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A lei 10.639, sancionada em 2003 no Brasil, traz em seu texto a obrigatoriedade do ensino de história
e cultura afro-brasileira dentro de todas as disciplinas que fazem parte da grade curricular. Além
de estabelecer o dia 20 de novembro como o dia da consciência negra no calendário escolar.
O intuito da educação antirracista é fortalecer a valorização da identidade negra e da importante
trajetória dos negros em nossa cultura, ao invés de trazer a equivocada visão do colonizador. E
isso vai muito além de aplicar a lei em sala de aula. Quando falamos dessa educação antirracista,
não estamos falando apenas em coibir as falas e ações preconceituosas, mas em fortalecer a
valorização da identidade africana, afro-brasileira e indígena na escola durante todo o ano, de
janeiro a dezembro, em todas as disciplinas e espaços escolares.
Para que exista uma educação antirracista precisamos aceitar que vivemos em uma sociedade
racista. E que é imprescindível que ocorra mudanças em nosso discurso e também no currículo
escolar. E para isso, é importante trabalharmos questões raciais, culturais e de representatividade,
além de trabalhar com a diversidade como um valor.
Muitas vezes, nós professores reclamamos da falta de materiais de referência, há também relatos
de docentes que não se sentem confortáveis em abordar o tema por não terem domínio sobre o
mesmo. O educador precisa estar bem preparado para debater e problematizar o assunto na
escola. E por isso, decidimos trazer um material de referência, para que o professor possa se
apropriar de alguns conceitos iniciais para posteriormente aprofundar sua formação.
Em primeiro lugar, precisamos diferenciar fato de opinião. Para isso, é preciso se formar e
informar sobre o assunto de maneira ampla, através da análise de séries, filmes, livros, hqs,
documentários, podcasts, vlogs, reportagens, noticiários, estudos acadêmicos, entre outros.
Conectando os conteúdos de sala de aula com a realidade dos alunos. Para isso, vamos deixar
no final desse material, uma porção de sugestões para você.
Depois de se envolver e se inteirar do assunto, precisamos conhecer alguns conceitos acerca
do tema, para que possamos falar sobre ele com propriedade. Mas não se preocupe, daremos
uma pincelada neles por aqui.
Após essa formação inicial, iremos pensar em como o tema atinge a nossa comunidade, nossa
escola e os nossos alunos. E trazer um debate inicial na sala dos professores, junto aos alunos,
na escola e também fora dela. É preciso falar sobre para ter a real dimensão do problema
onde estamos inseridos.
E por fim, chega a hora de pensar em projetos, atividades e estratégias a serem trabalhadas,
visando a erradicação da “cultura racista” na comunidade escolar em que atuamos.
Cada vez mais, estamos vendo protestos antirracistas tomarem as ruas de vários países, puxados
pelo movimento Black Lives Matter (que quer dizer, Vidas Negras Importam), discussões sobre
casos de racismo ganham mais espaço na mídia e nas redes sociais a cada dia.
Mas o que é o movimento Black Lives Matter?
É um movimento político e social que se originou nos Estados Unidos em 2013, por 3 ativistas
negras americanas: Alicia Garza, Patrisse Cullors e Opal Tometi. O que começou como uma luta
contra a brutalidade policial norte-americana contra negros, se transformou em um movimento
mundial pelos direitos da população preta.
A luta do movimento se dá em forma de protestos e pressão política contra a violência dirigida ao
povo negro, além da cobrança de posicionamento da sociedade em geral. Se expressam por meio
de marchas, protestos e também nas redes sociais com o uso das seguintes hashtags:
#blacklivesmatter, #vidasnegrasimportam ou #BLM.
As ações do grupo inspiraram também discussões sobre racismo e violência policial em todas as
partes do mundo. Os protestos, em geral, são pacíficos, mas casos de depredação, reações
violentas das forças policiais e conflitos costumam ganhar atenção da mídia. Além de apoio de
artistas, famosos, esportistas, pessoas públicas, empresas, etc.
No Brasil, tivemos três séculos de escravidão e foi o último grande país ocidental a extinguir a
escravidão. E como aconteceu na maioria dos outros países, o Estado não criou um sistema de
políticas públicas para inserção dos escravos libertos e seus descendentes na sociedade. Ou
seja, não houve uma preocupação com a garantia de moradia, saúde, alimentação, estudo
formal e inserção no mercado de trabalho. Os escravos recém libertos foram habitados em
locais onde ninguém queria morar, como os morros, formando assim as favelas, sem nenhuma
condição básica para sua sobrevivência. Hoje, cerca de 130 anos depois, os reflexos desse
abandono ainda se fazem presentes e essa população ainda é marginalizada.
O Brasil é o país com a maior população negra fora da África. No entanto, essa população está
sub-representada em todos os âmbitos da vida social, ou seja, são minoria na política, nos
cargos públicos, nas universidades, na televisão, etc.
A luta dos movimentos negros organizados contra o racismo no Brasil, já tem uma longa
história, mas inspirados pelo movimento americano, passaram a também fazer uso das
hashtags e a se organizar pelas redes sociais para suas manifestações sob o grito de “VIDAS
PRETAS IMPORTAM”, ampliando o alance nas mídias.
O debate sobre a discriminação e o racismo é urgente e necessário em todas as esferas da
sociedade. A discriminação racial é crime previsto na legislação brasileira e também está nos
principais documentos internacionais de direitos humanos. Ainda assim, não ajudam a
erradicar os impactos sofridos pelo povo negro.
Sabemos que 56% da população brasileira se autodeclara negra ou parda. Diante disso, vamos
a alguns dados:
Os negros são apenas 29% nos cargos de chefia.
Dentre os deputados federais, os negros somam 24% .
No emprego informal temos 47% de negros.
Os negros são 65% da população carcerária no país.
Dados da CPI do Senado Federal informam que um jovem negro é assassinado a cada 23
minutos no país. Sabemos ainda, que cerca de 80% das pessoas assassinadas pela polícia em
2019 eram negras, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
Onde está a igualdade?
De acordo com o filósofo e jurista Silvio Almeida, presidente do Instituto Luiz Gama (ONG que
atua pela igualdade racial), quando se admite a existência do racismo, cria-se automaticamente
a obrigação moral de agir contra ele:
— A negação é essencial para a continuidade do racismo. Ele só consegue funcionar e se
reproduzir sem embaraço quando é negado, naturalizado, incorporado ao nosso cotidiano
como algo normal. Não sendo o racismo reconhecido, é como se o problema não existisse e
nenhuma mudança fosse necessária. A tomada de consciência, portanto, é um ponto de partida
fundamental.
— Os brasileiros entendem que é lá fora que existe ódio racial, não aqui. Acreditam que no
Brasil vivemos numa democracia racial, miscigenados, felizes e sem conflito. Essa é a
perversidade do nosso racismo. Ele foi construído de uma forma tão habilidosa que os
brasileiros chegam ao ponto de não quererem ou não conseguirem enxergar a realidade
gritante que está bem diante dos seus olhos.
Para ler a matéria completa, clique aqui.
As origens desse dia estão relacionadas aos esforços de movimentos sociais para evidenciar as
desigualdades históricas que ainda hoje afetam o povo negro no Brasil. A data escolhida, 20 de
novembro, coincide com a data da morte de Zumbi dos Palmares (1655-1695), líder do Quilombo dos
Palmares, no período colonial brasileiro.Desde a década de 70, essa data vem sendo utilizada para
relembrar as condições desumanas da escravidão no Brasil e as formas de resistencia dos povos
escravizados.
Os quilombos eram agrupamentos de escravos foragidos das fazendas coloniais, lá os ex-escravos
se organizavam para garantir sua subsistência e a reprodução de sua cultura. Esses locais eram
frequentemente alvo da violência dos senhores de escravos, que tentavam retomar o controle
desses foragidos.
O quilombo dos Palmares fica localizado no estado de Alagoas e é a mais famosa comunidade de
escravos foragidos de nossa história. Seu último líder foi Zumbi, que assumiu a liderança quando o
governo da Capitania de Pernambuco negociava a submissão dos quilombolas à Coroa
Portuguesa. Por não concordar com essa Proposta Zumbi, desafiou Canga Zumba (que era o atual
líder). Canga Zumba foi envenenado por um aliado de Zumbi e este então assumiu a liderança. No
final do século 17, o quilombo foi alvo de diversos ataques de bandeirantes, Zumbi foi caçado e
morto e sua cabeça foi exibida em praça pública para desencorajar os demais escravos.
Em meados de 1970, os universitários Oliveira Silveira, Vilmar Nunes, Ilmo da silva e Antônio
Carlos cortes começaram a questionar a legitimidade do 13 de maio para o povo negro. Eles
achavam que a data não representava a liberdade dos negros por que foi uma data imposta
pelos brancos, que a data é representada pela lei Áurea, princesa Isabel e etc. sendo assim,
pensaram no 20 de novembro como uma data de resistência, de luta de conquista para o povo
negro.
O feriado foi instituído por meio da lei federal número 12.519, de 10 de novembro de 2011.
Foto: Carta Capital
O que é, afinal, racismo estrutural?
Segundo o pensador contemporâneo Silvio de Almeida, o racismo não é uma questão individual
ou comportamental, mas um assunto fundamental para a compreensão da nossa sociedade e
de suas desigualdades.
Racismo estrutural é o termo usado para reforçar o fato de que a sociedade é estruturada com
base na discriminação e que privilegia uma raça em detrimento de outras. Assim, pode se dizer
que o racismo estrutural é a naturalização de ações, hábitos, situações, falas e pensamentos
que fazem parte da vida cotidiana do povo brasileiro, e que promovem direta ou indiretamente
a segregação e o preconceito.
O THINK TANK Aspen Institute, define o racismo estrutural como: “Um sistema no qual políticas
públicas, práticas institucionais, representações e outras normas funcionam de várias
maneiras, muitas vezes reforçando, para perpetuar desigualdade de grupos raciais
identificando dimensões de nossa história e cultura que permitem privilégios associados à
“brancura” e desvantagens associadas à “cor negra”. O racismo estrutural não é algo que
poucas pessoas ou instituições optam praticar, mas uma característica dos sistemas sociais,
econômicos e políticos.
Assista a fala de “Silvio Almeida” sobre o Racismo Estrutural
O “Canal Preto” no Youtube, também traz uma fala sobre o tema
Levar para a discussão em sala de aula reportagens (escritas e em vídeo), manchetes de jornal,
debates sobre o tema (trechos do Roda-viva, por exemplo) sobre:
- Casos de assassinatos de pessoas negras que mobilizaram as redes sociais e noticiários
recentemente.
- Os protestos antirracista noticiados nos EUA e no Brasil.
- Assuntos com questões raciais que já aconteceram dentro da escola.
- Debates entre os alunos.
- Notícias de sites ou veículos jornalísticos confiáveis, pesquisas, documentos históricos são
bons pontos de partida para a discussão nas aulas.
- Trazer pessoas que possam falar aos alunos com propriedade, pessoas de referência em
movimentos sociais e na luta anti racista.
- Indicar séries, livros, documentários, filmes e podcasts.
Ou seja, a maioria da população se
autodenomina preta ou parda, somando
56,2% segundo o IBGE.
Segundo o gráfico, 47,4% dos
trabalhadores sem registro em
carteira são negros.
Nesse gráfico, temos um dado que mostra
a falta de acesso da população negra a
cargos de liderança: nenhum dos longas
de 2016 tinha uma mulher negra como
diretora e apenas 2,1% foram dirigidos por
homes negros..
Neste segundo gráfico, vemos como os brancos
dominam os elencos dos filmes brasileiros.
Segundo dados do Saeb (2017) 74% dos jovens brancos concluem o Ensino Médio com até 19
anos, contra apenas 53,9% dos negros conseguem o mesmo feito. Outro dado traz a seguinte
situação, 59,5% dos estudantes brancos cursando o 5 ano tiveram uma aprendizagem
adequada no ensino da matemática, enquanto somente 29,9% dos negro se encaixam nesse
quadro.
- Utilize os gráficos considerando os saberes já adquiridos pelos estudantes em relação ao
tema, propondo um diálogo para que observem e analisem os gráficos.
- Use os gráficos para problematizar o tema por meio de questões disparadoras (Por que a
população brasileira não se declara mais como branca? O que levou a população brasileira a
se declarar como parda? O que leva a população preta e parda a procurar empregos
informais?).
- Uma boa sugestão é apresentar os gráficos e montar com os alunos uma tempestade de
ideias que irá ser a base para a produção de um texto argumentativo.
- Em um momento de problematização, é possível utilizar os gráficos para problematizar o tema
por meio de questões disparadoras (Quantos youtubers/influenciadores digitais negros você
conhece? Quais negros você lembra ter representatividade atualmente na mídia? Quais papéis
são destinados aos negros nas telenovelas brasileiras?).
● Guia de uso pedagógico do documentário Afronta.
● Carta de Luís Gama a Lúcio de Mendonça.
● Vídeo: O que é racismo estrutural?
● Anúncios do século 19.
● Anúncios do século 21. https://drive.google.com/file/d/1heGH-
KGBGExy4nGyWIVB81yzAimZyl8O/view
● https://www.youtube.com/channel/UC0NtqwtL1oLxwm3lx_Uo5Og
● E-book: Luiz Gama: o abolicionista que sonhou com o Brasil Livre.
● O que o Rap diz, a escola contradiz
● https://drive.google.com/file/d/15uaGKpCc7Yae1HrpFSownR_YHBC00GNW/
view
● https://lunetas.com.br/serie-educacao-antirracista/
● https://www.youtube.com/watch?v=OcG9W_LVre8&feature=youtu.be
● https://www.youtube.com/watch?v=kNw8V_Fkw28&t=3s
● https://www.bbc.com/portuguese/brasil-52922015
1. Lovecraft Country: racismo e terror
Questões em foco: Racismo e História
dos Estados Unidos (Leis de Jim Crow,
Direitos Civis)
Onde assistir: HBO Brasil
2. Watchmen: super-heróis contra a
supremacia branca
Questões em foco: Violência racial e
grupos extremistas da supremacia
branca
Onde assistir: HBO Brasil
3. Olhos que condenam: a história real
da luta por justiça
Questões em foco: Erro judicial e
preconceito racial
Onde assistir: Netflix
4. Cara gente branca
Questões em foco: Apropriação
cultural e discurso antirracista
Onde assistir: Netflix
5. AFRONTA!: breves depoimentos de
personalidades negras no Brasil
Questões em foco: Representatividade,
autonomia e igualdade racialOnde
assistir: Netflix
6. 13ª Emenda: um documentário sobre o
encarceramento em massa
Questões em foco: Injustiça racial e
encarceramento em massa
Onde assistir: Netflix
7. Libertem Angela Davis: mulher, raça
e classe em foco
Questões em foco: tensão racial,
preconceito, representatividade
Onde assistir: Disponível em DVD e
também no Youtube para compra
8. Pantera Negra: um clássico
contemporâneo
Questões em foco: representatividade
e luta antirracista
Onde assistir: Disponível em DVD ou
no Disney +
9. Corra!: o terror do racismo
estrutural
Questões em foco: Racismo estrutural
e preconceito velado
Onde assistir: Telecine
materiais de referência
http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/orientacoes_etnicoraciais.pdf
https://drive.google.com/file/d/1cAJMGyhJCMRFC6r9cGomTG3iWg2A1FQx/view
http://portal.mec.gov.br/secad/arquivos/pdf/racismo_escola.pdf
literatura infantil
https://drive.google.com/file/d/16c4pABmAnov0C139cq04DSVr23fSBJbS/view
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  • 2. A lei 10.639, sancionada em 2003 no Brasil, traz em seu texto a obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileira dentro de todas as disciplinas que fazem parte da grade curricular. Além de estabelecer o dia 20 de novembro como o dia da consciência negra no calendário escolar. O intuito da educação antirracista é fortalecer a valorização da identidade negra e da importante trajetória dos negros em nossa cultura, ao invés de trazer a equivocada visão do colonizador. E isso vai muito além de aplicar a lei em sala de aula. Quando falamos dessa educação antirracista, não estamos falando apenas em coibir as falas e ações preconceituosas, mas em fortalecer a valorização da identidade africana, afro-brasileira e indígena na escola durante todo o ano, de janeiro a dezembro, em todas as disciplinas e espaços escolares. Para que exista uma educação antirracista precisamos aceitar que vivemos em uma sociedade racista. E que é imprescindível que ocorra mudanças em nosso discurso e também no currículo escolar. E para isso, é importante trabalharmos questões raciais, culturais e de representatividade, além de trabalhar com a diversidade como um valor. Muitas vezes, nós professores reclamamos da falta de materiais de referência, há também relatos de docentes que não se sentem confortáveis em abordar o tema por não terem domínio sobre o mesmo. O educador precisa estar bem preparado para debater e problematizar o assunto na escola. E por isso, decidimos trazer um material de referência, para que o professor possa se apropriar de alguns conceitos iniciais para posteriormente aprofundar sua formação.
  • 3. Em primeiro lugar, precisamos diferenciar fato de opinião. Para isso, é preciso se formar e informar sobre o assunto de maneira ampla, através da análise de séries, filmes, livros, hqs, documentários, podcasts, vlogs, reportagens, noticiários, estudos acadêmicos, entre outros. Conectando os conteúdos de sala de aula com a realidade dos alunos. Para isso, vamos deixar no final desse material, uma porção de sugestões para você. Depois de se envolver e se inteirar do assunto, precisamos conhecer alguns conceitos acerca do tema, para que possamos falar sobre ele com propriedade. Mas não se preocupe, daremos uma pincelada neles por aqui. Após essa formação inicial, iremos pensar em como o tema atinge a nossa comunidade, nossa escola e os nossos alunos. E trazer um debate inicial na sala dos professores, junto aos alunos, na escola e também fora dela. É preciso falar sobre para ter a real dimensão do problema onde estamos inseridos. E por fim, chega a hora de pensar em projetos, atividades e estratégias a serem trabalhadas, visando a erradicação da “cultura racista” na comunidade escolar em que atuamos.
  • 4. Cada vez mais, estamos vendo protestos antirracistas tomarem as ruas de vários países, puxados pelo movimento Black Lives Matter (que quer dizer, Vidas Negras Importam), discussões sobre casos de racismo ganham mais espaço na mídia e nas redes sociais a cada dia. Mas o que é o movimento Black Lives Matter? É um movimento político e social que se originou nos Estados Unidos em 2013, por 3 ativistas negras americanas: Alicia Garza, Patrisse Cullors e Opal Tometi. O que começou como uma luta contra a brutalidade policial norte-americana contra negros, se transformou em um movimento mundial pelos direitos da população preta. A luta do movimento se dá em forma de protestos e pressão política contra a violência dirigida ao povo negro, além da cobrança de posicionamento da sociedade em geral. Se expressam por meio de marchas, protestos e também nas redes sociais com o uso das seguintes hashtags: #blacklivesmatter, #vidasnegrasimportam ou #BLM. As ações do grupo inspiraram também discussões sobre racismo e violência policial em todas as partes do mundo. Os protestos, em geral, são pacíficos, mas casos de depredação, reações violentas das forças policiais e conflitos costumam ganhar atenção da mídia. Além de apoio de artistas, famosos, esportistas, pessoas públicas, empresas, etc.
  • 5. No Brasil, tivemos três séculos de escravidão e foi o último grande país ocidental a extinguir a escravidão. E como aconteceu na maioria dos outros países, o Estado não criou um sistema de políticas públicas para inserção dos escravos libertos e seus descendentes na sociedade. Ou seja, não houve uma preocupação com a garantia de moradia, saúde, alimentação, estudo formal e inserção no mercado de trabalho. Os escravos recém libertos foram habitados em locais onde ninguém queria morar, como os morros, formando assim as favelas, sem nenhuma condição básica para sua sobrevivência. Hoje, cerca de 130 anos depois, os reflexos desse abandono ainda se fazem presentes e essa população ainda é marginalizada. O Brasil é o país com a maior população negra fora da África. No entanto, essa população está sub-representada em todos os âmbitos da vida social, ou seja, são minoria na política, nos cargos públicos, nas universidades, na televisão, etc. A luta dos movimentos negros organizados contra o racismo no Brasil, já tem uma longa história, mas inspirados pelo movimento americano, passaram a também fazer uso das hashtags e a se organizar pelas redes sociais para suas manifestações sob o grito de “VIDAS PRETAS IMPORTAM”, ampliando o alance nas mídias.
  • 6. O debate sobre a discriminação e o racismo é urgente e necessário em todas as esferas da sociedade. A discriminação racial é crime previsto na legislação brasileira e também está nos principais documentos internacionais de direitos humanos. Ainda assim, não ajudam a erradicar os impactos sofridos pelo povo negro. Sabemos que 56% da população brasileira se autodeclara negra ou parda. Diante disso, vamos a alguns dados: Os negros são apenas 29% nos cargos de chefia. Dentre os deputados federais, os negros somam 24% . No emprego informal temos 47% de negros. Os negros são 65% da população carcerária no país. Dados da CPI do Senado Federal informam que um jovem negro é assassinado a cada 23 minutos no país. Sabemos ainda, que cerca de 80% das pessoas assassinadas pela polícia em 2019 eram negras, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Onde está a igualdade?
  • 7. De acordo com o filósofo e jurista Silvio Almeida, presidente do Instituto Luiz Gama (ONG que atua pela igualdade racial), quando se admite a existência do racismo, cria-se automaticamente a obrigação moral de agir contra ele: — A negação é essencial para a continuidade do racismo. Ele só consegue funcionar e se reproduzir sem embaraço quando é negado, naturalizado, incorporado ao nosso cotidiano como algo normal. Não sendo o racismo reconhecido, é como se o problema não existisse e nenhuma mudança fosse necessária. A tomada de consciência, portanto, é um ponto de partida fundamental. — Os brasileiros entendem que é lá fora que existe ódio racial, não aqui. Acreditam que no Brasil vivemos numa democracia racial, miscigenados, felizes e sem conflito. Essa é a perversidade do nosso racismo. Ele foi construído de uma forma tão habilidosa que os brasileiros chegam ao ponto de não quererem ou não conseguirem enxergar a realidade gritante que está bem diante dos seus olhos. Para ler a matéria completa, clique aqui.
  • 8. As origens desse dia estão relacionadas aos esforços de movimentos sociais para evidenciar as desigualdades históricas que ainda hoje afetam o povo negro no Brasil. A data escolhida, 20 de novembro, coincide com a data da morte de Zumbi dos Palmares (1655-1695), líder do Quilombo dos Palmares, no período colonial brasileiro.Desde a década de 70, essa data vem sendo utilizada para relembrar as condições desumanas da escravidão no Brasil e as formas de resistencia dos povos escravizados. Os quilombos eram agrupamentos de escravos foragidos das fazendas coloniais, lá os ex-escravos se organizavam para garantir sua subsistência e a reprodução de sua cultura. Esses locais eram frequentemente alvo da violência dos senhores de escravos, que tentavam retomar o controle desses foragidos. O quilombo dos Palmares fica localizado no estado de Alagoas e é a mais famosa comunidade de escravos foragidos de nossa história. Seu último líder foi Zumbi, que assumiu a liderança quando o governo da Capitania de Pernambuco negociava a submissão dos quilombolas à Coroa Portuguesa. Por não concordar com essa Proposta Zumbi, desafiou Canga Zumba (que era o atual líder). Canga Zumba foi envenenado por um aliado de Zumbi e este então assumiu a liderança. No final do século 17, o quilombo foi alvo de diversos ataques de bandeirantes, Zumbi foi caçado e morto e sua cabeça foi exibida em praça pública para desencorajar os demais escravos.
  • 9. Em meados de 1970, os universitários Oliveira Silveira, Vilmar Nunes, Ilmo da silva e Antônio Carlos cortes começaram a questionar a legitimidade do 13 de maio para o povo negro. Eles achavam que a data não representava a liberdade dos negros por que foi uma data imposta pelos brancos, que a data é representada pela lei Áurea, princesa Isabel e etc. sendo assim, pensaram no 20 de novembro como uma data de resistência, de luta de conquista para o povo negro. O feriado foi instituído por meio da lei federal número 12.519, de 10 de novembro de 2011. Foto: Carta Capital
  • 10. O que é, afinal, racismo estrutural? Segundo o pensador contemporâneo Silvio de Almeida, o racismo não é uma questão individual ou comportamental, mas um assunto fundamental para a compreensão da nossa sociedade e de suas desigualdades. Racismo estrutural é o termo usado para reforçar o fato de que a sociedade é estruturada com base na discriminação e que privilegia uma raça em detrimento de outras. Assim, pode se dizer que o racismo estrutural é a naturalização de ações, hábitos, situações, falas e pensamentos que fazem parte da vida cotidiana do povo brasileiro, e que promovem direta ou indiretamente a segregação e o preconceito. O THINK TANK Aspen Institute, define o racismo estrutural como: “Um sistema no qual políticas públicas, práticas institucionais, representações e outras normas funcionam de várias maneiras, muitas vezes reforçando, para perpetuar desigualdade de grupos raciais identificando dimensões de nossa história e cultura que permitem privilégios associados à “brancura” e desvantagens associadas à “cor negra”. O racismo estrutural não é algo que poucas pessoas ou instituições optam praticar, mas uma característica dos sistemas sociais, econômicos e políticos.
  • 11. Assista a fala de “Silvio Almeida” sobre o Racismo Estrutural O “Canal Preto” no Youtube, também traz uma fala sobre o tema
  • 12. Levar para a discussão em sala de aula reportagens (escritas e em vídeo), manchetes de jornal, debates sobre o tema (trechos do Roda-viva, por exemplo) sobre: - Casos de assassinatos de pessoas negras que mobilizaram as redes sociais e noticiários recentemente. - Os protestos antirracista noticiados nos EUA e no Brasil. - Assuntos com questões raciais que já aconteceram dentro da escola. - Debates entre os alunos. - Notícias de sites ou veículos jornalísticos confiáveis, pesquisas, documentos históricos são bons pontos de partida para a discussão nas aulas. - Trazer pessoas que possam falar aos alunos com propriedade, pessoas de referência em movimentos sociais e na luta anti racista. - Indicar séries, livros, documentários, filmes e podcasts.
  • 13. Ou seja, a maioria da população se autodenomina preta ou parda, somando 56,2% segundo o IBGE. Segundo o gráfico, 47,4% dos trabalhadores sem registro em carteira são negros.
  • 14. Nesse gráfico, temos um dado que mostra a falta de acesso da população negra a cargos de liderança: nenhum dos longas de 2016 tinha uma mulher negra como diretora e apenas 2,1% foram dirigidos por homes negros.. Neste segundo gráfico, vemos como os brancos dominam os elencos dos filmes brasileiros.
  • 15. Segundo dados do Saeb (2017) 74% dos jovens brancos concluem o Ensino Médio com até 19 anos, contra apenas 53,9% dos negros conseguem o mesmo feito. Outro dado traz a seguinte situação, 59,5% dos estudantes brancos cursando o 5 ano tiveram uma aprendizagem adequada no ensino da matemática, enquanto somente 29,9% dos negro se encaixam nesse quadro.
  • 16.
  • 17. - Utilize os gráficos considerando os saberes já adquiridos pelos estudantes em relação ao tema, propondo um diálogo para que observem e analisem os gráficos. - Use os gráficos para problematizar o tema por meio de questões disparadoras (Por que a população brasileira não se declara mais como branca? O que levou a população brasileira a se declarar como parda? O que leva a população preta e parda a procurar empregos informais?). - Uma boa sugestão é apresentar os gráficos e montar com os alunos uma tempestade de ideias que irá ser a base para a produção de um texto argumentativo. - Em um momento de problematização, é possível utilizar os gráficos para problematizar o tema por meio de questões disparadoras (Quantos youtubers/influenciadores digitais negros você conhece? Quais negros você lembra ter representatividade atualmente na mídia? Quais papéis são destinados aos negros nas telenovelas brasileiras?).
  • 18. ● Guia de uso pedagógico do documentário Afronta. ● Carta de Luís Gama a Lúcio de Mendonça. ● Vídeo: O que é racismo estrutural? ● Anúncios do século 19. ● Anúncios do século 21. https://drive.google.com/file/d/1heGH- KGBGExy4nGyWIVB81yzAimZyl8O/view ● https://www.youtube.com/channel/UC0NtqwtL1oLxwm3lx_Uo5Og ● E-book: Luiz Gama: o abolicionista que sonhou com o Brasil Livre. ● O que o Rap diz, a escola contradiz ● https://drive.google.com/file/d/15uaGKpCc7Yae1HrpFSownR_YHBC00GNW/ view ● https://lunetas.com.br/serie-educacao-antirracista/ ● https://www.youtube.com/watch?v=OcG9W_LVre8&feature=youtu.be ● https://www.youtube.com/watch?v=kNw8V_Fkw28&t=3s ● https://www.bbc.com/portuguese/brasil-52922015
  • 19. 1. Lovecraft Country: racismo e terror Questões em foco: Racismo e História dos Estados Unidos (Leis de Jim Crow, Direitos Civis) Onde assistir: HBO Brasil 2. Watchmen: super-heróis contra a supremacia branca Questões em foco: Violência racial e grupos extremistas da supremacia branca Onde assistir: HBO Brasil 3. Olhos que condenam: a história real da luta por justiça Questões em foco: Erro judicial e preconceito racial Onde assistir: Netflix
  • 20. 4. Cara gente branca Questões em foco: Apropriação cultural e discurso antirracista Onde assistir: Netflix 5. AFRONTA!: breves depoimentos de personalidades negras no Brasil Questões em foco: Representatividade, autonomia e igualdade racialOnde assistir: Netflix 6. 13ª Emenda: um documentário sobre o encarceramento em massa Questões em foco: Injustiça racial e encarceramento em massa Onde assistir: Netflix
  • 21. 7. Libertem Angela Davis: mulher, raça e classe em foco Questões em foco: tensão racial, preconceito, representatividade Onde assistir: Disponível em DVD e também no Youtube para compra 8. Pantera Negra: um clássico contemporâneo Questões em foco: representatividade e luta antirracista Onde assistir: Disponível em DVD ou no Disney + 9. Corra!: o terror do racismo estrutural Questões em foco: Racismo estrutural e preconceito velado Onde assistir: Telecine

Notas do Editor

  1. ver links
  2. https://www.netflix.com/br/browse/genre/81299227