1) Jesus visita a casa de Marta e Maria em Betânia.
2) Enquanto Maria ouve Jesus, Marta fica preocupada com os serviços domésticos.
3) Jesus diz que Maria escolheu a "parte boa" ao ouvir seu ensinamento.
E aconteceu que,indo eles de caminho, entrou Jesus numa aldeia; e certa
mulher, por nome Marta, o recebeu em sua casa; E tinha esta uma irmã
chamada Maria, a qual, assentando-se também aos pés de Jesus, ouvia a sua
palavra. Marta, porém, andava distraída em muitos serviços; e,
aproximando-se, disse: Senhor, não se te dá de que minha irmã me deixe
servir só? Dize-lhe que me ajude. E respondendo Jesus, disse-lhe: Marta,
Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas, mas uma só é
necessária; E Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada. (Lucas
10:38-42) Jesus na casa de Marta e Maria é um episódio da vida do Mestre
Galileu que aparece apenas no Evangelho de Lucas, após a Parábola do
Bom Samaritano. No caminho de Jerusalém para Gericó, havia uma aldeia
com o nome de Betânia, distante a cerca de uma hora de Jerusalém.
3.
Ela era cercadapor imensos campos de cevada e pequenos bosques de
oliveiras e figueiras, que sombreavam a estrada para Gericó. O vilarejo
ficava no sopé do Monte das Oliveiras, cenário de algumas passagens
evangélicas. Lá viviam os irmãos Lázaro, Marta e Maria, amigos de Jesus.
Em Suas andanças, sempre que ia a Jerusalém, o Mestre se hospedava na
casa de Lázaro. Os irmãos de Betânia haviam feito do Rabi da Galiléia
membro da família. Ali era o único lugar onde Ele podia gozar algumas
horas de sossego, de intimidade familiar, era como se estivesse em casa. Em
uma das oportunidades em que Jesus foi a Betânia, com Seus discípulos,
aconteceu o célebre episódio em que o Mestre enfatiza a escolha da melhor
parte. O primeiro quadro nos mostra Jesus chegando a Betânia, e Marta
trazendo-O para hospedar-Se em sua casa.
4.
Ela apreciava muitoo Mestre. Era hospitaleira e considerava uma honra
receber o Rabi como hóspede. Essa foi uma atitude correta de Marta. Marta
fez tudo para oferecer uma boa acolhida ao seu hóspede. Era uma visita
muito importante e merecia o melhor. Assim, ela se esmerou para
apresentar-lhe uma calorosa recepção. Enquanto realizava um serviço,
pensava em mais outro, mais outro, e foi ficando desanimada, inquieta,
irritada, e começou a murmurar. O seu trabalho de amor estava se tornando
uma tarefa pesada demais! Enquanto Marta se fatigava na labuta caseira,
Maria, sem deveres de hospitalidade a desempenhar, está sentada no chão
junto aos pés de Jesus, indiferente ao serviço da casa, ouvindo o Seu ensino,
provavelmente, desejando beber avidamente de tudo o que saia daqueles
lábios, e O ouvia atentamente.
5.
Bebia cada umade Suas palavras. Ela sabia que o serviço era coisa
secundária. Ela não podia perder a oportunidade de prestar atenção ao
Mestre e receber Dele os ensinamentos. Marta, entretanto, estava atarefada
com muito serviço. Ia e vinha, preocupada em deixar a casa em ordem e à
altura de tão ilustre visitante. Exercia as rotineiras tarefas domésticas:
preocupava-se com a refeição a ser preparada, dispor a mesa, arrumar os
leitos. Desejava oferecer a Jesus e a seus acompanhantes o melhor. Marta
não podia saborear os ensinos de Jesus, pois estava muito preocupada com
pormenores e coisas secundárias. Ela começou a se considerar vítima, e
passou a acusar a irmã diante do hóspede amado e dos apóstolos. Sua
irritação era tão grande que ela incluiu Jesus na acusação:
6.
“Senhor, não teimportas de que minha irmã tenha deixado que eu fique a
servir sozinha?” E foi além, atrevendo-se a dar ordens ao Mestre: “Ordena-
lhe, pois, que venha ajudar-me”. É quando o Cristo exercitando o dom de
converter as situações mais delicadas e difíceis, aproveita a oportunidade
para transmitir valiosa lição à Marta e a toda a humanidade o memorável
ensinamento: "Marta, Marta, tu andas muito inquieta, e te embaraças com o
cuidar em muitas coisas. Entretanto só uma coisa é necessária. Maria
escolheu a melhor parte, que lhe não será tirada”. A resposta de Jesus é
clara, e condena as preocupações de Marta, louvando a preferência de
Maria. Esse é um alerta para nós. Não podemos deixar que isso aconteça
conosco. Precisamos recusar o desânimo. Tudo que fazemos para o Mestre
deve ser contado como alegria.
7.
Essas poucas palavrascontinham sérias advertências: a). Marta estava
misturando o prioritário com o secundário; b). Marta estava perdendo tempo
com coisas de pouca importância; c). Marta não compreendia que Cristo
veio para servir e não para ser servido; d). Marta não percebia que Jesus
tinha mais interesse na sua pessoa do que no seu serviço. Essas advertências
são dirigidas a nós, hoje. Há mais uma coisa que devemos notar: precisamos
evitar a murmuração. Ela não agrada ao Cristo. Ela não edifica. Em João 11,
5, encontramos a informação de que Jesus amava Marta, Maria e Lázaro.
Portanto, eram realmente amigos íntimos do Mestre. Assim como todo ser
humano, Jesus confiava em algumas pessoas ao seu redor. E esses três
irmãos podiam ser considerados alguns daqueles confidentes!
8.
No Evangelho deLucas, o irmão de Marta e Maria, Lázaro, não é citado em
nenhum momento. Mas o objetivo do evangelista é outro: mostrar a
importância de servir e de se lançar aos pés de Jesus, aquele que nos mostra
como nos salvar. Marta, na realidade, não era uma pessoa brava, apressada,
pagã ou qualquer outro adjetivo já dado a ela no decorrer da História. Para
começar, foi ela quem convidou o Mestre para se aconchegar em sua casa,
sendo totalmente fiel aos preceitos da época quanto a receber bem um
visitante ilustre. Estava preocupada em acolher Jesus da melhor forma
possível, e, por isso, não parava nenhum instante. A maior falha quando
recebemos uma visita é não dar atenção a ela; e, às vezes, de tanto que
queremos bem acomodá-la em nossa casa, acabamos deixando a pessoa em
segundo plano!
9.
Algo também muitocurioso é a ausência total dos discípulos nesse
acontecimento. Lucas quer mostrar aos seus leitores que Jesus convida a
todos para serem discípulos e, neste caso, a atenção recai sobre duas
mulheres, do povoado de Betânia (segundo João). Marta é a imagem do
discípulo ativo, que quer servir ao Mestre da melhor maneira possível. E
Maria é a representação do discípulo que ouve a palavra de Jesus, deixando-
se atingir totalmente por ela. As duas maneiras de ser discípulo devem se
conjugar, pois ambas as atitudes são necessárias: escutar e servir. Qual a
nossa escolha? Marta ou Maria? Não é nada fácil responder à pergunta que
nos é colocada. Depois de pensar no assunto, julgo que ambas as irmãs,
tanto Marta como Maria, eram muito dedicadas e comprometidas com o
Reino de Deus, ...
10.
... mas orelacionamento delas com o Mestre apontava para direções e
objetivos completamente opostos: Maria queria estar diante de Jesus, para
aprender, para ouvir, para adorar, para alegrar-se, para se aconselhar
expondo os seus sentimentos, abrindo a sua alma perante o Cristo. Marta,
queria apresentar um bom trabalho, a casa limpa e bem arrumada, a comida
gostosa, queria tudo impecável para receber o Mestre. Mas então? Haverá
algum mal nisso? Não fazia Marta, todo esse trabalho por amor a Jesus?
Certamente que as duas atitudes são necessárias. Jesus não disse que Marta
tivesse procedido mal. Coitada, ela era bem intencionada, mas com a sua
preocupação com as coisas materiais, ela descurava, esquecia-se do seu
próprio alimento espiritual.
11.
Se quisermos sersomente Marta, cairemos num ativismo sem fim,
trabalhando tanto para a Ceara do Senhor, que nos esqueceremos do Senhor
da Ceara. Se optarmos por ser somente Maria, viveremos num mundo
distante do mundo real, sempre esperando a vida em outro mundo;
acabaremos nos alienando da realidade humana que é tão cara a Jesus. Por
isso, irmãos e irmãs, sejamos discípulos Marta e Maria. Pessoas que
trabalham sem se cansar para a construção do Reino, alimentando-se
diariamente da Palavra de Deus. Os ensinamentos de Jesus são as nossas
regras de vida, sigamo-los! Variados problemas que enfrentamos nascem de
excessivo envolvimento com situações transitórias, o excesso de
preocupação com a vida material. Muitas pessoas são excessivamente
preocupadas com a subsistência, com a limpeza da casa, com os negócios.
12.
Apegam-se a situaçõesefêmeras e bens transitórios; vivem estressadas,
inquietas, irritadas, abrindo campo a desajustes físicos e psíquicos. Qual a
melhor parte da vida? Para responder a esta pergunta é preciso definir o que
viemos fazer na Terra, e qual a finalidade da jornada humana. O Espiritismo
revela que estamos aqui como alunos num educandário, convocados ao
aprendizado das leis divinas. Isto envolve o aprimoramento espiritual, a
aquisição de valores e de virtudes, o desenvolvimento de nossas
potencialidades criadoras. Escolhem a melhor parte as pessoas que orientam
suas ações em direção a esses objetivos, desapegando-se dos interesses do
mundo. Daí, podemos concluir que, de bem pouco precisa o homem na
Terra para seu sustento. As complicações e complexidades são criadas pelos
desejos do próprio homem, não pela necessidade.
13.
Não há razãopara preocupações desnecessárias. O essencial é pouca coisa;
aliás, o essencial é apenas uma coisa: o reino de Deus. Assim sendo, Maria é
que estava com a razão. Escolheu o que é bom, a “PARTE BOA”, e esta
jamais lhe será tirada. Trata-se da conquista do Espírito que, à medida da
evolução, aprende a selecionar o essencial do supérfluo. O tempo que
passamos com Jesus é sempre muito bem empregado. Precisamos organizar
a vida de tal forma que, aprender os ensinos do Cristo seja o mais
importante para nós. O primeiro valor que desponta deste breve relato
bíblico, é a importância da visita, da acolhida, da hospedagem. Temos
muitos meios para nos comunicar e, nos últimos anos, as redes sociais
trouxeram facilidades ainda maiores. Porém, a visita é a forma mais
marcante de comunicação.
14.
Ela é direta,sem meios, sem ruídos e sem filtros. Pelo telefone fica fácil
dizer que se está bem, mas estando diante da face do outro, a minha
expressão facial denuncia a real situação. O segundo valor que desponta é a
atitude de Maria que se dispõe a escutar as palavras do ilustre visitante. Diz
a sabedoria popular que temos dois ouvidos e uma boca, exatamente para
escutar mais do que falar. Permitir que a pessoa que vem ao meu encontro
se expresse plenamente, dar-lhe total atenção, diminuir ou até eliminar
interferências requerem um grande e consciente esforço. Escutar é a
primeira atitude de respeito para com o visitante. A escuta autêntica requer a
disposição de todo o corpo do ouvinte. No imaginário comum o sábio é
descrito pela sua capacidade de ouvir muito e de falar pouco, portanto é uma
referência educativa.
15.
Uma lição curtaem seus termos, mas profunda em seus significados.
Busquemos, em nossa vida, viver os momentos certos de sermos ativos
como Marta, mas também de parar e contemplar Jesus como Maria.
16.
Muita Paz!
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levar as pessoas a uma reflexão sobre a vida, buscando pela compreensão
das leis divinas o equilíbrio necessário para uma vida feliz.
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