A existência humana não é um ato acidental e, no plano da ordem divina, a justiça exerce o seu ministério, todos os dias, obedecendo ao alto desígnio que manda ministrar os dons da vida: a cada um por suas obras.” 2) Preparação mental do reencarnante:  O espírito é preparado psicologicamente para a reencarnação.  Condicionamento para evitar pensamentos negativos que prejudiquem a gestação.  Medo, resistência, conflitos dos pais ou obsessões podem prejudicar ou impedir o processo. 3) Mentalização e Redução Perispirítica:  O reencarnante mentaliza sua futura forma fetal.  O perispírito é reduzido e adaptado ao novo corpo físico, processo facilitado por sua plasticidade. è A redução pode ser feita: o Por autoindução (em espíritos evoluídos) o Por intervenção dos Construtores (na maioria dos casos) Propriedade plástica do perispírito: ovoidização, retratilidade e ideoplastia. Nesse caso utiliza a retratilidade ou ovoidização (espíritos inferiores). Como o perispírito precisa ser restringido (condensado, compactado) para caber e se ajustar ao novo corpo físico, os Espíritos são submetidos a um estado semelhante ao sono profundo. Isso ocorre em instituições hospitalares do plano espiritual, com auxílio de magnetizadores desencarnados (Espíritos capacitados que aplicam passes fluídicos). 15
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    O processo usafluidos balsâmicos, que relaxam e adormecem o Espírito, reduzindo temporariamente sua atividade mental e facilitando o ajustamento perispiritual ao embrião. É nessa fase que ocorre o esquecimento. 4) Ligação Fluídica e Fecundação: • O perispírito do reencarnante se conecta ao da mãe. • O espermatozoide "escolhido" para fecundar o óvulo entra em sintonia magnética com o espírito que vai reencarnar, sendo atraído pelo óvulo. • Essa escolha não depende apenas da qualidade genética, mas da afinidade vibratória com o perispírito do reencarnante • A genética resultante reflete necessidades cármicas (saúde, doenças, características físicas). Planejamento da encarnação: muito além da genética  A espiritualidade escolhe criteriosamente elementos como: o Pais e família (paternidade e maternidade), o Raça e nacionalidade (condições sociais, históricas e culturais), o Laços consanguíneos e ambiente doméstico. Tudo isso é conjugado com sabedoria para oferecer ao Espírito as experiências exatas que ele necessita. Mesmo elementos que parecem casuais ou injustos, como nascer em um país em guerra ou em um lar desestruturado, têm um sentido espiritual mais amplo. 5) Desenvolvimento embrionário  A vibração do espírito e seu histórico mental influenciam a formação do novo corpo. O perispírito carrega a "marca" do espírito, refletindo seu estado evolutivo e suas necessidades de aprendizado ou expiação. O esquecimento é temporário, mas não absoluto  O olvido (esquecimento) é uma lei divina de misericórdia, que impede que a memória completa de vidas anteriores atrapalhe o aprendizado atual.  Contudo, não é um apagamento total: muitas lembranças ressurgem como: o Intuições, o Atrações ou repulsas, 16
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    o Medos eaptidões inexplicáveis. Nem sempre corpo e mente estão em plena harmonia  O Espírito não recebe sempre um corpo perfeito. Muitas vezes, o novo corpo: o Apresenta deficiências físicas ou mentais, o Traz mutilações ou enfermidades “benéficas” (úteis ao progresso), o Impõe inibições ou obstáculos, planejados previamente. Essas limitações não são castigos, mas recursos educativos para o Espírito que precisa superar o orgulho, desenvolver a paciência, a humildade, ou aprender a valorizar a vida e os outros. Situações: • Reencarnações assistidas: Alguns espíritos recebem ajuda direta de mentores espirituais. • Maioria inconsciente: A maioria dos reencarnantes não tem consciência do processo, sendo "magnetizados" por benfeitores espirituais. De qualquer forma, porém, a Misericórdia Divina propicia, em todas as situações, a supervisão espiritual superior. "A modelagem fetal e o desenvolvimento do embrião obedecem a leis físicas naturais, qual ocorre na organização de formas em outros reinos da Natureza, mas, em todos os fenômenos, os ascendentes de cooperação espiritual coexistem com as leis, de acordo com os planos de evolução ou resgate.” (Missionários da Luz, pág. 215) Missão ou resgate? Depende do histórico espiritual: Corpos saudáveis podem ser oportunidades de serviço. Corpos enfermos podem ser lições de reparação ou provas a serem superadas. Nada é permanente: Cada existência física é um novo capítulo na jornada rumo à "Imortalidade Celeste". Finalidade maior: ascensão espiritual Todo esse processo (da concepção do corpo físico ao retorno à vida material) tem um fim sublime: ajudar o Espírito a:  Progredir de tarefa em tarefa,  Aprender com os erros,  Alcançar a Imortalidade Celeste, ou seja, a libertação espiritual definitiva. Reencarnação de Segismundo 17
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    Missionários da luz– Capítulo 13 André Luiz se sente feliz e emocionado quando Alexandre convida para visitar em sua companhia o ambiente doméstico de Adelino e Raquel, onde se processaria a reencarnação de Segismundo. Era fascinado pelas leis biogenéticas e até então não tivera conhecimento direto com o fenômeno reencarnacionista. Ainda não acompanhara de mais perto, o processo de imersão da entidade desencarnada no campo da matéria densa. PERSONAGENS: • ANDRÉ LUIZ (d) – É o Autor Espiritual. Desvenda os segredos da reencarnação revelando a tarefa dos Espíritos missionários encarregados do processo de renascimento. • ALEXANDRE (d) – Instrutor - Espírito de "elevadas funções" no "Nosso Lar". Está presente em todos os capítulos do livro "Missionários da Luz”. Tem profunda sabedoria e bondade. • SEGISMUNDO (d) – Preparando-se para reencarnar (em processo normal) • ADELINO e RAQUEL (e) – Serão pais de Segismundo, que em vida passada, prejudicou-os • HERCULANO (d) – Espírito elevado (será o mentor de Segismundo) • JOÃOZINHO (e) – Primeiro filho de Adelino e Raquel Esquema-resumo: Elemento Função espiritual Paternidade, pátria, lar Moldam o ambiente e as provas a enfrentar Corpo físico novo Instrumento de trabalho e aprendizagem Tendências e impulsos Resultado das experiências passadas Esquecimento parcial do passado Evita conflitos e permite foco na vida presente Doenças e limitações físicas Mecanismos de reajuste e desenvolvimento moral Objetivo final Superar as provas e ascender rumo à perfeição espiritual Vídeo: A reencarnação de Segismundo (proposta / planejada) https://www.youtube.com/watch?v=4QYVPG5d7bs&t=1802s 18
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    Exemplo de reencarnaçãocomum https://www.youtube.com/watch?v=u3Y27y9blfs 19
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    167 – Qualé o objetivo da reencarnação? Expiação, aprimoramento progressivo da Humanidade, sem o que, onde estaria a justiça? COMENTÁRIOS: Rever Questão 115 O aprimoramento progressivo do Espírito. Evolução, aprendizado, crescimento moral, intelectual, ético. Expiação – Processo de depuração das nossas faltas anteriores, dos nossos resgates. É através da expiação que resgatamos os equívocos do passado, adquire novas experiências, progride e evolui. O conhecimento que a natureza, a ciência e as leis divinas podem nos proporcionar é tão vasto e para compreender tantas áreas é preciso se tornar um ser uno, detentor de todas as grandezas que Deus nos oferece, mas não onisciente, o que é impossível ocorrer em apenas uma existência. Dessa forma, a reencarnação nos proporciona o crescimento. Quando chegarmos no nível de Espíritos evoluídos (angelicais) estaremos atuando muito em prol da humanidade (terrena e de outros orbes). Ao conhecer o processo de evolução, a gente não quer perder mais tempo com coisas banais e pequenas, jogando o estudo fora, com rebeldias, com “vantagens”, com faz de conta. A gente procura fazer as coisas corretamente a fim de crescer e auxiliar o próximo. Procura agir com a consciência, usando a inteligência para o bem de todos. O próprio conhecimento freia o comportamento de todos aqueles que vem cometendo equívocos. Se não encontramos justificativas para os nossos sofrimentos ou por nossas habilidades nesta existência corpórea, busquemos nas passadas, pois somos amparados pela lei de causa e efeito. É buscar a compreensão, o entendimento através dos estudos. A reencarnação é um instrumento divino que nos permite resgatar os débitos, superar as faltas cometidas no passado e nos permite aprender sempre. Reencarnação é um processo de despertamento da alma. As vidas sucessivas são escolas em todos os reinos da natureza. É, pois, uma depuração constante em rumos variáveis. Ela é uma das leis de Deus, e se encontra fixada na eternidade para ajudar seus filhos a compreenderem a si mesmos, a serem obedientes aos programas do Todo Poderoso. 20
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    168 – Onúmero de existências corporais é limitado, ou o Espírito se reencarna perpetuamente? A cada nova existência, o Espírito dá um passo para diante no caminho do progresso. Quando se despojou de todas as suas impurezas, não tem mais necessidade das provas da vida corporal. COMENTÁRIOS: Estamos na Terra com a vida corporal objetivando o progresso, a evolução. A reencarnação não é infinita. Não há um número determinado de reencarnações, pois a reencarnação é um instrumento de aprendizado, um instrumento de evolução. Deus nos concede tantas chances quanto forem necessárias. Alguns se lapidam mais rapidamente, outros demoram mais. E daí como cada ser progride no seu tempo, conforme o seu curso de aprendizado dentro do livre arbítrio, cada um seguirá sua trajetória individualmente. O estágio reencarnatório não se limita ao nosso planeta, há as reencarnações em planetas mais evoluídos que o nosso. Então não tem como mensurar os números de reencarnações mínimos ou máximos. Deus em sua bondade infinita, nos fornecesse todas as oportunidades necessárias para o nosso burilamento. Quando chegarmos na condição de Espírito puro, angélico, não precisaremos mais reencarnar. O que tínhamos que aprender na vida material, já teríamos feito. Então continuaremos nosso processo evolutivo vivendo apenas a vida de Espírito. Até lá continuaremos reencarnando em muitas vezes, mas não infinito. Em cada nova reencarnação, renova-se a oportunidade do nosso progresso. Devemos aproveitar bem a reencarnação que temos, sempre buscando aprender, moldar as atitudes, renovar os pensamentos e as emoções, vivenciar as leis de Deus através dos ensinamentos que Jesus nos deixou. 169 – O número de encarnações é o mesmo para todos os Espíritos? Não, aquele que caminha depressa se poupa das provas. Todavia, as encarnações sucessivas são sempre muito numerosas porque o progresso é quase infinito. COMENTÁRIOS: 21
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    A necessidade dareencarnação não se limita ao nosso planeta Terra. Vivemos em um planeta de provas e expiações e sabemos que há muito mais planetas, mais evoluídos que o nosso tanto intelectual, quanto moralmente e, menos evoluídos também. Vencidas as nossas necessidades neste planeta, podemos alçar voos para planetas mais evoluídos para vencer a nossa caminhada. Não é possível identificar o número de reencarnações necessárias para cada Espírito. Elas são inúmeras e nem de perto temos como fornecer um número qualquer. Evolução em dois mundos – Jornada Espírita na Evolução, desde a mônada até a razão para entrar o reino animal. Essa etapa do reino mineral ao reino animal abrange cerca de 1,5 bilhão de anos do tempo daqui do nosso planeta. Essa jornada é direcionada, pois não havia razão e sim somente um condicionamento. Cada um vai traçando seu próprio caminho conforme o livre-arbítrio. Uns vão precisar de mais tempo, outros vão precisar de menos tempo. Uns caminharão mais rapidamente, outros caminharão mais lentamente e a todos Deus vai fornecendo as condições e o tempo necessário para se encontrarem nesse processo de aprendizado, de crescimento. Aqueles que avançam mais rápido, costumam olhar para trás e buscar auxiliar aqueles que ama a progredir. Os vínculos afetivos continuam. Não faz sentido caminhar adiante deixando os entes queridos para trás. Ninguém é feliz sozinho. A cada um segundo as suas obras Ex: Bezerra de Menezes 170 – Em que se transforma o Espírito depois da sua última encarnação? Espírito bem-aventurado; é um Espírito puro. COMENTÁRIOS: Continua sendo Espírito, o ser criado por Deus para ser feliz. Continua mantendo a sua individualidade, trabalhando e crescendo porque o progresso é da natureza divina. Está em todos os espaços e em todos os momentos da criação. Aquele que vai adiante, na retaguarda, segue nos auxiliando. Sem a necessidade de reencarnar, mas voltam vez ou outra para nos auxiliar, como 22
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    Francisco de Assis,João Evangelista, Madre Tereza, Bezerra de Menezes, Chico Xavier. Eles vêm para nos mostrar que em meio às adversidades que vivemos, é possível vivenciar o Evangelho de Jesus, é possível amar. Eles vêm como exemplo para nos dar a mão e nos resgatar para um mundo melhor, para impulsionar a nossa evolução. São Espíritos que já venceram a lei da reencarnação em relação ao nosso planeta. Terão outras reencarnações, mas em planetas mais evoluídos que o nosso. Foge da nossa compreensão: as necessidades, o que vão aprender, qual é esse amor maior. Ex: Jesus, filho de Deus, nosso irmão, criado nas mesmas circunstâncias que nós, mas que já se tornou puro. Deus lhe deu a missão de nos conduzir. Ele teve que encarnar para nos fornecer através dos exemplos práticos (aula prática). Uma coisa é certa: vamos trabalhar. Teremos muito mais o que fazer, do que temos por aqui. Não existe o descanso eterno. Vamos nos preocupar com o presente, pois o futuro é consequência do momento atual. 23
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    Reflexão sobre aReencarnação: O Milagre Silencioso da Volta à Vida Em meio ao silêncio que antecede o berço, realiza-se um dos mais sublimes milagres do universo: a reencarnação. Não é obra do acaso. É fruto de um trabalho grandioso, realizado nos bastidores da vida, por mãos amorosas e justas, sob a condução perfeita da Sabedoria Divina. Antes de retornarmos ao corpo físico, somos envolvidos por equipes espirituais que nos conhecem profundamente — conhecem nossas dores, nossos anseios, nossos erros e nossas conquistas. Em oficinas de luz, com ciência e amor, esculpem-se os contornos do corpo que vestiremos; ajustam- se limites que curam, oportunidades que educam, vínculos que redimem. Enquanto isso, a Lei da Hereditariedade tece com exatidão os fios da genética, guiada por forças superiores que nos unem aos corações certos, nos lares certos, nas nações certas. Nada é por acaso. Tudo é providência. E então, ao nascer, esquecemos temporariamente o passado, não como castigo, mas como bênção — para recomeçar, amar de novo, reconstruir com mais sabedoria. O esquecimento é o véu que protege o aprendizado. A vida é a lousa limpa para escrevermos nova história. Mas, quantas vezes ignoramos esse dom imenso? Quantas vezes desperdiçamos a chance de crescer, de amar, de servir, por nos perdermos em queixas, vícios e ilusões? Estar na Terra, com um corpo, uma família, um tempo e uma missão, é uma dádiva sagrada. Há um investimento imenso do Céu em cada um de nós. Somos frutos do amor e da justiça divina, e nos cabe honrar essa confiança. Aproveitemos, pois, cada dia como uma página preciosa de nosso livro eterno. Que a consciência da reencarnação nos desperte para a gratidão, para o esforço sincero de melhorar, e para o compromisso de sermos instrumentos da luz onde estivermos. 24
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    Passagens Bíblicas Relacionadasa Reencarnação 🔁 1. João Batista como Elias reencarnado Mateus 17:10-13 “Os discípulos perguntaram: ‘Por que dizem os escribas que é necessário que Elias venha primeiro?’ Jesus respondeu: ‘De fato, Elias virá e restaurará todas as coisas. Eu, porém, vos digo que Elias já veio, e não o reconheceram...’ Então os discípulos entenderam que Ele lhes falava a respeito de João Batista.” 👉 Interpretação espiritualista: Jesus confirma que João Batista é a reencarnação do profeta Elias. 🧠 2. O cego de nascença – João 9:1-3 “E, passando Jesus, viu um homem cego de nascença. E os seus discípulos lhe perguntaram: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?” 👉 Essa pergunta sugere a ideia de pré-existência da alma, pois como poderia o homem ter pecado antes de nascer, se não tivesse vivido antes? ✨ 3. A ressurreição em novo corpo – Paulo 1 Coríntios 15:35-38 “Mas alguém dirá: Como ressuscitam os mortos? E com que corpo virão? Insensato! O que tu semeias não é vivificado, se primeiro não morrer... Deus lhe dá o corpo como quer.” 👉 Interpretação reencarnacionista: Paulo está falando de uma mudança de corpo espiritual, ou seja, uma nova encarnação — não da ressurreição do mesmo corpo físico. 👼 4. A multiplicidade de moradas João 14:2 “Na casa de meu Pai há muitas moradas.” 👉 Interpretação espiritualista: Jesus pode estar se referindo aos diferentes planos da vida espiritual e também à pluralidade de experiências da alma — inclusive em diferentes corpos e mundos. 5. Nascimento de novo – Diálogo com Nicodemos 🪞 25
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    João 3:3-7 “Em verdade,em verdade te digo que ninguém pode ver o Reino de Deus se não nascer de novo.” [...] “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito.” 👉 Jesus fala de um “renascimento” não apenas simbólico, mas espiritual — que o Espiritismo interpreta como a reencarnação necessária à evolução da alma. 📚 Outras menções e interpretações:  Eclesiastes 1:9-11 – Fala da repetição dos ciclos da vida.  Hebreus 11:35 – Cita pessoas que "esperavam uma melhor ressurreição", indicando uma continuidade da existência.  Apocalipse 3:12 – Fala de um retorno à Terra. 26
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    4.2 – JUSTIÇADA REENCARNAÇÃO 171 – Sobre o que está baseado o dogma da reencarnação? Sobre a justiça de Deus e a revelação, pois, repetimos sempre: Um bom pai deixa sempre aos seus filhos uma porta aberta ao arrependimento. Não lhe diz a razão que seria injusto privar para sempre, da felicidade eterna, todos aqueles cujo progresso não dependeu deles mesmos? Não são todos os homens filhos de Deus? Somente entre os egoístas se encontram a iniquidade, o ódio implacável e os castigos sem perdão. Allan Kardec: Todos os Espíritos tendem à perfeição e Deus lhes fornece os meios pelas provas da vida corpórea; mas, em sua justiça, lhes faculta realizar, em novas existências, o que não puderam fazer ou concluir numa primeira prova. Não estaria de acordo com a equidade, nem com a bondade de Deus, castigar para sempre aqueles que encontraram obstáculos ao seu progresso, independentemente da sua vontade, no próprio meio onde foram colocados. Se o destino do homem está irrevogavelmente fixado após a sua morte, Deus não teria pesado as ações de todos na mesma balança, e não os teria tratado com imparcialidade. A doutrina da reencarnação, isto é, aquela que admite para o homem várias existências sucessivas, é a única que responde à ideia que fazemos da justiça de Deus em relação aos homens colocados em uma condição moral inferior, a única que nos explica o futuro e fundamenta nossas esperanças, pois que nos oferece o meio de resgatar nossos erros através de novas provas. A razão indica essa doutrina e os Espíritos no-la ensinam. O homem, consciente da sua inferioridade, tem, na doutrina da reencarnação, uma esperança consoladora. Se acredita na justiça de Deus, não pode esperar, por toda a eternidade, estar em pé de igualdade com aqueles que agiram melhor do que ele. O pensamento de que essa inferioridade não o deserdará para sempre do bem supremo, e que ele poderá superá-la por meio de novos esforços, o sustenta e lhe reanima a coragem. Qual é aquele que, no fim do seu caminho, não lamenta ter adquirido muito tarde uma experiência que não pode mais aproveitar? Essa experiência tardia não ficará perdida; ele a aproveitará numa nova existência. 27 LIVRO SEGUNDO: MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS Capítulo IV: Pluralidade das Existências
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    COMENTÁRIOS: Termo dogma: (Questões:171 – 222 – 1010) - Termo de origem grega – o que se pensa é verdade (crença ou convicção) - Ponto fundamental de uma doutrina religiosa apresentado como certo e indiscutível; O dogma da reencarnação é discutível para levar o entendimento, o esclarecimento a quem ainda não compreende. Se vai aceitar ou não, não vem o caso. Agora entre espíritas é indiscutível. Se a pessoa diz espírita e não acredita na reencarnação, não pode dizer espírita. CAPÍTULO II – MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO (Evangelho Seg. Espiritismo) A vida futura 2. Por essas palavras, Jesus claramente se refere à vida futura, que Ele apresenta, em todas as circunstâncias, como a meta que a Humanidade irá ter e como devendo constituir objeto das maiores preocupações do homem na Terra. Todas as suas máximas se reportam a esse grande princípio. Com efeito, sem a vida futura, nenhuma razão de ser teria a maior parte dos seus preceitos morais, donde vem que os que não creem na vida futura, imaginando que Ele apenas falava na vida presente, não os compreendem, ou os consideram pueris. Esse dogma pode, portanto, ser tido como o eixo do ensino do Cristo, pelo que foi colocado num dos primeiros lugares à frente desta obra. É que ele tem de ser o ponto de mira de todos os homens; só ele justifica as anomalias da vida terrena e se mostra de acordo com a Justiça de Deus. Em que está baseada a certeza da reencarnação: - Na justiça divina - Na bondade divina Todos nós sabemos que entre os atributos de Deus estão a infinita justiça e a infinita bondade. Q.13 – Deus é eterno, infinito, imutável, imaterial, único, todo-poderoso, soberanamente justo e bom Infinita justiça – como podemos explicá-la diante das diversidades da vida. As inúmeras diferenças que encontramos ao nascer: uns nascem inteligentes, outros ainda presos na ignorância do conhecimento, uns nascem ricos, outros pobres, uns nascem saudáveis, outros portam problemas físicos ou mentais, nascem em famílias equilibradas, outros em famílias violentas. As mortes prematuras, as doenças, as doenças infantis. 28
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    Tantas diferenças aonascer que não seriam justificadas se o Espírito fora criado no momento da concepção ou do nascimento, se não trouxera já um passado construído por ele próprio como é colocada pela doutrina da reencarnação que fomos criados simples e ignorantes e estamos todos em evolução, rumo a felicidade eterna, o que é possível através das várias reencarnações. Quando as diferenças se apresentam em um novo nascimento, elas são frutos das nossas necessidades específicas, de acordo com a história que construímos para nós mesmos. De acordo com os débitos contraídos com o prejuízo a outros ou então através dos créditos que conseguimos conquistar. Apenas a reencarnação é capaz de explicar a justiça de Deus considerando as grandes diferenças que existem entre nós logo ao nascer. Infinita bondade – um pai seria todo bondade permitindo que seu filho por mais errado que fosse, pereça eternamente no fogo do inferno? Sem ter oportunidade de redimir suas faltas? De buscar se melhorar? Realmente isso não pode se conceber. A reencarnação é necessária porque através da razão possamos explicar a justiça de Deus e a bondade de Deus. É a razão que nos mostra a realidade da reencarnação do Espírito. - Jesus e Nicodemos. Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará. (Ignorância) Pai, perdoa. Eles não sabem o que fazem. (Ignorância) - Através do estudo se liberta da ignorância. - Corrigir os nossos erros para não levar débitos para a próxima reencarnação Parábola dos talentos Seja melhor hoje do que foi ontem. Muda agora, não perca tempo. Faça uma viagem interior, faça um balanço dos pensamentos, dos sentimentos, verifique onde está errando, onde deve melhorar. Diga que ama a quem você ama. Não deixe para dizer depois. Pede perdão. Engula o egoísmo, o orgulho. Se solte e se torne leve. 29
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    Reflexão: A Dádivada Reencarnação e a Sabedoria Divina "A vida não é um acaso, mas uma obra-prima de amor e justiça. Cada respiro que damos, cada desafio que enfrentamos e cada lágrima que derramamos são partes de um sagrado projeto de aperfeiçoamento. A reencarnação não é um castigo, mas uma misericórdia sem limites – a chance de recomeçar, corrigir, aprender e, sobretudo, amar mais. Deus, em Sua perfeição, não nos condena aos erros do passado, mas tece, com fios de luz e sombra, o caminho que nos levará de volta a Ele. O corpo que hoje carregamos, a família que nos cerca, as dores que nos moldam – tudo foi cuidadosamente ajustado por mãos divinas para que nossa alma encontre, nesta existência, exatamente o que precisa para se elevar. E, no entanto, quantas vezes desperdiçamos essa dádiva?  Reclamamos da vida, mas esquecemos que fomos nós quem a planejamos.  Fugimos das provas, ignorando que são escadas para a luz.  Buscamos felicidade em coisas passageiras, quando a verdadeira alegria está em servir, amar e crescer. Hoje é um novo dia no grande teatro da evolução.  Se seu corpo tem limitações, elas são lições disfarçadas de obstáculos.  Se sua alma carrega dores, elas são sementes de futura sabedoria.  Se o mundo parece injusto, lembre-se: a Justiça Divina nunca erra, apenas enxerga além do que nossos olhos podem ver. Não desperdice sua encarnação. Aproveite cada instante para:  Amar mais do que pedem.  Perdoar mais do que é justo.  Trabalhar como quem edifica para a eternidade. Pois, quando esta vida chegar ao fim, só levaremos conosco o bem que fizemos e a luz que acumulamos. O resto – as mágoas, o orgulho, o egoísmo – ficará para trás, como cascas vazias de uma jornada superada. Que possamos, enfim, honrar este dom sagrado: a oportunidade de renascer, recomeçar e nos aproximar, passo a passo, da Fonte de todo Amor. "A reencarnação é a prova de que Deus nunca desiste de nós." 30
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    Esta passagem abordao dogma da reencarnação como um pilar da justiça divina, combinando razão, equidade e bondade de Deus. 1. A Base da Reencarnação: Justiça e Misericórdia Divina  "Um bom pai deixa sempre aos seus filhos uma porta aberta ao arrependimento": Kardec usa uma analogia familiar para destacar que Deus, como Pai amoroso, não condena irrevogavelmente seus filhos. A reencarnação é essa "porta aberta" para corrigir erros e evoluir.  Progresso não depende só do indivíduo: Muitas pessoas nascem em condições desfavoráveis (pobreza, ignorância, más influências). Seria injusto puni-las eternamente por algo que não tiveram pleno controle.  Crítica ao castigo eterno: Kardec contrasta a reencarnação com o dogma cristão do inferno perpétuo, que considera incompatível com a bondade de Deus. 2. A Reencarnação como Mecanismo de Justiça  Novas chances: Espíritos imperfeitos têm múltiplas vidas para aprender. O que não foi conquistado em uma existência pode ser alcançado em outra.  Equidade divina: Se o destino fosse definido em uma única vida, Deus seria parcial — pois alguns têm mais oportunidades que outros. A reencarnação nivela essas diferenças ao longo do tempo.  Razão + Revelação: Kardec afirma que a reencarnação não é só uma crença espiritual, mas racional. Ela explica: o Por que há desigualdades iniciais entre os homens. o Como Deus dá a todos os mesmos direitos ao progresso. 3. A Esperança na Reencarnação  Consolo para os "atrasados": Quem falha em uma vida não está perdido. A ideia de que pode recomeçar alivia o desespero e incentiva o melhoramento.  Experiência não perdida: 31
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    Kardec menciona oarrependimento tardio ("experiência adquirida demasiado tarde"). Na visão espírita, esse aprendizado será útil em uma próxima encarnação.  Igualdade possível: Ninguém é excluído para sempre da felicidade. Até o pior criminoso pode se redimir através de novas provas. 4. Contrastes com Outras Doutrinas  Vs. Cristianismo tradicional: Rejeita a ideia de "céu/inferno eternos". Para o espiritismo, não há condenação sem volta.  Vs. Materialismo: Explica a desigualdade humana sem atribuí-la ao acaso ou injustiça divina. Conclusão (Kardec) A reencarnação é: 1. Justa: Trata todos com igualdade ao longo do tempo. 2. Racional: Responde a questões que outras doutrinas não solucionam. 3. Consoladora: Oferece esperança de progresso contínuo. "A doutrina da reencarnação é a única que corresponde à justiça de Deus." 32
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    4.3 – ENCARNAÇÃONOS DIFERENTES MUNDOS 172 – Nossas diferentes existências corporais se passam todas sobre a Terra? Não, não todas, mas nos diferentes mundos; a que passamos neste globo não é a primeira, nem a última e é uma das mais materiais e das mais distanciadas da perfeição. COMENTÁRIOS: Ú Passar para a próxima tela. aNa casa de meu Pai há muitas moradas Na casa de meu Pai há muitas moradas. Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também. João 14:1-3 ESE – Cap. III  Casa do Pai = O Universo – muito vasto (infinito), cheio de moradas.  Moradas = São os planetas e estados vibratórios — adaptados ao grau evolutivo dos Espíritos. Os diferentes mundos são onde os Espíritos encarnam, conforme seu grau de evolução (LE 172). Essa afirmação é central tanto para o entendimento do pluralismo dos mundos habitados, quanto da pluralidade das existências (reencarnações sucessivas). Pluralidade dos Mundos (Questões 55 a 58 – O Livro dos Espíritos) • Todos os globos do Universo são habitados por seres vivos. • Acreditar que só a Terra abriga vida é fruto de orgulho e ignorância. • Cada mundo tem uma constituição física própria, diferente da Terra. • Os seres que os habitam são adaptados ao meio em que vivem, assim como os peixes à água e as aves ao ar. Todos os globos do Universo são habitados por seres vivos. Explicação: Deus não criou o Universo apenas para ornamentar o céu da Terra. Todos os mundos têm uma função útil e são moradas para diferentes 33 LIVRO SEGUNDO: MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS Capítulo IV: Pluralidade das Existências
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    categorias de Espíritos,em estágios diversos de evolução. Cada globo, do menor ao maior, visível ou invisível, é parte do grande lar universal. “Deus povoou os mundos de seres vivos. A vida está em toda parte.” Acreditar que só a Terra abriga vida é fruto de orgulho e ignorância. Explicação: Essa ideia limitada parte da falsa suposição de que nós somos o centro da criação. O orgulho humano tende a achar que somente aqui existe inteligência ou progresso. Mas, na verdade, a Terra não é nem o mais adiantado nem o mais atrasado dos mundos. O universo é imenso e cheio de vida em diversas formas e estágios. A doutrina espírita é clara: “Deus não pode ter criado esses milhões de mundos somente para o nosso prazer de vê-los.” Cada mundo tem uma constituição física própria, diferente da Terra. Explicação: Os mundos têm leis físicas, atmosferas, densidades e formas de matéria diferentes das que conhecemos. Assim como na Terra temos desertos, oceanos e florestas – cada um com condições distintas – o mesmo ocorre em escala cósmica: a matéria não é uniforme em todo o Universo. Em mundos mais elevados, a matéria é mais sutil, menos densa, e os corpos dos habitantes são mais etéreos. Os seres que os habitam são adaptados ao meio em que vivem, assim como os peixes à água e as aves ao ar.” Explicação: A lei de adaptação se aplica a todo o Universo. Assim como o corpo físico do homem é adequado às condições terrestres, os habitantes de outros mundos têm corpos e organizações próprias ao ambiente em que vivem. Isso mostra a sabedoria e justiça divinas, que fornecem os meios ideais para cada Espírito progredir conforme seu nível evolutivo. 34
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    Classificação dos MundosHabitados 1. Mundos Primitivos  São os primeiros estágios da encarnação da alma.  Habitantes rudimentares, com instintos predominantes e pouca inteligência.  Ainda não desenvolveram a moralidade, a justiça e a sensibilidade.  Lembram as raças selvagens da Terra.  São comparáveis a crianças espirituais, não almas más, mas em crescimento. 2. Mundos de Expiações e Provas  A Terra é um exemplo típico.  Misturam-se Espíritos em diferentes graus de progresso.  Prevalecem as dores, injustiças, doenças, guerras e dificuldades morais.  Serve como escola e hospital espiritual.  Muitos Espíritos vêm de outros orbes, em expiação, degredados por sua rebeldia em mundos mais adiantados.  Esses Espíritos, apesar de inteligentes, sofrem mais pelas provas morais e pela sensibilidade maior. 3. Mundos Regeneradores  São mundos de transição entre os de provas e os felizes. 35
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     As almasarrependidas e desejosas de renovação encontram repouso e esperança.  Ainda há sofrimento, mas sem o peso da expiação cruel.  A maldade deliberada já não reina.  A lei da fraternidade começa a predominar.  Pode representar o futuro próximo da Terra em sua transição moral. 4. Mundos Felizes  Ausência de egoísmo, guerras, ódio e ambição.  Os corpos são mais sutis, quase etéreos; não há doenças nem deformidades.  A infância é breve e a morte, serena, sem sofrimento.  Vigoram a justiça, o amor e a igualdade moral.  A autoridade é conquistada pelo mérito e exercida com sabedoria.  As almas são conscientes da vida espiritual e vivem quase em constante emancipação.  A vida é longa e harmoniosa.  O mal não existe mais nesses mundos. 5. Mundos Celestes ou Divinos  Habitados por Espíritos puros.  A matéria já não mais os prende.  Vivem em perfeita comunhão com Deus.  São destinos finais de longa jornada evolutiva. A jornada evolutiva deve passar todas essas fases, nos diversos mundos, pois o processo reencarnatório ocorre em vários planetas, não apenas na Terra. Os planetas, os mundos são solidários entre si nesse processo de evolução. A Terra não será capaz de nos oferecer todo o aprendizado que precisamos, mas sabemos que os mundos também evoluem. É tanto que o nosso planeta está em fase de transição. Se nós enquanto Espíritos estamos avançando mais que a média do planeta, teremos que partir para outro mundo em busca do nosso progresso espiritual. 36
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    Durante a nossacaminhada até a perfeição, vamos reencarnar em vários mundos conforme a nossa condição evolutiva, iniciando nos mundos primitivos, passando nos mundos de provas e expiações, depois para o de regeneração, depois para os felizes e, por fim os celestes. Se precisarmos, por exemplo, reencarnar em mundos de provas e expiações, não necessariamente precisa ser a Terra, pois há muitos mundos nas mesmas condições evolutivas que a Terra (não material/ambiental). Nós já reencarnamos na Terra e com certeza em outros planetas. Depende das nossas necessidades, do nosso planejamento reencarnatório. Podemos ir e voltar. Ela está em transição passando de mundo de expiação para mundo de regeneração, onde o amor começa a despontar nos corações das almas, de sorte que as lições do Mestre serão vividas na sua feição mais pura, mesmo para aqueles que terão que passar pela dor. Ainda há uma distância entre a teoria dos conceitos evangélicos com a verdadeira prática. A humanidade terrestre em geral se encontra muito distante da perfeição, contudo, está a caminho. Nem todos os Espíritos que ora estagiam na Terra, tiveram nela as primeiras reencarnações. Muitos já viveram em outros mundos, dos quais guardaram muitas experiências, que lhes servem de amparo contra muitos males. A Terra é um dos mundos atrasados, porém não dos mais atrasados.  Transformação moral: A reforma íntima é o passaporte para mundos melhores. Reflexão final “O mal não existe nos mundos felizes.” Esta frase resume o destino final de todas as almas: a paz. O Espiritismo nos convida a viver desde já como cidadãos do bem, promovendo a fraternidade, a inteligência com humildade, e o amor universal — como preparação natural para esse porvir glorioso. Cabe à Doutrina dos Espíritos fazer reviver na Terra os ensinamentos do Divino Mestre na sua pureza, para que as almas descubram pelos próprios esforços, a luz do entendimento, dando início à caminhada de libertação espiritual. Considerações Finais A busca por vida fora da Terra e a descoberta de milhares de exoplanetas consolidam a hipótese de que a vida pode ser comum no Universo. Isso reforça a visão espírita de que a casa do Pai tem muitas moradas (João 14:2) e que a pluralidade dos mundos não é apenas uma possibilidade, mas uma realidade em expansão. 37
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    A ciência ea espiritualidade caminham, portanto, de forma complementar na compreensão do Cosmos e da nossa existência nele. Quando pensamos em 2 trilhões de galáxias, cada uma com centenas de bilhões de estrelas, e sabemos que muitas (senão a maioria) dessas estrelas possuem sistemas planetários, a pergunta natural é: "É possível que só aqui haja vida?" A vida não está restrita à Terra. A existência de inúmeros mundos habitados é uma consequência natural da sabedoria e justiça divinas. Entre os pontos principais:  Os mundos habitados abrigam espíritos em diferentes estágios evolutivos.  A Terra é apenas um entre incontáveis planetas, e não o centro do universo.  A vida se manifesta de formas variadas, segundo o meio e a evolução espiritual local.  A diversidade dos mundos é reflexo da multiplicidade das experiências evolutivas. Assim, a ciência e a espiritualidade se encontram: a vastidão do cosmos torna racional e esperada a pluralidade da vida. A doutrina espírita, ao reconhecer essa realidade, nos convida à humildade, ao estudo e à esperança em uma criação que é, em sua essência, infinita em amor e sabedoria. 38
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    Quadro-Resumo – Exoplanetase Sistemas Planetários (Visão Científica) Aspecto Dados/Estatísticas Atuais (2025) Galáxias no Universo observável ~2 trilhões Estrelas na Via Láctea Estimadas em 100 a 400 bilhões Exoplanetas confirmados Mais de 5.500 até 2025 Estrelas com planetas Estima-se que mais de 70% das estrelas tenham planetas orbitando Planetas semelhantes à Terra Estima-se que 1 em cada 5 estrelas como o Sol tenha um planeta do tamanho da Terra em zona habitável Planetas flutuantes (órfãos) Podem existir bilhões a trilhões na galáxia; talvez mais comuns que estrelas Métodos de detecção Trânsito (Kepler, TESS), Velocidade radial, Microlente gravitacional, Imagem direta Sistemas planetários diversos Confirmados sistemas com planetas muito próximos da estrela, sistemas compactos, gigantes gasosos muito próximos ou muito distantes (hot Jupiters, cold Neptunes), etc. Hipóteses modernas - Planetas formam-se naturalmente a partir de discos protoplanetários.- Há mais mundos do que estrelas.- Sistemas binários ou múltiplos também podem ter planetas.- A vida pode ser comum em formas microbianas. Princípio Básico da Pluralidade: A Morada da Criação Divina A astronomia moderna confirma que há bilhões de estrelas na Via Láctea, e cada uma pode ter planetas. Até 2025, já foram descobertos mais de 5.000 exoplanetas confirmados, com bilhões estimados. Os cientistas afirmam que a formação de planetas é uma consequência natural da formação estelar. Ou seja, planetas são regra, não exceção. Atualmente, os cientistas estimam que há milhares de exoplanetas com potencial para abrigar vida, mesmo que microscópica. Até maio de 2025, mais de 5.500 exoplanetas foram confirmados, com muitos outros aguardando confirmação. (UNINTER) Entre esses, destaca-se o exoplaneta K2-18b, localizado a 124 anos-luz da Terra. Observações recentes com o Telescópio Espacial James Webb detectaram na atmosfera desse planeta compostos como sulfeto de dimetila (DMS) e dissulfeto de dimetila (DMDS), que na Terra são produzidos exclusivamente por organismos vivos, como o fitoplâncton marinho. Embora esses sinais sejam promissores, os cientistas ressaltam que são necessárias mais pesquisas para confirmar a presença de vida. (Correio Braziliense) 39
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    Além disso, umnovo modelo de inteligência artificial desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Berna identificou 44 sistemas estelares com alta probabilidade de abrigar planetas semelhantes à Terra em zonas habitáveis. Esses sistemas representam alvos prioritários para futuras observações na busca por vida extraterrestre. (Exame, Space Today) A ciência reforça a base da pluralidade, validando que inúmeros mundos existem. O Espiritismo, por sua vez, acrescenta: esses mundos são moradas de Espíritos em diferentes graus de evolução. A Terra não é o ponto de partida do Espírito. Há muitas moradas na casa do Pai. Hoje, sabe-se que há planetas rochosos (como a Terra) em zonas habitáveis, com água em estado líquido como possibilidade real, como ocorre em sistemas como o TRAPPIST-1 ou Kepler-452. Além disso, a hipótese dos planetas órfãos (milhões deles vagando sem estrela) amplia o conceito de moradas transitórias ou diferentes da nossa lógica de vida. A diversidade de planetas pode refletir a diversidade de estágios espirituais, com mundos mais primitivos ou mais adiantados, conforme o grau moral e intelectual de seus habitantes. Com a descoberta de exoplanetas em zonas habitáveis e a possibilidade de vida em ambientes extremos, a Terra deixou de ser o “centro privilegiado da criação”. O conceito do “princípio da mediocridade” (em astrobiologia) propõe que a Terra não é especial — apenas uma entre trilhões. A espiritualidade nos convida à humildade cósmica: somos parte de algo vasto, e a vida física e espiritual se manifesta por toda parte. Embora a ciência não comprove a vida espiritual, ela abre portas:  Reconhece a possibilidade de vida não detectável ainda.  Admite que formas de vida podem escapar aos nossos padrões sensoriais e tecnológicos.  Investiga a vida como fenômeno universal, o que abre espaço para novos paradigmas. Estrelas e Galáxias  A Via Láctea possui entre 100 a 400 bilhões de estrelas, segundo estimativas da NASA e da ESA.  O universo observável contém aproximadamente 2 trilhões de galáxias, conforme dados recentes do Telescópio Espacial Hubble (2016). Exoplanetas e Sistemas Planetários  Mais de 5.500 exoplanetas já foram confirmados (maio de 2025), sendo que muitos estão na chamada zona habitável.  Estima-se que cerca de 1 em cada 5 estrelas semelhantes ao Sol possa ter um planeta do tamanho da Terra em zona habitável.  O exoplaneta K2-18b, a 124 anos-luz da Terra, mostrou traços de compostos orgânicos que, na Terra, são associados à vida biológica (fitoplâncton). Planetas "órfãos" 40
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     Estima-se queexistam mais planetas errantes (sem estrela fixa) do que estrelas na Via Láctea.  Teoricamente, esses planetas poderiam ser capturados gravitacionalmente por outras estrelas, incluindo o nosso Sol. Conexão com "O Livro dos Espíritos"  A pluralidade dos mundos como uma realidade natural e universal.  Cada planeta sendo morada de espíritos em diferentes estágios evolutivos.  A Terra como um mundo de provas e expiações, não sendo dos mais primitivos nem dos mais adiantados.  A descoberta de tantos exoplanetas e sistemas planetários sustenta a ideia de que planetas não são exceção, mas uma etapa comum na formação estelar.  A variedade dos exoplanetas permite imaginar também diversidade de condições evolutivas e materiais. As estimativas mais aceitas atualmente sobre a composição do Universo são:  Energia escura: cerca de 68%  Matéria escura: cerca de 27%  Matéria visível (ou bariônica): cerca de 5% Esses valores vêm principalmente de observações do fundo cósmico de micro-ondas, movimentos de galáxias e supernovas distantes, analisados por projetos como o satélite Planck (ESA) e o WMAP (NASA). Resumo visual: Componente Porcentagem aproximada Descrição Energia escura 68% Responsável pela expansão acelerada do Universo. Sua natureza exata ainda é desconhecida. Matéria escura 27% Invisível, mas detectável pelos efeitos gravitacionais. Não interage com a luz. Matéria visível 5% Tudo o que podemos observar diretamente: estrelas, planetas, gás, poeira interestelar etc. Comparação entre Galáxias Galáxia Tipo Diâmetro Aproximado Número de Estrelas Massa Estimada (em massas solares) Distância da Terra Via Láctea Espiral barrada 100.000 a 200.000 anos-luz 100 a 400 bilhões ~1 a 1,5 trilhão — (nossa galáxia) Andrômeda Espiral ~220.000 anos-luz ~1 trilhão ~0,8 a 1,2 trilhão ~2,5 milhões de anos-luz IC 1101 Elíptica supergigante Até 6.000.000 anos-luz Estimado em trilhões Até 100 trilhões (estimativa incerta) ~1 bilhão de anos-luz Se o Universo é tão vasto, por que ainda não temos provas diretas de vida inteligente fora da Terra? Por Que a Ciência Não Confirma Vida Extraterrestre Inteligente? 41
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    Apesar de evidênciaslógicas, como a vastidão do Universo, a ciência oficial ainda não confirma vida inteligente fora da Terra. As razões são científicas, culturais e até espirituais: 1. Limitações Tecnológicas Atuais Distâncias astronômicas:  A estrela mais próxima (Próxima Centauri) está a 4,2 anos-luz2 de nós.  Não conseguem captar estruturas muito distantes, devido à imensidão do espaço, à limitação da luz, e ao tempo que ela leva para chegar até nós.  Mesmo sinais de rádio levariam séculos para serem captados por uma civilização próxima. Dificuldade de detecção mesmo com nossos melhores telescópios e sondas:  Telescópios como o James Webb identificam planetas habitáveis, mas não conseguem ver "obras" ou cidades alienígenas (seria como tentar enxergar uma formiga na Lua).  Civilizações avançadas podem usar tecnologias não detectáveis por nossos instrumentos (ex.: energia baseada em antimatéria, comunicação telepática). 2. Viés Materialista da Ciência A ciência exige prova física (material):  Como a maioria dos cientistas trabalha no paradigma materialista, eles ignoram ou rejeitam evidências não físicas (como mediunidade, Espíritos, ou contatos espirituais com seres de outros mundos).  Algo precisa ser detectado, medido ou reproduzido em laboratório.  Relatos subjetivos (como experiências mediúnicas ou espirituais) não são aceitos como prova.  Uma civilização alienígena só seria "confirmada" se encontrássemos algo concreto: uma nave pousada, uma mensagem codificada inequívoca, um esqueleto, uma estrutura tecnológica identificável etc. Medo do ridículo, fatores psicológicos e culturais:  Pesquisadores que falam sobre UFOs ou vida extraterrestre são frequentemente ridicularizados (caso do Projeto Blue Book, da NASA).  A ciência prefere não arriscar sua credibilidade sem "provas irrefutáveis". 2 - Velocidade da luz: 300.000 km/s. 42
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     O medodo desconhecido, o antropocentrismo (achar que somos o centro do universo) e a influência das religiões tradicionais contribuem para a resistência.  A visão espiritual da vida é muitas vezes ridicularizada ou considerada “mística” ou “anticientífica”, quando, na verdade, pode oferecer as chaves que faltam à compreensão integral da realidade. Somos uma civilização ainda primitiva na escala cósmica:  A Terra é ainda um mundo de provas e expiações, e nossa humanidade ainda luta com o egoísmo, a intolerância e o materialismo.  Nossa ciência, embora avançada tecnologicamente, ainda está limitada pelo orgulho, pela vaidade e por paradigmas restritivos.  Isso impede muitos cientistas de aceitarem hipóteses que envolvem espiritualidade, consciência extrafísica ou inteligência não-humana superior. 3. Barreiras Evolutivas e Espirituais Lei de Não Intervenção:  Espíritos superiores (como os de Capela, citados por André Luiz) não interferem diretamente em nossa evolução, a menos que seja necessário (LE 55).  Civilizações mais avançadas podem evitar contato massivo para não perturbar nosso livre-arbítrio. Sabem de nossa existência, mas nos observam à distância, sem interferir (como fazemos com tribos isoladas).  Eles não querem contato aberto até que estejamos moralmente preparados.  Contato existe, mas é velado, feito por vias mediúnicas, inspirações, intuições — como os Espíritos superiores fazem conosco. Diferentes Estados Vibracionais:  Mundos mais evoluídos têm matéria sutil, invisível aos nossos instrumentos (LE 181).  Seres desses planos podem se materializar temporariamente (como em aparições de UFOs), mas não deixam "provas concretas" por muito tempo. 4. O Que o Espiritismo Explica? Há vida em outros mundos (LE 55-58) – inclusive mais inteligente que a nossa. Alguns Espíritos já viveram em outros planetas (LE 172-173) e reencarnaram aqui. 43
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    Os Espíritos revelamque a pluralidade dos mundos habitados é uma lei natural, e que os corpos são diferentes conforme a evolução espiritual do ser. A ciência um dia comprovará, mas enquanto a humanidade não estiver pronta, as provas serão sutis. Conclusão A falta de confirmação científica não significa ausência de vida extraterrestre, mas sim: Nossas limitações tecnológicas. O ceticismo cultural da ciência. Não é que os cientistas estejam errados — eles estão apenas limitados aos seus métodos e percepções. A vida inteligente em outros mundos — tanto física quanto espiritual — é uma realidade ampla, coerente com a lógica universal, e será um dia reconhecida quando a humanidade estiver mais amadurecida moral, ética e espiritualmente. Enquanto isso as civilizações superiores respeitam o nosso estágio evolutivo. Cada um de nós é, sob uma perspectiva cósmica, precioso. Se um humano discorda de você, deixe-o viver. Em cem bilhões de galáxias, você não vai achar outro. (Carl Sagan) O universo é um lugar bem grande. Se é só nós, parece um terrível desperdício de espaço. (Carl Sagan) Ausência de evidência não é evidência de ausência. (Carl Sagan) Para pequenas criaturas como nós, a vastidão é suportável somente através do amor. (Carl Sagan) 44
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    173 – Aalma, a cada nova existência corporal, passa de um mundo a outro ou pode viver várias vezes sobre o mesmo globo? Pode reviver muitas vezes sobre o mesmo globo se não é bastante avançada para passar para um mundo superior. 173.a) Assim, podemos reaparecer várias vezes sobre a Terra? Certamente. 173.b) Podemos voltar a ela depois de termos vivido em outros mundos? Seguramente; já vivestes em outros mundos e sobre a Terra. COMENTÁRIOS: A reencarnação é um instrumento de evolução para o Espírito e ela ocorre conforme a necessidade de aprendizado e de evolução do Espírito. Se o Espírito se encontra em um patamar evolutivo que a Terra não ofereça mais as condições ideais para o seu aperfeiçoamento, certamente deslocará para outro orbe onde proporcione as condições adequadas para a sua evolução. Portanto, às vezes a gente reencarna na Terra, às vezes reencarna em outro mundo, mas o certo é que sempre reencarnaremos naquele que ofereça as condições ideias para o nosso aprendizado para o nosso crescimento e para os resgastes dos débitos de outrora. A alma pode reencarnar várias vezes na Terra. Isso explica por que muitas pessoas sentem certa afinidade com determinados lugares, épocas ou culturas. Essas experiências múltiplas no mesmo planeta são necessárias quando o Espírito ainda não atingiu o grau de progresso moral e intelectual suficiente para galgar mundos mais elevados. O Espírito não está limitado a um só planeta. Ele pode viver em diferentes mundos, de acordo com suas necessidades evolutivas. Pode inclusive retornar a mundos anteriores (como a Terra), tanto por necessidade quanto por missão, o que abre um vasto campo para reflexão. Isso confirma a solidariedade entre os mundos habitados — uma ideia essencial na cosmologia espírita. Espíritos mais evoluídos podem retornar a mundos inferiores como missionários, ajudando no progresso coletivo. 45
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    Acerta-te com teuirmão enquanto estás a caminho com ele. Há muitas moradas na casa de meu pai. Todas as moradas que existem são do Pai, portanto, em todas elas vamos encontrar o bondoso auxílio do Pai. O Espírito que já venceu suas etapas no planeta Terra e alçou voo para orbes mais evoluídos, sente a necessidade de retornar para auxiliar seus irmãos para que estes possam avançar e galgar o estado de felicidade que ele já alcançou. São os elos que permanecem. É um ato de amor. Essa questão amplia nossa perspectiva sobre a existência. Nossas origens espirituais são mais antigas e complexas do que supomos. Isso nos ajuda a compreender aptidões, tendências e até sentimentos de não pertencimento ou saudade de "algo que não sabemos nomear", que algumas pessoas experimentam — talvez uma vaga lembrança de mundos anteriores. Compreendendo as Leis de Deus, o resultado é o amor. 174 – Voltar a habitar a Terra é uma necessidade? Não, mas se não progredistes, podereis ir para outro mundo que não seja melhor, e que pode ser pior. COMENTÁRIOS: A Terra é um instrumento da Lei Divina que fornece a condição de vida exatamente necessária ao nosso aprendizado, conforme o nosso estágio evolutivo: os familiares, as conquistas, os avanços obtidos, os débitos para resgatar. Se estamos aqui é porque é esse o planeta que oferece as melhores condições para o progresso nesse estágio em que nos encontramos. Mudaremos de planeta somente quando a necessidade de aprendizado modificar. A necessidade que existe é da evolução. Todas as moradas são compatíveis com as necessidades de cada conjunto de Espíritos para continuar a evolução. A necessidade de avançar permanece sempre. Se isso será feito sobre a Terra ou outro ambiente é uma questão que depende de cada situação. Enquanto não progredimos continuamos reencarnando no mesmo planeta ou em outros na mesma condição evolutiva ou ainda piores, como é o caso do período de transição. 46
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    Muitas pessoas naTerra serão exiladas para planetas menos evoluídos que a Terra considerando que continuam voltados para o mal, distanciados da lei de amor e de caridade, portanto não permanecerão na Terra a fim de não perturbar os novos rumos do planeta voltados para o bem, para o amor e a caridade. (Não conseguiram acompanhar o avanço da Terra) Pessoas que ainda não estão compatíveis com esse nível que a Terra passará a ter, não poderão permanecer por aqui e irão para planetas menos evoluídos. Vamos reencarnar na Terra enquanto tivermos necessidade e se estivermos em condições para estarmos por aqui, no mesmo nível evolutivo da Terra. - Se estivermos mais evoluídos que a Terra iremos para um mundo mais evoluído. - Se não evoluirmos com a Terra iremos para planetas menos evoluídos. O que está faltando é sabermos aproveitar as condições que estão à nossa disposição. (telefone, internet, meios de transporte, conhecimento , informação) Estamos atrasados em relação à evolução técnico-científica à nossa disposição. Aprimorar os sentimentos de amor. Os Espíritos que não souberem aproveitar essas oportunidades, certamente serão encaminhados para uma escola que não tenha todos esses recursos, como não tínhamos no passado. Aproveitar, utilizar como verdadeiro cristão, com ética, entre irmãos. ÚLivro Ação e Reação – Pág. 13. – Acresce notar que a Terra é vista sob os mais variados ângulos. Para o astrônomo, é um planeta a gravitar em torno do Sol; para o guerreiro é um campo de luta em que a geografia se modifica a ponta de baionetas; para o sociólogo é amplo reduto em que se acomodam raças diversas; mas, para nós, é valiosa arena de serviço espiritual, assim como um filtro em que a alma se purifica, pouco a pouco, no curso dos milênios, acendrando qualidades divinas para a ascensão à glória celeste. Por isso, há que sustentar a luz do amor e do conhecimento, no seio das trevas, como é necessário manter o remédio no foco da enfermidade. 175 – Existe alguma vantagem em voltar a habitar sobre a Terra? Nenhuma vantagem particular, a menos que seja em missão; nesse caso, se progride aí como em outro mundo. 175.a) Não seria melhor permanecer como Espírito? 47
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    Não, não; estacionar-se-iae o que se quer é avançar para Deus. COMENTÁRIOS: Questão: A única vantagem é a de ser útil e contribuir para o avanço dos que aqui permanecem. Servir o próximo. Quando o Espírito vem em um planeta mais inferior em missão, sempre estará evoluindo, além de estar nesse momento se doando ao próximo. Onde quer que estejamos, em qualquer planeta, seja na Terra ou em outro, vamos evoluir. Extraterrestre – ser que vive fora da Terra. Nós somos do Universo. O Espírito habita onde for necessário habitar. Em qualquer uma das Casas do Pai, conforme as necessidades e as condições. Letra A: O progresso para o Espírito depende da matéria, por razões das condições que a matéria impõe. Nós que habitamos o planeta através do corpo físico que nos serve de instrumento para o progresso, temos que trabalhar para sobreviver: alimentar, vestir, morar, se instruir. Só conseguimos manter as nossas necessidades através do trabalho. O trabalho nos promove o crescimento moral e espiritual. Há determinados aprendizado que só conseguimos efetuar no plano material. No plano espiritual continuamos evoluindo em determinados pontos, valores que precisamos agregar ao nosso Espírito, mas há outros que só a vida material nos oportuniza. A necessidade da reencarnação é porque a matéria impõe restrições que não há na condição de Espírito desencarnado. Essas restrições é que vão proporcionar as necessidades que vão nos fazer caminhar para o progresso. As reencarnações são necessárias para o aprendizado do Espírito. Nós vivenciamos aqui algumas reencarnações de expiação. São aqueles erros, débitos constituídos no passado e que denotam alguma ignorância. Vamos passar por algumas dificuldades que vem na forma de sofrimento, de dor para que possamos aprender. Condição de desencarnado – aula teórica Condição de encarnado – aula prática. Testar para ver se tudo o que estudou foi assimilado, mesmo com as limitações e dificuldades que a matéria exerce: 48
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     Limitação dapercepção e da consciência  Tempo e espaço  Sujeição às leis biológicas: fome, dor, cansaço, doenças, morte, etc.  Influência dos instintos e desejos materiais  Dificuldade de comunicação espiritual, etc.  Passando por provas deverá se corrigir e desenvolver virtudes, como: paciência, humildade, compaixão, resiliência, autodomínio, etc. Reencarnações de provas: já aprendi tudo aquilo que errei na minha caminhada, mas agora para demonstrar que realmente aprendi, venho nessa nova reencarnação para provar que de fato aprendi. Então se ficássemos somente na vida de Espírito estacionaríamos. Nós fomos criados para avançar sempre, para sermos luzes. 176 – Os Espíritos depois de terem encarnado em outros mundos, podem encarnar neste sem jamais terem passado por aqui? Sim, como vós em outros mundos. Todos os mundos são solidários; o que não se faz num, pode-se fazer noutro. 176.a) Há homens que estão sobre a Terra pela primeira vez? Há muitos e em diversos graus. 176.b) Pode-se reconhecer, por um sinal qualquer, quando um Espírito está pela primeira vez na Terra? Nenhuma utilidade teria isso. COMENTÁRIOS: Assim como podemos reencarnar em outros mundos, outros Espíritos que nunca estiveram na Terra podem vir aqui reencarnar. Cada orbe (Planeta) gravitando pelo Universo é uma dessas moradas da casa do Pai. É uma escola bendita que promove o crescimento, a evolução e a busca da felicidade para tantos Espíritos que ali estão vivenciando a sua experiência evolutiva. Porém entre a infinita quantidade de orbes pelo Universo e a grande diversidade, a humanidade é uma só. Somos todos filhos do mesmo Criador – Deus, portanto, somos todos irmãos, estando na Terra ou em qualquer outro planeta/satélite (morada) e estamos em crescimento. 49
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    O Espírito éum ser que está em evolução e caminha pelos orbes do Universo por diversos planetas, pois cada planeta oferece condições específicas, condições especiais e necessárias aos Espíritos que habitam ali naquele momento. Não é por acaso que nesse momento nós todos habitamos o planeta Terra. É porque o nosso atual grau evolutivo, de acordo com as nossas necessidades de aprendizado e de resgates de débitos que temos é este planeta que oferece as condições perfeitas para o nosso crescimento. Quando tivermos necessidade de vivenciarmos outras situações, nós iremos vivenciar em outra casa planetária. Todas as moradas da Casa do Pai são escolas abertas para todos nós. Letras A e B: Há tanto em níveis menos avançado, como em níveis bem avançados. Há aqueles que estão aqui em busca de aprendizagem e experiência e aqueles que além desses itens estão em missão. Não há nenhuma vantagem em identificar aqueles que estão passando por aqui pela primeira vez, desde os reptilianos até os pleidianos (Alcione). O fato de estarmos pela primeira vez ou não em um mundo não faz a menor diferença. Estaremos sempre no mundo apropriado à nossa condição evolutiva e qualquer mundo em que estejamos nos oportuniza o progresso. A questão é: Estamos aproveitando a oportunidade que estamos tendo? Os mundos são escolas diferentes, porém, ensinando a mesma lição de amor e movimentando as criaturas para o mesmo conhecimento da verdade. (Miramez) 177 – Para alcançar a perfeição e o bem supremo, objetivo final de todos os homens, o Espírito deve passar por todos os mundos que existem no Universo? Não, pois há muitos mundos que estão no mesmo nível e onde o Espírito não aprenderia nada de novo. 177.a) Como se explica, nesse caso, a pluralidade de suas existências sobre um mesmo globo? Ele pode se encontrar aí cada vez em posições bem diferentes, que são outras tantas ocasiões de adquirir experiência. COMENTÁRIOS: 50
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    Jesus nos ensinou:São muitas as moradas na Casa de meu Pai. (ESE – Cap. III) Não é preciso passar por todos os mundos Cada planeta, cada satélite, cada corpo celeste é uma morada que abriga ali uma parcela da humanidade, irmãos nossos, filhos do mesmo pai. Há moradas de matéria mais rarefeita, de matéria mais grosseira. Enfim cada um oferece uma condição específica para o crescimento, para o aperfeiçoamento daqueles Espíritos que ali vivenciam as suas experiências. Diante dessa infinidade de mundos, da grandiosidade da humanidade, não haja apenas um planeta que ofereça as mesmas condições. Existirá no Universo muitos outros em condições similares à Terra. Se aprendi aqui na Terra o que deveria, não há necessidade de passar por mundos similares à Terra, pois não me acrescentaria nada em relação às experiências. Ex: Escola (Ensino Fundamental – Não precisa frequentar todas as escolas que oferecem o Ensino Fundamental)) O Espírito não precisa viver em todos os mundos do universo, porque muitos deles estão em estágios semelhantes de evolução. Isso mostra que o aprendizado espiritual não depende da quantidade de mundos visitados, mas da qualidade das experiências adquiridas. Ou seja, o progresso está na variedade das provas e missões e não necessariamente na diversidade dos planetas. Por que reencarnar várias vezes no mesmo mundo? Um Espírito vivencia muitas experiências em um só planeta, não tendo necessidade de passar pelos planetas que estão no mesmo nível. Várias são as condições que podemos nos deparar somente aqui. Portanto, é necessário que a gente passe pelo nosso planeta em diversas reencarnações para conseguir vivenciar tudo aquilo que ele nos proporciona de aprendizado, por isso vamos passar por várias situações. Cada encarnação traz uma posição diferente (por exemplo: homem/mulher, rico/pobre, líder/subalterno, doente/saudável, sábio/ignorante etc.). Essas experiências variadas ampliam nossa compreensão da vida e fortalecem virtudes como empatia, humildade, perseverança e amor ao próximo. Existem vários planetas primitivos, vários de provas e expiação, vários de regeneração, etc. A razão nos diz que aquele que atingiu o nível de aprendizado no planeta primitivo, por que teria que passar pelos demais planetas primitivos? Tem que ir para frente. Não importa vagar pelos diversos mundos do Universo. O que importa é aprender, avançar o máximo que puder no mundo em que se encontra. A perfeição se faz pela qualidade do aprendizado. 51
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    Uma coisa épara alcançar a perfeição ter que encarnar/reencarnar passando por todos os mundos – todas as Casas do Pai. A outra é reencarnar várias vezes no mesmo planeta – na mesma Casa do Pai para aprimorar a aprendizagem. A sucessão de reencarnações no mesmo globo é para que o Espírito aproveite o máximo de possibilidades de aprendizagem disponíveis neste globo. Ex: As disciplinas de uma escola. Isso reafirma a justiça e a pedagogia divina: somos levados a vivenciar todos os lados das situações humanas para desenvolver compreensão plena e espírito de justiça. Essa é a essência da lei de causa e efeito aplicada à evolução moral. Ex: A Escola (Ensino Fundamental – 1º ano, 2º ano, 3º ano.... É um ano de cada vez. A gente não aprende tudo e não se aprende tudo de uma vez.) Essas respostas também mostram que o plano divino não é um jogo de acúmulo de encarnações ou um turismo espiritual por diferentes mundos, mas sim uma trajetória inteligente e personalizada. O Espírito progride pela experiência útil, e não pela multiplicidade de cenários. 178 – Os Espíritos podem reviver corporalmente num mundo relativamente inferior àquele em que já viveram? Sim, quando devem cumprir uma missão para ajudar o progresso, e, nesse caso, aceitam com alegria as tribulações dessa existência, visto que lhes fornecem um meio de progredir. 178.a) Isso não pode ocorrer por expiação e Deus não pode enviar os Espíritos rebeldes para mundos inferiores? Os Espíritos podem permanecer estacionários, mas não retrogradam; a sua punição, pois, é a de não avançar e de recomeçar as existências mal- empregadas num meio conveniente à sua natureza. 178.b) Quais são aqueles que devem recomeçar a mesma existência? Os que faliram em suas missões ou em suas provas. COMENTÁRIOS: 52
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    Não há retrocessona criação divina. Isso mostra que o amor e o dever assumido pelos Espíritos mais evoluídos os fazem voluntariamente aceitar encarnar em condições mais difíceis, não para expiar, mas para servir e crescer ainda mais através do sacrifício e do trabalho pelo bem alheio. Os Espíritos até podem reencarnar em um planeta inferior3 para cumprir uma missão, para atender as necessidades dos irmãos que pode ser coletiva ou individual. Ex: Francisco de Assis, Madre Tereza, Bezerra de Menezes, Chico Xavier Há Espíritos que descem ao planeta como missão em busca de entes queridos que ficaram na retaguarda. Ex: Livro Renúncia – Alcione vem em auxílio do seu estimado Pólux. Vem resgatar e impulsionar aquele Espírito amado para as mesmas conquistas que ela já atingira. O planeta Terra em transição seguindo para um planeta regenerador. Como isso ocorre? Ex: Sistema de Capela (Constelação do Cocheiro/Auriga) – Os irmãos que não estavam em condições de acompanhar o avanço do planeta foram banidos de lá, foram exilados para a Terra (que ainda estava no estágio primitivo) e vieram auxiliar no progresso da humanidade aqui. A mesma coisa irá ocorrer nessa fase transitória da Terra. Eles saíram de lá com dois objetivos: - Ao sair de lá, possibilitaram a evolução do planeta. Não tinham condições de permanecer lá. Estavam atrapalhando o avanço do planeta. - Promover a evolução do planeta de destino (Terra), trazendo todos os ensinamentos adquiridos lá, no planeta de origem. Então vieram como missão: Manejar a terra, cultivar produtos, descobrir a roda, fazer construções, desenvolver e investigar as ciências, etc. Mesmo sendo rudes tiveram a missão de dar uma arrancada no processo evolutivo da Terra. E continuou aprendendo. 178. a) Isso reforça o princípio da não-retrogradação da alma: ninguém volta a ser menos do que já é. Mas, quando um Espírito não aproveita bem suas oportunidades, ele permanece nos mesmos patamares, ou reencarna em mundos mais grosseiros (não por regressão, mas porque é o meio compatível com seu atraso moral). 3 - ESE – Capítulo III 53
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    Exemplo didático: Penseem um aluno que repete de ano. Ele não desaprendeu, mas não avançou, então precisa refazer a experiência para consolidar o aprendizado. Adão e Eva – perda do paraíso (simbologia) – primeiras civilizações terrestres. Analisar o planeta Terra hoje. A natureza bela e estável (abalos sísmicos, vulcões, vendavais). Todas as conquistas realizadas, praticamente livre da babárie, todas as invenções e avanços científicos, tecnológicos, sociais e humanitários. A Terra é um Paraíso. Ter que retornar para um planeta primitivo! Seria bem difícil. Mas não é retroagir e sim devido ter estagnado, não avançou como deveria. É uma expiação. 178.b) Isso não significa repetir literalmente a mesma vida, mas sim passar por situações semelhantes (por vezes com os mesmos Espíritos, em contextos parecidos), até aprender as lições necessárias. É um mecanismo de educação da alma. O Espírito recebe novas chances de reparar, aprender e desenvolver virtudes. Alguns Espíritos passam por reencarnações consecutivas em ambientes semelhantes, para aprender lições que rejeitaram anteriormente. Os Espíritos explicam que repetem etapas aqueles que:  Falharam em suas missões (ex.: abandonaram uma tarefa importante).  Não superaram suas provas (ex.: sucumbiram ao orgulho, ao egoísmo, à revolta). Aqueles que não conseguiram passar pelas provas, cumprir suas missões. A missão de ser um bom pai, uma boa mãe, (todas as funções de uma família), um bom profissional, suportar um familiar com problemas, passar por situações difíceis profissionais ou de saúde, enfrentar as adversidades da vida com tolerância, respeito e amor e crescer em todos os sentidos. Isso não é um castigo, mas uma nova oportunidade de acertar. 179 – Os seres que habitam cada mundo alcançaram um mesmo grau de perfeição? Não, é como ocorre sobre a Terra: existem os mais e os menos avançados. COMENTÁRIOS: A diversidade é um instrumento de progresso. 54
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    Nos mundos, inclusiveos mais adiantados, coexistem:  Espíritos mais evoluídos, que já cultivam virtudes como amor, tolerância e sabedoria;  Espíritos em progresso, que estão no esforço de se elevar;  Espíritos ainda imperfeitos, que precisam de mais experiências e aprendizado. As possibilidades de progresso em um mesmo mundo são bem variadas. Ex: A Terra – Há seres em diferentes estágios de adiantamento moral e intelectual. - Há Espíritos mais rudes, ainda com atitudes voltadas para o mal, para a criminalidade; - Há Espíritos que tem buscado promover a sua evolução, uma nova ordem dos sentimentos em seu coração; - Há aqueles que já conseguem fazer boas realizações no campo da evolução moral. Portanto, há Espíritos vivendo nas diversas escala espírita. É assim para que possamos aprender uns com os outros. Aqueles que vão à nossa frente são responsáveis por nos fornecer exemplos de boa conduta, de bons sentimentos, nos auxiliar para a retomada do caminho do qual nos desviamos lá atrás. Nós outros que estamos na retaguarda também podemos contribuir com aqueles que vão na nossa frente: o trabalho que eles têm para nos conduzir que é evolução e aprendizado para eles, pois podem aprender também conosco. O bom mestre é aquele que sempre está apto a aprender. Estamos aqui em diversos graus evolutivos, formando uma só comunidade. Nenhum é melhor que o outro porque está num patamar evolutivo maior que o outro. Essa ideia se aplica claramente ao nosso dia a dia na Terra, como por exemplo, em uma mesma casa, escola, cidade ou centro espírita convivem pessoas com diferentes níveis de consciência, caráter, cultura e sensibilidade moral. Desenvolver o respeito, a compreensão, a empatia, a indulgência, o perdão. A evolução é gradual e coletiva, mas individualizada. Aplicação prática para nossa vida:  Não julgar os outros: Se alguém age com ignorância ou maldade, pode ser um Espírito menos experiente (LE 361). 55
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     Cultivar paciênciae empatia com quem está em outro estágio de consciência.  Ajudar quem está atrás: Quem já tem mais consciência deve servir de exemplo, com bom senso e humildade.  Reconhecer que ninguém é superior por condição social, mas pelo bem que realiza.  Aceitar que, mesmo entre os Espíritas, há graus de compreensão e prática diferentes, e isso faz parte do processo coletivo de crescimento.  Ser paciente com nós mesmos: Estamos todos em processo, e ninguém chega à perfeição de uma só vez. 180 – Passando deste mundo para outro, o Espírito conserva a inteligência que tinha aqui? Sem dúvida, a inteligência não se perde, mas ele pode não dispor dos mesmos meios para manifestá-la, dependendo isso da sua superioridade e das condições do corpo que tomar. (Ver Influência do organismo). COMENTÁRIOS: Tudo aquilo que é conquistado pelo Espírito em termos de aprendizado e experiências, ele leva consigo. Não levamos os bens materiais. Esses são conquistas que ficam por aqui mesmo. Mas todas as conquistas morais e a bagagem intelectual é patrimônio do Espírito para sempre, para se manifestar aqui na Terra ou em qualquer outro orbe. O Espírito conserva todas as aquisições intelectuais, morais e afetivas feitas ao longo de sua trajetória. Muitas vezes, mesmo tendo esse aprendizado, esse patrimônio, essa inteligência, em determinada reencarnação, seja na Terra ou em outro planeta, estará impedido de manifestar essa inteligência, ficando em estado latente. Isso ocorre para benefício do próprio Espírito, para algo que ele tenha que aprender e desenvolver para o seu crescimento moral e espiritual. Ex: Os enfermos mentais que não são Espíritos que estão naquela condição. Se apresentam assim somente nesta reencarnação. Muitas vezes são Espíritos muito inteligentes que habitam aqueles corpos, onde a enfermidade impõe limitações. Quando se libertarem desse corpo, no 56
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    fim dessa reencarnação,estarão usufruindo de todo o seu patrimônio intelectual e moral que já conquistaram. Por que isso acontece? Lembrando que Deus não é vingativo. Existem Leis que Ele criou e se a gente infringe, a gente entra em desequilíbrio com essas leis. Ocorre a desarmonia com as leis. O efeito é natural. O mau uso da inteligência ou das condições que teve em reencarnação anterior. Em muitas situações vêm com essas restrições para aprender a viver com mais humildade, com mais simplicidade, compreendendo a beleza do amor puro. É necessário que cresça a asa do amor e do intelecto para alçar voos mais altos. Jamais devemos julgar, sempre amar. Dessa forma, a manifestação da inteligência depende do corpo que ele utiliza Quando o Espírito reencarna, pode:  reencarnar em um corpo com limitações orgânicas, como no caso de deficiências;  encarnar em mundos menos desenvolvidos, onde os corpos são mais grosseiros, o que dificulta a expressão de suas faculdades superiores;  ou, ao contrário, reencarnar em mundos mais evoluídos, com corpos mais sutis, que facilitam a manifestação do pensamento e da inteligência. O Livro dos Espíritos: Questões 369 a 372 tratam da influência que o organismo exerce sobre as faculdades do Espírito encarnado. Implicações para Nossa Vida: - Não confundir inteligência com sabedoria:  Um grande cientista pode ser moralmente atrasado.  Um analfabeto pode ter profunda sabedoria espiritual. - Valorizar o aprendizado contínuo: Tudo o que aprendemos fica registrado no Espírito e será útil em futuras encarnações. - Compreender as diferenças: Pessoas com deficiências intelectuais não são "menos evoluídas" – podem ser Espíritos em provas ou missões específicas. O verdadeiro progresso é o equilíbrio entre intelecto e moralidade. 181 – Os seres que habitam os diferentes mundos têm corpos semelhantes ao nosso? 57
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    Sem dúvida, elestêm corpos porque é preciso que o Espírito esteja revestido de matéria para poder agir sobre a matéria; mas esse envoltório é mais ou menos material de acordo com o grau de pureza a que chegaram os Espíritos, e é isso que diferencia os mundos que devemos percorrer. Há várias moradas na casa de nosso Pai e muitos graus, portanto. Alguns sabem disso e estão conscientes aqui na Terra; outros nada sabem. COMENTÁRIOS: Todos os Espíritos precisam de um corpo (material ou semimaterial) para interagir com o ambiente onde vivem, mesmo em mundos superiores. Não é sempre constituído com a matéria que conhecemos, como o nosso, mas adequado ao grau de densidade daquele mundo; A densidade desse corpo varia conforme o grau de evolução do mundo e do Espírito, sendo desde o nosso corpo carnal grosseiro, até envoltórios mais sutis e luminosos, nos mundos felizes ou celestes. A Espiritualidade usa o termo “envoltório” — que pode ser entendido como:  o corpo físico, no plano material;  o perispírito, nos planos espirituais, cuja densidade também varia com o progresso moral do Espírito. Lembremos que o Fluido Cósmico Universal é o princípio material. É a matéria primária (original) para a formação de todos os corpos deste planeta que habitamos, dos demais planetas que existem e de toda a matéria existente no Universo. Portanto, seja aqui ou em outro planeta, todos os corpos, toda a matéria tem por base o FCU, mas cada mundo está em um grau evolutivo diferente. 58
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    As necessidades deaprendizado dos Espíritos em evolução são diferentes, de acordo com o mundo em que estão habitando. Em cada mundo o corpo dos seus habitantes tem exatamente o que é necessário para viver naquele mundo para seguir o processo evolutivo. Em uns a matéria é mais rarefeita, em outros é mais densa, em outros é muito grosseiro como por aqui ou até mais. Os nossos ancestrais tinham corpos muito mais grosseiros que os da atualidade. Os seres humanos em diferentes mundos possuem corpos semelhantes, adaptados às condições específicas de cada planeta e ao grau de evolução dos Espíritos. A forma é basicamente humana, pois o Espírito utiliza um modelo organizador comum, ainda que com diferenças de detalhe, como:  densidade da matéria;  proporção dos órgãos;  necessidades físicas;  capacidades sensoriais e mentais. Portanto: Existe uma semelhança estrutural (forma humana), mas com variações segundo o grau evolutivo moral e físico do planeta e do Espírito. Visitas na Lua e em Marte – Os cientistas dizem que não há vida. 59
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    Nossos cinco sentidoscaptam muito pouco da realidade exterior. Se a gente sabe que conseguimos captar muito pouco do que existe no planeta Terra, como podemos garantir não há nada além da nossa percepção? Existe sons que não ouvimos, existem luzes que não enxergamos, obviamente há realidades que não percebemos por que os nossos sentidos não captam. Observações Adicionais:  Perispírito: presente em todos os mundos, mas cada vez mais sutil conforme o Espírito evolui.  A inteligência não se perde ao mudar de mundo (ver q. 180), mas pode encontrar limites de expressão devido ao corpo disponível.  A reencarnação em mundos inferiores pode ser voluntária (por missão) ou educativa, mas nunca punitiva no sentido de regressão espiritual (ver q. 178). 182 – Podemos conhecer com exatidão o estado físico e moral dos diferentes mundos? Nós, os Espíritos, só podemos responder de acordo com o grau de adiantamento em que vos achais; quer dizer que não devemos revelar estas coisas a todos, porque nem todos estão em condições de compreendê-las, e isso os perturbaria. Allan Kardec: À medida que o Espírito se purifica, o corpo que ele reveste se aproxima igualmente da natureza espírita. A matéria é menos densa, não rastejam mais penosamente na superfície do solo, as necessidades físicas são menos grosseiras e os seres vivos não têm mais necessidade de se entredevorarem para se nutrir. O Espírito é mais livre e tem, para as coisas distantes, percepções que nos são desconhecidas; vê pelos olhos do corpo o que vemos apenas pelo pensamento. A purificação dos Espíritos reflete-se na perfeição moral dos seres em que estão encarnados. As paixões animais enfraquecem e o egoísmo cede lugar ao sentimento de fraternidade. É assim que, nos mundos superiores à Terra, as guerras são desconhecidas, os ódios e as discórdias não têm motivo, visto que ninguém se preocupa em causar dano ao seu semelhante. A intuição que seus habitantes têm do futuro, a segurança que lhes dá uma consciência isenta de remorsos, fazem 60
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    com que amorte não lhes cause nenhuma apreensão; recebem-na sem medo como uma simples transformação. A duração da vida nos diferentes mundos parece ser proporcional ao grau de superioridade física e moral desses mundos; e isto é perfeitamente racional. Quanto menos o corpo é material, menos está sujeito às vicissitudes que o desorganizam; quanto mais puro o Espírito, menos paixões para destruí-lo. É esse um auxílio da Providência, que deseja abreviar os sofrimentos. COMENTÁRIOS: As informações que os Espíritos nos traz são de acordo com o nosso estágio evolutivo e com a nossa capacidade de compreender. Assim como Jesus que nos ensinou por parábolas, pois não estávamos preparados para um conhecimento mais profundo de sua doutrina. “Aquele que estiver em condições de ouvir, que ouça. Aquele que puder compreender, que compreenda.” E nós vimos de reencarnação em reencarnação buscando aprender, estudando, renovando para ter uma melhor compreensão daqueles ensinamentos que Jesus nos trouxe por parábolas. Do mundo espiritual chegam apenas as informações necessárias para o nosso aprendizado de agora. A Espiritualidade não vai nos adiantar aquilo que teremos que aprender só lá na frente. Ex: Um engenheiro estudando o seu curso de engenharia. Se lá nos primeiros anos de escolaridade fosse ensinada as fórmulas dos cálculos complexos de engenharia ao invés de alfabetizar, ele não conseguiria assimilar aqueles conhecimentos. Quando os Espíritos dizem que não pode nos revelar tudo, não se trata de mistérios ou de nos negar ensinamentos. É apenas a dosagem didática que neste momento somos capazes de compreender e que não vai atrapalhar a nossa evolução. Com o crescimento vamos aprendendo cada vez mais, as informações vão chegando à medida que amplia a nossa capacidade. A humanidade da Terra ainda é predominantemente:  Materialista;  Apegada a formas exteriores;  Pouco preparada moralmente para lidar com realidades espirituais complexas. Por isso, muitas vezes os Espíritos evitam dar informações absolutas sobre os mundos superiores, para não gerar:  Idolatria do desconhecido; 61
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     Misticismo irresponsável; Sensacionalismo. Entretanto, à medida que crescemos em discernimento, ética e espiritualidade, mais verdades nos serão confiadas — inclusive sobre os mundos habitados, suas leis, e a maravilhosa diversidade de formas de vida no universo. Conhecer o estado físico e moral de cada mundo não vai nos fazer crescer espiritualmente. Nós estamos buscando conhecer o nosso próprio mundo que ainda não conhecemos. Não conhecemos o próximo e nem a nós mesmos. Para que se preocupar com a condição moral do irmão que mora no planeta distante? Essa questão nos ensina humildade, paciência e vigilância. Ela nos convida a buscar o progresso interior, pois quanto mais evoluímos, mais o véu se levanta diante dos nossos olhos. Ou, como disse o próprio Cristo: “Tenho ainda muitas coisas a vos dizer, mas vós não as podeis suportar agora.” (João 16:12) Então vamos tentar buscar em nós mesmos aquilo que pode nos servir para o nosso conhecimento, o conhecimento do próximo para conquistar a nossa evolução Comentário de Kardec: 1. Corpo e Matéria: A Purificação Progressiva "À medida que o Espírito se purifica, o corpo que ele reveste se aproxima igualmente da natureza espírita. A matéria é menos densa... as necessidades físicas são menos grosseiras."  Nos mundos inferiores (como a Terra): o O corpo físico é denso, sujeito a doenças, envelhecimento e necessidades primitivas (fome, violência). o Exemplo: Ainda nos alimentamos de carne (predação), sofremos com guerras e egoísmo.  Nos mundos superiores: o O corpo é mais sutil, sem doenças graves, e as necessidades são reduzidas (como descreve André Luiz em Nosso Lar). o Analogia: Comparável à diferença entre um corpo humano e o perispírito de um Espírito elevado. 62
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    2. Percepções Ampliadase Vida nos Mundos Superiores O Espírito é mais livre e tem, para as coisas distantes, percepções que nos são desconhecidas... vê pelos olhos do corpo o que vemos apenas pelo pensamento.  Na Terra: Nossa visão é limitada pelo cérebro físico; intuição e mediunidade são faculdades latentes.  Em mundos elevados: o Os seres têm visão espiritual ativa (como a clarividência descrita em Missionários da Luz). o A comunicação é telepática, e a tecnologia é harmonizada com as leis morais (sem poluição, guerras, etc.). Relação com a ciência:  A física quântica já sugere que a matéria é energia condensada – o que corrobora a ideia de corpos menos densos em mundos avançados. 3. Moralidade, Paz e Longevidade Nos mundos superiores à Terra, as guerras são desconhecidas... A duração da vida é proporcional ao grau de superioridade física e moral.  Mundos primitivos: Vida curta, violenta (como a Terra na Idade Média).  Mundos elevados: o Vida longa: Corpos menos sujeitos a doenças (LE 172). o Sem guerras: O egoísmo é substituído pela fraternidade (LE 785). o Morte sem medo: Sabem que é apenas uma transição (LE 155). 4. Implicações para a Humanidade Atual A Terra está em transição:  Estamos caminhando para ser um mundo de regeneração (menos denso), mas ainda há egoísmo e violência.  Pessoas mais elevadas têm menos apego a vícios e necessidades grosseiras. Quem vive com retidão moral não teme a morte – como nos mundos superiores. 63
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    183 – Passandode um mundo a outro, o Espírito passa por uma nova infância? A infância é, em toda parte, uma transição necessária, porém, não é em toda parte assim precária como entre vós. COMENTÁRIOS: A infância é uma etapa necessária em todas as reencarnações, existente em todos os mundos, mas sua duração e características variam conforme o grau de evolução do planeta. Por que passar pela infância?  Necessidade de adaptação: O Espírito recém-encarnado precisa: o Ajustar-se ao novo corpo (físico ou perispiritual). o Reaprender as leis do mundo onde está.  Proteção espiritual: A infância é um período de amparo (pelos pais e Espíritos protetores) antes das provas da vida adulta. – Fase educativa para o Espírito: adaptação, aprendizado e desenvolvimento moral e intelectual. Na Terra, por sermos ainda um mundo de provas e expiações, a infância é marcada por grande fragilidade, dependência e limitações fisiológicas e psíquicas. Já em mundos mais adiantados, essa fase é menos “precária”, ou seja, menos limitada, mais consciente, mais rápida e menos vulnerável. A inteligência, a moralidade e o domínio do espírito sobre o corpo fluídico são mais elevados, mesmo durante a infância. A infância, nesses casos, não serve mais como esquecimento completo, mas como adaptação fluídica e reorganização das percepções. Em mundos mais primitivos a infância deverá ser mais longa e mais frágil que a nossa. Quanto mais atrasado o planeta, mais demorada a infância para proteção do Espírito. Relação com nossa realidade: A infância na Terra continua sendo uma etapa de extrema importância moral, psicológica e espiritual, apesar de ser difícil:  Infância longa – Sendo um mundo de expiação, o corpo denso e as paixões exigem um longo aprendizado, com muitos anos de 64
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    dependência: coordenação, andar,falar, se alimentar, se cuidar, ter autonomia e responsabilidade.  As crianças são frágeis e vulneráveis a doenças, acidentes – Precisa de constante acompanhamento.  Necessidade de educação rigorosa: orientação, implantação dos valores. Nessa fase estamos mais propensos a receber a orientação daqueles que nos receberam como pais, porque nessa fase ainda estamos maleáveis por não termos o domínio completo da nossa personalidade. É quando os Espíritos reencarnados, mesmo os mais endurecidos, estão mais abertos à renovação. A infância permite:  A atuação mais intensa dos pais e educadores, já que o Espírito está mais flexível;  A influência dos mentores espirituais, que ajudam na reorganização das ideias e sentimentos;  A oportunidade de semear valores espirituais, aproveitando o estado de receptividade do Espírito. Esse é o momento para que os pais procurem reeducar e redirecionar seus filhos.  A prática do exercício do amor verdadeiro (desinteressado), tanto por parte do reencarnante, quanto dos pais. Devemos respeitar a infância como fase sagrada de reajuste espiritual. Essa precária infância que conhecemos é uma bênção, mas também um reflexo do nosso estágio evolutivo. Em mundos mais elevados, a infância é mais serena, e as crianças são desde cedo conscientes de suas responsabilidades, irradiando paz, equilíbrio e inteligência. Aqui no nosso planeta não é raro as pessoas comentarem acerca da maturidade das crianças de hoje. O mundo começa a reclamar mais cedo deles as responsabilidades, as tarefas para que possa ir construindo as possibilidades profissionais para sua vida adulta. Há muitas situações que o comportamento infantil se prolonga muito além da faixa cronológica infantil. A maturidade demora chegar. 184 – O Espírito pode escolher o novo mundo que vai habitar? Nem sempre, mas pode pedir e, se tiver méritos, pode ser atendido; pois os mundos são acessíveis aos Espíritos de acordo com o seu grau de elevação. 65
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    184.a) Se oEspírito nada pede, o que determina o mundo em que deve se reencarnar? O grau de sua elevação. COMENTÁRIOS: Essa questão aborda diretamente como se dá a migração espiritual interplanetária. Se é o Espírito que escolhe, se é imposto ou orientado. A resposta revela um princípio de justiça e progresso:  O mérito espiritual do Espírito é a chave de acesso a mundos mais adiantados.  Ele pode pedir a mudança de ambiente evolutivo, ou seja, desejar habitar um planeta mais moralizado ou mais propício ao seu progresso.  Contudo, não é o desejo que determina, e sim o grau de elevação real conquistado por esforço próprio.  Os mundos não são escolhidos ao acaso, mas ocupados conforme a vibração e o progresso do Espírito. É uma transição natural e justa.  Se o Espírito não pede reencarnação em determinado mundo, a Lei Natural — por meio dos Espíritos superiores que coordenam as encarnações — o direciona de acordo com suas necessidades, aptidões e conquistas morais. Não se leva em conta apenas as condições materiais do mundo, mas também as condições da humanidade que nele está encarnada e as questões particulares, onde estão os Espíritos familiares. Nós fazemos parte de uma família espiritual que caminha mais ou menos juntos. E também tem os credores. Temos os débitos a pagar. Nós sempre renasceremos no melhor lugar que ofereça as condições para as nossas necessidades do momento. Neste momento de transição de mundo de provas e expiações para mundo de regeneração, o critério para continuar aqui ou ser conduzido a mundos inferiores (exílio) ou superiores (ascensão) será:  O grau de amor ao próximo,  O domínio das más inclinações,  A disposição sincera para o bem coletivo. 66
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    Assim, tanto oexílio de Espíritos endurecidos quanto a vinda de Espíritos mais evoluídos para ajudar a regeneração da Terra são realidades alinhadas com a resposta desta questão A gente geralmente sonha em ir para um lugar melhor, mas o Espírito evoluído procura ir para os lugares onde há mais sofrimento e ele pode ser mais útil. - Aquela estrela brilha mais, mas essa ofuscada precisa mais de mim. Eu preciso estar aqui. “Cada mundo é uma escola. O aluno é promovido não por desejo, mas por esforço, mérito e aprendizado.” MARIA DE NAZARÉ MANDA MENSAGEM À BEZERRA DE MENEZES No dia 11 de abril de 1950, ocorreu no plano espiritual uma reunião para homenagear os 50 anos de desenlace do Dr. Bezerra de Menezes. Chico Xavier foi um dos convidados. Bezerra achava-se naquele ambiente de luz e emoção, sinceridade e gratidão e vivendo com grande emoção aqueles momentos em que recordava dos 69 anos vividos na Terra como o Médico dos Pobres, o Irmão dos sofredores, o Discípulo humilde e sincero de Jesus e o Kardec Brasileiro. De repente, sob a surpresa dos que compunham a grande assembleia, de mais Alto, uma Estrela luminescente dá presença. Era Celina, a enviada da Virgem Santíssima, que chega e lê a sua mensagem, promovendo Bezerra a uma Tarefa Maior e numa Esfera mais Alta. O Evangelizador Espírita chora emocionadíssimo e ajoelha-se agradecendo entre lágrimas, à Mãe das Mães a graça recebida, suplicando-lhe, por intermédio de sua enviada sublime, para ficar no seu humilde Posto, junto à Terra, a fim de continuar atendendo aos pedidos de seus irmãos terrestres que tantas provas lhe dão de estima e gratidão. O espírito luminoso de Celina sobe às esferas elevadas donde veio e se dirige aos pés da Mãe Celestial, submetendo à sua apreciação o pedido de seu servo agradecido. Daí a instantes, volta e traz a resposta de Nossa Senhora: - Que sim, que Bezerra ficasse no seu Posto o tempo que quisesse e sempre sob suas bênçãos! E da Terra e do Além partem vozes em Prece! Em 29 de agosto de 1831 nascia Adolfo Bezerra de Menezes, o médico dos pobres, o apóstolo da caridade, o Kardec brasileiro. 67
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    185 – Ascondições físicas e morais dos seres vivos, em cada globo, são sempre as mesmas, perpetuamente? Não; os mundos também são submetidos à lei do progresso. Todos começaram como o vosso, por um estado inferior, e a própria Terra suportará uma transformação semelhante. Tornar-se-á um paraíso terrestre, quando os homens se tornarem bons. Allan Kardec: É assim que as raças que povoam hoje a Terra desaparecerão um dia e serão substituídas por seres cada vez mais perfeitos; essas raças transformadas sucederão às atuais, como estas sucederam a outras mais atrasadas. COMENTÁRIOS: Na criação divina o progresso é constante, não para e está presente em todos os mundos e em todos os locais da natureza. Os mundos não são estáticos — eles evoluem em conjunto com os Espíritos que os habitam. Assim como o Espírito progride em inteligência e moralidade, o planeta também se transforma, tornando-se um ambiente mais sutil, harmônico e ajustado às novas necessidades da coletividade. Ao verificarmos a pré-história do nosso planeta veremos que toda a natureza evolui em conjunto: a estabilidade geológica e climática, as mudanças nos reinos vegetal e animal, o aperfeiçoamento humano e continua evoluindo, continua modificando. Nossos corpos hoje são muito mais belos e mais leves que os corpos dos nossos ancestrais pré-históricos. Se o trabalhador melhora suas condições, tem que se melhorar as condições das suas ferramentas de trabalho para que o seu trabalho seja melhor com resultados mais perfeitos. Na nossa ótica esse progresso parece ser muito lento, porém na ótica espiritual tudo caminha no ritmo que tem que ser, conforme o tempo estabelecido por Deus e Jesus está no leme. Essas etapas evolutivas ocorrem em todos os orbes do Universo. O ser em evolução é o Espírito imortal. O corpo físico, a natureza, a matéria são ferramentas da lei divina para nos proporcionar o progresso. 68
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    A Terra estámudando. Estamos atualmente vivendo os primeiros passos dessa transformação. Isso se reflete:  Turbulência social, psicológica e de valores (uma bagunça)  Alterações na parte física da Terra: mudanças climáticas, no eixo e no núcleo da Terra, nos campos magnéticos, intensificação do tectonismo (terremoto, maremoto e vulcanismo), tsunami, fenômenos meteorológicos.  Na consequência da alteração vibracional do planeta: dor de cabeça, mal estar, tempo corrido (o dia está curto)  No aumento de crises morais, sociais e ambientais, como dores de parto de uma Terra melhor;  Na intensificação do bem e do mal, como um período de depuração;  Na desconstrução de estruturas injustas e mais busca por sustentabilidade e paz;  No surgimento de novas gerações mais sensíveis, intuitivas e pacíficas (as chamadas "crianças índigo", "cristal", ou “Espíritos missionários”); Por isso, a luta por um mundo mais justo, fraterno e consciente é, na verdade, o motor da transição espiritual da Terra. Não é um evento mágico, mas fruto do nosso esforço moral coletivo. Quando todos nós seres humanos deixarmos Jesus conduzir os nossos corações teremos um mundo bem melhor para viver e conviver. O mundo se transforma com os homens. Quanto mais luz houver em nós, mais luz se acenderá na Terra. 186 – Há mundos onde o Espírito, cessando de habitar corpos materiais, só tenha por envoltório o perispírito? Sim, e esse próprio envoltório torna-se tão etéreo que, para vós, como se não existisse; é o estado dos Espíritos puros. 186.a) Resulta daí, ao que parece, que não há uma demarcação definida entre o estado das últimas encarnações e aquele dos Espíritos puros? Essa demarcação não existe; a diferença, que se desfaz pouco a pouco, torna-se imperceptível, como a noite que se desfaz aos primeiros clarões do dia. COMENTÁRIOS: 69
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    Os Espíritos revelamaqui que existe uma gradação contínua, sem rupturas abruptas, entre o estado dos que ainda reencarnam e os que atingiram a condição de Espíritos puros. A natureza não dá saltos. Da mesma forma, a natureza humana, a dos Espíritos também não dá saltos. A evolução do ser ocorre passo a passo, sempre numa caminhada ininterrupta. Tudo na natureza se encadeia em um processo contínuo, lento, gradual, crescente. Ex: Momento exato entre a madrugada e o alvorecer do dia. Último dia da infância e o primeiro dia da adolescência. Nos mundos muito elevados não existem corpos físicos densos como os nossos. O corpo físico já é quase translúcido, com poucas necessidades materiais. Mesmo o perispírito (corpo espiritual que envolve o Espírito) torna-se extremamente sutil, quase imperceptível para os nossos padrões. O perispírito se funde com a luz espiritual, mantendo apenas um véu sutil para interagir com outros planos. A matéria é tão etérea numa forma tão sutil sendo imperceptível, que do nosso ponto de vista não existiria matéria. Como ainda estamos muito presos à matéria, ao sofrimento e às paixões, temos dificuldade até de imaginar essa condição. Mas a evolução é lei — e todos, sem exceção, a ela estamos submetidos. O que nos cabe é:  Cultivar virtudes (humildade, compaixão, perdão);  Purificar desejos e pensamentos;  Servir ao próximo;  Buscar compreender e viver a Lei de Amor. Cada passo nessa direção torna nosso perispírito mais leve e nossa existência mais espiritualizada — e nos aproxima dos mundos felizes e dos Espíritos puros. Há mundos elevados em que os Espíritos ali estagiados se encontram com corpos fluídicos, pelo aperfeiçoamento da matéria. Tudo neles acompanhou o progresso do Espírito, e a beleza é o penhor da natureza, oferecendo um visual encantador aos moradores; todavia, é bom que se compreenda que o Espírito ignorante não se sentiria bem nessa estância de luz, devido ao seu modo de vida ser outro, sem condições de mudanças apressadas. Todos têm seu habitat: o animal, o homem, e qualquer troca sem preparo provocará desastres de difícil reparo. Sabemos que o progresso não dá saltos, entretanto, ele não para; a sua marcha é permanente em todos os sentidos, porque é vontade do Soberano Arquiteto do Universo. (Miramez) 70
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    187 – Asubstância do perispírito é a mesma em todos os mundos? Não; ela é mais ou menos etérea. Passando de um mundo para outro o Espírito se reveste da matéria própria de cada um, com mais rapidez que um relâmpago. COMENTÁRIOS: O perispírito é formado da substância do mundo em que o Espírito se encontra. Cada orbe tem a sua estrutura material compatível com o nível do Espírito que habita aquele mundo. Cada Espírito também tem a sua evolução, formada pela evolução do Espírito e pela natureza da matéria do mundo no qual ele habita. Cada períspirito é diferente um do outro porque cada Espírito está em um processo de grau evolutivo e cada um vai absorver os elementos necessários para a constituição do períspirito que passando de um mundo a outro será todo moldado. Cada um tem a sua história, a sua realidade espiritual para agregar valores ao seu períspirito. Em mundos mais evoluídos, essa matéria é mais sutil e etérea. A adaptação do perispírito à nova realidade ocorre de forma instantânea, pois se dá por sintonia vibratória. Portanto, o perispírito não é um corpo rígido, mas um envoltório fluídico mutável, sensível às leis da vibração e da afinidade espiritual. Quando o Espírito reencarna ou visita outras regiões, seu perispírito se adapta às condições magnéticas locais, ajustando-se automaticamente à densidade ou leveza do meio. Podemos imaginar o perispírito como uma roupa de energia que o Espírito veste conforme o clima do lugar onde vai:  Se desce a um plano inferior, veste-se com fluidos mais densos.  Se sobe a um plano superior, sua vestimenta se torna mais clara, leve e radiante, como o próprio ser que a anima. Na Terra, nosso perispírito é constituído de fluido vital e dos elementos sutis da atmosfera terrestre, por isso reflete o peso, os desejos, os vícios ou as virtudes do Espírito. Em mundos superiores, o perispírito é quase uma aura luminosa, obedecendo instantaneamente à vontade do Espírito. Essa compreensão nos ajuda a perceber que: 71
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     Ao evoluirmosmoralmente, purificamos nosso perispírito, mesmo enquanto encarnados;  Os sentimentos, pensamentos e intenções moldam a matéria sutil que nos envolve;  O progresso espiritual nos permitirá um dia habitar mundos mais felizes, onde nosso perispírito será leve e radiante. 188 – Os Espíritos puros habitam mundos especiais ou estão no espaço universal sem estarem mais ligados a um mundo que a outro? Os Espíritos puros habitam certos mundos, mas não estão confinados neles como os homens sobre a Terra; eles podem, melhor que os outros, estar por toda a parte. (1) (1) - Segundo os Espíritos, de todos os globos que compõem o nosso sistema planetário, a Terra é um daqueles onde os Espíritos são os menos avançados, física e moralmente. Marte seria ainda inferior e Júpiter, o mais superior em relação a todos. O Sol não seria um mundo habitado por seres corporais, mas um local de reunião dos Espíritos superiores que, de lá, irradiam seus pensamentos para outros mundos, que dirigem por intermédio dos Espíritos menos elevados, transmitindo-os a estes, por intermédio do fluido universal. Como constituição física, o Sol seria um foco de eletricidade. Todos os sóis parecem estar numa posição idêntica. O volume e a distância que estão do Sol não têm nenhuma relação necessária com o grau de adiantamento dos mundos, pois parece que Vênus é mais adiantado que a Terra, e Saturno menos adiantado que Júpiter. Vários Espíritos que animaram pessoas conhecidas sobre a Terra, disseram estar encarnados em Júpiter, um dos mundos mais próximos da perfeição, e ficaram admirados de ver, nesse globo tão adiantado, homens que, na opinião do nosso mundo, não eram tão elevados. Isso não deve causar admiração, se considerarmos que certos Espíritos que habitam aquele planeta podiam ter sido enviados à Terra para cumprir uma missão, que, aos nossos olhos, não os colocava em primeiro plano; em segundo lugar que, entre a existência que viveram na Terra e a que vivem em Júpiter, devem ter tido outras intermediárias, nas quais se melhoraram; em terceiro lugar, que nesse mundo, como no nosso, existem diferentes graus de adiantamento e que, entre esses graus, pode haver a mesma distância que separa, entre nós, o selvagem do homem civilizado. Assim, do fato de habitarem Júpiter não se segue que estão ao nível dos seres mais avançados, da mesma forma que não se está ao mesmo nível de um sábio do Instituto, só porque se habita em Paris. As condições de longevidade não são, também, em toda parte as mesmas de sobre a Terra e a idade não se pode comparar. Uma pessoa desencarnada havia alguns anos, sendo evocada, disse estar encarnada há seis meses num mundo cujo nome nos é desconhecido. Interrogada sobre a idade que tinha esse mundo, respondeu: “Não posso avaliá-la porque não contamos o tempo como vós; depois, o nosso modo de vida não é o mesmo, desenvolvemo-nos com muito maior rapidez; embora não faça mais que seis dos 72
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    vossos meses quelá estou, quanto à inteligência, posso dizer que tenho trinta anos da idade que tive sobre a Terra.” Muitas respostas análogas nos foram dadas por outros Espíritos e isso nada tem de inacreditável. Não vemos sobre a Terra um grande número de animais adquirir, em poucos meses, o seu desenvolvimento normal? Por que não poderia ocorrer a mesma coisa com o homem de outras esferas? Notemos, por outro lado, que o desenvolvimento alcançado pelo homem na Terra, na idade de trinta anos, pode ser uma espécie de infância comparado àquele que deve alcançar. Bem curto de vista se revela quem nos toma em tudo por protótipos da Criação, e é rebaixar a Divindade acreditar-se que, fora o homem, nada mais seja possível a Deus. COMENTÁRIOS: Espíritos puros: São os seres que alcançaram a plenitude moral e intelectual, não necessitando mais da reencarnação. Estão na última etapa da escala espírita. (Q.625 e 879) Eles habitam mundos altamente adiantados, mas não estão restritos a um local específico. Não estão confinados a um espaço físico. Sua liberdade é tal que pode se deslocar pelo Universo inteiro, sem barreiras de tempo ou espaço, com a velocidade do pensamento. O próprio pensamento dele se projeta para vários locais ao mesmo tempo. A irradiação da sua vontade que faz com que ele se apresente em vários lugares ao mesmo tempo. (Ubiquidade) Espíritos puros como Cristo podem acompanhar e guiar mundos inteiros, permanecendo onde quiserem, segundo os desígnios divinos. Os Espíritos puros têm responsabilidades que o Pai atribui de acordo com a sua capacidade lhe exigindo necessidades de deslocamento dos mais diversos, sempre a serviço do Pai.  A liberdade dos Espíritos cresce com a elevação moral.  Os laços com a matéria se rompem pouco a pouco, até que o Espírito possa viver em plenitude no espaço universal.  Embora habitem mundos elevados, esses Espíritos atuam onde forem necessários — ajudando, iluminando, inspirando os demais seres, inclusive a nós, aqui na Terra. Por Que Têm Mundos Especiais se Podem Estar em Todo Lugar?  Centros de Harmonia: Esses mundos são pontos de reunião e planejamento cósmico (ex.: onde mentores se encontram para coordenar missões).  Necessidade de Referência: Até os Espíritos mais elevados precisam de um "lar" simbólico – uma base de operações no Infinito. 73
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    Os Espíritos purossão trabalhadores divinos da Criação, livres das limitações que hoje conhecemos. Habitam mundos sublimes, mas sua verdadeira morada é o amor universal e a harmonia com Deus. Um dia, todos teremos essa liberdade – mas, por enquanto, nosso dever é evoluir onde estamos. Portanto, quanto mais nos purificamos, mais livres nos tornamos, não só da matéria, mas também dos sofrimentos, dos limites, da ignorância e dos apegos. Quanto mais evoluído ficarmos, mais trabalho teremos. A gente evolui para servir. A condição de Espírito livre é conquistada pela alma em suas variadas reencarnações, nos diversos mundos. A idade da alma é a soma das suas experiências. A liberdade do Espírito lhe vem pelo conhecimento da verdade. Já é do nosso conhecimento de que Deus criou a alma simples e ignorante, no entanto, toda criação tem na sua estrutura todas as qualidades espirituais do seu Criador, na feição de filhos do Seu coração, sem, com isso, poder Ele se igualar. Os Espíritos livres sentem a felicidade onde se encontram, e trabalham em benefício da ordem e do progresso onde quer que seja. Eles estão completamente libertos das mazelas humanas; já se esqueceram do ódio, não se lembram mais da inveja, do ciúme, enfim, da decadência moral. Compreendem e aceitam todas as regras estabelecidas pela natureza e vivem dentro da alegria. A sua pureza lhes mostra a verdadeira paz. (Miramez) Comentário da descrição dos mundos: Nível evolutivo da Terra no sistema solar o A Terra está entre os mundos menos avançados, tanto física quanto moralmente. o Marte seria ainda inferior à Terra. o Júpiter é descrito como um dos mundos mais evoluídos do sistema solar. O papel do Sol o O Sol não é habitado por seres corporais, mas serve como centro de reunião de Espíritos superiores. o Esses Espíritos irradiam pensamentos para outros mundos, guiando-os através de Espíritos menos elevados, usando o fluido universal como meio de transmissão. o O Sol é descrito fisicamente como um foco de eletricidade, e outros sóis teriam função semelhante. Adiantamento dos mundos não depende de tamanho ou posição o O grau de evolução dos mundos não está ligado ao seu volume ou distância do Sol. 74
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    o Por exemplo,Vênus pode ser mais adiantado que a Terra, enquanto Saturno pode ser menos adiantado que Júpiter. Espíritos conhecidos reencarnados em mundos superiores o Alguns Espíritos que viveram na Terra disseram estar agora em Júpiter. o A surpresa de encontrá-los lá (mesmo não sendo pessoas notáveis na Terra) se explica por:  Missões humildes realizadas aqui;  Evolução ocorrida entre suas encarnações na Terra e em Júpiter;  A existência de diferentes níveis evolutivos também em Júpiter, como ocorre na Terra. Desenvolvimento e tempo em outros mundos o A noção de tempo e envelhecimento varia entre os mundos. o Exemplo: um Espírito desencarnado há poucos anos diz estar encarnado há 6 meses em um mundo desconhecido, mas que já possui o equivalente a 30 anos de desenvolvimento mental terrestre. o Isso se explica porque o progresso nesses mundos é mais rápido, tanto física quanto intelectualmente. o Essa ideia não é absurda: na Terra, animais se desenvolvem rapidamente, então o mesmo pode ocorrer com humanos em outros orbes. “Todas essas distantes pátrias, que os vossos telescópios focalizam, dentro da noite imensa, não poderiam estar vazios e abandonados. Não se compreende uma cidade edificada, rica de monumentos e obras, sem habitantes e sem vida. Os planetas, que rolam no infinito, constituem a família universal, por excelência. Cada um deles comporta uma humanidade, irmã de todas as outras que vibram na imensidade. É toda vaidade do homem terreno afirmar-se a única criatura pensante do Universo, mesmo porque a Terra é um dos planos mais obscuros e mais repletos de amargura para quantos já experimentaram algo das felicidades imorredouras, que a evolução do sentimento e do raciocínio pode facultar. Para as almas acendradas no amor, a Terra é bem o recanto do exílio e das sombras. (...) deveis arquivar no coração o tesouro divino da esperança. Se na atualidade as dores vos assediam, sabeis que a vida não se circunscreve no âmbito mesquinho do orbe terráqueo.” (O Planeta Marte - Cartas de uma morta – Maria João de Deus) 75
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    Achar que ohomem terrestre é o modelo supremo da criação é um erro de visão espiritual e um rebaixamento da grandeza de Deus. O Universo é vasto, com inúmeras formas de vida e condições evolutivas, que não podem ser compreendidas apenas pelos parâmetros da Terra. Para nós, que estamos na Terra, é difícil imaginar uma vida corporal sem dor, sem conflito, sem egoísmo, mas isso só mostra o quanto ainda confundimos progresso com sofrimento. Nos mundos felizes, a vida corporal existe, mas se torna um meio sublime de manifestação espiritual. Diálogo entre Allan Kardec e o Espírito Bernard Palissy publicado na Revista Espírita de março de 1858, no artigo “Conversas Familiares de Além-Túmulo – Descrição de Júpiter”. O diálogo trata da vida espiritual e das condições dos habitantes do planeta Júpiter, onde Palissy afirma habitar atualmente. I. Situação pós-desencarne de Bernard Palissy  Permaneceu algum tempo na Terra após a morte, reencarnando com a missão de viver como uma mulher amorosa e devotada.  Essa reencarnação foi missionária e durou 30 anos.  Não valoriza suas obras materiais na Terra, mas sim os sofrimentos que o elevaram espiritualmente. II. Motivo da descrição de Júpiter  Transmitiu desenhos de Júpiter por meio do médium Victorien Sardou.  O objetivo foi dar testemunho visual da beleza e harmonia desse mundo mais evoluído. III. Condições físicas dos habitantes de Júpiter Aparência física:  Semelhança básica com os humanos da Terra, mas mais altos e bem proporcionados.  O corpo reflete a elevação moral do Espírito, funcionando como “um véu sobre uma estátua”. Estrutura corporal:  Corpos podem ser opacos, translúcidos ou diáfanos, conforme a natureza e missão do Espírito.  O corpo não oculta o Espírito; há transparência moral e visual entre os seres. Matéria corporal:  É menos condensada do que a da Terra, mas ainda compacta e impenetrável.  Possuem levitação: podem se deslocar sem se prender ao solo. 76
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    Sexualidade:  Há sexosem todos os mundos onde há matéria – é uma lei da matéria. IV. Alimentação e vida física  Alimentação exclusivamente vegetal; o homem é protetor dos animais.  Parte da nutrição se dá por absorção de emanações do meio ambiente.  Não há doenças terrestres.  A vida alterna entre ação e repouso, não exatamente como vigília e sono. V. Tempo de vida e infância  A vida em Júpiter dura, em média, cerca de cinco séculos (tempo terrestre).  A infância não limita a inteligência e a velhice não extingue as faculdades mentais.  Não há degeneração física ou intelectual como na Terra. VI. Intelecto, comunicação e percepção  Comunicação se dá por transmissão de pensamento, sem linguagem articulada.  A segunda vista (vidência) é normal e constante.  Conhecimento do futuro: acessível conforme o grau de perfeição moral e espiritual. o Útil para cumprimento de missões, mas não absoluto como o de Deus. VII. Ocupações e cultura  Principal ocupação dos habitantes é ajudar Espíritos encarnados em mundos inferiores, inspirando-os ao bem.  Não há infortúnios a aliviar em Júpiter, por isso trabalham pela regeneração alheia.  As artes terrestres são consideradas brincadeiras frente à elevação espiritual local. VIII. Emoções e morte  Não sentem tédio nem desgosto pela vida; isso nasce do desprezo de si mesmo, algo ausente entre eles.  A morte não causa temor, pois não há mal a temer nem julgamento punitivo.  Após a morte, os Espíritos continuam a evoluir sem provas penosas, guiados pelo amor ao bem. IX. Missões espirituais e falhas 77
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     Espíritos podemvoltar a mundos inferiores por missão, mas isso não é mais prova nem castigo.  Missões são movidas pelo amor ao bem, não por necessidade de expiação.  Não falham em suas missões, pois já são bons e não têm fraquezas. X. Espíritos ilustres habitantes de Júpiter  São Luís é citado como um Espírito que vive em Júpiter.  Outros Espíritos também habitam Júpiter, inclusive aqueles com missões discretas, destinadas ao bem de apenas uma pessoa, mas que podem ser mais dolorosas e nobres do que missões públicas. XI. Os Animais em Júpiter Natureza e Condição:  Corpo mais material que o do homem, que é considerado o “rei” e guia.  Não há animais carnívoros nem predadores; os animais vivem em harmonia e se amam mutuamente. Relação com os homens:  Todos os animais são úteis ao homem — mesmo os insetos, peixes e aves.  Servem ao homem em tarefas materiais, como construções e afazeres — não como escravos, mas por submissão voluntária. Vínculos e convivência:  Cada animal liga-se a uma família, mas podem ser substituídos conforme a necessidade ou afinidade.  Não há remuneração; os animais agem espontaneamente, desenvolvendo suas próprias faculdades. Comunicação:  Possuem linguagem mais precisa e desenvolvida que os animais terrestres. XII. Estado Moral dos Habitantes de Júpiter Organização social:  Vivem reunidos em cidades, pois os que se amam se agrupam.  Não há solidão imposta como punição; só as paixões provocam o isolamento. Grau dos Espíritos:  Todos os Espíritos são bons e superiores, embora com graus diferentes de sabedoria e experiência.  Não há mistura entre bem e mal: o bem pode visitar o mal, mas o mal não se mistura ao bem. Povos e guerras:  Existem povos diversos, mas unidos pelos laços do amor.  Guerras são inexistentes. 78
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     Na Terra,a guerra desaparecerá com o fim do egoísmo e o avanço da fraternidade. Governança:  Existem chefes cuja autoridade se baseia na superioridade moral e intelectual.  As desigualdades sociais existem, mas são baseadas no grau de perfeição e sabedoria, semelhantes à relação entre pai e filho. XIII. Propriedade, riqueza e justiça social Justiça e Leis:  Há leis, mas não existem leis penais, pois não há crimes.  As leis são naturais e divinas. Riqueza:  Não há miséria nem supérfluos.  Cada um possui o necessário de acordo com sua condição; ninguém passa necessidade.  A inveja e o ciúme são as verdadeiras fontes da infelicidade, e estão ausentes em Júpiter. Desigualdades:  Existem, mas com base no nível evolutivo espiritual e intelectual.  Os mais elevados orientam os menos experientes, com amor e sabedoria. XIV. Educação e Evolução  A educação desenvolve as faculdades humanas.  Um Espírito pode atingir, na Terra, perfeição suficiente para reencarnar diretamente em Júpiter.  Entretanto, mesmo esses Espíritos passam um tempo como errantes, até se libertarem das imperfeições da Terra. XV. Religião e Espiritualidade  Não existem religiões diferentes.  Todos adoram um único Deus e praticam o bem.  Templo é o coração do homem; o culto é o bem que se faz. Considerações finais A descrição feita por Bernard Palissy sobre Júpiter é um retrato de um mundo ditoso, onde:  Há superioridade moral e intelectual.  A convivência se baseia no amor, na cooperação e na elevação espiritual.  Os valores são espirituais, e a matéria já não representa obstáculos à fraternidade. 79
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    Quadro comparativo detalhadoentre a Terra e Júpiter, com base na descrição do Espírito Bernard Palissy, Revista Espírita de março e abril de 1858, sob a orientação de Allan Kardec. Aspecto Terra (Mundo de Provas e Expiações) Júpiter (Mundo Feliz / Ditoso) Finalidade da encarnação Provas, expiações, aprendizado com sofrimento Missões, progresso consciente, serviço voluntário ao bem Motivação para reencarnar Necessidade de aprender, corrigir erros Amor ao bem, desejo de servir e auxiliar os inferiores Corpo físico Denso, opaco, grosseiro, sujeito à dor e doença Leve, sutil, translúcido ou diáfano; sem doenças ou dores Infância e velhice Infância limita a razão; velhice desgasta e enfraquece Infância não limita a inteligência; velhice não extingue a lucidez Alimentação Animal e vegetal Puramente vegetal + absorção de emanações do ambiente Doenças Muitas e variadas, físicas e mentais Não há doenças como as da Terra Transporte e locomoção Corpo é limitado pela gravidade Corpo pode se mover livremente, não preso ao solo Linguagem Verbal, imperfeita, cheia de mal-entendidos Comunicação telepática (transmissão de pensamento) Segunda vista (clarividência) Excepcional e temporária É uma faculdade normal e permanente Visão espiritual O Espírito é oculto pela matéria O corpo é como um véu fino: o Espírito é visível e transparente Conhecimento do futuro Limitado, sujeito a incertezas Parcialmente conhecido conforme o grau de perfeição Sociedade e convivência Marcada por desigualdades, egoísmo, guerras Fraterna, solidária, respeito mútuo, sem guerras, sem egoísmo Autoridade e chefia Baseada em poder, riqueza ou imposição Fundada na superioridade moral e intelectual 81
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    Leis e governoLeis humanas, falhas, penas e castigos Leis divinas; não há leis penais nem crimes Ricos e pobres Grandes desigualdades, miséria e supérfluo Todos têm o necessário; o supérfluo é inexistente Religião Múltiplas religiões, dogmas, disputas Unidade: todos adoram um único Deus pelo bem praticado Culto Templos, rituais exteriores Coração é o templo; o bem é o culto Ocupações humanas Lutas pela sobrevivência, superação de instintos e paixões, busca por conforto e poder Apoio espiritual a mundos inferiores; missão e elevação Desafios enfrentados Luta material, conflitos emocionais, tentações, egoísmo Desafios morais mais sutis; compromisso com o bem coletivo Aprendizado espiritual Lento, muitas vezes por sofrimento Consciente, direto, baseado no amor e na sabedoria Artes Buscam consolar o sofrimento Inúteis — já não há dor a consolar; a beleza está em tudo Animais Há carnívoros; muitos vivem livres ou ameaçados Todos vivem em harmonia com o homem, sem violência Animais como servidores Sem essa função Ajudam o homem em tarefas práticas com inteligência própria Desencarnação (morte) Muitas vezes causa medo e dor É natural, serena; não inspira temor Evolução após a morte Continua com provas e expiações Crescimento contínuo sem provas dolorosas Destaque filosófico  Terra: mundo de contrastes, onde a dor educa e o egoísmo ainda impera. O Espírito ainda precisa de estímulo externo, limites e correções.  Júpiter: mundo onde a matéria não escraviza o Espírito, mas o serve como canal de manifestação luminosa.  Reencarnar nesses mundos não é punição, mas ato consciente de participação no plano divino. 82
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    Questionamento: Nas obras dacodificação (especificamente a Q.188 do LE) e alguns relatos nas Revistas Espíritas dizem que todos os planetas do Sistema solar são habitados. Depois Chico Xavier por meio da mediunidade confirma esses relatos, especialmente, através da carta de sua mãe Maria João de Deus. Mas tomemos o caso de Marte em que há equipamentos humanos terrestres em sua superfície fazendo rastreamentos para análises e estudos e, no entanto, não há em suas imagens emitidas nenhum vestígio de civilização. Meu questionamento: Considerando que Marte é um planeta bastante denso, os Espíritos estavam equivocados? Resposta da IA: A dúvida central: Se O Livro dos Espíritos (Q. 188), a Revista Espírita e Chico Xavier afirmam que todos os planetas do Sistema Solar são habitados, como explicar a ausência de qualquer vestígio de civilização em Marte, mesmo com sondas da NASA explorando sua superfície? 1. O que diz a Doutrina Espírita (Codificação): Q. 188 de O Livro dos Espíritos: “Todos os globos que circulam no espaço são habitados?” Resposta: “Sim, e o homem da Terra está longe de ser, como supõe, o primeiro em inteligência, em bondade e em perfeição.” Isso afirma que há vida em todos os globos, mas não diz que essa vida seja física e visível com nossos olhos ou instrumentos grosseiros. 2. Complementos de Chico Xavier e Maria João de Deus: Na obra Cartas de uma Morta, Maria João de Deus (mãe de Chico) descreve habitantes em Marte e outros planetas com formas, hábitos e sociedades diferentes das da Terra. Mas deixa claro que a matéria é mais rarefeita e que os corpos, cidades e meios de vida não são perceptíveis à nossa visão comum ou instrumentos físicos. 3. Conciliação lógica: a questão da densidade e da dimensão vibratória Aqui está o ponto-chave da sua dúvida: 86
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    Por que nãovemos os seres ou civilizações em Marte, mesmo com câmeras e robôs humanos lá? Resposta doutrinária plausível:  Os habitantes espirituais ou mesmo encarnados de Marte (segundo as descrições espirituais) não vivem na mesma faixa vibratória material que nós, ou seja: o Podem estar em um plano mais sutil, não detectável por equipamentos físicos humanos; o Ou sua matéria corporal é mais rarefeita do que a da Terra, tornando-os invisíveis às câmeras convencionais. É o mesmo motivo pelo qual não vemos os Espíritos que nos rodeiam na Terra: falta de sintonia vibratória e sensorial. 4. Um paralelo científico: Nossos instrumentos detectam frequências e densidades específicas de matéria. Se algo for muito sutil ou vibrar em outra faixa (como o infrassom, o ultravioleta, ou até matéria escura), nossos olhos e aparelhos simplesmente não percebem. Assim, a ausência de evidência (como você mesma citou com Sagan) não é evidência de ausência. 5. Marte é “bastante denso”? Na verdade, Marte é menos denso que a Terra, tem atmosfera rarefeita e gravidade inferior — o que, segundo muitos relatos espirituais, o torna apropriado a uma vida semimaterial, menos corpórea que a nossa. Conclusão: Os Espíritos não estavam equivocados. O que ocorre é que:  Quando afirmam que todos os planetas são habitados, referem-se à vida em todas as formas e graus possíveis, desde a vida espiritual, fluídica, até a corporal;  A vida em Marte (e outros planetas) pode não ser acessível pelos meios físicos atuais de nossa ciência materialista;  O Espiritismo sempre nos orienta a não confundir ausência de prova com negação da existência — tudo tem seu tempo de revelação. 87
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     A ciênciaainda não achou vida em Marte porque busca padrões terrestres.  O Espiritismo sugere que a vida lá existe, mas em outro plano ou forma (física sutil/espiritual).  Não há contradição, apenas diferentes perspectivas da realidade. 88
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    4.4 – TRANSMIGRAÇÃOPROGRESSIVA O que é Transmigração Progressiva? Três elementos gerais do Universo: (Q.27)  Deus: causa primária de todas as coisas; Inteligência suprema.  Espírito: o princípio inteligente. Princípio espiritual – inteligência é atributo do Espírito – Conquista do Espírito. (Q.23)  Matéria: o princípio material, formado a partir do Fluido Cósmico Universal (ver questão 27-a e 33). Essa estrutura básica não revela a origem do Espírito, apenas reconhece sua existência e distinção dos demais elementos. A Doutrina Espírita é clara e coerente ao afirmar:  O Espírito é criado por Deus.  Como e quando isso ocorre, não sabemos.  Não temos ainda maturidade espiritual para compreender a gênese do Espírito em sua essência. Portanto, não é possível conhecer com exatidão a origem do Espírito — ou seja, o momento e o modo de sua criação. Essa é considerada uma questão que ultrapassa a capacidade atual de compreensão humana. Enquanto toda a matéria que conhecemos tem sua origem no Fluido Cósmico Universal, um elemento primordial em constante transformação, a origem o princípio espiritual permanece um mistério que transcende nossa compreensão atual. Esse princípio, ao se individualizar e animar os diferentes reinos da natureza, impulsiona a evolução contínua, permitindo que cada ser adquira experiências e aprendizados, preparando-o para novas e mais elevadas etapas de sua jornada eterna. A transmigração progressiva descreve a jornada ininterrupta do Espírito através de incontáveis existências, sempre em direção à perfeição. Essa evolução não se limita apenas ao corpo humano, mas engloba todas as etapas da vida, desde o princípio inteligente nas formas mais rudimentares de existência até alcançar a consciência e a moralidade que caracterizam os Espíritos superiores. A transmigração progressiva, portanto, não é apenas sobre passar de um corpo para outro, mas sobre o aprimoramento contínuo das faculdades do Espírito ao longo de sua existência imortal. 89 LIVRO SEGUNDO: MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS Capítulo IV: Pluralidade das Existências
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    O espírito nuncaregride em sua evolução essencial, mesmo que possa estagnar temporariamente. Toda evolução espiritual é, ao mesmo tempo, física, perispiritual e mental. Autor Obra Trecho/Capítulo Conteúdo Allan Kardec O Livro dos Espíritos Questões 27, 78 Espírito é criação distinta de Deus, origem desconhecida Allan Kardec Introdução do Livro dos Espíritos Item VI Origem dos Espíritos ainda ignorada André Luiz (Chico Xavier) Evolução em Dois Mundos Cap. IV – "Automatismo e Corpo Espiritual" Não se pretende explicar a gênese do Espírito, por respeito à grandeza divina A evolução espiritual é ascendente, mas não é linha reta. É um processo com idas e vindas, escolhas, provações e diferentes trajetórias de aprendizado. Os Espíritos podem estagnar, recusar-se a progredir por um tempo ou evoluir mais rapidamente dependendo do livre arbítrio e do esforço. 90
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    189 – Desdeo princípio de sua formação, goza o Espírito da plenitude de suas faculdades? Não, porque o Espírito, como o homem, tem sua infância. Em sua origem, os Espíritos não têm mais que uma existência instintiva e possuem apenas a consciência de si mesmos e de seus atos. Não é senão pouco a pouco que a inteligência se desenvolve. COMENTÁRIOS: Pergunta se o Espírito já nasce com todas as suas faculdades desenvolvidas, e a resposta é um claro não. A Infância do Espírito Assim como um ser humano passa pela infância, com suas limitações e o desenvolvimento gradual de suas capacidades, o Espírito também tem uma "infância". No seu ponto de partida, em sua origem, o Espírito é simples e ignorante. Isso significa que ele não possui um conhecimento vasto ou uma inteligência desenvolvida. Existência Instintiva e Consciência Primária Nessa fase inicial, o Espírito se manifesta de forma instintiva. Ele age por impulsos básicos, sem um raciocínio complexo. No entanto, é importante notar que, mesmo nessa etapa, ele já possui a consciência de si mesmo e de seus atos. Essa consciência rudimentar é o ponto de partida para o seu desenvolvimento. Ele começa a perceber sua existência individual e as consequências mais imediatas de suas ações, mesmo que de forma muito elementar. O Desenvolvimento Gradual da Inteligência A resposta deixa claro que a inteligência não surge de repente, mas se desenvolve "pouco a pouco". Isso reforça a ideia de progresso contínuo. Através das sucessivas encarnações e das experiências vividas em cada uma delas, o Espírito vai adquirindo conhecimento, amadurecendo sua razão, expandindo sua percepção e aprimorando suas faculdades morais e intelectuais. Todos nós fomos criados simples e ignorantes. (Q. 115) Antes de conquistarmos a razão, como seres racionais, nós passamos como princípio espiritual pelos reinos inferiores da criação. Fomos aprender no reino mineral, no reino vegetal e no reino animal até atingirmos o reino hominal, onde conquistamos a condição de seres humanos, de Espíritos e não mais princípio espiritual, podendo exercer o livre arbítrio, pois nos foi dada a razão, a capacidade de discernir sobre as coisas, principalmente, sobre o bem e o mal. 91
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    Esta imagem ilustrade forma clara a progressão do princípio espiritual através dos diversos reinos da natureza. Ela mostra a jornada do princípio inteligente desde a matéria inerte (Reino Mineral), onde se manifesta como atração, passando pela aquisição de vitalidade (Reino Vegetal) e instinto e individualidade (Reino Animal). Culminando no Reino Hominal, o princípio espiritual atinge o estágio de Espírito, onde desenvolve a razão, o livre-arbítrio, a consciência do eu, a inteligência ilimitada e o conhecimento de Deus. O Espírito não surge diretamente na condição humana, mas sim ascende gradualmente, aproveitando as experiências de todas as formas de vida anteriores para seu aprimoramento e alcance da plenitude. Há a progressão gradual do ser através dos diferentes reinos da natureza:  Reino Mineral: O princípio espiritual ainda está em estágio rudimentar, atuando apenas por meio da atração. A matéria é inerte, sem vitalidade ou consciência. ð Atração  Reino Vegetal: Surge a vitalidade, mas ainda sem consciência individualizada. Há sensibilidade, mas sem movimento voluntário ou percepção. ð Sensação  Reino Animal: O princípio espiritual adquire instinto, individualidade e inteligência primitiva, iniciando o desenvolvimento da consciência e das 92
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    emoções básicas. Iniciaa organização e formação do perispírito ð Instinto  Reino Hominal: O Espírito atinge a individualidade, o conhecimento de si mesmo, a razão, a inteligência ilimitada e o livre-arbítrio, desenvolvendo gradativamente a consciência moral, a noção do futuro e a capacidade de conhecer Deus. ð Razão  Reino Angelical: Consciência plena ð Divindade Essa progressão demonstra a lei de progresso, onde o Espírito é criado simples e ignorante, mas destinado à perfeição. Cada etapa é necessária para o aprendizado e o amadurecimento da alma, até que ela alcance a plenitude espiritual. Reinos da Natureza e Suas Características: Reino Atributos Relacionado à Questão 189 Mineral Atração (coesão molecular) "O princípio inteligente se elabora e individualiza pouco a pouco" Vegetal Sensibilidade (vida orgânica) "No vegetal, a inteligência dormita; no animal, sonha" Animal Instinto + Individualidade "O animal tem uma inteligência limitada ao presente" Homina l Razão, livre-arbítrio, consciência de Deus "No homem, há a alma espiritual, destinada à perfeição" A Lei do Progresso é Universal o Não se aplica apenas ao ser humano, mas a toda a Natureza. o Desde a célula mais primitiva até o ser humano, todas as formas de vida passam por uma evolução contínua. o A consciência e a liberdade só surgem após muitos estágios:  Na planta, a inteligência dorme.  No animal, ela sonha. No homem, desperta e se torna consciente 93
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    EVOLUÇÃO DOIS MUNDOS HerançaEspiritual (Lei da Recapitulação)  O corpo espiritual registra todas as experiências passadas: o Reino mineral → Inércia, estrutura. o Reino vegetal → Sensibilidade (tato rudimentar, fotossíntese). o Reino animal → Instinto, movimentos reflexos. o Reino humano → Razão, livre-arbítrio.  Transmissão para o corpo físico: o O perispírito (corpo espiritual) "ensina" o corpo físico a repetir funções já dominadas em vidas passadas (ex.: um bebê já nasce sabendo sugar o leite). A Gênese dos Órgãos e Sentidos André Luiz detalha como cada sentido surgiu na evolução: Sentid o Origem Evolutiva Tato Células ameboides (reagiam ao toque). Visão Flagelados monocelulares (sensíveis à luz). Olfato Animais aquáticos primitivos (detectavam químicos na água). Paladar Plantas carnívoras (pelos digestivos). Sexo Algas com células masculinas/femininas (atração química). ➡ Conclusão: Nossos órgãos físicos são a materialização de funções que o espírito já dominava em estágios anteriores. Automatismo e Livre-Arbítrio  O que já é automático: o Funções corporais (batimento cardíaco, digestão). o Reações emocionais primitivas (medo, desejo).  O que podemos controlar: o Razão e moral elevam o espírito além do automatismo. 94
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    o Meta final:Tornar o amor e a sabedoria tão naturais quanto respirar. Evolução nos Dois Planos (Físico e Espiritual)  No plano físico: Aprendemos através da matéria (dor, prazer, repetição).  No plano espiritual: Assimilamos experiências morais (consequências dos nossos atos).  Papel dos Instrutores Espirituais: Supervisionam esse processo, garantindo que nenhum esforço evolutivo seja perdido. Livro: Evolução em dois Mundos – Capítulos III e IV A natureza não dá saltos. O princípio espiritual atravessa lentamente os círculos elementares da Natureza, qual vaso vivo, de forma em forma, até configurar-se no indivíduo humano, em trânsito para a maturação sublimada no campo angélico. Entre as últimas experiências como seres irracionais, no reino animal, e as primeiras reencarnações dentro do período da humanidade, a diferença não pode ser grande. Ao atingirmos a razão só pouco a pouco vamos desenvolvendo a nossa inteligência para nós aprendermos a usar a razão. Ex: Os homens das cavernas (pouco além dos animais) Depois através de várias reencarnações fomos aprendendo, fomos crescendo, fomos evoluindo e hoje estamos no mundo tecnológico. São fases contínuas, não se muda de uma hora para outra. Todo aprendizado depende da experiência, da repetição, da busca, do esforço e do trabalho. “Deus cria a vida. O tempo modela as formas.” Essa ideia da "infância" do Espírito e de seu desenvolvimento progressivo é fundamental para entender:  A Justiça Divina: Explica por que alguns Espíritos parecem mais avançados do que outros. Não há injustiça, apenas diferentes estágios de uma jornada evolutiva.  O Propósito da Reencarnação: As múltiplas existências são o meio pelo qual o Espírito tem a oportunidade de aprender, errar, corrigir-se e desenvolver todas as suas potencialidades. 95
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     Nossa Responsabilidade:Como a inteligência e a consciência se desenvolvem, aumenta também nossa responsabilidade sobre nossos atos e escolhas. 96
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    190 – Qualé o estado da alma em sua primeira encarnação? O estado da infância na existência corpórea. Sua inteligência apenas desabrocha: ela se ensaia para a vida. COMENTÁRIOS: A alma se manifesta em sua primeira encarnação mais a animalidade das existências anteriores do que a racionalidade adquirida recentemente. O instinto prevalece. →Lei de conservação: abrigo, proteção, alimentação, reprodução. A alma, em sua primeira encarnação, está no estado de infância espiritual. Isso não significa que ela seja uma “criança” no sentido físico, mas que está começando a desenvolver suas potências.  Sua inteligência ainda é rudimentar, funcionando de forma instintiva.  Há pouca ou nenhuma autonomia moral: ela ainda não escolhe com discernimento, apenas reage.  Como a criança que engatinha antes de andar, o Espírito recém-criado experimenta a encarnação como ensaio para a vida consciente.  Nessa fase, predomina a existência vegetativa e instintiva, com pouca ou nenhuma elaboração racional. É o estágio de transição saindo dos primeiros reinos da Natureza (reinos: mineral, vegetal, animal inferior) passando para o reino hominal, em que o princípio espiritual se molda por automatismos e experiências repetitivas, ensaiando-se para a vida moral e intelectual plena. Terá que aprender como lidar com essa nova ferramenta. Não direcionado pelo instinto, mas passa a fazer suas próprias escolhas através do exercício do livre arbítrio. Mas tal qual a criança, esse livre arbítrio ainda é bastante limitado em suas primeiras reencarnações, ou seja, na infância espiritual. Limite da condição de discernimento e aprendizado. É passo a passo. É pouco mais que o animal. A evolução espiritual é um processo gradual, e a primeira encarnação marca o início de uma longa jornada de aprendizado. 191 – As almas dos nossos selvagens são almas em estado de infância? Infância relativa; mas são almas que já progrediram, pois têm paixões. 97
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    191.a) As paixõessão, pois, um sinal de desenvolvimento? De desenvolvimento sim, mas não de perfeição; as paixões são um sinal de atividade e da consciência do eu, enquanto que, na alma primitiva, a inteligência e a vida estão em estado de germe. Allan Kardec: A vida do Espírito, no seu conjunto, percorre as mesmas fases que vemos na vida corporal; passa gradualmente do estado de embrião ao da infância, para alcançar, por uma sucessão de períodos, a idade adulta, que é a da perfeição, com a diferença de que não conhece o declínio e a decrepitude como na vida corporal; que essa vida, que teve começo, não terá fim; que é preciso um tempo imenso, do nosso ponto de vista, para passar da infância espírita a um desenvolvimento completo, e seu progresso se realiza não sobre uma só esfera, mas, passando por mundos diversos. A vida do Espírito se compõe assim de uma série de existências corporais, sendo cada uma, para ele, uma oportunidade de progresso, da mesma forma que cada existência corporal se compõe de uma série de dias em cada um dos quais o homem adquire um acréscimo de experiências e de instrução. Todavia, da mesma forma que na vida do homem existem dias que não produzem fruto, na vida do Espírito há existências corporais sem nenhum resultado, porque ele não as soube aproveitar. COMENTÁRIOS: Livro dos Espíritos – 18 de abril de 1857. (Sociedade da época, escravidão, o termo selvagem era legal) Selvagens – Kardec se referia aquilo que ele conhecia naquela época: tribos da África, nativos das Américas, nativos da Austrália. A palavra “selvagem” aqui designa os povos considerados mais próximos da natureza, com poucos recursos civilizatórios. Esses Espíritos não são mais infantis no sentido absoluto, pois já desenvolveram:  Paixões, que indicam um grau de consciência do “eu”;  As paixões — sejam elas o medo, a raiva, o desejo, o instinto de sobrevivência — indicam que o Espírito já possui atividade. Ele reage ao ambiente, tem desejos, vontades, e uma consciência mais apurada de sua individualidade (o "eu") em relação ao mundo exterior.  Atividade mental e emocional mais intensa. Eles se encontram numa fase de infância relativa, como adolescentes espirituais: 98
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     Ainda distantesda razão plena e do controle moral sobre os instintos;  Mas já despertos para desejos, reações emocionais e algum senso de identidade 191.a) As paixões — desejos intensos, sentimentos fortes, impulsos — indicam que a alma já não está adormecida.  Mostram despertar da atividade mental e emocional, sinalizando o surgimento da individualidade.  indica que o espírito já desenvolveu autoconsciência e vontade própria, diferentemente de um espírito primitivo, que age mais por instinto.  No entanto, paixões descontroladas também revelam imperfeição moral, pois o espírito ainda não aprendeu a dominá-las. A alma já não é instintiva como na origem, mas ainda não é sábia nem disciplinada. É como o jovem que já tem força e desejos, mas ainda precisa aprender a dirigir suas emoções com responsabilidade. Comentário de Kardec: Allan Kardec oferece uma analogia profunda entre a vida do Espírito e a vida corporal, destacando o processo contínuo e gradual de evolução. Ele detalha a jornada do Espírito desde seu início até a perfeição, diferenciando-a da existência material. 1. A Analogia com a Vida Corporal: Fases e Crescimento Contínuo Kardec compara a vida do Espírito à vida física do ser humano:  Fases Graduais: Assim como o corpo passa do embrião à infância e à idade adulta, o Espírito também percorre esses estágios. No entanto, para o Espírito, a "idade adulta" simboliza a perfeição, um estado de pleno desenvolvimento moral e intelectual.  Ausência de Declínio: Uma diferença crucial é que o Espírito não conhece o declínio nem a decrepitude da vida corporal. Uma vez que atinge a perfeição, ele não regride.  Imortalidade: A vida do Espírito, que teve um começo, não terá fim. Ele é imortal e sua jornada de aprendizado é eterna. 2. A Escala do Tempo e o Progresso Multiesferas  Tempo Imensurável: A transição da "infância espírita" para o desenvolvimento completo exige um tempo imenso do nosso ponto de 99
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    vista humano. Issoressalta a grandiosidade e a paciência necessárias para a evolução espiritual.  Progressão em Mundos Diversos: O progresso do Espírito não se limita a uma única esfera (planeta). Ele se realiza passando por mundos diversos, cada um oferecendo novas oportunidades e desafios adequados ao seu estágio evolutivo. Isso reforça a ideia da pluralidade dos mundos habitados e da transmigração progressiva. 3. Existências Corporais como Oportunidades de Progresso  Série de Existências: A vida do Espírito é composta por uma série de existências corporais (reencarnações). Cada uma dessas existências é, para o Espírito, uma oportunidade de progresso.  Analogia com os Dias da Vida Humana: Kardec compara cada existência corporal a um dia na vida de um homem, em que ele adquire "acréscimo de experiências e de instrução". Isso sublinha o valor e o propósito de cada encarnação. 4. A Importância do Aproveitamento das Oportunidades  Existências sem Fruto: Assim como há dias na vida humana que não produzem fruto (ou seja, são desperdiçados), existem também existências corporais que não resultam em progresso para o Espírito.  Responsabilidade Individual: Isso ocorre porque o Espírito não soube aproveitar as oportunidades oferecidas por aquela encarnação. Essa parte do comentário enfatiza a responsabilidade individual no processo evolutivo. O livre-arbítrio permite que o Espírito escolha usar (ou não usar) as provas e lições para seu avanço. Nesse comentário Kardec nos oferece uma visão abrangente e esperançosa da jornada do Espírito. Ele destaca a continuidade da vida, a gradualidade do progresso, a imortalidade e a pluralidade das existências e dos mundos. Mais importante, ele nos lembra da responsabilidade que cada Espírito tem em aproveitar suas encarnações para evoluir, pois, embora a perfeição seja um destino certo, o tempo e a extensão do caminho dependem de nosso próprio esforço e boa vontade. 100
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    Para aprofundar noscomentários: Aqui estão alguns pontos para direcionar os comentários e esclarecer essa questão: 1. Contexto Histórico da Linguagem:  Terminologia da Época: O termo "selvagem" era uma classificação antropológica e sociológica comum no século XIX, utilizada por estudiosos para descrever povos que viviam fora dos padrões da sociedade europeia industrializada da época (sem escrita formal, com outras formas de organização social, etc.). Não se tratava necessariamente de um juízo de valor racial intrínseco, mas de uma categorização baseada na percepção de desenvolvimento material e social. Infelizmente, essa terminologia carregava e ainda carrega conotações pejorativas, mas é vital entender que o vocabulário científico e social evolui.  Não Era um Termo Racial: Kardec não usou "selvagens" para se referir a uma raça específica, mas a um estágio de organização social e material. No século XIX, muitas populações africanas, indígenas das Américas e da Oceania eram classificadas dessa forma, independentemente de sua etnia, com base em seus modos de vida. 2. A Doutrina Espírita e a Universalidade do Espírito:  Infância do Espírito, Não da Raça: A resposta dos Espíritos na questão 191 refere-se à infância do Espírito em seu processo evolutivo, e não à infância de uma raça. O Espírito, em sua origem, é "simples e ignorante" (questão 115) e inicia sua jornada evolutiva em estágios muito rudimentares. O fato de encarnar em um corpo que faz parte de uma cultura "selvagem" (na terminologia da época) reflete o estágio evolutivo daquele Espírito individual, e não uma característica inerente ou "inferior" de um grupo racial.  Reencarnação em Todas as Raças: A Doutrina Espírita ensina que o Espírito reencarna em todas as raças, em todas as condições sociais e em ambos os sexos para adquirir a plenitude das experiências. Se uma raça fosse "inferior" espiritualmente, isso anularia o propósito da reencarnação como meio de aprendizado universal. A raça é apenas um "vestuário" temporário para o Espírito.  Progresso Individual e Universal: O Espiritismo prega a igualdade fundamental de todos os Espíritos perante Deus. Todos, sem exceção, são destinados à perfeição, independentemente da veste carnal ou do local de encarnação. O que difere é o grau de 101
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    adiantamento moral eintelectual individual, fruto de escolhas e esforços em vidas sucessivas.  Paixões como Sinal de Desenvolvimento: Na questão 191.a, os Espíritos afirmam que as paixões são um "sinal de atividade e da consciência do eu" e de "desenvolvimento". Isso mostra que, para o Espiritismo, mesmo as características associadas a esse "estágio de selvageria" (como a manifestação mais bruta das paixões) são vistas como parte do processo evolutivo do Espírito, um passo além do "germe" de inteligência. 3. A Essência do Pensamento de Kardec:  Fraternidade e Igualdade: A obra de Kardec, em seu todo, é um hino à fraternidade universal, à caridade e à justiça. Princípios como "Fora da caridade não há salvação" e a igualdade de todos perante a Lei Divina são pilares do Espiritismo. Um pensamento genuinamente racista seria fundamentalmente contraditório a esses pilares.  Crítica à Materialidade: Kardec sempre criticou a visão materialista que valorizava a forma física em detrimento do Espírito. O foco do Espiritismo é o ser imortal, e não as características transitórias do corpo ou da cultura material. O Espiritismo defende a igualdade fundamental de todos os Espíritos e a necessidade de reencarnar em diversas condições e raças para adquirir todas as experiências necessárias ao seu aprimoramento. A raça é um 'vestuário' temporário, e a essência do ser é o Espírito imortal, que progride rumo à perfeição por mérito próprio, superando suas paixões e desenvolvendo o amor e a inteligência. Ilustrar através do livro "Eustáquio-Quinze séculos de uma trajetória" quando em uma de suas encarnações foi direcionado pelas equipes reencarnatórias da Colônia Alvorada Nova a se reencarnar entre os indígenas das terras brasileiras mesmo antes de o Brasil existir, a fim de treinar a humildade e a simplicidade. Está no capítulo XIX, desvendando um continente selvagem. 102
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    Palavra “selvagem” Não devemais ser usada para se referir a esses povos. Apesar de ter sido usada no passado (inclusive por Allan Kardec em O Livro dos Espíritos, como no item 191), hoje ela é considerada inadequada, pejorativa e até ofensiva. O termo carrega uma carga histórica ligada ao preconceito, ao colonialismo e à desvalorização de culturas diferentes da ocidental. Como devemos chamá-los? Os termos mais apropriados, usados atualmente por antropólogos, pesquisadores e organismos internacionais, incluem:  Povos originários  Grupos indígenas  Povos isolados ou voluntariamente isolados  Povos tribais  Povos tradicionais  Culturas ancestrais ou nativas Essas expressões reconhecem que:  Eles têm saberes próprios, espiritualidade, organização social, línguas e relações com a natureza que não são “atrasadas”, mas diferentes das sociedades industrializadas.  A forma de vida deles é digna de respeito e representa outra fase ou escolha dentro da trajetória da humanidade — e, conforme o Espiritismo ensina, cada Espírito está em uma etapa diferente de evolução. É importante ressaltar que os povos que vivem de forma rudimentar, semelhante às fases da pré-história, são geralmente conhecidos como povos indígenas isolados ou de contato recente. Eles optam por manter-se afastados da sociedade moderna, preservando seus modos de vida tradicionais, que incluem caça, pesca, coleta e, em alguns casos, agricultura de subsistência, com uso limitado de tecnologia. Esses grupos não são "relíquias primitivas de um passado remoto", mas sim contemporâneos nossos que escolheram um caminho diferente de desenvolvimento. Seu isolamento é, muitas vezes, uma forma de proteção contra doenças, violência e exploração de suas terras. Conclusão: Esses povos não devem ser considerados "selvagens". Esse termo pertence a uma visão antiga, já superada tanto pela ciência quanto pela espiritualidade. Devemos vê-los como:  Irmãos em jornada evolutiva, em estágios diferentes.  Portadores de culturas valiosas, dignas de proteção e respeito. 103
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     Seres humanoscomo todos nós — com inteligência, sentimentos, e um Espírito eterno em aprendizado. Por que Kardec usava o termo “selvagem? Kardec viveu em um contexto histórico de meados do século XIX, onde termos como “selvagem”, “bárbaro” e classificações sociais ou raciais eram comuns até mesmo entre os pensadores mais progressistas da época. Esses termos refletiam o vocabulário e o pensamento da sociedade europeia daquele período — não significam, necessariamente, preconceito moral por parte de quem os usava, mas sim a influência do tempo e da linguagem disponíveis. Sobre Kardec e o racismo:  Kardec nunca defendeu a superioridade de uma raça sobre outra em termos espirituais.  Pelo contrário, ele afirmava constantemente que todos os Espíritos foram criados simples e ignorantes, e que só o progresso moral e intelectual determina o grau de evolução — não a etnia, a nacionalidade, nem a posição social.  A Doutrina Espírita, codificada por ele, condena o orgulho de raça, a escravidão, a exploração e qualquer forma de preconceito. Exemplo claro está em O Livro dos Espíritos, questão 803: “Todos os homens são iguais perante Deus?” Resposta: “Sim, todos tendem para o mesmo fim, e Deus fez Suas leis para todos. Dizeis frequentemente: o sol brilha para todos, e com isso dizeis uma verdade maior e mais geral do que pensais.” Entendendo o contexto histórico:  Em 1857 (ano da publicação de O Livro dos Espíritos), a escravidão ainda era legal em muitas partes do mundo, inclusive no Brasil (abolida só em 1888).  O pensamento europeu ainda era marcado por visões colonialistas e eurocêntricas.  Mesmo os cientistas e filósofos da época usavam categorias como “raças superiores e inferiores” — o que hoje sabemos ser totalmente equivocado.  Kardec se destacou nesse cenário ao tratar todos os Espíritos como irmãos e iguais perante Deus, independentemente de sua cor de pele ou origem. “Kardec não era racista, simplesmente estava em um momento histórico.” Graças ao trabalho dele, abrimos espaço para uma visão da humanidade como uma só família, com Espíritos em diferentes estágios evolutivos, mas todos criados com o mesmo potencial de luz. A verdadeira justiça é reconhecer o passado com honestidade, atualizar o que precisa ser melhorado e preservar os princípios eternos do amor, da igualdade e do progresso espiritual. O que Kardec realmente ensinava? 104
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    Apesar da linguagemda época, a mensagem doutrinária de Allan Kardec foi profundamente humanista, espiritualista e igualitária. Ele afirmava com clareza: “Todos os Espíritos foram criados simples e ignorantes.” (LE, questão 115) “Todos os homens são iguais perante Deus.” (LE, questão 803) E mais ainda: A verdadeira medida de um Espírito não está em sua cor, raça ou origem social, mas sim em seu grau de progresso moral e intelectual, que pode ser alcançado em qualquer ponto do planeta e em qualquer condição externa. Julgá-lo como racista seria um erro histórico e doutrinário. Ele foi um homem muito à frente de seu tempo, que trouxe à humanidade uma doutrina baseada na igualdade espiritual, no progresso contínuo, na reencarnação e no amor ao próximo. Reconhecer isso não é negar os avanços sociais e éticos que tivemos desde então, mas sim honrar as raízes de uma doutrina que valoriza o Espírito imortal, independentemente da aparência exterior. Reflexão: “Se todos os Espíritos foram criados por Deus com igual potencial para o bem, o que nos cabe é reconhecer em cada ser humano — de qualquer cultura ou época — um irmão em jornada de evolução. Julgar o passado é fácil, mas compreender com caridade e ampliar a consciência é a verdadeira luz do Espírito.” 105
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    192 – Pode-se,desde esta vida, por uma conduta perfeita, superar todos os graus e se tornar Espírito puro, sem passar pelos graus intermediários? Não, pois o que o homem acredita ser perfeito, está longe da perfeição; há qualidades que lhe são desconhecidas e que não pode compreender. Ele pode ser tão perfeito quanto o permita a sua natureza terrestre, mas, isso não é a perfeição absoluta. Uma criança, por precoce que seja, deve passar pela juventude antes de atingir a idade madura; da mesma forma, também, o doente passa pelo estado de convalescença antes de recuperar toda a saúde. Aliás, o Espírito deve avançar em ciência e em moralidade; e, se ele não progride senão num sentido, é necessário que progrida também no outro para alcançar o alto da escala. Todavia, quanto mais o homem avança na sua vida atual, menos as provas seguintes são longas e penosas. 192.a) Pode o homem, ao menos, assegurar nesta vida uma existência futura menos cheia de amarguras? Sim, sem dúvida, pode abreviar a extensão e as dificuldades do caminho. Só o negligente se encontra sempre na mesma situação. COMENTÁRIOS: Estamos reencarnados no planeta Terra, de provas e expiações. Temos ainda os de regeneração, os mundos felizes, os mundos ditosos e os celestes. "Não, pois o que o homem acredita ser perfeito, está longe da perfeição."  Limitação da percepção humana: O que consideramos "perfeição" na Terra é apenas um estágio relativo dentro de uma escala cósmica muito maior.  Ignorância de qualidades superiores: Existem virtudes e conhecimentos que ainda não compreendemos, pois nossa consciência ainda não alcançou esses patamares. "Pode ser tão perfeito quanto o permita a sua natureza terrestre, mas isso não é a perfeição absoluta." o Relativa: Alcançar o máximo possível dentro das limitações de uma encarnação (ex.: ser honesto, caridoso, compreensivo, indulgente, perdoar, etc.). o Absoluta: Estado dos Espíritos puros, que transcende completamente as imperfeições humanas. 106
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    Analogias usadas pelosEspíritos - Criança → Adulto: o Uma criança prodígio não pode pular diretamente para a maturidade; precisa viver as fases naturais de crescimento. o Da mesma forma, o espírito precisa passar por experiências múltiplas para consolidar sabedoria e virtude. - Doente → Convalescença → Cura: o A recuperação é gradual; não há salto direto da doença para a saúde plena. o Assim, o espírito precisa de várias existências para "curar" suas imperfeições. Progresso duplo: Ciência e Moralidade  Não basta ser bom ou sábio isoladamente: o Um gênio científico sem ética não está verdadeiramente evoluído. o Uma pessoa bondosa, mas ignorante, também precisa desenvolver conhecimento.  Equilíbrio necessário: A evolução exige avanço integral (intelectual + moral). → Livro O Consolador – Q.117. 192.a – Livre-arbítrio e responsabilidade: Cada um define seu ritmo de evolução pelas escolhas atuais. Quem age com negligência (egoísmo, vícios, indiferença) repete provas difíceis. Lei de causa e efeito – A lei do progresso é implacável, mas justa: quem se esforça colhe frutos mais cedo. Encurta o caminho em futuras encarnações. As provas se tornam mais suaves para quem já demonstrou compromisso com o progresso. Mensagem de esperança: Não estamos condenados ao sofrimento eterno; podemos mudar nosso futuro espiritual a partir das ações desta vida. → A dor existe, é ferramenta para a nossa evolução, mas não precisamos passar por ela. Teremos ainda muitas e muitas reencarnações para adquirir todo o aprendizado que necessitamos. Espíritas, amai-vos, eis o primeiro ensinamento. 107
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    Espíritas, instruí-vos, eiso segundo ensinamento. É o amor e a instrução. É o sentimento e o intelecto. São as duas asas: a razão (aprimoramento do intelecto, o conhecimento dominando todas as áreas do conhecimento humano) e a emoção (amor da forma que Jesus nos ensinou). Muito trabalho pela frente para chegarmos à plenitude. 193 – Um homem, em suas novas existências, pode descer mais baixo que na atual? Como posição social, sim; como Espírito, não. COMENTÁRIOS: Tudo caminha para frente. As leis, criadas por Deus não permitem que o homem, em uma reencarnação, desça, espiritualmente, mais abaixo do que se encontra. O conhecimento é patrimônio do Espírito, não há involução. Não há retrocesso na vida do Espírito. Na condição social acontece sim, pois a condição social não é sinônimo de evolução. O Espírito não regride; ele sempre avança para frente e para o alto. O que pode acontecer é a alma descer socialmente; regressão material é escola para o Espírito; no entanto, o que aprendemos nunca mais esquecemos, pois, significa despertamento. Os valores espirituais adquiridos irradiam sempre em todas as reencarnações. (independente da condição social, física, religiosa, cultural, profissional) O que por vezes acontece, é que o Espírito em boas condições intelectuais pode voltar à Terra em outra vida física, sem condições de se expressar, o que, contudo, não significa regressão. O que ele sabe, está registrado para a eternidade. Lei do Progresso Contínuo: É irreversível. O Espírito está sempre caminhando para a perfeição, mesmo que lentamente ou com desvios temporários. Conhecimento e Virtudes Adquiridas: As experiências e o aprendizado acumulados ao longo das encarnações se incorporam ao Espírito. Ele pode estagnar por um tempo (se não aproveitar suas existências), mas não perde o que já conquistou em termos de inteligência e virtudes. 108
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    Diferença entre PosiçãoSocial e Estado Espiritual: É crucial distinguir entre a posição social (transitória, externa, material) e o estado do Espírito (essencial, interno, moral e intelectual). A posição social é um instrumento para o progresso do Espírito, não o seu indicador direto. Um Espírito muito evoluído pode, por missão ou prova, encarnar em um meio social humilde, mantendo sua elevação interior. Isso significa que alguém que hoje vive em uma família abastada, com acesso à educação e a privilégios, pode, em uma vida futura, nascer em condições de pobreza, em um ambiente menos favorecido ou em um país com menos recursos materiais ou em um corpo com limitações físicas e intelectuais. Por que isso acontece?  Provas e Expiações: A descida de posição social é frequentemente uma prova necessária para o Espírito. Pode ser para desenvolver virtudes como a humildade, a paciência, a resiliência, ou para aprender a valorizar o que antes desprezou.  Reparação de Erros: Pode ser também uma expiação, uma oportunidade de reparar erros cometidos em vidas passadas, como o orgulho, a vaidade, a exploração ou a indiferença para com os menos afortunados. Ao vivenciar a carência, o Espírito aprende a desenvolver a empatia e a solidariedade.  Aprendizado e Equilíbrio: Essa alternância de posições sociais contribui para o equilíbrio e o aprendizado completo do Espírito. Ao experimentar diferentes realidades, ele compreende melhor as necessidades alheias e desenvolve uma visão mais abrangente da vida e da sociedade. O plano divino da evolução é flexível em relação às circunstâncias externas (posição social), utilizando-as como ferramentas pedagógicas. No entanto, é inflexível quanto à direção do progresso: o Espírito avança sempre, sem possibilidade de retroceder em sua essência e nos conhecimentos e virtudes que já adquiriu. 194 – A alma de um homem de bem pode, numa nova encarnação, animar o corpo de um homem perverso? Não, visto que ela não pode degenerar. 194.a) A alma de um homem perverso pode vir a ser a de um homem de bem? Sim, se se arrependeu e isso, então, é uma recompensa. 109
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    Allan Kardec: A marchados Espíritos é progressiva, jamais retrógrada. Eles se elevam gradualmente na hierarquia e não descem da categoria que já alcançaram. Nas suas diferentes existências corporais, podem descer como homens, mas não como Espíritos. Assim, a alma de um potentado da Terra pode, mais tarde, animar o mais modesto artesão e vice-versa, porque as posições entre os homens, frequentemente, estão na razão inversa da elevação dos sentimentos morais. Herodes era rei, Jesus, carpinteiro. COMENTÁRIOS: Progresso irreversível:  Um espírito que já atingiu um certo nível moral (homem de bem) não regride a um estado de perversidade.  A evolução espiritual segue sempre em frente, nunca para trás. Degeneração moral só ocorre no mesmo estágio: Um espírito pode estagnar ou demorar a progredir, mas não volta a ser perverso se já superou essa fase. 194.a) Redenção do perverso Um Espírito que foi "perverso" pode se regenerar através do arrependimento sincero, do esforço para reparar seus erros e do aprendizado em novas encarnações, evoluir para se tornar um "homem de bem". (Sempre há ajuda) A reencarnação oferece novas oportunidades para corrigir erros. Tornar-se um "homem de bem" é uma conquista, não um acaso. - ESE – Capítulo 17: Sede perfeitos - LE – Q.918 Comentário de Kardec: A posição social que uma pessoa ocupa nesse momento de sua existência não indica que tenha uma evolução maior ou menor em relação aqueles que o cercam. Há muitos seres evoluídos vivendo em condições bem humildes. Por outro lado, há seres que buscam um melhor entendimento emocional e o amor ao próximo e que estão em posição de destaque, ocupando cargos, tomando decisões. A condição de cada um reencarnado no planeta é exatamente a condição necessária para aquela individualidade, conforme seus créditos ou seus 110
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    débitos e adquiriro aprendizado que necessita, considerando o que se já vivenciou lá atrás. Somos herdeiros de nós mesmos. Os valores morais conquistados estarão presentes na essência do Espírito, em seu coração. Kardec culmina com a comparação de Herodes (rei) e Jesus (carpinteiro). Este é o exemplo máximo para demonstrar que a grandeza espiritual não está atrelada ao poder ou à posição social terrena, mas sim à elevação dos sentimentos morais. Jesus, o Espírito mais puro que conhecemos em sua encarnação na Terra, escolheu uma vida de humildade e simplicidade, provando que a condição social é apenas um invólucro para o Espírito em sua jornada de aprimoramento. 195 – A possibilidade de melhorar-se numa outra existência, não pode conduzir certas pessoas a perseverarem no mau caminho com a ideia de que poderão sempre corrigir-se mais tarde? Aquele que pensa assim não crê em nada e a ideia de um castigo eterno não o deteria mais, porque a sua razão a repele e essa ideia conduz à incredulidade sobre todas as coisas. Se se houvesse empregado apenas meios racionais para conduzir os homens, não haveria tantos céticos. Um espírito imperfeito pode, com efeito, pensar durante sua existência corporal, como dizes, mas, uma vez desligado da matéria, ele pensará de outra forma, pois perceberá que fez cálculo errado, e é então, que trará um sentimento contrário em uma nova existência. É assim que se realiza o progresso e é por essa razão que, na Terra, existem homens uns mais adiantados do que outros. Alguns já têm experiências que outros não conhecem ainda, mas que adquirirão pouco a pouco. Depende de cada um apressar seu progresso ou atrasar-se indefinidamente. Allan Kardec: O homem que ocupa uma posição má deseja trocá-la o mais depressa possível. Aquele que está convencido de que as tribulações desta vida são consequências de suas imperfeições, procurará garantir uma nova existência, menos penosa. Esta ideia o desviará mais depressa do caminho do mal, que a ideia do fogo eterno, no qual não acredita. COMENTÁRIOS: - Se podemos melhorar em vidas futuras, por que não continuar no mal agora e nos corrigir depois?" 111
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    - É umargumento usado por alguns para justificar a procrastinação espiritual. Posso aproveitar para evoluir numa próxima existência considerando que todos nós somos eternos, Espíritos imortais, todos nós seremos perfeitos, o que eu não cumprir nessa existência cumprirei na próxima. Muitas pessoas pensam assim. Exemplos de frases: - Não suporto tal pessoa. Não quero resolver por agora. Deixa pra depois. - Não vou perdoar. Quem sabe numa próxima existência. Quero usufruir de tudo o que tenho direito. Quero aproveitar a vida, depois levo a sério. Quando começamos a estudar, aprender, ter conhecimento acerca desses ensinamentos e das verdades da vida, da razão pela qual estamos aqui, sabemos que o ideal e fazermos o que precisa ser feito o quanto antes. Quanto mais prorrogarmos o nosso progresso, mais dores teremos, mais dificuldades, mais lágrimas, pois permaneceremos sofrendo. → Estamos na fase do despertar, então é agir e tentar com muita cautela despertar quem nos cerca, quem amamos para não sofre muito também. A quem mais for dado, mais será cobrado. Nós que já temos acesso à doutrina espírita, aqueles que já possuem um conhecimento religioso, aqueles que já sabem que devemos amar uns aos outros ao receber essa bênção de luz nos será cobrado uma conduta mais concisa, de acordo com os ensinamentos de Jesus. Por outro lado, aqueles irmãos nossos que ainda não conheceram ou não aceitam o Cristo e os seus ensinamentos de amor, não buscam aprimorar- se, desses a cobrança será menor. Nós que recebemos tanto esclarecimento na doutrina espírita, será que temos na mesma proporção mudado o nosso comportamento, vivenciado o amor que Jesus nos ensinou? Por que de nós será cobrado uma conta bem maior. As oportunidades são sempre renovadas. Aquilo que não conseguimos resgatar em uma encarnação, teremos a oportunidade de resgatar em outra. Contudo, sabemos que a cada tentativa falha aquele débito se agrava. Nas reencarnações vindouras a dificuldade se agravará, pois, teremos novos débitos adquiridos em razão do fracasso. Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará. Temos que estudar o evangelho, estudar todos os ensinamentos da doutrina espírita. Mas conhecer efetivamente, é necessário colocarmos em prática, na 112
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    convivência com opróximo, com a família, no trabalho para transformarmos o aprendizado em conduta para ocorrer a transformação moral. Quem protela é porque ainda não se conscientizou da verdade do Cristo. Nunca se deve pensar que, se a vida é eterna, tem-se muito tempo para o aperfeiçoamento. Na verdade, a evolução é demorada, contudo, é progressiva, e temos uma função importante no nosso despertamento espiritual. Só através do progresso, do esforço sincero, da busca pela evolução, nós podemos nos depurarmos e evoluir. Comentário de Kardec: O medo de um castigo eterno não convence a razão e leva muitos à incredulidade. Já a ideia da reencarnação, quando bem compreendida, estimula a reforma íntima, porque mostra que os sofrimentos atuais são reflexo de escolhas anteriores, e que podemos mudar nossa história com esforço e responsabilidade. 196 – Os Espíritos não podendo melhorar-se, senão suportando as tribulações da vida corporal, seguir-se-ia que a vida material seria uma espécie de cadinho ou depurador, pelo qual devem passar os seres do mundo espírita para atingirem a perfeição? Sim, é bem isso. Eles se melhoram nessas provas, evitando o mal e praticando o bem. Porém, é só depois de várias encarnações ou depurações sucessivas, num tempo mais ou menos longo, e segundo seus esforços, que eles atingem o objetivo para o qual tendem. 196.a) É o corpo que influi sobre o Espírito para melhorá-lo ou o Espírito que influi sobre o corpo? Teu Espírito é tudo; teu corpo é uma veste que apodrece; eis tudo. Allan Kardec: No suco da videira encontramos uma comparação material dos diferentes graus de depuração da alma. Ele contém o licor chamado espírito ou álcool, mas, enfraquecido por uma multidão de matérias estranhas que lhe alteram a essência. Depois de várias destilações, em cada uma da qual se depura de algumas impurezas, ele alcança a pureza absoluta. O alambique é o corpo no qual ele deve entrar para se 113
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    purificar; as matériasestranhas são como o perispírito que se depura, ele mesmo, à medida que o Espírito se aproxima da perfeição. COMENTÁRIOS: Cadinho: - Gíria (mineira) – pequena quantidade, pouquinho / diminutivo abreviado de bocado (no português de Portugal essa palavra é muito usada) - É um recipiente resistente ao calor, usado em laboratórios e indústrias para fundir metais, vidros ou outros materiais em altas temperaturas. Símbolo de purificação: Assim como o cadinho refina metais impuros, a vida material ("cadinho espiritual") serve para: - Testar o Espírito (provas). - Purificá-lo (expiações). - Elevá-lo (evolução moral). A Vida Material como Cadinho Depurador  A Pergunta Central: A questão indaga se a vida material é um "cadinho ou depurador" pelo qual os Espíritos devem passar para alcançar a perfeição, dado que só podem melhorar-se suportando as tribulações corporais.  A Resposta Direta: Os Espíritos confirmam: "Sim, é bem isso." Essa afirmação é crucial, pois estabelece que a encarnação não é um castigo em si, mas um instrumento essencial de aprimoramento.  Mecanismo de Melhoria: A melhora se dá através de um processo ativo: "evitando o mal e praticando o bem." Isso significa que a vida terrena oferece escolhas morais constantes, e a forma como o Espírito lida com elas define seu progresso.  Progressão Gradual e Esforço Individual: O objetivo da perfeição é atingido "só depois de várias encarnações ou depurações sucessivas, num tempo mais ou menos longo, e segundo seus esforços." Isso reforça a ideia de que o progresso é gradual (múltiplas encarnações) e depende diretamente do esforço individual do Espírito. Não há atalhos ou privilégios. 196.a) A Prevalência do Espírito sobre o Corpo 114
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    - Resposta Incisiva:"Teu Espírito é tudo; teu corpo é uma veste que apodrece; eis tudo." Esta resposta é um dos pontos mais diretos sobre a primazia do Espírito na Doutrina Espírita. Essa resposta desmistifica qualquer ideia de determinismo biológico ou material. O corpo é meramente um invólucro, um instrumento temporário, que se desgasta e morre. Ele não tem o poder de "melhorar" o Espírito em sua essência. Pelo contrário, é o Espírito quem utiliza o corpo e as experiências da vida material como ferramentas para seu próprio aprimoramento. A capacidade de discernir, de escolher entre o bem e o mal, de sentir e de progredir reside unicamente no Espírito. Allan Kardec: A Analogia do Alambique Kardec complementa as respostas com uma analogia material brilhante para facilitar a compreensão do processo de depuração:  O Suco da Videira e o Álcool: Ele compara o Espírito, em seu estado inicial, ao suco da videira que contém o "licor chamado espírito ou álcool", mas que está "enfraquecido por uma multidão de matérias estranhas que lhe alteram a essência". Essas "matérias estranhas" representam as imperfeições, os vícios e os resquícios do egoísmo que o Espírito ainda carrega.  Destilação e Depuração Sucessiva: O processo de "várias destilações" simboliza as múltiplas encarnações ou depurações sucessivas. A cada destilação (vida), o licor (Espírito) "se depura de algumas impurezas", aproximando-se da "pureza absoluta".  O Alambique e o Corpo: O alambique, o aparelho de destilação, é comparado ao corpo, que serve de instrumento para o Espírito se purificar.  O Perispírito: Por fim, Kardec estende a analogia ao perispírito, a matéria fluídica que envolve o Espírito. Ele explica que as "matérias estranhas" são como o perispírito, que também "se depura, ele mesmo, à medida que o Espírito se aproxima da perfeição". Isso mostra que o perispírito, sendo um envoltório semimaterial, reflete o estado moral do Espírito, tornando-se mais sutil e luminoso à medida que o Espírito se eleva. - A vida corporal como uma escola indispensável e um laboratório de aprimoramento moral. 115
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    - As tribulaçõesnão são um castigo sem propósito, mas ferramentas que, bem utilizadas, impulsionam o Espírito a "evitar o mal e praticar o bem". - A primazia é sempre do Espírito, que é o ser pensante e agente, utilizando o corpo (e o perispírito) como instrumentos para sua depuração contínua e irreversível, rumo à perfeição que se alcança em múltiplas existências. Vamos caminhando enquanto Espírito. O Espírito é imortal, enquanto o corpo serve apenas de instrumento de aprendizado do Espírito. Somos Espírito que temos um corpo (transitório) É necessário que o Espírito passe por todos os tipos de tribulações, para serem elas escolas onde se aprende a viver melhor. São indispensáveis os problemas e as dores nos caminhos da humanidade, pelo menos na faixa evolutiva em que ela se encontra. São necessárias várias reencarnações para a alma, como sendo oportunidades de aprimoramento espiritual e educandários de elevado poder disciplinando para um porvir cheio de luz e de paz. Esta imagem apresenta, de forma gráfica, o processo contínuo e progressivo da evolução espiritual do ser, representando o caminho do Espírito desde sua fase mais instintiva (animalidade) até o ápice da perfeição moral e intelectual (angelitude). 116
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    Faixa Laranja –Materialidade / Animalidade  Nos primeiros estágios (níveis 0 a 4), predominam: o Instinto e comportamento empírico; o Ignorância e irresponsabilidade moral; o A alma ainda está muito presa à matéria, sob forte influência da Lei de Causa e Efeito, que regula as consequências das ações.  Representa o Espírito ainda em fase de aprendizado bruto, vivendo encarnações voltadas ao despertar da consciência e da moralidade. Faixa Verde – Espiritualidade / Angelitude  A partir dos níveis intermediários (níveis 5 a 10), ocorre o crescimento do Espírito em: o Razão, sabedoria e responsabilidade moral; o Conhecimento espiritual e vivência da Lei de Amor; o Predomínio da espiritualidade sobre a materialidade.  Aqui o Espírito se torna cada vez mais consciente de si mesmo, de suas responsabilidades, e da sua missão perante Deus e o próximo. Linha do Tempo – Sucessivas Encarnações  A evolução ocorre gradualmente, por meio de reencarnações sucessivas.  O gráfico enfatiza que esse progresso é infinito e nunca retroativo: uma vez alcançado determinado grau de evolução, o Espírito não volta atrás, embora possa estagnar temporariamente. A marcha dos Espíritos é progressiva, jamais retrógrada. Com esforço, aprendizado e vivência do bem, o Espírito se desmaterializa e se aproxima da perfeição — a angelitude. 117
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    4.5 – DESTINODAS CRIANÇAS DEPOIS DA MORTE 197 – O Espírito de uma criança, morta em tenra idade, é tão avançado como o de um adulto? Algumas vezes muito mais, porque pode ter vivido mais e adquirido maior soma de experiência, sobretudo se progrediu. 197.a) O Espírito de uma criança pode, assim, ser mais adiantado do que o do seu pai? Isto é muito frequente; vós mesmos não vedes isso muitas vezes na Terra? COMENTÁRIOS: Essa resposta rompe com a visão materialista de que o ser espiritual é tão "novo" quanto o corpo que habita. A Doutrina Espírita nos ensina que o Espírito é imortal e pré-existe ao nascimento, ou seja, a criança é apenas um Espírito antigo em um corpo novo. O corpo infantil é apenas um "vestuário" temporário. Um bebê que desencarna pode ser, na realidade, um Espírito muito elevado que reencarnou com um propósito específico (como experiências curtas de vida, provas para os pais, etc.). O Espírito que habita o corpo de uma criança pode ser mais antigo que o Espírito que habita o corpo do pai, da mãe, ou então pode até ser mais novo, mas aproveitou melhor as oportunidades concedidas pela Lei Divina nas suas diversas reencarnações. De acordo com o livre arbítrio vem construindo a sua história, por isso, tomamos caminhos diferentes conforme as escolhas que fazemos. Um dos critérios ainda no plano espiritual para a constituição da família é a afinidade. - Afinidades – existências passadas, retornando no mesmo núcleo familiar (afinidades por amor ou pela dor). A missão do Espírito mais evoluído no grupo familiar é auxiliar o grupo, alavancar seus membros, contribuir para as mudanças através da sua influência. Numa família podemos estar uns mais adiantados que os outros, mas se a vida nos colocou juntos é porque temos algo a realizar juntos, temos algo a aprender, a ensinar uns aos outros. Podemos aprender sempre, independentemente do nível em que estamos. 118 LIVRO SEGUNDO: MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS Capítulo IV: Pluralidade das Existências
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    Não importa seum é mais evoluído ou menos evoluído, temos que dar as mãos e conviver em harmonia, em paz, fluindo o amor. Buscando sempre auxiliar uns aos outros. - Afeição - Simpatia - Semelhança das inclinações Letra A A doutrina espírita nos mostra claramente que o Espírito existe antes do nascimento. É comum que filhos sejam mais evoluídos que os próprios pais. Isso se evidencia muitas vezes em crianças com sabedoria precoce, comportamento compassivo, maturidade espiritual ou talentos elevados. Exemplo de crianças que mostram progresso, que não foi passado pelos pais ou pelo meio: • Jesus (mais avançado que o pai e a mãe) – Exemplo máximo; • Crianças superdotadas; • Crianças que resistem aos vícios, apesar de todos ao seu redor serem viciados; • Crianças que desde cedo são exemplos de bondade, honestidade e trabalho, quando no lar não se observa essas virtudes. O Espírito de um filho pode ter reencarnado como filho justamente para auxiliar seus pais em sua evolução espiritual. Às vezes, ele aceita essa posição por amor, sacrifício ou missão. A posição hierárquica familiar na Terra não reflete a hierarquia espiritual. Todo adulto necessariamente teve que passar pela infância, independentemente, do seu nível intelectual e moral. Sintese:  A infância é uma fase de readaptação do Espírito ao corpo físico, e não um indicativo de inferioridade espiritual.  Espíritos superiores podem aceitar reencarnações curtas como forma de aprendizado, missão ou ajuda a terceiros.  O vínculo familiar não garante que os pais sejam mais evoluídos que os filhos.  A morte precoce não é um castigo, mas pode ser o cumprimento de um plano reencarnatório específico. 119
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    198 – Pertencea uma categoria superior o Espírito de uma criança que morreu em tenra idade, não podendo ter feito o mal? Se não fez o mal, também não fez o bem, e Deus não o isenta das provas que deve suportar. Se é puro não é porque é criança, mas porque progrediu muito. COMENTÁRIOS: Deus não julga os Espíritos pela aparência, nem pela idade do corpo físico, mas sim pelo grau de progresso real que já conquistaram ao longo de suas muitas existências. Assim:  Morrer criança não é sinal automático de elevação espiritual.  A inocência da infância é apenas relativa: ela se refere ao corpo e à ausência de experiências atuais, mas o Espírito pode ser ainda imperfeito e precisar reencarnar outras vezes.  Se o Espírito da criança for puro, é porque já conquistou essa pureza em encarnações anteriores — não porque morreu pequeno.  A pureza espiritual não depende da idade do corpo, mas da experiência moral e intelectual do Espírito Se é um Espírito evoluído alçará voos mais elevados não em razão de ser uma criança, mas pelo fato das conquistas adquiridas em suas existências anteriores. Mas se o Espírito tiver algo a depurar, tiver débitos a resgatar, tiver algo a aprender, ele continuará sua jornada evolutiva normalmente. Não é porque nesta reencarnação não teve a oportunidade de fazer o mal que estará isento dos seus débitos contraídos em existências anteriores e ser alçado à categoria de um Espírito superior. Nós estamos aqui com o objetivo de aprender e de crescer espiritualmente. A criança que perdeu a vida orgânica não ganhará o Reino dos Céus, mas terá novas oportunidades de reencarnação. Nesse momento ela desencarnou por um motivo que não podemos avaliar, mas terá novas oportunidades e nesse renovar de oportunidades reencarnatórias é que consiste na misericórdia divina. Não é o fato de uma criança ter falecido em tenra idade que a faz pertencer ao reino dos anjos, como de costume se fala em outras religiões. Ela se agrupa, depois da morte do corpo físico, em esferas condizentes com o seu tamanho evolutivo, por suas qualidades espirituais. 120
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    Ninguém faz anjos;o que transforma o Espírito das trevas para a luz é a maturidade espiritual, é o tempo, sob as bênçãos do Criador. Pode acontecer que o corpo de uma criancinha esteja sendo animado por um Espírito angélico, assim como, em muitos casos anima uma criancinha um Espírito de condições inferiores. Quando cresce, ele se denuncia, exteriorizando o que realmente é. É pela vivência que reconhecemos quem se encontra animando esse ou aquele corpo, seja da idade que for. Conhecemos a alma por suas qualidades, e essas qualidades as reconhecemos na vivência do dia a dia. A evolução espiritual é conquistada pelas escolhas conscientes e pelos esforços morais ao longo das vidas. Limbo – Lugar onde as almas das crianças que morreram sem batismo iriam, não sofrendo punições, mas não podendo “entrar no Céu”. Hoje os teólogos católicos expressam a esperança de que as crianças que morrem sem o batismo sejam salvas pela misericórdia de Deus. (2007) 199 – Por que a vida, frequentemente, é interrompida na infância? A duração da vida de uma criança pode ser, para o Espírito que está nela encarnado, o complemento de uma existência interrompida antes do seu tempo marcado, e sua morte, no mais das vezes, é uma prova ou uma expiação para os pais. 199.a) Que sucede ao Espírito de uma criança que morreu em tenra idade? Recomeça uma nova existência. Allan Kardec: Se o homem tivesse uma só existência, e se depois dessa existência sua sorte futura fosse fixada para a eternidade, qual seria o mérito da metade da espécie humana que morre em tenra idade para desfrutar sem esforços, da felicidade eterna, e por qual direito ficaria isenta das condições, frequentemente, tão duras, impostas à outra metade? Uma tal ordem de coisas não estaria de acordo com a justiça de Deus. Pela reencarnação, a igualdade é para todos; o futuro pertence a todos sem exceção e sem favor para ninguém; os que chegam por último não 121
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    podem culpar senãoa si mesmos. O homem deve ter o mérito dos seus atos, como tem a responsabilidade. Não é racional, aliás, considerar a infância como um estado normal de inocência. Não se veem crianças dotadas dos piores instintos em idade na qual a educação não pôde, ainda, exercer sua influência? Algumas não há que parecem trazer no berço a astúcia, a felonia, a perfídia, o instinto mesmo para o roubo e o homicídio, não obstante os bons exemplos dados pelos que com ela convivem? A lei civil as absolve de suas ações porque, diz ela, não agem com discernimento, e tem razão porque, com efeito, elas agem mais instintivamente que pela própria vontade. Mas de onde podem provir esses instintos tão diferentes em crianças da mesma idade, educadas nas mesmas condições e submetidas às mesmas influências? De onde vem essa perversidade precoce, senão da inferioridade do Espírito, uma vez que a educação não contribuiu para isso? As que são viciadas é porque seu Espírito progrediu menos e, então, sofrem as consequências, não por seus atos de crianças, mas por aqueles de suas existências anteriores. É assim que a lei é a mesma para todos e a justiça de Deus alcança todo mundo. COMENTÁRIOS: As famílias eram numerosas e a mortalidade infantil era elevada. A criança que inicia uma nova reencarnação é um Espírito antigo que já passou por diversas reencarnações no planeta, por experiências no mundo espiritual, já construiu uma história que traz consigo débitos, erros, acertos, indicando o que deve se passar nessa nova existência. Pode-se ter a necessidade de desencarnar ainda na infância ou passar por esse ou aquele tipo de sofrimento, de experiência diversa dos demais. A interrupção da vida de uma criança pode ter vários motivos: 1 – Complemento de uma existência anterior interrompida:  Às vezes, o Espírito retorna à Terra por pouco tempo para completar provas deixadas incompletas em existências anteriores.  O Espírito pode ter tido uma existência passada curta (morte prematura) e, por isso, reencarna brevemente para cumprir um tempo mínimo de experiência corporal. Exemplo: Um Espírito que morreu jovem em uma encarnação anterior pode precisar de mais alguns anos de vida física para equilibrar seu processo evolutivo. A morte precoce não é punição para a criança, mas pode representar um ajuste espiritual do próprio Espírito. 122
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    2 – Missões: Missões breves, porém, espiritualmente significativas.  Ex: Marcel, a criança do n.º 4 – O Céu e o Inferno – pág. 278 3 – Prova ou expiação para os pais:  A perda de um filho pode ser uma lição de resignação, fé, amor ou desapego para os pais.  Em alguns casos, é um resgate cármico (por exemplo, pais que abandonaram filhos em vidas passadas agora experimentam a dor da perda).  O sofrimento da perda de um filho é uma das mais difíceis provas humanas. Em muitos casos, faz parte do resgate de débitos morais ou instrumento de amadurecimento espiritual para os envolvidos. 4 – Prova para o próprio Espírito da criança:  Em certos casos, viver pouco tempo é o que o Espírito precisa para avançar moralmente.  Resgate de débitos cármicos com encarnações curtas. 5 – Ajuda ao Espírito Desencarnado:  Em alguns casos, o Espírito que desencarna cedo pode ter tendências ou débitos de vidas passadas que seriam agravados se a vida se prolongasse. A interrupção precoce da encarnação é, então, uma misericórdia divina, que evita maiores quedas e permite ao Espírito recomeçar em melhores condições.  Lares desajustado, com frequentes conflitos – Provocaria maior sofrimento ao Espírito que está reencarnando (Entre a Terra e o Céu – cap. 10) Geralmente, o desencarne na infância é uma programação necessária tanto para o Espírito quanto para os envolvidos. Tudo na vida tem explicações, tem as suas razões. O esclarecimento e o consolo oferecidos pelo Espiritismo tornam mais leve a tristeza que representa, em especial, a morte na infância. Letra A De forma geral, o que diz a doutrina espírita acerca do destino das crianças que desencarnam prematuramente. Como por exemplo, para onde vão? O que ocorre com elas? Como fica a situação delas? 1 – Retorna para o mundo espiritual: • Ao desencarnar, o Espírito que animava o corpo da criança retorna ao mundo espiritual, sua verdadeira pátria. 123
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    • É crucialentender que a idade física não corresponde à idade do Espírito. • Um Espírito que se encontra em um corpo infantil é Espírito antigo e experiente, com um vasto histórico de vidas anteriores. 2 – Ausência de Sofrimento Umbralino: • A doutrina espírita não concebe "inferno" ou sofrimento direto para o Espírito da criança devido à sua morte prematura. Pelo contrário, por não terem tido tempo de desenvolver plenamente o livre-arbítrio para cometer grandes equívocos na encarnação recém-interrompida, são acolhidas e amparadas com muito amor. • Após o desencarne, a criança é acolhida por seus guias espirituais, familiares desencarnados ou benfeitores. Ela não fica "perdida" ou "sozinha". 3 – Retomada da Consciência e Forma Perispiritual:  No plano espiritual, o Espírito da criança não permanece indefinidamente com a forma de um bebê ou de uma criança pequena.  Ele tende a readquirir sua lucidez e a forma perispiritual que corresponde ao seu grau de adiantamento, geralmente a forma adulta que possuía em existências anteriores.  Processo gradativo em função da bênção do esquecimento e da perturbação espiritual pós-desencarne.  Espíritos mais evoluídos conseguem essa retomada da consciência e da forma adulta mais rapidamente, enquanto Espíritos menos evoluídos podem levar mais tempo, sendo assistidos por benfeitores espirituais. 4 – Período de Adaptação e Estudo:  Amparo e Reeducação: O amparo é total, e as crianças são conduzidas a locais apropriados, como o "Lar da Bênção" ou escolas específicas no mundo espiritual, onde continuam seu desenvolvimento sob a tutela de Espíritos mais elevados.  Há no plano espiritual instituições e colônias dedicadas ao acolhimento e amparo de crianças desencarnadas.  Nesses locais, elas recebem orientação, educação e auxílio para se adaptarem à nova realidade da vida espiritual.  É um período de repouso e aprendizado, onde podem se preparar para futuras reencarnações. 5 – Preparação para Nova Encarnação: • O objetivo final é a reencarnação. • Após um período de adaptação e aprendizado, o Espírito da criança se prepara para uma nova oportunidade de vida no corpo físico, muitas 124
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    vezes retornando àmesma família ou a um novo núcleo familiar que possa oferecer as condições necessárias para seu progresso. • O tempo para o retorno depende de cada situação. • O desencarne é apenas aquele momento, uma etapa. • A vida prossegue. A doutrina espírita nos convida a ver a morte na infância não como um fim trágico e sem sentido, mas como parte de um plano divino maior e justo, onde o Espírito segue sua jornada evolutiva, e a família terrestre tem a oportunidade de aprender e se fortalecer através da fé e do amor. Comentário de Allan Kardec: Kardec aprofunda com lógica e justiça: Se só existisse uma vida, as crianças mortas precocemente seriam “privilegiadas” com a felicidade eterna sem mérito, enquanto os demais passariam por duras provas — isso seria injusto. A reencarnação elimina esses privilégios e favorecimentos, estabelecendo:  Igualdade de oportunidades para todos.  Responsabilidade individual por escolhas e atitudes. A infância não é sinal de pureza garantida:  Há crianças com inclinações más, agressivas, cruéis, mesmo sem influência do meio.  Isso revela instintos trazidos de vidas anteriores, ou seja, o grau evolutivo do Espírito. A criança não sofre castigo por atos da infância, mas traz consigo tendências adquiridas em outras existências. A nova vida é oportunidade de regeneração. Ler: Entre a Terra e o Céu - Capítulos 9, 10 e 11 - pág. 61-80 Alvorada Nova – A partir da Pág. 111 ESE – Cap. V – item 21: Mortes prematuras – pág. 74-75 ESE – Cap. VIII – itens 3 e 4 - pág. 97-98 As mães de Chico Xavier – Biblioteca - A Bicicleta – pag. 110 e 111 - A criança após a morte - pág. 213-214 125
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    - Bebete –pág. 190-201 Mensagens - pág. 113 e 183 Exemplos de colônias e instituições infantis Lar da Bênção Entre a Terra e o Céu – Chico Xavier, pelo Espírito André Luiz “Colônia educativa, misto de escola de mães e domicílio dos pequeninos que regressam da esfera carnal” (Clarêncio) Localização O Lar da Bênção é uma colônia educativa espiritual que serve como domicílio para crianças desencarnadas. Está localizado em uma esfera espiritual onde a comunicação e a visita de mães da Terra a seus filhos são possíveis, funcionando como um ponto de encontro e aprendizado. Responsável: Blandina (Meimei) – É uma das responsáveis Quem foi Blandina (Meimei) • Irma de Castro Rocha – Mateus Lemes-MG (1922-1946) • Apelido fornecido pelo esposo – Pequena Flor • Teve uma vida simples marcada pela doçura, delicadeza e profundo amora Deus e ao próximo. • Aos 24 anos foi levada pela tuberculose, não realizando seu sonho de ser mãe. • No plano espiritual dedica-se ao amparo das crianças desencarnadas e à educação do Espírito na fase infantil, além de orientar as mães em sofrimento (encarnadas e desencarnadas) Estrutura O local (casa de Blandina) é descrito como um ambiente sereno e belo, composto por um grande parque com vegetação verde-clara e um pequeno castelo muito alvo, com ogivas azuis e trepadeiras em flor. O castelo é cercado por um extenso jardim perfumado com rosas e outras flores desconhecidas na Terra. O espaço é amplo o suficiente para abrigar grupos de crianças e mães. Objetivo 126
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     Acolher eeducar espíritos infantis que retornam prematuramente da vida terrena.  Permitir encontros temporários de mães desencarnadas ou em desdobramento com seus filhos.  Amparar casos de crianças em sofrimento psíquico ou físico após a desencarnação. Atividades  Reuniões de canto e jogos educativos.  Tratamento magnético e passes para reequilíbrio espiritual.  Atendimento individualizado, como no caso do menino Júlio.  Acolhimento materno por voluntárias espirituais que se dedicam como mães substitutas.  Visitas de mães terrestres (em espírito) para fortalecer laços afetivos.  Tratamento de casos graves em quartos individuais (ex.: criança com pesadelos e chagas energéticas). Destaques  Integração entre mães desencarnadas e seus filhos em clima de amor.  Exemplo do menino Júlio, que sofria sequelas espirituais de suicídio em encarnação passada e era assistido com carinho até futura reencarnação.  Ensinamento central: a Lei Divina é justa e perfeita – mesmo as crianças carregam consigo a herança espiritual de vidas anteriores, mas sempre amparadas pelo Amor de Deus.  A oração e o amor materno são forças que auxiliam na cura espiritual das crianças. O Lar da Bênção é, ao mesmo tempo, escola de ternura, hospital de almas e lar de reequilíbrio, mostrando como a Espiritualidade Superior conjuga justiça e misericórdia na educação dos pequenos espíritos. O Lar da Bênção é um oásis de amor e cura no plano espiritual, onde crianças recebem amparo para superar traumas e preparar-se para novas jornadas. O texto ilustra como o amor materno, a lei de causa e efeito e a misericórdia divina se entrelaçam no processo de evolução das almas. 127
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    Casa da Criançade Alvorada Nova Alvorada Nova - Abel Glaser – Pelo Espírito Cairbar Schutel – pág. 111-116. Localização: Colônia espiritual "Alvorada Nova" Responsável: Scheila Estrutura:  Prédio em formato de "U" (maior construção da colônia em área construída).  5 andares de material cristalino com armações metálicas, emitindo brilho intenso.  Jardins externos com chafariz de água prateada, caminhos coloridos e flores diversas.  Divisões internas: o Térreo: Sala de purificação energética, salão de recepção e administração. o Mezanino: Enfermaria para bebês espirituais em miniaturização (vítimas de aborto). o 1º andar: Setor para crianças doentes ou inadaptadas (atividades pedagógicas). o 2º andar: Alojamentos dos meninos (quartos com brinquedos e decoração lúdica). o 3º andar: Alojamentos das meninas (ambiente com flores fluidificadas para repouso). o Último andar: Salão de atividades coletivas (aulas, brincadeiras e cantorias).  Anexo: Pousada Celeste (local onde espíritos alteram sua forma para missões específicas). Objetivo:  Acolher crianças desencarnadas em condições especiais: o Vítimas de aborto (espíritos em miniaturização). o Crianças com desencarne traumático ou prematuro. o Espíritos que optam por permanecer em forma infantil para missões ou aprendizado. 128
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     Prepará-las parareencarnações futuras ou para atividades no plano espiritual.  Servir de campo de resgate e missão para trabalhadores espirituais. Atividades:  Purificação energética de recém-chegados (sala especial no térreo).  Atividades pedagógicas para superar traumas e sequelas do desencarne.  Aulas doutrinárias (último andar) sobre valores cristãos e evolução espiritual.  Brincadeiras e atividades lúdicas para estimular convívio comunitário.  Repouso em quartos com fluidos positivos (flores para meninas, aquários para meninos).  Preparação para reencarnação sob supervisão de mentores especializados. Destaques: 1. Capacidade: Abriga 2.550 crianças com apenas 250 trabalhadores (o amor multiplica a eficiência). 2. Trabalhadores notáveis: o Cairbar Schutel: Doutrina crianças com base no Evangelho. o Scheilla: Conduz crianças a reuniões com encarnados quando necessário. o Espíritos em resgate (ex.: ex-nazista arrependido) que trabalham para evoluir. 3. Pousada Celeste: Anexo onde espíritos mudam de forma (ex.: adulto → criança) para missões. 4. Mensagem central: A criança é o esteio da humanidade. Educá-la com instrução e amor é sublimar a causa do progresso evolutivo. Conclusão: A Casa da Criança de Alvorada Nova é um exemplo de organização, amor e eficiência espiritual, refletindo a importância do amparo à infância tanto no plano espiritual quanto na Terra. Seu modelo inspira a caridade e o trabalho fraterno, mostrando que o amor é a base para transformar realidades. 129
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    3. Núcleo daColônia Raios do Amanhecer (Norte da América do Sul / Amapá) Referências mediúnicas e estudos de espiritualistas  Localização: Norte da América do Sul, com abrangência até o estado do Amapá.  Responsável: Informações apontam para equipes espirituais integradas ao projeto de regeneração planetária.  Objetivo: o Atender Espíritos ligados à região amazônica e povos originários. o Instruir Espíritos infantis para missões futuras.  Atividades: o Ambientação espiritual com elementos da natureza. o Evangelização e práticas ligadas à espiritualidade natural.  Destaques: o Atua também com crianças desencarnadas vítimas de violência e abandono. o Fortemente ligada a projetos de luz e regeneração na transição planetária. 4. Cidade e Reino de Castrel A Vida Além do Véu – Rev. G. Vale Owen, por Frederic Myers  Localização: Região elevada do plano espiritual, semelhante a um “reino celeste”.  Finalidade: Acolhimento de almas puras, incluindo muitas crianças.  Cuidados com as Crianças: o Crianças são cuidadas por espíritos femininos e anjos de elevada pureza. o Estão em ambientes de luz suave, jardins e salas de aprendizado. o Desenvolvem-se espiritualmente até atingirem a maturidade do espírito.  Destaques: O processo é descrito como harmonioso e envolto em beleza celestial. Não há pressa para reencarnação; o foco está na elevação espiritual e na alegria. 130
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    Comunicação Quando o Espíritode uma criança se manifesta em uma reunião mediúnica (como ocorreu tantas vezes através do Chico Xavier no consolo aos corações dilacerados das mães) é aquela criança que está se manifestando ou é o seu tutor espiritual? Em geral, é o Espírito da própria criança que se manifesta. Mesmo desencarnando com poucos anos ou meses de vida, a criança não é um Espírito infantil, mas sim um Espírito antigo, com múltiplas encarnações anteriores, que estava temporariamente vivendo a infância naquele corpo. Após a desencarnação, esse Espírito retoma progressivamente sua consciência espiritual anterior, de acordo com seu grau de evolução e com o tempo necessário para se reequilibrar. Em várias obras espíritas, crianças desencarnadas se comunicam por meio de médiuns, demonstrando: - Consciência de sua condição; - Amor pelos pais; - Desejo de reencontro no futuro; - Compreensão do motivo de sua breve passagem na Terra. Assim, nas comunicações mediúnicas autênticas vemos crianças que se manifestam em linguagem simples ou simbólica, mas que expressam sentimentos, lembranças e afetos reais para consolar os familiares. Mas e se a criança desencarnou ainda bebê ou sem ter se desenvolvido intelectualmente? Mesmo nesses casos, o Espírito pode se comunicar. A manifestação pode ocorrer: 1. Diretamente, pelo Espírito da criança, que já readquiriu parte de sua consciência anterior e pode se comunicar com maturidade espiritual compatível com seu grau de evolução; 2. Com auxílio de tutores espirituais, que ajudam a organizar os pensamentos ou a modular a comunicação (sem falsificá-la), respeitando o tempo e o preparo do Espírito; 3. Através de um espírito intermediário, nos raros casos em que a criança ainda está em recuperação fluídica e não tem condições de se manifestar sozinha. Nesse caso, o tutor ou mentor não finge ser a 131
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    criança, mas transmitemensagens dela com fidelidade, às vezes citando isso explicitamente. Chico Xavier dizia que o mundo espiritual tem “educandários” e "lares de amparo" para acolher crianças desencarnadas, onde elas são tratadas com extremo carinho, amor e orientação, até que estejam prontas para seguir seu processo evolutivo – seja reencarnando ou assumindo tarefas no plano espiritual. Exemplo: No livro Crianças no Além (Espírito: diversos, médium: Chico Xavier) Há relatos tocantes de crianças que desencarnaram ainda pequenas, mas se comunicam com lucidez e carinho aos pais, mostrando que:  Relembraram suas vidas anteriores;  Compreenderam os motivos de sua partida precoce;  Continuam amando seus familiares e os aguardam. Conclusão Portanto, na maioria das vezes, é o próprio Espírito da criança quem se manifesta, mesmo que tenha desencarnado em tenra idade. A infância é apenas um estágio do corpo físico — o Espírito por trás dela é milenar e traz sua bagagem. Quando isso não é possível, mentores ou tutores espirituais podem auxiliar, sempre respeitando a verdade, a individualidade e os laços afetivos. A Doutrina Espírita ensina que os laços verdadeiros não se rompem com a morte. Pais e filhos que se amam reencontrar-se-ão no mundo espiritual, ou se reunirão em futuras reencarnações. A perda pode ser temporária, mas os laços são eternos quando baseados no amor. Espiritismo se constrói com ideias e com fé raciocinada, doa a quem doer. Conduta espírita 132
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    Como ficam oscasos de entidades infantil, como Cosme e Damião? Eles permanecem com a aparência de criança por longos anos ou até séculos?  O Espírito, na essência, não é criança nem adulto — a infância é só uma fase encarnatória.  Contudo, há relatos mediúnicos (especialmente em obras de Chico Xavier) de espíritos que desencarnam ainda crianças e se apresentam com aparência infantil por um tempo, seja por amor aos familiares ou para facilitar reconhecimento.  Esses espíritos podem se mostrar doces e brincalhões, mas possuem maturidade espiritual condizente com seu nível evolutivo. Cosme e Damião são considerados Espíritos que viveram vidas de grande abnegação no passado, possuindo um elevado grau de evolução moral. Eles não são "crianças" no sentido de terem permanecido com a mentalidade ou a forma perispiritual de crianças por séculos. Cosme e Damião, embora popularmente associados à infância nas religiões afro-brasileiras (como o Candomblé e a Umbanda), não são propriamente espíritos infantis no sentido literal do termo. Eles representam uma força simbólica de pureza, alegria e proteção à infância, mas, em essência, são espíritos evoluídos que assumem, por amor e missão, a aparência e vibração de crianças para atuar de maneira eficaz junto aos pequeninos e aos humildes. A presença contínua de espíritos na forma infantil ocorre não por estagnação, mas por finalidade amorosa e funcional. Entidades como Cosme e Damião são expressões vibracionais de luz, assumindo esse “molde” por razões espirituais mais profundas — jamais por imaturidade. Biografia Concisa de Cosme e Damião Cosme e Damião foram dois irmãos médicos, martirizados no século III d.C., conhecidos como os "Santos Médicos" ou "Santos Gêmeos". Dados Principais:  Nascimento: Século III, na região da Arábia (possivelmente na cidade de Egéia).  Família: Cristãos devotos, filhos de uma nobre família.  Profissão: Médicos, atendiam gratuitamente e pregavam o cristianismo. 134
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     Milagres: Realizavamcuras em nome de Jesus, convertendo muitos ao cristianismo.  Morte: Perseguidos pelo imperador romano Diocleciano, foram torturados e decapitados por se recusarem a renunciar à fé cristã (c. 303 d.C.). Culto e Sincretismo:  Igreja Católica: Santos padroeiros de médicos, farmacêuticos e crianças. Festa em 26 de setembro.  Espiritismo: Associados à caridade, são vistos como espíritos de luz que auxiliam crianças desencarnadas.  Religiões Afro-Brasileiras: Sincretizados com os Ibejis (orixás crianças no Candomblé) ou Erês (na Umbanda), representando alegria e proteção infantil. Curiosidade:  No Brasil, são celebrados com distribuição de doces para crianças, refletindo sua ligação com a pureza e o auxílio aos pequenos. 135
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    É quase comumhaver relatos de crianças que dizem ter um amiguinho que conversam, brincam, se divertem, mas que outras pessoas não o veem. Esse seria o mesmo caso já mencionado acima? Esses amiguinhos seriam Espíritos com uma certa evolução e que se apresentam com a aparência de criança? E por que esses Espíritos se apresentam às crianças? Amiguinhos invisíveis — Quem são eles? Na maioria dos casos relatados, essas presenças que as crianças descrevem como “amiguinhos” são: 1. Espíritos protetores ou benfeitores que se apresentam com aparência infantil para estabelecer afinidade e confiança com a criança; 2. Espíritos desencarnados da mesma idade, muitas vezes irmãos, priminhos ou colegas de outras existências que mantêm laços afetivos; 3. Espíritos simpáticos, que se aproximam da criança pela leveza vibratória e pela pureza do ambiente familiar. Eles são Espíritos com evolução moral ou podem ser sofredores?  Nem sempre são evoluídos, mas quase sempre são inofensivos e ligados afetivamente à criança.  Espíritos mais evoluídos que se apresentam como crianças — como acontece com a falange dos Erês, no sincretismo afro-brasileiro — adotam essa forma por escolha, por identificação com a simplicidade, a alegria e a leveza.  Já os menos esclarecidos também podem se aproximar, mas nesse caso, podem influenciar emocionalmente a criança — por isso, a vigilância e o acompanhamento dos pais é sempre essencial. Por que os Espíritos aparecem para crianças com mais frequência? 1. Sensibilidade natural Durante os primeiros anos da vida, o Espírito é mais acessível às impressões do mundo espiritual, porque ainda não está completamente ligado à matéria. As crianças mantêm uma conexão mais espontânea com o mundo espiritual — algo que tende a diminuir conforme a mente racional se fortalece. 2. Pureza de coração A criança possui uma energia mais pura, vibrando em amor, confiança, leveza e alegria — o que facilita a aproximação de Espíritos afins com essas vibrações. 136
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    3. Afinidade espiritual Muitasvezes, a criança reencarna em famílias onde há Espíritos protetores ou irmãos espirituais que acompanham seu desenvolvimento desde cedo, criando laços desde a infância. 4. Missões específicas Em alguns casos, a criança é médium desde muito cedo, e os “amiguinhos” são parte de um preparo espiritual para sua missão futura (como no caso de médiuns de infância descritos por Chico Xavier e outros estudiosos espíritas). Quando se preocupar? A presença de “amiguinhos invisíveis” não é um problema em si. Mas os pais devem observar:  Se a criança demonstra medo, sofrimento ou alterações bruscas de comportamento;  Se há influência para comportamentos inadequados ou reações fora do normal;  Se a criança não perde esse vínculo com o “amigo” com o passar dos anos. Nestes casos, é prudente procurar ajuda espiritual num centro sério e equilibrado, além de acolher a criança com diálogo, segurança e amor. Esses “amiguinhos” são Espíritos, e nem todos são crianças em essência — alguns são Espíritos superiores que se apresentam com doçura e simplicidade. 137
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    A criança quandodesencarna é amparada, auxiliada pelos mentores e equipes espirituais encarregadas de encaminhar para adaptação da transição. Mas o que acontece com a criança ou o Espírito que se manifesta esporadicamente para algumas pessoas através de choro. Muitas pessoas relatam que ouvem criança chorando. Apesar que no caso de abortos provocados isso é possível diante da situação do Espírito, mas e quando não foi aborto provocado? há muitos relatos, inclusive em ambientes domésticos ou naturais, de pessoas que ouvem o choro de crianças — às vezes repetidamente, às vezes de forma isolada. No contexto espírita, algumas possibilidades podem ser consideradas, sempre com muito respeito, discernimento e responsabilidade: Crianças desencarnadas ainda em estado de perturbação Mesmo não sendo aborto provocado, pode haver situações em que o desencarne tenha sido traumático (como em acidentes, doenças súbitas, violência ou negligência). O Espírito pode demorar um pouco para se recompor, mantendo resquícios das sensações da vida física, inclusive emocionais.  O choro pode ser uma manifestação da perturbação pós-desencarne, não no sentido físico, mas como uma emanação fluídica captada mediunicamente por encarnados mais sensíveis.  Em geral, essas manifestações não significam abandono, mas transição ainda em curso. Espíritos infantis próximos de antigos laços afetivos Algumas vezes, o choro ou a presença é percebida por mães, pais ou familiares que ainda estão fortemente ligados afetivamente ao Espírito desencarnado da criança.  O Espírito pode se manifestar em busca de consolo mútuo, ou tentando se fazer notar.  Em alguns casos, o Espírito é socorrido e acolhido rapidamente, mas as formas-pensamento emocionais emitidas pelos familiares podem "repetir" essas sensações por um tempo, como impressões fluídicas residuais. Vínculos interrompidos antes do nascimento 138
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    Mesmo quando nãohouve aborto provocado, pode haver perdas gestacionais espontâneas (abortos naturais), natimortos ou mortes perinatais. O Espírito pode ter encarnado apenas brevemente para experiências específicas.  Ainda assim, o Espírito pode manter uma ligação fluídica com o ambiente ou com a mãe por algum tempo, manifestando-se eventualmente.  O choro, nesses casos, pode ser simbolicamente percebido como um apelo por carinho, reconhecimento ou liberação. Nem todo choro é um Espírito infantil: pode ser apenas ressonância psíquica Às vezes, o choro ouvido é resultado de uma psicosfera impregnada, especialmente em locais onde houve muito sofrimento infantil (como hospitais, asilos, zonas de conflito etc.).  Isso não representa necessariamente a presença consciente de um Espírito, mas uma impressão fluídica repetida, como um registro mediúnico ambiental, que pode ser percebido por pessoas sensitivas.  Um local que concentra tristeza ou abandono infantil pode "repetir" essas manifestações, como se fossem ecos energéticos. O que fazer?  Prece é sempre o melhor caminho: para acolher, libertar e iluminar os Espíritos infantis em transição.  O Evangelho no Lar ajuda a renovar o ambiente, favorecer a harmonia espiritual e servir de ponte para os benfeitores espirituais atuarem.  Quando for recorrente ou perturbador, pode-se buscar auxílio em centros espíritas preparados para orientação e diálogo com Espíritos necessitados, inclusive os infantis. 139
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    LAR DA BÊNÇÃO– RESUMO: O Lar da Bênção trata-se de uma importante colônia educativa, misto de escola de mães e domicílio dos pequeninos que regressam da esfera carnal (onde encontram apoio para se refazerem). O Lar da Bênção é descrito como um local onde há parques, é um grande educandário, onde são recebidos milhares de Espíritos em estado de desencarnação como crianças que necessitam de um emergencial reajustamento no perispírito. O parque conta com árvores vigorosas cobertas de flores coloridas, tem inúmeros jardins que emitiam ondas de suave perfume, com árvores em cujo galhos havia um bando de aves a desfilar. É dividido em milhares de lares, onde cada irmã cuida de mais ou menos 12 crianças cada uma, recebendo diariamente encarnadas (em desdobramento) e desencarnadas para visitar seus filhos. Há um grande conjunto de lares, nos quais muitas almas femininas se reajustam para a venerável missão da maternidade e juntamente com as colaboradoras, multidões de meninos (as) encontram abrigo para o desenvolvimento que lhe é necessário, salientando-se que quase todos se destinam ao retorno à Terra para a reintegração ao aprendizado que lhes compete. Todos eles recebem o apoio de que necessitam ao seu reajustamento (tanto espiritual, como no perispírito). 140
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    4.6 – SEXOSNOS ESPÍRITOS 200 – Os Espíritos têm sexos? Não como o entendeis, pois, os sexos dependem do organismo. Entre eles há amor e simpatia baseados na identidade de sentimentos. COMENTÁRIOS: A resposta se refere a Espíritos mais evoluídos. Essa questão aborda a diferença entre o sexo físico e a individualidade espiritual. O Sexo e a Identidade Sexual no Plano Espiritual O corpo provém do corpo, o Espírito não provém do Espírito. Portanto, não há sexo no mundo espiritual da maneira que compreendemos aqui no planeta. - O Espírito não tem sexo. - A sexualidade como conhecemos é uma característica biológica, ligada ao corpo físico. - O Espírito é imaterial e não possui órgãos sexuais nem identidade sexual permanente. A Relação entre o Espírito e o Corpo Físico - O corpo é um "traje" temporário que o Espírito utiliza para evoluir na matéria. - Os órgãos sexuais são uma característica do corpo físico, fundamental para a reprodução e para a experiência terrena. As Relações no Plano Espiritual - As relações são pautadas por amor e simpatia baseados na identidade de sentimentos. - A atração, ligações afetivas e a união entre os espíritos se dão por uma profunda afinidade de ideias, simpatias, afinidades fluídicas, valores morais e propósitos, independentemente do gênero. - Espíritos afins podem se reencontrar e continuar suas jornadas evolutivas juntos, independentemente de terem sido homens ou mulheres em encarnações passadas. - O amor é a expressão da comunhão de sentimentos e ideais, não estando preso à sensualidade. 141 LIVRO SEGUNDO: MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS Capítulo IV: Pluralidade das Existências
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    A Influência doNível Evolutivo - Nos níveis medianos e imperfeitos, o Espírito através do seu perispírito pode manter a ideia de polaridade sexual masculina ou feminina devido às emanações fluídicas que traz da sua última encarnação, depende do seu estado mental e vibratório. Dependendo do nível evolutivo, essa ideia pode ser maior ou menor. Muitos ainda permanecem presos à sensualidade descontrolada. A morte não resolve o desequilíbrio sexual. Os que vivem entregues aos desregramentos passionais não encontram paz ao desencarnar. A loucura decorre da desorganização dos centros do perispírito, exigindo reparações longas. Livro: No Mundo Maior – Capítulo 11 André Luiz foi com Calderaro a um centro de estudos onde mentores instruem trabalhadores da assistência na Crosta. O emissário iria abordar questões sobre sexo. O mentor, envolto em luz, explicava de forma clara e sincera. Apresentou uma espécie de mapa evolutivo da consciência humana em relação ao sexo, mostrando três grandes grupos de Espíritos encarnados, cada qual num degrau de aprendizado. 1º Grupo – A maioria: instinto sexual como força dominante  Mais da metade da humanidade ainda fixa a mente na zona instintiva.  Essas criaturas concentram suas forças no sexo, que é a principal via de prazer, sensação e experiência.  Daí decorrem distúrbios nervosos, ansiedades e desequilíbrios. São os irmãos em fase infantil da evolução, que ainda não conseguem criar felicidade sem recorrer constantemente à excitação dos sentidos. 2º Grupo – O uso da razão, mas ainda presos ao ego  Muitos já alcançaram a razão, dominando parte do instinto.  Porém, continuam seduzidos pela vaidade, orgulho, poder e evidência.  Mesmo realizando trabalhos úteis e cultivando paixões nobres, ainda buscam realce e prepotência, usando a inteligência para manter domínio sobre outros. 142
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    Estão além dafase puramente instintiva, mas ainda enredados em ilusões do egoísmo e da vaidade. 3º Grupo – Pequena minoria: rumo à angelitude  Após equilibrar o sexo no instinto e conquistar méritos pelo trabalho e responsabilidade, um pequeno número de almas passa a buscar algo maior.  Não encontram plena alegria no corpo, nem no reconhecimento social, mas aspiram aos círculos mais altos da vida.  Estão no limiar da superconsciência, sentindo-se entre as sombras da noite (mundo material) e as promessas da aurora (esferas divinas).  Para eles: o O sexo, a vida social e os bens terrenos têm valor, mas como oportunidade de servir ao bem. o Seus sentimentos se sublimam. o Passam a pressentir a Divindade e a desejar profunda união com Deus São os que já se candidatam à angelitude, tendo ultrapassado os limites do ego e caminhando para o amor universal. 201 – O Espírito que animou o corpo de um homem, em nova existência, pode animar o de uma mulher, e vice-versa? Sim, são os mesmos Espíritos que animam os homens e as mulheres. COMENTÁRIOS: Adquirimos a polaridade masculina ou feminina quando nos reencarnamos. O mesmo Espírito que reencarna hoje na condição masculina, amanhã poderá reencarnar na condição feminina, se assim for necessário para o seu aprendizado, prova ou missão. Todos nós que estamos hoje reencarnados no planeta, no histórico das nossas reencarnações já passamos pelas experiências em ambas as sexualidades e em ambas as polaridades. Os Espíritos trocam de posições quantas vezes lhes forem necessárias, no que tange ao corpo físico, de homem ou de mulher. Um Espírito que animou muitas vezes um corpo de homem pode, perfeitamente, animar, em outras oportunidades, corpos de mulher. 143
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    Espírito, na profundidadedo termo, não tem sexo; o sexo se apresenta no perispírito diferenciando e, ao mesmo tempo, ajustando a matriz da carne como homem ou mulher. No entanto, mesmo no perispírito ele pode desaparecer pela sublimação do Espírito.  A encarnação como homem ou mulher faz parte do currículo evolutivo do Espírito.  Cada experiência sexual contribui para desenvolver aspectos distintos da alma. Exemplos simbólicos:  No corpo masculino: habilidades de liderança, firmeza, raciocínio lógico.  No corpo feminino: intuição, sensibilidade, empatia. Um Espírito que foi um guerreiro violento em uma vida masculina pode reencarnar como mulher para aprender sensibilidade e cuidado. A compreensão de que o espírito pode alternar entre masculino e feminino nos orienta a respeitar as escolhas e identidades de cada indivíduo, reconhecendo que a essência do ser reside no espírito, e não em sua forma física temporária. Isso tem implicações profundas para a tolerância, a fraternidade e a compreensão das diversas expressões da sexualidade e da identidade de gênero na sociedade. 202 – Quando se é Espírito, prefere-se encarnar no corpo de um homem ou de uma mulher? Isso pouco importa ao Espírito; ele escolhe segundo as provas que deve suportar. Allan Kardec: Os Espíritos se encarnam homens ou mulheres porque eles não têm sexos. Como devem progredir em tudo, cada sexo, como cada posição social, lhes oferece provas e deveres especiais, além da oportunidade de adquirir experiência. Aquele que fosse sempre homem não saberia senão o que sabem os homens. COMENTÁRIOS: Temos que analisar o objetivo do Espírito quando reencarna. 144
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    O Espírito quandoreencarna tem por objetivo promover sua evolução.Quando vem para a reencarnação programa uma vivência para que dentro daquela nova existência corporal passe pelas experiências necessárias para o seu crescimento. Dentro dessa programação virá com o sexo mais apropriado com as experiências programadas. Há experiências que são específicas para o sexo feminino, ou para o sexo masculino. Daí a necessidade de vir como homem, ou como mulher. Há outras experiências que se programam para vivenciar que independe de estar como homem ou como mulher, como vencer o orgulho, vencer a vaidade. E se nessa experiência for irrelevante a polaridade sexual, poderá vir de acordo com sua preferência psicológica. O Espírito não tem sexo, mas pode ter sua preferência, diante das experiências que já possui e do aproveitamento que já se teve no decorrer dessas experiências. O Espírito pode reencarnar com a polaridade invertida. O psiquismo numa polaridade e o corpo em outra. Vários fatores que podem levar à inversão (homossexualidade) ou intersexualidade: (Sexo e Destino – Cap. 09 da 2ª parte Inversão e intersexo) 1 – Preferência psíquica Uma das razões para a reencarnação em polaridade invertida é a acumulação de reencarnações sucessivas no mesmo sexo, criando uma tendência psíquica que pode não coincidir com a condição física escolhida ou exigida em uma nova existência. 2 – Provas necessárias O Espírito pode precisar vivenciar experiências no corpo em desacordo com sua preferência íntima para desenvolver renúncia, aprendizado emocional (aceitação, autoestima), respeito e equilíbrio diante do desafio. 3 – Expiações Alguns Espíritos que abusaram do sexo, foram reprimidas ou se reprimiram, exploraram pessoas ou usaram o poder de forma desequilibrada podem 145
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    renascer em situaçãoinvertida para refrear impulsos, reparar danos ou experimentar na própria pele aquilo que causaram. 4 – Missões específicas Há Espíritos que assumem essa condição voluntariamente, a fim de contribuir com maior sensibilidade em tarefas de arte, cuidado, fraternidade, educação ou mesmo para ajudar a humanidade a rever preconceitos e ampliar a compreensão do amor. 5 – Educação espiritual Assim como encarnações com deficiências físicas, doenças ou limitações servem para disciplinar e fortalecer o Espírito, a reencarnação em polaridade invertida também pode ser uma forma de exercício de autocontrole e sublimação das energias sexuais. Também podem vir com restrições físicas (mutilações, inibições etc.), sempre com finalidade educativa e regeneradora, nunca como castigo. Preconceito humano e suas consequências A hostilidade e discriminação social dificultam ou impedem que o Espírito cumpra sua tarefa de vida. Muitos são forçados à hipocrisia, escondendo sua identidade para sobreviver, o que gera sofrimento desnecessário e atrasa o progresso coletivo. A polaridade invertida não é castigo. É prova, missão ou ajuste no caminho do Espírito. Cada situação é planejada para favorecer o crescimento, a reparação e a evolução rumo ao amor verdadeiro, não apenas do próprio ser, mas da coletividade. Uso das energias Sexuais (desequilíbrios) 1. Causa (ações do Espírito quando encarnado) - Mau uso da energia sexual: erotização, abusos, infidelidade, promiscuidade, violência, leviandade, crimes passionais. - Crueldade mental: traição, engano, abandono, promessas em nome do amor não cumpridas, desrespeito aos sentimentos alheios. 146
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    - Fixações inferiores:ciúme, egoísmo, prazer transitório, descontrole dos instintos, busca do prazer sensorial às custas do sofrimento alheio, armando "ciladas aos corações incautos". - Inibições extremas: inibição extrema da energia sexual, repressões doentias que também desequilibram o psiquismo. - Esquecimento da finalidade divina do sexo: força criadora voltada ao amor, cooperação e evolução. 2. Consequências imediatas e após o desencarne - Durante a encarnação: • Distúrbios psíquicos: ansiedade, depressão, obsessões, semiloucuras, ciúme, insatisfação, descontrole dos instintos. • Doenças físicas: Doenças sexuais (DSTs), infertilidade, somatizações, distúrbios nervosos, câncer (mama, ovários, próstata) • Desajustes comportamentais e sociais: separações, crimes passionais, abandono, infanticídio, aborto, devassidão, suicídio. - Após o desencarne: • Sequelas no perispírito: Trauma perispirítico" com desajustes nos tecidos sutis da alma. • Zonas purgatórias: Fixação em estados de desequilíbrio, loucura, tormentos em regiões infernais devido às vibrações desequilibrantes geradas. • Obsessões mútuas entre desencarnados e encarnados. • Culpa e remorso: Intensificados pela luz do conhecimento espiritual, gerando angústia e sofrimento. 3. Assistência espiritual  Equipes socorristas: Equipes socorristas atuam em resgates difíceis e auxílio aos espíritos em desequilíbrio, especialmente em quadros obsessivos e de loucura.  Instituições espirituais (como “Instituto Almas Irmãs”) acolhem espíritos em sofrimento afetivo-sexual, oferecendo: o Ensino sobre sexo e amor, sexo e maternidade, sexo e penalogia (leis kármicas). o Tratamento com passes, esclarecimento, apoio fraterno e reeducação do sentimento. o Preparação para reencarnações de resgate. o Acompanhamento contínuo através de registros individuais (fichas) do progresso espiritual. 147
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     Intercessão: Espíritossuperiores intercedem por aqueles em zonas inferiores, mesmo após o fracasso.  A espiritualidade não pune: auxilia, mas respeita a lei de causa e efeito. 4. Mecanismos de ajuste (Lei de Causa e Efeito) Os reflexos dos traumas ou desequilíbrios registrados no perispírito como “cicatrizes espirituais” se manifestam em novas existências físicas:  Condições físicas: Mutilações congênitas, paralisia, senilidade precoce, câncer infantil, Câncer nos órgãos reprodutores (mama, próstata, ovário, útero), enfermidades nervosas, patologias sem causa aparente.  Condições psíquicas: Alienação mental, angústia, ansiedade, obsessão, idiotia, miséria moral e psíquica.  Provas específicas: Infertilidade e limitações reprodutivas, síndromes (Turner, Klinefelter) como oportunidades de aprendizado em resiliência e amor.  Reencarnação em corpos invertidos: Para resgatar crueldades cometidas contra o sexo oposto.  Limitações afetivas: solidão, dificuldades de relacionamento, privações afetivas ou sexuais como provas educativas e para o desenvolvimento de virtudes como paciência e renúncia.  Reencarnações de resgate: Retorno ao mesmo ambiente ou com as mesmas almas prejudicadas para reparar danos. Não são castigos: São mecanismos de reeducação e reequilíbrio (lei de causa e efeito). 5. Orientação e caminho de cura  Autoconhecimento e aceitação: reconhecer as tendências íntimas, sem medo e sem revolta. Entender que não somos punidos, mas convidados a aprender.  Perdão e reparação: curar as mágoas do passado, perdoando e se reconciliando; compreender que cada coração ferido precisa de reparo.  Disciplina dos pensamentos: vigiar para não alimentar fantasias, ressentimentos ou fixações inferiores, substituindo-os por ocupações edificantes.  Afeto sublimado: aprender a amar sem posse, com respeito, amizade, serviço e fraternidade. 148
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     Uso responsávelda energia sexual: quando em família, vivê-la com responsabilidade, respeito e fidelidade; quando solteiro, buscar sublimar através de atividades úteis, artes, estudo e caridade.  Oração e ligação com Deus: cultivar a confiança de que ninguém está sozinho, e que os mentores e amigos espirituais acompanham todo esforço sincero.  Exemplo de Jesus: compreender que Ele mostrou a vitória do amor sobre todas as formas de egoísmo, convidando-nos à fraternidade universal. Mensagem final Muitas vezes erramos no uso do amor, do afeto e da energia sexual. Esses erros deixam marcas em nossa alma, mas não somos condenados: somos convidados a recomeçar. Deus não castiga, Ele educa. Cada dificuldade, cada prova, cada conflito íntimo, é um recurso para nos ensinar a amar melhor. O caminho da cura começa pelo perdão, por nós mesmos e pelos outros. Segue pela disciplina dos pensamentos, pela oração sincera e pelo trabalho no bem. Se não podemos amar de forma plena ainda, aprendamos a servir, a estender as mãos, a falar palavras de consolo, a respeitar o próximo. A energia do amor, quando bem dirigida, nos transforma em filhos de luz. Sigamos o exemplo de Jesus, que fez do amor a sua maior obra. Lembremo-nos: não importa o tamanho da queda, sempre é possível recomeçar. O Pai nunca desampara. E cada esforço sincero de mudança já é vitória da alma. Que possamos nos enxergar como almas eternas, aprendizes em evolução, e usar nossas energias para construir um mundo de luz, onde o amor seja sempre a lei maior. Devemos sempre agradecer os nossos pais que nos receberam com amor. Paz e renovação para todos! Ú Livro Ação e Reação – Capítulo 15 – pág. 213 Ú Livro Evolução em dois mundos – Capítulo 18 – 1ª Parte – pág. 141 149
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    Ú Livro Evoluçãoem dois mundos – Capítulo 16 – 2ª Parte – pág. 213 Ú Livro No Mundo Maior – Capítulo 11 – pág. 153 Ú Livro Sexo e Destino – Capítulo 9 – 2ª Parte – pág. 271 150
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    TUDO É AMOR AndréLuiz Observa, amigo, em como do amor tudo provém e no amor tudo se resume. Vida – é o Amor existencial. Razão – é o Amor que pondera. Estudo – é o Amor que analisa. Ciência – é o Amor que investiga. Filosofia – é o Amor que pensa. Religião – é o Amor que busca Deus. Verdade – é o Amor que se eterniza. Ideal – é o Amor que se eleva. Fé – é o Amor que se transcende. Esperança – é o Amor que sonha. Caridade – é o Amor que auxilia. Fraternidade – é o Amor que se expande. Sacrifício – é o Amor que se esforça. Renúncia – é o Amor que se depura. Simpatia – é o Amor que sorri. Altruísmo – é o Amor que se engrandece. Trabalho – é o Amor que constrói. Indiferença – é o Amor que se esconde. Desespero – é o Amor que se desgoverna. Paixão – é o Amor que se desequilibra. Ciúme – é o Amor que se desvaira. Egoísmo – é o Amor que se animaliza. Orgulho – é o Amor que se enlouquece. Sensualismo – é o Amor que se envenena. Vaidade – é o Amor que se embriaga. Finalmente, o ódio, que julgas ser a antítese do Amor, não é senão o próprio Amor que adoeceu gravemente. Tudo é Amor. Não deixes de amar nobremente. Respeita, no entanto, a pergunta que te faz, a cada instante, a Lei Divina: “COMO?”. Da Obra “Apostilas da Vida” -Espírito: André Luiz - Médium: Francisco Cândido Xavier. Digitado por: Lúcia Aydir. 151
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    LGBTQIAPN+ A sigla LGBTQIAPN+é uma forma inclusiva de representar a diversidade de identidades de gênero e orientações sexuais. Cada letra traz um grupo específico:  L – Lésbicas: mulheres que sentem atração afetiva e/ou sexual por outras mulheres.  G – Gays: homens que sentem atração afetiva e/ou sexual por outros homens.  B – Bissexuais: pessoas que sentem atração por mais de um gênero (homens e mulheres, ou além disso).  T – Transgêneros/Transexuais/Travestis: pessoas cuja identidade de gênero é diferente do sexo designado ao nascer.  Q – Queer: termo guarda-chuva para quem não se encaixa na heteronormatividade ou nas classificações tradicionais de gênero/sexualidade.  I – Intersexo: pessoas que nascem com variações biológicas (genitais, cromossomos ou características sexuais) que não se enquadram totalmente no padrão masculino ou feminino.  A – Assexuais/Arromânticos: pessoas que não sentem atração sexual (assexuais) ou não sentem atração romântica (arromânticos).  P – Panssexuais: pessoas que sentem atração por outras independentemente do gênero.  N – Não-binários: pessoas que não se identificam exclusivamente como homem ou mulher; podem transitar entre gêneros ou não se identificar com nenhum.  + – sinal de inclusão, representando todas as demais identidades e orientações que não estão listadas, mas fazem parte da diversidade humana. 152
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    Sexo e sexualidade Cadapessoa é única e pode apresentar quanto à sexualidade uma combinação de características diferentes. 1. Sexo biológico Refere-se a características físicas observáveis no corpo: genitália, cromossomos, hormônios e características secundárias (como pelos, voz, formato do corpo).  Masculino: geralmente XY, produção de testosterona, pênis e testículos.  Feminino: geralmente XX, produção de estrogênio/progesterona, vagina e ovários.  Intersexo: quando a pessoa nasce com variações que não se encaixam nos padrões típicos de "masculino" ou "feminino". o Exemplos: cromossomos diferentes (XXY, X0), genitália ambígua, variações hormonais. o Estima-se que até 1,7% da população apresente alguma forma de intersexo — ou seja, não é algo tão raro quanto muitos pensam. 2. Orientação Sexual Refere-se a quem a pessoa sente atração afetiva, romântica e/ou sexual.  Heterossexual: atração por pessoas de outro gênero.  Homossexual (gay, lésbica): atração por pessoas do mesmo gênero.  Bissexual: atração por mais de um gênero.  Assexual: ausência ou baixa atração sexual.  Pansexual: atração independente de gênero. Ou seja, orientação é sobre quem eu amo ou desejo. Pode ser por pessoas do mesmo gênero (homossexualidade), de gênero diferente (heterossexualidade), por mais de um gênero (bissexualidade, pansexualidade), ou nenhuma atração sexual (assexualidade). 3. Identidade de Gênero É a forma como a pessoa se percebe internamente em relação ao gênero.  Homem cisgênero: nasceu com corpo masculino e se identifica como homem.  Mulher cisgênero: nasceu com corpo feminino e se identifica como mulher.  Transgênero: identidade não corresponde ao sexo biológico atribuído ao nascer.  Não-binário: não se reconhece totalmente como homem ou mulher, podendo transitar ou se identificar em outro espectro. Aqui, identidade é sobre quem eu sou internamente. - Uma pessoa pode se identificar como homem, mulher, ambos, nenhum ou algo diferente do binário tradicional. 153
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    - Isso independedo sexo biológico. - Exemplo: uma pessoa que nasceu com corpo masculino, mas se identifica e vive como mulher, tem identidade de gênero feminina. Ou seja: responde à pergunta “quem eu sou?”. 4. Expressão humana de Gênero É o modo como a pessoa se apresenta socialmente, por meio de roupas, cabelo, gestos, voz, maquiagem, adereços, etc.  Masculina  Feminina  Andrógena (mistura de traços considerados masculinos e femininos)  Neutra Expressão é sobre como eu mostro quem eu sou para o mundo. É sobre como a pessoa se mostra ao mundo, através de roupas, gestos, voz, comportamento, estilo. - Pode ser mais “masculina”, mais “feminina” ou uma mistura, e não precisa coincidir com identidade ou orientação. - Exemplo: um homem heterossexual pode ter uma expressão mais delicada e feminina, e uma mulher lésbica pode ter expressão mais masculina, sem que isso altere sua identidade ou orientação. - Ou seja: responde à pergunta “como eu me apresento?”. Conclusão Uma mesma pessoa pode ter combinações diferentes:  Um homem trans (identidade masculina, mas nascido biologicamente mulher) pode ser heterossexual, homossexual ou bissexual.  Uma mulher cis pode ter expressão de gênero andrógena e orientação pansexual.  Alguém não-binário pode se expressar ora de forma feminina, ora masculina, sem que isso determine sua orientação sexual. Ou seja, não é uma caixinha fixa, mas um conjunto de dimensões que se cruzam e formam a riqueza da experiência humana. - Biologicamente, nem todos nascem só como “homem” ou “mulher”. - O intersexo mostra que a natureza é diversa. - Gênero e orientação sexual são outras camadas além do corpo físico, não determinadas automaticamente pelo sexo biológico.  Orientação sexual = por quem eu sinto atração.  Identidade de gênero = quem eu sou por dentro.  Expressão de gênero = como eu me mostro por fora. 154
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    4.7 – PARENTESCO,FILIAÇÃO A família não é apenas resultado do acaso biológico, mas expressão de um planejamento espiritual.  Espíritos são reunidos como pais, filhos e parentes para aprenderem juntos, repararem faltas e se ajudarem mutuamente.  Quando há amor e afinidade, é sinal de reencontros felizes; quando há dificuldades, são lições e reconciliações necessárias. Os vínculos terrenos oferecem oportunidades de aprendizado, reparação e crescimento, mostrando que cada reencarnação em determinado lar tem uma finalidade justa e sábia dentro das leis divinas. A família é a primeira escola da alma, onde se aprende amor, paciência, reconciliação e solidariedade. 203 – Os pais transmitem aos filhos uma porção da sua alma, ou se limitam a dar-lhes a vida animal a que uma nova alma, mais tarde, vem adicionar a vida moral? A vida animal somente, porque a alma é indivisível. Um pai estúpido pode ter filhos inteligentes, e vice-versa. COMENTÁRIOS: Como Espírito todos nós fomos criados por Deus, simples e ignorantes. Cada Espírito é uma individualidade única, criada simples e ignorante, e não se divide nem se reparte. Os Espíritos são independentes. Não há como os pais “doarem” parte de sua alma aos filhos. Em uma nova reencarnação, nossos pais nos fornecem somente os elementos necessários para a formação do nosso corpo físico. Por que muitos pais e filhos se parecem? Na aparência física é natural, pois o corpo vem do corpo. Essa herança é genética, orgânica e transmite características físicas, temperamentos, predisposições de saúde etc. Com relação à personalidade, é que ambos normalmente já fazem parte de uma mesma família espiritual e vão adquirindo um aprendizado paralelo, em comum, dentro de experiências semelhantes. 156 LIVRO SEGUNDO: MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS Capítulo IV: Pluralidade das Existências
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    Portanto, os paisnão transmitem aos filhos parte das suas almas, pois a alma é indivisível. Somente fornecem meios para que os corpos se organizem. Síntese:  Os pais não transmitem a alma, apenas o corpo.  Cada filho é um Espírito autônomo, com inteligência e caráter próprios.  O lar é um campo de convivência, não uma fusão de essências espirituais. Devemos gratidão aos nossos pais que nos receberam com amor. 204 – Uma vez que temos tido várias existências, a parentela remonta além da nossa existência atual? Não pode ser de outra forma. A sucessão das existências corporais estabelece entre os Espíritos laços que remontam às existências anteriores. Daí, muitas vezes, decorrem as causas da simpatia entre vós e certos Espíritos que vos parecem estranhos. COMENTÁRIOS: Cap. 14, item 8 – Evangelho Segundo o Espiritismo. Nas nossas experiências reencarnatórias e nas nossas vivências na erraticidade vamos formando elos de amizade com aqueles Espíritos que conviveram conosco, que dividiram experiências conosco. Temos inúmeras reencarnações construindo nossa história e em algumas delas convivemos com o mesmo grupo em que estamos. Nunca estamos sós. Estamos sempre em grupos para o aprendizado da convivência. Esses Espíritos que estão muito ligados não se mudam muito, geralmente, o mesmo grupo de Espíritos vem acompanhando um ao outro através dos tempos. Aqueles que convivem conosco hoje, provavelmente, já estiveram em outras reencarnações, dentro do mesmo núcleo familiar, como vizinho, como colega de trabalhado, dividindo e compartilhando experiências. Vamos sempre caminhando juntos. Neste momento da vida estamos no lugar certo, com as pessoas certas, pois são com elas que a gente tem os débitos a resgatar, algo a aprender, a ensinar, ou seja, tem um programa de vida para o crescimento de todos. 157
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    Quando reencarnamos emuma família, por necessidade de aprendizado, criamos vínculos de amizade ou, às vezes de ódio; contudo, isso é processo que se desenvolve entre as criaturas. Se amamos, esse é o nosso dever, a nossa finalidade; se odiamos, tornamos a voltar, para que o amor se faça presente nos corações. Estamos ligados uns aos outros por leis universais. A família de sangue é importante como ambiente de provas, reconciliações e aprendizados, mas a verdadeira família é a dos laços espirituais, que são eternos, fortalecem-se com o bem e transcendem o tempo e a matéria. 205 – Na opinião de certas pessoas, a doutrina da reencarnação parece destruir os laços de família fazendo-os remontar às existências anteriores. Ela os estende, mas não os destrói. A parentela, estando baseada sobre as afeições anteriores, os laços que unem os membros de uma família são menos precários. Ela aumenta os deveres da fraternidade, visto que, entre os vizinhos ou entre os servidores, pode se encontrar um Espírito que esteve ligado a vós pelos laços consanguíneos. 205.a) Ela diminui, entretanto, a importância que alguns dão à sua genealogia, visto que, pode ter por pai um Espírito pertencente a outra raça e vindo de uma condição diferente? É verdade, mas essa importância se baseia no orgulho; o que a maioria honra em seus ancestrais, são os títulos, posição e fortuna. Alguém que coraria por ter como antepassado um honesto sapateiro, se gabaria de descender de um gentil homem debochado. Mas o que quer que digam ou façam, não impedirão que as coisas sejam como são, porque Deus não regulou as leis da Natureza pela sua vaidade. (*) COMENTÁRIOS: 14, item 8 – ESE Essa questão refere à preocupação de Kardec de que a reencarnação pudesse “desfazer a família”. Na verdade, ela mostra que o Espiritismo dá à família uma dimensão eterna e universal. 158
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    - A reencarnaçãonão destrói os laços de família, ao contrário, os amplia e fortalece. - Os vínculos familiares deixam de ser vistos como algo restrito a uma única geração e passam a ser entendidos como resultados de relações anteriores. - A fraternidade se expande, porque em qualquer posição social ou relação cotidiana (um vizinho, um empregado, um colega), pode estar alguém que já foi nosso parente em outras vidas. Se pegarmos a doutrina da não reencarnação, os laços que vinculam um membro ao outro da mesma família consanguínea se iniciam no nascimento do filho e se rompem com a morte de um deles. Então o destino de cada um ao morrer pode separar eternamente os membros de uma mesma família. Basta que um vá para o céu e o outro vá para o inferno e eternamente estarão separados. Os vínculos familiares se romperão para sempre. (Conforme os dogmas da teologia tradicional) Buscando a doutrina da reencarnação, como nos ensina a doutrina espírita, já há laços entre os Espíritos no nascimento, pois ao nascer estará fazendo parte de uma família consanguínea e certamente já tiveram muitas existências em comum. Os Espíritos caminham juntos, compartilhando os mesmos laços, que pode até ser de sentimentos negativos. Porém no decorrer das diversas reencarnações vão transformando o ódio em amor. Letra A A importância que muitos dão à genealogia (raça, títulos, posição social) está baseada no orgulho humano. A reencarnação desmonta essa vaidade, pois mostra que podemos ter sido, em outras vidas, de qualquer raça ou condição social. Cultivar o amor somente entre os ancestrais, oferecer atenção somente àqueles com os quais convivemos, amar só os nossos familiares a consciência em Cristo nos diz que reforça o egoísmo e o próprio orgulho A doutrina da reencarnação como lei que vigora em todos os mundos onde os Espíritos reencarnam, alicerça a verdadeira fraternidade, por alimentar o amor universal entre todas as criaturas. A lei da reencarnação é divina, pois elimina os limites de onde poderemos viver. As leis divinas não se regulam pela vaidade humana: somos todos iguais perante Deus. 159
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    Amar a todose a tudo, pois, se a criação vem de Deus, somos todos irmãos, na graça e misericórdia do Senhor. 206 – Do fato de não haver filiação entre os Espíritos descendentes de uma mesma família, segue-se que o culto dos ancestrais seja uma coisa ridícula? Seguramente que não, porque se deve sentir feliz de pertencer a uma família na qual Espíritos elevados se encarnaram. Embora os Espíritos não procedam uns dos outros, eles não têm menos afeição aos que lhes estão ligados pelos laços de família, visto que os Espíritos, frequentemente, são atraídos em tal ou tal família em razão de simpatia ou por ligações anteriores. Mas crede que os Espíritos dos vossos ancestrais não se honram pelo culto que lhes fazeis por orgulho. Seus méritos não refletem sobre vós senão pelo esforço que fizerdes para seguir os bons exemplos que vos deram, e é só assim que a lembrança pode não somente lhes ser agradável, mas até útil. COMENTÁRIOS: Há entre nós a família consanguínea, mas a mais importante é a família espiritual. Grupo de Espíritos que estabeleceram elos de simpatia ou de desafeto e que estão juntos na jornada evolutiva em razão daquilo que já construíram juntos ou dos equívocos estabelecidos juntos em jornadas reencarnatórias anteriores. Seres que convivem na nossa família consanguínea, acrescidos de outros que se relacionam na mesma trajetória, como vizinhos, colegas de trabalho, grupo religioso, etc., pessoas que convivem conosco que também fazem parte da nossa família espiritual. Dentro desse grupo, muitos antepassados nos são caros, seja pelo que representaram na sociedade em que vivemos, seja pelo exemplo que nos deixou. Muitas vezes o que nos fornece a simpatia (orgulho) por um antepassado é a posição que tenha ocupado na sociedade, às vezes, pela liderança através do orgulho, da violência, o exagero na riqueza. É uma situação que não é cara à espiritualidade. O que nos une aos nossos antepassados é a busca do aprendizado, daquilo que eles verdadeiramente representaram em nossas vidas. O verdadeiro culto aos ancestrais não deve ser orgulho social e a vaidade genealógica, com ostentação, apenas para exaltar nomes ou títulos. 160
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    O que realmentehonra um antepassado é seguir seus bons exemplos e virtudes, uma lembrança respeitosa e inspiradora baseada em amor e gratidão. Apenas assim a lembrança se torna agradável para eles e útil para nós. Pode até ser pela lei da reencarnação que esse antepassado que eu me ligo foi até eu mesmo. Posso ter sido na linha da minha família, o meu bisavô. (Livro Há Dois Mil anos). Quando nos lembrarmos deles, devemos acrescentar sempre gratidão e orar pelos antepassados pedindo a Deus para os abençoar onde eles se encontrarem e, ainda mais, devemos cultivar o bem que eles plantaram, através das sementes de moralidade, de trabalho e de amor. O que importa na união da família e fora dela é o amor. Só o amor nos une. O amor bem vivenciado vai nos ensinar a conviver para ampliar da nossa jornada evolutiva. 161
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    4.8 – SEMELHANÇASFÍSICAS E MORAIS 207 – Os pais transmitem, frequentemente, aos filhos uma semelhança física. Transmitem também uma semelhança moral? Não, uma vez que têm alma ou Espírito diferentes. O corpo procede do corpo, mas o Espírito não procede do Espírito. Entre os descendentes das raças não há senão consanguinidade. (*) 207.a) De onde provêm as semelhanças morais que existem, algumas vezes, entre pais e filhos? São Espíritos simpáticos, atraídos pela semelhança de suas tendências. COMENTÁRIOS: A cada um de nós foi dada a escolha a que caminho tomar, conforme o livre arbítrio. E nesse caminhar vamos fazendo escolhas que nos proporciona diferenciar uns dos outros. Membros de uma mesma família espiritual são seres que já conviveram no transcorrer da vida em várias jornadas evolutivas que muitas vezes aprenderam juntos, também erraram juntos e permanecem juntos nessa caminhada por afinidades de gosto, de habilidades, de tendências. Os membros de uma mesma família espiritual quando renascem no seio de uma mesma família consanguínea, como pais e filhos muitas vezes se apresentam com os mesmos pendores morais porque aprenderam juntos no passado. Não são iguais, mas se assemelham porque estão juntos na mesma caminhada. O filho não herda do pai os valores morais que possa ter, mas cabe ao pai instruir o filho, redirecioná-lo na vida, reeducá-lo no momento próprio quando perceber uma tendência negativa na personalidade desse ser que lhe foi confiado por Deus. Nós atraímos uns aos outros enquanto membros da família por afinidades, daí a explicação da semelhança que pode muitas vezes existir nos valores morais e ético entre pais e filhos. Mas nem sempre é assim. Às vezes em uma mesma família há aquele que é bem diferente dos pais, na forma de pensar e agir. Nem sempre são Espíritos afins que formam uma família. Há Espíritos que nada herdam dos familiares. Aparecem como um meteoro nos céus de uma família, cumprindo uma missão e deixando ali, as bênçãos do exemplo de 162 LIVRO SEGUNDO: MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS Capítulo IV: Pluralidade das Existências
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    luz. Outros, vindodo mais baixo, recebem dessa família impulsos para o bem, porque Deus é amor e não se esquece dos Seus filhos no aprendizado. Portanto, a semelhança moral é, na verdade, uma manifestação da lei de afinidade que uniu aqueles espíritos sob o mesmo teto, para que pudessem seguir suas jornadas evolutivas juntos. O legado mais importante dos pais para os filhos não é a semelhança moral, mas o ambiente e as condições para que o espírito individual possa florescer e evoluir, impulsionado pelas afinidades que os uniram. A família é um laboratório de aprendizado e evolução mútua. 208 – Os Espíritos dos pais não exercem influência sobre o do filho, depois do nascimento? Uma influência muito grande; como dissemos, os Espíritos devem concorrer para o progresso uns dos outros. Muito bem! Os Espíritos dos pais têm por missão desenvolver os dos seus filhos pela educação; é para eles uma tarefa: se falharem, serão culpados. COMENTÁRIOS: Missão dos pais: Dentre as diversas atividades que podemos desenvolver enquanto encarnados, a mais sublime e transformadora é a missão de ser pai ou mãe. Não se trata apenas de gerar ou criar um filho, mas de assumir diante de Deus um compromisso espiritual: o de guiar uma alma em crescimento, oferecendo-lhe direção, valores e amor. Deus confia aos pais não apenas o corpo físico dos filhos, mas sobretudo a orientação moral deles. Portanto, os filhos são empréstimos de Deus que confia a nós o direcionamento moral dos seus filhos. Cooperação para o Progresso Mútuo: Os Espíritos devem "concorrer para o progresso uns dos outros". A família é um dos principais campos para essa colaboração. Na cooperação para o progresso, os pais não são apenas guias, mas também aprendem e crescem junto com os filhos. Muitas vezes, os filhos vêm para corrigir, despertar sentimentos ou fortalecer virtudes nos pais. A família é o primeiro templo onde se aprende a amar, respeitar e evoluir. 163
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    É nela queos filhos recebem os primeiros ensinamentos sobre o bem, sobre o Evangelho, sobre o sentido da vida. Os pais são os primeiros educadores, não apenas pelas palavras que dizem, mas principalmente pelos exemplos que oferecem. Cada gesto, cada escolha, cada reação é uma lição silenciosa que molda o caráter e a consciência dos filhos. Educação como dever sagrado A palavra "educação" aqui tem um sentido amplo, que vai além do aprendizado escolar. Ela engloba a formação do caráter, o desenvolvimento moral, a orientação sobre as leis da vida e a distinção entre o bem e o mal. O Espírito reencarnado chega com tendências próprias (boas e más), mas cabe aos pais ajudar no despertar das virtudes, oferecendo-lhe as ferramentas necessárias para que possa superar suas imperfeições e seguir em seu caminho evolutivo. Educar é mais do que instruir. É cultivar. É regar diariamente com paciência, presença e afeto. É estar junto, ouvir, dialogar, participar. É mostrar, com atitudes, que os valores do Evangelho não são apenas ideias bonitas, mas caminhos possíveis e necessários para uma vida plena. Responsabilidade moral A paternidade e a maternidade não é uma simples função biológica, mas uma tarefa espiritual. É uma tarefa sagrada e séria. O aviso final "se falharem, serão culpados" destaca a seriedade dessa responsabilidade. Nossa responsabilidade moral, enquanto pais, é imensa. Deus nos confia Seus filhos, como empréstimos preciosos, esperando que sejam conduzidos com sabedoria e amor. E se houver negligência, se o exemplo faltar, se o coração se ausentar, as consequências não se apagam. Cada omissão, negligência ou mau exemplo é uma dívida espiritual que um dia será cobrada pela consciência, diante da Lei Divina. Isso não significa que responderemos pelas escolhas futuras dos nossos filhos (pois cada Espírito é livre), mas que responderemos por não termos dado as bases morais necessárias. Concluindo 164
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    Por isso, serpai ou mãe é um chamado à grandeza. É uma oportunidade de servir a Deus através do cuidado com o outro. É uma chance de crescer junto, de aprender com os erros, de se renovar a cada dia. Não existe fórmula mágica, mas existe a fé, a oração, o esforço sincero de fazer o melhor. Que cada um de nós, enquanto pai ou mãe reconheçamos a beleza e a seriedade dessa missão. Que não tratem a paternidade e a maternidade como tarefas comuns, mas como caminhos sagrados de evolução. E que, ao final da jornada, possamos olhar para trás com serenidade, sabendo que fizemos o possível para conduzir nossos filhos à luz. 209 – Por que de pais bons e virtuosos nascem filhos de natureza perversa? Melhor dizendo, por que as boas qualidades dos pais não atraem sempre, por simpatia, um bom Espírito para lhes animar o filho? Um mau Espírito pode pedir pais bons, na esperança de que seus conselhos o encaminhem para um caminho melhor e, frequentemente, Deus lhe concede. COMENTÁRIOS: Essa questão à primeira vista, pode parecer injusto. Mas à luz da espiritualidade, compreendemos que tudo obedece à misericórdia e à justiça divina. Muitos Espíritos, arrependidos de seus erros passados, pedem a Deus a oportunidade de renascer em lares virtuosos. Desejam, com sinceridade, absorver os bons exemplos e evitar recaídas. Propósito: Um Espírito rebelde ou atrasado moralmente pode ser confiado a pais virtuosos como oportunidade de reeducação moral, na esperança de ser influenciado positivamente por eles. Ele busca um ambiente que o ajude a corrigir suas falhas e se desviar de um caminho de erro. Busca receber melhores condições de reforma íntima Misericórdia Divina Deus, em Sua infinita bondade, concede essa chance, confiando aos pais a missão de guiar esses corações em busca de redenção. 165
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    Colocar um espíritocom dificuldades em um lar onde ele receberá bons exemplos e conselhos é uma forma de auxiliá-lo a evoluir. Isso demonstra a bondade e a paciência divinas. É um recurso divino para oferecer ao Espírito rebelde um ambiente favorável de regeneração, que ele talvez não tivesse em outro meio. A reencarnação em ambientes elevados é uma dádiva, mas nem sempre é permitida. Em muitos casos, o Espírito precisa enfrentar desafios mais duros para desenvolver sua força interior. Independentemente do ambiente, há sempre vigilantes da vida maior inspirando e auxiliando cada núcleo familiar. A força do exemplo Os pais bons funcionam como modelos vivos, que podem influenciar positivamente o filho por meio do amor, da paciência e da orientação. É como plantar uma semente: mesmo que a terra seja difícil, o cultivo pode dar frutos. O Papel dos Pais Virtuosos: Para os pais, a prova de ter um filho com tendências morais opostas às suas é um grande desafio. Eles são testados em sua paciência, amor incondicional e capacidade de educar. Se eles forem bem-sucedidos em guiar o filho, sua própria evolução será acelerada. Se fracassarem, terão perdido uma valiosa oportunidade de progresso. Os pais não são culpados pela perversidade anterior do Espírito do filho, mas respondem se falharem em orientá-lo quando Deus lhes confia essa missão. Mesmo diante de grandes desafios, os pais devem manter o compromisso de educar com paciência, firmeza e espiritualidade. Que possamos acolher nossos vínculos familiares com mais compreensão, reconhecendo que cada desafio é uma oportunidade de crescimento espiritual. Que o amor prevaleça onde antes houve dor, e que a misericórdia de Deus continue guiando nossos passos com sabedoria e luz. 210 – Podem os pais, por seus pensamentos e preces, atrair para o corpo do filho um bom Espírito, de preferência a um Espírito inferior? 166
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    Não, mas podemmelhorar o Espírito do filho a que deram nascimento e que lhes foi confiado; é seu dever. Os maus filhos são uma prova para os pais. COMENTÁRIOS: A reencarnação de um filho no seio de uma família não ocorre por acaso. Para cada nova reencarnação há uma programação no mundo espiritual, onde são analisadas as necessidades de todas as pessoas envolvidas (pai, mãe, filho, irmãos, avós, etc.). Os filhos vêm em determinada família pela necessidade do conjunto, da aprendizagem de todos ali envolvidos. Não adianta a gente querer que venha um ser angélico para reencarnar em nossa família. Virá aquele cuja condição é necessária tanto para ele quanto para a gente na condição de pais e demais familiares. Às vezes vem com a fragilidade na saúde ou com algum problema físico. Tudo depende das necessidades dos envolvidos. Uma vez confiado o filho, cabe aos pais se dedicarem à sua educação moral, espiritual e afetiva. A oração, neste caso, pode ajudar muito, mas, não muda a vontade de Deus; o Espírito inferior nasce, porém em condições melhores, devido à força da prece dos pais. Deve-se sempre orar, cultivando a caridade, fazer o culto do Evangelho no lar, porque os que retornam à carne, encontrando este ambiente, sentem a felicidade e a esperança nas suas novas lutas, e podem, com isso, se precaverem de muitos males. As preces, os bons exemplos e o ambiente de amor podem transformar gradualmente até mesmo um Espírito de tendências inferiores. Filhos difíceis como prova Quando nasce um filho rebelde, ingrato ou perverso, isso representa uma provação para os pais, testando sua paciência, resignação e perseverança no bem. É também uma oportunidade de redenção mútua, pois muitas vezes há vínculos de vidas passadas que estão sendo reajustados. Eficácia das preces Embora não determinem a escolha do Espírito antes da encarnação, as preces sinceras têm grande valor durante a vida, sustentando, amparando e iluminando o filho em suas lutas íntimas. A presença de filhos difíceis é prova e oportunidade de crescimento para os pais. A oração e o exemplo são os maiores recursos de auxílio e transformação. 167
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    Que possamos compreenderque não escolhemos os Espíritos que chegam até nós, mas somos escolhidos para ajudá-los a crescer. Que nossas preces não sejam para mudar o destino, mas para fortalecer nossa capacidade de cumprir com amor o papel que nos foi confiado. Plantemos a semente do amor que colheremos os frutos da fraternidade. 211 – De onde provém a semelhança de caráter que existe, muitas vezes, entre dois irmãos, sobretudo se gêmeos? São Espíritos simpáticos que se aproximam pela semelhança de seus sentimentos e que são felizes por estarem juntos. COMENTÁRIOS: Certamente entre os irmãos gêmeos há uma relação anterior. Uma relação que justifica eles virem tão próximos assim. As semelhanças de caráter, de personalidade é devido a essa vivência anterior. As experiências realizadas no mesmo meio familiar, no mesmo meio cultural da sociedade em que os receberam. Na convivência há a assimilação das experiências de uns para com os outros. Se estão juntos é porque juntos têm algo a fazer, algo a realizar. Em muitos casos, os irmãos gêmeos são Espíritos simpáticos, que se unem por afinidade de sentimentos, porém, nem todos são assim. Pode acontecer o contrário: serem Espíritos inimigos que a justiça divina faz se reencontrarem na formação biológica, no sentido de que se processe o perdão com mais eficiência. Os gêmeos, por vezes, têm semelhança de caráter, sendo que não devemos generalizar esse fato, porque em outros casos são completamente diferentes, em matéria de conduta e mesmo em semelhança física. São Espíritos, e cada um é, pois, um mundo à parte, com suas tendências e atividades em busca da luz. Seja por afinidade ou por resgate, a presença de irmãos — gêmeos ou não — é sempre uma oportunidade de crescimento. A família é o laboratório onde se experimenta o amor em suas múltiplas formas: fraternal, parental, conjugal e espiritual. 168
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    A convivência entreirmãos consanguíneos é uma escola de sentimentos, onde aprendemos a lidar com as diferenças, a valorizar os pontos em comum e a superar os conflitos com maturidade e compaixão. Que possamos olhar para nossos irmãos (de sangue ou de alma) com mais gratidão. Que reconheçamos nesses vínculos a mão de Deus, reunindo corações que se amam, se desafiam e se fortalecem mutuamente. E que, em cada relação familiar, possamos enxergar a oportunidade de crescer juntos, na luz do amor e da fraternidade. 212 – Nas crianças em que os corpos estão ligados e que têm certos órgãos em comum, existem dois Espíritos, melhor dizendo, duas almas? Sim, mas sua semelhança, frequentemente, faz com que pareçam apenas um, aos vossos olhos. COMENTÁRIOS: Gêmeos xifópagos ou siameses – nascem com os corpos unidos. Compartilham alguns órgãos. A Doutrina Espírita aborda a situação dos irmãos siameses ou xifópagos (termo médico) sob a ótica da reencarnação e da Lei de Causa e Efeito. Essa situação não é um acaso biológico, mas como uma provação ou expiação planejada espiritualmente com propósitos de aprendizado e reconciliação. - A ciência explica como ocorre a formação do corpo físico. - A doutrina espírita explica a causa dessa situação. O Espírito reencarnado atua na mente. Apenas em uma mente. Portanto, gêmeos siameses com duas cabeças, dois cérebros, obviamente são dois Espíritos que estão reencarnados e, por algum motivo os corpos estão ligados. Mesmo que a medicina tente explicar no mundo material, as causas verdadeiras estão no mundo espiritual, nos débitos, nas necessidades de aprendizado dos Espíritos que renasceram nessa condição, assim como, os Espíritos próximos (os pais, irmãos, avós,...) Provavelmente, haja débitos entre esses Espíritos que fizeram com que eles se afastaram em outras oportunidades deixando de resgatar e, de repente, a vida os traz juntos, unidos para que nessa experiência tenham a 169
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    oportunidade de umestar ao lado do outro sempre, oportunizando aprender e crescer enquanto Espírito. A força da justiça divina usa de todos os meios para a devida reconciliação. Um dos meios é os Espíritos nascerem em corpos ligados, que os obriga a respirarem juntos, a comerem juntos, a descansarem juntos, com aptidões, ideias e gostos diferentes. Aprendem a renúncia, a paciência, a eliminar o egoísmo, a respeitar e ser respeitados. A assistência dos pais ajuda esses Espíritos, pelo carinho que não falta, faz sentirem a bondade de Deus mesmo no arrocho das provas. É uma experiência muito difícil que se souberem passar com amor, dedicação, fé e resignação, com certeza darão um grande passo para a sua evolução. Deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão; e, então, voltando, faz a tua oferta." (Mateus, 5:24). Jesus nos mostra a necessidade da reconciliação. E é esta reconciliação que buscam esses irmãos siameses. A condição dos gêmeos siameses, embora rara e desafiadora, é uma lição profunda que a vida nos oferece. Dois Espíritos que dividem o mesmo corpo mostram a todos nós que ninguém caminha sozinho e que a interdependência é lei da existência. O que para os olhos humanos pode parecer sofrimento ou injustiça, para a visão espiritual é oportunidade de reconciliação, de aprendizado no amor e de reparação de faltas passadas. Que possamos olhar para esses exemplos com respeito e compaixão, lembrando que cada vida, em qualquer condição, é sagrada. E que sempre precisamos uns dos outros para crescer em direção à luz. Que possamos, diante de cada prova, reconhecer o cuidado de Deus. Que aprendamos a enxergar além da aparência, acolhendo cada ser como um irmão em jornada de evolução. E que, inspirados por esses Espíritos corajosos, sejamos mais fraternos, mais pacientes e mais conscientes de que o amor é sempre o caminho. A oferta que o Pai quer de nós é nosso coração sincero: amar o próximo Há realmente duas almas. Muitas das razões pelas quais esses Espíritos vêm juntos é porque a maioria deles são Espíritos que em vidas passadas foram desafetos, inimigos e que 170
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    vieram nessa condiçãopara aprenderem a viver juntos, a desenvolver o amor. Muitas vezes são Espíritos que estavam tão ligados fluidicamente um ao outro no plano espiritual devido ao ódio que carregavam dentro dos seus corações que seus perispírito ficaram como se estivessem ligados e acabam imprimindo isso no corpo físico (simbiose, entrelaçados), necessitando reencarnar juntos para superar aquelas dificuldades. 171
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    Gêmeos Xifópagos (Siameses):Visão Integrada (Ciência e Espiritismo) I. Causa e Organização Perispiritual Perspectiva Causa da União Física Organização Perispiritual Científica (Médico- Biológica) Divisão Incompleta do Zigoto. Ocorre com gêmeos idênticos (monozigóticos) quando o óvulo fecundado se divide tardiamente e de forma incompleta (após o 13º dia de fecundação), resultando em embriões unidos. Não aborda o perispírito. Foca na falha do desenvolvimento embrionário e nas consequências anatômicas. Espírita Simbiose Energética e Mental entre os Espíritos reencarnantes. Os dois perispíritos (moldes do corpo) estão entrelaçados ou fundidos na região que corresponde à união física. Isso reflete um vínculo vibratório patológico trazido do passado (ódio, obsessão, culpa) ou um ajuste planejado pelos Benfeitores. II. Motivações e Objetivos da Reencarnação A condição de xifópago é uma prova extrema e uma oportunidade redentora sob a Lei de Causa e Efeito (Ação e Reação): 1. Reconciliação e Expiação Compulsória (Causa mais citada): Espíritos que foram inimigos implacáveis em vidas passadas (por ódio, violência ou crimes mútuos) são forçados à convivência inseparável. O corpo siamês é um "atalho pedagógico" para que o ódio seja sublimado pela solidariedade e pelo amor mútuo. 2. Reparação de Débitos Conjuntos: Resgate de faltas graves cometidas em parceria (abuso de poder, desunião, crimes), exigindo que a reparação seja feita em conjunto, na dor e na limitação. 3. Ajuste Terapêutico (Planejamento Espiritual): Os Guias Espirituais dosam e planejam essa união para que ela sirva como a terapia mais eficaz. A união é uma imposição da misericórdia divina, evitando que o ódio se perpetue. 172
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    III. Dificuldades eLições Morais A. Dificuldades para os Reencarnantes  Coordenação e Limitação Física: A necessidade de coordenar movimentos e ações com outra vontade e mente, exigindo paciência e renúncia constantes.  Conflitos de Vontade: Embora o corpo físico seja o mesmo, há duas mentes e duas almas com personalidades, gostos e necessidades emocionais distintas. A convivência forçada exige a superação constante do egoísmo.  Identidade e Autonomia: O desafio de desenvolver a individualidade em um corpo compartilhado, incluindo questões de relacionamentos, trabalho e vida social. B. Dificuldades para os Familiares  Provação Familiar: Receber filhos siameses é uma prova de grande magnitude para os pais, que são convocados a exercitar o amor incondicional, a paciência e a fé. - Sobrecarga emocional, financeira e física nos cuidados. - Enfrentamento do olhar social, entre compaixão e curiosidade. Muitas vezes, a família também está em reajuste com os Espíritos reencarnados.  Escolhas Éticas: A família é confrontada com decisões difíceis (como cirurgia de separação, quando aplicável), que testam o discernimento e a capacidade de renúncia. C. Lição para a Sociedade (Missão de Testemunho) A existência dos gêmeos siameses tem um profundo impacto moral na sociedade, servindo como: 1. Testemunho da Lei de Amor: Demonstra, de forma inequívoca, que o Espírito é maior que a forma física. Mesmo na união mais extrema, há duas individualidades distintas e capazes de progresso. 2. Valorização da Vida: A condição siamesa coloca em xeque conceitos de autonomia e perfeição física, despertando a compaixão e a reflexão sobre o respeito à vida em qualquer condição. 3. Supremacia da Mente sobre a Matéria: A coordenação e a capacidade de superação das gêmeas mostram o poder do Espírito em adaptar e harmonizar-se com as mais severas limitações orgânicas. Em síntese, enquanto a ciência descreve como o fenômeno ocorre a nível biológico, o Espiritismo oferece a resposta para por que dois Espíritos se submetem a essa experiência, apontando para a Justiça Divina que transforma a dor em oportunidade de crescimento. 173
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    Por que onome “siameses”? O termo “gêmeos siameses” surgiu a partir do caso histórico de Chang e Eng Bunker, irmãos nascidos em 1811 na região do Sião (atual Tailândia). Eles eram unidos pelo tórax e compartilhavam parte do fígado. Tornaram-se famosos mundialmente ao se apresentarem em circos e exposições nos Estados Unidos e Europa.  O nome “siameses” foi popularizado por causa da nacionalidade dos irmãos.  Embora o termo ainda seja usado popularmente, o nome médico correto é gêmeos xifópagos, que significa “unidos pelo esterno” (do grego xiphos = espada, pagos = fixado). Exemplos notáveis de gêmeos xifópagos 1. Chang e Eng Bunker (1811–1874)  Unidos pelo tórax.  Casaram-se com duas irmãs e tiveram 21 filhos no total.  Viviam alternando o tempo entre as duas famílias. 2. Abigail e Brittany Hensel (nascidas em 1990)  Unidos por um único corpo com duas cabeças.  Cada uma controla um lado do corpo.  São professoras e vivem com independência e harmonia. 3. Ladan e Laleh Bijani (1974–2003)  Gêmeas iranianas unidas pela cabeça.  Buscaram cirurgia de separação em Cingapura, mas infelizmente não sobreviveram ao procedimento. 4. Krista e Tatiana Hogan (nascidas em 2006)  Unidas pela cabeça, com uma ponte neural que permite compartilhar sensações.  Vivem no Canadá e são estudadas por neurocientistas. 5. Gêmeas brasileiras: Maria Clara e Maria Eduarda (nascidas em 2010)  Unidas pelo abdômen e tórax.  Foram separadas com sucesso em cirurgia realizada em Goiânia. (Shivnath e Shivram) 174
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    213 – Vistoque os Espíritos encarnam como gêmeos por simpatia, de onde vem a aversão que se vê, algumas vezes, entre estes últimos? Não é uma regra que os gêmeos sejam Espíritos simpáticos; maus Espíritos podem querer lutar juntos no teatro da vida. COMENTÁRIOS: O fato de nascerem juntos não implica necessariamente em simpatia espiritual. A encarnação simultânea pode ter várias causas: afinidade, necessidade de progresso mútuo ou mesmo provas a serem enfrentadas. Quando existe aversão entre gêmeos, isso indica que eles não são Espíritos simpáticos, mas que foram colocados juntos na vida física por uma razão maior, ligada ao aprendizado e à lei de progresso. O ódio também une as criaturas. Já que o amor adoeceu, elas se unem para a cura desse amor, para se auxiliarem mutuamente e vencer esse sentimento que prejudica e faz todos sofrerem. O ódio está sempre presente quando ainda não conseguimos vencê-lo em nosso coração. Espíritos que já tiveram conflitos ou rivalidades em outras existências podem renascer juntos para aprender a superar ressentimentos. Pode ocorrer que ainda no mundo espiritual esses Espíritos programam estarem juntos na condição de irmãos gêmeos para que coabitando o mesmo útero, sendo criados pela mesma mãe, conduzidos pela mesma família, aprendam a conviver mutuamente, fazendo uma transformação dos sentimentos negativos pelos sentimentos do amor, retirando o ódio dos seus íntimos definitivamente. É uma oportunidade dada a esses irmãos que programam reencarnar nessa condição almejando essa conquista de vencer esses sentimentos negativos alimentados um contra o outro durante reencarnações anteriores. A proximidade física força a convivência, oferecendo chances de perdoar, compreender e transformar o ódio em fraternidade. Aqueles que conseguem vencer, iniciam uma bela história totalmente livre do ódio, transformado em amor. É a Lei divina em ação, promovendo o nosso crescimento, fornecendo os instrumentos para avançarmos e uma das formas é através dos irmãos gêmeos. 175
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    214 – Quepensar das histórias de crianças que se agridem no ventre materno? Lendas! Para exemplificar que seu ódio era inveterado, fizeram-no presente antes do nascimento. Geralmente, não levais em conta as figuras poéticas. COMENTÁRIOS: Estórias de povos antigos diziam que irmãos gêmeos lutavam entre si ainda no ventre da mãe. Isso não existe. Na realidade, os bebês se movimentam no ventre da mãe e essa movimentação dos dois, às vezes confunde dando a ideia de que estão se debatendo. Quando o Espírito se coloca para uma nova reencarnação ele entra em fase de esquecimento das questões do passado. Então qualquer sentimento de ódio, de desavença que possa ter ocorrido entre aqueles dois Espíritos que reencarnarão como irmãos gêmeos estará esquecido naquele momento, como também, na primeira infância. Período em que os pais devem conduzir para a reciprocidade no amor. Só no final da primeira infância ou na adolescência é que vão aparecendo pouco a pouco os traços da personalidade e formas de viver de antes. As sutilezas da personalidade, as emoções do passado, questões que formam o caráter do Espírito vão pouco a pouco se apresentando, mas depois de uma fase em que os pais tiveram a oportunidade de redirecionar, de educar seus filhos dentro dos princípios do amor, vivenciando o que Jesus nos ensinou. Por isso não há nenhuma razão para que dois bebês se debatessem no ventre da mãe. A ideia de "briga no ventre" é simbólica – Em muitas culturas, há histórias de irmãos que já nasceram "inimigos". Para dar força a essa narrativa, diz-se que “já brigavam no ventre da mãe”. É uma forma poética de dizer que o ódio entre eles é muito antigo. A aversão pode ser real, mas não antes do nascimento – Dois Espíritos realmente podem renascer com sentimentos de inimizade do passado, mas isso só se manifesta de maneira clara após a infância, quando a consciência de cada um desperta mais plenamente no corpo físico. Ensino principal da resposta – Devemos ter cuidado ao interpretar metáforas e tradições populares, para não confundi-las com fatos espirituais autênticos. O Espiritismo busca separar o que é simbolismo poético do que é realidade espiritual. 176
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    A verdadeira lutaentre Espíritos ocorre no campo da convivência, da reconciliação e do aprendizado mútuo — não em disputas físicas antes do nascimento. Gênesis 25:21-26 ²¹ E Isaque orou insistentemente ao Senhor por sua mulher, porquanto era estéril; e o Senhor ouviu as suas orações, e Rebeca sua mulher concebeu. ²² E os filhos lutavam dentro dela; então disse: Se assim é, por que sou eu assim? E foi perguntar ao Senhor. ²³ E o Senhor lhe disse: Duas nações há no teu ventre, e dois povos se dividirão das tuas entranhas, e um povo será mais forte do que o outro povo, e o maior servirá ao menor. ² E cumprindo-se os seus dias para dar à luz, eis gêmeos no seu ventre. ⁴ ² E saiu o primeiro ruivo e todo como um vestido de pelo; por isso ⁵ chamaram o seu nome Esaú. ² E depois saiu o seu irmão, agarrada sua mão ao calcanhar de Esaú; por ⁶ isso se chamou o seu nome Jacó. E era Isaque da idade de sessenta anos quando os gerou. Isaque, filho de Abraão, ora a Deus porque sua esposa Rebeca é estéril. Deus atende sua súplica, e Rebeca engravida de gêmeos: Esaú e Jacó. Mas desde o ventre, há conflito entre eles — o que já prenuncia uma rivalidade profunda. Explicação 21 – “Isaque orou insistentemente ao Senhor…”  Mostra a fé e perseverança de Isaque. A esterilidade era vista como uma grande provação, e a oração é o canal de confiança em Deus.  A resposta divina revela que a concepção de Rebeca tem um propósito maior — não apenas pessoal, mas espiritual e histórico. 22 – “Os filhos lutavam dentro dela…”  Rebeca sente uma agitação incomum no ventre. Essa “luta” é interpretada como conflito espiritual entre os dois Espíritos.  Ela busca a Deus para entender — o que mostra sua sensibilidade e conexão espiritual. 177
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    23 – “Duasnações há no teu ventre…”  Deus revela que os gêmeos representam dois povos distintos: Esaú será pai dos edomitas; Jacó, dos israelitas.  “O maior servirá ao menor” é uma inversão da lógica humana — o primogênito (Esaú) normalmente teria a liderança, mas Jacó será o escolhido para conduzir o povo de Deus.  Essa escolha não é arbitrária: no plano espiritual, Jacó representa o Espírito mais preparado para a missão divina, mesmo que ainda tenha falhas. 24–26 – O nascimento  Esaú nasce primeiro, ruivo e peludo — características que o associam à força bruta e à vida material.  Jacó nasce agarrado ao calcanhar de Esaú — símbolo de determinação, disputa e destino entrelaçado.  Essa cena é altamente simbólica: Jacó já “persegue” Esaú desde o nascimento, o que prenuncia os conflitos futuros (como a compra da primogenitura e o roubo da bênção). Reflexão final Esse trecho mostra que Deus atua desde antes do nascimento, preparando caminhos e missões. Também revela que os conflitos humanos têm raízes espirituais profundas, e que mesmo os embates familiares podem ser instrumentos de crescimento e redenção. 215 – De onde provém o caráter distintivo que se nota em cada povo? Os Espíritos têm também famílias formadas pela semelhança de seus pendores mais ou menos purificados, segundo sua elevação. Muito bem! Um povo é uma grande família na qual se reúnem os Espíritos simpáticos. A tendência que têm os membros dessas famílias a se unirem a origem da semelhança que existe no caráter distintivo de cada povo. Julgas que os Espíritos bons e humanitários procurem um povo duro e grosseiro? Não, os Espíritos simpatizam com as coletividades como simpatizam com os indivíduos; aí eles estão em seu meio. COMENTÁRIOS: As afinidades se aproximam. Os Espíritos afins se atraem uns aos outros. 178
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    Os Espíritos nãose atraem apenas por indivíduos, mas também por grupos e culturas. Eles buscam ambientes que favoreçam seu crescimento ou que estejam alinhados com suas tendências. O caráter distintivo de um povo (seja ele mais guerreiro, pacífico, artístico, materialista, etc.) não é apenas resultado da geografia ou da história, mas é fundamentalmente o reflexo das tendências morais e intelectuais predominantes dos Espíritos que o compõem. Quando nós reencarnamos em determinado local, em determinada cidade, em determinado povo temos a certeza de que isso foi escolhido por nós no plano espiritual. Escolhido de forma adequada as nossas próprias tendências e conforme as necessidades do nosso aprendizado. Dessa forma estaremos junto ao povo que apresenta a cultura da qual temos afinidade. Daí todas as formas de convivência do grupo, a forma de lidar com essa sociedade, a alimentação, a arte, a religiosidade. Tudo isso são fatores que são analisados ao escolher o local de nascimento, a família que vai receber. Os Espíritos que se atraem mutuamente por afinidade espiritual acabam encarnando juntos, o que explica por que certos povos têm traços predominantes — como hospitalidade, religiosidade, coragem, ou mesmo dureza e orgulho. Ninguém é igual a ninguém, mas há semelhanças de pensamentos, de princípios, de gostos, fazendo com que o povo vai se formando com suas características, suas particularidades que faz com que cada povo, cada país, cada lugar tenha uma característica diferenciada. As características de uma nação são um espelho do estágio evolutivo médio dos Espíritos que ali reencarnam, e que essa atração por afinidade é o que mantém a coesão e o perfil psicológico, moral e intelectual de um povo ao longo do tempo. Exemplo:  Povos guerreiros da Antiguidade (como Esparta) reuniam Espíritos ainda inclinados à violência e ao orgulho.  Povos mais voltados à filosofia e espiritualidade (como certas escolas gregas ou culturas orientais) reuniam Espíritos inclinados ao pensamento e à elevação.  Hoje, vemos também que cada país ou região carrega valores predominantes, que não são meros “costumes”, mas refletem o tipo de Espíritos que ali se agrupam. 179
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    Em alguns momentosda vida, por necessidades próprias de crescimento individual, o Espírito tem que escolher uma outra seara de renascimento. Vai estar ali junto ao povo se sentindo como um peixe fora d’água, totalmente inabitado ao meio e à cultura, mas tem uma razão de ser para aquele momento da vida, para os resgastes dos seus débitos e para a sua aprendizagem. Mensagem final: Cada povo carrega em si uma cultura, costumes, leis e modos próprios de viver. Essa diversidade é uma riqueza que expressa a grande obra do Criador. Mas, para que a humanidade avance, é necessário que exista alteridade, isto é, a consciência de que todos dependemos uns dos outros e estamos ligados numa mesma teia de vida. Que saibamos, portanto, respeitar as diferenças e permitir que cada nação, cada povo e cada coração viva em paz dentro de suas particularidades. A tolerância e o respeito são sementes do amor universal que Jesus nos ensinou. Lembremos da promessa evangélica: “haverá um só rebanho e um só pastor”. Esse é o futuro que nos aguarda, quando a fraternidade verdadeira substituir a separação e o conflito. Que o Cristo nos conduza nesse caminho, transformando a humanidade pelos métodos suaves e firmes do Seu Evangelho, até que desapareçam de todas as nações os dois monstros que ainda semeiam guerras, ódio e divisões: o orgulho e o egoísmo. Que o amor vença o ódio. Que a paz cale a vingança. Que a união supere as separações. E que cada povo, cada alma, possa encontrar seu lugar na grande família espiritual da Terra. Que o amor e a humildade sejam a nossa bandeira, unindo-nos em um único propósito: a fraternidade universal. 216 – O homem conserva, em suas novas existências, os traços do caráter moral de suas existências anteriores? Sim, isso pode acontecer. Mas, em se melhorando, ele muda. Sua posição social pode, também, não ser a mesma; se de senhor passa a escravo, seus gostos serão diferentes e teríeis dificuldades em reconhecê-lo. Sendo o mesmo Espírito nas diversas encarnações, suas manifestações podem ter, 180
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    de uma aoutra, certas analogias, modificadas, todavia, pelos costumes da sua nova posição, até que um aperfeiçoamento notável venha a mudar completamente seu caráter. De orgulhoso e mau, pode tornar-se humilde e humano, se se arrependeu. COMENTÁRIOS: Sempre manteremos a nossa individualidade e tudo o que aprendemos, que conquistamos, o nosso patrimônio. O Espírito é o mesmo, mas está em constante evolução  Ele pode conservar traços morais de vidas anteriores — como orgulho, generosidade, impaciência ou compaixão — mas esses traços não são imutáveis. A mudança é possível e desejável  Se o Espírito se arrepende, aprende e se esforça, ele pode transformar completamente seu caráter. Um Espírito que foi orgulhoso e cruel pode tornar-se humilde e bondoso. A posição social influencia a expressão do caráter  Um Espírito que foi líder pode reencarnar como subordinado, e isso muda seus gostos, hábitos e até sua forma de se manifestar. Por isso, reconhecer alguém de uma encarnação para outra pode ser difícil, mesmo sendo o mesmo Espírito. Certos traços podem reaparecer, como talentos, inclinações ou dificuldades, mas modificados pelas circunstâncias da nova vida — cultura, família, sociedade, desafios. O progresso moral é a chave  A reencarnação é uma oportunidade de aperfeiçoamento contínuo, e os Espíritos vão se lapidando ao longo das vidas, até que alcancem uma condição mais elevada. Ninguém está condenado a ser o que foi  O Espírito tem liberdade e responsabilidade para se transformar, e cada encarnação é uma chance de reparar, aprender e crescer. O passado pode influenciar, mas não determina o futuro — o livre-arbítrio e o esforço pessoal são os verdadeiros motores da evolução. Cada existência física é uma continuidade, mas também uma oportunidade de mudança. Carregamos tendências do passado, porém podemos transformá-las. O Espírito é sempre o mesmo, mas não precisa ser o mesmo “tipo de pessoa”, porque a evolução permite que o orgulho se converta em humildade e que o egoísmo se transforme em amor. O Espírito pode, de uma hora para outra, começar a modificar a sua vida, alcançando qualidades enobrecidas. A maturidade pode surgir de momento a momento, mas, nunca que seja filha da dádiva, e sim, conquista de passo a passo. 181
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    Somos Espíritos emjornada, viajantes do tempo e da eternidade. Cada existência é uma página nova no livro da nossa alma, onde podemos reescrever nossos sentimentos, renovar nossos valores e transformar nosso caráter. Trazemos conosco traços das existências passadas: marcas de orgulho, de bondade, de medo ou de coragem. Mas nada disso é definitivo. A cada reencarnação, temos a chance de mudar, de crescer, de nos tornar melhores. Hoje, aquele que foi senhor pode nascer como servo. O que foi arrogante pode aprender a ser humilde. O que feriu pode aprender a curar. E tudo isso faz parte do plano divino de amor e justiça. Não somos prisioneiros do passado. Somos construtores do futuro. E o Evangelho de Jesus é o mapa que nos guia rumo à luz. Que a paz, o arrependimento sincero e o desejo de servir ao bem sejam os motores da nossa transformação. E que, um dia, possamos dizer: “De orgulhoso e mau, tornei-me humilde e humano.” Mensagem: O Caminho da Transformação Interior 1 – No início da caminhada, eu não percebia minhas imperfeições. Vivendo no automatismo dos hábitos, achava que tudo estava certo. O orgulho, a impaciência, o egoísmo — passavam despercebidos, como sombras que eu não via. 2 – Depois, comecei a enxergar. A luz da consciência me mostrou o que precisava mudar. Mas mesmo vendo, eu resistia. Não queria modificar. Era mais fácil justificar, culpar, adiar. 182
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    3 – Como tempo, a vontade de mudar nasceu. Eu tentava, mas ainda não conseguia. Caía, errava, me frustrava. Mas já não era mais a mesma — porque o desejo sincero de melhorar já morava em mim. 4 – Hoje, percebo minhas imperfeições e estou lentamente conseguindo modificá-las. Cada esforço, cada oração, cada gesto de amor é um passo. Não sou perfeita, mas sou aprendiz. E isso basta para seguir. Que possamos todos reconhecer nossas falhas com humildade, acolher nossos limites com paciência, e caminhar com fé rumo à transformação que Jesus nos inspira. Porque o verdadeiro progresso começa quando deixamos de fingir que estamos prontos — e começamos a querer ser melhores. 217 – O homem, em suas diferentes encarnações, conserva os traços do caráter físico das existências anteriores? O novo corpo nenhuma relação tem com o antigo, que está destruído. Entretanto, o Espírito se reflete sobre o corpo. Sem dúvida, o corpo não é mais que matéria, mas, malgrado isso, ele é modelado pela capacidade do Espírito, que lhe imprime um certo caráter, principalmente sobre o rosto, e é com fundamento que se designam os olhos como espelho da alma, quer dizer que, o rosto, mais particularmente, reflete a alma. Por isso, uma pessoa excessivamente feia, quando nela habita um Espírito bom, criterioso e humano, tem alguma coisa que agrada, ao passo que existem rostos muito belos que nada fazem sentir e pelos quais se tem, mesmo, repulsa. Poderias crer que só os corpos bem feitos servem de envoltório aos Espíritos mais perfeitos, embora encontres todos os dias homens de bem sob aparências disformes? Sem haver uma semelhança pronunciada, a similitude de gostos e de pendores pode, pois, dar o que se chama “um ar de família”. Allan Kardec: O corpo que reveste a alma, numa nova encarnação, não tendo nenhuma relação necessária com o corpo que ela deixou, uma vez que pode ele ter tido uma procedência muito diferente, seria absurdo admitir- se uma sucessão de existências com uma semelhança física que não é senão fortuita. Entretanto, as qualidades do Espírito modificam, muitas vezes, os órgãos que servem à sua manifestação e imprimem sobre o rosto, e mesmo ao conjunto de maneiras, um cunho especial. É assim que, sob um envoltório mais humilde, podem-se encontrar expressões de grandeza e de dignidade, enquanto que sob o vestuário de um grande senhor veem-se, às vezes, as expressões da 183
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    baixeza e daignomínia. Certas pessoas saídas das posições mais obscuras, adquirem, sem esforços, os hábitos e as maneiras da alta sociedade. Parece que elas reencontram seu ambiente, ao passo que outras, malgrado o seu berço e a sua educação, estão sempre deslocadas nesse meio. Como explicar esse fato senão como um reflexo do que foi o Espírito? COMENTÁRIOS: O novo corpo de um ser reencarnado nada tem a ver com o corpo anterior. Para a formação do corpo há a carga genética dos pais que influencia a forma do corpo. Não há continuidade física direta entre os corpos de vidas passadas. Porém, ambos os corpos, o anterior e o atual foram estruturados sob a energia do mesmo Espírito. Dessa forma, pode haver semelhanças de expressão que faz parte da personalidade do Espírito. Não podemos esquecer que o corpo sempre atende as necessidades evolutivas do Espírito reencarnante. O Espírito imprime sua marca  A personalidade espiritual — seus sentimentos, sua moral, sua energia — influencia a expressão corporal, especialmente o rosto. Por isso, diz-se que os olhos são o espelho da alma. A beleza física não define a elevação espiritual  Uma pessoa considerada “feia” pode irradiar bondade, sabedoria e ternura, tornando-se agradável aos olhos e ao coração. Por outro lado, há rostos belos que causam repulsa, por refletirem vaidade, frieza ou orgulho. O corpo é moldado pela vibração do Espírito  Embora seja matéria, ele responde à força interior do ser espiritual. Isso explica por que pessoas com aparência simples podem ter uma presença encantadora, e por que há uma “expressão” que transcende a forma física. Existe o que se chama “ar de família espiritual”  Espíritos com gostos e pendores semelhantes podem apresentar traços sutis em comum, mesmo sem semelhança física evidente. É como se a afinidade espiritual criasse uma identidade perceptível. O verdadeiro valor de um ser humano está na sua essência espiritual, não na forma externa. O corpo é apenas um instrumento — e o Espírito, ao longo das encarnações, vai se tornando mais luminoso, mais sereno, mais belo por dentro. E essa beleza interior, com o tempo, transparece no olhar, no sorriso, na presença. Comentário de Kardec: 184
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    A cada novaexistência, o Espírito recebe um corpo diferente — moldado pelas leis da biologia, pela família em que renasce, pela cultura que o acolhe. Mas há algo que permanece além da forma: a marca da alma. O corpo não é o mesmo, mas o Espírito imprime sobre ele um traço sutil, uma expressão que revela quem ele é por dentro. É por isso que, sob vestes humildes, podemos encontrar rostos que irradiam dignidade, serenidade e grandeza. E, ao contrário, há aparências nobres que escondem a frieza, o orgulho e a vaidade. Há pessoas que, mesmo vindas de origens simples, parecem reencontrar seu ambiente ao se aproximarem da nobreza de espírito. Outras, mesmo cercadas de luxo e educação, parecem deslocadas — como se o Espírito ainda não tivesse afinidade com aquele meio. Isso nos ensina que a verdadeira beleza não está na forma, mas na essência. O Espírito é o artista invisível que molda a expressão, o olhar, o gesto. E é por isso que, ao olharmos alguém nos olhos, podemos sentir algo profundo — uma história espiritual que transcende o corpo. Que possamos aprender a ver com os olhos da alma. A reconhecer no outro não apenas o que ele parece ser, mas o que ele verdadeiramente é. Porque é na luz interior que mora a verdadeira grandeza. 185
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    4.9 – IDEIASINATAS 218 – O Espírito encarnado conserva algum traço das percepções que teve e dos conhecimentos que adquiriu nas suas existências anteriores? Resta-lhe uma vaga lembrança que lhe dá o que se chama de ideias inatas. 218.a) A teoria das ideias inatas não é, pois, uma quimera? Não, os conhecimentos adquiridos em cada existência não se perdem. Libertado da matéria, o Espírito os conserva. Durante a encarnação, ele pode esquecê-los em parte momentaneamente, mas a intuição que deles guarda ajuda o seu adiantamento. Sem isso, deveria sempre recomeçar. O Espírito parte, em cada nova existência, do ponto em que chegou na existência anterior. 218.b) Deve haver, assim, uma grande conexão entre duas existências sucessivas? Nem sempre tão grande como poderias supor, porque as posições, frequentemente, são bem diferentes e, no intervalo, o Espírito pode ter progredido (216). COMENTÁRIOS: O Espírito quando encarnado tem vaga lembrança daquilo que ele foi em reencarnação passada. A consciência registra tudo o que pensamos e fazemos, como sendo um livro divino. Quando na Terra, movendo-se em um corpo de carne, aparecem, de vez em quando, na mente, as ideias chamadas inatas; O Espírito não lembra conscientemente de suas vidas passadas, não lembram de detalhes factuais das existências passadas, mas guarda intuições, tendências e conhecimentos profundos que emergem como ideias inatas — aquelas que parecem surgir “do nada”, sem ensino direto, garantindo que o progresso seja contínuo e irreversível. O corpo é novo, mas o Espírito carrega consigo talentos, inclinações, moralidade e afinidades. O que aparece como “ideia inata” é, na verdade, fruto de experiências vividas em encarnações anteriores. 186 LIVRO SEGUNDO: MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS Capítulo IV: Pluralidade das Existências
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    218. a) As ideiasinatas são reais e espiritualmente fundamentadas. O Espírito não recomeça do zero a cada vida — ele continua sua jornada, acumulando experiências e aprendizados. Durante a encarnação, o véu da matéria pode obscurecer essas lembranças, mas elas permanecem no Espírito e influenciam suas escolhas, sua moral e sua inteligência. Isso explica por que algumas pessoas têm facilidade natural para certas virtudes ou conhecimentos, mesmo sem terem sido ensinadas. 218.b) Embora o Espírito continue sua evolução, as encarnações podem ser muito diferentes entre si — em cultura, classe social, gênero, ambiente, desafios. Entre uma vida e outra, o Espírito pode passar por experiências no plano espiritual que aceleram seu progresso, o que faz com que a nova encarnação tenha objetivos distintos. Por isso, a conexão entre duas existências físicas nem sempre é evidente, mas o progresso espiritual é contínuo. Se a gente deixasse tudo para trás e iniciasse do marco zero não haveria passos evolutivos e a cada reencarnação começaríamos tudo novamente. Todo o patrimônio que adquirimos segue conosco. 219 – Qual é a origem das faculdades extraordinárias de indivíduos que, sem estudo prévio, parecem ter a intuição de certos conhecimentos, como as línguas, o cálculo, etc.? Lembrança do passado; progresso anterior da alma, mas do qual não tem consciência. De onde queres que elas venham? O corpo muda, mas o Espírito não muda, embora troque de vestimenta. COMENTÁRIOS: O Espírito muda de corpo, como se muda de roupa, no entanto, o agente de luz é o mesmo, e a lei permite a variedade de instrumentos de carne, ou de corpos, para melhor desempenho da alma e enriquecimento das suas experiências, a caminho da Luz. 187
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    Somente a reencarnaçãopode dizer que esses conhecimentos vieram do passado, em vidas sucessivas, de modo que eles afloram no presente para mostrarem, no silêncio da vida, que existe a reencarnação. Esse fenômeno se vê em escritores chamados autodidatas, em oradores fluentes, em políticos, em filósofos, em artistas, enfim, em todos os ramos da ciência, da filosofia e da religião se encontram esses personagens que nos fazem meditar. A bagagem vem do passado, onde aprenderam todas essas coisas. Mesmo em uma existência, sem frequentar escolas, o Espírito relembra o aprendizado, em muitos casos com a ajuda dos mentores. As faculdades extraordinárias são a prova da continuidade do Espírito. Elas demonstram que a alma está em constante evolução, e que o progresso intelectual (a erudição, a habilidade técnica) é uma conquista definitiva que se conserva e se manifesta como talento natural nas novas existências. O gênio não é um acaso, mas sim um trabalhador do passado que colhe os frutos do seu esforço. Essa questão nos ensina que nada é por acaso. O Espírito é um ser em constante evolução, e tudo o que ele aprende, sente e vive está gravado em sua essência. As habilidades que surgem “do nada” são, na verdade, sementes que foram plantadas em outras vidas e que agora começam a florescer. Vemos crianças que precocemente desenvolvem seus talentos para determinada área, como música, pintura, etc. porque já trazem esse conhecimento de reencarnações anteriores e apenas relembram. A revolução da comunicação e, principalmente, a internet, ampliaram enormemente a visibilidade de casos que antes ficavam restritos ao âmbito familiar ou regional. Hoje, com vídeos e redes sociais, qualquer pessoa pode testemunhar e divulgar histórias de crianças prodígio ou de pequenos que trazem lembranças espontâneas de vidas anteriores. Podemos observar nesses casos: 1. Prodígios em áreas do conhecimento: - Crianças que tocam instrumentos com maestria, falam vários idiomas, resolvem cálculos complexos ou criam obras artísticas sem nunca terem estudado formalmente. Há muitos casos divulgados na internet. 188
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    - Exemplo: alguémque toca piano com naturalidade sem nunca ter estudado formalmente, ou que aprende idiomas com extrema facilidade. - Mozart, que aos 5 anos já compunha óperas, e outros gênios precoces. - Sibelius Donato Tenório - O Espiritismo explica isso como lembranças do passado, habilidades adquiridas pelo Espírito em outras existências. Esses talentos são lembranças ativas de conquistas anteriores, não são “milagre genético”. 2. Prodígios na moralidade e espiritualidade: - Crianças que demonstram desde cedo uma maturidade incomum, compaixão, empatia, desapego, sabedoria e amor ao próximo. - São sinais de experiências espirituais acumuladas que se expressam como intuições. - Esses sinais revelam avanços espirituais já conquistados. 3. Lembranças claras de vidas passadas: - Ian Stevenson (médico e pesquisador da Universidade da Virgínia) documentou centenas de casos de crianças que relatavam espontaneamente suas vidas anteriores, com detalhes verificáveis. - Hernani Guimarães Andrade, no Brasil, também estudou e catalogou inúmeros casos de reencarnação com rigor científico. - Alexander Moreira-Almeida, psiquiatra e pesquisador, continua desenvolvendo investigações sérias nesse campo, sempre dialogando com a ciência.  Comentar alguns casos do livro: Reencarnações no Brasil, de Hernani Guimarães Andrade. Exemplos na literatura espírita 1 – Emmanuel (pelas obras de Chico Xavier): - No livro Há Dois Mil Anos, ele relata sua existência como senador romano Públio Lentulus. - Em reencarnações posteriores, como no Brasil, trouxe as marcas de seu aprendizado e tendências anteriores, que se manifestaram em sua afinidade natural com o Evangelho. - Esse é um caso clássico de continuidade de ideias e valores morais que atravessam os séculos. 189
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    2 – AndréLuiz (na série A Vida no Mundo Espiritual): - Ele mesmo explica que muitos dos seus interesses científicos e tendências intelectuais atuais vêm de experiências acumuladas em outras encarnações, mesmo que não tivesse consciência clara disso. - Mostra como a “bagagem” do Espírito facilita certos caminhos. 3 – Chico Xavier (biografia): - Desde criança já apresentava inclinação para a oração, mediunidade, compaixão e disciplina moral, mesmo sem ter recebido instrução formal à altura. - Esses são sinais de ideias inatas trazidas de suas experiências anteriores. 4 – Allan Kardec (Hippolyte Léon Denizard Rivail): - Antes mesmo de codificar a Doutrina, era pedagogo, escritor e estudioso das ciências. - Sua formação intelectual e moral o preparou naturalmente para a missão espírita, como se já tivesse uma “base pronta”. - Ele próprio reconhece, em Obras Póstumas, que essas aptidões eram fruto de seu Espírito e não de um acaso educacional. Essas evidências reforçam o que Kardec já afirmava no século XIX:  O Espírito não recomeça do zero a cada encarnação.  Ele traz consigo as conquistas intelectuais e morais acumuladas.  A reencarnação é a única explicação lógica e justa para as diferenças de aptidões, talentos, tendências e lembranças espontâneas. Não tem como negar a reencarnação. Ela se revela não apenas pela fé ou pela filosofia, mas também pelos fatos observáveis e documentados. 220 – Em mudando de corpo, podem perder-se certas faculdades intelectuais, deixando-se de ter, por exemplo, o gosto pelas artes? Sim, se conspurcou essa inteligência ou se fez dela um mau emprego. Ademais, uma faculdade pode permanecer adormecida durante uma existência, porque o Espírito veio para exercitar uma outra que com ela não tem relação; então, ela fica em estado latente para ressurgir mais tarde. 190
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    COMENTÁRIOS: Não é perder,pois aquilo que adquirimos a gente não perde. Podemos estar impedidos temporariamente de acessar determinados conhecimentos. A resposta explora duas possibilidades distintas: a perda por mau uso e o adormecimento por escolha. 1. Perda por Mau Uso (O Desvio Moral) O Espírito pode, de fato, perder a capacidade de manifestar um talento se o tiver "conspurcado" ou feito "mau emprego" dele na existência anterior. - Conspurcar ou Usar Mal: Isso significa usar a inteligência ou o talento (por exemplo, a eloquência, o raciocínio lógico, a arte) para fins egoístas, maldosos, imorais ou destrutivos. Exemplo: usar a inteligência para enganar, a arte para corromper, a oratória para incitar o ódio). - Consequência: A lei de causa e efeito faz com que a faculdade que foi mal utilizada seja temporariamente restringida ou adormecida na próxima encarnação, como uma forma de o Espírito se reeducar e concentrar-se na moralidade. O talento está lá, mas o Espírito é impedido de manifestá-lo até que reajuste seus pendores morais. 2. Adormecimento por Escolha (O Estado Latente) A faculdade também pode simplesmente ficar adormecida se o Espírito tiver um objetivo evolutivo diferente para a nova vida. - Foco na Nova Tarefa: O Espírito pode ter reencarnado com o propósito de exercitar outra faculdade que não tem relação direta com a que ele já dominava. Exemplo: um Espírito que foi um grande cientista pode vir em uma nova vida para desenvolver a humildade e a caridade, em vez de retomar o trabalho científico. - Estado Latente: Nesses casos, a faculdade antiga não se perdeu, apenas permanece em "estado latente" (escondida, não manifestada). Ela pode "ressurgir mais tarde" nesta mesma vida (se a pessoa for incentivada) ou, mais provavelmente, em uma encarnação futura, quando for o momento certo para retomá-la. Explicação simples  O Espírito é como um viajante em progresso. 191
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     Ele temvárias “ferramentas” (faculdades, talentos, conhecimentos), mas nem todas são usadas em cada viagem.  Às vezes, a vida pede que ele desenvolva outra habilidade essencial.  E se usou mal um dom no passado, pode renascer sem ele por um tempo, para aprender humildade e responsabilidade. Exemplo prático 1. Um pintor brilhante que usou seu talento apenas para alimentar a vaidade ou viver de excessos → pode renascer sem habilidades artísticas, enfrentando uma vida simples, para desenvolver valores morais. 2. Um músico ou cientista de grande destaque → pode vir numa existência sem expressar essas faculdades, mas com a missão de trabalhar mais na vida familiar ou em profissões comuns, cultivando virtudes sociais e afetivas. 3. Mais tarde, em outra vida, o dom retorna com mais força e purificado. O progresso do Espírito é irreversível. A faculdade intelectual conquistada não se perde; ela apenas fica adormecida se a nova existência tiver outro foco moral, ou é inibida como resultado do mau uso feito dela no passado, forçando o Espírito a concentrar-se na correção do seu caráter. As experiências ficam no arquivo da consciência profunda para serem utilizadas quando conveniente, sob o impulso dos sentimentos elevados. Somente quando chegamos a determinada perfeição, é que podemos usar todas as qualidades conquistadas. Faz parte das Leis do Criador. 221 – É a uma lembrança retrospectiva que o homem deve, mesmo no estado selvagem, o sentimento instintivo da existência de Deus e o pressentimento da vida futura? É uma lembrança que ele conserva daquilo que sabia como Espírito antes de encarnar; mas o orgulho sufoca, muitas vezes, esse sentimento. 221.a) É a essa lembrança que se devem certas crenças relativas à Doutrina Espírita, e que se registram em todos os povos? Esta doutrina é tão antiga quanto o mundo; por isso, encontramo-la por toda a parte, sendo uma prova de que é verdadeira. O Espírito encarnado, 192
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    conservando a intuiçãode seu estado como Espírito, tem consciência instintiva do mundo invisível, porém, muitas vezes, os preconceitos falseiam essa ideia e a ignorância a mistura com a superstição. COMENTÁRIOS: A fé é uma manifestação em todos os tempos e entre todos os povos. A crença no Criador é inata nos seres humanos. Verificamos na cultura das sociedades antigas a crença e os cultos a uma divindade, a um Ser superior. Questão 05 – Sentimento intuitivo da existência de Deus. Questão 621 – A Lei divina está na consciência de cada um de nós. Desde a nossa criação (simples e ignorantes) trazemos na nossa consciência a crença no Ser Superior, que é nosso Pai, responsável pela vida e por tudo o que existe. A relação encarnados e desencarnados está na crença popular desde tempos imemoriais. Moisés proibira a evocação dos Espíritos. Era costume naquela época a evocação de Espíritos que tornando comum, o povo hebreu começou a abusar dessas evocações, como, para finalidades fúteis, como vimos até hoje. Por isso, Moisés proibiu. Se proibiu é porque era possível essa relação não só entre os povos hebreus, mas entre todos os povos da antiguidade. Esse contato entre nós e os desencarnados faz parte da Lei Divina para proporcionar a evolução e o aprendizado de todos nós. A fé está entre as conquistas do Espírito e terá sustentação na Lei Divina escrita na consciência de cada um de nós. Deus está sempre presente em todas as criaturas, desde o mais rude Espírito nas selvas, até os grandes sábios da chamada civilização humana. Está presente desde o átomo ao anjo, distribuindo o Seu amor em todas as direções. A Doutrina dos Espíritos, que nos afirma que a vida continua e que ninguém morre, é tão antiga quanto o universo, por ser baseada nas leis formuladas por Deus. Jesus Cristo mostrou a todos, principalmente aos seus seguidores, que a morte é vida. Anunciou que retornaria depois do Calvário e cumpriu a promessa, selando, assim, a esperança com a verdade, e dando alegria a toda a humanidade. Mesmo nos recantos mais simples da Terra, onde não há livros, templos ou escolas, o ser humano olha para o céu e sente: há algo maior. Esse 193
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    sentimento não vemde fora — vem de dentro. É a alma que recorda, ainda que vagamente, o que já viveu como Espírito. Antes de encarnar, o Espírito conhecia a existência de Deus, a vida espiritual, a lei do amor. Ao vestir o corpo, essa lembrança se esconde, mas não se apaga. Ela se manifesta como intuição, como pressentimento, como fé silenciosa. É por isso que, mesmo no estado mais primitivo, o ser humano sente Deus e pressente a vida futura. Essa verdade está gravada na consciência, como nos ensina a questão 621: a lei de Deus está escrita no coração de cada um. E é por isso que, em todos os povos, em todas as épocas, surgem crenças que refletem a essência da Doutrina Espírita — mesmo que misturadas com superstições ou distorcidas pelos preconceitos. O orgulho pode sufocar essa voz interior. A ignorância pode confundir seus sinais. Mas ela continua ali, viva, esperando o momento certo para despertar. Porque o Espírito nunca esquece completamente de onde veio — ele apenas se prepara para lembrar. Que possamos ouvir essa voz com humildade. Que a fé nos reconecte com o que já sabemos em silêncio. E que a certeza da vida espiritual nos inspire a viver com mais amor, mais respeito e mais esperança. 194
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    REFERÊNCIAS: KARDEC, Allan. AGênese: Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo. Tradução de Salvador Gentile. 52ª Ed. Araras – SP: IDE, 2018. KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Salvador Gentile. 365ª Ed. Araras – SP: IDE, 2009. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Salvador Gentile. 182ª Ed. Araras – SP: IDE, 2009. KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Salvador Gentile. 85ª Ed. Araras – SP: IDE, 2008. XAVIER, Chico. A Caminho da Luz. 21ª ed. Rio de Janeiro: FEB, 1995. Pelo Espírito Emmanuel. XAVIER, Chico. Libertação. 33ª ed. Brasília: FEB, 2017. Pelo Espírito André Luiz. XAVIER, Chico. Nosso Lar. 61ª ed. Brasília: FEB, 2010. Pelo Espírito André Luiz. XAVIER, Chico. Obreiros da Vida Eterna. 35ª ed. Brasília: FEB, 2017. Pelo Espírito André Luiz. XAVIER, Chico. Os Mensageiros. 47ª ed. Brasília: FEB, 2017. Pelo Espírito André Luiz. ZIMMERMANN, Zalmino. Perispírito. Campinas: CEAK, 2000. https://www.bibliaonline.com.br/ http://www.olivrodosespiritoscomentado.com/questoes.html https://www.youtube.com/user/livrodosespiritos/videos https://www.youtube.com/watch?v=4xRhAKctMo8&list=PLI- OgasY7T5tz8FFyT2yr5aKTPbavF7by&index=111 195