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Sal da terra e luz do mundo
Na sequência do Sermão do Monte, Jesus asseverou: “Vós sois o sal da
terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta
senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do
mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; Nem
se acende a candeia e se colocar debaixo do alqueire, mas no velador, e dá
luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos
homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que
está nos céus” (Mateus 5:13-16).
Naquela manhã, em que o povo se reunira para ouvir o Divino Mestre, os
raios solares, surgindo no horizonte, iam inundando as bandas orientais com
o resplendor de sua luz.
A superfície tranquila do lago próximo refletia o rosicler (que tem a cor da
rosa e da açucena) das nuvens matutinas; pássaros trinavam docemente,
esvoaçando entre as árvores; folhas e flores, abrindo-se, viçosas, pareciam
sorrir à bênção de um novo dia. Jesus fitou o Sol nascente, pousou depois o
olhar sobre os discípulos que tinha perto de si e disse-lhes: "Vós sois o sal
da terra. Vós sois a luz do mundo". O seu pensamento íntimo, nesse
instante, devia ser: "Assim como o Sol, dissipando as trevas noturnas,
desperta o mundo para a vida e sazona os produtos da terra, cada um de vós
tem por missão difundir a Boa-Nova que venho anunciar aos que se acham
obscurecidos pela ignorância e pelo erro, de modo a preparar-lhes os
corações para que deem frutos de mansidão e de fraternidade."
Como as cidades e aldeias edificadas nos montes ao redor começavam a
surgir na claridade da manhã, o Mestre, apontando-as, observou:
"Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte." E aduziu:
"Nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas sobre
o velador, a fim de que ela dê luz a todos os que estão na casa. Assim, brilhe
a vossa luz diante dos homens; que eles vejam as vossas boas obras e
glorifiquem a vosso Pai que está nos céus". Magnífica lição, não é mesmo?
Como sabemos, o sal tem a função de preservar e dar sabor ao alimento; a
luz, por sua vez, tem a função de iluminar as trevas. É interessante notar que
Jesus não coloca o cristão como sendo o sal da terra e a luz do mundo de
forma condicional.
Ele não diz: “vocês serão sal da terra e luz do mundo”; ou “vocês devem ser
sal da terra e luz do mundo”; mas Ele diz “vós sois o sal da terra e luz do
mundo”. Este pronunciamento do Mestre constitui uma das afirmações
evangélicas mais claras de que a missão dos seguidores de Jesus no mundo
faz parte de sua própria identidade. Duas pequenas imagens ou afirmações
para duas grandes atitudes. Vejamos melhor neste estudo as implicações de
ser sal da terra e luz do mundo.
O sal possui muitas características. É muito usado no mundo gastronômico
porque muda o sabor dos alimentos e também porque conserva alimentos.
Para o ser humano o sal é essencial porque tem várias funções no corpo
humano e uma delas é regular a quantidade de água em seu corpo.
Jesus usa essa metáfora (substituição de um termo por outro através do uso
da analogia) porque seu intuito é nos ensinar algo muito importante. Mas
certamente ao dizer “vós sois o sal da terra” Jesus explora suas duas
principais características: ter sabor e ser antisséptico. Uma das funções mais
importantes do sal nos dias de Jesus era justamente o poder de preservar os
alimentos. O sal era a melhor solução para impedir a deterioração dos
alimentos. Além disso, ele também servia como tempero. Mas qual é
realmente o objetivo de Jesus ao dizer que seus seguidores são o sal da
terra? Assim como o sal que possui a função de preservação, os cristãos
verdadeiros devem estar constantemente combatendo a corrupção moral e
espiritual da sociedade. De certa maneira o sal age secretamente, no sentido
de que não podemos ver como sua ação preservativa age especificamente.
Na maioria das vezes também não podemos distinguir pelo olhar um
alimento que foi temperado com sal. Mas facilmente podemos senti-lo. As
imagens do sal e da luz servem também de apoio para justificar duas formas
diferentes de presença e de ação no mundo. A referência ao sal remete a uma
ação invisível, pois concebe a presença dos cristãos no mundo sob a forma
da encarnação, a presença silenciosa na realidade, a inserção na sociedade,
deixando atuar, pelo testemunho de cada um, a força do evangelho que,
como a semente, uma vez semeada, germina no campo, de dia e de noite,
sem que o semeador perceba. Mas Jesus também deixa claro que se o sal se
tornar insípido, ou seja, sem sabor, para nada servirá. Não temos muita
familiaridade com essa observação, pois estamos acostumados a comprar o
sal já selecionado.
Mas nos dias de Jesus isso acontecia muito. O sal era retirado
principalmente da região do Mar Morto. Porém havia alguns pântanos e
lagoas naquela região que, pelo contato com o cálcio e outras substâncias, o
sal retirado desses locais adquiria um sabor alcalino, tornando-o inútil. Sim,
o sal insípido jamais poderia ser restaurado. Naquela época havia muitos
fariseus que se orgulhavam de sua religiosidade e legalismo. Mas nada disso
tinha qualquer coisa a ver com a verdadeira essência das Escrituras
anunciadas pelos antigos profetas. Esses religiosos tinham se misturado,
perdido o sabor e não serviam para mais nada, a não ser para serem lançados
fora. O específico da luz é brilhar, realçar uma forma de presença visível,
através das ações comunicativas, como meios para fazer chegar o evangelho
ao mundo no qual o cristão é chamado a ser presença diferenciada.
Vivemos imersos num oceano de luz. Ela sempre está aí, disponível; basta
abrir-nos a ela com a disposição de acolhê-la e de fazer as transformações
que ela inspira. O ser humano é luz quando expande seu verdadeiro ser, ou
seja, quando transcende e vai mais além, desbloqueando as ricas
possibilidades de humanidade. A luz, por si mesma, é expansiva. Há aqueles
que, ao invés de serem presenças iluminadoras, estão mais preocupados em
subir e ocupar a posição do candeeiro, para aparecer, para se colocar acima
dos outros, serem vistos e elogiados pelas pessoas. Quem aspira estar no
candeeiro revela não ter luz para iluminar os outros. O candeeiro é para que
a luz de suas vidas se expanda e ilumine melhor; o candeeiro não é para que
estejam mais altos, mas é para que a luz de suas vidas chegue a lugares mais
distantes.
Os seguidores do Cristo, por serem "a luz do mundo", devem constituir-se
em veículo da revelação divina a todos os povos e nações. Cada discípulo
do Mestre, individualmente, deve ser um facho de luz a iluminar os homens
no caminho para o alto, sendo necessário que, por seu intermédio,
resplandeça a bondade e a misericórdia do Pai, pois é desígnio da
Providência que a Humanidade receba as Suas bênçãos através de
instrumentos humanos. A vida de Jesus aparece como “SAL” e como
“LUZ” pelo que Ele era e vivia. Sua mensagem era sumamente simples,
centrada no compromisso com todos, e com uma presença compassiva o
Mestre despertou um movimento humanizador, carregado de sabor e
iluminação, afetando a todos que se aproximavam d’Ele.
Por isso, a missão que o Cristo confiou aos seus seguidores deve estender-se
a todas as criaturas, de qualquer longitude ou latitude da Terra. Contrariando
os preconceitos da época, quando os israelitas orgulhavam-se de ser "a
porção escolhida por Deus dentre os povos" e consideravam os demais
como "estrangeiros" imundos e desprezíveis, Jesus ensina que todos
pertencemos a uma só família humana e não traça qualquer limite à nossa
"casa". Suas palavras: "vós sois a luz do mundo" — "brilhe a vossa luz
diante dos homens", de sentido nitidamente universalista, nada têm de
comum com o amor-próprio, o preconceito de nacionalidade e o separatismo
intransigente, pregado pelos rabinos judeus; eliminam todo e qualquer
prejuízo de raça, de casta, ou de quejandos, pois para Deus não há
escolhidos e enjeitados, ...
... há apenas almas a serem aquecidas pelo Amor e iluminadas pelo
conhecimento da Verdade. Os raios do Sol alcançam todos os recantos do
globo, tanto no hemisfério oriental como no ocidental; a luz do Evangelho,
igualmente, deve penetrar todas as almas sobre a Terra, a fim de que
participem, sem exclusão de uma só, da glória do Senhor. Mas não basta
ensinar aos homens as excelências da doutrina cristã. É preciso, diz o Cristo,
que "eles vejam as vossas boas obras", tornando patente que cada discípulo
deve contribuir com o seu contingente pessoal de amor aos semelhantes,
para que desta forma sejam levados a "glorificar o Pai Celestial". Se cada
cristão, nestes vinte séculos de Cristianismo, houvesse atendido à
determinação do Mestre, cumprindo fielmente a sua missão, bem outra seria
hoje a situação mundial.
Pitágoras, no século seis antes de Cristo, já dizia: Eduquem as crianças e
não será preciso castigar os homens. Daí a importância da educação espírita,
que age no sentido horizontal, proporcionando o ensinamento moral, que
prepara o Espírito para a vida em família e em sociedade; e no sentido
vertical, proporcionando o ensinamento evangélico, que prepara o Espírito
para educar-se devidamente, na sua marcha em direção a Deus. Bem
educado, o Espírito se conduz pelos caminhos que o tornarão um homem de
bem, cujo modelo está explicitado no capítulo XVII (Sede Perfeitos) de O
Evangelho Segundo o Espiritismo: o homem que cumpre a lei de amor, de
justiça e de caridade, na sua maior pureza. Por isso, Jesus disse que nós
somos o sal da terra e a luz do mundo.
Concluindo: O sal está ligado à condimentação e à conservação dos
alimentos. Ele enriquece a comida e, ainda, evita a deterioração. Dessa
maneira, segundo uma ética cristã, nós temos a incumbência de temperar a
vida, dar-lhe sabor, neutralizar a insipidez dos acontecimentos, tantas vezes
eivados de desgostos e de todos os tipos de corrupção, que apodrecem o
Espírito e descortinam a senda de uma existência insossa, inclinada a
doenças e tormentos. Todo mundo pode ser feliz se levar em consideração a
sua essência salina, apta a transformar o azedume em ânimo, a mágoa em
perdão, a maledicência em silenciosa compreensão. Viver para o bem exige
disciplina contínua, haja vista as ilusões mundanas; contudo, a ação
cotidiana no bem produz resultados tão positivos e prazerosos, que o esforço
mínimo é de imediato recompensado.
Nada supera a esperança do aprendiz disciplinado, que leva o tempero da
indulgência às situações contaminadas pelo desamor e a ignorância. De
outro lado, o sal se tomado em estado puro, não cumprirá sua finalidade de
garantir o sabor; porém, quando usado discretamente como adição, como
adequação, assegura agradabilidade a tudo. Dessa maneira, é a consciência
ética, crivada na lei do amor e da caridade, que transforma as situações
mundanas negativas, principalmente as embaraçosas, preservando-as da
putrefação. Sejamos, então, Espíritos compromissados com a Verdade do
Cristo, a única que saciará a nossa fome de evolução. Como o sal, que é o
condimento por excelência, usado na arte culinária para temperar os
alimentos, o nosso papel na sociedade, como discípulos de Jesus, é atuar
como elemento equilibrador, temperando todos os excessos.
Também como o sal, que é incorruptível, nada o contamina nem o deteriora;
não permanece inativo e age sempre; não se oculta, é uma revelação
permanente; jamais assimila impurezas, mas transmite seu poder
purificador; sai ileso de todas as provas; não se macula, ainda que imerso na
imundície; se misturado a outra substância, o seu gosto é o que sobressai. O
discípulo de Jesus deve entrar em todos os lugares, agir sempre e continuar
puro. Assim também deve ser a nossa maneira de proceder. O verdadeiro
cristão não deve corromper-se por nada. Em todas as suas ações devem
sobressair a honestidade, a lisura, a sinceridade, a firmeza de bons
propósitos. Somos a luz do mundo, porque temos uma luz dentro de nós: a
luz dos conhecimentos espíritas, que devemos levar aos nossos semelhantes
e não guardá-la somente para nós.
Uma atitude simples é seguirmos o conselho de Irmã Rosália (Espírito), na
comunicação registrada no item 9 do capítulo XIII – Que a mão esquerda
não saiba o que faz a direita – de O Evangelho segundo o Espiritismo, sobre
a caridade moral, que consiste em suportarmo-nos uns aos outros, que é o
que menos se faz neste mundo inferior, onde estamos momentaneamente
encarnados. Esse é o maior desafio que temos, no nosso dia a dia.
Suportarem-se uns aos outros é, para alguns, um exercício difícil, pois as
pessoas são diferentes umas das outras, uma vez que cada uma delas é um
Espírito com vivências diferentes. Quando nos convoca a ser sal e luz da
terra e do mundo, Jesus nos propõe abraçar a missão a que o Pai nos
destinou e nos enviou.
A terra tem o significado do lugar onde habitamos e o ambiente em que
vivenciamos os nossos relacionamentos em família, com os amigos e
pessoas com as quais nos deparamos. O mundo é o “ar que respiramos”, isto
é, a mentalidade que nos é imposta e, na qual nós nos deixamos envolver.
Ser sal da terra é, portanto, saber temperar a nossa vida e das pessoas com o
jeito de ser cristão, levando esperança, ânimo, alegria, amor, etc. Ser luz do
mundo é clarear a mentalidade deturpada e enganadora que reina na cabeça
das pessoas desavisadas do Evangelho. É tirar da ignorância, aqueles que
não se conhecem, por isso não enxergam as suas próprias dificuldades. Não
conhecem a Deus, não amam e não perdoam porque nunca se sentiram
amadas e nunca foram perdoados. É abrir caminhos, é dar alternativas para
uma vida feliz.
Muita Paz!
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A serviço da Doutrina Espírita; com estudos comentados, cujo objetivo é
levar as pessoas a uma reflexão sobre a vida, buscando pela compreensão
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Sal da terra e luz do mundo

  • 2. Na sequência do Sermão do Monte, Jesus asseverou: “Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; Nem se acende a candeia e se colocar debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus” (Mateus 5:13-16). Naquela manhã, em que o povo se reunira para ouvir o Divino Mestre, os raios solares, surgindo no horizonte, iam inundando as bandas orientais com o resplendor de sua luz.
  • 3. A superfície tranquila do lago próximo refletia o rosicler (que tem a cor da rosa e da açucena) das nuvens matutinas; pássaros trinavam docemente, esvoaçando entre as árvores; folhas e flores, abrindo-se, viçosas, pareciam sorrir à bênção de um novo dia. Jesus fitou o Sol nascente, pousou depois o olhar sobre os discípulos que tinha perto de si e disse-lhes: "Vós sois o sal da terra. Vós sois a luz do mundo". O seu pensamento íntimo, nesse instante, devia ser: "Assim como o Sol, dissipando as trevas noturnas, desperta o mundo para a vida e sazona os produtos da terra, cada um de vós tem por missão difundir a Boa-Nova que venho anunciar aos que se acham obscurecidos pela ignorância e pelo erro, de modo a preparar-lhes os corações para que deem frutos de mansidão e de fraternidade."
  • 4. Como as cidades e aldeias edificadas nos montes ao redor começavam a surgir na claridade da manhã, o Mestre, apontando-as, observou: "Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte." E aduziu: "Nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas sobre o velador, a fim de que ela dê luz a todos os que estão na casa. Assim, brilhe a vossa luz diante dos homens; que eles vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus". Magnífica lição, não é mesmo? Como sabemos, o sal tem a função de preservar e dar sabor ao alimento; a luz, por sua vez, tem a função de iluminar as trevas. É interessante notar que Jesus não coloca o cristão como sendo o sal da terra e a luz do mundo de forma condicional.
  • 5. Ele não diz: “vocês serão sal da terra e luz do mundo”; ou “vocês devem ser sal da terra e luz do mundo”; mas Ele diz “vós sois o sal da terra e luz do mundo”. Este pronunciamento do Mestre constitui uma das afirmações evangélicas mais claras de que a missão dos seguidores de Jesus no mundo faz parte de sua própria identidade. Duas pequenas imagens ou afirmações para duas grandes atitudes. Vejamos melhor neste estudo as implicações de ser sal da terra e luz do mundo. O sal possui muitas características. É muito usado no mundo gastronômico porque muda o sabor dos alimentos e também porque conserva alimentos. Para o ser humano o sal é essencial porque tem várias funções no corpo humano e uma delas é regular a quantidade de água em seu corpo.
  • 6. Jesus usa essa metáfora (substituição de um termo por outro através do uso da analogia) porque seu intuito é nos ensinar algo muito importante. Mas certamente ao dizer “vós sois o sal da terra” Jesus explora suas duas principais características: ter sabor e ser antisséptico. Uma das funções mais importantes do sal nos dias de Jesus era justamente o poder de preservar os alimentos. O sal era a melhor solução para impedir a deterioração dos alimentos. Além disso, ele também servia como tempero. Mas qual é realmente o objetivo de Jesus ao dizer que seus seguidores são o sal da terra? Assim como o sal que possui a função de preservação, os cristãos verdadeiros devem estar constantemente combatendo a corrupção moral e espiritual da sociedade. De certa maneira o sal age secretamente, no sentido de que não podemos ver como sua ação preservativa age especificamente.
  • 7. Na maioria das vezes também não podemos distinguir pelo olhar um alimento que foi temperado com sal. Mas facilmente podemos senti-lo. As imagens do sal e da luz servem também de apoio para justificar duas formas diferentes de presença e de ação no mundo. A referência ao sal remete a uma ação invisível, pois concebe a presença dos cristãos no mundo sob a forma da encarnação, a presença silenciosa na realidade, a inserção na sociedade, deixando atuar, pelo testemunho de cada um, a força do evangelho que, como a semente, uma vez semeada, germina no campo, de dia e de noite, sem que o semeador perceba. Mas Jesus também deixa claro que se o sal se tornar insípido, ou seja, sem sabor, para nada servirá. Não temos muita familiaridade com essa observação, pois estamos acostumados a comprar o sal já selecionado.
  • 8. Mas nos dias de Jesus isso acontecia muito. O sal era retirado principalmente da região do Mar Morto. Porém havia alguns pântanos e lagoas naquela região que, pelo contato com o cálcio e outras substâncias, o sal retirado desses locais adquiria um sabor alcalino, tornando-o inútil. Sim, o sal insípido jamais poderia ser restaurado. Naquela época havia muitos fariseus que se orgulhavam de sua religiosidade e legalismo. Mas nada disso tinha qualquer coisa a ver com a verdadeira essência das Escrituras anunciadas pelos antigos profetas. Esses religiosos tinham se misturado, perdido o sabor e não serviam para mais nada, a não ser para serem lançados fora. O específico da luz é brilhar, realçar uma forma de presença visível, através das ações comunicativas, como meios para fazer chegar o evangelho ao mundo no qual o cristão é chamado a ser presença diferenciada.
  • 9. Vivemos imersos num oceano de luz. Ela sempre está aí, disponível; basta abrir-nos a ela com a disposição de acolhê-la e de fazer as transformações que ela inspira. O ser humano é luz quando expande seu verdadeiro ser, ou seja, quando transcende e vai mais além, desbloqueando as ricas possibilidades de humanidade. A luz, por si mesma, é expansiva. Há aqueles que, ao invés de serem presenças iluminadoras, estão mais preocupados em subir e ocupar a posição do candeeiro, para aparecer, para se colocar acima dos outros, serem vistos e elogiados pelas pessoas. Quem aspira estar no candeeiro revela não ter luz para iluminar os outros. O candeeiro é para que a luz de suas vidas se expanda e ilumine melhor; o candeeiro não é para que estejam mais altos, mas é para que a luz de suas vidas chegue a lugares mais distantes.
  • 10. Os seguidores do Cristo, por serem "a luz do mundo", devem constituir-se em veículo da revelação divina a todos os povos e nações. Cada discípulo do Mestre, individualmente, deve ser um facho de luz a iluminar os homens no caminho para o alto, sendo necessário que, por seu intermédio, resplandeça a bondade e a misericórdia do Pai, pois é desígnio da Providência que a Humanidade receba as Suas bênçãos através de instrumentos humanos. A vida de Jesus aparece como “SAL” e como “LUZ” pelo que Ele era e vivia. Sua mensagem era sumamente simples, centrada no compromisso com todos, e com uma presença compassiva o Mestre despertou um movimento humanizador, carregado de sabor e iluminação, afetando a todos que se aproximavam d’Ele.
  • 11. Por isso, a missão que o Cristo confiou aos seus seguidores deve estender-se a todas as criaturas, de qualquer longitude ou latitude da Terra. Contrariando os preconceitos da época, quando os israelitas orgulhavam-se de ser "a porção escolhida por Deus dentre os povos" e consideravam os demais como "estrangeiros" imundos e desprezíveis, Jesus ensina que todos pertencemos a uma só família humana e não traça qualquer limite à nossa "casa". Suas palavras: "vós sois a luz do mundo" — "brilhe a vossa luz diante dos homens", de sentido nitidamente universalista, nada têm de comum com o amor-próprio, o preconceito de nacionalidade e o separatismo intransigente, pregado pelos rabinos judeus; eliminam todo e qualquer prejuízo de raça, de casta, ou de quejandos, pois para Deus não há escolhidos e enjeitados, ...
  • 12. ... há apenas almas a serem aquecidas pelo Amor e iluminadas pelo conhecimento da Verdade. Os raios do Sol alcançam todos os recantos do globo, tanto no hemisfério oriental como no ocidental; a luz do Evangelho, igualmente, deve penetrar todas as almas sobre a Terra, a fim de que participem, sem exclusão de uma só, da glória do Senhor. Mas não basta ensinar aos homens as excelências da doutrina cristã. É preciso, diz o Cristo, que "eles vejam as vossas boas obras", tornando patente que cada discípulo deve contribuir com o seu contingente pessoal de amor aos semelhantes, para que desta forma sejam levados a "glorificar o Pai Celestial". Se cada cristão, nestes vinte séculos de Cristianismo, houvesse atendido à determinação do Mestre, cumprindo fielmente a sua missão, bem outra seria hoje a situação mundial.
  • 13. Pitágoras, no século seis antes de Cristo, já dizia: Eduquem as crianças e não será preciso castigar os homens. Daí a importância da educação espírita, que age no sentido horizontal, proporcionando o ensinamento moral, que prepara o Espírito para a vida em família e em sociedade; e no sentido vertical, proporcionando o ensinamento evangélico, que prepara o Espírito para educar-se devidamente, na sua marcha em direção a Deus. Bem educado, o Espírito se conduz pelos caminhos que o tornarão um homem de bem, cujo modelo está explicitado no capítulo XVII (Sede Perfeitos) de O Evangelho Segundo o Espiritismo: o homem que cumpre a lei de amor, de justiça e de caridade, na sua maior pureza. Por isso, Jesus disse que nós somos o sal da terra e a luz do mundo.
  • 14. Concluindo: O sal está ligado à condimentação e à conservação dos alimentos. Ele enriquece a comida e, ainda, evita a deterioração. Dessa maneira, segundo uma ética cristã, nós temos a incumbência de temperar a vida, dar-lhe sabor, neutralizar a insipidez dos acontecimentos, tantas vezes eivados de desgostos e de todos os tipos de corrupção, que apodrecem o Espírito e descortinam a senda de uma existência insossa, inclinada a doenças e tormentos. Todo mundo pode ser feliz se levar em consideração a sua essência salina, apta a transformar o azedume em ânimo, a mágoa em perdão, a maledicência em silenciosa compreensão. Viver para o bem exige disciplina contínua, haja vista as ilusões mundanas; contudo, a ação cotidiana no bem produz resultados tão positivos e prazerosos, que o esforço mínimo é de imediato recompensado.
  • 15. Nada supera a esperança do aprendiz disciplinado, que leva o tempero da indulgência às situações contaminadas pelo desamor e a ignorância. De outro lado, o sal se tomado em estado puro, não cumprirá sua finalidade de garantir o sabor; porém, quando usado discretamente como adição, como adequação, assegura agradabilidade a tudo. Dessa maneira, é a consciência ética, crivada na lei do amor e da caridade, que transforma as situações mundanas negativas, principalmente as embaraçosas, preservando-as da putrefação. Sejamos, então, Espíritos compromissados com a Verdade do Cristo, a única que saciará a nossa fome de evolução. Como o sal, que é o condimento por excelência, usado na arte culinária para temperar os alimentos, o nosso papel na sociedade, como discípulos de Jesus, é atuar como elemento equilibrador, temperando todos os excessos.
  • 16. Também como o sal, que é incorruptível, nada o contamina nem o deteriora; não permanece inativo e age sempre; não se oculta, é uma revelação permanente; jamais assimila impurezas, mas transmite seu poder purificador; sai ileso de todas as provas; não se macula, ainda que imerso na imundície; se misturado a outra substância, o seu gosto é o que sobressai. O discípulo de Jesus deve entrar em todos os lugares, agir sempre e continuar puro. Assim também deve ser a nossa maneira de proceder. O verdadeiro cristão não deve corromper-se por nada. Em todas as suas ações devem sobressair a honestidade, a lisura, a sinceridade, a firmeza de bons propósitos. Somos a luz do mundo, porque temos uma luz dentro de nós: a luz dos conhecimentos espíritas, que devemos levar aos nossos semelhantes e não guardá-la somente para nós.
  • 17. Uma atitude simples é seguirmos o conselho de Irmã Rosália (Espírito), na comunicação registrada no item 9 do capítulo XIII – Que a mão esquerda não saiba o que faz a direita – de O Evangelho segundo o Espiritismo, sobre a caridade moral, que consiste em suportarmo-nos uns aos outros, que é o que menos se faz neste mundo inferior, onde estamos momentaneamente encarnados. Esse é o maior desafio que temos, no nosso dia a dia. Suportarem-se uns aos outros é, para alguns, um exercício difícil, pois as pessoas são diferentes umas das outras, uma vez que cada uma delas é um Espírito com vivências diferentes. Quando nos convoca a ser sal e luz da terra e do mundo, Jesus nos propõe abraçar a missão a que o Pai nos destinou e nos enviou.
  • 18. A terra tem o significado do lugar onde habitamos e o ambiente em que vivenciamos os nossos relacionamentos em família, com os amigos e pessoas com as quais nos deparamos. O mundo é o “ar que respiramos”, isto é, a mentalidade que nos é imposta e, na qual nós nos deixamos envolver. Ser sal da terra é, portanto, saber temperar a nossa vida e das pessoas com o jeito de ser cristão, levando esperança, ânimo, alegria, amor, etc. Ser luz do mundo é clarear a mentalidade deturpada e enganadora que reina na cabeça das pessoas desavisadas do Evangelho. É tirar da ignorância, aqueles que não se conhecem, por isso não enxergam as suas próprias dificuldades. Não conhecem a Deus, não amam e não perdoam porque nunca se sentiram amadas e nunca foram perdoados. É abrir caminhos, é dar alternativas para uma vida feliz.
  • 19. Muita Paz! Visite o meu Blog: http://espiritual-espiritual.blogspot.com.br A serviço da Doutrina Espírita; com estudos comentados, cujo objetivo é levar as pessoas a uma reflexão sobre a vida, buscando pela compreensão das leis divinas o equilíbrio necessário para uma vida feliz. Leia Kardec! Estude Kardec! Pratique Kardec! Divulgue Kardec! O amanhã é sempre um dia a ser conquistado! Pense nisso! Visite também o meu Site: compartilhando-espiritualidade.webnode.com Agora, Compartilhando Espiritualidade formou um Grupo para troca de mensagens. Compartilhando-espiritualidade@googlegroups.com